Trabalho dac
Filosofia
TRABALHO REALIZADO POR:
ANA BEATRIZ Nº2, DUARTE Nº9, HENRIQUE Nº11, JOÃO SOUSA Nº12
Índice
Introdução------------------------------------------------------------------------------------------2
A interligação da Filosofia e da Matemática-----------------------------------------------3
Descartes no ambiente cultural do seu tempo--------------------------------------------4
O apreço de Descartes e a influência do conhecimento matemático na
construção do seu sistema filosófico---------------------------------------------------------
5
Confronto entre Descartes e Hume quanto à origem e à possibilidade de
conhecimento--------------------------------------------------------------------------------------
7
Conclusão-----------------------------------------------------------------------------------------11
Bibliografia----------------------------------------------------------------------------------------12
1
Introdução
No âmbito da disciplina de Filosofia, foi-nos solicitado que realizássemos
um trabalho, no qual se abordasse a diversidade dos modos de transporte e a
desigualdade espacial das redes.
Este tema tem como objetivo entender como funcionam os transportes e
tudo o que os rodeiam, para, por sua vez, compreender-se o que está à volta
dos diferentes modos de transporte e as suas diferenças.
O professor disponibilizou as suas aulas para os alunos poderem tirar
dúvidas e aprimorar devidamente o trabalho com a sua ajuda.
O trabalho é constituído pela introdução, desenvolvimento () e conclusão
O grupo, nas aulas, tentou organizar e planear as ideias iniciais, para
depois, quando reunidos via DISCORD, poderem acabar com completude e
rigor o trabalho.
2
A interligação entre Filosofia e Matemática
A ligação entre matemática e filosofia não é recente. A partir da Grécia
antiga até a era contemporânea, muitos filósofos tentam conciliar a matemática
e a filosofia, de tal forma que eles são capazes de desenvolver os seus
próprios pensamentos e torná-los realidade.
Matemática é até um campo de estudo de filosofia, e é chamada filosofia
da matemática. O campo lida com questões fundamentais relativas à natureza
e à validade do conhecimento matemático. Assuntos como a natureza dos
números, a questão de saber se são entidades reais ou criações da mente, da
existência de objetos matemáticos que se encontram fora da mente humana e
a base da verdade matemática. O outro campo é a filosofia que está ligada à
matemática, do qual se dá o nome de metafísica. Neste campo, examina-se as
questões acerca da natureza da realidade, incluindo questões sobre a
existência e a natureza dos objetos matemáticos.
No entanto, a relação entre matemática e filosofia não é meramente uma
continuação ou um desdobramento. Por um lado, existem aspetos essenciais,
por exemplo, enquanto a filosofia lida com os problemas metafísicos de
existência e essência, a matemática fornece instrumentos para a formação e
descrição da realidade. Por outro lado, ambas as disciplinas procuram verdade
e certeza. Descartes, filósofo que se irá abordar ao longo do trabalho, utilizou
um método inspirado na matemática para conquistar a verdade e conseguir
chegar à crença básica sob a qual edificou o conhecimento. O filósofo utilizou o
raciocínio dedutivo, muitas vezes aplicado na matemática, para desenvolver as
suas ideias e chegar à conclusão que de facto é possível conhecer e existe
conhecimento.
Assim, dada a capacidade de simplificação de ideias e conceitos
abstratos, a matemática surge como uma ferramenta necessidade e
fundamental para a filosofia. A matemática transforma algo complexo e abstrato
em algo objetivo e preciso, de forma a que seja mais fácil chegar a uma
conclusão, contribuindo para o desenvolvimento da filosofia.
Descartes no ambiente cultural do seu tempo
3
Descartes foi um revolucionário do seu tempo, o século XVII. Este
período ficou marcado por mudanças, nas quais o próprio Descartes teve
impacto, por exemplo, a nível do pensamento, religião, política, entre outros.
Como foi suprarreferido, neste século observaram-se enormes
mudanças. Descartes viveu a época do Renascimento e do Humanismo,
movimento que procurava recuperar as obras da antiguidade clássica, de forma
a revitalizar as artes, as ciências e o pensamento crítico. As suas ideias
inovadoras surgiram como consequência desses movimentos, que estimularam
a busca pelo conhecimento por meio da razão e da observação
Neste século, o ensino baseava-se na tradição filosófica e educacional,
que, por sua vez, se baseava nos escritos de filósofos como Aristóteles. Este
ensino, de nome “ensino escolástico”, procurava conciliar os sagrados
ensinamentos da fé cristã com o platonismo e o aristotelismo. Havia uma
produção de conhecimento baseado na disputa, no confronto de perspetivas,
visando respostas sustentadas na razão.
Este tipo de ensino privilegiava a memorização e a repetição, algo que
Descartes criticava. Este considerava que os alunos não deviam apenas
decorar as obras antigas e as doutrinas, mas sim ser encorajados a
compreendê-las, de modo a conseguirem estimular o pensamento crítico e a
análise rigorosa. O próprio afirma que a grande dependência em obras antigas
originava alunos dependentes e dogmáticos, uma vez que estes aceitavam
doutrinas sem desenvolver o seu pensamento crítico e próprio. Além disso, o
tipo de ensino em questão não fornecia verdades indubitáveis e fundamentais.
Descartes procurou fundamentos para formular uma base sólida e segura na
qual pudesse apoiar as suas ideias, algo que não conseguiu encontrar nas
doutrinas tradicionais do seu tempo. O pensamento revolucionário e
independente de Descartes em relação à tradição da época, levou-o ao
desenvolvimento da sua filosofia e das suas ideias.
Figura 1 Réné Descartes
4
O apreço de Descartes pela Matemática e a influência do
conhecimento matemático na construção do seu sistema
filosófico
Descartes, além de filósofo, foi também um matemático de renome. O
mesmo foi um dos fundadores da geometria analítica: a geometria passou a
beneficiar da linguagem da análise, mais fácil de manipular e manusear e, por
outro lado, a análise ganhou com o suporte intuitivo fornecido pela geometria.
Foi no decorrer do ano de 1637 que Descartes concluiu o Discurso do
Método acompanhado de três anexos, o último dos quais A Geometria. Escrita
com a intenção de ilustrar matematicamente as considerações filosóficas gerais
do Discurso do Método relativamente ao método científico, A Geometria é a
única obra matemática publicada pelo filósofo e matemático, ocupando uma
centena de páginas.
Por outro lado, na sua Filosofia, Descartes também se debruçou sobre a
Matemática, utilizando na construção e desenvolvimento de ideias:
Descartes deixou-se ser influenciado pela matemática na construção do
seu método cartesiano. Descartes tinha a intenção de formular de forma
metódica uma resposta aos céticos radicais, pelo que, na sua visão, a
matemática fornecia ferramentas para organizar um método preciso e claro que
tinha como base fundamentos indubitáveis e, por meio do raciocínio lógico,
conseguia-se concluir algo. Assim, começando a partir da dúvida, aplicou um
método matemático que tivesse por base a razão, de forma a chegar a
verdades incontestáveis. Assim, o seu método, apelidado de método
cartesiano, consistia em, inicialmente, duvidar de todas as crenças. Descartes
rejeitou qualquer coisa que pudesse ser posta em causa, até encontrar algo
indubitável. Com a aplicação das regras que levariam às duas operações
fundamentais do entendimento (intuição e dedução), Descartes pretendeu
dividir os problemas filosóficos que surgissem em problemas mais simples e
menores, demonstrando semelhanças com um matemático que dividiria um
problema em etapas mais simples e solucionáveis. Além disso, ainda
relacionados com a aplicação das regras, além de dividir as questões
filosóficas, também procurou sintetizar essas partes de forma parecida ao
processo de análise e síntese encontrado na resolução de problemas
matemáticos. Por fim, Descartes buscava chegar a conclusões que fossem tão
claras e distintas quanto as proposições matemáticas, garantindo assim a sua
certeza.
A aplicação da dúvida mostrava a afinidade de Descartes pelo rigor
matemático e a sua busca por certezas indubitáveis. A dúvida era utilizada em
5
diversas formas e níveis, de forma semelhante a uma prova matemática.
Através da dúvida hiperbólica, Descartes duvidava de tudo o que podia ser
posto em causa, inclusive as crenças fundamentais e as perceções sensoriais.
Ele questiona a confiabilidade dos sentidos e até mesmo a possibilidade de ser
enganado por um génio maligno. Utilizando a mesma, buscou demolir todas as
suas crenças, de forma a construir de novo um sistema de conhecimento sólido
e indubitável, como um arquiteto. Tudo isto serviria para encontrar verdades
claras e evidentes, como as proposições matemáticas, das quais se podiam
fundamentar outras crenças, estas já não autoevidentes.
Descartes, no seu pensamento, refletia o rigor e a precisão
característicos da matemática e utilizava uma metodologia analítica e dedutiva
semelhante na investigação de questões filosóficas. Por um lado, assim como
um matemático desmonta um problema em etapas solucionáveis, Descartes
decompunha os problemas filosóficos complexos, de forma a este serem
menores e mais compreensíveis. Além disso, como os matemáticos sustentam
as suas afirmações com demonstrações rigorosas, o filósofo buscava provar e
demonstrar de forma clara e indubitável as suas conclusões. Por outro lado,
Descartes era racionalista, dando valor à razão e à possibilidade de alcançar
conhecimento seguro e universalmente válido. Essa abordagem reflete a
confiança na razão lógica que é característica da matemática.
Descartes alcançou a sua primeira verdade indubitável, “Penso, logo
existo”, através de um processo de raciocínio e análise semelhante ao utilizado
na matemática. Ele descartou todas as crenças que podiam ser postas em
causa até que isso conduzisse a essa verdade incontestável, a afirmação da
sua existência. Por fim, assim como uma proposição matemática, Descartes
buscava verdades claras e evidentes, tais como as proposições matemáticas.
A influência da matemática no método e na filosofia de Descartes é
evidente em todos esses aspetos. O seu método cartesiano reflete o rigor e a
clareza da abordagem matemática, e as suas primeiras verdades foram
alcançadas através de um processo de raciocínio e análise que ecoa os
métodos matemáticos de prova e demonstração. Essa interseção entre a
matemática e a filosofia é central para o pensamento cartesiano e teve um
impacto significativo no desenvolvimento da filosofia moderna.
6
Confronto entre Descartes e D. Hume quanto à origem e à
possibilidade do conhecimento
Quanto a origem
Descartes considerava a razão a principal fonte de conhecimento. Para
Descartes, a razão, devidamente guiada pelo método, pode alcançar princípios
evidentes, claros e distintos, independentes da experiência. É na razão que
procura os fundamentos do conhecimento. Só encontrando esses fundamentos
é que seria possível superar os argumentos dos céticos radicais, algo que o
próprio Descartes pretendeu superar.
Segundo o mesmo, além das ideias factícias e das ideias adventícias,
existem ideias inatas. No entanto, o conhecimento deverá ser construído sobre
ideias inatas, ideias constitutivas da própria razão e que já possuímos à
nascença. É a partir destas ideias, mediante as duas operações fundamentais
do entendimento, que se constitui o conhecimento. Descartes sublinha a
importância do raciocínio dedutivo na obtenção do mesmo.
Entre as ideias inatas, encontra-se a ideia de ser perfeito, um ser
omnisciente, sumamente inteligente, infinito, eterno, independente,
omnipotente, sumamente bom e criador de toda a realidade. Descartes
comprovou a sua existência e entendeu que Deus, o ser perfeito, é a garantia
da verdade das ideias claras e distintas. Segundo o mesmo, podemos confiar
nas nossas ideias claras e distintas, nos nossos argumentos e demonstrações
que as tomam como premissas e nas nossas faculdades racionais, que
recebemos de Deus. Sendo criador das verdades eternas, a origem do ser e o
fundamento da certeza, Deus é o princípio do ser e da verdade. Assim,
Descartes constrói o edifício do conhecimento, uma vez provada a existência
de Deus.
Portanto, Descartes concluí que existe conhecimento à priori acerca do
mundo. É nesse conhecimento, associado às ideias inatas e inseparável da
veracidade divina, que o conhecimento à posteriori encontra o seu fundamento.
No entanto, se Descartes privilegia a razão e o conhecimento à priori, David
Hume, pelo contrário, privilegia a experiência e o conhecimento à posteriori.
Para Hume, existem dois tipos de conhecimento, as questões de facto e as
relações de ideias. Por um lado, o conhecimento de relações de ideias é
independente da experiência e dos factos, embora não deixem de derivar da
experiência. Estamos perante conhecimento à priori. Por outro lado, o
conhecimento de questões de facto depende da experiência sensível, sendo
que o seu valor de verdade só pode ser determinado recorrendo à experiência.
Trata-se de conhecimento à posteriori. Como todas as ideias têm uma origem
empírica, contrariamente àquilo que Descartes conclui, Hume afirma que não
conhecimento à priori acerca do mundo, sendo este à posteriori.
7
Além disso, para Hume, não existem ideias inatas. Todas as ideias variam
de impressões. Os princípios de conexão entre as ideias são a semelhança, a
contiguidade no tempo e no espaço e a causalidade. Apesar de considerar a
indução não fiável, Hume sublinha a sua importância.
Por fim, contrariamente a Descartes, Hume nega a existência de Deus.
Hume considera que não existe um ser cuja não existência implique
contradição. Assim, o argumento ontológico, que pretende demonstrar a
existência de Deus apenas com base na ideia de Deus, é desde logo excluído,
Hume colocou igualmente objeções a outras provas da existência de Deus, o
que não significa que negasse a existência de tal ser. Assim, a afirmação de
que Deus existe não é racionalmente justificável, pelo que não pode ser uma
base para posteriormente se concluir que existe conhecimento.
Quanto a possibilidade
Descartes derrotou o ceticismo radical, concluindo que o conhecimento é
possível, usando essencialmente a razão. Utilizando a dúvida, Descartes
adotou uma postura de ceticista, duvidando de tudo. A partir da dúvida
constante chegou a uma verdade incontestável, a afirmação da sua existência,
enquanto ser pensante e que coloca tudo em dúvida. Assim o “Penso, logo
existo” constituí uma afirmação evidente e indubitável, que servirá de modelo
para as várias crenças verdadeiras.
Assim, concluiu ser possível haver ideias claras e distintas, havendo assim
conhecimento. As ideias claras e distintas podiam ser de três tipos de
substâncias:
Pensante
Extensa
Divina
Assim Descartes usou um método que lhe permitiu fundamentar o
conhecimento. Se as ideias fundamentais são inatas, a razão, desde que
devidamente orientada, é capaz de alcançar um conhecimento claro e distinto.
Por outro lado, Hume assume que é possível conhecer, mas entende
que é limitado. Este entende que se duvidássemos de tudo, se
abandonássemos a crença na existência do mundo exterior, a crença na
existência de relações causais efetivas entre os fenómenos ou a crença no
princípio da uniformidade da natureza, cairíamos numa hesitação constante e a
vida prática tornar-se-ia impossível. Também as ciências empíricas não se
poderiam desenvolver.
Assim entende que o conhecimento é possível, mas, dado o caráter
injustificável da indução e a impossibilidade de saber se há relações causais
reais entre os fenómenos, aquilo que podemos conhecer é menos do que
8
supomos. Não podemos justificar racionalmente a existência de algo que
ultrapasse as perceções.
Figura 2 quadro que compara Hume e Descartes
9
Conclusão
Com este trabalho, o grupo concluiu que a influência da matemática no
pensamento de Descartes é inegável e profunda. No seu trabalho, Descartes
demonstrou uma dedicação especial à aplicação dos métodos matemáticos ao
estudo da natureza e da mente humana. Ao aplicar princípios matemáticos de
clareza, distinção e certeza às questões filosóficas, Descartes estabeleceu as
bases para uma nova maneira de investigar a realidade. A sua famosa frase
"Cogito, ergo sum" ("Penso, logo existo") reflete não apenas a sua busca por
uma verdade indubitável, mas também a sua confiança na capacidade da
razão humana, moldada pela disciplina matemática, para alcançar
conhecimento seguro sobre o mundo e o eu. Assim, a influência da matemática
em Descartes transcende o mero uso de métodos ou analogias matemáticas.
Por outro lado, compreendeu que a ligação entre a matemática e a filosofia é
profunda, transcendendo disciplinas e influenciando o desenvolvimento do
pensamento humano ao longo da história. Desde os tempos antigos até os dias
atuais, a matemática e a filosofia têm estado intrinsecamente ligadas, muitas
vezes se alimentando mutuamente e inspirando avanços significativos em
ambas as áreas.
Assim, o grupo entende que realizou este trabalho com rigor e completude,
visando aprofundar os seus conhecimentos anteriormente adquiridos em sala
de aula.
10
Bibliografia
BORGES, José Ferreira. Em Questão 11. 1ªed. Porto Editora
BORGES, José Ferreira. Resumos Filosofia 11ºano. Elementos
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
10-20220830%20(2).pdf
11