CRIPTOCOCOSE
Profa. Cristiane Godoi
Dermatologia veterinária
Cristiane Godoi
• Médica veterinária com Pós Graduação em Dermatologia
Veterinária (Anhembi Morumbi) - 2011.
• Pós Graduação em Medicina Felina (Equalis) - 2017.
• Sócia da SBDV (Sociedade Brasileira de Dermatologia
Veterinária).
• Atualização em Alergologia e Imunologia (Dermatovet)-
2018.
• Professora no módulo de Dermatologia Veterinária no
curso de Pós Graduação de Clínica Médica da
Universidade Metodista, 2021.
• Professora da Pós-graduação da Faculdade Qualittas.
• Palestrante em simpósios e cursos.
• 22 anos em atendimento em Clínica Médica e Cirúrgica.
• 11 anos em atendimento em Dermatologia de pequenos
animais.
• Sócia e proprietária da Foconavet cursos.
CRIPTOCOCOSE
• É uma micose de distribuição mundial.
• É uma doença fúngica sistêmica, não contagiosa.
• Adquirida de ambiente contaminado.
PROPRIEDADES DO AGENTE
As espécies estão distribuídas num complexo.
Complexo de espécies Cryptococcus neoformans- C. gatti
- C. neoformans var. grubii
- C. neoformans var. neoformans
- C. gatti (pode ter maior virulência e pode afetar SNC)
Nomenclatura antiga: 5 sorotipos (A,B,C,D,AD) de acordo com as características
antigênicas do polissacarídeo capsular.
PROPRIEDADES DO AGENTE
Fungos dimórficos:
Hospedeiro
Ambiente
COMENTÁRIOS
Pacientes imunocompetentes vs imunossuprimidos – ambos são acometidos.
Patógeno primário.
FIV e FelV (?).
Gatos são mais acometidos , no entanto podem acometer inúmeros outros
animais (marsupiais, aves, repteis, cães, cavalos, furões, pássaros).
NÃO É ZOONOSE– não tem comprovação da transmissão animal-homem.
A inalação de aerossóis é a forma mais fácil de se infectar.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
• C. neoformans: Europa e EUA..
• C. gattii: Localizado em regiões tropicais e subtropicais.
• C. Neoformans var. grubii – isolado comum em pessoas e animais.
No mundo todo.
Artigo em 2008: C. albidus , nova espécie e com relato em gato no
Japão, não está no complexo C. neoformans – C gattii
EPIDEMIOLOGIA
Criptococcus neoformans – presente nas fezes de
pombos , substrato ideal para o fungo ficar viável
nas fezes-até 2 anos.
Em áreas concentradas de pombos o risco de
infecção por inalação é alto.
Áreas com ar condicionado pode ter fezes de
pombos- pode haver dispersão do fungo.
EPIDEMIOLOGIA
O Criptococcus está mais raramente pode estar
presente no ar, poeira, ninhos de vespa, leite, grama
e insetos.
Casca de tronco de eucalipto- folhas secas.
Comum em felinos jovens a meia idade (domiciliados? Afiam garras em casca de
árvore?).
Sem predileção sexual.
Artigos citam raças como siamês, ragdoll, birmanês, abissínio como predileção
(?)
Animais semidomiciliados ou errantes- mais acometidos.
INFECÇÃO
• Ocorre através dos basidiósporos – propágulos infecciosos- que pelo fluxo de ar- penetram no
sistema respiratório e induzem a infecção primária.
• Do trato respiratório superior a infecção pode se espalhar para SNC através do osso etmóide.
• Meningoencefalomielite(quando há aspiração pode passar pela placa cribiforme).
• Alguns animais podem ser assintomáticos de 1 a 13 meses (período de incubação).
OSSO ETMOIDE
O osso etmoide se localiza abaixo do assoalho
do crânio, o etmoide contém uma área
denominada de placa cribriforme, que possui
pequenas aberturas ou forames, através
dos quais ramos segmentares dos nervos
olfatórios passam, localizada anteriormente a
placa cribriforme fica localizada a crista gali.
INFECÇÃO
Rinite micótica por invasão do epitélio (espirros, aumento de volume seio nasal/ rinoscopia e
cultura de secreção pode ajudar a elucidar).
A forma mais clássica em cães e gatos é a colonização de trato respiratório anterior- narina, seios
nasais, faringe, laringe.
Em cavalos e no homem a forma mais clássica é pulmão.
Pela multiplicação há a disseminação para trato respiratório, sangue e outros locais.
A inalação é a forma mais provável de infecção.
Na pele: pode ser multifocal ou isolada no gato.
MECANISMOS DE VIRULÊNCIA
Combate ao dano oxidativo do hospedeiro:
• Produção de melanina – invasão de SNC (dopamina). Melanina – aumenta patogenicidade
do fungo – prejudica resposta inata e adquirida do hosp. Suscetível.
• Produção de enzimas (superóxido dismutases, fosfolipases, lactases e catalases)-
defesa/combate a inflamação, aumentando a infecção.
• Produção de manitol – proteje contra danos oxidativos.
Grande cápsula polissacarídica:
• Carga negativa- complica a fagocitose.
• Faz depleção do sistema complemento – conj. Ptn que sinalizam a presença do patógeno.
• Cápsula facilita aderência.
• Remove as selectinas - (proteínas que são expostas no tecido para chamar as células de
defesa- neutrófilos).
• Aumenta a IL-10
• Reduz TNF alfa e IL-1
Cresce até numa temperatura de 37°C e se mantém vivo.
CRIPTOCOCOSE
• Granulomas disseminados em gato com lesões
multifocais.
CRIPTOCOCOSE
CRIPTOCOCOSE
Trabalho antigo: refere carreamento assintomático de Cryptococcus neoformans na cavidade nasal de cães
e gatos contribuindo para disseminação no meio ambiente.
Lavados de cavidade nasal revelou presença de C. neoformans var neoformans embora sorologia negativa
Sorologia negativa – são portanto carreadores e não estão infectados
Carreamento de blastoconídios e basidiósporos para o ambiente (colonizam ambiente e são a forma
infectante).
SINAIS CLÍNICOS
• Respiratórios: corrimento nasal uni ou bilateral (seroso, mucopurulento ou hemorrágico),
dificuldade respiratória, ruídos respiratórios(roncos, sibilos), oclusão das narinas por
“carne esponjosa”.
• Tegumentares: pápulas, nódulos tumores e gomas, crostas hemorrágicas, úlceras, fístulas
e deformidade da ponte nasal, “nariz de palhaço”.
• Neurológicos: alt. De comportamento, nistagmo, cegueira e convulsões.
Meningoencefalomielite(quando há aspiração pode passar pela placa cribiforme).
• Através da via hematógena, afeta outros órgãos.
• Uveíte/ coriorretinite/ osteomielite e poliartrite, linfadenite sistêmica ou envolvimento
de múltiplos órgãos, incluindo rins.
CRIPTOCOCOSE
CRIPTOCOCOSE
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Acervo Mariana Cardozo Acervo Mariana Cardozo
Acervo Mariana Cardozo
CRIPTOCOCOSE
Acervo Jéssica Miranda Acervo Jéssica Miranda
Acervo Jéssica Miranda
Em alguns casos, uma massa carnuda pode se projetar de uma ou ambas as narinas.
CRIPTOCOCOSE
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DIAGNÓSTICO
• Citologia – custo baixo e bem específico/ costuma ser assertivo.
• Detecção de antígenos por Elisa ou teste de soroaglutinação em látex- detecta antígeno capsular.
Material sangue (soro) ou LCR.
Para avaliação da resposta terapêutica somente 8 semanas após tratamento.
• Histopatológico – quando precisa diferenciar ou avaliar doenças concomitantes/colocar suspeitas
para usar coloração correta/especial.
• Cultura fúngica – com cuidado de biossegurança pela dispersão do fundo pelo ar.
Na amostra coletada tem que ter o fungo, se não tiver pode ser negativa.
PCR- Identificação genética em amostras de LCR, soro, biópsia – não utilizado rotina.
- PAAF
- SOAB
- Espátula
CITOLOGIA
A visualização da cápsula – característica + brotamento de base estreita- pedúnculo.
De punção.
CITOLOGIA
Citologia por esfregaço ou lavagem nasal (aumenta a chance de remover e encontrar o fungo).
Impressão de biópsia de tecido nasal (quando retira o fragmento de biópsia).
PAAF ou PAF de outros tecidos infectados: linfonodo, lesão nodular em cavidade oral etc.
Pela obtenção de humor vítreo – mais arriscado(anestesia).
Colorações: Wright Giemsa ou azul de metileno – aumentam a chance de visualização.
Panótico – Diff-quik - imagem negativa da cápsula)
CITOLOGIA
CITOLOGIA:
Acervo Mariana Cardozo
CITOLOGIA:
CITOLOGIA
Esporotricose Criptococose
Acervo Mariana Cardozo
HISTOPATOLOGIA
Histopatologia: dermatite nodular a difusa, piogranulomatosa (neutrófilos
e macrófagos) a granulomatosa (macrófago – mais crônica) com paniculite
contendo numerosos organismos.
Fig 1. Criptococose em caninos e felinos.
(A) Leveduras de Cryptococcus sp arreondadas com
célula central circundada por uma cápsula que não se
cora, conferindo ao tecido um aspecto de “lesão em
bolha de sabão". No detalhe a célula da levedura
levemente basofílica circundada por uma cápsula
espessa não corada (hematoxicilina-eosina).
(B) Leveduras fortemente coradas em azul. No detalhe
a levedura apresentou cápsula com aspecto radiado
externamente e parede fortemente corada (azul
Alciano).
(C) Leveduras fortemente coradas em vermelho. No
detalhe a levedura apresentou cápsula com aspecto
radiado externamente e parece fortemente corada
(mucicarmin de Mayer).
Somente as células das leveduras coraram fortemente
nas colorações do ácido periódico de Schiff (D).
Grocott (E) e Fontana-Masson (F).
Tese de doutorado: Glauco José Nogueira de Galiza. Sta Maria, RS, 2014.
CULTURA
Material:
Swab de tecido nasal/ PAF/LCR/Linfonodos/fluido pleural e abdominal.
A cultura deve ser realizada se o teste de antígeno for negativo, quando os títulos estiverem baixos ou
ausentes.
Submeter a cultura amostras de biópsias nasais , pois a presença do agente em culturas de secreção
nasal não é considerada evidência da doença.
CULTURA
Cultura positiva de amostras de biópsia e alterações histológicas consistentes com infecção são
consideradas diagnósticas e podem ser usadas para testar a sensibilidade de drogas antifúngicas.
A cultura de amostras de biópsia é mais sensível que a coleta de citologia na confirmação da infecção.
O agente é facilmente isolado em ágar Sabouraud dextrose após incubação a 25°C e 37°C por 10 dias,
mas também em meio padrão bacteriano.
Sem cicloheximida- impedientes para fungos ambientais que impedem crescimento do Criptococcus.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
M.A.L.E.N.C.H
• M icobacteriose
• A lgose
• L eishmaniose
• N ocardia
• N eoplasia
• C riptococose
• H istoplasmose
PROGNÓSTICO
Favorável na maioria dos casos, desde que o diagnóstico seja obtido precocemente (antes da
disseminação ou antes do desenvolvimento de lesões irreversíveis) e pacientes e proprietários
cumpram um longo curso de tratamento (meses) e seguimento (anos).
Embora as informações sobre os resultados sejam bastante limitadas, parece que os gatos têm um
prognóstico mais favorável do que cães ou cavalos, que desenvolvem mais frequentemente doenças
respiratórias, disseminadas e neurológicas inferiores com maior mortalidade associada
Prognóstico – resumo.
Depende de quais sistemas foram acometidos – Variável.
Quando tratados no início o prognóstico pode ser bom para os felinos..
Acompanhar com exames bioquímicos (tratamento).
Quando acomete SNC prognóstico bem ruim.
TRATAMENTO
A escolha do fármaco antifúngico depende de muitos fatores
Conformidade do tutor é primordial – altos custos- tempo de compromisso (tratamento longo).
De acordo com o consenso em casos de acometimento de SNC ou sistêmicos, a anfotericina B
isoladamente ou em combinação com flucitosina (concentração alta no líquor) pode ser a primeira
escolha na meningite criptococócica, seguida de tratamento com fluconazol ou itraconazol.
Fluconazol passa a barreira hematoencefálica por esse motivo é indicado quando tem SNC acometido.
TRATAMENTO
A recidiva ou a reinfecção pode ocorrer.
Excisão cirúrgica de qualquer nódulo localizado na pele, mucosa nasal ou oral pode ajudar na terapia.
Tratamento recomendado até o teste de antígeno negativar. Caso esse teste não esteja disponível, o
tratamento deve ser continuado por 2 a 4 meses após resolução dos sinais clínicos.
TRATAMENTO
Indução: negativar a carga fúngica – tratamento mais agressivo.
Consolidação: durante a cura microbiológica, melhora clínica.
Suspensão ou manutenção: tempo mínimo 1 mês. Visa a cura microbiológica.
Tratamento:
TRATAMENTO
Em casos mais graves pode associar:
Flucitosina antifúngico – ácido nucleico analógico(gatos) 250mg VO 48/48h + anfotericina B
(antifúngico).
Supressão de medula óssea/ trombocitopenia ou leucopenia/ hepatotoxicidade e enterocolite e com
anfotericina potencializa ação nefrotóxica dela.
Hemograma e função renal, hepática 2 xs na semana fica recomendado.
Cetoconazol (cuidado- pelo consenso de esporotricose ele não é mais indicado para gatos) /
itraconazol/ fluconazol.
2 a 4 meses de tratamento até cura microbiológica.
CRIPTOCOCOSE
Existe resistência antifúngica?
Pensar nisso quando o tratamento falha(em 15 dias precisa ver melhora).
CRIPTOCOCOSE
Esse artigo faz referência a primeira descrição de um Cryptococcus neoformans var grubii resistente ao fluconazol
(FLZ) – caso de criptococose felina, in vitro.
Permaneceu suscetível a anfotericina B, itraconazol, voricon zol, posaconazol.
CRIPTOCOCOSE
Relato de caso de Cryptococcus gattii (tipo molecular VGIII) que desenvolveu suscetibilidade reduzida ao fluconazol
durante a terapia e feito delineamento dos mecanismos moleculares responsáveis.
O C. gattii tem mais predisposição pra SNC, é mais virulento.
O que mais atendendemos é o C. neoformans.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não é zoonose: animais podem servir de sentinelas para exposição de seres humanos.
Pacientes imunocomprometidos podem responder com dificuldade ao tratamento.
Controle de pombos/ ninhos em ar condicionado/ limpeza dos locais usando máscaras/
usar cal hidratada – faz ressecamento das fezes e evita a aerolização.
É a micose sistêmica mais comum e grave em cães e gatos
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