Polarização da Luz
Douglas Ver Valen Cruz Silva
Departamento de Física, Universidade Federal do Paraná
Centro Politécnico, 81531-990, Curitiba, Paraná
douglasvervalen@[Link]
24 de Julho de 2022
1
Sumário
1 Introdução 3
2 Metodologia Experimental 4
2.1 Polarização por Absorção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.1.1 Materiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.1.2 Intensidade da fonte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.1.3 Intensidade da fonte com Polarizador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.1.4 Polarizadores A e B . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.1.5 Experimento com 3 polarizadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.2 Polarização por Reflexão - Ângulo de Brewster . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.2.1 Materiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
3 Resultados e Discussão 5
3.1 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
3.2 Discussão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
3.2.1 Lei de Malus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
3.2.2 Ângulo de Brewster . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
4 Conclusão 7
2
Resumo
O experimento realizado obteve relativo sucesso ao obter o ângulo de Brewster, θB = 55 ± 1 = (0, 95 ± 0, 02)rad,
divergindo de 1% a 5% do valor de referência, comprovando assim a validade da teoria desenvolvida por
Brewster. O ajuste de curvas para a Lei de Malus obteve uma acurácia média de 0,999545, demonstrando uma
satisfatória relação entre a teoria e os dados obtidos.
Palavras chave: experiência, relatório, polarização, polarizadores, Brewster
1 Introdução z é absorvida, se a orientação do campo elétrico da
onda original é aleatória, a soma das componentes y
Na praia em dias ensolarados, dirigindo ou mesmo an- tem o mesmo valor que a soma das componentes z.
dando contra o Sol é confortável usar óculos escuro. Quando a componente z é absorvida, metade da in-
Entretanto, você já deve ter ouvido que não basta ócu- tensidade I da onda original é perdida. A intensidade
los ser escuro, é preciso ser polarizado. Existem lentes I da luz que emerge do filtro é, portanto, metade da
de câmeras que são polarizadas, monitores LCD, telas intensidade original. Essa é chamada regra da me-
de celulares se baseiam em princípios da polarização tade. Agora se a onda já é polarizada, deve se notar o
da luz para filtrar as cores mostradas, entre outras campo elétrico E, tem suas componentes em z e y, a
aplicações. Mostra-se a importância de estudar e en- de y é transmitida e a de z é toda absorvida e sendo
tender esse fenômeno. Neste trabalho será discutido a o ângulo entre o campo E e a direção de polarização
polarização da luz através da reflexão e absorção, será do filtro, a relação que se estabelece é essa é a lei de
analisada a intensidade da luz polarizada, o estado de Malus para 2 polarizadores que diz que a intensidade
polarização da luz refletida e será medido o ângulo de da luz varia com o ângulo entre os 2 polarizadores.
Brewster que será explicado adiante. Quando os materiais dielétricos são colocados em uma
Primeiramente, é preciso compreender que a luz é uma região de campo elétrico intenso, pouca ou nenhuma
onda eletromagnética que são formadas por campo elé- corrente elétrica é capaz de fluir através deles. Isso
trico e magnético, perpendiculares entre si, que osci- ocorre porque esses materiais são pouco condutores.
lam no tempo e são capazes de se propagar no espaço. Ao propagar-se no interior dos dielétricos, o campo
Pode-se dizer ainda que a direção de propagação des- elétrico causa a polarização das suas moléculas, isto
sas ondas é perpendicular à sua oscilação, sendo cha- é, os portadores de cargas do material são levemente
madas de ondas transversais. deslocados de sua posição de origem, fazendo com que
A polarização, que é o fenômeno aqui estudado, pode um campo elétrico oposto ao campo elétrico externo
ser entendida como o processo de ‘filtrar’ ondas, ou surja, anulando-o.
seja, seleciona uma única direção de oscilação dessa n2
onda. Tal fenômeno é observado somente em ondas θB = arctan( ) (1)
n1
transversais. Existem três tipos de polarização: linear,
circular ou elíptica e não polarizada. Na polarização Quando a soma do ângulo de incidência com o ângulo
linear a direção do campo elétrico não se altera com de refração resulta em 90, dizemos que o ângulo de in-
o tempo, só a sua intensidade que sofre alteração e a cidência corresponde ao chamado ângulo de Brewster.
direção de oscilação se mantém fixa. O ângulo de Brewster é dado pela equação (1). Dessa
forma, quando a luz incide sobre uma superfície com
Como já foi mencionado existe polarização por ab- um ângulo de incidência igual a esse ângulo, os raios
sorção e reflexão, na primeira o material polarizador de luz sofrem polarização por reflexão e, os raios de
ideal deixa passar 100% da luz incidente no seu eixo de luz refletidos possuirão apenas as componentes rela-
transmissão e bloqueia toda a luz que incide vibrando tivas ao campo elétrico. É por isso que a luz do Sol
na direção perpendicular. Já na reflexão quando uma refletida sobre o vidro ou a água, em geral, apresenta
luz não-polarizada incide em uma superfície que se- um ponto de brilho muito intenso. Nessa região, a luz
para dois meios distintos, a luz refletida na mesma su- está sendo polarizada por reflexão, de modo perpen-
perfície pode ser parcialmente ou completamente po- dicular ao plano de incidência.
larizada dependendo do ângulo de incidência e da re-
lação com os índices de refração de cada meio. Enunciando a Lei de Malus, dada pela equação (2),
diz a intensidade esperada da luz, de acordo com o
Pensando na intensidade da luz transmitida por um ângulo que um polarizador faz com a luz polarizada
filtro polarizador. Começamos com luz não polari- incidente.
zada, cujas oscilações do campo elétrico podemos se-
parar em componentes y e z. Além disso, podemos su-
I(θ) = Imax cos(θ) (2)
por que o eixo y é paralelo à direção de polarização do
filtro. Nesse caso, apenas a componente y do campo Índice de refração descreve a velocidade com que um
elétrico da luz é transmitida pelo filtro; a componente feixe de luz atravessa um meio específico em relação
3
à velocidade com que atravessa um segundo meio. A 2.1.4 Polarizadores A e B
relação é descrita pela fórmula , onde c é a velocidade
da luz em um vácuo e v é a velocidade de fase da luz Os polarizadores foram posicionados próximos, de
no meio da amostra. forma que a luz transmitida através do polarizador
A fosse polarizada verticalmente (0°), e a luz trans-
mitida através do polarizador B fosse polarizada de
0° a 180°, com variação de 10 graus em cada medida.
2 Metodologia Experimental E então com o auxílio de um sensor de fibra ótica
posicionado a 10 cm de distância do polarizador B,
2.1 Polarização por Absorção foi determinada a intensidade da luz transmitida (em
candela), para cada variação do polarizador B. Com
2.1.1 Materiais as medidas feitas, foi preenchida a tabela 1.
Repetiu-se o processo anterior, mas desta vez o pola-
• Fonte de luz LED
rizador A foi colocado para variar de 0° a 180° com
• Polarizadores variação de 30 graus em cada medida, e o polariza-
dor B ficou fixo em 0°. Com as medidas feitas, foi
• Suportes para os Polarizadores preenchida a tabela 2
• Trilho Graduado
2.1.5 Experimento com 3 polarizadores
• Sensor de Fibra Ótica
Figura 2: Montagem do experimento
Figura 1: Montagem do experimento
Seguindo o esquema da figura 2. Montou-se um sis-
tema com 3 polarizadores sobre o trilho graduado. O
Seguindo o esquema da figura 1. Sobre o trilho gra- polarizador A ficou fixo a 0°, o polarizador B ficou
duado posicionou-se os polarizadores e a fonte de luz fixo a 90° e o polarizador C variou de 0° a 180° com
de LED. variação de 10 graus em cada medida. Com o auxílio
de um fotômetro foi determinada a intensidade da
luz transmitida (em candela), para cada variação do
2.1.2 Intensidade da fonte
polarizador C. Com as medidas feitas, foi preenchida
O ambiente foi preparado de modo em que se tivesse a tabela 3
a menor intensidade de luz possível, e então mediu-se
a intensidade mínima de luz local (em candela) com 2.2 Polarização por Reflexão - Ângulo
um auxílio de um sensor de fibra ótica. Foi ligada
de Brewster
a fonte de luz, e medida a intensidade de luz do equi-
pamento (em candela), novamente com o auxílio do 2.2.1 Materiais
fotômetro.
• Fonte de luz LED
2.1.3 Intensidade da fonte com Polarizador • Acessório Fenda Única
Colocou-se um polarizador próximo a fonte de luz de • Acessório Fenda Múltipla
forma que a luz transmitida através do polarizador
fosse polarizada verticalmente (0°). E então variou-se • Suporte para os Acessórios
a posição do polarizador de 0° a 90° com variação de • Trilho Graduado
10 graus em cada medida, e então mediu-se a intensi-
dade de luz para cada variação. • Disco Graduado
4
• Suporte para o Disco Graduado 3 Resultados e Discussão
• Lente Cilíndrica
3.1 Resultados
• Polarizador
• Suporte para o Polarizador Realizado os experimentos descritos nas seções 2.1 e
2.2 foram obtidos os dados anotados nas tabelas (1),
(2) e (3). E também, foi obtido um ângulo de Brewster
θB = 55 ± 1.
INTENSIDADE DA LUZ COM O POLARIZADOR
Polarizador I Transmitida (Cd)
A (Graus) B (Graus)
0 8,3
10° 8
20° 7,4
30° 6,4
40° 5
50° 3,6
60° 2,3
Figura 3: Montagem do experimento 70° 1,1
80° 0,3
0° 90° 0
100° 0,2
110° 0,9
120° 1,9
130° 3,2
140° 4,5
150° 5,9
160° 7,3
170 8
180 8,3
Tabela 1: Variando o ângulo do polarizador B.
Figura 4: Montagem do disco graduado
INTENSIDADE DA LUZ COM O POLARIZADOR
Polarizador I Transmitida (Cd)
Seguindo o esquema das Figura 3 e 4. Sobre o trilho A (Graus) B (Graus)
graduado posicionou-se: os acessórios fendas única e
0° 8,2
múltipla, a fonte de luz de LED e o disco graduado.
30° 5,8
Sobre o disco graduado foi colocado a lente cilíndrica
60° 1,8
alinhada com a "Normal do disco, e com a face plana
90° 0° 0,1
voltada para a fonte de luz, e também um suporte
120° 2,6
com um polarizador na borda do disco de forma que
150° 6,5
a luz refletida pela lente, fosse transmitida através do
180° 8,3
polarizador.
Então o disco foi rotacionado até o raio refletido fazer Tabela 2: Variando o ângulo do polarizador A.
um angulo de 90° com o raio refratado. Foi medido
o ângulo de Brewster (θb ). Após isso variou-se a
Então, tais dados obtidos foram organizados em grá-
posição do disco para θb + 10 e para θb − 10. E então
ficos.
verificou-se que não havia luz plano-polarizada para
um ângulo diferente do de Brewster.
Foram ajustadas curvas de tendência para os dados
Repetiu-se o processo anterior posicionado o disco no obtidos. A curva para o ajuste foi o formato y =
ângulo de Brewster, desta vez variou-se a posição do y0 + A ∗ sin2 ( π(x−x
w
c)
)
polarizador de 0° a 360° com uma v 10 graus a cada
medida, e então verificou-se a intensidade do feixe re- O parâmetro "A"e y0 foram A = 8,2768 e A = 8,13466
fletido para cada variação do polarizador com o auxílio e y0 = 0,13751 e y0 = 0,03724. Para xc = -90,41748 e
de um fotômetro. 86,92394. Para w foi obtido 181,44431 e 181,87751.
5
INTENSIDADE DA LUZ COM O POLARIZADOR
Polarizador I (Cd)*
A (Graus) B (Graus) C (Graus)
0° 0,0
10° 0,2
20° 0,7
30° 1,3
40° 1,7
45° 1,8
50° 1,7
60° 1,5
70° 0,8
80° 0,3
0° 90° 90° 0,1
100° 0,1
110° 0,5
120° 1,0 Figura 5: Gráfico 1, Intensidade Obtida e Ajuste da Lei
130° 1,4 de Malus.
135° 1,5
140° 1,4
150° 1,1
160° 0,6
170° 0,2
180° 0,0
Tabela 3: Com três polarizadores, variando o ângulo
do polarizador C. *Intensidade da luz transmitida
3.2 Discussão
3.2.1 Lei de Malus
Como pode-se ver nos gráficos (1) e (2), os parâme-
tros xc e w são parâmetros de transformação de graus
(unidade medida) para radianos, que é feita a interpre- Figura 6: Gráfico 2, Intensidade Obtida e Ajuste da Lei
tação do programa, e para a transladação de sin2 (x) de Malus.
(curva ajustada) para cos2 (x) (curva experimental),
respectivamente. A transformação de graus para ra-
dianos obedece a equação (3). Do parâmetro "A", obtém-se o valor da intensidade
luminosa da fonte de luz. Sabendo que o valor de
π um LED de alto brilho é de 9,5 cd, é possível compa-
rad = graus ∗ (3)
180 rar o medido com este valor de referência, porém pode
ser uma comparação inadequada, considerando que há
Logo, o parâmetro w esperado era de w = 180. O
polarizadores entre a fonte e o fotômetro, e ainda há
parâmetro w teve um desvio de 0,802% e 1,04%.
as adversidades de corrente elétrica que, pode ser va-
Da trigonometria, é obtida a equação (4) riável. De toda forma, os valores de desvios para o
parâmetro A são de 12,875% e de 14,372%.
cos(x) = sin(x + 90) (4) No geral, o ajuste da curva obteve uma acurácia (R-
Square) de 0,99956 e 0,99953, validando assim a lei de
Comparando com a equação do ajuste, é percebido
Malus.
que, como mencionado anteriormente nesta seção, o
parâmetro xc tem o papel de transladar a equação
ajustada de sin2 (x) para a curva real, que, caso seja de 3.2.2 Ângulo de Brewster
90° ou aproximadamente, será uma curva de cos2 (x).
Os valores de desvio para xc obtidos foram de 0,463% Utilizando a equação (1) e sabendo que a lente utili-
e de 3,4178%. zada é de acrílico, tomando o valor de referência para
O parâmetro y0 representaria a luz ambiente do lo- o índice de refração do acrílico como n2 = 1, 49, e
cal, que variou bastante durante o experimento, mas tomando o índice de refração do ar como n1 = 1 te-
entre valores pequenos, e este erro experimental po- mos que arctan(1, 49) = 0, 979702rad = θB . O ân-
derá ser justificativa para discrepâncias nos valores do gulo de Brewster encontrado no experimento foi de
parâmetro "A". θB = 55 ± 1 = 0, 95 ± 0, 02. Valor muito próximo
6
logy (Third Edition), Disponível em
[Link]
[4] HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WAL-
KER, Jearl. Fundamentos de física. 8. ed. Rio de
Janeiro, RJ: LTC, c2009 vol 4;
[5] YOUNG, Hugh D.; FREEDMAN, Roger A., FI-
SICA IV - ÓTICA E FÍSICA MODERNA, 12a
ed. São Paulo, Addison Wesley, 2008;
Figura 7: Gráfico 3, Intensidade Obtida com os três po-
larizadores.
do calculado teóricamente, divergindo apenas cerca de
0,99% a 5,07%.
4 Conclusão
Este relatório foi feito com o objetivo de testar a vali-
dade da leis de Malus e a validade do ângulo de pola-
rização utilizando os equipamentos do SISTEMA DE
INTRODUÇÃO À ÓPTICA MODELO OS-8500 da
PASCO. Os resultados foram obtidos por meio de vá-
rios experimentos, os quais foram, medir a intensidade
da fonte de luz em função do angulo dos polarizadores,
no qual foi medido para 180 ângulos diferentes com
uma variação de 10 graus para cada medida, para 2 e
3 polarizadores, usando a ferramenta solver para fazer
o ajuste dos dados obtivemos um erro relativamente
pequeno. , Medindo o angulo de Brewster foi obtido
um ângulo de 55 ± 1, muito próximo do valor teórico
com um erro médio de apenas 3%. No geral foi obtido
bons resultados, alguns erros se devem ás situações
diversas do laboratório, como o fato de outras pessoas
que o utilizavam no mesmo momento ligavam e des-
ligavam lâmpadas, a tela do computador presente na
mesa entrava em hibernação, variando assim a inten-
sidade luminosa recebida pelo fotômetro.
Referências
[1] Urone, Paul Peter & Hinrichs, Roger, Col-
lege Physics, OpenStax College, Disponí-
vel em [Link]
physics/pages/27-8-polarization
[2] Emery, William & Camps, Adri-
ano Brewster Angle, Disponível em
[Link]
and-planetary-sciences/brewster-angle
[3] Pollock, Richards, Encyclopedia
of Physical Science and Techno-