PRINCIPIOS:
tribunais e juízes:
monopólio da função jurisdicional: 202º CRP
8º e 9º CPP
No PP este princípio adquire especifica relevância devido ao juiz de
instrução, no processo penal podemos ter dois juízes diferentes: o de
julgamento e este outro, o de instrução. Temos de pensar nas fases em que
o juiz de instrução intervém. Nós começamos a ter uma fase da natureza
judicial com a fase de instrução, que é dirigida por um juiz, mas ela até
pode não existir, só existe se for requerida. O juiz de instrução (17º CPP)
entra na fase de instrução, e só nessa? Não, ele tem aquilo que chamamos
uma dupla tarefa no processo penal: é ele que dirige a fase de
instrução (288º CPP + 286º CPP). E depois, a intervenção menos
obvia do juiz de instrução no PP é aquela que exerce na fase de
inquérito [268º/1 b), 269º CPP]: porque e que temos um juiz de instrução a
ir participar numa fase não judicial? Precisamos de um juiz no inquérito
porque se entende que há atos que devem ser atos de reserva de
juiz, porque são atos que contendem diretamente com direitos
fundamentais que não devem ficar sem uma proteção adicional que
é dada pela intervenção de um juiz.
independência judicial:
os juízes são independentes, nos termos da CRP não podem estar
dependentes de nenhum outro poder do Estado (203º CRP e 216º
CRP). Falamos também de isenção face a grupos políticos e civis, o poder
judicial implica efetivamente que os juízes e os seus poderes não sejam
objeto de qualquer limitação, imposição ou condicionamento por parte de
qualquer outro poder ou ordem (ideia de independência não só aos poderes
estatais mas também quanto à sociedade). Este princípio relaciona-se
com o princípio da acusação, é um princípio estrutural do nosso PP, é um
princípio fundamental de uma estrutura acusatória, uma ideia de distinção
entre tarefas, há uma entidade que investiga e acusa e outra que julga.
Destacar aqui também o regime de impedimentos, a segunda aceção
(sendo a primeira o princípio da acusação) desta independência judicial (ver
39º e ss. Do CPP)
juiz natural: 39º3 CRP
Nenhum tribunal cuja competência não esteja prevista em lei anterior pode
julgar a questão, é a lei anterior que define a competência do tribunal
e, a partir daí, essa competência que está fixada não pode ser
alterada. Dá a ideia de que não se podem criar tribunais ad hoc.
Promoção processual
oficialidade
este princípio responde à pergunta de saber a quem compete o
impulso, a iniciativa de investigar uma infração, a quem compete
também a decisão de a submeter ou não a julgamento. A resposta
é: ao MP, enquanto entidade publica oficial. Fundamentos constitucionais:
219º CRP – exercer a ação penal é fazer estas duas coisas, ter a
iniciativa de investigar e tomar a decisão de submeter a causa a
julgamento. Temos então dois momentos do princípio da oficialidade: × ×
Iniciativa de investigar a prática de uma infração – 48º CPP + 53º/2 a) +
241º Decisão de a submeter ou não a julgamento – 276º CPP Isto é assim
em regra porque, em regra, os crimes são públicos. Mas, com base no
princípio da oficialidade temos que distinguir entre crimes públicos,
semipúblicos e particulares: × × ×
Públicos – vale inteiramente o princípio da oficialidade, nos seus
dois momentos. Em regra, os crimes têm esta natureza (48º + 276º
CPP)
Semipúblicos – aqueles que representam uma limitação ao princípio
da oficialidade, porque ele é afastado no seu primeiro momento.
Limitação apenas porque dos dois momentos só não vale o primeiro,
vale inteiramente o segundo. Quando os crimes são semipúblicos o
ministério publico só pode abrir inquérito depois de haver uma
queixa apresentada por quem for titular desse direito. Artigo 113º CP.
No fim do inquérito cabe ao MP a decisão de submeter ou não a
julgamento. (49º CPP + 113º CP)
Crimes particulares – representam uma verdadeira exceção
ao princípio, afastam-no nos seus dois momentos. Isto significa
que o MP só pode abrir o inquérito depois de haver queixa por parte
do titular.
legalidade:
responde à questão de saber se o MP é ou não livre de abrir o inquérito
quando adquire a notícia do crime (1º momento) e se é ou não livre
de acusar quando adquire indícios suficientes da prática do crime
(2º momento)? A resposta é negativa porque, entre nós, vale o princípio
da legalidade que se decompõe em dois momentos:
Sempre que adquire a notícia de um crime (241º CPP), o MP está
obrigado a abrir o inquérito, não é livre (262º/2 CPP). Este primeiro
momento consubstancia o chamado “dever de investigar”.
Sempre que tiver recolhido indícios suficientes de se ter verificado o
crime e de quem foi o seu agente, o MP está obrigado a deduzir
acusação (283º/1 CPP). Este segundo momento consubstancia o
chamado “dever de acusar”
acusação
a entidade que procede á acusação (48º 241º 262º - cabe ao MP que
é por força do 219º distinta) é distinta daquela que procede ao
julgamento) o juiz de instrução entre nós não tem nenhuma fase de
instrução nas suas funções, apenas decide de arquiva ou se o procede a
julgamento. Não é um suplemento da inquisição. Se ele chegar a novos
factos após a instrução não se pode pronunciar sobre eles.
Prossecução processual
Contraditório
impõe que a prossecução do processo decorra de forma que ressaltem quer
as razões da acusação quer as razões da defesa. Daqui, decorre um
direito de ouvir os sujeitos processuais que estejam envolvidos. Do
que é que resulta deste preceito: que a audiência de julgamento é,
obrigatoriamente, contraditória. Art. 327.º CPP. Art. 348.º CPP – o contra-
interrogatório é manifestação do princípio do contraditório.
Suficiência: 7º CPP
Em princípio, o tribunal penal é competente para decidir as questões
não penais. Excecionalmente, devolve a questão não penal ao tribunal que
seria competente para a decidir, nos casos em que entenda que ela não
pode ser convenientemente resolvida no processo penal. Na maior parte dos
casos, não lucramos nada em devolver a questão ao tribunal que é
competente para a questão não penal
Investigação (v. julgamento)
Concentração ([Link])
Medidas de coação
legalidade
191º - só posso aplicar as medidas de coação previstas na lei.
necessidade
191º/1 e 193º/1 – As medidas de coação só podem ser aplicadas se
forem necessárias tendo em contas as exigências processuais de
natureza cautelar. Estas exigências são as do 204º.
adequação
193º- as medidas de coação devem ser adequadas às exigências
cautelares de que já falámos, aqui não se trata de saber se são
precisas, mas sim saber qual das medidas escolher tendo em conta
as exigências processuais de natureza cautelar (ex.: se houver perigo
de fuga, não é só a prisão preventiva a adequada, podemos ter outras
medidas de coação igualmente adequadas ainda que menos
gravosas; no caso de abuso sexual de menores a suspensão do
exercício das responsabilidades parentais parece ser adequada).
proporcionalidade
193º/1/parte final - a proporcionalidade é logo aferida pelo legislador
com os requisitos de cada medida de coação para esta seja aplicada
tendo em conta a sua gravidade (nomeadamente os anos de prisão
no qual é estabelecido o requisito de aplicação destes – no caso do
termo de identidade e residência não há).
Exceção da prisão preventiva em que podemos ter aplicação desta
mesmo que não o crime não seja punível com o máximo superior a 5
anos podendo este ser de apenas 3 nos casos das alíneas do 202º.
Além da questão do máximo de anos de prisão de cada crime o
legislador também estabelece para as medidas de coação mais
gravosas o requisito de haver fortes indícios, estes distinguem-se dos
indícios suficientes de que nos fala o 283º quanto à acusação do MP.
Fortes indícios podem não ser indícios suficientes e estes diferem
conforme a fase do processo:
Fase de inquérito - há fortes indícios se for mais provável a
acusação do que o arquivamento (se estou na fase de inquérito,
posso ainda não ter indícios suficientes da prática do crime);
Instrução- indícios de que a pronúncia é mais provável do que a
não pronúncia;
Julgamento- se a condenação for mais provável do que a
absolvição
Devemos também atender à análise do juiz de que nos fala o
193º/1/parte final.
subsidiariedade das medidas de coação mais
gravosas
– 193º/2 + 28º/2 CRP – só podemos aplicar as mais graves quando as
outras não forem adequadas.
precariedade
–212/1/b) e 215º - medidas de caução, pela sua natureza cautelar, só
persistem enquanto existirem exigências processuais de natureza
cautelar (204º). Ex.: se deixar de haver perigo de fuga, não faz
sentido manter a prisão preventiva.
Podem ser também estas medidas de coação substituídas se as
exigências mudarem sendo que a revogação ou a substituição tem
lugar de forma oficiosa ou por um reexame periódico de 3 em 3
meses como diz o 213º.
Julgamento
investigação: 355º
O processo penal tem estrutura acusatória, integrado por um
princípio subsidiário de investigação. O tribunal não estando satisfeito
com os meios de prova que lhe chegam pela acusação e pela defesa
pode ordenar a produção de outros. Segundo o 355º só valem para a
formação da convicção do juiz as provas produzidas e examinadas na
audiência de julgamento. Por isso é que a testemunha presta o
testemunho no inquérito, perante o MP, e outra vez no julgamento.
legalidade da prova: 125º
são admissíveis todas as provas que não estão proibidas por lei.
Artigo 32º/8 da CRP e 126º fala das provas proibidas.
Todas estas violações têm a sanção de nulidade que só se aplica nos
casos previstos na lei normalmente e está no artigo 118º e ss.
Teoria da arvore envenenada ou teoria do efeito à distância de
Eduardo Correia acho eu. Não posso comer os frutos da arvore
envenenada, a.k.a: não me posso fazer valer de provas que tiveram
origem ou foram fruto de um meio de obtenção de prova ilegal (ex.:
uma confissão obtida por meio de tortura).
livre apreciação da prova: 127º
há dois sistemas, num o legislador diz ao julgador qual é o valor da
prova, o nosso é o da livre apreciação da prova com a exceção do
163º em caso de perícias. Ter em atenção que este princípio serve
sobretudo para a prova testemunhal para ver se a testemunha mente
ou não tendo em conta o que o juiz observa e por isso também temos
o princípio da oralidade e imediação. E
O juiz, nessa sua “livre” apreciação da prova tem de conseguir
objetivá-la e motivá-la depois na decisão como exige o 365º/3 e
374º/2 e portanto, simplificando, tem de conseguir fundamentar o
porquê de dar aquele facto como provado e não simplesmente dizer
que o fica.
Outra exceção a este princípio é aquilo que o arguido pode ou não
dizer em julgamento. Tendo em conta o artigo 141º, 343º e 345º
vemos que o silêncio não pode ser valorado e, por isso, está fora da
livre apreciação do juiz.
Quanto ao 344º, no que toca à confissão, é o regime que está lá,
tendo em conta que, quando se trata de criem com pena inferior a 5
anos o regime é diferente e pode limitar esta livre apreciação.
in dúbio pro reu 32º/2 CRP + 355º
Depois de toda a prova produzida na audiência de julgamento, podem
ocorrer três situações:
pode o tribunal considerar que os factos imputados ao arguido
estão provados;
o tribunal considera que não estão provados os factos
imputados ao arguido;
não obstante toda a prova produzida, o juiz não consegue
ultrapassar a dúvida razoável.
A dúvida não é razoável e, portanto, de acordo com os princípios da
presunção da inocência e com o princípio da investigação o tribunal
dá como provados os factos favoráveis ao arguido.
Atenção que isto não quer dizer absolvição sempre e pode ser só uma
dúvida quanto aos factos na qualificação entre homicídio qualificado e
simples e, sendo tamanho dúvida, que, funcionando este princípio, é
considerado homicídio simples apenas, mas continua com uma pena
de prisão. Este princípio só vale quanto a matéria de facto.
Outra nota importante é que se o tribunal violar este princípio o
recurso relativo a este não é matéria de facto, mas sim matéria de
direito (da violação do princípio (legal) do in dúbio pro reu) e, por
exemplo, poderia ser discutido em instâncias como o STJ que só trata
de matérias de direito (434º do CPP).
Publicidade: 86º
O processo penal é público. A CRP exige que apenas a audiência do
julgamento seja pública – 206º CRP. Esta publicidade desdobra-se em
3 modalidades/artigos (86º/6)
Assistência pelo público (87º)
Narração dos atos processuais pelos meios de comunicação
social (87º)
Consulta do auto e obtenções de cópias, extratos e certidões de
quaisquer partes dele (88º e 90º)
Porquê? Para garantir um exercício objetivo, independente e imparcial
da justiça penal e garantir o direito de defesa e pôr o povo a controlar
o modo como é administrada.
Além disso, prevenção geral positiva (pôr o pessoal a acreditar no
sistema). Antes de 2011 o Inquérito e a Instrução era secreta.
oralidade e da imediação: 96º/1
este princípio diz-nos que é importante que os atos processuais decorram
na sua forma oral e isto liga-se logo ao princípio da imediação pois este
defende uma proximidade entre o tribunal e os meios de prova (o mais
emblemático para estes casos é a testemunha porque não podemos ouvir
um documento…).
A imediação dos meios de prova a partir do princípio da oralidade permite
ao tribunal perceber se alguém diz ou não a verdade na sua forma de agir e
contradições.
Quando o tribunal faz o exame crítica de que já falámos no 374º/2 esta
imediação é importante.
Nota: a imediação é mais ampla que a oralidade porque temos imediação
para um documento (ter o documento com o juiz permite avaliar a
autenticidade assim como ele próprio lê-lo sem ter alguém a dizer o que ele
diz).
concentração: 328º
estes princípios todos ligam-se ao princípio da concentração pois este diz-
nos que devemos concentrar aquilo que a audiência de julgamento em dois
modos:
Espacial – a audiência deve ser feita no mesmo local o tempo todo
enquanto decorre e não pode ser num sítio qualquer, mas sim dentro
da tipologia de uma sala de audiência.
Temporal – esta é a questão mais controversa pois diz-nos que deve
ser feito no mais curto espaço de tempo possível. A sentença deve
ser proferida no mais curto prazo possível e, de preferência, a
audiência de julgamento deve ser contínua além das pauses de
almoço, etc. além da troca de dia.
Porquê? Para não perder a imediação de que já falámos, o juiz não se
esquecer da testemunha x ou y que ele pensava estar a mentir,
Antes, adiamentos superiores a 30 dias conduziam a repetição da
prova já produzida porque se considerava que os benefícios da
imediação já estavam perdidos e por isso os tribunais marcavam
audiências com menos de 30 dias de intervalo só por isso.
Hoje, o 328º assume que pode haver adiamentos da audiência
superior a 30 dias.
Princípio da plenitude da assistência dos juízes: 328-Aº
acho que não demos, mas está tudo no artigo. Basicamente revela a
preocupação do legislador em dizer que o juiz que começa o julgamento
tem de o acabar a não ser que fique incapaz ou morra, o julgamento tem de
ser levado a cabo pelo mesmo juiz.