Transformar-se, é a coisa mais bela que você pode fazer por si mesmo, não porque tenha algo errado em
você ou a ser consertado em quem é, mas somente porque, empenhando-se em transformações
profundas pode afirmar, vivi minha vida, vivi minha alma e espirito, pertenci a mim mesmo.
Esse é o caminho para ter uma vida, e não fragmentos de vida.
Como nos antigos álbuns de figurinhas colecionáveis. Quem não se transforma preenche duas ou três
páginas de cinquenta páginas e depois desiste com os bolsos cheios de figurinhas repetidas.
Quem se transforma, talvez não complete o álbum. Talvez receba do acaso figurinhas repetidas mas que
com a magia da transformação pode transformar também o que seria repetitivo, no mínimo, saberá
onde trocar, doar ou fazer novo uso dessas figuras repetidas.
Quem se transforma, de vez em quando, escuta de quem insiste em permanecer o mesmo "Não sabia
que era possível".
Não se transformar é fazer do conforto e segurança prisão de grades invisíveis. É entrar e habitar
docilmente redoma transparente, mas sufocante. É criar para si peso deveras insuportável.
- O que pesas?
- Eu mesmo, o que penso de mim, o que penso que pensam de mim, o que quero que pensem de mim, o
que não quero que pensem de mim.
Transformar-se é perceber que as grades invisíveis eram de pesado metal mas que não via por cegueira,
e então transformá-las em fumaça.
Não é um caminho fácil, talvez nunca chegue ao fim, e que bom. Particularmente, detestaria saber tudo
sobre eu mesmo aos vinte anos e então só viver em repetição e confirmação. O jogo acaba assim que se
completa o objetivo, por isso o finalidade da vida não é o fim, mas o processo, de transformar-se,
experimentar-se.
Como diria um velho amigo, "É ter histórias para contar". Ter histórias para contar, relembrar, reviver,
quando não for mais viável vivê-las fisicamente. Ou quando o fim do tempo se aproximar.
Ter histórias para contar é viver e só se vive transformando-se para que as histórias sejam
constantemente renovadas.
Digam que vivi do meu próprio jeito sob minhas regras próprias que fazia questão de quebrar sempre
que necessário, sempre que o conhecido tornava-se peso e não mais trampolim.
By Alex Pashupati