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Plano de Recuperação de Áreas Degradadas

Descreve um plano de recuperação de área degradadas de uma fazenda no localizada no Pará

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Shirley Prata
Direitos autorais
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PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

SUMÁRIO
1 - JUSTIFICATIVA
2 - OBJETIVOS E METAS
3 - INDICADORES AMBIENTAIS
4 - REQUISITOS LEGAIS
5 - METODOLOGIAS
5.1- Caracterização Ambiental Regional e Local
5.2 - Histórico de uso e ocupação
5.3-Justificativa para emprego de método restauração ecológica a partir da
recondução da regeneração natural
5.4 - Descrição das medidas de restauração ecológica
5.5 - Descrição das medidas de restauração ecológica
5.5.1 - Atividades de ordem física
5.5.2 - Atividades de retorno da vegetação
[Link] - Fase 1 - Isolamento e retirada dos fatores de degradação
[Link].1 - Ações para as áreas que demonstrarem sucesso na regeneração
[Link].2 - Ações para as áreas que não demonstrarem sucesso
[Link] - Fase 2 - Adensamento
[Link] - Fase 3 - Enriquecimento
6 - PLANO DE MONITORAMENTO DA RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
6.1 - Periodicidade
6.2 - Atividades a serem realizadas
7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA
1 - JUSTIFICATIVA
_________________________________________________________________________

O presente Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD justifica-se pela obrigação


legal de garantir a reabilitação das áreas degradadas pelas atividades antrópicas pré
existentes.
2 - OBJETIVOS
_________________________________________________________________________

[Link] geral
Implantar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD buscando dar
condições para o retorno de um ecossistema restaurado que assuma gradualmente
características próximas de florestas naturais, exercendo uma ampla gama de serviços
ambientais, como a proteção de nascentes e cursos d’água, da preservação de encostas, e
principalmente da interligação dos fragmentos remanescentes na paisagem.

2.2. Objetivos específicos


1 - Atendimento aos dispositivos legais presentes nas legislações ambientais pertinentes a
este tipo de atividade.
2 - Estabelecer procedimentos a serem adotados na recuperação ambiental,através da
condução da regeneração natural das áreas disponibilizadas.;
3 - . Reintegrar as áreas impactadas à paisagem local e regional
4 - Monitorar as áreas recuperadas visando à manutenção das ações de recuperação
ambiental.
3 - INDICADORES AMBIENTAIS
_________________________________________________________________________

No monitoramento de eficiência do PRAD serão observados


1 - Qualidade do desenvolvimento da estrutura vegetal no local de implantação e sua
relação com as espécies existentes nas áreas de floresta do entorno.
2 - Percentagem de cobertura vegetal do solo ocupado pelas espécies de regenerantes.
3 - Grau de ocupação de plantas invasoras indesejadas no processo de sucessão natural.
4 - Presença de fatores impeditivos no processo de sucessão natural das áreas reabilitadas.
5 - Grau de qualidade da recuperação ambiental sob o ponto de vista cênico e ecológico.
4 - REQUISITOS LEGAIS
_________________________________________________________________________

O PRAD em questão será implementado em consonância com as normas legais


pertinentes, a saber:
[Link] Federal n.º 12.651/12 - Novo Código Florestal;
[Link] Federal n.º 9.605/98 - Lei de Crimes ambientais;
[Link]ção Normativa SEMA-PA n.º 03/11, que dispõe sobre a Política Estadual de Floresta
e demais formações vegetais do Estado do Pará.
4. Instrução Normativa IBAMA IN 4/2011 – Estabelece diretrizes para apresentação de
PRAD.
5 - METODOLOGIA
_________________________________________________________________________

5.1 - Caracterização Ambiental Regional e Local


A área onde se insere o PRAD está localizada na Fazenda campos – município de
Curionópolis - Pará.

Figura 01 - Visão geral da área da propriedade

A área disponível para implementação do PRAD corresponde a 183.78 hectares. A Fazenda


campos altos está situada na bacia hidrográfica a qual pertence o Igarapé Rio Sereno, mais
especificamente em sua margem direita. Este Igarapé é tributário da margem direita do Rio
Parauapebas que por sua vez é afluente da margem direita do Rio Itacaiúnas. Portanto,
com relação à rede de drenagens, essa área situa-se na microbacia do Rio Itacaiúnas, a
qual pertence à sub-bacia do Rio Parauapebas.

A área está localizada na porção nordeste da Província Mineral de Carajás, a


aproximadamente 60 km a sudeste de Parauapebas. A área em questão envolve as
unidades geológicas Complexo Granítico Estrela, Águas Claras e Grupo Grão-Pará.

O município de Curionópolis pertence à mesorregião do sudeste paraense, onde, segundo a


classificação de Köeppen, o clima é caracterizado como do tipo A (tropical chuvoso, sem
inverno, caracterizado por apresentar temperatura média do mês mais frio superior a 18°C),
pertencente ao subtipo climático Am (apresentando uma moderada estação seca e
precipitação média do mês mais seco inferior a 60 mm).
A área da Fazenda campos está geologicamente inserida dentro do contexto da porção
leste, extremo norte do Domínio Carajás, Cráton Amazonas, próximo ao limite com o
Domínio Bacajá (Figura 2).

Figura 02. Contexto geológico da área da Fazenda campos, inserida na porção norte do
Domínio Carajás. Fonte: Vasquez et al., 2008.
O Domínio Carajás é constituído por uma associação de alto grau que representa o
embasamento mesoarqueanodeseqüênciasmetavulcano-sedimentares (greenstone belts
sensu lato) neoarqueanas e complexos máfico-ultramáficos associados. Associações de
granitos neoarqueanos, em geral evoluídos composicionalmente, são contemporâneos às
seqüências metavulcano-sedimentares. Uma cobertura sedimentar de uma plataforma
continental neoarqueana recobre os greenstone belts. Neste domínio, as associações
tectônicas do Paleoproterozóico são corpos máfico ultramáficos siderianos e granitos tipo A
orosirianos (Docegeo, 1988; Araújo et al., 1988; Machado et al., 1991; Pidgeon et al., 2000;
Ferreira Filho et al., 2007; Vasquez et al. 2008;). Um modelo de rift intraplaca é apresentado
por vários autores como modelo evolutivo o terreno do Domínio Carajás (Gibbs et al., 1986;
Villas & Santos, 2001), no entanto, um modelo sugerindo ambiente de subducção também
tem sido proposto (Dardenne et al., 1988; Teixeira & Eggler, 1994).

A Fazenda campos está inserida dentro do contexto geológico do Grupo Rio Novo (Fig. 2),
primeiramente definido por Hirata et al., (1982) e Meireles et al., (1982) para caracterizar
sequências de rochas metavulcano-sedimentares que afloram na região de Serra Pelada,
depois, essas rochas foram formalmente definidas como unidade estratigráfica por Araújo &
Maia (1991) e Oliveira et al. (1994), que caracterizam a unidade como constituída por
metamafitos, metaultramafitos, metaquartzitos, formações ferríferas bandadas, xistos
micáceos e metapelitos grafitosos, manganesíferos e ferruginosos. As rochas do Grupo Rio
Novo foram submetidas a condições metamórficas de fácies xisto verde baixo e alto
(quartzitos com silimanita) e processos deformacionais polifásicos (Araújo & Maia, 1991). A
idade mínima do Grupo Rio Novo é neoarqueana, sugerida pelas idades do Complexo
Máfico-Ultramáfico Luanga (2763 ± 7 Ma, Machado et al., 1991). Os principais depósitos
minerais associados ao Grupo Rio Novo, são os depósitos de Au de Serra Pelada, Cutia e
Formiga, o depósito de Cu-Au de Serra Verde, Mn da Serra do Sereno e Fe da Serra Leste
(Vasquez et al., 2008).
Figura 03. Geologia da área da Fazenda campos, onde afloram rochas do Grupo Rio Novo.
Fonte: Modificado de Vasquez et al., 2008.

De acordo com os dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA,


dados de climatologia da estação pluviométrica Serra Pelada (Marabá), utilizada como
referência para o presente PRAD, observa-se (Figura 03) que o volume pluviométrico da
localidade possui um total anual de 1.685 mm. A precipitação local possui uma grande
variabilidade ao longo do ano, diferenciada por uma época mais chuvosa, de dezembro a
maio, e outra menos chuvosa, de junho a novembro. Nota-se que os índices de precipitação
são maiores durante os meses de dezembro a maio, com 1.375 mm (estação chuvosa),
sendo que o volume no mês de março (345 mm) supera todos os outros. Percebe-se
também que nos meses de junho a novembro o volume é de 311 mm (estação menos
chuvosa), sendo que julho possui menor volume (13 mm),

Figura 04 - volume pluviométrico da região onde está localizada a Fazenda campos.

A área em questão apresenta paisagem de áreas degradadas com histórico de pastagens e


atividade garimpeira com trechos residuais e descontínuos de floresta ciliar e fragmentos
de vegetação secundária.

A vegetação original é classificada como Floresta Ombrófila Aberta Sub-montana. A


estrutura dessa floresta está diretamente associada à topografia do terreno. Nas partes
mais planas a formação é mais aberta, de baixa altura (dificilmente ultrapassando os 20
metros) e completamente coberta por lianas; nas partes com declive mais acentuado as
árvores são mais altas (com mais de 25 metros) e mais densa. O espaçamento entre as
árvores de maior porte é bem maior quando comparado com a floresta mista, e os cipós que
as envolvem misturam-se com os galhos de copa, ficando pendentes num emaranhado de
grossos sarmentos.

Portanto, a tipologia vegetal das áreas a serem recuperadas, originalmente do tipo Floresta
Ombrófila Aberta Sub-montana, se encontra descaracterizada pela substituição da floresta
nativa por florestas secundárias, consequência da regeneração natural em áreas de
pastagens, áreas agricultáveis ou previamente desmatadas e posteriormente abandonadas.
O grau de conservação dos fragmentos existentes varia, sendo encontrados desde
fragmentos em estágio inicial de regeneração até fragmentos em estágio sucessionais mais
avançados. No entanto, todos os fragmentos apresentam indícios de corte seletivo de
espécies de interesse e de utilização pela comunidade do entorno, devido à proximidade
com propriedades rurais. Vários ciclos econômicos como exploração madeireira,
implantação de pasto, seguidos por sucessivas limpezas de áreas (queimadas),
modificaram intensamente os ecossistemas mais representativos.
Foi realizado um levantamento florístico geral para verificar quais as espécies mais
representatvas no local,o que se verifica na tabela abaixo.
Nº ESPÉCIES NOME POPULAR NOME CIENTÍFICO
1 Açaí Euterpe Olerace
2 Pau-preto Cenostigma tocantinum
3 Ingá doce Inga
4 Mamorana Pachira Aquatica
5 Jenipapo Genipa Americana
6 Castanha do Brasil Bertholletia Excelsa
7 Ipê amarelo Handroanthus Albus
8 Ipê rosa Bertholletia Heptaphyllus
9 Jatobá Hymenaea Courbaril
10 Sumauma Ceiba Pentandra
11 Andiroba Carapa Guianensis
12 Sapucaia Lecythis Pisonis
13 Camu-camu Myrciaria Dubia
14 Urucum do baixo Bixa orellana
15 Cajá Spondias Mombin
16 Copaiba do baixão Copaifera Langsdorffii
17 Pitomba Talisia Esculenta
18 Sucupira-preta Pterodon Emarginatus
19 Cajú Anacardium Ocidentale
20 Cumarú Dipteryx Odorata
21 Mamoninha Mabea Fistulifera
22 Piquiá mafri Caryocar Brasiliense
23 Gameleira Ficus Glabra
24 Ingá sp Inga Edulis
25 Amarelão Euxylophora Paraensis
26 Tauari Couratari Guinesis
27 Paricá Schizolobium Amazonicum
28 Mogno brasileiro Swietenia Macrophylla
29 Abil Pouteria Caimito
30 Fava de paca Dimorphandra Mollis
31 Biribá Annona Mucosa
32 Tento vermelho e preto Adenanthera pavonina
33 Angico branco Amadenanthera Peregrina
34 Jutaí pororoca Dialium Guianense
35 Falsa copaíba Cupania Sp
Tabela 01. Levantamento florístico da área da Fazenda campos

Essas espécies retratam que a área em questão ainda apresenta um aporte de banco de
sementes, fonte de propágulos e indícios de colonização pela fauna local.
A exemplo temos a espécie Euterpe Olerace, conhecida como açaí, sendo sua dispersão,
em curta distância realizada por pequenos animais mamíferos e roedores, tais como
macaco-prego, macaco-aranha, anta, veado, catitu e cutia, e em longa distância, é feita por
pássaros, como tucanos, jacus, araçaris, periquitos, papagaios e sabiás. Assim como as
espécies Pouteria Caimito, Genipa Americana, Myrciaria Dubia, Carapa Guianensis,
Lecythis Pisonis, são espécies em que a dispersão é realizada por animais. Podemos
verificar também, neste levantamento geral, espécies que colonizam os diferentes estágios
sucessionais,o que reflete a presença de remanescentes florestais como a presença das
espécies Bertholletia Excelsa, (Castanha do Pará), Swietenia Macrophylla (Mogno
brasileiro) e Couratari Guinesis (Tauari) e floresta em regeneração, indicados, a exemplo
pela presença das espécies Cenostigma tocantinum (Pau-preto) e Inga Edulis (Ingá doce).

5.2 - Histórico de uso e ocupação


As áreas alvo de implementação do PRAD encontram-se em locais de platô ou baixio
previamente constituídos por floresta secundária e pastagem. As alterações ambientais
observadas são, como já mencionado, oriundas principalmente da exploração madeireira,
atividade garimpeira, e pecuária na região, porém, na área do empreendimento também se
observa as alterações ambientais das atividades ligadas à exploração de minério de cobre,
conforme as figuras abaixo.
Figuras 5 e 6 - Paisagem geral da área, demonstrando o relevo, as atividade de garimpo e
a vegetação secundária. Figura 06 demonstrando já ações de nivelamento topgráfico.

O garimpo comumente se desenvolve a partir da retirada da cobertura vegetal,geralmente


nas margens de rios e igarapés, onde começa o processo de escavação do
terreno,conforme os veios mineralizados vão demonstrando, sem planejamento ordenado
de uma atividade minerária e com isso, esta atividade, produz uma paisagem bastante
degradada.
Os principais efeitos destes danos foram a perda de cobertura vegetal local (e
consequentemente perda de biodiversidade), alteração do curso d’água na drenagem com
respectivo assoreamento, e perda de propriedades físico-químicas do solo devido sua
exposição (e consequente vulnerabilidade à erosão). Dessa forma,os dispositivos de
drenagem associada à declividade,deverão ser utilizados, uma vez que as laterais das
áreas terraplanadas poderão ser escavadas, ocasionando, entre outros aspectos, a
diminuição de sua área útil, a fragilidade da segurança do tráfego e a instabilidade das
estruturas.

5.3 - Justificativa para emprego de método restauração ecológica a partir da


recondução da regeneração natural

Florestas secundárias são as florestas que se regeneram, principalmente por processos


naturais, nas áreas em que florestas primárias foram removidas ou sofreram impactos
humanos ou distúrbios naturais significativos (Chokkalingam & De Jong, 2001).

Em regiões tropicais, como a Oceania, América Central, Caribe, sul e sudeste asiático
e nas porções central, ocidental, oriental e sul da África, as florestas secundárias
representam geralmente mais de 70% da área total florestal remanescente. Embora a
América Latina tenha a maior cobertura de floresta tropical primária, próxima a 80%
(FAO, 2010).

Ass florestas tropicais secundárias são peças chave para a conservação da biodiversidade
remanescente em paisagens modificadas pelo homem pois carregam, ,carregam importante
aporte genômico da floresta primária original, o que é importante garantia para o retorno,o
mais próximo do original, da biodiversidade que havia antes. Algumas regiões de florestas
tropicais, tal como as áreas mais recentemente desmatadas da Amazônia hoje estão
ocupadas predominantemente por pastagens, porém apresentarem algum nível de
transição florestal – isto é, a recuperação espontânea de florestas em áreas anteriormente
desmatadas que foram abandonadas devido a razões socioeconômicas diversas,como
demonstram Perz & Skole, 2003 e Baptista & Rudel, 2006 e Gardner et al., 2009.

Apesar das florestas tropicais secundárias, isoladamente, terem comprometido o seu papel
na conservação da biodiversidade, principalmente em cenários nos quais foram
excessivamente degradadas, em conjunto essas florestas ainda são o principal reservatório
de biodiversidade em paisagens muito modificadas pelo homem (Rodrigues et al., 2011).

Levando em consideração o histórico do processo de restauração,podemos verificar de


acordo com Rodrigues et al., 2009, a recuperação ambiental fundamentada no plantio de
árvores, sem critérios ecológicos para a escolha e combinação das espécies tem como
entendimento uma floresta com característica de plantio e com baixa plasticidade e
variabilidade, tornando-a suscetível a pragas e consequentemente maior chance de
insucesso.

O plantio por si só dificilmente consegue mapear espécies que podem abranger, por
exemplo a variabilidade de um ecossistema, mesmo em pequena escala, como uma dada
área alvo de recuperação, onde podemos ter possíveis variações locais da vegetação como
resultado da dinâmica da água no solo e das características edáficas, condicionando o
desenvolvimento de diferentes fitofisionomias, como por exemplo em uma dada propriedade
podemos encontrar vegetação de planalto, vegetação ciliar, vegetação de várzea ou
igapó.O que de fato determina a ocorrência e a distribuição espacial das espécies são as
características bióticas e abióticas locais, e as suas interações ecológicas, pois verifica-se
que as árvores e as demais espécies com outros hábitos de crescimento (lianas, epífitas,
ervas, arbustos) não se mantêm isoladamente, pois há uma forte interação entre essas
espécies e seus dispersores de sementes e polinizadores , além de suas pragas e doenças
locais, e o simples plantio de mudas não consegue abarcar por si só todos esses
fatores.(Fenner & Thompson, 2005),(Bawa, 1974).

A metodologia fundamentada no plantio de espécies nativas brasileiras baseado na


sucessão ecológica, passaram a ser classificadas em função dos grupos sucessionais -
espécies pioneiras, secundárias e climácicas, a que pertenciam, com a proporção do
número de mudas por espécie sendo definida com base nesses grupos sucessionais.
Diante disso, os modelos de implantação também foram alterados, visando a possibilitar a
distribuição organizada das mudas no campo, a partir dos grupos sucessionais (Kageyama
& Gandara, 2004). Ressalta-se que para alguns dos critérios utilizados para essa
classificação ecológica, tenham sido variados e que não haja consenso sobre tais critérios
de classificação (Budowski, 1970; Denslow, 1995). Mesmo assim,a classificação em grupos
ecológicos pode ser considerado um grande salto de desenvolvimento de tecnologia de
plantio de nativas,porém um caminho intrigante de ordenar a alta diversidade de espécies
das florestas tropicais.(Gandolfi, 2006)

Para Belloto et al 2009, verifica-se pontos importantes nesta metodologia como, a ausência
da busca com a diversidade de espécies dentro de cada grupo, e isso trouxe como
conseqüência o uso nos projetos de restauração de um número de espécies
significativamente inferior ao normalmente encontrado em florestas tropicais,
comprometendo a restauração dos processos ecológicos, e são justamente a
implementação dos processo ecológicos que conseguem trazer um aporte de diversidade, e
assim, dificilmente garantiriam a perpetuação da área restaurada, pois as interações
ecológicas, é o principal fator responsável pela disponibilidade constante e diversificada de
recursos para agentes dispersores de sementes e polinizadores, que por sua vez
possibilitam a perpetuação das espécies na área restaurada.

Assim, se os processos ecológicos são os principais fatores que favorecem a diversidade,


buscar uma metodologia de recuperação de área degradada, onde se quer restaurar o
ecossistema alvo de recuperação, deve-se buscar restaurar os processos ecológicos, e não
a vegetação por si só,para que o incremento temporal da diversidade de espécies e de
formas de vida, das características da regeneração natural, indicadora do funcionamento da
comunidade, para a restauração da diversidade genética, do restabelecimento da sucessão
ecológica, do papel dos diferentes grupos funcionais de espécies nativas regionais e dos
demais processos ecológicos mantenedores dos ecossistemas naturais, possam de fato ter
ambiente para acontecer (Kageyama & Gandara, 2003).

Os fatores externos ao ambiente de restauração, são fatores que também devem ser
observados. Pesquisadores de dinâmica de ecossistemas florestais como Gandolfi et al.,
2007 e Gandolfi & Rodrigues, 2007; verificaram que, em clareiras, o processo de sucessão
ecológica nem sempre ocorria de forma unidirecional, porém relacionado com as
características físicas locais, das espécies presentes, das características da paisagem
regional, das características do entorno imediato e do histórico de ocupação da
á[Link]-se dessa forma, que as características locais, considerando o uso atual e
histórico da área, a paisagem regional e logicamente as características do ambiente,
definindo o tipo vegetacional, são fatores que não podem ser desconsiderados no processo
de restauração ecológica.(Gandolfi et al., 2007).

Nesse sentido, o aproveitamento da regeneração natural, através do controle de


competidores e condução dos regenerantes, pode ser o método mais efetivo de
restauração, sem plantio inicial de mudas, em locais cujo diagnóstico apontou elevado
potencial de auto-recuperação do local. Esse potencial ocorre em função do uso histórico da
área, que não eliminou os regenerantes naturais e/ou das características do entorno
daquela unidade da paisagem.
Assim, para efeitos deste PRAD, considerando o bioma em questão e trechos residuais e
descontínuos de vegetação cilliar e fragmentos de vegetação secundária,sendo
encontrados fragmentos em estágio inicial de regeneração até fragmentos em estágio
sucessionais mais avançados caracteriza como uma condição positiva para regeneração
natural, e assim a aplicar a metodologia de restauração ecológica com condução da
regeneração natural. Porém deve ser considerada a fragilidade da fertilidade do solo e
nesse sentido, atividades fomentadoras para consolidação da cobertura florestal a serem
reintroduzidas, são consideradas.

5.4 - Caracterização das superfícies-alvo para planejamento


Essa etapa consiste na identificação, delimitação e descrição de áreas que já podem ser
disponibilizadas para a restauração ecológica inicialmente, ou superfícies-alvo do
Programa. Tais ações têm como principais metas a recuperação de áreas que sofreram
atividade garimpeira, sendo que prioritariamente, as principais áreas alvo do PRAD, são
áreas de preservação permanente,pelo seu caráter extremamente importante para o
ecossistema local.

Assim, as Áreas de Preservação Permanentes - APP alteradas, inseridas nos limites das
propriedades da Fazenda campos, foram então incluídas prioritariamente como alvo deste
PRAD. Reforçado seu caráter de importância pela Resolução CONAMA 369/2006, a qual
dispõe sobre os casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto
ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em Área de
Preservação Permanente, a Fazenda campos voltará seus esforços de ações de
restauração em APPs inseridas nos limites de suas propriedades. Estas ações, quando
somadas às atividades de restauração de áreas de pastagens, potencializarão o retorno de
uma floresta restaurada que assuma gradualmente características próximas de florestas
naturais, conforme objetivo deste PRAD.

Dessa forma as áreas disponibilizadas inicialmente para o processo de restauração


ecológica, por condução da regeneração natural, correspondem as áreas de preservação
permanente, margeando 30m em torno do rio Sereno, correspondendo a um total inicial de
36 hectares.
Figura 7 - Áreas que serão imediatamente disponibilizadas para o programa de restauração
ecológica.

5.5 - Descrição das medidas de restauração ecológica


5.5.1 - Atividades de ordem física
A metodologia de restauração ecológica por condução da regeneração natural, tem como
principal premissa, a menor intervenção possível durante o processo. Conforme se avalia a
resposta do ecossistema, se implementa as medidas necessárias, porém, considerando o
histórico da área, principalmente o de garimpagem, pode ser necessário realizar a
contenção de processos erosivos, estabilidade de taludes e drenagem superficial. As
atividades de ordem física associadas à contenção de processos erosivos, estabilidade de
taludes e drenagem superficial serão realizadas , primariamente:
Descompactação das superfícies a fim de aliviar a rebrota do banco de sementes e
germinação das fontes de propágulos, considerando a atividade de garimpagem
anteriormente desenvolvida,a descompactação poderá ocorrer principalmente,nas áreas
que serviram para o desenvolvimento de pilha de estéril e áreas de estocagem,bem como
acessos internos e demais áreas possíveis de utilização dos implementos necessários à
descompactação. Ressalta-se que as Áreas de Preservação Permanente não poderão ser
manejadas com maquinário pesado, devendo ser manejadas com semi-mecanização e/ou
manualmente.
5.5.2 - Atividades de retorno da vegetação
[Link] - Fase 1 - Isolamento e retirada dos fatores de degradação
Nessa fase, ocorrerá a retirada dos fatores de degradação e o isolamento das áreas a
serem recuperadas, por um período de 03 anos, isolando-as fisicamente, através de cercas
para impedir a entrada dos fatores de degradação como o gado, pois podem pisotear a
área, compactar o solo, prejudicar o banco de plântulas e dispersar sementes de gramíneas
exóticas e cultivos, pois a área que se deseja restaurar não devem mais ser preparada
como pasto e pessoas e outros agentes ,que possam interferir no processo restauração.
Conforme a figura 7 acima demonstra as áreas que inicialmente serão disponibilizadas para
iniciar o processo de restauração ecológica.
Após a primeira fase de isolamento,será realizado diagnóstico da vegetação através de
inventário florístico , por um período de 03 anos. Espera-se que neste período, o banco de
sementes autóctone ou seja, o estoque de sementes presentes no solo das áreas que estão
isoladas, possa germinar. Após esse período, ocorrerá a reclassificação das situações que
evoluíram após esse, e assim será realizado diagnóstico para identificar quais áreas
permanecerão em isolamento dando continuidade para as fases seguintes e quais áreas
deverão sofrer intervenção.
Normalmente, são espécies de fase inicial de sucessão ecológica que compõem esse de
banco Indicadores, e assim será avaliado:
1 - Crescimento de espécies gramíneas
2 - Crescimento de espécies de recobrimento - secundárias iniciais
3 - Densidade da regeneração natural
4 - Crescimento/incremento de espécies invasoras

Manutenção:
Roçadas e aplicação de herbicidas para a retirada de espécies invasoras

[Link].1 - Ações para as áreas que demonstrarem sucesso na regeneração


Passado o período de 03 anos, será realizado diagnóstico florístico e contagem das
germinações em determinado sítio, extrapolando os números obtidos para a área total, a fim
de se inferir sobre a densidade e diversidade da regeneração natural para conhecer as
espécies presentes no processo de recolonização da área.

[Link].2 - Ações para as áreas que não demonstrarem sucesso


As áreas que não demonstrarem sucesso no processo de isolamento, a depender do
resultado, receberão as ações que devem ser combatidos os processos erosivos, noutros
casos, a compactação, e, em outros, é um somatório de problemas, como erosão,
compactação e baixa fertilidade. Em algumas situações, poderá ocorrer a necessidade da
utilização de adubação verde como geradora de cobertura de Recuperação de Áreas
Degradadas com Pastagens, incrementadora de matéria orgânica e nitrogênio, e até
mesmo para auxiliar na descompactação do solo. Serão realizadas análise de solo para
direcionar os processos de recuperação do solo, e tais análises contemplarão:
I) Análises Físicas
- Análise granulométrica
- Estabilidade de agregados
- Porosidade total, macro e micro
- Densidade do solo e de partículas
II) Análises Químicas
- Determinação de pH, H+, e Al3+ trocáveis
- Teores de macronutrientes: N, P, K, Ca, Mg e S
- Teores de micronutrientes: Fe, Mn, Mo, Zn, Cu, Cl e B
- Saturação por bases e por alumínio.

Após análise do solo e correção das deficiências que os resultados das análises apontarem,
será realizado o processo de recuperação do solo e o plantio total de espécies nativas de
recobrimento com espaçamento de 3 X 3 m. As mudas serão coletadas nas áreas de
entorno,bem como poderão também ser adquiridas por fornecedores locais da região e ou
produzidas no viveiro de mudas já presente na área.

Figura 8 - Viveiro de mudas na área de implantação do PRAD.

Medidas aplicáveis para recuperação do solo:


- Subsolagem profunda, a fim de descompactar o solo. Recomenda-se uso de subsolador,
para um preparo do solo de pelo menos 60 cm de profundidade.
- Plantio de espécies de adubação verde, logo após o preparo do solo, adubação e controle
de competidores, a fim de incorporar nutrientes ao solo e conter processos erosivos.
- Retirada de banco de sementes de área que respondeu positivamente ao processo de
isolamento e transferência para a área que se quer recuperar (transferência de banco de
sementes alóctone), a fim de conter processos erosivos e iniciar a colonização do solo
exposto.
- Incorporação de matéria orgânica, a fim de adubar a área.
- Adubação química, a fim enriquecer o solo com nutrientes.
- Calagem, a fim de corrigir o pH do solo.
[Link] - Fase 2 - Adensamento
Ao entrarem na fase de recobrimento, ou seja apresentarem as espécies de rápido
crescimento e ampla cobertura de copa, essas áreas deverão passar por processo de
monitoramentos periódicos. Para esta situação, propõe-se dar no quarto, quinto, sétimo,
décimo ano, décimo sexto e vigésimo ano após o início de atestada a fase de recobrimento.
Nesses monitoramentos, será avaliado se a área apresenta os atributos desejáveis para ser
considerada em processo de restauração. Caso não os apresentem, medidas corretivas
devem ser tomadas para que a área se regularize.
Indicadores:
1 - Crescimento de espécies de recobrimento - principalmente as secundárias tardias
2 - Crescimento de espécies de enriquecimento
3 - Índice de diversidade de Shannon
4 - Presença/ausência de animais
5 - Densidade da regeneração natural.

Para medir os indicadores será realizado estudo florístico, fitossociológico, faunístico e


contagem das germinações em determinado sítio, extrapolando os números obtidos a partir
da primeira contagem, na fase final do isolamento, a fim de se inferir a densidade da
regeneração natural,no quarto, quinto, sétimo, décimo ano, décimo sexto e vigésimo ano
após o início de atestada a fase de recobrimento, conforme descrito acima.
Ações de restauração que deverão ser adotadas, caso o monitoramento feito pelo
proprietário indique sua necessidade. Logo, sua necessidade só pode ser detectada após o
monitoramento dessas áreas. Tais ações podem abranger plantio de mudas de espécies de
recobrimento e ou enriquecimento, confecção de poleiros atrativos da fauna ou até
confecção de ilhas de nucleação para fomentar o enriquecimento.

[Link] - Fase 3 - Enriquecimento


As áreas que apresentarem dossel formado, mas que não apresentam desejável
diversidade florística ou de formas de vida, que serão apontadas pelo monitoramento,
deverão passar pelo processo de enriquecimento. Será realizado o enriquecimento
florístico executando o plantio de diferentes espécies de fases finais de sucessão, sendo
secundárias tardias e climáxicas, a fim de aumentar a riqueza e diversidade local. Serão
priorizados aqueles que podem atrair fauna ou que participam de importantes processos
ecológicos a serem restabelecidos no local. O enriquecimento de formas de vida consiste
em adicionar espécies com diferentes hábitos, por exemplo, aquelas de sub-bosque,
epífitas e lianas. Serão sempre utilizadas espécies nativas daquela região e que toleram as
condições locais. Os plantios para enriquecimento serão realizados com espaçamento de 6
X 6 m.

Indicadores:
1 - Crescimento de espécies de recobrimento - principalmente as secundárias tardias
2 - Crescimento de espécies de enriquecimento
3 - Índice de diversidade de Shannon
4 - Índice de Equabilidade de Pielou
5 - Inventário faunístico
6 - Densidade da regeneração natural dos plantios realizados
7 - Índices de Valor de Importância - IVI (abundância, dominância e frequência)
6 - MONITORAMENTO DA RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
_________________________________________________________________________

6.1 - Periodicidade
Será realizado monitoramento periódico das áreas de restauração, a fim de verificar se elas
estão dentro da trajetória desejada, ou se devem ser tomadas medidas de correção para
que a restauração se concretize.
A periodicidade iniciará a partir do isolamento e ocorrerá nos seguintes anos:
Áreas de Preservação Permanente: 3°, 5°, 7° e 10° ano.
Demais áreas: 3°, 8°, 12°, 16° e 21° ano.

6.2 - Atividades a serem realizadas


Serão realizadas visitas de monitoramento em cada ano do plano de monitoramento, nas
quais abrangerá as medidas descritas abaixo.

- Relatório fotográfico, incluindo fotografias georreferenciadas ou mostrando uma referência


fixa e precisa na paisagem, como morro, curso d’água etc.. Devem ser feitas sempre na
mesma posição e ângulo
- Avaliação simplificada no campo das áreas em restauração, onde será observados os
itens:
- Sinais de perturbações: Devem ser observados sinais de perturbações que estão
impedindo o desenvolvimento normal da vegetação nativa na área, como fogo, herbívoros,
processos erosivos, e registrar a porcentagem da área a ser recuperada acometida por
essas perturbações.

– Estrutura da cobertura de copa: As coberturas das copas das árvores e arbustos devem
ser estimadas, sendo que o processo deve ser feito em cinco pontos diferentes, tirando-se a
média entre eles.

- Presença de espécies exóticas invasoras: Detectar se há, na área, espécies exóticas


invasoras.

- Elaboração de relatório de monitoramento periódico, com preenchimento de planilhas e


inserção das fotografias explicitadas acima.
Observações
sobre a
Inserção das situação
Grupo fotografias de ambiental
Indicador Nível de Adequação referencial. encontrada Periodicidade

1 2 3

Detecta
em grau
Detecta que
em grau comprom
que não ete.
Perturbaç Não comprom Especifica APP
ões detecta ete r Demais áreas

Detecta detecta
Cobertura Não em médio em alto APP
de copas detecta grau grau Demais áreas

Número
de
morfoesp APP
écies Demais áreas

Detecta
em grau
que
comprom
Detecta ete.
Processo Não em médio Especifica APP
s erosivos detecta grau r - Demais áreas

Detecta
em grau
que
Presença comprom
de Detecta ete.
espécies Não em médio Especifica APP
invasoras detecta grau r Demais áreas

Tabela 02 - Planilha visitas de monitoramento contemplando a fase 1 - isolamento e retirada


dos fatores de degradação.
Para os demais anos de acompanhamento da condução da regeneração natural, as
planilhas deverão adicionar os novos itens correspondentes ao ano de monitoramento em
questão,conforme descrito nos tópicos correspondentes as fases de adensameno e
enriquecimento,itens [Link] - Fase 2 - Adensamento e [Link] - Fase 3 - Enriquecimento.

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