DESENVOLVIMENTO - Isa
Primeiro, é importante entender que a deficiência visual não é só
sobre não enxergar. Ela impacta a forma como a pessoa percebe o
mundo, como ela interage com o ambiente e, claro, como ela
aprende. Quando falamos de aprendizagem, a gente pensa no
desenvolvimento cognitivo: como a pessoa pensa, lembra, entende as
coisas. Então, quando o ambiente não está adaptado para quem não
enxerga, esse processo de aprendizagem fica comprometido.
Por exemplo, livros, textos e imagens visuais são os materiais mais
comuns nas escolas, certo? Mas e se a pessoa não consegue ver?
Como ela vai aprender da mesma forma?
2. O que são materiais adaptados e como eles ajudam?
Aqui é onde entram os materiais pedagógicos adaptados. Estamos
falando de coisas como livros em braile, áudios, jogos táteis,
softwares que falam. Esses recursos são superimportantes, porque
ajudam a pessoa com deficiência visual a acessar o conteúdo de
forma mais próxima de quem tem visão. E o impacto disso é enorme,
porque, além de ajudar na aprendizagem, eles também trazem mais
autonomia e confiança para quem está aprendendo.
Quando a pessoa tem acesso a esses materiais, ela consegue
desenvolver não só as habilidades cognitivas, como memória e
raciocínio lógico, mas também as habilidades sociais e emocionais,
como a autoestima, por exemplo. Afinal, ela se sente incluída, parte
do processo, e isso faz toda a diferença!
3. O papel do psicólogo nesse processo
Como psicólogos, a gente tem um papel muito importante na criação
de um ambiente de aprendizagem mais inclusivo. Nosso trabalho é
entender como cada aluno aprende de forma única e ajudar os
professores a adaptar suas estratégias de ensino, seja com recursos
materiais, seja com práticas pedagógicas. E, claro, a gente também
pode atuar para garantir que a pessoa com deficiência visual tenha as
ferramentas certas para desenvolver seu potencial ao máximo.
4. Conclusão
No final das contas, o mais importante é lembrar que a aprendizagem
é um direito de todos. Quando a gente fala em materiais pedagógicos
adaptados, não estamos só falando de recursos diferentes, mas de
uma maneira de garantir que todos tenham as mesmas
oportunidades de aprender. Como futuros psicólogos, nosso papel é
garantir que todos, sem exceção, possam acessar o conhecimento de
forma justa e igualitária.
BRAILLE - Thais
Agora, vamos falar um pouco sobre o Braille, que é um dos principais
recursos usados por pessoas com deficiência visual para leitura e
escrita. Esse sistema foi criado por um francês chamado Louis Braille,
que perdeu a visão quando tinha apenas três anos. Em 1827, aos
dezoito anos, Louis descobriu um jeito de modificar a realidade dos
cegos. Braille ouviu falar de um sistema de pontos e buracos
inventado por um oficial para ler mensagens durante a noite, em
lugares onde não se podia acender a luz. Assim, ele adaptou o
método para a realidade dos cegos, com pontos em relevo (de modo
que eles pudessem ser sentidos pela ponta dos dedos).
O legal do Braille é que ele pode ser encontrado em várias coisas do
nosso cotidiano. Você já reparou que em muitas embalagens de
remédio, elevadores e até em sinais de rua, existem inscrições em
Braille? Isso é para garantir que qualquer pessoa com deficiência
visual consiga acessar essas informações com mais independência.
Do ponto de vista psicológico, o Braille tem um impacto enorme na
autonomia e no desenvolvimento cognitivo das pessoas com
deficiência visual. Ele ajuda a pessoa a expandir suas habilidades
cognitivas, como memória e raciocínio lógico, e até a linguagem,
porque a leitura e a escrita são fundamentais para o desenvolvimento
dessas habilidades. Além disso, o Braille também tem uma
importância emocional e social: ao poder ler e escrever de forma
independente, a pessoa se sente mais incluída e tem mais confiança
para interagir com os outros, o que ajuda a melhorar a autoestima e a
integração social.
O sistema foi utilizado em nosso país, na sua forma original, até a
década de 1940, quando precisou de sofrer algumas modificações
impostas pela reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, ocorrida na
época. A falta de uma definição governamental fez com que as
alterações ocorridas posteriormente ficassem à mercê dos
professores e técnicos especializados das instituições ligadas à
educação de cegos e à produção de livros em braile. Esses
profissionais procuraram manter o sistema acessível e atualizado até
a última década do século XX, quando o governo brasileiro decidiu
adotar, para todo o País, uma política de diretrizes e normas para o
uso, ensino, produção e difusão do braile em todas as suas
modalidades de aplicação, compreendendo principalmente a Língua
Portuguesa.
Assim, em 1999 foi criada a Comissão Brasileira do Braille, que
passaria a partir do ano seguinte a trabalhar em conjunto com uma
comissão portuguesa criada com o mesmo objetivo. O trabalho foi
concluído em 2002 e a Grafia Braille para a Língua Portuguesa passou
a ser adotada em todos os territórios brasileiros e portugueses,
conforme a recomendação da União Mundial de Cegos e da Unesco.
Trata-se, portanto, de um documento normatizado e de consulta,
destinado especialmente a professores, transcritores, revisores e
usuários deste sistema que revolucionou a vida dos cegos de todo o
mundo, permitindo a sua inclusão social e o desenvolvimento de suas
potencialidades.