UM PLANETA PARA O FUTURO
Cada um - empresas, governos e cidadãos - é chamado a fazer a sua
parte!
Em que condições você quer deixar a realidade socioambiental para
os seus filhos e netos? Na sua agenda está em destaque o consumo
consciente e responsável? O seu cotidiano incorpora preocupações com a
poluição, o efeito estufa e a camada de ozônio? O que você consome na rua,
joga a embalagem no lugar correto? O destino do lixo de sua casa e do seu
trabalho segue padrões da coleta seletiva? A sua empresa incorpora
práticas de responsabilidade e cidadania socioambiental? Na ação de
governo em sua cidade, estado ou no país, você percebe, sugere e participa
da formulação de políticas públicas de respeito e preservação do meio
ambiente e defesa de direitos? Enfim, você se sente co-responsável pelos
problemas e desafios locais e de toda a sociedade?
Bom, para começo de conversa, se a todas as questões anteriores
você diz sim, então está atento à nova consciência que tem movimentado a
forma de gerir os negócios, o posicionamento de organizações sociais e os
tratados de governos: o desenvolvimento sustentável. Trata-se de um
modelo de progresso pautado na evolução gerencial de empresas e
governos; mas, também nas atitudes individuais e coletivas comprometidas
com transformações socialmente responsáveis. Tais atitudes contribuindo
para respeito ao meio ambiente, sua biodiversidade; equilibrando toda a
ordem dos aspectos sociais e econômicos. Uma atitude de cuidado com o
planeta e seu destino.
O mundo tem refletido a necessidade de uma postura diferente
diante da condução dos rumos de nossa casa maior, a Terra. Essa
preocupação vem acompanhada de uma convocação para jeitos diferentes
de ser e de fazer de todos nós. Somos provocados a agir no cotidiano como
cidadãos ativos e propositivos. E, assim, mudanças são incorporadas nos
planejamentos estratégicos empresariais, nos planos e intervenções
governamentais, crescendo a consciência pelo consumo responsável e
ecologicamente correto. A sustentabilidade tem diversos desafios, eixos que
nos conduzem a um mesmo propósito: sermos cuidadores planetários.
Prioridades socioambientais
Atentar para o planeta que temos, e o que queremos com ele; nossa
co-responsabilidade para deixá-lo em condições saudáveis. Esse alerta foi
dado pelo conjunto de estudos científicos e programas da Organização das
Nações Unidas – ONU. Cito: “Nosso Futuro”, “Agenda 21”, “Objetivos do
Milênio”, “Protocolo de Quioto” e “Painel Internacional de Mudanças
Climáticas – IPCC”. Nesse último, o IPCC adverte no relatório III que todos
(entidades, empresas, governos e pessoas) somos chamados a fazer nossa
parte por uma nova terra.
A convocação da ONU, por meio da Comissão Mundial sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, é explicita em seus objetivos e intenções.
Essa comissão define a premissa de que o modelo socioeconômico
sustentável seja capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem
comprometer a capacidade de atender as gerações futuras; não esgotando
os recursos. Essa constatação desenvolvimentista esbarra em um mundo de
comportamento, muitas vezes, inconseqüente; ou seja, que consome,
destrói e polui sem se importar com os rastros de devastação. É sinal claro
da necessidade de mudar o foco exclusivamente do lucro a qualquer custo,
no qual o desenvolvimento econômico desconsidera seu poder de impacto e
as co-relações advindas para um pensar produtivo integrado à atenção com
o ambiental e o social.
Falando do ambiente sustentável e de seus desafios, não podemos
ignorar a interconexão de dois temas que falam direto à urgência da
conjuntura pautada no desenvolvimento equilibrado. A comunidade
científica internacional aponta como incompatível a harmonia desejada com
o cenário de vulnerabilidade social. Essa fragilidade configurada nos altos
índices de pobreza e, ainda, um descuido generalizado com os recursos e
riquezas ambientais.
Para se ter uma idéia, somos cerca de sete bilhões de habitantes do
mesmo território - a terra, uma verdadeira teia unida em causas e
conseqüências. Portanto, também capaz de apontar soluções! Não dá para
conviver ignorando contextos públicos, resultado das relações sociopolíticas
e econômicas estabelecidas. A realidade diante de nós está a nos provocar;
precisamos ter ações concretas. O mundo está gerando uma radiografia
muito perversa, ou seja, três bilhões de pessoas estão vivendo abaixo da
linha de pobreza. Isso significa ausência de saneamento básico, moradias
em locais inadequados, carência de participação cidadã, dentre outros. São
prejuízos de ordem social inclusiva; uma necessidade do despertar do
conjunto social para o entendimento de que a negação, em forma de
exclusão que afeta a todos, adia o desenvolvimento sustentável.
Se não bastassem as condições de miserabilidade; os dados da ONU
falam que no cenário ambiental destruímos 70% da vegetação original. Indo
além, unindo meio ambiente degradado e condições de miséria,
interferimos nos rumos e custos da saúde pública. A conseqüência no
aumento da produção de gases como dióxido de carbono, etano, óxido
nitroso, dentre outros, tem efeito danoso à vida humana e do planeta.
Desses, vemos aparecer doenças antes não percebidas e o ressurgimento
de outras que já estavam extintas ou controladas. Numa conjuntura global,
presenciamos situação de saúde que assusta países ricos e pobres, bairros
nobres e de periferia. Essa realidade afeta a todos, num retrato de
epidemias que por descuido de todos e irresponsabilidade coletiva, traz o
risco de sermos afligidos por pandemias.
Brasil sustentável
No Brasil, o convite à consciência sustentável apóia-se no relatório
do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – o PNUD.
Segundo o documento, 46,9% da renda nacional concentram-se nas mãos
dos 10% mais ricos. Já os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7% da
renda. E não pára por aí, o sinal vermelho de alerta ambiental chama a
atenção; já tivemos 1 milhão de km² de florestas costeiras. Hoje, dispomos
de apenas 10% desse total.
Reforçando a constatação do PNUD, o Banco Mundial (BIRD) analisa,
por meio do relatório denominado “Onde está a riqueza das nações?”,
também, as variáveis sociais e ambientais necessárias para o
desenvolvimento sustentável. No documento, o BIRD descreve a
necessidade de confluência no Produto Interno Bruto – PIB, os recursos
naturais e os bens intangíveis. Esses últimos formados por acesso à
educação, saúde, eficiência do sistema judiciário, qualificação de mão-de-
obra, emigrantes e crescimento populacional apontados como os mais
significativos no relatório. Já no quesito ambiental são avaliados os recursos
minerais, madeira, pastagens, áreas de cultivo e ritmo de esgotamento dos
recursos naturais.
A situação brasileira, segundo dados do relatório do BIRD, está em
condições piores do que a dos nossos vizinhos Argentina e Uruguai. A
conjuntura brasileira tem adiado e fragilizado a cidadania. Com isso,
percebe-se o não conhecimento e a não utilização dos equipamentos sociais
públicos de boa parte do todo da população. E, ao mesmo tempo, vimos o
estrangulamento do potencial ecológico. O relatório do banco aponta como
solução sustentável a transferência de investimentos de uma área para a
outra, equilibrando o déficit de sustentabilidade, ou seja, se temos potencial
numa determinada área, que essa financie e promova o avançar de outra.
Um exemplo sugerido no relatório é capitanear e concentrar recursos para
áreas como educação, tratamentos de saúde, acesso à moradia etc. Isso
significa encontrar caminhos para sanar, dar respostas rápidas e ágeis ao
que emperra a sustentabilidade em suas interconexões e amplitude.
Governos, empresas e organizações não governamentais – ONGs -,
estão consolidando uma rede de diálogo, uma rede atenta para o debate e
compromisso socioambiental de atenção ao contexto planetário. Essa se
fortalece no apoio e intervenção direta ou indireta, por meio de programas,
projetos e ações para redução da vulnerabilidade social. Uma atitude séria,
de responsabilidade do que temos com o que seremos. Então, pensar em
sustentabilidade é comprometer-se com a cidadania local que extrapola
para uma preocupação com o todo diante de nós, uma atitude que é
incorporada às práticas de indivíduos e empresas.
O chamado para uma sociedade sustentável está colocado. Ele
fundamentada-se em três pontos que se interconectam: o desenvolvimento
econômico; a preservação do meio ambiente e a consciência de justiça
social. Desses, devemos ter a clara compreensão para que nossos acordos e
decisões superem a condição de papel. Nesse sentido, ampliarmos nossa
compreensão para um compromisso com o que está diante de nós, e com o
que mesmo distante, interfere na forma como vivemos. E além disso,
entender que somos responsáveis diretos - pessoas físicas e jurídicas, no
local onde atuamos. Assim, contribuímos na gestão do planeta para nós e as
gerações futuras.
Autor: Antônio Coquito
Texto extraído do site
[Link] em 28/08/2008.