minicurso
abordagens
clínicas
Como usar este material:
Este material é o resultado de muitas horas de trabalho e
dedicação de diversos alunos, do Conversa Cognitiva (C²), grupo
de estudos de TCC da UFF/Niterói, e da Liga Acadêmica de
Behaviorismo da Universidade Federal Fluminense (LAB).
Foi produzido com muito carinho e dedicação para oferecer a você
um conteúdo complementar rico e bem fundamentado.
Agradecemos por confiar e adquirir este material tão valioso!
Cada material corresponde a uma das aulas do evento e foi
elaborado para aprofundar os temas abordados: Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia de Aceitação e
Compromisso (ACT), Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e
Terapia Comportamental Dialética (DBT). Neles, você encontrará
resumos estruturados, informações extras que ampliam os
conteúdos discutidos e referências bibliográficas de livros, artigos e
meta-análises essenciais para quem deseja estudar mais a fundo.
para aproveitar o
melhor deste caderno,
sugerimos que você:
1. Use o resumo para revisar e expandir seu conhecimento
Além de sintetizar os principais pontos da aula, este
material traz informações complementares que
aprofundam e ampliam o conteúdo abordado.
2. Explore as referências
Algumas das fontes citadas são indicadas pelos próprios
autores dos livros estudados e podem servir como base
para um aprofundamento mais rigoroso.
3. Use como um ponto de partida
O conteúdo aqui apresentado é um resumo e não
substitui a leitura direta das obras originais. Ele foi feito
para guiar seus estudos e despertar seu interesse em
explorar mais.
Vale ressaltar que este material não reflete uma análise
formal das fontes citadas, nem se trata de um trabalho
acadêmico vinculado a disciplinas, TCCs, mestrados ou
doutorados. É um material feito de alunos para alunos,
com o propósito de trazer informações que a faculdade
muitas vezes não fornece. Sua função é ser um recurso
de estudo acessível e complementar, sem nenhuma
infração ética.
Esperamos que aproveite e que esse material
seja um incentivo para seguir explorando o
mundo da análise do comportamento e das
terapias contextuais!
preparado?
Sumário
MÓDULO 1:
BASE FILOSÓFICA E
HISTÓRIA
MÓDULO 2:
CONCEITOS
FUNDAMENTAIS
MÓDULO 3:
INTERVENÇÕES PRÁTICAS
“Saia da sua mente e
entre na sua vida.”
Steven Hayes
MÓDULO 1
Base filosófica e história
O que é a ACT?
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT - Acceptance and
Commitment Therapy) é uma abordagem psicoterapêutica
desenvolvida por Steven Hayes e colaboradores em 1987. O
nome ACT é pronunciado como a palavra "act" (agir) em inglês,
reforçando sua proposta de engajamento ativo na vida.
A ACT propõe uma mudança de paradigma na compreensão
da psicopatologia e no tratamento psicológico. Ela parte de um
modelo transdiagnóstico unificado, alinhado a um esforço
científico mais amplo para criar uma psicologia mais útil e
integrada (Barlow, Allen, & Choate, 2004).
Essa abordagem enfatiza a flexibilidade psicológica, definida
como a capacidade de uma pessoa se adaptar às demandas
internas e externas, mantendo-se em contato com o momento
presente e escolhendo comportamentos alinhados aos seus
valores, mesmo diante de dificuldades emocionais. Para isso, a
ACT se baseia em seis processos centrais: atenção plena,
desfusão cognitiva, aceitação, ação comprometida, valores
escolhidos e self como contexto
7
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) baseia-se na
Teoria dos Quadros Relacionais (RFT - Relational Frame
Theory), um modelo comportamental que explica a
linguagem e a cognição humanas. A RFT propõe que o núcleo
da linguagem e da cognição superior está na habilidade de
aprender e aplicar molduras relacionais, um comportamento
aprendido sob controle contextual arbitrário. Esse processo
envolve três propriedades de associações de estímulos
principais: simetria (B-A e C-B), transitividade (A-C) e
equivalência (C-A).
- Simetria: Se um indivíduo aprende que A se relaciona com B,
ele automaticamente infere que B se relaciona com A. Exemplo:
Se alguém aprende que "umidade" é sinônimo de
"molhado", também derivará que "molhado" significa "umidade".
- Transitividade: Quando A se relaciona com B e B se relaciona
com C, a pessoa infere uma relação entre A e C. Exemplo: Se
João é mais forte que Matheus e Pedro é mais forte que João,
conclui-se que Pedro é mais forte que Matheus.
- Equivalência: As funções dos estímulos em uma rede relacional
podem ser transformadas com base nessas relações derivadas.
Se um equipamento pesado precisa ser movido e sabe-se que
joão é bom nisso, infere-se que Matheus será menos útil e Pedro
será mais útil, mesmo sem treinamento adicional.
A RFT propõe que essas relações são abstraídas ao longo da
aprendizagem e, com o tempo, passam a ser controladas por
pistas relacionais arbitrárias. Por exemplo, crianças pequenas
podem inicialmente preferir uma moeda de 25 centavos a 50
centavos porque ele é maior fisicamente, mas, ao adquirir o
conceito abstrato de valor monetário, aprendem que 50
centavos são "maiores" em valor.
8
Além disso, as molduras relacionais permitem associar
estímulos diferentes a partir de experiências anteriores. Se uma
criança aprende que "milk" é a palavra inglesa para "leite",
poderá derivar essa equivalência sem treinamento explícito ao
perceber características como cor e gosto. Esse processo se
aplica a qualquer forma de simbolização, incluindo gestos,
imagens e sons, não se restringindo à linguagem verbal.
A capacidade de estabelecer relações arbitrárias amplia
significativamente a complexidade cognitiva, permitindo, por
exemplo, que conceitos subjetivos como "grande sucesso"
possam ser relativizados em comparação a um ideal. Esse
princípio fundamental da RFT tem implicações diretas para a
ACT, especialmente no que se refere ao controle contextual,
essencial para a flexibilidade psicológica (Törneke, 2010).
Durante o desenvolvimento da ACT nos anos 1980, seus
criadores buscaram compreender por que pessoas em
condições de vida favoráveis ainda sofrem psicologicamente. O
objetivo era identificar processos universais que explicassem
esse fenômeno e aplicar intervenções para mitigá-lo (Kupfer et
al., 2002).
A noção de normalidade destrutiva sustenta que processos
psicológicos essenciais para a adaptação humana também
podem levar a sofrimento significativo. Diferente de outros
animais, os seres humanos associam eventos passados e
futuros ao presente, antecipando ameaças inexistentes e
revivendo dores já vividas. Essa capacidade impulsiona avanços
tecnológicos e sociais, mas também amplifica o sofrimento
emocional.
9
Esse sofrimento surge, em grande parte, da fusão cognitiva,
quando as pessoas tratam seus pensamentos como verdades
absolutas. Nesses momentos, ideias como "vou
fracassar" ou "serei rejeitado" são percebidas como realidades
concretas, e não apenas como construções mentais. O mesmo
ocorre ao remoer o passado ou comparar o presente com
cenários imaginários, tornando difícil distinguir o que é real do
que é apenas um pensamento.
Além disso, os seres humanos tendem a aplicar processos de
solução de problemas — eficazes para desafios externos — a
experiências internas, tentando controlar ou eliminar a dor
emocional. No entanto, a vida inevitavelmente envolve desafios
como perdas, doenças e rejeições, tornando esse controle
ineficaz. A ACT propõe, então, uma mudança na relação com a
dor, em vez de buscar sua eliminação, reconhecendo que o
sofrimento surge da interação entre linguagem e cognição
(Kessler et al., 2005).
A dor psicológica é uma parte natural da experiência humana
(Eifert & Forsyth, 2005), mas considerá-la inaceitável tende a
intensificá-la, levando à esquiva experiencial (EE). Esse
processo envolve tentativas de evitar ou escapar de
pensamentos, emoções e sensações desagradáveis, mesmo
quando isso compromete ações importantes para a vida do
indivíduo (Hayes et al., 1996). Quando inflexível, a EE se torna
uma fonte significativa de sofrimento, aumentando a angústia e
dificultando escolhas alinhadas com valores pessoais (Chawla &
Ostafin, 2007).
10
Característica Contextuais
Na Teoria das Molduras Relacionais (RFT), os pesquisadores
identificaram dois tipos de controle contextual: contexto
relacional e contexto funcional
O contexto relacional determina como e quando os eventos
estão relacionados;
O contexto funcional define quais funções serão atribuídas
a uma rede relacional.
Por exemplo, na frase “Raissa é mais esperta do que Samara”,
as palavras "mais esperta do que" estabelecem um contexto
relacional de comparação entre Raissa e Samara. Em “Imagine
o gosto de leite”, “imagine o gosto” ativa a experiência sensorial
relacionada ao leite.
Esses conceitos têm implicações terapêuticas na ACT. O
contexto relacional pode ser explorado para ampliar a
flexibilidade cognitiva, mas, por ser aprendido e arbitrário, não
pode ser totalmente controlado. Isso explica por que crenças
negativas, como "sou indigno de amor", são difíceis de
modificar. Já o contexto funcional é mais regulável, permitindo
intervenções como a desfusão cognitiva, que reduz o impacto
emocional de pensamentos intrusivos.
11
A RFT alerta que focar excessivamente no contexto relacional
pode reforçar pensamentos negativos. Por exemplo, um
paciente com psicose pode tornar um pensamento mais
central ao tentar analisá-lo racionalmente. Isso pode gerar
questionamentos sobre a TCC tradicional, que enfatiza a
reestruturação cognitiva. Embora essa abordagem seja útil em
muitos casos, para alguns clientes pode intensificar crenças
negativas. Diferente da TCC, a ACT foca na flexibilidade
cognitiva, ajudando o cliente a se distanciar de pensamentos
difíceis sem precisar modificá-los diretamente.
12
Contextualismo Funcional:
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) tem sido
desenvolvida ao longo das últimas três décadas dentro de uma
abordagem científica chamada Ciência Comportamental
Contextual (CBS). Essa abordagem amplia a Análise do
Comportamento tradicional, promovendo uma visão mais
abrangente e pragmática do sofrimento humano. A
importância da CBS é tamanha que a principal organização que
fomenta o desenvolvimento da ACT é a Association for
Contextual Behavioral Science (ACBS)..
A ACT se diferencia de abordagens anteriores por estar
fundamentada no contextualismo funcional, uma filosofia
pragmática da ciência (Biglan & Hayes, 1996; Hayes, 1993;
Hayes, Hayes, & Reese, 1988). O contextualismo funcional possui
quatro aspectos centrais, são eles:
Pragmatismo:
O pragmatismo, especialmente na tradição funcionalista da
análise do comportamento, enfatiza a utilidade e a
aplicabilidade do conhecimento em contextos reais. Na prática
clínica, isso significa que o sucesso de uma intervenção é
medido pela sua eficácia na previsão e influência do
comportamento dentro de um contexto.
Contexto:
O contexto é entendido como o fluxo de eventos que
organizam o comportamento, incluindo tanto a história do
indivíduo quanto a situação presente. Dessa forma,
comportamento e contexto são interdependentes: não há
resposta sem estimulação, nem estimulação sem resposta. Por
exemplo, um som só se torna um estímulo se houver um
organismo que o perceba; caso contrário, ele não tem
relevância psicológica.
13
O evento inteiro:
O contextualismo é uma abordagem holística. Um
comportamento só pode ser compreendido em sua totalidade,
como uma interação entre o organismo e o ambiente. Esse
conceito enfatiza que uma ação não pode ser fragmentada em
partes isoladas sem perder seu significado, pois cada evento
ocorre dentro de um fluxo de experiências que lhe confere
sentido. Assim como ir ao mercado envolve um propósito, um
trajeto e uma sequência de eventos conectados, qualquer
comportamento humano deve ser analisado dentro de sua
totalidade funcional.
Objetivo:
O objetivo do contextualismo funcional, e consequentemente
da ACT, é prever e influenciar eventos psicológicos com
precisão, escopo e profundidade (Hayes, 1993). Isso significa
que a ciência psicológica deve ser clara, simples e aplicável de
maneira ampla, mantendo coerência com outros níveis de
análise, como a biologia e a sociologia.
14
Módulo 2
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Hexágono da Flexibilidade Psicológica
O processo terapêutico é expresso no modelo do hexágono de
flexibilidade psicológica, que contém as fases divididas
diferentemente e proporciona uma melhor forma de
demonstrar as relações entre elas. Este é o modelo mais atual:
15
Desfusão Cognitiva
A desfusão cognitiva refere-se à redução das reações
emocionais e comportamentais automáticas aos pensamentos,
aumentando a consciência sobre o processo de pensar, além
do conteúdo literal do pensamento.
Técnicas de desfusão cognitiva ajudam os clientes a interpretar
menos literalmente pensamentos problemáticos e a agir de
maneira mais eficaz quando esses pensamentos limitam o
comportamento. A ideia central é que os pensamentos não
capturam toda a experiência direta, e quando as pessoas
estão "fusionadas" com seus pensamentos, esses pensamentos
controlam o comportamento sem considerar a experiência
direta (Hayes, Strosahl, & Wilson, 2012).
Apesar de tanto a desfusão quanto a reestruturação cognitiva
tradicional partilharem a ideia de que os pensamentos podem
impedir ações eficazes e provocar reações emocionais
negativas, as abordagens tradicionais (como Beck, 1976) focam
na mudança do conteúdo dos pensamentos para alterar o
comportamento, enquanto a desfusão foca na relação entre o
indivíduo e seus pensamentos, enfatizando o contexto em que
os pensamentos ocorrem
O objetivo é criar contextos em que as funções diretas e
indiretas dos estímulos se tornem evidentes. Os exercícios,
metáforas e discussões visam distanciar o indivíduo dos
conteúdos dos seus eventos encobertos, permitindo que ele os
perceba como realmente são: pensamentos, sentimentos,
memórias e sensações corporais, e não como causas de um
sofrimento insolúvel.
16
Aceitação
A aceitação psicológica é definida como uma postura aberta,
receptiva, flexível e isenta de julgamentos em relação à
experiência momento a momento, abrangendo eventos
internos como pensamentos, emoções, memórias e sensações
físicas, além de situações contextuais que os evocam (Hayes,
Strosahl, & Wilson, 2012). Mais que um conjunto de técnicas, é
uma competência e um processo.
Aceitação não significa resignação ou tolerância passiva, mas
envolve abordar eventos psicológicos dolorosos sem tentar
alterá-los, evitá-los ou prolongá-los desnecessariamente. Ela
propõe responder a esses eventos com flexibilidade e
compaixão, visando diminuir a influência negativa sobre o
comportamento, ao invés de modificar diretamente
pensamentos ou emoções (Levin, Luoma, & Haeger, 2015).
Dessa forma, abre-se espaço para que escolhas baseadas em
valores possam guiar ações que melhoram a qualidade de vida,
trazendo mais significado e propósito
17
A linguagem e a cognição nos permitem acessar essa história
interna, inclusive dores psicológicas, que podem surgir a
qualquer momento (Hayes et al., 2012). Embora a dor
psicológica seja uma parte normal da experiência humana
(Eifert & Forsyth, 2005), considerá-la inaceitável pode
intensificá-la, levando à esquiva experiencial (EE), que envolve a
tentativa de evitar ou escapar de eventos psicológicos
indesejados, mesmo quando essa esquiva prejudica o
comportamento (Hayes et al., 1996). A EE é considerada uma
fonte comum de sofrimento psicológico, pois, quando inflexível,
tende a aumentar o sofrimento e dificultar ações significativas
(Chawla & Ostafin, 2007). A literatura sugere que evitar a
experiência interna é oneroso e ineficaz a longo prazo (Gross,
2002; Wenzlaff & Wegner, 2000). Em vez de controlar ou
eliminar pensamentos e emoções, o foco deve ser na mudança
da relação com esses eventos internos.
18
Primeiros Passos para a Aceitação: Desesperança Criativa
A desesperança criativa é a postura de desistência do controle
sobre eventos internos, um conceito central na Terapia de
Aceitação e Compromisso (ACT). Essa abordagem envolve
abandonar estratégias ineficazes e se abrir para novas
formas de lidar com os problemas. Embora a sociedade ensine
que controlar emoções e pensamentos negativos é uma
solução, a ACT demonstra que esse controle não elimina o
sofrimento, apenas gera um alívio imediato que reforça o ciclo
de evitação experiencial.
Aceitação Não é Apenas Terapia de Exposição
A exposição envolve a apresentação organizada de estímulos
que anteriormente restringiam o repertório do indivíduo, dentro
de um contexto planejado para promover sua expansão.
Embora permanecer na presença da ansiedade possa ser um
tipo de exposição, a exposição clássica tem como objetivo a
redução da ativação emocional (Farmer et al., 2008).
Já na aceitação, o foco não é diminuir ou eliminar a ansiedade.
O terapeuta ACT enfatiza que não se pode prever o que
acontecerá ao permitir que pensamentos, sentimentos ou
sensações permaneçam totalmente presentes – eles podem
aumentar, diminuir ou permanecer os mesmos. O objetivo dos
exercícios de aceitação é ensinar o cliente a conviver com suas
experiências privadas, mantendo um funcionamento mais
flexível e alinhado com seus valores pessoais.
19
Os teóricos da ACT sempre consideraram a abordagem como
um tipo de terapia baseada em exposição (Hayes, 1987). A
aceitação possibilita o contato com emoções como elas são,
sem atribuir a elas o mesmo impacto emocional do passado.
Esses processos facilitam a ampliação do repertório
comportamental, permitindo que o cliente funcione de
maneira mais livre e flexível, mesmo diante de eventos
internos desafiadores.
20
Momento Presente/Mindfulness
Mindfulness é uma forma de atenção plena e não crítica às
experiências do momento presente, incluindo sensações,
cognições, emoções, impulsos e estímulos ambientais. Também
envolve a consciência da atividade atual, contrastando com
comportamentos automáticos ou mecânicos. As raízes budistas
das práticas de mindfulness e as tentativas de alinhar suas
definições aos ensinamentos budistas básicos geram desafios
conceituais, pois há diversas formas de descrevê-la nos textos
tradicionais (Dreyfus, 2011). No entanto, análises
contemporâneas apontam dois elementos centrais: o que
fazemos e como fazemos
De maneira geral, mindfulness é definida como uma atenção
aberta, curiosa, receptiva, amigável, compassiva e sem
julgamentos. Enfatiza a observação das experiências sem
tentar controlá-las ou defini-las como parte da identidade
pessoal. Esse conceito é fundamental em diversas abordagens
terapêuticas baseadas em mindfulness (Segal, Williams &
Teasdale, 2013).
Self como Contexto
A capacidade de se manter centrado, por meio da tomada de
perspectiva e da atenção ao presente, é essencial para a
flexibilidade psicológica e a saúde mental. Esse processo ajuda
a lidar com o excesso de autoavaliações negativas, regras
rígidas e padrões autodestrutivos socialmente reforçados. O
santuário psicológico reside na consciência de que somos
aqueles que observam nossas próprias experiências.
21
Quando não reconhecemos a diferença entre quem somos e os
conteúdos da nossa mente (autoavaliações, previsões,
comparações), perdemos a capacidade de filtrar esses
estímulos e ficamos vulneráveis a eles. A solução terapêutica
envolve ensinar o cliente a estar no presente e acessar um
senso de self mais amplo, que não seja afetado pelo conteúdo
dos pensamentos. Essa habilidade pode ser pensada como
uma engrenagem que se associa à habilidade de se manter
aberto (desfusionar do conteúdo, aceitar o que está presente) e
se engajar na vida (escolhendo valores e se engajando em
ações de compromisso)
Através da nossa capacidade humana de relacionar estímulos
arbitrariamente, nós não só aprendemos a abstrair e avaliar o
mundo, mas também aprendemos a aplicar isso a nós mesmos.
A capacidade autorreflexiva nos leva a uma concepção
conceitual de nós mesmos, onde nos definimos como indivíduos
através de conceitos e adjetivos valorativos como "sou
simpático, chato, extrovertido, desajeitado, teimoso, etc." Todos
esses aspectos são construções verbais que comparam
estímulos diversos com o estímulo que chamamos de "eu".
O problema deste self conceitual é que ele tende a limitar nosso
repertório e a nossa capacidade de ação. Quando alguém se
define como introvertido, está indicando uma maior
probabilidade de agir dessa forma. Essas formulações são
autorregras que podem tornar a pessoa menos sensível às
contingências em mudança. Assim, a situação muda, mas o
indivíduo continua a se comportar da mesma maneira, porque
isso é quem ele "é". Na realidade, nosso comportamento tende
a ser mutável e é essa mutabilidade que nos permite sobreviver
22
Uma concepção de self mais saudável é a de contexto, de
perspectiva. Significa conceber a si mesmo como um
observador dos eventos, o contexto no qual as experiências
ocorrem. Isso implica entender que o indivíduo passa pelas
experiências e sua essência é justamente essa de espectador,
não as próprias experiências. Esta perspectiva de espectador
não é passiva, mas sim constitui uma unidade de ação contínua
através dos eventos. Essa noção é positiva porque facilita a
mudança, já que não está ligada a aspectos fixos da
personalidade, e proporciona a segurança de que o indivíduo
possui um lado permanente, contínuo ao longo do tempo. Outra
vantagem da concepção de self como contexto é que ela
enfatiza o contato direto com a experiência, com as funções
diretas dos estímulos, em vez de formulações verbais derivadas
dessas funções
23
Valores
Os clientes frequentemente chegam à terapia enfrentando
dificuldades significativas, incluindo emoções, pensamentos e
dores físicas problemáticas, muitas vezes desconectados do
que dá significado à vida. As abordagens cognitivas e
comportamentais têm demonstrado eficácia em auxiliar esses
indivíduos a reorientarem-se para seus valores (Hayes, Strosahl,
& Wilson, 1999, 2011).
Historicamente, o trabalho com valores era um foco das
psicoterapias humanistas. Viktor Frankl, baseado em sua
experiência em campos de concentração, desenvolveu a
logoterapia, enfatizando a busca por significado (Frankl, 1984).
Carl Rogers, por sua vez, considerava a busca por valores
essencial para a autoatualização e saúde psicológica,
fundamentando sua abordagem centrada na pessoa em
evidências empíricas (Rogers, 1995). Sua influência se estendeu
à entrevista motivacional (Miller & Rollnick, 2002).
Na literatura cognitivo-comportamental, os valores podem ser
definidos como “consequências livremente escolhidas e
verbalmente construídas de padrões de atividade contínuos,
dinâmicos e progressivos que estabelecem reforçadores
predominantes intrínsecos à própria atividade” (Wilson &
DuFrene, 2009, p. 64). Essa definição destaca que os valores:
1. São livremente escolhidos – Devem emergir em um contexto
minimamente controlado por fatores aversivos.
2. São consequências verbalmente construídas – Derivam da
fala e do pensamento simbólico, não sendo entidades externas a
serem descobertas.
3. Estabelecem reforçadores predominantes – São
inseparáveis do comportamento que reforçam no momento de
sua ocorrência.
24
Na prática clínica, valores podem atuar como motivadores para
a mudança, parâmetros de eficácia e guias no desenvolvimento
de novos repertórios comportamentais. Trabalhar com valores
auxilia os clientes a romperem padrões disfuncionais e
adotarem comportamentos mais efetivos (Dahl, Plumb, Stewart,
& Lundgren, 2009; Hayes et al., 2011).
Valores vs. Objetivos
O terapeuta incentiva uma visão de longo prazo, distinguindo
valores de objetivos específicos. Por exemplo, enquanto casar é
um objetivo, o valor subjacente pode ser ser um parceiro
afetuoso e honesto; e enquanto acompanhar um filho a um
jogo é uma meta, o valor pode ser ser um pai presente e
envolvido.
Ação com Compromisso:
O objetivo desta fase é criar e manter mudanças
comportamentais que estejam alinhadas com os valores do
cliente. Após definir os valores, objetivos específicos e ações
necessárias para alcançá-los, o terapeuta estabelece um novo
contrato de trabalho, transformando a terapia em um espaço
que promova essas mudanças. A ação com compromisso,
guiada pelos valores do cliente, frequentemente provoca
eventos internos desagradáveis. O cliente precisa estar ciente
disso e disposto a enfrentar as consequências das mudanças
comportamentais.
25
módulo 3
intervenções práticas
Técnicas de Desfusão
O terapeuta pode abordar temas específicos de fusão com o
cliente conforme necessário, utilizando exercícios e metáforas
principais para ilustrar os conceitos
Uma técnica útil é pedir ao cliente que acrescente a frase
“Estou tendo o pensamento de que...” antes de cada
pensamento, o que pode facilitar a desfusão, desacelerando a
sequência de pensamentos e diminuindo sua influência.
Outras abordagens incluem a fala lenta ou a modificação da
voz, como verbalizar pensamentos em tons caricatos (e.g., voz
de Batman ou Mickey Mouse) para distanciar o cliente das
funções literais dos pensamentos, algo que requer uma relação
terapêutica sólida para evitar que o cliente sinta sua narrativa
ridicularizada.
Outra técnica envolve escrever pensamentos em cartões
separados, que podem ser espalhados à frente do cliente. Isso
destaca visualmente a separação entre cada pensamento,
auxiliando na desfusão. Esses cartões podem ser utilizados em
exercícios práticos, como fazer o cliente carregar os
pensamentos no bolso ou permitir que os cartões sejam
jogados sobre ele, sem evitar o contato com esses
pensamentos. Isso ajuda o cliente a perceber que é possível
conviver com pensamentos problemáticos sem ser controlado
por eles, enfatizando que não é necessário esforço constante
para afastá-los.
26
Metáforas e exercícios para a Aceitação:
Uma metáfora frequentemente usada na ACT na fase de
desesperança criativa é o "Cabo de Guerra com um Monstro",
criada por uma cliente com agorafobia:
“Percebi que estava em um cabo de guerra com um monstro.
Ele era grande, feio e muito forte. Entre mim e o monstro havia
um abismo, e, até onde eu sabia, não tinha fundo. Eu achava
que se perdesse aquele cabo de guerra iria cair nesse abismo e
seria destruída. Então eu puxava e puxava, mas parecia que,
quanto mais eu puxava, mais o monstro puxava de volta. Eu
percebia que estava chegando cada vez mais perto do abismo.
E, por meio da terapia, me dei conta de que não era minha
função vencer aquele cabo de guerra... minha função era soltar
a corda.”
Convidado indesejado
A metáfora do convidado indesejado na ACT promove a
aceitação de pensamentos e emoções difíceis. Imagine que um
convidado não desejado aparece em sua casa. Em vez de lutar
contra ele ou tentar expulsá-lo, você simplesmente reconhece
sua presença e escolhe como reagir. Da mesma forma, quando
um pensamento ou emoção desconfortável surge, a ACT ensina
a aceitá-lo sem se envolver com ele de forma negativa. Isso
permite que você escolha como agir, em alinhamento com seus
valores, sem ser controlado pela experiência indesejada.
27
Fisicalizando
Inspirado na abordagem da Gestalt, esse exercício transforma
experiências subjetivas em elementos concretos. O cliente é
incentivado a visualizar uma emoção como um objeto com
forma, cor e textura definidas. Durante o processo, o terapeuta
auxilia o cliente a observar sua relação com esse objeto e a
perceber possíveis mudanças ao longo do exercício. Caso o
cliente apresente resistência à primeira representação,
trabalha-se com a segunda reação para promover um
distanciamento emocional mais eficaz.
Monstro de Lata
Esse exercício utiliza uma metáfora para desmembrar
experiências temidas e facilitar a aceitação. O terapeuta
inicialmente pede ao cliente que evoque um momento neutro
do passado para acessar seu “eu observador”. Em seguida, o
cliente direciona sua atenção para uma experiência de pânico e
descreve suas reações corporais. O objetivo é aceitar cada
sensação sem entrar em luta contra ela. Para isso, utiliza-se um
processo de "toque" emocional, no qual o cliente reconhece
cada reação sem se deixar dominar por ela.
Intervenções Baseadas em Mindfulness (IBM´s):
As IBMs incluem práticas diversas para desenvolver
mindfulness, podendo envolver meditação formal ou a atenção
plena em atividades cotidianas.
Práticas Meditativas: A meditação sentada é uma técnica
comum, onde se observa a respiração e outras experiências
presentes de forma aberta e sem julgamentos. A varredura
corporal é outra prática frequente, na qual a atenção é
direcionada a diferentes partes do corpo, cultivando
aceitação e compaixão
28
Práticas Baseadas no Movimento: Exercícios como
caminhada consciente e alongamento são usados para
desenvolver consciência plena do corpo sem foco em
desempenho físico
Mindfulness nas Atividades Rotineiras: Encoraja-se a
atenção plena em tarefas diárias como comer, dirigir ou
lavar louça, trazendo consciência constante ao momento
presente.
Espaços para Respiração: Originado na MBCT, esse
exercício em três passos ajuda a aplicar mindfulness em
situações estressantes, promovendo maior clareza e
melhores decisões.
29
Metáfora do Tabuleiro de Xadrez para o Self Como Contexto
Uma das metáforas clássicas utilizadas na ACT para ilustrar a
diferença entre contexto e conteúdo da consciência é a do
Tabuleiro de Xadrez
Na metáfora, o tabuleiro é visto como um espaço que contém
as peças (pensamentos, sentimentos e crenças). As peças, que
podem ser boas ou más, representam experiências internas que
influenciam o comportamento. O problema é que, ao tentar
controlar as peças (por exemplo, "vencer" a ansiedade ou a
depressão), o cliente acaba sendo consumido pelo jogo.
Quando se percebe que o tabuleiro (o self-como-contexto) não
é as peças, mas o espaço que as contém, o cliente pode se
distanciar dos conteúdos mentais e ver o jogo de forma mais
objetiva.
O terapeuta pode guiar o cliente a se perceber não como as
peças, mas como o tabuleiro, que simplesmente observa os
pensamentos e sentimentos sem se envolver na batalha contra
eles. Essa perspectiva diminui o impacto da luta interna, pois,
como tabuleiro, o cliente pode perceber os conteúdos
psicológicos sem se deixar dominar por eles.
Essa metáfora pode ser reforçada com perguntas como: "Você
está no nível da peça ou no nível do tabuleiro neste momento?",
incentivando o cliente a desfusionar de suas reações
automáticas. A metáfora do tabuleiro ajuda a consolidar uma
visão do self como contexto, essencial para a prática da ACT
30
Identificando os Valores Pessoais
Após compreender o conceito de valores, o terapeuta ajuda o
cliente a identificar os seus próprios. Clientes com histórias de
vida muito aversivas podem resistir mais a esse processo
porque lembrar dos valores pode evocar sentimentos negativos
associados a punições ou fracassos passados. Nesses casos, é
crucial conectar as fases de Desfusão e Identificação de
Valores. Quando o cliente está fortemente fundido com
pensamentos ou sentimentos negativos, isso revela algo que ele
valoriza profundamente. A dor e o desconforto indicam
vulnerabilidade e importância.
Se o cliente encontrar dificuldades em identificar seus valores
devido à dor emocional, o terapeuta pode retornar aos
exercícios e metáforas da Desfusão, perguntando por que
certos pensamentos ou sentimentos são tão dolorosos. A
resposta a essa pergunta geralmente aponta para um valor
não satisfeito.
Metáforas Facilitadoras:
Para facilitar a identificação dos valores, algumas metáforas
podem ser usadas:
Velório Imaginário: Peça ao cliente para imaginar seu
próprio velório e refletir sobre o que gostaria que as pessoas
dissessem sobre ele.
Prazo de Vida Curto: Pergunte ao cliente o que ele faria se
soubesse que morreria em um mês.
Lâmpada Mágica: Questione o cliente sobre os três desejos
que faria se encontrasse uma lâmpada mágica.
31
O Bull’s-Eye Values Survey (BEVS) é uma ferramenta
desenvolvida para ajudar clientes a identificarem e trabalharem
com seus valores. Estudos indicam que mudanças na vida
valorizada, conforme mensuradas pelo BEVS, estão associadas
a maior qualidade de vida e menores níveis de depressão,
ansiedade e estresse (Lundgren, Luoma, Dahl, Strosahl, & Melin,
2012). Além disso, os escores no BEVS atuam como mediadores
de mudanças na saúde comportamental (Lundgren, Dahl, &
Hayes, 2008) e mental (Hayes, Orsillo, & Roemer, 2010).
Os objetivos do BEVS são:
1. Auxiliar clientes a explicitarem seus valores.
2 A Medir o grau de alinhamento entre vida e valores.
3 Identificar obstáculos para uma vida valorizada e mensurar
seu impacto.
4 Identificar obstáculos para uma vida valorizada e mensurar
seu impacto.
O BEVS utiliza um alvo visual que representa quatro áreas
fundamentais da vida:
32
As áreas do BEVS são:
1. Trabalho/Instrução – Valores relacionados à carreira,
aprendizado e contribuição à comunidade
2. Lazer – Atividades prazerosas, hobbies e entretenimento
3. Relações – Conexões interpessoais com família, amigos e
comunidade.
4. Crescimento/Saúde Pessoal – Vida espiritual, bem-estar
físico e hábitos saudáveis.
O trabalho com o BEVS começa pedindo ao cliente para
descrever seus valores dentro dessas áreas, refletindo sobre
seus sonhos e expectativas. Os valores ajudam a guiar nossas
ações e decisões na vida, mas muitas vezes podem estar
confusos ou escondidos por pensamentos perturbadores.
33
Metáforas e Técnicas comportamentais para Ações valorosas
A metáfora da Jardinagem é útil para ilustrar como as
escolhas ajudam a manter um curso fixo, mesmo diante de
desafios. Imagine plantar uma horta em um local, mas depois
de ver outro lugar mais promissor, você decide mudar.
No entanto, para cultivar algo substancial, é preciso dedicação
e paciência, mesmo quando surgem dificuldades. A escolha de
manter-se no mesmo local, apesar dos desafios, reflete um
compromisso com algo maior.
Em termos de valores, isso significa que ações, como trazer
café para o cônjuge, podem ser pequenas, mas contribuem
para um padrão mais amplo de comportamentos valiosos.
(Hayls; Strosahl; Wilson, 1999, p. 190-191)
Para engajar o cliente nas ações com compromisso, todas as
técnicas disponíveis na análise do comportamento podem ser
usadas, conforme o caso específico, como:
Exposição: Enfrentar gradualmente situações que evocam
medo ou desconforto, com o objetivo de reduzir a ansiedade
e aumentar a flexibilidade comportamental em relação a
valores importantes.
34
Treinamento de habilidades: Ensinar habilidades
específicas para lidar com desafios, melhorar o
desempenho em áreas importantes e agir de acordo com
valores, como comunicação assertiva ou resolução de
conflitos.
Ativação comportamental: Aumentar a frequência de
comportamentos positivos e alinhados aos valores,
especialmente em contextos de depressão ou inatividade,
Solução de problemas: Identificar e aplicar estratégias
eficazes para superar obstáculos que impedem a ação
consistente com os valores, promovendo a flexibilidade e
adaptação.
Manejo de contingências: Ajustar as recompensas e
punições no ambiente para reforçar comportamentos que
estão alinhados com os valores e reduzir aqueles que não
estão.
Estratégias de controle de estímulos: Modificar ou
controlar os estímulos ambientais que desencadeiam
comportamentos automáticos ou não desejados,
facilitando a ação de acordo com os valores.
35
referências bibliográficas
BARLOW, D. H.; ALLEN, L. B.; CHOATE, M. L. Toward a Unified Treatment for Emotional
Disorders. Behavior Therapy, v. 35, n. 2, p. 205–230, 2004. Disponível em:
[Link]
BIGLAN, A.; HAYES, S. C. Should the behavioral sciences become more pragmatic? The case
for functional contextualism in research on human behavior. Applied & Preventive Psychology,
v. 5, n. 1, p. 47–57, 1996. Disponível em: [Link]
CHAWLA, N.; OSTAFIN, B. Experiential avoidance as a functional dimensional approach to
psychopathology: an empirical review. J Clin Psychol, v. 63, n. 9, p. 871-90, 2007. DOI:
10.1002/jclp.20400.
DREYFUS, G. Is mindfulness present-centred and non-judgmental? A discussion of the
cognitive dimensions of mindfulness. Contemporary Buddhism, v. 12, n. 1, p. 41–54, 2011.
Disponível em: [Link]
EIFERT, G. H.; FORSYTH, J. P. Acceptance & Commitment Therapy for anxiety disorders: A
practitioner's treatment guide to using mindfulness, acceptance, and values-based behavior
change strategies. Oakland, CA: New Harbinger Publications, 2005.
LEFARMER, R. E.; CHAPMAN, A. L. Behavioral interventions in cognitive behavior therapy:
Practical guidance for putting theory into action. Washington, DC: American Psychological
Association, 2008.
FRANKL, V. E. Man’s search for meaning. New York: Washington Square Press, 1984.
GROSS, J. J. Emotion regulation: affective, cognitive, and social consequences.
Psychophysiology, v. 39, n. 3, p. 281-91, 2002. DOI: 10.1017/s0048577201393198.
HAYES, S. A.; ORSILLO, S. M.; ROEMER, L. Changes in proposed mechanisms of action during an
acceptance-based behavior therapy for generalized anxiety disorder. Behav Res Ther, v. 48, n.
3, p. 238-45, 2010. DOI: 10.1016/[Link].2009.11.006.
HAYES, S. C. A contextual approach to therapeutic change. In: JACOBSON, N. S. (Ed.).
Psychotherapists in clinical practice: Cognitive and behavioral perspectives. Guilford Press,
1987. p. 327–387.
HAYES, S. C. Analytic goals and the varieties of scientific contextualism. In: HAYES, S. C.; HAYES,
L. J.; REESE, H. W.; SARBIN, T. R. (Eds.). Varieties of scientific contextualism. Context Press, 1993.
p. 11–27.
HAYES, S. C.; HAYES, L. J.; REESE, H. W. Finding the philosophical core: A review of Stephen C.
Pepper's World Hypotheses: A Study in Evidence. J Exp Anal Behav, v. 50, n. 1, p. 97-111, 1988.
DOI: 10.1901/jeab.1988.50-97
CHAWLA, N.; OSTAFIN, B. Experiential avoidance as a functional dimensional approach to
psychopathology: an empirical review. J Clin Psychol, v. 63, n. 9, p. 871-90, 2007. DOI:
10.1002/jclp.20400.
BHAYES, S. C.; HOHMANN, S. G.; MELO, W. V. Terapia Cognitivo-Comportamental Baseada em
Processos: Ciência e Competências Clínicas. Tradução de S. M. M. da Rosa. Porto Alegre:
Artmed, 2020.
HAYES, S. C.; STROSAHL, K. D.; WILSON, K. G. Acceptance and commitment therapy: An
experiential approach to behavior change. Guilford Press, 1999.
HAYES, S. C.; STROSAHL, K. D.; WILSON, K. G. Acceptance and commitment therapy: The
process and practice of mindful change. 2. ed. The Guilford Press, 2012.
HAYES, S. C.; STROSAHL, K. D.; WILSON, K. G. Terapia de Aceitação e Compromisso: O
Processo e a Prática da Mudança Consciente. Tradução de M. Valentim & S. M. M. da Rosa.
Porto Alegre: Artmed, 2021.
HAYES, S. C.; WILSON, K. G.; GIFFORD, E. V.; FOLLETTE, V. M.; STROSAHL, K. Experimental
avoidance and behavioral disorders: a functional dimensional approach to diagnosis and
treatment. J Consult Clin Psychol, v. 64, n. 6, p. 1152-68, 1996. DOI: 10.1037//0022-006x.64.6.1152.
LKESLER, R. C.; BERGLUND, P.; DEMLER, O.; JIN, R.; MERIKANGAS, K. R.; WALTERS, E. E. Lifetime
prevalence and age-of-onset distributions of DSM-IV disorders in the National Comorbidity
Survey Replication. Arch Gen Psychiatry, v. 62, n. 6, p. 593-602, 2005. DOI:
10.1001/archpsyc.62.6.593.
KUPFER, D. J.; FIRST, M. B.; REGIER, D. A. (Eds.). A research agenda for DSM—V. American
Psychiatric Association, 2002..
LEVIN, M. E.; LUOMA, J. B.; HAEGER, J. A. Decoupling as a mechanism of change in
mindfulness and acceptance: A literature review. Behavior Modification, v. 39, n. 6, p. 870–911,
2015. DOI: 10.1177/0145445515603707.
HLUNDGREN, T.; DAHL, J.; HAYES, S. C. Evaluation of mediators of change in the treatment of
epilepsy with acceptance and commitment therapy. J Behav Med, v. 31, n. 3, p. 225-35, 2008.
DOI: 10.1007/s10865-008-9151-x.
LUNDGREN, T.; LUOMA, J. B.; DAHL, J.; STROSAHL, K.; MELIN, L. The Bull's-Eye Values Survey: A
psychometric evaluation. Cognitive and Behavioral Practice, v. 19, n. 4, p. 518–526, 2012. DOI:
10.1016/[Link].2012.01.004.
MILLER, W. R.; ROLLNICK, S. Motivational interviewing: Preparing people for change. 2. ed. The
Guilford Press, 2002.
PLUMB, J. C.; STEWART, I.; DAHL, J.; LUNDGREN, T. In search of meaning: values in modern
clinical behavior analysis. Behav Anal, v. 32, n. 1, p. 85-103, 2009. DOI: 10.1007/BF03392177.
ROGERS, C. R. On becoming a person: A therapist’s view of psychotherapy. New York:
Houghton Mifflin, 1995.
SABAN, M. T. Introdução à Terapia de Aceitação e Compromisso. Tradução de S. C. Hayes.
Artesã Editora, 2015.
SEGAL, Z. V.; WILLIAMS, J. M. G.; TEASDALE, J. D. Mindfulness-based cognitive therapy for
depression: A new approach to preventing relapse. Guilford Press, 2002.
TÖRNEKE, N. Learning RFT: An introduction to relational frame theory and its clinical
application. Context Press/New Harbinger Publications, 2010.
WENZLAFF, R. M.; WEGNER, D. M. Thought suppression. Annu Rev Psychol, v. 51, p. 59-91, 2000.
DOI: 10.1146/[Link].51.1.59.
WILSON, K. G.; DUFRENE, T. Mindfulness for Two: An Acceptance and Commitment Therapy
Approach to Mindfulness in Psychotherapy. Oakland, CA: New Harbinger, 2009.