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Introdução à Terapia DBT

Este material é um caderno de estudos sobre abordagens clínicas, incluindo Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e Terapia Comportamental Dialética (DBT), elaborado por alunos da UFF/Niterói. O conteúdo visa aprofundar o conhecimento sobre essas terapias, oferecendo resumos, informações complementares e referências bibliográficas. A DBT, desenvolvida por Marsha M. Linehan, é destacada por sua ênfase na aceitação, mudança e validação, sendo uma abordagem eficaz para tratar desregulação emocional severa.

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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Introdução à Terapia DBT

Este material é um caderno de estudos sobre abordagens clínicas, incluindo Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e Terapia Comportamental Dialética (DBT), elaborado por alunos da UFF/Niterói. O conteúdo visa aprofundar o conhecimento sobre essas terapias, oferecendo resumos, informações complementares e referências bibliográficas. A DBT, desenvolvida por Marsha M. Linehan, é destacada por sua ênfase na aceitação, mudança e validação, sendo uma abordagem eficaz para tratar desregulação emocional severa.

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minicurso

abordagens
clínicas
Como usar este material:

Este material é o resultado de muitas horas de trabalho e


dedicação de diversos alunos, do Conversa Cognitiva (C²), grupo
de estudos de TCC da UFF/Niterói, e da Liga Acadêmica de
Behaviorismo da Universidade Federal Fluminense (LAB).

Foi produzido com muito carinho e dedicação para oferecer a você


um conteúdo complementar rico e bem fundamentado.
Agradecemos por confiar e adquirir este material tão valioso!

Cada material corresponde a uma das aulas do evento e foi


elaborado para aprofundar os temas abordados: Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia de Aceitação e
Compromisso (ACT), Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e
Terapia Comportamental Dialética (DBT). Neles, você encontrará
resumos estruturados, informações extras que ampliam os
conteúdos discutidos e referências bibliográficas de livros, artigos e
meta-análises essenciais para quem deseja estudar mais a fundo.
para aproveitar o
melhor deste caderno,
sugerimos que você:

1. Use o resumo para revisar e expandir seu conhecimento


Além de sintetizar os principais pontos da aula, este
material traz informações complementares que
aprofundam e ampliam o conteúdo abordado.

2. Explore as referências
Algumas das fontes citadas são indicadas pelos próprios
autores dos livros estudados e podem servir como base
para um aprofundamento mais rigoroso.

3. Use como um ponto de partida


O conteúdo aqui apresentado é um resumo e não
substitui a leitura direta das obras originais. Ele foi feito
para guiar seus estudos e despertar seu interesse em
explorar mais.
Vale ressaltar que este material não reflete uma análise
formal das fontes citadas, nem se trata de um trabalho
acadêmico vinculado a disciplinas, TCCs, mestrados ou
doutorados. É um material feito de alunos para alunos,
com o propósito de trazer informações que a faculdade
muitas vezes não fornece. Sua função é ser um recurso
de estudo acessível e complementar, sem nenhuma
infração ética.

Esperamos que aproveite e que esse material


seja um incentivo para seguir explorando o
mundo da análise do comportamento e das
terapias contextuais!

preparado?
Sumário

MÓDULO 1:
BASE FILOSÓFICA E
HISTÓRIA
MÓDULO 2:
CONCEITOS
FUNDAMENTAIS

MÓDULO 3:
INTERVENÇÕES PRATICAS
“Eu estava no inferno
(...) e fiz uma
promessa: quando eu
saísse, eu iria voltar
e tirar os outros
dali”

Marsha M. Linehan
MÓDULO 1
Base filosófica e história

Introdução à Terapia Comportamental Dialética


(DBT):
A Terapia Comportamental Dialética (DBT) foi desenvolvida por
Marsha M. Linehan, uma psicóloga que, além de cientista, tinha
uma experiência pessoal profunda com o sofrimento emocional
intenso. Aos 17 anos, Marsha foi internada na Hartford Clinic,
onde passou anos isolada, enfrentando automutilação
frequente e pensamentos suicidas persistentes. Seu diagnóstico
inicial de esquizofrenia a levou a tratamentos invasivos, como
terapia eletroconvulsiva e psicanálise tradicional, sem sucesso.
Sua vontade de morrer só aumentava, e o ambiente hospitalar,
em vez de acolhê-la, reforçava o sentimento de desamparo.

No entanto, Marsha sempre foi uma pessoa profundamente


religiosa. Católica, feminista e, mais tarde, praticante do zen-
budismo, ela encontrou na aceitação um conceito essencial
para sua recuperação. Apesar de nunca misturar
espiritualidade com terapia, essa experiência a ajudou a
formular uma promessa pessoal: "Vou sair desse inferno e
ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo." Com essa
motivação, ela se dedicou a pesquisar formas mais eficazes de
tratar pessoas com intenso sofrimento emocional,
desenvolvendo a DBT.

6
O Desenvolvimento da DBT: Tentativa e Erro
A DBT nasceu da necessidade de tratar pacientes com
comportamentos suicidas crônicos e transtorno da
personalidade borderline (TPB), um quadro marcado por
desregulação emocional severa. O tratamento tradicional
baseado na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) não
estava funcionando, e Linehan precisou reformular sua
abordagem através de várias tentativas:

Tentativa 1

Ênfase na mudança comportamental: Inicialmente, Linehan


aplicou protocolos comportamentais tradicionais de mudança,
mas os pacientes não conseguiam tolerar o desconforto e
frequentemente mudavam o foco do tratamento. Essa
abordagem evocava memórias do ambiente invalidante em
que cresceram, onde suas emoções eram constantemente
desconsideradas.

Tentativa 2

Ênfase na aceitação: Ao perceber que a mudança pura era


ineficaz, Linehan passou a focar apenas na aceitação e na
validação emocional, baseando-se nas ideias de Carl Rogers.
No entanto, os pacientes não aceitaram bem essa abordagem,
pois sentiam que a terapeuta não os ajudava ativamente a sair
do sofrimento.

Tentativa 3

Ênfase na aceitação: Ao perceber que a mudança pura era


ineficaz, Linehan passou a focar apenas na aceitação e na
validação emocional, baseando-se nas ideias de Carl Rogers.
No entanto, os pacientes não aceitaram bem essa abordagem,
pois sentiam que a terapeuta não os ajudava ativamente a sair
do sofrimento.

7
Módulo 2
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
O que é a DBT?
A Terapia Comportamental Dialética (DBT) é uma forma
especializada da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
desenvolvida para tratar pacientes com transtorno da
personalidade borderline (TPB) e outros quadros de
desregulação emocional severa. Sua abordagem inovadora
combina estratégias comportamentais com mindfulness e uma
perspectiva dialética, ajudando os pacientes a encontrarem
equilíbrio entre aceitar a realidade como ela é e modificar os
aspectos que causam sofrimento. Os três pilares centrais da
DBT são: aceitação, mudança e dialética.

Paradigma da Aceitação:
Inspirado por ensinamentos budistas de mais de 2.500 anos,
esse princípio sustenta que reconhecer e validar a experiência
do paciente é um pré-requisito para a mudança eficaz. O
terapeuta deve “entrar no inferno com o paciente”, validando
seu sofrimento sem julgamentos. O paradigma da aceitação se
ancora no mindfulness, que permite observar a realidade sem
distorções. Três princípios fundamentais estruturam essa
abordagem:

8
Consciência do Momento Presente/Mindfulness

Mindfulness é uma forma de atenção plena e não crítica às


experiências do momento presente, incluindo sensações,
cognições, emoções, impulsos e estímulos ambientais. Também
envolve a consciência da atividade atual, contrastando com
comportamentos automáticos ou mecânicos. As raízes budistas
das práticas de mindfulness e as tentativas de alinhar suas
definições aos ensinamentos budistas básicos geram desafios
conceituais, pois há diversas formas de descrevê-la nos textos
tradicionais (Dreyfus, 2011). No entanto, análises
contemporâneas apontam dois elementos centrais: o que
fazemos e como fazemos.

De maneira geral, mindfulness é definida como uma atenção


aberta, curiosa, receptiva, amigável, compassiva e sem
julgamentos. Enfatiza a observação das experiências sem
tentar controlá-las ou defini-las como parte da identidade
pessoal. Esse conceito é fundamental em diversas abordagens
terapêuticas baseadas em mindfulness (Segal, Williams &
Teasdale, 2013). A prática de mindfulness fortalece habilidades
essenciais da DBT, como regulação emocional e tolerância ao
mal-estar.

9
Desapego

O desapego é um dos princípios fundamentais da aceitação na


DBT, refletindo a ideia de que o apego é a raiz do sofrimento
humano. Nesse contexto, desapegar-se significa soltar as
crenças, percepções, posses, preferências e estados mentais
que nos prendem e aumentam o sofrimento. Quando uma
pessoa se apega à ideia de como as coisas "deveriam" ser, ela
adiciona sofrimento desnecessário à dor já existente.

Por exemplo, alguém com artrite no quadril sente dor física. No


entanto, se essa pessoa também se apega à crença de que não
deveria ter artrite ou que isso é injusto, está adicionando
sofrimento emocional à sua dor física. Esse sofrimento adicional
decorre da resistência à realidade. Ao reconhecer que a dor é
uma parte inevitável da vida e que resistir ou lutar contra essas
realidades dolorosas gera sofrimento extra, é possível adotar
uma postura de aceitação.

Esse entendimento é capturado na máxima: "A dor é inevitável;


o sofrimento é opcional." Isso significa que, enquanto a dor faz
parte da experiência humana, o sofrimento é resultado da
resistência e do apego às expectativas irreais sobre a vida.
Portanto, cultivar o desapego ajuda a reduzir o sofrimento ao
permitir que se aceite a realidade tal como ela é, sem adicionar
camadas de resistência mental ou emocional.

10
Impermanência

O conceito de impermanência é central na prática da DBT,


especialmente no tratamento de indivíduos com desregulação
emocional grave e crônica. Esse princípio reconhece que todas
as emoções, pensamentos, ações e situações são temporários
e que, ao aceitarmos essa natureza transitória, podemos
reduzir o sofrimento e as reações impulsivas.

Pacientes com alta excitação emocional costumam ver suas


emoções como insuportáveis e permanentes, o que pode levar
a comportamentos problemáticos, como autolesão, violência ou
abuso de substâncias, como formas rápidas de escapar desse
desconforto. No entanto, essa fuga impede que eles percebam
que as emoções negativas são, na verdade, breves e
passageiras se não forem reativadas por pensamentos e ações
recorrentes.

A impermanência ensina que, assim como as emoções intensas


surgem, elas também diminuem. Compreender isso pode ser
transformador tanto para pacientes quanto para terapeutas,
aliviando a sensação de que o progresso é impossível e que o
paciente está estagnado. Para o terapeuta, aceitar a
impermanência pode ajudar a mitigar frustrações e evitar a
desesperança durante o tratamento.

Esse reconhecimento é também um lembrete de que tanto os


bons momentos quanto os ruins estão sujeitos a mudanças.
Quando aceitamos a natureza cíclica da vida, tornamo-nos
menos vulneráveis aos altos e baixos das emoções e
circunstâncias, o que nos ajuda a lidar melhor com os desafios
e a cultivar a resiliência diante das adversidades.

11
Validação:
A validação é essencial no paradigma da aceitação, exigindo
do terapeuta uma presença genuína e a suspensão temporária
da intenção de mudança para conectar-se ao paciente no
momento presente. Ao reconhecer e confirmar suas
experiências, promove-se a sensação de ser compreendido e
valorizado. Isso pode ocorrer por meio da escuta atenta, gestos,
silêncio ou verbalização empática.

Na Terapia Comportamental Dialética (DBT), a validação


equilibra estratégias de mudança, reduzindo resistência e
fortalecendo a aliança terapêutica. Linehan (1997) a descreveu
como um “açúcar” que suaviza o “remédio amargo” da solução
de problemas. Em ensaios clínicos, mostrou-se crucial para a
adesão ao tratamento, reduzindo abandonos a 0% quando
utilizada isoladamente (Linehan et al., 2002). Fora da terapia, a
validação segue três etapas:

1. Entendimento:

Reconhecer e compreender o fenômeno que será validado. Por


exemplo, entender o conteúdo de uma pesquisa ou o contexto
de um argumento.

2. Verificação de validade:

Avaliar se o fenômeno atende a algum padrão, faz sentido em


um determinado contexto ou possui um "valor de verdade".
Essa etapa é a essência da validação.

12
3. Comunicação da validade:

Formalizar a validação, como certificar um passaporte ou


divulgar a validação de resultados de pesquisa.

No segundo passo da validação, que é determinar o "valor de


verdade" de um comportamento, Linehan (1997) sugere três
contextos temporais e cinco métodos de raciocínio para ajudar
na avaliação da validade:

1. Passado:

O comportamento é válido em relação às experiências


anteriores do paciente? Isso envolve entender como o
comportamento ou emoção surgiu no contexto do histórico de
vida.

2. Futuro:

A resposta emocional é válida em relação aos objetivos ou "fins


em vista" do paciente? Aqui, questiona-se se o comportamento
é coerente com os planos ou expectativas de futuro.

3. Presente:

O comportamento é válido no contexto atual? Avalia-se a


relevância e a adequação do comportamento no momento
presente, levando em conta a situação e as circunstâncias
imediatas.

13
Os cinco métodos de raciocínio incluem diferentes formas de
avaliar a validade de um comportamento:

1. Autoridade aceita:

o comportamento está alinhado com a autoridade aceita?

2. Consenso:

o comportamento é algo que os outros fariam nesse contexto


(todos ou um subgrupo relevante)?

3. Raciocínio empírico:

o comportamento é válido por meio de raciocínio empírico ou


indutivo, baseado em um número de tentativas passadas?

4. Raciocínio dedutivo:

o comportamento é válido por meio de lógica ou raciocínio


dedutivo?

5. Mente sábia:

particular à DBT, o comportamento é válido porque está


alinhado com a mente sábia do indivíduo, mesmo que não
esteja alinhado com nenhum dos critérios anteriores

14
A validação pode ocorrer em cinco áreas:

1. Emoções:

Devem ser reconhecidas sem julgamento, permitindo sua


expressão sem evitação. Exemplo: uma paciente reprimindo
culpa e tristeza recebe espaço para sentir sua dor.

2. Pensamentos:

Precisam ser compreendidos no contexto do paciente, mas


desafiados quando distorcidos. Pensamentos suicidas podem
ser validados sem endossar a ação.

3. Ações:

Suas causas podem ser validadas sem reforçar padrões rígidos.


Exemplo: validar tanto o esforço quanto a frustração de um
paciente.

4. Capacidades:

Destacar forças mesmo quando o paciente duvida delas ajuda


na reconstrução da autoconfiança.

5. Pessoa como um todo:

Reconhecer história, emoções e capacidades promove


aceitação e mudança.

15
Seis Níveis de Validação na DBT

Marsha Linehan (1997) organizou a validação em seis níveis


progressivos -mas não lineares sempre - os níveis 1 (Presença
Completa) e 6 (Genuinidade Radical) são considerados
fundamentais e devem estar sempre presentes na relação
terapêutica:

1. Presença Completa:

O terapeuta deve estar plenamente atento (como em


mindfulness), demonstrando que o comportamento do paciente
é significativo e digno de atenção.

2. Reflexão:

Repetição do que o paciente comunica para demonstrar


compreensão.

3. Comunicação Implícita:

Observação de expressões não verbais para promover


consciência emocional. Esse processo envolve escuta cuidadosa
e resposta sensível, elementos fundamentais para a formação
de relações seguras (Bateman & Fonagy, 2004).

4. Contextualização Histórica e Biológica:

Aqui, a validação se concentra em demonstrar ao paciente que


seu comportamento faz sentido com base em sua história de
vida e em fatores biológicos. Esse reconhecimento ajuda a
reduzir sentimentos de culpa e vergonha, fornecendo uma
perspectiva compreensiva sobre suas reações emocionais e
padrões comportamentais.

16
5. Validação do Contexto Atual:

O terapeuta valida o comportamento do paciente dentro da


realidade de seu contexto atual, reconhecendo que suas
reações podem ser compreensíveis ou normativas dadas as
circunstâncias presentes. Quando possível, deve-se priorizar a
validação do contexto atual antes da histórica.

6. Genuinidade Radical:

Responder de forma autêntica, evitando uma abordagem


mecânica.

Paradigma da Mudança:
O paradigma de mudança de Linehan (2010) é uma abordagem
estruturada para promover mudanças comportamentais,
especialmente em indivíduos com desregulação emocional
grave e crônica. Esse paradigma é baseado em teorias e
práticas cognitivo-comportamentais e segue um protocolo de
solução de problemas em quatro etapas principais, utilizado
repetidamente nas sessões terapêuticas:

1. A sessão começa com uma análise em cadeia do


comportamento-alvo, que identifica as variáveis controladoras
do comportamento problemático.

17
2. Após a análise em cadeia, o terapeuta e o paciente
identificam padrões de comportamento e formam hipóteses
explicativas, chegando a um entendimento compartilhado,
conhecido como "insight".

3. Com base no insight, são geradas possíveis soluções para


provocar as mudanças comportamentais desejadas. O
terapeuta e o paciente escolhem juntas as soluções a serem
implementadas. As soluções são organizadas em quatro
categorias de procedimentos de mudança, cada uma
associada a um modelo comportamental específico:

Déficits de habilidades: O treinamento de habilidades na DBT é


estruturado em quatro áreas: regulação emocional, tolerância
ao sofrimento, eficácia interpessoal e mindfulness. É realizado
separadamente da terapia individual, geralmente em grupo, e
se concentra na prática e aplicação no dia a dia. Para garantir
a aquisição eficaz, o terapeuta ajuda o paciente a superar
barreiras como cognições problemáticas, emoções intensas e
contingências ambientais desfavoráveis.

18
Cognições problemáticas: A DBT reconhece que pensamentos
automáticos negativos influenciam emoções e
comportamentos. O processo de mediação cognitiva segue a
sequência:

Evento desencadeante → Crenças, pressupostos → Ações e


emoções.

A terapia intervém por meio da reestruturação cognitiva e da


clarificação de contingências, ajudando o paciente a
desenvolver uma "mente sábia" ao equilibrar pensamentos
extremos.

Contingências problemáticas: Na DBT, esse princípio é


aplicado na modificação de contingências ambientais para
reforçar comportamentos adaptativos e extinguir padrões
desadaptativos. Estratégias como reforço diferencial e extinção
são usadas para incentivar o desenvolvimento de habilidades e
reduzir comportamentos problemáticos.

Emoções automáticas: Na DBT, o condicionamento clássico é


usado para compreender e modificar respostas emocionais
automáticas, como medos intensos ou reações impulsivas a
determinados gatilhos ambientais. Técnicas de exposição e
controle de estímulos ajudam o paciente a dissociar gatilhos
problemáticos de respostas emocionais disfuncionais.

4. Durante todo o processo, o terapeuta utiliza intervenções


didáticas para educar o paciente, além de estratégias de
orientação e comprometimento para assegurar que o paciente
siga as tarefas propostas e entenda seu papel no tratamento.

19
Paradigma da Dialética:

A DBT utiliza estratégias dialéticas para lidar com bloqueios


terapêuticos comuns em indivíduos com desregulação
emocional, causada pela interação entre vulnerabilidade
biológica e ambientes de invalidação. Essa abordagem ajuda a
transformar padrões rígidos em perspectivas mais flexíveis,
promovendo colaboração e superação de impasses.

Opostos e Síntese

A dialética reconhece que a realidade é composta por opostos,


cuja tensão é resolvida por meio de síntese. Esse processo
ocorre dinamicamente, transformando a síntese em uma nova
tese, gerando progressão contínua na terapia. Exemplo:

Tese: "O paciente faz o melhor que pode."

Antítese: "O paciente precisa se esforçar mais."

A dialética não busca determinar qual das posições é "certa",


nem aceitar que ambas coexistam sem resolução. O objetivo é
identificar o núcleo válido de cada lado e criar uma síntese,
uma nova proposição que integre os aspectos válidos da tese e
da antítese. Nesse exemplo, a síntese poderia ser: "Este paciente
está fazendo o melhor que pode e precisa se esforçar mais
para promover mudanças em sua vida."

Esse processo é dinâmico, com a síntese gerada tornando-se


uma nova tese, que pode eventualmente gerar outra antítese.
Na terapia, isso reflete o caráter evolutivo da verdade e das
estratégias de mudança. O pensamento dialético busca
soluções ganha-ganha, evitando conflitos binários e
promovendo integração.

20
Pensamento Sistêmico

O pensamento sistêmico na DBT reconhece a


interdependência entre os elementos de um sistema.
Mudanças em uma parte afetam o todo, permitindo
intervenções indiretas para influenciar comportamentos. Na
clínica, isso amplia estratégias terapêuticas, mostrando que
tudo importa e que fatores distantes podem ser cruciais. Esse
paradigma incentiva intervenções em múltiplos níveis,
integrando mudança e aceitação para um manejo mais
flexível. Esse princípio permite que, mesmo quando não é
possível intervir diretamente em um elemento problemático,
uma mudança em outro ponto pode ter efeitos indiretos mais
significativos sobre o comportamento ou situação desejada.

O Fluxo

O princípio do fluxo, intimamente relacionado à aceitação da


impermanência, enfatiza que nada permanece igual — tudo
está em constante transformação. Cada momento traz
mudanças em moléculas, estruturas, relacionamentos e ideias.
Embora essa percepção possa parecer desconcertante ou
assustadora para alguns, ela reflete a realidade fundamental: o
passado já não existe, o futuro é apenas uma projeção, e tudo
o que temos é o presente em constante movimento. Em terapia,
aceitar essa dinâmica ajuda a ajustar intervenções. Uma
imagem poderosa é a de uma parede de pedra: alta demais
para escalar, larga demais para contornar e aparentemente
impenetrável. Ao invés de ceder à frustração, essa metáfora
nos convida a relaxar e persistir. Continuar explorando a parede,
observando-a sob diferentes ângulos, pressionando levemente
aqui e ali, permite que percebamos aquilo que antes nos
escapava. Talvez surja uma rachadura até então invisível, uma
oportunidade para empurrar de forma diferente, ou até mesmo
uma mudança na própria parede que, embora sutil, altere a
dinâmica da situação.

21
Estratégias Dialéticas

1. Advogado do Diabo

O terapeuta intensifica a posição desadaptativa do paciente


para que ele próprio a reavalie. Exemplo:

Paciente: "Eu não consigo lidar com a dor emocional, então eu


me corto. É a única coisa que funciona."

Terapeuta: "Então, se o corte é a única solução, faz sentido


continuar, certo? Afinal, ele resolve o problema de imediato."

Paciente: "Não, mas agora que você disse assim, parece que
estou fazendo algo muito errado..."

Terapeuta: "Talvez você tenha razão. Será que há outra forma


de lidar com essa dor, sem recorrer ao corte? O que acha de
explorar outras possibilidades?"

2. Extensão

A amplificação da declaração do paciente desarma a


resistência e traz emoções subjacentes à tona. Exemplo:

Paciente: "Eu não aguento mais, vou desistir da terapia!"

Terapeuta: "Ah, então você está realmente decidido a parar


com tudo, sem tentar mais nenhuma vez?"

Paciente: "Não! Eu não quero parar! Isso só me deixa mais


frustrado!"

Terapeuta: "Parece que, na verdade, você está se sentindo


preso entre querer desistir e, ao mesmo tempo, querer
continuar, não é? Como é que se sente com isso?"

22
Ambas as estratégias exigem sensibilidade e bom timing
para evitar interpretações equivocadas e maximizar sua
eficácia terapêutica.

Foco da DBT: Desregulação Emocional


Essa abordagem enfatiza a importância das dificuldades na
regulação emocional, tanto a falta de controle quanto o
excesso de controle, e seu impacto no comportamento
(Linehan, 2018). Ela envolve:

Dificuldade em controlar impulsos intensos derivados das


emoções.

Incapacidade de redirecionar a atenção após uma crise.

Comportamentos impulsivos que vão contra os valores do


paciente em momentos de sofrimento.

Ao integrar validação e mudança, a DBT se tornou um dos


tratamentos mais eficazes para transtornos emocionais graves,
oferecendo aos pacientes ferramentas para viverem de
maneira mais equilibrada e funcional.

Teoria Biossocial:
A teoria biossocial, desenvolvida por Linehan (1993a), sugere
que a desregulação emocional no TPB é causada e mantida
por fatores biológicos e ambientais.

23
Biologicamente, os indivíduos com TPB são mais vulneráveis
devido a diferenças no sistema nervoso central, que podem
ser resultado de genética, desenvolvimento fetal ou traumas
precoces. Estudos indicam que pessoas com TPB
experimentam emoções aversivas mais frequentes, intensas
e duradouras, e a impulsividade é um fator biológico
adicional importante.

A desregulação emocional no TPB também é influenciada


por ambientes invalidantes, que comunicam que as
respostas emocionais dos indivíduos são incorretas ou
patológicas. Esses ambientes não ensinam a tolerância ao
mal-estar ou a formação de expectativas realistas,
resultando em uma oscilação entre inibição emocional e
comunicação extrema

Impacto da Desregulação Emocional:

A desregulação emocional tem sido associada a uma ampla


gama de problemas de saúde mental, incluindo autolesão,
transtornos aditivos, transtornos de humor e transtornos de
ansiedade, uma vez que esses comportamentos disfuncionais
são frequentemente empregados como estratégias para lidar
com o sofrimento emocional. A desregulação emocional
manifesta-se por meio de padrões de instabilidade emocional,
dificuldade no controle dos impulsos, problemas nos
relacionamentos interpessoais e uma autoimagem instável
(Linehan, 2018; Lins et al., 2020).

24
módulo 3
intervenções práticas

Modos de Tratamento na DBT:


A DBT oferece uma estrutura conceitual para terapeutas e
pacientes baseada na teoria biossocial e em níveis de
desordem. A formulação de caso e os alvos do tratamento são
hierarquicamente organizados e claramente distribuídos nos
modos de tratamento, que inclui psicoterapia individual
semanal, treinamento de habilidades, coaching telefônico e
consultoria semanal para terapeutas.

1. Psicoterapia Individual Semanal: Foca nos problemas mais


graves e no progresso individual.

2. Treinamento de Habilidades: Ajuda a desenvolver


capacidades para lidar com emoções e situações difíceis.

3. Coaching Telefônico: Oferece suporte imediato para


situações de crise.

4. Consultoria Semanal para Terapeutas: Permite a


supervisão e suporte entre terapeutas, garantindo uma
abordagem coesa

25
Na Terapia Comportamental Dialética (DBT), o nível de
desordem do paciente determina quais tarefas de
tratamento são relevantes e viáveis. Por exemplo, um
morador de rua com uso descontrolado de heroína e
múltiplas tentativas de suicídio necessita de uma
abordagem mais abrangente comparado a um enfermeiro
com dependência de opiáceos que possui uma rede de
apoio. O tratamento na DBT é dividido em estágios,
começando pelo pré-tratamento, seguido por até quatro
estágios subsequentes, dependendo da gravidade da
desordem.

Pré-tratamento:

No pré-tratamento, paciente e terapeuta concordam


colaborativamente com as metas e métodos do tratamento.
Este acordo inclui compromissos mútuos, como o paciente
trabalhar os alvos do tratamento e comparecer às sessões, e o
terapeuta fornecer o melhor tratamento possível e participar da
consulta. A DBT requer consentimento voluntário, e o
compromisso verbal é necessário antes do início do tratamento
formal, especialmente em contextos forenses ou legais. A
prioridade no pré-tratamento é engajar o paciente na terapia.

26
Estágio 1:

O Estágio 1 da Terapia Comportamental Dialética (DBT) é


direcionado aos casos mais graves de desordem
comportamental. O objetivo principal é alcançar uma
expectativa de vida aceitável, controle comportamental e uma
conexão suficiente com o tratamento e habilidades necessárias.
A prioridade do tratamento segue uma ordem específica:

1. Comportamentos suicidas/homicidas ou outras ameaças


iminentes à vida;

2. Comportamentos que interferem na terapia, tanto do


paciente quanto do terapeuta;

3. Comportamentos que comprometem seriamente a


qualidade de vida do paciente, como problemas mentais,
relacionamentos interpessoais, questões legais,
emprego/escola, saúde e moradia; e

4. Déficits nas habilidades comportamentais necessárias para


mudanças na vida.

Treinamento de habilidades comportamentais:

A DBT assume que certos déficits são particularmente


relevantes para o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB)
e oferece treinamento em habilidades para:

27
1. Regular as emoções;

2. Tolerar o mal-estar;

3. Responder habilidosamente a situações interpessoais;

4. Observar, descrever e participar sem julgar, com


intencionalidade e foco na efetividade (Mindfulness);
e
5. Manejar o próprio comportamento sem autopunição.

Essas habilidades estão ligadas aos critérios diagnósticos do


TPB, como reduzir confusão de identidade e desregulação
cognitiva (mindfulness), abordar caos interpessoal e
temores de abandono (efetividade interpessoal), reduzir
afeto lábil e raiva excessiva (regulação emocional) e
diminuir comportamentos impulsivos e ameaças de suicídio
(tolerância ao mal-estar). Mas é importante destacar que a
terapia visa não apenas suprimir comportamentos
disfuncionais severos, mas também construir uma vida que
qualquer pessoa razoável consideraria que vale a pena
viver.
Estágio 2:

Pacientes que não estão em descontrole comportamental


ainda podem sofrer de intensa dor emocional, muitas vezes
devido ao transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou
outras experiências dolorosas que os isolam de conexões
significativas. No Estágio 2 da Terapia Comportamental
Dialética (DBT), a meta é permitir que esses pacientes
vivenciem emoções sem traumas e se conectem com o
ambiente.

28
Estágio 3:

No Estágio 3, o foco está em sintetizar o aprendizado, aumentar


o autorrespeito e a conexão permanente, e resolver problemas
cotidianos, visando a maestria, autoeficácia e uma qualidade
de vida aceitável.

Estágio 4:

O Estágio 4 aborda o sentimento de incompletude,


direcionando-se para metas espirituais que proporcionam
liberdade e alegria. Embora apresentados linearmente, os
estágios da DBT muitas vezes se sobrepõem e o progresso
pode não ser linear. Retomar discussões do pré-tratamento ou
a transição entre estágios pode ser necessário. A prontidão
para avançar do Estágio 1 para o Estágio 2 é determinada pela
redução de comportamentos disfuncionais severos, a
capacidade de manter uma relação terapêutica forte e a
habilidade de lidar com sinais desencadeadores. O Estágio 3
frequentemente revisita questões anteriores sob uma nova
perspectiva.

29
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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discussion of the cognitive dimensions of mindfulness. Contemporary
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