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Mercado de Capitais em Moçambique: Estrutura e Importância

O mercado de capitais em Moçambique, estruturado em torno da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), é essencial para o financiamento sustentável da economia, permitindo a mobilização de poupança nacional e o acesso a capital de longo prazo para empresas. A BVM regula a emissão e negociação de valores mobiliários, promovendo a transparência e a inclusão financeira. Apesar de estar em fase de consolidação, o mercado possui uma estrutura legal adequada que pode impulsionar o crescimento econômico inclusivo.

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Mercado de Capitais em Moçambique: Estrutura e Importância

O mercado de capitais em Moçambique, estruturado em torno da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), é essencial para o financiamento sustentável da economia, permitindo a mobilização de poupança nacional e o acesso a capital de longo prazo para empresas. A BVM regula a emissão e negociação de valores mobiliários, promovendo a transparência e a inclusão financeira. Apesar de estar em fase de consolidação, o mercado possui uma estrutura legal adequada que pode impulsionar o crescimento econômico inclusivo.

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Introdução

O desenvolvimento económico sustentável de qualquer país exige mecanismos eficazes de


financiamento de médio e longo prazo, que permitam transformar poupança em investimento
produtivo. Nesse contexto, o mercado de capitais desempenha um papel crucial ao conectar
agentes superavitários a agentes deficitários por meio da negociação de valores mobiliários.
Em Moçambique, esse mercado é estruturado em torno da Bolsa de Valores de Moçambique
(BVM), criada pelo Decreto nº 49/1998, de 22 de Setembro, como parte da estratégia de
diversificação dos instrumentos de financiamento do sector produtivo.
Conforme destacado pela BVM, “o financiamento da economia, através da participação activa
no mercado de capitais, é indispensável para a concretização dos projectos de investimento e
meios suplementares de condução da política, nos domínios económico e social” (BVM,
2017, p. 07).
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Conceitos do Mercado de Capitais

Segundo GITMAN (2010) “O mercado de capitais é o segmento do mercado financeiro onde


são negociados instrumentos de médio e longo prazo, como acções e debentures, sendo
fundamental para o financiamento das empresas e para o crescimento económico.”

De acordo com ASSAF (2016) “O mercado de capitais compreende o conjunto de instituições


e instrumentos que possibilitam a transferência de recursos de poupadores para as empresas,
por meio da emissão e negociação de valores mobiliários, como acções e títulos de dívida de
longo prazo.”

Na esteira de FABOZZI (2009) “Os mercados de capitais são mercados para compra e venda
de instrumentos de capital e dívida com vencimentos superiores a um ano. Eles desempenham
um papel crucial na canalização da poupança para investimentos produtivos.”

Bolsa de Valores de Moçambique (BVM, 2017, p.08). define “O mercado de capitais como
sendo o segmento do mercado financeiro onde as empresas se financiam por via de criação e
venda de títulos, designados por valores mobiliários”.

Importância do Mercado de Capitais

A BVM identifica diversas importâncias operacionais e macroeconómicas do mercado de


capitais, que podem ser agrupadas da seguinte forma:

a) Mobilização de Poupança Nacional


O mercado de capitais permite transformar poupanças ociosas em capital produtivo,
redireccionando recursos para empresas que buscam expandir sua actividade. Isso contribui
para o fortalecimento da base de investidores e do consumo interno.

b) Financiamento Sustentável para Empresas


Através da emissão de acções e obrigações, as empresas conseguem aceder a capitais com um
custo menor e prazos mais adequados em comparação ao sistema bancário tradicional. Como
resultado, há aumento na capacidade de investimento, inovação e competitividade.
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c) Valorização e Eficiência de Preços

O mercado proporciona a formação eficiente e transparente dos preços dos activos


financeiros. Com a confrontação entre oferta e procura, investidores obtêm melhor
rentabilidade e empresas captam recursos a um custo mais justo.
d) Estímulo à Transparência e Governança
As empresas listadas em bolsa devem seguir boas práticas de divulgação e governança, o que
fortalece a confiança dos investidores e aprimora a qualidade da gestão corporativa.

e) Inclusão Financeira e Democratização do Capital

Um dos maiores ganhos sociais do mercado de capitais é permitir que pequenos investidores
participem da propriedade de grandes empresas, promovendo a “socialização do capital” e o
empoderamento económico de amplas camadas da população.

Estrutura do Mercado de Capitais em Moçambique

Em Moçambique, o instrumento que aprova e regula o mercado de capitais é a Lei do


Mercado de Valores Mobiliários, aprovada pela Assembleia da República.

Instrumento Legal Principal: Lei n.º 1/2022, de 25 de Maio. Esta é a nova Lei do Mercado de
Valores Mobiliários, que revogou a anterior Lei n.º 15/99, de 1 de Novembro.

Ela estabelece o regime jurídico aplicável ao mercado de valores mobiliários, incluindo a


emissão, negociação e fiscalização de instrumentos financeiros em Moçambique.

O principal órgão que regula a Bolsa de Valores em Moçambique actualmente é o:Banco de


Moçambique (BM).O Banco de Moçambique é o órgão regulador e supervisor do sistema
financeiro moçambicano, incluindo o mercado de capitais e a Bolsa de Valores de
Moçambique (BVM).
Funções do Banco de Moçambique nesse contexto e supervisionar e regular as actividades da
BVM, emitir normas sobre o funcionamento do mercado de capitais, fiscalizar as entidades
financeiras que operam no mercado de valores mobiliários e garantir a estabilidade e
transparência do sistema financeiro.
A BVM é o mercado organizado onde se realizam as negociações de valores mobiliários
(acções, obrigações, etc.), mas não é o órgão regulador. Ela atua sob supervisão do Banco de
Moçambique.
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Requisitos
Segundo BVM as empresas que desejam emitir acções ou obrigações no mercado devem
cumprir:
Requisitos principais:
• Estar legalmente constituída em Moçambique (ou autorizada a operar no país).
• Demonstrações financeiras auditadas, geralmente dos últimos 2 a 3 anos.
• Boa situação financeira e patrimonial.
• Governança corporativa adequada, com órgãos sociais definidos.
• Prospecto de emissão aprovado pela BVM e pelo regulador (Banco de Moçambique).
• Transparência na divulgação de informações financeiras e operacionais.
• Ter contabilidade organizada.

Empresas que estão inscritas na (BVM) actualmente


1. CDM – Cervejas de Moçambique, S.A.
2. CMH – Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos, S.A.
3. EMOSE – Empresa Moçambicana de Seguros, S.A.
4. HCB – Hidroeléctrica de Cahora Bassa, S.A.
5. Tropigália, S.A
6. Arko Companhia de Seguros, S.A.
7. Arco Investimentos, S.A.
8. Touch Publicidade, S.A.
9. Zero Investimentos, S.A
10. REVIMO – Rede Viária de Moçambique, S.A.

Vantagens de estar inscrito na Bolsa de Valores


1. Acesso a Capital de Longo Prazo
A empresa pode captar recursos por meio da emissão de ações ou obrigações, com custos
mais baixos que o crédito bancário.
2. Aumento da Visibilidade e Reputação
Estar listada na bolsa confere maior prestígio, credibilidade e visibilidade perante o mercado,
investidores e parceiros.
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3. Valorização da marca
A exposição pública reforça a imagem institucional, podendo aumentar a confiança dos
consumidores e fortalecer a marca.
4. Melhoria na governança corporativa
A empresa passa a seguir regras mais rigorosas de transparência e gestão, o que melhora a sua
estrutura interna e atrai investidores institucionais.
5. Liquidez para os sócios e investidores
Os acionistas podem vender parte de sua participação no mercado secundário, transformando
ações em dinheiro com mais facilidade.
6. Facilidade de fusões e aquisições
Empresas listadas têm maior facilidade em participar de processos de fusão, aquisição ou
parcerias estratégicas.
7. Estímulo à profissionalização da gestão
A necessidade de prestar contas ao mercado promove práticas de gestão mais eficazes, com
foco em resultados e transparência.
8. Participação de pequenos investidores
A empresa democratiza o acesso ao seu capital, permitindo que qualquer cidadão possa
tornar-se acionista.
9. Valorização patrimonial
Com bons resultados e confiança do mercado, as ações tendem a se valorizar, aumentando o
valor de mercado da empresa.
10. Apoio ao crescimento e expansão
O capital obtido pode ser investido em novas unidades, inovação, expansão internacional,
contratação de pessoal, entre outros.
A estrutura do mercado de capitais moçambicano foi desenhada para atender a diferentes
perfis de empresas e investidores, promovendo eficiência na captação de recursos e inclusão
financeira. Essa estrutura é composta por diferentes segmentos e plataformas de negociação,
supervisionados e regulados de forma integrada pelas autoridades competentes.

Segmentação Funcional

A Bolsa de Valores de Moçambique organiza o mercado de capitais em dois segmentos


funcionais principais:
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a) Mercado primário:
É o espaço onde os títulos mobiliários são emitidos pela primeira vez. Aqui, as empresas e o
Estado captam recursos junto ao público ou investidores institucionais.
As operações no mercado primário envolvem:

• Oferta Pública de Subscrição (OPS): quando uma entidade oferece novos títulos ao
público em geral;
• Oferta Pública de Venda (OPV): venda de títulos existentes por parte de accionistas ou
entidades públicas.
Essas emissões devem ser previamente autorizadas pelo Banco de Moçambique e seguem
critérios de transparência, divulgação e supervisão (BVM, 2017, p. 17-19).
b) Mercado secundário:
Refere-se à negociação dos títulos já emitidos no mercado primário. Neste ambiente, os
investidores podem comprar e vender títulos entre si. O mercado secundário divide-se em:
• Mercado de Bolsa: onde as transacções são realizadas via sistema da BVM;

• Mercado Fora de Bolsa (OTC): negociação directa entre investidores, fora da infra-
estrutura oficial.
A existência de um mercado secundário transparente e líquido é essencial para fomentar a
confiança dos investidores e a valorização dos ativos (BVM, 2017, p. 13).

Segmentação por tipo de empresa emitente

A estrutura da BVM contempla mercados distintos, de acordo com o porte e maturidade das
empresas:
a) Mercado de cotações oficiais (MCO):

Destinado às grandes empresas, exige:

• Capital próprio mínimo de 16.000.000 MT;

• Contas auditada dos dois últimos exercícios;

• Dispersão mínima de 15% do capital social (ou 250.000 acções).

(BVM, 2017, p. 21)

b) Segundo mercado (SME):

Focado nas Pequenas e Médias Empresas (PMEs), com requisitos simplificados:


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• Capital próprio mínimo de 4.000.000 MT;

• Demonstrações financeiras de pelo menos 9 meses;

• Dispersão mínima de 5% do capital social.

Criado pelo Decreto-Lei nº 4/2009, este segmento busca facilitar o acesso de PMEs ao
financiamento via mercado de capitais (BVM, 2017, p. 20-21).

Instrumentos negociados

Os principais valores mobiliários transaccionados na BVM são:

• Acções: representam participação no capital social das empresas;

• Obrigações: títulos de dívida emitidos por empresas ou pelo Estado, com pagamento
de juros;
• Papel Comercial: dívida de curto prazo emitida por empresas (prazo inferior a 1

Ano);

• Unidades de participação: relacionadas a fundos de investimento;

• Direitos de subscrição e outros derivados que venham


a ser regulamentados. (BVM, 2017, p. 14-16)

Infraestrutura de apoio

A estrutura funcional do mercado de capitais moçambicano é complementada por mecanismos


operacionais modernos e seguros:
• Central de Valores Mobiliários (CVM): responsável pelo registo,
Custódia, compensação e liquidação electrónica dos títulos;
• Sistema de Negociação Electrónica: plataforma informatizada que
garante segurança, transparência e rastreabilidade das ordens;
• Sistema de Compensação e Liquidação: gerido pelos bancos comerciais, assegura a
entrega dos títulos e a transferência dos fundos envolvidos.
Essas ferramentas garantem a integridade do mercado e a protecção dos interesses dos
investidores (BVM, 2017, p. 29-38).
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Funcionamento do mercado de capitais

A BVM estrutura-se com sistemas informatizados que asseguram segurança, agilidade e


transparência às transacções. As negociações ocorrem em sessões diárias, organizadas por
dois sistemas:
Sistema de negociação

• Sistema por Chamada (SNC): utilizado para todos os tipos de títulos cotados, com
sessões das 8h às 12h.
• Sistema por Registo (SNR): para operações previamente acordadas, com foco em
grandes lotes de dívida (BVM, 2017, p. 32).

Procedimento de investimento

O investidor deve abrir conta junto de um operador, emitir ordem de compra ou venda, e
aguardar a execução da operação via sistema. As ordens podem ser ao melhor preço ou com
limite, com validade de até 30 dias (BVM, 2017, p. 34).

Central de valores mobiliários

Gerida pela BVM, essa estrutura garante o registo centralizado dos títulos, assegurando o
exercício de direitos, a transparência e a protecção dos investidores (BVM, 2017, p. 36-38).

Liquidação e custódia

A liquidação financeira e a transferência dos títulos ocorrem por meio de sistemas bancários e
custo diante, assegurando a conformidade e segurança das transacções.

Principais agentes do mercado

A dinâmica do mercado de capitais envolve diferentes intervenientes institucionais:


a) Entidades emitentes
São empresas e o Estado que recorrem ao mercado para emitir valores mobiliários com vista à
obtenção de financiamento.
b) Investidores
Incluem particulares, empresas, investidores institucionais (fundos de pensões, seguradoras,
etc.) e entidades estrangeiras. Eles aplicam recursos em títulos com a expectativa de retorno.
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c) Operadores de bolsa

Instituições financeiras licenciadas a operar no sistema de negociação da BVM, sendo os


únicos autorizados a lançar ordens no mercado. Entre eles estão bancos como o Millennium
BIM, Standard Bank, Banco Único, entre outros (BVM, 2017, p.33).
d) Órgãos reguladores

Destacam-se o Banco de Moçambique (supervisor), o Ministério da Economia e Finanças


(regulador), e a Assembleia da República (legislador).
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Conclusão
O mercado de capitais moçambicano é uma peça fundamental na promoção do crescimento
económico inclusivo. Embora ainda em fase de consolidação, apresenta estrutura institucional
e legal adequada para estimular o investimento, a poupança e o financiamento empresarial.
Para que sua potencialidade se concretize, é necessário ampliar a literacia financeira,
estimular o ingresso de novas empresas e aumentar o número de investidores.

Como enfatiza Salim Cripton Valá, presidente da BVM, “não é por uma opção meramente
teórica que Moçambique necessita de uma Bolsa de Valores mais dinâmica […], mas sim para
lubrificar as engrenagens empresariais e fertilizar o sistema financeiro” (BVM, 2017, p. 05).
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Referências bibliográficas

ASSAF, Neto Alexandre. Mercado Financeiro. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
BANCO DE MOÇAMBIQUE. Lei n.º 1/2022, de 25 de Maio – Lei do Mercado de Valores
Mobiliários. Boletim da República, I Série, Maputo, 2022.
BVM – Bolsa de Valores de Moçambique. Relatório Anual e Contas 2017. Maputo: BVM,
2017.
FABOZZI, Frank J. Capital Markets: Institutions and Instruments. 4th ed. Boston: Pearson
Education, 2009.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2010.
https;//[Link]/documentos/brochura/[Link]

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