UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
CENTRO DE ENSINO A DISTÂNCIA
Resolução de exercícios
Nome de Estudante:
Emma Umali de Sousa.
Código de Estudante: 708204814
Curso: Licenciatura em Ensino de Português
Disciplina: LALP - II.
Ano de Frequência: 4º Ano
Tutor: Dr. Benedito Cesário Ngozo.
Chimoio, Abril de 2023
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Capa 0.5
Índice 0.5
Aspectos Introdução 0.5
Estrutura
organizacionais Discussão 0.5
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Descrição dos
1.0
Introdução objectivos
Metodologia
adequada ao
2.0
objecto do
trabalho
Articulação e
domínio do
discurso
académico
Conteúdo 2.0
(expressão escrita
cuidada,
coerência / coesão
Análise e textual)
discussão Revisão
bibliográfica
nacional e
2.
internacionais
relevantes na área
de estudo
Exploração dos
2.0
dados
Contributos
Conclusão 2.0
teóricos práticos
Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
Formatação paragrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre
linhas
Normas APA 6ª Rigor e coerência
Referências edição em das
4.0
Bibliográficas citações e citações/referência
bibliografia s bibliográficas
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Índice
1.
Introdução.........................................................................................................................3
1.1. Objectivos...................................................................................................................3
1.1.1. Objectivo Geral.......................................................................................................3
1.1.2. Objectivos Específicos............................................................................................3
1.1. Metodologia................................................................................................................3
2. Resolução da Actividade...............................................................................................4
Conclusão..........................................................................................................................8
Referências Bibliográficas.................................................................................................9
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1. Introdução
A literatura moçambicana escrita é recente. É apenas no século XX que vemos surgir
uma produção, principalmente poética, já que a prosa só ganha corpo com o pós-
independência, influenciada pelos padrões estéticos da metrópole portuguesa.
Lá pelos anos 40, no entanto, podemos sentir a presença de elementos moçambicanos
no fazer literário de escritores como José Craveirinha, Rui de Noronha e Noémia de Sousa,
porta-vozes de uma poesia fortemente comprometida com a construção de um espaço literário
próprio e com questões políticas e sociais, destacando-se, entre elas, a da negritude.
1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
Descrever o surgimento das Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa.
1.1.2. Objectivos Específicos
Apresentar os aspectos que ditaram o surgimento das literaturas africanas de expressão
portuguesa;
Diferenciar os movimentos africanos Negritude Pan-africanismo;
Falar da literatura política e de combate.
1.2. Metodologia
Para a realização do presente trabalho usamos o método bibliográfico. Desta feita, para
Fonseca (2002), é realizada:
[...] a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por
meios escritos e electrónicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites. Qualquer
trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador
conhecer o que já se estudou sobre o assunto (p.32).
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2. Resolução da Actividade
1. Sobre o surgimento das literaturas africanas em língua portuguesa, vale primeiro dizer que
as mesmas tiveram seu desenvolvimento a partir da segunda metade do século XIX.
Marcadas pelo colonialismo português, os conflitos e relações que esta forma administrativa
acarretava, foram com o passar do tempo, inspiração constante na literatura das então colónias
de Portugal, actuais países de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e
Moçambique. Por ter sido, o fazer literário nestes países, muitas das vezes, formas de
resistência e militância, serão exactamente estas nuances que marcam as relações colonizador
x colonizado e as demais buscas de afirmação identitária que elas acarretam. A literatura,
então, passa a construir em forma de militância política, de denúncia, de busca de uma
identidade, a ideologia para a independência e afirmação de identidades nestes países.
2. Podemos dizer que a literatura colonial é a expressão de uma prática e de um
pensamento que assentam no pressuposto da superioridade cultural e civilizacional do
colonizador.
Assim, a literatura colonial, define-se essencialmente pelo facto de o
centro do universo narrativo ou poético se vincular ao homem europeu e
não ao homem africano.
Enquanto a literatura nacional o escritor adquire a consciência nacional de
colonizado. Liberta-se, promovendo um pensamento dialéctico entre
raízes profundas e coibição de sujeição colonial. A prática literária
enraizasse no meio sociocultural e geográfico: é a desalienação e o
discurso da revolta.
3. Tendo feitos as minuciosas leituras, chegou-se a ponto de se compreender que foram
três aspectos que culminaram no surgimento das literaturas africanas, que segundo
Arendt (2006), são: o expansionismo, que além do aspecto económico comporta o
desejo político de permanente expansão e domínio territorial; a burocracia colonial,
que cria um poder político nos territórios colonizados, usando da força da polícia e do
exército para manter o poder e assegurar a supremacia da metrópole; e o racismo,
usado como instrumento ideológico para justificar a dominação colonial, ou seja, a
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superioridade racial dos brancos permitiria os abusos e as violências cometidas na
colonização.
4. A imprensa foi introduzida nas colónias nas seguintes datas: Cabo
Verde (1842); Angola (1845); Moçambique (1854); São Tomé e
Príncipe (1857) e Guiné-Bissau (1879).
E o ensino nas colónias portuguesas registava, ainda a entrada dos
anos 60, níveis baixíssimos. O analfabetismo atingia, em Angola,
quase 97%; em Moçambique, quase 98%; na Guiné-Bissau, perto
dos 100 %; só em Cabo Verde o nível era mais elevado, rondando os
78,5%. O analfabetismo devia-se à política portuguesa de criar uma
elite muito restrita de assimilados para servirem no sector terciário,
ao mesmo tempo que deixava as populações entregues a si
próprias, sem permitir o seu autodesenvolvimento ou, no pior dos
casos, usando-as como mão-de-obra escrava ou barata.
5. Os movimentos que dignaram na consciencialização dos negros para
as lutas em liberdade foram a negritude e o pan-africanismo. Zeferino
Capoco (2013) entende o Pan-africanismo como eminentemente político, que
propunha uma união, uma luta em favor do povo negro contra o colonialismo e o
imperialismo. Esse pensamento mostrou-se estrutural para a formulação de um
pensamento independentista, de acordo com Nascimento, “a lutas pela independência
se fizeram com a inspiração de lemas do pan-africanismo” (2013, p.39). Por outro
lado, a Negritude apelava para uma emancipação cultural que formaria uma identidade
e “autenticidade” cultural próprias dos africanos, que se manifestariam, dentre outros,
nos espaços literários.
6. Du Bois e Senghor foram os maiores divulgadores do Pan-africanismo e negritude,
que se consolidavam como um movimentos culturais de resgate/construção da
identidade negra, buscando desvelar a alma negra cuja característica essencial seria a
emoção: “A emoção é negra, assim como a razão é helénica”. A atitude do negro
frente ao mundo e aos outros é de abandono e comunhão. E das lutas de independência
nacional e contra o neocolonialismo na África.
7. Desde as suas origens, comummente identificadas nos trabalhos
sociológicos de W.E.B. Du Bois de meados do século XIX, o
movimento Pan-Africanista teve várias correntes e divergências
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internas, tal como aconteceu com o movimento negritudinista, cujos
fundadores são geralmente identificados em Léopold Senghor e
Aimé Césaire e cujo termo apareceu pela primeira vez no jornal
L’Étudiant noir (O Estudante negro), impresso em Paris em 1935.
Pelo que respeita a divulgação da poesia anticolonial e
negritudinista, destacamos o número especial da mesma revista sob
o tema Nouvelle somme de poésie du monde noir (Nova suma da
poesia do mundo negro). A seção dedicada à poesia negra em língua
portuguesa, com apresentação do poeta moçambicano Virgílio de
Lemos, incluiu poemas de António Cardoso, António Jacinto,
Luandino Vieira, Viriato da Cruz (Angola), Gabriel Mariano, Mário
Fonseca, Onésimo da Silveira e Terêncio Anahory (Cabo Verde),
Malangatana Gowenha Valente, Marcelino dos Santos, Noémia de
Sousa, José Craveirinha, Rui Nogar, Virgílio de Lemos (Moçambique),
Alda Espírito Santo e Manuela Margarido (São Tomé e Príncipe).
8. A literatura moçambicana, em sua primeira fase, como observa Mendonça (2011, p.
12), está marcada pela actividade jornalística e literária, veiculada notadamente pelos
jornais O Africano (1908-1918) e O Brado Africano (1918 - 1974), nas décadas de
1920 e 1930, e pela poesia de Rui de Noronha, cuja expectativa oscilava entre ser
africano e ser europeu. Esta fase é marcada pelo surgimento da primeira obra literária,
O Livro da dor (1925), de João Albasini, numa edição póstuma.
No mesmo período, a actividade literária e jornalística é praticada ainda pelos irmãos
João e José Albasini, Estácio Dias, Karel Pott, Rui de Noronha, Nicamor da Silva,
Guidione de Vasconcelos, Gastão e António da Silva. As críticas, por vezes
acutilantes, cingiam-se na interpelação da máquina colonial.
9. A despeito da literatura política e de combate cabe salientar que essa literatura a
princípio funcionava como resposta emocional e intelectual que ressoa/va no homem-
poético que esculpe, traceja e inscreve a arte literária nas veias da história social. Isto é
desempenham papel fundamental e fundacional, na afirmação e continuidade dos
valores moçambicanos.
A poesia política e de combate em Moçambique foi cultivada
sobretudo por escritores que militavam na Frelimo. Entre eles,
destaque para Marcelino dos Santos, Rui Nogar e Orlando Mendes.
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Este tipo de poesia preocupa-se sobretudo com comunicar uma
mensagem de cunho político e, algumas vezes, partidário.
Estas literaturas começam a formar-se a partir de um denominador comum: o
comprometimento político, social e histórico dos seus autores. São literaturas que se
iniciaram com o processo de conscientização das características culturais dos espaços
africanos de Língua Portuguesa, nos anos 40 e 50 do século XIX. O jornalismo acabou
por ser o berço das primeiras manifestações literárias. O período de 1850 a 1950 é,
pois, decisivo para a formação dessas literaturas: elas passam da fase em que o escritor
tem dificuldade em se inserir no universo africano de que escreve para a fase da busca
e afirmação da identidade cultural e nacional.
Assim, de um discurso de reivindicação e de resistência evolui-se para um discurso de
consciência nacional, de crítica ao estado da nação e de maior individualismo do
sujeito de escrita, com vistas à projecção universal do processo de escrita. (Xavier,
2017, p.20).
10. Importa referir que José Craveirinha, Rui de Noronha e Noémia de Souza,
desempenham ou desempenharam um papel importante para a formação da chamada
literatura moçambicana, pois podemos considerar esses escritores como sendo os
precursores da literatura moçambicana. Como aponta Leite (2006) propulsora das
reivindicações de ordem política e social. Nomes como o de José Craveirinha e o de
Noémia de Sousa são, como vimos, expoentes máximos da escrita de combate, cuja
circulação se deu, em sua maior parte, pelos jornais e revistas publicadas à época.
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Conclusão
Similar a outras literaturas africanas de língua portuguesa, a moçambicana também teve
na imprensa um papel importante para o seu desenvolvimento, tendo eclodido suas primeiras
manifestações no início do século XIX. No entanto, como o prelo só se instalou na colónia em
1854, pode-se afirmar que a literatura escrita em Moçambique só surge no início do século
XX, encontrando nos jornais O Africano e O Brado Africano os principais veículos
divulgadores.
A luta contra a dominação estrangeira e pela afirmação de uma identidade nacional
efetuada pela literatura passa necessariamente pela retomada das referências do passado. Os
intelectuais dos países sob o jugo do colonialismo europeu buscaram formas de combater a
imagem estereotipada em que eram representados.
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Referências Bibliográficas
Fonseca, J. (2002). Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza, Brasil: UEC.
Leite, A. (2006). Poesia moçambicana, ecletismo de tendências. In: Poesia Sempre: Angola e
Moçambique. Rio de Janeiro, Brasil.
Mendonça, F. (2011).Literatura Moçambicana: as dobras da escrita. Maputo, Moçambique:
Ndjira, Colecção Horizonte da Palavra.
Rendt, H. (2006). Origens do totalitarismo: anti-semitismo, imperialismo, totalitarismo. São
Paulo, Brasil: Companhia das Letras.
Xavier, L. (2017). Literaturas africanas em Português: uma introdução. Macau, Índia:
Instituto Politécnico de Macau.
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