Teoria do Estabelecimento Empresarial
Teoria do Estabelecimento Empresarial
1.O estabelecimento empresarial como objeto unitário de direitos - [Link] que compõem o
estabelecimento - 3.A transferência do estabelecimento - [Link] normas dos arts. 1.145 , 1.146 e
1.149 do CC/2002 - 5.A proibição de restabelecimento (art. 1.147 do CC/2002) - [Link]ências
bibliográficas
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bens que integram o estabelecimento, os quais, contudo, conservariam a sua disciplina jurídica
própria.4 Desta forma, o negócio translativo do estabelecimento, por vontade das partes,
compreenderia todos os bens que individualmente compõem o estabelecimento,5 os quais
continuariam a possuir suas regras próprias de circulação.6 No entanto, afirmava-se a necessidade
de regulação jurídica do estabelecimento para fins concorrenciais, por meio da proteção do nome
comercial e dos bens que representam a propriedade industrial. Deste modo, a regulação do
estabelecimento cuidaria da proteção dos meios utilizados para atrair e conservar a
clientela.7 Entretanto, no que respeita à alienação do estabelecimento, consoante a teoria
atomista, reconhecia-se o fato de que as coisas que compõem o estabelecimento, no ato de
alienação, são transferidas em conjunto. Este reconhecimento, contudo, limitava-se à
necessidade de tutela dos credores do alienante do estabelecimento,8 o que poderia ser feito
mediante a fixação de regras que evitariam que o empresário devedor que alienasse seu
estabelecimento ficasse privado de bens suficientes para solver o seu passivo, conforme, por
exemplo, a caracterização da falência do empresário em caso de alienação do estabelecimento
sem que lhe restassem bens suficientes para solver o seu passivo e pela afirmação de normas que
regulassem a ineficácia desta alienação perante os credores do alienante.9
No entanto, a realidade econômica de coordenação dos fatores de produção impôs ao direito o
reconhecimento do estabelecimento como um bem jurídico distinto dos bens individuais que o
compõem. Deste modo, o estabelecimento seria uma coisa formada por coisas, ou seja, uma
universalidade que reclamaria regras próprias de circulação. Despontaram, com efeito, as
denominadas teorias universalistas, que reconheciam o estabelecimento como um novo bem. Para
as teorias universalistas, o estabelecimento é reconhecido como coisa complexa que pode ser
objeto de negócios jurídicos distintos dos negócios referentes às coisas que a compõem.1 0
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estabelecimento alienado.
A necessidade de tutela de interesses setoriais, entretanto, conduziu à promulgação de normas
que excepcionaram a regra da ausência de sucessão nas obrigações do estabelecimento em caso
de sua alienação. Neste sentido, dispôs a CLT em seus arts. 104 5 e 4484 6 a hipótese de sucessão
de empregadores no contrato de trabalho em caso de venda de estabelecimento.4 7 Da mesma
maneira, dispôs o art. 1334 8 do CTN a hipótese de sucessão na obrigação tributária em caso de
trespasse.4 9 Estas normas, contudo, por serem limitadas às obrigações trabalhistas e tributárias,
não acarretavam a sucessão do adquirente nas demais dívidas, que não fossem de natureza
tributária e trabalhista, contraídas pelo alienante no exercício da empresa.
No entanto, o novo Código Civil, ao dispor sobre a sucessão do adquirente nas obrigações do
estabelecimento, autoriza a conclusão de que o estabelecimento empresarial constitui uma
universalidade de direito,5 0 formado não apenas por um ativo, mas também por um passivo a
onerá-lo.5 1 Conforme dispõe o art. 1.146 do CC/2002: "O adquirente do estabelecimento responde
pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto
aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento." Com efeito,
o adquirente responde, com todos os seus bens, presentes e futuros (art. 391 do CC/2002 e art.
591 do CPC), pelas dívidas anteriores à alienação do estabelecimento, desde que regularmente
contabilizadas.5 2 Ademais, a norma do art. 1.146 do CC/2002 diz respeito aos débitos contratuais
e extracontratuais.5 3
Esta regra impõe sejam tomadas algumas precauções que devem ser objeto de cláusula negocial
na contratação do trespasse. A primeira consiste em que deverá ser realizado um esforço para
identificar-se na contabilidade do alienante quais são os débitos anteriores à transferência
próprios do estabelecimento alienado, tendo em vista que o art. 1.146 do CC/2002 limita a
sucessão nas obrigações do alienante àquelas obrigações regularmente contabilizadas.5 4
A segunda consiste na regulação da solidariedade passiva estabelecida entre alienante e
adquirente perante os credores anteriores à alienação do estabelecimento. Conforme a regra do
art. 275 do CC/2002, o credor tem o direito de exigir tanto do alienante como do adquirente do
estabelecimento a totalidade do seu crédito. O devedor que tiver satisfeito a dívida, nos termos
do art. 283 do CC/2002, poderá ratear com o outro co-devedor a sua quota, que se presume
igual. Esta solidariedade, no entanto, é temporária, à medida que perdurará pelo prazo de um ano,
quanto aos créditos vencidos, a partir da publicação da alienação do estabelecimento, e, quanto
aos créditos vincendos à época da alienação, a partir do vencimento.
No entanto, os créditos referentes ao estabelecimento alienado poderão ser exigidos em duas
circunstâncias distintas. A primeira circunstância consiste naquela em que o credor exigirá seu
crédito de qualquer um dos co-devedores dentro do prazo em que perdurar a solidariedade
passiva. Desta forma, o co-devedor que pagar a dívida poderá cobrar do outro co-devedor a sua
quota parte, que se presume igual. A segunda circunstância consiste naquela em que o credor,
após o decurso do período de um ano, somente poderá exigir o seu crédito do adquirente do
estabelecimento, em razão de não mais existir a solidariedade passiva entre alienante e adquirente
do estabelecimento. Nesta última hipótese, o adquirente do estabelecimento não poderá ratear
com o alienante o valor pago, por não mais subsistir a solidariedade.
Desta forma, há a necessidade de que seja regulada a solidariedade passiva entre alienante e
adquirente do estabelecimento por cláusula inserida no negócio de trespasse, pois a formação do
preço do estabelecimento alienado levará em conta não apenas o valor do passivo apurado por
meio de realização de due diligence, mas, sobretudo, levará em conta o sujeito que efetivamente
será responsabilizado por este passivo.
4.3 A alienação do estabelecimento na recuperação judicial e na falência
As normas do sistema decirculação voluntária do estabelecimento, regulado pelo Código Civil,
devem ser comparadas com as normas do sistema concursal de circulação do
estabelecimento5 5 previsto na legislação falimentar. Isto porque, tanto na recuperação de
empresa como na falência, o estabelecimento constitui um dos principais ativos do empresário ou
da sociedade empresária, de modo que se deve conservar o complexo organizativo evitando-se a
destruição de riqueza, para o fim de tutelar os interesses dos credores e da economia em geral.5 6
Na regulação legal da recuperação judicial de empresas, reconhece-se a importância dos
contratos de estabelecimento, razão pela qual há a previsão no art. 6.º, § 4.º , c/c art. 49, §
3.º, da Lei 11.101/2005 do denominado stay period,5 7 lapso temporal de 180 dias no qual credores
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obrigações tributárias, por fim, é garantida pela redação atribuída pela LC 118/2005
(LGL\2005\2632) ao art. 133, § 1.º, I e II , do CTN.
4.4 A cessão dos créditos inerentes ao estabelecimento (art. 1.149 do CC/2002)
Dispõe o art. 1.149 do CC/2002 que a "cessão dos créditos referentes ao estabelecimento
transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da
publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente." A
doutrina, ao interpretá-lo, diverge se, em razão da alienação do estabelecimento, se há a
transferência automática dos créditos ou se há a necessidade de expressa pactuação da cessão
dos créditos inerentes ao estabelecimento. Desta forma, para Tokars, o art. 1.149 do CC/2002
implica na cessão dos créditos do estabelecimento ao adquirente, independentemente de
pactuação expressa;6 4 ao passo que, para Wald, o art. 1.149 do CC/2002 não implica na
automática cessão dos créditos inerentes ao estabelecimento; esta opera-se, pois, de forma
convencional.6 5
O art. 1.149 do CC/2002 inspira-se no art. 2.559 do Código Civil/italiano, que dispõe: "A cessão
dos créditos relativos ao estabelecimento transferido, mesmo na falta de notificação ao devedor
ou de sua aceitação, produz efeitos, perante terceiros, a partir do momento da inscrição da
transferência no registro de empresas. Todavia, o devedor cedido é liberado se paga de boa fé ao
alienante. As mesmas disposições aplicam-se nas hipóteses de usufruto do estabelecimento, se
este se estender aos créditos a ele relativos." Na doutrina italiana, sustenta-se que o trespasse
acarreta, na falta de disposição em sentido contrário, a cessão automática dos créditos inerentes
ao estabelecimento,6 6 pois, ao dispor o art. 2.559 do Código Civil/italiano que a publicação da
alienação do estabelecimento equivale à notificação dos devedores dos créditos referentes ao
estabelecimento, estaria a fixar que o trespasse acarreta a automática cessão dos
créditos.6 7 Conforme registra Ascarelli, a presunção de cessão dos créditos referentes ao
estabelecimento decorre do fato de que referidos créditos constituem a contrapartida financeira
dos débitos assumidos pelo adquirente do estabelecimento.6 8
Desta forma, em razão da divergência estabelecida no âmbito doutrinário, devem as partes que
negociam o trespasse do estabelecimento acautelar-se e dispor acerca da cessão dos créditos
inerentes ao estabelecimento.
Conforme o art. 286 do CC/2002, é livre a cessão de créditos, no sentido de que o credor pode
ceder o seu crédito independentemente do consentimento do devedor, desde que a isso não se
oponha a lei, a natureza da obrigação ou a convenção com o devedor. Uma vez cedidos os
créditos, dispõe o art. 290 do CC/2002 que a cessão é ineficaz em relação ao devedor enquanto
este não for notificado para que pague ao cessionário. Desta forma, se o devedor pagar ao
cedente antes de notificado, pagará com eficácia liberatória, conforme dispõe o art. 292 do CC/
2002. Contudo, no que respeita à cessão de créditos realizada em operação de trespasse, dispõe
o art. 1.149 do CC/2002 que a cessão produzirá efeitos ao devedor desde a data da publicação,
com a ressalva da desoneração do devedor que pagar de boa-fé ao cedente. Esta disposição,
parece-me, acaba por criar um paradoxo porque, se a cessão é eficaz em relação ao devedor pela
publicação da alienação, após esta, não poderia o devedor pagar ao cedente, sob pena de ter de
pagar novamente ao cessionário. No entanto, o próprio art. 1.149 do CC/2002 estabelece que o
devedor que paga ao cedente de boa-fé se desonera, com o que acaba por reconhecer que a
cessão não é eficaz em relação ao devedor pela simples publicação da alienação do
estabelecimento, mas da notificação do devedor, que deverá ser feita por qualquer meio pelo qual
se possa comprovar inequivocamente a dação de ciência da cessão. Desse modo, há de se
recorrer à regra do art. 290 do CC/2002, pela qual a cessão será eficaz em relação ao devedor
quando a este notificada.
Poder-se-á, entretanto, concluir em sentido contrário, com Carvalhosa6 9 e com Wald,7 0 no sentido
de que se desonera o devedor que, após a publicação da alienação do estabelecimento, paga de
boa fé ao cedente. Esta é a opinião doutrinária preponderante, inclusive na doutrina
italiana.7 1 Esta conclusão é possível, parece-me, desde que se limite a eficácia da cessão dos
créditos perante o devedor acarretada pela publicação da alienação do estabelecimento ao tema
da identificação das defesas oponíveis pelo devedor, no sentido de que a publicação da alienação
do estabelecimento faz com que a cessão seja eficaz em relação ao devedor para os fins da
norma prevista no art. 294 do CC, que dispõe poder o devedor opor ao cessionário as defesas que
possuir contra o cedente nascidas até o momento em que tiver conhecimento da cessão.
Por fim, a cessão dos créditos inerentes ao estabelecimento pode configurar hipótese de sucessão
particular em direito controverso,7 2 prevista, no art. 567, II, do CPC.
5. A proibição de restabelecimento (art. 1.147 do CC/2002)
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Ao dispor que "Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer
concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência", o art. 1.147 do CC/
2002 reforça a noção de que o estabelecimento consiste no complexo de bens organizados pelo
empresário para o exercício da empresa. Isto porque o adquirente paga pelo estabelecimento
valor superior ao da soma dos bens individualmente considerados que o compõem justamente
porque os bens estão organizados ou são potencialmente organizáveis para serem explorados
mediante o exercício de atividade econômica. A função do contrato de trespasse, desta forma,
consiste em permitir ao adquirente explorar economicamente o estabelecimento.7 3
A interpretação do referido dispositivo normativo, contudo, deve ser realizada restritivamente, em
conformidade com a orientação acerca do pacto de vedação de restabelecimento anterior ao novo
Código Civil, 7 4 fixando-se limites temporais e espaciais.7 5 Deste modo, não há a possibilidade de
que se pactue prazo superior a cinco anos. Conforme registram Grau e Forgioni, para o Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (CADE) "a regra geral é a de que as cláusulas de não-
restabelecimento são aceitas desde que limitem a concorrência pelo prazo máximo de cinco
anos."7 6 Quanto ao critério geográfico, a vedação do restabelecimento deve ser igualmente
determinada.7 7 No entanto, em caso de ausência de pactuação acerca do tema no contrato de
trespasse, a proibição do restabelecimento deverá ser identificada como a área que abrange o
mercado geográfico7 8 alcançado pelos produtos ou serviços produzidos pelo estabelecimento
alienado.
A teoria do estabelecimento, enfim, consiste em um dos mais profícuos campos para a
investigação acerca da renovação das categorias dogmáticas do direito privado contemporâneo e
que, positivada pelo novo Código Civil, acarretou enormes reflexos práticos no planejamento e
execução de operações econômicas de disposição de estabelecimento empresarial.
6. Referências bibliográficas
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ZUNINO, Jorge O. Fondo de comercio: régimen legal de su transferencia. Buenos Aires: Astrea,
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(1) Este artigo corresponde substancialmente ao texto de apoio do material didático que
confeccionei para a aula intitulada O estabelecimento empresarial, ministrada na disciplina Direito
Empresarial e Societário no Curso de Especialização Advogado Cível da Fundação Getúlio Vargas -
FGV no segundo semestre de 2006
(2) Deve-se registrar, contudo, opinião preponderante na doutrina italiana, segundo a qual pode
haver empresário sem organização, mas não pode haver estabelecimento sem o exercício da
empresa. FIMMANÒ, Francesco. Fallimento e circolazione dell'azienda socialmente rilevante.
Milano: Giuffrè, 2000. p. 18-19.
(3) Os principais expoentes dessa corrente são entre outros, Ascarelli, Scialoja, Barassi, Ruggiero.
Ver MORAES FILHO, Evaristo de. Do contrato de trabalho como elemento da empresa. São Paulo:
LTr, 1993. p. 125.
(4) ASCARELLI, Tullio. Panorama do direito comercial. São Paulo: Saraiva, 1947. p. 201-202.
(10) BORGES, João Eunápio. Curso de direito comercial terrestre. 5. ed. Forense: Rio de Janeiro,
1971. p. 203.
(11) Os principais expoentes dessa corrente são entre outros, Vivante, Sraffa, Coviello, Navarrini,
Venzi, La Lumia, Lyon-Caen e L. Renault, Thaller, Wahl, Gombeaux, Escarra, Cohen, Cendrier,
Lacour, Guglielmo. Ver MORAES FILHO, Evaristo de. Do contrato de trabalho como elemento da
empresa. São Paulo: LTr, 1993. p. 119.
(12) Os principais expoentes dessa corrente são, entre outros, Vidari, Pipia, Marghieri,
Calamandrei, Fadda e Bensa, Messineo, Santoto-Passarelli. Idem, p. 120.
(13) Dispõe o art. 2.555 do Código Civil/italiano que "O estabelecimento é o complexo dos bens
organizados pelo empresário para o exercício da empresa."
(14) ASQUINI, Alberto. Profili dell'impresa. Rivista del Diritto Commerciale e del diritto Generale
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(15) PIMENTA, Eduardo Goulart. O estabelecimento. In: RODRIGUES, Frederico Viana (coord.). O
direito de empresa no novo Código Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2004. p. 109.
(16) Conforme registra LIPPERT, "Ainda sobre os bens incorpóreos, chamamos atenção para o fato
de o referido autor (Requião, 1988, p. 209) considerar fora da composição do estabelecimento os
contratos. Em princípio, pelas disposições contidas no art. 1.148 do novo Código Civil, por uma
interpretação sistemática, entendemos que, como pensa Rubens Requião, os contratos não
compõem o fundo, uma vez que, com relação aos outros elementos que o compõem, não há
menção expressa à sub-rogação do adquirente do estabelecimento. Se, no entanto, trabalhamos
com uma interpretação gramatical em princípio, os contratos que dispõem sobre a exploração o
estabelecimento compõem o fundo, pois o adquirente só não irá neles se sub-rogar nos casos de
exceção." LIPPERT, Márcia Mallmann. A empresa no Código Civil. São Paulo: RT, 2003. p. 151.
(18) GOMES, Orlando. Introdução ao direito civil. 15. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000. p. 199.
(19) COMPARATO, Fábio Konder. Função social da propriedade dos bens de produção. In:_____
Direito empresarial. São Paulo: Saraiva, 1995. p. 30.
(20) CORDEIRO, António Menezes. Manual de direito comercial. v. 1, Coimbra: Almedina, 2001. p.
243.
(21) SALOMÃO FILHO, Calixto. O novo direito societário. São Paulo: Malheiros, 1998. p. 31 e ss.
Sobre a construção de um conceito jurídico de empresa a partir de uma análise econômica do
direito, ver CAVALLI, Cássio Machado. Reflexões sobre empresa e economia: o conteúdo jurídico
da empresa sob uma análise econômica do direito. In: TIMM, L. (org.). Direito e economia. São
Paulo: IOB, 2005. p. 85-95.
(22) CORDEIRO, António Menezes. Manual de direito comercial. v. 1, Coimbra: Almedina, 2001. p.
239.
(23) CINTIOLI, Fabio et alii. I transferimenti di azienda. Milano: Giuffrè, 2000. p. 15.
(24) COMPARATO, Fábio Konder. Função social da propriedade dos bens de produção. In:_____
Direito empresarial. São Paulo: Saraiva, 1995. p. 29.
(25) RIPERT, Georges. Aspectos jurídicos do capitalismo moderno. São Paulo: Freitas Bastos,
1947. p. 294.
(26) Deve-se registrar, contudo, a decisão de lavra da Sexta Câmara Cível do TJRS que, ao julgar
a ApCív 599.335.346, rel. Osvaldo Stefanello, j. em 03.05.2000, assentou que "estabelecimento
comercial é constituído dos bens de comércio sim. Mas nele incluídos estão todos os bens que lhe
dêem suporte financeiro e estabilidade econômica, aqui incluídos os bens imóveis que à pessoa
jurídica, estabelecimento comercial, pertençam. Ou seja, bens que não fazem diretamente parte
da atividade comercial, ou diretamente integrados à atividade da empresa falida, mas que lhe dão
suporte material, inclusive para efeito de dificuldades possa enfrentar o comerciante em sua
atividade, arrecadáveis são em caso de falência. Penso, pois, que, por estabelecimento comercial,
no seu exato conceito, se há de entender o complexo de bens amealhados e reunidos pelo
comerciante com o objetivo do desenvolvimento e segurança de sua atividade comercial. Todos os
bens, inclusive os imóveis que à empresa pertençam, por vezes o patrimônio maior e mais sólido a
dar segurança à atividade própria do comerciante." Ou seja, conforme referida decisão, para fins
de caracterização da falência do empresário e para fins de ação revocatória, integrariam o
estabelecimento não somente aqueles destinados ao exercício da atividade. Contudo, a mesma
Sexta Câmara Cível do TJRS, ao julgar a ApCív 70011535010, rel. José Conrado de Souza Júnior, j.
em 27.04.2006, decidiu que o bem para integrar o estabelecimento deve oferecer suporte material
à atividade, pois, "ainda que o conceito de estabelecimento comercial não esteja limitado aos
bens diretamente envolvidos no comércio, há que se exigir vinculação com o suporte material da
sociedade comercial. O crédito oriundo de empréstimo compulsório de energia elétrica não oferece
suporte material à atividade de falida, portanto não está compreendido no conceito de
estabelecimento comercial."
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(28) CINTIOLI, Fabio et alii. I transferimenti di azienda. Milano: Giuffrè, 2000. p. 18.
(33) CORDEIRO, António Menezes. Manual de direito comercial. v. 1. Coimbra: Almedina, 2001. p.
247. Em sentido análogo, para TOKARS, "pode-se afirmar que está configurada uma operação de
trespasse sempre que os empresários pactuem a alienação de elementos que se mostrem
suficientes ao desenvolvimento da atividade empresarial, sem que haja a necessidade de
acréscimo, por parte do adquirente, de outros elementos para que se confira funcionalidade ao
conjunto de elementos envolvidos na operação." TOKARS, Fábio. Estabelecimento empresarial.
São Paulo: LTr, 2006. p. 107.
(34) CINTIOLI, Fabio et alii. I transferimenti di azienda. Milano: Giuffrè, 2000. p. 227. No mesmo
sentido, ver RESCIGNO, Pietro. Codice Civile. Milano: Giuffrè, 1997. p. 2.871.
(35) CINTIOLI, Fabio et alii. I transferimenti di azienda. Milano: Giuffrè, 2000. p. 227.
(36) WALD, Arnoldo. Comentários ao novo Código Civil (arts. 966 a 1.195). v. 15. Rio de Janeiro:
Forense, 2005. p. 759.
(37) CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL. III Jornada de Direito Civil. Disponível em: [http://
[Link]/revista/enunciados/[Link]] Acesso em: 03.06.2006.
(38) TOKARS, Fábio. Estabelecimento empresarial. São Paulo: LTr, 2006. p. 102. O mesmo autor
afirmou que ocorre "sub-rogação nos contratos de finalidade empresarial, independentemente de
qualquer formalidade, como decorrência da operação de trespasse. Somente ficam afastados
desta determinação, em regra, os contratos de natureza pessoal." Op. cit., p. 112.
(40) CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL. I Jornada de Direito Civil. Disponível em: [http://
[Link]/revista/enunciados/[Link]] Acesso em: 03.06.2006.
(42) ZUNINO, Jorge O. Fondo de comercio: régimen legal de su transferencia. Buenos Aires:
Astrea, 1993. p. 4.
(43) Lê-se no art. 164 do CC: "Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários
indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência
do devedor e de sua família."
(44) WALD, Arnoldo. Comentários ao novo Código Civil (arts. 966 a 1.195). v. 15. Rio de Janeiro:
Forense, 2005. p. 741. No mesmo sentido, ver CARVALHOSA, Modesto. Comentários ao Código
Civil: parte especial: do direito deempresa (artigos 1.052 a 1.195). v. 13. São Paulo: Saraiva,
2003, p. 642 e ss.
(45) Lê-se no art. 10 da CLT "Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os
direitos adquiridos por seus empregados."
(46) Lê-se no art. 448 da CLT "A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não
afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados."
(47) Neste sentido, por exemplo, decidiu o TRT-13.ª Região, ao julgar o AgPet 59096, em
25.04.2000, [Link] Coelho de Miranda Freire: "Sucessão da empresa. Caracterização.
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Caracterizada está a sucessão de empresas, prevista nos arts. 10 e 448 da CLT, quando o banco
reclamado declara que adquiriu do antecessor o fundo de comércio de suas agências e que este
foi representado pelas instalações, com seu aviamento e clientela." O mesmo TRT-13.ª Região, ao
julgar o AgPet 061770, em 29.11.2000, rel. Francisco de Assis Carvalho e Silva, decidiu "Sucessão
de empresas. Caracterização. A sucessão de empresas é figura típica do direito material do
trabalho, e caracteriza-se pela aquisição do patrimônio ativo e assunção do passivo da empresa
sucedida. É imprescindível, contudo, para sua configuração, que esteja patente a substituição de
um empregador por outro, na mesma atividade e sem solução de continuidade do vínculo. Não
evidenciados tais requisitos, é defeso ao Juízo reconhecer a ocorrência desse fenômeno. Agravo
conhecido e improvido."
(48) Lê-se no art. 133 do CTN "A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de
outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou
profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma
ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido,
devidos até à data do ato: I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio,
indústria ou atividade; II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou
iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro
ramo de comércio, indústria ou profissão. (...)"
(49) Neste sentido, por exemplo, decidiu o TRF 4.ª Região, ao julgar a ApCív 95.04.41508-3, 1.ª
T., rel. José Luiz B. Germano da Silva, publicado em 15.03.2000, que "Tributário. Responsabilidade
por sucessão tributária. Art. 133, do CTN-66. Continuidade do empreendimento. 1. Tenho o
entendimento de que, em se tratando de mera aquisição de imóvel, para nele instalar negócio,
ainda que do mesmo ramo de negócio que anteriormente existia no mesmo endereço, não se dá a
responsabilidade por sucessão tributária, prevista no art. 133, do Código Tributário Nacional. 2.
Contudo, in casu, em se tratando de aquisição de imóvel utilizado anteriormente por outro
estabelecimento, com suas benfeitorias e utensílios, ocorre a sucessão e conseqüente
responsabilidade pelos débitos tributários da empresa anterior, porquanto há verdadeira
transferência de fundo de comércio e aquisição do negócio, e não somente aproveitamento de
espaço onde outrora localizava-se outra empresa, pelo que deve ser reconhecida a legalidade da
execução fiscal ora atacada. 3. Assim, embora não formalizada a sucessão, levam os elementos
fáticos à conclusão de que empresa, que explora a mesma atividade, em estabelecimento antes
utilizado por outra afim, com o emprego dos mesmos equipamentos, faticamente é sucessora
daquela contra a qual foi promovida a ação executiva. 4. Apelação improvida."
(50) O art. 1.146 do CC foi inspirado pelo art. 2.560 do Codice Civile,que dispõe: "L'alienante non
è liberato dai debiti, inerenti all'esercizio dell'azienda ceduta anteriori al transferimento, se non
risulta che i creditori vi hanno consentito. Nel transferimento di un'azineda commerciale risponde
dei debiti suddetti anche l'acquirente dell'azienda, se essi risultano dai libri contabili obbligatori."
Em sua clássica monografia, OSCAR BARRETO FILHO registra que o art. 2.560 do Código Civil/
italiano "tem servido de argumento contra a concepção do estabelecimento como universitas
facti". BARRETO FILHO, Oscar. Teoria do estabelecimento comercial. São Paulo: Max Limonad,
1969. p. 226.
(52) Ao julgar o AgIn 2.0000.00.453597-3/000(1), em 10.09.2004, a 8.ª Câm. Cív. do TAMG, rel.
Sebastião Pereira de Souza, decidiu: "Preliminar - Rejeição - Execução - Penhora - Faturamento -
Empresa sucessora - Possibilidade - Art. 1.146 do novo Código Civil - Antes da vigência do novo
Código Civil, assentava-se a doutrina nacional no sentido da intransmissibilidade da
responsabilidade dos débitos da empresa transmitente, entendendo que o estabelecimento
comercial seria formado pelos bens corpóreos e incorpóreos, mas não pelas dívidas e obrigações
da sociedade. A partir da entrada em vigor do ódigo Civil/2002, a compreensão pacífica bipartiu-
se, entendendo alguns pela assunção dos débitos, face ao disposto no artigo 1.146 do incipiente
estatuto legal - doutrina de Fábio Ulhôa Coelho (Curso de direito comercial. 6. ed. 2002, p. 118) -
sustentando outros o posicionamento anterior. - Independentemente da discussão, o art. 1.146
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(54) Conforme registra WALD, "Não deixa a regra, no entanto, de trazer dificuldades, pois no caso
de venda feita por empresário que possui mais de um estabelecimento, não existe obrigação legal
que imponha a contabilidade separada por estabelecimento, o que causa o problema de se
encontrar na contabilidade geral quais são os débitos referentes ao estabelecimento vendido, o
que nem sempre estará claro ou será possível ser individualizado." WALD, Arnoldo. Comentários ao
novo Código Civil (arts. 966 a 1.195). v. 15. Rio de Janeiro: Forense, 2005. p. 743.
(57) LISBOA, Marcos de Barros et alii. A racionalidade econômica da nova lei de falências e de
recuperação de empresas. In: PAIVA, Luiz Fernando Valente de (coord.). Direito falimentar e a
nova lei de falências e recuperação de empresas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 31-60. p.
48. p. 51-52. Conforme entende LISBOA, "a vedação de venda ou retirada do estabelecimento do
devedor de bens de capital arrendados ou alienados fiduciariamente e que sejam essenciais à sua
atividade durante o stay period. Embora nesse caso a propriedade dos bens não seja da empresa,
e sim do credor, entendeu-se por bem evitar a sua retirada durante o período de negociação do
plano, com o intuito de não comprometer a capacidade produtiva da empresa, nesse estágio em
que a confiança nas suas perspectivas de reorganização é fundamental."
(58) "Do ponto de vista econômico, a legislação falimentar tem como objetivo criar condições para
que situações de insolvência tenham soluções previsíveis, céleres e transparentes, de modo que
os ativos, tangíveis e intangíveis, seja, preservados e continuem cumprindo sua função social,
gerando produto, emprego e renda." Idem, p. 31-60.
(59) ALONSO, Manoel. Comentários ao art. 50. In: DE LUCCA, Newton; SIMÃO FILHO, Adalberto
(coord.). Comentários à nova lei de recuperação de empresas e falências. São Paulo: Quartier
Latin, 2005. p. 239-271 e p. 249.
(60) LISBOA, Marcos de Barros et alii. A racionalidade econômica da nova lei de falências e de
recuperação de empresas. In: PAIVA, Luiz Fernando Valente de (coord.). Direito falimentar e a
nova lei de falências e recuperação de empresas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 31-60.
(61) Dispõe o referido § 3.º do art. 49 que "Tratando-se de credor titular da posição de
proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, de arrendador mercantil, de proprietário ou
promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de
irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em
contrato de venda com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá aos efeitos da
recuperação judicial e prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições
contratuais, observada a legislação respectiva, não se permitindo, contudo, durante o prazo de
suspensão a que se refere o § 4.º do art. 6.º desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento
do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial."
(62) LISBOA, Marcos de Barros et alii. A racionalidade econômica da nova lei de falências e de
recuperação de empresas. In: PAIVA, Luiz Fernando Valente de (coord.). Direito falimentar e a
nova lei de falências e recuperação de empresas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 31-60. p.
53.
(64) TOKARS, Fábio. Estabelecimento empresarial. São Paulo: LTr, 2006. p. 122.
(65) WALD, Arnoldo. Comentários ao novo Código Civil (arts. 966 a 1.195). v. 15. Rio de Janeiro:
Forense, 2005. p. 761. No mesmo sentido, ver CARVALHOSA, Modesto. Comentários ao Código
Civil: parte especial: do direito de empresa (artigos 1.052 a 1.195). v. 13. São Paulo: Saraiva,
2003. p. 661.
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(66) Conforme RESCIGNO, a transferência dos créditos "tem lugar ipso iure como efeito
automático da transferência do estabelecimento". RESCIGNO, Pietro. Codice Civile. Milano: Giuffrè,
1997. p. 2.874.
(67) CINTIOLI, Fabio et alii. I transferimenti di azienda. Milano: Giuffrè, 2000. p. 382 e ss.
(68) ASCARELLI, Tullio. Corso di diritto commerciale. 3. ed. Milano: Giuffrè, 1962. p. 353-354. No
mesmo sentido, ver BARRETO FILHO, Oscar. Teoria do estabelecimento comercial. São Paulo: Max
Limonad, 1969. p. 227.
(69) CARVALHOSA, Modesto. Comentários ao Código Civil: parte especial: do direito de empresa
(artigos 1.052 a 1.195). v. 13. São Paulo: Saraiva, 2003. pp. 661-662.
(70) WALD, Arnoldo. Comentários ao novo Código Civil (arts. 966 a 1.195). v. 15. Rio de Janeiro:
Forense, 2005. p. 762.
(71) CINTIOLI, Fabio et alii. I transferimenti di azienda. Milano: Giuffrè, 2000. p. 395 e ss.
(73) GRAU, Eros Roberto e FORGIONI, Paula A. O estado, a empresa e o contrato. São Paulo:
Malheiros, 2005. p. 284 e ss.
(78) Sobre os critérios de identificação do mercado geográfico, ver SALOMÃO FILHO, Calixto.
Direito concorrencial - as estruturas. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 2002. p. 110 e ss.
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