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Valoração Jurídica do Estabelecimento Empresarial

O estudo analisa a valoração do estabelecimento empresarial sob a perspectiva jurídica, destacando a inter-relação entre direito e economia. A empresa é vista como um agente da atividade econômica, cuja valoração não deve ser relegada apenas ao mercado, mas sim regulada pelo sistema jurídico. O documento também discute a definição de empresário e estabelecimento empresarial, enfatizando a importância dos bens materiais e imateriais na composição do valor do estabelecimento.

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Valoração Jurídica do Estabelecimento Empresarial

O estudo analisa a valoração do estabelecimento empresarial sob a perspectiva jurídica, destacando a inter-relação entre direito e economia. A empresa é vista como um agente da atividade econômica, cuja valoração não deve ser relegada apenas ao mercado, mas sim regulada pelo sistema jurídico. O documento também discute a definição de empresário e estabelecimento empresarial, enfatizando a importância dos bens materiais e imateriais na composição do valor do estabelecimento.

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21/04/13 Envio | Revista dos Tribunais

CONCEPÇÃO JURÍDICA DE VALOR NO


ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL

CONCEPÇÃO JURÍDICA DE VALOR NO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL


Revista do Instituto dos Advogados de São Paulo | vol. 18 | p. 187 | Jul / 2006
Doutrinas Essenciais de Direito Empresarial | vol. 1 | p. 1095 | Dez / 2010DTR\2006\496
Michelli Tamburus
Mestre em Direito pela Unaerp. Docente nos cursos de Administração de Empresas, Comércio
Exterior e Relações Internacionais da Unaerp. Advogada.

Área do Direito: Comercial/Empresarial

Sumário:

- [Link]ção entre ciências jurídicas e ciências econômicas - [Link] concepção de valor na economia
- 3.A Empresa como uma das expressões da atividade econômica - 4.O estabelecimento
empresarial - [Link]ções derradeiras - [Link]ências bibliográficas

Resumo: O presente estudo visa apresentar uma contribuição à análise da valoração do


estabelecimento empresarial sob a concepção jurídica. Como o direito busca atender a
necessidade de disciplinar as diversas esferas da conduta humana, as relações de caráter
econômico ficam inseridas neste contexto de modo a refletir significativamente no sistema de
precificação do estabelecimento empresarial. A empresa entendida como agente fomentador da
atividade econômica, envolve concepções de valor próprias a economia e, portanto, não pode o
direito relegar somente ao mercado regras para o reconhecimento da atividade empresarial e
valoração dos negócios jurídicos oriundos da atividade empresarial.
Abstract: The present study presents a contribution to analyze, under a legal concept, the value
of companies. Laws are made to give discipline to all different human being attitudes, and all
economic relations are inside this scenario in order to reflect, truly, the evaluation of companies.
An enterprise, as an agent of economic activity fomentation, involves specific economic concepts,
and the Legal System cannot relegate to the market, by itself, the rules to recognize a business
activity and the evaluation of legal aspects generated by it.
Palavras-chave: Empresa - Estabelecimento empresarial - Valoração de estabelecimento -
Atividade econômica - Ordem econômica.
Keywords: Enterprise - Business establishment - Establishment evaluation - Economic activity -
Economic rules.
Introdução
O tratamento dispensado pelo direito as questões envolvendo as relações do homem em sociedade
está limitada ao regramento da conduta humana com a finalidade de manutenção da harmonia no
ambiente de convivência social.
Para que ocorra a garantia na manutenção da integridade física, mental e patrimonial dos membros
de uma coletividade é essencial que exista o direito para impor regras e possibilitar que os homens
se submetam a estas regras, e isto é alcançado pela imposição de penalidades a prática de atos
ilícitos. 1
Assim, diante das inúmeras relações jurídicas nas mais diversas esferas da conduta humana, o
direito busca atender a necessidade de disciplinar cada uma destas esferas, estando as relações
de caráter econômico inseridas neste contexto.
Deste fato decorre a importância no estudo da relação entre o direito e a economia, bem como a
forma que a norma jurídica atribui significado as concepções econômicas.
Com a empresa sendo entendida como agente fomentador da atividade econômica, envolvendo
concepções de valor próprias a economia, não poderia o direito relegar somente ao mercado
regras para o reconhecimento da atividade empresarial e valoração dos negócios jurídicos oriundos
da atividade empresarial.
Sendo extensa a quantidade de negócios jurídicos que permeiam a empresa, o presente estudo
está restrito a demonstrar como é valorado o estabelecimento empresarial sob a concepção
jurídica do termo.

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1. Relação entre ciências jurídicas e ciências econômicas


A ciência jurídica esta essencialmente inserida nas ciências humanas, ou seja, o homem em suas
inter-relações internas e exteriores. Por outro lado, a ciência econômica também se enquadra
neste contexto.
Sendo assim, o direito objetiva, necessariamente, "regular a vida humana, estabelecendo, para
esse fim, normas de conduta, que devem ser observadas pelas pessoas. Tem por finalidade a
realização da paz e da ordem social, mas também vai atingir as relações individuais das pessoas."
2

Assim, enquanto o direito disciplina a conduta do homem em sociedade, possibilitando sua


existência harmônica em coletividade, a economia, enquanto ciência, "trata dos fenômenos
traduzidos em relações constantes, a representar as leis econômicas. A atividade econômica do
homem exercida de forma associativa, constitui objeto da ciência econômica." 3
Com isto, considerando a economia enquanto fenômeno, este deve, naturalmente, ser
regulamentado pelos instrumentos jurídicos estruturados em normas jurídicas, cujo conjunto
originam as leis, que estão expressas pelos códigos ou leis 4 propriamente ditas.
No entanto, existe dificuldade na assimilação das concepções que env olvem a economia de
mercado com a capacidade jurídica de regulamentação.
Tanto é assim que Rolf Petermann, em estudo sobre a relação entre o direito e a economia
aponta: "como a doutrina jurídica procurou resolver o impasse entre o mundo econômico real,
fático e a sua regulação pelo direito. Usamos agora o termo impasse apenas para designar um
fenômeno que tem ocorrido cada vez mais freqüentemente nos países capitalistas, de economia
de mercado, ou seja, o aparente (talvez não tão aparente...) distanciamento entre o conteúdo da
norma jurídica e os fatos econômicos que pretende (muitas vezes realmente não passa de
pretensão) regular." 5
O direito não possui um fim em si mesmo, funcionando também como instrumento apto a atender
aos anseios sociais que envolvem, dentre outros fenômenos, a relação capital, trabalho e
produção, que são corolários da atividade econômica, aliada a concepção de valor.
2. Da concepção de valor na economia
O valor é entendido economicamente como "o resultado de uma comparação seletiva,
dependendo, intimamente, das necessidades humanas." 6 Fundamentam esta concepção pelo
menos quatro teorias vinculadas a valor, sendo elas apresentadas por Gastaldi na seguinte ordem:
Teoria objetiva do valor ou valor-trabalho (critério objetivo, relativo a propriedade do bem);
Teoria marxista do valor-trabalho e a mais valia ( em que o trabalho é considerado essencial à
existência do valor);
Teoria subjetiva do valor ou teoria do valor de uso (as necessidades humanas são consideradas
essenciais à atribuição de valor);
Teoria da utilidade-limite ou do valor marginal (complementar a teoria anterior, envolvendo a
satisfação gradual da necessidade humana).
Destas teorias, as duas primeiras não atendem satisfatoriamente a concepção de valor, pois, tem
caráter objetivo, e a idéia de valor está relacionada essencialmente ao conteúdo subjetivo em que
necessidade, que constitui a vontade do homem em satisfazer uma vontade que lhe é inerente à
existência vital e social irá determinar o valor a ser atribuído ao bem. 7
Face as teorias apresentadas, a que melhor representa a atribuição de valor aos bens é a quarta
teoria, tendo em vista que alia o critério objetivo da atribuição do valor (utilidade) ao critério
subjetivo (necessidade humana).
3. A Empresa como uma das expressões da atividade econômica
A atividade humana direcionada as relações econômicas são desenvolvidas no ambiente
macroeconômico envolvendo a estrutura de mercado e a esfera restrita as operações
individualizadas que possui como ator principal a empresa, enquanto núcleo organizacional da
atividade produtiva, envolvendo o trinômio capital, trabalho e organização da produção.
Com o estudo das teorias orientadoras das ciências econômicas, entende-se que sua esfera de
atuação possui limitação de caráter político, social, cultural e jurídico, não sendo objeto do
presente trabalho analisar cada uma destas limitações, e sim apontar a sua existência,
restringindo-se a questão de caráter jurídico.
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A Constituição Federal de 1988 é considerada uma carta política em que contém todos os
princípios orientadores da formação e preservação do Estado Democrático de Direito.
Sendo assim, o nosso ordenamento jurídico está fundado na Constituição Federal, que apresenta,
no Título VII, dos arts. 170 a 192 os princípios concernentes a ordem econômica e financeira,
protegendo a livre iniciativa e livre concorrência no âmbito do território nacional e atribuindo ao
Estado papel de agente regulador da atividade econômica, na medida em que devem ser
protegidos os interesses dos trabalhadores, proteção do emprego e do consumidor, objetivando a
justiça social, não somente o crescimento da atividade econômica.
O Código Comercial de 1850, que disciplinava as relações entre os comerciantes e
estabelecimento comercial foi incorporado pelo Código Civil de 2002, que se adequou as
concepções relacionadas a atividade econômica, no entanto, frise-se, mantém a matéria jurídica
empresarial 8 autônoma em relação as atividades de caráter puramente civilista.
É importante ressaltar que a complexidade nas relações que abrangem a atividade empresarial e
também as matérias civis, conduzem ao que os juristas têm entendido como a descodificação do
direito privado. 9
Isto é observado em face da existência de vários conjuntos normativos específicos que disciplinam
as relações envolvidas no âmbito econômico, empresarial e civil, não ficando a matéria restrita ao
tratamento dispensado no Livro II, o direito da empresa presente no Código Civil de 2002. 1 0
Também é regulamentado pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC) por
intermédio da expedição das instruções normativas qual o procedimento a ser adotado pelas
empresas que pretendem estar constituídas legalmente, funcionando o mencionado órgão como
fiscalizador e orientador das empresas e juntas comerciais distribuídas pelo território nacional.
Dessa forma, acaba o referido departamento por ser a expressão da burocratização nos serviços
de registros de empresas no Brasil, o que funcionam como empecilho à formalização e
regularização da atividade empresarial, falhando como instrumento fomentador da atividade
produtiva, pois, ao mesmo tempo em que protege a atividade empresarial dos que estão
estabelecidos, dificulta a instalação de novas empresas e, por conseqüência, reduz o potencial
produtivo nacional.
Naturalmente que não se pode desconsiderar a importância dos organismos governamentais
enquanto reguladores e fiscalizadores da atividade empresarial, no entanto, a intervenção estatal
não pode servir ao atraso e descrédito na formação das empresas, sejam elas industriais, de
produção ou prestadores de serviços.
Além disso, na seara da atividade empresarial existem os interesses de produtores, fornecedores,
consumidores, investimentos e fluxo de capitais, havendo no ordenamento jurídico brasileiro o
Código de Defesa do Consumidor, a Lei Antitruste, a Lei de Proteção aos direitos e obrigações
relativos à propriedade industrial e a Lei do Direito do Autor.
4. O estabelecimento empresarial
A empresa no contexto econômico enquanto pólo em que se desenvolve a atividade econômica
produtiva de grande relevância para a comunidade em que está inserida, poderá ser enquadrada
na seara jurídica a partir da observação na definição jurídica de empresário e do estabelecimento
empresarial nos limites da legislação nacional vigente.
Na legislação civil em matéria empresarialista, foi definido juridicamente o empresário e o
estabelecimento empresarial, inexistindo uma definição jurídica de empresa.
Desse modo, manteve-se sob a responsabilidade da doutrina a delimitação da noção de empresa,
observando a definição de empresário e estabelecimento empresarial que, apesar de integrarem a
concepção de empresa, não a definem em espécie, pois, a empresa representa um organismo em
constante movimento, estando a propriedade em que se funda a empresa no mesmo ritmo do qual
surge a noção da terminologia empresarialidade. 1 1
Desse modo, a empresa pode ser entendida como sendo um núcleo em que há uma seqüência de
atos jurídicos e materiais coordenados para atingir a finalidade produtiva vinculada a bens e
serviços.
O Código Civil define o empresário no art. 966 do CC/2002, em que, "considera-se empresário
quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação
de bens ou serviços", estando no art. 1.142 do CC, a concepção de estabelecimento empresarial
como "todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário ou sociedade
empresária".

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O empresário é o elemento humano atuante na atividade empresarial, podendo ser em caráter


individual, como pessoa física ou firma individual, ou em caráter coletivo, com a denominação de
pessoa jurídica, sendo oportuno suscitar Fábio Ulhoa Coelho, 1 2 para quem, a sociedade empresária
é formada pela pessoa jurídica, estando na pessoa jurídica o caráter de empresário.
Cabe aqui mencionar que não é apropriado denominar o sócio como sendo empresário, pois, a
figura do sócio está vinculada as pessoas naturais ou jurídicas que estão unidas pelos esforços e
capital para finalidade de obtenção de lucro, possuindo disciplina jurídica diferenciada para
atribuição de direitos e obrigações.
Assim, na figura do empresário estão expressas as características de profissionalidade,
habitualidade e organização na gestão da produção e circulação de bens ou serviços, havendo,
ainda, exceções a esta caracterização no parágrafo único do art. 966 do CC, em que "não se
considera empresário quem exerce a profissão intelectual, de natureza científica, literária ou
artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão
constituir elemento da empresa".
A referência legislativa ao entendimento do estabelecimento empresarial está disposta no art.
1.142 do CC, como sendo conjunto patrimonial organizado para o desenvolvimento da atividade
empresarial, contendo, ainda, a noção de que "numa interpretação lógico sistemática,(...)
estabelecimento é característica tão só do empresário ou da sociedade empresária.(...) que a
sociedade simples não terá esta característica na forma prevista pelo legislador, ou seja,
estabelecimento como objeto de direito consistente de um complexo de bens organizado". 1 3
Simão Filho considera a possibilidade em existir na sociedade simples algum dos elementos que
formam o estabelecimento da sociedade empresária a partir da constatação de que há o fomento
no desenvolvimento da atividade econômica.
Considera-se, ainda, como valor agregado aos bens que integram o estabelecimento empresarial
um universo irrestrito somente aos bens materiais, incluindo-se os bens imateriais, que, unidos aos
atributos do estabelecimento, somam valor ao estabelecimento, recebendo a denominação de
fundo de empresa. 1 4
Assim, "o valor global do estabelecimento visto de forma unitária, em muitos casos, é superior à
somatória dos valores unitários dos bens que os compõem," 1 5 e, com isso, em havendo venda
individualizada de bens do estabelecimento ocorre perda do valor que integra o patrimônio global
do estabelecimento.
Significa que, os bens materiais que estão unidos individualmente formando a coletividade de bens
do estabelecimento correspondem a um valor maior por haver o componente imaterial na formação
do valor do estabelecimento, envolvendo a finalidade de possibilitar o fluxo produtivo e dar
cumprimento ao desiderato que é o desenvolvimento da atividade empresarial.
O estabelecimento compõe a empresa enquanto elemento patrimonial imprescindível a atividade
produtiva, sendo que, "o estabelecimento empresarial é coisa serve para classificá-lo entre os
objetos de propriedade, diferenciando-o da empresa propriamente dita". 1 6
Os bens materiais e imateriais, assim, formam o estabelecimento empresarial, sendo que, os bens
materiais se referem aos bens móveis e imóveis, enquanto os bens imateriais correspondem a
propriedade intelectual, englobando a propriedade industrial e direitos autorais.
A doutrina se posiciona sobre a questão das dívidas e obrigações oriundas da atividade
empresarial como não constituindo o passivo do estabelecimento empresarial, no entanto, é
relevando a consideração de Simão Filho 1 7 quanto à necessidade de verificação das dívidas e
obrigação da empresa para efetivação de negócios que tenham como objeto o estabelecimento
empresarial, face as conseqüências econômicas quanto a satisfação das obrigações, por interferir
no valor a ser atribuído ao negócio.
Os bens imateriais que integram o estabelecimento podem ser classificados em: propriedade
industrial, obras literárias, artísticas e científicas, sinais distintivos, nome empresarial, título e
insígnia do estabelecimento, expressões ou sinal de propaganda, o ponto protegido pela lei de
locação ou contrato, serviços prestados por funcionários e recompensas industriais. 1 8
O aviamento e a clientela são considerados atributos do estabelecimento empresarial, conforme
Ulhoa Coelho e Simão Filho 1 9 evidenciam em suas obras, estando relacionado patrimonialmente ao
estabelecimento agregando valor econômico, não assumindo a condição de elementos do
estabelecimento. 2 0

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Estando os bens materiais e imateriais conjugados no estabelecimento empresarial, estes


funcionam como base para que a empresa possa gerar lucratividade, sendo que, esta expectativa
de lucro configura o aviamento, que não necessariamente compõe o patrimônio empresarial, e sim,
como o valor a ser agregado ao referido patrimônio.
O pensamento de Valeri segue a Vivante, situando o aviamento como valor econômico e não,
necessariamente, jurídico. Em contrapartida, o aviamento precisa do elemento material que integra
o estabelecimento para existir, considerando o aviamento como necessário a existência do
estabelecimento. 2 1
A afirmação de que o aviamento corresponde a um valor econômico é corroborada pela forma em
que é apurado o referido aviamento, 2 2 seguindo a contribuição de Martinho Maurício Gomes de
Ornelas, 2 3 que apresenta sinteticamente as fórmulas matemáticas para apuração, sendo elas:
computo do lucro líquido e aplicação do fator multiplicativo, ou, ainda, utilização do Método de
Nova York, Método de Avaliação Relativa, Fórmula de Hatfield e exclusão de ativos intangíveis
para apuração do superlucro.
Estes métodos foram desenvolvidos com a contribuição das ciências exatas com finalidade de
verificação do valor correspondente ao aviamento com atribuição de valor matemático, o que
poderia servir ao direito para integração do aviamento não só como atributo do estabelecimento,
como é entendido hoje, mas, sim, como elemento do referido estabelecimento na medida em que é
possível a sua atribuição valorativa em caráter efetivo.
Além disso, também apresentado como atributo do estabelecimento, a clientela corresponde as
pessoas que freqüentam regularmente o estabelecimento empresarial, considerando-o como
referencial para bens e serviços.
Evidentemente que, a lucratividade está diretamente relacionada com o fluxo de clientes em
caráter permanente, produzindo conseqüências de ordem patrimonial que pode ser submetido a
atribuição de valor, permitindo a apuração do aviamento. 2 4
A clientela também está na categoria de atributo do estabelecimento empresarial justificado pelo
entendimento de que a pessoa humana não possui valoração de apropriação como uma
propriedade 2 5 e, ainda, não há possibilidade de individualizar e tornar acessória a pessoa humana
como bem jurídico. 2 6
O estabelecimento empresarial, como ente composto por um conjunto de bens que irá constituir
uma universalidade patrimonial é classificado como uma universalidade de fato e não uma
universalidade de direito apesar do tratamento legal da matéria estar no Código Civil de 2002,
tendo em vista que o Código Comercial de 1850 relegava o tema a construção doutrinária.
Vivante não admitia enquadrar o estabelecimento empresarial, entendido como azienda, na
categoria de universalidade de direito, considerando-o uma universalidade de fato por estar
constituída a partir da vontade do empresário e não por força de lei, pois, sem este ato volitivo,
não existe a formação do estabelecimento. 2 7
Carvalho de Mendonça também entende o estabelecimento empresarial como uma universalidade
de fato. 2 8
Portanto, doutrinariamente, a compreensão do estabelecimento empresarial como universalidade
de fato existia e foi concretizada na legislação civil de 2002, que aponta os critérios para o
enquadramento dos bens coletivos, em que estão classificados os bens que compõem o
estabelecimento nos arts. 90 e 91.
Para o melhor entendimento da matéria, a universalidade de fato está disposta no art. 90 do CC
como sendo "a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham
destinação unitária" e, no parágrafo único do artigo está demonstrado que "os bens que formam
essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias".
No art. 91 do CC/2002, a universalidade de direito é "o complexo de relações jurídicas, de uma
pessoa, dotadas de valor econômico."
Assim, quando os bens coletivos formam uma unidade a partir de disposição de lei, tem-se a
universalidade de direito, enquanto que, os bens que formam uma unidade a partir de ato de
vontade de seu instituidor que pode agregar e desagregar os bens que integram esta
universalidade sem intervenção legal, toma-se os bens coletivos como uma universalidade de fato.
Analisando este contexto somos conduzidos ao entendimento de que o estabelecimento
empresarial é uma universalidade de fato, haja vista que

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"o estabelecimento objeto da intenção de seus titulares, empresário ou sociedade empresária, e,


portanto, componente de seu patrimônio, sem prejuízo da universalidade dos bens que o compõem
organizadamente, ele se enquadra no disposto no artigo 90, continuando, assim, a ser uma
universalidade de fato, embora agora seu conceito venha expresso em lei". 2 9
Com isto, a formação do estabelecimento decorre de ato de vontade externado pelos titulares
destes bens agregados na figura do estabelecimento empresarial e que, a sua união está
relacionada a uma finalidade determinada.
Assim o estabelecimento empresarial, sob o a égide da legislação civil de 2002 é uma
universalidade de fato, por não haver unificação por força de lei e sim por um ato de vontade de
seus instituidores, em caráter contratual ou estatutário.
5. Considerações derradeiras
O estabelecimento empresarial, elemento essencial a existência da empresa pois possibilita o
desenvolvimento da atividade produtiva será valorada enquanto unidade empresarial não restrita
aos bens móveis, imóveis e imateriais que compõem o estabelecimento ou, mesmo, dos fatores de
produção.
O valor irá integrar o conjunto de bens do estabelecimento também na esfera da capacidade
auferir lucros e manter a atividade empresarial rentável expresso na figura do aviamento que é
mensurável de acordo com formulações matemáticas expostas exemplificativamente nestas breves
considerações sobre a concepção do valor do estabelecimento empresarial a partir da percepção
jurídica.
Com isto, sendo possível objetivamente atribuir um valor matemático correspondente ao
aviamento o estabelecimento empresarial, enquanto uma universalidade de fato, poderá aumentar
o valor de cada bem individualizado, quando este bem for considerado em relação a sua
conjugação aos demais bens do estabelecimento.
Desse modo, o empresário deve analisar as possíveis atitudes negociais envolvendo a empresa não
somente sobre os aspectos materiais, pois, um bem individualizado comercializado em conjunto
com o grupo de bens do estabelecimento possui valor superior ao bem individualizado desvinculado
do conjunto de bens que compõem o estabelecimento empresarial .
6. Referências bibliográficas
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v. 3.

1 N. A: Ato ilícito é sinônimo de ato ilegal, que significa ato contrário ao que a lei determina como
justo. No entanto, é importante não confundir justiça com legalidade, pois, nem sempre o que é
legal é justo, aliás, os dizeres de Abraham Lincoln (1809-1865) nos orientam no sentido de que
"não se esqueça que o que é justo do ponto de vista legal pode não sê-lo do ponto de vista
moral."

2 MARTINS, Sergio Pinto. Instituições de direito público e privado. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2005,
p. 24.

3 GASTALDI, J. Petrelli. Elementos de economia política. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 1999, p. 03.

4 N. A: Como exemplos de códigos podem ser mencionados o Código Civil, Código de Defesa do
Consumidor, Código Tributário Nacional, Código de Processo Civil dentre outros, que nada mais são
que as leis reunidas em um código, enquanto isso, como lei pode ser citado a Lei Antitruste, Lei de
Assistência Judiciária, Lei de Recuperação Extrajudicial, Judicial e Falência, dentre outras.

5 PETERMANN, Rolf. Reflexões sobre direito econômico e Mercosul. In : CASELLA, Paulo Borba et
al. Contratos internacionais e direito econômico no Mercosul. São Paulo: LTr, 1996, p. 584.

6 GASTALDI, ob. cit., p. 90.

7 N.A: Estas formas de existência, resumidamente, correspondem na existência vital a fisiologia


humana, envolvendo alimentação, saúde, subsistência; enquanto a existência social envolve
vestuário, transporte, moradia.

8 N.A: A expressão "comercial" em direito foi substituída pela expressão "empresarial", reflexo da
mudança paradigmática no tocante as relações empresariais, que, outrora, fundavam-se nos atos
de comércio, e, atualmente, tem base na atividade empresarial, ou seja, não constitui somente
atos isolados, e sim, a coordenação de vários atos exercidos organizadamente que estão
agrupados na atividade.

9 DE LUCCA, Newton. A atividade empresarial no âmbito do projeto do Código Civil. In: DE LUCCA,
Newton, SIMÃO FILHO, Adalberto Direito empresarial contemporâneo. 2. ed. São Paulo: Juarez de
Oliveira, 2004, p. 57.

10 N. A.: também referenciado como novo Código Civil.

11 SIMÃO FILHO, Adalberto, A nova empresarialidade. Revista da Faculdade de Direito, n. 25. São
Paulo: FMU, ano XVII, 2003, p. 13; MACHIONI, Jarbas Andrade, Novos fundamentos do direito
comercial sob o Código Civil de 2002. Direito empresarial contemporâneo. 2. ed. São Paulo:
Juarez Oliveira, 2004, p. 331 e FRANÇA, Erasmo Valladão Azevedo e Novaes. Empresa, empresário
e estabelecimento. A nova disciplina das sociedades. Revista do Advogado, n. 71. São Paulo:
AASP, ano XXIII, agosto de 2003, p. 18.

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12 COELHO, Fábio Ulhôa. Curso de direito comercial. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. v. 1, p. 63.

13 SIMÃO FILHO. Ob. cit., p. 15.

14 COELHO. Ob. cit., p. 98.

15 SIMÃO FILHO. Ob. cit., p. 15.

16 COELHO. Ob. cit., p. 99.

17 Ob. cit., p. 18.

18 Ob. cit., p. 16: Rol classificatório apresentado por Simão Filho, que menciona, ainda, a
possibilidade dos direitos autorais e de personalidade comporem o estabelecimento,
fundamentando sua argumentação no art. 52 do CC, que dispõe "aplica-se às pessoas jurídicas,
no que couber, a proteção dos direitos da personalidade", p. 16.

19 Ob. cit.

20 N. A.: Entendimento contrário é expresso por Waldemar Ferreira (1962), Valeri (1937) e Vivante
(1904), em que o aviamento é um elemento incorpóreo do estabelecimento, admitindo a clientela
como um atributo do aviamento.

21 FERREIRA, Waldemar. Tratado de direito comercial. São Paulo: Saraiva, 1962. v. 7, p. 210,
apud VALERI, Giuseppe. Avviamento di azienda no Nuovo Digesto Italiano. Turim: Toppografico-
editrice Torinese, 1937. v. 2.

22 O goodwill é expressão equivalente ao aviamento.

23 MÜLLER, Sérgio José Dulac, MÜLLER, Thomas. Empresa e estabelecimento, a avaliação do


goodwill. Revista do advogado, p. 110.

24 BARRETO FILHO, Oscar. Teoria do estabelecimento comercial. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1988.

25 COELHO. Ob. cit., p. 101.

26 ALMEIDA SALLES. Ob. cit., p. 77.

27 VIVANTE, ob. cit., p. 5-6.

28 Ob. cit., p. 19.

29 ALMEIDA SALLES. Ob. cit., p. 78.


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