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Criptococose: Revisão da Literatura Veterinária

A criptococose é uma micose causada principalmente por Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii, sendo a primeira a mais comum e associada a aves urbanas, como pombos. A doença afeta várias espécies, incluindo humanos, mas não é considerada uma antropozoonose, pois a transmissão ocorre por inalação do fungo. O tratamento envolve antifúngicos sistêmicos e a doença pode ser fatal, especialmente em indivíduos imunocomprometidos.

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Criptococose: Revisão da Literatura Veterinária

A criptococose é uma micose causada principalmente por Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii, sendo a primeira a mais comum e associada a aves urbanas, como pombos. A doença afeta várias espécies, incluindo humanos, mas não é considerada uma antropozoonose, pois a transmissão ocorre por inalação do fungo. O tratamento envolve antifúngicos sistêmicos e a doença pode ser fatal, especialmente em indivíduos imunocomprometidos.

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REDVET.

Revista Electrónica de
Veterinaria
E-ISSN: 1695-7504
redvet@[Link]
Veterinaria Organización
España

Canavari, I. C.; Vargas, G. H.; Tinucci-Costa, M.; Camplesi, A. C.


Criptococose: revisão de literatura
REDVET. Revista Electrónica de Veterinaria, vol. 18, núm. 9, septiembre, 2017, pp. 1-5
Veterinaria Organización
Málaga, España

Disponível em: [Link]

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REDVET - Revista electrónica de Veterinaria - ISSN 1695-7504

Criptococose: revisão de literatura - Criptococosis: literature


review

Canavari, I.C.*: Aluna do Programa de Pós-Graduação em Medicina


Veterinária, área de Clínica Médica, da FCAV/UNESP-Jaboticabal, São
Paulo, Brasil; Vargas, G.H.: Docente do Departamento de Saúde Animal
da FMVZ/Universidade Nacional da Colômbia; Tinucci-Costa, M.:
Docentes do Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária da
FCAV/UNESP-Jaboticabal, São Paulo, Brasil; Camplesi, A.C.: Docente do
Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária da FCAV/UNESP-
Jaboticabal, São Paulo, Brasil.
Autor para correspondência:
Isabela Cristina Canavari. Email: isabelacanavari@[Link]

Resumo
A criptococose é uma micose caracterizada por dois principais tipos de
infecções, causadas pelas leveduras Cryptococcus neoformans e Cryptococcus
gattii, sendo a primeira de maior ocorrência. O C. neoformans tem distribuição
geográfica ampla, sendo isolado de excretas de pombos urbanos, de forma que
a presença dessas aves nos centros urbanos constitui um risco à saúde
pública. Essa doença pode acometer diversas espécies, como cães, gatos e o
homem, porém não é caracterizada como uma antropozoonose, de forma que
o contato com animais doentes não é suficiente para transmitir a doença ao
ser humano. Além disso, a criptococose pode ser fatal, principalmente em
animais e pessoas imunocomprometidos.
Palavras-chave: fungos ǀ dermatologia ǀ zoonose ǀ pombos

Abstract
Cryptococcosis is a mycosis characterized by two main types of infections
caused by yeasts Cryptococcus neoformans and Cryptococcus gattii, being the
first one of greater occurrence. C. neoformans has a wide geographical
distribution, being isolated from excreta of urban pigeons, so that the presence
of these birds in urban centers constitutes a risk to public health. This disease
can affect several species, such as dogs, cats and man, but is not
characterized as an anthropozoonosis, so that contact with sick animals is not
enough to transmit the disease to humans. In addition, cryptococcosis can be
fatal, especially in animals and immunocompromised individuals.
Key-words: fungi ǀ dermatology ǀ zoonosis ǀ pigeons

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Introdução

A criptococose é causada por uma levedura da classe Blastomycetes, família


Cryptococcaceae, gênero Cryptococcus, sendo caracterizada por uma infecção
oportunista, que leva ao acometimento sistêmico (Stradioto, 2010; Chiesa,
2016).

A micose engloba dois tipos de infecções, considerando aspectos clínicos e


epidemiológicos: uma causada pelo Cryptococcus neoformans, de caráter
oportunista, cosmopolita, associada à imunossupressão celular e outra causada
pelo Cryptococcus gattii, uma infecção primária, de hospedeiro
imunocompetente, endêmica em áreas tropicais e subtropicais (Kon et al.,
2008).

Apesar de existirem diferentes espécies do gênero, são mais comuns os


casos relacionados ao C. neoformans, em animais e no homem (Barth et al.,
2008). De acordo com Kon et al. (2008), a infecção por Cryptococcus gattii no
homem e em animais tem distribuição geográfica mais ampla do que o descrito
e seus aspectos clínicos ainda são pouco conhecidos. Nas infecções causadas
pelas duas espécies, o quadro clínico é similar, porém o C. gatti é mais
virulento e tem maior predileção pela infecção do sistema nervoso central
(Lester et al., 2011).

O Cryptococcus neoformans tem distribuição geográfica ampla, sendo


isolados de excretas de aves, especialmente pombos urbanos (Columbia livia),
os principais reservatórios do agente no ambiente urbano (Juliano et al., 2006;
Cabana, 2009). Relata-se que as excretas envelhecidas possuem menor
quantidade de bactérias e alto teor de compostos nitrogenados, favorecendo o
crescimento fúngico. A presença intensa de pombos em centro urbanos torna a
transmissão da criptococose um risco para a saúde pública (Reolon et al. 2004;
Queiroz et al., 2008).

A doença pode ocorrer em diversas espécies, inclusive no homem. Acomete


principalmente gatos e está relacionada à imunidade do hospedeiro (Chiesa,
2016). É influenciada por doenças imunossupressoras concomitantes, como as
causadas pelos vírus da imunodeficiência felina (FIV) e leucemia felina (FeLV),
assim como má nutrição ou corticoterapia (Mendonça et al., 2002).

A criptococose não é considerada uma enfermidade de risco zoonótico em


potencial, ou seja, não se constitui em uma antropozoonose clássica, pois o
agente não sofre aerolização a partir dos tecidos infectados. Portanto, o
contato com animais doentes não é suficiente para transmitir a doença
(Mendonça et al., 2002; Petraglia, 2008). A alta quantidade de levedura nas
fontes de infecção ambientais, associada à rara transmissão homem-homem
ou animal-animal, indica que a doença é adquirida através da inalação do
fungo, que se multiplica no ambiente e não em hospedeiros vertebrados
(Lugarini, 2007; Petraglia, 2008).

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A criptococose em pequenos animais é considerada pouco frequente, em


comparação a outras doenças fúngicas superficiais e subcutâneas (Larsson et
al., 2003). Em cães e gatos, a principal porta de entrada do fungo é pelo trato
respiratório, no entanto, gatos apresentam mais quadros cutâneos, devido à
inoculação do agente e desenvolvimento de infecção localizada, caracterizada
por lesões granulomatosas na cavidade nasal, chamadas popularmente como
“nariz de palhaço”, uma vez que os seios nasais dos gatos possuem uma
filtragem mais eficiente de pequenas partículas (Mendonça et al., 2002;
Petraglia, 2008). Além disso, podem existir sinais como espirros, descarga
nasal, ruídos respiratórios e/ou massas subcutâneas (Queiroz et al., 2008;
Grace, 2009).

A criptococose pode causar lesões na cabeça e pescoço de gatos,


caracterizadas por erosões e ulcerações, além de nódulos e pápulas, sendo
resultado da disseminação hematógena do agente (Queiroz et al., 2008), de
forma que essa complicação da doença, comumente causa sinais neurológicos
em cães (Lester et al., 2011).

No ser humano, é mais comum a criptococose cutânea, tornando-se um


quadro mais grave em pessoas imunocomprometidas, como por exemplo,
infectadas pelo vírus HIV, transplantados, com neoplasias ou sob tratamento
imunossupressor (Fallah et al., 2011). No entanto, são descritos casos de
criptococose em pessoas imunocompetentes, principalmente em associação
com traumatismos cutâneos (Vázquez-Osorio et al., 2016). Calcula-se que em
10 a 15% dos pacientes ocorre o desenvolvimento de lesões cutâneas, como
resultado da inoculação direta do agente na pele (Revenga et al., 2002;
Bivanco et al., 2006) e são relatadas diversas apresentações clínicas das
lesões, como pápulas, nódulos, celulite, abscessos, úlceras, entre outras
(Revenga et al., 2002).

Em casos de criptococose sistêmica, no homem, a infecção pode causar


meningoencefalite, de evolução grave e fatal, acompanhada ou não de lesão
pulmonar e focos infecciosos secundários na pele, ossos, rins, adrenais, entre
outros tecidos (Kon et al., 2008). Estima-se que a mortalidade de seres
humanos com criptococose é estimada em 10% nos países desenvolvidos,
chegando a 43% nos países em desenvolvimento (Kon et al., 2008).

O diagnóstico definitivo da criptococose é realizado através de cultura do


microrganismo, exame citológico, exame histopatológico ou através de
técnicas moleculares (Cezar, 2012).

Microscopicamente, o fungo é caracterizado por uma levedura esférica a


oval, de paredes espessas, que ocasionalmente exibe um brotamento solitário
e é circundado por uma larga cápsula gelatinosa (Gazzoni, 2008; Petraglia,
2008). Embora não seja a técnica mais empregada na rotina clínica, a reação
em cadeia pela polimerase (PCR) tem sido utilizada com bons resultados em
centros de pesquisa (Petraglia, 2008).

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O tratamento para criptococose consiste no uso de antifúngicos sistêmicos,


os quais devem ser administrados por um longo período (60 a 90 dias) e se
estendendo por até 30 dias após a resolução dos sinais clínicos. As medicações
recomendadas são anfotericina B, fluocitosina, cetoconazol, itraconazol,
fluoconazol, isoladamente ou em associações como, por exemplo, cetoconazol-
fluocitosina, anfotericina B-fluocitosina (Larsson et al., 2003). Embora rara, a
criptococose é uma doença potencialmente fatal em pessoas ou animais,
principalmente imunocomprometidos (Queiroz et al., 2008).

Conclusão

A criptococose não é a doença fúngica de maior ocorrência em animais e no


homem, porém o conhecimento de seus aspectos epidemiológicos,
relacionados principalmente à transmissão, é importante para prevenir
infecções. Além disso, a associação desses aspectos com os sinais clínicos
permite o diagnóstico precoce da doença a fim de impedir o desenvolvimento
de quadros graves, podendo levar os pacientes a óbito.

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