Nome
A Pedagogia no campo das Ciências da educação
(Licenciatura em Ensino de Biologia)
Universidade Aberta ISCED
2023
Nome
A Pedagogia no campo das Ciências da educação
Universidade Católica de Moçambique
2023
Índice
1. Introdução.................................................................................................................................4
2. Metodologia..............................................................................................................................5
3. A Pedagogia no campo das Ciências da educação...................................................................6
3.1. Conceitos básicos..................................................................................................................6
3.1.1. Pedagogia...................................................................................................................6
3.1.2. Educação....................................................................................................................6
3.2. O carácter sistemático da ciência pedagógica...................................................................8
3.3. Os fundamentos científicos da pedagogia.......................................................................11
4. Conclusão...............................................................................................................................15
5. Referências bibliográficas......................................................................................................16
1. Introdução
Pensar a pedagogia como ciência e o pedagogo, em seus diferentes espaços de actuação na
sociedade, como sendo o responsável por realizar estudos e investigar os fenómenos educativos,
sendo reconhecido como o cientista da educação e não apenas reduzindo-se às metodologias no
âmbito de suas práxis, são as discussões que vão balizar esta pesquisa. O objectivo central está
em compreender a pedagogia no âmbito científico da educação, e para tal, inicialmente optou-se
em olhar para o contexto histórico desta ciência, enquanto um curso que forma pedagogos, desde
a sua criação no Brasil, em 1939, até sua última reconfiguração em 2006, quando o Conselho
Nacional de Educação (CFE) instituiu as Directrizes Curriculares Nacionais para o curso de
Pedagogia (DCNCP). Tomando o contexto histórico como norte para compreensão de como a
pedagogia chega na contemporaneidade, buscou-se identificar qual a sua especificidade Desta
feita, o presente trabalho tem como objectivos os seguintes:
Objectivo geral:
Compreender a pedagogia no sistema das ciências sociais.
Objectivos específicos:
Apresentar os conceitos de pedagogia, educação;
Reconhecer o carácter sistémico da ciência pedagógica;
Explicar os fundamentos científicos da pedagogia.
2. Metodologia
A metodologia usada para a realização deste trabalho foi de consulta de obras
bibliográficas de alguns autores que abordam sobre o tema e que por nós foram
colocadas na referência bibliográfica do trabalho e quanto a estrutura do trabalho é de salientar
que o trabalho tem a seguinte sequência organizacional: Primeiramente tem a Introdução, depois
o desenvolvimento em seguida a conclusão e por fim a referência bibliográfica do trabalho.
No que concerne as normas de publicação de trabalhos científicos, usou-se a sexta edição
das normas APA.
3. A Pedagogia no campo das Ciências da educação
3.1. Conceitos básicos
3.1.1. Pedagogia
O termo pedagogia, deriva do grego antigo “paidagogos”, era inicialmente composto por
“paidos” =criaça e “gogia” = conduzir ou acompanhar.
Outrora, este conceito faz referência dos escravos da antiga Grécia, os pedagogos que eram
encarregados de acompanhar as crianças que iam a escola. Por meio dessas interacções esses
escravos desenvolveram grande habilidade no trato com as crianças. E actualmente, o pedagogo
é um especialista em educação, e pedagogia, é o conjunto de conhecimentos sistemáticos que
competem a educação.
Também a pedagogia pode ser entendida como sendo a filosofia, a ciência e a técnica da
educação (Piletti, 1986).
A Pedagogia é uma ciência da educação, juntamente com as outras ciências da educação, embora
distinguindo-se delas por causa do seu carácter científico e, por conseguinte, formando um grupo
à parte. As ciências da educação incluem a Pedagogia: mas a Pedagogia não inclui as
"Ciências da Educação". (...) tenhamos em conta que a pedagogia deve fundamentar-se nas
"Ciências da educação"...”. (J. M.ª. Quintana Cabanas).
Enquanto fenómeno tipicamente social e especificamente humano, trata-se de uma ciência
aplicada de carácter psicossocial, cujo objecto de estudo é a educação. Assim, mais tarde, o
significado deste termo adquiriu outro valor; assim começou-se a chamar às pessoas que se
dedicavam a educação das crianças e, para isso, tinham uma preparação especial. Dessa maneira,
surgiu a Pedagogia como ciência da educação das novas gerações. Hoje, pedagogo é o
especialista em assuntos educacionais.
3.1.2. Educação
É um processo que visa ao desenvolvimento integral (físico, afectivo e intelectual) da
personalidade. É um processo pelo qual a pessoa se auto-realiza ao mesmo tempo se
integra à sociedade (Karling, 1991).Segundo o ICCP (1988) se entende por educação o conjunto
de influências que exerce a sociedade sobre o indivíduo. Isso implica que o ser humano se educa
durante toda a vida.
A educação consiste, ante todo, em um fenómeno social historicamente condicionado e com um
marcado carácter classista. Através da educação se garantirá a transmissão de experiências de
uma geração à outra. (ICCP, 1988, p.31)
Segundo Lênin, V (apud. ICCP, 1988), a educação é uma categoria geral e eterna, pois é parte
inerente da sociedade desde seu surgimento. Também, a educação constitui um elo essencial no
sucessivo desenvolvimento dessa sociedade, a ponto de não conceber progresso histórico-social
sem sua presença.
Para Martins, J (1990), a educação é um processo de acção da sociedade sobre o educando,
visando entregá-lo segundo seus padrões sociais, económicos, políticos, e seus interesses.
Reconhece-se aqui a necessária preparação para a vida, já referida em outras definições e que só
se logra a através de convicções fortes e bem definidas de acordo com esses padrões. Para uns,
Educação é processo, para outros é categoria, ou fenómeno social, ou preparação, ou conjunto de
influências, e muitos conceitos mais.
Ainda seguindo a linha de pensamento de J. Martins, (1990),se concorda que a educação tem as
seguintes características:
É fato histórico, pois se realiza no tempo;
É um processo que se preocupa com a formação do homem em sua plenitude;
Busca a integração dos membros de uma sociedade ao modelo social vigente;
Simultaneamente, busca a transformação da sociedade em benefício de seus membros;
É um fenómeno cultural, pois transmite a cultura de um contexto de forma global;
Direcciona o educando para o auto consciência;
É ao mesmo tempo, conservadora e inovadora. (Martins, 1990, p.23)
Deve-se analisar que a educação, mais que processo, mais que conjunto de influências, e outras,
é uma actividade. Como toda actividade tem orientação, por tanto pode ser planejada.
É processo, pois está constituída por acções e operações que devem ser executadas no tempo e
no espaço concreto. Portanto, a educação é uma actividade social, política e económica, que se
manifesta de diversas formas e que seu sistema de acções e operações exercem influências na
formação de convicções para o desenvolvimento humano do ser social e do ser individual.
Neste último aspecto vale destacar que o ser humano que se pretende construir, desde a óptica
como ser social deve ser desenvolvido simultaneamente nos planos, físico e intelectual, que tem
consciência clara de suas possibilidades e limitações. Um homem munido de uma cultura que lhe
permita conhecer, compreender e reflectir sobre o mundo. (Martins, 1990, p. 22)
Desta feita, o processo pedagógico, como aspecto consciente dentro do planeamento
educacional, surge a partir das mudanças sofridas pela sociedade e com o objectivo de construir
determinado protótipo de ser humano. Por isso, um dos meios importantes para influir na
construção desse novo ser, é através do adequado planeamento educacional. Os programas,
planos, e projectos, resultados dessas actividades de gestão educativa, sejam introduzidos e
generalizados como forma ideal para orientar, executar e controlar o trabalho educativo.
3.2. O carácter sistemático da ciência pedagógica
O primeiro carácter do conhecimento científico, reconhecido até por cientistas e filósofos das
mais diversas correntes é a objectividade, no sentido de que a ciência intenta afastar do seu
domínio todo o elemento afectivo e subjectivo, deseja ser plenamente independente dos gostos e
tendências pessoais do sujeito que a elabora. Numa palavra, o conhecimento verdadeiramente
científico deve ser um conhecimento valido para todos.
De acordo com Vieira Pinto (1969), refere que a objectividade da ciência, por isso, pode ser
também, e talvez melhor, chamado de intersubjectividade, até porque a evolução recente da
ciência, e especialmente da Física , mostrou a impossibilidade de separar adequadamente o
objecto do sujeito e de eliminar completamente o observador.
Este reconhecimento que essencial na teoria da relatividade e na nova física quântica, torna o
carácter da objectividade mais complexo e problemático do que parecia no século XIX, todavia,
não elimina de modo algum da ciência o propósito radicalmente objectivo.
Outro carácter do conhecimento científico da pedagogia reside na sua Racionalidade. Não
obstante a oposição de toda a corrente empirista, a ciência moderna é essencialmente racional,
isto é, não consta de meros elementos empíricos mas é essencialmente uma construção do
intelecto.
A ciência pode ser definida como um esforço de racionalização do real, partindo de dados
empíricos, através de sínteses cada vez mais vastas, o cientista esforça-se por abraçar todo
domínio dos factos que conhece num sistema raciona, no qual de poucos princípios simples e
universais possam logicamente deduzir-se as leis experimentais mais particulares de campos a
primeira vista aparentemente heterogéneos.
Além disto, os cientistas modernos verificam unanimemente no conhecimento científico um
carácter muito alheio a mentalidade científica do século XIX, o da revisibilidade. Não há nem
nas ciências experimentais, nem mesmo na matemática, posições definitivas e irreformáveis.
Toda a verdade científica aparece, em certo sentido, como provisória, susceptível de revisão, de
aperfeiçoamento, às vezes mesmo de uma completa reposição em causa.
Todos os conhecimentos científicos são aproximados, quer pela imperfeição das observações
experimentais em que se fundam, quer pela necessária abstracção e esquematização com que são
tratados. Os conceitos de adequação total e perfeita devem ser substituídos pelos de aproximação
e validez limitada. Esta nova mentalidade científica que deve ser mantida num só equilíbrio é
principalmente o fruto de numerosas crises e revoluções da ciência. (Veiga, 1995).
Finalmente, um último carácter do conhecimento científico é a autonomia relativamente à
Filosofia e à fé. A ciência tem o seu próprio campo de estudo, o seu método próprio de pesquisa,
uma fonte independente de informações que é a Natureza.
Isto não significa que a Filosofia não possa e não deva levar a termo uma indagação crítica sobre
a natureza da ciência, sobre os seus métodos e os seus princípios uma indagação levada a cabo
pela Epistemologia -- nota d'O Canto] e que o cientista não possa tirar vantagem do
conhecimento reflexivo, filosófico e crítico da mesma actividade de cientista. Mas em nenhum
caso a ciência poderá dizer-se dependente de um sistema filosófico ou poderá encontrar numa
tese filosófica uma barreira-limite que impeça a priori a aplicação livre e integral do
seu método de pesquisa. E o mesmo se dirá no que respeita à fé: ela poderá constituir uma norma
directriz e prudencial para o cientista enquanto homem e crente, nunca será uma norma positiva
ou restritiva para a ciência enquanto tal. O conhecimento é multifacetado e com várias
classificações. Segundo Morin, não se tem mais um porte seguro para o mesmo. Mas dentro da
tradição positivista, o conhecimento precisa de alguns pré-requisitos para ser científico. Dentro
das Ciências Naturais, este são os critérios para ser científico. No entanto, em outras áreas, segue
outros critérios.
O conhecimento científico é fáctico: Parte dos factos, respeita-os até certo ponto e sempre
retorna a eles. A ciência procura descobrir os factos tais como são, independentemente do seu
valor emocional ou comercial: a ciência não poetiza os factos. Em todos os campos, a ciência
começa por estabelecer os factos: isto requer curiosidade impessoal, desconfiança pela opinião
prevalecente e sensibilidade à novidade.
Nem sempre é possível, nem sequer desejável, respeitar inteiramente os factos quando se
analisam, e não há ciência sem análise, mesmo quando a análise é apenas um meio para a
reconstrução final do todo. O físico perturba o átomo que deseja espiar; o biólogo modifica e
pode inclusive matar o ser vivo que analisa; o antropólogo, empenhado no seu estudo de campo
de uma comunidade, provoca nele certas modificações.
O conhecimento científico é claro e preciso: os seus problemas são distintos, os seus resultados
são claros. A ciência torna preciso o que o senso comum conhece de maneira nebulosa. O
conhecimento científico é comunicável: não é inefável, mas expressável; não é privado, mas
público. A linguagem científica comunica informações a quem quer que tenha sido preparado
para a entender. O que é inefável pode ser próprio da poesia ou da música, não da ciência, cuja
linguagem é informativa e não expressiva ou imperativa.
O conhecimento científico é verificável: deve passar pelo exame da experiência.
Para explicar um conjunto de fenómenos, o cientista inventa conjecturas fundadas de algum
modo no saber adquirido. As suas suposições podem ser cautelosas ou ousadas, simples ou
complexas; em todo o caso, devem pôr-se a prova.
O teste das hipóteses fácticas é empírico, isto é, observacional ou experimental. Nem todas as
ciências podem experimentar; e em certas áreas da astronomia e da economia, alcança-se uma
grande exactidão sem ajuda da experimentação.
3.3. Os fundamentos científicos da pedagogia
A pedagogia sendo a ciência dessa educação crítica também precisa ser crítica ao olhar para os
fenómenos educativos, para que no momento da práxis a acção seja consciente.
Para Pimenta: “[..] a pedagogia precisa revelar de modo crítico/analítico as contradições sociais,
os momentos de alienação na práxis educacional e socialização anteriores, para daí criar as pré-
condições teoricamente conscientes para uma prática consciente dessa alienação” (1994, p. 14).
Sendo a pedagogia uma ciência prática, ela possui “a estrutura peculiar de ser uma ciência da
educação para a educação, porque a educação, enquanto seu objecto, representa uma acção do
homem sobre o homem” (Schmied-Kowarzik, 1983, p. 128-129).
Pedagogia e educação estão numa relação de interdependência recíproca; a educação depende
tanto de uma directriz pedagógica prévia quanto a pedagogia de uma práxis educacional
anterior. Por isso a pedagogia nem pode tematizar de uma maneira pura mente teórica a práxis
educacional, como um evento passível de representação, nem pode se voltar a uma intervenção
prática directa, já que ela é uma ciência da educação somente quando é simultaneamente uma
ciência para a educação, e vice-versa. Nesta medida, a instância medidora entre teoria
pedagógica e práxis educativa repousa no educador, graças ao qual ela pode, enquanto ciência
tornar-se prática na pesquisa e no ensino (Schmied-Kowarzik, 1983, p. 24).
A educação enquanto uma prática social precisa ser crítica, ou torna-se alienada. Nesta
perspectiva, a pedagogia enquanto teoria é entendida como àquela que faz a crítica da práxis na
sociedade e ao fazê-la está tomando partido em relação aos conflitos e as lutas reais da
sociedade. Cabe a pedagogia transformar esta práxis social pela própria prática.
Este olha transformador que a pedagogia deve estabelecer sobre a realidade, a dialéctica
da práxis social, é o pensamento central da teoria dialéctico materialista de Karl Marx. Neste
contexto a “educação é concebida no momento da prática social [...] é àquela prática que serve
à produção e reprodução [...] à formação dos indivíduos enquanto portadores da práxis
social.
Em acordo com Schmied-Kowarzik (1983), entendendo a pedagogia como ciência apenas
quando através da prática educativa do educador a sua teoria assume na práxis carácter
humanizador, buscou-se identificar como pedagogos estão ocupando seus espaços de
trabalho como cientistas.
A pedagogia, como já bem se apresentou neste estudo, chega na contemporaneidade por meio de
um curso que forma professores e pedagogos para actuar nas diferentes esferas onde se façam
necessários conhecimentos pedagógicos e/ou educacionais.
O termo pedagogia se aplica ao campo teórico-investigativo da educação (em conexão com as
demais ciências da educação) e a o campo técnico profissional de formação do profissional não
directamente docente e, o de “pedagogo”, ao profissional formado nesse curso. É dissolvida,
assim, a designação pedagogia para identificar o curso de formação de professores para as séries
iniciais do ensino fundamental, postulando a regulamentação do curso de Pedagogia destinado a
oferecer formação teórica, científica e técnica para interessados em aprofundamento na teoria
pedagógica, na pesquisa pedagógica e no exercício de actividades pedagógicas específicas -
planeamento de políticas educacionais, gestão do sistema de ensino e das escolas (Libâneo, 2001,
p. 14).
A pedagogia, para além da nomenclatura de um curso, e como descreve Libâneo (2008),“é um
campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao
mesmo tempo, uma directriz orientadora da acção educativa” (p. 29-30).
É a pedagogia que se ocupa da intencionalidade na acção educativa, investigando e contribuindo
para a construção da sociedade ao passo que contribui para a construção de seres humanos
sociais. Contudo, a pedagogia só é ciência por meio do próprio ser humano, do pedagogo
enquanto cientista, aquele que realiza as acções com base em seus estudos. Por este motivo é que
se faz necessário:
[...] a formação de estudiosos que se dediquem à construção do conhecimento científico na área,
uma vez que a educação também é considerada como um campo teórico investigativo e que a
produção desse conhecimento é requisito fundante de toda formação técnica e docente (Libâneo,
2001, p. 15).
Segundo Charlot: Não há sujeito de saber e não há saber senão em uma certa relação com o
mundo, que vem a ser, ao mesmo tempo e por isso mesmo, uma relação com o saber. Essa
relação com o mundo é também relação consigo mesmo e relação com os outros. Implica uma
forma de actividade e, acrescentarei, uma relação com a linguagem e uma relação com o
tempo” . (1997, p.63).
A prática pedagógica, entendida como essência do trabalho profissional dos professores, é
assim revitalizada. Torna-se prática científica e, por isso, metódica, sistemática,
hermeneuticamente elaborada e teoricamente sustentada. Uma prática pedagógica de carácter
social, portanto, socialmente elaborada e organizada conforme intencionalidades, conhecimentos.
Em suma: “A prática pedagógica é uma dimensão da prática social e pressupõe a relação teoria-
prática, e é essencialmente nosso dever, como educadores, a busca de condições necessárias à
sua realização” (Veiga, 1994, p.16)
Para tal acção, é fundamental o modo como têm se organizado os cursos de licenciatura,
privilegiando fundamentação ou prática, conforme suas crenças.
Nessa organização, a Pedagogia é fundante, enquanto ciência, pois:
O trabalho pedagógico não se reduz ao trabalho escolar e docente, embora todo trabalho docente
seja um trabalho pedagógico. Vai daí que a base comum de formação do educador deva ser
expressa num corpo de conhecimentos ligados à Pedagogia e não à docência, uma vez que a
natureza e os conteúdos da educação nos remetem primeiro a conhecimentos pedagógicos e só
depois ao ensino, como modalidade peculiar de prática educativa. [...] A base da identidade
profissional do educador é a acção pedagógica, não a acção docente. Com efeito, a Pedagogia
corresponde aos objectivos e processos do educativo.(Pimenta, 2006, p. 120).
Isso posto, acredito na possibilidade de os professores reconstituírem seu lugar social como
profissionais, inseridos em sua comunidade política e socialmente organizada, imersos em
movimentos mais ampliados, nos quais evidenciam-se políticas públicas, as quais reverberam
nas acções pedagógicas. Por isto, reflectir sobre os aspectos pedagógicos na escola, para mim,
implica tais inter-relações e tem como possibilidadede revitalizar socialmente o trabalho dos
professores, trabalho que é a produção da aula, este evento pedagógico, por excelência.
4. Conclusão
Diante das reflexões empreendidas no trabalho aferiu-se que A falta de acordo sobre o carácter
de uma ciência da educação, a Pedagogia, prende-se a dois aspectos principais: o conceito de
ciência subjacente às várias propostas e discussões e o compartilhamento do objecto com as
Ciências Sociais e com a Filosofia. Na realidade, a Pedagogia nunca chegou a se constituir em
ciência que desse conta dos problemas da educação em cada época. Historicamente esteve
sempre sob o império de uma área do saber ou, mais recentemente, de uma ou mais das
chamadas Ciências da Educação, artificialmente agrupadas, cujas formulações não-educacionais
servem mais aos campos dos quais essas disciplinas são originárias do que ao pedagógico.
Tratando-se a prática educativa de um ofício que mobiliza um repertório de saberes de
procedência variada, faz-se necessário demarcar o domínio da disciplina que, por sua natureza de
saber fronteiriço compartilha o objecto, no âmbito aplicado, com as Ciências da Educação e, no
teórico, com a Filosofia. Essa particularidade do campo e a indiscriminação, na literatura mais
tradicional, das diferentes dimensões do objecto produzem acentuadas dificuldades conceituais
que perpassam a produção teórica sobre o campo e tornam praticamente inviável a identificação
de algum progresso no âmbito dos esforços de demarcação que se tenta empreender.
5. Referências bibliográficas
Charlot, B. (1997). Da relação com o saber. Porto Alegre: Artmed.
Libâneo, J. (2002). “Ainda as perguntas: o que é pedagogia, quem é o pedagogo, o que deve ser
o curso de Pedagogia” IN: PIMENTA, S. G. (Org.) Pedagogia e pedagogos: caminhos e
perspectivas. São Paulo: Cortez.
Pimenta, S. G. (2002). “Formação dos profissionais de educação: visão crítica e perspectivas de
mudança”. IN: PIMENTA, S. G. (Org.) Pedagogia e pedagogos: caminhos e perspectivas. São
Paulo: Cortez. Pimenta, S. G. (2006). “Panorama actual da Didáctica no quadro das Ciências
daEducação: Educação, Pedagogia e Didáctica” IN: PIMENTA, S. G. (Coord.) Pedagogia,
ciência da educação 5 a ed. São Paulo: Cortez.
Schmied-Kowarzik, W. (1983). Pedagogia Dialéctica – de Aristóteles a Paulo Freire. São
Paulo: Brasiliense.
Suchodolski, B. (1977). La educación humana del hombre. Barcelona: Laia. Veiga, I. A. (1994).
A Prática Pedagógica do Professor de Didáctica. SP: Papirus Editora.
Veiga, I. A. (1995). Projecto político-pedagógico da escola. 23a ed. Campinas: Papirus.
Vieira Pinto, A. (1969). Ciência e existência. Rio de Janeiro: Paz e Terra