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Introdução ao Agronegócio EAD Unisul

O documento é um livro didático intitulado 'Introdução ao Agronegócio', elaborado por Silvio Tiago Cabral e com design instrucional de Viviani Poyer, publicado pela Universidade do Sul de Santa Catarina em 2011. O livro aborda aspectos históricos, dimensionamento, perspectivas do agronegócio, políticas agrícolas e a inserção do profissional no mercado. Inclui um sumário detalhado e referências bibliográficas.

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maiconrocha852
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Introdução ao Agronegócio EAD Unisul

O documento é um livro didático intitulado 'Introdução ao Agronegócio', elaborado por Silvio Tiago Cabral e com design instrucional de Viviani Poyer, publicado pela Universidade do Sul de Santa Catarina em 2011. O livro aborda aspectos históricos, dimensionamento, perspectivas do agronegócio, políticas agrícolas e a inserção do profissional no mercado. Inclui um sumário detalhado e referências bibliográficas.

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capa_curvas.

pdf 1 04/04/11 09:09


Universidade do Sul de Santa Catarina

Introdução ao Agronegócio
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça
UnisulVirtual
2011

int_ao_agronegocio.indb 1 05/04/11 08:24


Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina – Campus UnisulVirtual – Educação Superior a Distância
Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@[Link] | Site: [Link]/unisulvirtual

Reitor Unisul Assistente e Auxiliar de Luana Borges da Silva Gerência de Desenho Jeferson Pandolfo
Ailton Nazareno Soares Coordenação Luana Tarsila Hellmann e Desenvolvimento de Karine Augusta Zanoni
Maria de Fátima Martins (Assistente) Luíza Koing Zumblick Materiais Didáticos Marcia Luz de Oliveira
Vice-Reitor Fabiana Lange Patricio Maria José Rossetti Márcia Loch (Gerente)
Tânia Regina Goularte Waltemann Marilene de Fátima Capeleto Assuntos Jurídicos
Sebastião Salésio Heerdt Ana Denise Goularte de Souza Bruno Lucion Roso
Patricia A. Pereira de Carvalho Desenho Educacional
Chefe de Gabinete da Paulo Lisboa Cordeiro Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD) Marketing Estratégico
Coordenadores Graduação Silvana Souza da Cruz (Coord. Pós/Ext.)
Reitoria Adriano Sérgio da Cunha Paulo Mauricio Silveira Bubalo Rafael Bavaresco Bongiolo
Rosângela Mara Siegel Aline Cassol Daga
Willian Máximo Aloísio José Rodrigues Ana Cláudia Taú Portal e Comunicação
Ana Luísa Mülbert Simone Torres de Oliveira
Vanessa Pereira Santos Metzker Carmelita Schulze Catia Melissa Silveira Rodrigues
Pró-Reitora Acadêmica Ana Paula R. Pacheco Carolina Hoeller da Silva Boeing Andreia Drewes
Arthur Beck Neto Vanilda Liordina Heerdt
Miriam de Fátima Bora Rosa Eloísa Machado Seemann Luiz Felipe Buchmann Figueiredo
Bernardino José da Silva Gestão Documental Flavia Lumi Matuzawa Marcelo Barcelos
Pró-Reitor de Administração Catia Melissa S. Rodrigues Lamuniê Souza (Coord.) Gislaine Martins Rafael Pessi
Fabian Martins de Castro Charles Cesconetto Clair Maria Cardoso Isabel Zoldan da Veiga Rambo
Diva Marília Flemming Daniel Lucas de Medeiros Jaqueline de Souza Tartari Gerência de Produção
Pró-Reitor de Ensino Fabiano Ceretta Eduardo Rodrigues João Marcos de Souza Alves Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)
José Carlos da Silva Junior Guilherme Henrique Koerich Francini Ferreira Dias
Mauri Luiz Heerdt Horácio Dutra Mello Josiane Leal
Leandro Romanó Bamberg
Letícia Laurindo de Bonfim Design Visual
Itamar Pedro Bevilaqua Marília Locks Fernandes
Campus Universitário de Jairo Afonso Henkes
Lygia Pereira Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.)
Tubarão Lis Airê Fogolari Adriana Ferreira dos Santos
Janaína Baeta Neves Gerência Administrativa e Luiz Henrique Milani Queriquelli
Diretora Jardel Mendes Vieira Financeira Alex Sandro Xavier
Milene Pacheco Kindermann Marina Melhado Gomes da Silva Alice Demaria Silva
Joel Irineu Lohn Renato André Luz (Gerente) Marina Cabeda Egger Moellwald
Jorge Alexandre N. Cardoso Ana Luise Wehrle Anne Cristyne Pereira
Campus Universitário da Melina de La Barrera Ayres Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro
José Carlos N. Oliveira Anderson Zandré Prudêncio Michele Antunes Corrêa
Grande Florianópolis José Gabriel da Silva Daniel Contessa Lisboa Daiana Ferreira Cassanego
Nágila Hinckel Diogo Rafael da Silva
Diretor José Humberto D. Toledo Naiara Jeremias da Rocha Pâmella Rocha Flores da Silva
Hércules Nunes de Araújo Joseane Borges de Miranda Rafael Bourdot Back Edison Rodrigo Valim
Rafael Araújo Saldanha Frederico Trilha
Luciana Manfroi Thais Helena Bonetti Roberta de Fátima Martins
Campus Universitário Luiz G. Buchmann Figueiredo Valmir Venício Inácio Higor Ghisi Luciano
Roseli Aparecida Rocha Moterle Jordana Paula Schulka
UnisulVirtual Marciel Evangelista Catâneo Sabrina Bleicher
Maria Cristina S. Veit Gerência de Ensino, Pesquisa Marcelo Neri da Silva
Diretora Sabrina Paula Soares Scaranto Nelson Rosa
Maria da Graça Poyer e Extensão Viviane Bastos
Jucimara Roesler Mauro Faccioni Filho Oberdan Porto Leal Piantino
Moacir Heerdt (Gerente) Patrícia Fragnani de Morais
Moacir Fogaça Aracelli Araldi Acessibilidade
Nélio Herzmann Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) Multimídia
Equipe UnisulVirtual Onei Tadeu Dutra Elaboração de Projeto e Letícia Regiane Da Silva Tobal
Reconhecimento de Curso Sérgio Giron (Coord.)
Patrícia Fontanella Mariella Gloria Rodrigues Dandara Lemos Reynaldo
Diretora Adjunta Rogério Santos da Costa Diane Dal Mago
Patrícia Alberton Vanderlei Brasil Avaliação da aprendizagem Cleber Magri
Rosa Beatriz M. Pinheiro Fernando Gustav Soares Lima
Tatiana Lee Marques Francielle Arruda Rampelotte Geovania Japiassu Martins (Coord.)
Secretaria Executiva e Cerimonial Gabriella Araújo Souza Esteves
Jackson Schuelter Wiggers (Coord.) Valnei Carlos Denardin Extensão Conferência (e-OLA)
Roberto Iunskovski Jaqueline Cardozo Polla Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.)
Marcelo Fraiberg Machado Maria Cristina Veit (Coord.) Thayanny Aparecida [Link] Conceição
Tenille Catarina Rose Clér Beche Bruno Augusto Zunino
Rodrigo Nunes Lunardelli Pesquisa
Assessoria de Assuntos Sergio Sell Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC) Gerência de Logística Produção Industrial
Internacionais Mauro Faccioni Filho(Coord. Nuvem) Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente) Marcelo Bittencourt (Coord.)
Murilo Matos Mendonça Coordenadores Pós-Graduação
Aloisio Rodrigues Pós-Graduação Logísitca de Materiais Gerência Serviço de Atenção
Assessoria de Relação com Poder Bernardino José da Silva Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.) Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.)
Público e Forças Armadas Abraao do Nascimento Germano Integral ao Acadêmico
Carmen Maria Cipriani Pandini Maria Isabel Aragon (Gerente)
Adenir Siqueira Viana Daniela Ernani Monteiro Will Biblioteca Bruna Maciel
Walter Félix Cardoso Junior Salete Cecília e Souza (Coord.) Fernando Sardão da Silva André Luiz Portes
Giovani de Paula Carolina Dias Damasceno
Karla Leonora Nunes Paula Sanhudo da Silva Fylippy Margino dos Santos
Assessoria DAD - Disciplinas a Renan Felipe Cascaes Cleide Inácio Goulart Seeman
Distância Leticia Cristina Barbosa Guilherme Lentz
Marlon Eliseu Pereira Francielle Fernandes
Patrícia da Silva Meneghel (Coord.) Luiz Otávio Botelho Lento Holdrin Milet Brandão
Carlos Alberto Areias Rogério Santos da Costa Gestão Docente e Discente Pablo Varela da Silveira
Enzo de Oliveira Moreira (Coord.) Rubens Amorim Jenniffer Camargo
Cláudia Berh V. da Silva Roberto Iunskovski Juliana Cardoso da Silva
Conceição Aparecida Kindermann Thiago Coelho Soares Yslann David Melo Cordeiro
Capacitação e Assessoria ao Jonatas Collaço de Souza
Luiz Fernando Meneghel Vera Regina N. Schuhmacher Docente Avaliações Presenciais Juliana Elen Tizian
Renata Souza de A. Subtil Simone Zigunovas (Capacitação) Graciele M. Lindenmayr (Coord.) Kamilla Rosa
Gerência Administração Alessandra de Oliveira (Assessoria)
Assessoria de Inovação e Acadêmica Ana Paula de Andrade Maurício dos Santos Augusto
Qualidade de EAD Adriana Silveira Angelica Cristina Gollo Maycon de Sousa Candido
Angelita Marçal Flores (Gerente) Alexandre Wagner da Rocha
Denia Falcão de Bittencourt (Coord) Fernanda Farias Cristilaine Medeiros Monique Napoli Ribeiro
Andrea Ouriques Balbinot Elaine Cristiane Surian Daiana Cristina Bortolotti Nidia de Jesus Moraes
Carmen Maria Cipriani Pandini Secretaria de Ensino a Distância Juliana Cardoso Esmeraldino Delano Pinheiro Gomes Orivaldo Carli da Silva Junior
Iris de Sousa Barros Samara Josten Flores (Secretária de Ensino) Maria Lina Moratelli Prado Edson Martins Rosa Junior Priscilla Geovana Pagani
Giane dos Passos (Secretária Acadêmica) Fabiana Pereira Fernando Steimbach Sabrina Mari Kawano Gonçalves
Assessoria de Tecnologia Adenir Soares Júnior Fernando Oliveira Santos Scheila Cristina Martins
Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.) Tutoria e Suporte
Alessandro Alves da Silva Claudia Noemi Nascimento (Líder) Lisdeise Nunes Felipe Taize Muller
Felipe Jacson de Freitas Andréa Luci Mandira Marcelo Ramos Tatiane Crestani Trentin
Jefferson Amorin Oliveira Anderson da Silveira (Líder)
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Fabricio Botelho Espíndola Francine Cardoso da Silva Fabiano Ceretta (Gerente)
Coordenação Cursos Felipe Wronski Henrique Joice de Castro Peres Relacionamento com o Mercado
Coordenadores de UNA Gisele Terezinha Cardoso Ferreira Karla F. Wisniewski Desengrini
Indyanara Ramos Eliza Bianchini Dallanhol Locks
Diva Marília Flemming Maria Aparecida Teixeira
Marciel Evangelista Catâneo Janaina Conceição Mayara de Oliveira Bastos Relacionamento com Polos
Roberto Iunskovski Jorge Luiz Vilhar Malaquias Patrícia de Souza Amorim Presenciais
Juliana Broering Martins Schenon Souza Preto Alex Fabiano Wehrle (Coord.)

int_ao_agronegocio.indb 2 05/04/11 08:24


Silvio Tiago Cabral

Introdução ao Agronegócio
Livro didático

Design instrucional
Viviani Poyer

Palhoça
UnisulVirtual
2011

int_ao_agronegocio.indb 3 05/04/11 08:24


Copyright © UnisulVirtual 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Edição – Livro Didático


Professor Conteudista
Silvio Tiago Cabral

Design Instrucional
Viviani Poyer

Projeto Gráfico e Capa


Equipe UnisulVirtual

Diagramação
Frederico Trilha

Revisão
Amaline B. I. Mussi

338.1
C12 Cabral, Silvio Tiago
Introdução ao agronegócio : livro didático / Silvio Tiago Cabral ; design
instrucional Viviani Poyer. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011.
221 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.

1. Agroindústria. 2. Agricultura – Aspectos econômicos. I. Poyer, Viviani.


II. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

int_ao_agronegocio.indb 4 05/04/11 08:24


Sumário

Apresentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Palavras do professor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

UNIDADE 1 - Aspectos históricos e conceitos iniciais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17


UNIDADE 2 - Dimensionamento do agronegócio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
UNIDADE 3 - O agronegócio e suas perspectivas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
UNIDADE 4 - Políticas agrícolas e agrárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
UNIDADE 5 - Inserção do profissional no mercado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183

Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207


Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209
Sobre o professor conteudista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213
Respostas e comentários das atividades de autoavaliação. . . . . . . . . . . . . . 215
Biblioteca Virtual. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 221

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Apresentação

Este livro didático corresponde à disciplina Introdução ao


Agronegócio.

O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma


e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados
à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática
e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância,
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a
um aprendizado contextualizado e eficaz.

Lembre-se que sua caminhada, nesta disciplina, será


acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema
Tutorial da UnisulVirtual, por isso a “distância” fica
caracterizada somente na modalidade de ensino que você optou
para sua formação, pois na relação de aprendizagem professores
e instituição estarão sempre conectados com você.

Então, sempre que sentir necessidade entre em contato; você tem


à disposição diversas ferramentas e canais de acesso tais como:
telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem,
que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e
recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade.
Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe
atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo.

Bom estudo e sucesso!


Equipe UnisulVirtual.

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Palavras do professor

“O Brasil irá produzir uma supersafra este ano e terá novo recorde
nas exportações do agronegócio.”

Muitas vezes, notícias como esta nos fazem questionar ainda


mais o assunto.

Como conhecer esta relação? Como agir diante destas


alterações? Como ficar apto/a a manter ou aumentar a oferta
de produtos e serviços na área da agropecuária?

O estudo do Agronegócio fornece subsídio para as respostas a


estas e a outras perguntas pertinentes. Coloca você em contato
com este ramo que vai crescendo a passos largos e que mostra
ser o investimento na área dos complexos agroindustriais
uma opção altamente viável. Entretanto precisamos estar
preparados para enfrentar os desafios.

Assim, espero que você aprecie esta disciplina. Com ela, você
vai ter um gostinho do que vem por aí, neste curso!

Silvio Tiago Cabral

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Plano de estudo

O plano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da


disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o
contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.

O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva


em conta instrumentos que se articulam e se complementam,
portanto, a construção de competências se dá sobre a
articulação de metodologias e por meio das diversas formas de
ação/mediação.

São elementos desse processo:

„„ o livro didático;

„„ o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);

„„ as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de


autoavaliação);

„„ o Sistema Tutorial.

Ementa
Aspectos históricos e conceituais. Dimensionamento do
agronegócio regional, nacional e internacional. Perspectivas
para o agronegócio. Papel da agropecuária no desenvolvimento
econômico. Instrumentos de política agropecuária. Áreas de
atuação do profissional do agronegócio.

int_ao_agronegocio.indb 11 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Objetivos

Geral:
Conhecer os aspectos iniciais do agronegócio para compor os
estudos fundamentais do curso de agronegócio.

Específicos:
„„ Compreender as diferenças econômicas da agropecuária
nos períodos históricos do Brasil.

„„ Identificar a estrutura agroindustrial de uma região, de


um Estado, do país e do mundo.

„„ Conhecer as perspectivas financeiras que o agronegócio


pode proporcionar.

„„ Pesquisar as diferentes áreas do agronegócio.

„„ Identificar os principais conceitos utilizados no


agronegócio.

„„ Compreender o papel da agropecuária no


desenvolvimento econômico.

„„ Entender as estruturas dos mercados agropecuários.

„„ Desenvolver e utilizar os instrumentos da política


agropecuária.

„„ Reconhecer as necessidades e identificar as áreas de


atuação do profissional de agronegócio.

Carga Horária
A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula, 4 créditos,
incluindo o processo de avaliação.

12

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Introdução ao Agronegócio

Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta
disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos
resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de
estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento
de habilidades e competências necessárias à sua formação.

Unidades de estudo: 8

Unidade 1 – Aspectos históricos e conceitos iniciais


Nesta unidade, você terá os conceitos iniciais sobre o
Agronegócio, além de uma visão histórica do desenvolvimento
agropecuário no Brasil. Aqui, você vai entender como a
distribuição de terras no período colonial e o final na escravatura
– com a introdução de imigrantes europeus – moldou os rumos
da agropecuária no Brasil. Também será abordado o volume de
tecnologias aplicadas no último século e o papel da produção de
alimentos e energia na economia brasileira.

Unidade 2 – Dimensionamento do agronegócio


Nesta unidade, você conhecerá os métodos mais utilizados
para dimensionar o agronegócio, isto é, estabelecer seu
tamanho e proporções nos cenários nacional e regional. Esta
mensuração é útil para a definição de estratégias empresariais e
governamentais. Em se tratando de propriedades rurais, estas
diferenças podem propiciar a produção em várias escalas, desde
a agricultura familiar até a produção em grandes áreas. Mesmo
com estas características peculiares de cada região e estratos de
propriedades, você perceberá que o mercado está aberto para
todas as modalidades de agronegócio.

13

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Unidade 3 – O agronegócio e suas perspectivas


Umas das maiores preocupações das economias mundiais é a
segurança alimentar – não só políticas de combate à miséria e à
fome. Mas os países ricos, principalmente, planejam o seu futuro
alimentar e seus fornecedores. Neste capítulo, serão apresentadas
as perspectivas para o agronegócio brasileiro, estudadas por
diversos países e instituições como o Ministério da Agricultura e
Pecuária e a FAO/ONU.

Aqui, você terá, talvez, a resposta para a principal pergunta que


vem se fazendo: “Afinal de contas, qual o futuro neste ramo?”
As perspectivas do agronegócio estão interligadas com políticas
públicas, pela demanda interna e externa. Assim, conhecer estes
aspectos será a fundamentação deste capítulo.

Unidade 4 – Política agropecuária


Num país com uma área mundialmente expressiva na produção
de alimentos e grandes oportunidades em suas cadeias
produtivas, é fundamental que as políticas agrárias e agrícolas
sejam bem-definidas. Neste capítulo, você entenderá como são
as políticas agropecuárias em nosso país. Desenvolverá senso
crítico para elaborar e melhorar as atuais. Estudará o que os
profissionais do Agronegócio necessitam conhecer, para que o
setor se mantenha competitivo e consiga o respeito necessário
frente aos órgãos governamentais.

Unidade 5 – Inserção do profissional no mercado


Este capítulo é fundamental para o profissional do agronegócio.
Aqui, você entenderá que o mercado agropecuário tem
diversas áreas de atuação e, nestes segmentos, necessidades
e oportunidades. Analisando a dinâmica de mercado, onde
se encontram estas inúmeras oportunidades de atuação, você
conhecerá os setores produtivos, os sistemas de produção e as
reais possibilidades de atuação.

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Introdução ao Agronegócio

Agenda de atividades/ Cronograma

„„ Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar


periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus
estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da
realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação
com os seus colegas e tutor.

„„ Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço


a seguir as datas com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.

„„ Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas


ao desenvolvimento da disciplina.

Atividades obrigatórias

Demais atividades (registro pessoal)

15

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1
unidade 1

Aspectos históricos e conceitos


iniciais

Objetivos de aprendizagem
„„ Compreender as diferenças econômicas da
agropecuária nos períodos históricos do Brasil.
„„ Identificar os atores da expansão agrícola no final do
século XIV.
„„ Reconhecer os fatores que influenciaram a
modernização da agricultura.

Seções de estudo
Seção 1 Aspectos históricos do agronegócio

Seção 2 A transnacionalização do capital e os


complexos agroindustriais no Brasil
Seção 3 A modernização da agricultura

Seção 4 Conceitos e discussão

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Este capítulo é dedicado à análise da história do agronegócio
no Brasil e os principais conceitos relacionados ao tema. Entre
outras possibilidades, o estudo da história nos proporciona uma
visão mais ampla e segura de nosso próprio futuro. É preciso
entender os erros e os acertos de um passado que nos projetou
ao que somos hoje: um país que, até o início do século XX, é
chamado de exportador primário, e que, em 2010, é considerado
industrializado, mas apresenta o produto agrícola como o
principal item na pauta de exportações.

O estudo inicia com o descobrimento do Brasil, mas procura


analisar os ciclos da cana-de-açúcar, do ouro e do café como
fundamentos para a economia brasileira, que se industrializa,
moderniza e urbaniza sempre impulsionada pela população rural,
pela agricultura e pelo agronegócio.

A crise econômica mundial de 1929 acelera mudanças estruturais


no país, no sentido de industrializar a economia, mas quem dá
suporte a este processo e o financia é a agricultura, que, por sua
vez, já havia constituído bases de infraestrutura e encadeamentos
com um emergente setor industrial ligado à economia cafeeira.

Apesar disto, um novo modelo de produção agrícola é projetado


para o país, pensado na articulação indústria com a agricultura:
a agroindústria. Inicialmente, este modelo é lançado no mundo
no período Pós-Segunda Guerra Mundial, com o nome de
Revolução Verde. Este programa visava acabar com a fome no
mundo. Entretanto os analistas mais críticos afirmam que o
objetivo era o aproveitamento das indústrias bélicas da segunda
guerra, mecânicas e químicas principalmente, em risco de
sucateamento, adaptando-as para a agricultura.

Em 1959, instala-se a primeira fábrica de tratores no Brasil,


mas o ano de 1965 é tido como o marco para o processo de
modernização da agricultura. A criação do Serviço Nacional de
Crédito Rural, a oferta abundante de dinheiro com juros baixos,
a lei do crédito, o serviço de extensão rural e outras políticas
agrícolas transformam rapidamente o panorama do campo

18

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Introdução ao Agronegócio

brasileiro, mudando não só a base produtiva mas também as


relações socioeconômicas no cenário agrícola.

A modernização da agricultura em termos socioambientais


trouxe, inicialmente, muitos equívocos e prejuízos ao meio e a
um estrato da população rural. Ela foi “dolorosa”, porém projetou
no país um complexo agroindustrial que produz, hoje, alimentos
de qualidade para o mundo, com preços altamente competitivos.

Neste cenário, o Brasil passa a integrar o MERCOSUL em


1991, com a Argentina, Paraguai e Uruguai, formando um bloco
econômico o qual cresceu e consolidou-se. Paralelo a isto, um
fantasma assolava o país; a inflação – que, em 1994, recebe um
plano (Plano Real) especialmente para dar combate ao “monstro”.

Ainda no estudo desta unidade, você verá o conceito de


agronegócio e as relações comerciais e de produção que envolvem
os setores agropecuário, industrial, de comércio e serviços,
encadeados para produzir alimentos, têxteis, bebidas, fumo,
etc. Você verá que o estudo de cadeias produtivas é mais antigo,
entretanto. Seu objeto de estudo é muito semelhante ao conceito
atual de agribusiness, preconizado por cientistas da Universidade
de Harvard – EUA.

Os problemas brasileiros mudaram, mas sempre se percebe


um setor agrícola e, atualmente, um agronegócio forte, o
qual constitui a base econômica e suporte para a solução dos
problemas nacionais.

O ciclo do café e o ciclo do açúcar não se encerraram – como


colocam alguns analistas erroneamente. O que aconteceu é que
novas oportunidades surgiram e foram bem aproveitadas, como o
mercado de carnes, a soja, o fumo, etc., e diversificaram a pauta
de exportações, diminuindo, proporcionalmente, a expressão das
outras.

Neste contexto, iniciamos o século XXI com muitos desafios


tecnológicos, econômicos e políticos para a aceleração do motor-
Brasil: o agronegócio.

Unidade 1 19

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 1 – Aspectos históricos do agronegócio


Observa-se que, à medida que as sociedades humanas começam a
industrializar-se e a população urbana cresce, proporcionalmente,
sobre a população rural, tem-se menos pessoas produzindo na
agricultura e mais pessoas, necessariamente, apenas consumindo
alimentos nas cidades. Note-se que este consumo urbano requer
mais tecnologia para processamento, conservação, transporte e
distribuição. A consequência é que surgem novos problemas e
oportunidades, e, junto, a necessidade de legislação, novas formas
de negociações e sistemas produtivos.

A partir desta breve introdução, podemos observar que a história


do agronegócio inicia com o surgimento das primeiras cidades e
suas agroindústrias abastecedoras.

Vejamos uma primeira pergunta: onde se pode colocar


um marco inicial neste processo?

Para efeito de contextualização e revisão de nossa formação


econômica, inicia-se a abordagem com o ciclo da cana de açúcar
no Brasil. Evidentemente, trata-se de um ciclo de passagem, mas
de um passado de economia primário-exportadora que exerce
influência em nossa economia e no agronegócio até os dias atuais.

Entre os autores que estudaram nossa formação econômica,


podem ser destacados Celso Furtado e Caio Prado Júnior (1984),
pesquisadores que fundamentam a análise a seguir.

A abordagem do produto principal como arcabouço


organizacional básico da economia brasileira permite identificar
os condicionantes agrícolas, compreendendo-se a evolução do
setor agropecuário em nosso país, e a forma como este setor
se tornou fomentador da industrialização nacional e do atual
agronegócio brasileiro.

O estabelecimento dos fundamentos econômicos no Brasil não


veio a ocorrer logo após o descobrimento. A rica natureza aqui
encontrada pelos portugueses não interessou à coroa portuguesa,
dedicada a explorar ao máximo as terras por ela colonizadas.
Apenas o pau-brasil, usado na Europa para tingir tecidos,

20

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Introdução ao Agronegócio

foi monopolizado pelos dirigentes portugueses e distribuído


aos súditos, no sentido de evitar o contrabando francês. Essa
exploração, entretanto, teve como principal característica a extração
predatória, com auxílio de mão de obra indígena (em troca de
artigos de pouco valor), o que gerou pouca atividade econômica.

A mudança estabeleceu o fundamento da propriedade fundiária


em nosso país: primeiro as terras foram divididas em capitanias
hereditárias, cujos donatários eram obrigados a se responsabilizar
pela exploração econômica. Como apenas duas destas capitanias
obtiveram sucesso econômico (Pernambuco e São Vicente),
os donatários foram autorizados pelo rei lusitano a redividir
suas terras em sesmarias (latifúndios), no sentido de facilitar a
exploração agrária local, que já se baseava na produção extensiva
de cana-de-açúcar. Estes momentos são marcantes para a
formação da estrutura fundiária brasileira atual e seus problemas.

Verifica-se no Brasil, por essa época (século XVII), grande escassez


de mão de obra para trabalhar nas lavouras. Foi então que se deu
ênfase à já existente atividade escravocrata. Os escravos africanos
passaram, desde então, a compor grande parte da força de trabalho
brasileira, apesar de existirem homens livres que trabalhavam
como assalariados. Deve-se frisar que a produção de açúcar ocorria
localmente, nos engenhos, mas o refino e a distribuição do produto
(que trazia maiores lucros) eram realizados na Europa, nas mãos
dos interesses holandeses e espanhóis.

No tocante aos gastos da economia açucareira, Celso


Furtado (1984) estima que menos de 2% da venda eram
pagos em salários, 3% eram despendidos com insumos,
como animais de carga e lenha, o que veio a encadear
um processo de renda-consumo interno. O restante
desses gastos era direcionado para os mercados
exteriores, através de pagamentos de impostos, taxas e
consumo de artigos de luxo.

Outra característica da economia açucareira era o entrave às


mudanças estruturais de longo prazo. Diante das crises dos
mercados externos, a redução da produção ocorria naturalmente,
mas continuava-se utilizando a força do trabalho na produção
de bens de consumo (geralmente produtos de subsistência/
alimentos) e em melhorias na propriedade.

Unidade 1 21

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Universidade do Sul de Santa Catarina

É muito influente este momento na atual alimentação e cultura


do povo brasileiro, ou seja, inicia-se o cultivo de feijão, mandioca
para a farinha, as criações para a produção de carne, a cana de
açúcar e seus derivados, entre eles a cachaça, etc.

Em resumo, o século XVII pode ser descrito como o período


de fixação da economia nacional. Centralizava-se no Nordeste
o ponto focal das atividades econômicas brasileiras, enquanto as
demais áreas do país continuavam como regiões subsidiárias ou
com economias de subsistência. A economia açucareira, como
típica economia de enclave, levou a que, mal seu mercado de
produtos declinou, toda a região açucareira caísse em profundo
processo de estagnação.

Em substituição, outro produto entrou na pauta da economia


brasileira: a extração aurífera, ocorrida no centro-oeste brasileiro
(MG e GO), trazendo consigo, para o século XVIII, a integração
econômica regional e a divisão social do trabalho. A geração
de renda-consumo, oriunda do ciclo do ouro, permitiu um
encadeamento antes não conseguido pela economia açucareira.
Decorreu da criação de um grande mercado para produtos como
mulas, bois, produtos alimentícios, ferraduras e rodas de carro,
têxteis simples, pólvora, etc.

A política econômica lusitana sobre a região aurífera foi extorsiva:


diversos impostos foram criados, dentre os quais o mais direto
era o “quinto”, ou seja, 20% do total extraído da região das minas.
No sentido de evitar o contrabando, foram criadas as casas
de fundição oficiais, para onde era levada toda a produção. A
extração de diamantes, por sua vez, era monopólio oficial, o que
tornava Portugal um ponto coletor de impostos.

A economia do ciclo do ouro, apesar de suas características


positivas de integração regional e divisão de trabalho – onde o
escravismo não predominou –, não desenvolveu um crescimento
autossustentado, como era de se esperar. Isto ocorreu pelos
seguintes motivos:

„„ extração lusitana dos excedentes aqui produzidos, via


impostos e taxas.

„„ interferências na locação de recursos, já que as atividades


econômicas eram estritamente regulamentadas por Portugal;

22

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Introdução ao Agronegócio

„„ atraso tecnológico: os níveis de produtividade eram


baixos e as grandes invenções da revolução industrial não
foram introduzidas imediatamente no Brasil;

„„ limitação do mercado interno, já que metade da população


era formada por escravos sem renda, e esta fosse
severamente concentrada nas mãos das classes dirigentes,
dada ao consumo de artigos importados de luxo;

„„ deficiências de transporte e comunicação causados não


apenas pela grande extensão territorial, bem como, pelo
impedimento administrativo dos canais de transporte e
comunicação.

O que se pode reafirmar a respeito deste ciclo econômico é a sua


importância no estabelecimento do cenário para um produto
essencial na história econômica brasileira: o café. Isso só foi
possível graças à incipiente acumulação de capitais, sob a forma
de gado e escravos, posteriormente utilizados na produção
cafeeira, em pleno século XIX. Esse novo ciclo econômico se
distinguiu dos demais por ser capaz de trilhar o desenvolvimento
autossustentável, gerando efeito renda-consumo e uma economia
nacional integrada.

O café, tal e qual outro produto tropical, tem como características


tecnológicas e econômicas a autointensidade de mão de obra,
acentuando rendimento de escala e pouco processamento para
o consumo. Inicialmente, sua produção tomou as mesmas
características, observadas no ciclo do açúcar, como o latifúndio,
a força de trabalho escravo, grande concentração de renda,
ambiente social não igualitário, alta propensão a impostos, entre
outros fatores.

Todas estas características permitiriam que esse fosse mais


um ciclo igual aos outros na história. Isso não só ocorreu,
todavia, porque houve transferência dos fatores de produção
para a região e a formação de um arcabouço institucional para
exploração da nova fonte de riqueza. Outros fatores como a
anterior acumulação de capitais, concentração populacional na
região, desenvolvimento do centro financeiro e comercial no Rio
de Janeiro também permitiram que o novo ciclo não viesse em
caráter de continuidade relativamente aos anteriores. Trata-se de
uma cultura permanente, ao invés de anual ou temporária, e que

Unidade 1 23

int_ao_agronegocio.indb 23 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

exige, em seu início, grandes investimentos – apesar de baixar


sensivelmente os custos tão logo a produção tenha iniciado.

Tal característica possibilitou a utilização da mão de obra abaixo


da capacidade, o que induziu a uma produção itinerante na busca
por terras mais férteis, que proporcionassem maior produtividade.
A consequência foi uma parcial renovação da estrutura agrária,
que transitou de grandes propriedades para o surgimento de
pequenas e médias propriedades, o que favoreceu o encadeamento
renda-consumo.

Outra característica importante neste ciclo é que sua produção


teve baixo valor por peso unitário. Isto exigiu uma produção
eficiente para obter lucros; concomitantemente, exigiu um bom
sistema de transporte. Como consequência, impulsionou a
construção de estradas e ferrovias, principalmente por se localizar
a produção em altitudes mais elevadas, no interior do país.

A contribuição do setor cafeeiro ao desenvolvimento econômico


do país também proporcionou uma importante fonte de
encadeamentos do setor agrícola com o industrial. Um bom
exemplo ocorre com a indústria têxtil, que teve aumentada,
sobremaneira, a produção de sacas para a manipulação e
transporte. Nascem, também, no país as indústrias de máquinas
de processamento de café, ferragens e oficinas mecânicas, as
quais contribuíram para o nascente setor industrial. As análises
de Celso Furtado e de Caio Prado Jr. permitem um melhor
entendimento da formação histórica da economia brasileira.

O início do século XX é marcado por um próspero setor


primário-exportador. Os negócios prosperavam: em 1917,
nasce a Bolsa de Mercadorias de SP, e o café era o carro chefe.
A economia cafeeira experimentava seu auge em termos
de produção, área plantada e estoques em alta. Como as
variedades de café da época levavam aproximadamente cinco
anos para atingir a plena produção, a produção iria crescer
matematicamente até 1934, sem aumentos de área plantada.

Neste período, acontece a crise de 1929, e o consumo caiu


sensivelmente no mundo, reduzindo-se em 40 % nos EUA.
Como resultado da equação consumo em baixa mais produção
em alta, aliado aos comerciantes ávidos por lucro, os preços

24

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Introdução ao Agronegócio

aos produtores chegaram a cair 35 vezes – motivo este que


desestimulou um setor com uma cadeia produtiva responsável
por 40 % da economia nacional da época. Os produtores iriam
abandonar os cafezais e a economia cafeeira iria sucumbir. A
importância do setor para a economia nacional levou o governo
a tomar a iniciativa de comprar os excedentes e dar fim ao
café, queimando 80 milhões de sacas, restringindo a oferta e
promovendo uma retomada dos preços.

Albuquerque (1987, p. 191) avalia o ciclo do café da seguinte


maneira: [...] “O café foi uma grande máquina geradora de
excedente econômico que podia ser utilizado na expansão
e/ou diversificação de nossa estrutura produtiva”. Esta
estrutura refere-se a fatores internos como estradas, portos e
ferrovias, bem como a infraestrutura financeira e comercial
necessária às operações de exportação do produto. Já, quanto à
movimentação de recursos externos, avalia: “[...] não tivesse sido
o desenvolvimento do café e não teríamos tido o grande aumento
nas divisas externas que permitiram o aumento das importações
de todos os tipos de produtos, inclusive aqueles destinados à
diversificação da nossa estrutura econômica.” O autor se refere
à importação de máquinas industriais, estrutura ferroviária,
portuária e modernização das cidades.

A crise de 1929 marca profundas transformações mundiais


e, no Brasil, dá início ao processo de industrialização da
economia nacional com um modelo chamado de “substituição
de importações”. O Brasil quer deixar de ser um país primário-
exportador para tornar-se uma nação de economia diversificada e
industrializada.

Neste contexto, o período compreendido entre 1930 e 1950


é marcado por um crescimento da agricultura baseado na
expansão e diversificação do mercado interno. Entretanto um
forte fluxo migratório do meio rural para as cidades também
marca o período. Os investimentos de capitais no período foram
canalizados, principalmente, para o nascente setor industrial
brasileiro. Entre 1940 e 1950, surge um movimento internacional
de grandes corporações, conhecido como “Revolução Verde”. O
objetivo era erradicar a fome no mundo.

Unidade 1 25

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Este movimento é muito contestado no Brasil, principalmente por


correntes socioambientalistas. Mas o fato é que, no período, foram
montadas unidades de pesquisa e produção de sementes por todo
o país. Importante ressaltar que, neste período, a indústria “para a
agricultura” (máquinas e insumos) nasce e começa a se fortalecer
no Brasil, formando as bases do atual agronegócio brasileiro.

Para Jonston Mellor (1961) apud Albuquerque e Nicol (1987, p.


280), a agricultura brasileira deveria cumprir determinados papéis,
para propiciar o desenvolvimento brasileiro, ou seja:

„„ fornecer alimentos com preços constantes ou decrescentes;

„„ consumir produtos industrializados;

„„ liberar mão de obra para indústria;

„„ produzir matérias-primas para a indústria;

„„ gerar divisas através de exportações.

Se analisarmos o planejado e o resultado, veremos que a agricultura


cumpriu estes papéis, alavancando, novamente, outros setores de
nossa economia.

A década de 50 é marcada por um crescimento agrícola pautado na


expansão de área plantada e da fronteira agrícola. Este crescimento
só foi possível graças à política de desenvolvimento implementada
pelo Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, ou seja, o PND –
Plano Nacional de Desenvolvimento.

Uma das características deste plano é a abertura do capital


estrangeiro no país. Este plano impulsionou a indústria
automobilística no Brasil e a construção de estradas, fato que
permitiu a exploração de novas terras no território brasileiro,
principalmente na Região Centro-Oeste. A primeira fábrica de
tratores a instalar-se em nosso território foi a Ford, em 1959,
e constitui-se um marco histórico, pois todas as máquinas
existentes até então, 8.372 unidades, eram importadas. Neste
contexto, a Revolução Verde foi o modelo de agricultura
planejado para conciliar os interesses do setor agrícola com um
emergente setor industrial.

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Introdução ao Agronegócio

Seção 2 – A transnacionalização do capital e os


complexos agroindustriais no Brasil
O movimento da economia mundial, num processo de
autorreprodução do sistema capitalista, desenvolve enorme
complexo de relações globais no mundo contemporâneo. Tais
relações modulam o comportamento dos sistemas nacionais de
produção, dando nova configuração aos setores da economia,
caracterizando-se, deste modo, a internacionalização do capital.

A oligopolização é a base dessa internacionalização: os capitais


se concentram em grandes conglomerados que reúnem ramos
produtivos, permitindo-se, desta forma, a determinação de
preços de seus produtos. Como tais preços são distintos em cada
um dos ramos dos diferentes conglomerados, passa a ocorrer
uma desorganização do mercado, posto que o parâmetro da
competição concorrencial deixa de funcionar como mecanismo
regulador automático.

O resultado deste processo conduz à integração dos mercados


das economias industrializadas, reduzindo a relativa capacidade
reguladora dos estados nacionais e potencializando a autonomia
de ação desses conglomerados multinacionais. Na fase atual
do capitalismo, a produção e a acumulação capitalistas são
organizadas e controladas em nível internacional, o que vem a
indicar a forma global de realização do capital, mesmo quando
a maioria destas atividades estão concentradas em países
avançados. (FURTADO, 1987, p. 88).

Este sistema produtivo, articulado em escala mundial, busca


supremacia em todos os setores produtivos potenciais. Neste
contexto, situam-se os complexos agroindustriais – CAI, cujo
perfil atual procede de um longo processo de desenvolvimento
que permeou o sistema capitalista após a II Guerra Mundial, até
chegar à fase atual de transnacionalização do capital.

De uma situação em que as empresas agrícolas e agroindustriais


de capital estrangeiro se implantaram em alguns países do
terceiro mundo, como no caso do Brasil, configura-se um
longo processo, no qual o panorama agrícola se modifica,
com profundos impactos nas agriculturas dos países em

Unidade 1 27

int_ao_agronegocio.indb 27 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

desenvolvimento, e uma importante parcela do setor primário se


moderniza e internacionaliza.

O deslocamento das empresas agroindustriais e das indústrias de


máquinas e insumos para o setor agrícola ocorre em consonância
com a pecuária, tornando-se partes constitutivas de um processo
mais amplo de internacionalização da produção e do próprio
capital.

Desde fins da década de 60 e, sobretudo, na primeira metade da


década seguinte, as grandes corporações multinacionais vinculadas
ao setor agrícola tiveram maior impulso, penetrando massivamente
nos países em desenvolvimento, particularmente no Brasil.

Vários autores, entre eles Plínio Sampaio (1980), mostram que


o capital estrangeiro penetrou no Brasil, entre 1961 e 1975,
num ritmo mais acelerado nos setores vinculados à agricultura
e agroindústrias do que nos demais ramos de atividade
econômica de todo o país. Sampaio também enfatiza que, das
60 empresas estrangeiras sediadas no Brasil e vinculadas ao setor
agropecuário, 43 ingressaram no país após 1960.

Nessa época, o capital estrangeiro orientou-se preferencialmente


ao setor agroindustrial, sendo muito reduzidas as inversões
na produção agrícola. Deste modo, a expansão das inversões
das empresas transnacionais nos ramos da agropecuária, da
silvicultura e do extrativismo é recente, vindo a ocorrer pelo
estímulo estatal, via incentivos fiscais e subsídios creditícios, de
grande interesse para o capital voltado a esses ramos.

As empresas transnacionais e o grande capital em geral,


mesmo sem investir diretamente no setor agrícola, modificam e
controlam a produção agrícola, operando nas esferas industrial,
agroindustrial, mercantil e financeira. Aqui, se observa que uma
nova forma de abordagem para os estudos se faz necessária frente
à nova dinâmica.

O complexo agroindustrial do fumo é a expressão concreta desse


movimento de profunda penetração das empresas transacionais
no setor agrícola fumicultor, pois, mesmo sem possuir nenhum
campo de cultivo para produção da matéria-prima específica –
somente estações experimentais – veio a se tornar muito presente,

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Introdução ao Agronegócio

através de seus grupos e agentes, os quais articulam os interesses


que orientam a reprodução do CAI fumageiro. Segundo Muller
(1980, p. 11), neste CAI, “o capital estrangeiro pode apresentar-
se tanto alicerçado com o capital privado nacional, com o Estado,
com ambos e até mesmo sozinho.”

De qualquer forma, o papel do Estado como incentivador da


entrada de capital externo é sempre fundamental no processo.
Por serem os complexos agroindustriais no Brasil produto desse
movimento de internacionalização do capital e da produção,
a organização oligopólica influi na reestruturação de todos os
subsetores que a conformam.

No caso da agricultura, a modernização pressupõe,


fundamentalmente, uma mudança na base técnica da produção a
qual culmina na própria industrialização da agricultura. Por sua
vez, tal fato pressupõe uma nova dinâmica nesse setor, na medida
em que substitui a forma tradicionalmente utilizada na produção,
modernizando-a. Este processo de modernização, entretanto,
não ocorre de forma homogênea. No Brasil, veio a se fixar em
determinadas regiões (Sul e Sudeste) e, especificamente, em
determinadas áreas; e, nessas, só em alguns ramos produtivos.
Igualmente, a modernização agrícola não se restringe aos
empreendimentos agrícolas organizados sob a forma específica da
produção capitalista. Ao contrário, veio a tomar outras formas,
por exemplo, a agricultura familiar, que, incentivada pelo grande
capital industrial e agroindustrial, muda a base técnica de sua
forma produtiva, e, até, o próprio processo, no sentido de se
atrelar ao capital, para, sob a sua sombra, sobreviver, mesmo que
mal ou temporariamente.

Seção 3 – A modernização da agricultura


Um novo modelo se consolida no Brasil, nos anos 60 e o processo
recebe o nome de “modernização da agricultura”.

Mas, que fatos aconteceram para consolidar este modelo?

Unidade 1 29

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Quais as principais transformações?

Na sequência, as mais importantes para a sua análise.

„„ A criação do Serviço Nacional do Crédito Rural –


SNCR através da Lei do Crédito Rural em 1965 foi
fundamental. A abundância de crédito e os baixos juros
impulsionaram o financiamento de máquinas e insumos.

„„ Iniciou no país o serviço estatal de assistência técnica de


extensão rural – ATER ou EMATER.

„„ O setor de produção de máquinas e insumos para


a agricultura já estava implantado, mas necessitava
experimentar boas taxas de crescimento. Com a
implementação do crédito rural e o serviço de extensão,
este setor consolida-se.

„„ As agroindústrias ligadas a grandes empresas capitalistas


se instalam e começam a operar no Brasil.

„„ As faculdades de Ciências Agrárias, Agronomia e


Veterinária especialmente, bem como o ensino médio
para a formação de técnicos agrícolas, buscavam capacitar
os profissionais para o novo modelo de agricultura.

„„ As instituições de pesquisa no Brasil trabalharam com


foco na modernização da agricultura.

É importante ressaltar que estas transformações não ocorreram


por acaso, foram resultado de um esforço do governo mais
o capital privado. O conceito criado para expressar as
transformações ocorridas na agricultura, a “modernização
da agricultura”, expressa um novo modo de produzir, uma
mudança na base técnica de produção, mas vai um pouco além,
analisando elementos da cadeia produtiva e as transformações
socioeconômicas ocorridas no campo, ou seja:

„„ a mecanização agrícola no meio rural cresce como em


nenhum outro momento;

„„ os produtores rurais passam a utilizar adubos químicos


em substituição ao esterco, os herbicidas substituem a
enxada, os inseticidas e fungicidas passam a constituir os
métodos de controle de pragas e doenças;

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Introdução ao Agronegócio

„„ a pecuária começa a utilizar rações, fármacos e tecnologia


veterinária;

„„ as sementes geneticamente melhoradas passam a


predominar nos cultivos;

„„ empresas capitalistas surgem no meio rural brasileiro


e a contratação de mão de obra assalariada cresce no
período.

Em seu livro Questão agrária e ecologia, Francisco Graziano


Neto (1982) analisa os indicadores da modernização, senão
vejamos a tabela a seguir.

Tabela 01 - Evolução da utilização de tratores no Brasil, 1950/78

Tratores ha de lavouras/ Estabelecimentos/


Anos (número) trator Trator
1950 8 372 2 281 247
1960 61 338 468 54
1970 165 870 205 30
1975 323 113 124 15
1980 527 906 87 10
Fonte: Graziano Neto (1982).

Conforme a tabela 01, podemos observar, no período entre 1950


e 1980, o elevado crescimento da mecanização agrícola, que é
indicador de utilização de implementos como arados, grades,
semeadoras, pulverizadores, etc. O autor ainda relata que o maior
crescimento da “tratorização” – tamanho de propriedades foi
no estrato de 10 a 50 ha. Outro indicador da modernização é a
utilização de insumos químicos, como se pode ver na tabela 2.

Tabela 02 - Evolução da Utilização de Fertilizantes Químicos e de


Agrotóxicos no Brasil – 1950/78

Fertilizantes Agrotóxicos
Anos
1000 t Índice 1000 t Índice
1950 89 100 --- ---
1960 305 343 --- ---
1965 286 321 22,4 100
1970 999 1 122 39,5 176
1975 1 978 2 222 78,5 350
1978 3 100 3 483 75,2 336
Fonte: Graziano Neto (1982).

Unidade 1 31

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Analisando-se a tabela 02, pode-se verificar uma taxa anual de


crescimento de 60% ao ano para fertilizantes e, 25% ao ano,
para agrotóxicos. Este mercado cresceu tanto que, no ano da
publicação do livro citado, em 1982, o Brasil já ocupava o terceiro
lugar em vendas no mundo, abaixo dos EUA e da França.

Pode-se analisar o processo de modernização ocorrido


no Brasil, por diferentes óticas.

A primeira, como um produto derivado da Revolução Verde e


que só trouxe prejuízos sociais e ambientais ao país. A segunda,
como uma revolução tecnológica e social na cadeia produtiva
agroindustrial, que projeta a nação ao desenvolvimento. A
terceira, como um processo necessário, mas que trouxe prejuízos
ambientais e sociais que poderiam ser amenizados, contudo
trouxe avanços econômicos significativos ao Brasil os quais
podem compensar os danos causados, se tomada a direção da
sustentabilidade doravante.

Mas, de concreto, quais as principais críticas que o modelo sofre?

Veja, na sequência, os principais tópicos da análise


socioeconômica, seguida de um estudo com visão ambiental de
José Graziano Neto (1982).

a) As mudanças não foram parciais. As regiões Sul e


Sudeste se modernizaram mais que as outras. Em
números, 85% dos tratores encontravam-se nestas
regiões. Estas regiões receberam 78% do crédito rural
em 1977. O crédito rural também não foi parcial na
distribuição por estratos, pois apenas 20% dos produtores
brasileiros foram beneficiados e, destes, os 50% menores
contratos receberam apenas 5,2% do total, enquanto 1%
dos maiores contratos receberam 38,5% do crédito.

Veja na Tabela 03 a distribuição de terras no Brasil e o índice


de Gini.

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Introdução ao Agronegócio

Tabela 03 – Distribuição da posse da terra no Brasil, de acordo com os


Censos Agropecuários 1920/75

Estratos % da área correspondente


(% dos estabelecimentos) 1920 1940 1950 1960 1970 1975
50 % menores 3,8 3,6 3,2 3,1 2,9 2,5
40 % 19,7 19,7 18,5 18,9 19,4 18,5
10 % maiores 76,5 76,5 78,3 78,0 77,7 79,0
1 % maiores 41,9 43,0 44,6 44,5 43,1 44,9
GINI ---- 0,832 0,843 0,842 0,844 0,855
Fonte: Hoffmann (1979) apud Graziano Neto (1982).

Pode-se observar na tabela 03 que a concentração de terras no


Brasil aumentou com o processo de modernização da agricultura.
O índice de Gini expressa a concentração/distribuição de terras, e
seria Gini = 0 (zero), se houvesse perfeita igualdade na distribuição,
ou seja, se todos os estabelecimentos tivessem a mesma área. Se
as terras fossem de uma única propriedade, Gini = 01. Portanto o
índice de Gini brasileiro é muito alto.

b) A crise na produção de alimentos. Segundo Graziano


Neto (1982, p.63), o Brasil sempre foi um grande
exportador de alimentos, entretanto sempre foi um
fracasso na produção de alimentos para o mercado
interno. “[...] Estudos realizados pela FGV mostram
que as projeções de demanda de alimentos realizadas
em 1967 para 1980, mostram que todos os alimentos
apresentaram produção inferior, exceção feita ao milho.”

c) A dependência da agricultura. Os estudos realizados


por Graziano Neto demonstram perda de autonomia
dos produtores rurais neste processo. Alertam para o
caso das agroindústrias catarinenses que determinam
as características do produto agrícolas e os preços. Aos
agricultores ficam o trabalho, a terra e os riscos da
produção. O problema agrava-se, quando os produtores,
na compra de seus insumos, enfrentam oligopólios
capazes de impor seus preços ante as forças de mercado.

d) A miséria do trabalhador. A condição de vida da


população rural piorou drasticamente, apesar de ser
afirmado que os salários rurais se elevaram. Entretanto
os trabalhadores perderam uma série de benefícios não

Unidade 1 33

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Universidade do Sul de Santa Catarina

oficiais que possuíam anteriormente, como pequenas


porções de terra para a produção de alimentos de
subsistência e oferta de moradia.

A modernização da agricultura estudada pelas lentes de Francisco


Graziano Neto é um clássico no estudo histórico do agronegócio
brasileiro, pois o autor efetua uma leitura analítica bastante forte
do ponto de vista dos pequenos produtores rurais brasileiros –
aqueles que são chamados de agricultores familiares atualmente e
não podem ser desconsiderados no processo, pois respondem, hoje,
por 70% dos alimentos de nossa mesa. Estudos desta natureza
impulsionaram o desenvolvimento de políticas agrícolas específicas
para esse público menos favorecido com o processo.

Outro tema que o autor trabalhou muito bem em seus estudos


foi a crítica ecológica ao processo de modernização, alertando
para a necessidade de mudanças no processo, demonstrando-a
e preconizando tais mudanças. O que atualmente são práticas
reconhecidas e utilizadas na agricultura, ontem não eram sequer
percebidas pelo homem, como a erosão decorrente do plantio sem
práticas conservacionistas.

Alguns problemas relacionados ao tema agronegócio e meio


ambiente ainda são bastante evidentes, como o elevado consumo
de água na agricultura, as perdas pós-colheita, enfim.

Neste momento fazemos uma pausa e perguntamos:


Que problemas ambientais foram identificados no
processo de modernização da agricultura?

Veja quais são eles e analise-os.

a) Inadequação tecnológica. A tecnologia aqui empregada


inicialmente era desenvolvida em contextos de clima
temperado, em regiões como a Europa e países como
EUA. Como decorrência desta tecnologia inadequada,
surgem outros problemas, como a perda dos solos, que é
descrita na sequência abaixo.

34

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Introdução ao Agronegócio

b) A destruição dos solos. A aração é uma técnica


introduzida no país pelos imigrantes europeus, pois,
na Europa, devido ao clima e ao tipo de argila, é
importante que se faça o revolvimento dos solos. No
Brasil, esta técnica não é muito adequada, pois acelera a
decomposição da matéria orgânica, de difícil acumulação
em solos tropicais, e expõe os solos a processos erosivos.
Com a introdução de tratores em larga escala na
agricultura, estas perdas chegam a 144 toneladas de solo
por hectare ao ano.

c) A perda da qualidade biológica dos alimentos.

d) A poluição do meio ambiente.

e) A contaminação do homem que produz e que consome


os alimentos, etc.

Você pode estar se perguntando, ante todas as críticas


listadas acima: terá havido algo de positivo neste
processo?

Ao longo desta disciplina, serão oferecidos a você elementos


para construir a sua resposta, complexa em si mesma e que exige
muito raciocínio e acurada interpretação.

De um lado, se chegamos em 2010 com uma agricultura


dinâmica e um dos agronegócios mais tecnificados e competitivos
do mundo, é que algo deve ter acontecido, a dita “modernização
dolorosa”, como foi denominada esta grande transformação.

De outro, não devemos esquecer as lições de um passado sem


ou com poucas preocupações sociais e ambientais, o qual gerou
prejuízos incalculáveis.

A próxima pergunta é: e quando termina o processo de


modernização da agricultura?

Pode-se dizer que termina nos anos 80, com a estabilização do


crescimento dos indicadores de modernização anteriormente

Unidade 1 35

int_ao_agronegocio.indb 35 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

expostos. Mas, se considerarmos a transgenia, as nanotecnologias


e a agricultura de precisão como elementos desta dinâmica, pode-
se dizer que estamos em pleno processo de modernização.

A década de 80 não trouxe grandes inovações à agricultura, além


dos reflexos da modernização sobre a produção. Entretanto,
por ser considerada pelos economistas como “a década perdida”,
por seu baixo crescimento econômico no período, – a economia
cresceu modestos 2,5% ao ano –, esta década no mínimo motiva
o país para uma série de mudanças políticas, econômicas e
sociais, que viriam a ser implementadas no final da década e
início dos anos 90.

Para encerrarmos esta unidade sobre o histórico do agronegócio


no Brasil, cabe ressaltar os dois últimos acontecimentos mais
expressivos de nossa história contemporânea e que terão tratamento
mais detalhado na sequência: o MERCOSUL e o Plano Real.

MERCOSUL
O MERCOSUL, também conhecido inicialmente como
Tratado de Assunção, por ter sido assinado na capital paraguaia
em 1991, regulamentou o acordo de cooperação entre os quatro
países membros, ou seja, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai.

O acordo inicial deixaria livres de tarifas aduaneiras 95% dos


produtos comercializados entre os países. Os 5% restantes seriam
regulamentados até o ano 2000.

O acordo é muito mais que redução de tarifas, se estende à


pesquisa, transportes, competitividade, enfim. Visa somar e
organizar forças historicamente desarticuladas.

Quanto ao agronegócio brasileiro, este, de forma geral, cresceu


muito, impulsionado pelo MERCOSUL, principalmente o setor
exportador de carnes de aves e suínos, que importa milho e soja
destes países, faz a ração e converte em carne.

36

int_ao_agronegocio.indb 36 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Plano Real
O Plano Real iniciou em 1994, com o objetivo de estabilizar a
moeda e a economia brasileira, vítimas de uma inflação que, em
seu auge, chegou à casa dos 80% ao mês. O plano, inicialmente,
equiparou a moeda brasileira ao dólar americano. E, com moeda
forte, a economia ficou propensa a importações, possibilitando
um número de avanços em alguns setores através de tecnologia
importada. Por outro lado, nossas exportações tradicionais se
reduziram drasticamente, levando muitos segmentos à falência.
Como consequência, a balança comercial vai-se tornando
deficitária até que, em janeiro de 1999, a moeda sofre uma
desvalorização, resultando no equilíbrio e consequente superávit
na balança comercial, nos anos seguintes.

Seção 4 – Conceitos e discussão


Existem diferentes maneiras de as sociedades humanas se
organizarem para produzir e distribuir seus produtos e/ou
alimentos.

Com a evolução das ciências econômicas, diferentes formas de


análise deste processo foram desenvolvendo-se para dar suporte
a ele. Isto acontece porque a alimentação é fundamental para a
manutenção da vida, portanto, em qualquer família, agrupamento
ou sociedade humana, as tecnologias e ciências relacionadas ao
consumo de alimentos sempre foram de vital importância.

Entretanto as análises nos mostram que o consumo de alimentos


pelas sociedades está associado também a fatores religiosos,
sociológicos, psicológicos e antropológicos. A alimentação é um
dos elementos da identidade cultural de uma população e figura
chave na identificação de seu estágio de desenvolvimento.

A definição de origem, de termos e de conceituações anteriores


aos que vigoram atualmente neste contexto é essencial para
que se possa analisar a trajetória do agronegócio. Ao definir os

Unidade 1 37

int_ao_agronegocio.indb 37 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

movimentos impulsionadores e fluxos do tema agronegócio,


será possível conhecer qual construção de planejamento e
quais negócios resultarão da abordagem, isto é, o tipo de
encaminhamento do tema resultará em mudança do foco do
estudo. Isto se deve porque não existe uma abordagem única e/ou
definitiva, e sim aspectos do agronegócio a serem entendidos na
sua extensão e utilização.

Uma visão esquemática de um sistema de agricultura integrada a


agroindústrias pode ser vista na figura a seguir:

Macrossegmento rural Macrossegmento industrial Macrossegmento comercial

Empresas de Empresas de Empresas


Empresas
primeira segunda atacadistas e
rurais
transformação transformação varejistas

Figura 01 - Sistema agroindustrial, Subsistemas e fluxos de suprimentos


Fonte: Batalha (2005, p.16).

O termo “agronegócio” traduz-se da locução inglesa agribusiness,


que foi lançada pelos autores Davis e Goldberg, pesquisadores
da Universidade estadunidense de Harvard. Entretanto o objeto
de estudo é bem mais antigo e referido por outros autores com
diferentes termos. Ao iniciar uma observação mais detalhada
destes, logicamente, percebem-se diferenças conceituais e de
enfoques entre eles, tais como:

a) a escola francesa que chama de analyse de filières a


análise da cadeia produtiva, focando fornecimento de
insumos e a produção;

b) no Brasil, anteriormente à expressão agronegócio, o


tema era denominado com frequência como Sistema
Agroindustrial, utilizando a sigla SAI para a produção
em si até a possível industrialização; e

38

int_ao_agronegocio.indb 38 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

c) com maior ênfase nas operações comerciais e as


agroindústrias classifica-se de CAIS – Complexos
Agroindustriais.

Contudo todos possuem uma abordagem das operações que


envolvem o setor agropecuário para a produção e transformação
destes produtos até chegarem ao consumidor final. Mais
especificamente, por exemplo, o SAI pode ser conceituado como:

Conjunto de atividades que concorrem para a elaboração


de produtos agroindustriais desde a produção de insumos
(sementes, adubos, máquinas agrícolas, etc.) até a
chegada do produto final (queijo, biscoito, massas, etc.) ao
consumidor. (BATALHA, 1997, p. 30).

Trata-se do estudo da cadeia produtiva, ou seja, da produção da


propriedade rural, com todos os recursos, como gado ou mudas
de plantas, passando pelas prateleiras varejistas, até as relações
de consumo do produto final, como uma picanha, um pedaço de
queijo, um maço de rúcula. Ou, da produção industrial, passando
por diversos setores econômicos, até um produto final, como
vinhos, couros e cigarros.

Na sequência, Batalha (1997, p.30) afirma que o SAI é composto


dos seis seguintes elementos interligados:

a) agricultura, pecuária e pesca;

b) indústrias agroalimentares;

c) distribuição agrícola e alimentar;

d) comércio internacional;

e) consumidor; e

f) serviço de apoio.

Unidade 1 39

int_ao_agronegocio.indb 39 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

consumidor

Distribuição
Indústrias agricultura,
agrícola e
agroalimentares pecuária e pesca
alimentar

Comércio
internacional

Figura 02 - Representação de um sistema agroindustrial


Fonte: Elaboração do Autor, 2011.

Observa-se que a análise dos SAIs é muito próxima do objeto de


estudo da Universidade de Harvard, a qual conceitua agribusiness
como sendo “a soma total das operações de produção e distribuição
de suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades
agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição destes
produtos e itens produzidos a partir deles.” Observa-se uma forte
ênfase aos aspectos relacionados à produção.

A outra corrente de estudos chamada de analyse de filière, cujos


estudos confundem-se com os da escola americana, são descritos
didaticamente, comparando-se a cadeia produtiva a uma barragem.
À parte superior da barragem onde acumula água, formando um
lago, chamamos de montante. Ao centro, encontra-se a barragem,
ou taipa, e, nela, a turbina que gera a energia. Abaixo da barragem
está o canal de condução e distribuição da água e as redes de
distribuição desta energia gerada.

40

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Introdução ao Agronegócio

Barragem
Agricultura

Agroindústrias
Lago a montante
indústria para a agricultura a jusante

Figura 03 - Barragem/Agricultura
Fonte: Elaboração do Autor, 2011

A comparação é realizada definindo-se a parte a montante como


sendo a indústria para a agricultura, ou seja, todo o segmento de
produção de insumos, mão de obra especializada, empresas de
pesquisa, assistência técnica e outras que dão suporte a estas, como
transportes e crédito, por exemplo. Podem-se citar algumas empresas
do setor a montante, senão vejamos:

a) de máquinas: New Holland, Ford, Massey Ferguson, Valtra,


Agrale, Yanmar, John Deere, Green Horse, etc.;

b) de adubos : Bunge (Serrana, IAP), Trevo, etc.;

c) de agrotóxicos ou defensivos agrícolas: Monsanto, Du Pont,


Basf, Syngenta, Milenia, Bayer, etc.;

d) de sementes: Cargill, Agroceres, Monsanto, etc.;

e) de pesquisa: EMBRAPA, EPAGRI, IAPAR, IAC,


IRGA e a maioria das empresas anteriormente citadas
investem em pesquisa.

Ao centro desta figura, a barragem representa a agricultura


propriamente dita. Ela é o motor, ou melhor, a turbina deste
processo, a figura chave, entretanto é dependente dos demais
para produzir e distribuir seus produtos. Recebe os insumos do
setor a montante e os transforma em produto agrícola, o qual, em

Unidade 1 41

int_ao_agronegocio.indb 41 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

seguida, é enviado ao setor a jusante, chamado de agroindustrial


e/ou varejista. No Brasil, o setor agrícola em sua maioria
opera integrado, formalmente ou informalmente, às indústrias
processadoras de alimentos e supermercados.

A jusante, encontramos as agroindústrias e/ou comércio varejista,


que são altamente especializadas, tecnificadas e exigentes na
qualidade de suas matérias-primas agrícolas. Neste segmento,
predominam grandes indústrias, as quais também investem em
pesquisas e são altamente sensíveis aos anseios do consumidor. Sabe-
se que, atualmente, no Brasil, 85% dos alimentos consumidos são
comercializados em supermercados. Em suas prateleiras e gôndolas,
pode-se observar o alto grau de processamento que estas mercadorias
sofrem e o cuidado com o nível de apresentação. Como exemplo, as
empresas Sadia e Perdigão (Brasil Foods), Bunge alimentos, Isabela,
Garoto, Vinícola Miolo, Cooperativa Vinícola Aurora, etc.

Se analisarmos as relações que se estabelecem no agronegócio,


podemos observar os seguintes aspectos, conforme a figura abaixo:

Indústrias de insumo: Indústrias de apoio:


máquinas, equipamentos e transporte, combustível,
fertilizantes embalagens, química

instituições de
Setor primário pesquisa e
financiamento

Intermediários

Processamento e armazenagem

Indústrias alimentares Indústrias não alimentares

Varejo Atacado

Consumidor final

Figura 04 - Fluxograma das relações que se estabelecem no agronegócio


Fonte: Arbage (2006, p.186).

42

int_ao_agronegocio.indb 42 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Outro conceito bastante utilizado atualmente é o de Araújo


(1990). Conheça-o:

[...] desponta o fato de que a visão moderna que se deve


ter da agricultura ultrapassa o enfoque eminentemente
de produção prevalecente no passado, que se limitava
às fronteiras internas da unidade produtiva rural.
Administradores públicos e privados precisam agora ter
em mente o conceito do agribusiness, por incorporar
a visão interativa das cadeias de alimentos, fibras e
biomassas, que é mais adequada para o entendimento
da complexidade do mundo econômico [...]. Dentro do
enfoque do agribusiness, é necessário entender o processo
sistêmico de adição de valor na cadeia produtiva que
une as atividades a montante e a jusante das fazendas. (
ARAÚJO, 1990. p. 20).

A visão sistêmica em sistemas agroindustriais descrita no parágrafo


anterior por Araújo pressupõe uma participação organizada,
coordenada e coletiva dos agentes (pessoas) que operam neste
processo, ou seja, produtores rurais e seus representantes de
organizações (associações e cooperativas). Os empresários
agroindustriais e distribuidores. E, em outra esfera, as organizações
auxiliares deste processo e seus representantes, tais como: Bancos,
empresas de transporte, empresas de estocagem, etc.

Segundo Staatz (1997, apud BATALHA, 2005), o enfoque


sistêmico da produção é norteado por cinco conceitos-chave:

1. verticalidade: significa que características de um elo da


cadeia produtiva influenciam os outros elos;

2. orientação pela demanda: a ideia aqui é que a demanda


gera informações as quais determinam os fluxos de
produtos e serviços por toda a cadeia produtiva;

3. coordenação dentro da cadeia: as relações verticais


dentro das cadeias de suprimento e comercialização,
incluindo o estudo das formas alternativas de
coordenação (contratos, mercado spot, etc.), são
de fundamental importância para a dinâmica de
funcionamento das cadeias;

4. competição entre sistemas: um sistema pode envolver


mais de um canal de comercialização (exportação e
mercado doméstico, por exemplo), restando a análise

Unidade 1 43

int_ao_agronegocio.indb 43 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

sistêmica tentar entender a competição entre os canais


e examinar como alguns deles podem ser criados ou
modificados para melhorar o desempenho econômico dos
agentes envolvidos;

5. alavancagem: a análise sistêmica busca identificar


pontos chave na sequência produção-consumo, cujas
ações podem melhorar a eficiência de grande número de
participantes de uma só vez.

Ao estudar o agribusiness americano, constata-se que o


processamento e distribuição são os setores que mais crescem com o
desenvolvimento econômico e urbanização das sociedades. Apesar
de o setor de insumos e o da agricultura continuarem a crescer,
entretanto, proporcionalmente, em termos de valor econômico, ficam
menores, pois as agroindústrias agregam muito mais valor ao produto.
Período % do valor adicionado
1910
Insumos 11
Agricultura 54
Processamento e distribuição 35
1947
Insumos 20
Agricultura 26
Processamento e distribuição 54
1954
Insumos 21
Agricultura 17
Processamento e distribuição 62
1990
Insumos 13
Agricultura 8
Processamento e distribuição 79
Tabela 01 - Composição dos setores formadores do agribusiness americano em termo de valor agregado
Fonte: Arbage (2006, p.186).

Através desta discussão conceitual, começamos a entender o


estudo do agronegócio, sua dimensão, ciclo, importância e
problemas enfrentados.

Vistos estes aspectos, surgem perguntas-chave no entendimento


do conceito:

44

int_ao_agronegocio.indb 44 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

„„ Como são realizados os negócios?


„„ Os produtores rurais são pequenos, médios ou grandes?
„„ Quem são estas empresas em suas diferentes esferas e
seus portes?
„„ São privadas, cooperativas ou estatais?
„„ As operações de compra e venda são realizadas à vista ou
em contratos futuros?
Existe uma diferença sensível na cadeia produtiva da agricultura,
se compararmos com outros segmentos da economia, tanto em
termos de produção, armazenamento, transporte, riscos, etc. Isto
implica que o modo como os negócios e os estudos são realizados
também diferem entre si.

Os princípios econômicos e administrativos que regem a


agricultura são os mesmos para os demais setores da economia,
como a Lei da Oferta e da Procura, por exemplo.

Entretanto o setor agropecuário apresenta algumas características


muito particulares, senão vejamos:
„„ a terra, tida como fator de produção, em que são
consideradas as características físicas, químicas e
biológicas do solo.

„„ as estações do ano, fundamentais ao estabelecimento do


calendário de operações da empresa agrícola.

„„ os riscos biológicos, climáticos e econômicos, que


aumentam os custos neste setor, por serem maiores.

„„ a variabilidade da produção ao longo dos anos,


tanto qualitativa como quantitativa, que dificulta a
padronização dos produtos.

Existem outras particularidades deste setor, como a produção


associada, a atomização da produção, a sazonalidade, enfim,
todas indicando a necessidade de políticas específicas, tanto nas
empresas quanto nos governos.

Deste modo, ao longo da história, na medida em que foram


surgindo os problemas resultantes do fato de se produzirem e

Unidade 1 45

int_ao_agronegocio.indb 45 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

comercializarem os produtos, as ciências foram nascendo para dar


suporte a este processo.

É o caso da agronomia, que nasce com ênfase maior à legislação


(agro + nomus), ou seja, a normatização da terra, a legislação
decorrente do fato de se produzirem e comercializarem
alimentos. Nasce a Economia Rural e, como subdivisão deste
ramo, a Administração Rural que busca responder a questões
específicas deste setor, como:

„„ O que produzir?
„„ Como e quanto produzir?
„„ E para quem produzir?
Outros cursos e ramos da ciência nascem com estas necessidades,
como a Medicina Veterinária, Zootecnia, Enologia e Engenharia
de Alimentos. Outras áreas das ciências também se ramificaram,
como o Direito e o Direito Agrário, a Química, os Agroquímicos
e a Química dos Alimentos, etc.

Se as dúvidas estão ficando maiores que as respostas é porque


estamos começando a entender o universo de estudo e pesquisa
do agronegócio. Pois muito temos a estudar e pesquisar neste
negócio que é o maior do Brasil.

46

int_ao_agronegocio.indb 46 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Síntese

A história econômica do Brasil se confunde com a própria história


da agricultura e, num segundo momento, com o agronegócio.
Analisando-se a formação de nossas bases produtivas, percebe-
se a vocação do território brasileiro para a produção de produtos
agropecuários, constituindo, num primeiro momento, uma economia
primário-exportadora, notabilizando-se pelos ciclos da cana de
açúcar e do café. A economia cafeeira, por suas características
tecnológicas de produção, processamento e transporte, exige a criação
de infraestrutura no país a qual, aliada a mudanças políticas e legais
como a independência, a república e a abolição da escravatura, cria,
por sua vez, as condições para uma nova etapa de desenvolvimento,
mesmo sem ou com pouco planejamento.

A crise econômica de 1929 marca transformações na economia mundial


e, especialmente no Brasil, que, por forças da crise internacional e
interna, inicia seu projeto de industrialização nacional. O “modelo de
substituição de importações”. Contudo, quem irá fornecer os fatores de
produção ao novo modelo é a agricultura, que, agora, necessariamente,
terá de encadear-se com o setor industrial para formar os complexos
agroindustriais, ou, modernamente, o agronegócio.

Entretanto a transição de uma agricultura menos industrializada para


um modelo consumidor de insumos químicos e máquinas, visando
aumentar a produtividade e qualidade do produto agrícola, a chamada
modernização da agricultura, gera impactos ambientais e sociais que,
segundo análise de Graziano Neto, determinam mais retrocesso que
modernização inicialmente. Este inicialmente foi o tempo do autor, pois
o agronegócio brasileiro segue crescendo, evoluindo e corrigindo suas
falhas ora muito bem levantas pelos críticos.

Consolida-se o agronegócio brasileiro, cuja definição pode ser


entendida como o estudo das relações comerciais e de produção do
encadeamento formado pelos setores primário, secundário e terciário
(e, assim, também chamado o estudo das cadeias produtivas). A
dinâmica de produção ligada às transformações globais, como o
surgimento dos blocos econômicos, o processo de globalização, exige
novos conhecimentos para o agronegócio, bem como profissionais bem-
preparados para este que foi e é o maior negócio da economia brasileira.

Unidade 1 47

int_ao_agronegocio.indb 47 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação
Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O
gabarito está disponível no final do livro-didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.

1) Os ciclos da cana-de-açúcar e do ouro pouco acrescentaram à economia


brasileira. Entretanto a economia cafeeira se distingue das demais. Que
características teve este ciclo que gerou um efeito renda-consumo na
economia brasileira? Identifique pelo menos duas características.

2) Quais são os papéis que a agricultura é chamada a exercer no processo


de industrialização brasileira? Estes papéis foram cumpridos?

48

int_ao_agronegocio.indb 48 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

3) A modernização da agricultura nacional é marcada por transformações


na base técnica de produção e mudanças socioeconômicas. Descreva
algumas dessas alterações.

4) Com base na discussão sobre o conceito de agronegócio, construa uma


definição com exemplos.

Unidade 1 49

int_ao_agronegocio.indb 49 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Saiba mais

Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade,


consultando as seguintes referências:
ARAUJO, N. B; WEDEKIN, I; PINAZZA, L. A. Complexo
Agroindustrial - o “Agribusiness Brasileiro”, Agroceres, São
Paulo, 1990.
BATALHA, Mário Otávio. Gestão do agronegócio. São
Carlos: EdUFSCAR, 2005.
FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. São Paulo:
Ed. Nacional, 1984.
GRAZIANO NETO, Francisco. Questão agrária e ecologia:
crítica da moderna agricultura. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.
PRADO JÚNIOR, C. Formação econômica do Brasil. São
Paulo: Brasiliense, 1987.
Assista ao vídeo “A natureza como limite da economia”.
Disponível em: <[Link]
Script/index_NN.htm>.
Leia o artigo de Pedro Ramos, Propriedade, estrutura
fundiária e desenvolvimento rural. Disponível em: <http://
[Link]/revista/coletaneas/agricultura/[Link] ou
[Link] >.

50

int_ao_agronegocio.indb 50 05/04/11 08:24


2
unidade 2

Dimensionamento do
agronegócio

Objetivos de aprendizagem
„„ Conhecer um modelo matemático de dimensionamento
do agronegócio brasileiro.
„„ Compreender as proporções do agronegócio em nível
regional.
„„ Identificar os componentes do conceito de agronegócio
relacionando com as variáveis apresentadas na equação
que será desenvolvida.

Seções de estudo
Seção 1 Um modelo matemático do dimensionamento
do agronegócio
Seção 2 As dimensões do agronegócio

Seção 3 O agronegócio no Brasil

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Na ocasião do descobrimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha,
ao escrever ao rei de Portugal sua famosa carta, relatou que:
“Aqui em se plantando tudo dá”. Esta afirmação de Caminha se
refletiu no desenvolvimento da atividade agrícola voltada para a
Hevea – Planta da qual se extrai exportação, desde os primeiros tempos do Brasil colônia como,
o látex, utilizada na produção da
por exemplo, o desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar, do
borracha.
cacau, do algodão, do café, da Hevea, da soja, entre outras que
também foram relevantes para a economia deste país. O setor
agrícola prosperou tanto que não apenas impulsionou o nosso
desenvolvimento, como também fez despontar o potencial do
Brasil no setor agrícola e do agronegócio.

A partir desta constatação histórica, algumas questões podem


ser aqui levantadas, como, por exemplo: em que dimensões
se apresentam nos dias de hoje os setores do agronegócio
nacional e internacional? Em que proporção este comércio
está crescendo? Em quais países estes setores apresentam um
maior índice de desenvolvimento? Todas estas perguntas estarão
sendo respondidas ao longo desta seção, que se inicia com a
apresentação de um modelo matemático de dimensionamento do
agronegócio, permitindo constatar a importância dos conceitos
vistos na seção 1.

Na primeira unidade deste livro, estudamos que o conceito


de agronegócio é constituído pelas empresas e profissionais
autônomos que fornecem produtos e serviços para a agricultura
e pecuária; e pela agropecuária propriamente dita e as
agroindústrias, as quais processam o produto primário, que,
em seguida, é distribuído. Os estudos de Guilhoto e Parré
(2001, p.06) da FGV mostram uma metodologia de cálculo do
agronegócio no subcapítulo 2.1, demonstrando a participação
regional no montante do agronegócio brasileiro.

Na segunda parte desta unidade, estudaremos o agronegócio


mundial, bem como a inserção brasileira no contexto
internacional. Com base em estudos do MAPA, principalmente,
constatamos um acelerado crescimento dos países em
desenvolvimento, especialmente os asiáticos.

52

int_ao_agronegocio.indb 52 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Mas, e o Brasil, ele tem conseguido se inserir nesta


nova dinâmica de crescimento mundial? “O celeiro
do mundo” ou “a fazenda do mundo” está crescendo
nesta direção tão almejada?

Na seção 1 desta unidade, você terá uma noção bastante precisa destas
afirmações. A seção 2 trata principalmente do potencial de expansão
da agricultura com base na quantidade de terras agricultáveis
disponíveis no país, ou seja, plantar sem desmatar, a partir da
necessidade de um crescimento continuado. Para realizarmos novos
negócios no contexto mundial, precisamos de mais terras, capital,
tecnologia, trabalho qualificado e informação.

Observamos também que a tecnologia tem sido uma marca no


crescimento da agricultura brasileira no contexto internacional,
contrariando muitas informações errôneas de que nosso crescimento
agropecuário é baseado somente em expansão da fronteira agrícola
e, consequentemente, desmatamentos e destruição da fauna e flora.
Podemos perceber, também, que, embora possuindo 100 milhões de
hectares para a expansão da nossa agricultura, atualmente ocupamos
apenas 46,7 milhões de hectares.

Após a leitura desta unidade, iremos fazer algumas reflexões


sobre as dimensões do agronegócio brasileiro e poderemos chegar
a algumas conclusões a respeito de afirmações e perguntas
da atualidade, tais como: a crise mundial de alimentos é
consequência do crescimento dos biocombustíveis no mundo? É
possível erradicar a fome no mundo? O Brasil tem capacidade de
reação às demandas mundiais do agronegócio?

Seção 1 - Um modelo matemático do


dimensionamento do agronegócio
Frequentemente, lemos ou escutamos que “o Brasil é o celeiro
do mundo”, ou que tem potencial para isto. Nesta unidade,
discutiremos o volume e/ou a dimensão do agronegócio
brasileiro. Inicialmente, um modelo de cálculo, e, a seguir, os

Unidade 2 53

int_ao_agronegocio.indb 53 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

dados pesquisados e apresentados por instituições sérias do


agronegócio nacional e internacional, como: MAPA, FGV,
CONAB, FAO entre outras. Deste modo, poderemos tirar
MAPA – Ministério da Agricultura,
Pecuária e Armazenamento. nossas próprias conclusões a respeito da situação e do potencial
FGV – Fundação Getúlio Vargas. de crescimento do setor agrícola brasileiro frente ao mundo. O
CONAB – Companhia Nacional de mapa a seguir oferece uma noção das proporções do território
Abastecimento. FAO – Food and brasileiro e compara o tamanho da Amazônia com alguns países.
Agriculture Organization – ou
Organização das Nações Unidas para O mapa a seguir oferece uma noção das proporções do território
Agricultura e Alimentação. ONU –
brasileiro e compara o tamanho da Amazônia com alguns
Organização das Nações Unidas.
países do mundo.
Liechtenstein 160,4
Belgium 30.528
Switzerland 41.290
Netherlends 41.526
Denmark 43.094
Ireland 70.273
Áustria 83.859
Portugal 92.391
Hungary 93.030
Iceland 103.125
England 130.395
Greece 131.940
Great Britain 244.820
Italy 301.230
Finland 338.145
Germany 357.050
Norway 386.000
Sweden 449.964
Spain 504.782
France 547.028
Total 3.990.470

Figura 01 – Território brasileiro e comparação com outros países


Fonte: Palestra com Derli Dossa – AGE/MAPA (2008).

Bioma – A etiologia da palavra


significa bios = vida, e oma =
Ao fazer uma leitura do mapa apresentado anteriormente,
grupo ou massa. Contudo podemos podemos perceber que o pesquisador somou a área de 20 países
defini-la como uma área geográfica europeus, entre eles a Itália, Espanha, França, Alemanha e que
que apresenta ecossistemas muito estas totalizaram 3.990. 470 km², enquanto que a Amazônia,
semelhantes, tais como: vegetação, um pouco menos que a metade do território brasileiro, ocupa
clima, espécies animais, meio
uma área de 4.196. 943 km². As cores do mapa mostram os
abiótico etc
biomas brasileiros, ou seja: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica,
Caatinga, Pantanal e Pampa.

Segundo o dicionário eletrônico Informal, “dimensionar é um


verbo transitivo direto e significa calcular ou preestabelecer as
<[Link]>
Acesso em: 20 set. 2010 .
dimensões ou proporções de algo.” Portanto, nesta unidade, serão

54

int_ao_agronegocio.indb 54 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

estudadas as proporções, o tamanho do agronegócio brasileiro,


bem como métodos que possibilitem estes estudos.

Você sabe o que significa a sigla PIB?

A maneira clássica de se mensurar um fenômeno econômico é o


tamanho de seu Produto Interno Bruto – PIB. Nesta unidade,
o conceito de PIB vai ser muito útil, pois se utilizará o termo
amplamente, como referência para o dimensionamento do
agronegócio.

Segundo a ONU, a agricultura no Brasil é vista, hoje, como o


embrião que pode transformar o país e levá-lo a uma condição
de desenvolvimento e incontestável respeito no mercado
internacional, ocupando posição de destaque e desempenhando
o forte papel que lhe cabe na economia mundial. As projeções
apontam o setor nacional como o maior produtor de alimentos e
energia renovável do mundo em 2012.

Mas como poderemos constatar e analisar estas


afirmações feitas sobre o agronegócio brasileiro?

Existem diferentes metodologias para o dimensionamento do


agronegócio. Um modelo muito acessível, preciso e de coerência
didática é descrito por Guilhoto e Parré (2001, p. 06). Para
estes autores que estudam a econometria do agronegócio, o
dimensionamento pode ser percebido a partir de alguns aspectos.

Inicialmente, deve-se considerar que a estrutura do agronegócio


está dividida em três partes:

a) uma parte, a qual precede a produção rural, que engloba


o conjunto de setores fornecedores de insumos e fatores
de produção para as propriedades rurais, denominado
Agregado I ou Montante do Agronegócio ou, ainda,
Indústria para a Agricultura;

b) o setor de produção rural ou setor agropecuário,


denominado Agregado II;

Unidade 2 55

int_ao_agronegocio.indb 55 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

c) os setores que retêm a produção agropecuária para


agregar valor através do armazenamento, processamento
e distribuição ao consumidor final, chamado Jusante
Agregado III ou Jusante do Agronegócio.

Logo: Agronegócio = Agregado I + Agregado II +


Agregado III

Conforme o conceito de agronegócio visto na unidade 1, o modelo


acima apresenta a relação matemática do conceito. Ou, assimilando
melhor: Agronegócio = Montante + Agropecuária + Jusante.

E os autores Guilhoto e Parré (2001, p. 08) seguem definindo o


cálculo para as regiões em apreço, como:

Agregado I = Z1 + Z21 + ... + Z17,1 + mR1 + mL1 + mM1 + mN1 + mP1

Onde:

Z1 a Z17,1 = representam os insumos consumidos pelo


setor agropecuário, originados na região em estudo;

m1k com k = R, L, M, N, P representam as importações


de insumos feitas pelo setor agropecuário ao exterior (R)
e às demais regiões do país (L, M, N, P).

Desta forma, os autores calcularam o valor e a proporção do


Agregado I por regiões do Brasil, conforme o gráfico a seguir:

56

int_ao_agronegocio.indb 56 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Figura 02 - Participação das regiões no valor total do agregado I (montante) do agronegócio


brasileiro (%)
Fonte: Revista Brasileira de Economia (2001, p. 18).

Conforme pode-se observar no gráfico anterior, a região Centro-


Oeste apresentou o maior crescimento proporcional, saltando sua
participação de 10,3 % para 16,7 % em 10 anos.

Para o cálculo do Agregado II, Guilhoto e Parré (2001 p. 11)


definem:

Agregado II = VA1 - T1

Onde:

VA1 = representa o valor adicionado a preços de mercado,


gerado pelo setor agropecuário;

T1 = representa o valor dos impostos líquidos sobre


atividade (impostos sobre atividade menos subsídios
sobre atividade).

Conforme o gráfico a seguir, pode-se constatar a participação das


regiões nacionais no Agregado II do agronegócio.

Unidade 2 57

int_ao_agronegocio.indb 57 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Figura 03 - Participação das regiões no valor total do Agregado II (produção agropecuária) do


agronegócio brasileiro (%)
Fonte: Revista Brasileira de Economia (2001, p. 20).

No gráfico anterior, verifica-se que as regiões Nordeste e Sudeste


diminuíram a sua participação nestes 10 anos, enquanto as
demais regiões aumentaram. Entretanto não houve alterações
significativas, apesar de se observar uma tendência dos números
da região Sul a ultrapassar os números da região Sudeste.

O Agregado III ou jusante do agronegócio é dividido em duas


partes: produção agroindustrial (PAI) e distribuição final (DIF),
sendo necessárias, portanto, duas etapas no processo de cálculo.

O valor da produção agroindustrial (PAI) da região pesquisada é


obtido pela expressão definida pelos autores anteriormente citados:

PAI = VA7 - T 7

Onde:

VA7 = representa o valor adicionado ao preço básico


gerado pelo setor agroindustrial;
T7 = representa o valor dos impostos líquidos sobre
a atividade, desembolsados pelo setor agroindustrial
(impostos sobre atividade menos subsídios sobre atividade).

Desta forma, para estabelecer o valor da distribuição final


(DIF), deve-se partir do cálculo da produção interna (PI) da
região em estudo:

58

int_ao_agronegocio.indb 58 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

PI = DFGP - ILL - TPI

Onde:

DFGP = é a demanda final global de produtos da região


em estudo;

IIL = é o valor total dos impostos indiretos líquidos


relacionados com a demanda final da região em estudo;

TPI = é o valor total de produtos importados para a


demanda final da região em estudo, originados das
outras regiões do Brasil e do exterior.

O segundo passo envolve o cálculo da margem de comercialização


(MC) ou total da distribuição da região em estudo:

MC = VA16 - T16 + VA17 - T17

Onde:

VA16 = é o valor adicionado a preços básicos, gerado pelo


setor transporte e comércio ;

VA17 = é o valor adicionado a preços básicos, gerado pelo


setor serviços;

T16 = é o valor dos impostos líquidos sobre atividade,


pagos pelo setor transporte e comércio (impostos sobre
atividade menos subsídios sobre atividade);

T17 = é o valor dos impostos líquidos sobre atividade,


pagos pelo setor serviços (impostos sobre atividade
menos subsídios sobre atividade).

A seguir, Parré e Guilhoto (2001, p. 14) estimam a demanda


final de produtos agropecuários (DFPA) e a demanda final de
produtos do setor agroindustrial (DFPAI) da região estudada:

DFPA = Y1OL + Y1OM + Y1ON + Y1OO + Y1OP


DFPAI = Y7OL + Y7OM + Y7ON + Y7OO + Y7OP

Unidade 2 59

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Universidade do Sul de Santa Catarina

O próximo passo é estimar o valor da distribuição final (DFI)


correspondente às atividades dos setores agropecuário e
agroindustrial da região em estudo.

Finalmente, somando-se o valor da produção agroindustrial


(PAI) e o valor da distribuição final (DFI), chega-se ao total do
Agregado III ou Jusante do agronegócio da região em estudo:

AgregadoIII = PAI + DFI

Onde:

PAI = é o valor da produção agroindustrial da região


Sudeste;
DFI = é o valor da distribuição final da agropecuária e
agroindústria da região estudada.

O Gráfico a seguir demonstra a participação por regiões no PAI:

Figura 04 - Participação das regiões no valor da produção agroindustrial (PAI) do Brasil (%)
Fonte: Revista Brasileira de Economia (2001. p. 25).

Conforme o gráfico anterior, pode-se observar que as regiões


centro-oeste e Sul apresentaram taxas de crescimento
significativas no período, indicando industrialização e agregação
de valor no período. A região Sudeste decresce 6,2 % no período
e a região Nordeste 1,7%.

Conclui-se que: Dimensão do agronegócio = Produção a


montante + Produção agropecuária + Produção a jusante.
Observamos que este conceito foi visto na unidade 1 deste livro
e está alinhado com o conceito de Parré e Guilhoto, 2001.

60

int_ao_agronegocio.indb 60 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Podemos observar no gráfico a seguir a participação de cada


região no valor da produção nacional.

Figura 05 – Participação das regiões no valor da produção


Fonte: Revista Brasileira de Economia (2001, p. 23).

Se tomarmos como referência o ano de 1995, os percentuais das Edafoclimática – As


regiões Sudeste e Sul, somados, totalizam 71,8% do agronegócio características
edafoclimáticas se referem
nacional, dado muito expressivo, considerando-se a dimensão à origem e ao tipo de
territorial destas regiões, em comparação com as demais. Entretanto solo e estas relações
pode-se perceber, também, o potencial de expansão do agronegócio com o clima da região,
brasileiro, pois, nas regiões Norte e Nordeste, encontramos limitações tais como precipitação
de ordem edafoclimáticas e ambientais. Contudo possuem amplas (chuvas), temperatura,
regime das águas, etc.
áreas com potencial de expansão, como o Estado do Tocantins (NO) e
Estas características irão
as regiões do oeste baiano e sul do Piauí (NE). determinar a adaptação de
determinadas espécies à
O gráfico a seguir demonstra a participação do agronegócio no região em estudo.
PIB de sua região e do agronegócio no PIB nacional. Veja:

Figura 06 - Participação do agronegócio na composição do PIB das regiões e do Brasil


Fonte: Revista Brasileira de Economia (2001, p. 23).

Unidade 2 61

int_ao_agronegocio.indb 61 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

A partir da leitura do gráfico anterior, pode-se perceber a


importância do agronegócio na economia regional e nacional e
uma tendência de aumento proporcional no PIB de comércio e
serviços em detrimento do agronegócio.

Mas, atualmente, como estão estes índices? Quais são


as perspectivas? Se o agronegócio cresce muito, por
que, proporcionalmente, este vem sendo achatado
pelos outros setores?

Estas perguntas serão respondidas na seção a seguir.

Seção 2– As dimensões do agronegócio


Uma das características do processo de globalização é o aumento
das trocas entre os países. Nesta seção, serão analisadas as
negociações entre as mais distantes e diferentes regiões do planeta
e as dimensões globais deste comércio, os principais países
importadores e exportadores do agronegócio e as posições do Brasil
no ranking do agronegócio global, procurando perceber a formação
de opinião sobre as nossas reais possibilidades de crescimento
e oportunidades de renda. A seguir, veremos o agronegócio no
cenário mundial e a inserção do Brasil neste cenário.

O agronegócio no mundo e a inserção brasileira


A respeito do conceito de comércio agrícola, a Organização
Mundial do Comércio (OMC), resultante das negociações da
Rodada do Uruguai entre 1986 e 1994, realizou também o
chamado Acordo Agrícola. Este acordo foi fundamental para
a normatização das trocas agrícolas, uma vez que o objetivo era
tornar tais trocas mais justas e norteadas pelo mercado, através da
redução das barreiras comerciais e dos subsídios à agricultura.

Nos últimos anos, a variável de maior impacto sobre a economia


global e, consequentemente, sobre o agronegócio foi a crise
financeira internacional, que se iniciou em setembro de 2008.

62

int_ao_agronegocio.indb 62 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

A crise afetou, fortemente, o setor de insumos agrícolas,


principalmente máquinas e fertilizantes.

Apenas para lembrar, a tecnologia dos insumos


agrícolas é fortemente dependente dos preços do
petróleo, e este teve uma queda de preços de US$
123,00/barril em julho de 2008 para US$ 45,88 em
janeiro de 2009. Esta baixa resultou numa queda de
46,78% no preço médio dos fertilizantes no mesmo
período. Mais especificamente, pode-se citar o caso
do superfosfato simples que, em julho de 2008, era
importado a US$ 406,78/ton. e, um ano após, cai para
US$ 152,80/ton. A ureia caiu de US$ 760,00/ton. para
US$ 237,00 no mesmo período. O único produto que
teve alta foi o cloreto de potássio, que subiu 28 % em
média no mercado internacional.

A tabela a seguir apresenta os dados do comércio mundial e a


participação brasileira.

Tabela 01 - Participação Agrícola no Comércio Mundial (em US$ bilhões)

2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007


Total Mundial
4.677,33 4.849,22 5.573,86 6.896,81 7.953,35 9.196,20 10.461,93
Agrícola Mundial 347,52 363,56 408,69 464,11 503,40 553,11 668,43
Part. Agríc./Total – 7,4% 7,5% 7,3% 6,7% 6,3% 6,0% 6,4%
Mundial %
Total Brasil 58,29 60,44 73,20 96,68 118,53 137,81 160,65
Agrícola Brasil 16,59 17,43 21,71 28,36 32,21 36,94 44,89
Part. Agríc./Total – 28,5% 28,8% 29,7% 29,3% 27,2% 26,8% 27,9%
Brasil%
Part. Total Brasil/ 1,2% 1,2% 1,3% 1,4% 1,5% 1,5% 1,5%
Total Mundial%
Part. Agríc. Brasil/ 4,8% 4,8% 5,3% 6,1% 6,4% 6,7% 6,7%
Agro Mundial%

Fonte: Brasil, MAPA (2009).

Unidade 2 63

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Conforme podemos observar na tabela apresentada


anteriormente, o crescimento do comércio mundial entre 2001
e 2007 foi de 123,66 %. Este fenômeno foi acelerado pela
chamada globalização e pelo crescimento dos países asiáticos,
especialmente a China.

Quanto à inserção brasileira no total do comércio mundial,


passou de US$ 58,29 bilhões em 2001 para US$ 160,65 bilhões
em 2007, representando um aumento de 175,61% no crescimento
dos negócios. Esta participação, confrontada com o valor total,
representa um aumento de 1,2% para 1,5%.

Quanto ao comércio agrícola mundial, as trocas cresceram de


US$ 347,52 bilhões em 2001 para US$ 668,43 bilhões em 2007,
representando um aumento de 95,15%. No mesmo período, a
participação brasileira cresceu de US$ 16,59 bilhões para US$
44,89 bilhões, ou seja, 170,58 %. Isto significa um salto de 4,8%
para 6,7 % com relação ao total agrícola mundial.

A tabela a seguir nos mostra as exportações agrícolas brasileiras


por setores, a variação no crescimento e a participação
percentual de cada setor.

64

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Introdução ao Agronegócio

Tabela 02 - Exportações Agrícolas por Setores: 2002-2008 (em US$ milhões)

Exportações (US$ milhões) Variação % Participação %


Produtos
2002 2004 2006 2008 2002/08 Anual 2002 2004 2006 2008
Complexo soja 6.006 10.041 9.308 17.980 199,4 20,1 34,5 35,4 25,2 30,8
Carnes 3.195 6.266 8.642 14.545 355,3 28,7 18,3 22,1 23,4 24,9
Complexo 2.263 3.138 7.772 7.873 247,9 23,1 13,0 11,1 21,0 13,5
sucroalcooleiro
Café 1.385 2.058 3.364 4.763 243,9 22,9 7,9 7,3 9,1 8,2
Fumo e seus produtos 1.008 1.426 1.752 2.752 173,0 18,2 5,8 5,0 4,7 4,7
Cereais, farinhas e
323 911 723 2.207 583,9 37,8 1,9 3,2 2,0 3,8
preparações
Sucos de fruta 1.096 1.141 1.570 2.152 96,3 11,9 6,3 4,0 4,2 3,7
Frutas (inclui nozes e 387 621 739 1.033 166,7 17,8 2,2 2,2 2,0 1,8
castanhas)
Fibras, lã 107 421 361 719 574,7 37,5 0,6 1,5 1,0 1,2
Demais produtos de
303 366 448 685 125,9 14,5 1,7 1,3 1,2 1,2
origem vegetal
Demais produtos de 139 210 303 560 301,5 26,1 0,8 0,7 0,8 1,0
origem animal
Lácteos 41 113 168 541 1213,1 53,6 0,2 0,4 0,5 0,9
Alimentícios 158 282 300 447 183,3 19,0 0,9 1,0 0,8 0,8
Animais vivos 5 19 89 418 8234,8 109,0 0 0,1 0,2 0,7
Cacau 207 320 362 401 93,9 11,7 1,2 1,1 1,0 0,7
Bebidas 131 169 206 273 109,0 13,1 0,8 0,6 0,6 0,5
Pescados 343 427 369 269 -21,5 -4,0 2,0 1,5 1,0 0,5
Chás e espec. 130 133 171 208 60,0 8,1 0,7 0,5 0,5 0,4
Oleaginosos (exclui soja) 63 114 98 181 186,7 19,2 0,4 0,4 0,3 0,3
Rações para animais 35 50 73 148 318,7 27,0 0,2 0,2 0,2 0,3
Produtos hortícolas 52 51 54 120 129,1 14,8 0,3 0,2 0,1 0,2
Produtos apícolas 30 50 29 48 59,9 8,1 0,2 0,2 0,1 0,1
Plantas vivas e produtos 16 25 32 36 120,7 14,1 0,1 0,1 0,1 0,1
de floricultura
Couros e peles 5 2 3 3 -29,3 -5,7 0 0 0 0
Total 17428 28356 36936 58363 234,9 22,3 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Brasil, MAPA (2009).

Ao analisar a tabela, observamos que as exportações brasileiras


cresceram (234,9 %) de 2002 a 2008, em média, 22,3 % ao ano,
ou seja, saltou de US$ 17,4 bilhões para US$ 58,4 bilhões. O

Unidade 2 65

int_ao_agronegocio.indb 65 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

setor que apresentou a maior taxa de crescimento foi o de animais


vivos (8.234,8), entretanto é pouco expressivo, pois apresentou
uma participação total de apenas 0,7%. O setor de pescados e
o de couros e peles apresentaram taxas negativas, (-21,5 e -29,3)
respectivamente, mas representam uma parcela muito pequena
do total, não sendo significativos do ciclo de prosperidade
apresentado no período.

Caso venhamos a somar os oito primeiros setores, observamos que


estes respondem por 90,55% das exportações totais, isto é, somam
US$ 53.305 bilhões. Destes oito primeiros, o que apresentou
a menor taxa de crescimento foi o setor de cereais, farinhas e
preparações, com 37,8%, seguido do setor de carnes, com 28,7%.

São taxas de crescimento impressionantes, podendo causar até


confusões matemáticas. Vejamos. O setor de frutas caiu sua
participação no montante de 6,3 para 3,7%. Estes dados nos
causam a impressão de que houve uma queda no setor, contudo
este cresceu 96,3% no período, a uma taxa de 11,9% ao ano, o
que é ótimo, porém cresceu menos que a média geral, que foi de
22,3% ao ano no período.

A tabela a seguir apresenta os principais países e regiões de


destino das exportações agrícolas brasileiras.

66

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Introdução ao Agronegócio

Tabela 03 - Exportações Agrícolas, segundo os Principais Mercados – 2002,


2004, 2006 e 2008 (em US$ milhões)

Exportações (Us$ Milhões) Variação Participação %


País/Bloco

2002 2004 2006 2008 2002 2008 2002 2004 2006 2008

Países Desenvolvidos 9.691 14.521 17.243 25.576 163,9 17,6 55,6 51,2 46,7 43,8
UE 27 7.282 10.949 12.091 18.820 158,5 17,1 41,8 38,6 32,7 32,2
EUA 1.315 1.959 3.194 3.435 161,1 17,3 7,5 6,9 8,6 5,9
Japão 783 1121 1178 2144 174,0 18,3 4,5 4,0 3,2 3,7
Canadá 169 248 402 453 167,9 17,9 1,0 0,9 1,1 0,8
Suíça 77 111 187 379 391,0 30,4 0,4 0,4 0,5 0,6
Oceania 64 132 191 345 434 32,2 0,4 0,5 0,6 0,6
Países em 7.738 13.834 19.693 32.787 323,7 27,2 44,4 48,8 53,3 56,2
Desenvolvimento
Ásia ([Link] 1.363 2.719 3.293 5.613 311,8 26,6 7,8 9,6 8,9 9,6
Médio, Japão e China)
China 1.046 2.329 2.804 6.696 539,9 36,3 6,0 8,2 7,6 11,5
Oriente Médio 1.474 2.676 4.039 4.973 237,4 22,5 8,5 9,4 10,9 8,5
África ([Link] 1.236 2.052 3.215 4.498 263,9 24,0 7,1 7,2 8,7 7,7
Médio)
Rússia 1.208 1.532 3.125 4.156 244,0 22,9 6,9 5,4 8,5 7,1
Aladi (Excl. Mercosul) 583 1.064 1.230 3.314 468,5 33,6 3,3 3,8 3,3 5,7
Mercosul 375 526 649 1.046 178,8 18,6 2,2 1,9 1,8 1,8
Demais Países 452 936 1.339 2.491 450,6 32,9 2,6 3,3 3,6 4,3
Total 17.428 28356 36936 58363 234,9 22,3 100,0 100,0 100,0 100,0

Fonte: Brasil, MAA (2009).

Em consulta à tabela anterior, podemos observar que, no período


de 2002 a 2008, os países em desenvolvimento aumentaram sua
participação nas exportações agrícolas brasileiras, mudando a
posição. Os países desenvolvidos em 2002 importavam 55,6%
do total e, em 2008, caíram para 43,8%. No mesmo período,
os países em desenvolvimento aumentaram sua participação de
44,4% para 56,2%. Entre os países desenvolvidos, as menores
taxas de crescimento foram verificadas na União Europeia e
nos EUA, 17,1% e 17,3% respectivamente. Cabe ressaltar que o
volume histórico de importações destes países sempre foi muito
elevado, portanto esta taxa de crescimento de 17 % ao ano é

Unidade 2 67

int_ao_agronegocio.indb 67 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

muito significativa. A Suíça e Oceania experimentaram taxas de


crescimento de 30,4% e 32,2%, entretanto sua participação total
sobe de 0,8 para 1,2 %.

O destaque do período são os países em desenvolvimento, os quais


cresceram 27,2% ao ano no período, e, entre eles, a China, que
aumentou a sua participação de 6,0% para 11,5 % no montante
das exportações agrícolas brasileiras, com uma taxa de crescimento
anual de 36,3%. A Ásia (excluindo-se Oriente Médio, Japão e
China) foi destaque, pois saltou seu volume de importações de US$
1.363 em 2002 para US$ 5.613 bilhões em 2008.

A tabela a seguir irá apresentar as importações agrícolas


mundiais e as exportações agrícolas brasileiras.

Tabela 04 - Importações Agrícolas Mundiais e Exportações Agrícolas Brasileiras

País/bloco Importações Mundiais dos Países (US$ Exp. Brasileiras para os Países (US$ mil)
mil)
2003 2007 Var. Anual % 2003 2007 Var. Anual %
UE 27 80.143.645 128.203.158 12,5% 9.020.434 16.120.762 15,6%
China 18.886.742 40.975.928 21,4% 1.700.134 3.579.478 20,5%
Rússia 11.679.069 26.616.272 22,9% 1.421.321 3.362.436 24,0%
EUA 65.554.244 94.803.347 9,7% 1.664.858 3.043.572 16,3%
Venezuela 1.509.378 3.107.962 19,8% 77.741 946.294 86,8%
Japão 50.149.308 58.866.151 4,1% 817.364 1.472.182 15,8%
Arábia Saudita 6.026.031 12.022.075 18,8% 500.219 953.482 17,5%
Hong Kong 9.773.251 12.646.764 6,7% 345.298 935.171 28,3%
Irã 2.749.376 4.412.171 12,6% 745.210 1.546.139 20,0%
Coreia do Sul 11.472.558 17.455.664 11,1% 354.044 705.464 18,8%
Tailândia 4.698.312 6.959.638 10,3% 155.191 531.661 36,0%
Emirados Árabes 3.937.800 7.792.651 18,6% 267.831 776.247 30,5 %
Egito 3.284.092 6.513.573 18,7% 231.204 642.933 29,1%
Argentina 766.489 1.900.176 25,5% 324.462 486.101 10,6%
Argélia 3.086.470 5.546.980 15,8% 112.671 414.560 38,5%
África do Sul 1.950.383 4.401.719 22,6% 170.626 544.752 33,7%
Angola 1.086.489 1.999.398 16,5% 120.874 315.836 27,1%
Nigéria 1.784.152 2.899.304 12,9% 182.247 355.102 18,1%
Canadá 15.923.261 25.004.939 11,9% 226.512 423.324 16,9%
Indonésia 4.619.479 8.552.173 16,6% 180.079 309.629 14,5%
Suíça 6.865.734 9.770.613 9,2% 79.507 243.676 32,3%

68

int_ao_agronegocio.indb 68 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

País/bloco Importações Mundiais dos Países (US$ Exp. Brasileiras para os Países (US$ mil)
mil)
2003 2007 Var. Anual % 2003 2007 Var. Anual %
Marrocos 1.695.741 4.097.138 24,7% 165.082 266.328 12,7%
Ucrânia 1.712.468 4.279.684 25,7% 64.928 195.210 31,7%
Kuwait 1.289.324 2.210.626 14,4% 59.800 195.800 34,5%
Cuba 1.046.470 1.475.257 9,0% 22.512 170.710 65,9%
Malásia 4.403.031 8.929.735 19,3% 74.324 291.538 40,7%
Cingapura 5.077.824 7.885.079 11,6% 111.215 260.580 23,7%
Índia 4.810.746 7.716.781 12,5% 140.427 216.934 11,5%
Austrália 4.585.394 8.070.832 15,2% 57.849 175.523 32,0%
Israel 2.177.944 3.452.279 12,2% 108.062 213.632 18,6%
MUNDO 408.687.664 668.426.939 13,1% 21.714.118 44.888.446 19,9%

Fonte: Brasil, MAPA (2009).

Em consulta à tabela 04, podemos perceber que o crescimento


mundial nas importações agrícolas foi de 13,1% ao ano, saltando
de US$ 408 687 664 000,00 em 2003 para US$ 668 426 939
000,00 em 2007. No mesmo período, o Brasil passou de US$
21 714 118 000,00 para US$ 44 888 446 000,00, ou seja, o
crescimento brasileiro foi de 19,9 % ao ano, 6,8% maior que o
crescimento mundial no período.

O bloco formado pela União Europeia é o maior importador


mundial de produtos agrícolas, comprando US$ 128.203.158
000,00 em 2007 e crescendo 12,5% desde 2003. Em segundo,
os EUA importaram US$ 94.803.347 000,00, o que representou
um crescimento de 9,7% ao ano no período. O Japão, em
terceiro, importou US 58.866.151 000,00, crescendo 4,1 % ao
ano. Em quarto, aparece a China com US$ 40.975.928 000,00,
porém apresentando um crescimento de 21,4% ao ano, o maior
entre os quatro e um dos mais promissores mercados mundiais
para os próximos anos.

Nestes quatro mercados apresentados, o crescimento


anual brasileiro foi de 15,6%; 16,3%; 15,8% e 20,5%
respectivamente.

Unidade 2 69

int_ao_agronegocio.indb 69 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Nota-se que o crescimento brasileiro nestes mercados foi maior


que o crescimento destes, aumentando assim a participação
brasileira na pauta de importações destes países.

Seção 3 - O agronegócio no Brasil


No ano de 2008, calculou-se que o Brasil apresentou uma
população de aproximadamente 190 milhões de habitantes, um
PIB de US$ 1,57 trilhão, logo, um PIB per capita de US$ 8.299.
Se verificarmos o PIB por setor, observamos que a agricultura
representa 6,7%, a indústria 28,0% e o setor de serviços 65,3%.
A economia nos últimos 10 anos apresentou uma taxa média
de crescimento de +2,8% ao ano (1998 a 2007). Em 2008, a
economia cresceu 5,1 %.

O agronegócio brasileiro é referência internacional, pela


qualidade de seus produtos, pela tecnologia empregada e por
apresentar, ao longo dos anos, segurança aos investidores.
Representa, atualmente, aproximadamente 30 % do PIB,
somando aproximadamente US$ 500 bilhões ao ano.

O Brasil possui 380 milhões de hectares de terras férteis e


agricultáveis, das quais 100 milhões de hectares ainda não foram
explorados. Possui um clima diversificado, chuvas regulares e
abundante energia solar.

A figura a seguir ilustra a situação de ocupação das áreas no Brasil.

70

int_ao_agronegocio.indb 70 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Figura 07 – Repartição das Áreas e Biomas no Brasil


Fonte: Palestra Derli Dossa, AGE/MAPA (2008).

Ao analisarmos a figura 06, podemos observar que as culturas


anuais, florestas, culturas permanentes somam apenas 9 % da
área, enquanto as pastagens ocupam 25 %. Podemos observar,
ainda, o potencial de expansão da agricultura brasileira e,
consequentemente, do agronegócio, sem promover desmatamentos.

Ao observarmos a evolução da área plantada no Brasil


confrontada com a produção, verificamos um crescimento
baseado na produtividade, conforme o gráfico a seguir.

Gráfico 01 - Evolução da área plantada e produção no Brasil de 1990-08


Fonte: CONAB/MAPA (2008).

Unidade 2 71

int_ao_agronegocio.indb 71 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

O gráfico 01 nos mostra que, no período de 1991 a 2008, a área


plantada brasileira cresceu 23,36 %, enquanto a produção saltou
para 140,6%, ou seja, a expansão de área plantada cresceu 1,71%
ao ano e a produção 4,8 % ao ano. Muito além dos números, que
são fantásticos, o que estes dados nos mostram é a capacidade
do país de mobilização dos fatores de produção (terra, capital,
trabalho e informação) para conseguir estes aumentos sucessivos.

Gráfico 02 - Disponibilidade de terras aráveis no mundo


Fonte: FAO (2008).

É impressionante a capacidade de expansão brasileira confrontada


com a de outros países, como EUA e Rússia. Entretanto pode-se
observar compradores brasileiros que crescem muito, em relação
à China e à Índia, que não possuem mais potencial de expansão
da área plantada. O gráfico 01 e 02 confrontados nos dão um
noção mais precisa do potencial de crescimento do agronegócio
brasileiro para os próximos anos.

A tabela a seguir mostra o crescimento percentual do PIB nos


países desenvolvidos e em desenvolvimento. Note-se o reflexo da
crise financeira internacional sobre o PIB dos países.

72

int_ao_agronegocio.indb 72 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Tabela 05 - Evolução do PIB no mundo, nos países desenvolvidos, em


desenvolvimento e no Brasil

Evolução Anual do PIB (%)


PAÍSES/ANOS 2007 2008 2009 2010
Países Desenvolvidos 2,70 0,90 -3,80 0,00
EUA 2,00 1,10 -2,80 0,00
União Europe ia 2,70 0,90 -4,10 -0,40
Reino Unido 3,00 0,70 -4,10 -0,40
Canadá 2,70 0,50 -2,50 1,20
Japão 2,40 -0,60 -6,20 0,50
Países em Desenvolvimento 8,30 6,10 1,60 4,00
África 6,20 5,20 2,00 3,90
Rússia 8,10 5,60 -6,00 0,50
China 13,00 9,00 6,50 7,50
Índia 9,30 7,30 4,50 5,60
Brasil 5,70 5,10 -1,30 2,20
México 3,30 1,30 -3,70 1,00
Mundo 5,20 3,20 -1,3 1,90

Fonte: MAPA (2010).

A tabela anterior nos mostra os índices de crescimento econômico


dos países, o PIB, antes da crise internacional, durante a crise, as
projeções de 2010, que apontam para a retomada do crescimento
econômico internacional e brasileiro. É possível observar que a
crise foi mais forte nos países desenvolvidos, os quais cresciam
a uma média de 2,7 % antes da crise e decresceram 3,8 %
em 2009. Por outro lado, os países em desenvolvimento que
experimentavam uma taxa média de crescimento de 8,3% em
2007, regrediram para 1,6 % em 2009. O Brasil, que, por sua vez,
em 2007, experimentou um crescimento de 5,7 %, tem sua taxa de
crescimento em 1,3 %, um decréscimo, entretanto, moderado, na
conjuntura internacional. Mas esboça uma boa reação em 2010,
esperando-se um crescimento econômico de 2,2 %.

O gráfico a seguir ilustra bem o crescimento econômico


agropecuário, por trimestres, de 1993 a 2009.

Unidade 2 73

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Gráfico 03 - Evolução do PIB Agropecuário a preço de mercado


Fonte: AGR MAPA (2, 2009).

Ao observarmos o gráfico 03, o que chama muito a atenção é o


crescimento do PIB agropecuário, de, aproximadamente, US$ 5 000
milhões em 1994, para, aproximadamente, US$ 50.000 milhões em
2009, um crescimento de 10 vezes em apenas 15 anos. O que chama
mais a atenção ainda nestes números é que a agropecuária brasileira vem
crescendo pautada na produtividade, e não na expansão da área plantada.

O gráfico 04 apresenta a taxa de crescimento da balança comercial


brasileira de 1994 a 2008, onde podemos observar todo o
comportamento do setor no período.

74

int_ao_agronegocio.indb 74 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Gráfico 04 - Exportações, importações e saldo da balança entre 1994 e 2008


Fonte: Brasil, MAPA (2009).

Conforme demonstra o gráfico 04, de 1994 ao ano 2000, o país


não apresentou crescimento na balança comercial devido à moeda
ter ficado muito forte no período. A taxa de câmbio em 1994 era
de R$ 1,00 : US$ 1,00, favorecendo as importações e dificultando
as importações. Em 1999, promove-se uma desvalorização
da moeda e a inflexão na curva é bastante visível, elevando as
exportações de, aproximadamente, US$ 16 bilhões em 2000
para, aproximadamente, US$ 75 bilhões em 2008.

Unidade 2 75

int_ao_agronegocio.indb 75 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Com base nos conceitos vistos na unidade 2 e de posse de


informações estatísticas, podemos estabelecer modelos matemáticos
para dimensionar o agronegócio em determinado país ou região
deste. O modelo apresentado por Guilhoto e Parré apresenta
o agronegócio como a soma dos agregados I (indústria para a
agricultura), II (produção agropecuária) e III (armazenamento,
agroindústria e distribuição). Com base nestes estudos pode-se
perceber que as regiões Sul e Centro-Oeste apresentam maiores
taxas de crescimento no agronegócio nacional, entretanto o Sudeste
ainda apresenta o maior PIB regional total e do agronegócio.

Umas das possibilidades de crescimento do agronegócio nacional


é a inserção no difícil e concorrido comércio mundial. Conforme
podemos observar, o setor de exportações foi o que mais
impulsionou o crescimento do agronegócio nos últimos 10 anos. O
crescimento do comércio mundial entre 2001 e 2007 foi de 123,66
% e, neste cenário, o Brasil aumentou sua participação no total, de
1,2% para 1,5%. No comércio agrícola, o país experimentou taxas
de crescimento neste setor maiores que a média de crescimento
da economia chinesa, ou seja, cresceu 175,61 %, de 2001 a 2007.
Contudo o destaque do período são os países em desenvolvimento,
os quais cresceram 27,2% ao ano no período, e, entre eles, a China,
que aumentou a sua participação de 6,0% para 11,5 % no montante
das exportações agrícolas brasileiras, o que representou uma taxa
de crescimento anual de 36,3%. Entretanto não podemos esquecer
que as menores taxas verificadas, 17% ao ano, foram nos países
desenvolvidos, na União Europeia e nos EUA. Trata-se de uma taxa
de crescimento muito alta e, se verificarmos os volumes anteriores
comercializados, que eram altos, os números impressionam.

Quanto ao comércio agrícola mundial, as trocas cresceram de


US$ 347,52 bilhões em 2001 para US$ 668,43 bilhões em 2007,
representando um aumento de 95,15%. No mesmo período, a
participação brasileira cresceu de US$ 16,59 bilhões para US$
44,89 bilhões, ou seja, 170,58 %. Isto significa um salto de
4,8% para 6,7 % com relação ao total agrícola mundial. É muito
expressiva a participação brasileira, se considerarmos que, para
alcançar estes aumentos, é necessária toda uma mobilização

76

int_ao_agronegocio.indb 76 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

dos fatores de produção. Não podemos esquecer que uma das


limitações ao nosso crescimento é a infraestrutura, tais como
estradas, portos, aeroportos, ferrovias, energia, etc. Cabe ressaltar
que, em 2001, enfrentamos racionamento de energia elétrica.

Estima-se que o Brasil apresente, atualmente, uma população de,


aproximadamente, 190 milhões de habitantes, um PIB de US$ 1,6
trilhão, logo, um PIB per capita de US$ 8.300. Se verificarmos
o PIB por setor, observamos que a agricultura representa 6,7%,
a indústria 28,0% e o setor de serviços 65,3%. A economia nos
últimos 10 anos apresentou uma Taxa média de crescimento de
+2,8% ao ano (1998 a 2007). Em 2008, a economia cresceu 5,1
%. Nossa economia foi afetada pela crise internacional de 2008,
entretanto podemos afirmar, diante deste fato, que temos uma
economia sólida. É que, quando comparada à de outros países
desenvolvidos e em desenvolvimento, percebemos que nossa
redução no PIB foi bem menor.

O agronegócio brasileiro é referência internacional, pela


qualidade de seus produtos, pela tecnologia empregada e por
apresentar, ao longo dos anos, segurança aos investidores.
Representa, atualmente, 30 % do PIB aproximadamente, e soma,
aproximadamente, US$ 500 bilhões ao ano. O Brasil possui 380
milhões de hectares de terras férteis e agricultáveis, das quais 100
milhões de hectares ainda não foram explorados. Possui um clima
diversificado, chuvas regulares e abundantes fontes de energia,
hidráulica, solar, eólica, etc.

O Brasil experimenta um momento excelente de crescimento


econômico, cujo motor é o agronegócio. Possui todas as
condições naturais para continuar este ciclo de crescimento por
muito tempo e experimentar novas oportunidades, como os
biocombustíveis. Nos últimos 10 anos, o país conseguiu aumentar
significativamente sua inserção no comércio internacional,
entretanto necessita melhorar sua infraestrutura para continuar
este crescimento e nota-se que os investimentos estão sendo
realizados, mesmo que em ritmo abaixo do desejado. O Brasil
também irá requerer um volume muito grande de mão de obra
qualificada nos próximos anos.

Vamos fazer parte deste negócio que é o maior do Brasil?

Unidade 2 77

int_ao_agronegocio.indb 77 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação

Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O


gabarito está disponível no final do livro-didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.

1) Analisando o crescimento do agronegócio no Brasil, qual a participação


das regiões Sul e Sudeste no PIB do agronegócio?

2) Quais os 5 maiores países (ou blocos econômicos) compradores de


produtos agrícolas brasileiros e quais os cinco principais produtos da
pauta de exportação agrícola? E os 5 que apresentaram as maiores
taxas de crescimento em importações brasileiras de 2003 a 2007?

3) Se o PIB da agricultura é de 6,7%, por que o PIB do agronegócio é de,


aproximadamente, 30%?

78

int_ao_agronegocio.indb 78 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

4) Sobre o agronegócio brasileiro, assinale a alternativa falsa:


a) ( ) O agronegócio brasileiro é referência internacional, pela
qualidade de seus produtos, pela tecnologia empregada e por
apresentar, ao longo dos anos, segurança aos investidores.
b) ( ) Representa atualmente 30 % do PIB aproximadamente,
somando, aproximadamente, US$ 500 bilhões ao ano.
c) ( ) O agronegócio brasileiro foi o responsável por mais de 50 % das
exportações brasileiras nos últimos 10 anos.
d) ( ) O Brasil possui 380 milhões de hectares de terras férteis e
agricultáveis, das quais 100 milhões de hectares ainda não foram
explorados. Possui um clima diversificado, chuvas regulares e
abundantes fontes de energia hidráulica, solar, eólica, etc.
e) ( ) De 1991 a 2008, a área plantada brasileira cresceu 23,36
%, enquanto a produção saltou para 140,6%. Isto significa dizer
crescimento pautado na produtividade.

Saiba mais

Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade,


consultando as seguintes referências:

ALMEIDA FILHO, Niemeyer. RAMOS, Pedro. Segurança


alimentar: produção agrícola e desenvolvimento territorial.
Campinas. Ed. Alínea. 2010.

BATALHA, Mário Otávio. Gestão do agronegócio. São


Carlos. EdUFSCAR, 2005.

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


Intercâmbio Comercial do Agronegócio: Principais
Mercados de Destino. Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento. Secretaria de Relações Internacionais do
Agronegócio. Brasília: Mapa/ACS, 2009. 469 p.

Unidade 2 79

int_ao_agronegocio.indb 79 05/04/11 08:24


int_ao_agronegocio.indb 80 05/04/11 08:24
3
unidade 3

O agronegócio e suas
perspectivas

Objetivos de aprendizagem
„„ Conhecer o contexto do agronegócio no Brasil e no
mundo.
„„ Compreender as perspectivas do agronegócio por
produto, para a agricultura familiar e de larga escala..
„„ Identificar os principais problemas e soluções para o
crescimento do agronegócio..

Seções de estudo
Seção 1 O agronegócio no mundo

Seção 2 O Brasil no cenário internacional do


agronegócio
Seção 3 Análise das perspectivas por produto

Seção 4 Perspectivas para a agricultura familiar

Seção 5 Síntese de resultados

Seção 6 Principais desafios para o crescimento do


agronegócio
Seção 7 O futuro do agronegócio

int_ao_agronegocio.indb 81 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


A palavra perspectiva, em russo, significa avenida; na língua
portuguesa, significa o caminho a ser trilhado, ou o futuro
da coisa. Portanto, sobre as perspectivas do agronegócio, não
dispomos de bola de cristal para prevermos os acontecimentos, mas
temos uma série de indicadores que nos apontam para uma direção
futura provável. A análise retrospectiva e da atualidade, conforme
estudamos nas unidades 1 e 2, nos remetem a taxas de crescimento
bastante elevadas no agronegócio, para os próximos anos.

Entretanto quem serão os nossos compradores nos


próximos anos? O que irão comprar? Quanto este
mercado deverá crescer ao ano?

Estas perguntas são básicas, quando desejamos prosperar ou


acompanhar este ciclo de crescimento mundial, pois precisamos
nos organizar para aproveitarmos as oportunidades que
almejamos. A análise das perspectivas nos indicará, por exemplo,
quais os principais insumos que iremos utilizar e quanto de cada
um. A nossa infraestrutura é suficiente?

Com base nas projeções é que uma economia se


mobiliza para a produção.

Existem, no Brasil e no mundo, organizações especializadas


em obter dados e transformá-los em informações úteis às
empresas e às pessoas. Nesta unidade, o MAPA, a FAO, a
FGV, entre outras, por sua tradição e credibilidade, serão fontes
de informação e referência sobre a situação e perspectivas do
agronegócio no Brasil e no mundo.

82

int_ao_agronegocio.indb 82 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Seção 1- O agronegócio no mundo


O arroz, o algodão, o milho, a soja e o trigo são produtos
consumidos mundialmente, e o gráfico a seguir nos mostra a
produção mundial desde o ano de 1961, até 2005.

Gráfico 01 - Produção mundial de alimentos, cinco produtos, entre 1961 e 2005


Fonte: FAO (2008).

Pode-se observar, segundo o gráfico, que o algodão foi o produto


que apresentou o menor crescimento no período, entretanto
sua produção saltou de 27.344 mil toneladas para 68.298 mil
toneladas. As quantidades produzidas de arroz, milho e trigo
elevaram sua produção de 215.655; 205.005 e 222.357 mil
toneladas, respectivamente, em 1961, para 618.441; 701.666
e 629.566 mil toneladas, respectivamente, em 2005. Ou seja,
estas culturas triplicaram sua produção no período. Apesar
de o gráfico não expressar o crescimento da cultura da soja, a
produção mundial, em 1961, era de 26.883 mil toneladas e saltou
para 214.347 mil toneladas em 2005, representando o maior
crescimento percentual.

O gráfico a seguir nos mostra os principais países produtores de


alimentos no cenário mundial, desde 1961.

Unidade 3 83

int_ao_agronegocio.indb 83 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Gráfico 02 - Principais países produtores de alimentos no mundo


Fonte: FAO (2008).

Conforme o gráfico, os EUA lideram o ranking mundial da


produção de alimentos desde 1961, e o Brasil subiu uma posição no
ranking mundial, de sexto para o quinto. Entretanto, como se pode
observar, países como a Holanda, França, Alemanha, Bélgica, Itália
e, sobretudo, a China, estão com o seu potencial de expansão de área
plantada praticamente esgotado, devendo o Brasil, nos próximos
anos, subir no ranking mundial da produção de alimentos.

O gráfico a seguir apresenta os principais países importadores de


produtos agrícolas.

Gráfico 03 - Importações mundiais agrícolas


Fonte: FAO (2008).

Os EUA lideram as importações mundiais de produtos agrícolas,


seguidos pela Alemanha, que, em alguns anos, desde 1961, foi
o único país a superar os EUA na liderança das importações, e
o volume importado sempre apresentou valores semelhantes ao

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Introdução ao Agronegócio

primeiro. Em 2004, o volume das importações em milhões de US$


foi de 59.874; 50.822; 41.478; 41.406 e 34.638 para os 5 primeiros
países apresentados no gráfico anterior.

Note-se, para efeito de perspectivas, que a China, cuja população é


uma das maiores do mundo, aliada ao seu potencial de crescimento,
aparece abaixo de países como a Holanda e Itália, no quadro.

O gráfico a seguir apresenta os principais países exportadores


mundiais de produtos agrícolas.

Gráfico 04 - Exportações mundiais agrícolas


Fonte: FAO (2008).

Conforme se pode observar nos gráficos aqui expostos,


anteriormente os EUA aparecem como o primeiro país nas
importações e exportações mundiais de produtos agrícolas.
Fato que chama a atenção é o Brasil ficar atrás de países como
a Holanda e França, cujas áreas territoriais são bem inferiores
as nossas. Para efeito de perspectivas, é interessante ressaltar o
potencial de expansão de área plantada, conforme o gráfico 02
apresentado na unidade 2. Entre os atuais primeiros quatro países
exportadores confrontados com Brasil, atualmente em quinto.

Diante dos gráficos apresentados nesta unidade, podemos observar


um aumento nas trocas entre os países, após o ano de 1989, marco
referencial no processo de globalização da economia. Entretanto,
e, como consequência, ocorre uma aceleração nos últimos 10
anos, alavancada pelo crescimento mundial, especialmente nos
países asiáticos. Em 2008, ocorre a crise financeira internacional
e, consequentemente, uma desaceleração de todo este processo em
nível global. Mesmo assim, pode-se afirmar que o agronegócio
brasileiro não parou de crescer no período.

Unidade 3 85

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 2 – O Brasil no cenário internacional do


agronegócio
A inserção do Brasil no comércio mundial depende de variáveis
que estão ao alcance do país e de outras que fogem ao controle,
como as barreiras fiscais e sanitárias impostas pelos países
importadores. Entretanto uma verdade histórica aparece: aqueles
que têm competência para produzir com qualidade e preços
competitivos permanecem no mercado. E estas características de
qualidade e preço justo são variáveis que dependem de nós.

A tabela 01 a seguir apresenta os principais produtos da pauta


de produção e exportações brasileiras, a posição brasileira no
ranking mundial e o número de países de destino.

Brasil - Ranking Mundial

Principais Produtos Produção Exportação Número Países destino


Açúcar 10 10 113

Café 10 10 134

Suco de laranja 10 10 82

Complexo soja 20 10 74

Carne bovina 20 10 164

Tabaco 20 10 114

Álcool 20 10 40

Carne de frango 30 10 145

Milho 30 40 34
A este respeito, gostaria
de estabelecer um Carne suína 40 40 72
comentário pessoal acerca
da cultura do fumo e do Fonte: MAPA/AGE (2008).
tabagismo, pois não é
somente com decretos
É interessante observarmos neste quadro a vocação histórica
que se eliminará uma
cultura e um vício mundial: de alguns produtos brasileiros, como o açúcar e o café, e,
é necessário muito modernamente, o álcool brasileiro e sua tecnologia que
mais, é preciso ampliar surpreende o mundo. O mercado de carnes, a que será dada
as oportunidades de atenção especial mais adiante, também ocupa posição de
educação, cultura, esporte,
destaque. O único produto que, segundo a literatura, está com
entre outras.
seus dias contados no mundo é o tabaco.

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Introdução ao Agronegócio

Como se pode interpretar, somente a cultura do fumo não


apresenta potencial de crescimento num horizonte de longo
prazo. As demais culturas se manterão em ritmo de crescimento
contínuo e acelerado para as próximas décadas. Cabe ressaltar
que a cadeia produtiva das carnes está sendo muito fortalecida
com os ganhos de produtividade que o Brasil vem obtendo com
o milho e a soja, base da ração animal, barateando assim os
custos de produção. Portanto vai aumentando a competitividade
brasileira no cenário mundial.

Outra política que vem sofrendo transformações está relacionada


ao papel da agricultura de “fornecer alimentos com preços
constantes ou decrescentes” (visto na unidade 1): desde a Segunda
Guerra Mundial, os preços reais dos produtos agrícolas vêm
caindo ano após ano. Entretanto esta não é a previsão para as
próximas duas décadas. Nos últimos três anos, a situação se
inverteu e os preços reagiram, causando uma expectativa otimista
de preços para os próximos 20 anos. Evidentemente são previsões
e tratam de médias gerais, havendo sempre produtos com preços
defasados ou em crise temporária.

Se analisarmos o mercado internacional de carnes, um dos


segmentos que mais cresce é o de carnes exóticas. Muitas espécies
animais nativas já são atualmente legalizadas e regulamentadas
para a criação e exploração comercial. Necessitamos aprimorar a
tecnologia e empreender criações neste sentido.

O Brasil no cenário internacional é destaque por suas madeiras


plantadas (pinus e eucalipto) e por suas madeiras nativas (mogno,
cerejeira, jequitibá, etc.), todavia, praticamente, tudo que se
explora de madeiras nativas é originário de desmatamentos, o
que é ruim para o meio ambiente e para a imagem do país. Mas
reside aqui um ponto importante: cultivar espécies florestais
nativas é viável economicamente, aliás, com boa lucratividade, se
feito com cuidado.

Unidade 3 87

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 3 – Análise das perspectivas por produto


A seguir, será realizada uma abordagem sobre as projeções do
agronegócio brasileiro, tomando-se como referência os seus
diferentes produtos, porém analisaremos cada produto de forma
isolada no que diz respeito à sua produção e comercialização.

Discutiremos produtos como: arroz, feijão, milho, soja, carnes de


aves, suínos e bovinos.

Arroz - situação e perspectivas brasileiras


A abordagem inicial de uma análise por produtos do agronegócio
brasileiro será realizada através de dois produtos fundamentais
na mesa do brasileiro: o arroz e o feijão. Acreditamos que as
exportações são fundamentais para o crescimento econômico,
mas, para exportarmos e almejarmos desenvolvimento, o
abastecimento do mercado interno deve constituir prioridade.

O gráfico a seguir nos mostra a produção brasileira de arroz nas


safras 2008/09; 2009/10 e as projeções até o ano de 2019.

Gráfico 05 - Arroz – Produção e projeção


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

O arroz é um alimento presente no dia a dia do brasileiro,


entretanto não se trata de um produto típico de nossas
exportações. Nas últimas décadas, o Brasil foi um típico

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Introdução ao Agronegócio

importador de arroz. Apesar de sua produção bastante expressiva,


o país sempre importava um percentual em torno de 10% de suas
demandas. Basta observar, na safra 2008/09, uma produção de
12.112 mil toneladas e um consumo de 13.000 mil toneladas.

Segundo o IBGE, a população brasileira deverá ficar estável na


ordem dos 190 milhões de habitantes para os próximos anos.
Entretanto, segundo o gráfico anteriormente exposto, a produção
deverá crescer a um ritmo de 0,94% ao ano. Logo, vamos conferir
as projeções para o consumo.

Gráfico 06 - Arroz - Consumo


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

O gráfico nos mostra que nosso déficit histórico de produção de


arroz, ao redor de um milhão de toneladas, deverá manter-se nos
próximos 10 anos. Cabe ressaltar que, em determinados períodos, o
Brasil foi autossuficiente na produção para o abastecimento interno.

Mas, se as projeções de taxa de crescimento


populacional são semelhantes a zero, por que o
consumo é crescente?

A resposta passa pelo crescente nível de renda que a população


experimenta e pelos esforços governamentais de políticas de
combate à fome e à miséria.

O gráfico a seguir expressa as projeções para as importações de


arroz, indicando um crescimento nas importações de 0,11% ao
ano, até 2019.

Unidade 3 89

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Gráfico 07 - Arroz – Importação e projeções


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

O MERCOSUL é formado pelos Pode-se perceber que, se depender somente do mercado interno,
seguintes países membros:
os preços do arroz ficarão muito altos ao consumidor e muito
Argentina, Brasil, Paraguai e
Uruguai. São países associados:
“prazerosos” aos agricultores nos próximos anos. Isto porque
Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, verificamos um déficit entre a oferta e a procura. Entretanto os
Peru e Venezuela. Entre os países do MERCOSUL são tradicionalmente fornecedores de
objetivos do MERCOSUL, pode-se arroz para o Brasil, estabilizando preços com suas entradas em
destacar a livre circulação de momentos de preços altos.
bens, serviços e produtos entre
os Estados membros.
Em termos de raciocínio lógico, com o objetivo de cobrir o
déficit, espera-se um aumento na área plantada de arroz para os
próximos 10 anos. É o que mostra o gráfico a seguir:

Gráfico 08 - Arroz – Área Plantada


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

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Introdução ao Agronegócio

Como se pode observar no gráfico 08, a expectativa é de que


a área plantada aumente de 2.878 mil hectares para 4.046
mil hectares. Isto representa um aumento total de 40,58 % no
período, ou 2,88 % ao ano.

Para você refletir: o consumo irá aumentar ao ritmo


de 0,93% ao ano, a produção irá crescer 0,94 % ao ano,
então por que a área plantada crescerá 2,88 % ao ano e
o país continuará a importar o produto?

A seguir, veremos aspectos sobre a produção de outro produto que,


assim como o arroz, não pode faltar na mesa do brasileiro: o feijão!

Feijão - maravilha ao produtor ou ao consumidor?


O feijão é mais que um alimento para o brasileiro, faz parte da
sua identidade cultural. A música “O preto que satisfaz” (feijão
maravilha) canta: “Feijão tem gosto de festa, é melhor e mau não faz.
Ordem ontem e sempre, feijão, feijão, feijão, o preto que satisfaz”. Diz
a letra do compositor Gonzaguinha.

Mas como anda este mercado?

O gráfico a seguir apresenta a atual área plantada e as projeções


de crescimento desta cultura até 2019.

Gráfico 09 - Feijão – Produção e projeções


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Unidade 3 91

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Universidade do Sul de Santa Catarina

O Brasil apresentou uma produção de 3.545 mil toneladas


na safra 2008/09 e deverá crescer 21,81 % até 2019 – isto
representará um crescimento de 1,97 % ao ano no período. Mas,
aqui, lançamos um questionamento: tratando-se de um produto
tipicamente nacional, este crescimento é suficiente para atender a
demanda?

O gráfico a seguir nos dá uma noção mais precisa acerca desta


pergunta.

Gráfico 10 - Feijão – Consumo e projeções


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Ao verificarmos os gráficos de oferta e de consumo de


feijão para o período estudado, podemos perceber uma leve
superioridade da oferta sobre a demanda, sendo o feijão um item
fundamental na mesa dos brasileiros. Portanto é interessante
que este produto tenha preços acessíveis, principalmente para
as camadas populares. Mas, por outro lado, não é interessante
para os agricultores. Logo, pode-se apontar para uma política
focada no término das importações ou início de exportações
para o segmento. Outra saída é restringir crédito, aumentar
impostos, etc. Entretanto vale lembrar que um alimento popular,
fundamental na composição da cesta básica de um país – como
o Brasil, que deseja combater a fome e a miséria –, deve ser
mantido no mercado com preços populares, nem que seja com
base em uma política de subsídios.

O gráfico nos mostra as tendências de importação de feijão até 2019.

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Introdução ao Agronegócio

Gráfico 11 - Feijão – Importação e projeções


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Como se pode observar no gráfico anterior, as importações de


feijão continuarão crescendo no período, mesmo com as projeções
de produção superando levemente a oferta. Existem algumas
explicações para a contradição que os gráficos nos apontam,
ou seja, a existência de contratos pré-existentes, questões de
segurança alimentar que objetivam pressionar os preços de
mercado para baixo, evitando uma alta de preços num produto
fundamental na alimentação dos brasileiros.

O gráfico a seguir nos mostra as projeções para o crescimento da


área plantada de feijão para os próximos anos.

Gráfico 12 - Feijão – Área Plantada


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Podemos observar no gráfico que a área plantada deverá


aumentar de 3.972 mil ha, em 2008/09, para 4.693 mil ha,

Unidade 3 93

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Universidade do Sul de Santa Catarina

em 2019. Isto significa 721.000 ha a mais de área plantada, ou


18,15 % no período. Curiosamente, a cultura do feijão, em seu
pior cenário (limite inferior), praticamente não decresce a área
plantada, e, com o aumento previsto de produtividade, iguala
a atual oferta. Outro aspecto a ser considerado: este produto
é praticamente inelástico com relação à procura, pois grandes
variações nos preços alteram muito pouco a demanda.
Comparando os gráficos anteriores, observamos que as projeções
para a cultura indicam um aumento na produção de 1,97% ao
ano, 1,21 % no consumo, 1,35% nas importações e 1,82% de
crescimento na área plantada. Se compararmos área plantada
com aumento de produção, percebemos um pequeno aumento de
produtividade, muito pouco do que precisamos para os próximos
anos em termos tecnológicos.

Milho: o ouro da agricultura e seu futuro


Ao longo da história, podemos ver, por meio de algumas pinturas,
que diferentes artistas costumam retratar o milho como símbolo da
riqueza, o ouro. Certamente estes pintores e artistas conheciam muito
bem esta cultura, cujos preços de mercado podem até oscilar, dar
lucro, prejuízo ou empatar, mas seu valor para a alimentação humana
é fantástico, de forma direta, através de sua culinária muito apreciada,
ou, indiretamente, como ingrediente das rações para os animais.

O gráfico a seguir mostra as projeções de produção para a cultura do


milho até 2019.

Gráfico 13 - Milho – Produção e perspectivas


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

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Introdução ao Agronegócio

O Brasil produziu na última safra de milho aproximadamente


60 milhões de toneladas do grão. Espera-se um crescimento de
2,33% ao ano até 2019, ou seja, o país deverá atingir a marca
dos 73 milhões de toneladas. Isto representa um aumento total
de 25,03% num cenário mais provável. Quanto à área plantada,
projeta-se um crescimento de 14,70 milhões de ha (última safra),
para 15,46 milhões de ha para 2019. Isto significa uma taxa de
crescimento de 0,49% ao ano, e, no período, um aumento total de
750 mil ha ou 5,11%. No caso do milho, são bastante visíveis as
projeções para o aumento de produtividade, ou seja, a produção
crescerá 25%, enquanto a área plantada crescerá 5%.

O gráfico 14 apresenta as projeções para o consumo de milho nos


próximos nove anos.

Gráfico 14 - Milho - Consumo


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Quando o assunto é consumo de milho, recomenda- se


estabelecer alguns comentários sobre o tema. Partindo do
pressuposto de que o consumidor é quem irá ingerir este produto,
em princípio, parte do milho se destina à alimentação humana,
outra parte é destinada à formulação de rações para o mercado Commodities – É uma
mercadoria padronizada,
de carnes, e, no cenário internacional, mais especificamente nos
passível de ser negociada
EUA, recentemente se está produzindo etanol a partir do milho. em contratos, amplamente
consumida no mundo,
O milho e o farelo de soja, misturados em proporção adequada, permitindo a negociação
formam a base da alimentação animal na atualidade. Estes dois em bolsas de valores e
produtos – milho e a soja – são utilizados internacionalmente, mercadorias. Desse modo,
pode-se dizer que possui
consumidos e desejados em todo o globo, por isso são
preços internacionais.
considerados commodities.

Unidade 3 95

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Ao abordarmos o tema mercado de carnes, torna-se fundamental


analisar, anteriormente, produtos como o milho e a soja, pois,
sem eles, a produção de carnes na atualidade fica muito limitada,
exceto parte da bovinocultura de corte brasileira, que é produzida
a pasto. A ampla maioria da produção de carne de aves e de
suínos em todo o globo é realizada a partir da utilização da ração
como alimento dessas espécies.

O gráfico13 nos mostra que, em 2008, o consumo de milho


no Brasil foi da ordem de 45 milhões de toneladas, e espera-se
atingir a marca dos 52,5 milhões de toneladas em 2019. Isto
significa um crescimento total de 19,32%, ou 1,99% ao ano. Se
comparamos com a produção brasileira em 2008, que foi de
58,6 milhões de toneladas, e uma projeção de 73,3 milhões de
toneladas, iremos perceber um déficit crescente na produção de
milho para o abastecimento interno. Este déficit deverá ser suprido
principalmente com a importação de países do MERCOSUL.

O gráfico a seguir estima as exportações brasileiras de milho para


os próximos anos.

Gráfico 15 - Milho – Projeção das exportações brasileiras


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

O cálculo mais provável para os próximos anos aponta para


um aumento significativo nas exportações brasileiras de milho,
um crescimento da ordem de 7,37% ao ano, saltando de 11,5
milhões de toneladas, em 2008, para 23 milhões, em 2019. As
exportações praticamente dobrarão no período, aumentando em
11,5 milhões de toneladas a quantidade demandada.

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Introdução ao Agronegócio

Soja: o novo ciclo das riquezas agrícolas


No início deste livro, estudamos alguns produtos que foram um
marco no desenvolvimento econômico nacional, como a cana-de-
açúcar e o café. Se realizarmos um comparativo do quarto final
do século XX e início do século XXI com o Período Colonial
e início da República, período conhecido como economia
primário-exportadora, seguramente chamaríamos nossa época
de “o ciclo da soja”. Esta leguminosa, inicialmente, não poderia
ser plantada no país, pois seu ciclo biológico não completava,
resultando em inviabilidade econômica. Entretanto, devido aos
trabalhos de pesquisa, principalmente da EMBRAPA, esta
cultura foi adaptada e, com ela, um novo ciclo de prosperidade
nasceu. O Brasil é o segundo maior produtor mundial da cultura
e, como iremos discutir nesta unidade, o futuro maior produtor e
exportador do globo.

Por que a soja?

O grão desta leguminosa é rico em óleo e em proteína. Após


a extração do óleo, “sobra um resíduo”, a torta de soja, de
onde se obtém o farelo de soja, cuja composição alcança
aproximadamente 45% de proteína bruta. A proteína é o
ingrediente de custo elevado na formulação de rações. Desse
modo, o resíduo compete com o produto principal em termos de
receitas. Conforme visto anteriormente, se misturarmos milho
(rico em carboidratos) com farelo de soja (rico em proteínas) nas
proporções balanceadas, obteremos uma ração capaz de alimentar
aves, suínos, bovinos, etc. E, assim, produzir leite, ovos e carnes
em níveis economicamente viáveis.

Esta descoberta não é nova, mas produzir soja e milho em


grandes escalas está determinando uma revolução na alimentação
do mundo. No Brasil, por exemplo, a carne de frango se
popularizou nos últimos anos, sendo que, quarenta anos atrás,
pode-se afirmar que este era um produto elitizado.

O gráfico a seguir mostra a área de soja plantada atualmente e as


projeções para os próximos anos.

Unidade 3 97

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Gráfico 16 - Soja (Grão) – Área Plantada


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

A cultura da soja deverá ter um incremento de área de 5,2


milhões de ha, aproximadamente, no período, isto significa um
aumento de 24,23%, ou 1,95% ao ano para o período estudado.
O limite inferior prevê uma redução de 5 milhões de ha, e o
limite superior um acréscimo de 15 milhões de ha. Em ambas
as projeções de limites, o grau de probabilidade é muito baixo de
ocorrer neste período.

O gráfico 17 apresenta os cálculos para as exportações de soja até


o ano 2019.

Gráfico 17 - Soja (Grão) – Exportação


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Analisando o gráfico 17, constatamos que, em 2008/09, o Brasil


exportou 25.750 mil toneladas e deverá alcançar a marca dos

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Introdução ao Agronegócio

36.461.000 de toneladas em 2019. Este número projeta o país


para a liderança mundial no ranking das exportações de soja.
É interessante observar que o limite inferior ou a projeção mais
pessimista praticamente mantém estáveis as atuais exportações,
cujas cifras são as maiores (por produto), atualmente, na balança
comercial do agronegócio.

O gráfico a seguir apresenta os dados da atual produção brasileira


de soja e suas expectativas para o horizonte de tempo de 10 anos.

Gráfico 18 - Soja (Grão) – Produção e perspectivas


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

A atual produção brasileira de soja, de 60.072 mil toneladas


da safra 2008/09, deverá crescer pouco nos próximos anos,
entretanto o salto para 80.914 mil toneladas é o mais provável.
Este crescimento total de 34,70%, ou 2,43% ao ano, projeta o
Brasil à condição de maior produtor mundial de soja.

O gráfico a seguir apresenta o consumo brasileiro de soja no


período em estudo.

Unidade 3 99

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Gráfico 19 - Soja (Grão) – Expectativa de Consumo


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Podemos observar que o consumo de soja no país deverá


aumentar em aproximadamente 9,5 milhões de toneladas no
período. A taxa de crescimento de 2,11% no consumo de soja
expressa uma demanda no mercado interno que constitui um
excelente indicador do ponto de vista social, isto é, o óleo de soja,
fundamento da base alimentar, crescerá, enquanto a população
deverá permanecer estável.

A seguir, temos o gráfico que nos aponta as projeções para a


exportação deste produto até o ano de 2019.

Gráfico 20 - Soja (Grão) – Exportação e projeções


Fonte: AGE/MAPA, Projeções do agronegócio Brasil - 2008/09 a 2018/19 (2009).

Conforme nos mostra o gráfico, as projeções indicam que o país


deverá aumentar suas exportações até 2019 em, aproximadamente,

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Introdução ao Agronegócio

40%.Alterando sua posição de segundo para o primeiro do ranking


mundial. Note-se que temos mais oito anos para esta projeção
se concretizar. Outro detalhe é o pior cenário apontando para a
manutenção das exportações nos níveis atuais.

É bom lembrar que o objetivo principal do grão de soja é


a obtenção do óleo e do farelo.

A expectativa de produção de óleo de soja é saltar das atuais


6.256 mil toneladas para 8.408 mil, em 2019, isto significa
um crescimento de 2,86% ao ano, no período. O consumo do
óleo deverá crescer 3,18% ao ano, o que, em termos absolutos,
representa crescer das atuais 4.100 mil toneladas para 5.382 mil,
em 2019. As exportações do óleo deverão aumentar de 2.120
toneladas para 2.972 toneladas, ou seja, uma taxa de crescimento
de 2,03% ao ano.

Quanto ao farelo de soja, o país produz atualmente 25 milhões


de toneladas, devendo atingir a marca dos 33,5 milhões de
toneladas nos próximos 10 anos. No mesmo período, o consumo
Ovinocultura – É um
interno deverá crescer 4,18%, e as exportações, 1,12%. Conforme
ramo da Zootecnia trata
poderemos observar a seguir, o crescimento no mercado de carnes do estudo e da criação de
justifica esta diferença e, do ponto de vista econômico, é mais ovelhas.
vantajoso vender carnes do que grãos e seus derivados, pois a Cunicultura – Ciência que
agregação de valor na cadeia produtiva é bem maior. estuda e pesquisa a criação
de coelhos.
Caprinocultura – É a
criação de cabras para fins
O mercado de carnes de produção de carnes ou
leite com fins econômicos.
A seguir, serão apresentadas as informações, projeções e Pode também referir-se
discussões do mercado de carnes, atual e para os próximos dez à ciência ou estudo da
criação de cabras.
anos. Serão analisados os segmentos bovinos, frangos e suínos
por se tratar do grupo que abocanha a quase totalidade das atuais Estrutiocultura – É o ramo
da zootecnia que estuda a
produções e exportações. Entretanto é reconhecida a importância
criação de avestruzes.
de outros segmentos de carnes no país, como a ovinocultura,
cunicultura, caprinocultura, estrutiocultura e outras categorias
em que apresentamos elevado potencial de produção no mercado
nacional e internacional.

Unidade 3 101

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Universidade do Sul de Santa Catarina

O gráfico 21 apresenta o crescimento do mercado de carnes para


bovinos, frangos e suínos, de 1994 a 2007

Gráfico 21 - Produção brasileira de carnes - 1994 a 2007


Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio (2008).

Ao analisarmos o gráfico 20, podemos perceber que o segmento


frangos apresentou um crescimento de 188,9% no período,
seguido dos segmentos suínos e bovinos. Pode-se notar, também,
que, tradicionalmente, o segmento bovino liderava a produção
total de carnes no país, mas, entre os anos de 2001 e 2006, o
segmento de frangos foi o mais produtivo, sendo que, em 2007,
o setor de bovinos retoma novamente a liderança. Segundo o
gráfico 20, o Brasil é o 3° maior produtor mundial de carne de
frango, o 4° de suínos e o 2° de bovinos. Entretanto é o maior
exportador mundial dos três produtos.

A bovinocultura no Brasil deverá aumentar sua produção das


atuais 10.382.000 de toneladas para 15.512 mil toneladas, em
2019. A taxa de crescimento média esperada no período é de
3,5% ano, enquanto o consumo no mercado interno deverá
crescer ao ritmo de 2,22% ao ano, no mesmo período. Em termos
absolutos, o consumo atual é de, aproximadamente, 8 milhões
de toneladas e deverá atingir a marca das 10.200 mil toneladas /
ano nos próximos 10 anos.

A expectativa de produção brasileira de carne de frango no


período estudado é de aumentar de 11.130.000 para 17.433.000
toneladas no período, representando uma taxa de crescimento de
4,22% ao ano, enquanto o consumo no mercado interno deverá
crescer em média 2,57% ao ano.

102

int_ao_agronegocio.indb 102 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Esta diferença entre mercado interno e consumo


significa aproximadamente a quantidade a ser
exportada no período.

O gráfico a seguir apresenta uma estimativa de crescimento de


3,5% ao ano, entretanto projeções mais atuais estimam 5,6% ao
ano, no mesmo período.

A suinocultura cuja produção atual é de 3.107 mil toneladas


deverá crescer 2,84% no período, chegando à casa das 4.252 mil
toneladas, em 2019. No mesmo período, o consumo aumentará
dos atuais 2.482 mil toneladas para 3.014 mil toneladas, ou uma
taxa de crescimento de 1,79% ao ano.

As projeções de crescimento nas exportações nestes segmentos


para os próximos anos são apresentadas no gráfico a seguir:

Gráfico 22 - Projeções de crescimento das exportações brasileiras


Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio (2008).

Verificamos que o segmento de carne bovina é o que deverá


apresentar as maiores taxas de crescimento para os próximos 10
anos, ou seja, crescerá 6,2% ao ano, até 2018. O segmento de suínos
deverá crescer 4,9 % ao ano, seguido do segmento frango de corte,
que é de 3,5% ao ano. Aqui lançamos uma questão para você refletir!

O que justifica o segmento bovino de corte apresentar


os maiores índices de crescimento nas projeções?

Unidade 3 103

int_ao_agronegocio.indb 103 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

A resposta passa pelo investimento forte e contínuo das instituições


e produtores rurais brasileiros nas últimas décadas. Entre estes
se pode citar o SISBOV do MAPA, o trabalho da CIDASC em
SC para erradicar a febre aftosa, as pesquisas da EMBRAPA
relacionadas ao melhoramento genético e de pastagens, o serviço
de extensão no Brasil, representado pela EMATER e, em SC,
pela EPAGRI. E, no lado dos produtores, um esforço contínuo no
sentido de acompanhar as inovações tecnológicas e de mercado.
Contudo o fator custo de produção, que é resultado de nossa
tecnologia e da riqueza de nossos recursos naturais, constitui-se
em fator preponderante para a competitividade de nossa carne
nos mercados externos. O custo de produção da carne bovina no
mundo pode ser visto no gráfico a seguir.

Gráfico 23 - Custo total de carne bovina no mundo – 2006


Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio (2008).

O gráfico anterior nos mostra o custo de produção em US$


para se produzir 100 kg de carcaça. Verifica-se que o Brasil
produz, por menos de US$ 200,00, 100 kg de carcaça, valores
que são a metade da média mundial, chegando o custo a ser 3
ou 4 vezes menor, se comparado com países de agricultura bem-
desenvolvida, como a Alemanha e a França. O outro fator de
qualidade do produto brasileiro é que as carnes são produzidas
à base de pasto e poucos insumos químicos. Este sistema de
produção de carne bovina brasileira se aproxima bastante do
sistema de produção de produtos orgânicos, restando uma melhor
organização para obter uma certificação.

104

int_ao_agronegocio.indb 104 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

O mercado de biocombustíveis
Iniciamos a discussão deste item a partir de uma breve pergunta

Você sabe o que são biocombustíveis? E a partir de


que matéria-prima eles podem ser desenvolvidos ou
extraídos?

Os biocombustíveis são todos os combustíveis de origem orgânica


que se possa produzir. São muito conhecidos em nosso meio os
de origem vegetal, como o etanol da cana-de-açúcar, o biodiesel
originário de plantas como soja, colza, pinhão manso, mamona,
dendê, girassol e macaúba. Entretanto as gorduras de origem
animal também produzem biocombustíveis, a biomassa de lixo
orgânico e algumas algas também estão sendo alvo de pesquisas
para o desenvolvimento deste tipo de combustível.

Este mercado mundial, que é conhecido há muito tempo, mas de


crescimento acelerado recente, está fundamentado no esgotamento
das reservas de petróleo no globo e na excessiva poluição
causada pelos combustíveis derivados do petróleo. No Brasil, o
PROALCOOL foi implantado nos anos 70 e, atualmente, o país
é líder mundial na produção de etanol e na tecnologia do álcool.
A Lei 11.097, de janeiro de 2005, regulamentada pelo Decreto
5.488, de maio de 2005, introduz o biodiesel na matriz energética
brasileira e autorizou a utilização de 2 % de biodiesel na mistura
ao diesel comum até 2008 (já efetivado), prevê 5% até 2013, e já se
projeta atingir 20% até 2020.

As fotografias a seguir mostram algumas plantas utilizadas como


biodiesel no Brasil.

Unidade 3 105

int_ao_agronegocio.indb 105 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Mamona Pinhão Manso

Girassol Soja Óleo de Palma

Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio (2008).

Além das plantas anteriormente citadas, existem no Brasil


as palmeiras dendê e macaúba que se têm mostrado as mais
produtivas, quando comparadas às anteriores, apresentando ainda
a vantagem de ser uma espécie nativa, adaptada, portanto, aos
biomas e menos exigente em insumos.

O gráfico a seguir apresenta o consumo de óleo na Europa.

Gráfico 24 - Consumo de óleo na Europa


Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio (2008).

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int_ao_agronegocio.indb 106 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Pode-se observar no gráfico anterior que o consumo de


óleos destinados a biocombustíveis na comunidade europeia
praticamente quadruplicou em sete anos. O aumento no consumo
de óleos é global, e a tabela 02 a seguir mostra o crescimento no
mercado chinês.
China: importação de Óleos e Oleaginosas
(milhões de toneladas)
2000/2001 2003/2004 2007/2008
Soja 13,3 16,9 33,5
Óleos 2,9 7,1 9,2
Total 27,8 52,5 79,5
Taxa crescimento 2000/2004: 23,6% a.a.
Taxa crescimento 2003/2008: 14,8% a.a.

Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio (2008).

É importante lembrar que o quadro apresentado anteriormente


não apresenta dados referentes à importação apenas de
biocombustíveis, mas também de óleo para o consumo humano.
Sobretudo retrata que o segmento óleo vem crescendo muito e
continuará crescendo muito nos próximos anos.

Unidade 3 107

int_ao_agronegocio.indb 107 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 4 - Perspectivas para a agricultura familiar


Ao tratar do tema agricultura familiar e suas perspectivas, deve-
se primeiro definir o que se entende pelo assunto:

Agricultura familiar é aquela cujo trabalho na área


agrícola é realizado pela família do proprietário,
podendo contratar funcionários fixos e permanentes,
mas não devendo este número exceder ao de
integrantes de sua família. Estas propriedades devem
possuir uma área que não exceda ao número de
quatro módulos fiscais definidos pelo INCRA, em Santa
Catarina um máximo de 100 hectares. A Renda Bruta
desta propriedade deve ser analisada em função do
número de pessoas que ali trabalhem, e considera-se
aqui um máximo de R$ 180 000,00 por trabalhador
ano. As famílias que trabalham nesta atividade devem
residir na propriedade ou próximo a ela e a renda total
do estabelecimento ser no mínimo 80% de atividades
agrícolas da propriedade.

Obedecendo aos critérios da tipologia anterior, a FAO/ONU


classifica as propriedades familiares em periféricas, transição e
consolidadas conforme a combinação dos critérios anteriores, mais
mecanização, tamanho da área de 01 ha até o número máximo do
módulo fiscal, qualidade das terras, utilização de crédito rural e
outros. Estes dados são interessantes, para se entender que existem
vários tipos de produtores rurais familiares e que, conforme a
categoria, mudam as necessidades e as perspectivas.

Segundo ALTMANN, 2008, p. 12

Santa Catarina é um dos seis principais Estados brasileiros


produtores de alimentos, apresentando em diversas
atividades as mais altas produtividades do País. O setor
agrícola contribui com 12,8% na formação do PIB
catarinense e ocupa cerca de 700 mil pessoas. O número
de agroindústrias está estimado em 3 mil estabelecimentos,
que mantêm mais de 76 mil empregos diretos. O
Estado é um importante exportador de alimentos e
produtos agrícolas, em especial carnes, frutas, fumo e
produtos do setor florestal. A agricultura catarinense é
hegemonicamente familiar, sendo constituída por cerca de
180 mil estabelecimentos, representando mais de 90% do
total de estabelecimentos agropecuários.

108

int_ao_agronegocio.indb 108 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

O aumento nas condições de competitividade da agricultura


familiar catarinense passa pelo enfrentamento dos problemas
diagnosticados por ALTMANN (2008, p. 40), conforme
podemos ver a seguir:

O baixo nível de renda e a insatisfatória qualidade de


vida para boa parte das famílias rurais vêm provocando,
nos últimos anos, um êxodo rural médio da ordem de 1%
ao ano (2% entre os jovens), com tendência a acelerar-
se. Dados preliminares do LAC mostram que 43%
dos chefes de família têm mais que 50 anos e indicam
LAC – Levantamento
um processo de envelhecimento no campo. Observou-
Agropecuário Catarinense.
se também que 21% dos estabelecimentos rurais já
não contam com filhos residentes, o que compromete
diretamente a continuidade do funcionamento destes
estabelecimentos em médio prazo. Há que ressaltar
também que, em algumas cadeias produtivas – onde
novas tecnologias permitem intensificar e mecanizar (isto
é, “industrializar”) o processo de produção – o aumento
da produtividade do trabalho diminui as oportunidades
de novos empregos ou ocupações e exclui os produtores
de menor tamanho.
Dentre as principais causas dos problemas econômico-
financeiros que entravam o desenvolvimento da
agricultura familiar em Santa Catarina, podem ser
apontadas: a) a predominância de atividades agrícolas que
geram pouca renda por unidade de área; b) a reduzida
participação dos pequenos produtores no preço final
dos produtos que produzem; c) escassos conhecimentos
gerenciais e de mercado por parte dos produtores; d)
reduzido grau de organização e, e) dificuldades de acesso
a crédito de investimento em condições compatíveis com
a pequena escala de produção.

Diante do diagnóstico feito pela EPAGRI e aqui citado


anteriormente, pode-se perceber que o futuro da agricultura
familiar passa pelos aspectos dispostos a seguir.

„„ Cultivo e criação de espécies que não tenham competição


com a agricultura de larga escala, exceto quando agregue
valor na propriedade.

Ex. 1 - Cultivo de plantas medicinais, aromáticas,


ornamentais e produtos orgânicos.
Ex. 2 - Milho, cultura totalmente mecanizada, típica de
agricultura de larga escala.

Unidade 3 109

int_ao_agronegocio.indb 109 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Entretanto, se o agricultor familiar cultivar com o objetivo de


alimentar os animais para a produção de leite ou carnes, torna-
se viável.

„„ Aumento no grau de organização dos agricultores


em suas diversas formas, tais como: trabalhos em
parceria com os vizinhos, condomínios, associações
e cooperativas. Estas formas de organização devem
promover a educação e a profissionalização dos
produtores. A organização de pequenos grupos aumenta
o poder de barganha dos agricultores na compra e na
venda de seus produtos. Isto permite a redução nos custos
de produção e confere uma melhor qualidade final aos
seus produtos. Desse modo, consegue melhorar a taxa de
lucro e aumentar a participação na cadeia produtiva.

„„ Maior número de políticas governamentais que objetivem


promover os agricultores familiares em transição e
consolidados, como o crédito, extensão rural, seguro
da produção contra queda abrupta de preços, pragas,
doenças e fatores climáticos.

Seção 5 - Síntese de resultados


É visível o nascimento de um Brasil diferente, com mais
alimentos e menos miséria. Estas mudanças são marcadas pelo
advento da democracia no país e as políticas de combate à fome e
a miséria que foram postas em prática pelos governos de Itamar
Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva.
Estas políticas ganharam corpo e seguirão nos próximos anos,
inserindo socialmente e economicamente milhares de brasileiros
antes excluídos.

O outro fator importante no mercado interno de alimentos foi o


crescimento da classe média brasileira, aumentando o consumo
de modo geral e de alimentos mais elaborados, como doces,
queijos, biscoitos, vinhos, salames, etc.

110

int_ao_agronegocio.indb 110 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

No cenário externo, a chamada crise mundial de alimentos


movimentou o debate e continuará impulsionando a produção
em muitos países. Esta crise é atribuída ao crescimento do
mercado de biocombustíveis no globo, ao aumento no consumo
de alimentos nos países asiáticos, às mudanças climáticas, ao
esgotamento das reservas de minerais utilizados como adubos no
mundo e às oscilações nos preços do petróleo.

Entretanto, em se tratando de crise mundial de alimentos


no cenário externo, o Brasil tem condições de atender estas
demandas, tanto de biocombustíveis quanto de alimentos,
pois, como foi visto anteriormente, são mais de 100 milhões de
hectares com potencial de expansão para a agricultura.

A tabela 03 a seguir apresenta um resumo dos estudos do MAPA


sobre o agronegócio.

Resumo dos resultados

Produto Unidade 2007/2008 2018/2019

Produção

Grãos (milho, soja, trigo, arroz, feijão) mil toneladas 139.729 179.835

Carnes (bovina, suína, de frango) mil ton. eqiv. carcaça 24.619 37.208

Consumo

Grãos (milho, soja, trigo, arroz) mil toneladas 102.300 123.642

Carnes mil toneladas 18.010 24.205

Açúcar mil toneladas 11.433 13.976

Etanol bilhões litros 18 50

Exportação

Grãos (milho, soja) mil toneladas 37.304 59.369

Carnes mil toneladas 6.640 12.342

Açúcar mil toneladas 21.000 32.637

Etanol bilhões litros 3 9

Óleo de soja mil toneladas 2.120 2.972

Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio (2008).

Unidade 3 111

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Universidade do Sul de Santa Catarina

A análise detalhada do crescimento dos produtos está


apresentada nas seções anteriores, entretanto agrupar os
principais produtos facilita a compreensão da magnitude do
crescimento esperado e projetado para o período. Fica evidente
que, ao tratarmos o crescimento dessa ordem, de incrementos de
área para aumento de produção, de tecnologia e de infraestrutura
necessária à logística, os esforços vão muito além da garra dos
produtores brasileiros.

Vamos recordar o conceito de agronegócio, dos agentes


envolvidos em toda a cadeia produtiva e de infraestrutura
necessária: para se alcançar este crescimento desejado, haverá
uma sinergia com os demais setores da economia brasileira,
promovendo um desenvolvimento integrado.

Seção 6 - Principais desafios para o crescimento do


agronegócio
Iniciamos esta seção com um questionamento que é fundamental
à compreensão dos principais desafios para o crescimento do
Agronegócio.

Mas, afinal, quais os principais problemas que


poderemos enfrentar para alcançarmos este
crescimento?

Os desafios para o desenvolvimento do país estão interligados


com o crescimento do agronegócio, pois as melhorias de um
estimulam o crescimento de outro. Reconhecemos que as
pesquisas com biotecnologias, o endividamento dos produtores
rurais, a qualificação da mão de obra são desafios para este
crescimento, entretanto, neste momento, serão analisados apenas
a infraestrutura, as questões ambientais e o protecionismo.

112

int_ao_agronegocio.indb 112 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Infraestrutura
O Brasil perde 3 bilhões de dólares ao ano no agronegócio, por
deficiência em infraestrutura. O setor de transportes no Brasil
é, em geral, carente de investimentos. Vejamos os principais
aspectos detalhados na sequência.

„„ Transporte rodoviário - O país apresenta uma série


de rodovias em péssimo estado de conservação, uma
série de estradas com necessidade de duplicação e, nas
regiões de fronteira agrícola, a própria necessidade de
construção de novas rodovias. Em média, o transporte
rodoviário custa US$ 45,00/1000Tku. Os estudos
apontam que as melhores opções para o Brasil são os
transportes ferroviário, hidroviário e, em casos especiais,
a combinação com o transporte aeroviário, que é o mais
caro das modalidades, ao custo de US$ 320,00/1000Tku,
entretanto, viável para determinadas situações.
Transporte multimodal – é
„„ Transporte ferroviário - A malha ferroviária brasileira, a combinação de vários
em 1958, era de 38 000 quilômetros, atualmente consta de tipos de transporte para se
aproximadamente 28 500 km, o que representa um recuo atingir o local de destino.
de 25% no período. Para comparar, os EUA possuem uma Ex. A carga sai da lavoura
através de transporte
malha ferroviária de 307 000 km e a França 34 000 km.
rodoviário, deslocando-
Além de tudo, a localização destas ferrovias concentra-se se até a ferrovia para
no Estado de Minas Gerais e no litoral brasileiro e estas cumprir parte do trajeto
apresentam velocidade média muito baixa, 25 km/h. O até o porto. Esta carga
transporte ferroviário é importante fator de redução de seguirá de navio até o
custos no agronegócio brasileiro, pois apresenta um custo país de destino, onde,
novamente, irá cumprir
de US$ 16,00/1000 Tku.
o destino da mercadoria
em outras modalidades
„„ Transporte Hidroviário - O Brasil apresenta um de transporte. O
potencial enorme para expansão e melhorias nesta termo multimodal (Lei
modalidade de transportes, que apresenta um custo de 9.611/98) também se
US$ 10,00/1000Tku. O Brasil apresenta 42 000 km de refere à logística, ao
rios navegáveis. Já, a interligação desta modalidade com armazenamento, às
operações de carga e
as outras aumentará a sua eficiência: esta combinação é
descarga etc.
conhecida como transporte multimodal.

Unidade 3 113

int_ao_agronegocio.indb 113 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Tabela 04 – Composição dos custos da soja produzida no


Brasil (Mato Grosso) e EUA (Illinois) com destino ao porto de
Rotterdam na Holanda

Estados Unidos (Illinois) Mato Grosso (Sorriso)

Custo de Produção (A) 203,5 174,0

Frete ao porto 26,0 61,9

Tarifa portuária 3,0 7,0

Frete marítimo até Rotterndam 21,4 30,6

Custo de Transporte (B) 50,4 99,5

Prêmio (13,0) 80

Custo (A+B) 240,9 353,5

% do custo de transporte 20,9% 28,1%

Fonte: Brasil Ferrovias (2003). Disponível em: <[Link] >.


Acesso em: 28 out. 2010.

6.2 - Questões ambientais versus agronegócio


Existem críticas ambientalistas de diversas ordens ao agronegócio
brasileiro. Vamos discutir brevemente as principais.

„„ Desmatamentos para fins agrícolas - Qualquer tipo


de supressão de espécies arbóreas nativas é atualmente
ilegal no país. Contudo, conforme vimos no gráfico
02 não necessitamos mais promover desmatamentos
para aumentar a área plantada: são 100 milhões de
hectares prontamente disponíveis e, se aproveitarmos
melhor as áreas de pastagens aumentando os índices de
produtividade, praticamente aumentamos em mais 100
milhões de hectares a disponibilidade de áreas.

„„ Mudanças Climáticas - O fenômeno do aquecimento


global é uma realidade, e as mudanças ocorridas no
clima mundial já afetam as safras agrícolas, não somente
brasileiras, mas em todo o planeta. Sem dúvidas,
reduzir as emissões de gases poluentes, principalmente
CO2, é uma das alternativas que, combinada com o

114

int_ao_agronegocio.indb 114 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

aumento de espécies florestais, auxilia na reversão deste


quadro. Entretanto cabe ressaltar que o agronegócio
brasileiro pode dar importante contribuição a este
problema mundial quer através do sequestro do
carbono via reflorestamentos, seja através da produção Sequestro do carbono – Os
dos biocombustíveis, oferecendo uma fonte energética atuais processos produtivos,
renovável e de menor impacto. como a produção de
cimento, a queima de
combustíveis fósseis,
Veja o gráfico a seguir com as informações meteorológicas do
emitem entre outros gases
IAC - Campinas/SP, o qual bem ilustra o fenômeno, que se o Dióxido de Carbono
constitui em uma ameaça às safras brasileiras. (CO2), causando o chamado
aquecimento global. As
florestas, os oceanos têm
a capacidade de capturar
o gás carbônico do ar
atmosférico. Uma floresta
é capaz de absorver de 150
a 200 toneladas de Carbono
por hectare. Portanto,
através da regulamentação
do tratado de Kioto, está
iniciando a negociação
do chamado mercado de
carbono em bolsas de
mercadorias. Pois, à medida
que uma empresa emite
CO2, esta pode, por outro
lado, comprar créditos de
Gráfico 25 - Temperatura mínima média em Campinas - SP carbono, por exemplo, de
Fonte: Derli Dossa. Palestra: Alguns enfoques do mercado brasileiro do Agronegócio. (2008). um produtor rural que está
reflorestando
O gráfico exposto anteriormente é um retrato histórico dos
fenômenos que recentemente têm atormentado a vida dos
brasileiros e, mais diretamente, os agricultores. O fenômeno do
aquecimento global está ocasionando extremos no clima, ou seja,
enchentes seguidas de seca, temperaturas muito baixas em certas
regiões e temperaturas muito altas em outras regiões do planeta

„„ A emissão de energia e gases na produção de alimentos


- O pesquisador Alexandre Akira Takamatsu da Divisão
de Tecnologias Sociais do Instituto de Tecnologia do
Paraná – TECPAR apresentou os seguintes dados:

Unidade 3 115

int_ao_agronegocio.indb 115 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para cada quilo de carne suína, há um consumo de


1,77 kg de CO2 equivalente e 3,78 KWh, dados para a
Alemanha em 2005.

Para cada KWh de energia hidroelétrica, consome-se


0,63 kg de CO2 equivalente, dados para o Brasil para
grandes hidroelétricas, em 2005.

Cada quilo de fertilizante inorgânico consome 7,49


kg de CO2 equivalente e 13,93 KWh. Dados para
Alemanha em 2003.

Cada litro de diesel consome 0,34 kg de CO2


equivalente e 1,22 KWh. Dados para o Brasil em 2007.

Como podemos constatar nos dados anteriores, em todo o ciclo


de produção dos alimentos na atualidade, existe uma necessidade
constatada cientificamente de melhorias na eficiência energética
dos sistemas produtivos.

Esta é uma das vantagens da agricultura orgânica sobre


a convencional.

„„ O consumo de água - A agricultura consome


aproximadamente 70% da água utilizada no globo, sendo
que 20% é para as indústrias e 10% para o consumo
humano direto. Estima-se que, para produzir 1.000.000
de toneladas de grãos, seja necessário 1 bilhão de toneladas
de água, portanto um país exportador de alimentos é
um país exportador de água. O Brasil possui água em
abundância, porém não apresenta uma boa distribuição em
todo o seu território, havendo problemas de escassez em
quase toda a região Nordeste do país. Nas demais regiões,
o déficit hídrico é sazonal ou apresenta histórico de anos
de estiagem. Em parte, o problema pode ser solucionado
com açudes e barragens de irrigação e, em outra, uma
agricultura mais adaptada a sua realidade climática também
contribui para o processo. O outro problema do uso da
água pela agricultura é a contaminação desta com insumos
químicos, afetando todo o meio ambiente no curto prazo e
comprometendo a disponibilidade no médio e longo prazo.

116

int_ao_agronegocio.indb 116 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

„„ A escassez de insumos - Segundo dados do MAPA,


o País é o quarto maior consumidor de fertilizantes
do mundo, mas produz apenas 2% da oferta mundial,
portanto o Brasil é um grande importador de insumos
para a agricultura. No ano de 2007, as importações de
fertilizantes representaram 74% da demanda de adubos
consumidos. Dados da Associação Nacional para
Difusão de Adubos mostram que foram consumidos 2,8
milhões de toneladas de Nitrogênio (75% importado),
3,7 milhões de toneladas de Fósforo (51% importado) e
4,2 milhões de toneladas de Potássio (91% importado).
O principal fornecedor de nitrogênio e fósforo é a Rússia.
Os Estados Unidos são o principal fornecedor de potássio.
Observa-se uma forte dependência do país com relação aos
insumos. Entretanto tecnologias existentes, relacionadas
às biotecnologias e rochas moídas, apontam para uma
saída com relação à dependência externa e ao próprio
esgotamento destas reservas de minerais no globo.

O comércio exterior e o protecionismo do mercado


internacional
A Organização Mundial do Comércio - OMC é a instituição
internacional responsável pela regulamentação das trocas entre
os países. O artigo III do GATT, de 1994, que dispõe sobre o
tratamento nacional, afirma que os produtos importados devem
GATT – Acordo Geral sobre
receber o mesmo tratamento que as mercadorias similares Tarifas e Comércio em
nacionais no mercado interno. Fato polêmico é a proibição do inglês: General Agreement
subsídio governamental nas economias, Art. XVI do GATT, on Tariffs and Trade. Este
pois quase todos os países possuem políticas neste sentido, com os acordo, criado no período
pós-segunda guerra
objetivos de segurança alimentar e proteção aos seus agricultores.
mundial, em 1945, é a base
da criação da Organização
Buscamos uma abertura no mercado externo às exportações de Mundial do Comércio –
nossas mercadorias, evidentemente as nossas fronteiras também OMC e visa estimular as
devem ser abertas, pois a legislação e a ética não devem constituir trocas entre os países
um caminho de uma só via. e combater políticas
protecionistas.

Neste sentido, será interessante para o Brasil e os


países emergentes competirem com o evoluído setor
industrial dos países desenvolvidos?

Unidade 3 117

int_ao_agronegocio.indb 117 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Apesar de buscarmos espaços no comércio mundial e ouvirmos


reclamações constantes do protecionismo dos países ricos, cabe
ressaltar que o Brasil é um país que também possui uma série
de restrições e proteção com relação à entrada de mercadorias
estrangeiras.

No período militar, a indústria nacional estava bem mais


protegida, via mecanismos de impostos e taxa de câmbio,
entretanto isto gerou comodismo e atraso em nosso parque
industrial, resultando em baixa qualidade e encarecendo os
produtos ao consumidor final. Um maior grau de abertura
à entrada de importados gera concorrência, estimulando a
produtividade e a qualidade. Portanto, promover uma abertura
gradual aos produtos importados torna-se saudável para as
economias, podendo-se exemplificar com o próprio Mercado
Comum do Cone Sul – MERCOSUL, que fortaleceu as
economias de todos os países integrantes.

Seção 7 - O futuro do agronegócio


Referidos nas informações apresentadas e discutidas nesta unidade,
podemos identificar algumas linhas que nortearão o sucesso do
agronegócio para a próxima década. Vejamos a seguir quais são elas.

„„ Uma maior agregação de valor aos produtos, seja através


do aumento do processamento, seja através do aumento da
qualidade através de tecnologias produtivas mais saudáveis e
melhor apresentação dos produtos.

„„ A valorização dos recursos naturais e produtos


ecologicamente corretos são tendências e, em determinados
casos, é Lei. Estas variáveis já são muito conhecidas dos
produtores e consumidores brasileiros, entretanto a gradual
escassez de recursos, como a água e alguns minerais,
bem como as legislações mais severas, como a alemã,
que determina obrigatoriedade no consumo de produtos
orgânicos para as crianças, tende a crescer no mundo.

118

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Introdução ao Agronegócio

„„ Nutrição e saúde incorporadas nas propriedades dos


alimentos. Além de nossos conceitos tradicionais sobre a
composição dos alimentos e sua funcionalidade, tais como,
carboidratos, proteínas, gorduras, fibras, vitaminas e sais
minerais, o alimento deverá levar consigo novos conceitos,
como a nutracêutica (nutrição + medicamento), desse modo,
junto com o alimento estaremos comprando, também,
vitaminas, ômega 3, licopeno, resveratrol, etc.

„„ Alimentos processados com menor utilização de


conservantes químicos. Neste caso, as biotecnologias
apresentam-se como a grande alternativa tecnológica.

„„ A busca de um ambiente social mais igualitário e com


maior ética na cadeia produtiva.

„„ Mais acesso aos mercados internacionais por parte dos


países pobres. O fenômeno da globalização tem acelerado
este processo.

„„ Menos conflitos sociais e maior renda no campo brasileiro.


O aumento do poder aquisitivo dos brasileiros nos centros
urbanos, a diminuição do êxodo rural, a melhoria do nível
de emprego dos brasileiros e as políticas de erradicação da
miséria estão promovendo a valorização do trabalho do
produtor rural no Brasil.

„„ A conservação dos biomas brasileiros, Floresta Amazônica,


Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa, ao
mesmo tempo que constitui limite à expansão de área para
a agricultura, também é excelente oportunidade de renda
via ecoturismo e/ou turismo rural. Estes biomas também
podem ser explorados economicamente, utilizando-se de
tecnologias de manejo sustentável.

Pode-se perceber que o futuro agronegócio está ligado às questões


maiores que afetam a humanidade na atualidade, tais como a
preocupação com o meio ambiente, resultando no crescimento de
culturas para a produção de biocombustíveis para reduzir a utilização
de combustíveis fósseis; e, em alimentos produzidos por processos
menos agressivos ao meio ambiente, como a agroecologia, crescem
em todo o globo. A outra grande frente na produção de alimentos
é o combate à fome no globo: sabe-se que aproximadamente dois
bilhões de pessoas na Terra não têm uma alimentação adequada, ou

Unidade 3 119

int_ao_agronegocio.indb 119 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

passam fome. Atender as necessidades destas pessoas neste início de


século é meta da FAO/ONU. Portanto trata-se de informações que,
se por um lado são tristes, como a degradação ambiental e a fome,
por outro asseguram ao Brasil enfrentá-las como uma oportunidade
econômica e social de desenvolvimento e construção de uma imagem
positiva perante o mundo.

Síntese

O agronegócio brasileiro foi o segmento que apresentou as


maiores taxas de crescimento nos últimos 10 anos e apresenta-se
como um grande negócio para a próxima década. Constatamos
que produtos como o milho, a soja, o trigo, o arroz e o algodão
circulam em grandes quantidades no globo desde os anos
60. Os principais países produtores são os Estados Unidos,
Holanda, França, Alemanha, Brasil, Bélgica, Itália, Espanha,
Reino Unido e Austrália.

Diante das tabelas apresentadas neste capítulo, podemos observar


um aumento nas trocas entre os países no mundo após o ano de
1989, marco referencial no processo de globalização da economia.
Entretanto, e, como consequência, ocorre uma aceleração
nos últimos 10 anos, alavancada pelo crescimento mundial,
especialmente dos países asiáticos. Em 2008, ocorre a crise
financeira internacional e, consequentemente, uma desaceleração
de todo este processo em nível global. Entretanto, pode-se afirmar
que o agronegócio brasileiro não parou de crescer no período.

Verificamos que o segmento de carnes irá apresentar altas taxas


de crescimento no período, e cabe ressaltar que apresenta um
alto valor agregado. A carne bovina é a que deverá apresentar as
maiores taxas de crescimento para os próximos 10 anos, ou seja,
crescerá 6,2% ao ano, até 2018. O segmento de suínos deverá
crescer 4,9 % ao ano, seguido do segmento frango de corte,
que é de 3,5% ao ano. Os cereais, os óleos, o açúcar e o etanol
também crescerão bastante no período. Cabe lembrar que, com
os dias contados das reservas de petróleo, a alternativa mais

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int_ao_agronegocio.indb 120 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

próxima (e concreta) que existe são os biocombustíveis. Estes,


por sua vez, são fontes de energia natural renovável e poluem
aproximadamente 14 vezes menos o meio ambiente. Contudo é
apontado como uma das causas da crise mundial de alimentos.

Neste cenário de potência econômica do agronegócio do século


XXI, o Brasil nos deixa preocupados, pois possui uma história de
riquezas e de concentração delas. De riquezas com degradação
do meio ambiente. E é neste contexto que estão inseridos nossos
agricultores familiares ,e estes, médios e grandes produtores,
em nossos biomas. Trata-se de desafios socioambientais para a
gestão do agronegócio. Ambos representam potencialidades, pois
a agricultura familiar responde por aproximadamente 70% dos
alimentos que chegam até a mesa dos brasileiros, e a potencialidade
econômica de nossos biomas transcende a agricultura, permeando
os caminhos do ecoturismo e do turismo rural.

Atividades de autoavaliação

Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O


gabarito está disponível no final do livro-didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.

1) Como se pode observar no gráfico XX, a expectativa é de que a área


plantada aumente de 2 878 mil hectares para 4 046 mil hectares. O que
representa um aumento total de 40,58 % no período ou 2,88 % ao ano.
Mas, um questionamento? O consumo irá aumentar ao ritmo de 0,93%
ao ano, a produção irá crescer 0,94 % ao ano, porque a área plantada
crescerá 2,88 % ao ano e o país continuará a importar o produto?

Unidade 3 121

int_ao_agronegocio.indb 121 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

2) A cultura da soja foi viabilizada no Brasil através das pesquisas da


EMBRAPA, mas, entre tantas culturas e leguminosas, o que há de
especial com esta cultura?

3) Sobre agricultura familiar. Coloque “V” para as alternativas verdadeiras e


“F” para as falsas.
a) ( ) A agricultura familiar por seus baixos índices de produtividade
está fadada ao desaparecimento.
b) ( ) O conceito de agricultura familiar deve considerar a área da
propriedade, a gestão da mão da obra, a residência dos proprietários
ou trabalhadores, a renda bruta da propriedade e sua origem.
c) ( ) Existem diversos tipos de agricultores familiares. A FAO/ONU
classifica em periféricos, transição e consolidados.
d) ( ) No Estado de Santa Catarina existe o predomínio de médias e
grandes propriedades na produção de animais para o mercado de
carnes, especialmente aves e suínos.
e.) ( ) O baixo grau de organização coletiva e das propriedades, a baixa
participação nos preços de mercado, são problemas diagnosticados
que constituem uma ameaça à agricultura familiar.

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Introdução ao Agronegócio

4) Vimos que o Brasil possui 05 biomas. Sobre o tema, assinale a


alternativa falsa.
a) ( ) A mata atlântica é amplamente utilizada para a agricultura,
restando pouco de seu ecossistema original.
b) ( ) A Amazônia possui fragilidade em seu ecossistema para a
utilização de fins agrícolas. Entretanto é possível de exploração para fins
econômicos.
c) ( ) O Cerrado possui boa aptidão para a agricultura, mas, com
restrições ao uso do solo, fato que exige cuidados especiais no seu
manejo.
d) ( ) A Caatinga possui limitada disponibilidade hídrica para fins
agrícolas e está localizada no Nordeste do Brasil.
e) ( ) O maior potencial de expansão de terras agricultáveis é no Mato
Grosso, especificamente no Pantanal Matogrossense.

Saiba mais

Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade


efetuando consulta às seguintes referências:

ARBAGE, Alessandro Porporatti, Fundamentos de economia rural.


Chapecó: Argos, 2006.

ALMEIDA FILHO, Niemeyer. RAMOS, Pedro. Segurança


alimentar: produção agrícola e desenvolvimento territorial.
Campinas: Ed. Alínea, 2010.

Disponível em: <[Link]

Disponível em: <[Link]

Unidade 3 123

int_ao_agronegocio.indb 123 05/04/11 08:24


int_ao_agronegocio.indb 124 05/04/11 08:24
4
unidade 4

Políticas agrícolas e agrárias

Objetivos de aprendizagem
„„ Conhecer os principais instrumentos de política
agrícola e agrária que afetam o agronegócio e estão à
disposição dos agricultores.
„„ Compreender os objetivos das políticas agrícolas para
que se possam tomar as melhores decisões no cenário
do agronegócio.
„„ Identificar alternativas de crédito e comercialização
para o contexto do agronegócio.

Seções de estudo
Seção 1 Diferença entre política agrícola e política
agrária
Seção 2 Instrumentos de política econômica que
afetam a agricultura

int_ao_agronegocio.indb 125 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Imagine a seguinte situação: Você irá comprar uma propriedade
rural para produzir grãos e bovinos de corte. Quais as dimensões
desta propriedade? Mede-se em metros quadrados ou hectares?
Ela é considerada grande ou tipo familiar? Estas perguntas
básicas referem-se à política agrária, ou seja, à terra e seu
ordenamento – o uso, a finalidade, a cobrança de impostos, etc.

Entretanto, uma vez sanados os problemas legais de se ter


uma propriedade rural, ao iniciarmos o processo de produção,
estaremos mais ligados à política agrícola, ao crédito rural, à
pesquisa e à extensão rural, às políticas de comercialização e
armazenagem. Esta unidade abordará os principais instrumentos
existentes no país e suas consequências para o agronegócio.

Seção 1- Diferença entre política agrícola e política


agrária
Entenderemos aqui a agricultura como o conjunto de atividades
desenvolvidas pelo homem com a finalidade de produzir
alimentos e matérias-primas para as agroindústrias. Atividades
organizadas por métodos racionais e sistemáticos de produção,
com a finalidade de exploração econômica. Neste conceito, estão
incluídas as atividades de produção vegetal, pecuária, fungos,
algas e afins. Este processo de produção é social e envolve a
utilização racional dos recursos naturais, derivando-se daí uma
série de necessidades e regulamentações, para que se possa
produzir e consumir com um grau de segurança aceitável.

Você sabe qual a importância da política agrícola e da


política agrária para o desenvolvimento econômico de
um país?

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Introdução ao Agronegócio

A Política Agrícola
A Lei 8171, de 1971 implementou a política agrícola no Brasil.
A Constituição Federal, em seus Artigos 184 a 191, estabeleceu
a política agrícola e a política agrária no País. A política agrícola
dispõe de instrumentos que a sociedade utiliza para viabilizar
a produção de alimentos de acordo com as necessidades da
população, em quantidades adequadas e em padrões de nutrição e
higiene aceitáveis. Desse modo, a política agrícola deve estimular
os produtores, de modo que estes se mantenham na atividade
para assegurar a produção a cada ano.

O Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA é o órgão


responsável pelas políticas agrícolas diretas no país. A Secretaria
de Política Agrícola – SPA é o órgão específico vinculado ao
Ministério da Agricultura para trabalhar na formulação e
orientação das políticas agrícolas do país.

A SPA atua em três grandes áreas:

1. Gestão do risco rural (zoneamento agrícola e seguro


rural);

2. Mobilização de recursos públicos e privados (para


financiar o custo da produção e os investimentos);

3. Apoio à comercialização (para assegurar, ao mesmo


tempo, renda estável ao produtor e suprimento ao
consumidor final, a preços competitivos).

O setor agropecuário apresenta maiores riscos que os outros,


justificando a necessidade de incentivos para compensar mais do
que as questões estratégicas e de interesse nacional. Conforme
se discutiu na unidade dois, a agricultura é o ponto de partida
de toda a economia brasileira, portanto seu sucesso é a base
dos setores secundário e terciário. Deste modo, uma redução
nos custos de produção neste setor promove uma diminuição
nos custos de toda a cadeia produtiva, direta e indiretamente.
Diretamente, pela compra de matérias-primas mais baratas,
como a soja e o milho pelos produtores de frango, resultando
em uma ave com preço mais baixo para a agroindústria,
consequentemente uma carne mais competitiva nos mercados
internacionais. Indiretamente, sobre toda a economia, pois a

Unidade 4 127

int_ao_agronegocio.indb 127 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

alimentação é item fundamental na composição dos salários.


Logo, se a agricultura produz alimentos mais acessíveis aos
consumidores, está subsidiando toda a economia salarial.

São exemplos de política agrícola: a Política de Crédito


Rural, a Política de Garantia de Preços Mínimos - PGPM,
o Seguro Agrícola, a Pesquisa e Extensão.

Estes instrumentos serão discutidos, cada um, na seção 2.

Como podemos perceber, a quase totalidade da safra brasileira


está dependente, em algum grau da operacionalização, destas
políticas. Ou seja, não basta ter crédito rural, é preciso ter juros
compatíveis e exigências acessíveis, caso contrário a política
torna-se perversa aos agricultores.

Existem outras políticas tão importantes quanto as anteriores,


mas pouco valorizadas pelo governo, especialistas e acadêmicos
brasileiros, tais como: valorização da juventude do meio rural,
programas específicos para as mulheres, educação, esporte, laser e
saúde no meio rural.

A foto a seguir mostra a filha de produtores rurais Joana Bett, da


comunidade de Guatá, município de Lauro Muller - SC. Joana está
estudando Agronomia na UNISUL, beneficiada pelo PROUNI.

Foto 01 - Joana Bett, filha de agricultores rurais


Fonte: Elaboração do Autor (2011).

128

int_ao_agronegocio.indb 128 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

É reconhecida a existência de políticas que contemplem os temas


citados anteriormente, tais como a educação no meio rural,
entretanto considera-se muito pouco diante das reais necessidades.

A Política Agrária
A política agrária difere da política agrícola por tratar das
questões mais específicas ligadas à terra, como os meios para
o ordenamento das atividades, sua estrutura e legislação
pertinente, com vista ao desenvolvimento econômico e bem-
estar da comunidade. A política agrária na Constituição Federal de
1988 é relatada nos Artigos 184 a 191, que compõem o Capítulo III
DA POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA REFORMA
AGRÁRIA, do Título VII Da Ordem Econômica e Financeira.

No Brasil, a instituição oficial responsável diretamente pela


política agrária é o Ministério do Desenvolvimento Agrário
– MDA, que possui sua estrutura regimental regulamentada
conforme Decreto 7.255, em 04 de agosto de 2010, com vigência
a partir de 1° de setembro de 2010, conforme Decreto n° 7.280,
de 31 de agosto de 2010.

O MDA possui três secretarias:

a) Secretaria da Agricultura Familiar – SAF: cuja missão é


consolidar o conjunto da agricultura familiar de modo a
promover o desenvolvimento local sustentável;

b) Secretaria de ReordenamentoAgrário – SRA: que atua


na implementação de políticas públicas nacionais para o
meio rural por meio de ações complementares à reforma
agrária, como a garantia de acesso à terra através de
financiamento (Crédito Fundiário);

c) Secretaria de Desenvolvimento territorial – SDT:


que contribui para o desenvolvimento de regiões de
agricultura familiar e beneficiários da reforma e do
reordenamento agrários.

Dando continuidade às nossas discussões, lanço uma questão


simples a seguir, mas que trata de um órgão importante no
cenário nacional.

Unidade 4 129

int_ao_agronegocio.indb 129 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Você sabe o que significa INCRA?

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária –


INCRA é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do
Desenvolvimento, classificada como unidade do MDA. Criada
pelo Decreto-lei n. 1.110, de 9 de julho de 1970, teve sua
estrutura regimental aprovada pelo Decreto n. 5.735, de 27 de
março de 2006, (com nova redação dada pelo Decreto n. 6812,
de 03 de abril de 2009). A missão do INCRA é: “Implementar
a política de reforma agrária e realizar o ordenamento fundiário
nacional, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável.”

Deste modo, o INCRA, além de ser o responsável oficial pelos


projetos de reforma agrária e assentamentos no Brasil, é o órgão
que atua mais diretamente nestas políticas, como a certificação
de imóvel rural para efeito de compra e venda e parcelamento
em cartório. Outra política agrária importantíssima realizada
pelo INCRA é o Imposto Territorial Rural – ITR, entretanto a
cobrança é realizada pela Receita Federal.

Em seu Artigo 22, inciso I da Constituição brasileira, a


competência para legislar sobre o direito agrário, e, por
consequência, o crédito rural é da União. Portanto começamos a
entender a necessidade de conceituar política agrícola e política
agrária, pois determinados instrumentos importantíssimos, como o
crédito rural, são administrados por diferentes instituições: no caso,
tanto o MAPA quanto o MDA executam esta política, porém com
diferentes enfoques. Portanto o credito rural é pertinente à política
agrícola e agrária. Existem ainda instituições em nível estadual,
municipal regional que auxiliam na execução destas políticas.

Ex.: Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão


Rural de Santa Catarina – EPAGRI. As secretarias de
agricultura dos municípios, a Cooperativa de Crédito
Rural com Interação Solidária – CRESOL e outras
instituições de apoio.

O ordenamento territorial no Brasil é de competência do MDA/


INCRA. A instituição responsável pela regularização de terras
no Brasil é o INCRA.

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Introdução ao Agronegócio

A foto a seguir mostra uma propriedade rural cercada,


representando os limites legais da propriedade privada.

Foto 02 - Propriedade rural


Fonte: Elaboração do Autor (2011).

Seção 2 - Instrumentos de política econômica que


afetam a agricultura
Nesta seção, inicialmente, vamos subdividir os instrumentos de
política agrícola em dois tipos: gerais e específicos.

Instrumentos de Política Econômica Gerais


Serão discutidos aqui os seguintes instrumentos gerais: política
fiscal, monetária, cambial, de rendas e comercial.

a) Política fiscal – Refere-se à tributação e gastos.

„„ Taxa – é o custo de determinado serviço público posto à


disposição da comunidade de modo geral. Exemplo: taxa
de iluminação pública, lixo, licenciamento de veículos, etc.

Unidade 4 131

int_ao_agronegocio.indb 131 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ Contribuição – é a denominação aplicada aos tributos


destinados a custear tributos públicos recebidos
diretamente pelo contribuinte no passado ou no futuro.
Exemplo: contribuições sociais e de melhoria.

„„ Imposto – é a denominação que se dá ao tributo que


tem como fato gerador um fenômeno econômico
independente de qualquer atividade estatal. Exemplo:
Impostos diretos: Imposto de Renda de Pessoa
Física – IRPF, Imposto de Renda de Pessoa Jurídica
– IRPJ, Imposto Territorial Rural – ITR, Imposto
Predial Territorial Urbano – IPTU, Imposto sobre
a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA;
Impostos indiretos: Imposto sobre a Circulação de
Mercadorias e Serviços – ICMS, Imposto sobre Produtos
Industrializados – IPI.

O governo dispõe de mecanismos de isenção fiscal e de incentivos


fiscais. A isenção fiscal é a situação em que certas atividades ou
setores são liberados, temporariamente, da totalidade ou parcela
de determinados impostos. Para aumentar as exportações, o
governo pode promover a isenção de IRPJ, ICMS e IPI. A Lei
Kandir, de 1995, regulamentou a isenção de ICMS para o setor
de exportações. Por sua vez, o incentivo fiscal ocorre quando o
imposto pago por certa empresa ou pessoa física em uma região
retorna a essa pessoa, desde que a mesma aporte esse recurso em
determinada região ou atividade.

b) Política monetária – Diz respeito ao controle do


governo sobre a oferta de moeda.
O controle é exclusivo do governo federal e executado
pelo Banco Central. Pode-se considerar que o total de
moeda em circulação numa economia é dado pela soma
de meios de pagamentos mais a base monetária, sendo
que meio de pagamento é o total de haveres possuídos
pelo setor não bancário e base monetária é o total de
recursos monetários das autoridades monetárias.

c) Política cambial – Este instrumento é executado pelo


Banco Central do Brasil – BACEN. A taxa de câmbio
é a paridade entre duas moedas. Exemplo: em 29/09/20,
R$ 1,71:US$ 1,00 (dólar comercial). A valorização e
desvalorização da moeda interfere diretamente sobre o

132

int_ao_agronegocio.indb 132 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

setor de exportações e importações, constituindo-se num


dos mecanismos de maior influência sobre o resultado da
balança comercial. Para entendermos melhor, vamos ao
exemplo hipotético a seguir.

Situação 1 – taxa de câmbio = R$ 1,71:US$ 1,00 – Um


trator médio é comercializado no Brasil ao preço de R$ 150
000,00. Um trator com características muito semelhantes é
comercializado nos EUA por US$ 100 000,00. Neste caso, este
trator custaria aos produtores brasileiros US$ 100 000,00 x R$
1,71 = R$ 171 000,00 (abstraindo-se impostos, frete e margem
de lucro dos comerciantes). O trator brasileiro nestas condições
custa para um estadunidense dentro do Brasil R$ 150 000,00 ÷
1,71 = US$ 87 719,30. Pode-se observar que, conforme o frete,
impostos e lucro, esta máquina começa a viabilizar sua entrada no
mercado dos EUA.

Situação 2 – taxa de câmbio = R$ 3,00:US$ 1,00 – O trator


americano custaria ao produtor brasileiro US$ 100 000,00 x 3,00
= R$ 300 000,00. Neste caso, torna-se inviável a importação
desta mercadoria americana. Entretanto o trator brasileiro custa
agora ao americano R$ 150 000,00 ÷ 3,00 = US$ 50 000,00.
Portanto, um ótimo negócio para o comprador, que pagaria a
metade do preço.

Situação 3 – taxa de câmbio = R$ 0,80:US$ 1,00 – O trator


americano custaria ao produtor brasileiro US$ 100 000,00 x 0,80 =
R$ 80 000,00. Nesta situação, começa a viabilizar a importação desta
mercadoria americana. Entretanto o trator brasileiro custa, agora,
ao americano R$ 150 000,00 ÷ 0,80 = US$ 187 500,00. Portanto,
inviável para o comprador, que pagaria um preço bem maior.

Balança Comercial – Sabemos que a Balança Comercial de um


país é o resultado das exportações menos as importações, (BC =
Exportações – Importações), logo conclui-se que a tendência da
Balança Comercial brasileira é a seguinte:

Situação 2 – moeda fraca – a economia do país irá exportar mais


e importar menos. A balança comercial tende a ser superavitária.

Unidade 4 133

int_ao_agronegocio.indb 133 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Situação 3 – moeda forte – a mercadoria importada fica barata


dentro do Brasil. A balança comercial está propensa a déficit. Foi
o que ocorreu no início do Plano Real, de 1994 a 1999.

Situação 1 – a atual – nestas condições, o governo pode


regular este mecanismo através dos impostos sobre os produtos
importados, aumentando ou diminuindo-os conforme os
interesses nacionais de importação ou exportação.

a) Política de rendas – Constitui-se numa série de


regulamentações que restringem a produção e a
comercialização de produtos, bem como o uso dos
fatores de produção e/ou determinam valores mínimos
e máximos para o pagamento pelo uso desses fatores ou
por produtos elaborados em uma economia. Exemplo:
Legislação trabalhista e o salário mínimo, PGPM,
política de zoneamento do uso da terra.

b) Política comercial – É um conjunto de medidas


e estratégias, públicas ou privadas, que afetam as
transações externas de um país (conforme visto nos itens
anteriores) e que interferem no processo de integração
econômica do país com os outros países. É uma
combinação de política fiscal, monetária, cambial e de
rendas.

Instrumentos de Política Econômica Específicos


O Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA é o órgão
responsável pelas políticas agrícolas diretas no país. A Secretaria
de Política Agrícola – SPA é o órgão específico vinculado ao
Ministério da Agricultura para trabalhar na formulação e
orientação das políticas agrícolas do país.

Relembra-se que a SPA atua em três grandes áreas –


zoneamento agrícola e seguro rural; mobilização de recursos
públcos e privados (para financiar o custeio da produção e
os investimentos); e, no apoio à comercialização, buscando
assegurar, ao mesmo tempo, renda estável ao produtor e
suprimento ao consumidor final a preços competitivos.

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int_ao_agronegocio.indb 134 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

O setor agropecuário apresenta maiores riscos que os outros,


justificando a necessidade de incentivos para compensar, além das
questões estratégicas, as de interesse nacional. Alguns exemplos
podem ser aqui apontados:

A Política de Crédito Rural, PGPM, Seguro Agrícola, e


Pesquisa e Extensão.

Política de crédito rural


Este mecanismo é considerado um dos mais importantes, pois
a quantidade de dinheiro disponibilizada a cada ano, a taxa de
juros, as condições de pagamento, etc. interferem diretamente na
área plantada anualmente. Neste sentido, com o envolvimento
de todas as instituições atuantes, é apresentado no Brasil,
anualmente, o plano safra, demonstrando e discutindo as
condições da política de crédito rural para as próximas safras. O
crédito rural no Brasil possui legislação própria e iniciaremos este
estudo com uma breve descrição da legislação pertinente.

a) A legislação de crédito rural no Brasil


A Constituição Federal, a Lei maior, relata o seguinte:
Artigo 22, inciso I descreve que a competência para legislar
sobre o direito agrário, e por extensão ao crédito rural, é da
união. Artigo 187, I trata da política agrícola. Artigo 50,
XXII, XXIII, XIV, XXV e XXVI, garante o direito de
propriedade, mas lhe outorga a função social, estabelece as
formas para a sua desapropriação, possibilita o seu uso em
caso de perigo público e garante a impenhorabilidade da
pequena propriedade rural. Artigo 20, inciso II e art. 26, IV
estabelecem as terras devolutas como bens da união. Artigo
126 possibilita a criação de juizado especial, como órgão do
Judiciário Estadual, para a resolução de conflitos fundiários.
Artigo 153,VI, 40 estabelece o ITR como da União. Artigo
184 a 191 estabelecem a política agrícola e fundiária e a
reforma agrária. O Estatuto da Terra, Lei 4 504 de 1964,
define em seu Artigo 73 a assistência financeira e creditícia.
A Lei 4829 de 1965 implementa o Sistema Nacional de
Crédito Rural e institucionaliza o crédito rural no país. A
Lei 8171 de 1971 implementa a política agrícola.

Unidade 4 135

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Em síntese, no tópico anterior estão compiladas as principais fontes


para o estudo da legislação referente ao crédito rural no Brasil.

b) Conceito, objetivos e discussão sobre crédito rural


Segundo o MAPA, “chama-se crédito rural o
suprimento de recursos financeiros, por instituições
do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR),
para aplicação exclusiva nas finalidades e condições
estabelecidas no Manual de Crédito Rural (MCR).”

Os objetivos do crédito rural, segundo o MAPA, são:

1. estimular os investimentos rurais para a produção,


extrativismo não predatório e armazenamento,
beneficiamento e industrialização dos produtos
agropecuários, quando esses investimentos forem
efetuados pelo produtor na sua propriedade rural,
por suas cooperativas ou por pessoa física ou jurídica
equiparada aos produtores;

2. favorecer o oportuno e adequado custeio da produção e a


comercialização de produtos agropecuários;

3. fortalecer o setor rural;

4. incentivar a introdução de métodos racionais no sistema


de produção, visando ao aumento da produtividade, à
melhoria do padrão de vida das populações rurais e à
adequada defesa do solo;

5. propiciar, através do crédito fundiário, a aquisição


e regularização de terras pelos pequenos produtores,
posseiros e arrendatários e trabalhadores rurais;

6. desenvolver atividades florestais e pesqueiras.

Quanto aos tipos de crédito rural, estes podem ser classificados


em crédito para o custeio, investimento e comercialização.

1. O crédito para o custeio é aquele que se destina a


financiar capital circulante, ou, na prática, as despesas
normais correntes da safra, tais como: adubo, semente,
combustível, serviços de mecanização, etc.

136

int_ao_agronegocio.indb 136 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

2. O crédito para investimento é aquele que se destina a


financiar capital fixo, ou seja, máquinas, implementos,
construções, etc.

3. O crédito para comercialização é aquele destinado às


operações de pós-colheita, em termos práticos, uma vez
a produção colhida, necessita de transporte, secagem,
sacaria, armazenamento, etc. Contudo, nas safras, os
produtores estão saindo de um longo ciclo de despesas
sem receitas, logo, geralmente, encontram-se em situação
financeira difícil, muitas vezes tendo que comercializar
a produção a qualquer preço. Portanto este mecanismo
alivia as pressões de oferta sobre os produtores, evitando
quedas abruptas de preços nas safras.

Quanto ao prazo de pagamento, as linhas de crédito para


investimento são, via de regra, de longo prazo, de três a doze
anos para pagar, enquanto as outras são de curto prazo, em geral
de um a dois anos. Lembra-se que o crédito fundiário oferece
recursos com prazos maiores (vinte anos) para pagar.

A imagem a seguir mostra um pulverizador (implemento)


acoplado a um trator (máquina), conjunto de ampla utilização no
atual modelo agrícola.

Foto 03 - Pulverizador
Fonte: Elaboração do Autor (2011).

Unidade 4 137

int_ao_agronegocio.indb 137 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Os tratores e implementos são classificados como capital fixo,


pois atendem à produção por vários ciclos produtivos. Estes são
financiados através do crédito rural para investimento.

Conforme os objetivos da Lei do Crédito Rural, podemos


observar as palavras “estimular, favorecer, propiciar, fortalecer,
incentivar e desenvolver”. Em nenhum momento, encontramos
“falir os agricultores,” “tomar as terras,” “gerar estresse e êxodo
rural” e “favorecer somente os grandes produtores.” Os objetivos
legais do crédito rural estão sendo cumpridos na atualidade
Impenhorabilidade – no país, entretanto podem ser melhorados. Também não
Benefício concedido por Lei podem ser esquecidos por aqueles que se propuserem a atuar
para determinados bens,
na área do agronegócio. Ao mesmo tempo, cabe lembrar o
resguardando-os de apreensão por
execução judicial.
Artigo 50 da Constituição Federal, que garante o direito da
impenhorabilidade da pequena propriedade rural.

c) O Plano Agrícola e Pecuário do MAPA para a safra


2010/11

O Plano Agrícola e Pecuário do MAPA é o documento oficial


que apresenta os programas e recursos governamentais para a
safra que se inicia. É um documento amplo e democrático, mas
sua elaboração conta principalmente com as participações do
MAPA/SPA, EMBRAPA, CONAB e Ministério da Fazenda.

O documento apresenta o volume de crédito que será lançado no


período, as linha de crédito, objetivos, finalidades e condições.

Segundo o Plano,

nesta safra serão destinados R$ 100 bilhões para


a agricultura comercial. Um aumento de 8% em
comparação com a safra passada. Os recursos serão
oferecidos a juros controlados, para operações de custeio
e de comercialização, constituem o maior aumento no
volume total do crédito: R$ 75,6 bilhões – 14% a mais
do que em 2009/2010. (Brasil, MAPA. Plano agrícola e
pecuário 2009/10).

Quais as principais mudanças para o crédito rural na safra


2010/2011?

„„ Elevação no crédito para a agricultura comercial.

138

int_ao_agronegocio.indb 138 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

„„ Aumento nos limites de financiamento em operações de


custeio e comercialização.

„„ Ações de incentivo à Agricultura de Baixo Carbono


(ABC), que resulta em menor emissão de gases
causadores do efeito estufa.

„„ Incentivo ao médio produtor rural, com a criação de um


programa especificamente voltado para esse público: o
Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural
(PRONAMP), que manterá as políticas do Programa de
Geração de Emprego e Renda Rural (PROGER Rural).

„„ Aumento dos limites de financiamento de custeio para os


médios produtores.

„„ Direcionamento de recursos obrigatórios dos depósitos à


vista para o PRONAMP.

„„ Incentivo à construção e à adequação de armazéns


na fazenda, por meio de elevação de limite de crédito
em programas de investimento, aumento do prazo de
reembolso e maior volume de recursos.

A tabela a seguir apresenta o montante de crédito disponibilizado


para a agricultura nas safras 2009/10 e 2010/11.

Tabela 01 – Crédito Rural em Bilhões de Reais

Financiamento 2009/2010 2010/2011 Variação (%)

Custeio e comercialização 66,2 75,6 14

Juros controlados 54,2 60,7 12

Juros livres 12 14,9 24

Investimento 14 18 29

Linhas especiais 12,3 6,4 -48

Total 92,5 100 8

Fonte: Brasil, MAPA. Plano Agrícola e Pecuário 2009/10.

Conforme a tabela 01, o maior aumento na disponibilidade de


crédito foi para a finalidade de investimento, o qual cresceu 29

Unidade 4 139

int_ao_agronegocio.indb 139 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

% com relação a 2009. O crédito para custeio e comercialização,


que representa o maior volume de crédito ofertado, ou seja, R$
75,6 bilhões, apresentou um crescimento de 14 % com relação ao
ano anterior.

A tabela a seguir apresenta as culturas e os limites vigentes por


produtores nas safras 2009/10 e 2010/11.

Tabela 02 – Limites de adiantamento de EGF e custeio por produtor

Limites vigentes na Limites para a safra


safra 2009/2010 (R$ mil) Produtos 2010/2011 (R$ mil)
Algodão, frutas ou milho, ou para
600 lavouras irrigadas de arroz, feijão, 650
mandioca, soja, sorgo ou trigo.
Amendoim ou café (2) ou para
450 lavouras não irrigadas de arroz, feijão, 500
mandioca, soja, sorgo ou trigo.
Cana-de-açúcar, pecuária bovina e
bubalina, leiteira ou de corte, e para
250 275
avicultura e suinocultura exploradas
em sistemas que não o de parceria.
170 Demais produtos. 200
Fonte: Brasil, MAPA. Plano Agrícola e Pecuário 2009/10.

A tabela 02 mostra o aumento na disponibilidade de crédito para


todos os itens financiáveis. A política de EGF – Empréstimo do
Governo Federal, classificada como crédito para a comercialização,
funciona de modo que a garantia do financiamento é o próprio
produto que fica depositado em armazém cadastrado. O produto
fica vinculado à política de preços mínimos e somente são
contemplados os produtos que fazem parte da PGPM – Política de
Garantia de Preços Mínimos.

A tabela a seguir apresenta em síntese as principais linhas de


crédito para investimento para a safra 2010/11.

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Introdução ao Agronegócio

Tabela 03 – Volume de Crédito Programado para a safra 2010/11

Limite de Prazo Taxa de


Recursos Programados Carência
Programa/Fontes crédito máximo juros (%
(R$ Milhões) (anos)
(R$ mil) (anos) ao ano)
ABC - 2.000 1.000 12 3 5,5
Moderinfra 500 1.000 1.300 12 3 6,75
Moderagro 850 850 300 8 ou 10 3 6,75
Propflora 150 150 300 4, 12 ou 15 - 6,75
6,75 ou
Produsa 1.500 1.000 300 ou 400 5 a 12 2, 3 ou 6 5,75
Prodecoop 2.000 2.000 50.000 12 3 6,75
Sem
Moderfrota 2.000 1.000 - 4, 6 ou 8 9,5
carência
Pronamp 1.500 1.700 - - - -
Sem
Moderfrota 1.000 500 - 4, 6 ou 8 7,5
carência
Outros investimentos 500 1.200 200 8 3 6,25
Procap-Agro 2.000 2.000 50.000 6 2 6,75
Fundos Constitucionais 3.500 2.450 - - - 5 a 8,5
de 300 a
Poupança Rural - 1.000 - 6,75
1.300
Outras fontes - 2.900 - - -
Total Geral 14.000 18.050 - - -

Fonte: Brasil, MAPA. Plano Agrícola e Pecuário 2009/10.

Para um melhor entendimento da tabela 03, vamos definir


algumas expressões apresentadas.

Programa/fontes – refere-se à linha de crédito ou à origem do


recurso, como no caso dos fundos constitucionais.

Recursos programados – é a quantidade total de recursos que


será ofertada, normalmente maior do que será efetivamente
contraído em crédito.

Limite de crédito – volume máximo que uma pessoa física ou


jurídica pode captar.

Prazo máximo – prazo total máximo de que o mutuário dispõe


para quitar o empréstimo.

Unidade 4 141

int_ao_agronegocio.indb 141 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Carência – período compreendido entre a liberação do recurso e


o pagamento da primeira parcela.

Taxa de juros – valor cobrado em percentual sobre o valor da


dívida. É pago pelo mutuário por período de tempo. Pode ser
mensal, trimestral, semestral ou anual.

ABC – Agricultura de baixo Carbono – é o mais novo


Agrossilvipastoris – É um sistema
de cultivo que combina o plantio de programa de crédito. Tem como objetivo o financiamento de
árvores (reflorestamento) e o cultivo práticas adequadas, tecnologias adaptadas e sistemas produtivos
de pastagens (plantas forrageiras) eficientes que contribuam para a redução da emissão dos
com o objetivo de produção florestal gases de efeito estufa. Financia a implantação e ampliação de
e criação de espécies animais como
sistemas de integração de agricultura com pecuária ou sistemas
os bovinos, por exemplo.
agrossilvipastoris, correção, adubação e implantação de
práticas conservacionistas de solos, implantação e manutenção
de florestas comerciais, recomposição de áreas de preservação
ou de reservas florestais e outras práticas que envolvem uma
produção sustentável e direcionada para uma baixa emissão de
gases causadores do efeito estufa. À ABC, foram destinados R$ 2
bilhões para o financiamento de projetos na safra 2010/11.

MODERINFRA – Programa de Incentivo à Irrigação e à


Armazenagem – visa apoiar o desenvolvimento de projetos
de irrigação para uma agropecuária sustentável e ampliação da
capacidade de armazenamento das propriedades rurais. O prazo
de pagamento foi ampliado de 05 para 12 anos; e o período de
carência, para três anos. O volume de recursos dobrou de R$ 500
milhões para R$ 1 bilhão.

MODERAGRO – Programa de Modernização da


Agricultura e Conservação de Recursos Naturais – esta linha
de crédito objetiva apoiar o desenvolvimento da produção de
espécies de frutas com potencial mercadológico interno e externo,
especialmente no âmbito do Programa de Produção Integrada de
Frutas (PIF Brasil), assim como beneficiamento, industrialização,
padronização e demais investimentos necessários às melhorias
do padrão de qualidade e das condições de comercialização de
produtos frutícolas. Além do desenvolvimento da fruticultura,
o programa também visa fomentar os setores da apicultura,
aquicultura, pesca, avicultura, floricultura, horticultura,
ovinocultura e caprinocultura, ranicultura, sericicultura,
suinocultura, pecuária leiteira e a defesa animal, particularmente

142

int_ao_agronegocio.indb 142 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose


e Tuberculose (PNCEBT) e a implementação de sistema de
rastreabilidade bovina e bubalina.

O MODERAGRO – também busca estimular a instalação de


unidades agroindustriais para o beneficiamento e a transformação
de frutas em chocolates, sucos, vinhos, geleias, licores, vinagres
e doces. Pode financiar também a instalação, ampliação e
modernização de unidades armazenadoras e de sistemas de
preparo, limpeza, padronização e acondicionamento de frutas e
seus derivados.

PROPFLORA – Programa de Plantio Comercial e


Recuperação de Florestas – este programa visa contribuir para a
redução do déficit existente no plantio de árvores utilizadas como
matérias-primas pelas indústrias, estimulando o reflorestamento,
principalmente para atender as indústrias moveleiras. O cultivo
de espécies florestais ajuda também a preservar os ecossistemas
existentes, pois, infelizmente, a maioria dos móveis de madeira
existentes no Brasil são originários de desmatamentos de
espécies nativas. Além do plantio, entre outros objetivos, o
PROPFLORA pode financiar também projetos silvipastoris,
agroflorestais, viveiros para a produção de mudas, recomposição e
manutenção de áreas de preservação e reserva florestal legal.

PRODUSA – Programa de Incentivo à Produção Sustentável


do Agronegócio – este programa visa estimular a recuperação
de áreas destinadas à agricultura que, embora ainda produtivas,
oferecem desempenho abaixo da média, devido à deterioração física
ou à baixa fertilidade do solo. Ou seja, objetiva recuperar a boa
fertilidade dos solos. Nesta safra, será disponibilizado R$ 1 bilhão.

PRODECOOP – Programa de Desenvolvimento Cooperativo


para Agregação de Valor à Produção Agropecuária – é um
programa específico para o cooperativismo brasileiro, que busca
aumentar a competitividade do complexo agroindustrial das
cooperativas brasileiras por meio da modernização dos sistemas
produtivos e de comercialização. Este ano serão alocados R$ 2
bilhões para a safra 2010/11. Este programa vem beneficiando
cooperativas em todo o Brasil e, de forma geral, atende a todas
as áreas do cooperativismo agropecuário, com enfoque na
infraestrutura de produção e comercialização.

Unidade 4 143

int_ao_agronegocio.indb 143 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Deste modo, financia unidades de beneficiamento de oleaginosas,


carnes e seus derivados, lacticínios, frutas, sucos e bebidas,
café, algodão, beneficiamento de grãos e necessidades afins.
Além destes itens, cabe ressaltar que o programa pode atender a
projetos de adaptação das cooperativas às modernas necessidades
ambientais, como tratamento de efluentes, geração de energia
com aproveitamento de subprodutos da própria cooperativa, como
a casca de arroz para a energia termoelétrica de uso interno, etc.

MODERFROTA – Programa de Modernização da Frota de


Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras
– trata-se de um programa específico para a aquisição e reforma
de tratores, colheitadeiras ou colhedoras e implementos agrícolas.
Financia também equipamentos de secagem e preparo do
café. Quanto ao financiamento de máquinas usadas, estas não
podem ter mais que oito anos de uso. Os implementos usados
financiados não podem ter mais que oito anos de uso e devem
estar revisados com o certificado do fabricante.

PRONAMP – Programa Nacional de Apoio ao Médio


Produtor Rural – este programa está substituindo o PROGER
RURAL – Programa de Geração de Emprego e Renda Rural,
cuja aplicação de recursos aumentou mais de cinco vezes em
relação à safra passada. Como consequência, se fez a conversão
para um novo programa especialmente voltado para o médio
produtor rural. Este novo programa deverá suprir uma lacuna
existente entre o PRONAF e as linhas de crédito tradicionais para
os grandes produtores. Nesta safra serão ofertados R$ 5,65 bilhões.

PROCAP – AGRO – Programa de Capitalização de


Cooperativas Agropecuárias – o foco deste programa são as
cooperativas de produção agropecuária, pesqueiras e aquícolas,
que contam com recursos para a recuperação ou a reestruturação
patrimonial. Para a integralização de cotas-partes, o limite de
crédito é de R$ 40 mil por associado, desde que não ultrapasse
o limite de R$ 50 milhões por cooperativa. Para capital de giro,
o limite é de R$ 50 milhões por cooperativa, descontado o valor
de financiamento para integralização de cotas-partes. Os juros
são de 6,75% ao ano e o prazo de pagamento é de até seis anos,
incluídos até dois anos de carência.

144

int_ao_agronegocio.indb 144 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

FUNDOS CONSTITUCIONAIS – a Constituição


Federal de 1988 destinou 3% do produto da arrecadação dos
impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e
sobre produtos industrializados para aplicação em programas
de financiamento aos setores produtivos das Regiões Norte –
Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO),
Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO). O objetivo é promover
desenvolvimento econômico e social destas regiões. Entretanto
estes fundos não contemplam somente os produtores rurais
mas também as firmas individuais, as pessoas jurídicas e as
associações e cooperativas de produção que desenvolvam
atividades nos setores agropecuário, mineral, industrial,
agroindustrial, turístico, de infraestrutura, comercial e de
serviços.

POUPANÇA RURAL – o depósito de poupança rural foi


criado pela Resolução 1.188, em setembro de 1986, com o
objetivo de captar recursos destinados ao desenvolvimento da
agricultura, inicialmente, apenas os bancos oficiais federais
– Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil, Banco da
Amazônia – foram autorizados a receber depósitos do novo
instrumento financeiro. A partir de 2004, o Conselho Monetário
Nacional – CMN autorizou os bancos cooperativos, comerciais
ou múltiplos cujo controle acionário pertença às cooperativas
centrais de crédito a captarem depósitos de poupança rural.
A partir de setembro de 2004, os bancos terão que elevar de
40% para 65% o percentual mínimo de aplicação dos recursos
captados em depósitos de poupança rural.

d) Crédito para a agricultura familiar

No Brasil, até a década de 90, conforme visto anteriormente


neste livro, 80% do crédito rural era destinado às culturas de
soja, trigo, arroz, milho, café e cana. Culturas típicas de grandes
propriedades. O crédito para os pequenos produtores rurais no
Brasil era de difícil acesso e muito burocratizado. Discriminado
pelas políticas governamentais e bancárias. Entretanto o país
começou a perceber a importância socioeconômica da pequena
produção rural, a agricultura familiar, que é responsável pela
ampla maioria dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.

Unidade 4 145

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Neste contexto, foi criado em 1995 o PRONAF – Programa


Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, cuja
finalidade é atender ao financiamento de projetos individuais ou
coletivos de agricultores familiares e assentados da reforma agrária.
Desde então, esta linha de crédito direcionada aos pequenos vem
sendo aperfeiçoada e ampliada para atender aos interesses dos
pequenos produtores.

O PRONAF é gerenciado pela SAF – Secretara da Agricultura


Familiar do MDA e é composto pelas linhas de crédito
apresentadas na sequência, segundo a SAF.

„„ Custeio – para financiar atividades agropecuárias e de


beneficiamento ou industrialização e comercialização de
produção própria ou de terceiros agricultores familiares
enquadrados no PRONAF.

„„ Investimento – para financiar implantação, ampliação ou


modernização da infraestrutura de produção e serviços,
agropecuários, ou não agropecuários, no estabelecimento
rural ou em áreas comunitárias rurais próximas.

„„ Agroindústria – linha de investimentos, inclusive


em infraestrutura, que visam o beneficiamento, o
processamento e a comercialização da produção
agropecuária e não agropecuária, de produtos florestais e
do extrativismo, ou de produtos artesanais e a exploração
de turismo rural.

„„ Agroecologia – para financiar investimentos dos sistemas


de produção agroecológicos ou orgânicos, incluindo-se
os custos relativos à implantação e manutenção do
empreendimento.

„„ Eco – para financiar investimentos em técnicas que


minimizam o impacto da atividade rural ao meio ambiente,
bem como permitam ao agricultor melhor convívio com o
bioma em que sua propriedade está inserida.

„„ Floresta – para financiar investimentos em projetos para


sistemas agroflorestais; exploração extrativista ecologicamente
sustentável, plano de manejo florestal, recomposição e
manutenção de áreas de preservação permanente e reserva
legal e recuperação de áreas degradadas.

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Introdução ao Agronegócio

„„ Semiárido – para o financiar investimentos em projetos de


convivência com o Semiárido, focados na sustentabilidade
dos agroecossistemas, priorizando infraestrutura hídrica
e implantação, ampliação, recuperação ou modernização
das demais infraestruturas, inclusive aquelas relacionadas
com projetos de produção e serviços agropecuários e não
agropecuários, de acordo com a realidade das famílias
agricultoras da região Semiárida.

„„ Mulher – para financiar investimentos de propostas de


crédito da mulher agricultora.

„„ Jovem – para financiar investimentos de propostas de


crédito de jovens agricultores e agricultoras.

„„ Custeio e Comercialização de Agroindústrias


Familiares – para agricultores e suas cooperativas
ou associações para financiamento de custeio do
beneficiamento e industrialização da produção própria e/
ou de terceiros.

„„ Cota-Parte – para financiar investimentos para a


integralização de cotas-partes dos agricultores familiares
filiados a cooperativas de produção ou para aplicação em
capital de giro, custeio ou investimento.

„„ Microcrédito Rural – financia as atividades


agropecuárias e não agropecuárias para agricultores
familiares enquadrados no Grupo B e agricultoras
integrantes das unidades familiares de produção
enquadradas nos Grupos A ou A/C.

„„ Mais Alimentos – financia propostas ou projetos de


investimento para produção associados à açafrão, arroz,
café, centeio, feijão, mandioca, milho, sorgo, trigo, erva-
mate, apicultura, aquicultura, avicultura, bovinocultura de
corte, bovinocultura de leite, caprinocultura, fruticultura,
olericultura, ovinocultura, pesca e suinocultura.

O PRONAF classifica os produtores rurais nos tipos A, B, C,


D e E, conforme a faixa de renda ou se o beneficiário é assentado
do Programa Nacional de Reforma Agrária regulamentado pelo
INCRA (PRONAF A). A categoria “B” atende a trabalhadores
rurais e integrantes de comunidades indígenas e quilombolas com

Unidade 4 147

int_ao_agronegocio.indb 147 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

renda bruta anual até R$ 2.000,00. O PRONAF “C” beneficia


produtores com renda entre R$ 2.000,00 e R$ 14.000,00 e o
“D”, produtores com renda entre R$ 14.000,00 e R$ 40.000,00
anuais. A categoria “E” atende aqueles que estão acima dos R$
60.000,00 aos limites de sua definição para enquadramento.

Um produtor rural comprova legalmente que é agricultor familiar


para efeito de benefícios do PRONAF com a Declaração de
Aptidão ao PRONAF – DAP. Este documento é emitido por
órgão cadastrado no Ministério do Desenvolvimento Agrário
–MDA. Por exemplo, em Santa Catarina, o Sindicato dos
Trabalhadores Rurais e a EPAGRI emitem este documento, pois,
além de conferirem os aspectos documentais, conhecem de perto
os agricultores, suas potencialidades e deficiências.

Os prazos de pagamento do PRONAF variam conforme a


finalidade do crédito, em geral, o crédito para custeio oferece
dois anos de prazo para o pagamento com uma taxa de juros de
1% a 5,00%, conforme a classificação do produtor. O crédito
para investimento oferece prazos de 8 a 10 anos para pagar com
períodos de carência de até 05 anos e taxas de juros idênticas ao
custeio. Entretanto é oferecido um desconto nos juros bem atraente
para o pagamento em dia, o “rebate”, que desconta de 25% a 40%
nos juros cobrados. Para a safra 2010/11, o Governo Federal prevê
investir R$ 16 bilhões em crédito para a agricultura familiar.

Se analisarmos as vantagens de um programa como o PRONAF


para os produtores rurais e a sociedade, podemos enumerar os
seguintes aspectos:

„„ a simples oferta de crédito aos pequenos foi um grande


avanço;

„„ a oferta de crédito com juros subsidiados e menos


burocratizados oferece acesso ao crédito para produtores
que não possuem a terra, como os que arrendam;

„„ o programa vem modernizando e capitalizando os


agricultores, projetando-os a um melhor nível de renda e
qualidade de vida;

„„ esta elevação de renda diminui o êxodo rural, reduzindo


o “inchaço” apresentado nas grandes cidades brasileiras.

148

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Introdução ao Agronegócio

O PRONAF também se encontra articulado com outras


políticas públicas como o Programa Fome Zero e o Programa
de Aquisição de Alimentos da CONAB, assegurando a
comercialização do produto aos agricultores e alimentos de
qualidade com preços mais acessíveis à população. Ao elevar o
nível de tecnificação e produção dos agricultores, insere toda uma
camada do meio rural no agronegócio, consumindo produtos
industrializados (tratores, implementos, etc.) e gerando empregos
diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva.

Pode-se concluir que políticas como o PRONAF são muito


saudáveis, não só para a melhoria da qualidade de vida dos
produtores rurais, mas para todo o conjunto da economia
e sociedade brasileira. É que, além de gerar empregos, tais
políticas descentralizam renda, fornecem alimentos de qualidade
com preços mais justos à população e contribuem para o
desenvolvimento sustentável do país.

Política de abastecimento e comercialização


a) A Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB
e seus Instrumentos de Comercialização Agrícola

A CONAB é uma empresa pública, vinculada ao Ministério


da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, criada por Decreto
Presidencial e autorizada pela Lei nº 8.029, de 12 de abril de
1990, tendo iniciado suas atividades em 1º de Janeiro de 1991.
As informações a seguir são fundamentadas principalmente em
documentos da própria CONAB – de livros e revistas, ou de seu
site na internet.

O surgimento da CONAB representou um passo importante na


racionalização da estrutura do Governo Federal, pois se originou
da fusão de três empresas públicas, a Companhia Brasileira
de Alimentos – COBAL, Companhia de Financiamento da
Produção – CFP e a Companhia Brasileira de Armazenamento
– CIBRAZEM, que atuavam em áreas distintas e
complementares, quais sejam, abastecimento, fomento à produção
agrícola e armazenagem, respectivamente.

Unidade 4 149

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Universidade do Sul de Santa Catarina

A CONAB é a agência oficial do Governo Federal, encarregada


de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, visando
assegurar o atendimento das necessidades básicas da sociedade,
preservando e estimulando os mecanismos de mercado. A
Companhia atua em todo território nacional, por meio de
suas Superintendências Regionais. Vinculadas a elas, existem
Unidades Armazenadoras (UA), de Comercialização (UC),
Frigoríficas (UF) e de Processamento (UP), para a prestação dos
serviços a que se destinam.

Promove, através de meio seguro, a comercialização eletrônica


de produtos e serviços relacionados às atividades finalísticas e de
produtos e insumos para terceiros e, também, presta serviços de
armazenagem e de classificação de produtos agrícolas. Realiza
levantamento de safras com forte utilização de geotecnologias,
mantém informações e séries históricas de indicadores
agropecuários, análise de mercado e conjunturas agrícolas.

Na área social, a CONAB atua em parceria com o Projeto


Fome Zero, do Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome - MDS.

A Companhia também promove, via leilão eletrônico, a compra de


alimentos para atendimento aos índios, quilombolas e assentados
que se encontram em situação de carência alimentar. Atua no
Programa de Apoio à Agricultura Familiar, realizando a compra
direta, a compra antecipada e os contratos de garantia de compra.

A Companhia tem como instrumentos básicos a Política


de Garantia de Preços Mínimos – PGPM, Prêmio para
Escoamento de Produtos – PEP, Contrato de Opção, Prêmio de
Risco para Aquisição de Produto Agrícola Oriundo de Contrato
Privado de Opção de Venda – PROP, Prêmio Equalizador
Pago ao Produtor (PEPRO), Prêmio para Equalização do Valor
de Referência da Soja em Grãos – PESOJA e o Programa de
Aquisição de Alimentos – PAA, destinado especificamente para
a agricultura familiar.

A seguir, uma breve descrição destes instrumentos.

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Introdução ao Agronegócio

Política de Garantia de Preços Mínimos – PGPM


A CONAB elabora, todos os anos, estudos que balizam a
política agrícola a qual tem forte peso na definição dos rumos do
desenvolvimento socioeconômico do país e apresenta propostas
para fixação de Preços Mínimos para os produtos agrícolas a cada
ano/safra. Para isto, realiza, sistematicamente, levantamentos
para prever as safras e acompanhar o comportamento da
produção e dos preços e, com isso, orientar as diretrizes
governamentais relativas ao abastecimento interno, exportações e
importações dos principais produtos agrícolas. (CONAB, 2006).

Os dados dos estudos são coletados, hoje, com a


utilização de sistemas tecnológicos altamente eficazes
e que produzem uma enorme garantia e seguridade
nos resultados obtidos.

A Companhia utiliza satélites para obter dados precisos junto


a um conjunto de entidades fundamentando-se no uso de
geotecnologias como o sensoriamento remoto, geoprocessamento
e Global Positioning System – GPS.

Além disso, criou o Projeto Geossafras para aumentar a


precisão no delineamento das safras agrícolas. O Projeto
Projeto Geossafras – É
utiliza geotecnologias de sensoriamento remoto, GPS e o um projeto da Companhia
Sistema de Informações Geográficas da Agricultura Brasileira Nacional de Abastecimento
– SIGABrasil, que se complementam com os tradicionais – CONAB, que tem
levantamentos de campo e com os modelos agrometeorológicos, como objetivo principal
que calculam a influência dos fatores climáticos no rendimento estimar a área plantada
e a produtividade das
das culturas durante seus ciclos de desenvolvimento. safras com a finalidade
de fornecer subsídios ao
Diante dos resultados dos estudos aplicados, a Companhia forma, governo para direcionar
ou não, estoques públicos que são comercializados conforme os as políticas agrícolas.
movimentos do mercado. No processo de formação dos estoques Este projeto conta com
recursos tecnológicos
públicos, a CONAB executa os mecanismos da Política de
tais como: modelos
Garantia de Preços Mínimos do Governo Federal – PGPM. estatísticos, sensoriamento
remoto, posicionamento
por satélite (GPS),
É com base nesta política que as aquisições oficiais são sistemas de informações
realizadas e os preços pisos para a comercialização da geográficas e modelos
safra estabelecidos. agrometeorológico.

Unidade 4 151

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Universidade do Sul de Santa Catarina

O elemento norteador de todos os instrumentos de ação do


Governo Federal no mercado agrícola é a PGPM, determinado
pela Política Agrícola de cada ano/safra.

Aquisição do Governo Federal – AGF


É um instrumento de comercialização agrícola destinado a
promover a aquisição direta de produtos agrícolas inseridos na
Política de Garantia de Preços Mínimos do Governo Federal.
Ele intervém diretamente no mercado, regulando preços agrícolas
através da formação de estoques, públicos e privados, reguladores.
Este instrumento é posto em prática, quando o preço de mercado
estiver abaixo do Preço Mínimo estabelecido para safra vigente,
condicionada ao repasse pelo Tesouro Nacional dos recursos para
a operacionalização da aquisição.

O público beneficiário consta de produtores rurais,


agricultores familiares e/ou cooperativa, associações
ou quaisquer entidades jurídicas que representem os
mesmos.

A cada safra são estabelecidos pelo Governo Federal limites


à liberação dos recursos da AGF caracterizados por produto/
beneficiário na norma específica de cada produto. Ou seja, o
beneficiário venderá a quantidade de produto estabelecido pela
quantidade de recursos disponíveis para a ação. Para poder
acessar os recursos da AGF, o interessado deve cadastrar-se
junto à CONAB.

Para isto, o interessado deve preencher os documentos oficiais


constantes do Título 6, Documento 1, Anexos I e II, do Manual
de Operações da CONAB. No caso de pessoa jurídica, deve-
se apresentar atestado de regularidade junto ao Sistema de
Cadastramento Unificado de Fornecedores – SICAF, junto ao
Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da CONAB
– SIRCOI e junto ao Cadastro Informativo de Crédito –
CADIN. Quando for pessoa física, basta encontrar-se regular
nos cadastros da Secretaria da Receita Federal.

152

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Introdução ao Agronegócio

Mediante documentação de cadastramento e do projeto


aprovado, o beneficiário deve entregar o produto objeto da AGF
Limpo, seco e enquadrado nos padrões de identidade e qualidade
estabelecidos pelo MAPA, observados os limites máximos
admitidos pela CONAB e depositado em armazém credenciado,
público ou privado. Eventualmente, a empresa poderá realizar a
compra de produto com remoção simultânea.

Contrato de Opção de Venda


É uma modalidade de seguro de preços que dá ao produtor rural
e/ou sua cooperativa o direito (mas não a obrigação) de vender
seu produto para o governo, numa data futura, a um preço
previamente fixado. Serve para proteger o beneficiário dos riscos
de queda nos preços.

O governo federal lança no mercado estes contratos quando


o preço de mercado está abaixo do preço mínimo e o governo
tem interesse de sinalizar preço futuro para o mercado, garantir
renda ao produtor, estimular a produção para atender o consumo
interno e melhorar a execução das políticas oficiais de sustentação
e regulação dos preços agrícolas no mercado interno, tornando-se
instrumento alternativo à PGPM na época da colheita.

Formalmente, as operações com os contratos de


opção de venda obedecem ao Regulamento de
Venda de Contratos de Opção de Venda de Produtos
Agropecuários n°001/97, publicado no Diário Oficial da
União na sua edição de 28/02/199 e, ainda, aos Avisos
específicos, divulgados pela CONAB

O produtor rural e/ou sua cooperativa (beneficiários oficiais


dos Contratos de Opção) deverá dirigir-se a uma Bolsa de
Cereais, de Mercadorias e/ou de Futuros e procurar um corretor,
autorizando-o por escrito a fazer as negociações dos contratos
em seu nome. Somente os corretores credenciados pelas Bolsas
poderão fazer lances para negociar os contratos oferecidos pelo
governo. O corretor deverá providenciar o cadastramento do
produtor rural e/ou sua cooperativa na Bolsa para qual opera, sendo
necessária a comprovação do efetivo exercício de sua atividade (por

Unidade 4 153

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Universidade do Sul de Santa Catarina

meio de Registro no INCRA, Declaração de Imposto de Renda


ou outra comprovação legalmente reconhecida).

Os contratos serão ofertados em leilões realizados por meio do


Sistema Eletrônico de Comercialização da CONAB – SEC,
onde todas as Bolsas credenciadas ficam simultaneamente
interligadas. A CONAB divulgará por meio das Bolsas e da
Internet, com antecedência mínima de cinco dias úteis, o aviso
específico contendo todas as condições da operação. O interessado
não precisa deslocar-se para participar do leilão. O seu corretor fica
encarregado de fazer os lances de acordo com seu interesse, sendo
o seu representante legal em todas as etapas da operação.

Após o contrato ser arrematado em leilão, o arrematante deverá


efetuar o pagamento do prêmio, da taxa de registro dos contratos
(quando exigido) arrematados nos prazos estabelecidos no aviso
específico, e efetuar o pagamento da comissão de corretagem
acordada com o seu corretor.

Caso o prêmio não seja pago, o titular do contrato ficará


inadimplente e perderá o direito de operar com o Governo pelo
período de até (2) dois anos. Os valores referentes ao prêmio,
taxa de registro e corretagem não serão devolvidos (caso a opção
não seja exercida), nem indenizados (na hipótese de venda do
produto ao Governo).

O exercício da opção do contrato pelo seu titular


torna-se interessante quando o preço de exercício, que
é o preço definido pelo Governo para compra de sua
produção, situar-se acima da expectativa de mercado
para a época de vencimento do contrato.

Nessa hipótese, adquirir o Contrato de Opção será o mesmo


que fazer um seguro para assegurar o preço da mercadoria, ou
seja, garantir que o valor do produto não cairá abaixo do valor
definido no contrato. Caso até a data de vencimento o mercado
não pagar um preço melhor do que o fixado no Contrato de
Opção, o titular do contrato poderá vender o produto ao governo,
pelo preço previamente contratado. Nesse caso, ele estará
exercendo a sua opção de venda, devendo informar a intenção à
bolsa que intermediou a operação. Os produtos amparados por

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Introdução ao Agronegócio

este mecanismo são todos aqueles contemplados pela Política de


Garantia de Preços Mínimos.

Contrato de Opção de Compra


O Contrato de Opção de Compra é uma modalidade de seguro
de preços que dá ao arrematante do contrato o direito (mas não a
obrigação) de adquirir produto dos estoques públicos, numa data
futura, a um preço previamente fixado.

O governo lança estes contratos no mercado quando tiver


necessidade de complementar oferta e sinalizar preço futuro.
As operações com os contratos de opção de compra obedecem
ao Regulamento para Operacionalização da Venda de Contrato
de Opção de Compra de Produtos Agropecuários n°005/04,
publicado no Diário Oficial da União na sua edição de 30/12/2004
e, ainda, aos Avisos específicos, divulgados pela CONAB.

Todos os produtos contidos nos estoques públicos são passíveis


de entrar nas ofertas destes contratos. Os interessados que
atendam as condições previstas no regulamento que, na data de
realização do leilão, estejam enquadrados no segmento previsto
no Aviso específico, que estejam devidamente cadastrados
perante a Bolsa por meio da qual pretendam realizar a operação,
e que estejam em situação regular no Sistema de Registro e
Controle de Inadimplentes da Conab – SIRCOI, podem
participar dos leilões de Venda de Contratos de Opção de
Compra de Produtos Agropecuários.

Para participar dos leilões e ter acesso aos Contratos de


Opção de Compra de Produtos Agrícolas do Governo
Federal, o interessado deve adotar os mesmos passos
seguidos dos Contratos de Opção de Venda de
Produtos Agropecuários.

A CONAB vende o produto por um valor chamado Preço de


Exercício, que é divulgado por meio de Aviso específico. Para ter
direito de adquirir produto do estoque do Governo, o interessado
terá que oferecer, no leilão da CONAB, o valor que ele julga que
pode pagar por esse seguro de preços. Esse valor é denominado

Unidade 4 155

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Prêmio. Os contratos oferecidos em cada leilão serão arrematados


pelos interessados que fizerem, por meio de seus corretores, lances
de maior valor para os Prêmios.

Além do prêmio, o interessado incorrerá nas seguintes despesas fixas:

„„ Registro do contrato (quando exigido);

„„ Corretagem (livre negociação entre o interessado e o seu


corretor).

Após o leilão, e após o arremate do contrato, o titular deve efetuar


o pagamento do prêmio, da taxa de registro (quando exigido)
dos Contratos arrematados nos prazos estabelecidos no Aviso
específico, e efetuar o pagamento da comissão de corretagem
acordada com o seu corretor. Caso o prêmio não seja pago, o titular
do Contrato ficará inadimplente e perderá o direito de operar com
o Governo pelo período de até (2) dois anos.

Os valores referentes ao prêmio, taxa de registro e corretagem não


serão devolvidos caso a opção não seja exercida, e nem indenizado.

O contrato será interessante quando o preço de exercício, que é o


preço definido pelo Governo para venda de seu estoque, situar-se
abaixo da expectativa de mercado para a época de vencimento do
Contrato.

Nessa hipótese, adquirir o Contrato de Opção de Compra será


o mesmo que fazer um seguro para o preço da mercadoria, ou
seja, prevenir-se quanto às oscilações do mercado. Se, até a data
de vencimento, o preço de mercado for maior do que o fixado no
Contrato de Opção de Compra, o titular do contrato poderá
adquirir o produto do governo, pelo preço previamente contratado.
Nesse caso, ele estará exercendo a sua opção de compra.

Para exercer a opção de adquirir o produto do governo, o titular do


contrato deve comunicar, por escrito, no intervalo de cinco dias úteis
antes do vencimento da opção, considerando, inclusive, o dia do
vencimento, à Bolsa que intermediou a operação, a sua decisão de
adquirir o produto ao governo, isto é, de exercer a opção de compra.

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Introdução ao Agronegócio

Ao fazê-lo, terá a obrigação de adquirir o produto.

Caso o titular do Contrato opte por não adquirir o produto do


governo, não precisará tomar nenhuma providência: basta não
manifestar interesse de aquisição no prazo estabelecido para o
exercício da opção.

Prêmio para Escoamento de Produto – PEP


Autorizado através da Lei nº 8.427, de 27/05/1992 e da Lei nº
9.848, de 26/10/1999, é uma subvenção econômica (prêmio)
concedida àqueles que se disponham em adquirir o produto
indicado pelo Governo Federal, diretamente do produtor rural
e/ou sua cooperativa, pelo valor de referência fixado (Preço
Mínimo), promovendo o seu escoamento para uma região de
consumo previamente estabelecida. Constitui um mecanismo de
apoio à comercialização e não forma estoques reguladores.

O PEP é realizado, quando o preço de mercado estiver


abaixo do preço mínimo.

O objetivo deste Prêmio é garantir ao produtor o preço mínimo


ou o preço de exercício da opção, sem que o Governo tenha
a necessidade de adquirir o produto por meio de AGF. Além
disso, com esse mecanismo, o governo pode conduzir uma
política de complemento do abastecimento para regiões com
déficit de abastecimento.

Para efeito de operação, o Governo Federal oferece em


leilões públicos, por intermédio da CONAB, um Prêmio
correspondente ao diferencial entre o preço mínimo
ou de exercício da opção e o preço de mercado, de
modo que o produtor receba o valor da garantia, e o
comprador pague o preço de mercado. A diferença que
representa o Prêmio é apropriada pelo Governo.

A data, horário e local do leilão serão estabelecidos em Aviso


Específico, a ser divulgado pela CONAB, no prazo de até

Unidade 4 157

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Universidade do Sul de Santa Catarina

cinco dias úteis antecedentes ao de realização do leilão. Antes


da realização do leilão, o interessado deverá procurar, no
mercado, produtores rurais e/ou cooperativas de produção, que se
disponham a comercializar seus produtos pelo valor de referência
(Preço Mínimo). Os produtos adquiridos de produtores rurais
e/ou suas cooperativas devem estar depositados em armazéns
cadastrados na CONAB. O cadastro deve ser solicitado na
Superintendência Regional da Companhia que jurisdiciona o
local de depósito do produto.

O Aviso Específico contemplará a abrangência da operação


em que será concedido o PEP, detalhando, conforme o caso, a
classe/tipo/safra do produto, a região geográfica, a unidade de
federação, a microrregião, o valor de referência, etc.

Para participar do leilão, o interessado deverá dirigir-se a uma


Bolsa de Cereais, de Mercadorias e/ou de Futuros e procurar um
corretor, autorizando-o por escrito a fazer as negociações em seu
nome. Somente os corretores credenciados pelas Bolsas poderão
fazer lances para negociar os Prêmios oferecidos pelo Governo. O
corretor providenciará o cadastramento do cliente na Bolsa para
a qual opera, sendo necessária a comprovação do efetivo exercício
de sua atividade (por meio de Registro em Entidade de Classe,
Registro no INCRA, Declaração de Imposto de Renda ou outra
comprovação legalmente reconhecida).

O arrematante receberá o prêmio no prazo de até dez dias


úteis, após a apresentação completa e correta dos documentos
comprovando a colocação do produto na região de destino e
na forma constante do aviso específico. O prêmio será pago
proporcionalmente à quantidade efetivamente comprovada.

Prêmio de Risco para Aquisição de Produto Agrícola Oriundo de


Contrato Privado de Opção de Venda – PROP
O PROP é uma subvenção econômica (prêmio) concedida em
leilão público ao segmento consumidor que se dispõe a adquirir
(em data futura) determinado produto diretamente de produtores
e/ou suas cooperativas, pelo preço de exercício fixado e nas
unidades da federação estabelecidas pelo governo, utilizando-se
para isso do lançamento, em leilão privado, de contrato privado
de opção de venda.

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Introdução ao Agronegócio

O PROP é lançado no mercado, quando o preço de


mercado está abaixo do preço mínimo e o Governo
tem interesse de sinalizar preço futuro para o mercado
e garantir renda ao produtor rural.

Este mecanismo facilita as compras antecipadas pelos segmentos


demandantes do produto; reduz a pressão sobre o orçamento
das operações oficiais de crédito; aproxima produtor rural e
consumidor na cadeia produtiva; amplia o volume da produção
amparada com seguro de preço; estimula a produção de produtos
agrícolas para atender o consumo interno e as exportações; não
exige armazém credenciado. Quem define o armazém para entrega
é o arrematante do prêmio desde que cadastrado pela CONAB.

As operações com o PROP obedecem ao Regulamento para


Oferta de Prêmio de Risco para Aquisição de Produto Agrícola
SICAF – Sistema de
Oriundo de Contrato Privado de Opção de Venda – PROP nº Cadastramento Unificado
001/05, publicado no Diário Oficial da União, na sua edição de de Fornecedores –
03/02/2005 e aos Avisos específicos divulgados pela CONAB. É um cadastro para
habilitar parcialmente
Os beneficiários do PROP são os segmentos definidos no Aviso pessoas físicas e jurídicas,
Específico e que se disponham a lançar Contratos Privados com interessadas em participar
de licitações realizadas
o objetivo de adquirir do produtor rural e/ou sua cooperativa
por órgãos/entidades
o produto ao preço de exercício fixado pelo Governo Federal, da Administração
na data e condições estabelecidas no Aviso específico. São dois Pública Federal. CADIN
momentos específicos em que o Governo opera para lançar o – Cadastro Informativo
PROP. O primeiro é o leilão do Prêmio de Risco; e o segundo, o de créditos não quitados
do setor público federal
leilão de contratos privados.
é um banco de dados
que contém os nomes
Para participar do primeiro leilão, o interessado deverá dirigir-
de pessoas físicas e
se a uma Bolsa de Cereais, de Mercadorias e/ou de Futuros e jurídicas com obrigações
procurar um corretor credenciado, autorizando-o por escrito pecuniárias vencidas
a fazer a negociação em seu nome. Somente os corretores e não pagas para com
credenciados pelas Bolsas poderão fazer lances para negociar o órgãos e entidades da
Administração Pública
prêmio de risco oferecido pelo Governo Federal.
Federal e de pessoas
físicas que estejam com
O corretor providenciará o cadastramento junto à Bolsa para a inscrição no Cadastro
comprovação do efetivo exercício de sua atividade, por meio de Pessoas Físicas – CPF
de Declaração de Imposto de Renda ou outra comprovação cancelada e de pessoas
legalmente reconhecida, e verificação da sua regularidade. Como jurídicas que sejam
se trata de uma operação de subvenção, a legislação exige que declaradas inaptas perante
o Cadastro Nacional de
o interessado esteja, na data do leilão, em situação regular no
Pessoa Jurídica – CNPJ.
SICAF, no SIRCOI e no CADIN.

Unidade 4 159

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Universidade do Sul de Santa Catarina

A CONAB divulgará por meio das Bolsas e no portal na


Internet, com antecedência mínima de cinco dias úteis, o Aviso
específico contendo todas as condições da operação. O interessado
não precisa deslocar-se para participar do leilão. O seu corretor
encarregar-se-á de fazer os lances de acordo com seu interesse,
sendo o seu representante legal em todas as etapas da operação.

O prêmio a ser recebido não é fixo.

O governo estabelece o valor máximo do prêmio de risco,


devendo o arrematante disputar esse valor em leilão. Os
vencedores serão aqueles que cotarem o menor valor. Além
disso, o valor do prêmio de risco será ajustado de acordo com as
oscilações do mercado, tendo como teto o valor de fechamento do
leilão, sendo que as cotações serão ofertadas de forma percentual
decrescente (prêmio máximo igual a 100 %).

A CONAB divulgará até o 1º dia útil anterior ao limite do


exercício da opção, o valor efetivo do valor do prêmio
de risco a ser recebido.

Após o primeiro leilão, o arrematante deverá lançar no mercado,


por meio do SEC, contratos privados de opção, em quantidades
equivalentes às arrematadas no 1º leilão, contendo as condições
previstas no Aviso específico.

Caso não obtenha sucesso, após as tentativas de lançamentos


previstas, perderá o direito ao recebimento do prêmio de
risco. Caso não autorize o lançamento dos contratos privados
de opção, a operação será cancelada, e o lançador ficará
inadimplente no SIRCOI.

Poderão adquirir os contratos privados de opção, no segundo


leilão, apenas os produtores rurais e/ou suas cooperativas, que
se disponham a pagar ao lançador do Contrato Privado o valor
referente ao prêmio (seguro), disputando contratos e arcando com
as despesas decorrentes.

Após o segundo leilão, o produtor rural e/ou sua Cooperativa


deve pagar as comissões de corretagem ao corretor e o valor

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Introdução ao Agronegócio

de fechamento do prêmio ao lançador do Contrato Privado


de Opção. Caso os mesmos desejarem exercer a opção, devem
entregar obrigatoriamente o produto transacionado no armazém
previamente definido pelo lançador do Contrato Privado de
Opção, de acordo com as especificações estabelecidas no Edital.

O lançador do Contrato deve comprovar o pagamento do


produto ao produtor rural e/ou sua cooperativa que tenha
manifestado o interesse no exercício da opção e apresentar
os documentos exigidos/previstos no Aviso específico na
Superintendência Regional da CONAB que jurisdiciona o local
de domicílio (mesmos dados de faturamento) do arrematante do
prêmio de risco. Caso houver interesse em mudança no endereço
do armazém, até a data limite do exercício da opção e se houver
entendimento e anuência do produtor rural e/ou sua cooperativa,
o lançador poderá informar outro armazém cadastrado, se
situado na mesma UF ou região objeto do lote arrematado.

O pagamento do Prêmio de Risco ao Lançador do Contrato


de Opção será executado pela CONAB em até dez dias úteis,
a contar da data da entrega da documentação de comprovação
de forma correta e completa, de acordo com o exigido no Aviso
específico do Prêmio de Risco.

Prêmio Equalizador Pago ao Produtor – PEPRO


O PEPRO é uma subvenção econômica (prêmio) concedida ao
produtor rural e/ou sua cooperativa que se disponha a vender seu
produto pela diferença entre o Valor de Referência estabelecido
pelo Governo Federal e o valor do Prêmio Equalizador
arrematado em leilão, obedecida a legislação do ICMS vigente
em cada Estado da Federação.

Este instrumento serve para intervir no mercado, quando o preço


de mercado estiver abaixo do preço de referência do Governo
Federal. As operações com o PEPRO obedecem ao Regulamento
para Operacionalização da Oferta de Prêmio Equalizador Pago
ao Produtor – PEPRO n.° 001/06, publicado no Diário Oficial
da União na sua edição de 21/06/2006 e, ainda, aos Avisos
específicos, divulgados pela CONAB.

Unidade 4 161

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Para participar do leilão do PEPRO disponibilizado pelo Governo


Federal, o interessado deve cumprir com os passos tomados no
PROP, pois os mecanismos são os mesmos. Em conjunto com
o seu corretor, o interessado deverá encontrar comprador que se
disponha a adquirir seu produto por, no mínimo, a diferença entre
o Valor de Referência estabelecido pelo Governo Federal e o valor
do Prêmio Equalizador arrematado em leilão.

O valor do Prêmio Equalizador é fixo e o valor a ser pago


corresponderá ao de fechamento em leilão. O arrematante do
prêmio equalizador deverá observar rigorosamente as condições
e as datas estabelecidas no aviso específico e estar em dia com as
demais obrigações legais vigentes, tais como: nota fiscal, entrega
do produto, declaração de produção, venda do seu produto
correspondente, no mínimo, a 95% do prêmio arrematado,
cumprimento dos prazos previstos.

Prêmio para Equalização do Valor de Referência da Soja em Grãos -


PESOJA
A oferta de prêmio para equalização do valor de referência
da soja em grãos, criado na safra 2005/2006, constitui uma
subvenção econômica governamental a ser arrematada por meio
de leilão eletrônico, ao interessado que comprovar a aquisição do
produto de produtores rurais e/ou suas cooperativas, pelo valor
de referência, e o seu escoamento, nas condições e abrangências
previstas no regulamento do PESOJA e no Aviso específico
divulgado pela CONAB para operacionalização do objeto.

A divulgação do PESOJA é feita por meio de Aviso específico,


no prazo mínimo de cinco dias úteis antecedentes ao leilão
eletrônico. O leilão será realizado na modalidade “cartela”,
utilizando o Sistema Eletrônico de Comercialização da
CONAB (SEC), com interligação das Bolsas de Cereais, de
Mercadorias e/ou de Futuros.

Os procedimentos específicos para a participação de todo o


processo do Prêmio são os mesmos constantes do PEPRO com
especificação para o produto “soja em grãos”.

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Introdução ao Agronegócio

Programa de Aquisição de Alimentos - PAA


Segundo a CONAB, a agricultura familiar ficou à margem dos
recursos governamentais nas ultimas décadas. Apesar disso,
responde, no Brasil, por sete de cada 10 empregos gerados no
campo e por cerca de 40% da produção agrícola. Atualmente,
aproximadamente 35% dos alimentos que compõem a cesta de
alimentos distribuída pela CONAB originam-se da agricultura
familiar. E a maior parte dos alimentos que abastecem a mesa
dos brasileiros vem das pequenas propriedades, ou seja, 84% da
mandioca, 67% do feijão, 58% dos suínos, 52% do leite, 49% do
milho e 40% das aves e ovos.

Para melhorar esta situação, o Governo Federal cria, a partir da


Lei nº 10696, de 2 de julho de 2003, o Programa de Aquisição de
Alimentos – PAA. Este é um instrumento de estruturação do
desenvolvimento da agricultura familiar, acionado após a etapa
final do processo produtivo, no momento da comercialização,
quando o esforço do pequeno produtor precisa ser recompensado
com recursos que remunerem o investimento e a mão de obra
e lhe permita reinvestir e custear as despesas de sobrevivência
de sua família. Considerado como uma das principais ações
estruturantes do Programa Fome Zero, do Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), o PAA
constitui-se em mecanismo complementar ao Programa Nacional
de Agricultura Familiar (PRONAF).

A operacionalização deste Programa é simples, pois a compra


é feita diretamente pela CONAB, sem intermediários ou
licitações, e com preço de referência da região produtora feito
pelo Governo. O PAA possui uma enorme importância política
para a agricultura familiar. Historicamente ausente das políticas
públicas, a comercialização da produção agrícola familiar sempre
gerou frustração e desestímulo aos agricultores familiares,
entregues, invariavelmente, a intermediários que, quando
adquiriam suas colheitas, determinavam os preços a serem pagos.

A Compra Direta da Agricultura Familiar – CDAF é um


instrumento do PAA que tem como objetivo garantir, com base
nos preços de referência, a compra de produtos agropecuários dos
participantes agricultores enquadrados no PRONAF.

Unidade 4 163

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Universidade do Sul de Santa Catarina

A criação do PAA por instrumento legal representou um marco


na política agrícola brasileira. Sua implementação revela, de forma
inédita, a presença do Estado na comercialização da pequena
produção familiar. Ao assegurar aos pequenos agricultores a
aquisição de seus produtos, o governo lhes transmite segurança e,
como os preços são remuneradores, eles se sentem incentivados a
produzir mais e melhor. Com isto, e em articulação com outras
ações, eleva-se significativamente o padrão de vida do agricultor e
de sua família, e promove o desenvolvimento sustentável em áreas
menos favorecidas da agricultura.

O PAA possui os seguintes objetivos:

a) remuneração da produção;

b) ocupação do espaço rural;

c) distribuição de renda: combate à fome, cultura alimentar


regional e preservação ambiental.

O Programa vem crescendo em volume de compras, número de


agricultores participantes, valor da compra por beneficiário e, desse
modo, vem ganhando crédito entre produtores rurais e a sociedade.

b) As Centrais de Abastecimento SA – CEASAS

O estágio de desenvolvimento de uma economia pode ser


avaliado pelas características de comercialização agrícola em
que se encontram seus produtores e sua sociedade. Economias
conservadoras são aquelas em que os produtores produzem para
o autoconsumo e comercializam apenas excedentes de produção.
Os produtos possuem pouca padronização e agregação de valor.
Nestas sociedades, existe o predomínio da população rural sobre
a urbana: caso contrário, haveria problema de abastecimento
alimentar.

Economias em transição são aquelas em que a produção para o


comércio é o objetivo dos produtores rurais. Entretanto surgem
problemas de padronização, de quantidade ofertada, de qualidade
em geral dos produtos e de distribuição. Nesta etapa, surge a
figura do intermediário que compra dos agricultores, transporta,
classifica, embala e vende nos centros urbanos por preços mais
atrativos. É nesta etapa que surgem políticas governamentais

164

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Introdução ao Agronegócio

voltadas para a melhoria na comercialização, visando melhorar


os preços pagos aos produtores rurais e reduzir o preço ao
consumidor final.

É neste contexto econômico que a rede CEASA foi


criada no país nos anos 70.

Ao estágio em que o problema da produção desloca-se para a


distribuição e da quantidade para a qualidade, chamamos de
economia moderna. Nesta fase, aumenta o nível de urbanização e
industrialização de uma economia, existe uma demanda cada vez
maior por produtos mais elaborados, surge a indústria alimentar
e o comércio de produtos alimentícios é predominantemente
comercializado por grandes redes de supermercados.

Para impulsionar a comercialização agrícola no Brasil, o governo


federal cria o Sistema Nacional de Abastecimento – SINAC,
fundamentado e com consultoria da experiência do modelo
espanhol (Mercasa). Neste contexto, no âmbito da SINAC,
nascem as Centrais Gerais de Abastecimento SA – CEASAs.
O objetivo era estimular a produção e comercialização de
hortigranjeiros no país, assegurando o abastecimento urbano com
preços compatíveis e preços mais justos os produtores.

Em articulação com os estados e municípios, foram


implantadas 21 empresas denominadas de Centrais
de Abastecimento, as Ceasas, incluindo 34 Mercados
Atacadistas Urbanos, 32 Mercados Atacadistas Rurais
e diversos mercados varejistas de portes variados, em
centros urbanos de grande e médio porte. (ANDRADE
e CUNHA, 2006).

Atualmente, a propriedade das CEASAs no Brasil está bem


diferente da conformação inicial. Hoje, são 57 unidades em
21 estados. Em 1990, as duas maiores Centrais do país foram
privatizadas, ou seja, a CEAGESP (SP) e a CEASAMINAS
(MG). Somente estas duas estruturas respondem por 60 %
do comércio nacional de frutas, legumes e verduras – FLV.
Também existem hoje CEASAs municipais, estaduais e de
economia mista.

Unidade 4 165

int_ao_agronegocio.indb 165 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atualmente, o conjunto de Ceasas originárias do


Sinac conta com 57 entrepostos em 21 estados
brasileiros, comercializando uma quantidade estimada
em 8,7 milhões de toneladas de FLV anuais, cifra
expressivamente superior verificada em países como
França (5 milhões de toneladas) e Espanha (5,5 milhões
de toneladas). (ANDRADE e CUNHA, 2006).

A estrutura de funcionamento dos CEASAs no Brasil é


composta por um quadro administrativo formado por gestores
para trabalharem com os problemas de infraestrutura interna,
administração de pessoas, do funcionamento e articulação com
os mercados. É interessante realçar que o CEASA não compra
e não vende mercadoria, apenas organiza os espaços e executa a
legislação vigente para a comercialização. Em Santa Catarina,
esta empresa pertence à Secretaria de Agricultura do Estado e,
por extensão, seu quadro administrativo é vinculado a ela.

Uma característica marcante nas “Centrais” do Brasil é o horário


de funcionamento, cujo auge da comercialização ocorre na
madrugada. Entretanto algumas Centrais funcionam no todo ou
em parte 24 horas por dia, como é caso da CEAGESP. O Rio
Grande do Sul, exceção a regra, por Decreto governamental, com
muita resistência, conseguiu mudar o horário de funcionamento
apenas para o horário comercial. Uma das explicações para esta
tradição da madrugada é que, quando o comércio varejista abre as
portas às 8.00 horas da manhã, o comerciante quer ver seu produto
fresquinho na prateleira. Logo, só comprando na madrugada, para
se conseguir esta qualidade na apresentação do produto.

A parte operacional é composta do espaço destinado aos


produtores rurais, chamado de “Pedra”, e os Boxes que são
ocupados pelos atacadistas. Na Pedra, comercializa-se um
leque muito grande de produtos agrícolas. Os produtores rurais
ocupam os espaços por ordem de chegada, pagam uma taxa
diária de ocupação e comprovam que são produtores mediante
declaração do Sindicato dos Trabalhadores Rurais ou órgão afim.
As gerências dos CEASAs realizam cadastro dos produtores
para alimentar um sistema de informação sobre a intenção de
plantio, volume a ser comercializado, época de venda, etc. Estas
informação auxiliam os produtores para evitar os excessos de
oferta e recesso de mercadorias aos consumidores.

166

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Introdução ao Agronegócio

Os boxes são espaços permanentes (lojas, salas) criados com o


objetivo de comercializar produtos em que a região não possa
produzir o ano inteiro, ou parte dele, como é o caso da laranja,
mamão, manga e outros no CEASA de São José na Grande
Florianópolis, em SC. Os boxistas, portanto, são geralmente
especializados em um único produto. Os boxes são concessões
das salas vendidas para estes empresários, que pagam uma taxa
de condomínio para a administração da unidade. Esta receita
mais as taxas do pessoal da Pedra normalmente atendem as
despesas de manutenção da estrutura de comercialização. Alguns
boxistas fazem uso de câmaras frias e outros equipamentos para
dar suporte à boa conservação de seu produto.

Uma pergunta surge ao leitor neste momento: quem


compra nos CEASAs?

Os compradores são os proprietários ou representantes do


comércio varejista, supermercadistas, donos de restaurantes,
lanchonetes, feirantes e outros. Qualquer um pode ir comprar, o
comércio é livre, entretanto não é muito atrativo para as pessoas
o fato de as mercadorias serem comercializadas em quantidades
maiores, tais como: caixas, sacos, etc.

Uma das principais críticas que o sistema sofre é o caráter público


do espaço e a regulamentação os quais servem para atender
as empresas de propriedade privada (Pedra e Boxes). Lembra-
se que um dos objetivos iniciais do Sinac era a criação de um
sistema de informações para estimular produtores e atacadistas
a ofertarem produtos de maior qualidade com preços mais justos
ao consumidor. Mesmo o sistema trabalhando nesta direção,
esta crítica persiste. Existe uma carência de informações muito
grande, quando tratamos do assunto.

Quantos empresários atuam na rede no país? Quantos


hectares são cultivados para atender as demandas?

Atualmente os CEASAs estão sendo coordenados pelo Programa


de Modernização do Mercado Hortigranjeiro – Prohort, o qual
objetiva:

Unidade 4 167

int_ao_agronegocio.indb 167 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

1) desenvolver e integrar os bancos de dados estatísticos


dos Ceasas; 2) universalizar as informações, reduzindo
suas assimetrias com o público; 3) modernizar os
processos de gestão técnico-operacional e administrativa
das Ceasas; 4) estimular a agregação de tecnologia à
cadeia produtiva, orientada às exigências de mercado
de consumo; 5) adequar e modernizar a infraestrutura
física, tecnológica e ambiental das Ceasas; 6) modernizar
os serviços de apoio disponibilizados pelas Ceasas; 7)
estimular a interação das Ceasas com as universidades,
órgãos de pesquisa, ONGs e as Políticas Públicas de
Abastecimento e de Segurança Alimentar; 8) ampliar as
funções das Ceasas, tornando as áreas privilegiadas para
execução e difusão das políticas públicas, no âmbito da
saúde, educação e segurança alimentar. (ANDRADE e
CUNHA, 2006).

Política de Seguro Rural


Entre os setores econômicos, o que mais sofre com os riscos é a
agricultura. Os principais tipos de riscos que agricultura sofre
são os climáticos (enchentes, granizos, secas, ventos, geadas,
etc.), biológicos (pragas e doenças) e econômicos (queda abrupta
de preços, embargos, etc.). Toda atividade econômica implica
risco, entretanto a indústria, o comércio e serviços não ficam
tão expostos quanto o setor primário. Os riscos mencionados
anteriormente constituem a principal causa da falência dos
agricultores. Diante do exposto, podemos verificar a necessidade
de uma política específica para atender a estes problemas, ou seja,
uma política de seguro rural.

Nos EUA, existe a Crop Insurance Program, o programa


americano de seguro agrícola. Este cobre 30% da produção e
gasta US $ 600 000 000,00 ao ano. O vizinho Canadá possui
um programa que cobre 50 % das culturas. No Brasil, foi criada
em 1954 a Companhia Nacional de Seguro Agrícola, a qual
funcionou até 1966. Em 1973, foi criado o Programa de Garantia
da Atividade Agropecuária – PROAGRO, administrado pelo
Banco Central do Brasil – BACEN, instituído por meio da Lei
n° 5.969, de 1973, e implantado em 1975, com a regulamentação
dada pelo Banco Central do Brasil. Inicialmente, cobria apenas a
parte referente ao seguro do crédito rural. A partir de 1991, cobre

168

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Introdução ao Agronegócio

também o custeio para recursos próprios. Atualmente, como


exemplo, algumas taxas de adicional cobradas pelo programa são:
custeio pecuário 1,2%; custeio de culturas permanentes como a
cana-de-açúcar 2,3% e o café 4,7%; banana, caju, dendê, maçã
e uva 3,5%; custeio de lavouras irrigadas de cevada e trigo 2%;
custeio de lavouras de sequeiro como algodão, milho e soja 3,9%;
e, arroz e feijão 6,7%.

Segundo Guimarães (2006) apud Mitidieri (2006, p.25), o


Programa sofreu diversas reformulações no sentido de ajustar
aspectos administrativos para diminuir a taxa de sinistralidade
e os déficits acumulados desde sua implantação. “A solução
que se mostrou mais viável para a recuperação do Proagro foi
buscar a redução do risco por meio de um amplo zoneamento
edafo-climático das regiões de produção para as principais
culturas, com recomendações de variedades de sementes e épocas
adequadas de plantio.”

Os beneficiários que respeitam o Zoneamento


agroclimático recebem incentivos de descontos no
valor da taxa cobrada que pode ser reduzido de 11,7%
para até 4 %. Os beneficiários do PRONAF pagam uma
taxa única de 2% para quaisquer produtos segurados

O seguro rural do Ministério da Fazenda constitui-se em


uma importante modalidade que contempla a produção
agrícola, pecuária, o patrimônio do produtor, os produtos, a
Cédula do Produtor Rural – CPR e o seguro de vida. Protege,
principalmente, contra os fenômenos climáticos. O Fundo de
Estabilidade do Seguro Rural – FESR foi criado pelo Decreto-
lei nº 73, de 21.11.66, com o objetivo de assegurar as operações
agrícolas no país e cobrir os danos por fenômenos adversos.

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural –


PSR foi instituído pela Lei 10.823, de 19 de dezembro de
2003, regulamentada pelo Decreto 5.121, de 30 de junho
de 2004, tendo como diretrizes promover a universalização
do acesso ao seguro rural, assegurar o papel do seguro
rural como instrumento para a estabilidade da renda
agropecuária, induzir o uso de tecnologias adequadas e
modernizar a gestão do empreendimento agropecuário.
(MITIDIERI, 2006, p. 21).

Unidade 4 169

int_ao_agronegocio.indb 169 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Este programa se justifica pela pouca oferta de seguro rural no


mercado, devido aos elevados riscos, fazendo subir os preços,
pressionando a demanda ainda mais para baixo.

Para utilizar o PSR, o Seguro Rural pode ser contratado junto a


qualquer instituição do mercado segurador que esteja autorizada
pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP a operar
com Seguro Rural. Os percentuais de subvenção aos prêmios
do seguro variam de 40% a 60%. Isto significa um desconto
oferecido pela política governamental para viabilizar o seguro
rural no país.

Política de Pesquisa e Extensão Agropecuária


Vamos entender aqui pesquisa agropecuária como a busca pelo
conhecimento científico e tecnológico que objetivem melhorar
a qualidade e a produtividade da produção agrícola e pecuária.
Neste processo de busca do conhecimento, muitos agentes se
envolvem de forma direta e indireta. Mais diretamente, os
pesquisadores e suas instituições de pesquisa; e, indiretamente,
os produtores rurais e suas associações e cooperativas. Portanto
a pesquisa agropecuária é realizada por muitos agentes até se
chegar a uma semente de qualidade, por exemplo. A pesquisa é
realizada por doutores em seus laboratórios de alta tecnologia,
mas também é testada por agricultores, extensionistas e
agrônomos de campo. E, por último, sua qualidade deve atender
as exigências do consumidor final.

Quanto ao nível, a Pesquisa pode ser classificada em:

„„ Pesquisa experimental – Aquela que promove a


manipulação de algum aspecto da realidade e envolve
a experimentação. Ex.: Mistura de produtos químicos,
para observar e relatar resultados. Um segundo exemplo
é a resposta da variedade de arroz EPAGRI 109, quando
adubado com diferentes quantidades de Nitrogênio,
Fósforo e Potássio – NPK.

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Introdução ao Agronegócio

„„ Exploratória – É toda pesquisa que busca constatar


algo num organismo ou num fenômeno. Ex.: Como um
inseto praga se reproduz? Ou qual o comportamento da
variedade EPAGRI 109 nos cerrados brasileiros?

„„ Descritiva – Aquela que busca conhecer e interpretar os


fenômenos físicos e sociais, sem neles interferir. É uma
mera descrição do fenômeno. Ex.: Estudo e análise da
degradação ambiental na Bacia do Rio Tubarão nos anos
90.

Quanto ao tipo, podemos classificar a pesquisa em: bibliográfica


e de campo.

„„ A pesquisa bibliográfica consiste numa revisão exaustiva


sobre o que determinados autores e instituições
pesquisaram sobre o tema.

„„ A pesquisa de campo se refere à pesquisa no local de


acontecimento do fenômeno. A pesquisa de campo,
neste caso, não fica restrita somente ao meio rural.
Geralmente, uma boa pesquisa de campo é precedida por
uma boa pesquisa bibliográfica.

Você sabe quando teve início a pesquisa agropecuária


no Brasil?

A política de pesquisa agropecuária no Brasil teve início no


final do período colonial. Foram fundadas no país as escolas de
Agronomia, que formavam profissionais e realizavam pesquisas.
No início do Século XX – Fundaram as Instituições Estaduais
paulistas, como o Instituto Agronômico Campineiro – IAC. Na
história mais recente, em 1972 é fundada a Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, que se constitui em
um marco na história do agronegócio brasileiro. Neste período,
também nascem novas instituições estaduais e universidades
engajadas à pesquisa agropecuária.

Existem no Brasil muitas empresas especializadas em realizar


pesquisas agropecuárias, que podem ser públicas Federais
(EMBRAPA), Estaduais (EPAGRI), Municipais (Fundação

Unidade 4 171

int_ao_agronegocio.indb 171 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

25 de Julho de Joinville – SC), empresas privadas (BASF),


universidades (UFSM) e cooperativas agropecuárias (COAMO).
A instituição maior e mais expressiva de pesquisa agropecuária
no Brasil é a EMBRAPA, por isso dedicaremos um pouco mais
de estudo a esta empresa.

Royalties – É o pagamento pelo As empresas privadas realizam desde pesquisa básica como as
direito autoral. Pode ser uma inovações na genética até o desenvolvimento de novas moléculas
música, um filme, uma marca, uma
químicas para serem usadas como herbicidas, inseticidas, etc.
metodologia, um produto etc.
Existe também o segmento que apenas paga royalties pela
utilização de uma molécula, mas realizam testes de campo para
melhorar a eficiência do produto, pesquisam a utilização em
espécies ainda não estudadas, etc.

As empresas públicas municipais e estaduais em geral realizam


pesquisas mais focadas em uma realidade regional, mesmo assim,
dando contribuições fortes para o cenário nacional e internacional,
como é o caso da EPAGRI. Entretanto seus objetivos são com
vistas a uma realidade específica. No Estado de Santa Catarina, a
agricultura familiar como forma típica de organização no meio rural
recebe tratamento especial nas pesquisas de seu órgão estadual, uma
vez que é diferente produzir em escalas de produção distintas. Pode-
se exemplificar com o caso do plantio de arroz em sistema pré-
germinado, uma tecnologia desenvolvida para pequenas áreas, cuja
produtividade é uma das maiores do mundo. O sistema de plantio
economiza água, insumos químicos e produz um arroz de excelente
qualidade. Inicialmente era viável o plantio apenas em pequenas
áreas, atualmente, com o desenvolvimento tecnológico que cresceu
em torno deste sistema, áreas bem maiores podem ser cultivadas,
utilizando-se desta tecnologia, em SC e em outros Estados.

Segundo informações da EMBRAPA, sua missão é:

Viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e


inovação para a sustentabilidade da agricultura, em
benefício da sociedade brasileira. A empresa atua por
intermédio de Unidades de Pesquisa e de Serviços e de
Unidades Administrativas, estando presente em quase
todos os Estados da Federação, nos mais diferentes
biomas brasileiros. Para ajudar a construir a liderança
do Brasil em agricultura tropical, a empresa investiu,
sobretudo, no treinamento de recursos humanos;
possui hoje 8.944 empregados, dos quais 2.024 são
pesquisadores, possui 21% do quadro com mestrado, 71%

172

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Introdução ao Agronegócio

com doutorado e 7% com pós-doutorado.O orçamento


da Empresa para 2010 é de R$ 1 bilhão e 863 mil. Está
sob a sua coordenação o Sistema Nacional de Pesquisa
Agropecuária – SNPA, constituído por instituições
públicas federais, estaduais, universidades, empresas
privadas e fundações, que, de forma cooperada, executam
pesquisas nas diferentes áreas geográficas e campos
do conhecimento científico. (Disponível em: <www.
[Link]>. Acesso em 23 nov. 2010).

A liderança e o respeito da marca EMBRAPA devem-se aos


investimentos realizados pela empresa tanto em pessoas quanto
nos recursos materiais necessários para a realização das pesquisas.
E, como resultado:

As tecnologias geradas pelo SNPA mudaram a agricultura


brasileira. Um conjunto de tecnologias para incorporação
dos cerrados no sistema produtivo tornou a região
responsável por 67,8 milhões de toneladas, ou seja, 48,5%
da produção do Brasil (2008). A soja foi adaptada às
condições brasileiras e hoje o País é o segundo produtor
mundial. A oferta de carne bovina e suína foi multiplicada
por 4 vezes enquanto que a de frango aumentou 22 vezes
(período 1975/2009). A produção de leite aumentou
de 7,9 bilhões, em 1975 para 27,6 bilhões de litros, em
2008, e a produção brasileira de hortaliças elevou-se
de 9 milhões de toneladas, em uma área de 771,36 mil
hectares, para 19,3 milhões de toneladas, em 808 mil
hectares, em 2008. Além disso, programas de pesquisa
específicos conseguiram organizar tecnologias e sistemas
de produção para aumentar a eficiência da agricultura
familiar e incorporar pequenos produtores no agronegócio,
garantindo melhoria na sua renda e bem-estar. (Disponível
em: <[Link]>. Acesso em: 23 nov. 2010).

A existência da EMBRAPA é uma prova concreta de que os


investimentos em pesquisa dão uma taxa de retorno no médio
e longo prazo muito elevadas aos cofres públicos brasileiros.
O desenvolvimento tecnológico gerado pelas pesquisas é algo
impressionante. Estima-se que somente o desenvolvimento
do inoculante fixador de Nitrogênio da cultura da soja
(Rhizobium spp), devido à economia de adubação nitrogenada
que proporciona nos cultivos, pagou toda a existência da
EMBRAPA. E o mais impressionante é que, se calcularmos esta
economia, as cifras são astronômicas de verdade.

Unidade 4 173

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Como não poderia ficar isenta de críticas, a EMBRAPA é,


frequentemente, atacada por suas pesquisas atenderem aos interesses
dos “grandes” (fazendeiros, grupos empresariais do agronegócio,
etc.). Realmente, se analisarmos as culturas que mais receberam
investimentos em pesquisa no período, foram as típicas de grandes
propriedades no país. Pouco se privilegiaram as pesquisas em
culturas e alimentos típicos da agricultura familiar e das pequenas
propriedades, apesar de que pesquisas foram realizadas para atender
aos pequenos, isto é inegável. Entretanto, o que se está discutindo
aqui é o volume de recursos aplicados. Outra ótica de interpretação
é que as pesquisas com a cultura da soja também beneficiaram os
pequenos e médios produtores.

A política de extensão rural no Brasil teve início em 1908, na cidade


de Lavras, no Estado de Minas Gerais. Em 1948, no mesmo Estado,
é fundada a Associação de Crédito e Assistência Rural – ACAR.
Devido ao êxito mineiro, é criada, em 1956, a Associação Brasileira
de Crédito e Assistência Rural – ABCAR. Com um enfoque para
o “modelo” de modernização da agricultura, em 1974 é fundada
a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural –
EMBRATER, em substituição à ABCAR. Estas empresas públicas
de assistência técnica e extensão rural ganham conotação regional no
país, sendo criadas as Empresas de Assistência Técnica e Extensão
Rural – EMATERs nos Estados da federação, como exemplo a
EMATER – PI, EMATER – RS e a EPAGRI em SC. Todas
com a coordenação nacional da EMBRATER. Entretanto, houve
a extinção do sistema de coordenação nacional, em 1990, ficando
estas empresas vinculadas aos Estados da União. Naquele mesmo
ano foi criada a Associação Brasileira das Entidades Estaduais –
ASBRAER, congregando 27 entidades nacionais na atualidade.

Entende-se aqui por extensão rural o conjunto de


atividades direcionadas a transmitir aos agricultores
novos conhecimentos técnicos e comerciais a respeito das
culturas e criação de animais. O extensionista é o indivíduo
que faz a ligação entre o setor de pesquisa e o agricultor. A
extensão rural deveria ser, primordialmente, um trabalho
educacional, entretanto, ao longo de sua história, recebeu
direcionamentos de forte caráter político e ideológico. No
período da modernização da agricultura, as instituições
realizaram um forte trabalho de incorporação do crédito
rural na vida dos agricultores, transformando seus sistemas
produtivos e seu modo de viver.

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Introdução ao Agronegócio

É reconhecida a importância do papel da extensão no


desenvolvimento rural brasileiro, mas é preciso que este evolua
com as regiões e o seu respectivo tempo.

Neste mês, fui a uma reunião envolvendo produtores


rurais, técnicos, políticos e políticas, professores e
lideranças no município de Braço do Norte – SC. Em
certa dinâmica, o líder pediu que desenhássemos
a figura de um produtor rural. Foram realizados
desenhos com vários significados, a maioria deles,
bastante coerentes com a realidade dos produtores.
Mas chamou a atenção o fato de uma senhora ter
desenhado uma figura muito semelhante ao “Jeca
Tatu”, famoso personagem de Monteiro Lobato.

Ou seja, enquanto, os produtores trabalham com uma realidade


tecnológica de produção leiteira com animais “Puro de Origem
– PO” da raça Jersey, em que utilizam inseminação artificial,
ração balanceada por animal, transplante de embrião, etc., são
classificados em geral como agricultores familiares consolidados.
Se diagnosticarmos suas necessidades como aquelas semelhantes ao
do Jeca Tatu, estaremos desperdiçando tempo e outros recursos.

A EMBRAPA possui trabalhos de pesquisa maravilhosos para


auxiliar a agricultura e o meio ambiente.

Mas quem irá levar este conhecimento aos agricultores,


quem irá treiná-los para assimilar estas tecnologias?
Evidentemente que uma das alternativas é o serviço de
extensão. Mas por que isto não ocorre plenamente?
Encerro este capítulo com este questionamento para
uma reflexão sobre o novo papel da extensão rural
no desenvolvimento econômico e as tecnologias que
não conseguem “sair das gavetas”. Quais os principais
entraves? E a quem não interessa?

Unidade 4 175

int_ao_agronegocio.indb 175 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Outros Instrumentos e Instituições Relacionados à Política


Agrícola
Existem instituições que, mesmo não aparecendo muito na
mídia, realizam um forte papel nas ações do agronegócio. No
Estado de Santa Catarina, a Secretaria de Agricultura do Estado
possui três empresas: A EPAGRI, CEASA e a Companhia
Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina –
CIDASC, empresa de economia mista, criada em 28/02/1979
pela Lei n.º 5.516, e fundada em 27/11/1979, transformada
em empresa pública em 06/09/2005. A sua missão é “executar
ações de sanidade animal e vegetal, preservar a saúde pública,
promover o agronegócio e o desenvolvimento sustentável de
Santa Catarina.” Quando o Estado é citado com “Zona Livre
de Aftosa”, orgulho nacional, portanto, com situação legal para
exportar carnes para muitos países, ou no combate a doenças
como a raiva ou no controle e fiscalização de sementes, quem
atua no agronegócio sabe que quem está por trás deste trabalho
em SC é a CIDASC.

As cooperativas agropecuárias representam quase a metade


do volume de comercializado do agronegócio nacional. Sua
forma organizacional própria, seus princípios educacionais e
de solidariedade representam uma política não governamental
exemplar de apoio aos agricultores e pecuaristas. Mesmo
existindo políticas governamentais específicas de apoio ao
cooperativismo, como o PRODECOOP e isenções fiscais, o
movimento por si só é excelente para o desenvolvimento humano
das famílias e do progresso econômico das propriedades e região
onde se instalam.

Segundo o Prof. Jair Fernando Oliveira:

em 2007 o faturamento das cooperativas também se


destacou: superou os R$ 72 bilhões. Os 13 ramos de
atividade juntos atingiram o patamar de 6% do Produto
Interno Bruto brasileiro, totalizando R$ 126 bilhões. Deste
total, R$ 60 bilhões foram gerados pelo ramo agropecuário.
O cooperativismo no campo representou 2,85% do
PIB brasileiro e 47,45% do PIB do cooperativismo.
(Disponível em: <[Link]
ph?pop=NEArticle&sid=223>. Acesso em: 30 nov. 2010).

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Introdução ao Agronegócio

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais


- INEP, 28% dos jovens do meio rural com mais de 15 anos
são analfabetos, enquanto, no meio urbano, este mesmo índice
cai para 9,5%. Apesar de a juventude urbana ter mais acesso à
educação, ambos os números são alarmantes, quando se deseja
que nossa população tenha pelo menos 11 anos de escolaridade.
Calcula-se, também, que três milhões (ou 8,5%) da população
entre cinco e quinze anos de idade trocou a escola pelo trabalho
nos últimos anos no país. Os números do INEP são apenas para
contextualizar e, em parte, fundamentar a necessidade de maiores
investimentos em educação no meio rural brasileiro.

Existem no Brasil projetos, fundações, escolas e centros que


realizam este trabalho de educação de forma louvável, entretanto
todos os projetos gostariam de melhorar e ampliar seus serviços.

Quando se trabalha com educação no meio rural


brasileiro, tem-se uma sensação maravilhosa de
contribuição à vida, a seres humanos e à sociedade,
mas é, ao mesmo tempo, frustrante a falta de recursos,
começando pelo salário dos trabalhadores em
educação.

Alguns problemas diferenciam a educação no meio rural - a


forma e os conteúdos trabalhados - da educação do meio
urbano: o meio ambiente, a cultura local, o calendário agrícola
incompatível com o calendário escolar, as distâncias percorridas
e os meios de transporte, etc. O conjunto destes fatores mostra
a necessidade de projetos de educação diferenciados para o meio
rural e bem focados na regionalidade.

Sobre projetos de educação bem-sucedidos, pode-se exemplificar:


Casa Familiar Rural - CFR, Centro de Desenvolvimento do
Jovem Rural - CEDEJOR, Serviço Nacional de Aprendizagem
Rural - SENAR, Centros de Treinamento da EPAGRI e os
Centros Federais de Educação Tecnológica - CEFETs (antigas
Escolas Agrotécnicas Federais).

Unidade 4 177

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Escrever sobre políticas agrícolas é tão extenso que o ideal é


escrever um livro especificamente para tratar do tema, mesmo
assim teríamos que resumir muita coisa e suprimir outras
para concluir tal livro. Chego ao final deste capítulo com esta
sensação, pois tenho certeza que, no futuro, um amigo, um
colega, vai dizer: Poxa! E você nem mencionou a empresa tal! E
ele terá razão. Deste modo, antecipo minhas desculpas a todos
aqueles que atuam nas políticas do agronegócio e suas respectivas
instituições, que não foram citados ou mais detalhados neste
livro. E solicito que me enviem publicações de suas empresas,
para que eu possa preparar bem o próximo livro.

Quando analisamos a legislação brasileira, constatamos diferenças


entre as políticas agrícolas e as agrárias. Isto se deve às diferenças
existentes, de ordem prática ou concreta, que nos remetem a
problemas distintos, exigindo, portanto, tratamento diferenciado:
leis e instituições específicas para trabalhar os diferentes temas, seja
a produção agrícola ou o ordenamento do espaço rural.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, o Instituto


Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA e a
Secretaria da Agricultura Familiar – SAF são instituições
responsáveis pela execução das principais políticas agrárias do
país, como o Imposto Territorial Rural – ITR, a Política de
Assentamentos e o Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar – PRONAF.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA


executa as principais políticas relacionadas à produção agropecuária
e ao abastecimento, diretamente, ou através de suas empresas,
como a Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB e a
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA.

As políticas agrícolas são fundamentais para o desenvolvimento


do agronegócio brasileiro por uma série de fatores, entre
eles: pelas demandas internas e necessidade de alimentação
com melhor qualidade de seu povo, pelas demandas externas
e a disponibilidade dos fatores de produção que o país

178

int_ao_agronegocio.indb 178 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

apresenta, constituindo um caminho para o desenvolvimento


socioeconômico de sua sociedade. Pelos riscos que a atividade
agrícola apresenta, sendo maior que a indústria, o comércio e
serviços. Pelo setor encadear com a indústria, comércio e serviços,
subsidiando ou encarecendo os demais elos da cadeia produtiva.

As políticas agrícolas no Brasil estão avançando bastante na direção


de tornarmos os investimentos neste setor tão rentáveis e seguros
quanto os outros, pois os riscos de ordem biológica, climática e
econômicos são maiores na agricultura que em outros setores.
Percebe-se, visivelmente, que segmentos outrora esquecidos pelas
políticas públicas como o crédito rural para pequenos agricultores,
atualmente vêm funcionando bem através do PRONAF.

Quando olhamos para o meio rural brasileiro e visualizamos


produtores rurais falidos por conta do clima ou de uma queda
abrupta de preços na hora da comercialização, constatamos que
já existem políticas bem avançadas para resolver estes problemas,
mas que ainda carecem de ampliação de recursos financeiros e de
pessoal capacitado para trabalhar nelas.

Unidade 4 179

int_ao_agronegocio.indb 179 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação

Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O


gabarito está disponível no final do livro-didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.

1) Estudamos que a política agrícola difere da política agrária. Se


considerarmos a análise da estrutura fundiária de um município e
constatarmos a presença de 80 % das propriedades formadas por
pequenas propriedades (até 100 ha), 15 % de médias propriedades
(entre 100 e 300 ha) e 5% por grandes propriedades (maiores de 300
ha) e considerando correta a classificação quanto ao tamanho ora
estabelecida, indique uma linha de crédito visando o custeio das
despesas da safra para cada um dos estratos citados.

2) O crédito rural na safra 2010/2011 sofreu mudanças significativas: Quais


as principais inovações para esta safra?

180

int_ao_agronegocio.indb 180 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

3) Associe a primeira coluna de acordo com a segunda:


a) Programa de Aquisição de ( ) MODERFROTA,
Alimentos – PAA.
( ) CIDASC,
b) Crédito para investimento.
( ) Instrumento de comercialização
c) Executar ações de sanidade destinado a promover a aquisição
animal e vegetal. direta de produtos inseridos na
PGPM.,
d) As Centrais de Abastecimento
SA – CEASAS ( ) Política de combate à fome.,
e) Aquisição do Governo Federal ( ) Estimular a comercialização de
– AGF Hortigranjeiros.

4) Se, em uma região do país, determinado alimento está em crise de


abastecimento e com os preços altos (ex. o arroz) e, em outra região, os
preços estão abaixo do preço mínimo de garantia (PGPM), pergunta-
se: qual o instrumento de comercialização agrícola mais eficiente,
que não forme estoques reguladores, para resolver este problema de
abastecimento?

Unidade 4 181

int_ao_agronegocio.indb 181 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Saiba mais

Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade


ao consultar as seguintes referências:

ALMEIDA FILHO, Niemeyer; RAMOS, Pedro. Segurança


alimentar: produção agrícola e desenvolvimento territorial.
Campinas: Ed. Alínea. 2010.

ARBAGE, Alessandro Porporatti. Fundamentos de economia


rural. Chapecó: Argos, 2006.

BACHA, Carlos José Caetano. Economia e política agrícola no


Brasil. São Paulo: Atlas, 2004.

LAZZARINI NETO, Sylvio. Fontes de financiamento. São


Paulo: SDF Editores, 2009. v.9.

182

int_ao_agronegocio.indb 182 05/04/11 08:24


5
unidade 5

Inserção do profissional no
mercado

Objetivos de aprendizagem
„„ Apropriar-se de conhecimentos necessários à
dimensão da totalidade possível, daquilo que diz
respeito à Inserção do Profissional no Mercado.
„„ Compreender a complexa dinâmica do mercado de
trabalho – na contemporaneidade, em níveis, além
das fronteiras do Brasil.
„„ Elaborar, intelectualmente, que o conhecimento é
processo que se põe em incessante movimento e,
portanto, ficar parado é garantir sua autoexclusão.
„„ Entender que o desenvolvimento e crescimento do
agronegócio, no Brasil e no mundo, apontam para
maior oferta de empregos.

Seções de estudo
Seção 1 O crescimento do agronegócio no mundo, no
Brasil e, consequentemente, do emprego
Seção 2 Tendência e perfil do profissional

Seção 3 As competência necessárias

Seção 4 O ensino e as necessidades de mercado

int_ao_agronegocio.indb 183 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


A palavra agronegócio tem um sentido genérico, referindo-se a
todas as atividades de comércio com produtos agrícolas. Quando
um pequeno agricultor vende um produto na feira, está inserido
no agronegócio. Quando um feirante vende frutas e verduras,
está praticando agronegócio. Esta é a essência do sentido da
palavra, usada em nível internacional. No entanto, aqui no Brasil,
a expressão foi utilizada pelos fazendeiros, por intelectuais das
universidades e, sobretudo, pela imprensa, para designar uma
característica da produção no meio rural.

Muitos intelectuais denominaram de agronegócio aquelas


fazendas modernas, que utilizam grandes extensões de terra
e se dedicam à monocultura. Ou seja, que se especializam
num só produto, têm alta tecnologia, mecanização – às vezes
irrigação – pouca mão-de-obra, e, por isso, falam com orgulho
que conseguem alta produtividade do trabalho. Tudo baseado
em baixos salários, uso intensivo de agrotóxicos e de sementes
transgênicas. Na maior parte dos casos, a produção é para a
exportação. Em especial, cana-de-açúcar, café, algodão, soja,
laranja, cacau, além da pecuária intensiva. Esse tipo de fazenda é
o chamado de agronegócio.

Mas o que há de novo? Por essa ótica, quase nada


mudou.

Se estudarmos com atenção, é o mesmo tipo de modo de produção


que foi utilizado no período do Brasil Colonial, nos tempos do
modelo primário – exportador. Substituiu-se apenas o trabalho
escravo pelo assalariado, e as técnicas passam a ser modernas.

Os salários, segundo estudos, são os menores em comparação


com as remunerações da indústria, do comércio e das fazendas
dos países desenvolvidos ou competidores.

Muitos estudiosos brasileiros afirmam que as vantagens


comparativas que os fazendeiros brasileiros têm não advêm do
clima e nem de nossa sabedoria agrícola, mas sim da falta de
respeito com seus empregados e de controle por parte do governo

184

int_ao_agronegocio.indb 184 05/04/11 08:24


Nome da Disciplina

em relação à agressão que promovem ao meio ambiente, sem


nenhuma responsabilidade com as gerações futuras.

Há, por exemplo, inúmeras denúncias efetuadas por agrônomos e


cientistas dos estragos que a implantação da soja vem fazendo nos
biomas da natureza do cerrado e da pré-Amazônia.

Diante do exposto e questionando os conceitos anteriores vistos


neste livro, perguntamos:

O que mudou e o que precisa mudar?

É verdade que este modelo repete os séculos passados e que


o século XXI exige muito mais, em relação, por exemplo, ao
respeito ao meio ambiente. Portanto existe uma verdade vista e
aceita entre as correntes: precisamos evoluir! E estas mudanças
passam pela formação profissional, pois somos nós os agentes
destas transformações necessárias. O agronegócio só irá mudar,
se formos capazes de gerir estas mudanças.

Vamos ao estudo da nossa última unidade?

Seção 1 - O crescimento do agronegócio no mundo, no


Brasil e consequentemente do emprego
Podemos definir o crescimento do mercado de trabalho no
agronegócio, fundamentando-nos no crescimento do agronegócio
global e nacional. Esta análise retrata bem o posicionamento
das oportunidades de emprego neste cenário, mas, neste século,
outras variáveis exigirão mais profissionais e mais qualificação
além do crescimento do PIB do agronegócio.

Podemos citar como exemplo as questões ambientais,


climáticas, energia e utilização das novas tecnologias,
entre outras.

Unidade 5 185

int_ao_agronegocio.indb 185 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Conforme visto nas unidades anteriores, especialmente na


unidade 3, a qual trata das projeções do agronegócio, podemos
observar um acelerado crescimento econômico dos países em
desenvolvimento, em especial a China. Esta melhora na renda
destes países possibilita às pessoas comerem mais e melhor,
principalmente alimentos com mais qualidade. A condição
natural de produção de alimentos nestes países ou é muito
limitada, ou não existe. O Brasil poderá atender a estas demandas
se conseguir qualificar seus trabalhadores de acordo com as
expectativas do mercado consumidor...

Se considerarmos como fatores de produção a terra, o capital, o


trabalho e as informações, logo iremos perceber que temos todas
as pré-condições para continuarmos crescendo, em conformidade
com as exigências dos competitivos mercados internacionais.
Mas, se há algum tempo atrás, os economistas preocupavam-se
com a disponibilidade de capital no país, atualmente uma nova
preocupação surge para ser encarada como um novo desafio:
a qualificação do trabalhador. Contudo, ao analisarmos as
atuais condições do Brasil e a capacidade de reação de seu povo,
verifica-se que também poderemos superar este desafio.

Entretanto uma nova pergunta surge: como enfrentar


melhor este desafio?

A população mundial deverá saltar dos atuais 6,9 bilhões de


habitantes para 9,3 bilhões em 2050. Um crescimento de 2,4
bilhões de seres humanos no período. Estes números assustam
ambientalistas, preocupam governantes, animam economistas,
mas pode-se afirmar uma verdade diante destes números: estas
pessoas terão de se alimentar e quem estiver preparado para estas
demandas irá crescer economicamente. A produção de alimentos
é uma das vocações brasileiras. A humanidade está comendo
mais e melhor e o país pode atender bem a esta clientela, se
tiver nos setores do agronegócio trabalhadores capacitados para
o crescimento do mercado. Segundo a FAO, os produtores
precisam elevar a produção em 70%, até 2050.

186

int_ao_agronegocio.indb 186 05/04/11 08:24


Nome da Disciplina

A demanda no mercado de alimentos depende


muito da renda do consumidor, logo o crescimento
dos setores do agronegócio está atrelado ao poder
aquisitivo da maioria da população.

A influência dos fatores econômicos sobre o consumo de


alimentos, basicamente, é produto do próprio preço do alimento,
do preço dos produtos concorrentes (preços relativos) e da renda
do consumidor. Trata-se de princípios da Teoria Econômica
Neoclássica, que, modernamente, sofreram modificações e
avanços, mas que continuam verdadeiros. E é exatamente
sobre a renda do consumidor o ponto forte do crescimento do
agronegócio na atualidade, ou seja, se a população permanecesse
estável, mas com incrementos de renda, o consumo de alimentos
e o agronegócio cresceriam ainda mais que esta proporção.

Vamos considerar dois países com população relativamente


estável na atualidade: a China e o Brasil. O primeiro possui uma
população de 1,3 bilhões de habitantes e uma taxa de crescimento
em torno de 12% ao ano. O Brasil está estabilizado na faixa de
190 milhões de habitantes e cresceu em média 2,8% nos últimos
10 anos, sendo que se espera um crescimento maior nos próximos
10 anos, algo em torno de 4 a 5 % ao ano, números bem
possíveis. A China cresceu em renda e em consumo alimentar,
mas a expansão da produção agrícola é muito limitada. O Brasil
cresceu em renda da população, em consumo alimentar e,
principalmente, em exportações para a alimentação mundial e em
biocombustíveis. Evidentemente que, quando nos referimos ao
crescimento econômico de um país – medido através do PIB – e à
renda da população, estamos pressupondo uma melhoria também
na distribuição de renda destas economias. E o que é bom e
saudável é que isto vem ocorrendo. A camada da população
que forma a classe média vem crescendo nestes países. Outro
indicador positivo é a redução da miséria que já se faz presente
nas estatísticas de países como Rússia, Índia e China. E outro
aspecto do crescimento da produção de alimentos é exatamente o
combate à fome no mundo.

O agronegócio, segundo a CNA – Confederação Nacional


da Agricultura, é responsável por 35% dos empregos do país,
o que representa em torno de 12% da PEA – população
economicamente ativa:

Unidade 5 187

int_ao_agronegocio.indb 187 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

O segmento agrícola, sobretudo nos países em


desenvolvimento, necessita de US$ 30 bilhões a US$
100 bilhões por ano entre 2010 e 2050 para enfrentar
esse desafio, afirma a FAO, citando estimativas diversas.
Mas os recursos disponíveis estimados são de US$ 2
bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano entre 2010 e 2012,
excluindo o setor privado, que poderia injetar mais US$
15 bilhões por ano. “O financiamento é urgente”, diz
o órgão, em relatório divulgado ontem. “E os recursos
disponíveis, tanto os atuais quanto os projetados, são
substancialmente insuficientes para atender os desafios
de demanda climática e segurança alimentar do setor
agrícola. (Disponível em: <[Link]
br>. Acesso em: 08 dez. 2010).

Somente em crédito rural oficial, o Brasil está investindo 100


bilhões de Reais para a safra 2010/11 – em Dólares, são US$
58,48 bilhões (em 01/11/2010). Portanto, se depender dos
investimentos que estão sendo realizados atualmente em nosso
país, o mundo não irá passar fome. É lógico que a FAO se
refere ao conjunto dos países em desenvolvimento, assim como
é lógico que os investimentos realizados no Brasil são muito
superiores ao crédito rural.

Somente a EMBRAPA investiu R$ 1,9 bilhão em pesquisas


agropecuárias em 2010.

A citação dos dados da FAO, realizada anteriormente, apenas


pretendeu demonstrar a necessidade e a importância dos
investimentos oficiais e do setor privado para dar suporte ao maior
negócio da história do Brasil e ao maior negócio previsto para o
futuro. Pois, se a oferta depende da demanda, vamos ao trabalho!

Mas onde estão as oportunidades?

Primeiro, é importante lembrar que o empreendedorismo na


cadeia produtiva do agronegócio irá gerar as oportunidades
do emprego formal. Pois os investidores, pequenos, médios
e grandes serão aqueles que assumirão mais riscos e
responsabilidades no período, mas este é o preço do lucro.

Se pudermos fazer uma reflexão sobre o conceito de agronegócio,


observaremos que as oportunidades irão muito além da

188

int_ao_agronegocio.indb 188 05/04/11 08:24


Nome da Disciplina

produção agrícola propriamente dita, portanto produtores rurais,


agrônomos, veterinários e técnicos agrícolas permanecem como
profissionais fundamentais ao desenvolvimento do agronegócio.
Entretanto surgem novas necessidades.

A Fundação Dom Cabral realizou uma pesquisa para verificar


estas necessidades e constatou a falta de profissionais em alguns
setores: Setor operacional – Operadores de máquinas agrícolas,
de equipamentos de armazenagem, técnicos em linhas de
produção e mestres de obra. Setor administrativo – analistas,
traders, analistas de logística, analistas de vendas e analistas de
meio ambiente. Ou seja, quando a pesquisa se refere aos aspectos
administrativos, fica bastante clara a necessidade de formação de
profissionais com ênfase no agronegócio.

Seção 2 – Tendências e perfil do profissional


Acerca do perfil profissional, não podemos mais conceituá-lo
como algo estático, e esta afirmação vale para todas as atividades
de trabalho humano. O conceito na atualidade vai além do “saber
fazer”. É preciso conhecer, com propriedade, o objeto onde você se
propõe a atuar. Neste caso, estamos falando de agronegócio. Além
de conhecer profundamente a especificidade do agronegócio, o
trabalhador necessita transitar por outras áreas do conhecimento e
investir num processo de atualização permanente. Por exemplo: as
questões ambientais, idiomas, entre outras.

Segundo (BATALHA, 2005), existem quatro tendências básicas


a serem entendidas na atualidade e que estão influenciando as
mudanças na alimentação global, portanto, interagindo com a
produção agroindustrial. O esquema a seguir é uma adaptação
realizada pelo autor.

a) Tendências

„„ Crescimento da renda e da população. Devemos


considerar que o crescimento populacional é uma
tendência na Ásia, pois, no caso brasileiro, pela primeira
vez na história, o país irá experimentar crescimento zero.

Unidade 5 189

int_ao_agronegocio.indb 189 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ Urbanização e trabalho feminino. À medida que as


sociedades foram se urbanizando e a mulher foi-se
inserindo no mercado de trabalho, foi crescendo a
demanda por alimentos processados. Outra consideração
a ser feita é a redução no tamanho da família, reduzindo
o volume, peso, tamanho e embalagens dos alimentos
que chegam ao consumidor.

„„ Mudanças políticas e econômicas. O processo de


globalização inseriu novas sociedades no mundo
capitalista, como a Rússia e a Alemanha Oriental. Por
outro lado, as mudanças políticas permitiram à China
incorporar uma economia de mercado assegurando um
crescimento econômico fantástico.

„„ Modernas tecnologias. O crescimento das tecnologias


ligadas à informática está permitindo uma agricultura
mais produtiva, e de qualidade superior: a agricultura de
precisão, que permite a interação entre a máquina agrícola
e os satélites, já é uma realidade. A outra tecnologia
que vem promovendo uma revolução nos campos é a
biotecnologia: esta, por sua vez, não é novidade, mas a sua
utilização vem crescendo muito na agricultura.

b) Mudanças na economia agroalimentar global

„„ Globalização e liberalização. Mesmo sendo alvo de críticas


por várias posições, o GATT – Acordo Geral de Tarifas e
Comércio vem legislando sobre o comércio internacional e
democratizando-o. A WTO – Organização do Comércio
Mundial tem realizado trabalhos bastante promissores na
abertura dos mercados internacionais.

„„ Mudanças institucionais. Aconteceram muitas


mudanças nas organizações, relacionadas à coordenação
vertical, direitos de propriedades, contratos, modelos e
padrões agroalimentares, etc.

„„ Mudanças tecnológicas. As inovações oriundas


principalmente da informática e das biotecnologias
promoveram (e estão promovendo) profundas
transformações em outros setores como o transporte,
armazenamento, secagem, etc. Além do mais, algumas

190

int_ao_agronegocio.indb 190 05/04/11 08:24


Nome da Disciplina

biotecnologias estão contribuindo sensivelmente para


melhorias na qualidade ambiental, como é o caso do
Rhizobium, a bactéria fixadora de Nitrogênio, que dispensa
a adubação nitrogenada na cultura da soja.

c) Agroindústrias nos países desenvolvidos

„„ Aumento na escala e concentração (espacial, setorial, empresas).

„„ Mudanças na composição dos produtos/subsetores


(horticultura, processamento no varejo, formas não
tradicionais).

„„ Multinacionalização e orientação para a exportação.

„„ Aumento do uso da coordenação/mecanismos de controle.

„„ Aumento da intensidade de capital na produção e no


processamento.

d) Indicadores de desenvolvimento

„„ Crescimento na renda e rendimento per capita.

„„ Mudanças na pobreza e na desigualdade.

„„ Trabalho e remuneração reais.

„„ Esgotamento dos recursos naturais. Ex.: uso da água,


impactos ambientais, etc.

„„ Efeitos socioculturais. Ex.: mudanças nas dietas, da


autoridade nas tomadas de decisões, etc.

Ainda segundo Batalha (2005), as tecnologias que estão em


crescimento são:

Sistemas de posicionamento globais – Estão proporcionando uma


melhor e mais precisa aplicação dos insumos, objetivando redução
nos custos e melhoria do produto final.

Sistemas de informação geográficos – Estas tecnologias visam


reduzir a utilização de água na agricultura, reduzindo os impactos
ambientais. Possibilitam o monitoramento dos animais, bem como

Unidade 5 191

int_ao_agronegocio.indb 191 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

a administração de rações individualizadas para otimizar a


produção e evitar desperdícios.

Biotecnologias – As biotecnologias são antigas, mas continuam


imprimindo, neste início de século, uma nova revolução na
agricultura. Esta tecnologia está promovendo o aumento
na resistência a pragas e doenças, resistência a herbicidas,
aumentando o valor nutricional dos produtos, melhorias na
conservação, entre outras.

Internet – De modo geral, a internet está propiciando um


aumento no volume de informação entre as pessoas e, assim,
segue aprimorando o comércio entre vendedores e compradores.
Possibilita uma melhoria na colaboração entre pesquisadores.
Ampliou as oportunidades de educação e formação de profissionais.

Ao analisarmos as tecnologias citadas anteriormente e os benefícios


que estas podem proporcionar à agricultura, torna-se evidente que
a necessidade de pessoal habilitado para atuar nestas áreas é muito
grande, pois o retorno é visível aos olhos e ao bolso dos produtores.

Por exemplo, em um plantel de vacas leiteiras, os


animais em idades distintas e em diferentes estágios
de lactação necessitam de diferentes formulações e
quantidades de alimento. Se uma vaca, no pico da
lactação, receber menos ração do que é capaz de
converter em leite ou uma vaca no final do ciclo de
lactação receber mais ração do que é capaz de produzir
leite. Em ambas as situações, o produtor está perdendo
dinheiro, e estes detalhes podem determinar o sucesso
ou fracasso do projeto.

As ordenhadeiras modernas e a informatização do projeto


permitem este controle com relativa facilidade técnica: a
dificuldade existente se concentra na falta de pessoas capazes de
treinar os produtores para esta correta utilização da tecnologia.

Contudo voltamos ao ponto inicial: a figura central do


processo continua sendo o ser humano. Aquele que irá operar
as máquinas, prestar a assistência técnica e treinar aqueles
profissionais. Portanto necessitamos de pessoas especializadas,
mas com ampla visão de mundo, capazes de entender este

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Nome da Disciplina

momento em que a questão ambiental se incorporou à lógica de


agir, de produzir e distribuir. São necessários conhecimentos
em informática, mas outros aspectos continuam sendo muito
importantes, como: a sensibilidade e inteligência emocional para
lidar com os seres humanos. Atualmente estas pessoas aderem às
tecnologias, acessam as novas informações e acabam ficando mais
isoladas umas das outras e, por mais contraditório que pareça,
necessitando de apoio daquelas que as cercam.

Seção 3 - As competências necessárias


Iniciamos esta seção com um breve questionamento: de que
competências precisamos para buscar uma melhor participação
no processo de crescimento do agronegócio, neste cenário
promissor, mas altamente competitivo? Os autores Oderich e
Lopes (2001) propõem um conjunto de qualidades e atribuições
para a equipe e seus líderes. Vejamos:

„„ confiabilidade (integridade e honestidade);

„„ justiça (prezar por igualdade e honestidade);

„„ comportamento despretensioso;

„„ capacidade de ouvir;

„„ mente aberta;

„„ sensibilidade às pessoas (empatia, percepção);

„„ sensibilidade às situações;

„„ iniciativa;

„„ bom senso;

„„ liberalidade (ser tolerante a várias visões);

Unidade 5 193

int_ao_agronegocio.indb 193 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

„„ flexibilidade e adaptabilidade;

„„ capacidade de tomar decisões precisas e oportunas;

„„ capacidade de motivar;

„„ senso de urgência (uso do tempo para gerar vantagem


competitiva).

Se refletirmos sobre estas características, pode-se observar o


seguinte:

- É difícil agregar todas estas características em um único


indivíduo, entretanto, se este indivíduo não for íntegro, honesto
e não agir com bom senso, automaticamente eliminará as outras
atribuições que podem ser construídas ou treinadas pelos líderes.

- Em nenhuma delas os autores valorizaram o conhecimento


técnico.

- Algumas características precisam de uma definição melhor


para que possam ser interpretadas, tais como mente aberta
e bom senso, mas vamos atribuí-las a uma pessoa que não é
preconceituosa frente as decisões.

- As habilidades de tomar as iniciativas (corretas), utilizar o tempo


com coerência e tomar decisões estão relacionadas ao conhecimento
técnico ou à capacidade de ouvir as pessoas da equipe.

- A flexibilidade e a adaptabilidade são características difíceis


e demoradas de serem trabalhadas em um indivíduo, mas
características fundamentais nas equipes, para o andamento das
empresas. E, treináveis, se houver humildade e boa vontade do
profissional.

Os autores Oderich e Lopes (2001) realizaram uma pesquisa com


136 executivos nos Estados do Sul e São Paulo, com o objetivo
de identificar os principais atributos de um executivo para atuar
num mercado globalizado. Relacionaram 12 atributos em ordem
de importância:

„„ integridade;

194

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Nome da Disciplina

„„ visão estratégica;

„„ capacidade de liderança;

„„ visão da empresa;

„„ capacidade de decisão;

„„ foco no resultado;

„„ ética no trato de questões profissionais e sociais;

„„ capacidade de negociação;

„„ motivação;

„„ coordenação de trabalhos em equipe;

„„ habilidades em relações interpessoais;

„„ atitude pró-ativa.

Algumas características são comuns ao executivo do cenário


global e ao líder ou membro da equipe, como a integridade,
a motivação e a ética. Podemos observar que, novamente, a
pesquisa não fez menção ao conhecimento técnico. Entretanto,
quando analisamos itens como capacidade de negociação,
decisão e liderança, deduzimos que este profissional deve ter
conhecimento técnico acumulado e alguma prática no setor, pois
trata-se de atributos passíveis de aprendizado, treinamento, mas
que só a experiência é capaz de lapidar.

Os atributos visão estratégica, foco no resultado e


coordenação de trabalhos em equipe definem o
sucesso da empresa no médio e longo prazo. É que
a visão estratégica trata das decisões de longo prazo
para a empresa, como diversificar a produção ou
alcançar um novo mercado.

A coordenação de trabalhos em equipe requer deste líder


cultura e sensibilidade humana, pois os resultados são mais
importantes que os meios (sem desprezar a ética). Por exemplo:

Unidade 5 195

int_ao_agronegocio.indb 195 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

o cumprimento de horários em muitas atividades na atualidade


pode ser deixado em segundo plano; já, o que precisa ser feito,
não. Entretanto, para a obtenção de bons resultados, é necessária
uma equipe motivada, e o salário não é a única variável que
confere satisfação às pessoas.

Os autores Mc Gregor, Tweed e Pech (2004) desenvolveram um


modelo comparativo de habilidades e conhecimentos requeridos
pela velha e pela nova economia.

Tabela 01 – Modelo transitivo de capital na nova economia

Direções/influências “Velha” economia “Nova” economia


Curto período de envolvimento
Carreira longa/estabilidade
Fatores de ligação (contrato, autônomo, acionista)
Dependência Adaptação/adaptabilidade
Contrato de trabalho para toda a vida Comprometimento intelectual
(estímulo ao emprego)
Fatores de motivação Garantia de emprego
Atraído pelo aumento de recompensas
Salário frequente/habitual monetárias
Regularidade, funções contínuas e
Fatores de trabalho Projetos consecutivos ou sequenciais
processos
Estrutura de recompensa volátil
Estrutura de recompensa estável
Fatores de recompensa Promoção além das fronteiras da
Promoção vertical e interna empresa

Treinamento Educação
Fatores de Treinamento relacionado com a carreira Atualização própria por meio de
desenvolvimento e melhorias para a empresa desenvolvimento profissional dentro e
fora da empresa
Habilidades específicas da empresa
Transferência de conhecimento
Maior controle dos indivíduos Grande autonomia dos indivíduos
Fatores culturais
Dirigida pela organização Dirigida pelas equipes e indivíduos
Fatores organizacionais Individualidade/único trabalhador Ambiguidade/múltiplos trabalhadores

Tabela 01 - Modelo transitivo de capital na nova economia


Fonte: McGregor, J.; Tweed, D.; Pech, R. Human capital in the new economy: devil’s bargain?
Journal of Intellectual Capital. v. 5, n. 1, 2004.

Podemos observar que, para os autores McGregor, Tweed e


Pech, a nova economia caracteriza-se por uma dinâmica cada
vez maior naquilo que precisa ser feito, muito provavelmente
relacionado à redução do ciclo de vida das mercadorias e
aceleração na velocidade de produção do conhecimento. Logo, o
emprego tradicional em baixa, ou seja, aquele em que o indivíduo
ingressaria em uma carreira que fosse realizar atividades
rotineiras e se aposentar nesta empresa, existirá cada vez menos.

196

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Nome da Disciplina

Em contrapartida, o trabalho por projeto, que exige profissionais


altamente especializados, mas com ampla educação, está em alta.

Ao tratar exclusivamente do segmento do agronegócio, Prado


(apud BATALHA, 2005) destaca as seguintes características que
o novo mercado exigirá:

„„ domínio de informática para que possa operar com


eficiência as inovações tecnológicas oriundas da
agricultura de precisão e da automação industrial;

„„ domínio de idiomas, para ter acesso às novas tecnologias


e pela necessidade de negociação advinda da globalização
da economia;

„„ capacidade de “desaprender,” esquecer antigos conceitos


e velhas tecnologias, para que estes espaços possam ser
preenchidos com conceitos modernos de gestão e novas
tecnologias;

„„ visão sistêmica, que possibilite o domínio do negócio e o


conhecimento da “anatomia” dos resultados;

„„ empreendedorismo, visto que as empresas estão


demandando profissionais dinâmicos, que criem novos
empreendimentos e alavanquem o crescimento da
companhia;

„„ liderança, pois a presença de líderes agregadores e


dinâmicos nas empresas motivam equipes de trabalho e
desenvolvem um espírito colaborativo;

„„ comunicação, para que possa expressar claramente suas


opiniões propósitos;

„„ criatividade, já que as empresas precisam de profissionais


que tenham capacidade de desenvolver soluções simples e
rápidas, além de criar novos rumos e alternativas em prol
da companhia;

„„ versatilidade, para se adaptar rapidamente aos diferentes


cenários que se apresentam no ambiente agroindustrial.

Unidade 5 197

int_ao_agronegocio.indb 197 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Faz alguns anos que alguns itens acima descritos aparecem


entre as citações dos consultores, afinal conhecimentos em
informática e domínio de idiomas são pilares da sociedade
global. Mas, quem diria, a “capacidade de desaprender” parece
contraditória, mas as inovações acontecem em velocidade tão
alta que o que é conhecimento hoje pode ser vício amanhã,
desse modo a experiência, em muitos casos, não é mais uma
característica desejável.

Vamos relacionar empreendedorismo, criatividade, visão


sistêmica e versatilidade. Estas características podem ser
aperfeiçoadas nos indivíduos, mas não em cursos de curta
duração: exigem um curso superior. Senão vejamos: para criar é
preciso conhecimento, estudo, depois imaginação sobre os fatos,
sobre os problemas.

Seção 4 – O ensino e as necessidades de mercado


O Professor Marcel Botelho realizou uma pesquisa sobre
o ensino nas universidades brasileiras e as necessidades do
mercado. O contexto é de um Brasil com cultura organizacional
muito individualista, corporativismo, falta de comunicação,
comportamento dogmático e necessidade de mudanças em
comportamentos e atitudes.

O gráfico a seguir mostra o que os empregadores enxergam como


ideal e como as universidades estão preparando os acadêmicos
para o mercado de trabalho.

198

int_ao_agronegocio.indb 198 05/04/11 08:24


Nome da Disciplina

Gráfico 01- O distanciamento das universidades: Empregadores.


Fonte: BOTELHO, Marcel. Palestra - Desenvolvimento profissional do docente através da Pesquisa–Ação:
um caminho para o aprimoramento do ensino aprendizagem. Reunião da ABEAS. Manaus, 2006.

Pode-se perceber o distanciamento entre os profissionais formados


nas universidades pesquisadas e o nível de conhecimento que
os empregadores julgam ideal. Entretanto o que mais chama a
atenção é a necessidade de comunicação e ética.

Todavia o gráfico a seguir nos mostra a pesquisa realizada com ex-


alunos e nos dá uma noção mais precisa na ótica de quem passou
por um banco escolar e agora está inserido no mercado de trabalho.

Unidade 5 199

int_ao_agronegocio.indb 199 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Gráfico 02 - O distanciamento das universidades: Ex-alunos.


Fonte: BOTELHO, Marcel. Palestra - Desenvolvimento profissional do docente através da Pesquisa–Ação:
um caminho para o aprimoramento do ensino aprendizagem Reunião da ABEAS. Manaus, 2006.

Se compararmos com o gráfico anterior, na sua essência, os


ex-alunos sentem a necessidade de uma maior bagagem em
economia e gestão, mas comunicação e ética continuam em
destaque. Segundo o consultor Eleri Hammer, “muitas empresas
têm seu crescimento restringido pela falta de profissionais
capazes de atender à demanda imediata de trabalhadores, e, ao
mesmo tempo, recém-formados sofrem com a falta de emprego.
Onde está o erro? Ou melhor, onde está a solução?” (Disponível
em: <[Link] Acesso em 08 dez. 2010).

O autor descreve quatro etapas para iniciarmos uma reflexão


sobre o assunto. Vejamos:

Etapa 1– Visão de hoje do agronegócio: O maior desafio


por que iremos passar nesta década, em minha opinião,
será conseguirmos qualificar pessoas capazes de usar
as tecnologias e ferramentas disponíveis, que possuam
perfil humano, gerencial e técnico, e capazes de colocar
em prática tudo aquilo que a ciência produziu e está por
produzir. Tecnologias como a transgenia, agricultura
de precisão, robotização são pouco efetivas se não
conseguirmos desenvolver seres humanos capazes de
manipular e utilizar tais favorecimentos em prol de um
aumento sustentável da produção de alimento no mundo.
(Disponível em: <[Link] Acesso
em 08 dez. 2010).

200

int_ao_agronegocio.indb 200 05/04/11 08:24


Nome da Disciplina

A visão de Eleri Hammer corrobor a necessidade de profissionais


qualificados descrita no início desta unidade,

Etapa 2 – Visão atual do mercado de trabalho no


agronegócio: mais da metade dos portadores de diploma
de curso universitário não atua na carreira para a qual se
formou. Isso derruba o mito segundo o qual a escolha da
carreira no fim da adolescência é uma decisão de vida ou
morte para o futuro. O que conta na formação acadêmica
é a preparação para adaptar-se a diferentes funções
com bom desempenho. (Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em 08 dez. 2010).

Segundo Eli Hammer, a visão de mundo do indivíduo, a


especialização e o processo de atualização são fundamentais para
o profissional da atualidade.

Etapa 3 – Coerência profissional: Um bom profissional


não pode depender apenas de bons momentos de mercado
para manter sua carreira profissional em evolução.
Mesmo em momento de crise do agronegócio, pudemos
identificar pessoas que conseguiram obter sucesso na
sua atuação profissional. Tanto no momento de vacas
gordas como no contrário. (Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em 08 dez. 2010).

Para Hammer, “sorte = oportunidade + preparo”, portanto o


autor defende profissionais capacitados e com criatividade para
enfrentar os momentos de crise.

O autor ainda aconselha os profissionais a seguirem cinco passos


para auxiliá-los no bom desempenho profissional: “Passo 1 –
Investir tempo no autoconhecimento. Passo 2 – Capacitação.
Passo 3 – Tenha uma boa visão do todo. Passo 4 – Suba um
degrau de cada vez. Passo 5 – Guarde tempo para reavaliar cada
etapa da sua trajetória e seja fiel aos seus verdadeiros objetivos.”
(Disponível em: <[Link] Acesso em: 08
dez. 2010).

Etapa 4 – Sonho versus profissão: Que loucura pensar


que pessoas trabalham toda uma vida, dedicam seus mais
produtivos e saudáveis anos com o sonho de um dia se
aposentar. Será que isto não é muito pouco? Será que não
podemos nos posicionar dentro do mercado de trabalho
para sermos felizes hoje? Uma profissão pode se tornar uma
bela aliada na execução da nossa verdadeira razão de existir.

Unidade 5 201

int_ao_agronegocio.indb 201 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

O autor está abordando algo muito importante em termos de


felicidade, bem-estar, saúde e prosperidade. Mesmo acreditando
em Deus, sabe-se que esta vida é uma só; o dinheiro, depois
de pagar as nossas necessidades básicas, tem pouco peso
sobre a felicidade das pessoas; é no ambiente de trabalho que
passaremos aproximadamente um terço de nossa vida produtiva.
Também sabemos que iremos produzir bem aquilo de que
nós gostamos. Portanto vamos viver felizes, com mais saúde e
melhor produção no trabalho.

Síntese

A população mundial deverá saltar dos atuais 6,9 bilhões de


habitantes para 9,3 bilhões até 2050. Um crescimento de 2,4
bilhões. Segundo a FAO, os produtores precisam elevar a
produção em 70% até 2050. Quando começamos a refletir sobre
estes números, percebemos que o aumento não será somente
quantitativo, mas principalmente qualitativo. A inserção da
mulher no mercado de trabalho promove uma forte modificação
na forma de alimentação da família, exigindo alimentos mais
elaborados, com um grau de processamento maior.

Outra constatação destes números são as políticas de combate à


fome e miséria, lideradas pela ONU. Entretanto a influência dos
fatores econômicos sobre o consumo de alimentos, basicamente,
é produto do próprio preço do alimento, do preço dos produtos
concorrentes (preços relativos) e da renda do consumidor.
Portanto o grande mercado será os países emergentes e seus
consumidores que querem comer mais e melhor. Os chineses, por
sua vez, com seus 1,3 bilhões de habitantes, apresentam-se como
nossos fortes parceiros comerciais.

Uma revolução está acontecendo no mundo, com o acelerado


crescimento dos países emergentes e, atualmente, uma crise nos
países ricos está sendo superada. As transformações se estendem
também ao campo ambiental, às mudanças climáticas e aos

202

int_ao_agronegocio.indb 202 05/04/11 08:24


Nome da Disciplina

avanços da informática. Estas modificações estão alterando o


modo de se produzir e a forma de trabalhar. Estão exigindo mais
conhecimento e qualificação dos profissionais.

Neste contexto, o Brasil, com seus abundantes recursos naturais,


seu corpo de profissionais com uma relativa tradição de pesquisa
agropecuária e sua infraestrutura, possui condições de aperfeiçoar
o que precisa ser melhorado e atender as exigências do comércio
mundial tornando-se uma das maiores potências do século XXI.
Entretanto necessita-se de profissionais capacitados para atuarem
no agronegócio, sendo este um dos maiores desafios. Mas que
características profissionais o mercado está exigindo?

Algumas áreas são apontadas como grandes empregadoras


na próxima década, onde se pode citar: informática e
informatização das atividades agrícolas, negócios via
internet, biotecnologias e crescimento das agroindústrias
processadoras. Contudo, para aproveitar estas oportunidades,
algumas características são apontadas como essenciais, tais
como: domínio de informática e de idiomas, capacidade de
“desaprender,” visão sistêmica, empreendedorismo, liderança,
comunicação, criatividade e versatilidade. Então, você quer
crescer profissionalmente, gosta de desafios?

Unidade 5 203

int_ao_agronegocio.indb 203 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação

Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O


gabarito está disponível no final do livro-didático. Mas esforce-se para
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você estará
promovendo (estimulando) a sua aprendizagem.

1) Quais fundamentos nos asseguram o crescimento do agronegócio nas


próximas décadas?

2) Segundo a FAO, os produtores precisam elevar a produção em 70% até


2050. “O segmento agrícola, sobretudo nos países em desenvolvimento,
necessita de US$ 30 bilhões a US$ 100 bilhões por ano, entre 2010 e
2050, para enfrentar esse desafio.” Segundo informações do texto,
quanto o Brasil está investindo na safra 2010/11?

3 – Indique um exemplo de oportunidade para cada uma das tendências


de mercado relacionadas abaixo.
a) - Urbanização e trabalho feminino: ____________________________
b) - Transformações políticas e econômicas no globo: ________________
c) - Modernas tecnologias: ____________________________________
d) - Mudanças na economia agroalimentar global: __________________
e) - Avanço nas biotecnologias: ________________________________

204

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Nome da Disciplina

4 – Liste 05 competências necessárias a uma melhor participação no


processo de crescimento do agronegócio.

Saiba mais

Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade,


consultando as seguintes referências:

PRADO, M. O. O agribusiness em um mundo globalizado. In


Pinazza, L. A. et al. Reestruturação do agribusiness brasileiro:
agronegócios no terceiro milênio. ABAG e IBRE-FGV. Rio de
Janeiro, 1999, p. 137 a 150.

TEJON, J. L. XAVIER, Coroliano. Marketing e agronegócio:


a nova gestão – diálogo com a sociedade. São Paulo: Ed. Pearson
Prentice Hall, 2009.

Consulte, também, os seguintes sites:

<[Link]
<[Link]

Unidade 5 205

int_ao_agronegocio.indb 205 05/04/11 08:24


int_ao_agronegocio.indb 206 05/04/11 08:24
Para concluir o estudo

Estou concluindo os ajustes deste livro, Introdução ao


Agronegócio, na semana em que o Presidente Barack
Obama veio ao Brasil e afirmou ao Público que “o
futuro chegou para o País”. Ele se refere aos slogans
que ouvimos aqui durante décadas: “O Brasil é o país
do futuro” ou “o Brasil é o celeiro do mundo.” Trata-se
de uma afirmação complexa. Contudo, ao final deste
livro, podemos concluir que o Presidente dos EUA
está correto. Ou ser um dos cinco maiores produtores e
exportadores de alimentos do mundo não significa nada?
Liderar a produção agropecuária em vários segmentos
é algo grandioso. O país com potencial para liderar a
produção mundial de alimentos e biocombustíveis é
futuro, mas o futuro está bem próximo e é tangível,
concreto.

Iniciamos este estudo com a análise da formação


econômica do Brasil, um modelo de exportações de
produtos agrícolas. Estudamos que esta formação se
confunde com a nossa própria história, com nossos
costumes e cultura. Por outro lado, herdamos uma
bagagem escravocrata, forte presença de latifúndio
e latifúndio improdutivo. Mas estas contradições
são desafios a serem superados, pois o próprio
desenvolvimento agrícola é a arma capaz de matar a fome
que, infelizmente, ainda assola a sociedade brasileira. Se
nossa vocação agrícola é capaz de gerar riquezas, nossa
politização, ética e solidariedade devem distribuí-las de
maneira mais equitativa. Este futuro também chegou
com o advento da democracia brasileira.

O Brasil, após a crise de 1929, faz a opção pelo


desenvolvimento de uma economia industrializada.
Neste novo modelo, a agricultura é que lhe irá dar
suporte, exercendo vários papéis fundamentais a esta

int_ao_agronegocio.indb 207 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

transformação, mas a liberação de mão de obra e o consumo


de produtos industrializados marcarão dominantemente a
nossa trajetória no século XX. O êxodo rural promove a rápida
urbanização do país, e o consumo de produtos industrializados
é uma das marcas da modernização da agricultura. Nos anos
60, consolida-se o modelo de integração entre produtores rurais
e agroindústrias, modelo que passa a ser conceituado como
complexos agroindustriais – CAIs. Este modelo evoluiu até o
estudo dos consumidores finais, e, atualmente, é predominante
na agricultura brasileira, hoje conceituado como agronegócio. O
futuro chegou.

Em 1989, com a queda do muro de Berlin, inicia o processo de


Globalização, marcado pelo surgimento dos blocos econômicos
e o advento da informática e da comunicação via rede de
computadores. Em 1991, a Argentina, Brasil, Paraguai e
Uruguai formam o MERCOSUL, aumentando as trocas entre
os países e se fortalecendo frente ao mundo. Neste contexto de
globalização, emergem países como a China, Índia e Rússia, que,
juntamente com o Brasil, são chamados de BRICs. A Geografia
vai adquirindo novos contornos espaciais e econômicos. Novos
mercados surgem com muita força, e estes países emergentes
constituem-se a nova potência do século XXI. O futuro é agora.

Mas algumas incógnitas surgem. O que esperar dos novos


profissionais que irão conduzir esta potência mundial? Estamos
suficientemente preparados para enfrentar o presente e o
futuro? Que competências são necessárias para trabalharmos no
agronegócio e alcançarmos sucesso em nossas ações? Trata-se de
perguntas cuja resposta começamos a esboçar neste livro e que
serão mais bem respondidas no decorrer do curso. Entretanto
a educação continuada nos tempos em que vivemos é a melhor
resposta, pois as mudanças e as inovações seguem muito
rapidamente em nosso tempo. O futuro está em nossas mãos.

208

int_ao_agronegocio.indb 208 05/04/11 08:24


Referências

ALBUQUERQUE, Marcos C; NICOL, Robert. Economia agrícola:


o setor primário e a evolução da economia brasileira. São Paulo:
McGraw-Hill do Brasil, 1987.
ALFONSIN, Ricardo Barbosa. Dívidas agrícolas. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2005.
ALTMANN, R.; MIOR, L.C.; ZOLDAN, P. Perspectivas para o sistema
agroalimentar do espaço rural de Santa Catarina em 2015:
percepção de representantes de agroindústrias, cooperativas e
organizações sociais. Florianópolis: Epagri, 2008.
ALMEIDA FILHO, Niemeyer. RAMOS, Pedro. Segurança alimentar:
produção agrícola e desenvolvimento territorial. Campinas: Ed.
Alínea. 2010.
ARAUJO, N. B; WEDEKIN, I; PINAZZA, L. A. Complexo
agroindustrial - o agribusiness brasileiro. São Paulo: Agroceres,
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ARBAGE, Alessandro Porporatti. Fundamentos de economia
rural. Chapecó: Argos, 2006.
BACHA, Carlos José Caetano. Economia e política agrícola no
Brasil. São Paulo: Atlas, 2004.
BATALHA, Mário Otávio. Gestão do agronegócio. São Carlos:
EdUFSCAR, 2005.
BOTELHO, Marcel. Palestra - Desenvolvimento profissional
do docente através da pesquisa–ação: um caminho para o
aprimoramento do ensino aprendizagem. Reunião da ABEAS,
Manaus, 2006.
BRASIL. Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento.
Intercâmbio comercial do agronegócio: principais mercados
de destino. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio. Brasília:
Mapa/ACS, 2009. 469 p.
D’ÁVILA, André Luiz Bettega. O direito do comércio internacional
no setor agrícola. Curitiba: Ed. Fundação Boiteux, 2010.
DOSSA, Derli. Palestra - Alguns enfoques do mercado brasileiro
do agronegócio. 6º Congresso Estadual de Engenheiros
Agrônomos de Santa Catarina,Florianópolis, 14-05-08.

int_ao_agronegocio.indb 209 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Ed. Nacional, 1984.


GRAZIANO NETO, Francisco. Questão agrária e ecologia: crítica da
moderna agricultura. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.
GUANZIROLI, Carlos Enrique. Agronegócio no Brasil: perspectivas e
limitações. UFF, 2006. Disponível em: <[Link] Acesso
em: 18 out.2010>.
LAZZARINI NETO, Sylvio. Fontes de financiamento São Paulo: SDF
Editores, 2009. v. 09.
LOPES VASQUEZ, José. Comércio exterior brasileiro. 5. ed. São Paulo:
Atlas, 2001.
MCGREGOR, J.; TWEED, D.; PECH, R. Human capital in the new economy:
devil´s bargain? Journal of intellectual capital, v. 5, n. 1, 2004.
MITIDIERI, Francisco José. Zoneamento agrícola de risco climático como
ferramenta de auxílio ao seguro rural. Brasília: UnB, 2007. 53 p.
MULLER, Geraldo. Complexo agroindustrial e modernização agrária.
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ODERICH, Cecília Leão; LOPES, Fernando Dias. Novas competências e
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REAd Revista Eletrônica de Administração, edição 19, n. 1, v. 7, mar. de
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PARRÉ, J. L., GUILHOTO, J. J. M. A desconcentração regional do agronegócio
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PELEGRINO, Antenor. Direitos trabalhistas do empregador e do
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PRADO JÚNIOR, C. Formação econômica do Brasil. São Paulo:
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SAMPAIO, P. A. Capital estrangeiro e agricultura no Brasil. Petrópolis:
Vozes, 1980.
ZIBETTI, Darcy Walmor. Seguro agrícola e desenvolvimento sustentável.
Curitiba: Juruá Editora, 2006.

210

int_ao_agronegocio.indb 210 05/04/11 08:24


Introdução ao Agronegócio

Web sites consultados ou recomendados:


ALVES, Eliseu; ROCHA, Daniela de Paula. Ganhar tempo é possível?
Disponível em: <[Link]/arquivos/doc_ganhar_
possivel_13249.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2011.
Companhia Nacional de Abastecimento. Disponível em: <[Link].
[Link]/>. Acesso em: 28 mar. 2011.
Instituto Business Group. Disponível em <[Link]/>.
Acesso em: 28. mar. 2011.
Organização das Nações Unidas Para Agricultura e Alimentação.
Disponível em <[Link]>. Acesso em: 28 mar. 2011.
Fundação Dom Cabral. Disponível em: <[Link]>. Acesso em: 28
mar. 2011.
Nações Unidas no Brasil. Disponível em: <[Link]>.
Acesso em: 28 mar. 2011.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:
<[Link]/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%[Link]>.
Acesso em: 15 dez. 2010.
Ministério dos Transportes. Disponível em: <[Link]/
bit/[Link]>. Acesso em: 28 out. 2010.
PRATES, Fabio; OLIVEIRA, Maurício. Empregos tipo
exportação. Disponível em: <[Link]/especiais/
agronegocio_2004/p_076.html>. Acesso em: 28. mar. 2011.
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[Link]>. Acesso em: 28 mar. 2011.

211

int_ao_agronegocio.indb 211 05/04/11 08:24


int_ao_agronegocio.indb 212 05/04/11 08:24
Sobre o professor conteudista

Sílvio Tiago Cabral nasceu em Sombrio – SC, em


março de 1966. Possui graduação em Agronomia pela
Universidade para o Desenvolvimento do Estado de Santa
Catarina - UDESC (1990) e mestrado em Economia
Rural pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB-
II (1997). É professor da Universidade do Sul de Santa
Catarina no Curso de Agronomia, onde atua desde 1995.
Exerce, desde 2006, a função de vice-coordenador. Foi
conselheiro no CREA_SC, de 2005 a 2009, e é Inspetor
do CREA-SC no escritório regional em Tubarão desde
2007. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase
em Agronegócio, atuando principalmente nos seguintes
temas: Economia e Administração Rural, Educação
no meio rural, Cooperativas e plantas em sistemas
convencional e orgânico.

Maiores informações através do link <[Link]


br/9446222688647778>.

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Respostas e comentários das
atividades de autoavaliação

Unidade 1
1)
A abolição da escravatura proporciona o surgimento de um
mercado interno formado por trabalhadores assalariado. De
outro modo o pagamento do salário com glebas de terras
proporcionou uma redistribuição das terras formando pequenos
e médios produtores rurais, logo, auxiliando também a formação
de um efeito renda-consumo.
- Por ser o café uma cultura com baixo valor por peso unitário,
característica que exige produções em grandes quantidades
para se obter uma lucratividade satisfatória. O grão de café
consequentemente necessita de um sistema de transportes
eficiente, forçando a construção de rodovias, ferrovias, portos, etc.
Estas duas características citadas e outras anteriormente descritas
neste livro diferenciaram o ciclo do café dos demais, por gerar
um efeito renda-consumo e promover a formação de uma
economia nacional.
2)
„„ Fornecer alimentos com preços constantes ou decrescentes;
„„ Consumir produtos industrializados;
„„ Liberar mão de obra para indústria;
„„ Produzir matérias primas para indústria;
„„ Gerar divisas através de exportações.
A agricultura cumpriu e cumpre os cinco papéis citados
anteriormente. Pode-se observar que em raros momentos faltou
algum tipo de alimento na mesa dos brasileiros por crise de
produção

int_ao_agronegocio.indb 215 05/04/11 08:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

3)
„„ O crédito rural é institucionalizado no país e os produtores passam a
utilizar este instrumento.
„„ A mecanização agrícola no meio rural cresce como em nenhum outro
momento.
„„ Os produtores rurais passam a utilizar adubos químicos, em
substituição ao esterco, os herbicidas substituíram a enxada, inseticidas
e fungicidas passam a ser o método de controle de pragas e doenças.
„„ A pecuária passou a utilizar rações, fármacos e tecnologia veterinária.
„„ As sementes geneticamente melhoradas passam a predominar nos
cultivos.
„„ Empresas capitalistas surgem no meio rural brasileiro e a contratação
de mão de obra assalariada cresce no período.
„„ Os desequilíbrios sócio-ambientais se agravam no meio rural brasileiro.
4)
O agronegócio é o estudo que considera toda a cadeia produtiva, do
produtor rural, passando pela agroindústria, até chegar ao consumidor
final. Estuda os insumos e seus fornecedores, onde se pode chamar
de indústria para a agricultura. Considera a produção agropecuária
propriamente dita e os agentes que nela operam. Denomina a indústria
alimentar de jusante e todas as operações até chegar no consumidor
final. Para tanto considera: Agricultura, pecuária e pesca, indústrias
agroalimentares, distribuição agrícola e alimentar, comércio internacional,
consumidor e serviços de apoio.

Unidade 2
1)
As regiões Sul e Sudeste são as que apresentam as maiores taxas de
crescimento no agronegócio brasileiro. Conforme pode se observar no
texto, a região centro oeste apresentou o maior crescimento proporcional,
saltando sua participação de 10,3 % para 16,7 % em 10 anos. A região
Sul poderá passar a região Sudeste e assumir a primeira colocação nos
próximos anos, pois está com sua participação está em 34,2% do PIB do
agronegócio contra 36,2% da região Sudeste.
2)
Os maiores compradores do Brasil em ordem decrescente são: UE 27,
China, Rússia, EUA e Irã. Os importadores que mais cresceram no período
foram Venezuela (86,81%), Cuba (65,9%), Malásia (40,7%), Argélia (38,5%) e
Tailânda (36%).
3)

216

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Introdução ao Agronegócio

Porque no cálculo considera-se apenas o produto agropecuário quando


se refere ao PIB agrícola, porém no PIB do agronegócio se considera os
insumos, a agricultura, o processamento e a distribuição.
4) Alternativa correta (c)

Unidade 3
1)
Simplesmente porque o que interessa é a produção e não a área plantada.
Se somos importadores e o crescimento da produção apenas acompanhar
o consumo, teremos que continuar importando para atender a demanda.
2)
O grão desta leguminosa é rico em óleo e em proteína. Após a extração
do óleo, “sobra um resíduo”, a torta de soja, de onde se obtém o
farelo de soja, cuja composição alcança de 30% a 45% de proteína
bruta. A proteína é o ingrediente de custo elevado na formulação de
rações. Desse modo, o resíduo compete com o produto principal em
termos de receitas. Conforme visto anteriormente, se misturarmos
milho (rico em carboidratos) com farelo de soja (rio em proteínas) nas
proporções balanceadas obteremos uma ração capaz de alimentar
aves, suínos, bovinos, etc. E assim produzir leite, ovos e carnes em níveis
economicamente viáveis.
3)
Resposta: a (F); b. (V); c (V); d (F); e (V).
4)
Alternativa correta: (e)

Unidade 4
1)
Pequenas – PRONAF; Médias – PRONAMP; Grandes – Crédito para custeio.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

2)
„„ Elevação no crédito para a agricultura comercial;
„„ Aumento nos limites de financiamento em operações de custeio e
comercialização;
„„ Ações de incentivo à Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que resulta
em menor emissão de gases causadores do efeito estufa;
„„ Incentivo ao médio produtor rural, com a criação de um programa
especificamente voltado para esse público: o Programa Nacional de
Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP), que manterá as políticas
do Programa de Geração de Emprego e Renda Rural (PROGER Rural);
„„ Aumento dos limites de financiamento de custeio para os médios
produtores;
„„ Direcionamento de recursos obrigatórios dos depósitos à vista para o
PRONAMP;
„„ Incentivo à construção e à adequação de armazéns na fazenda, por
meio de elevação de limite de crédito em programas de investimento,
aumento do prazo de reembolso e maior volume de recursos.
3)
Resposta: b; c; e; a; d
4)
Prêmio para Escoamento de Produto – PEP - é uma subvenção econômica
(prêmio) concedida àqueles que se disponham em adquirir o produto
indicado pelo Governo Federal, diretamente do produtor rural e/ou sua
cooperativa, pelo valor de referência fixado (Preço Mínimo), promovendo o
seu escoamento para uma região de consumo previamente estabelecida.
Constitui um mecanismo de apoio à comercialização e não forma estoques
reguladores.

Unidade 5
1)
„„ O crescimento populacional do globo atingindo 9,3 bilhões de
habitantes em 2050.
„„ O desenvolvimento econômico dos países emergentes.
„„ O aumento da participação dos países pobres e emergentes no
comércio mundial
„„ As políticas de combate à fome e a miséria.
„„ A crescente urbanização das sociedades.
„„ A inserção da mulher no mercado de trabalho.

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Introdução ao Agronegócio

2)
„„ Somente em crédito rural oficial o Brasil está investindo 100 bilhões
de Reais para a safra 2010/11 em Dólares são US$ 58,48 bilhões (em
01/11/2010).
„„ EMBRAPA deverá investiu R$ 1,9 bilhões em pesquisas agropecuárias
em 2010.
3)
a) Ex. demanda por alimentos processados.
b) Ex. Inserção de novas sociedades no mundo capitalista, como a Rússia e
a Alemanha Oriental.
c) Ex. Tecnologias ligadas à informática.
d) Ex. Produtos ecologicamente corretos.
e) Ex. Rhizobium da soja.
4)
„„ Confiabilidade (integridade e honestidade).
„„ Justiça (prezar por igualdade e honestidade).
„„ Comportamento despretensioso.
„„ Capacidade de ouvir.
„„ Mente aberta.
„„ Sensibilidade às pessoas (empatia, percepção).
„„ Sensibilidade às situações.
„„ Iniciativa.
„„ Bom senso.

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Common questions

Com tecnologia de IA

A economia cafeeira exigiu a criação de infraestrutura no Brasil devido à necessidade de transporte e processamento da produção. Este desenvolvimento de infraestrutura, aliado a transformações políticas como a independência e a abolição da escravatura, criou condições para novas etapas de desenvolvimento sem muito planejamento prévio. Isso preparou o Brasil para um modelo de substituição de importações durante a crise de 1929, conduzindo à industrialização nacional e ao encadeamento entre agricultura e indústria, formando complexos agroindustriais .

A agricultura brasileira enfrenta desafios como a variabilidade qualitativa e quantitativa da produção, dificultando a padronização. Este problema requer políticas específicas nas empresas e nos governos. A ciência e gestão na agricultura têm buscado responder a essas questões, com a introdução de cursos especializados e regulamentos que tentam estabilizar a produção através da normatização e suporte financeiro .

A transição do Brasil de um modelo agrícola para um complexo agroindustrial trouxe significativas mudanças socioeconômicas. A agricultura passou a ser mais integrada com o setor industrial, formando complexos agroindustriais que aumentaram a produtividade e a eficiência por meio do consumo de insumos químicos, mecanização e novas tecnologias como a biotecnologia . Isso resultou em alterações nos modos de produção e nas relações de trabalho, com o emprego de menos mão de obra direta e mais tecnologia, gerando impactos sociais como o êxodo rural e a urbanização . A modernização também gerou desafios ambientais, como o uso intensivo de agrotóxicos e a degradação de biomas naturais . Além disso, a globalização e a abertura de mercados internacionais contribuíram para a inserção do Brasil como um dos principais players no comércio agroalimentar, aumentando as exportações de commodities agrícolas .

A modernização da agricultura no Brasil a partir de 1965 foi impulsionada por vários fatores, incluindo a criação do Serviço Nacional do Crédito Rural (SNCR), que facilitou o acesso a financiamentos com abundância de crédito e juros baixos para a aquisição de máquinas e insumos . O serviço estatal de assistência técnica de extensão rural também foi estabelecido, contribuindo para a capacitação técnica dos agricultores . A instalação de agroindústrias e a promoção do uso de adubos químicos, herbicidas, inseticidas e sementes geneticamente melhoradas alterou a base técnica da produção . Além disso, as pesquisas agronômicas foram direcionadas para culturas de larga escala, muitas vezes ligadas a grandes propriedades e interesses capitalistas . Essas mudanças foram acompanhadas por um aumento significativo na mecanização agrícola, evidenciado pelo rápido crescimento no uso de tratores . A modernização gerou transformações socioeconômicas profundas, como a expansão de complexos agroindustriais e a integração da agricultura ao setor industrial . Entretanto, essas mudanças não ocorreram de maneira equitativa em todo o país, ficando concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste .

O incremento nas áreas de plantio de milho e soja tem impactado positivamente o setor agropecuário e a oferta de alimentos no Brasil. A produção de milho está projetada para crescer 25%, enquanto a área plantada cresce 5%, prevendo-se um aumento significativo da produtividade . Esses grãos, em combinação, formam a base da alimentação animal e são cruciais para a produção de carne, leite e ovos, que têm se tornado mais acessíveis, especialmente a carne de frango, que antes era um produto elitizado . O aumento na produção de soja também projeta o Brasil como líder mundial tanto na produção quanto nas exportações, com uma expansão de área plantada de aproximadamente 24,23% até 2019 . Esse aumento na capacidade de produção e exportação de soja e milho contribui para melhorar a balança comercial e atender à crescente demanda interna e externa . No entanto, desafios como a infraestrutura de transporte ainda persistem, impactando a eficiência logística e o custo de distribuição .

A infraestrutura de transporte é essencial para a competitividade do agronegócio brasileiro, permitindo a distribuição eficiente de produtos agropecuários tanto para o mercado interno quanto para exportação . Contudo, persiste o desafio de melhorar essa infraestrutura, especialmente em regiões menos desenvolvidas do Norte e Nordeste, que continuam a enfrentar limitações edafoclimáticas e ambientais . Outro desafio é a necessidade de investimentos em tecnologia e integração das cadeias produtivas para aumentar a produtividade sem aumentar desmatamentos . Sem uma infraestrutura robusta, a capacidade de competir nos mercados internacionais pode ser prejudicada, afetando diretamente o crescimento e a sustentabilidade do setor .

O período após a Segunda Guerra Mundial é chamado de Revolução Verde porque introduziu grandes inovações na agricultura, como o desenvolvimento de sementes de alta produção e o uso intensivo de fertilizantes e pesticidas, com o objetivo de aumentar a produção agrícola mundial e erradicar a fome . Entretanto, a Revolução Verde é criticada por seus impactos socioambientais, como a marginalização dos pequenos agricultores, a degradação ambiental e a criação de uma dependência de insumos químicos e monoculturas , além de não abordar adequadamente questões de equidade social e sustentabilidade a longo prazo .

As políticas de garantia de preço mínimo no Brasil visam assegurar uma renda mínima aos produtores agrícolas, independentemente das oscilações de mercado. Isso é feito através de mecanismos como o Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e o Prêmio de Risco para Aquisição de Produto Agrícola (PROP), que incentivam a comercialização de produtos abaixo do preço mínimo sem a necessidade do governo de adquirir o produto diretamente . Essas políticas são essenciais para estabilizar a economia agrícola, protegendo os produtores de variações de preços e garantindo a continuidade das atividades agrícolas. Elas também têm um impacto positivo no abastecimento alimentar, dado que permitem ao governo conduzir políticas de complemento do abastecimento em regiões com déficit . Além de estabilizar a renda dos produtores, essas políticas ajudam a prevenir crises de abastecimento e são uma ferramenta importante para o controle inflacionário no mercado interno ."}

As políticas de crédito agrícola no Brasil têm evoluído para atender tanto grandes quanto pequenos produtores, porém, até a década de 90, 80% dos créditos eram destinados a culturas típicas de grandes propriedades, deixando a agricultura familiar em segundo plano . Com a criação do PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) em 1995, ocorreu uma mudança significativa, focando no financiamento de projetos de agricultores familiares e assentados da reforma agrária . O PRONAF ampliou e facilitou o acesso ao crédito para pequenos produtores, oferecendo condições mais atrativas, como juros subsidiados e menos burocracia , além de divergir em linhas específicas para áreas como agroecologia e agroindústria . Esse programa tem sido um dos responsáveis pelo fortalecimento da agricultura familiar, crucial para a produção alimentícia nacional . As iniciativas são geridas pela SAF (Secretaria da Agricultura Familiar) e o PRONAF também oferece prazos de pagamento mais longos com possibilidade de carência, favorecendo o desenvolvimento do setor . Assim, o PRONAF tem desempenhado um papel vital na democratização do acesso ao crédito agrícola no Brasil, promovendo a sustentabilidade e o desenvolvimento socioeconômico do meio rural .

As projeções indicam que a área plantada de soja no Brasil deve crescer em 5,2 milhões de hectares até 2019, um aumento de 24,23%, ou 1,95% ao ano . Em termos de exportação, o Brasil deverá aumentar de 25.750 mil toneladas em 2008/09 para 36.461 mil toneladas em 2019, consolidando-se como líder mundial em exportações de soja . A produção de soja deve crescer de 60.072 mil toneladas para 80.914 mil toneladas no mesmo período, um crescimento de 34,70%, ou 2,43% ao ano, o que posicionaria o Brasil como o maior produtor mundial . O aumento das exportações poderá ser de 40% até 2019, elevando o país de segundo para o primeiro lugar no ranking mundial . Este crescimento nas exportações deve manter-se mesmo no pior cenário, que projeta uma estabilidade nos níveis atuais . Consequentemente, espera-se que o mercado brasileiro de soja se fortaleça na cena global, aumentando sua influência nos preços internacionais e contribuindo significativamente para a balança comercial do país .

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