Comunidade Psicologia Comunitária
América Latina
Na América Latina, a expressão “Psicologia A Psicologia Comunitária está centrada em
Comunitária” é empregada desde 1975, com dois grandes modelos: o do
o objetivo de se fazer uma nova Psicologia desenvolvimento humano e o da
Social; mudança social (busca de alternativas
Surge da preocupação de alguns psicólogos sócio-políticas);
de distintos países latino-americanos com os Os quais partem de uma visão positiva da
escassos resultados sociais da Psicologia comunidade e das pessoas;
Social tradicional; Nesses modelos está presente o
Assim como, por haver uma grande reconhecimento da capacidade do indivíduo
necessidade de superar os graves e da própria comunidade de serem
problemas socioeconômicos que ainda hoje responsáveis e competentes na construção
afetam as regiões; de suas vidas;
Como a Psicologia Social tem como base Bastando para isso a existência de certos
teórica autores da Europa e dos EUA a processos de facilitação social baseados na
realidade apresentada nessas teorias difere ação local e na conscientização;
desses países colonizados; Ainda que exista nos países do Norte uma
O que gerou uma grande insatisfação da preocupação de mudança social e de
Psicologia Social tradicional. desenvolvimento humano, como na América
Latina, o enfoque predominante na Europa e
Surgimento nos Estados Unidos é o clínico-comunitário;
Como a Psicologia Social tradicional se Enquanto isso, o que se ver nas publicações
preocupava com, questões específicas sem de autores latino-americanos é a tendência
vinculá-los a seus contextos histórico- sócio- comunitária;
culturais, enquanto base de descrição e Se explica esse fato pela diferença existente
explicação dos dados; entre os dois contextos sócio-econômicos e
Como também sem questionar o papel da políticos (riqueza e pobreza), bem como pelo
ideologia e das relações de classe; maior compromisso e participação social dos
Surgiu um movimento no próprio interior da Psicólogos Comunitários latino-americanos;
Psicologia Social questionando essas Os Psicólogos Comunitários dos países do
posturas e concepções; Sul carregam o peso de uma longa história
Este movimento que surge na Psicologia de colonização, de governos autoritários, de
Social defendia a diversidade cultural e exploração e de miséria, enquanto os
enfocava o contexto e a ideologia como Psicólogos Comunitários dos países do
questões que deveriam ser centrais na área; Norte não;
Preocupava-se também com uma relação Percebe-se assim, que a Psicologia
mais ativa e comprometida dos Psicólogos Comunitária avança e, progressivamente,
com os problemas da sociedade; firma-se como uma área da Psicologia
A Psicologia comunitária tem como Social.
parâmetro: mudança social, ideologia, No entanto, pouco a pouco se diferenciou da
representação social, identidade social, Saúde Mental Comunitária (SMC) e da
sentido psicológico de comunidade, própria Psicologia Social.
“empoderamento”, grupo social, realidade
socialmente construída, sujeito histórico- Psicologia comunitária na América Latina
social, consciência crítica, conscientização Na América Latina a Psicologia Comunitária
etc; surgiu da problematização social da própria
A Psicologia Social, principalmente na Psicologia Social;
América Latina e Brasil, toma uma nova rota Surge assim, uma corrente da Psicologia
na construção de uma Psicologia Social Social que contrapôs aos modelos clássicos
crítica, contextualizada, preocupada com os da área:
problemas sociais e, mais que isso, Universalização, ahistoricização,
comprometida com mudanças sociais de descontextualização e descompromisso.
fundo, como a inclusão social e a redução
das desigualdades sociais;
Como representantes dessa corrente, temos respeito às questões de saúde e aos
Martín-Baró, Sílvia Lane (brasileira) e movimentos de saúde mental;
Maritza Montero; Psicologia Social Comunitária – busca
Suas obras estão voltadas para a construção diferenciar-se da Psicologia Comunitária de
de uma Psicologia Social crítica, prática assistencial originada nos Estados
preocupadas com a realidade dos povos da Unidos;
América Latina; Para isso adota o enquadre teórico da
Assim como, os caminhos de mudança Psicologia Social crítica desenvolvida nos
dessa mesma realidade. Nessa perspectiva anos 70 na América Latina.
se evidencia a participação social e o
desenvolvimento da consciência; Psicologia comunitária no Ceará
Nesta concepção, compreende o indivíduo Uma área da Psicologia Social;
vivendo em uma dada realidade concreta, É voltada para a compreensão da atividade
físico-social, participando de uma rede de comunitária como atividade social
relações sociais complexas de uma significativa (consciente) própria do modo de
sociedade de classes historicamente vida (objetivo e subjetivo) da comunidade e
determinada. que abarca seu sistema de relações e
representações, modo de apropriação do
Psicologia comunitária no Brasil espaço da comunidade, a identidade pessoal
O contexto socioeconômico brasileiro e seus e social, a consciência, o sentido de
contrastes, explicam o porquê da comunidade e os valores e sentimentos
importância da mudança social e dos valores implicados aí;
de libertação na Psicologia Comunitária em Tem por objetivo o desenvolvimento do
nossa terra; sujeito da comunidade, mediante o
A Psicologia Comunitária adquire sua aprofundamento da consciência dos
particularidade a partir do contexto histórico- moradores com relação ao modo-de-vida da
social e econômico do Brasil; comunidade, através de um esforço
Ela surge então da problematização interdisciplinar voltado para a organização e
psicossocial da vida dos brasileiros, desenvolvimento dos grupos e da própria
realizada por psicólogos comprometidos com comunidade;
a busca de soluções para os graves A Psicologia Comunitária estuda os
problemas sociais do país; significados e sentidos, assim como os
Sua origem se remonta à década de 60, não sentimentos pessoais e coletivos acerca da
com esse nome, mas por meio de diversas vida na comunidade.
concepções e práticas de Psicologia Além disso, estuda o modo como esse
existentes dentro do Serviço Social e dos sistema de significados, sentidos e
movimentos comunitários de saúde e de sentimentos, se encontra nas atividades
educação; comunitárias e nas condições gerais da vida
A construção da Psicologia Comunitária em dos moradores na comunidade, no município
nosso país se baseou em modelos teóricos e e no conjunto da sociedade;
práticos da Psicologia Social integrados, A Psicologia Comunitária estuda o modo de
principalmente, a modelos da Sociologia, da vida da comunidade e de como este se
Educação Popular e da Ecologia; reflete e muda na mente de seus moradores,
A Psicologia Comunitária começou como para de novo surgir, transformado,
Psicologia na comunidade, através de singularizado, em suas atividades concretas
trabalhos realizados em vários Estados no cotidiano da comunidade. Isto significa,
brasileiros; também, compreender as necessidades dos
Nos anos 70, também, a Psicologia moradores e a importância do compromisso
Comunitária ganhou um enfoque sócio- que o Psicólogo Comunitário tem com a
político a partir dos trabalhos de Abib Andery comunidade que estuda e/ou atua;
e de Sílvia Lane. A Psicologia Comunitária deve preocupar-se
Psicologia na Comunidade – reação à crise com as condições psicossociais da vida da
com relação aos modelos importados e comunidade (internas e externas) que
elitistas, além da preocupação em vincular a impedem aos moradores construírem-se
Psicologia à vida da população mais pobre; como sujeitos de sua comunidade e as que
Psicologia da Comunidade e Psicologia de os fazem sujeitos dela;
Comunidade – relativa às práticas com Ao mesmo tempo em que, no ato de
compreender e compartilhar a vida
comunitária com seus próprios residentes,
trabalhar com eles a partir dessas mesmas
condições, na perspectiva da autonomia e
liberdade dos que ali moram;
O problema central, então, não é a relação
entre saúde e enfermidade, prevenção e
tratamento, mas sim a construção do
morador como sujeito da realidade neste
caso, do sujeito da comunidade;
Isto é, aquele que se descobre (compreende
e sente) responsável por sua história e pela
história da comunidade e que as constrói
mediante sua atividade prática e coletiva no
mesmo lugar em que vive e faz história de
sofrimento, luta, encontro, realização e
esperança;
Na construção do sujeito da comunidade
está implicada a compreensão do morador
de que ele é responsável pela realidade
histórico-social na qual vive e que, também,
é capaz de transformá-la em seu próprio
benefício e no de toda a coletividade.
Por reconhecer seu valor pessoal e seu
poder pessoal, o morador-sujeito se
descobre capaz de influir no sistema de ação
histórica de sua coletividade e da sociedade
maior;
O sujeito surge da atividade de superação
das contradições sociais em que vive, como
consequência do desenvolvimento de sua
prática social local.