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Modelagem com Cálculo Diferencial II

O documento é um material didático da disciplina de Modelagem de Problemas usando Cálculo Diferencial e Integral II da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, abordando temas como funções de várias variáveis, derivadas parciais e integrais múltiplas. Ele inclui tópicos como limites, máximos e mínimos, e exercícios práticos para reforçar o aprendizado. O conteúdo é elaborado por professores da instituição e visa fornecer uma base sólida em cálculo avançado para alunos de engenharia.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Modelagem com Cálculo Diferencial II

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE

CATÓLICA DO PARANÁ
Modelagem de Problemas usando
Cálculo Diferencial e Integral II
Material produzido pelos Professores Dra. Izabela Patrício Bastos, Dra. Mara Francieli Motin

e Me. Olimpio de Paula Xavier com a colaboração da Professora Dra. Karla Cristiane Arsie para

a disciplina de Modelagem de Problemas usando Cálculo Diferencial e Integral II, dos cursos de

Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Temas de estudo da disciplina:

ˆ Funções de várias variáveis, derivadas parciais, diferenciabilidade, vetor gradiente e derivada

direcional.

ˆ Integrais múltiplas.
Sumário

1 FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS 4


1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
n
1.2 Topologia do espaço IR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

1.3 Função real de várias variáveis reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

1.4 Curvas de Nível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

1.5 Superfície de Nível k . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

1.6 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

2 LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS 34


2.1 Cálculo de limites . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

2.2 Continuidade de funções de várias variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

2.3 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

3 DERIVADAS PARCIAIS 44
3.1 Interpretação geométrica da derivada parcial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44

3.2 Derivadas parciais sucessivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

3.3 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

4 PLANO TANGENTE E RETA NORMAL 55


4.1 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

5 APROXIMAÇÃO LINEAR E DIFERENCIAL 59


5.1 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

6 FUNCÕES COMPOSTAS 64
6.1 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

7 DERIVADA DIRECIONAL 70
7.1 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

2
8 MÁXIMOS E MÍNIMOS 80
8.1 Máximos e mínimos relativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80

8.2 MÁXIMOS E MÍNIMOS CONDICIONADOS (Multiplicadores de Lagrange) . . . . 87

8.3 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91

9 INTEGRAIS DUPLAS 94
9.1 Integral Dupla . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94

9.2 Regiões de integração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98

9.3 Mudança de Coordenadas em Integrais Duplas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

9.4 Mudança para Coordenadas Polares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

9.5 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112

10 INTEGRAIS TRIPLAS 118


10.1 Cálculo das Integrais Triplas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119

10.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124

Referências 126
Capítulo 1

FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

1.1 Introdução

O conceito de funções é um dos mais importantes em Matemática, e seu conhecimento impul-

sionou o desenvolvimento tecnológico em quase todas as áreas.

As funções estão presentes em todas as atividades, mesmo que não se tenha consciência disso.

Por exemplo, o valor da conta de luz depende da quantidade de energia gasta, a dose de remédio

que é dada a uma criança depende do seu peso, o valor para fazer cópias de um material depende

do número de páginas copiadas. Usando funções, também se estuda o crescimento de bactérias, o

movimento dos astros, a variação da temperatura da Terra, etc.

A noção de função permite, enm, descrever e analisar relações de dependência entre variáveis.

No estudo de funções de uma variável y depende somente de x, y = f (x).

Entretanto podem ocorrer situações diferentes, como por exemplo, funções de mais de uma

variável, como a função de produção de Cobb-Douglas.

Considera-se, frequentemente, que a produção Q de uma fábrica seja função do capital investido
K e da força de trabalho L. A expressão que representa essa função é:

Q(K, L) = A K α L1−α

4
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

em que A é uma constante positiva e 0<α<1 são especialmente úteis em análise econômica.

Figura 1.1: Gráco da função de Cobb-Douglas

Para iniciar o estudo de funções de várias variáveis, é importante formalizar alguns conceitos

no IRn .

1.2 Topologia do espaço IRn

1. Espaço IRn
Chama-se espaço IRn ou apenas IRn o conjunto de todos os pontos que podem ser representados
por uma n−upla de números reais:

IRn = {p; p = (x1 , x2 , · · · , xn ); xi ∈ IR i = 1, · · · , n}.

obs.: IRn = IR × IR × · · · × IR.

2. Distância
Uma distância em IRn é uma função d : IRn ×IRn → IR que associa a cada par (P, Q) ∈ IRn ×IRn
um único número real d(P, Q) chamado de distância entre P e Q e tal que, para quaisquer P
e Q em IRn se tenha:

(a) d(P, Q) ≥ 0 e d(P, Q) = 0 ⇔ P = Q.


(b) d(P, Q) = d(Q, P ).
(c) d(P, Q) ≤ d(P, R) + d(R, Q).

Distância Euclidiana:
q
d : IR2 → IR : d(P, Q) = (xQ − xP )2 + (yQ − yP )2 = ∥(xQ , yQ ) − (xP , yP )∥

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 5


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

q
d : IR3 → IR : d(P, Q) = (xQ − xP )2 + (yQ − yP )2 + (zQ − zP )2 = ∥(xQ , yQ , zQ ) − (xP , yP , zP )∥

3. Vizinhança de raio δ
Uma vizinhança de raio δ>0 do ponto P0 no IRn é o conjunto dos pontos P ∈ IRn tais que

d(P, P0 ) < δ, em símbolos:

Vδ (P0 ) = {P ; d(P, P0 ) < δ}.

obs.: Uma vizinhança de raio δ também é chamada de bola aberta de raio δ e denotado por

Bδ (P0 ).

4. Ponto Interior
Seja X ⊂ IRn . Diz-se que um ponto P0 é um ponto interior do conjunto X se existir uma

vizinhança de raio δ>0 do ponto P0 totalmente contida em X.


O conjunto de todos os pontos interiores do conjunto X formam um conjunto chamado de

Interior de X, denotado por IntX .

5. Ponto Exterior
Seja X ⊂ IRn . Diz-se que um ponto P0 é um ponto exterior do conjunto X se existir uma

vizinhança de raio δ>0 do ponto P0 totalmente contida no complementar de X (X C ).

6. Ponto de Fronteira
Seja X ⊂ IRn . Diz-se que um ponto P0 ∈ IRn é um ponto de fronteira do conjunto X se
n
qualquer vizinhança de raio δ > 0 do ponto P0 ∈ IR contém pontos do conjunto X e do

complementar de X.
obs.: Os pontos de fronteira formam a fronteira do conjunto X.

Exemplo 1. Encontre a fronteira dos seguintes subconjuntos do IR2 e represente gracamente.


(a) A = {(x, y) ∈ IR2 ; x2 + y 2 < 4}

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 6


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

(b) B = {(x, y) ∈ IR2 ; x2 + y 2 ≤ 4}

(c) C = {(x, y) ∈ IR2 ; 4x2 + y 2 < 4}

(d) D = {(x, y) ∈ IR2 ; y > x1 }

7. Ponto Isolado
Seja X ⊂ IRn . Diz-se que um ponto P0 é um ponto isolado do conjunto X se existe uma

vizinhança de raio δ>0 do ponto P0 tal que Vδ (P0 ) ∩ X = {P0 }.

8. Conjunto Discreto
É um conjunto que possui apenas pontos isolados.

Ex.: O conjunto dos números naturais.

9. Pontos de Acumulação
Seja X ⊂ IRn . Diz-se que um ponto P0 é um ponto de acumulação do conjunto X se existe

uma vizinhança de raio δ>0 do ponto P0 tal que Vδ (P0 ) ∩ X − {P0 } =


̸ ∅.

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 7


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Exemplo 2. Seja A = {(x, y) ∈ IR2 ; x2 + y2 < 1}


ˆ (0,0) é ponto de acumulação de A.
ˆ (1,0) é ponto de acumulação de A.
ˆ (2,0) não é ponto de acumulação de A.

10. Conjuntos Abertos e Fechados


(a) Conjunto Aberto

Seja A ⊂ IRn . A é aberto de todos os seus pontos são pontos interiores, ou seja,

IntA = A.
(b) Conjunto Fechado

Seja F ⊂ IRn . F é fechado se contém todos os seus pontos de fronteira, ou se FC é

aberto.

Exemplo 3. Identicar quais dos conjuntos seguintes são bolas abertas em IR2 ou IR3 , de-
terminando em caso positivo, o centro e o raio

(a) x2 + y 2 − 2y < 3

(b) x2 + y 2 + z 2 + 6z < 0

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 8


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

(c) x2 + y 2 < z 2

11. Conjunto Limitado


Seja X ⊂ IRn . Diz-se que o conjunto X é limitado se existe uma vizinhança de raio δ>0 tal

que Vδ (P0 ) ⊃ X, para qualquer que seja P0 ∈ X.

12. Conjunto Conexo


Seja X ⊂ IRn . X é conexo se dados dois pontos quaisquer P e Q de X existe uma linha

poligonal unindo P e Q totalmente contida no conjunto X.

13. Região Aberta


É um conjunto conexo e aberto.

1.3 Função real de várias variáveis reais

Denição 1. Uma função real de várias variáveis reais é uma função f que associa a cada ponto
P (x1 , x2 , ..., xn ) ∈ IRn um único real w através da relação w = f (P ).

Simbolicamente f : IRn → IR ou w = f (x1 , x2 , ..., xn )


Se n=2 temos f : IR2 → IR ou z = f (x, y), x e y variáveis independentes.

Exemplo 4. z = x2 + y2 + 1, f (x, y) = 2xy + 3x − 5y + 10, f (x, y) = xy


x+y
,
z = arctg( xy )

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 9


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Se n=3 temos f : IR3 → IR ou w = f (x, y, z), x, y e z variáveis independentes.

Exemplo 5. f (x, y, z) = √x2xyz


+y 2 +z 2
.

Domínio
Denição 2. Chama-se domínio da função f de n variáveis, o conjunto D dos pontos

D = {P ϵ IRn /w = f (P )}

Exemplo 6. Encontre o domínio e calcule f (3, 2) das funções:


1. f (x, y) = x+y+1
x−1

2. f (x, y) = xln(y 2 − x)

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 10


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Imagem
Denição 3. Chama-se imagem da função f de n variáveis, o conjunto dos pontos possíveis de
f.

Exemplo 7. Determine o domínio e a imagem da função z = 9 − x2 − y 2 e represente graca-


p

mente o domínio.

Grácos
Denição 4. Se f é uma função de duas variáveis com domínio Df , então o gráco de f é o
conjunto de todos os pontos (x, y, z) no IR3 tal que z = f (x, y) e (x, y) ∈ D.

Gf = (x, y, z) ∈ IR3 ; (x, y) ∈ Df e f (x, y) = z




Para construirmos o gráco da função z = f (x, y), podemos usar as seguintes técnicas:

Técnica 1. Se for possível reconhecer a superfície (ou parte dela) cuja equação é dada por

z = f (x, y), podemos desenhar o gráco a partir da superfície conhecida.

Exemplo 8. Faça o gráco de

1. z = 9 − x2 − y 2
p

Considerando z ≥ 0, podemos escrever que representa uma superfície esférica de raio 3. Para
z ≥ 0, temos uma semi-esfera.

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 11


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

2. z = 2 − x − y

Reescrevendo a equação: x + y + z = 2 é a equação de um plano que intercepta os eixos


coordenados nos pontos: A(2, 0, 0), B(0, 2, 0) e C(0, 0, 2).

Exemplo 9. Determine o domínio da função f (x, y, z) = ln(z − y) + xysen(z).

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 12


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Exemplo 10. Seja f (x, y) = 1 + 4 − y2 .


p

1. Calcule f (3, 1).

2. Determine e esboce o domínio de f .

3. Determine a imagem de f .

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Técnica 2. Interseções com os planos coordenados. Devemos determinar as interseções de

z = f (x, y) com os planos coordenados e a partir disso construir a superfície.

Obs: Denomina-se traço de uma superfície a intersecção da superfície com um dos três planos
coordenados ou um plano paralelo a um deles. Um traço xOy consiste em todos os pontos comuns

à superfície e ao plano xOy .

Exemplo 11. Construir o gráco das seguintes funções:


1. z = x2 + y 2 + 2
ˆ Interseção com o plano xOy :


z = x 2 + y 2 + 2
z = 0

x2 + y 2 = −2
Não existe tal interseção.

ˆ Interseção com o plano xOz :


z = x 2 + y 2 + 2
y = 0

z = x2 + 2
parábola

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

ˆ Interseção com o plano yOz :


z = x 2 + y 2 + 2
x = 0

z = y2 + 2
parábola

Gráco de z = x2 + y 2 + 2

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 15


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

2. z =
p
x2 + y 2

ˆ Interseção com o plano xOy :

 p
z = x 2 + y 2
z = 0

x2 + y 2 = 0
Ponto (0, 0)

ˆ Interseção com o plano xOz :

 p
z = x 2 + y 2
y = 0


z= x2 = |x|

ˆ Interseção com o plano yOz :

 p
z = x 2 + y 2
x = 0

p
z= y 2 = |y|

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 16


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Gráco de z =
p
x2 + y 2

1.4 Curvas de Nível

Denição 5. Chama-se curva de nível k da função z = f (x, y) a curva que é a interseção do


gráco de f com o plano z = k (constante), isto é, f (x, y) = k é a equação da curva de nível k da
função f (x, y).

Uma curva de nível f (x, y) = k é o conjunto de todos os pontos do domínio da f nos quais o

valor de f é k, em outras palavras, ela mostra onde o gráco de f tem altura k.


As curvas de nível f (x, y) = k são apenas traços do gráco de f no plano horizontal z = k
projetado sobre o plano xy. Assim, se você traçar as curvas de nível da função e visualizá-las

elevadas para a superfície na altura indicada, poderá imaginar o gráco da função.

Observação 1. O gráco de f é um subconjunto de IR3 . Uma curva de nível é um subconjunto do


domínio da f, portanto um subconjunto do IR2 . Um conjunto de curvas de nível de uma função f
é chamado de mapa de contorno de f .

Observação 2. No caso de funções de três (ou mais variáveis), o conjunto dos pontos (x, y, z) ∈ D
tais que f (x, y, z) = k , constante, é chamado de superície de nível de f

Exemplo 12. Seja z = 9 − x2 − y2 , determine:

a) Algumas curvas de nível.

9 − x2 − y 2 = k → x2 + y 2 = 9 − k

9 − k = R2 → R = ± 9 − k → 9 − k ≥ 0 ∴ k ≤ 9
k = 9 → x2 + y 2 = 0 → (0, 0)

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 17


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

k = 8 → x2 + y 2 = 1 → R = 1
k = 5 → x2 + y 2 = 4 → R = 2
k = 0 → x2 + y 2 = 9 → R = 3
b) mapa topográco.

c) gráco

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 18


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

PROPRIEDADE DA CURVA DE NÍVEL


A curva de nível k da função z = f (x, y) representa o lugar geométrico dos pontos P (x, y) do

plano xOy que têm a mesma cota z.


Outro uso frequente das curvas de nível é nos mapas de contorno para representar regiões da

superfície terrestre, onde as curvas de nível representam a altura em relação ao nível do mar. Este

tipo de mapa é chamado de mapa topográco.

1.5 Superfície de Nível k

Denição 6. De modo análogo ao das curvas de nível k, podemos denir as superfícies de nível
k da função w = f (x, y, z) como sendo a superfície resultante da interseção w = k com a função w
projetada no espaço IR3 .

Exemplo 13. Seja a função w = x2 + y2 + z 2 , determine as superfícies de nível.



x2 + y 2 + z 2 = k → R 2 = k → R = k→k≥0

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 19


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Exemplo 14. Seja z = 1


x2 +y 2
, determine:
a) curvas de nível.
b) mapa topográco.
c) gráco da função.

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 20


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Exemplo 15. Desenhe curvas de nível das seguintes funções:


1. f (x, y) = 6 − 3x − 2y

2. g(x, y) =
p
9 − x2 − y 2

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 21


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

3. h(x, y) = x2 + y 2

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 22


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

1.6 Exercícios

1. Determine uma função de várias variáveis que nos dê:

a) O comprimento de uma escada apoiada como na gura a seguir:

b) O volume de água necessário para encher uma piscina redonda de x metros de raio e y metros

de altura.

c) A quantidade de rodapé, em metros, necessária para se colocar numa sala retangular de

largura a e comprimento b.
d) A quantidade, em metros quadrados, de papel de parede necessária para revestir as paredes

laterais de um quarto retangular de x metros de largura, y metros de comprimento, se a altura do

quarto é z metros.

e) O volume de um paralelepípedo retângulo de dimensões x, y e z.


f ) A distância entre dois pontos P (x, y, z) e Q(u, v, w).
g) A temperatura nos pontos de uma esfera, se ela, em qualquer ponto, é numericamente igual

a distância do ponto ao centro da esfera.

2) Uma loja vende um certo produto P de duas marcas distintas, A e B. A demanda do produto

com marca A depende de seu preço e do preço da marca competitiva B. A demanda do produto

com marca A é:

DA = 1300 − 50x + 20y unidades/mês e do produto B é DB = 1700 + 12x − 20y unidades/mês.

Onde x é o preço do produto A e y é o preço do produto B.

Escrever uma função que expresse a receita total mensal da loja, obtida com a venda do produto

P.

3) Determinar o domínio e o conjunto imagem das seguintes funções:

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 23


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

a) z =3−x−y
b) f (x, y) = 1 + x2 + y 2
p
c) z = 9 − (x2 + y 2 )
2 +y 2 +z 2
d) w = ex
p
e) f (x, y, z) = x2 + y 2 + z 2
f) f (x, y) = 2x + 5y − 4
g) z = x2 + y 2 − 2
h) f (x, y) = 2x2 + 5y
i) w = 4 + x2 + y 2
j) f (x, y) = 4 − x2 − y 2

4) Determinar o domínio das seguintes funções e representar gracamente este domínio:


a) z = xy
1
b) w= x2 +y 2 +z 2
c) z = √ 21 2
x −y
d) z = y2x+1
p
e) z = x2 + y 2
−1
p
f) z = ln(4√− x2 + y 2 )
x2 +y 2 −x
g) z = ln √
x2 +y 2 +x
x
h) z=e y

i) w=√ 1
9−x2 −y 2 −z 2
2
j) z =y−1−x

5) Representar gracamente as funções:


p
a) z= 9 − x2 − y 2
b) z =3−x−y
1
c) f (x, y) = y2
d) z = x2 − y
e) z = 4 − x2
p √
6) Represente gracamente o domínio da função z= y − x2 + 2x − y .

7) Seja f (x, y) = x2 + 2y . Calcule:

a) f (1, −1)
b) f (a, x)
f (x+h,y)−f (x,y)
c)
h

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 24


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

f (x,y+k)−f (x,y)
d)
k

p
8) Seja S a superfície denida por z =2+ x2 + y 2 .
a) Identique a interseção de S com o plano z = k, quando k < 2, k = 2 e k > 2.
b) Identique a interseção de S com os planos xOz e yOz .
c) Faça um esboço de S.

9) Desenhe as curvas de nível e esboce o gráco de cada uma das funções dadas abaixo.

a) f (x, y) = x2 + y 2
b) f (x, y) = 1 − x2 − y 2
c) z = x2 , −1 ≤ x ≤ 1 e y≥0
d) g(x, y) = x + 2y + 3

10) Se T (x, y) for a temperatura em um ponto (x, y) sobre uma placa delgada de metal no plano
xOy , então as curvas de nível de T são chamadas de curvas isotérmicas ou isotermas. Todos os

pontos de tal curva têm a mesma temperatura. Suponha que uma placa ocupa o primeiro quadrante

e T (x, y) = xy .
a) Esboce as curvas isotérmicas sobre as quais T =1 e T = 3.
b) Uma formiga especial, inicialmente em (1, 4), anda sobre a placa de modo que a temperatura
ao longo de sua trajetória permanece constante. Qual é a trajetória descrita pela formiga e qual é

a temperatura ao longo de sua trajetória?

P, o volume V e a temperatura T de um
11) De acordo com a lei dos gases ideais, a pressão

gás ideal connado estão relacionados pela fórmula P V = kT , para uma constante k. Expresse P

como função de V e T. Descreva as curvas de nível associadas a essa função. Qual o signicado

físico dessas curvas de nível?

12) Em 1928, Charles Cobb e Paul Douglas publicaram um estudo no qual modelavam o cresci-

mento da economia norte-americana durante o período 1899 - 1922: Eles consideraram uma visão

simplicada onde a produção é determinada pela quantidade de trabalho e pela quantidade de

capital investido. Apesar de existirem muitos outros fatores afetando o desempenho da economia,

o modelo provou-se impressionantemente razoável. A função utilizada para modelar a produção,

depois de ajustar os dados de alguns anos, era da forma

P (L, K) = 1, 1L0,75 K 0,25 ,

onde P é a produção total, L a quantidade de trabalho e K a quantidade de capital inves-

tido. Verique que a produção dobrará se a quantidade de trabalho e a de capital investido forem

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

dobradas.

Respostas

1) a) x= H 2 + L2
b) V = πx2 y ; c) Q = 2a + 2b
d) Q = 2yz + 2xz
e) V = xyz
p
f) d = (u − x)2 + (v − y)2 + (w − z)2
p
g) T = (x − x0 )2 + (y − y0 )2 + (z − z0 )2

2) R(x, y) = 1300x + 1700y + 32xy − 50x2 − 20y 2

3) a) D = IR2 e Im = IR
b) D = IR2 e Im = {zϵIR/[1, ∞)}
c) D = {(x, y)ϵIR2 /x2 + y 2 ≤ 9} e Im = [0, 3]
3
d) D = IR e Im = [1, ∞)
3
e) D = IR e Im = [0, ∞)
f) D = IR2 e Im = IR
2
g) D = IR e Im = {zϵIR/[−2, ∞)}
2
h) D = IR e Im = IR
i) D = IR2 e Im = {zϵIR/[4, ∞)}
2
j) D = IR e Im = {zϵIR/[−∞, 4)}

4)

a) D = IR2

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

b) D = IR3 − {(0, 0, 0)}

c) D = {(x, y)ϵIR2 / − |x| < y < |x|}

d) D = IR2

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

e) D = {(x, y)ϵIR2 /x2 + y 2 ≥ 1}

f) D = {(x, y)ϵIR2 /x2 + y 2 < 16}

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

g) D = {(x, y)ϵIR2 /y ̸= 0}

h) D = {(x, y)ϵIR2 /y ̸= 0}

i) D = {(x, y, z)ϵIR3 /x2 + y 2 + z 3 < 9}


Somente os pontos interiores

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

j) D = IR2

5)

a)

b)

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

c)

d)

e)

6) D = {(x, y)ϵIR2 /y ≥ x2 e y ≤ 2x}

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

7) a) −1, b) a2 + 2x, c) 2x + h, d) 2

8) a) Se k < 2 a interseção é vazia, se k = 2 → temos o ponto (0, 0, 2), se k > 2 → circunferências


de centro (0, 0, k) e raio k − 2.
b) para y = 0 → z = 2 + |x|, para x = 0 → z = 2 + |y|
c)

9)

a)


b) Curva de nível → circunferências de raio 1−k

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CAPÍTULO 1. FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

c)

d)

10) a)

T = 1 → xy = 1 T = 3 → xy = 3

b) T (1, 4) = 4 ‰
kT
11) P = V
, isobáricas ou isóbaras
kT
V
= c → T = cV → retas que passam pela origem.

12) Encontre P (2L, 2K)

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Capítulo 2

LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS


VARIÁVEIS

Neste capítulo trabalharemos com os conceitos de limite e continuidade para funções de duas

variáveis. A maioria dos conceitos e propriedades que serão abordados aqui foram estendidos dos

conceitos já vistos de limite e continuidade para funções de uma variável.

Denição 7. Seja f : IR2 → IR uma função de 2 variáveis. Diz-se que o limite da função f ,
quando (x, y) tende a P0 = (x0 , y0 ), é o número real L se, para todo número real ε > 0, existe em
correspondência um número real δ > 0, tal que se (x, y) ∈ B(P0 , δ) então sua imagem f (x, y) ∈
(L − ε, L + ε).

lim f (x, y) = L ⇔ ∀ε > 0, ∃δ > 0, tal que 0 < ∥(x, y) − (x0 , y0 )∥ < δ ⇒ |f (x, y) − L| < ε
(x,y)→(x0 ,y0 )

A denição apresentada pode ser generalizada para funções com n variáveis.

34
CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

2.1 Cálculo de limites

Propriedade 1. A utilização das propriedades de limite torna o cálculo de limites de funções de


duas variáveis mais fácil. A seguir, algumas dessas propriedades:

1. Se o limite existe, é único.

2. Se lim f (x, y) = L1 e lim g(x, y) = L2 então


(x,y)→(x0 ,y0 ) (x,y)→(x0 ,y0 )

(a) lim [f (x, y) ± g(x, y)] = L1 ± L2


(x,y)→(x0 ,y0 )

(b) lim kf (x, y) = kL1 , k constante.


(x,y)→(x0 ,y0 )

(c) lim [f (x, y)g(x, y)] = L1 · L2


(x,y)→(x0 ,y0 )

f (x, y) L1
(d) lim = , L2 ̸= 0.
(x,y)→(x0 ,y0 ) g(x, y) L2

FUNÇÃO LIMITADA
Denição 8. Diz-se que f é limitada em A ⊂ D, se existir um M > 0 tal que, ∀ x em A
|f (x)| ≤ M , em que M = max(|a|, |b|) onde a Im ⊂ [a, b].

Exemplo 16. f (x) = sen(x)

Como −1 ≤ sen(x) ≤ 1 , f (x) é limitada.

FUNÇÃO LIMITADA DE DUAS VARIÁVEIS


Podemos generalizar a denição dada para funções de uma variável para funções de mais va-
riáveis. Para mostrar que uma função f : IRn → IR é limitada basta mostrar que existe M > 0 tal
que |f (x1 , x2 , ..., xn )| ≤ M .

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Exemplo 17. Vericar se f (x, y) = √x2y+y2 é limitada.

|y| ≥ 0 e |y| = y 2 (propriedades de módulo)


p

p p p
y 2 ≤ x2 + y 2 → |y| ≤ x2 + y 2

x2 + y 2 (dividindo por x2 + y 2 )
p p
0 ≤ |y| ≤

|y|
0≤ p ≤ 1 (mas |y| = y pois y ≥ 0)
x2 + y 2

Como 0 ≤ √ y
≤ 1 , f (x, y) é limitada.
x2 +y 2

Outro modo de comprovar esse fato é através de coordenadas polares.

Se x = r cos(θ), y = rsen(θ) e f (x, y) = √ y


, então,
x2 +y 2
f (r, θ) = rsen(θ)
r
= sen(θ).

Como −1 ≤ sen(θ) ≤ 1 , f (x, y) é limitada.

Propriedade 2. As propriedades a seguir também nos ajudam na resolução de limite sem precisar
da denição:

1. (Teorema do Confronto) Se f (x, y) ≤ g(x, y) ≤ h(x, y) para ∥(x, y) − (x0 , y0 )∥ < δ e se


lim f (x, y) = L = lim h(x, y) então lim g(x, y) = L.
(x,y)→(x0 ,y0 ) (x,y)→(x0 ,y0 ) (x,y)→(x0 ,y0 )

2. Se lim f (x, y) = 0 e se |g(x, y)| ≤ M, para ∥(x, y) − (x0 , y0 )∥ < δ , onde M, δ > 0 são
(x,y)→(x0 ,y0 )
reais xados então
lim f (x, y)g(x, y) = 0.
(x,y)→(x0 ,y0 )

Testes dos caminhos para a não existência de um limite: Se uma função f tem limites

diferentes ao longo de dois caminhos distintos no domínio da f quando (x, y) se aproxima de (x0 , y0 )
então

lim f (x, y) não existe.


(x,y)→(x0 ,y0 )

Mas atenção: Se os limites de f sobre dois caminhos distintos contidos em D, passando por

(x0 , y0 ) forem iguais a L, não é possível concluir que lim f (x, y) = L.


(x,y)→(x0 ,y0 )
Justique essa armação!

Lembre-se de que em uma variável, lim f (x) = L se, e somente se, lim f (x) = lim+ f (x) = L.
x→x0 x→x−
0 x→x0
Há, neste caso, apenas duas formas de aproximação de x para x0 , pela esquerda e pela direita.

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

2xy
Exemplo 18. Calcule, caso exista, o limite lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2

Note que nesta situação temos vários caminhos ou direções para nos aproximarmos da origem

conforme gura:

Para a reta y=x

2x.x
lim
(x,y)→(0,0) x2+ x2

2x2
lim =1
(x,y)→(0,0) 2x2

Nada se pode concluir ainda.

Para a reta y = 2x

2x.2x
lim
(x,y)→(0,0) x2+ 4x2

4x2 4
lim 2
=
(x,y)→(0,0) 5x 5

Como os limites são diferentes por dois caminhos distintos, o limite não existe.

ATENÇÃO: A análise de limites por caminhos permite provar que o limite não existe.

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

COORDENADAS POLARES (
x = r cos θ
Para avaliar alguns limites também podemos usar mudança polar, a saber, .
y = rsenθ

Vantagens:

ˆ Prova a existência do limite. O limite só existe se o resultado não depender somente de θ.

ˆ Verica se f (x, y) é limitada.

ˆ Na forma polar pode-se usar a regra de L'Hospital derivando em relação r.

Exemplo 19. Calcular, caso exista, o valor de:


1) lim 2x + y 2
(x,y)→(2,1)

x2 − y 2
2) lim
(x,y)→(1,1) x − y

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

2x2 y
3) lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2

xy
4) lim
(x,y)→(0,0) x2 + y2

Exemplo 20. Avalie criticamente a resolução do estudante. Diga se a resolução está correta ou
incorreta, apresentando um argumento que justique sua resposta.
Numa avaliação somativa, uma das questões propostas foi a seguinte:

Calcule, caso exista, o seguinte limite: lim(x,y)→(0,0) x2xy+y2 .


2

Um estudante apresentou a seguinte solução:

Faremos a resolução por caminhos


0
Para x = 0 temos lim 2 = lim 0 = 0
y y→0
y→0
0
Para y = 0 temos lim 2 = lim 0 = 0
x→0 x x→0
x3 x
Para y = x temos lim 2 = lim = lim 0 = 0.
x→0 2x x→0 2 x→0
xy 2
Com isso, podemos concluir que lim = 0.
(x,y)→(0,0) x2 + y 2

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

2.2 Continuidade de funções de várias variáveis

Denição 9. Uma função f : D ⊂ IR2 → IR é contínua em (x0 , y0 ) se:


1. (x0 , y0 ) ∈ D;

2. lim f (x, y) existe;


(x,y)→(x0 ,y0 )

3. lim f (x, y) = f (x0 , y0 ).


(x,y)→(x0 ,y0 )

Exemplo 21. Vericar se a função f (x, y) = x + 3y + 2 é contínua no ponto (1, 2).

Exemplo 22. Vericar se f (x, y) = √xxy2 +y2 é contínua em (0, 0).

Exemplo 23. Vericar se



 √ xy
 , se (x, y) ̸= 0
x2 +y 2
f (x) =
0, se (x, y) = (0, 0)

é contínua em (0,0).

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

Exemplo 24. Avalie criticamente as duas resoluções, identicando os erros e acertos (caso exis-
tam), apresentando argumentos que justiquem sua resposta.

Em uma avaliação somativa, uma das questões propostas foi a seguinte:

Encontre o valor de L para que a função a seguir seja contínua na origem.

se (x, y) ̸= (0, 0)
(
x2
x2 +y 2
f (x, y) =
L se (x, y) = (0, 0)

Um estudante apresentou a seguinte solução:

Como (0, 0) pertence ao domínio de f , precisamos vericar se o limite de f quando (x, y) tende
a (0, 0) existe. Faremos isso por coordenadas polares
x2 r2 cos2 (θ)
Substituindo x = rcos(θ) e x = rsen(θ) no limite temos lim = lim =
(x,y)→(0,0) x2 + y 2 r→0 r2
lim cos2 (θ) = cos2 (θ). Desta forma, para f ser contínua L = cos2 (θ).
r→0

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

2.3 Exercícios

1) Calcule os limites abaixo, se existirem.

a) lim xy 2 sen(xy)
(x,y)→( 12 ,π)
2
b) lim e2x−y
(x,y)→(1,−3)
c) lim ln(1 + x2 y 3 )
(x,y)→(0,0)
x2 − 2
d) lim
(x,y)→(0,0) 3 + xy
y+1
e) lim
(x,y)→(0,0) 2 − cos(x)
x4 − y 4
f) lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2
xy − y
g) lim 2
(x,y)→(1,2) x − x + 2xy − 2y
x2 − 2xy + 5y 2
h) lim
(x,y)→(0,0) 3x2 + 4y 2
x2 − 4x + 4
i) lim
(x,y)→(2,1) xy − 2y − x + 2
1
j) lim xsen( 2 )
(x,y)→(0,0) x + y2
x
k) lim p
(x,y)→(0,0) x + y2
2

x2
l) lim p
(x,y)→(0,0) x2 + y 2
x−y
m) lim √ √
(x,y)→(1,1) x− y
ex sen(y) − sen(y)
n) lim
(x,y)→(0,0) xy
x2 y
o) lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2
x 1
p) lim (1 + )y
(x,y)→(0,∞) sen(x) y
2
3x y
q) lim
(x,y)→(0,0) x4 + y 2
x3 − y 3
r) lim
(x,y)→(0,0) x2 + y 2
xy
s) lim
(x,y)→(0,0) y − x2

2) Verique se a função z = 3x2 y 2 − 5xy + 6 é contínua em IR2 .


p
3) Verique se a função z= 6 − 2x2 − 3y 2 é contínua.

4) Verique se a função z = ln xx−y


2 +y 2 é contínua.

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CAPÍTULO 2. LIMITES DE FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS

(
10 − x − 2y se (x, y) ̸= (1, 2)
5) Dada a função f (x, y) = ,
k se (x, y) = (1, 2)
a) Determine o lim f (x, y).
(x,y)→(1,2)
b) Determine o valor de k para que f (x, y) seja contínua em (1, 2).

Respostas
π2
1) a)
2
, b) e−7 , c) 0, d) − 23 , e) 1, f) 0, g)
2
5
, h) ∄, i) ∄, j) 0, k) ∄, l) 0, m) 2, n) 1, o) 0, p) 0, q)

∄, r) 0, s) ∄

2) É contínua

x2 y2
3) Contínua em
3
+ 2
≤1

4) Contínua em y<x

5) a) 5, b) k=5

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Capítulo 3

DERIVADAS PARCIAIS

Para denirmos as derivadas parciais de uma função de duas ou mais variáveis vamos recorrer a

denição que trabalhamos em Modelagem de Problemas usando Cálculo Diferencial e Integral I.

Considere uma função f : D ⊂ IR2 → IR, z = f (x, y) e (a, b) ∈ D, xando y = b, seja

g(x) = f (x, b). Note que g é uma função com apenas uma variável x. Se g tem derivada em a
então a derivada parcial de f em relação a x em (a, b) é:
∂f
g ′ (a) = (a, b) = fx (a, b),
∂x
em que
g(a + h) − g(a) f (a + h, b) − f (a, b)
g ′ (a) = lim = lim = fx (a, b).
h→0 h h→0 h
∂f
Outras notações:
∂x
, fx , Dx f
De maneira análoga, xando x = a, seja g(y) = f (a, y), então a derivada parcial de f em
relação a y em (a, b) é:
∂f
g ′ (b) = (a, b) = fy (a, b),
∂y
em que
g(b + h) − g(b) f (a, b + h) − f (a, b)
g ′ (b) = lim = lim = fy (a, b).
h→0 h h→0 h
∂f
Outras notações:
∂y
, fy , Dy f

3.1 Interpretação geométrica da derivada parcial

Lembre-se que z = f (x, y) é uma superfície S no IR3 (gráco de f ). Se f (x0 , y0 ) = z0 , então o

ponto P0 = (x0 , y0 , z0 ) está na superfície S. Ao xar y = y0 , restringimos nossa atenção à curva

C1 , essa curva é o gráco da função g(x) = f (x, y0 ), de modo que a inclinação da reta tangente t1

em P0 é g (x0 ) = fx (x0 , y0 ). Da mesma forma, a curva C2 é o gráco da função g(y) = f (x0 , y) em

44
CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

que tem a inclinação da reta tangente t2 é g ′ (y0 ) = fy (x0 , y0 ). Sendo assim, as derivadas parciais

fx (x0 , y0 ) e fy (x0 , y0 ) são as inclinações das retas tangentes em (x0 , y0 , z0 ) aos cortes C1 e C2 de S
nos planos y = y0 e x = x0 , respectivamente.

a) Reta tangente t1 à superfície no ponto P0 .

y = constante
∂z
tg(α) = ∂x

b) Reta tangente t2 à superfície no ponto P0 .

x = constante
∂z
tg(β) = ∂y

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

Exemplo 25. Considere a função f (x, y) = x3 y2 − 2x2 y + 3x. Calcule fx e fy .

Exemplo 26. Considere a função f (x, y) = 2y


y+cos(x)
. Calcule fx e fy .

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

Exemplo 27. A temperatura do ponto (x, y) de uma chapa plana é dada por T (x, y) = 30 +
50 − x2 − y 2 , com T em graus Celsius e x e y em centímetros.
p

a) Determine o domínio de T (x, y) e a temperatura do ponto (3, 4).


b) Determine a equação da isoterma que passa pelo ponto (3, 4) e represente-a no plano xOy .
c) Se a partir do ponto (3, 4) uma formiga caminhar na direção do eixo x, sentido positivo, a
temperatura aumentará ou diminuirá? Qual a taxa de variação da temperatura neste ponto?

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

Exemplo 28. Se x2 + y2 + z 2 = 1, então calcule ∂z


∂x
e ∂z
∂y
.

Exemplo 29. Se yz − ln z = x + y, então calcule ∂z


∂x
e ∂z
∂y
.

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

3.2 Derivadas parciais sucessivas

Se f é uma função de duas variáveis, suas derivadas parciais fx e fy são funções de duas va-

riáveis, sendo assim, podemos considerar novamente suas derivadas parciais, que são chamadas de

DERIVADAS PARCIAIS DE SEGUNDA ORDEM.

Assim, segue para derivadas de segunda ordem.

Seja w = f (x, y)

∂f ∂ ∂f ∂2f
∂x
= fx ⇒ ( )
∂x ∂x
= ∂x2
= fxx

∂2f
∂x2
= fxx → derivada parcial de fx em relação a x. Derivada de 2 ª ordem.
∂f ∂ ∂f ∂2f
∂x
= fx ⇒ ( )
∂y ∂x
= ∂y∂x
= fxy

∂2f
∂y∂x
= fxy → derivada parcial de fx em relação a y. Derivada mista.

∂f ∂ ∂f ∂2f
∂y
= fy ⇒ ( )
∂x ∂y
= ∂x∂y
= fyx

∂2f
∂x∂y
= fyx → derivada parcial de fy em relação a x. Derivada mista.

∂f ∂ ∂f ∂2f
∂y
= fy ⇒ ( )
∂y ∂y
= ∂y 2
= fyy

∂2f
∂y 2
= fyy → derivada parcial de fy em relação a y. Derivada de 2 ª ordem.
Quando as derivadas de segunda ordem são parcialmente deriváveis, suas próprias derivadas são

denominadas DERIVADAS PARCIAIS DE TERCEIRA ORDEM e assim sucessivamente. Essas

são as chamadas derivadas de ordem superior.

Exemplo 30. Seja a função f (x, y) = x3 y2 + x5 + y7 , determine fxx , fxy , fyx , fyy .

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

Poderíamos continuar derivando, como mostra o diagrama:

Teorema 1. Teorema de Clairaut-Schwarz: Suponha que f seja denida numa bola aberta D que
contenha (a, b). Se as funções fxy e fyx forem ambas contínuas em D (f de classe C 2 em D), então

fxy (a, b) = fyx (a, b).

Este teorema também é válido para derivadas de ordens superiores. Por exemplo: fxxy = fxyx =
fyxx e fxyy = fyxy = fyyx .

Exemplo 31. Calcule as derivadas parciais até 3ª ordem da função f (x, y) = x3 +2y3 +5x+4y2 x+3

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

Exemplo 32. Encontre as derivadas parciais de segunda ordem da função u(x, y) = ln( x2 + y2 ).
p

Verique que a função u é solução da equação de Laplace uxx + uyy = 0.

3.3 Exercícios

1) Ache as derivadas parciais das seguintes funções:


x−y
a) z=
x+y
p
b) z = x2 + y 2
c) z = xy
xy
d) z = sen( x−y )
e) z = tg(3x)cotg(4y)
f) z = e−x cos( xy )
g) z = arctg(x2 y) + arctg(xy 2 )
h) u = x3 + 3xy 2 + 3yz 2 + z 4
i) u = (xy)z
j) u = ln(xy 2 z 3 )
k) z = ln(x2 + xy + y 2 )
2xy
l) z= x2 +y 2

p
2) Calcular as funções derivadas parciais de z= 9 − x2 − y 2 , em seguida calcular fx (2, 1) e

fy (2, 1).

3) Em uma empresa comercial o lucro diário L é uma função do número de vendedores x e do

capital investido em mercadorias y (em milhares de reais). Numa certa época tem-se L(x, y) =
400 − (12 − x)2 − (40 − y)2 .
a) Calcule o lucro diário se a empresa tem 7 vendedores e 30.000 reais investidos.
∂L
b) Calcule
∂x
(7, 30) e ∂L
∂y
(7, 30).

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

c) A partir da situação do item a, o que é mais lucrativo? i) aumentar o número de vendedores,

mantendo o capital investido, ou, ii) investir mais 1.000 reais, mantendo o número de vendedores?

4) Um mol de um gás ocupa um volume V = 100 l à temperatura T = 90 ‰ e a uma pressão


p. Dado o valor R = 8 atm.l/[Link], responda:

a) Encontre a taxa de variação da pressão em relação à temperatura quando esta vale T = 90


‰, supondo V = 100 l.
b) Encontre a variação aproximada da pressão quando a temperatura varia de 90 a 92 ‰, sendo
V = 100 l.

5) Seja f (x, y) = (x2 + y 2 )cos( xy ). Mostre que x ∂f


∂x
+ y ∂f
∂y
= 2f .

6) Seja f (x, y, z) = x
x2 +y 2 +z 2
. Mostre que x ∂f
∂x
+ y ∂f
∂y
+ z ∂f
∂z
= −f .

7) O potencial elétrico no ponto (x, y, z) é dado por


x
V (x, y, z) = √
onde V é dado em
x2 +y 2 +z 2
volts e x, y e z em cm. Determine e interprete a taxa de variação instantânea de V em relação à

distância em (1, 2, 3) na direção do: a) eixo x, b) eixo y, c) eixo z.

8) Mostre que a função produção de Cobb-Douglas P (L, K) = 1, 1L0,75 K 0,25 satisfaz a equação

∂P ∂P
L +K = P.
∂L ∂K

9) Calcular fxx , fxy , fyy para as funções abaixo:

a) z = 5x2 + 3y 2 + 7xy

b) z = ax2 + by 2 + cxy

c) z = 7x3 + 4y 2 sen(x)

d) z = x2 e7y

10) Determinar a relação que deve existir entre a e b para que a função z = eax+by satisfaça a
∂2z ∂2z
equação
∂x2
= 9 ∂y2 .

11) Se f (x, y) admite derivadas parciais até 2 ª ordem, chama-se Laplaciano de f a função
∂2f ∂2f
∇2 f = ∂x2
+ ∂y 2
. Calcule o Laplaciano para as seguintes funções:

a) f (x, y) = x4 − y 4
2x
b) f (x, y) = x2 +y 2

12) Uma função f (x, y) é dita Harmônica se, e somente se, o Laplaciano de f (x, y) é sempre
x y
igual a zero. Mostre que a função z = e sen(y) + e cos(x) é Harmônica.

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

∂2z
13) Calcule
∂x∂y
para a função z = (x2 + y 2 )arctg xy .

∂2f ∂2f
14) Se f (x, y) = ln(x − y) + tg(x + y), mostre que
∂x2
= ∂y 2
.

Respostas
1)
∂f 2y ∂f −2x
a)
∂x
= (x+y)2
e
∂y
= (x+y)2
∂f ∂f y
b)
∂x
=√ x
e
∂y
=√
x2 +y 2 x2 +y 2
∂f ∂f
c)
∂x
= yxy−1 e
∂y
= xy lnx
∂f −y 2 xy x2
d)
∂x
= (x−y)2
cos( x−y ) e ∂f
∂y
= (x−y)2
xy
cos( x−y )
∂f ∂f
e)
∂x
= 3sec2 (3x)cotg(4y) e
∂y
= −4tg(3x)cossec2 (4y)
∂f ∂f
f)
∂x
= −e−x (cos xy + y1 sen xy ) e
∂y
= e−x yx2 sen xy
∂f 2xy y2 ∂f x2 2xy
g)
∂x
= 1+x4 y 2
+ 1+x2 y 4
e
∂y
= 1+x4 y 2
+ 1+x2 y 4
∂u ∂u ∂u
h)
∂x
= 3x2 + 3y 2 , ∂y
= 6xy + 3z 2 e
∂z
= 6yz + 4z 3
∂u ∂u ∂u
i)
∂x
= yz(xy)z−1 , ∂y
= xz(xy)z−1 e
∂z
= (xy)z ln(xy)
∂u 1 ∂u 2 ∂u 3
j)
∂x
= ,
x ∂y
= y
e
∂z
= z
∂f 2x+y ∂f x+2y
k)
∂x
= x2 +xy+y 2
e
∂y
= x2 +xy+y 2
∂f 2y 3 −2x2 y ∂f 2x3 −2xy 2
l)
∂x
= (x+ y 2 )2
e
∂y
= (x2 +y 2 )2

2) fx (2, 1) = −1 e fy (2, 1) = − 21

∂L ∂L
3) a) 275 mil reais, b)
∂x
(7, 30) = 10.000 reais/vendedor e
∂y
(7, 30) = 20.000 reais/vendedor,

c) investir mais 1000 reais

4) a) 0, 08 atm/l, b) ∆p ∼
= 0, 16

5) Demonstração

6) Demonstração

13
7) a) √ volts/cm, b)
14 14
− 7√114 volts/cm, c) − 14√3 14 volts/cm

8) Verique se as derivadas parciais da função satisfazem a equação.

9) a) fxx = 10, fyy = 6 e fxy = 7, b) fxx = 2a, fyy = 2b e fxy = c, c) fxx = 42x − 4y 2 senx,
fyy = 8senx e fxy = 8ycosx, d) fxx = 2e7y , fyy = 49x2 e7y e fxy = 14xe7y

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CAPÍTULO 3. DERIVADAS PARCIAIS

10) |a| = 3|b|

11) a) 12(x2 − y 2 ), b) 0

12) Sim, é harmônica

∂ ∂z x2 −y 2
13) ( )
∂x ∂y
= x2 +y 2

14) Demonstração

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Capítulo 4

PLANO TANGENTE E RETA NORMAL

O objetivo deste capítulo é encontrar as equações do plano tangente e da reta normal ao gráco de

uma função diferenciável.

Denição 10. Seja f uma função diferenciável no ponto (x0 , y0 ). O plano


∂f ∂f
z − f (x0 , y0 ) = (x0 , y0 )(x − x0 ) + (x0 , y0 )(y − y0 ).
∂x ∂y
denomina-se plano tangente ao gráco de f no ponto (x0 , y0 , f (x0 , y0 )).

Observação 3. A equação cartesiana do plano é ax + by + cz + d = 0 e seu vetor normal é


⃗n = (a, b, c). Como a equação do plano tangente pode ser escrita como:
∂f ∂f
z − f (x0 , y0 ) = (x0 , y0 )(x − x0 ) + (x0 , y0 )(y − y0 )
∂x ∂y

∂f ∂f
(x0 , y0 )(x − x0 ) + (x0 , y0 )(y − y0 ) − z − z0 = 0
∂x ∂y
Comparando com a equação do plano, temos que o vetor normal será:
 
∂f ∂f
⃗n = (x0 , y0 ), (x0 , y0 ), −1 .
∂x ∂y

55
CAPÍTULO 4. PLANO TANGENTE E RETA NORMAL

Sabendo o vetor normal do plano segue então a denição da reta normal ao gráco de f:

Denição 11. A reta que passa pelo ponto (x0 , y0 , f (x0 , y0 )) e é paralela ao vetor normal é deno-
minada reta normal ao gráco de f no ponto (x0 , y0 , f (x0 , y0 )) cuja a equação é dada por
 
∂f ∂f
(x, y, z) = (x0 , y0 , f (x0 , y0 )) + λ (x0 , y0 ), (x0 , y0 ), −1 , λ ∈ IR.
∂x ∂y

Exemplo 33. Seja f (x, y) = 3x2 y − x. Determine as equações do plano tangente e da reta normal
no ponto (1, 2, f (1, 2)).

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CAPÍTULO 4. PLANO TANGENTE E RETA NORMAL

Exemplo 34. Determine a equação do plano tangente e da reta normal ao gráco da função
z = 7 − x2 − y 2 + 2x + 2y no ponto A(2, 3, 4).

Exemplo 35. Determine o plano que seja paralelo ao plano z = 2x + y e tangente ao gráco de
f (x, y) = x2 + y 2 .

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CAPÍTULO 4. PLANO TANGENTE E RETA NORMAL

4.1 Exercícios

1) Determine as equações do plano tangente e da reta normal ao gráco da função dada no ponto

indicado

a) f (x, y) = 3x2 y − xy em (1, −1, f (1, −1)).


2 −y 2
b) f (x, y) = xex em (2, 2, f (2, 2)).

c) f (x, y) = xy em ( 12 , 12 , f ( 12 , 12 )).

2) Determine a equação do plano tangente que passa pelos pontos (1, 1, 2) e (−1, 1, 1) ao gráco
da função f (x, y) = xy .

3) Seja 2x + y + 3z = 6 a equação do plano tangente ao gráco de f (x, y) no ponto (1, 1, 1).


∂f
a) Calcule
∂x
(1, 1) e ∂f
∂y
(1, 1).

b) Determine a equação da reta normal ao gráco de f (x, y) no ponto (1, 1, 1).

Respostas
1)
x−1 y+1 z+2
a) 5x − 2y + z − 5 = 0 e
5
= −2
= 1
x−2 y−2 z−2
b) z = 9x − 8y e
9
= −8
= −1
4z−1
c) 2x + 2y − 4z − 1 = 0 e 2x − 1 = 2y − 1 = −4

x 3
2) z= 2
+ 3y − 2

3)
∂f ∂f
a)
∂x
(1, 1) = − 32 e
∂y
(1, 1) = − 31



 x = 1 − 23 t


b) y = 1 − 31 t


 z =1−t

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Capítulo 5

APROXIMAÇÃO LINEAR E
DIFERENCIAL

Em um dos exemplos do capítulo anterior encontramos o plano tangente ao gráco da função

f (x, y) = 3x2 y − x no ponto (1, 2, 5) que é z = 11x + 3y − 12. Portanto, a função linear de duas

variáveis

L(x, y) = 11x + 3y − 12

é uma boa aproximação de f (x, y) quando (x, y) está próximo de (1, 2).
A função L é chamada de linearização de f em (1, 2) e a aproximação

f (x, y) ≈ 11x + 3y − 12

é denominada aproximação linear de f em (1, 2).


Generalizando,

∂f ∂f
L(x, y) = (x0 , y0 )(x − x0 ) + (x0 , y0 )(y − y0 ) + f (x0 , y0 )
∂x ∂y

é a linearização de f no ponto (x0 , y0 ).

59
CAPÍTULO 5. APROXIMAÇÃO LINEAR E DIFERENCIAL

Exemplo 36. Determine a aproximação linear da função f (x, y) = ln(x − 3y) em (7, 2) e use-a
para aproximar f (6.9, 2.06).

Denição 12. Seja f : D ⊂ IR2 → IR diferenciável em (x0 , y0 ) ∈ D e considere a transformação


linear T : IR2 → IR dado por
∂f ∂f
T (h, k) = (x0 , y0 ) · h + (x0 , y0 ) · k.
∂x ∂y

Esta transformação denomina-se diferencial de f em (x0 , y0 ).

Observação 4. T (h, k) informa a variação que f sofre quando passa do ponto (x0 , y0 ) para (x0 +
h, y0 + k).
Notação:

ˆ dz = T (h, k) - variação aproximada de f

ˆ ∆z = f (x0 + h, y0 + k) − f (x0 , y0 ) - variação real de f

ˆ dx = h

ˆ dy = k

Com esta notação a diferencial pode ser escrita como


∂f ∂f
dz = (x0 , y0 ) · dx + (x0 , y0 ) · dy.
∂x ∂y

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CAPÍTULO 5. APROXIMAÇÃO LINEAR E DIFERENCIAL

Exemplo 37. Calcule a diferencial de z = x2 y.

Exemplo 38. Seja f (x, y) = x2 + 3xy − y2 . Encontre dz , se x varia de 2 para 2, 05 e y varia de 3


a 2, 96 compare os valores de dz e de ∆z.

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CAPÍTULO 5. APROXIMAÇÃO LINEAR E DIFERENCIAL

Exemplo 39. Suponha que uma lata em formato cilíndrico seja projetada para ter um raio de 5cm
e uma altura de 20cm, mas que o raio e a altura estejam com erros de dr = 0, 003 e dh = −0, 01.
Calcule a variação aproximada resultante no volume da lata.

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CAPÍTULO 5. APROXIMAÇÃO LINEAR E DIFERENCIAL

5.1 Exercícios
p
1) Determine a aproximação linear da função f (x, y, z) = x2 + y 2 + z 2 em (3, 2, 6) e use-a para
p
aproximar (3, 02)2 + (1, 97)2 + (5, 99)2 . Verique se é uma boa aproximação comparando com o

valor da função no ponto.

2) Calcule a diferencial de:

a) z = x3 y 2
b) z = sen(xy)
2 −t2
c) u = es
d) T = ln(1 + p2 + v 2 )

3) Calcule um valor aproximado para a variação ∆A na área de um retângulo quando os lados

variam de x = 2m e y = 3m para x = 2, 01m e y = 2, 97m. Verique se é uma boa aproximação

comparando com o valor exato da variação da área.

4) Se R é a resistência de três resistores conectados em paralelo, com valores R1 , R2 e R3 então

1 1 1 1
= + + .
R R1 R2 R3
Se as resistências medem em ohms R1 = 25Ω, R2 = 40Ω e R3 = 50Ω, com precisão de 0, 5% em

cada uma, estime o erro máximo no cálculo da resistência equivalente de R.

Respostas
1) 6, 98

2)

a) dz = 3x2 y 2 dx + 2x3 ydy


b) dz = ycos(xy)dx + xcos(xy)dy
2 −t2 2 −t2
c) du = 2ses ds − 2tes dt
2p 2v
d) dT = 1+p2 +v 2
dp + 1+p2 +v 2
dv

3) dA = −0, 03

4) dR = 0, 059Ω

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Capítulo 6

FUNCÕES COMPOSTAS

Para determinarmos as derivadas de funções compostas, podemos efetuar a operação de composição

e derivar, ou usar a regra da cadeia, nos seguintes casos:

1(º caso: Seja f : IR2 → IR com z = f (x, y) e

x = f1 (t) dz
diferenciáveis. Calcular .
dt
y = f2 (t)

Já conhecemos o conceito de diferencial total:

∂f ∂f
dz = dx + dy (6.1)
∂x ∂y

Dividindo 6.1 por ∆t e fazendo ∆t ir para zero temos

∆z ∂f ∆x ∂f ∆y
lim = lim + lim
∆t→0 ∆t ∂x ∆t→0 ∆t ∂y ∆t→0 ∆t
ou seja,

dz ∂f dx ∂f dy
= +
dt ∂x dt ∂y dt

Exemplo 40. Calcule dz


dt
, sendo z = ex + sen(y) e x = t2 e y = t + 2.

64
CAPÍTULO 6. FUNCÕES COMPOSTAS

Exemplo 41. Se z = x2 y, x = et2 e y = 2t + 1, calcule dz


dt
.

2º caso: Seja f : IR2 → R e z = f (x, y) com

(
x = f1 (t, v) ∂z ∂z
diferenciáveis. Calcular e .
∂t ∂v
y = f2 (t, v)

Da mesma forma que zemos anteriormente

∆z ∂f ∆x ∂f ∆y
lim = lim + lim
∆t→0 ∆t ∂x ∆t→0 ∆t ∂y ∆t→0 ∆t
e

∆z ∂f ∆x ∂f ∆y
lim = lim + lim
∆v→0 ∆v ∂x ∆v→0 ∆v ∂y ∆v→0 ∆v
Temos respectivamente,

∂z ∂f ∂x ∂f ∂y
= +
∂t ∂x ∂t ∂y ∂t

∂z ∂f ∂x ∂f ∂y
= +
∂v ∂x ∂v ∂y ∂v

Exemplo 42. Se z = ex seny, x = vt2 e y = v2 t, calcule ∂z


∂t
e ∂z
∂v
.

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CAPÍTULO 6. FUNCÕES COMPOSTAS

Exemplo 43. Um carro A esta viajando para o norte na rodovia 16, e um carro B está viajando
para oeste na rodovia 83. Os dois carros se aproximam da interseção dessas rodovias. Em um certo
momento, o carro A está a 5km da interseção viajando a 65km/h, ao passo que o carro B está
a 12km da interseção viajando a 78km/h. Qual a taxa de variação da distância entre os carros
nesse instante? Interprete o resultado encontrado.

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CAPÍTULO 6. FUNCÕES COMPOSTAS

Exemplo 44. Calcule a velocidade angular sabendo que w = do vetor posição OP



dt
⃗ , sendo O a
origem e P (x, y) com x = 1 − 2t2 e y = 4 + t2 , no instante t = 1 s.

Exemplo 45. Considere z = 1 + x2 + y 2 , x = ln t e y = cos t. Para calcular um estudante


p dz
dt
reescreveu z como

p
z= 1 + (ln t)2 + cos2 t

e encontrou que:

dz ln t − t cos(t)sen(t)
= p
dt t 1 + (ln t)2 + cos2 t
Verique se a resposta do estudante para dz
dt
está correta, utilizando a regra da cadeia.

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CAPÍTULO 6. FUNCÕES COMPOSTAS

6.1 Exercícios
(
dz x = et
1) Calcule
dt
para z = ln xy + x2 y 3 , sendo .
y = cos t2
(
dz π 2 x = t cos t
2) Calcule
dt
para t= 2
da função z = exy , sendo .
y = tsent

dz
3) Calcule
dt
para z = 4x2 + 5y 2 + 3 se x = 4sen(t) e y = 2et .
(
∂z ∂z x = ρ2 + sen(θ)
4) Achar
∂ρ
e
∂θ
para z = x + y2, sendo .
y = ln(ρ + θ)

∂z ∂z
5) Se z = x2 y + xey com x = uv e y = u2 sen(v), calcule
∂u
e
∂v
.

p ∂f ∂f
6) Dada a função f (x, y) = ln x2 + y 2 , em que x = re−s e y = re−s , determine
∂r
e
∂s
.

dz
7) Dada a função z = x2 + 2xy + y 2 em que x = t cos(t) e y = tsen(t), calcular
dt
.

8) Calcular
∂z
∂x
e
dz
dx
se z = arctg( xy ) e y = x2 .

9) Seja z = xy , onde x = f (u) e y = g(u). Supondo f e g diferenciáveis com f (1) = 2,


dx dy dz
g(1) = −2, du
(1) = −1 e
du
(1) = 5, calcule
du
(1).

10) A tensão num circuito elétrico simples está decrescendo devagar à medida que a bateria se

descarrega. A resistência R está aumentando devagar com o aumento do calor do resistor. Use a

lei de Ohm, U = Ri, para determinar como a corrente elétrica i está variando no momento em que

R = 400 W, i = 0, 08 A, dU
dt
= −0, 01 V/s e
dR
dt
= 0, 03 W/s.
Respostas
dz
1)
dt
= 1 + 2 cos3 (t2 )e2t + 2ttg(t2 ) − 6e2t t cos2 (t2 )sen(t2 )

3
2) − π8

dz
3)
dt
= 64sen(2t) + 40e2t

∂z 2 ln(ρ+θ) ∂z 2 ln(ρ+θ)
4)
∂ρ
= 2ρ + ρ+θ
e
∂θ
= cos(θ) + ρ+θ

∂z 2 sen(v) 2 sen(v)
5)
∂u
= (2u3 vsen(v) + eu )v + (u2 v 2 + uveu )2usen(v) e
∂z u2 sen(v) u2 sen(v)
∂v
= (2u3 vsen(v) + e )u + (u2 v 2 + uve )u2 cos(v)

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CAPÍTULO 6. FUNCÕES COMPOSTAS

∂z x −s y −s ∂z x −s y −s
6)
∂r
= ( x2 +y 2 )e + ( x2 +y 2 )e e
∂s
= ( x2 +y 2 )(−re ) + ( x2 +y 2 )(−re )

dz
7)
dt
= 2t + 2tsen(2t) + 2t2 cos(2t)

∂z −y dz 1
8)
∂x
= x2 +y 2
e
dx
= 1+x2

dz
9)
du
(1) = 12

10)
di
dt
= −31.10−6 A/s

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Capítulo 7

DERIVADA DIRECIONAL

Observe na superfície a seguir que existem innitos vetores tangentes, o que nos leva à necessidade

de calcular a derivada em relação a uma direção qualquer.

Vimos que as derivadas parciais

∂f f (x0 + h, y0 ) − f (x0 , y0 ) ∂f f (x0 , y0 + k) − f (x0 , y0 )


(x0 , y0 ) = lim e (x0 , y0 ) = lim
∂x h→0 h ∂y k→0 k
representam as taxas de variações de f no sentindo positivo dos eixos x e y, ou seja, nas direções

e sentido dos versores ⃗


ie ⃗j .
Suponha que queiramos determinar as taxas de variação de f no ponto (x0 , y0 ) na direção e

sentido de um vetor unitário arbitrário (a, b).


Desta forma, a variação de f na direção ⃗u = (a, b) entre os pontos (x0 , y0 ) e (x0 + at, y0 + bt) é

f (x0 + at, y0 + bt) − f (x0 , y0 )


.
∥(x0 + at, y0 + bt) − (x0 , y0 )∥
√ √
Note que ∥(x0 + at, y0 + bt) − (x0 , y0 )∥ = a2 t2 + b2 t2 = |t| | a2{z+ b}2 = |t| .
1

70
CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

Denição 13. O limite


∂f f (x0 + at, y0 + bt) − f (x0 , y0 )
(x0 , y0 ) = lim
∂⃗u t→0 t
quando existe e é nito, denomina-se derivada direcional de f no ponto (x0 , y0 ) e na direção do
vetor unitário ⃗u = (a, b).

Vetor Gradiente
Denição 14. Seja z = f (x, y) uma função que admite derivadas parciais de 1ª ordem em (x0 , y0 ).
O gradiente de f no ponto (x0 , y0 ), denotado por gradf (x0 , y0 ) ou ∇f (x0 , y0 ) é um vetor dado por:
 
∂f ∂f
∇f (x0 , y0 ) = (x0 , y0 ), (x0 , y0 )
∂x ∂y
O símbolo ∇ chama-se operador Nabla ou Hamiltoniano.

Observação 5. Devido ao fato de o vetor gradiente ser realmente um vetor, podemos utilizar a
seguinte notação

∂f ∂f
∇f (x0 , y0 ) = (x0 , y0 )⃗i + (x0 , y0 )⃗j.
∂x ∂y

Geometricamente, interpretamos o gradiente como um vetor aplicado no ponto (x0 , y0 ), isto é,

transladado paralelamente da origem para o ponto (x0 , y0 ).

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 71


CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

Observação 6. ∇f (x0 , y0 ) é um vetor ortogonal à curva de nível que passa por P0 = (x0 , y0 ).
Teorema 2. Sejam f : D ⊂ IR2 → IR, D aberto, (x0 , y0 ) ∈ D e ⃗u = (a, b) um vetor unitário. Se
f (x, y) for diferenciável em (x0 , y0 ), então f admitirá derivada direcional em (x0 , y0 ), na direção ⃗u
e
∂f
(x0 , y0 ) = ∇f (x0 , y0 ) · ⃗u.
∂⃗u
Exemplo 46. Calcular a derivada direcional de f (x, y) = x3 − 2x2 y + xy2 + 15 no ponto P0 (1, 2)
e na direção:
a) do vetor ⃗v = 2⃗i − ⃗j
b) do ponto P0 ao ponto (3, −1)

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 72


CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

, se (x, y) ̸= (0, 0)
(
x3
Observação 7. Note que para a função f (x, y) = x2 +y 2
e ⃗v = (1, 1), o
0 , se (x, y) = (0, 0)
valor de ∂f
∂⃗
u
(0, 0), em que ⃗u é o versor de ⃗v , é diferente do valor de ∇f (0, 0) · ⃗u. Isto pode ocorrer
pois f não é diferenciável.

Teorema 3. Seja f : D ⊂ IR2 → IR, D aberto, diferenciável em (x0 , y0 ) e tal que ∇f (x0 , y0 ) ̸= 0.
Então, o valor máximo de ∂f ∂⃗
u
(x0 , y0 ) ocorre quando ⃗u for o versor de ∇f (x0 , y0 ), isto é, ⃗u =
∇f (x0 ,y0 )
∥∇f (x0 ,y0 )∥
e o valor máximo de ∂f
∂⃗
u
(x0 , y0 ) é ∥∇f (x0 , y0 )∥.

Demonstração 1. Como f é diferenciável temos que ∂f


∂⃗
u
(x0 , y0 ) = ∇f (x0 , y0 ) · ⃗u. Lembrando da
denição de produto escalar temos
∂f
(x0 , y0 ) = ∇f (x0 , y0 ) · ⃗u = ∥∇f (x0 , y0 )∥ ∥⃗u∥ cos(θ),
∂⃗u
onde θ é o ângulo entre ∇f (x0 , y0 ) e ⃗u. Por ⃗u ser unitário temos então
∂f
(x0 , y0 ) = ∥∇f (x0 , y0 )∥ cos(θ).
∂⃗u
∂f
∂⃗
u
(x0 , y0 )terá o valor máximo quando cos(θ) = 1, ou seja, θ = 0, o que signica que ⃗u é versor de
∇f (x0 , y0 ). E ainda, o valor máximo é ∂f
∂⃗
u
(x0 , y0 ) = ∥∇f (x0 , y0 )∥.

Observação 8. A partir do teorema anterior podemos ter o valor mínimo da f e a direção e o


sentido que isto ocorre. Note que pela demonstração, o valor mínimo ocorrerá quando cos(θ) = −1,
ou seja, θ = 180, o que signica que ⃗u é oposto ao gradiente, logo ⃗u é o versor de −∇f (x0 , y0 ) e o
valor mínimo é ∂f∂⃗
u
(x0 , y0 ) = − ∥∇f (x0 , y0 )∥.

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CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

Exemplo 47. Seja f (x, y) = x2 y.


a) Determine ⃗u de modo que ∂f
∂⃗
u
(1, 1) seja máximo.
b) Qual o valor máximo de ∂f
∂⃗
u
(1, 1)?
c) Estando em (1, 1), qual a direção e sentido deve-se tomar para que f cresça mais rapidamente?

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CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

Exemplo 48. Admita que T (x, y) = x2 + 3y2 represente uma distribuição de temperatura no plano
xy : T (x, y) é a temperatura no ponto (x, y) (supondo T em C e x,y em cm).
a) Estando em (2, 12 ) qual a direção e sentido de maior crescimento de temperatura? Qual a
taxa de crescimento nesta direção?
b) Estando em (2, 12 ) qual a direção e sentido de maior decrescimento de temperatura? Qual a
taxa de decrescimento nesta direção?
c) Estando em (2, 21 ) qual a direção segundo qual a temperatura permanece constante?

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CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

7.1 Exercícios

1) Determine o gradiente de f em P.
p
a) f (x, y) = x2 + y 2 , P (−4, 3)
b) f (x, y, z) = yz 3 − 2x2 ; P (2, −3, 1)

2) Determine a derivada direcional de f em P na direção indicada.


2 2 2⃗ ⃗
f (x, y) = x − 5xy + 3y ; P (3, −1) e ⃗u = (i + j)
2

3) Determinar, se existir, o plano tangente ao gráco da função z = x2 + y 2 em P1 (0, 0, 0) e

P2 (1, 1, 2).

4) Determine a equação da reta perpendicular à curva x2 + y 2 = 4, no ponto P (1, 3).

5) Calcule a derivada direcional da função f (x, y) = x2 sen(xy) no ponto (1, π2 ) e na direção:

a) do eixo Ox;
b) do vetor ⃗v = 2⃗i + ⃗j ;
c) em que ela é máxima.

6) Determine as equações do plano tangente e da reta normal à superfície dada por:

a) x3 − 2xy + z 3 + 7y + 6 = 0, P (1, 3, −3)


b) xyz − 4xz 3 + y 3 = 10, P (−1, 2, 1)

7) Em cada item a seguir, determine o gradiente da função no ponto dado. Depois, esboce o

vetor gradiente junto com a curva de nível que passa pelo ponto, usando um segmento localizado

nesse ponto. Determine as equações das retas tangente e normal à curva de nível nesse ponto.

a) f (x, y) = y − x, P (2, 1)
b) f (x, y) − ln(x2 + y 2 ), P (1, 1)
c) g(x, y) = y − x2 , P (−1, 0)
x2 y2

d) g(x, y) =
2
− 2
, P ( 2, 1)

8) Determine as equações dos planos tangentes ao elipsóide

x2 + 2y 2 + 3z 2 = 21 que são paralelos ao plano x + 4y + 6z = 30.

9) Determine a derivada direcional no ponto P0 na direção do vetor ⃗u, nos seguintes casos:
x2 −y 2
a) f (x, y) = e ; P0 (1, 1); ⃗u = (1, 3)
x−y
b) f (x, y) = x+y
; P0 (2, −1); ⃗u = (3, 4)
c) f (x, y, z) = xy 2 z 2 ; P0 (1, 2, −3); ⃗u = (1, 2, −3)

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CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

d) f (x, y, z) = sen(xy) + cos(yz); P0 (1, 0, −1); ⃗u = (−1, 2, 2)


(
x3
x2 +y 2
se (x, y) ̸= (0, 0)
10) Seja f (x, y) = e ⃗u = (1, 1).
0 se (x, y) = (0, 0)
∂f
a) Calcule
∂⃗
u
(0, 0), usando a denição.
⃗ (0, 0). ⃗u
b) Calcule ∇f
∥⃗
u∥
c) Justique porque os valores encontrados em a) e b) são diferentes em (0, 0).

11) Determine o vetor unitário na direção do qual f cresce mais rapidamente em P:


a) f (x, y) = 4x3 y 2 ; P0 (−1, 1)
x
b) f (x, y) = x+y
; P0 (0, 2)

12) A temperatura em um ponto (x, y) de uma placa de metal no plano xOy é dada por
xy
T (x, y) = 1+x2 +y 2
.

a) Determine a taxa de variação da temperatura em (1, 1) na direção e sentido do vetor ⃗v =


(2, −1).
b) Uma formiga em (1, 1) precisa andar na direção na qual a temperatura diminui mais rapida-

mente. Determine um vetor unitário nesta direção.

13) Nas proximidades de uma boia, a profundidade de um lago em um ponto com coordenadas

(x, y) é z = 200 + 0, 02x2 − 0, 001y 3 , onde x, y e z são medidos em metros. Um pescador que

está em um pequeno barco parte do ponto (80, 60) em direção à boia, que está localizada no ponto

(0, 0). A água sob o barco está cando mais profunda ou mais rasa quando ela começa a se mover?

Explique.

14) O potencial elétrico do ponto (x, y) é dado por V (x, y) = ln(x2 + y 2 ) (V em volts, x e y em

cm). Determine o vetor campo ⃗ , sabendo que E


elétrico E ⃗ = −∇V , no ponto ( 1 , 1 ).
2 2

15) Um morro possui forma denida pelo gráco de z = f (x, y) = 100 − 4x2 − 5y 2 . Verique

que se o alpinista está no ponto A = (3, 2, 44) e se mover na direção do vetor v = (1, −2), ele estará
subindo o morro.

16) A temperatura do ar em cada ponto (x, y, z) de uma sala é dada por T (x, y, z) = x2 + y 2 − z 2
graus Celsius e a distância é dada em metros. Um mosquito está no ponto Q = (3, 1, 2). Pede-se:

a) Se ele voar na direção do vetor v = (1, 1, 1), ele estará aquecendo ou esfriando? Com qual

taxa de variação de temperatura?

b) Em qual direção e sentido ele deve voar para que a temperatura decresça mais rapidamente?

Qual é a taxa de variação?

c) Verique que se o mosquito voar na direção do vetor (1, −1, 1) a sua temperatura permanece

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CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

a mesma.

Respostas

1) a) − 54⃗i + 53⃗j , b) −8⃗i + ⃗j − 9⃗k



2) −5 2

3) Em P1 → z = 0; em P2 → 2x + 2y − z = 2

4) y= 3x

4 5
5) a) 2, b)
5
, c) 2

6)

a) Plano tangente: −3x + 5y + 27z + 69 = 0,


x−1
Reta normal: = y−3
5
= z+3
27
−3
b) Plano tangente: −2x + 11y + 10z − 34 = 0,
x+1
Reta normal: = y−2
11
= z−1
10
−2

7)

a) (−1, 1); curva de nível: y =x−1


Reta tangente: −x + y + 1 = 0
x−2 y−1
Reta normal:
−1
= 1

b) (1, 1); curva de nível: x2 + y 2 = 1


Reta tangente: x+y−2=0
Reta normal: y=x

c) (2, 1); curva de nível: y = x2 − 1


Reta tangente: 2x + y + 2 = 0
x+1 y
Reta normal:
2
= 1


d) ( 2, −1); curva de nível: x2 − y 2 = 1

Reta tangente: y= 2x − 1

√ 2
x− y−1
Reta normal:
2
= −1

8) x + 4y + 6z − 21 = 0 e x + 4y + 6z + 21 = 0

9) a) − 2 510 , b) − 22
5
,
180
c) √ , d)
14
2
3

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CAPÍTULO 7. DERIVADA DIRECIONAL

10)

∂f 2
a)
∂⃗
u
(0, 0) = 4 √
b) ⃗ (0, 0). ⃗u =
∇f 2
∥⃗u∥ 2
c) A função dada não é diferenciável em (0, 0)
√ √
11) a) ⃗u = ( 3 1313 , − 2 1313 ), b) ⃗u = (1, 0)
√ √ √
5 2 2
12) a)
45
, b) ⃗v = −( 2
, 2
)

13) Mais profunda na direção da boia

14) ⃗ = −2⃗i − 2⃗j


E

∂f
15)
∂⃗
u
(3, 2) >0

16)
4
a) Aquecendo com taxa de √
3 √
b) Na direção e sentido do vetor (−6, −2, 4) com taxa −2 14.

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Capítulo 8

MÁXIMOS E MÍNIMOS

8.1 Máximos e mínimos relativos

Como vimos em Modelagem de Problemas usando Cálculo Diferencial e Integral I, um dos principais

usos da derivada é a determinação de máximos e mínimos (valores extremos). Agora veremos como

usar as derivadas parciais para localizar os pontos de máximo e mínimo de uma função com duas

variáveis.

Denição 15. Máximo relativo


Diz-se que a função f : D ⊂ IR2 → IR admite um valor máximo (relativo) no ponto P0 =
(x0 , y0 ) ∈ D se f (P0 ) > f (P ) para todo P = (x, y) pertencente a uma vizinhança de P0 .

Observação 9. O valor máximo de f em P0 não precisa ser, necessariamente, o maior valor de


f em seu domínio. Precisa ser somente o maior valor de f na vizinhança de P0 . Isso justica o
termo relativo.
O ponto de máximo é o ponto de coordenadas (P0 , f (P0 )) = (P0 , zmáx ).

80
CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Denição 16. Mínimo relativo


Diz-se que a função f : D ⊂ IR2 → IR admite um valor mínimo (relativo) no ponto P0 =
(x0 , y0 ) ∈ D se f (P0 ) < f (P ) para todo P = (x, y) pertencente a uma vizinhança de P0 .

ˆ Valem as mesmas observações anteriores;

ˆ Os pontos de máximo ou de mínimo são também chamados de extremos da função.

Exemplo 49. z = 4 − x2 − y2 , ponto máximo (0, 0, 4), como observamos no gráco:

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Exemplo 50. z = x2 + y2 + 1, ponto mínimo (0, 0, 1), como observamos no gráco:

Exemplo 51. z = x2 − y2 , o valor de z depende muito da variação de x e y. Logo, não deve


apresentar extremo.

Denição 17. Ponto Crítico


Diz-se que P0 = (x0 , y0 ) é um ponto crítico da função f se, todas as derivadas parciais de f se
anulam (∇f (x0 , y0 ) = (0, 0)) ou não existem em P0 .

Teorema 4. Se a função f admite um valor máximo ou mínimo em P0 , então, P0 é um ponto


crítico de f . Isto é, todas as derivadas parciais de f (P ) se anulam ou não existem em P0 .

Observação 10. A recíproca não é verdadeira.

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Teorema 5. Seja P0 = (x0 , y0 ) um ponto crítico da função f : D ⊂ IR2 → IR, diferenciável até a
2ª ordem e
fxx fxy
H= = fxx fyy − fxy fyx .
fyx fyy
1
o seu Hessiano . Então:

(i) Se H(P0 ) > 0, f admite extremo em P0 e:

ˆ Tem um valor máximo se fxx (P0 ) < 0;

ˆ Tem um valor mínimo se fxx (P0 ) > 0.

(ii) Se H(P0 ) < 0, f não admite extremo em P0 ou admite um ponto sela em P0 .

(iii)Se H(P0 ) = 0, nada se pode armar. Isto é, pode ou não admitir extremo. Exige um estudo

mais aprofundado.

Observação 11. Por que usamos apenas o sinal de fxx ?


fxx fxy
H= = fxx fyy − fxy fyx .
fyx fyy

Condição de ponto extremo: fxx .fyy − fxy .fxy > 0, para que isso aconteça fxx .fyy > 0, assim
fxx e fyy devem ter o mesmo sinal.

Exemplo 52. Determine e classique os pontos críticos, caso existam, das seguintes funções:
1) z = 4 − x2 − y 2

1 Hessiaono é o determinando da matriz hessiana, a qual foi desenvolvida no século XIX pelo alemão Ludwig Otto

Hesse, razão porque mais tarde James Joseph Sylvester lhe deu este nome.

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

2) z = 4 − x2

3) z = x2 − y 2

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Exemplo 53. Seja f (x, y) = x2 + xy + y2 − 6x + 2, determine os pontos extremos de f (x, y).

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Exemplo 54. Dada a função f (xy) = 8x3 + 2xy − 3x2 + y2 + 1, verique que os pontos (0, 0) e
( 13 , − 13 ) são pontos críticos da função e, se possível, classique em máximo, mínimo ou sela cada
um deles.

Exemplo 55. Considere uma caixa retangular sem tampa, com volume de 1m3 . Se o material das
laterais custa o triplo do material utilizado no fundo, quais devem ser as dimensões da caixa para
minimizar o custo?

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Exemplo 56. Uma caixa retangular sem tampa deve ser feita com 12m2 de papelão. Determine o
volume máximo dessa caixa.

8.2 MÁXIMOS E MÍNIMOS CONDICIONADOS (Multipli-


cadores de Lagrange)

Vamos determinar os valores extremos de f sujeito a uma restrição da forma g(x, y) = k . Em

outras palavras, queremos encontrar os valores extremos de f quando o ponto (x, y) está na curva

de nível g(x, y) = k .

A gura mostra a curva de nível g(x, y) = k junto de diversas curvas de nível de f , f (x, y) = c.
Para maximizar f (x, y) sujeito a g(x, y) = k é preciso determinar o maior valor de c, tal que a

curva de nível f (x, y) = c intercepta g(x, y) = k . Isso acontece quando essas curvas se tocam, ou

seja, quando essas curvas têm uma reta tangente comum (caso contrário, poderíamos aumentar o

valor de c). Isso signica que o vetores gradientes são paralelos, isto é, ∇f (x0 , y0 ) = λ∇g(x0 , y0 ),
para algum escalar λ.
Esse mesmo argumento também se aplica ao problema de encontrar os valores extremos de

f (x, y, z) sujeito a uma restrição da forma g(x, y, z) = k

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 87


CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Método dos Multiplicadores de Lagrange: Para determinar os valores de máximos e mí-


nimos de f (x, y, z) sujeito a restrição g(x, y, z) = k (supondo que esses valores de extremos existam

e que ∇g ̸= 0 sobre a superfície g(x, y, z) = k ):

(i) Determinar todos os pontos x , y ,z e λ tais que

(
∇f (x, y, z) = λ∇g(x, y, z)
g(x, y, z) = k

(ii) Calcule f em todos os pontos (x, y, z) obtidos em (i). O maior valor será o valor de máximo

de f e o menor valor será o valor de mínimo de f .

Exemplo 57. Uma caixa retangular sem tampa é feito com 12m2 de papelão. Determine o volume
máximo dessa caixa utilizando o método dos multiplicadores de Lagrange.

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Exemplo 58. De todos os paralelepípedos retângulos de volume k dado, qual o de área total mínima?

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 89


CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Exemplo 59. Utilize o método dos multiplicadores de Lagrange para encontrar os extremos de
f (x, y) = xy sujeito à restrição x2 + y 2 = 1. Esboce algumas curvas de nível de f e a restrição.

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 90


CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

8.3 Exercícios
∂f
1) Dizemos que (x0 , y0 ) é um ponto crítico ou estacionário de z = f (x, y) se
∂x
(x0 .y0 ) = 0 e
∂f
∂y
(x0 .y0 ) = 0. Determine (caso existam) os pontos críticos das funções dadas:

a) z = x + y2
3

b) z = 2x + y 2
c) z = x2 − 2xy + 3y 2 + x˘y
d) z = x3 + y 3 − 3x − 3y

2) Determine os pontos críticos da função: f (x, y) = 2x4 + y 2 − x2 − 2y e classique-os em

(mínimo local, máximo local ou sela).

3) Determine os pontos críticos da função: f (x, y) = 4x3 − 6x2 y − 2y 3 + 3x2 − 6xy + 6y e

classique-os em (mínimo local, máximo local ou sela).

4) Dividir o número 120 em três partes de modo que a soma dos produtos das partes tomadas

duas a duas seja máxima.

5) Determine os pontos críticos da função: f (x, y, z) = x2 +y 2 +z 2 , sabendo que x+y +z −1 = 0


e x − 2y + z − 1 = 0. Classique-os em (mínimo local, máximo local ou sela).

6) Uma companhia manufatureira produz dois produtos que são vendidos em mercados separa-

dos. Os economistas da companhia analisam os dois mercados e determinam que as quantidades

q1 e q2 demandadas pelos consumidores e os preços, p1 e p2 de cada item são relacionados pelas

equações:

p1 = 600 − 0, 3q1 e p2 = 500 − 0, 2q2

Assim, se o preço para qualquer dos dois índices cresce, a demanda por ele decresce. O custo

total de produção da companhia é dado por C = 16+1, 2q1 +1, 5q2 +0, 2q1 q2 . Se a companhia quiser

maximizar seus lucros totais, quanto deveria produzir de cada produto? Qual o lucro máximo?

7) A função de produção para uma companhia é dada por P = 24K 0,6 L0,4 , onde P é a quantidade

produzida pela companhia, L a quantia gasta com trabalho e K o valor do equipamento, ou capital.

A quantia total gasta com L e K juntos, não pode superar R$ 1000,00. Se o objetivo for o de

maximizar a produção, quanto deveria ser gasto com trabalho e quanto com capital?

a) Escreva as equações para resolver este problema usando multiplicadores de Lagrange.

b) Quais são os valores ótimos de L e K?


c) Quantas unidades são produzidas, a este nível de produção?

d) Ache o valor de λ e interprete-o

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CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

8) Qual é o volume do maior paralelepípedo retângulo inscrito no elipsóide de equação:

x2 y 2 z2
+ + =1
9 16 36

9) Determine a menor distância da origem à hipérbole de equação x2 + 8xy + 7y 2 − 225 = 0.

10) Seja f (x, y) = x2 − 4xy + y 3 + 4y . Determinar o valor máximo e o valor mínimo de f no

conjunto B delimitado pelo triângulo formado pelos pontos (−1, −1), (7, −1) e (7, 7).

11) O plano x + y + z = 1 corta o cilindro x2 + y 2 = 1 em uma elipse (veja o a gura). Determine

os pontos sobre a elipse que estão mais próximos e mais afastados da origem.

12) Determine os valores de máximo e mínimo absolutos de f no conjunto compacto D:


2 2
a) f (x, y) = x + y − 2x, D é a região triangular fechada com vértices (2, 0), (0, 2) e (0, −2).
f (x, y) = x2 + y 2 + x2 y + 4, D = (x, y) ∈ IR2 ; |x| ≤ 1 e |y| ≤ 1 .

b)
2
4 4

c) f (x, y) = x + y − 4xy + 2, D = (x, y) ∈ IR ; 0 ≤ x ≤ 3 e 0 ≤ y ≤ 2 .
2
3 4
 2 2
d) f (x, y) = 2x + y , D = (x, y) ∈ IR ; x + y ≤ 1 .

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 92


CAPÍTULO 8. MÁXIMOS E MÍNIMOS

Respostas
1) a) (0, 0), b) Não existe, c) (− 21 , 0), d) (1, 1); (−1, −1); (1, −1) e (−1, 1)

2) (0, 1) → ponto de sela; ( 12 , 1) → ponto de mínimo; (− 12 , 1) → ponto de mínimo.

√ √
5 5
3) (− 12 , 2
) → ponto de máximo; (− 12 , − 2
) → ponto de mínimo; (−1, −1) → ponto de sela;

( 21 , 12 ) → ponto de sela

4) x = y = z = 40

5) ( 21 , 0, 12 ) → ponto de mínimo

6) q1 ∼
= 699; q2 ∼
= 897 e L = R$432797

7) a) ∇(24k 0,6 L0,4 ) = λ∇(L + K − 1000), b)K = 600 e L = 400, c) P ≡ 12244 unidades, d)

λ∼
= 12, 24 unidades/R$


8) V =8 3

9) D=5

10) −8 → valor mínimo na fronteira; 224 → valor máximo na fronteira; 0 no interior do triângulo

11) Pontos mais próximos da origem: (1, 0, 0) e (0, 1, 0). Ponto mais afastado da origem:
√ √ √
(− 22 , − 22 , 1 + 2)

12)

a) máximo f (0, ±2) = 4, mínimo f (1, 0) = −1


b) máximo f (±1, 1) = 7, mínimo f (0, 0) = 4
c) máximo f (3, 0) = 83, mínimo f (1, 1) = 0
d) máximo f (1, 0) = 2, mínimo f (−1, 0) = −2

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 93


Capítulo 9

INTEGRAIS DUPLAS

A tentativa de resolvermos o problema de determinar áreas nos levou à denição de integral denida.

Aplicaremos um procedimento semelhante para calcular o volume de um sólido, e este processo nos

levará à denição de integral dupla.

9.1 Integral Dupla

De maneira análoga ao que já estudamos sobre Integrais Simples, considere uma função f de duas

variáveis denida em um retângulo fechado

R = [a, b] × [c, d] = (x, y) ∈ IR2 ; a ≤ x ≤ b



e c≤y≤d

e vamos supor que f (x, y) ≥ 0. Considere o sólido S que está acima da região R e abaixo do gráco
de f. Nosso objetivo é determinar o volume de S.

Iniciaremos dividindo o retângulo R em sub-retângulos, de tal forma que o intervalo de [a, b]


b−a
é dividido em m subintervalos [xi−1 , xi ] de mesmo comprimento ∆x =
m
e o intervalo de [c, d]
d−c
é dividido em n subintervalos [yj−1 , yj ] de mesmo comprimento ∆y =
n
. Chamaremos cada

subintervalo de Rij = [xi−1 , xi ] × [yj−1 , yj ] com área ∆A = ∆x∆y .

94
CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

x∗ij , yij∗

Se escolhermos um ponto arbitrário em cada retângulo Rij , podemos aproximar a parte
x∗ij , yij∗ . O volume dessa caixa é dado por:

de S que está acima de cada Rij por f

f x∗ij , yij∗ ∆A.




Se seguirmos com esse procedimento para todos os retângulos e somarmos os volumes das caixas

obteremos uma aproximação do volume total de S:


m X
X n
f x∗ij , yij∗ ∆A.

V ≈ (9.1)
i=1 j=1

Nossa intuição diz que a aproximação dada por (9.1) melhora quando aumentamos os valores

de m e n, portanto, devemos esperar que


m X
X n
f x∗ij , yij∗ ∆A.

V = lim
m,n→∞
i=1 j=1

Denição 18. A integral dupla de f sobre o retângulo R é


ZZ m X
X n
f x∗ij , yij∗ ∆A

f (x, y)dA = lim
m,n→∞
R i=1 j=1

se esse limite existir.

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 95


CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

Se f (x, y) = 1 temos a área da região R.

ZZ
A= dxdy
R

Se f (x, y) ≥ 0, então o volume V do sólido que está acima do retângulo R e abaixo da superfície
z = f (x, y) é
ZZ
V = f (x, y)dA.
R

Propriedade 3. Se f e g são integráveis e k é uma constante, temos:


ZZ ZZ ZZ
1. [f (x, y) ± g(x, y)] dA = f (x, y)dA ± g(x, y)dA
R R R
ZZ ZZ
2. kf (x, y)dA = k f (x, y)dA
R R

Observação 12. dA = [Link] ou dA = [Link]


Teorema 6. (Teorema de Fubini) Considere f integrável num retângulo R = [a, b] × [c, d]. Se
Zb Zd
existem f (x, y)dx, ∀y ∈ [c, d] e f (x, y)dy , ∀x ∈ [a, b], então
a c
   
ZZ Zd Zb Zb Zd
f (x, y)dA =  f (x, y)dx dy =  f (x, y)dy  dx.
R c a a c
ZZ
Exemplo 60. Calcule a integral dupla (x + y)dA, onde R = [0, 2] × [1, 2].
R

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

Exemplo 61. Calcule o volume do sólido


A = (x, y, z) ∈ IR3 ; 0 ≤ x ≤ 1, 0 ≤ y ≤ 1 e 0 ≤ z ≤ x2 + y 2 .


Verique se o volume encontrado é coerente comparando com um sólido conhecido.

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

9.2 Regiões de integração

Dizemos que D é uma região de integração se a região D está delimitada por:

(i) Duas retas paralelas a um dos eixos coordenados;

(ii) Duas curvas cuja variável dependente é a do eixo paralelo às duas retas paralelas.

Temos dois casos a considerar:

1 º Caso: Retas paralelas ao eixo Oy


Nesse caso, a região D é formada pelos pontos P (x, y) que estão entre as retas x = a, x = b e

entre as curvas y1 = g1 (x) e y2 = g2 (x), contínuas.

Região tipo I

(i) Seja D a região Dx da gura anterior. Se f é contínua em D, então:

Z Z Zb gZ2 (x)
f (x, y)dA = f (x, y)dydx
D a g1 (x)

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

2 º Caso: Retas paralelas ao eixo Ox


Nesse caso, a região D é formada pelos pontos P (x, y) que estão entre as retas y = c, y = d e

entre as curvas x1 = h1 (y) e x2 = h2 (y).

Região tipo II

(ii) Seja D a região Dy da gura anterior. Se f é contínua em D, então:

Z Z Zd hZ2 (y)
f (x, y)dA = f (x, y)dxdy
D c h1 (y)

Cuidado, quando a região de integração não é um retângulo deve-se car atento à inversão do
intervalo.

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

Exemplo 62. Esboce a região determinada pelas curvas y = x2 e y = 4x − x2 .


A interseção das curvas é obtida pela resolução do sistema:

y = x 2
→ x = 0, x = 2
y = 4x − x2
A região D = {(x, y) ∈ IR2 /0 ≤ x ≤ 2, x2 ≤ y ≤ 4x − x2 }

Exemplo 63. Esboce a região determinada pelas curvas y2 − x = 1 e y2 + x = 1.


A interseção das curvas é obtida pela resolução do sistema:

x = y 2 − 1
→ y = −1, y = 1
x = 1 − y 2
A região D = {(x, y) ∈ IR2 / − 1 ≤ y ≤ 1, y 2 − 1 ≤ x ≤ 1 − y 2 }

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS


ZZ
Exemplo 64. Calcular xydA, em que D é a região delimitada pelas curvas y = x, y = 0 e
D
x + y = 2. Esboce a região de integração.

Exemplo
ZZ 65. Seja D a região do plano xy delimitada pelos grácos de y = x2 e y = 2x. Calcule
(x3 + 4y)dA, aplicando o teorema de Fubini e mostre que o resultado é o mesmo.
D

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

Exemplo 66. Dena as integrais iteradas para ambas as ordens de integração, representando a
região. Indique qual seria a melhor escolha e resolva esta integral.
Z1 Z1
2
ex dxdy
0 y

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

Exemplo 67. Esboce a região R delimitada pelos grácos das equações dadas. Se f é uma função
contínua arbitrária, expresse como uma integral iterada e inverta as integrais.

a) y = x, x = 4 e y = 0
b) y = x3 , x = 0 e y = 8

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

9.3 Mudança de Coordenadas em Integrais Duplas

Existem algumas integrais duplas, onde a região de integração diculta a resolução. É possível atra-

vés de mudança de coordenadas obter uma região de integração mais simples e para isso utilizamos

jacobianos.

9.4 Mudança para Coordenadas Polares


ZZ
Exemplo 68. Calcule sen(x2 + y 2 )dA, onde D é o semicírculo x2 + y 2 ≤ 1 e y ≥ 0.
D

Note que esse exemplo ca muito trabalhoso. Para facilitar podemos trabalhar com as coorde-

nadas polares. 
 x = r cos θ


Lembrando que as coordenadas polares são dadas por: y = rsenθ

 x2 + y 2 = r 2

Fazendo um raciocínio análogo ao que foi feito na seção anterior, considere um setor circular ou

retângulo polar e divida-o em sub-retângulos polares, como na gura.

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 104


CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

Considerando uma divisão innitesimal com dθ e dr, isto é, considerando os retângulos polares

innitesimais como retângulos convencionais com dimensões rdθ (comprimento do setor) e dr, temos
que a área é dA = rdrdθ.

Sendo assim, segue que


ZZ ZZ
f (x, y)dxdy = f (r cos θ, rsenθ)rdrdθ.
D Dθ,r

O fator r que aparece no novo cálculo do dA é chamado de Jacobiano e pode ser calculado

usando as relações entre coordenadas cartesianas e polares. Esse cálculo será mostrado após a

generalização da mudança de variável.

De forma
Z Z genérica, considere agora uma mudança de variável qualquer para uma integral dupla
do tipo f (x, y)dA, em que f (x, y) é contínua em D:
 D
x = x(u, v)
y = y(u, v)
∂(x,y)
com o jacobiano J= ∂(u,v)
̸= 0.

Nesse caso, aplicamos o teorema:

Teorema 7. Se f (x, y) é uma função contínua sobre a região D e existem as funções diferenciáveis
da forma

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 105


CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS


x = x(u, v)
y = y(u, v)
∂x ∂x
com o jacobiano J = ∂(x,y)
∂(u,v)
= ∂u
∂y
∂v
∂y
, ou ainda, ∂(x,y)
∂(u,v)
= 1
∂(u,v)
∂(x,y)
∂u ∂v
então, vale a igualdade:
ZZ ZZ
∂(x, y)
f (x, y)dxdy = f (x(u, v), y(u, v)) dudv.
∂(u, v)
D Du,v

Observe que o jacobiano está no módulo dentro da integral isso porque a área é dxdy = ∂(x,y)
∂(u,v)
dudv .

Observação
 13. Para coordenadas polares temos
x = r cos θ
, então,
y = rsenθ
∂x
∂r
= cos θ, ∂x
∂θ
= −rsenθ, ∂y
∂r
= senθ, ∂y
∂θ
= r cos θ.

Calculando o jacobiano para essas equações, temos:


∂x ∂x
∂(x, y) ∂r ∂θ
cos θ senθ
J= = ∂y ∂y
= = r.
∂(r, θ) −rsenθ r cos θ
∂r ∂θ

Note que é a mesma expressão encontrada na dedução no cálculo de área feito anteriormente.

Exemplo
ZZ 69. Seja D a região limitada pelas retas y = −x, y = x, y = x + 2 e x + y = 2, calcule
(x + y)dxdy .
D

Efetuando a mudança de variáveis


 
u = y − x x = v−u
2
e isolando x e y, obtemos com
v = x + y y = u+v
2

∂x 1 ∂y 1 ∂y
∂u
= − 12 ; ∂x
∂v
= ;
2 ∂u
= ;
2 ∂v
= 1
2

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

∂(x,y) − 12 1
J= ∂(u,v)
= 1
2
1
= − 21 ̸= 0
2 1

Região Duv
y=x→u=0
y = −x → v = 0
y =x+2→u=2
x+y =2→v =2

0 ≤ u ≤ 2
Portando, Duv que corresponde ao gráco
0 ≤ v ≤ 2

Cálculo da integral

ZZ ZZ
∂(x, y)
f (x, y)dA = f (x(u, v), y(u, v)) dudv
∂(u, v)
Dxy Du,v

ZZ  
v−u u+v
ZZ
1
(x + y)dA = + − dudv
2 2 2
Dxy Du,v

ZZ Z2 Z2 Z2
1 1
(x + y)dxdy = vdudv = v[u]20 dv =
2 2
D 0 0 0

2 2
ZZ  
v
(x + y)dxdy = =2
2 0
D

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

ZZ
Exemplo 70. Calcule sen(x2 + y 2 )dA, onde D é o semicírculo x2 + y 2 ≤ 1 e y ≥ 0.
D

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

ZZ p
Exemplo 71. Calcular x2 + y 2 dA em que D = {(x, y)/1 ≤ x2 + y 2 ≤ 4}.
D

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

ZZ
Exemplo 72. Calcule x2 dA, onde D = (x, y) ∈ IR2 ; x2 + 4y 2 ≤ 1, x ≥ 0 .


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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

Exemplo 73. Determine o volume do sólido que está sob o parabolóide z = x2 +y2 , acima do plano
xy e dentro do cilindro x2 + y 2 = 2x. Verique se o volume encontrado é coerente comparando com
um sólido conhecido.

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

9.5 Exercícios

1) Calcule as integrais.
Z4 Z1
a) (x2 + y 2 )dydx
2 −1

ZZ 1 ≤ x ≤ 2
b) xy 3 dA onde R
0 ≤ y ≤ 4
R 
ZZ 0 ≤ y ≤ 1
c) xy 2 dA onde R
y ≤ x ≤ √y
R
Z2 Z1
2
d) ex dA
0 y
2

2) Calcule as integrais iteradas e esboce a região de integração em cada caso.


Z1 Zx2
a) (x + 2y)dydx
0 0
Z2 Z2
b) xydxdy
1 y
Z1 Zey

c) xdxdy
0 y
Z Zln x
e

d) ydydx
1 0
Zπ Z
senx

e) ydydx
0 0

3) Nos exercícios seguintes, esboce a região de integração, escreva uma integral dupla equivalente

com a ordem de integração invertida e resolva as duas integrais.


Z1 4−2x
Z
a) dydx
0 2

Z1 Z y
b) dxdy
0 y

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

4) Estabeleça uma integral dupla iterada para achar a área da região.

a)

b)

Z1 Z1
5) Calcule a integral iterada sen(y 2 )dydx.
0 x

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

6) Calcular o volume do sólido limitado acima pelo plano z = 4−x−y e abaixo pelo retângulo

[0, 1] × [0, 2].

7) Calcule o volume do sólido limitado por z = 0, y = x2 , y 2 = x e z = x2 + 4y 2 .

8) Calcule o volume do sólido limitado pelo cilindro x2 + y 2 = 4 e os planos y+z =4 e z = 0.

9) Calcular o volume do sólido (sorvetão) formado pela intersecção da parte positiva das

superfícies x2 + y 2 + z 2 = 18 e z 2 = x2 + y 2 .

10) Calcule o volume do sólido limitado superiormente por z = 2x + y + 4, inferiormente por

z = −x − y + 2 e lateralmente pela superfície denida pelo contorno da região D, limitada pelas


x2
curvas y = x2 − 4 e y= 2
− 2.

11) Calcule o volume do sólido determinado pelo conjunto x ≥ 0, y ≥ 0, x + y ≤ 1 e 0≤z≤


1 − x2 .

12) Calcular o volume do sólido acima do plano xOy delimitado por z = 4 − 2x2 − 2y 2 .

13) Uma piscina circular tem diâmetro de 10 metros. A profundidade é constante ao longo

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 114


CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

das retas de leste a oeste e cresce linearmente de 1 metro na extremidade sul para dois metros na

extremidade norte. Encontre o volume de água da piscina.

Respostas
116 1
1) a)
3
, b) 96, c)
40
, d) e−1

2)
9
a)
20

9
b)
8

4 32 32
c)
9
e − 45

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 115


CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

1
d)
2
(e − 2)

π
e)
4

1
3) a) 1, b)
6

4)
R 5 R 4x−x2
a) A= 0 −x
dydx
R 3 R 9−y
b) A = −3 √ 2
dxdy
− 9−y 2

1
5)
2
(1 − cos 1)

6) 5

3
7)
7

8) 16π

9) V = 36π( 2 − 1) u.v.

224
10) u.v.
15

5
11) u.v.
12

12) 4π u.v.

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CAPÍTULO 9. INTEGRAIS DUPLAS

13) 37, 5π m3

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Capítulo 10

INTEGRAIS TRIPLAS

Analogamente ao que foi feito na integral dupla, denimos a integral tripla da seguinte forma:

ZZZ n X
X m X
l
f (x, y, z)dxdydz = lim f (xi , yj , zk ) ∆x∆y∆z.
l,m,n→∞
B k=1 j=1 i=1

Se B = [a, b] × [c, d] × [r, s] um paralelepípedo, então

ZZZ Zs Zd Zb
f (x, y, z)dxdydz = f (x, y, z)dxdydz.
B r c a

E = (x, y, z) ∈ IR3 ; (x, y) ∈ D



E se e u1 (x, y) ≤ z ≤ u2 (x, y) um sólido qualquer, então:

 
ZZZ ZZ u2Z(x,y)

f (x, y, z)dxdydz = f (x, y, z)dz  dxdy,


 

E D u1 (x,y)

onde D é a projeção do sólido E no plano xy . Se houver necessidade, E pode ser projetado em

qualquer plano coordenado.

Além disso, o volume do sólido E pode ser dado pela integral tripla da função f (x, y, z) = 1,
ZZZ
V (E) = dxdydz.
E

118
CAPÍTULO 10. INTEGRAIS TRIPLAS

Propriedades
De forma análoga a integrais duplas temos:
ZZZ ZZZ
ˆ kf (x, y, z)dV = k f (x, y, z)dV
E E
ZZZ ZZZ ZZZ
ˆ (f (x, y, z) ± g(x, y, z))dV = f (x, y, z)dV ± g(x, y, z)dV
E E E
ZZZ ZZZ ZZZ
ˆ f (x, y, z)dV = f (x, y, z)dV + f (x, y, z)dV , onde E = E1 ∪ E2
E E1 E2

10.1 Cálculo das Integrais Triplas

Caso 1: Domínio D




 a≤x≤b

E ϕ1 (x) ≤ y ≤ ϕ2 (x)



λ (x, y) ≤ z ≤ λ (x, y)
1 2

ZZZ Zb ϕZ2 (x) λ2Z(x,y)


f (x, y, z)dV = f (x, y, z)dzdydx
E a ϕ1 (x) λ1 (x,y)

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 119


CAPÍTULO 10. INTEGRAIS TRIPLAS

Caso 2: Domínio D′




 a≤x≤b

E λ1 (x) ≤ z ≤ λ2 (x)



ϕ (x, z) ≤ y ≤ ϕ (x, z)
1 2

ZZZ Zb λZ2 (x) ϕZ


2 (x,z)

f (x, y, z)dV = f (x, y, z)dydzdx


E a λ1 (x) ϕ1 (x,z)

Caso 3: Domínio D′′




 e≤z≤f

E ϕ1 (z) ≤ y ≤ ϕ2 (z)



ψ (y, z) ≤ x ≤ ψ (y, z)
1 2

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 120


CAPÍTULO 10. INTEGRAIS TRIPLAS

ZZZ Zf ϕZ2 (z) ψZ


2 (y,z)

f (x, y, z)dV = f (x, y, z)dxdydz


E e ϕ1 (z) ψ1 (y,z)

Z1 Z1 Z2
Exemplo 74. Calcule x3 yz 2 dzdydx
0 0 0

π
Z2 Zπ Z
cos θ

Exemplo 75. Calcule ρdρdθdϕ


0 0 0

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 121


CAPÍTULO 10. INTEGRAIS TRIPLAS

ZZZ
Exemplo 76. Calcule xdV , onde E é o sólido delimitado pelo cilindro x2 + y 2 = 25, pelo
E
plano x + y + z = 8 e pelo plano xOy .

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 122


CAPÍTULO 10. INTEGRAIS TRIPLAS

Exemplo 77. Estruture a integral que calcula o volume do sólido limitado pelo cilindro z = 4 − x2
e pelo parabolóide elíptico z = 3x2 + y 2 .

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 123


CAPÍTULO 10. INTEGRAIS TRIPLAS

10.2 Exercícios

1. Calcule a integral tripla:

Z2 Zz2 Zy−z
(a) (2x − y)dxdydz
0 0 0

Z2 Z2z Zln x
(b) xe−y dydxdz
1 0 0
π
Z Zy Zx
2

(c) cos(x + y + z)dzdxdy


0 0 0
ZZZ p
(d) 2xdV , onde E = {(x, y, z) ∈ IR3 ; 0 ≤ y ≤ 2, 0 ≤ x ≤ 4 − y 2 , 0 ≤ z ≤ y}
E
ZZZ
z
(e) dV , onde E = {(x, y, z) ∈ IR3 ; 1 ≤ y ≤ 4, y ≤ z ≤ 4, 0 ≤ y ≤ z}
x2 + z2
E
ZZZ
(f ) 6xydV , onde E está abaxio do plano z = 1+x+y e acima da região do plano xy
E √
limitada pelas curvas y= x, y = 0 e x = 1.
ZZZ
(g) x2 dV , onde T é o tetraedro sólido com vértices (0, 0, 0), (1, 0, 0) e (0, 0, 1).
T
ZZZ
(h) xdV , onde E é limitado pelo parabolóide x = 4y 2 + 4z 2 e pelo plano x = 4.
E
RRR
2. Calcular
E
2zdV em que a região E é a região limitada pelo cilindro y2 + z2 = 1 e pelo

plano x = 1, no primeiro octante.

3. Calcular o volume do sólido em que a região R é a região limitada pelas superfícies z = 0,


z = 4 − x2 , y = 0 e y + z = 4.

4. Calcule o volume do sólido contido no primeiro octante, compreendido entre o cilindro circular

x2 + y 2 = 9 e o cilindro parabólico x2 + 2z = 9.

5. Calcular o volume do sólido limitado pelas superfícies:


(
z = 4 − 2x2 − y 2
z = 2x2 + y 2

6. Calcular o volume do sólido abaixo do plano xOy e delimitado por z = x2 + y 2 − 9.

7. Utilize coordenadas esféricas para calcular o volume do sólido (sorvetão) formado pela in-

tersecção da parte positiva das superfícies x2 + y 2 + z 2 = 18 e z 2 = x2 + y 2 .

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 124


CAPÍTULO 10. INTEGRAIS TRIPLAS

Respostas
16
1. (a)
15
5
(b)
3

(c) − 13
(d) 4

(e)
8
65
(f )
28
1
(g)
60
16π
(h)
3

2
2.
3

128
3. u.v
5

243
4.
32
π u.v.

5. 2 2π u.v.

81π
6. u.v.
2

7. 36π( 2 − 1) u.v.

Material produzido por I. P. Bastos, M. F. Motin e O. P. Xavier 125


Referências

[1] SILVA, P. N. Cálculo Diferencial e Integral: Volume III. [Link]/ calculo.

[2] STEWART, J. Cálculo: Volume II. Cengage Learning, 2013.Sétima Edição .

[3] VENTURI, J. J. : Álgebra Vetorial e Geometria Analática. 10 ed - Curitiba, PR. 1949.

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