Análise Estrutural Não Linear e MEF
Análise Estrutural Não Linear e MEF
1.1 INTRODUCAOs....................................................................................................1
GENERALIDADES................................................................................................................2
Treliças.....................................................................................................................................6
4 APLICAÇÕES......................................................................................................20
4.1 Viga Engastada-Livre..........................................................................................20
4.2 Coluna Engastada-Livre.....................................................................................21
4.3 Pórtico de Lee......................................................................................................22
4.3.1 Influência da Posição do Carregamento e Condições de Apoio.......................23
4.4 Coluna com Contraventamento Lateral.............................................................24
4.4.1 Coluna com Apoio Lateral Rígido......................................................................24
4.4.2 Barra Apoiada como Contraventamento............................................................25
5 CONCLUSÕES....................................................................................................41
REFERÊNCIAS.....................................................................................................................42
1
INTRODUÇÃO
Neste contexto então, a necessidade de projetar estruturas mais leves e eficientes tem
impulsionado a consideração nas análises de efeitos de segunda ordem resultantes de grandes
deslocamentos, semi-rigidez das ligações, inelasticidade do material, imperfeições
geométricas e tensões residuais, os quais podem influenciar significativamente o
comportamento estrutural.
2
GENERALIDADES
3
Figura 1.1 – Componentes estruturais de um edifício usual
Todavia, uma das principais características comum nos trabalhos descritos anteriormente é
que os vínculos do problema são admitidos rígidos isto é, indeslocáveis e indeformáveis.
Contudo, nem sempre o sistema que compõe a fundação tem propriedades mecânicas
suficientes para garantir a vinculação rígida (Figura 1.2). Com isso, diversos pontos da
estrutura sofrem uma deformação não prevista pela análise com vínculos rígidos,
conduzindo a valores de deslocamentos e esforços distintos daqueles inicialmente
calculados. Assim, é necessário incorporar na representação algébrica da superestrutura do
edifício, os efeitos decorrentes das deformações do sistema de fundação para que se possa
ter a análise mais completa do problema em questão.
4
Figura 1.2 – Pórtico
5
Neste trabalho as soluções numéricas são construídas utilizando-se os fundamentos dos
elementos finitos para resolução de estruturas reticuladas divididas em dois grupos,
conforme é mostrado na Figura 1.3.
Treliça
Estrutur Pórtico
as
Reticulad
Grelh
Estrutur
as Treliça
Estrutur Pórtico
as
Reticulad
Pórtico 3D
Enrijecido
(Núcleo
6
i. Uma das dimensões bem maior que as demais (barra): o problema 3D pode
ser reduzido ao espaço 1D, desde que uma das dimensões (vão do elemento, L)
seja suficientemente superior às dimensões (a,b) da seção transversal, ou seja,
L a, b ;
ii. Seções transversais uniformes (barra prismática): A barra é prismática quando
não existe variação de forma das seções ao longo do eixo da barra;
iii. Carregamentos estaticamente aplicados: o carregamento é aplicado de tal
forma que os efeitos da energia cinética podem ser desprezados;
iv. Material homogêneo: qualquer região do corpo representa as propriedades e
fenômenos do todo;
v. Material Isótropo: implica em mesmas propriedades em todas as direções:
vi. Material elasto-linear: implica que em um ciclo de carga-descarga, não há
surgimento de deformações residuais; esse material é linear, quando a relação
tensão-deformação for linear;
u fz yz
7
Figura 2.4 – Trecho da seção de uma viga com deformação por esforço cortante
u
fz y
x
x dz
dx
Já a distorção xy fica:
u fz v v
z
x
xy
y
x
x
x E
x
e
8
xy G xy
Onde,
= fator de forma da seção;
G = módulo de elasticidade transversal.
1
p
1V ( x x xy )dV
xy
12L d 2
1L dv
p E y
z
dAdx G z dAdx
20 A dx 20 A dx
Resolvendo a Eq. (2.43) e lembrando-se que o momento principal de inércia é
I z y2dA , resulta:
A
2
1 d2 1L dv
p z
EIz 2 dx GA z dx
2L dx 20 dx
O trabalho das forças externas transversais é dado por:
W
pyvdx
L
9
Contribuições do Problema de Flexão com Deformação por Cortante
u fz
yz
Onde,
y = distância da fibra ao eixo longitudinal baricêntrico da barra
z = rotação da seção transversal em z.
10
c c
eixo
neutro
x
y e'
e
ux, y
b'
b
Figura 2.4 – Trecho da seção de uma viga com deformação por esforço cortante
u
fz y
x
x dz
dx
Já a distorção xy fica:
u fz v v
z
x
xy
y
x
x
11
Onde,
= fator de forma da seção;
G = módulo de elasticidade transversal.
1
p
2V ( x x xy )dV
xy
12L d 2
1L dv
p E y
z
dAdx G z dAdx
20 A dx 20 A dx
I z y2dA , resulta:
A
2
1 d2 1L dv
p z
EIz 2 dx GA z dx
2L dx 20 dx
W
pyvdx
L
12
dz dz
L 1
p W 2 EIz dx
2 dx dx
1L
0
dv dv L
d L
L d 2
dv
dx
z L EI dx z zdx GA z dxv
2
EIz z
z 0
0 0 L
L d 2v dv
d
z
GA 2 v z z dx pyvdx 0
0 dx dx dx 0
a L2
v a a a 2 a 3
1 2 3 4
a a a
2 6 4 3 4 2
z z
a a a
Onde:
4EIz
z
GAL2
13
Ld Ld1 Ld 2 Ld 3 Ld 4
N1 d
Ld1 L1
d
N2 d
Ld 2 L2
dx
N3 d
Ld 3 L3
dx
L N4 d
L4
d4
dx
Treliças
ux (x) Z1ux1
Z2ux 2
u y ( x) Z1uy1 Z
2uy 2
14
3.1.1. Pórtico Plano
Conforme foi mostrado no Capítulo II, nos pórticos planos estão presentes os
efeitos de flexão unidirecional e axial o que resulta em seis graus de liberdade (ver Figura
Associando-se os graus de liberdade 1 e 4 para os efeitos axiais e os demais para
os efeitos de flexão, a montagem final da matriz de massa do pórtico plano pode ser obtida
AL/3 0 0 AL/6 0 0
(T .j R . j ) (T .j R . j ) 0 (T .j R . j ) (TB .j4 RB .8 j )
(TB
B.j52 RBB. j9 0 - (TBB.j43 B
RB. j8 (TB.j6 RB. j10)
M
B 1 B 7 ) 8 AL/3 7 ) (3.72)
0 0
T
(TB.j1 RB. j7 -(TB.j2 RB. j8
) )
Onde,
, R I
AL
T Z B e as funções ji já foram dadas nas Eqs. (3.45) e (3.46)
B
840
30L
3.1.2. Grelha
Conforme visto no Capítulo II, nas Grelhas estão presentes os efeitos de flexão em
z e de torção uniforme o que resulta em seis graus de liberdade (ver Figura 2.22).
Associando-se os graus de liberdade 1 e 4 para os efeitos de torção uniforme e os
demais para os efeitos de flexão (Timoshenko), a montagem final da matriz de massa de
grelha pode ser obtida por um conveniente espalhamento das contribuições das Eqs. (3.65)
e (3.40) (vide Figura 3.9), resultando em:
Onde,
AL
T e R
2 I Z 2
840 1 3 Z 30L 1 3 Z
15
2 3 5 6
1 4
Barra não-articulada
LIp 2 1 (Tp1 7 ) (Tp2 Rp8 (Tp3 Rp7 ) (Tp4 Rp8 )
5
4 6 Sim 2
+ Rp ) (Tp5 (Tp4 Rp8 (Tp6 Rp10 )
Nó j
Rp9 ) ) (Tp1 (Tp2 Rp8 )
6 (
sim Rp7 ) Tp5 Rp9 )
Nói
2 Efeito de Torção Efeito de Flexão
1 3
1 2 3 4 5 6
LIP /3 0 0 LIP / 0 0
Grelha (Tp1 Rp7 ) (Tp2 Rp8 6 0 (Tp3 Rp7 ) (Tp4 Rp8 )
) 0 -(Tp4 Rp8 (Tp6 Rp10)
Mt
(Tp5 Rp9 ) LIP /3 )0 0
(Tp1 Rp7 -(Tp2 Rp8
Simétrica ) 5 Rp9
)(Tp
)
Como já foi mostrado no Capítulo II, na barra de pórtico espacial estão presentes os
efeitos de flexão bidirecional (flexão em z e em y), tração axial e torção uniforme, resultando
em doze graus de liberdade. Assim, de forma análoga à utilizada para compor a matriz de
rigidez, será utilizada para compor a matriz de massa.
Efeito de Flexão em z
17
144
x
1
2 5 8 11 3
z
(T . j1 R. (T . j2 R. j8 (T . j3 R. j7 (T . j4 Rj8 ) 4 6
j7 ) (
(T . j ) R. j (T . j ) j. p
ˆ
T . 6j R. 10j )
5 9 4 8 z
) ) (T . j1 R. j7 (T . j2 R. j8
) )(T . 5j R. 9j ) Pórtico Espacial
sim
Figura 3.10 - Composição da Matriz de Massa Local para a barra de Pórtico Espacial.
Conforme foi visto no Capítulo II, a análise estática da barra de núcleo foi
construída fazendo-se o estudo prévio de cada problema (tração, flexão e torção)
independentemente; só então, por superposição de efeitos, as formas finais da matriz de
rigidez e do vetor nodal equivalente do núcleo estrutural foram concluídas. Diferentemente
do caso estático, quando a barra está submetida dinamicamente a efeitos de torção e flexão,
as equações governantes do problema tornam-se acopladas, isso requer que o problema
seja tratado pela análise simultânea de todos os efeitos. Assim, parte-se então para a
geração das equações de movimento desse elemento estrutural, a partir da aplicação do
princípio de Hamilton.
17
145
1 FUNDAMENTOS PARA ANÁLISE ESTÁTICA NÃO LINEAR
Contudo, a maioria das estruturas apresenta comportamento não linear até atingir
seu limite de resistência. Há necessidade de adotar uma análise não linear, capaz de
descrever o comportamento real da estrutura sob condições anormais ou extremas de
carregamento, e próximas do seu limite de resistência. Mediante a análise não linear,
considera-se de forma apropriada os efeitos associados às não linearidades que
influenciam o comportamento estrutural. Como resultado, tem-se um aumento da
complexidade do problema e do custo computacional.
18
Pv Pv
Ph
Antes do
carregamento
Durante o carregamento
18
1.2 Formulação do Elemento Finito Não Linear
,u
y QjPj ,j vj
v
x u j Mj ,
j
Qi, vi
Pi, ui i x L
X
Mi , i
d
k dx
P
EAxx
Q GA
M Eik
y
j
ui
(x)
(S)
i vj
v(x)
u(x) vi
(S)
i x j
L
18
t T t
Keg R Ke R
tt f at RT tt
i
f
ig
cos
sin sin 00 0 0 0
0 0 0
cos
0 0 1 0 0 0
R 0
0 0 0 cos sin
0 0 0 sin cos
0
0 0 0 0 0
1
ESTÁTICA
Entrada de Dados
ANÁLISES DINÂMICA
• Flexibilidade da • Flexibilidade da
ligação Resultados
Quando se aplica o Método dos Elementos Finitos (MEF), para cada região
(elemento finito) se estabelece um comportamento local aproximado, de tal forma que
as incógnitas do problema possam ser definidas em função das mesmas incógnitas nos
pontos nodais desse elemento. Avaliando a energia potencial total, e somando as
contribuições de cada elemento, chega-se a um sistema total de equações, cuja solução
permite conhecer os valores das incógnitas nos pontos nodais.
sendo Fr um vetor de referência que descreve as cargas externas aplicadas, tal que somente
a direção é relevante; um parâmetro de carga responsável por escalonar Fr; e Fi o vetor
de forças internas que é função dos deslocamentos, U, nos pontos nodais da estrutura.
Um método eficiente para solucionar sistemas de equações não lineares deve ser
capaz de resolver problemas numéricos relacionados ao comportamento não linear.
Deve conseguir traçar toda a trajetória de equilíbrio do sistema estrutural em análise,
detectando e percorrendo todos os pontos singulares ou críticos que possam surgir.
Esses pontos críticos são classificados em dois tipos: pontos limites, que incluem os
fenômenos de snap-through (salto dinâmico controlado por carga) e snap-back (salto
dinâmico controlado por deslocamento); e pontos de bifurcação, que resultam de duas
ou mais trajetórias de equilíbrio. Os pontos comentados são mostrados na Figura 3.1.
Carga
Carga
Deslocamento Deslocamento
pelo ponto (tU, t), seleciona-se um incremento inicial de carga, , fixado como
primeiro incremento do parâmetro de carga. A contar desse momento, determina-se o
Ur
K1Fr
Por meio de uma abordagem de aumento gradual de carga, é possível realizar uma
seleção automatizada do incremento inicial do parâmetro de carga, por exemplo, para
restringir o comprimento de arco (CRISFIELD, 1981; 1991
Nesse sentido, é possível atualizar os parâmetros de carga e os deslocamentos totais
através do procedimento a seguir:
tt t
0
tt U t U
0
U
2.1.2 Ciclo de Iterações: Método de Newton-Raphson
k k 1
k
sendo que:
1,6
1,4
1,2 u/L
1,0 v/L
0,8
0,6
0,4
0,2 0,0 0,4 0,8 1,2
1,6
0,0
u/L; v/L
Realiza-se nesta subseção a análise de uma coluna na qual uma das extremidades é
engastada, enquanto a outra permanece livre, conforme ilustrado na Figura 4.3(a). A
referida coluna possui comprimento L, com rigidez à flexão representada por EI, sendo
E o módulo de elasticidade e I o momento de inércia da seção transversal da coluna. Na
porção superior da coluna, atua uma carga concentrada de intensidade P. Para evitar
dificuldades numéricas associadas ao ponto de bifurcação, introduz-se uma pequena
imperfeição de carga através da consideração do momento M de intensidade a 0,001PL
conforme mostra a Figura 4.3.
8
7
P
6
u 5
PL²/(EI)
4
L
3 Nove elementos
Dois elementos
Quatro elementos
Southwell (1941)
2
0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
u/L
P
0,2L
u
v
E = 720 L
L = 120
A=6
I=2
A Figura 4.5 ilustra as trajetórias de equilíbrio obtidas para o Pórtico de Lee. São
representadas as curvas carga-deslocamento obtidas controlando os deslocamentos
horizontal
(u) e vertical (v) do ponto de aplicação da carga. Na Figura 4.5 é possível observar que
fenômenos de instabilidade só ocorrem após grandes deslocamentos.
6,0
P
u
u
4,0 v v
2,0
P
-2,0
0 20 40 60 80 100
Tabela 4.1 Carga e deslocamento vertical (Plim, v) referentes aos pontos limites
Além disso, com a finalidade de se obter as duas regiões da trajetória pós crítica
(bifurcação assimétrica), foram inseridas excentricidades na carga. Considerou-se a
carga aplicada à esquerda da seção que interliga viga e coluna gerando uma rotação
positiva (sentido anti-horário) nessa seção, e a carga atuando à direita da ligação viga-
coluna, provocando uma
rotação negativa (sentido horário), como mostra a Figura 4.6. A excentricidade, posição
P e+
Condição
L (1)
Condição
L
de atuação da carga, está indicada pela letra e nessa figura. Cabe destacar que, para
inserir a carga à esquerda da ligação entre os dois membros, um novo elemento
estrutural e, portanto, um outro elemento finito foi considerado.
0,3 0,1
P/Pe
0,2
0,1
0,0
-60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60
(graus)
3.4 Coluna com Contraventamento Lateral
P P P P
L L L L
b b b b
4,5
P 4,0
3,5
3,0
2,5
P/Pe
L 2,0
1,5
b 1,0
0,5
0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
b/L
Figura 4.12 Carga crítica para variações na posição do contraventamento: Caso
A7,0
P 6,0
1,0
P 0,9
0,8
0,7
L
0,6
P/Pe
0,5
L b
0,4
0,3
b
0,2
0,1
0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
b/L
P 5 6
A
e/L = 0,001 B–b/L=0,3
5
e 4 A–b/L=0,3
A-b/L=0,7
θA
4
-b/L=0,7
3 θA -
P/Pe
P/Pe
θB b/L=0,3 θA
b 3
- b/L=0,7 θB
B - b/L=0,3 e/L = 0,1
2
θB - b/L=0,7
2
1
1
0
0
0 20 40 60 80 100 120
0 20 40 60 80 100 120 140
140 160 180 200 220
160 180 200 220
(graus)
(graus)
3.4.2 Barra Apoiada como Contraventamento
Condição (1)
E, Ab, Lb, Ib
E, Ac, Lc, Ic
Condição (2)
Condição (3)
Condição (4)
7,0 4
3
6,0
(1)
5,0 (2)
Ic = Ib
Lc =
4,0 2Lb
P/Pe
(3)
3,0 (4)
2
2,0
1
1,0
0,0
-60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60
(grau
4 CONCLUSÕES
Por fim, após a análise dos elementos estruturais esbeltos, pode-se concluir que
através da avaliação do comportamento não linear das estruturas, é possível obter um
comportamento mais próximo do real, o que permite pensar em processos de análise
mais bem elaborados a fim de proporcionar aos engenheiros e calculistas avaliações
mais seguras quanto à capacidade de carga da estrutura e níveis de deslocabilidade.
REFERÊNCIAS
CHAPMAN, S. J. Fortran 90/95 for Scientists and Engineers. 2nd ed. McGraw-Hill,
2003.