Ensino de Português L2: Abordagem Psicolinguística
Ensino de Português L2: Abordagem Psicolinguística
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Resumo
Apresentam-se neste texto noções fundamentais no quadro do ensino-
aprendizagem do português como língua segunda (L2) ou de outra L2. Discutem-
se ao longo do texto conceitos basilares como aquisição e aprendizagem,
processamento procedimental ou declarativo, memória operatória ou memória de
longo prazo. O intuito de trazer à tona um conjunto de fundamentos que sustentam
uma abordagem psicolinguística ao ensino de línguas é o de contribuir para a
formação inicial ou contínua dos docentes em exercício ou em formação que se
interessem pelos processos que ajudam a explicar dificuldades e sucessos do
processo de aprendizagem de uma L2. Apela-se a uma atitude exploratória e
inquisitiva por parte dos mesmos docentes.
Palavras-chave: português L2; ensino-aprendizagem de uma L2;
processamento de uma L2
Abstract
This text presents fundamental concepts within the framework of teaching and
learning Portuguese as a second language (L2) or another L2. Throughout the text,
basic concepts such as acquisition and learning, procedural or declarative
processing, working memory or long-term memory are discussed. The purpose of
bringing to light a set of foundations that support a psycholinguistic approach to
language teaching is to contribute to the initial or ongoing training of practicing or
aspiring teaches who are interested in the processes that help explain difficulties
and breakthroughs in the L2 learning process. It calls for an exploratory and
inquisitive attitude on the part of these teachers.
Keywords: L2 Portuguese; L2 teaching-learning; L2 processing
Introdução
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O bom professor
Há estudos que pretendem aferir a qualidade dos professores (Hanuschek & Rivkin
2006; Kane & Staiger 2008; Kane et al. 2013; Cid 2017; Reis et al. 2021), e que podem
ser discutidos a diversas vozes e luzes. O denominador comum nestas publicações conflui
na prova de que o professor tem um impacto duradouro no desempenho escolar imediato
e a longo prazo do aluno, bem como na sua vida profissional futura. Fala-se aqui da
atuação de qualquer docente, da sua preparação, da sua atitude em sala de aula e da sua
motivação para a docência. Inescapável é concluir, como Reis et al (2021), que, apesar
de os alunos apresentarem características variáveis (idade, sexo, formação académica dos
pais, situação socioeconómica, entre outras), “[u]m bom Professor faz, portanto, a
diferença nas aprendizagens” (Reis et al, 2021; 8), independentemente dos parâmetros
que sejam considerados na definição do bom professor e que podem variar.
Claxton (2021) resume o que se espera de um bom professor. Em primeiro lugar,
“they need to ‘know their stuff’” (p. 21), o que nos remete para o conhecimento científico.
“They need to able to explain it well, in ways that are appropriate to age, ability and
aptitude of the students” (p.21), por outro lado. Não só é necessário um conhecimento
sólido do funcionamento da L2 em ensino, como é crucial que o docente saiba ensiná-la
tendo em atenção os aprendentes que partilham a sala de aula. Nesse sentido, é necessário
“ask good diagnostic questions to ascertain who has ‘got it’ and who needs more time or
help” (p.21), portanto é crítico que saibamos interpretar sinais de dúvida, de
incompreensão ou de alienação. Mais uma vez, numa perspetiva mais pedagógico-
didática, o autor sublinha que “[they] need to be good coaches (...) and design training
exercises that are achievable but challenging enough” (Claxton 2021: 21). Pode, por isso,
dizer-se que conhecimento científico, competência didática e empatia são fundamentais.
Uma base científica sólida parte, sem dúvida, de uma formação inicial de qualidade,
mas depende também, e talvez sobretudo, das oportunidades de formação ao longo da
vida que não raramente são vistas como motores de melhoria, de atualização, de regresso
a uma mentalidade mais experimental, mais aberta, menos centrada nas questões
burocráticas do exercício da profissão.
No que respeita à capacidade didática, também ela alimentada pela formação ao
longo da vida e pela constante motivação para procurar novas fontes de conhecimento,
destacar-se-ia a capacidade de resolução de problemas e a imaginação. Curiosamente,
duas competências consideradas fulcrais para o futuro, em geral (Pölönen 2023). São
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estes, aliás, os motores da capacidade para antecipar problemas, para desenhar materiais
e atividades adequados aos interesses do público aprendente, fugindo a um modelo único
ou à dependência dos manuais escolares.
Por outro lado, o que tende a cativar para o ensino, numa primeira instância, é a
motivação para contribuir positivamente para a formação humana e académica de
crianças e adultos, dependendo do contexto de ensino em que atuamos. No que toca à
empatia, pode dizer-se que contribui para a consideração de diferenças individuais dos
aprendentes, para a compreensão e apoio e, inevitavelmente, para a consciência da
multidimensionalidade da identidade plurilingue, tanto no caso de aprendentes mais
novos, como sobretudo no caso do aprendente adulto pelo seu capital de experiência e
conhecimento prévios em várias línguas, dado que para muitos o português não é a
primeira L2 que aprendem. Uma identidade adulta construída em contextos diversos e em
várias línguas pode facilitar a apropriação de uma nova língua, mas pode também lançar
desafios (Kramsch 2009; Thompson 2011) relacionados com o papel imposto pelo
contexto de sala de aula.
Há, contudo, que abordar aqui, o que de fundamental contribui para a qualidade do
docente: o conhecimento científico de base que permite desenvolver e construir uma
abordagem pedagógico-didática no campo do português L2 (mas também de outras L2s).
Nesse sentido, há áreas informativas da ação docente que não se podem contornar, como
é o caso dos estudos do bilinguismo ou dos processos cognitivos, mas também
neuropsicolinguísticos (Lopes & Pinto 2021), que regem a aprendizagem de uma ou mais
línguas.
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a MO retém a informação, processa e ensaia a sua utilização, por ser um mecanismo que
envolve processamento em ação. A memória procedimental é um tipo de MLP que
armazena conhecimento automatizado, cujos erros podem ser detetados igualmente pela
MO, aquando da prática do procedimento em causa. Este tipo de armazenamento é
implícito, isto é, consiste num saber-fazer prático, como andar de bicicleta ou falar a
língua materna (L1). Estas ações são levadas a cabo sem pensar, portanto sem planear a
sua execução. Em regra, não sabemos sequer, a menos que estudemos estes
procedimentos de um ponto de vista teórico, explicá-las sem as executarmos. Na verdade,
este tipo de memória permite-nos desempenhar o chamado multi-tasking, porquanto os
automatismos sobrecarregam menos a MO quando comparados com outros sistemas
processuais.
Ao contrário, mas complementarmente, a memória declarativa é construída de forma
consciente e está acessível também nesse plano. Contém informação explicável, porque
as regras que regem esse conhecimento estão disponíveis para análise. Essa informação
é explícita e pode ser evocada para recodificação pela MO de forma controlada. Como
fornece pistas e estratégias para resolução de problemas com base em conhecimento
explícito e consolidado, a memória declarativa contribui para que a MO dê resposta a
questões em resolução.
Estes dois sistemas, o procedimental e o declarativo estão na base de dois importantes
processos de apropriação de uma L2: a aquisição e a aprendizagem ou o continuum
aquisição-aprendizagem (Odisho 2007), que se discutirá na subsecção seguinte.
Falta ainda, porém, abordar a memória episódica, que pode ser vista como
componente da declarativa, por ser acessível a análise. Este é um tipo de MLP que nos
permite recordar experiências pessoais, assim como contextos e emoções que lhes estão
associadas. É um registo autobiográfico que enquadra a informação que vai sendo
processada ao longo da vida.
No que concerne à aprendizagem de uma L2, a memória episódica leva a que o
aprendente se recorde de uma determinada aula ou conteúdo, de uma qualquer situação
comunicativa associada às emoções e perceções sensoriais do local e do tempo em que
aconteceu. A memória episódica permite narrar momentos que, associados a elementos
de natureza sensorial ou a emoções positivas, podem levar a uma recuperação de
informação linguística mais fácil. Isto leva a que seja inevitável refletir acerca do já
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mencionado ecossistema construído na sala de aula e na forma como ele pode contribuir
para um uso mais eficiente da L2.
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Atenção
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De facto, a atenção pode explicar-se como uma tomada de consciência, mas qual é o
seu papel no processo de aprendizagem? Por que razão não é suficiente uma exposição
prolongada, constante, a uma L2 para a podermos usar? Em que difere a compreensão da
L2 do seu uso automático?
No caso da apropriação de uma língua adicional, uma L2, a atenção dirigida leva, por
exemplo, com frequência a que tomemos consciência das relações interlinguísticas que
existem entre os sistemas linguísticos que já conhecíamos e/ ou usávamos e aquele que
está em processo de aprendizagem, a que se pode chamar L3, na perspetiva de
Hammarberg (2001). Há, pois, aspetos da L2 que nos podem, subitamente, parecer fazer
sentido quando antes nos confundiam.
Schmidt (1990) relata exatamente esta tomada de consciência relativamente a
elementos do português que, embora tivessem sido ensinados explicitamente em contexto
de sala de aula, não tinham sido retidos por ele, nem usados conscientemente, isto é, em
pleno domínio das palavras que compunham uma estrutura muito presente nas conversas
que já era capaz de encetar em português L2. Isto significa que o facto de uma certa
estrutura ser ensinada não implica que tenha sido aprendida (Ellis 2009). Mas também
quer dizer que nem sempre o uso da língua deriva do seu conhecimento explícito.
Finalmente, revela que parecem existir duas vias de processamento que não se cruzam.
Uma que nos permite usar certos sons associados a uma sequência com significado, sem
sabermos decompor esses sons em palavras, e outra que domina essas sequências de uma
forma controlada. São duas vias que dependem dos dois processos de apropriação de uma
L2 já mencionados: aquisição e aprendizagem.
A Noticing Hypothesis de Schmidt (1990) implica distinguir a perceção da
compreensão. O autor explica desta forma:
A atenção pode ser explicada, portanto, como uma forma de inibir certos estímulos
a favor de outros, num patamar percetual que antecede a tomada de consciência do
conteúdo do estímulo que tem precedência. É este processo que permite a compreensão,
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4.2 Motivação
No caso da motivação ou do grau de envolvimento que cada aprendente sente no
decurso do processo de aprendizagem, falamos de um conjunto de fatores, intrínsecos e
extrínsecos, que levam a que cada pessoa se sinta mais ou menos comprometida com o
objetivo de usar a língua que aprende. Não será por acaso que a motivação é vista como
um dos fatores mais imprevisíveis e incontroláveis do processo de aprendizagem em
contexto de instrução formal. Depende de muitas variáveis, algumas das quais totalmente
impercetíveis para ambos os lados intervenientes. Se, por um lado, há características
individuais do aprendente que podem levá-lo a ter um comportamento que não se coaduna
com as expectativas do docente, também este e a sua atitude podem não ir ao encontro do
que o público perceciona como um bom professor. Há neste conjunto de expetativas das
duas partes uma impossibilidade de previsão ou até de correspondência, muitas vezes.
Há, então, algo que possa ser controlado no campo da motivação? Olhamos para a
motivação intrínseca como um fator aleatório ou aceitamos agir no quadro de um
continuum intrínseco-extrínseco?
Talvez valha a pena considerar, para além de algumas diferenças individuais
debatidas adiante, o que é mais específico no campo da motivação dentro da sala de aula.
A crescente personalização que se preconiza para o ensino é tanto mais necessária
quanto os públicos aprendentes se configuram heterogéneos. As movimentações
crescentes de públicos que precisam ou querem, pelos mais diversos motivos, aprender,
por exemplo, português L2 levam a que surjam nos diversos contextos de ensino,
curricular ou privado, aprendentes com necessidades diversas. Ir ao encontro desses
interesses acarreta dificuldades que não se prendem com a introdução de atividades
lúdicas ou que despertem ânimo instantâneo, mas que estão objetivamente ligadas à
abordagem dos conteúdos a ensinar, à forma como se lhes dá resposta didática e ao
ecossistema construído na sala de aula.
Nesse sentido, a exploração do potencial do aprendente é essencial. Desse potencial
fazem parte as experiências de vida, as outras línguas, os interesses, as características
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individuais de cada um. Dir-se-á que em grupos grandes não é possível chegar a um tal
detalhe, talvez com alguma razão. Não será, porém, pesem as dificuldades, relevante ter
em mente a observação de comportamentos, a informação de preferências, de dados
demográficos ou um grau razoável de aproximação empática a quem passa tanto tempo
numa sala de aula? Não fará essa aproximação parte da aclamada generosidade de que
está imbuída a profissão de professor? Este tipo de manifestação de empatia está
tradicionalmente mais associado a públicos aprendentes infantis ou adolescentes, contudo
será de descartar com públicos adultos e seniores? O testemunho de Thompson (2011)
faz-nos refletir sobre a necessidade de mostrar abertura e compreensão precisamente
nesse contexto, até porque a experiência de aprender outra língua pode ser, amiúde, mais
desafiante para quem há muito não se vê numa sala de aula. Assinar o contrato implícito
que está subjacente à inscrição de um curso de L2 é, para muitos, difícil por levar a uma
consciência diferente de si mesmo num processo em que o aprendente se coloca
novamente no papel vulnerável de quem não sabe. Se para muitos há um desafio
agradável envolvido nesse retorno, para outros essa posição é ingrata, num primeiro
momento. Thompson (2011) pergunta “who am I in this new language?” (p. 62) por se
sentir incapaz de ser ele mesmo na língua que aprendia.
Aprender outra língua implica uma reorganização mental e emocional que, por sua
vez, causa ansiedade a muitos (Dewaele et al. 2018). Há uma identidade em construção
numa certa língua que até aí não existia, mas há também inseguranças várias na
construção linguística de um pensamento já consolidado noutra(s) língua(s) (Kramsch
2009).
Manter um ambiente positivo, menos normativo, nada autoritário pode ajudar a
construir um ecossistema de sala de aula mais leve, centrado numa atitude de controlo do
aprendente sobre o processo de aprendizagem, na medida em que a sensação de perda
desse controlo é prejudicial ao conforto do aprendente adulto (Gabrys-Barker 2016).
Afastar a ideia de que tudo o que, como docentes, trazemos para a sala de aula é
novo. A condescendência é fatal em qualquer contexto de ensino, mas é sobretudo
perniciosa no caso dos aprendentes adultos e séniores, não raramente mais experientes do
que o docente que os acompanha (Pfenninger & Singleton 2019). Para além da
reavaliação de identidade experienciada por Thompson (2011), o mesmo autor refere ter-
se sentido um tanto infantilizado na sala de aula, por ser corrigido de forma porventura
mais dura do que esperava. Tendo em consideração que a própria experiência de voltar à
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sala de aula remete para a infância, no caso de muitos aprendentes adultos, o ideal será
resistir à correção constante que quebra o fluxo de pensamento e que leva o aprendente
adulto a sentir-se desconsiderado na partilha das suas experiências, ainda que a forma
linguística não seja sempre aquela que se considera correta.
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se, isto é, um aprendente pode mesmo solicitar a correção explícita, continuada, por se
sentir mais seguro dessa forma. Por outro lado, estratégias corretivas implícitas podem
levar a que o aprendente não reconheça força corretiva no comentário que recebe (Ellis
2021; Nassaji e Kartchava 2017).
Na verdade, as noções de “implícito” e “explícito”, frequentemente usadas neste
texto, carecem de definição no quadro do feedback corretivo, isto é, no extremo esquerdo
do continuum ensino-aprendizagem. Sendo certo que são predominantemente usadas
quando se trata de caracterizar o extremo direito, a aprendizagem (que também ganha em
ser vista como par da aquisição), é relevante que se olhe de um ponto de vista pedagógico,
estratégico, para este binómio, na medida em que sabemos que traduz o funcionamento
das duas vias primordiais de apropriação de conhecimento, procedimental e declarativa.
Ellis (2021) define com precisão a correção explícita em oposição à implícita. A
primeira “makes it clear to the learner that a correction has been made or is needed”,
enquanto no caso da segunda a “corrective force is masked because it is potentially
performing some other function” (Ellis 2021: 341). A correção explícita é óbvia, enquanto
a implícita pode consistir numa negociação do significado, numa aparente
incompreensão, ou numa reformulação simples.
Envereda-se neste texto pelo continuum explícito-implícito defendido por Ellis
(2021) por se considerar que faz parte de um quadro pedagógico mais amplo centrado no
aprendente e nas suas diferenças individuais, bem como numa conceção de ensino que
considera a procura da Zona de Desenvolvimento Proximal fundamental (Vygotsky,
2007). Significa isto que ambos os tipos de estratégias devem ser tidos em conta, assim
como deve ser considerada a necessidade de trânsito nesse continuum numa mesma
situação de ensino ou com o mesmo aprendente. Ellis (2021) chama-lhe “scaffolded
feedback” (p.356), lançando mão tanto de Vygotsky (2007) como de Bruner (1966) (ver
também Wood, Bruner e Ross, 1976) para explicar a necessidade de gradação e de
adequação ao aprendente como indivíduo, até porque a reação à correção varia
interindivual e intraindividualmente. O mesmo aprendente recebe a correção de forma
diferente ao longo do processo de aprendizagem, na medida em que talvez necessite de
correção mais explícita no início do processo, mas reconheça sem dificuldades uma pista
implícita mais adiante por se encontrar já mais familiarizado tanto com os erros mais
frequentes, como com as formas corretas. E aprendentes diferentes tendem a reagir de
forma também variável à mesma estratégia corretiva por razões que se prendem com a
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4.4 Treino
Numa entrevista à Fundação Francisco Manuel dos Santos em 2021 1, Rui Costa,
neurocientista, alude à necessidade de treinar movimentos físicos no sentido de os tornar
cada vez mais próximos de uma resposta automática e melhorada. Com efeito, qualquer
aprendizagem tem de ser treinada de molde a consolidar-se e tornar-se disponível para
recuperação noutros momentos.
Se bem que Paradis (2009) afirme que o conhecimento que aprendemos não se
transforme em conhecimento adquirido, Ullman e Lovelett (2016) explicam que a
informação é sempre processada por ambas as vias. Essa mecânica paralela leva a que,
dependendo do uso que fizermos dos novos conhecimentos, uma das duas vias
processuais tenha precedência sobre a outra. Quer isto dizer que quanto mais treinarmos
estruturas linguísticas, mais provável é que elas se tornem mais presentes e que sejam
evocadas e usadas com maior grau de automatização. Em suma, a repetição é útil, muito
embora não signifique que deva ser aborrecida. É no desenho de estratégias e de
atividades didáticas que se joga com uma repetição criativa. Cabe ao docente procurar ou
criar oportunidades de treino que apelem à motivação do aprendente e que dependam de
estímulos variados sob pena de se tornarem só repetições monótonas.
Conclusão
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Disponível em [Link] (último acesso a 24 de setembro de
2023).
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