Estou escrevendo porque essa é a única forma que encontrei para conseguir me expressar com clareza.
Falar tudo isso pessoalmente é muito difícil para mim, especialmente quando estou fragilizada. Minha
cabeça apaga, minha voz falha e, no final, o que eu precisava dizer se perde. Então, por favor, leia com
atenção.
Você me disse que eu projetava pessoas em você — minha mãe, a Jainna — quando, na verdade, eu só
queria te contar o que me fazia mal. Eu te pedi, com carinho, que não me chamasse de “Kimberlly”. Eu
odeio quando me chamam assim. E você, naquele momento, entendeu, me chamou de "linda",
"esposa", "maravilhosa", e eu me senti acolhida. Isso me fez feliz. Por isso, eu quis te contar por que
aquele nome me dói tanto, porque você merece saber.
É como alguém que vai ao cabeleleiro e toma um corte na orelha, a proxima vez que for a qualquer
barbearia vai pedir cuidado ao pé da orelha, não porque acha que ele é igual ao outro barbeiro e que vai
cortar outra vez sua orelha.Não é projeção, é precaução. Vem do medo, e é um medo real, cabível.
Então entenda, meu coração pesou como se uma bigorna tivesse caído sobre mim. Você falou aquilo,
"reage, supera, CHEGA CHEGA".
E eu fiquei perdida. Como eu deveria reagir? Você disse que eu precisava superar. Como se fosse algo
simples, um comentário bobo, uma crítica comum. Mas não é. É um trauma. Um ferimento profundo
que se reabre toda vez que ouço aquele nome, especialmente naquele tom.
Tudo que eu queria naquele momento era um abraço. Que você dissesse que estava tudo bem eu chorar,
que eu podia sentir medo.
Tinhamos passado a noite retrasada conversando ,eu te ouvi, te acolhi, estive do seu lado enquanto você
falava das suas inseguranças sobre abandono e troca.
E, no nosso quarto, quando foi a sua vez de demonstrar dor, eu te abracei. Mas quando foi a minha vez,
você editava fotos e mandava eu “reagir” no final gritando três vezes a palavra chega.
Eu não saí do quarto porque estava brava. Saí porque eu precisava respirar. O quarto estava sufocante, e
eu precisava de ar. Eu só precisava espaço pra me acalmar, e não dava com você agindo daquele jeito
comigo.
Isso machuca em lugares muito profundos. Isso desperta cicatrizes que você conhece. Eu não reabro
feridas passadas suas não mereço que você faça comigo. Caso eu faça sem notar, é algo que preciso
tratar pra que pare, caso essa mágoa passar, e você ainda me amar, vamos nos tratar, pelo bem um do
outro e do nós, vamos nos casar como queriamos, não será em Maio ou mesmo Junho, só saberemos
quando estivermos fazendo o tratamento individual cada qual com sua psicologa. E talvez no fim de
Junho a começo de Julho, nós nos reencontremos, dessa vez, medicados e em tratamento psicologico.
Pra mim nossa explosão foi uma junção de fatores, eu sem dormir, você sem os remédios e com a
cocaina na mente, eu só peço que pare de usar isso, não so por nós no relacionamento mas por você,
hoje eu percebo que não lhe faz bem, continue com o tratamento pelo caps e tome seus remédios,
podemos ser melhores juntos, nos machucamos e agora é hora da cura, eu te amo e sei que se veio me
procurar sente o mesmo.
Mas entenda: essa é minha verdade dos fatos daquele começo de manhã. Pode não ser a mesma que a
sua. E está tudo bem. O importante é que ambas sejam ouvidas.
Eu quero te ouvir e quero ser ouvida, quero reforçar comportamentos bons para o relacionamento e
deixar para trás coisas que nos faziam doer, como usar o discord, sei que isso lhe trai inseguranças e
posso não mais usar, sei que ja me omiti de conversas onde eu deveria ter falado e por isso nunca mais
quero chegar a te tratar com o silencio, quero me cuidar estando ai, tanto do físico pra te acompanhar
em suas aventuras na trilha, quanto meu psicologico como ser humano.
Assim, eu quis que você soubesse de tudo isso. Porque te amo. Porque quero que a gente funcione.
Porque ainda acredito que vale a pena.