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Evolução da Jurisprudência em Direitos Humanos

O documento analisa a evolução jurisprudencial dos sistemas regionais internacionais de proteção aos direitos humanos, destacando a diferença entre direitos civis, políticos, sociais e econômicos ao longo da história. Ele discute a criação de órgãos jurisdicionais na Europa e na América para a aplicação das convenções de direitos humanos e as dificuldades enfrentadas na implementação desses direitos. Além disso, menciona a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Pactos da ONU como marcos na proteção dos direitos humanos.

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Evolução da Jurisprudência em Direitos Humanos

O documento analisa a evolução jurisprudencial dos sistemas regionais internacionais de proteção aos direitos humanos, destacando a diferença entre direitos civis, políticos, sociais e econômicos ao longo da história. Ele discute a criação de órgãos jurisdicionais na Europa e na América para a aplicação das convenções de direitos humanos e as dificuldades enfrentadas na implementação desses direitos. Além disso, menciona a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Pactos da ONU como marcos na proteção dos direitos humanos.

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17/04/13 Envio | Revista dos Tribunais

A EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DOS SISTEMAS


REGIONAIS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO AOS
DIREITOS HUMANOS

A EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL DOS SISTEMAS REGIONAIS


INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS
Revista dos Tribunais | vol. 722 | p. 10 | Dez / 1995
Doutrinas Essenciais de Direitos Humanos | vol. 6 | p. 1263 | Ago / 2011DTR\1995\503
Jete Jane Fiorati
Professora de Direito Internacional Privado da Unesp e Doutora em Direito

Área do Direito: Geral

Sumário:

[Link] Sistemas Regionais Internacionais de Proteção aos Direitos Humanos - 2.A Jurisprudência dos
Sistemas Regionais Internacionais de Proteção aos Direitos Humanos - [Link]ções Finais

1. Os Sistemas Regionais Internacionais de Proteção aos Direitos Humanos


A expressão "Direitos Humanos" sempre foi utilizada em diversos contextos. Boa parte da doutrina
jurídica originária dos Estados que se regem pelo Direito Continental prefere a denominação
"Direitos Fundamentais da Pessoa Humana" enquanto nos Estados que se filiam ao sistema do
Direito Consuetudinário é usual a expressão "Direitos Humanos". Apesar das diferenças relativas à
sua designação, inexistem dúvidas quanto ao significado da expressão "Direitos Humanos": são
direitos essenciais da pessoa humana e seu reconhecimento configuram um imperativo para o
desenvolvimento da civilização.
Não restam dúvidas quanto ao seu significado, tal não ocorre com o conteúdo da expressão
"Direitos Humanos". Historicamente os primeiros doutrinadores a prefigurar um conteúdo mínimo de
tais direitos foram os Iluministas e Contratualistas durante o seco XVIII, cujas idéias terminaram
por influenciar as Declarações Americana e Francesa de Direitos. Vislumbra-se nestas Declarações
que os direitos à vida, propriedade e igualdade, também conhecidos por Direitos Civis ou Direitos
Humanos de Primeira Geração, eram aclamados como direitos essenciais à pessoa humana.
Posteriormente, no final do seco XIX e início deste século, foram acrescentados ao rol dos direitos
humanos os direitos ao trabalho, à educação gratuita, à previdência e assistência social e à
proteção do Estado, dentre outros. Tais direitos, conhecidos como Direitos Econômicos e Sociais
ou Direitos Humanos de Segunda Geração, tornaram-se objeto de disciplina jurídica constitucional,
seguindo o caminho trilhado pelos Direitos Civis e Políticos.
Na segunda metade deste século, novos direitos fundamentais se fizeram presentes com as
profundas modificações tecnológicas, demográficas e democráticas advindas: os direitos à
informação, à privacidade, ao ambiente sadio, do consumidor, enfim, os direitos que dizem respeito
a uma sadia qualidade de vida, também conhecidos por Direitos Difusos ou Direitos Humanos de
Terceira Geração, igualmente objeto de proteção jurídica constitucional nos sistemas ocidentais.
A partir do término da Segunda Guerra os Direitos Humanos e sua Proteção tornam-se objeto de
preocupação internacional, uma vez que os Estados, esgotados com a guerra e com o genocídio,
dispuseram-se a criar uma organização internacional que congregasse todos os povos em torno
dos ideais de paz e justiça e de respeito aos direitos humanos. Surgiu a Organização das Nações
Unidas (ONU) em 1945 e já em 1948 foi aprovada no seu âmbito a "Declaração Universal dos
Direitos Humanos". É aceitação geral que a Declaração Universal não possui natureza obrigatória,
por não se tratar de uma Convenção ou Tratado embora seja imensa a sua influência nos
ordenamentos jurídicos nacionais e sua jurisprudência e em Convenções Internacionais. Hersch
Lauterpach, em interessante estudo, enfatizou o posicionamento dos representantes dos Estados
à época da Declaração, demonstrado o consenso geral em não se aprová-la com cunho de
obrigatoriedade. 1 No Brasil, Francisco Rezek 2 e Cançado Trindade 3 enfatizam a natureza de
compromisso moral conferido à Declaração pelos Estados à época de seu nascimento e
hodiernamente.
Em 1966 foram adotados dois Pactos complementares à Declaração de 1948: o Pacto das Nações
Unidas para os Direitos Civis e Políticos e o Pacto dos Direitos Econômicos e Sociais. Ambos os
Pactos criaram um sistema próprio para a implementação dos direitos humanos neles contido.
Relativamente ao pacto das Nações Unidas para os Direitos Civis e Políticos nota-se que a
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existência da previsão de um sistema de relatórios e reclamações inter-estatais dotando-se o


Comitê de Direitos Humanos (órgão vinculado à ONU) de competência facultativa para o exame
das reclamações e, por último, de um sistema de petições individuais ao mesmo órgão. Este
sistema terminou por criar obrigações aos Estados Partes na Declaração no que tange à promoção
de medidas completas para a implementação dos Direitos Civis e Políticos.
No que tange aos Direitos Econômicos e Sociais, que também se consubstanciam em objeto de um
Pacto da ONU, este somente possui um sistema de relatórios, uma vez que sua implementação
somente poderá ser apreciada se forem observados o grau de desenvolvimento específico de cada
Estado e a atuação da ONU através de suas agências especializadas. Embora o Pacto dos Direitos
Econômicos e Sociais tenha influenciado algumas Convenções Internacionais como a Carta Social
Européia, este ainda se apresenta com alto grau de dificuldade para a sua implementação, uma
vez que suas prescrições são tomadas como standards não obrigatórios ficando sob a égide das
autoridades nacionais o poder de transformá-las em deveres coercitivos a serem respeitados pelo
próprio Estado pela sociedade ou pelos indivíduos em relação a outros indivíduos.
Destarte observa-se que a proteção global dos direitos humanos sofre uma série de revezes,
principalmente devido às diferenças de todo o gênero existentes entre os Estados, o que dificulta
a formulação de um minimum standard necessário à aplicação e interpretação das normas
consubstanciadas nos Pactos, que possam servir como parâmetros inderrogáveis pelos Estados.
Por outro lado, inexiste um Tribunal Especializado em Direitos Humanos no âmbito da ONU e a
Corte Internacional de Justiça não possui jurisdição obrigatória, apenas jurisdição subsidiária no
que se refere à aplicação e interpretação das normas imperativas (dentre elas as normas de
proteção aos direitos humanos), uma vez que o art. 66, a da Convenção de Viena sobre Tratados
de 1969 estabelece que apenas o Estado Parte na controvérsia referente à norma imperativa
poderá submetê-la à Corte, não sendo necessária a aceitação da outra parte para julgamento do
litígio, desde que tenham sido tentadas outras formas de solução pacífica. Indivíduos e grupos
sociais não têm acesso à Corte Internacional de Justiça.
No entanto, a proteção regional dos direitos humanos, iniciada no imediato Pós-Guerra na Europa
vem obtendo sucesso, quer pelas experiências comuns de violações contra os direitos humanos
acarretadas pelas práticas do Nazifacismo, quer pela relativa semelhança de valores e condições
econômicos existentes no plano interno dos Estados-Partes. Da Europa a sistematização regional
de proteção aos direitos humanos se espraiou para a América.
O Sistema Europeu de Proteção aos Direitos Humanos surgiu em 4 de novembro de 1950 quando
representantes de treze Estados Europeus reunidos em Roma firmaram a Convenção Européia para
a Proteção dos Direitos e Liberdades Fundamentais. Esta Convenção entrou em vigor em 3 de
setembro de 1953 com o depósito do décimo instrumento de ratificação pelo Grão Ducado de
Luxemburgo. Sofrendo modificações em 1952, 1963, 1966, 1983, 1984, 1987 e 1992 por nove
Protocolos, esta Convenção possui efeito vinculante sobre os seguintes Estados: Aústria,
Alemanha, Bélgica, França, Chipre, Dinamarca, Espanha, Grécia, Irlanda, Islândia, Itália,
Liechteinstein, Luxemburgo, Noruega, Holanda, Portugal, Reino Unido, Suíça, Suécia, Malta,
Finlândia, Turquia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Polônia e Bulgária.
A Convenção Européia de Direitos Humanos contém no seu bojo sessenta e seis artigos sendo que
os primeiros dezoito prescrevem direitos substanciais, de Primeira e Terceira Geração, enquanto
que os restantes estabelecem um sistema jurisdicional de proteção aos direitos enunciados na
Convenção, através da formação de uma Comissão e de uma Corte Européia de Direitos Humanos,
bem assim a sua organização e funcionamento. Esta Convenção foi complementada por nove
Protocolos e pela Carta Social Européia de 1961, que tem por modelo o Pacto dos Direitos
Econômicos e Sociais da ONU, disciplinando os Direitos de Segunda Geração.
A diversidade na implementação dos direitos civis e políticos, sociais, econômicos e difusos é
estabelecida pelo art. 11, II, da Convenção Européia: enquanto os direitos civis e políticos são
inderrogáveis, os direitos sociais, econômicos e difusos não gozam do mesmo caráter. Segundo
Rosalyn Higghins os direitos civis e políticos, possuem caráter de " jus cogens", enquanto os
direitos econômicos, sociais e difusos somente podem ser implementados gradativamente. 4
Já o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos teve seu embrião na Quinta
Reunião de Ministros das Relações Exteriores da OEA, realizada em Santiago do Chile, onde foi
constituída a Comissão Jurídica Interamericana, que conforme o art. 105 da Carta da OEA tinha
funções consultivas para questões jurídicas e também a incumbência de elaborar uma Convenção
sobre defesa e garantia das liberdades, bem assim a de definir uma estrutura jurídica especializada
nas controvérsias decorrentes dos direitos humanos. Nessa reunião acertou-se também a criação
de uma Comissão de Direitos Humanos semelhantes à existente no âmbito do Conselho da Europa.
Em 1960 foi aprovado o Estatuto da Comissão de Direitos Humanos e eleitos os seus integrantes,

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sendo que em 1969 aprovou-se a Convenção Americana de Direitos Humanos que entrou em vigor
em 1978 instituindo-se a Corte Interamericana de Direitos Humanos em 1969. São Estados
Participantes da Convenção: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador,
Guatemala, Haiti, Honduras, Granada, Jamaica, México, Nicaragua, Peru, República Dominicana,
Suriname, Uruguai e Venezuela.

A Convenção Americana de Direitos Humanos não difere muito de sua congênere Européia. 5 De
forma semelhante à Convenção Européia, a Convenção Americana não disciplina direitos sociais,
econômicos e culturais, recomendando aos Estados Partes no seu art. 26 a progressiva realização
dos direitos econômicos e sociais contidos na Carta da OEA. Em 1988 foi firmado o Protocolo
Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais, mais conhecido por Protocolo de El Salvador que traz no seu art. 1.º a
obrigação de adotar medidas previstas na medida de suas reais condições econômicas, adotando
disposições de direito interno que permitam a sua real implementação.
No entanto, a grande inovação trazida pelos Sistemas Regionais de Proteção aos Direitos Humanos
foi a criação de órgãos com jurisdição para decidir acerca da aplicação e interpretação das
Convenções. No entender de Robertson, as Convenções Européia e Americana criaram uma Ordem
Jurídica Comum em ambos os continentes no que se refere aos Direitos Humanos. Diz Robertson:
"As the Law of Convention, not only creaties obligations for States, but also rights which are
enforceable by individuals, it is establishes in the field of civil liberts, a new legal order designed to
the substitute for the particular systems of individual States a commom european order. The
jurisdiction and operation of the Comission and Court are subject to rules in which the commom
public interests is overriding". 6
Ambas as Cortes, Européia e Interamericana, exercem funções de interpretação e aplicação das
respectivas Convenções aos casos concretos, independentemente da autorização in casu dada
pelos Estados envolvidos para que referidos tribunais conheçam das lides. A autorização é
concedida pelo Estado por determinado período e renovada automaticamente, desde que não haja
objeções do mesmo. Se houver qualquer objeção, a autorização anterior se estenderá até o
término dos processos em curso. Hodiernamente no Sistema Europeu de Proteção aos Direitos
Humanos apenas a Turquia, a Eslováquia, a Bulgária, a Polônia e a Hungria não conferiram a
jurisdição obrigatória ou o reconhecimento de competência à Corte. No Sistema Interamericano a
Argentina, a Costa Rica, o Equador, Honduras, o Uruguai, o Suriname e a Venezuela concederam a
autorização para o julgamento de litígios em que sejam Parte Demandada à Corte Interamericana.
Em ambos os Sistemas Regionais as denúncias de violações às Convenções perante as Cortes
somente poderão ser feitas pelas Comissões Européia e Interamericana de Direitos Humanos,
conforme prescrições contidas no arts. 47 da Convenção Européia e 48 da Convenção Americana.
No que tange ao Sistema Europeu, em 1992, com a assinatura do Protocolo n. 9 à Convenção
Européia, torna se possível às vítimas o acesso direto à Corte Européia. Este Protocolo ainda não
se encontra em vigor devido ao fato de não ter sido ratificado pela metade dos Estados Membros
da Convenção, número necessário para a sua vigência.
A Comissão Européia de Direitos Humanos possui funções jurisdicionais que se consubstanciam na
conciliação e administrativas visando à averiguação, informação e interposição de demandas
perante a Corte Européia. No "Caso Lawless" a primeira sentença prolatada pela Corte Européia de
Direitos Humanos a Comissão é caracterizada como amica Curie, "um auxiliar do Tribunal a quem
deve ajudar e ilustrar". 7
Diversamente de sua congênere européia, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos possui,
além das funções administrativas ligadas a averiguação e interposição de demandas perante a
Corte Interamericana e funções jurisdicionais consubstanciadas na conciliação, também funções
políticas presentes no art. 41 da Convenção que estabelece que a principal função da Comissão é
o estímulo da conscientização das realidades envolvendo o respeito aos direitos humanos entre os
povos da América, formulando Recomendações aos governos dos Estados Membros da OEA no
sentido de adotarem medidas progressivas em prol dos direitos humanos. Destarte a Comissão
Interamericana faz relatórios e visitas ad hoc para avaliar a real importância e as possíveis
violações aos direitos humanos.
Em ambos os Sistemas Regionais de Proteção aos Direitos Humanos, dois são os atos que contém
as decisões das Cortes acerca das questões que lhes são submetidas: as sentenças e os
pareceres. As sentenças decidem dos litígios envolvendo violações às Convenções, enquanto os
pareceres são opiniões emitidas pelo Plenário das Cortes, quando consultadas pelos Estados
Signatários da Convenção (no sistema europeu) ou da OEA (no sistema interamericano).
As sentenças possuem caráter meramente declaratório, não tendo o poder de desconstituir um
ato interno como a anulação de um ato administrativo, a revogação de uma lei ou a cassação de
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uma sentença judicial. A única exceção prevista ocorre quando a decisão da autoridade da Parte
Contratante é oposta às obrigações derivadas da Convenção e o direito da Parte Contratante não
puder remediar as conseqüências desta disposição, caso em que as Cortes deverão conceder ao
lesado uma reparação razoável, conforme se deflui dos arts. 50 da Convenção Européia e 63 da
Convenção Americana. Quanto aos Pareceres, é digno de menção o fato de serem mais comuns no
âmbito americano, haja vista de que poucos Estados partes autorizam a jurisdição da Corte em
casos em que estivessem em situação de Parte Demandada.
2. A Jurisprudência dos Sistemas Regionais Internacionais de Proteção aos Direitos
Humanos
2.1. Jurisprudência Dominante na Corte Européia de Direitos Humanos
Sendo função do Tribunal de Estrasburgo a interpretação da Convenção Européia de Direitos
Humanos e sua aplicação aos casos concretos, é possível, após uma análise perfunctória,
observar que nestes mais de trinta anos de labor jurisprudencial foram cristalizadas algumas regras
de interpretação no seio da Corte Européia e houve uma delimitação do alcance de algumas
expressões jurídicas inseridas na Convenção Européia.
Embora tenha elaborado nestes trinta anos alguns paradigmas interpretativos, inexiste a
vinculação de interpretação para a solução de controvérsias a ele submetidas, nos moldes do
direito consuetudinário ( stare decision). Em sua atividade jurisdicional, a Corte Européia de
Direitos Humanos (também conhecido por Tribunal de Estrasburgo) se assemelha a uma Corte ou
Tribunal Supremo segundo o modelo jurídico vigente na Europa Continental. No entanto, enquanto
um Tribunal Continental interpreta a Constituição e as leis infraconstitucionais à luz do sistema
jurídico que evoluiu durante mais de dois milênios (não pode esquecer que o direito continental
deriva do direito romano) e hodiernamente se apresenta consolidado, o Tribunal de Estrasburgo
tem como paradigma legislativo, de caráter genérico, apenas a Convenção e Nove Protocolos que
se consubstanciam em palavras vagas e ambíguas a serem interpretadas à luz de princípios gerais
de direito internacional. Este fato motivou a Corte a estabelecer parâmetros e princípios gerais em
suas decisões.
A primeira tendência dominante na Jurisprudência da Corte Européia diz respeito ao acesso à
Comissão e, indiretamente, à própria Corte. O art. 25 da Convenção Européia estabelece: "A
Comissão pode conhecer de qualquer petição dirigida ao Secretário Geral do Conselho da Europa
por qualquer pessoa física, organização não governamental ou grupo de particulares, que se
considere vítima de uma violação...". Portanto, somente às vítimas da violação poderão peticionar
à Comissão.
No seu labor inicial, a Corte entendeu que vítima era aquela que sofresse diretamente a violação
dos direitos previstos na Convenção, conforme se deflui da leitura do "Caso Linguístico Belga". 8
Posteriormente no "Caso X contra República Federal da Alemanha" cuja conciliação foi viabilizada
perante a Comissão Européia, visível o entendimento de que a vítima não era somente aquela que
sofresse diretamente a violação, mas também aquelas indiretamente afetadas por esta violação.
No caso em lume, "X" fora internado em um hospício e sua mulher peticionou à Comissão
denunciando as violações aos direitos do marido e a Comissão compreendeu que a peticionária era
considerada vítima nos termos do art. 25 da Convenção. 9
Em 1976, no "Caso Kdjelsen contra a Dinamarca" a Corte permitiu que Busk Madsen e Pedersen,
peticionários conjuntamente com Kdjelsen à Comissão, questionassem também a violação ao art.
2.º do Protocolo n. 1 à Convenção relativamente ao fato de se aferir se a obrigatoriedade de
educação sexual nas escolas ofendia a obrigatoriedade do sistema educacional de respeitar as
convicções morais e familiares das crianças embora ambos, que eram pais, não possuíssem filhos
em idade escolar, por considerá-los "vítimas futuras de futuros abusos". 1 0
Por outro lado, no "Caso Kass contra República Federal da Alemanha" relativo à " surveillance" a
Corte considerou que uma lei poderia violar os direitos de um indivíduo que potencialmente
pudesse ser afetado por ela, em virtude da ausência de meios específicos para a sua
implementação. A Corte decidiu que um indivíduo poderia considerar-se vítima de uma violação
"ocasionada pela mera existência de medidas secretas ou de uma legislação permitindo medidas
secretas, sem ter que alegar que tais medidas foram de fato aplicadas", 1 1 o que significa dizer que
é possível a existência de uma vítima de violação mesmo que esta não pudesse comprovar o dano
causado.
Esta decisão foi posteriormente repetida nos "Casos Marckx contra Bélgica" e "Dudgeon contra
Reino Unido". No "Caso Marckx" a Corte considerou que "a existência de uma lei (o Código Civil
(LGL\2002\400) Belga) que violasse de per se o direito do indivíduo devido à ausência de uma
medida de implementação daria a este o direito de reinvindicar sua condição de vítima. 1 2 Já no
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"Caso Dudgeon" a Corte enfatizou que a "mera existência de uma legislação - "The 1885 ACT" -
que interferia contínua e diretamente sobre a vida privada" permitia ao peticionário sustentar a
violação de seus direitos. 1 3
Já no "Caso Campbell e Cosans contra Reino Unido" a Corte considerou os pais dos menores
Campbell e Cosans "vítimas indiretas" e os autorizou a demandar o Reino Unido devido à existência,
na escola em que estudavam os filhos, de castigos corporais como punição, o que no caso de
Campbell, já punido representara segundo a Corte, violação ao art. 3.º da Convenção (tratamento
desumano e degradante) e no caso de Cosans "risco iminente de violação". 1 4 A noção de risco
iminente teve sua configuração em outro caso posterior, o "Caso Soering contra Reino Unido": a
possibilidade de extradição de Jean Soering para a Virgínia, onde havia cometido duplo homicídio,
acarretava-lhe sério risco de condenação à morte, o que lhe dava a possibilidade de reinvindicar
ser vítima de "iminente risco de violação futura. Por outro lado, ao decidir, a Corte avaliou o risco
iminente, ao analisar a possibilidade de aplicação da pena de morte, sustentado que se a
extradição fosse implementada haveria a violação do art. 3.º, mesmo que na Virgínia Soering não
fosse condenado à morte. 1 5 Subentendeu a Corte que o Estado teria violado o seu dever de
diligência em relação à sua função básica de proteção aos direitos humanos.
Outra tendência dominante da Jurisprudência da Corte refere-se à interpretação autônoma própria
das expressões que em Direito são denominadas de conceitos indeterminados, sem observância
específica da interpretação destes conceitos usuais nos Estados Membros do Conselho da Europa.
Um dos primeiros casos de interpretação autônoma, visando a determinar o alcance das
expressões obscuras contidas na Convenção foi o da norma contida no art. 3.º: "Ninguém poderá
ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamentos desumanos ou degradantes", quando a
Comissão Européia delimitou o conceito de tortura, no chamado Caso Grego.
No Caso Grego, ocorrido em meados dos anos setenta, oriundo da reclamação dirigida à Comissão
Européia pela Dinamarca, Suécia, Noruega e Holanda contra a Grécia, contendo denúncias de que
os dirigentes gregos, militares que tomaram o poder em golpe de Estado, estavam,
sistematicamente, detendo e torturando seus opositores, numa contínua violação dos direitos
mínimos de uma parcela da população grega. Ao elaborar um relatório sobre a reclamação a
Comissão definiu os elementos que consubstanciavam a prática de tortura para os efeitos do art.
3.º da Convenção Européia: "a tortura implica a sofrimento severo e injustificado,
intencionalmente infligido, para obter informações ou confissões, com o consentimento ou
aquiescência das autoridades ou funcionários agindo em capacidade oficial". 1 6 Após alguns anos,
estes elementos foram incorporados pelo art. 1.º da Convenção das Nações Unidas para a Tortura
e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos e Degradantes.
Relativamente ao "tratamento desumano ou degradante", a Corte clarificou o conceito ao decidir
que penas de açoitamento em presídios militares ou não, 1 7 penas de castigos corporais para
infrações de regulamentos escolares, 1 8 e as "cinco técnicas de interrogatório", 1 9 analisadas no
Caso Irlanda contra Reino Unido 2 0 constituem tratamento desumano e degradante.
Em grande número de processos a Corte foi chamada a julgar a expressão "prazo razoável"
presente no art. 5.º, § 3.º: "Qualquer pessoa presa ou detida nas condições previstas na § 1.º, c,
do presente artigo, deve ser apresentada imediatamente a um juiz ou magistrado habilitado pela
lei para exercer funções judiciais e tem direito a ser julgada em prazo razoável, ou posta em
liberdade durante o processo. A colocação em liberdade pode estar condicionada a uma garantia
que assegure o comparecimento do interessado em juízo".

Através de uma leitura atenta dos "Casos Rigeinsein, 2 1 Weimhoff, 2 2 Foti, Lentini e Cerini", 2 3 é
possível estabelecer alguns critérios para a determinação da "razoabilidade" do prazo de duração
da prisão preventiva: a duração da detenção; a duração da detenção e suas relações com a
ofensa imputada ao detento; a pessoa do detido e a circunstâncias em que se deram os fatos; o
comportamento do acusado no decorrer do processo; as dificuldades e complexidades de cada
caso relativamente à persecução penal; a conduta das autoridades judiciais frente ao processo.
Em outros julgamentos a Corte foi chamada a interpretar duas expressões contidas no art. 6.º, §
1.º "direitos e obrigações em matéria civil" e acusação em matéria penal".
Segundo a Corte "direitos e obrigações em matéria civil serão aqueles reconhecidos como tal no
plano interno de cada Estado como direito civil, e aqueles que, embora não tendo natureza civil ou
pertencendo ao domínio do direito público ou administrativo, influíssem diretamente sobre a
situação jurídica do requerente". 2 4 Esta decisão foi confirmada nos "Casos Golder contra Reino
Unido", 2 5 "Sporrong e Lonnroth contra Suécia" que versava sobre decisão administrativa relativa

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ao uso da propriedade e "Koning contra República Federal da Alemanha.
Quanto à "acusação em matéria penal", a interpretação é semelhante; "é acusação em matéria
penal não somente aquela que se liga à prática de conduta típica descrita em lei penal, mas todas
as acusações, inclusive perante tribunais administrativos que restrinjam a liberdade dos acusados
ou quaisquer direitos como o de exercer uma profissão". 2 8 Semelhante decisão se encontra no
"Caso Konig", onde um médico teve contra si a proibição de exercer a medicina exarada por um
tribunal administrativo responsável por litígios nas áreas relativas à competência de organismos
privados com relevante função pública. 2 9
Desde a resolução do "Caso Linguístico Belga" uma das grandes conquistas interpretativas do
Tribunal versa sobre a questão da dicotomia entre as obrigações positivas e negativas.
Inicialmente concebida pelos membros do Conselho da Europa como uma Carta de Direitos
Individuais, a Convenção Européia sempre foi interpretada por muitos governantes dos Estados
como fonte de obrigações negativas, como a obrigação de não intervir no livre acesso à educação
(art. 2.º, do Protocolo n. 1), obrigação de não intervir no direito de associação sindical (art. 11)
ou de não perturbar a vida privada e familiar (art. 8.º). Tal concepção foi erodida a partir da
sentença do "Caso Linguístico Belga", quando a Corte afirmou que "a mera abstenção de
intervenção do Estado era insuficiente para garantir os direitos previstos na Convenção, sendo
necessárias muitas vezes, atividades do Estado para a real implementação de um direito previsto
na Convenção, mesmo que sua formulação pudesse ser, inicialmente, negativa. Esta atividade in
casu, diz respeito à obrigatoriedade do Estado de reconhecimento da validade dos estudos
efetuados em escolas particulares que ensinavam em língua minoritária nas diversas regiões da
Bélgica". 3 0
No "Caso Golder", a Corte enfatiza que o Estado "tem a obrigação de facilitar a qualquer cidadão o
direito e o acesso a um tribunal, uma vez que o direito a um processo justo é primordial condição
para a existência de uma sociedade democrática". 3 1 Outro dever do Estado se consubstancia na
garantia a qualquer cidadão desprovido de meios econômicos, do direito à assistência jurídica
gratuita. 3 2 No "Caso Marckx", a Corte compreendeu que o respeito à vida privada inclui a
obrigatoriedade para o Estado "de oferecer a uma criança nascida fora do matrimônio e à sua mãe
os meios jurídicos adequados para levar uma vida familiar normal". 3 3 Em 1988 no julgamento do
"Caso da Plattform Arzte fur Das Leben" envolvendo a Áustria, a Corte sentenciou que o "direito à
liberdade de reunião pacífica (art. 11) não pode se reduzir a um mero dever por parte do Estado
de não interferir, e um concepção puramente negativa não seria compatível com o objeto e
propósito do art. 11. Como o art. 8.º, o art. 11 por vezes requer medidas positivas a serem
tomadas, mesmo na esfera das relações entre indivíduos, se necessário". 3 4
Típica preocupação dos anos noventa, a proteção ambiental foi objeto da Comissão e da Corte
Européias de Direitos Humanos. Nos anos oitenta a Comissão chegou a examinar algumas
denúncias que versavam sobre questões ambientais, notadamente à poluição sonora nas
proximidades de aeroportos, à luz do art. 8.º da Convenção, que prescreve o direito à privacidade,
e do art. 1.º do Protocolo n. 1, relativo ao gozo de bens e posses, como os "Casos Zimmermam
contra Suiça" e "Powell e Rayner contra Reino Unido. 3 5 Em 1990 foi tema de uma denúncia à
Comissão a construção de usina nuclear na França (Petição X contra França). Embora o caso não
tivesse prosseguimento devido ao não esgotamento dos recursos internos, a Comissão situou a
questão como violação potencial ao art. 8.º, enfatizando que, "virtualmente todos os efeitos
ambientais, inclusive poluição sonora, poluição do ar, riscos nucleares, ou modificações no clima
regional podem afetar a privacidade". 3 6 Cançado Trindade argumenta que, "o art. 8.º pode
também cobrir os efeitos ambientais potenciais, se as conseqüências para o meio ambiente forem
previsíveis (isto é, constituírem um alto risco) se forem graves e irreparáveis e concernirem à
privacidade dos indivíduos, e se efetivamente também constituírem uma ameaça de perda de vida
ou afetarem a qualidade de vida. 3 7
Como exemplo deste posicionamento pode ser citada a petição de alguns representantes da
minoria Lapona da Noruega ("Petição Lapps contra Noruega") perante a Comissão em que um
pastor, um pescador e um caçador alegaram desrespeito potencial ao seu estilo de vida particular,
ao seu direito à privacidade, por ato governamental, permitindo a construção de uma usina
hidrelétrica cuja represa inundaria parcialmente o vale que constituía a sua morada. Sustentou a
Comissão que, embora a petição fosse inadmissível pela ausência de esgotamento de recursos
internos, esta modificação ambiental poderia constituir uma interferência na vida privada dos
membros da minoria, uma vez que o respeito à vida privada inclui o respeito pelo estilo de vida. 3 8
Finalmente a Corte reconheceu no "Caso Fredin contra Suécia" em 1991 que na sociedade

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hodierna a proteção ambiental é essencial ao compatibilizar o interesse do indivíduo relativo ao


gozo de seus bens com o interesse geral ou propósito legítimo da proteção ambiental. 3 9 Trata-se
da limitação do direito de propriedade de um indivíduo como obrigação imposta ao Estado de
garantir, através desta limitação, o ambiente saudável a todas as outras pessoas.
A compatibilização do interesse geral e dos direitos fundamentais do homem sempre constituiu
fundamento para a interpretação da Convenção pela Corte Estrasburgo. Enunciada no "Caso
Linguísticos Belga" a frase "A Convenção tem como fundamento um justo equilíbrio entre
salvaguarda do interesse geral da comunidade e o respeito aos direitos fundamentais do homem,
ainda que atribuindo um valor particular a estas últimos", 4 0 foi novamente utilizada nos Casos
Klass e Sporrong e Lonnronth" 4 1 alem do "Caso Fredin". Mister a ênfase de que ainda não se pode
falar em Jurisprudência da Corte" no que tange à proteção ambiental, mas já despontam, conforme
observado, algumas tendências jurisprudenciais. Por outro lado, a Corte utiliza-se de princípios
para avaliar a interpretação elaborada internamente, pelas Autoridades dos Estado Membros
acerca dos arts. 8.º, § 2.º 4 2 e 10, § 2.º, 4 3 que implica em restrições ao gozo dos direitos
enunciados na Convenção tendo em vista uma série de argumentos, que vão desde a razón d'Etat
até a proteção da saúde pública. Quaisquer restrições são aferidas segundo dois princípios: a
"margem de apreciação que o Estado utiliza para complementar as disposições vagas e ambíguas
das normas convencionais, buscando sua real significação frente à situação concreta aos quais
serão aplicados e a "interpretação restritiva das restrições ao exercício dos direitos encartados,
na Convenção ou limitação implícita". Ambos os princípios não se excluem, mas complementares: a
Corte se abstém examinar as motivações que levaram tribunal interno a decidir, restringindo os
direitos garantidos na Convenção, porém, avalia a Corte se esta restrição é compatível, excessiva
ou insuficiente.
Em diversos casos, o Tribunal de Estrasburgo teve que avaliar medidas tomadas pelos Estados
Membros que violavam os direitos consagrados na Convenção, em virtude da ocorrência de
situações que colocavam em risco o Estado Democrático. Em todos estes casos, a Corte não
contestou a apreciação que o Estado Demandado fez sobre a necessidade das medidas restritivas
dos direitos consagrados na Convenção, avaliando apenas se estas medidas eram compatíveis
com as previsões da Convenção que restringem mencionados direitos. Como exemplo podem ser
citados o "Caso Irlanda X Reino Unido", onde a existência de perigo público que ameaçava a vida
da nação motivou medidas restritivas aos direitos humanos para extirpá-lo: a Corte apenas
examinou se estas medidas eram compatíveis com as restrições aos direitos consagrados, sem
entrar no mérito da existência ou não do perigo, bem assim de sua gravidade ou intensidade. 4 4
Outro caso elucidativo foi o Caso Dudgeon, onde a Corte não discutiu se a proibição de
determinadas práticas sexuais era contrária à moral vigente, mas sim se esta proibição para a
preservação da moral não interferia excessivamente na vida privada, sem entrar no mérito da
legalidade ou ilegalidade das proibições contidas no 1885 Act. 4 5

No entanto, foi no Caso Sunday Times contra Reino Unid 4 6 que melhor ficou expresso o fato de
que, as vezes, pode ser muito difícil efetuar a compatibilização destes dois princípios. A Corte
admite no quinquagésimo nono parágrafo da sentença que a Câmara dos Lordes, Tribunal Interno,
tem uma "margem de apreciação" para averiguar se a interferência das Autoridades (Attorney
General e Tribunais Inferiores) no direito protegido e sua fruição pelo requerente era necessária
para a manutenção do fundamento da sociedade democrática consubstanciada na garantia da
imparcialidade do Poder Judiciário. 4 7 No sexagésimo parágrafo da decisão, a Corte enfatiza que
sua função é verificar se a limitação do direito à liberdade de expressão consubstanciada no
Contempt of Court 4 8 foi necessária para a garantia da sociedade democrática através da
preservação da imparcialidade do Poder Judiciário. Onze juízes consideraram que o Reino Unido
violara a Convenção porque excessiva restrição ao direito de liberdade, fundamentando sua
decisão em uma série de argumentos. Segundo estes juízes, injustificada a alegação de que a
publicação dos artigos sobre a talidomida pelo referido jornal feria a imparcialidade do Poder
Judiciário nas circunstâncias em que se encontrava o processo, suspenso para que as partes
negociassem uma indenização, suspensão esta que já completara cinco anos à época da
publicação do artigo e que, sendo assim a obrigatoriedade de não publicar feria não somente o
direito da imprensa de informar como o do público de ser corretamente informado (pars. 65-66).
Continuando, estes juízes afirmam que injustificada a proibição porque os processos contra a
"Distillers Co." estavam suspensas a vários anos e como as negociações pareciam infindáveis, seria
de interesse do povo do Reino Unido receber a correta informação sobre o efetivo funcionamento
do Poder Judiciário, uma vez que somente o bom funcionamento deste Poder pode efetivamente
preservar uma sociedade democrática (pars. 66-67 da Sentença). Segundo estes onze juízes o
periódico se encontrava em legítimo exercício de seu direito de publicar o artigo e informar aos

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cidadãos do Reino Unido sobre o efetivo estado do processo, considerando que este processo
versava sobre questão de interesse público, consubstanciada na oferta ao público de
medicamentos que poderiam causar danos irreversíveis à saúde.
Nove juízes consideraram apropriada a aplicação do art. 10, § 2.° da Convenção pela Câmara dos
Lordes, argumentando que no sistema jurídico consuetudinário inglês raras são as leis escritas, o
que torna o Poder Judiciário muito mais vulnerável às pressões da opinião pública que afetam a
sua imparcialidade, especialmente em casos tão delicados e que, devido às suas proporções,
podem levar o público a prejulgar a questão (pars. 57-58 da Sentença).
Em outros casos, a compatibilização entre os princípios da "margem de apreciação" e da "limitação
implícita" é resolvida em favor deste último. Em algumas matérias, a limitação implícita é aplicada
com intransigência como nos casos que digam respeito ao "acesso a um Tribunal Imparcial", 4 9
"Direito a um Julgamento Imparcial" 5 0 e o "Direito à Assistência Jurídica Gratuita". 5 1
A combinação dos princípios da "margem de apreciação" e da "limitação implícita resulta em
algumas regras que o Tribunal de Estrasburgo adota para julgar os casos litigiosos. Uma delas diz
respeito ao respeito, pela Corte, de particularidades jurídicas próprias de um Estado ou uma região
ao confrontá-las com a Convenção. Como exemplo pode ser citado o Caso Linguístico Belga onde
a Corte enfatizou a diversidade de línguas na Bélgica como necessária e sob perspectiva particular
desta necessidade do plurilinguismo a questão foi julgada. 5 2 Outro exemplo diz respeito a
institutos típicos do Commom Law: o 1885 Act, originariamente um Decreto Parlamentar Provincial,
presente no Caso Dudgeon e o Contempt of Court, instituto jurisprudencial foram considerados
"Lei" (no sentido de regulamentação de caráter genérico com obrigatoriedade de cumprimento por
todos) para efeitos dos art. 8.º, § 2.º e 10, § 2.º. 5 3 No Caso Le Compte, Van Leuven e De Meyere
e no Caso Konig uma particularidade de muitos Estados foi levada em consideração, ou seja, a
"existência de jurisdição", no sentido de interpretação e aplicação de normas e penalidades pelos
Colégios Profissionais de muitos Estados como Bélgica e Alemanha. 5 4
Deflui-se da leitura das diversas decisões que o Tribunal procura abordar a Convenção à luz de
concepções prevelescentes em nossos dias nos Estados Democráticos. 5 5 Não se interessa muito
por indagar intenção dos governos, utilizando como crédito interpretativo o método teleológico,
enfocando ainda noções de razoabilidade. 5 6
Para finalizar, é importante observar que o próprio Tribunal tem uma perspectiva de seu trabalho e
enunciou esta perspectiva durante o julgamento do "Caso Marckx"; "O Tribunal não tem por
função um exame abstrato dos textos questionados: verifica apenas se sua aplicação aos
demandantes se adequa à Convenção. Sem dúvida sua decisão produzirá fatalmente efeitos que
desbordem dos limites do caso em questão: assim o Tribunal declara violação, deixando ao Estado
Membro a escolha dos meios a utilizar conforme o seu ordenamento jurídico interno para cumprir a
decisão. O interesse do governo para conhecer o alcance da presente sentença no tempo não é
menos importante. Destarte cabe ao Tribunal fundamentar-se nos princípios gerais de direito...
sopesando as conseqüências práticas de qualquer decisão jurisprudencial com cuidado mas sem
chegar no ponto de influir na objetividade do Direito e de comprometer a sua aplicação futura, em
razão das repercussões que uma decisão da Justiça pode acarretar sobre o passado ... O Tribunal
Europeu de Direitos Humanos interpreta a Convenção à luz das condições hodiernas, mas não
ignora que diferenças de tratamento entre filhos naturais e filhos ilegítimos na esfera patrimonial,
foram consideradas por séculos como lícitas e normais em muitos Estados Contratantes... A
evolução para a igualdade de tratamento se processa lenta e gradativamente e, em atenção a
estas circunstâncias, o Tribunal, em nome da segurança jurídica, dispensa o Estado Belga de se
responsabilizar juridicamente por atos ou situações jurídicas semelhantes e anteriores à leitura
pública desta sentença". 5 7
Portanto, segundo esta perspectiva, a Corte, em seus julgamentos, deve atuar moderadamente,
sopesando as conseqüências práticas de suas decisões, mas deve, ao mesmo tempo, atuar
procurando uma maior implementação dos direitos humanos, declarando o direito em vigor, mas
criando condições para que algumas idéias e preceitos, tão pouco democráticos, em vigor cedam
seu lugar à verdadeira proteção aos direitos humanos. A Corte não somente averigua as
tendências atuais da proteção aos direitos humanos, mas também cria fundamentos para que no
futuro esta projeção possa ser ampliada. Esta perspectiva assemelha-se muito à "Prospect
Jurisprudence" comum no Direito Costumeiro Norte Americano.
2.2 A Jurisprudência Dominante na Corte Interamericana de Direitos Humanos
O art. 33 da Convenção Americana de Direitos Humanos prescreve como órgão para conhecer e
julgar dos assuntos nela versados, bem assim dos compromissos pelas partes assumidos a Corte

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Interamericana dos Direitos Humanos. Embora a Convenção Americana tenha sido aprovada em
1969 a Corte somente iniciou o seu funcionamento em 1978, tendo julgado o primeiro litígio em
meados de 1983, o "Caso Viviana Gallardo contra Costa Rica". Posteriormente outros litígios foram
julgados pela Corte, embora sua atividade destacada tenha sido a elaboração de Pareceres
respondendo a Consultas dos Estado Membros da OEA (não necessariamente membros da
Convenção) que terminam por fornecer alguns critérios interpretativos a serem utilizados em
futuras decisões. Opiniões Consultivas não obrigam aos Estados. Se, em decorrência do não
cumprimento do Parecer da Corte pelo Estado Consulente, for lesado algum direito garantido na
Convenção, o interessado terá que fazer denúncia à Comissão e esta denúncia seguirá os trâmites
normais, caso o Estado tenha ratificado a Convenção e autorizado a jurisdição obrigatória da
Corte. Devido a este fato não se elaborou uma análise investigatória sobre as questões discutidas
nas Opiniões Consultivas.
Em virtude da existência de poucos julgamentos até o presente, torna-se complexo fazer uma
menção a uma "jurisprudência Dominante da Corte Interamericana" tendo em vista que ainda não
ocorreu a cristalização de decisões pontuais, com a repetição de determinadas tendências de
interpretação e aplicação da Convenção aos casos concretos de violações aos Direitos Humanos.
Tem se, ainda, alguns pontos comuns entre as decisões que poderão tornar se a futura
Jurisprudência do Tribunal. Atualmente só é possível a ênfase apenas a algumas tendências
jurisprudenciais.
Relativamente ao acesso dos interessados à Corte, este se dá por via de Petição à Comissão
conforme o art. 44 da Convenção. Não há exigências para que sejam as vítimas a apresentar as
denúncias. Podem apresentá-las pessoas, grupos de pessoas e Estados. Diversamente do Sistema
Europeu que exige o prévio esgotamento dos recursos de jurisdição interna para que o interessado
possa peticionar à Comissão, 5 8 o Sistema Interamericano estabelece algumas exceções contidas
no art. 46, §§ 1.º e 2.º à exigência do prévio esgotamento dos recursos de jurisdição interna: a
impossibilidade de acesso a um tribunal imparcial, as demoras injustificadas nos julgamentos dos
processos pelos tribunais internos e a inexistência de normas que possibilitem a reparação do dano
aos direitos fundamentais. Mister a ênfase de que desde o início, a regra do prévio esgotamento
dos recursos de jurisdição interna sempre teve maior utilização no Sistema Europeu, uma vez que
a Comissão Interamericana, em virtude de suas funções políticas sempre recebeu denúncias de
violações que sequer tiveram qualquer indício de apuração pelo Judiciário interno, através do
devido processo legal.
Cumpre mencionar que na grande maioria dos litígios julgados, a Corte considerou não haver
necessidade do prévio esgotamento dos recursos de jurisdição interna porque presumiu que os
governos dos Estados Demandados (Suriname, Honduras) não permitiram aos interessados o
acesso aos recursos de jurisdição interna. 5 9
Nota-se que nos "Casos Hondurenhos" a Corte procurou compatibilizar o dever de diligência dos
Estados na proteção dos direitos humanos com o princípio das obrigações positivas conferidas aos
Estados. Enfatizou a Corte que é dever dos Estados prevenir, investigar e punir as violações dos
direitos consagrados na Convenção. 6 0 O Estado tem obrigações positivas que compreendem a
"manutenção dos meios de natureza jurídica, política, cultural e administrativa para a promoção e
proteção dos direitos humanos e as garantias de que as violações contra estes serão
considerados atos ilícitos. 6 1 Este é um dever legal que "implica em atos concretos do Estado de
prevenção, investigação e punição das violações e não mera questão ligada à gestão de conflitos
particulares que fiquem na dependência da atividade da vítima ou de seus familiares de iniciarem o
processo". 6 2
A grande maioria dos julgados e pareceres versa sobre o direito à vida. Em Parecer de 08.03.83,
atendendo a uma consulta da Colômbia, a Corte delimitou o direito à vida: "corresponde a um
princípio substantivo em virtude do qual todos os seres humanos tem um direito inalienável à que
sua vida seja respeitada e a um princípio processual segundo o qual nenhum ser humano será
arbitrariamente privado de sua vida. 6 3 A pena de morte consubstancia-se numa limitação implícita
ao direito à vida e deveria ser gradualmente suprimida sob pena de ofensa ao art. 4.º da
Convenção Americana.
Neste sentido, outro Parecer da Corte intitulado "Interpretação da Expressão Leis no art. 30 da
Convenção Americana" de 1986 estabelece que a "as limitações aos direitos humanos garantidos
na Convenção somente poderão provir de leis adotadas por órgãos legislativos eleitos
democraticamente e restritivamente interpretadas à luz de justas exigências de uma sociedade
democrática". 6 4 Em outro Parecer intitulado "Garantias Judiciais em Estados de Emergência" de
1987 a Corte enfatizou que mesmo numa situação de urgência as medidas pelo governo deveriam
estar abrangidas pelas garantias judiciais e pelo controle da legalidade para a prevenção do
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Estado de Direito. 6 5 Assim a Corte deixou claro que todas as garantias judiciais destinadas à
prevenção dos direitos humanos não poderão ser surrupiadas pela decretação de "estados de
emergência".
Como é impossível o retorno ao statu quo ante relativamente a uma violação do direito à vida, a
Corte terminou por definir critérios para determinar a fixação das indenizações. As indenizações
são arbitradas calculando-se os valores percebidos pelas vítimas no momento de sua morte ou
desaparecimento, levando-se em conta circunstâncias pessoais como a idade da vítima e a faixa
etária dos herdeiros. 6 6
Uma questão importante analisada pela Corte no "Caso Aloeboetoe" diz respeito a aplicação das
regras a serem utilizadas para a determinação dos beneficiários da indenização. Nos "Casos
Hondurenhos" a Corte não teve maior dificuldade: compreendeu que eram herdeiros ou sucessores
de ambos os seus familiares conforme determinação do direito hondurenho sobre família e
sucessões. No "Caso Aloeboetoe" a questão se colocou com maior complexidade porque a vítima
Aloeboetoe e as outras vítimas eram saramacas (tribo de ex-escravos africanos que fugiram ao
domínio dos holandeses no século XVIII possuindo língua, costumes e crenças diversas dos
surinameses). Os saramacas ou "maroons" são polígamos, sua descendência se faz por linha
materna e gozam de autonomia interna desde 1762, regendo-se por suas próprias leis.
Segundo a Corte não havia necessidade de averiguar se os saramacas gozavam de autonomia
jurisdicional na área que ocupavam. "A questão que interessa é examinar se as leis do Suriname
relativas aos direitos de família se aplicavam aos saramacas. Neste sentido as provas produzidas
permitem deduzir que a leis do Suriname não tem eficácia sobre a tribo: seus integrantes a
desconhecem e se regem por suas próprias leis e o Estado, por seu turno, não mantém a estrutura
necessária para o registro de matrimônios, nascimentos e mortes, requisito indispensável para a
aplicação da lei surinamesa. Além disso, os conflitos que ocorrem nestas matérias não são
submetidas pelos saramacas aos tribunais do Estado e a intervenção destes em matérias
mencionadas no que diz respeito aos saramacas é inexistente. Cabe assinalar que no processo o
Suriname reconheceu a existência de um direito consuetudinário saramaca. 6 7
Acentuou a Corte que o Suriname não aprovou a Convenção n. 169 da OIT sobre os Povos
Indígenas e Tribos em Estados Independentes e que no direito das gentes inexiste norma
convencional ou costumeira que determine os sucessores de uma pessoa. Portanto somente os
Princípios Gerais de Direito poderiam definir no caso dos saramacas quem eram os seus
sucessores. 6 8 Segundo o Tribunal é princípio aceito que os sucessores de uma pessoa são os
seus filhos em alguns casos os cônjuges. No caso em tela os sucessores seriam os filhos e as
esposas (no caso dos polígamos as esposas seriam herdeiras sem distinção) e para efeitos de
danos morais também os pais.
Se esta decisão for confirmada em outros casos, ela adquirirá foros de grande importância,
justamente porque a grande maioria dos Estados Americanos contém no conjunto de sua
população tribos indígenas que têm costumes muito diferentes dos costumes do restante da
população. Destarte podemos inferir que a Corte, na dúvida sobre a situação jurídica qualificada
segundo o direito interno, poderá deixar de utilizá-lo se houver dúvida sobre o qual o conteúdo
deste direito, aplicando os princípios gerais de direito.
No Parecer relativo ao "Caso da Associação dos Jornalistas da Costa Rica" duas questões foram
realçadas" a primeira dizia respeito ao fato de que a eventual obrigatoriedade de inscrição como
Membro do Colégio de Jornalistas para o efetivo exercício da profissão ofendia a liberdade de
expressão encartada no art. 13 da Convenção Americana e a segunda que se consubstanciava na
indagação de se esta mesma obrigatoriedade se encartava no art. 29 que estabelece as
restrições aos direitos consagrados na Convenção que se ligam à proteção da ordem pública e do
bem estar social. 6 9
Relativamente à segunda indagação a Corte se colocou perante a interpretação dos limites ao
exercício dos direitos encartados na Convenção, o que perante a Corte Européia, é conhecido por
"margem de apreciação". Para deslindar a questão a Corte Interamericana aborda a questão
citando inicialmente (§ 46 do Parecer) o "Caso Sunday Times". Compreende a Corte que cabe ao
governo da Costa Rica a averiguação da necessidade de fixar normas, que restringindo direitos
protejam a ordem pública e o bem estar geral não cabendo à Corte questionamento sobre a
concordância que tais medidas manifestem em relação ao direito interno 7 0 No entanto, cabe à
Corte examinar se estas limitações não foram excessivas, perdendo seu objetivo protetivo,
tornando-se ofensa pura e simples ao direito consagrado na Convenção. 7 1
Na avaliação da Corte a obrigatoriedade de prévia inscrição no "Colégio dos Jornalistas"
representava uma excessiva limitação aos direitos garantidos na Convenção porque impedia o
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acesso de pessoas e jornalistas não inscritos aos meios de comunicação para divulgar informações
de interesse geral o que ofendia também o direito do leitor a obter estas informações. Para
finalizar, importante a ênfase de que a Corte Americana no "Parecer Relativo ao Caso dos
Jornalistas da Costa Rica" procurou compatibilizar o interesse geral à proteção dos direitos
humanos, ao julgar excessiva a interferência no direito garantido na Convenção em nome da
intenção governamental de disciplinar o exercício da profissão, demonstrando que esta
intervenção não se coadunava com o espírito do art. 13, que garante a liberdade de imprensa e o
direito do público a uma correta informação.
3. Considerações Finais
Cabe ressaltar que a proteção internacional aos direitos humanos vem configurando-se num
imperativo à própria sobrevivência da humanidade. Hodiernamente a massificação social e o
grande contingente populacional, geram, além de um imenso contingente de pessoas desprovidas
dos meios de subsistência, a idéia de que muitos destes desprovidos são desnecessários ou
supérfluos à própria humanidade. Se assim é, somente com a proteção legislativa e a real
implementação dos direitos humanos é que se poderá preservar a dignidade humana eliminando o
risco que implica o processo de coisificação do ser humano representado, quer pelo totalitarismo,
quer pelo desenvolvimento econômico que não leve em conta o fato de que é o homem o seu
sujeito e não o seu objeto.
Como estes riscos são globais, é necessário que a proteção aos direitos humanos seja
internacional, objeto não somente de leis internas, mas também de Convenções Internacionais e
Cortes Especializadas com cogência sobre os Estados Partes. Na órbita internacional a grande
conquista no campo dos direitos humanos foi a passagem da fase "legiferante" de sua proteção
para a fase de sua implementação jurisdicional, que termina por criar para os Estados uma
obrigação real de cumprimento dos direitos consagrados nas Convenções Internacionais. A
ampliação da proteção jurisdicional dos direitos humanos, a extensão da categoria dos direitos
inderrogáveis também aos direitos sociais e difusos, o desenvolvimento e implementação de novos
princípios como o da solidariedade internacional, obrigações erga omnes e proteção ambiental
juntamente com o efetivo reconhecimento dos direitos humanos como jus cogens tendem a ser os
grandes desafios para a proteção jurisdicional internacional dos direitos fundamentos da pessoa
humana.
NOTAS

1. H. Lauterpach. The Universal Declaration of the Human Rights, in 25 Byil, pp. 354-381.

2. J. F. Rezek, Direito dos Tratados. Rio de Janeiro, Forense, 1984, pp. 76-77.

3. A. A. Cançado Trindade, A Evolução Doutrinária e Jurisprudencial dos Direitos Humanos nos


Planos Global e Regional: As Primeiras Quatro Décadas, in " Revista de Informação Legislativa", n.
90, p. 236.

4. R. Higghins, Derogation under Human Rights Treaties, in 48 Byil, p. 283. Vide também: C.
Rozakis, The Concept of Jus Cogens in the Law of Traties, Amsterdam, 1976, p. 42.

5. J. G. Rodas, A Conte Interamericana de Direitos Humanos, in " Revista do Curso de Direito da


Universidade Federal de Uberlândia", vol. 10, p. 174.

6. D. Robertson, Human Rights in Europe, Manchester University Press, 1977, pp. 231-232.

7. Annuaire de La Cour Européenne des Droits de L'Homme, IV, Caso Lawless. Sentença de
14.11.60, § 20. Tradução da Autora.

8. European Court of Human Rights. Case Relating to Certain Aspects on the Use of Language in
Belgium: K. Verlag. Ed. Köhn, Series A, n. 6. Judgement of 23.5.68.

9. Application n. 4.185/69, Collection Texts of European Comission on Human Rights in A. A.


Cançado Trindade, Coexistência and Co ordenation of Mechanisms of Human Rigths in 202 Hague
Recueil, p. 266.

10. European Court of Human Rigths. Caso Kdjelsen, Busk Madsen e Pedersen, K. Verlag, Ed. Köhn.
Series A, n. 23. Sentença de 7.12.76, part. 6. Tradução da Autora.

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11. XXI Annuaire, Caso Klass, Sentença de 6.9.78, § 30. Tradução da Autora.

12. XXII Annuaire, Caso Markcx, Sentença de 13.6.79, § 27. Tradução da Autora.

13. XXIV Annuaire, Caso Dudgeon, Sentença de 21.10.81, § 41. Tradução da Autora.

14. XXV Annuaire, Caso Campbell e Cosans, Sentença 25.2.82, in fine. Tradução da Autora.

15. European Court of Human Rights, Caso Soering, Sentença de 7.7.89, §§ 90 a 110. T. A.

16. Relatório da Comissão Européia de Direitos Humanos do Caso Grego in Cançado Trindade. A
Proteção Internacional dos Direitos Humanos, S. Paulo, Saraiva, 1991, p. 51.

17. XXI, Caso Tyrer contra Reino Unido, Sentença de 25.4.78.

18. Caso Campbell e Cosans. Vide nota 14.

19. Durante os graves choques ocorridos entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte em
1972, as autoridades instituíram procedimentos violentos para interrogatório dos suspeitos:
privação do sono, comida e água, simulação de fuzilamento do acusado com os olhos vendados,
colocação do acusado com os olhos vendados em salas com barulho ensurdecedor e simulação de
enforcamento do acusado.

20. XXI Annuaire, Caso Irlanda contra Reino Unido, Sentença de 18.1.78. Tradução da Autora.

21. XV Annuaire, Caso Rigeinsein contra Áustria. Sentença de 22.2.72.

22. XI Annuaire, Caso Weimhoff contra R.F.A. Sentença de 27.6.68.

23. XXV Annuaire, Caso Foti e outros contra Itália. Sentença de 10.2.82.

24. XV Annuaire, Caso Rigeinsein contra Áustria. Sentença de 22.6.72, in fine. (T.A.).

25. XVIII Annuaire, Caso Golder, Sentença de 1.2.75, pars. 23 a 33.

26. XXV Annuaire, Caso Sporrong e Lonnroth. Sentença de 23.9.82, § 79.

27. XXI Annuaire, Caso Konig, Sentença de 28.6.78, §§ 88 a 90.

28. XXIV Annuaire, Caso Le Compte, Van Leuven e De Meyere contra Bélgica, Sentença de
23.6.81, § 42. (Tradução da Autora).

29. Caso Konig, § 98. Vide nota 27.

30. Caso Linguístico Belga, Judgement of 23.7.68, § 34 (Tradução da Autora). Vide nota 8.

31. Caso Golder, Sentença de 1.2.75, § 33 (Tradução da Autora). Vide nota 25.

32. XXIII Annuaire, Caso Artico contra Itália. Sentença de 13.5.80, § 36 (Trad. Autora).

33. Caso Marckx, Sentença de 13.6.79, § 31 (Tradução da Autora). Vide nota 12.

34. European Court of Human Rights, Caso da "Plattfonn Arzte fur Das Leben", Judgement of
21.6.88, § 32. (Tradução da Autora).

35. A. A. Cançado Trindade, Direitos Humanos e Meio Ambiente, Porto Alegre, S. Fabris Ed 1993,
p. 152.

36. S. Weber, Environmental Information and European Convention on Human Rights, in 12 HRLJ,
p. 180 (Tradução da Autora).

37. A. A. Cançado Trindade, opus cit. p. 153. Vide nota 35.

38. Applications n. 9278/81. European Commission of Human Rights, Decisions in Reports, vol. 35,
1984, in A. A. Cançado Trindade, opus cit. p. 153, Vide notas 35 e 36.
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39. Texto do Julgamento reproduzido em 12 HRLJ, 1991, §§ 55 e 48.

40. Caso Linguístico Belga, § 32 (Tradução da Autora). Vide nota 8.

41. Caso Klass, § 59 e Caso Sporrong e Lonnroth, § 69. Vide notas 11 e 26.

42. Art. 8.º, § 2.º; "Não pode haver ingerência da autoridade pública no exercício deste direito
senão quando esta ingerência estiver prevista em lei e constituir uma providência que, em uma
sociedade democrática, seja necessária para a segurança nacional, para a segurança pública, a
integridade territorial, para o bem estar econômico do país, a defesa da ordem e a prevenção das
infrações penais, a proteção dos direitos e liberdade de terceiros".

43. Art. 10, § 2.º: "O exercício da liberdade de imprensa e outras liberdades, porquanto implica em
deveres e responsabilidades, pode ser submetido a certas formalidades, condições, restrições, ou
sanções, previstas em lei, que constituem providências necessárias, em uma sociedade
democrática, para a segurança nacional, a integridade territorial ou a segurança pública, a defesa
da ordem e a prevenção do crime, a proteção da saúde ou da moral, a proteção da honra ou dos
direitos de outrem, para impedir a divulgação de informações confidenciais, ou para garantir a
autoridade e a imparcialidade do poder Judiciário".

44. Caso Irlanda X Reino Unido, pars. 21 e 219. Vide nota 20.

45. Caso Dudgeon, pars. 43 a 65. Vide nota 13.

46. XXII Annuaire, Caso Sunday Times. Sentença de 26.4.79.

47. Versa a questão sobre artigo publicado pelo jornal inglês Sunday Times intitulado "Nossas
Crianças da Talidomida: Uma Vergonha Nacional", denunciando que Disttilers Co., fabricante do
medicamento talidomida, utilizado contra enjôos durante a gravidez e que resulta sérias
deformações nos fetos e recém nascidos, ofertara ao público produto sem realizar os testes
necessários. Somente no Reino Unido mais de mil crianças foram afetadas e seus pais iniciaram
processos contra a empresa nos anos de 1963-1965. A partir de 1967 os processos foram
suspensos e a empresa, sob supervisão do Poder Judiciário, entrara em negociações com as
famílias, negociações estas que perduraram até 1972. Além de denunciar a negligência, o jornal
deixava subentendido a omissão do Judiciário ante a demoradas negociações. Com fundamento no
Contempt of Court a empresa pediu aos tribunais que proibissem o jornal de elaborar novos
artigos, o que foi concedido até a última instância, a Câmara dos Lordes. (Tradução da Autora).

48. O Contempt of Court é um instituto consuetudinário do direito inglês, originado no século


passado, e que tem por finalidade a proibição de divulgação pela imprensa de qualquer informação,
questão ou opinião que verse sobre matéria objeto de processo judicial. Seu fundamento é a
manutenção da imparcialidade do Judiciário, livrando o de pressões da imprensa e da opinião
pública que poderiam influenciá-lo a decidir contrariamente ao direito.

49. Caso Golder, § 44, Vide nota 25.

50. Caso Klass, § 43 e Caso Le Compte, Van Leuven e De Meyere, § 59. Vide notas 11 e 28.

51. XXIII Annuaire, Caso Artico contra Itália. Sentença de 13.5.80, § 33 (T.A.).

52. Caso Linguístico Belga, § 62. Vide nota 8.

53. Caso Dudgeon, § 44 e Caso Sunday Times, § 47. Vide notas 13 e 49.

54. Caso Le Compte, Van Leuven e De Meyere, § 55 e Caso Konig, § 92. Vide notas 28 e 27.

55. Caso March, § 41. Vide nota 12.

56. Caso Dudgeon, § 63. Vide nota 13.

57. Caso Marchx, § 58. (Tradução da Autora). Vide nota 12.

58. Hodiernamente a Corte Européia, embora considere primordial o requisito do prévio


esgotamento dos recursos de jurisdição interna, vem interpretando flexivelmente esta exigência.
[Link]/maf/app/delivery/document 13/14
17/04/13 Envio | Revista dos Tribunais

No "Caso Van Oosterwijick contra Bélgica" a Comissão Européia peticionou a Corte sem levar em
consideração o fato da vítima não ter esgotado os recursos internos. Na data do julgamento da
Corte, a questão se encontrava pendente de exame na Corte de Cassação Belga. A Corte
Européia não se pronunciou sobre o mérito alegando que no momento do julgamento, todos os
recursos internos de jurisdição deverão estar esgotados. Não se exigindo, entretanto este
esgotamento dos recursos no momento em que o peticionário se queixa à Comissão (Annuaire,
XXIII, Sentença de 6.11.80 in fine) (T.A).

59. OEA Caso Velasquez Rodrigues. Sentenças de 28.8.88 e de 21.7.89 e Caso Godinez Cruz,
Sentenças de 20.2.89 e 21.7.89. Secretaria da Corte de San Jose. Caso Aloeboetoe e outros
contra Suriname, Sentenças de 04.12.91 e 10.9.93. Secretaria de 1.ª Corte de San Jose, OEA

60. Casos Velasquez Rodriguez. Sentença de 29.8.88, § 165 e Caso Godinez Cruz. Sentença de
20.2.89, § 175. Vide nota 59.

61. Caso Velasquez Rodriguez, § 175 e Caso Godinez Cruz, § 185. Vide nota 59.

62. idem, ibidem, pars. 46 e 58, respectivamente. Vide nota 59.

63. Parecer "Restrições à Pena de Morte, OEA, pars. 53-54.

64. A. A. Cançado Trindade, Formación, Consolidación y Perfeccionamiento del Sistema


Interamericano de Protección de los Derechos Humanos, " in" "XVII Curso de Derecho Internacional
Organizado por el Comité Jurídico Interamericano". Washington, Secretaria General de la OEA,
1991, pp. 26 a 27.

65. A. A. Cançado Trindade, opus cit., p. 34. Vide nota 64.

66. Casos Hondurenhos. Sentenças de 21.9.89, § 46. Vide nota 59.

67. Caso Aloeboetoe e outros contra Suriname, § 58. Vide nota 59.

68. Caso Aloeboetoe e outros, § 58. Vide nota 59 e 67.

69. Inter-American Court of Human Rights: Advisor Opinion Conserning Costa Rica Law For the
Pratice os Journalism. November 13/1985.

70. Parecer sobre a Questão dos Jornalistas da Costa Rica, pars. 31 a 36. Vide nota 69.

71. Idem, ibidem, pars. 37 a 39.


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[Link]/maf/app/delivery/document 14/14

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