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Nutrição Comportamental e TCC: Papel do Nutricionista

O trabalho aborda a Nutrição Comportamental e o papel do nutricionista na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), enfatizando a importância da consciência alimentar e a relação entre comportamentos alimentares e saúde mental. A pesquisa, realizada entre maio e novembro de 2023, destaca que a TCC pode auxiliar na mudança de hábitos alimentares e na compreensão das distorções relacionadas à alimentação. Conclui-se que a TCC aplicada à Nutrição Comportamental é uma ferramenta eficaz para promover mudanças sustentáveis no comportamento alimentar e na saúde mental dos indivíduos.

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Luciana Lotto
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Nutrição Comportamental e TCC: Papel do Nutricionista

O trabalho aborda a Nutrição Comportamental e o papel do nutricionista na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), enfatizando a importância da consciência alimentar e a relação entre comportamentos alimentares e saúde mental. A pesquisa, realizada entre maio e novembro de 2023, destaca que a TCC pode auxiliar na mudança de hábitos alimentares e na compreensão das distorções relacionadas à alimentação. Conclui-se que a TCC aplicada à Nutrição Comportamental é uma ferramenta eficaz para promover mudanças sustentáveis no comportamento alimentar e na saúde mental dos indivíduos.

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Curso de Nutrição – Bacharelado

Metodologia Semipresencial

Nutrição Comportamental:
O papel do Nutricionista na Terapia Cognitivo-Comportamental

Alice Fernandes Petesolt – RGM 23621401


Alyne Fernanda de Almeida Melo Campos – RGM: 23461462
Cintia Aparecida Castro de Assis – RGM 24093238
Cleide da Costa Armoa – RGM 25087240
Daniele Panfieti Silva – RGM 25289951
Luciana Lotto de Queiroz – RGM 24982113
Sandra Regina Dantas Fernandes de Lima – RGM: 25342029
Tayna Emerenciano Santos – RGM 24059722
Valquíria Gomes Braz Santos – RGM 24649988

SÃO PAULO
2023
1
Curso de Nutrição EaD – Metodologia Semipresencial
Cruzeiro do Sul Educacional S.A.

Nutrição Comportamental:
O papel do Nutricionista na Terapia Cognitivo-Comportamental

Trabalho de Conclusão de Curso - TCC apresentado


a Universidade Cruzeiro do Sul S.A, como pré-
requisito para a obtenção do grau de Bacharel em
Nutrição.
Orientadora: Prof.ª Dra. Sara de Souza Silva

SÃO PAULO
2023
Comer é mais do que jogar lenha na fogueira ou abastecer um carro.
Comer é mais do que escolher um alimento e dar para uma criança.
Comer e dar de comer reflete nossa atitude e relacionamento com nós mesmos, com os
outros e com as nossas histórias. Comer tem relação com autorrespeito, nossa conexão
com nossos corpos e compromisso com a vida.

Ellyn Satter, 2007

3
RESUMO

INTRODUÇÃO: A nutrição comportamental enfatiza a importância da consciência


alimentar, encorajando as pessoas a prestarem atenção aos sinais de fome, saciedade e
aos sentimentos associados à alimentação. O papel do nutricionista na terapia
cognitivo-comportamental (TCC) representa uma integração inovadora entre a
nutrição e a abordagem psicológica para promover a saúde mental e o bem-estar dos
indivíduos. A TCC é uma modalidade terapêutica que se concentra na identidade e na
modificação de padrões de pensamento disfuncionais e comportamentos negativos.
OBJETIVO: Explicitar a importância do papel do nutricionista na terapia cognitivo
comportamental. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão de escopo, cujas buscas
foram realizadas nas bases de dados: PubMed, Scielo, Google Acadêmico, BVSalud.
ocorrida entre os meses de maio a novembro de 2023. No trabalho foram incluídos
estudos em inglês, português e espanhol, gratuitos e publicados nos períodos de 2002
a 2023. RESULTADOS: A Teoria Cognitivo Comportamental-TCC contribuiu
significativamente nos pacientes em mudanças de comportamentos e hábitos
alimentares, além disso, o nutricionista desempenha um papel fundamental para
colaborar na compreensão das relações entre comportamentos alimentares, trabalhando
na identificação distorcida sobre alimentos, corpo e imagem, mudando padrões de
pensamento e desenvolvendo a melhora da saúde mental geral do indivíduo.
CONCLUSÃO: É importante lembrar que a perda de peso sustentável requer
mudanças no estilo de vida que ocorrem ao longo de um período prolongado. A TCC
aplicada na Nutrição Comportamental pode ser uma ferramenta útil para apoiar essas
mudanças ao abordar os elementos psicológicos que influenciam o comportamento
alimentar.

Palavras-chave: Nutrição Comportamental; Transtornos Compulsivos Alimentares;


Terapia Cognitivo-comportamental; Terapia Comportamental; Transtorno da compulsão
alimentar periódica.

4
ABSTRACT

INTRODUCTION: Behavioral nutrition emphasizes the importance of mindful eating,


encouraging individuals to pay attention to hunger cues, satiety, and the emotions
associated with food. The role of a nutritionist in cognitive-behavioral therapy (CBT)
represents an innovative integration between nutrition and a psychological approach to
promoting mental health and individuals' well-being. CBT is a therapeutic modality
focusing on identifying and modifying dysfunctional thought patterns and negative
behaviors. OBJECTIVE: To elucidate the importance of the nutritionist's role in
cognitive-behavioral therapy. METHODOLOGY: This is a scoping review, with
searches conducted in databases such as PubMed, Scielo, Google Scholar, and BVSalud
between May and November 2023. The work included studies in English, Portuguese,
and Spanish, available for free and published from 2002 to 2023. RESULTS: Cognitive
Behavioral Therapy (CBT) significantly contributed to behavioral and dietary habit
changes in patients. Additionally, the nutritionist plays a pivotal role in understanding the
relationships between eating behaviors, working on distorted perceptions about food,
body, and image, altering thought patterns, and enhancing the overall mental health of the
individual. CONCLUSION: Cognitive Behavioral Therapy (CBT) applied in Behavioral
Nutrition can be a useful tool to support these changes by addressing the psychological
elements that influence eating behavior.

Keywords: Behavioral Nutrition; Eating Disorders; Cognitive-Behavioral Therapy;


Behavioral Therapy; Binge Eating Disorder.

5
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO............................................................................................. 07
2. REVISÃO TEÓRICA .................................................................................. 10
3. METODOLOGIA ......................................................................................... 20
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................. 21
5. CONCLUSÃO .............................................................................................. 29
6. REFERÊNCIAS ........................................................................................... 31

6
1. INTRODUÇÃO

A Nutrição Comportamental é um campo relativamente novo da nutrição que


considera o comportamento alimentar e as emoções associadas à alimentação. Essa
abordagem é baseada na ideia de que nossas escolhas alimentares são influenciadas por
fatores psicológicos, sociais e ambientais, além de questões fisiológicas e tem sido
utilizada com sucesso no tratamento da compulsão alimentar, um transtorno alimentar
caracterizado por episódios recorrentes de ingestão alimentar excessiva, acompanhados
de sentimentos de falta de controle e culpa.
Embora os temas nutrição e alimentação estejam cada vez mais em pauta, persiste
uma visão restrita e dicotômica do “saudável e não saudável”, dos alimentos “bons ou
ruins”, na qual o prazer em comer é muitas vezes associado à culpa. Esse contexto não
promove a mudança de comportamento e não torna as pessoas mais saudáveis. A Nutrição
Comportamental propõe que a Nutrição possa ser praticada de maneira mais holística,
humana, inclusiva; que o ser humano seja sempre mais importante que o corpo humano,

que a comida seja sempre valorizada antes do nutriente. (ALVARENGA, MARLE 2018)

A Nutrição Comportamental se concentra em como as pessoas comem, em vez de


apenas no que elas comem. Isso inclui aspectos como a atenção plena na hora de comer,
o controle do estresse e a autopercepção do corpo e do alimento.
Uma das principais abordagens da Nutrição Comportamental no tratamento da
compulsão alimentar é a utilização do Mindful Eating que significa comer com atenção.
Dessa forma a pessoa tem as suas escolhas e as suas vontades respeitadas e
individualizadas, pois pode comer aquilo que lhe dá prazer de forma saudável, propondo
uma jornada de autoconhecimento e revisão dos hábitos à mesa com o objetivo de dar
novos significados e propósitos à relação com a comida. Isso envolve prestar atenção aos
sinais de fome e saciedade, saborear os alimentos e prestar atenção nos pensamentos e
emoções que surgem durante as refeições. (FIGUEIREDO, C. A. M.,2018)
Essa abordagem nutricional também enfatiza o papel da alimentação na promoção
do bem-estar emocional e da felicidade, além de ajudar as pessoas a atingir seus objetivos
de saúde de maneira sustentável e a longo prazo
A Nutrição Comportamental visa auxiliar as pessoas a desenvolver uma relação
saudável com a comida e com o próprio corpo, sem restrições extremas ou dietas radicais.
Acredita-se que, ao melhorar a relação com a comida e a maneira como nos alimentamos,
podemos melhorar a saúde em geral, incluindo a saúde mental.
7
Hábitos alimentares atuais podem estar provocando reações no sistema
nervoso central e esses se manifestam no nosso comportamento mental e
emocional devido à más escolhas nutricionais. As terapias de distúrbios
comportamentais, não podem apenas ser controladas por drogas psicopáticas,
e também não pode atribuir ao acaso os altos índices de dependência às drogas
lícitas e ilícitas, da depressão, do alcoolismo, de comportamento violentos, de
infelicidade das pessoas e até mesmo o alto índice de suicídio. Existe uma forte
influência alimentar em todos esses processos que precisa ser reavaliada e
colocada em discussão em todos setores da sociedade. (CARREIRO, DENISE.
2021)
Além disso, a Nutrição Comportamental enfatiza a importância de identificar e
lidar com gatilhos emocionais que podem levar à compulsão alimentar, como o estresse,
a ansiedade e a depressão. Isso pode ser feito através da prática de técnicas de relaxamento
e meditação, e também através da identificação de padrões comportamentais e emocionais
que levam à compulsão alimentar.
Outra abordagem importante da Nutrição Comportamental no tratamento da
compulsão alimentar é a eliminação de dietas restritivas e extremas, que muitas vezes
levam a episódios de compulsão alimentar. A prevalência de fracasso das dietas restritivas
e extremas no acompanhamento de dois anos é em torno de 90%. Mas elas continuam,
principalmente, entre os que sofrem de transtornos alimentares. (WAJNRYT,
ELISABETH,2016)
O Nutricionista na prática do método cognitivo comportamental e no tratamento
da compulsão alimentar deve trabalhar em conjunto com outros profissionais de saúde,
tais como: psicólogos e psiquiatras, para ajudar os pacientes a superarem esses transtornos
alimentares que se baseia em: compulsão de comer, bulimia ou anorexia nervosa.
(ELIASCHEWITZ, F.G., 2018)
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma ferramenta para trabalhar a
mudança de comportamento tendo como princípio que “as nossas emoções e
comportamentos são determinados pela forma como interpretamos a realidade”.
(NUTRIÇÃO COMPORTAMENTAL, 2015).
Extensamente utilizadas no tratamento dos transtornos alimentares (TA), técnicas
cognitivas e comportamentais têm sido avaliadas e reconhecidas como estratégias
eficazes na melhora dos quadros clínicos. (DUCHESNE, MÔNICA; E. M. A., PAOLA,
2002).

8
O nutricionista desempenha papel importante na equipe multidisciplinar para
tratamentos dos TA. É o responsável pela avaliação do estado nutricional e padrão
alimentar dos pacientes, bem como pela realização das intervenções nutricionais. Nesse
contexto, destaca-se a importância da atuação de profissionais especializados para a
correta identificação de atitudes alimentares disfuncionais em relação à alimentação e,
posteriormente, para a realização do aconselhamento nutricional específico para cada TA.
(CARLOS, et al, 2019)
Quando aplicada ao tratamento nutricional, a TCC não implica necessariamente
que o terapeuta nutricional precise aprofundar-se na análise das emoções do paciente. Em
vez disso, a TCC oferece técnicas adaptadas à realidade da nutrição como parte do
aconselhamento nutricional. Isso pode incluir identificar e desafiar pensamentos
distorcidos relacionados à alimentação, modificar crenças negativas sobre a comida,
desenvolver estratégias para lidar com desafios alimentares.
O papel do nutricionista começa com uma avaliação cuidadosa das escolhas
alimentares do paciente, incluindo seus hábitos alimentares, preferências e restrições
alimentares. Com base nessas informações, o profissional pode desenvolver um plano
alimentar individualizado, que atenda às necessidades nutricionais do paciente e promova
a recuperação da compulsão alimentar. A abordagem da NC (nutrição comportamental)
pelo nutricionista é um atendimento mais horizontal que promove autonomia e
participação ativa do paciente para mudança de comportamento. (MANOLE, 2022)
O nutricionista também pode trabalhar com o paciente para estabelecer metas
realistas de perda de peso, se necessário, e fornecer orientações para ajudar a manter uma
alimentação saudável e equilibrada a longo prazo. Isso pode incluir o planejamento de
refeições, a escolha de alimentos nutritivos e saborosos, e a incorporação de exercícios
físicos regulares.
Diante desse contexto, o objetivo do presente trabalho foi verificar qual o papel
do nutricionista na abordagem da Terapia-Cognitivo Comportamental (TTC) no
tratamento da compulsão alimentar, por meio de uma revisão integrativa da literatura.

9
2. REVISÃO TEÓRICA

2.1 Resgate Histórico da Nutrição


Ao longo da história, diferentes culturas desenvolveram práticas alimentares e
crenças relacionadas à nutrição. Por exemplo, na Grécia Antiga, Hipócrates,
frequentemente considerado o pai da medicina ocidental, enfatizava a importância da
dieta equilibrada para a saúde. Na China antiga, o conceito de yin e yang era aplicado à
nutrição, buscando o equilíbrio entre alimentos quentes e frios para promover a saúde.
[...]A ciência da Nutrição teve seu início em 1750, desenvolvendo-se
e consolidando-se até 1900; e assim como a Medicina, estimulada pela
Revolução Industrial, as descobertas científicas relacionadas aos nutrientes,
metabolismo e fisiopatologia ganharam força. (ALVARENGA, 2023)

Segundo Carneiro (p. 71-80, 2005) “A História da Alimentação abrange aspectos


diversos da cultura humana. Necessidades biológicas, recursos econômicos e sentidos
culturais investem os alimentos de significados amplos”.
Para Cavalcante, et al (2005) as ciências da saúde, em sua evolução no decorrer
do tempo, passaram por diversas modificações e especializações, levando em
consideração as categorizações de doenças, órgãos, sistemas, idade, gênero e outras
características sociodemográficas. Essas classificações foram importantes para a
compreensão e o tratamento de diferentes condições de saúde.
Sob uma perspectiva histórica, as Ciências da Saúde passaram por constantes
modificações diante das especialidades fundamentadas nas categorizações de
doenças, órgãos, sistemas, idade, gênero, ou seja, em questões
sociodemográficas e técnicas especializadas nos cuidados em saúde. Com isso,
essas classificações levaram à elaboração numa ação contra hegemônica, de
um conjunto interdisciplinar de estratégias de promoção da saúde, relacionadas
à alimentação saudável, voltadas tanto para o sujeito, na sua singularidade,
valorizando tanto a dimensão individual quanto a coletiva. (CAVALCANTE,
et al, 2005)

2.2 Nutrição Comportamental


Antes mesmo da sistematização do termo "nutrição comportamental" pelo
Instituto Nutrição Comportamental (INC) em 2014, muitos profissionais da nutrição,
psicologia e outras ciências humanas já estudavam e pesquisavam o comportamento
alimentar.
O comportamento alimentar é um campo de estudo multidisciplinar que envolve
diferentes áreas de conhecimento, como nutrição, psicologia, sociologia, antropologia,
entre outras. Profissionais dessas áreas têm contribuído há décadas para a compreensão

10
dos fatores que influenciam escolhas alimentares, padrões de consumo e a relação do ser
humano com a comida.
Esses profissionais têm realizado pesquisas, desenvolvido intervenções
terapêuticas e contribuído para o avanço do conhecimento sobre o comportamento
alimentar e seus impactos na saúde e no bem-estar. A partir desses estudos e práticas,
foram surgindo abordagens e teorias que embasam a nutrição comportamental, como a
alimentação intuitiva, a atenção plena na alimentação, o autoconhecimento emocional,
entre outras.
A Nutrição Comportamental se coloca, portanto, como uma “bandeira” de
defesa dessa visão e abordagem. Não Criamos um novo tipo de Nutrição – o
que seria inclusive pretencioso, mas sim a defesa de um olhar verdadeiramente
biopsicossocial para a alimentação – a divulgação e o ensino de técnicas e
modelos que ajudam a trabalhar essa abordagem de forma científica, vidando
à mudança do comportamento alimentar. (ALVARENGA, et al, 2019)

A alimentação é uma prática que acompanha o ser humano ao longo de sua


existência e está profundamente enraizada na criação histórico-social das diferentes
culturas. A forma como nos alimentamos é influenciada por fatores históricos, sociais,
econômicos, culturais e ambientais.
No Guia alimentar para a população brasileira, encontramos uma excelente
definição para alimentação:
[...]Alimentação diz respeito à ingestão de nutrientes, mas também aos
alimentos que contêm e fornecem os nutrientes, a como alimentos são
combinados entre si e preparados, a características do modo de comer e às
dimensões culturais e sociais das práticas alimentares. Todos esses aspectos
influenciam a saúde e o bem-estar. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014)

Portanto, o desafio de mudar comportamentos alimentares reside em promover


uma abordagem que leve em conta os significados da alimentação, a capacidade crítica
das pessoas e a necessidade de uma mudança sustentável. Isso pode ser alcançado através
de uma abordagem sensível à cultura, educativa e participativa, que valorize a
individualidade e promova uma relação positiva com a comida, a Nutrição
Comportamental.

2.3 Transtornos Alimentares


Atualmente, a nutrição é um campo interdisciplinar que combina conhecimentos
científicos, práticas alimentares e questões de saúde. Os avanços na pesquisa nutricional
têm ajudado a compreender a relação entre a alimentação e as doenças, bem como a
desenvolver diretrizes e recomendações dietéticas para promover a saúde e prevenir

11
condições como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e até mesmo os
Transtornos Alimentares (TA).
[...]Historicamente, os transtornos alimentares eram percebidos como
síndromes culturais restritas à cultura ocidental. Os distúrbios alimentares
foram descritos pela primeira vez em mulheres caucasianas que viviam na
Europa Ocidental e na América do Norte, levando à presunção de que
características específicas de sua cultura devem ser cruciais para o
desenvolvimento de um distúrbio alimentar. Várias décadas após o surgimento
de transtornos alimentares na cultura ocidental, casos de transtornos
alimentares foram identificados em todas as culturas em uma extensão
variável, principalmente com taxas de incidência crescentes, mas taxas de
prevalência ainda mais baixas do que nos países ocidentais. (KOLAR, et al.,
2016)

Os transtornos alimentares são condições de saúde mental graves que envolvem


perturbações persistentes na alimentação e no comportamento relacionado à alimentação.
Esses transtornos podem afetar significativamente a saúde física e o funcionamento
psicossocial das pessoas que sofrem com eles.
[...]Os distúrbios alimentares podem incluir ingestão inadequada ou excessiva
de alimentos, o que pode, em última instância, prejudicar o bem-estar de um
indivíduo. As formas mais comuns de transtornos alimentares incluem
Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Transtorno da Compulsão Alimentar e
afetam tanto mulheres quanto homens. Transtornos alimentares podem se
desenvolver durante qualquer fase da vida, mas geralmente aparecem durante
a adolescência ou na idade adulta jovem. Classificados como uma doença
médica, o tratamento adequado pode ser altamente eficaz para muitos dos tipos
específicos de distúrbios alimentares. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
DIABETES)

Quando há alteração no consumo ou na absorção de alimentos, isso afeta a saúde


física e mental do indivíduo. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria
(Ministério da Saúde, 2022), “estima-se que mais de 70 milhões de pessoas no mundo
sejam afetadas por algum transtorno alimentar, incluindo anorexia, bulimia, compulsão
alimentar e outros”.
Segundo Kessler (p. 904-914, 2013) “no Brasil, a prevalência do transtorno da
compulsão alimentar periódica é de 4,7% em adultos ao longo da vida”.
Os transtornos alimentares não possuem uma única causa distinta, mas sim uma
combinação complexa de fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento dessas
condições. Esses fatores incluem influências genéticas, biológicas, comportamentais,
psicológicas e sociais.

12
[...]Não há uma causa distinta de transtornos alimentares, uma série de “fatores
genéticos, biológicos, comportamentais, psicológicos e sociais” podem
aumentar o risco de desenvolvimento de transtorno alimentar.
[...]Embora os transtornos alimentares não tenham uma “cura milagrosa”,
existem inúmeras práticas baseadas em evidências comprovadas para apoiar a
recuperação dos transtornos alimentares[...]. (EATING DISORDER HOPE,
2017)

2.4 O Transtorno de Compulsão Alimentar – TCAP


O transtorno de compulsão alimentar regular (TCAP), também conhecido como
comer compulsivo ou Binge Eating Disorder (BED), foi oficialmente definido e
reconhecido como um transtorno alimentar pela primeira vez no Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) em 1994.
A compulsão alimentar, é um distúrbio caracterizado por episódios recorrentes de
ingestão excessiva de alimentos em um curto período, acompanhados de uma sensação
de falta de controle sobre o comportamento alimentar. Durante esses episódios, as pessoas
podem comer rapidamente e em grandes refeições, mesmo quando não estão fisicamente
com fome, comem sozinhas por sentirem vergonha e frequentemente experimentam
sentimentos de tristeza e culpa.
Segundo Alvarenga, et al (p.415, 2019), “o TCA é frequentemente associado à
depressão, baixa autoestima e piora na qualidade de vida, o que intensifica a negatividade
em relação ao corpo e à comida”.
[...]O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é caracterizado por
episódios recorrentes de compulsão alimentar, sem os métodos inapropriados
de controle de peso compensatório encontrados na bulimia nervosa. Embora a
obesidade não seja um critério para TCAP, é uma condição frequentemente
associada a esse diagnóstico. Em comparação com indivíduos obesos pareados
que não comem compulsivamente, os obesos que comem compulsivamente
apresentam níveis mais altos de psicopatologia geral e relacionada à
alimentação. Por exemplo, eles mostram mais preocupação com a forma
corporal, e alguns autores descobriram que a compulsão alimentar está
significativamente correlacionada com a percepção de que o peso corporal está
acima do ideal. (DUCHESNE, 2007)

Pacientes com TCAP possuem algumas características em comum, são elas:


1. Não reconhecem o problema.
2. Possuem baixa autoestima.
3. São desorganizados.
4. São mais impulsivos.
5. Possuem problemas com a imagem corporal.
6. Sofrem com esse comportamento alimentar.

13
[...]É particularmente desafiante para o Terapeuta Nutricional (TN) trabalhar
as questões que envolvem a aceitação corporal – principalmente se
considerarmos que estamos falando em sua maioria de pacientes com
obesidade – para evitar a depreciação corporal, ajudar no planejamento e
organização alimentares, trabalhar a utilização da alimentação como
recompensa (p. ex., comer mais em um dia “estressante”, comer porque eu
mereço etc.). Portanto, conhecimentos avançados de aconselhamento
nutricional são desejáveis bem como mais conhecimentos sobre as bases
teóricas e as estratégias terapêuticas para abordagem da imagem corporal.
[...](ALVARENGA, et al, 2020)

2. 5 Terapia Cognitivo-Comportamental – TCC


No final da década de 1980 o movimento cognitivo-comportamental começou a
ganhar destaque no Brasil, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo. Esse interesse
foi impulsionado pelo estudo do modelo cognitivo dos transtornos de ansiedade, que
enfatizava a relação entre pensamentos disfuncionais e sintomas emocionais.

[...]As terapias cognitivas no Brasil têm suas origens no enfoque


comportamental, ocorrendo concomitantemente em São Paulo, com a análise
experimental do comportamento, e no Rio de Janeiro, com uma prática mais
clínica, denominada conduto terapia. Somente ao final da década de 80 é que
o movimento cognitivo-comportamental começou a aparecer no Rio e em São
Paulo, a partir do interesse pelo estudo do modelo cognitivo dos transtornos de
ansiedade [...] (MANUAL PRÁTICO DE TERAPIA COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL, 2011, p. 18)

Desde então, a abordagem cognitivo-comportamental tem se expandido e se


consolidado no país. Hoje, é uma das principais abordagens terapêuticas utilizadas no
tratamento de transtornos psiquiátricos no Brasil, com uma base sólida de pesquisa e
prática clínica.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada por muitos como
a principal abordagem cognitiva da atualidade, constituindo uma integração de
conceitos e técnicas cognitivo-comportamentais e diferenciando-se umas das
outras de acordo com o enfoque predominante, cognitivo ou
comportamental.[...] (SOUZA & CÂNDIDO, 2010).

A pesquisa e a prática clínica mostram que a TCC é efetiva na redução de sintomas


e taxas de recorrência, com ou sem medicação, em uma ampla variedade de transtornos
psiquiátricos (KNAPP & BECK, 2008).
A TCC consiste em um sistema de psicoterapia que se baseia na teoria na qual o
modo como o indivíduo estrutura as suas experiências determina o modo como ele se
sente e se comporta (DATTILIO & FREEMAN, 1998).
[...]Os sentimentos não são determinados por situações, mas sim pela forma
como as pessoas interpretam tais situações. Nesse sentido, os transtornos
psicológicos decorrem de um modo distorcido ou disfuncional de perceber os
acontecimentos, influenciando assim, os afetos e os comportamentos. (BECK,
et al, 1997).

14
O tratamento inicial da TCC é focado no aumento da consciência por parte do
paciente de seus pensamentos automáticos, e um trabalho posterior terá como foco as
crenças nucleares e subjacentes (KNAPP & BECK, 2008). O tratamento pode começar
identificando e questionando pensamentos automáticos, o que pode ser feito através da
orientação do terapeuta para que o paciente avalie tais pensamentos, principalmente
quando há uma excitação emocional durante a sessão (KNAPP & BECK, 2008).

2.6 A importância Terapia Cognitivo- Comportamental na Nutrição e aplicação


dessa terapia pelo profissional da Nutrição.
A Teoria Cognitivo-Comportamental (TCC) desempenha um papel fundamental
na Nutrição humana, pois ajuda a compreender e abordar os aspectos psicológicos e
comportamentais relacionados aos hábitos alimentares e à relação com a comida.
[...]Promoção de mudanças de comportamento alimentar: A TCC tem como
proposta o estudo dos processos cognitivos, emocionais e comportamentais
relacionados à alimentação e, a partir disso, promover mudanças no
comportamento alimentar. (FIATES & FELDMAN, 2012).

A importância da TCC para a nutrição do ser humano é evidente. Essa abordagem


terapêutica auxilia na compreensão e abordagem dos aspectos psicológicos e
comportamentais relacionados aos hábitos alimentares e à relação com a comida.
A TCC promove mudanças de comportamento alimentar, identifica e modifica
pensamentos distorcidos, e busca estabelecer uma relação saudável com a comida,
evitando restrições extremas ou compulsões alimentares (FIATES; FELDMAN, 2012;
PHILIPPI; LATTERZA, 2010).
Além disso, ela aborda fatores emocionais e comportamentais envolvidos no ato
de comer, como ansiedade, estresse, compulsão alimentar e uso da comida como
estratégia de enfrentamento emocional. Essa abordagem torna a TCC relevante na
prevenção e tratamento de transtornos alimentares, reconstruindo crenças disfuncionais,
identificando gatilhos.
Apresenta como proposta o estudo dos processos cognitivos, emocionais e
comportamentais relacionados à alimentação, promovendo mudanças no comportamento
alimentar (FIATES; FELDMAN, 2012). Por meio dessa abordagem, é possível identificar
e modificar os pensamentos distorcidos relacionados à alimentação, como crenças
negativas sobre determinados alimentos ou autodepreciação após a ingestão de
determinados alimentos (ALVARENGA; PHILIPPI, 2014).

15
Além da promoção de mudanças comportamentais alimentares, a TCC identifica
e modifica pensamentos distorcidos, promove uma relação saudável com a comida,
aborda fatores emocionais e comportamentais no ato de comer tais como ansiedade,
estresse e compulsão alimentar, usando a comida como estratégia de enfrentamento
emocional.
Há também a prevenção e tratamento para que os transtornos alimentares sejam
evitados ou amenizados no ser humano.

"A TCC desempenha um papel relevante na prevenção e tratamento de


transtornos alimentares, auxiliando na reconstrução de crenças
disfuncionais, na identificação de gatilhos emocionais e na promoção de
uma alimentação mais saudável" (PINHEIRO, et al., 2014).

Os profissionais da área da saúde como psicólogos, terapeutas e nutricionistas


podem utilizar a terapia cognitivo-comportamental no tratamento dos transtornos
alimentares, para isso é importante que tenham treinamento específico na área.
A TCC enfoca a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, e tem
sido amplamente utilizada na área da nutrição para ajudar os indivíduos a desenvolverem
uma relação saudável com a alimentação. Para aplicá-la de forma eficaz, o nutricionista
deve ter uma compreensão sólida dos princípios e conceitos centrais dessa abordagem
terapêutica. Isso inclui conhecimento sobre as crenças e pensamentos automáticos que
podem influenciar os comportamentos alimentares, bem como sobre os processos de
reestruturação cognitiva e modificação comportamental.
Além disso, é essencial que o nutricionista tenha habilidades de comunicação
efetiva, empatia e escuta ativa para estabelecer uma relação terapêutica positiva com o
cliente. A capacidade de desenvolver uma aliança terapêutica sólida é fundamental para
o sucesso da aplicação da TCC na prática nutricional. (LEVANDOVSKI, R., 2017)
Outra habilidade importante é a capacidade de identificar e avaliar os fatores
desencadeantes e mantenedores dos comportamentos alimentares problemáticos. Isso
envolve a análise funcional dos comportamentos alimentares, investigando os
antecedentes, as consequências e as emoções associadas aos padrões alimentares
disfuncionais.
Segundo Philippi e Latterza (2010), "A TCC busca promover uma relação
saudável com a comida, auxiliando o indivíduo a desenvolver uma alimentação
equilibrada, sem restrições extremas ou compulsões alimentares".

16
Essa avaliação cuidadosa permite ao nutricionista compreender melhor as
motivações e as barreiras enfrentadas pelo cliente, auxiliando-o a desenvolver estratégias
específicas de intervenção.
Ao aplicar a TCC, o nutricionista também deve ter habilidades práticas para ajudar
o cliente a desenvolver estratégias de enfrentamento saudáveis e adaptativas. Isso pode
incluir o ensino de técnicas de resolução de problemas, manejo do estresse, habilidades
de regulação emocional e técnicas de mindfulness relacionadas à alimentação.
(ALVARENGA, M, 2020)
É importante ressaltar que a aplicação da TCC na prática nutricional requer uma
abordagem multidisciplinar, trabalhando em conjunto com outros profissionais de saúde,
como psicólogos e psiquiatras, quando necessário. A colaboração interdisciplinar
fortalece o processo terapêutico e permite uma abordagem mais abrangente e integrada.
(FIATES,2012)

2.7 Terapia Cognitivo-Comportamental no Tratamento da Compulsão Alimentar


O Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) é um transtorno
complexo e multidimensional, e seu tratamento geralmente envolve uma abordagem
integrada que pode incluir terapia cognitivo-comportamental (TCC). O objetivo principal
do tratamento é ajudar os indivíduos a desenvolverem uma relação mais saudável com a
comida, reduzir os episódios de compulsão alimentar e lidar com os fatores emocionais e
psicológicos relacionados ao transtorno.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma forma de tratamento eficaz para
a compulsão alimentar. Este tipo de terapia é baseado na ideia de que a forma como
pensamos e agimos tem um grande impacto sobre nossos comportamentos.
[...]A terapia cognitivo-comportamental (TCC) foi considerada a forma de
intervenção psicoterápica mais investigada no TCAP através de ensaios clínicos
randomizados e tem sido crescentemente utilizada em diversos centros
especializados no tratamento dos transtornos alimentares. Ela baseia-se no
pressuposto de que um sistema disfuncional de crenças está associado ao
desenvolvimento e manutenção do TCAP. Conseqüentemente, a modificação de
padrões distorcidos de raciocínio e a reestruturação de crenças supervalorizadas
associadas ao peso e à imagem corporal são focos primários do tratamento, sendo
utilizadas várias técnicas cognitivas com essa finalidade[...] (DUCHESNE,
2007)

Dentro da abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), sobre o


tratamento do Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) é possível observar
uma melhora geral no funcionamento psicológico dos pacientes.

17
[...]O modelo de TCC específico para TA é chamado Cognitive Behavioral
Therapy-Enhanced (CBT-E), ou TCC reforçada. Foi originalmente destinado à
BN e, posteriormente, estendido a todos os TA. A CBT-E é direcionada
especialmente para lidar com os hábitos alimentares, e também para outras
questões que não envolvem diretamente a comida. De maneira geral, a CBT-E
busca minimizar e ampliar a capacidade de tolerar os pensamentos negativos
sobre a imagem corporal e o ato de comer, para tentar alterar os comportamentos
prejudiciais que perpetuam os sintomas dos TA. Ela dá ênfase a práticas
tangíveis, como metas pontuais e recompensas, dentro do contexto do
tratamento. [...] (ALVARENGA, et al, 2015)

A proposta de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para transtornos


alimentares (TA), consiste em quatro pontos fundamentais, são eles:
1. Automonitoramento da ingestão alimentar: Isso envolve a utilização de um
diário alimentar para registrar a ingestão de alimentos, bem como os episódios
de compulsão alimentar e métodos compensatórios inadequados. "A TCC
fornece aos pacientes estratégias comportamentais específicas para ajudar a
interromper os padrões de compulsão alimentar" (WILSON; ZANDBERG,
2012).
2. Recomendações específicas para normalizar o comportamento alimentar: O
terapeuta nutricional fornece orientações e recomendações para ajudar o
paciente a normalizar seus hábitos alimentares. “A TCC foca na identificação
e modificação de pensamentos e crenças disfuncionais em torno da comida e
da imagem corporal" (FAIRBURN,et al, 2003).
3. Reestruturação cognitiva: Nessa etapa, o terapeuta ajuda o paciente a
identificar e modificar os pensamentos distorcidos e crenças disfuncionais
relacionados ao desenvolvimento e à manutenção do transtorno alimentar. Isso
pode envolver desafiar padrões de pensamento negativos, substituir
pensamentos automáticos disfuncionais por pensamentos mais realistas e
construtivos, e desenvolver uma perspectiva mais saudável sobre a
alimentação, o peso e a imagem corporal. "A TCC também pode ajudar os
pacientes a desenvolver habilidades para lidar com o estresse e outros
problemas emocionais que podem contribuir para a compulsão alimentar"
(GRILO, et al, 2011).
4. Prevenção de recaída: O terapeuta trabalha com o paciente para desenvolver
estratégias de prevenção de recaídas, que envolvem identificar os fatores de
risco e desenvolver habilidades de enfrentamento para lidar com situações
desafiadoras.

18
[...] nossas escolhas alimentares não são baseadas apenas em aspectos
fisiológicos, mas envolvem necessidades e características diversas. Assim, a
implementação de mudança de comportamento requer esforço e precisa atingir
pensamentos disfuncionais e sentimentos negativos que tangem a alimentação
para que haja, de fato, mudanças nos comportamentos que levam às escolhas
alimentares. (ALVARENGA, et al, 2015)

Ainda segundo Alvarenga, et al (2016), “A TCC têm se mostrado muito eficiente,


especialmente na redução das compulsões alimentares no TCA”.
[...]No geral, os ensaios clínicos avaliados sugerem que o uso da terapia
cognitivo-comportamental resulta numa melhora significativa da compulsão
alimentar e dos sintomas psicopatológicos associados ao transtorno da
compulsão alimentar periódica, sem resultar em perda de peso substancial.
(DUCHESNE, 2007)

2.8 O papel do nutricionista na Terapia Cognitivo-Comportamental


O nutricionista pode aliar a TCC ao tratamento nutricional para fornecer uma
abordagem abrangente no tratamento dos distúrbios alimentares. O foco principal é ajudar
os indivíduos a desenvolverem uma relação mais saudável com a comida, promovendo
mudanças comportamentais e cognitivas positivas.
Promover real mudança de comportamento é um desafio que não é garantido
com prescrição ou apenas educação nutricional e uma ferramenta utilizada para
trabalhar a mudança de comportamento é a terapia cognitivo-comportamental
(TCC), que tem como princípio de que “as nossas emoções e comportamentos
são determinados pela forma como interpretamos a realidade”.
(ANDREATTA E OLIVEIRA, 2012)

Além disso, pode auxiliar o paciente na identificação de crenças distorcidas


relacionadas à alimentação, como pensamentos negativos sobre o peso, imagem corporal
ou alimentos específicos. Além disso, eles podem fornecer orientações nutricionais
adequadas, ajudar na elaboração de um plano alimentar equilibrado e adaptado às
necessidades individuais do paciente, além de trabalhar na promoção de habilidades de
autocontrole, estratégias de enfrentamento e resolução de problemas relacionados à
alimentação.
Em função de sua aplicabilidade para os transtornos alimentares e por usar uma
série de técnicas comportamentais, a TCC é mais uma estratégia que pode sim
ser utilizada por nutricionistas para trabalhar a mudança de comportamento
ALIMENTAR. Para utilizá-la o nutricionista deve estudar este tipo de terapia,
não para realizar nenhum tipo de psicoterapia com seus pacientes (nem tratar
questões emocionais), mas sim para ajudar a identificar os
chamados pensamentos automáticos – quando relacionados a comida e corpo;
e discutir com o paciente também crenças relacionadas a esses temas e como
elas acabam impactando o comportamento alimentar. (PISCIOLARO, et al.,
2019).

19
É importante ressaltar que o nutricionista não substitui o papel do neste método
de abordagem. Ambos os profissionais trabalham em conjunto, cada um contribuindo
com suas habilidades específicas, para oferecer uma abordagem terapêutica completa e
eficaz no tratamento dos distúrbios alimentares.
O uso da TCC no tratamento nutricional não significa que o terapeuta
nutricional (TN) vai se aprofundar na análise das emoções, mas sim utilizar
técnicas adaptadas à realidade da Nutrição como parte do aconselhamento
nutricional para ajudar o indivíduo a resgatar os sinais internos de fome,
saciedade e o prazer em comer, levando a hábitos alimentares equilibrados e
conscientes. Trata-se de uma abordagem diferenciada de tratamento,
fundamentada em evidências. (PISCIOLARO, et al. 2015)

Também é importante ressaltar que a TCC não substitui os métodos tradicionais


utilizados no tratamento nutricional, ambos devem ser utilizados em conjunto para que o
paciente receba o tratamento adequado as suas necessidades.
[…] Mas além disso, métodos tradicionais incluídos em programas de
nutrição clássicos devem ser utilizados, como avaliação nutricional, coleta de
dados antropométricos, prescrição de alimentos com base em diretrizes
nacionais e internacionais relacionadas a essas doenças, e dicas de cardápios e
receitas que proporcionem aos pacientes uma variedade de dietas saudáveis
[…] (SCAGLIUSI, 2019).

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que conta com método


sistematizado para síntese e análise da literatura científica disponível. A revisão seguiu
os passos metodológicos propostos por Souza et al. (2010): 1) definição da questão
norteadora; 2) elaboração da estratégia e execução da busca; 3) seleção dos estudos
encontrados; 4) escolha das informações relevantes nos estudos selecionados; 4) análise
crítica dos estudos incluídos; 5) discussão dos resultados; 6) apresentação da revisão
integrativa. A questão norteadora foi definida como: “qual o papel do nutricionista na
abordagem da Terapia-Cognitivo Comportamental (TTC) no tratamento da compulsão
alimentar?”.
Em relação aos critérios de inclusão, foram selecionados artigos publicados e disponíveis
integralmente em bases de dados científicas Scielo e Google Acadêmico, e Pubmed .Para
as bases de dados Scielo, Google Acadêmico e BVSalud foram utilizados a combinação
dos descritores “Nutrição Comportamental”; “Transtornos Compulsivos Alimentares”;
“Terapia Cognitivo-comportamental”; “Terapia Comportamental”; “Transtorno da
compulsão alimentar periódica” e para a base de dados PubMed foram utilizados os

20
descritores “Behavioral Nutrition”; “Eating Disorders”; “Cognitive-Behavioral
Therapy”; “Behavioral Therapy”; “Binge Eating Disorder”.

Foram considerados elegíveis artigos originais, de abordagem qualitativa e/ou


quantitativa, entre maio e novembro de 2023, disponíveis em texto completo de acesso
gratuito, nos idiomas inglês, português ou espanhol e que contemplassem a questão
norteadora proposta. O processo de seleção dos artigos, realizado por dez pesquisadores
conjuntamente, iniciou-se pela leitura dos títulos e resumos, que permitiu a exclusão de
duplicatas e de trabalhos que não se enquadravam na temática ou nos critérios de
elegibilidade. Seguiu-se com a leitura na íntegra dos artigos restantes e todos foram
considerados elegíveis para inclusão no estudo. Os dados extraídos dos artigos
selecionados incluíram: título, autor, ano, revista, objetivos, metodologia,
população/amostra, resultados e conclusões de cada estudo, sendo que os principais dados
foram sistematizados e apresentados em forma de quadro na seção dos resultados.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos 101 artigos encontrados nas bases de dados, foram incluídos sete estudos
que atendiam aos critérios de inclusão e abordavam a questão norteadora do trabalho.
(Figura 1). A caracterização dos estudos é apresentada no Quadro 1.

Figura 1. Fluxograma de seleção dos artigos incluídos no estudo.

Fonte: Autoras (2023)

21
Todos os artigos referem-se a estudos com adultos com transtornos alimentares,
depressão, ansiedade ou obesidade.
Destaca-se em todos os estudos a utilização da Terapia Cognitivo
Comportamental como auxílio no tratamento de transtornos alimentares.

Quadro 1. Caracterização dos estudos publicados sobre Terapia Cognitivo Comportamental e


Transtornos Alimentares
Ano Título / Periódico Autoria Objetivos Resultados

2023 O papel do Heringer, Analisar o papel  Intervenção promissora do


Nutricionista no P. N., et. do nutricionista nutricionista;
tratamento da al no tratamento da  Indicação de Suplementos;
Ansiedade e (2023) ansiedade e  Dieta adequada.
Depressão: Uma depressão
Revisão Sistemática diminuindo a
compulsão
alimentar.
2023 Letícia Expor a visão de  A terapia tem respostas
Langlois terapeutas no que rápidas e de longo prazo;
Terapia cognitiva Oliveira – se refere às
comportamental para Carolina vantagens e
 Técnicas e estratégias planos
transtornos alimentares: Peixoto Deiro limitações da TCC. e tarefas da TCC para
A visão de Revista Participação dos mudança de hábitos sociais e
psicoterapeutas sobre o Brasileira profissionais em do dia a dia são eficazes no
tratamento de terapia uma equipe tratamento.
comportam interdisciplinar.
ental e
cognitiva
(2023)
2020 Terapia Avaliar o  A TCC produz melhores
comportamental LAMMER resultado do resultados do que a TCD-
dialética adaptada para S, M.W.; DBT-BED, em TCAP.
compulsão alimentar et al. comparação com  Mudança clinicamente
periódica comparada à (2020) uma forma mais significativa na psicopatologia
terapia intensiva de
global do transtorno
comportamental TCC focada em
alimentar.
cognitiva em adultos transtornos
obesos com transtorno alimentares, em
da compulsão indivíduos com
alimentar periódica: TCAP que estão
um estudo controlado. com sobrepeso e
se envolvem em
alimentação
emocional.

2017 A Eficácia da terapia Verificar como a  A Terapia Cognitivo


cognitivo STIVAL, Terapia Comportamental é eficiente
comportamental no J. K., et al. Cognitivo no tratamento do Transtorno
tratamento de (2017) Comportamental Compulsivo Alimentar
transtorno compulsivo (TCC) auxilia no Periódico;
alimentar periódico tratamento da  Pacientes obtiveram
Compulsão
melhoras na autoestima, no

22
Alimentar modo de se enxergar,
Periódica percebe o problema e tem
coragem de enfrentá-lo.
2012 Terapia Cognitivo- Relatar a  Melhora clinicamente
Comportamental em NEUFEL experiência significativa no que tange as
Grupos de D, C. B.; resultante da dificuldades interpessoais.
Emagrecimento: O et al. intervenção em  Redução objetiva do peso.
Relato de Uma (2012) TCC em grupos
Experiência (TCCG) em
participantes que
visavam
emagrecimento
dentro de uma
clínica
multiprofissional
.
2012 Contribuições da Verificar as
Psicologia e da França. C. contribuições da  Mudanças de hábitos
nutrição para a (2012) Psicologia e da alimentares;
mudança do nutrição para a  Emagrecimento.
comportamento mudança do
alimentar comportamento
alimentar
Fonte: Autoras (2023)

Na pesquisa de Neufeld e colaboradores (2012) a Terapia Cognitivo-


Comportamental (TCC) foi apontada como uma estratégia bastante eficaz no
tratamento da obesidade. Observou-se uma melhora clinicamente significativa no que
tange as dificuldades interpessoais, ao grau de adaptação social, à autoestima, aos
níveis de ansiedade, ao sentimento de bem-estar das participantes e a diminuição da
compulsão alimentar, além da redução objetiva do peso. O relato de experiência analisa
intervenções para obesidade e emagrecimento, destacando resultados positivos, porém
apontando várias limitações. Recomenda-se uma abordagem mais multidisciplinar,
incluindo médicos, psiquiatras e educadores físicos para maior eficácia. Falta de
medidas quantitativas para variáveis psicológicas compromete a validade dos
resultados, sugerindo aplicação de pré e pós-testes. A quantidade limitada de sessões
de intervenção e a falta de acompanhamento pós-intervenção são limitações que podem
impactar os resultados. A ausência de um grupo controle limita a generalização dos
resultados. O relato serve como base para desenvolver programas mais eficazes,
enfatizando a necessidade de abordagens mais abrangentes, avaliações mais rigorosas
e acompanhamento pós-intervenção.

23
O estudo de Heringer e colaboradores (2023) abordou uma variedade de
intervenções nutricionais no tratamento da ansiedade e depressão fazendo com que
esses tipos de sintomas mudassem a forma de comportamento nutricional da pessoa.
Ao ter uma visão mais profunda sobre esse tratamento foi identificado que a prescrição
da suplementação e da dieta correta auxiliavam na diminuição do comportamento
compulsivo no paciente. O Resultado mostrou a diminuição da ansiedade após 12
semanas em 500 indivíduos após a suplementação (ômega3) recomendada pelo
nutricionista. E a diminuição da depressão após 6 meses em 100 indivíduos após a
recomendação da dieta adequada (dieta mediterrânea). O texto aborda duas questões
essenciais: o papel do nutricionista no tratamento da ansiedade e depressão por meio
de intervenções alimentares e a relevância da abordagem multidisciplinar nesses
transtornos. Na primeira parte, destaca-se a eficácia das intervenções nutricionais,
como ômega-3, dieta mediterrânea e probióticos, na redução dos sintomas de ansiedade
e depressão. Estudos evidenciam melhorias, como a redução da depressão com a dieta
mediterrânea e da ansiedade com ômega-3. Apesar da avaliação positiva dos estudos,
mais pesquisas são necessárias para validar e definir as melhores estratégias
nutricionais. A segunda parte enfoca a abordagem multidisciplinar, ressaltando a
importância de equipes com diferentes profissionais (psicólogos, psiquiatras,
terapeutas ocupacionais, assistentes sociais) para um cuidado integral. Essa abordagem
considera aspectos emocionais, comportamentais, biológicos e sociais, com cada
profissional desempenhando um papel específico (TCC na psicologia, medicamentos
na psiquiatria, suporte na terapia ocupacional e assistência social). Ambas as
discussões destacam a necessidade de uma visão integrada no tratamento da ansiedade
e depressão. Enquanto as intervenções nutricionais complementam o tratamento
tradicional, a abordagem multidisciplinar oferece um cuidado holístico e colaborativo.
A combinação dessas abordagens pode proporcionar estratégias mais eficazes no
manejo dessas condições, beneficiando os pacientes de maneira ampla.
A ansiedade e depressão são transtornos mentais que afetam milhões de pessoas
em todo mundo. Diante disso as intervenções não farmacológicas têm aumentado nos
últimos anos. Portanto nesse contexto, as intervenções nutricionais foram bastante
promissoras, evidenciando uma associação positiva entre a intervenção e a redução de
sintomas. A intervenção do nutricionista reduziu a ocorrência dos sintomas de
ansiedade e depressão. Isso fez com que a prescrição do nutricionista trouxesse eficácia
na melhora do paciente, reduzindo a depressão significativamente. A dieta prescrita

24
com legumes, frutas, vegetais, legumes, cereais integrais, peixe e azeite de oliva, se
mostra promissora devido à presença de nutrientes com potencial antidepressivo com
o ômega-3 e ácido fólico.
Em outro estudo feito em 2010 por uma nutricionista e uma psicóloga com oito
sessões com uso de Terapia Comportamental Cognitiva – TCC, foi apresentada a
efetividade de melhora nos sintomas de compulsão alimentar periódica, na qualidade
e alimentação e o conhecimento sobre o próprio hábito alimentar fazendo com que o
paciente se alimente saudavelmente e com prazer. A análise de fatores psicológicos
são os aspectos que interferem na manutenção de hábitos alimentares adequados.
Sentimentos avaliados como negativos possibilitam uma adesão menos à dieta e à
prática de hábitos saudáveis. Esses sentimentos desestimulam os indivíduos a
continuarem fazendo a dieta, praticar exercícios físicos e cuidar de si mesmos. Por
outro lado, o sentimento positivo como motivação e alegria, é força propulsora à
mudança do comportamento alimentar e à prática de hábitos saudáveis. Assim, a
motivação é fator primordial para a adesão às mudanças no estilo de vida. O
conhecimento só serve de instrumento para mudança se houver no individuo o desejo
de mudar. (Chapman,1995).
O nutricionista na promoção da mudança do comportamento alimentar,
mostrou-se efetivo no resultado, auxiliando no emagrecimento e satisfação pessoal. A
inclusão da Terapia Comportamental Cognitiva – TCC foi de extrema importância para
esses pacientes. O programa nutricional associa informações sobre hábitos alimentares
às teorias motivacionais e treinamento de autocontrole a fim de obter um resultado
melhor (Assis & Nahas, 199; Cade et al.,2009: Souza et al.,2005). Dessa forma, o
nutricionista trabalhando em conjunto com o psicólogo trouxeram resultados
significantes no comportamento alimentar das pessoas, pois o estudo identificou
ocasiões que desencadearam para o mau comportamento alimentar, atuando na causa
maior e o nutricionista conseguiu prescrever alimentos com nutrientes saudáveis que
agiram no organismo combatendo sentimentos ou hábitos ruins para o indivíduo.
O estudo de França (2015) avaliou aspectos nutricionais e psicológicos em um
grupo psicoeducativo com foco na mudança do comportamento alimentar, e
confirmou-se a alta prevalência da depressão e ansiedade como fatores psicológicos
que interferem na mudança de comportamento alimentar e a relevância de uma ação
multiprofissional, como forma de modificar o estilo de vida e obter respostas mais
eficazes. Isso mostra que fatores psicológicos podem interferir na forma de se

25
alimentar, desencadeando hábitos maléficos para a alta da depressão. O estudo
conseguiu identificar os erros e priorizar hábitos saudáveis para a baixa da depressão
no paciente.
O estudo longitudinal realizado por Cezarreto (2010) foi separado por 2 grupos.
os indivíduos eram pré-diabéticos ou com síndrome metabólica, o objetivo era
melhorar a qualidade de vida destes participantes. O grupo 1 foi submetido a consultas
médicas tradicionais com endocrinologistas a cada três meses. O grupo 2 com consultas
trimestrais com endocrinologista, orientação dietética individual com a nutricionista e
participação em grupo metabólica, com 13 sessões. Constatou-se que o grupo 2 reduziu
sintomas depressivos e compulsão alimentar e melhorou a qualidade de vida.
Lammer, et al, 2020, procurou examinar as provas atuais, tanto práticas quanto
teóricas, sobre o funcionamento das terapias comportamentais dialéticas.
Especificamente, avaliou-se sua eficácia no tratamento da bulimia nervosa e do
transtorno da compulsão alimentar periódica. Os resultados indicam que a terapia
comportamental dialética, originalmente desenvolvida para o transtorno de
personalidade borderline, está sendo aplicada em outras condições do eixo I. No
contexto dos distúrbios alimentares, essa abordagem se apoia em um modelo dialético
que utiliza estratégias comportamentais e cognitivas. Essa metodologia ajuda os
pacientes a gerenciar melhor os estados emocionais negativos, o que reduz a
probabilidade de ocorrência de comportamentos bulímicos e episódios de compulsão
alimentar. Embora haja escassez de estudos sobre sua eficácia, os resultados existentes
sugerem que a terapia comportamental dialética pode ser efetiva nas populações
avaliadas. O tratamento de distúrbios alimentares enfoca os fatores que mantêm esses
problemas. Terapias como a cognitivo-comportamental para bulimia e a interpessoal
abordam questões específicas, como a quebra da restrição alimentar e problemas nas
relações sociais resultantes dos comportamentos inadequados.
Fairburn, et al. 2003, expandiram a abordagem tradicional da terapia cognitivo-
comportamental ao incluir quatro mediadores principais da resposta alimentar
disfuncional: perfeccionismo, baixa autoestima, dificuldades interpessoais e
intolerância emocional. A Terapia Comportamental Dialética (TCD) foca
especialmente na intolerância emocional, considerando também os outros fatores. Ela
parte do pressuposto de que os comportamentos alimentares disfuncionais, como o
binge eating, servem para lidar com emoções negativas em pessoas com poucas
habilidades de regulação emocional.

26
Os episódios de binge eating são vistos como uma tentativa de evitar emoções
desagradáveis relacionadas a pensamentos sobre alimentação, corpo, perfeccionismo
ou questões interpessoais. Inicialmente, o binge serve para escapar de sensações
indesejadas e desviar a atenção dos pensamentos desconfortáveis. A longo prazo,
porém, contribuem para emoções negativas secundárias, como vergonha, perpetuando
esses comportamentos. Alguns pesquisadores sugerem que a TCD, originalmente
destinada a pacientes com dificuldades emocionais, pode ser aplicada para
compreender comportamentos inadequados em pessoas com transtornos alimentares.
Apesar das evidências iniciais de eficácia a curto prazo da TCD, comparações com
outras terapias e o aumento de episódios de binge eating indicam a necessidade de mais
estudos sobre sua eficácia e os mecanismos por trás da recorrência desses
comportamentos, áreas ainda pouco exploradas pelas teorias atuais.
O Estudo feito por Stval J.K e colaboradores (2017), verificou como a Terapia
Cognitivo Comportamental (TCC) pode auxiliar no tratamento da Compulsão
Alimentar Periódica, com o critério de inclusão de mulheres com idade entre 20 a 35
anos. Observou-se que a Terapia Cognitivo Comportamental é eficiente no tratamento
do Transtorno Compulsivo Alimentar Periódico pois as pacientes apresentaram
melhoras na autoestima, no modo de se enxergarem, perceberam o problema e
adquiriram coragem de enfrentá-lo. O estudo também ressaltou a importância de incluir
outros profissionais como nutricionistas e médicos para auxiliarem na perda de peso e
em uma alimentação balanceada. A entrevista com três pacientes do sexo feminino
revelou padrões comportamentais e emocionais associados à compulsão alimentar
periódica. Elas demonstraram hábitos alimentares de mastigação rápida e ingestão sem
prazer, corroborando com estudos que ligam a compulsão alimentar à rápida ingestão
de alimentos. As respostas indicaram consciência do comportamento compulsivo,
levando a sentimentos de desconforto, autocrítica e correlacionados com ansiedade,
impulsividade e isolamento social. Os desencadeadores variaram entre irritabilidade,
nervosismo e insegurança, resultando em um ciclo de comportamento compulsivo na
alimentação. A baixa autoestima e insatisfação corporal foram comuns, gerando
sentimentos de culpa, vergonha e tristeza após episódios de alimentação excessiva. No
entanto, é notável que todas buscam ajuda, incluindo terapia e mudanças nos hábitos
alimentares, pois o tratamento requer abordagens multidisciplinares integrando
medicamentos, intervenções nutricionais e psicológicas. A Terapia Cognitivo-
Comportamental (TCC) oferece técnicas como Tomada de Consciência, Técnica de

27
Pizza ou Torta e Rolly Play, reconhecidas por modificar comportamentos
disfuncionais. Essa abordagem é rápida e focada no presente, proporcionando
melhorias na autoimagem e enfrentamento de desafios emocionais. Superar a
compulsão alimentar periódica requer uma abordagem integrada de intervenções
médicas, nutricionais e psicológicas para uma recuperação eficaz e duradoura,
considerando a complexidade desse transtorno.
O estudo de Letícia, et al (2023), se propõe a investigar perspectiva de quatro
terapeutas altamente especializados nessa área para entender melhor como é conduzido
o tratamento dos Transtornos Alimentares (TA). Destacou-se a relevância do elo entre
terapeuta e paciente, da colaboração entre diferentes áreas de especialização e da
participação familiar no processo terapêutico. Enquanto vantagens da Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC), foram mencionadas a prontidão na resposta
terapêutica e a eficácia das técnicas utilizadas. No entanto, foram apontadas limitações,
como a falta de motivação por parte dos pacientes e preocupações financeiras. O
principal critério para a alta do tratamento é a obtenção de um funcionamento global
satisfatório. Em conclusão, há consenso sobre a importância de novas pesquisas na
área, enfatizando a necessidade de estudos específicos no contexto nacional.
Este estudo discute as vantagens, limitações e áreas potenciais de
aprimoramento da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) no tratamento de
transtornos alimentares. Os terapeutas reconhecem a rápida resposta da TCC,
destacando vantagens como o plano de prevenção à recaída e os efeitos a longo prazo.
No entanto, identificam desafios, como a falta de envolvimento familiar padronizado,
dificuldades de aceitação biológica do peso corporal e questões econômicas.
A importância do vínculo terapeuta-paciente, a participação da família no
tratamento, o trabalho interdisciplinar e a abordagem dos fatores etiológicos são
ressaltados como aspectos cruciais. Os critérios de alta são fundamentados na remissão
dos sintomas, no funcionamento global e na observação do paciente diante de
estressores reais.
Os terapeutas também sugerem novas áreas para estudo, como o papel da
família, fatores culturais, estrutura das sessões, eficácia de técnicas específicas para
diferentes transtornos e outras questões, evidenciando a necessidade contínua de
pesquisa e aprimoramento na TCC para transtornos alimentares.

28
5. CONCLUSÃO

Os estudos mostram que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma


abordagem psicoterapêutica eficaz no tratamento de transtornos alimentares quando
combinada com outras abordagens como orientação nutricional e prática de atividade
física. A TCC não substitui os métodos tradicionais utilizados no tratamento
nutricional, ambos devem ser utilizados em conjunto para que o paciente receba o
tratamento adequado às suas necessidades.
É importante ressaltar que a perda de peso sustentável envolve mudanças de
longo prazo no estilo de vida, e a TCC pode ser uma ferramenta valiosa para promover
essas mudanças ao abordar os fatores psicológicos que afetam o comportamento
alimentar.
A importância do nutricionista em identificar e prescrever dietas com redução
nos grupos dos açucares, leites e derivados têm sido primordiais para diminuir o peso
dos participantes dos estudos relatados acima significativamente, reduzindo, dessa
maneira, os níveis de depressão que eles enfrentam, no campo da obesidade, pois
trouxe uma sensação de satisfação dos pacientes diante da diminuição de peso.
O papel do nutricionista resulta em melhora da autoestima em seus pacientes
assim como, mudança de hábitos alimentares, realização de atividade física,
valorização dos alimentos, perda de peso, melhora dos indicadores bioquímicos de
colesterol, triglicerídeos e glicemia e escolhas alimentares saudáveis.
O nutricionista não substitui os outros profissionais tais como: terapeutas
ocupacionais, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, mas complementa seu
trabalho. Múltiplos profissionais trabalhando em conjunto, cada um contribuindo com
suas habilidades específicas, oferecendo uma abordagem terapêutica completa e eficaz
no tratamento dos distúrbios alimentares. Obtendo então uma visão de bem-estar e
recuperação do paciente, possibilitando um olhar mais abrangente e uma intervenção
mais eficaz.
A American Dietetic Association (ADA) também incentiva a utilização da
Técnica do Cognitivo-comportamental por nutricionista, mas alerta que, “por exigir
habilidades e conhecimento em psicologia, o nutricionista somente deve trabalhar com
essa técnica se tiver treinamento e experiência em transtornos alimentares ou então

29
deve optar por trabalhar em conjunto com psicoterapeutas, em uma abordagem
psiconutricional” (ADA, p. 2073-2082, 2006)
Portanto, é importante que o nutricionista esteja ciente das suas próprias
competências e limitações, buscando trabalhar em equipe multidisciplinar sempre que
necessário, visando o melhor atendimento e resultados para o paciente.

30
REFERÊNCIAS

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