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Corrimento com Cheiro de Peixe Podre

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) podem se manifestar por feridas, corrimentos e verrugas, com sintomas como dor pélvica e ardência ao urinar, e incluem doenças como herpes genital, sífilis e HIV. A Vigilância Epidemiológica monitora a situação das IST e orienta sobre prevenção, destacando o uso de preservativos como método eficaz. A prevenção combinada e o tratamento das parcerias sexuais são essenciais para interromper a transmissão das IST.
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Corrimento com Cheiro de Peixe Podre

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) podem se manifestar por feridas, corrimentos e verrugas, com sintomas como dor pélvica e ardência ao urinar, e incluem doenças como herpes genital, sífilis e HIV. A Vigilância Epidemiológica monitora a situação das IST e orienta sobre prevenção, destacando o uso de preservativos como método eficaz. A prevenção combinada e o tratamento das parcerias sexuais são essenciais para interromper a transmissão das IST.
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ISTs

O que são?
Como se manifestam as IST?
As IST podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos e verrugas anogenitais, entre outros possíveis
sintomas, como dor pélvica, ardência ao urinar, lesões de pele e aumento de ínguas. São alguns exemplos de IST:
herpes genital, sífilis, gonorreia, tricomoníase, infecção pelo HIV, infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV),
hepatites virais B e C, infecção pelo vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV).
As IST aparecem, principalmente, no órgão genital, mas podem surgir também em outras partes do corpo,
como palma das mãos, olhos e língua.
O corpo deve ser observado durante a higiene pessoal, o que pode ajudar a identificar uma IST no estágio
inicial. Sempre que se perceber algum sinal ou algum sintoma, deve-se procurar o serviço de saúde,
independentemente de quando foi a última relação sexual, e, quando indicado, avisar a parceria sexual.
São três as principais manifestações clínicas das IST: corrimentos, feridas e verrugas anogenitais.
Corrimentos
 Aparecem no pênis, vagina ou ânus.
 Podem ser esbranquiçados, esverdeados ou amarelados, dependendo da IST.
 Podem ter cheiro forte e/ou causar coceira.
 Provocam dor ao urinar ou durante a relação sexual.
 Nas mulheres, quando é pouco, o corrimento só é visto em exames ginecológicos.
 Podem se manifestar na gonorreia, clamídia e tricomoníase.
Importante!
O corrimento vaginal é um sintoma muito comum e existem várias causas de corrimento que não são
consideradas IST, como a vaginose bacteriana e a candidíase vaginal.
Feridas
 Aparecem nos órgãos genitais ou em qualquer parte do corpo, com ou sem dor.
 Os tipos de feridas são muito variados e podem se apresentar como vesículas, úlceras e manchas, entre
outros.
 Podem ser manifestações da sífilis, herpes genital, cancroide (cancro mole), donovanose e linfogranuloma
venéreo.
Verrugas anogenitais
 São causadas pelo Papilomavírus Humano (HPV) e podem aparecer em forma de couve-flor, quando a infecção
está em estágio avançado.
 Em geral, não doem, mas pode ocorrer irritação ou coceira.
HIV/aids, hepatites virais B e C e HTLV
 Além das IST que causam corrimentos, feridas e verrugas anogenitais, existem as infecções pelo HIV, HTLV e
pelas hepatites virais B e C, causadas por vírus, com sinais e sintomas específicos.
Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
 É outra forma de manifestação clínica das IST.
 Decorre, principalmente, de gonorreia e clamídia não tratadas.
 Atinge os órgãos genitais internos da mulher (útero, trompas e ovários), causando inflamações.
Algumas IST podem não apresentar sinais e sintomas, e, se não forem diagnosticadas e tratadas, podem levar
a graves complicações, como infertilidade, câncer ou até morte. Por isso, é importante fazer exames laboratoriais para
verificar se houve contato com alguma pessoa que tenha IST, após ter relação sexual desprotegida – sem camisinha
masculina ou feminina.

Vigilância epidemiológica das ISTs


A Vigilância Epidemiológica (VE) do DATHI tem por objetivo a observação e análise permanente da situação
epidemiológica das IST, do HIV/aids, das hepatites virais e coinfecções, articulando-se em um conjunto de ações
destinadas à promoção, prevenção e recuperação da saúde. Também visa subsidiar com informações relevantes os
processos de formulação, gestão e avaliação das políticas e ações públicas de importância estratégica. Em suma,
informações para ação.
De modo cronológico, a notificação compulsória da aids e da sífilis congênita, no território nacional, teve início
com a publicação da Portaria nº 542, de 22 de dezembro de 1986. A Infecção pelo HIV em Gestantes, parturientes ou
Puérperas e Crianças expostas ao risco de transmissão vertical do HIV passou a ser de notificação compulsória por
meio da Portaria nº 993, de 4 de setembro de 2000, e a Sífilis em Gestantes, pela Portaria nº 33, de 14 de julho de
2005. Em 2010, a Portaria nº 2.472, de 31 de agosto, incluiu a Sífilis Adquirida na Lista de Notificação Compulsória
(LNC); por sua vez, no ano de 2014, a Portaria nº 1.271, de 6 de junho, e a Portaria nº 1.984, de 12 de setembro,
incluíram a infecção pelo HIV na LNC e a Síndrome do Corrimento Uretral Masculino na lista nacional de doenças e
agravos a serem monitorados por meio da estratégia de vigilância em unidades-sentinela, respectivamente.
As estratégias e recomendações relacionadas às ações de Vigilância Epidemiológica das IST, do HIV/aids e das
hepatites virais encontram-se sistematizadas no Guia de Vigilância em Saúde (GVS). O GVS é mais do que um
instrumento de informação; ele visa disseminar os procedimentos relativos aos fluxos, prazos, instrumentos,
definições de casos suspeitos e confirmados, funcionamento dos sistemas de informação em saúde, condutas,
medidas de controle e demais diretrizes técnicas para operacionalização do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde.
A VE das IST, do HIV/aids e das hepatites virais baseia-se, sobretudo, em informações fornecidas pela
notificação e investigação de casos de doenças e agravos registrados no Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (Sinan) e em dados quantitativos e qualitativos sobre óbitos ocorridos no Brasil e declarados no Sistema de
Informações sobre Mortalidade (SIM). As tendências de HIV/aids são monitoradas, inclusive, com informações
oriundas do Sistema de Controle de Exames Laboratoriais CD4 e CV (Siscel) e do Sistema de Controle Logístico de
Medicamentos (Siclom). Em várias situações, os dados obtidos regularmente por meio das fontes comuns não são
suficientes para gerar as informações necessárias à compreensão do processo endêmico-epidêmico e subsidiar a
gestão; nesses casos, o DCCI lança mão de estudos epidemiológicos[ARC-C1] adicionais, especialmente elaborados
para fornecer informações complementares.
No Portal do Sinan encontram-se disponíveis as Fichas de notificação/investigação, os Instrucionais de
preenchimento das fichas de notificação/investigação e os Dicionários de Dados, distribuídos por agravos/doenças.

Prevenção
Como é a prevenção das IST?
O uso da camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações sexuais (orais, anais e vaginais) é o método
mais eficaz para evitar a transmissão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), do HIV/aids e das hepatites virais
B e C. Serve também para evitar a gravidez.
Importante ressaltar que existem vários métodos anticoncepcionais; no entanto, o único método para evitar a
gravidez que também tem eficácia para prevenção de IST é a camisinha (masculina ou feminina). Orienta-se, sempre
que possível, realizar a dupla proteção: uso da camisinha e outro método anticonceptivo de escolha.
A camisinha masculina ou feminina pode ser retirada gratuitamente nas unidades de saúde.
Quem tem relação sexual desprotegida pode contrair uma IST. Não importa idade, estado civil, classe social,
identidade de gênero, orientação sexual, credo ou religião. Uma pessoa pode estar aparentemente saudável e, ainda
assim, estar infectada por uma IST.
O que é sexo seguro?
Geralmente, o termo “sexo seguro” é associado ao uso exclusivo de preservativos. Por mais que o uso de
preservativos seja uma estratégia fundamental a ser sempre estimulada, ele possui limitações. Assim, outras medidas
de prevenção são importantes e complementares para uma prática sexual segura, como as apresentadas a seguir:
 Usar preservativo;
 Imunizar para hepatite A (HAV), hepatite B (HBV) e HPV;
 Discutir com a(s) parceria(s) sobre testagem para HIV e outras IST;
 Testar regularmente para HIV e outras IST;
 Tratar todas as pessoas vivendo com HIV – PVHIV (Tratamento como Prevenção e I=I1);
 Realizar exame preventivo de câncer de colo do útero (colpocitologia oncótica);
 Realizar Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), quando indicado;
 Conhecer e ter acesso à anticoncepção e concepção;
 Realizar Profilaxia Pós-Exposição (PEP), quando indicado.
Nesse sentido, é essencial ampliar as possibilidades de prevenção e tornar o cenário mais completo e efetivo.
1 Indetectável = Intransmissível, ou seja, as PVHIV com carga viral indetectável e sustentada não transmitem o
HIV por meio de relações sexuais.
Por que alertar as parcerias sexuais
O controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) não ocorre somente com o tratamento de quem
busca ajuda nos serviços de saúde. Para interromper a transmissão dessas infecções e evitar a reinfecção, é
fundamental que as parcerias também sejam testadas e tratadas, com orientação de um profissional de saúde.
As parcerias sexuais devem ser alertadas sempre que uma IST for diagnosticada. É importante informá-las
sobre as formas de contágio, o risco de infecção, a necessidade de atendimento em uma unidade de saúde e as
medidas de prevenção e tratamento (ex.: relação sexual com uso de camisinha masculina ou feminina até que a
parceria seja tratada e orientada).
Prevenção e Profilaxia das IST
Conheça as formas de prevenção ao HIV, às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e às hepatites virais
A Prevenção Combinada associa diferentes métodos de prevenção ao HIV, às IST e às hepatites virais (ao
mesmo tempo ou em sequência), conforme as características e o momento de vida de cada pessoa. Entre os métodos
que podem ser combinados, estão:
 A testagem regular para o HIV, que pode ser realizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS);
 A prevenção da transmissão vertical (quando o vírus é transmitido para o bebê durante a gravidez, parto ou
durante a amamentação);
 O tratamento das infecções sexualmente transmissíveis e das hepatites virais;
 A imunização para HPV e as hepatites A e B;
 Programas de redução de danos para usuários de álcool e outras substâncias;
 Profilaxia pré-exposição (PrEP);
 Profilaxia pós-exposição (PEP);
 Tratamento de pessoas que vivem com HIV (PVHIV). É bom lembrar que uma pessoa com boa adesão ao
tratamento atinge níveis de carga viral tão baixos que é praticamente nula a chance de transmitir o vírus para
outras pessoas. Além disso, quem toma o medicamento corretamente não adoece e garante a sua qualidade
de vida. Todos esses métodos podem ser utilizados pela pessoa isoladamente ou combinados.

Cancro mole
O que é
É causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, sendo mais frequente em países tropicais.
Formas de contágio
Transmite-se pela relação sexual com uma pessoa infectada sem o uso da camisinha masculina ou feminina.
Sinais e sintomas
Feridas múltiplas e dolorosas de tamanho pequeno com presença de pus, que aparecem com frequência nos órgãos
genitais (ex.: pênis, ânus e vulva).
Podem aparecer nódulos (caroços ou ínguas) na virilha.
Diagnóstico e tratamento
Ao se observar qualquer sinal e sintoma de cancro mole, a recomendação é procurar um serviço de saúde. O
tratamento deverá ser prescrito pelo profissional de saúde.

Gonorreia e clamídia
O que são?
São IST causadas por bactérias (Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, respectivamente). Na maioria das
vezes estão associadas, causando a infecção que atinge os órgãos genitais, a garganta e os olhos. Os sintomas
causados por essas bactérias também podem ser provocados por outras bactérias menos frequentes, como
Ureaplasmas e Mycoplasmas.
Os sintomas mais frequentes causados por essas infecções são, na mulher, corrimento vaginal com dor no baixo
ventre na mulher, e nos homens, corrimento no pênis e dor ao urinar. No entanto, é muito comum que as infecções
causadas por essas bactérias sejam assintomáticas na maioria dos casos. A falta de sintomas leva as mulheres a não
procurarem tratamento para essas infecções, as quais podem se agravar quando não tratadas, causando Doença
Inflamatória Pélvica (DIP), infertilidade (dificuldade para ter filhos), dor durante as relações sexuais, gravidez nas
trompas, entre outros danos à saúde.
Formas de contágio
A transmissão é sexual e o uso da camisinha masculina ou feminina é a melhor forma de prevenção.
Sinais e sintomas
 Dor ao urinar ou no baixo ventre (pé da barriga), corrimento amarelado ou claro, fora da época da
menstruação, dor ou sangramento durante a relação sexual.
 A maioria das mulheres infectadas não apresentam sinais e sintomas.
 Os homens podem apresentar ardor e esquentamento ao urinar, podendo haver corrimento ou pus, além de
dor nos testículos.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessas IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
As parcerias sexuais devem ser tratadas, ainda que não apresentem sinais e sintomas.
Conjuntivite neonatal
Há possibilidade de transmissão dessas infecções no parto vaginal e a criança pode nascer com conjuntivite, que pode
levar à cegueira se não for prevenida ou tratada adequadamente.
Deve-se aplicar colírio nos olhos do recém-nascido na primeira hora após o nascimento (ainda na maternidade) para
prevenir a conjuntivite (oftalmia) neonatal.
Além da conjuntivite, a infecção no recém-nascido pode atingir órgãos internos, com aumento a gravidade da
infecção, por vezes necessitando de internação hospitalar para tratamento.

HPV
O que é
O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é um vírus que infecta a pele ou mucosas (oral, genital ou anal)
das pessoas, provocando verrugas anogenitais (na região genital e ânus) e câncer, a depender do tipo de vírus. A
infecção pelo HPV é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST).
Formas de transmissão
A transmissão do HPV se dá por contato direto com a pele ou mucosa infectada. A principal forma de transmissão é
pela via sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital. Portanto, o contágio com o
HPV pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal. Também pode haver transmissão durante o
parto.
Como muitas pessoas infectadas pelo HPV não apresentam sinais ou sintomas, elas não sabem que têm o vírus, mas
podem transmiti-lo.
Sinais e sintomas
A infecção pelo HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente de
meses a anos, sem manifestar sinais (visíveis a olho nu), ou apresentar manifestações subclínicas (não visíveis a olho
nu).
A diminuição da resistência do organismo pode desencadear a multiplicação do HPV e, consequentemente, provocar o
aparecimento de lesões. A maioria das infecções em mulheres (sobretudo em adolescentes) tem resolução
espontânea, pelo próprio organismo, em um período aproximado de até 24 meses.
As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem, aproximadamente, entre dois e oito meses, mas pode
demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. As manifestações costumam ser mais comuns em
gestantes e em pessoas com imunidade baixa.
 Lesões clínicas – apresentam-se como verrugas na região genital e no ânus (denominadas tecnicamente
condilomas acuminados e popularmente conhecidas como "crista de galo", "figueira" ou "cavalo de crista").
Podem ser únicas ou múltiplas, de tamanho variável, achatadas ou papulosas (elevadas e sólidas). Em geral,
são assintomáticas, mas pode haver coceira no local. Essas verrugas, normalmente, são causadas por tipos de
HPV não cancerígenos.
 Lesões subclínicas (não visíveis ao olho nu) – podem ser encontradas nos mesmos locais das lesões clínicas e
não apresentam sinais/sintomas. As lesões subclínicas podem ser causadas por tipos de HPV de baixo e de alto
risco para o desenvolvimento de câncer.
 Podem acometer vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa
escrotal e/ou região pubiana. Menos frequentemente, podem estar presentes em áreas extragenitais, como
conjuntivas e mucosas nasal, oral e laríngea.
Mais raramente, crianças que foram infectadas no momento do parto podem desenvolver lesões verrucosas nas
cordas vocais e laringe (Papilomatose Respiratória Recorrente).
Prevenção
Vacinar-se contra o HPV é a medida mais eficaz de se prevenir contra a infecção. A vacina é distribuída gratuitamente
pelo SUS e é indicada para:
 Meninas e meninos de 9 a 14 anos, com esquema de dose única;
 Mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes
oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos, com esquema de três doses independentemente da idade,
aplicadas aos 0 – 2 – 6 meses (segunda dose dois meses após a primeira e terceira 6 meses após a primeira
dose);
 Vítimas de abuso sexual, imunocompetentes, de 15 a 45 anos (homens e mulheres) que não tenham tomado a
vacina HPV ou estejam com esquema incompleto, com esquema de 2 doses para as pessoas de 9 a 14 anos e 3
doses para as pessoas de 15 a 45 anos;
 Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de HIV, com idade de 15 a 45 anos, que não tenham tomado a
vacina HPV ou estejam com esquema incompleto (de acordo com esquema preconizado para idade ou
situação especial), com esquema de 3 doses.
 A vacina não previne infecções por todos os tipos de HPV, mas é dirigida para os tipos mais frequentes: 6, 11,
16 e 18.
O usuário de PrEP e a pessoa vivendo com HIV ou aids (PVHA) pode se vacinar contra o HPV em qualquer sala de
vacina pública (posto de vacinação, CRIE, Serviço de Atendimento/SAE, Centro de Testagem e Aconselhamento), desde
que apresente qualquer tipo de comprovação de que faz PrEP ou tratamento com antirretrovirais (Tarv). Como
sugestão aos prescritores, pode-se utilizar o formulário de “Prescrição de Imunizantes”, disponível no link.
Ressalta-se, porém, que a vacina não é um tratamento e não apresenta eficácia contra infecções ou lesões por HPV já
existentes. A vacina não previne infecções por todos os tipos de HPV, mas é dirigida para os tipos mais frequentes: 6,
11, 16 e 18.
Exame preventivo do câncer de colo de útero: o câncer do colo do útero é causado principalmente pela infecção
persistente por alguns tipos de HPV. O exame preventivo, também chamado de colpocitologia oncótica cervical ou
Papanicolau, é o exame ginecológico preventivo mais comum para identificar lesões precursoras de câncer do colo do
útero. Esse exame ajuda a detectar células anormais no revestimento do colo do útero, que podem ser tratadas antes
de se tornarem câncer. O exame não é capaz de diagnosticar a presença do HPV; no entanto, é considerado o melhor
método para detectar o câncer do colo do útero e suas lesões precursoras.
Quando as alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir 100% dos casos. Por
isso, é muito importante que as mulheres façam o exame de Papanicolau regularmente, mesmo que estejam
vacinadas contra HPV.
Em 2024, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e de Completo Econômico-Industrial de Saúde (SECTICS),
incorporou ao SUS os testes moleculares para detecção de HPV oncogênico, como forma de rastreamento do câncer
de colo de útero, conforme publicação em PORTARIA SECTICS/MS Nº 3, DE 7 DE MARÇO DE 2024. As diretrizes
brasileiras para o rastreamento de colo de útero do Brasil encontram-se em processo de atualização.
Preservativo: o uso de preservativo (camisinha) nas relações sexuais é outra importante forma de prevenção do HPV.
Contudo, o seu uso, apesar de prevenir a maioria das IST, não impede totalmente a infecção pelo HPV, pois muitas
vezes as lesões estão presentes em áreas não protegidas pela camisinha (vulva, região pubiana, períneo ou bolsa
escrotal). A camisinha feminina, que cobre também a vulva, é mais eficaz para evitar a infecção, se utilizada desde o
início da relação sexual.
Parceria sexual: é fundamental que as parcerias sexuais sejam aconselhadas e examinadas. Pode acontecer de a
infecção inicial ter ocorrido na parceria sexual que não apresente qualquer sinal ou sintoma. Dessa forma, faz-se
necessária a realização de consulta para o casal.
Diagnóstico
O diagnóstico do HPV é atualmente realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, dependendo do tipo das
lesões (clínicas ou subclínicas).
 Lesões clínicas – podem ser diagnosticadas por meio do exame clínico urológico (pênis), ginecológico
(vulva/vagina/colo uterino), anal (ânus e região perianal) e dermatológico (pele).
 Lesões subclínicas – podem ser diagnosticadas por exames laboratoriais, como o exame preventivo
Papanicolau (citopatologia), colposcopia, peniscopia e anuscopia, e também por meio de biopsias e
histopatologia, a fim de distinguir as lesões benignas das malignas.
Tratamento
O objetivo do tratamento das verrugas anogenitais (região genital e ânus) é a destruição das lesões.
Independentemente da realização do tratamento, as lesões podem desaparecer, permanecer inalteradas ou aumentar
em número e/ou volume.
Sobre o tratamento:
 Deve ser individualizado, considerando características (extensão, quantidade e localização) das lesões,
disponibilidade de recursos e efeitos adversos.
 Os tipos de tratamento são químicos, cirúrgicos e estimuladores da imunidade.
 Podem ser domiciliares (autoaplicados: imiquimode, podofilotoxina) ou ambulatoriais (aplicados no serviço de
saúde: ácido tricloroacético – ATA, podofilina, eletrocauterização, exérese cirúrgica e crioterapia), conforme
indicação profissional para cada caso.
 Podofilina e imiquimode não devem ser usadas na gestação.
 O tratamento das verrugas anogenitais não elimina o vírus e, por isso, as lesões podem reaparecer. As pessoas
infectadas e suas parcerias devem retornar ao serviço, caso se identifiquem novas lesões.
 Além do tratamento de lesões visíveis, é necessário que os profissionais de saúde realizem exame clínico
anogenital completo, pois pode haver lesões dentro de vagina e ânus não identificadas pela própria pessoa
afetada.
Pessoas com imunodeficiência – as recomendações de tratamento do HPV são as mesmas para pessoas com
imunodeficiência (ex.: pessoas vivendo com HIV, transplantadas). Porém, nesse caso, o paciente requer
acompanhamento mais atento, já que pessoas com imunodeficiência tendem a apresentar pior resposta ao
tratamento.

Doença inflamatória pélvica (DIP)


O que é
É uma síndrome clínica causada por vários microrganismos, que ocorre devido à entrada de agentes infecciosos pela
vagina em direção aos órgãos sexuais internos, atingindo útero, trompas e ovários e causando inflamações. Esse
quadro acontece principalmente quando a gonorreia e a infecção por clamídia não são tratadas.
Formas de contágio
Essa infecção pode ocorrer por meio de contato com as bactérias após a relação sexual desprotegida. A maioria dos
casos se dá em mulheres que têm outra Infecção Sexualmente Transmissível (IST), como a cervicite, causada
principalmente gonorreia e infecção por clamídia não tratadas.
Entretanto, também pode ocorrer após algum procedimento médico local – como inserção de Dispositivo Intrauterino
(DIU), biópsia na parte interna do útero ou curetagem.
O uso da camisinha masculina ou feminina é a melhor forma de prevenção.
Sinais e sintomas
 Dor na parte baixa do abdômen (no “pé da barriga” ou baixo ventre) e/ou durante a relação sexual.
 Dor abdominal e nas costas.
 Febre, fadiga e vômitos.
 Corrimento vaginal, sangramento vaginal, dor ao urinar.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma de DIP, recomenda-se procurar imediatamente um profissional de saúde
para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado.
Em casos mais graves, é necessária a internação hospitalar para uso de antibiótico por via venosa.

Donovanose
O que é
É uma IST crônica progressiva, causada pela bactéria Klebsiella granulomatis. Acomete preferencialmente a pele e
mucosas das regiões da genitália, da virilha e do ânus. Causa úlceras e destrói a pele infectada. É pouco frequente,
ocorrendo na maioria das vezes em climas tropicais e subtropicais.
Formas de contágio
A transmissão ocorre pelo sexo desprotegido com uma pessoa infectada. Por isso, recomenda-se sempre o uso da
camisinha masculina ou feminina.
Sinais e sintomas
 Após o contágio, aparece uma lesão que se transforma em ferida ou caroço vermelho.
 Não dói e não tem íngua.
 A ferida vermelha sangra fácil, pode atingir grandes áreas e comprometer a pele ao redor, facilitando a
infecção por outras bactérias.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessas IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
Ao término do tratamento, é necessário retorno à consulta, para avaliação de cura da infecção.
Deve-se evitar contato sexual até que os sinais e sintomas tenham desaparecido e o tratamento seja finalizado.

Linfogranuloma venéreo (LGV)


O que é
O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma infecção crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que atinge os
órgãos genitais e os gânglios da virilha. É popularmente conhecida como “mula”.
Formas de contágio
A transmissão ocorre pelo sexo desprotegido com uma pessoa infectada. Por isso, recomenda-se sempre o uso
da camisinha masculina ou feminina e o cuidado com a higiene íntima após a relação sexual.
Sinais e sintomas
 Feridas nos órgãos genitais e outros (pênis, vagina, colo do útero, ânus e boca), as quais, muitas vezes, não são
percebidas e desaparecem sem tratamento.
 Entre uma a seis semanas após a ferida inicial, surge um inchaço doloroso (caroço ou íngua) na virilha, que, se
não for tratado, rompe-se, com a saída de pus.
 Pode haver sintomas por todo o corpo, como dores nas articulações, febre e mal-estar.
 Quando não tratada adequadamente, a infecção pode agravar-se, causando elefantíase (acúmulo de linfa no
pênis, escroto e vulva).
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessa IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
As parcerias sexuais também precisam ser tratadas.

Sífilis
O que é
É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema
pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e
terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior.
Formas de transmissão
A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, ou ser transmitida para a
criança durante a gestação ou parto.
Sinais e sintomas
Sífilis primária
 Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou
outros locais da pele), que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias e é
chamada de “cancro duro”.
 Normalmente, ela não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas
(caroços) na virilha.
 Essa ferida desaparece sozinha, independentemente de tratamento.
Sífilis secundária
 Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida
inicial.
 Podem surgir manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés.
Essas lesões são ricas em bactérias.
 Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo.
 As manchas desaparecem em algumas semanas, independentemente de tratamento, trazendo a falsa
impressão de cura.
Sífilis latente – fase assintomática
 Não aparecem sinais ou sintomas.
É dividida em: latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano de infecção).
 A duração dessa fase é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma
secundária ou terciária.
Sífilis terciária
 Pode surgir entre 1 e 40 anos após o início da infecção.
 Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e
neurológicas, podendo levar à morte.
Diagnóstico
O teste rápido (TR) de sífilis está disponível nos serviços de saúde do SUS, sendo prático e de fácil execução, com
leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. O TR de sífilis é
distribuído pelo Departamento de Condições Crônicas Infecciosas/Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da
Saúde (DCCI/SVS/MS), como parte da estratégia para ampliar a cobertura diagnóstica.
Nos casos de TR positivos (reagentes), uma amostra de sangue deverá ser coletada e encaminhada para realização de
um teste laboratorial (não treponêmico) para confirmação do diagnóstico.
Em caso de gestante, devido ao risco de transmissão ao feto, o tratamento deve ser iniciado com apenas um teste
positivo (reagente), sem precisar aguardar o resultado do segundo teste.
Devido à grande quantidade de casos surgindo no país, a recomendação de tratamento imediato antes do resultado
do segundo exame se estendeu para outros casos: vítimas de violência sexual; pessoas com sintomas de sífilis primária
ou secundária; pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis e pessoas com grande chance de não retornar ao serviço de
saúde para verificar o resultado do segundo teste.
Tratamento
O tratamento da sífilis é realizado com a penicilina benzatina, antibiótico que está disponível nos serviços de saúde do
SUS. A dose de penicilina que deve ser utilizada vai depender do estágio clínico da sífilis. A penicilina é o tratamento de
escolha para sífilis, outros antibióticos devem ser avaliados para casos específicos de acordo com a avaliação criteriosa
do profissional de saúde. Após o tratamento completo, é importante continuar o seguimento com coleta de testes não
treponêmicos para ter certeza da cura. Todas as parcerias sexuais dos últimos 3 meses devem ser testadas e tratadas
para quebrar a cadeia de transmissão.
Quando a sífilis é detectada na gestante, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, com a penicilina
benzatina. Esse é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical (passagem da sífilis da mãe para o
bebê). A parceria sexual também deverá ser testada e tratada para evitar a reinfecção da gestante que foi tratada. São
critérios de tratamento adequado da gestante:
 Administração de penicilina benzatina.
 Início do tratamento até 30 dias antes do parto.
 Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da sífilis.
 Respeito ao intervalo recomendado das doses (a cada 7 dias, de acordo com o esquema terapêutico).
Importante que toda gestante diagnosticada com sífilis, após o tratamento, realize o seguimento mensal, com teste
não treponêmico, para controle terapêutico.
Prevenção
O uso correto e regular da camisinha feminina ou masculina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O
acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal de qualidade contribui para o controle da
sífilis congênita.
Importante destacar que a sífilis não confere imunidade permanente, ou seja, mesmo após o tratamento adequado,
cada vez que entrar em contato com o agente etiológico (T. pallidum) a pessoa pode ter a doença novamente.
Sífilis congênita
É uma doença transmitida da mãe não tratada ou tratada de forma não adequada para criança durante a gestação
(transmissão vertical). Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o
resultado for positivo (reagente), tratar corretamente a mulher e sua parceria sexual, para evitar a transmissão.
Recomenda-se que a gestante seja testada pelo menos em três momentos:
 Primeiro trimestre de gestação;
 Terceiro trimestre de gestação;
 Momento do parto ou em casos de aborto.
Sinais e sintomas
A maior parte dos bebês com sífilis congênita não apresentam sintomas ao nascimento. No entanto, as manifestações
clínicas podem surgir nos primeiros três meses, durante ou após os dois anos de vida da criança. São complicações da
doença: abortamento espontâneo ou natimortalidade, parto prematuro, malformação do feto, surdez, cegueira,
alterações ósseas, deficiência mental e/ou morte ao nascer.
Diagnóstico
Deve-se avaliar a história clínico-epidemiológica da mãe, o exame físico da criança e os resultados dos testes, incluindo
os exames radiológicos e laboratoriais, incluindo a coleta de líquor.
Tratamento
O tratamento da sífilis congênita é realizado com penicilina cristalina ou procaína, durante 10 dias.
Prevenção
A prevenção da sífilis congênita é realizada por meio de pré-natal adequado e com qualidade. É fundamental que o
teste para sífilis seja ofertado para todas as gestantes, pelo menos no 1ª e 3ª trimestre de gestação ou em situações
de exposições de risco. As gestantes com diagnóstico de sífilis devem ser tratadas e seguidas adequadamente, assim
como, suas parcerias sexuais, para evitar reinfecção após o tratamento.
Cuidados com a criança exposta à sífilis
Todas as crianças expostas à sífilis de mães que não foram tratadas, ou que receberam tratamento não adequado, são
submetidas a diversas intervenções, que incluem: coleta de amostras de sangue, avaliação neurológica (incluindo
punção lombar), raio-X de ossos longos, avaliação oftalmológica e audiológica. Muitas vezes há necessidade de
internação hospitalar prolongada.
As crianças expostas à sífilis de mães que foram adequadamente tratadas durante a gestação também devem ser
cuidadosamente avaliadas, para descartar a possibilidade de sífilis congênita. A investigação de sífilis congênita deve
acontecer na hora do parto, mas também no acompanhamento dessas crianças nas consultas de puericultura, com
realização de testes não treponêmicos.

HTLV
O que é
O HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas) foi o primeiro retrovírus humano oncogênico causador de doença
infecciosa, descoberto na década de 80. Esse vírus infecta principalmente as células do sistema imunológico (LTCD4+),
e possui a capacidade de imortaliza-las, fazendo assim com que essas percam sua função de defender nosso
organismo, no entanto, o papel desse vírus na oncogênese ainda está para ser estabelecido. Esse vírus possui quatro
subtipos o HTLV-1 (subtipo que mais causa doenças associadas), o HTLV-2, o HTLV-3 e o HTLV-4. É importante destacar
que o HTLV de subtipo 3 e 4 foram relatados em alguns indivíduos na África Subsaariana, aparentemente resultado de
infecção zoonótica de primatas locais.
É importante destacar que a detecção da infecção pelo HTLV só foi possível a partir de 1983, quando foram
introduzidos testes sorológicos para a avaliação da disseminação viral. No Brasil, estes testes foram introduzidos a
partir de 1993, sendo obrigatórios em todos os bancos de sangue. A triagem para esse agente infeccioso também é
realizada durante os processos de fertilização in vitro em nosso país.
Formas de Transmissão
As rotas de transmissão do HTLV-1 e HTLV-2 são: transmissão vertical (de mãe infectada para o filho) durante a
amamentação e raramente durante a gestação; relação sexual desprotegida (sem uso de camisinha) com parceiro
infectado, compartilhamento de seringas e agulhas (figura 1). Uma caraterística importante na transmissão desse
vírus é o contato direto de célula para célula, ou seja, é necessário para a transmissão eficiente de HTLV que uma
célula infectada para uma nova célula hospedeira através de um mecanismo especializado e altamente organizado,
conhecido como a sinapse virológica, em que o vírus subverte a fisiologia normal das células T. Para que esse processo
aconteça, diferente de outras infecções virais, o tempo de exposição e a quantidade de células infectadas a qual o
indivíduo teve contato, é crucial para que aconteça a infecção.

Figura 1. Fatores de risco associados a transmissão de HTLV.


Sinais e sintomas
O HTLV-1 está associado a oncogênese e a
doenças inflamatórias crônicas, tais como a
Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto
(ATLL) e a mielopatia associada ao HTLV-1
(HAM). Outras manifestações como a
dermatite infecciosa, uveíte, síndrome de sicca,
ceratite intersticial, síndrome de Sjögren,
tireoidite de Hashimoto, miosite e artrite,
embora de menor gravidade também são associados a infecção pelo HTLV-1.
A ATLL é uma neoplasia de células T refratária mais agressiva na sua forma aguda, atinge cerca de 3-5% das pessoas
infectadas por HTLV-1, as manifestações clínicas podem ser variadas, mas frequentemente incluem
polilinfonodomegalia, hepatoesplenomegalia, envolvimento cutâneo, hipercalcemia, presença de células leucêmicas
no sangue periférico e infecções oportunistas. Do ponto de vista laboratorial destaca-se a ocorrência de hipercalcemia
e de células leucêmicas no sangue periférico.
Outra manifestação que acomete 5% dos indivíduos infectados por HTLV-1 é a HAM, uma doença neuroinflamatória
crônica provocada por desmielinização progressiva da medula espinal. Essa é clinicamente caracterizada por
paraparesia espástica, incontinência urinária e distúrbios sensitivos que dificulta a realização das atividades diárias do
indivíduo. Além disso, anormalidades sensitivas e da marcha, disfunção vesical isolada, disfunção erétil e síndrome
sicca foram relatadas em indivíduos infectados por HTLV- 1. Manifestações urinárias são muito comuns em infectados
sem HAM, em alguns pacientes, estes sintomas precede o diagnóstico de HAM por anos, o que sugere uma
manifestação oligossintomática de HAM.
Diagnóstico
O diagnóstico da infecção baseia-se na detecção de anticorpos específicos por meio de testes imunoenzimáticos (EIA),
quimioluminescência e aglutinação de micropartículas de látex sensibilizadas, voltadas aos constituintes antigênicos
das regiões do core e do envelope viral. Uma vez positivo o teste de triagem (ELISA ou chemiluminescência), é
necessária a confirmação, que poderá ser realizada pelo teste de Western-blot (WB), INNOLIA, e/ou reação de
polimerase em cadeia (PCR), ou ainda imunoflorescência indireta. O Western-blot e a PCR além de confirmatórios,
permitem distinguir entre a infecção pelo HTLV-1 e HTLV-2.
Tratamento
O tratamento é direcionado de acordo com a doença relacionada ao HTLV. A pessoa deverá ser acompanhada nos
serviços de saúde do SUS e, quando necessário, receber seguimento em serviços especializados para diagnóstico e
tratamento precoce de doenças associadas ao HTLV.
Embora não haja um tratamento curativo para as manifestações neurológicas do HTLV-1 (HAM), recomenda-se que
todo indivíduo acometido deve ser assistido por equipe multidisciplinar que inclua profissionais médicos (neurologista,
infectologista, urologista, dermatologista, oftalmologista), fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e
psicólogos. Por outro lado, casos que apresentam ATLL , o tratamento tem por racional obter resposta completa ou
parcial, porém, ainda não existe consenso entre as opções de primeira linha de tratamento.
Prevenção
Recomenda-se o uso de preservativo masculino ou feminino (disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde) em
todas as relações sexuais, não compartilhar seringas, agulhas ou outros objetos perfuro cortantes. Da mesma forma, a
amamentação está contraindicada (recomenda-se o uso de inibidores de lactação e de fórmulas lácteas infantis).

Tricomoníase
O que é?
É uma IST causada por causada por um protozoário, o Trichomonas vaginalis, encontrado com mais frequência na
vagina.
Formas de contágio
A transmissão é sexual e o uso da camisinha masculina ou feminina é a melhor forma de prevenção.
Sinais e sintomas
 Corrimento amarelado, amarelo-esverdeado ou acinzentado com mau cheiro, geralmente lembrando peixe.
 Às vezes ocorre prurido, sangramento após relação sexual, dor durante relação sexual e dor ao urinar.
 A tricomoníase pode ser assintomática, mas é um facilitador para a transmissão de outros agentes infecciosos
agressivos, como gonorreia e infecção por clamídia, e na gestação, quando não tratada, pode evoluir para
rompimento prematuro da bolsa.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessa IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
As parcerias sexuais devem ser tratadas, ainda que não apresentem sinais e sintomas.

Corrimentos
Corrimento Cervical ou Cervicite
A cervicite, também denominada endocervicite, é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que causa inflamação
e irritação do colo do útero.
Os principais agentes etiológicos são a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae. Entretanto, Trichomonas
vaginalis, Mycoplasma genitalium, Ureaplasma urealiticum e o vírus do herpes simples também podem causar
cervicites.
Os fatores associados à prevalência são: pessoas com vagina sexualmente ativas com idade inferior a 25 anos, novas
ou múltiplas parcerias sexuais, parcerias com IST, história prévia ou presença de outra IST e uso irregular de
preservativo.
Sinais e sintomas
Frequentemente são assintomáticas (em torno de 70% a 80%). Nos casos sintomáticos, as principais queixas são:
 Corrimento amarelado ou claro;
 Sangramento fora do período menstrual;
 Dor ou sangramento durante a relação sexual;
 Dor ao urinar ou no baixo ventre (pé da barriga);
 Necessidade de urinar com mais frequência que o normal;
 Dor em baixo ventre (pé da barriga) prolongada.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma de cervicite, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
As parcerias sexuais devem ser tratadas, ainda que não apresentem sinais e sintomas.
Complicações
Quando não tratadas, as cervicites por clamídia e gonorreia podem causar doença inflamatória pélvica (DIP),
infertilidade (dificuldade para ter filhos), dor durante as relações sexuais e gravidez nas trompas, entre outros danos à
saúde.
As infecções gonocócicas ou por clamídia durante a gravidez poderão estar relacionadas a partos pré-termo, rotura
prematura de membrana, perdas fetais, retardo de crescimento intrauterino e endometrite puerperal, além de
conjuntivite e pneumonia no recém-nascido.
Conjuntivite neonatal
Há possibilidade de transmissão dessas infecções no parto vaginal, resultando em conjuntivite na criança, que pode
levar à cegueira se não for prevenida ou tratada adequadamente.
Deve-se aplicar colírio nos olhos do recém-nascido na primeira hora após o nascimento (ainda na maternidade) para
prevenir a conjuntivite (oftalmia) neonatal.
Além da conjuntivite, a infecção no recém-nascido pode atingir órgãos internos, com aumento da gravidade da
infecção, o que por vezes implica a necessidade de internação hospitalar para tratamento.
Corrimento uretral
As uretrites são caracterizadas por inflamação e corrimento uretral. Os agentes microbianos das uretrites podem ser
transmitidos por relação sexual vaginal, anal e oral. O corrimento uretral costuma ter aspecto que varia de mucoide a
purulento, com volume variável, estando associado a dor uretral (independentemente da micção), disúria, estrangúria
(micção lenta e dolorosa), prurido uretral e eritema de meato uretral.
São Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) causadas pelas bactérias Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia
trachomatis. Na maioria das vezes as duas estão presentes e podem estar associadas a infecções que atingem os
órgãos genitais, uretra, garganta e os olhos. Os sintomas causados por essas bactérias também podem ser provocados
por outras bactérias menos frequentes, como Ureaplasmas e Mycoplasmas.
Os sintomas mais frequentes causados por essas infecções são, na pessoa com vagina, corrimento vaginal com dor no
baixo ventre, e na pessoa com pênis, corrimento no pênis e dor ao urinar. No entanto, é muito comum que as
infecções causadas por essas bactérias sejam assintomáticas na maioria dos casos. A falta de sintomas leva as pessoas
com vagina a não procurarem tratamento para essas infecções, as quais podem se agravar quando não tratadas,
causando doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade (dificuldade para ter filhos), dor durante as relações sexuais e
gravidez nas trompas, entre outros danos à saúde.
Formas de contágio
A transmissão é sexual e o uso da camisinha masculina ou feminina é a melhor forma de prevenção.
Sinais e sintomas
 Dor ao urinar ou no baixo ventre (“pé da barriga”), corrimento amarelado ou claro, fora da época da
menstruação, dor ou sangramento durante a relação sexual.
 A maioria das pessoas com vagina infectadas não apresentam sinais e sintomas.
 Pessoas com pênis podem apresentar ardor e “esquentamento” ao urinar, podendo haver corrimento ou pus,
além de dor nos testículos.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessas IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
As parcerias sexuais devem ser tratadas, ainda que não apresentem sinais e sintomas.
Conjuntivite neonatal
Há possibilidade de transmissão dessas infecções no parto vaginal, resultando em conjuntivite na criança, que pode
levar à cegueira se não for prevenida ou tratada adequadamente.
Deve-se aplicar colírio nos olhos do recém-nascido na primeira hora após o nascimento (ainda na maternidade) para
prevenir a conjuntivite (oftalmia) neonatal.
Além da conjuntivite, a infecção no recém-nascido pode atingir órgãos internos, com aumento da gravidade da
infecção, o que por vezes implica a necessidade de internação hospitalar para tratamento.
Corrimento vaginal
O corrimento vaginal é um problema que frequentemente incomoda as mulheres ao longo da vida e representa uma
das principais causas de consultas ginecológicas, ou seja, cerca de 30% dos casos. Nem todo fluxo genital implica uma
doença e nem toda doença é infecciosa.
As infecções do trato reprodutivo (ITR) são divididas em:
 Infecções endógenas (candidíase vulvovaginal e vaginose bacteriana);
 Infecções iatrogênicas (infecções pós-aborto, pós-parto);
 IST (tricomoníase, infecção por C. trachomatis e N. gonorrhoeae).
A pessoa com vagina pode apresentar ao mesmo tempo mais de uma infecção, o que ocasiona, assim, corrimento de
aspecto inespecífico.
A vulvovaginite e a vaginose são as causas mais comuns de corrimento vaginal patológico. Os agentes etiológicos mais
frequentes são fungos, principalmente a Candida albicans; bactérias anaeróbicas, em especial a Gardnerella vaginalis;
e o protozoário Trichomonas vaginalis.
A infecção vaginal pode ser caracterizada por corrimento e/ou coceira e/ou alteração de odor.
Candidíase vulvovaginal
É uma infecção da vulva e vagina, causada por um fungo que habita a mucosa vaginal e digestiva, e que, por um
desequilíbrio na flora bacteriana, cresce quando o meio se torna favorável para o seu desenvolvimento. A relação
sexual não é a principal forma de transmissão, já que esses organismos podem fazer parte da flora endógena.
A candidíase é causada principalmente pelo fungo Candida albicans; no entanto, há outras espécies
não albicans (glabrata, tropicalis, krusei, parapsilosis) e Saccharomyces cerevisae.
Fatores que podem causar a candidíase vulvaginal:
 Gravidez
 Obesidade
 Diabetes mellitus (descompensado)
 Uso de corticoides
 Uso de antibióticos
 Uso de contraceptivos orais
 Uso de imunossupressores ou quimio/radioterapia
 Alterações na resposta imunológica (imunodeficiência)
 Hábitos de higiene e vestuário que aumentem a umidade e o calor local
 Contato com substancias alergênicas e/ou irritantes (ex.: talcos, perfumes, sabonetes ou desodorantes
íntimos)
 Infecção pelo HIV
 A maioria dos casos não são complicados e respondem a vários esquemas terapêuticos. No entanto, a
candidíase pode ser recorrente.
 Sinais e sintomas
 Prurido vaginal (coceira intensa).
 Sensação de ardência ou queimação, principalmente ao urinar.
 Corrimento branco, geralmente grumoso, sem cheiro, com aspecto de “leite coalhado”.
 Vermelhidão e inchaço vulvar, fissuras e maceração da vulva.
 Dor durante a relação sexual.
Diagnóstico e tratamento
Recomenda-se procurar o serviço de saúde para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado.
O tratamento pode ser feito com antifúngicos na forma de creme vaginal ou por via oral.
Vaginose bacteriana
A vaginose bacteriana é a desordem mais frequente do trato genital inferior entre pessoas com vagina em idade
reprodutiva (gestantes ou não) e a causa mais prevalente de corrimento vaginal com odor fétido. É um conjunto de
sinais e sintomas resultante de um desequilíbrio da flora vaginal, que implica a diminuição dos lactobacilos e um
crescimento de bactérias, principalmente a Gardnerella vaginalis.
Não se trata de infecção de transmissão sexual; apenas pode ser desencadeada pela relação sexual em pessoas com
vagina predispostas, ao terem contato com o sêmen, que possui pH mais elevado.
Sinais e sintomas
 Corrimento vaginal com odor fétido (semelhante a “peixe podre”), mais acentuado após a relação sexual e
durante o período menstrual.
 Corrimento vaginal de cor branco-acinzentada, de aspecto fluido ou cremoso e algumas vezes bolhoso.
Complicações
A vaginose bacteriana aumenta o risco de aquisição de IST (incluindo o HIV), e pode trazer complicações às cirurgias
ginecológicas e à gravidez (associada com rotura prematura de membranas, corioamnionite, prematuridade e
endometrite pós-cesárea).
Quando presente nos procedimentos invasivos, como curetagem uterina, biopsia de endométrio e inserção de
dispositivo intrauterino (DIU), aumenta o risco de doença inflamatória pélvica (DIP).
Diagnóstico e tratamento
Recomenda-se procurar o serviço de saúde para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado.
As parcerias sexuais não precisam ser tratadas, somente se apresentarem sinais e sintomas.
Tricomoníase
É uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Nas pessoas com pênis, costuma ser assintomática,
enquanto nas pessoas com vagina quase sempre causa sintomas. Sua transmissão ocorre por meio de relação sexual
desprotegida.
Sinais e sintomas
 Corrimento vaginal intenso, amarelo-esverdeado, por vezes acinzentado, bolhoso e espumoso, acompanhado
de odor fétido (na maioria dos casos, lembrando peixe).
 Prurido (coceira), ardência, vermelhidão e edema vulvar e vaginal.
 Dor ao iniciar a relação sexual.
 Também podem ocorrer edema vulvar e sintomas urinários, como ardência ao urinar.
Cerca de 30% dos casos são assintomáticos, mas algum sinal clínico pode aparecer.
Complicações
Não há complicações sérias na mulher na grande maioria dos casos, mas a tricomoníase pode propiciar a transmissão
de outros agentes infecciosos agressivos, facilitar o aparecimento de doença inflamatória pélvica (DIP), vaginose
bacteriana e, na gestação, quando não tratada, pode evoluir para rotura prematura das membranas.
Diagnóstico e tratamento
Recomenda-se procurar o serviço de saúde para o diagnóstico correto e indicação do tratamento com antimicrobiano
por via oral.

Úlceras genitais
As úlceras genitais representam uma síndrome clínica, sendo muitas vezes causadas por Infecções Sexualmente
Transmissíveis (IST), e se manifestam como lesões ulcerativas erosivas, precedidas ou não por pústulas e/ou vesículas,
acompanhadas ou não de dor, ardor, prurido, drenagem de material mucopurulento, sangramento e linfadenopatia
(íngua) regional.
Várias IST se manifestam com úlceras genitais em alguma fase da doença, cujos agentes etiológicos infecciosos mais
comuns são:
 Treponema pallidum (sífilis);
 HSV-1 e HSV-2 (herpes perioral e genital, respectivamente);
 Haemophilus ducreyi (cancroide);
 Chlamydia trachomatis, sorotipos L1, L2 e L3 (LGV);
 Klebsiella granulomatis (donovanose).
Herpes genital
Existem dois tipos de vírus causadores do herpes genital. Os HSV tipos 1 e 2 pertencem à família Herpesviridae.
Embora os HSV-1 e HSV-2 possam provocar lesões em qualquer parte do corpo, há predomínio do tipo 2 nas lesões
genitais e do tipo 1 nas lesões periorais.
As manifestações da infecção pelo HSV podem ser divididas em primeira infecção (primoinfecção) herpética e surtos
recorrentes. Sabe-se que muitas pessoas que adquirem a infecção por HSV nunca desenvolverão manifestações, e que
a proporção de infecções sintomáticas é estimada entre 13% e 37%.
Sinais e sintomas
Os primeiros sintomas normalmente surgem após seis dias de contato com o vírus e são:
 Lesões avermelhadas com pequenas bolhas muito dolorosas e de localização variável na região genital, as
quais evoluem para pequenas úlceras arredondadas
 Febre, mal-estar, dores no corpo e ardência ao urinar, com ou sem retenção urinária
 Ínguas dolorosas na região da virilha.
Se a infecção atingir o colo do útero, é comum o corrimento vaginal, que pode ser abundante. Entre as pessoas com
pênis, o acometimento da uretra pode provocar corrimento e raramente é acompanhado de lesões extragenitais. O
quadro pode durar de duas a três semanas.
A repetição da infecção deve-se à reativação viral. Essa reativação decorre de quadros infecciosos, exposição à
radiação ultravioleta, traumatismos locais, menstruação, estresse físico ou emocional, uso prolongado de antibióticos
e/ou imunodeficiência.
O quadro clínico das recorrências é menos intenso que o observado na primeira infecção e pode ser precedido de
sintomas característicos, como prurido leve ou sensação de “queimação”, mialgias e “fisgadas” nas pernas, quadris e
região anogenital.
As lesões têm regressão espontânea em sete a dez dias, com ou sem cicatriz. A tendência natural dos surtos é se
tornarem menos intensos e menos frequentes com o passar do tempo.
Complicações
As gestantes portadoras de herpes simples apresentam risco acrescido de complicações fetais e neonatais, sobretudo
quando a infecção ocorre no final da gestação. O maior risco de transmissão do vírus acontece no momento da
passagem do feto pelo canal de parto. A infecção pode ser ativa (em aproximadamente 50% dos casos) ou
assintomática. Recomenda-se a realização de cesariana sempre que houver lesões herpéticas ativas.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessa IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antivirais adequado.
Cancro mole (cancroide)
Infecção causada pela bactéria Haemophilus ducreyi, sendo mais frequente em países tropicais.
Formas de contágio
Transmite-se pela relação sexual com uma pessoa infectada sem o uso da camisinha masculina ou feminina.
Sinais e sintomas
 Feridas múltiplas e dolorosas de tamanho pequeno com presença de pus, que aparecem com frequência nos
órgãos genitais (ex.: pênis, ânus e vulva).
 Podem aparecer nódulos (caroços ou ínguas) na virilha.
Diagnóstico e tratamento
Ao se observar qualquer sinal e sintoma de cancro mole, a recomendação é procurar um serviço de saúde. O
tratamento deverá ser prescrito pelo profissional de saúde.
Linfogranuloma venéreo (LGV)
O que é?
O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma infecção crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que atinge os
órgãos genitais e os gânglios da virilha. É popularmente conhecida como “mula”.
Formas de contágio
A transmissão ocorre pelo sexo desprotegido com uma pessoa infectada. Por isso, recomenda-se sempre o uso da
camisinha masculina ou feminina e o cuidado com a higiene íntima após a relação sexual.
Sinais e sintomas
 Feridas nos órgãos genitais e outros (pênis, vagina, colo do útero, ânus e boca), as quais, muitas vezes, não são
percebidas e desaparecem sem tratamento
 Entre uma a seis semanas após a ferida inicial, surge um inchaço doloroso (caroço ou íngua) na virilha, que, se
não for tratado, rompe-se, com a saída de pus
 Pode haver sintomas por todo o corpo, como dores nas articulações, febre e mal-estar
 Quando não tratada adequadamente, a infecção pode agravar-se, causando elefantíase (acúmulo de linfa no
pênis, escroto e vulva).
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessa IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
As parcerias sexuais também precisam ser tratadas.
Donovanose
O que é?
É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) crônica progressiva, causada pela bactéria Klebsiella granulomatis.
Acomete preferencialmente a pele e mucosas das regiões da genitália, da virilha e do ânus. Causa úlceras e destrói a
pele infectada. É pouco frequente, ocorrendo na maioria das vezes em climas tropicais e subtropicais.
Formas de contágio
A transmissão ocorre pelo sexo desprotegido com uma pessoa infectada. Por isso, recomenda-se sempre o uso da
camisinha masculina ou feminina.
Sinais e sintomas
 Após o contágio, aparece uma lesão que se transforma em ferida ou caroço vermelho
 Não dói e não tem íngua
 A ferida vermelha sangra fácil, podendo atingir grandes áreas e comprometer a pele ao redor, facilitando a
infecção por outras bactérias.
Diagnóstico e tratamento
Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessa IST, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico
correto e indicação do tratamento com antibiótico adequado.
Ao término do tratamento, é necessária consulta de retorno para avaliação de cura da infecção.
Deve-se evitar contato sexual até que os sinais e sintomas tenham desaparecido e o tratamento seja finalizado.

Diagnóstico
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) caracterizam-se por infecções causadas por mais de 30 agentes
etiológicos diferentes (bactérias, vírus, fungos e protozoários), sendo transmitidas, de maneira prioritária, por contato
sexual. Também podem ser transmitidas da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação e,
eventualmente, por contato sanguíneo.
As IST ocorrem com alta frequência na população e têm múltiplas apresentações clínicas. O diagnóstico das IST é feito
principalmente por meio da anamnese, da identificação das diferentes vulnerabilidades e do exame físico da pessoa.
Caso haja um suspeita de IST (feridas na região genital, ínguas na virilha, dor pélvica ou corrimento) ou relação sexual
desprotegida, procure o posto de saúde mais próximo.
O profissional de saúde realizará o exame físico e quando indicado, a coleta de material biológico para a realização de
testes laboratoriais ou rápidos. É importante ressaltar que, mesmo na ausência de sinais e sintomas, as IST podem
estar presentes e ser, inclusive, serem transmitidas. O Ministério da Saúde realiza a distribuição aos serviços de saúde
do SUS os testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C
Os testes rápidos são testes nos quais a execução, leitura e interpretação do resultado ocorrem em, no máximo, 30
minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. Podem ser realizados com amostras de sangue total obtidas por
punção digital ou punção venosa, e também com amostras de soro, plasma e fluido oral.
Nos casos de TR positivos (reagentes), uma amostra de sangue deverá ser coletada e encaminhada para realização de
um teste laboratorial para confirmação do diagnóstico.
Em caso de gestante, devido ao risco de transmissão ao feto, o tratamento deve ser iniciado com apenas um teste
positivo (reagente), sem precisar aguardar o resultado do segundo teste.
O Ministério da Saúde mantém, em parceria com as Unidades da Federação, a Rede Nacional de Laboratórios/Serviços
de Saúde para a realização do exame de Biologia Molecular para Detecção de Chlamydia
trachomatis e Neisseria gonorrhoeae (CT/NG) no Sistema Único de Saúde (SUS), com a finalidade de ofertar os exames
para diagnóstico dessas infecções em todo o Brasil. O Ministério da Saúde promove a contratação de prestação de
serviços e aquisição de insumos, bem como monitora as Redes de Laboratórios/Serviços de Saúde que executam os
testes, a fim de garantir a qualidade dos exames ofertados no âmbito do SUS.
O documento intitulado “Manual da Rede Nacional de Laboratórios/Serviços de Saúde de Carga Viral do
HIV/HBV/HCV, Detecção de Clamídia/Gonococo e Contagem de Linfócitos T-CD4+” foi construído com a finalidade de
apoiar a gestão local e os profissionais executores da Rede. O documento intitulado “Orientações para apoio à gestão
dos testes laboratoriais para IST ofertados pelo Ministério da Saúde” tem como objetivo apoiar a gestão das Redes de
Laboratórios/Serviços de Saúde (Biologia Molecular para Detecção de CT/NG). Ambos documentos apresentam as
principais atividades desenvolvidas, os sistemas utilizados, os documentos de referência e os papéis e
responsabilidades dos atores envolvidos.

Contato
Coordenação Geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis
Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI/SVSA/MS)
Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente
Ministério da Saúde

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