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INTRODUCAO
O presente trabalho referente a cadeira de Geriatria, ira abordar acerca da desnutrição( tendo em
conta as causas, síndromes, anamnese e exame físico, os meios auxiliares e o tratamento )
contendo informações necessárias para o conhecimento da desnutrição
Desnutrição é um estado de desequilíbrio nesta relação que se manifesta por alterações no
metabolismo, na função orgânica e na composição corporal.
Desnutrição é um estado de desequilíbrio nesta relação que se manifesta por alterações no
metabolismo, na função orgânica e na composição corporal. O termo desnutrição calórico-
proteica (DCP) tem sido usado para descrever síndromes por deficiência de macronutrientes
(nutrientes necessitados em grande quantidade) e inclui o marasmo, o kwashiorkor e a forma
combinada kwashiorkor.
Anorexia é a redução do apetite, ou seja falta de vontade de comer. A perda de peso no idoso,
frequentemente vem associada à anorexia sendo esta, muitas vezes, diagnosticada como causa da
perda de peso. Esta anorexia está associada a um maior efeito inibidor do apetite.
Causas de desnutrição
A má nutrição que ocorre no idoso pode ser devida às alterações fisiológicas do envelhecimento
(efeito secundário ao envelhecimento), às condições socioeconómicas, às doenças e à
interacção entre nutrientes e medicamentos
Secundárias ao envelhecimento
Gastrite atrófica, hipocloridria e diminuição do factor intrínseco, que pode ocorrer
em 20% dos casos, resultando em má absorção de cálcio, vitamina B 12, e ferro.
Fibrose e atrofia das glândulas salivares (parótidas, submandibulares, sublinguais
e salivares menores): leva a diminuição da secreção salivar e enzimática
provocando dificuldade de mastigação, digestão e deglutição dos alimentos.
Perda de dentes.
Diminuição da actividade enzima lactase e outras dissacaridases: não havendo deste
modo a transformação da lactose e outros dissacárideos em em açúcares simples
como glicose e galactose.
Atrofia de papilas gustativas.
Menor resposta a opióides (morfina) e outros neuropeptídeos, podendo resultar
em “anorexia da idade”.
Diminuição da sensibilidade de receptores associados ao controle da sede
e, consequentemente, menor ingestão de água, hipodipsia e desidratação.
Diminuição da capacidade cutânea de produção de vitamina D.
Diminuição da absorção de fontes de ferro não-heme e da eritropoiese, resultando
em anemia.
Diminuição da absorção de micronutrientes, em especial do zinco e do cobre: o que
diminui da capacidade de cicatrização secundária das feridas, diminuição do paladar
e olfacto.
Alterações socioeconómicas
Menor rendimento económico, que, consequentemente, pode limitar a aquisição
de fontes de nutrientes adequados.
Isolamento, que pode desencorajar a ingestão de alimentos.
A morte de entes queridos pode favorecer aparecimento de anorexia
(sobretudo associada a depressão).
Hábitos alimentares tradicionais, que não possuem nenhum poder nutritivo.
Alcoolismo (que muitas vezes está associado ao isolamento), causando, entre
outras, deficiências de tiamina (Vit. B1), Vit. B12, folato e magnésio
Analfabetismo – falta de conhecimento sobre os alimentos nutritivos.
Doenças e outros factores relacionados
Agravamento da capacidade funcional em geral, o que pode causar dificuldades
na aquisição, armazenamento, preparação e consumo de alimentos.
Depressão associada a anorexia.
Deterioração da função cognitiva, o que resulta em inabilidade para obter
alimento, esquecimento ou incapacidade de se alimentar.
Hospitalização prolongada recebendo oferta energética inferior às necessidades.
Doenças gastrointestinais associadas a menor digestão e absorção de alimentos.
Diabetes mellitus causando má nutrição secundária a gastroparésia, incontinência fecal
e ingestão pobre de nutrientes.
Caquexia cardíaca (estado de desnutrição e emagrecimento dos pacientes com doença
cardíaca grave e terminal) e a perda de minerais pelo uso indiscriminado de
diuréticos.
Neoplasias.
Interacção entre medicamentos e nutrientes
Uso de múltiplos medicamentos pode influenciar a ingestão, a digestão, a absorção, o
metabolismo e a excreção de nutrientes.
Alguns minerais podem competir entre si durante o processo absortivo como por
ex. zinco e ferro, cálcio e ferro.
O uso crónico e vigoroso de diuréticos (por ex: diuréticos da ansa), pode acarretar
depleção das reservas corporais de zinco e potássio. A depleção de zinco causa
redução do paladar e a hipopotassémia promove hipomotilidade intestinal.
Anticoagulantes (cumarina e fenidiona), podem induzir a deficiência de vitamina K.
Resinas ligadoras de colesterol ou óleo parafina líquida podem induzir a má absorção
de vitamina A, D, E e K.
Uso de antiácidos podem diminuir a absorção de ferro, cálcio e vitamina B 12.
A intoxicação digitálica pode provocar anorexia, náuseas e vómitos
O uso de colchicina, álcool, neomicina, clindamicina e colestiramina podem
acarretar deficiência de vitamina B 12.
O uso de isoniazida aumenta as necessidades de piridoxina (Vit. B6) no idoso.
SÍNDROMES DA DESNUTRIÇÃO
Os processos carenciais no idoso em analogia a outros grupos etários, podem ser subdivididos
em três grupos:
Calórica – marasmo
Proteica – Kwashiorkor
Proteico – calórica- Kwashiorkor marasmo
O kwashiorkor
É caracterizado por:
Conexão com estresse fisiológico provocado por doenças agudas ou re-agudização de
doenças cronicas com aumento das necessidades de proteínas e energia
Índices antropométricos praticamente inalterados devido a presença de edema e as
reservas de gordura e massa muscular pouco afectadas nas fases iniciais (aspecto bem
nutrido).
(Alem do edema), facilidade de arrancar os cabelos, rupturas de pele, com infecções, má
cicatrização das feridas, úlceras de decúbito
Bioquímica nutricional abaixo do normal com albumina sérica ˂ 2.8 g/dl e
frequentemente linfocitos ˂ 1500 µl.
Evolução rápida com alta mortalidade
O marasmo
É caracterizado por:
Um estado em que praticamente todas as reservas de gordura disponíveis do corpo se
esgotaram devido à deficiência calórica prolongada.
Índices antropométricos muito abaixo do padronizado(prega cutânea do tríceps ˂ 3mm
circunferência do músculo no meio do braço ˂ 15 cm
Aspecto mal nutrido (olhos encovados, membros delgados, costelas proeminentes, pele
solta e enrugada com perca da massa muscular) com uma resposta razoável aos
stresses, raramente associada a infecções
Bioquímica nutricional no limite inferior da normalidade com albumina > 2.8 g/dl nos
casos sem complicações
Evolução lenta (meses a anos) com mortalidade baixa a menos que esteja relacionada a
uma doença subjacente (ICC, neoplasias)
O Kwashiorkor marasmático
É caracterizado por:
Forma combinada da desnutrição proteico – calórica que geralmente se desenvolve
quando um paciente com caquexia ou marasmo sofre um stresse agudo como uma
sépsis, cirurgia ou traumatismo, sobrepondo o Kwashiorkor à desnutrição crónica.
Diminuição acentuada das medidas antropométricas e bioquímicas, além do
comprometimento imunológico importante
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL
Anamnese
Na colheita da anamnese em doente com desnutrição é importante avaliar: perda de peso,
alterações do padrão alimentar, presença de sintomas gastrointestinais, avaliação da capacidade
funcional, antecedentes patológicos, uso de medicamentos, história social e história dietética.
Sugestão de perguntas para a sua obtenção:
Nos últimos três meses houve diminuição da ingestão de alimentos?
Tem falta de apetite?
Tem dificuldade para mastigar ou deglutir alimentos?
Quantas refeições fazem por dia?
Que tipo de alimentos mais consome na sua dieta?
Quantos copos de líquidos (água, sumo, café, chá, leite) o paciente consome por dia?
Notou alguma diminuição do peso nos últimos três meses? Ou as suas roupas estão
mais largas?
Passou por algum stress psicológico ou doença aguda nos últimos três meses?
Toma mais de três medicamentos por dia?
Existem alguns alimentos que segundo a sua religião ou cultura não devem
ser ingeridos? Se sim quais?
Para além destas perguntas deve fazer a avaliação funcional para avaliar a capacidade de realizar
as actividades básicas e instrumentais da vida diária, condições emocionais, suporte familiar e
social e condições do ambiente.
Exame físico
Estado mental: para avaliar se o paciente tem demência ou depressão.
Medidas antropométricas: Fornecem informação sobre a massa muscular corporal e as
reservas de gordura. As medidas mais práticas e comumente usadas são: o peso corporal, a
altura, a prega cutânea do tricípede, e a circunferência do músculo no meio do braço.
Peso: apesar das limitações, é medida importante para avaliação da composição corporal. Deve
ser realizada diariamente nos doentes hospitalizados e mensalmente nos pacientes ambulatórios.
Na avaliação da perda de peso é importante avaliar não só a perda, mas o tempo em que ela
ocorreu
Perda de peso em idosos
Perda de peso
(%)
Período Significativa Grave
1 Semana 1a2 >2
1 Mês 3a5 >5
3 Meses 5a7 >7
6 Meses 7 a 10 >10
Altura: é a medida do indivíduo dos pés à cabeça. A medição é feita em metros (m) ou
centímetros (cm).
Índice de massa corporal: é definido como a relação entre o peso em quilogramas dividido
pela altura em metros, ao quadrado. É a medida antropométrica mais fiável e mais fácil de medir
para avaliação do estado nutricional do paciente. Após a medição do peso e altura, aplica-se a
seguinte fórmula:
IMC=P/A²
P= peso em kg
A= altura em metros
Interpretação do IMC
Estado Nutricional IMC (kg/m²)
Baixo peso <18.5
Desnutrição severa <16.0
Desnutrição moderada ≥16.0 e ˂ 17.0
Desnutrição ligeira ≥17.0 e <18.5
Normal 18.5–24.9
Sobrepeso ≥25
Obesidade ≥30
Prega cutânea do tricípede: é útil para estimar as reservas corporais de gordura, porque cerca
de 50% da gordura corporal normalmente estão localizadas na região subcutânea. Uma espessura
menor que 3mm sugere esgotamento global da gordura do corpo.
Pele₋ pesquisar sinais como:
Palidez (na presença de anemia).
Queilose, estomatite angular (deficiência de vitaminas do complexo B).
Petéquias, hemorragias (deficiência de vitamina C).
Hiperqueratose perifolicular – espessamento do extracto córneo da epiderme em
volta dos folículos pilosos (deficiência de vitamina A).
Dermatite nasolabial e escrotal (deficiência de riboflavina).
Xerose, alopecia (“kwashiorkor”-marasmático).
Úlcera de decúbito (pode ser indicativo de “kwashiorkor”).
Olhos - pesquisar:
Hipervascularização conjuntival, blefarite (deficiência de vitaminas do complexo B).
Cegueira noturna, xerose e opacidade de córnea (deficiência de vitamina A).
Orofaringe. pesquisar sinais como:
Glossite e hipotrofia papilar (deficiência de ferro).
Glossite e estomatite (deficiência de vitaminas do complexo B).
Hemorragia gengival (deficit de vitamina C).
Queda de dentes (deficit de cálcio).
Palidez (deficit de ferro).
Sistema cardiovascular. procurar sinais sugestivos de:
Insuficiência cardíaca congestiva (deficit de tiamina).
Sistema digestivo. procurar:
Hepatomegalia (“kwashiorkor”).
Sistema nervoso. procurar:
Neuropatia periférica (deficiência de vitaminas do complexo B, abuso de álcool).
Atrofia e fraqueza muscular (deficiência de vitamina D, marasmo, “kwashiorkor”)
Extremidades pesquisar:
Edemas nos membros inferiores (Kwashiorkor).
Unhas: coiloníquia (em forma de colher), quebradiças e rugosas (déficit de ferro)
EXAMES LABORATORIAIS
Hemograma
Utilizado para análise dos níveis de hemoglobina e dos parametros eritrocitarios (MCV,MCHC
etc.) na suspeita de anemia contagem total de linfócitos para avaliar o grau de imunidade do
paciente e dos leucócitos para pesquisa de infecções, pois na maioria dos casos existe uma
infecção subjacente. Indicado também como um exame de rotina em todos pacientes com
desnutrição.
Bioquímica
Para avaliação do estado proteico do paciente. As proteínas séricas mais frequentemente
avaliadas para determinação do estado nutricional são albumina, transferrina e pré-albumina. E
os lípidos (colesterol e triglicéridos) para avaliar o estado calórico do paciente. Albumina é a
proteína mais abundante do plasma e dos líquidos extra celulares. Constitui o exame padrão para
avaliação nutricional.
Valores normais: 30 – 45g/l. A sua diminuição denomina-se hipoalbuminémia e indica
malnutrição proteica.
TRATAMENTO
Medidas gerais
Após fazer uma boa avaliação nutricional no paciente e investigadas as causas, estas devem ser
tratadas ou encaminhadas para o nível superior.
Recomendações com vista a melhorar o estado nutricional:
Aumentar a ingestão de alimentos com elevado teor em energia/proteínas
Suplementar as refeições habituais com frutos e leite;
Realizar exercício físico adequado;
Se a alimentação habitual do doente não melhorar, podem ser necessários
suplementos nutricionais orais;
Reforçar a importância da ingestão de água, com o envelhecimento o idoso pode perder
alguma da sua sensibilidade para a sede. Incentivar a beber mesmo quando não sente
sede, ingerir cerca de 6 a 8 copos de água por dia. Regular a necessidade de água,
tendo em conta a cor da urina.
Paciente com falta de apetite:
Aconselhar que à refeição esteja acompanhado sempre que possível;
Verificar se algum dos medicamentos que toma diminui o apetite ou sabor dos alimentos;
Preferir ingerir pequenas quantidades de alimentos às refeições mas aumentar o
número de refeições ao longo do dia;
Melhorar o sabor dos alimentos adicionando condimentos novos.
Paciente com dificuldade na deglutição:
Alimentos a evitar: carne, excepto se for bem cozinhada e triturada; fruta fresca;
vegetais não cozinhados; pão húmido que se cole às mucosas; iogurtes com pedaços de
fruta;
Servir a comida em pequenas quantidades, evitar o efeito intimidatório das
grandes quantidades;
É importante ter líquidos perto durante a refeição.
Cuidados na preparação da alimentação e na assistência à alimentação a indivíduos
incapazes de o fazerem:
Manter o idoso bem sentado, costas direitas;
Colocar o prato perto da mão, para que possa alcançá-lo facilmente;
Confirmar que consegue ser ouvido e sentar-se a um nível a que o idoso o consiga ver;
Antes de o começar a alimentar, deixar que o idoso cheire, veja e prove a comida
para encorajar a salivação e aumentar o seu apetite;
Evitar o contacto da colher com os dentes, e colocar pequenas quantidades de cada vez;
Colocar comida no meio da boca, no início da língua e puxar a língua para baixo
(este movimento impede que a língua caia para trás e não permita a salivação);
Dar bastante tempo para a mastigação e deglutição, assegurar-se que a boca esteja
vazia antes da porção seguinte;
Deve manter o idoso numa posição vertical pelo menos 20 minutos após o final
da refeição.
Suplementação nutricional
Pacientes com desnutrição grave devem ser internados para tratamento. O tratamento para o
idoso é feito com as mesmas fórmulas para alimentação (com vitaminas e minerais
adicionados) que as crianças. O que diferencia do tratamento na criança, é que a quantidade de
refeição dada por kg de peso é muito menor que para crianças e é reduzida com o aumento da
idade, reflectindo as necessidades de energia mais baixos para os idosos.
As fórmulas são: F-75 e F-100.São usadas para crianças gravemente desnutridas,
F- 75 (75Kcal ou 315kJ/100ml), é usada durante a fase inicial de tratamento,
Enquanto F-100 (100kcal ou 420kJ/100ml) é usada durante a fase de reabilitação,
depois que o apetite retornou.
Necessidades dietéticas para o tratamento inicial de adultos idosos severamente
desnutridos
Idade Necessidades Volume de dieta
(anos) diárias de necessário
energia (ml/Kg/hora)
(Kcal/Kg) (Kj/Kg) F – 75 F – 100
19 a 75 40 170 2.2 1.7
> 75 35 150 2.0 1.5
Reabilitação
A melhoria do apetite indica o início da reabilitação. Durante a reabilitação é usual que o
paciente tenha muita fome, frequentemente recusando a refeição de fórmula e exigindo
quantidades enormes de alimentos sólidos. Quando isto acontece, a dieta dada deve ser baseada
em alimentos tradicionais mas com adição de óleo, vitaminas e minerais. Deve-se fornecer uma
ampla variedade de alimentos e permitir que os pacientes comam tanto quanto queiram. Se
possível, continue a dar a refeição de fórmula com as misturas de vitaminas e minerais entre as
refeições e à noite. Se necessário, apresente a refeição de fórmula como um medicamento.
Critério de alta
Os adultos podem ter alta quando estão a comer bem, a ganhar peso, têm uma fonte confiável
de alimento nutritivo fora do hospital, sem quaisquer outros problemas de saúde e com o
tratamento iniciado. Devem continuar a receber dieta suplementada, como pacientes de
ambulatório, até que seu IMC seja maior ou igual a 18.5 Kg/m2
CONCLUSAO
Ao longo do presente trabalho, concluímos que a desnutrição é um estado de desequilíbrio nesta
relação que se manifesta por alterações no metabolismo, na função orgânica e na composição
corporal. A desnutrição pode acometer a muitas faxas etárias sendo uma delas a fase da velhice/
senil.
A desnutrição pode ser classificada em 3 tipos nomeadamente:
Marasmo₋ perda calórica
Kwashiorkor₋ perda proteica
Kwashiorkor marasmático₋ Perda calórico proteica
E também, concluímos que para a correcao da desnutrição é necessário a reposição de
calorias/proteínas perdidas.
BIBLIOGRAFIA
Porto CC, Porto AL. Semiologia Médica. 6 ed. Brasil: Guanabara Koogan; 2009,
[Link] Interna. Volume I,17ᵃ edição; Mc Graw Hill Editora; 2008.
[Link]
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