Dicionário Melhoramentos define macumba como candomblé, feitiçaria e,
ainda, como um instrumento de percussão dos negros. Trindade,
sacerdote umbandista, explica que uma das possibilidades para a origem
da macumba, talvez, seja a ligação que as pessoas fizeram dos
praticantes das religiões afro com o instrumento predominante de suas
religiões. Ou seja, como na maioria das religiões afro usava-se o
instrumento de percussão “macumba”, e quem os tocava eram
“macumbeiros”, daí a fama popular genérica de que todas as religiões
afro sejam “macumba”.
A macumba, também, é popularmente associada ao feitiço. Quando
alguém diz: “Fizeram uma macumba para meu vizinho”, tal pessoa está,
na verdade, dizendo que fizeram um trabalho de feitiçaria (macumbaria)
contra aquela pessoa.
A macumba na sua forma primitiva
De acordo com Oliveira, alguns pensadores da religião acreditam que a
umbanda deriva-se dos cultos hindus e egípcios, além de outros povos da
antiguidade. Champlin comenta que “a magia desempenhava um papel
dominante nas religiões da Babilônia, do Egito, de Roma, do hinduísmo
brâmane e nas formas tântricas, tanto do hinduísmo quanto do budismo”.
Lourenço Braga definiu a umbanda da seguinte forma: “É magia, e fazer
magia é saber jogar com as forças ocultas existentes no Universo, quer
sejam providas de espíritos de categoria diferentes, quer sejam de
vibrações oriundas de planetas, em ondas diversas; quer sejam emanadas
dos corpos fluídico, eletrônico, gasoso, líquido e sólido; quer sejam
provindas dos seguintes elementos: éter, fogo, ar, água e terra, por
intermédio dos elementais etéreos, salamandras, silfos, ninfas e gnomos”.
Partindo do pressuposto de que a “macumba” é um sistema de crença
animista, fetichista e espírita, suas formas primitivas, por assim dizer,
podem ser encontradas em alguns relatos bíblicos das religiões
babilônicas e egípcias.
Essas religiões atuavam com técnicas práticas, cerimoniais e combinadas
entre as duas, semelhantemente à macumba moderna. Na magia prática,
o indivíduo executava algo que foi declarado pelo feiticeiro ou sábio e
realizava certos atos, como, por exemplo, banhos com ervas, entrega de
oferendas e uso de poções. Na magia ritualística, havia encantamentos e
agouros, algumas vezes acompanhados por ritos sacrificiais elaborados.
Para esses rituais, divindades, demônios, forças cósmicas, forças da
natureza, entre outras, eram invocados como auxílios. Acreditava-se,
ainda, que certas palavras revestem-se de poder, e, também, que certas
orações ou declarações atrairiam os poderes superiores.
No Egito, a crença mística, envolvida nos encantamentos e fórmulas
mágicas, era grande. Champlin comenta de um manual de instruções
mágicas, intitulado Instruções para o rei Merikare (datado,
aproximadamente, de 2200 a.C.). Segundo ele, esse manual “é um bom
exemplo das antigas fórmulas mágicas egípcias”. As técnicas medicinais
também faziam parte do sistema egípcio de crença. Seus mágicos eram
conhecidos como homens santos e operadores de prodígios.
Biblicamente, podemos ver esses fatos no episódio em que Faraó sonhou
com as sete vacas magras e as sete vacas gordas, bem como com as sete
espigas boas e as sete secas. Como narra o texto sagrado, antes de ter a
interpretação de seu sonho pelo patriarca José, Faraó recorreu aos magos
do Egito (Gn 41.24).