A crença de que crentes estão sendo atacados por trabalhos de
macumba, mau-olhado, despachos ou coisas assim, é muito comum. Vez
ou outra, aparece alguém perguntando se o cristão pode “pegar”
macumba. Esse “pegar” dá a ideia de adquirir uma doença, uma maldição
ou algo parecido. É como se o feitiço lançado fosse propagado por um
canal invisível e atacasse o casamento, as finanças, a saúde, a família,
entre outras áreas, assim como o vírus da gripe, que entra no organismo
humano pelas vias respiratórias e ataca o funcionamento regular do
corpo. Milhares de brasileiros têm essa mesma dúvida e não são poucos
os que se perguntam: “O que é macumba? Ela funciona? O cristão pode
ser alvo de macumbaria? Ela terá efeito na vida dele? O que a Bíblia tem a
dizer de tudo isso?”. São questionamentos que assombram muitos
cristãos e pretendemos, nesta oportunidade, com a ajuda de Deus, saná-
las!
O que é macumba?
A definição de macumba não é fácil de se conseguir. A ideia popular,
normalmente, está associada a feitiços, trabalhos para atrasar a vida de
alguém, despachos, mandingas, entre outras coisas do tipo. A ideia geral
da sociedade é que a macumba é algo malévolo, maligno e, até mesmo,
diabólico. Oliveira sugere que esta fama ruim possa ter sua origem na
provável “associação ao adjetivo feminino de mau: ‘má’”. Na visão dele,
se fosse, então, “boacumba”, a religiosidade afro-brasileira poderia ter
tomado outro rumo.
Não há um significado concreto para o termo macumba,
etimologicamente falando. O wiktionary sugere que o termo, talvez, venha
do quimbundo (idioma banto falado na Angola), significando ma (“o que
assusta”) e kumba (“soar assustadoramente”). Quando se fala nesse
assunto, generaliza-se, portanto, todas as religiões afro-brasileiras em um
único termo: macumba. A ideia geral também é que essas religiões
trabalham com feitiçarias, magias, encantamentos, consulta a mortos,
bruxarias, vodus e coisas assim.
A ideia não está totalmente errada. Champlin explica que as religiões
praticantes de magias e feitiçarias partem da ideia de “que certas
pessoas têm a capacidade de manipular poderes sobrenaturais, para que
possam alterar, para melhor ou para pior, a sorte de alguém, tanto do
próprio indivíduo como de outras pessoas”.
Certo representante do candomblé, por exemplo, publicou um livro em
que traz ensinamentos sobre como prejudicar outras pessoas por meio de
feitiços e encantamentos. Alguns desses feitiços, seriam: colocar uma
pessoa louca, destruir, arruinar, colocar feridas, causar separações
matrimoniais, fazer perder tudo o que se tem, fazer ir embora, fazer
vingança e, até mesmo, matar.
Gaarder comenta que o candomblé não é uma religião ética, mas mágica
e ritualística. Nela, não há a ideia de salvação da corrupção do pecado e
muito menos há espaço para negação deste mundo em prol de uma vida
eterna. “No candomblé, o que se busca é a interferência concreta do
sobrenatural ‘neste mundo’ presente, mediante a manipulação de forças
sagradas, a invocação das potências divinas e os sacrifícios oferecidos às
diferentes divindades, os chamados orixás”.
Embora o candomblé adote a prática de fazer o mal explicitamente,
Lourenço Braga alega que a umbanda se dedica à prática do bem (magia
branca), ao passo que a quimbanda se dedica à prática do mal (magia
negra).
O esforço de Braga cai por terra após o relato de Camargo, segundo o
qual, os espíritos maus, que ele chama de “quimbandeiros”, são mais
fortes do que os “bons”. E diz que, às vezes, os umbandistas têm
necessidade de apelar para aqueles.