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Abordagem Cognitivista no Ensino

O documento aborda a abordagem cognitivista no ensino, enfatizando a aprendizagem como um processo ativo e interativo, onde o aluno constrói seu próprio conhecimento. Piaget é citado como referência, destacando a importância da educação, socialização e cooperação, além de um ensino que estimule a autonomia e o pensamento crítico. A avaliação proposta é qualitativa e focada na compreensão e relações feitas pelo aluno, em vez de métodos tradicionais de mensuração.

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Abordagem Cognitivista no Ensino

O documento aborda a abordagem cognitivista no ensino, enfatizando a aprendizagem como um processo ativo e interativo, onde o aluno constrói seu próprio conhecimento. Piaget é citado como referência, destacando a importância da educação, socialização e cooperação, além de um ensino que estimule a autonomia e o pensamento crítico. A avaliação proposta é qualitativa e focada na compreensão e relações feitas pelo aluno, em vez de métodos tradicionais de mensuração.

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TRABALHO ESCRITO SOBRE AS CONCEPÇÕES DO ENSINO

Grupo 4, Abordagem cognitivista

Integrantes: Bruno Henrique, Eduardo Pereira, Grace Bueno, João Vitor


Pereira, Thaissa Veniéli e Victória Alessandra.

4.1. Características Gerais:

A abordagem cognitivista consiste em estudar cientificamente a


aprendizagem sendo mais do que um produto do ambiente ou de fatores
externos aos alunos, separando assim o processo cognitivo dos problemas
sociais contemporâneos, centrando o estudo nas emoções, processamento de
informações, organização do conhecimento, estilos de pensamento e nas
demais atividades conhecidas como “processos centrais”. Desta forma, aqui se
tem ênfase na capacidade do aluno de integrar informações e processá-las.

4.2. Concepção de Homem e Mundo:

O homem e o mundo serão analisados conjuntamente a partir de uma


perspectiva interacionista, onde temos o conhecimento como produto da
interação entre eles. Para explicar esse processo, Jean Piaget apontou que o
desenvolvimento do ser humano era feito por fases inter-relacionadas,
caracterizadas por estágios integrados a um período de formação, que
constroem as bases para o estágio seguinte e assim por diante, sendo um
processo de sucessão progressiva e adaptativa que tem como finalidade o
auge da operacionalidade do homem, colocando o meio a seu serviço através
de um processo filogenético e ontogenético.

4.3. Concepção de Sociedade-cultura:

Assim como a evolução do processo biológico dos indivíduos, ocorre um


desenvolvimento de mobilidade intelectual, desde o adualismo até o processo
de aprendizagem completo. Este desenvolvimento deve se entrelaçar com os
princípios da democracia, demonstrando desce cedo a responsabilidade pelas
regras que deverão seguir.

O nível de estruturação lógica dos integrantes deve variar de acordo com o


grupo que se encontram. Os fatores sociológicos como regras, valores,
símbolos, variam de acordo com o posicionamento e o nível mental médio dos
integrantes do grupo.

Os seres humanos encontram formas de se relacionar em sociedade,


podendo variar entre Anarquia, passando pela Tirania, até chegar a
democracia, que delibera regras comuns com base no respeito e na igualdade
penal. Esse desenvolvimento ontogênico é caracterizado por anomia,
passando pela heteronomia (do grego heteros, "diversos" + nomos, "regras"),
podendo atingir a autonomia (uma junção de αὐτο-, auto-, "de si mesmo" +
νόμος, nomos, "lei", ou seja, "aquele que estabelece suas próprias leis" é a
capacidade de um indivíduo racional). Essas operações abstratas são relativas,
pois variam de acordo com o grupo e seu desenvolvimento mental, tornando o
pacto democrático variável. Levando em consideração o individuo, a
consciência intelectual será caracterizada pela autonomia, se distanciando da
anomia e da heteronomia.

Progressivamente, a moral será conceituada desde regras impostas


(heteronomia), até o contrato social, tentando conciliar o que é melhor para
todos. Essa deliberação coletiva tem o objetivo de enfrentar o egocentrismo, ou
seja, os indivíduos imaturos que somente pensam em seu bem estar, e não no
coletivo.

Assim como a moral, a democracia é conquistada gradualmente, portanto,


deve ser praticada desde o berço, para superar o egocentrismo. A democracia
não será o estágio final, pois não há um modelo de conhecimento pronto e
acabado, visto que os processos e conceitos sociais mudam de acordo com o
tempo. O objetivo da democracia é uma tentativa de se reconciliar
constantemente, se reequilibrando socialmente.

Para Piaget, o conceito de democracia consiste em superar a teocracia


(sociedade que o sistema de regras submete á alguma religião) e a
gerontocracia (oligarquia administrada por ansiãos).

Portanto, não há um modelo perfeito para se conviver na sociedade, o que


se deve ter em mente, é a otimização do comportamento individual e do
coletivo, se referindo á organização social e política, que deve ser ensinada
desde a infância, para corrigir os pensamentos egocêntricos dos seres
humanos.

4.4. Concepção de Conhecimento:

O conhecimento é considerado uma construção contínua que se dá pela


relação entre sujeito e objeto pela criação de novas estruturas e gêneses. Para
Piaget as estruturas mentais que constituem a inteligência são o produto de
uma construção. Esse fato se dá pela perturbação do meio e a capacidade do
organismo de ser perturbado, e portanto, dar a resposta para essa perturbação.
É através das ações do indivíduo, dos esquemas motores do organismo com o
meio para compensar essa perturbação que se dá a construção de novas
estruturas, ou seja, por um processo constante de adaptação que visa um
equilíbrio com o meio que há a construção de estruturas especificas para o ato
de conhecer.
Para Piaget há gênese, e toda gênese parte de uma estrutura, que chega
a outra estrutura. Ou seja, gênese e estrutura são indissociáveis. São
inseparáveis temporalmente, isto é, inicialmente é necessária a presença de
uma estrutura como ponto de partida, e de outra mais complexa como ponto de
chegada. Se situam entre elas um processo de construção que é a gênese,
não existe, portanto, uma sem a outra, mas não se atinge as duas ao mesmo
tempo. Pela essência desse construtivismo sempre se cria algo no processo, o
que faz com que a criatividade seja permanente como um processo vital, pois
para Piaget, construir implica tornar as estruturas do comportamento mais
complexas, moveis e estáveis, sejam elas motoras, verbais e mentais. No
processo de desenvolvimento, e aquisição do conhecimento o mundo deve ser
reinventado pela criança, por isso a criatividade torna-se permanente.

Para a abordagem cognitivista a aquisição do conhecimento possui duas


fases:

Fase exógena: fase em que há a constatação, da cópia, da repetição

Fase endógena: fase da compreensão das relações e das combinações

É necessário considerar que a aprendizagem pode parar na primeira fase


dita acima, entretanto o verdadeiro conhecimento é alcançado pela fase
endógena, pois esta pressupõe uma abstração, e esta abstração pode ser
empírica ou reflexiva.

4.5. Concepção de Educação:

A educação, segundo Piaget, desempenha um papel crucial no


desenvolvimento intelectual e moral dos alunos. Para ele, o processo
educacional deve criar desafios adequados ao nível de desenvolvimento das
crianças, estimulando-as a construir gradualmente suas habilidades cognitivas.
Piaget vê a educação como um processo integrado, no qual os aspectos
intelectuais e morais são inseparáveis.

Ele argumenta que não é possível desenvolver autonomia moral se o aluno


for intelectualmente passivo, ou seja, aquele que apenas absorve o que o
professor ensina sem se questionar sobre, assim como a imposição de
autoridade limita o crescimento intelectual, pois impede o desenvolvimento do
pensamento crítico e da autonomia do aluno. Portanto, o objetivo da educação
não deve ser apenas transmitir conhecimento, mas incentivar os alunos a
descobrirem e construírem suas próprias verdades, promovendo sua
autonomia.

Além disso, Piaget destaca a importância da socialização e da cooperação


no ambiente escolar para que assim os alunos construam juntos seus
entendimentos da realidade. A educação deve proporcionar um contexto
democrático, onde os alunos possam interagir e superar a coação adulta,
desenvolvendo autogoverno. Atividades em grupo são fundamentais, pois
permitem a troca de diferentes perspectivas, enriquecendo o aprendizado
coletivo.

O autor ressalta que o raciocínio lógico não é inato, sendo necessário


formá-lo através de experiências interativas e sociais. Ele acredita que a lógica
surge da coordenação de ações individuais e coletivas, reforçando a
importância de um ambiente escolar cooperativo. Nesse cenário, o respeito
mútuo entre os alunos substitui a obediência cega, promovendo uma
autonomia baseada na compreensão e adaptação das regras.

Por fim, Piaget defende que a educação deve constantemente estimular os


alunos a buscarem novas soluções, criando situações que incentivem a
exploração e o desenvolvimento de estratégias para compreender o mundo em
que vivem.

4.6. Concepção de Escola:

Para Piaget, a escola deve priorizar o ensino pela observação e pela ação
direta, em vez de começar com conceitos abstratos e linguagem formal. Ele
defende que a aprendizagem deve ser ativa e com foco na exploração,
permitindo que os alunos investiguem por si mesmos, com motivação
intrínseca, quando a pessoa resolve realizar determinada atividade apenas por
satisfação e não pensando em alguma recompensa por ela. O objetivo é
estimular a curiosidade e o interesse genuíno dos alunos, promovendo uma
construção de conhecimento a partir de suas experiências e descobertas
individuais.

A cooperação entre os alunos é fundamental para o desenvolvimento


intelectual, pois facilita a troca de idéias e o aprendizado colaborativo. Piaget
também aponta a importância do trabalho em grupo espontâneo com interesse
comum em estudar ou resolver um problema, onde os temas de estudo são
escolhidos pelos próprios alunos, de forma natural, com base em seu interesse,
estimulando a busca por soluções e a construção de novos conceitos de
maneira autônoma.

Uma escola ideal, conforme essa abordagem deve oferecer liberdade de


ação, respeitar o estágio de desenvolvimento de cada criança e promover
situações que desafiem seus conhecimentos, criando um ciclo de equilíbrio e
desequilíbrio cognitivo para estimular o aprendizado contínuo.

A proposta da "Escola para o Pensamento", de Furth e Wachs (1979),


exemplifica esses princípios. Essa escola não segue currículos fixos, e sim
organiza o ambiente para estimular a inteligência das crianças com atividades
práticas e desafiadoras, como jogos, leituras, teatro, arte e excursões. O foco é
proporcionar o progresso de cada aluno, respeitando seu próprio estágio de
desenvolvimento e capacidade, centralizando as atividades na criança e
promovendo experiências cooperativas e enriquecedoras para todos.

4.7. Concepção de Ensino-aprendizagem:

A relação Ensino-Aprendizagem cognitivista se baseia no


desenvolvimento da inteligência considerando a situação social na qual o
estudante está inserido.

Para Piaget, aprender significa assimilar o objeto de estudo e conseguir


compará-lo a outros conhecimentos pré-existentes. Para alcançar este fim,
todo o ensino deve ser moldado a partir deste princípio, pois cada estudante
pode ter um tempo ou maneira diferente de aprender determinados conteúdos.

O ensino deve ser baseado em experimentação e erro, tanto para o


professor (para encontrar o melhor método para auxiliar seus alunos), quanto
para o aluno (para conseguir resolver problemas e assim assimilar o conteúdo),
sem a parte de memorização de fórmulas, definições etc.

A aprendizagem real só ocorre quando se exerce a inteligência, que faz


com que o aluno consiga desenvolver e relacionar o conhecimento. Desta
forma, o ensino nada mais é do que um meio de organizar as experiências dos
estudantes a fim de promover um nível de aprendizagem. Logo, o ensino deve
motivar e estimular o pensamento em seus estudantes, evitando uma repetição
de padrões ou “fórmulas mágicas” para a solução de problemas. Deve-se
ensinar a realizar relações entre os diversos conhecimentos adquiridos e como
utilizá-los de forma crítica nas diversas situações.

4.8. Concepção de Professor-aluno:

Na abordagem cognitivista, o professor não é apenas quem transmite


conhecimento, mas sim um facilitador do aprendizado. Ele cria um ambiente
que estimula os alunos a pensar e a resolver problemas, os incentivando a
construção do próprio entendimento dos conteúdos. Como mediador do
conhecimento, o professor faz perguntas e propõe atividades que desafiam os
alunos a refletir e interpretar o que está aprendendo. Além disso, ele organiza o
ambiente de forma que o aluno possa conectar novas idéias ao que já sabe,
favorecendo uma compreensão mais profunda e duradoura, podendo se
estender para fora do ambiente escolar.

O professor também tem o papel de praticar com seus alunos o feedback


contínuo, ou seja, devolutivas frequentes sobre o desempenho de seus alunos,
dessa forma os ajudando a ajustar seus processos de aprendizagem e
entender melhor os conteúdos. Esse feedback é importante para que o aluno
possa identificar em que pontos está indo bem e onde pode melhorar.
Já o aluno é visto como um agente ativo nesse processo, o que significa
que ele não é apenas um ouvinte, mas alguém que constrói seu próprio
conhecimento, eles têm certa autonomia. Ele é incentivado a participar
ativamente das aulas, seja por meio de discussões, resolução de problemas ou
reflexões sobre o que aprendeu. O aluno, portanto, é responsável por regular o
próprio aprendizado, estabelecendo metas, acompanhando seu progresso e
ajustando suas estratégias de estudo sempre que necessário. Dessa forma, ele
desenvolve habilidades de autonomia e autogestão, essenciais para seu
crescimento intelectual.

Portanto a abordagem cognitivista no ensino destaca o desenvolvimento


das habilidades de pensar e entender dos alunos, promovendo um aprendizado
significativo onde eles têm um papel ativo na construção do próprio
conhecimento. Tanto o professor quanto o aluno possuem papéis específicos
para que esse processo aconteça de forma eficaz.

4.9. Concepção de Metodologia:

Na prática, o ensino na abordagem cognitivista busca desenvolver as


habilidades de compreensão e aplicação dos alunos, focando na construção
ativa do conhecimento e na utilização prática dos conteúdos. Um ponto central
dessa metodologia é a aprendizagem ativa, que envolve o aluno em atividades
que o levam a pensar criticamente, como discussões, estudos de caso e
resolução de problemas. Essas práticas incentivam o aluno a participar de
forma mais reflexiva e analítica. Outro aspecto importante é a construção do
conhecimento, onde o aluno é encorajado a relacionar novas idéias ao que já
conhece. Esse processo é apoiado pelo professor, que ajuda o aluno a fazer
conexões significativas e a construir uma base sólida de conhecimento com
tudo ao seu redor. Utilizando a metacognição, ou seja, pensar sobre o próprio
aprendizado, também é fortemente incentivada, o que favorece um
aprendizado mais consciente e eficaz. Para tornar o aprendizado mais
significativo, o ensino é contextualizado e relevante, usando exemplos práticos
e aplicações do mundo real. Dessa forma, os alunos conseguem perceber a
utilidade dos conceitos que estão aprendendo e se envolvem mais
profundamente no processo.

O feedback contínuo é outra peça-chave, pois ajuda o aluno a identificar


onde pode melhorar e a desenvolver suas habilidades. Por fim, o ambiente de
aprendizado é colaborativo, promovendo a troca de idéias e o aprendizado em
grupo, o que enriquece o processo de construção do conhecimento e estimula
habilidades sociais.

Assim, a abordagem cognitivista no ensino valoriza o papel ativo do aluno


e a construção do conhecimento, com o professor sendo um facilitador que
organiza o ambiente e orienta o aprendizado. Esse método incentiva a
autonomia, o pensamento crítico e a colaboração, formando alunos que
compreendem e aplicam o que aprendem de maneira consciente e autônoma.

4.10. Concepção de Avaliação:

Os métodos tradicionais de avaliação não são utilizados na abordagem


cognitivista, pois para Piaget, não é possível mensurar o conhecimento. Como
alternativa, é proposto o uso de investigações teórico-experimentais em sala de
aula tendo como base a teoria do conteúdo tratado. Este método tem como
objetivo verificar se o estudante conseguiu adquirir noções, fazer relações,
operações etc, sobre o objeto de estudo.

O seu rendimento é avaliado com base na aproximação do estudante


em relação a uma norma qualitativa. Como formas de verificar o rendimento do
estudante são propostas reproduções livres pelo estudante, como explicações
próprias sobre o conteúdo, relações feitas entre diferentes conhecimentos,
explicações práticas, reprodução do conteúdo de diferentes formas etc.

O professor não pode desviar sua atenção das respostas incompletas,


erradas ou distorcidas de seus estudantes, pois elas são frutos da visão de
mundo e da interpretação de fatos, aulas e casualidades que podem diferir de
pessoa para pessoa de acordo com o seu estágio de desenvolvimento.

Neste método não existe um tipo de pressão no sentido de


desenvolvimento acadêmico ou de desempenho padronizado da sala.

4.11. Considerações finais:

O conhecimento, para Piaget, progride mediante a formação de


estruturas e isso nega o mecanismo de justaposição dos conhecimentos em
que se baseiam os behavioristas e os que advogam o que aqui denominamos
de "ensino tradicional". Tudo o que se aprende é assimilado por uma estrutura
já existente e provoca uma reestruturação. No comportamentalismo, o que o
organismo geralmente persegue é o esforço e não a aprendizagem em si. Esta
interessa apenas ao professor.

A abordagem cognitivista de Piaget difere significativamente da


abordagem behaviorista baseada na justaposição de conhecimentos. Para
Piaget, a aprendizagem ocorre através da assimilação e reorganização do
conhecimento em estruturas cognitivas pré-existentes, enquanto no
behaviorismo o foco está no estabelecimento de respostas padronizadas,
colocando maior ênfase no esforço do que na aprendizagem em si. A
investigação do CIEEG mostra que a memória é válida e pode ser
reinterpretada com base no desenvolvimento psicológico do indivíduo,
questionando assim o valor das respostas padronizadas.
No modelo rogeriano, a autonomia e a não direção dos alunos são
valorizadas, enquanto a abordagem cognitivista enfatiza a importância de ver a
pré-escola como um espaço focado no desenvolvimento infantil e não na
preparação para outras etapas escolares. Piaget enfatizou a necessidade de
uma teoria orientadora com base psicogenética para orientar as práticas
docentes em todos os níveis e áreas de ensino.

Análise crítica do grupo

A abordagem cognitivista consiste em concentrar o foco de estudo no


interacionismo, ou seja, nas relações de aprendizagem que se tem entre
homem e objeto sem o intuito de polarizar algum destes elementos, sendo
ambos fundamentais para a geração de conhecimento e para o
desenvolvimento da inteligência. Desta forma, o cognitivismo busca entender
os processos internos que nos levam ao aprendizado, sejam eles estímulos do
meio em que vivemos, a forma como organizamos os nossos saberes, como
sentimos e resolvemos problemas, como empregamos símbolos verbais etc.

A principal referência dentro desta abordagem é o suíço Jean Piaget,


que aponta a origem do conhecimento para antes mesmo de aprendermos a
falar ou andar, visto que uma vez nascidos, até o fatídico dia de nossas mortes
estaremos perenemente em contato com o meio e com todo o tipo de objeto,
estes que nos afetam e nos moldam na mesma medida em que nós também os
moldamos e os alteramos para integrar o nosso saber, sendo este o processo
cognitivista que segundo Piaget, gera o conhecimento.

Piaget defende que a educação é essencial para o desenvolvimento


intelectual e moral, ela deve promover desafios adequados ao nível de cada
criança, estimulando a construção de seu conhecimento. Enquanto a educação
tradicional impõe autoridade e limita o pensamento crítico. A autonomia
intelectual e moral só surgem quando os alunos são incentivados a questionar
e descobrir sozinhos. A socialização e a cooperação entre os alunos são
fundamentais para o aprendizado, e o respeito mútuo substitui a obediência
cega, promovendo um ambiente mais democrático e autônomo. A educação
deve sempre estimular a exploração e a busca por novas soluções.

Uma instituição de ensino deveria focar no ensino prático e na ação


direta, priorizando a observação e pesquisa, ao invés de conceitos abstratos e
da linguagem. A aprendizagem deve ser ativa e motivada pela curiosidade,
permitindo que os alunos investiguem por conta própria, sem esperar
recompensas externas.

A escola ideal, segundo Piaget, deve oferecer liberdade, respeitar o


estágio de desenvolvimento de cada aluno e criar situações desafiadoras que
promovam o aprendizado contínuo. Como na "Escola para o Pensamento", de
Furth e Wachs, onde exemplifica essa abordagem ao organizar o ambiente
para desafiar a inteligência das crianças com atividades práticas e
cooperativas, respeitando o ritmo de desenvolvimento de cada aluno e
promovendo um aprendizado enriquecedor.

Na Concepção de Sociedade-cultura, o autor disserta que a sociedade


deve ensinar para as crianças desde cedo a importância da democracia,
construindo no indivíduo a autonomia, imaginando um futuro melhor com base
no coletivo, e não no individual.

Mesmo não existindo o melhor tipo de modelo social, visto que os


conceitos devem variar com o tempo, o pensamento e a otimização do
comportamento individual e do coletivo deve contribuir para que os indivíduos
debatam e incluam as questões necessárias para o bem-estar da maioria da
população, procurando um futuro mais democrático e justo.

Na relação Ensino-Aprendizado, se defende um método de ensino que


considera o contexto social em que os estudantes estão inclusos e as
diferenças que cada um possui para assimilar o conteúdo. O ensino é um
processo que incentiva o desenvolvimento de conhecimentos através da
experimentação com o conteúdo, um processo de tentativa e erro que ocorre
tanto com os estudantes quanto com o professor, sem uso de decoração de
conteúdos e fórmulas, mas com base nas relações que os alunos podem
realizar entre conteúdos já dominados por eles e suas visões de mundo.

O conceito de avaliação no contexto cognitivista tem como objetivo


apenas analisar o rendimento e o domínio que o estudante tem sobre
determinado objeto de estudo, pois para Piaget, conhecimento não se mede,
logo, não há uma pressão sobre o aluno em relação a desempenho acadêmico
ou se manter no padrão de desempenho da sala. A avaliação é realizada
através de reproduções livres do estudante sobre o conteúdo, explicações
próprias, relação entre conteúdos e aplicação do objeto de estudo em outras
perspectivas. O professor deve se atentar para não desconsiderar respostas
incorretas, incompletas ou distorcidas, pois elas são um espelho do contexto
social e das visões de mundo de seus estudantes.

A abordagem cognitivista apresenta grandes vantagens no ensino, pois


valoriza a participação ativa do aluno e promove o desenvolvimento de
habilidades cognitivas como o pensamento crítico e a auto-regulação. Ela
reconhece o papel do aluno como construtor do próprio conhecimento, o que o
prepara para lidar de forma autônoma com novas informações e desafios. Ao
envolver o professor como facilitador e guia, o método se torna mais flexível e
adaptável às necessidades dos alunos, incentivando um aprendizado mais
significativo e contextualizado.
No entanto, a aplicação prática dessa abordagem pode ser desafiadora,
especialmente em ambientes com salas de aula grandes ou recursos limitados,
onde a personalização do ensino e o feedback contínuo se tornam difíceis de
implementar. Além disso, o sucesso da abordagem depende do preparo do
professor, que precisa ter habilidades e conhecimentos específicos para criar
um ambiente de aprendizado realmente estimulante e para facilitar a auto-
reflexão dos alunos. Mesmo com esses desafios, a abordagem cognitivista
continua sendo um modelo poderoso para promover o desenvolvimento
cognitivo e uma compreensão duradoura.

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