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Barroco: Estilo e Contexto Histórico

O Barroco é um estilo artístico que se desenvolveu entre o final do século XVI e meados do XVIII, caracterizado por grandiosidade, dinamismo e uma forte expressão emocional, refletindo a Contrarreforma e o Absolutismo. A arte barroca, que inclui arquitetura, escultura e pintura, buscava impactar os sentidos e integrar várias linguagens artísticas, utilizando materiais luxuosos e técnicas inovadoras. Este movimento sociocultural não se limitou ao catolicismo, mas também se espalhou por áreas protestantes, influenciando a ascensão da burguesia e a reinterpretação da tradição clássica.
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Barroco: Estilo e Contexto Histórico

O Barroco é um estilo artístico que se desenvolveu entre o final do século XVI e meados do XVIII, caracterizado por grandiosidade, dinamismo e uma forte expressão emocional, refletindo a Contrarreforma e o Absolutismo. A arte barroca, que inclui arquitetura, escultura e pintura, buscava impactar os sentidos e integrar várias linguagens artísticas, utilizando materiais luxuosos e técnicas inovadoras. Este movimento sociocultural não se limitou ao catolicismo, mas também se espalhou por áreas protestantes, influenciando a ascensão da burguesia e a reinterpretação da tradição clássica.
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Arte do Barroco

Barroco é o estilo artístico que floresceu entre o final do século XVI e meados do século
XVIII, inicialmente na Itália, difundindo-se em seguida pelos países católicos da Europa
e da América, antes de atingir, em uma forma modificada, as áreas protestantes e
alguns pontos do Oriente. Apresenta um sentido geral de grandiosidade, recorrendo a
geometrias variáveis que ajudavam à dinâmica e vitalidade das composições,
potenciadas pela tensão e expressão emocional e pelo naturalismo das figuras. O
recurso a materiais e técnicas luxuosas caracterizou a arte dos grandes estados
absolutistas e da Igreja Católica, partilhando o propósito de afirmação de poder .
Estabelece-se assim uma marcação inicial em Itália, mais concretamente em Roma,
com um vasto programa de intervenção urbana que será levado a cabo pela Igreja de
Roma a partir de 1585, seguindo orientações saídas do Concílio de Trento.

Concílio de Trento

Conceito e características

Considerado como o estilo correspondente ao Absolutismo e à Contrarreforma,


distingue-se pelo esplendor exuberante. De certo modo o Barroco foi uma continuação
natural do Renascimento, porque ambos os movimentos compartilharam dum profundo
interesse pela arte da Antiguidade clássica, embora interpretando-a de forma diferente.
Enquanto no Renascimento o tratamento das temáticas enfatizava qualidades de
moderação, economia formal, austeridade, equilíbrio e harmonia, o tratamento Barroco
de temas idênticos mostrava maior dinamismo, contrastes mais fortes, maior
dramaticidade, exuberância e realismo e uma tendência ao decorativo, além de
manifestar uma tensão entre o gosto pela materialidade opulenta e as demandas duma
vida espiritual.

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Houve uma grande variedade de abordagens que foram englobadas sob a denominação
genérica de "arte barroca", com certas escolas mais próximas do classicismo
renascentista e outras mais afastadas dele, o que tem gerado muita polêmica e pouco
consenso na conceituação e caracterização do estilo.

Para muitos pesquisadores o Barroco constitui não apenas um estilo artístico, mas todo
um movimento sociocultural, onde se formularam novos modos de entender o mundo, o
homem e Deus. As mudanças introduzidas pelo espírito barroco se originaram, pois, de
um grande respeito pela autoridade da tradição clássica, e de um desejo de superá-la
com a criação de obras originais, dentro de um contexto sociopolítico que já se havia
modificado profundamente em relação ao período anterior.

A difusão do Barroco relaciona-se com o movimento de Contrarreforma católico,


desenvolvendo-se a par da afirmação das monarquias absolutistas em França, Espanha
ou Portugal. Mas sob aquela designação cabe igualmente a produção artística em
Inglaterra e nos Países Baixos, penetrando ligeiramente mais tarde no sul da Europa
Central, após a expulsão da Turquia Otomana da zona de Viena. Neste sentido, o
Barroco não é apenas católico, difundindo-se rapidamente por toda a Europa
protestante, do mesmo modo que não é só absolutista e monárquico, afirmando-se
igualmente junto de uma burguesia há muito em ascensão.

A multiplicidade de expressões da arte barroca dificulta a sua caracterização geral. No


entanto, é possível tentar abarcar uma estética barroca conferindo-lhe um sentido geral
de grandiosidade e do amenizar da distinção entre as artes. Recorria a geometrias
variáveis, que integravam traçados curvos ou ovais, ajudando à dinâmica e vitalidade
das composições, potenciadas pela tensão e expressão emocional e pelo naturalismo
das figuras. Estas qualidades ajudam a entender a adoção do termo Barroco, nome
dado a uma pérola irregular, tal como estas práticas artísticas o pareciam face à
regularidade, simetria e decoro da arte do Renascimento. Neste sentido, a arte barroca
era entendida por parte dos seus contemporâneos como uma decadência do classicismo
renascentista. Essa interpretação pejorativa da arte barroca foi, no entanto,
progressivamente abandonada.

Acompanhando a cronologia da difusão do barroco, deve referir-se em primeiro lugar o


programa propagandístico seguido pela Igreja Católica. Do ponto de vista arquitetónico,
definem-se grandes praças, como a Praça de São Pedro, no Vaticano, desenhada por
Lorenzo Bernini. A monumentalidade dos edifícios era animada por fachadas interiores
e exteriores através de diferentes materiais e texturas, jogos de luz e alternância de
espaços cheios e vazios. Veja-se o exemplo da cúpula da Igreja de São Carlos, de
Francesco Borromini, ou ainda a Biblioteca de D. João V, consideradas obras-primas
do barroco.

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Praça de S. Pedro, no Vaticano, projetada por Lorenzo Bernini

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Igreja de São Carlos, de Francesco Borromini

Biblioteca de D. João V
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A escultura e a pintura eram coordenadas com o programa arquitetónico, ajudando a
dinamizar os espaços, através da marcação de linhas de força do edifício de que o
Baldaquino da Basílica de São Pedro, de Bernini, é um exemplo. O Baldaquino é uma
copa alta de bronze esculpida sobre o Altar Superior da Basílica de São Pedro em
Roma. Embora as copas esculpidas sejam comuns em igrejas e edifícios medievais, o
Baldaquino na igreja de São Pedro foi notado por sua grandeza a sua execução
demorou nove anos) e pelo homem que o criou, o famoso artista italiano Gian Bernini.
Ou pelo prolongar dos espaços por via de uma pintura que recorria ao trompe l’oeil, num
ilusionismo ótico que materializava uma sensação de infinitude divina, caso de Entrada
de Santo Inácio no Paraíso, de Andrea Pozzo. O naturalismo das figuras, bem como o
dramatismo das cenas, também presente na escultura, contribuía ainda para o propósito
propagandístico da Contrarreforma.

Baldaquino da Basílica de S. Pedro, de Bernini

Entrada de Santo Inácio no Paraíso, de Andrea Pozzo

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A grandiosidade e o recurso a materiais e técnicas luxuosas caraterizou também a
arquitetura, a pintura e a escultura dos grandes estados absolutistas europeus.
Partilhavam assim o propósito da Igreja Católica de afirmação de poder, neste caso
pela construção de grandes palácios. De entre estes destaca-se o Palácio de
Versalhes, situado nos arredores de Paris, ainda que a regularidade da planta e das
fachadas venha dar lugar à definição do Classicismo francês. Encomendado por Luís
XIV, nele trabalharam Louis le Vau, arquiteto, André le Nôtre, arquiteto paisagista, e
Charles le Brun, pintor. Para além do edifício palaciano, o complexo de Versalhes
compreende ainda um jardim de grandes dimensões composto a partir de dois grandes
eixos perpendiculares entre si, definidos por um grande canal aquático. Aí, tal como no
edifício principal, as esculturas ajudam à organização e dramatização do espaço, o que
é conseguido nos interiores do palácio sobretudo pela relação entre a pintura e o seu
enquadramento arquitetónico.

Palácio de Versalhes

Ao contrário do Renascimento, que buscava criar através da arte um mundo de


formas idealizadas, purificadas de suas imperfeições e idiossincrasias individuais,
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dentro de uma conceção fixa do universo, durante o Barroco a mutabilidade das
formas e da natureza e o dinamismo dos seus elementos concentraram a atenção.
Ainda que os modelos do Classicismo idealista tenham permanecido uma referência
importante, a interpretação barroca lhes deu uma feição em muitos pontos
anticlássica, pela sua ênfase na emoção, no drama, no movimento, no espetaculoso
e no teatral, pelo seu grande amor ao ornamento complexo e ao virtuosismo, pelo
registro das formas com suas imperfeições naturais e pela liberdade concedida ao
artista para experimentar, num contexto em que se tentava conciliar a realidade com
o mundo transcendental.

As construções monumentais erguidas durante o Barroco, como os palácios e os


grandes teatros e igrejas, e mesmo os ambiciosos planos barrocos de reurbanização
de cidades inteiras, buscavam impactar os sentidos pela sua exuberância, opulência
e grandiosidade, propondo uma integração entre as várias linguagens artísticas e
prendendo o observador numa atmosfera catártica, retórica e apaixonada.
Para Nicolau Sevcenko, nenhuma obra de arte barroca pode ser analisada
adequadamente desvinculada de seu contexto, pois sua natureza é sintética,
aglutinadora e envolvente.

Palácio Nacional de Mafra Igreja da Ordem da Terceira, Rio de Janeiro

Escultura
A Contrarreforma deu uma atenção redobrada à imaginária sacra, seguindo antiga
tradição que afirmava que as imagens de santos, pintadas ou esculpidas, eram
intermediários para a comunicação dos homens com as esferas espirituais. São João da
Cruz afirmava que havia uma relação recíproca entre Deus e os fiéis que era mediada
pelas imagens, e vários outros religiosos católicos, como São Carlos
Borromeu e Roberto Bellarmino reiteraram a sua importância no culto, mas o valor delas
havia sido negado pelos protestantes, o que desencadeou grandes
movimentos iconoclastas em várias regiões protestantes que provocaram a destruição

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de incontáveis obras de arte. A imaginária sacra, então, voltou a ser vista como
elemento central no culto católico, fazia parte de um conjunto de instrumentos usados
pela Igreja para invocar emoções específicas nos fiéis e levá-los à meditação espiritual.

Num tratado teórico sobre o assunto, Gabriele Paleotti defendeu-as a partir da ideia de
que elas ofereciam para o fiel inculto uma espécie de Bíblia visual, enfatizando sua
função pedagógica e o seu paralelo com o sermão verbal. Mas considerou ainda a
função da excitatio, a possibilidade de mexer com a imaginação e as emoções do povo,
transferindo para a arte sacra a tipologia da retórica. Nem a liberdade artística deveria
ser tolhida nem os teóricos desenvolveriam prescrições estilísticas propriamente ditas,
apenas orientações normativas e morais. As imagens deveriam cumprir com o quesito
de serem instrutivas e moralmente exemplares para os fiéis, buscando persuadi-los.
Através da transmissão da fé aos fiéis, o artista adquiria um papel teológico, e o próprio
espectador em movimento pela igreja tornava-se uma peça do cenário deste "teatro da
fé".

Dentro desse espírito, na escultura é de assinalar o desenvolvimento de um género de


composição grupal chamado de "sacro monte", concebido pela Igreja e rapidamente
difundido por outros países. Trata-se de um conjunto que reproduz a Paixão de Cristo ou
outras cenas piedosas, com figuras policromas em atitudes realistas e dramáticas em
um arranjo teatralizado, e destinadas a comover o público. Deste instrumental
pedagógico católico fazia parte ainda a construção de cenários nos quais eram inseridas
as estátuas a fim de criar ainda maior ilusão de realidade, numa conceção
verdadeiramente teatral.

Às vezes tais grupos eram confecionados de forma a poderem ser movidos e


transportados sobre carros em procissões, criando-se uma categoria escultórica, a
das estátuas de roca em madeira. Para aumentar o efeito mimético muitas possuíam
membros articulados, para que pudessem ser manipuladas como marionetes,
assumindo uma gestualidade eficiente e evocativa, variável de acordo com o progresso
da ação cênica. Recebiam roupagens que imitavam as de pessoas vivas, e pintura que
assemelhava à carne humana.

E para maior ilusão seus olhos podiam ser de vidro ou cristal, as cabeleiras naturais, as
lágrimas de resina brilhante, os dentes e unhas de marfim ou osso, e a preciosidade do
sangue das chagas dos mártires e do Cristo flagelado podia ser enfatizada com a
aplicação de rubis.

Assim, nada melhor para coroar a participação do público devoto na recriação da


realidade mística do que permitir que a ação se desenrolasse em espaço aberto,
na procissão, onde a movimentação física do fiel ao longo do trajeto poderia propiciar a
estimulação da pessoa como um todo, diferentemente da contemplação estática diante
de uma imagem em um altar.

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Nos casos em que o "sacro monte" deveria ser levado às ruas, usualmente era
simplificado a uma sugestão de rochas ou numa gruta. Conforme a ocasião, a gruta ou
rocha poderiam representar o Monte Sinai, o Monte Tabor, o Monte das Oliveiras, a
Gruta da Natividade, a rocha da Tentação de Cristo ou outros locais impregnados de
significado.

Algumas vezes o cenário rochoso era substituído por outro arquitetónico, especialmente
após o trabalho de Andrea Pozzo, codificador da perspetiva ilusionística arquitetónica
que foi largamente empregada na decoração de templos católicos. Com os mesmos fins
práticos, para aliviar o peso do conjunto, as imagens eram entalhadas apenas
parcialmente, com acabamento só nas partes que deveriam ser vistas pelo público,
como as mãos, cabeça e pés, e o restante do corpo consistia em uma simples estrutura
de ripas ou armação oca coberta pela roupa de tecido.

A Religião derrotando a Heresia e o Ódio Extase de Santa Teresa (1625)


de Pierre Legros, Igreja de Jesus, Roma de Bernini

Passos da Paixão, no Santuário do Bom Jesus Estátua de Roca de Nosso Senhor


de Matosinhos, Congonhas, de Aleijadinho dos Passos, Porto alegre

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A Fama do Rei cavalgando Pégaso, São Paulo; Basílica de S. João Latrão, Roma
de Antoine Coysevox de Pierre-Étienne Monnot

El Transparente, altar Catedral de Toledo Tumba do Papa Bento XIV no Vaticano


de Narciso Tomé e filhos de Pietro Bacci e Gaspare Sibilla

Melancolia, Nossa Senhora da Fé, Kurfürst Max Emanuel,


de Melchior Barthel Catedral de Salvador de Giuseppe Volpini

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Pintura
A pintura barroca é uma pintura realista, concentrada nas paisagens, nas naturezas
mortas e nas cenas populares (barroco holandês). O movimento identifica-se com
o Absolutismo e a Contra Reforma. Em Itália e em Espanha, a Igreja Católica, em clima
de militância e de Contra Reforma, pressionava os artistas para que buscassem o
realismo mais convincente possível.

Entre os maiores pintores do Barroco estão Caravaggio, Rembrandt, Rubens,


Vermeer, Velasquez, Georges Tour, Anthony van Dyck, Poussin e Irmãos Le Nain.

Características
 Composição assimétrica, em diagonal, que se revela num estilo grandioso,
monumental, substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista.
 Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos) - era um
recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade.

 Realista, abrangendo todas as camadas sociais.

 Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática.


 A luz não aparece por um meio natural, mas sim projetada para guiar o olhar do
observador até o acontecimento principal da obra. História

O Concílio de Trento (1545-63), no qual a Igreja Católica Romana respondeu a muitas


questões de reforma interna levantadas tanto pelos protestantes como por aqueles que
tinham permanecido dentro da Igreja Católica, abordou as artes de representação numa
passagem curta e algo oblíqua dos seus decretos. Esta foi posteriormente interpretada e
exposta por vários autores clericais, como Molanus, que exigiam que as pinturas e
esculturas em contextos eclesiásticos representassem os seus temas de forma clara e
poderosa, e com decoro, sem os ares estilísticos do maneirismo.

Este regresso a uma conceção populista da função da arte eclesiástica é visto por
muitos historiadores de arte como o motor das inovações de Caravaggio e dos
irmãos Carracci, todos eles a trabalhar (e a competir por encomendas) em Roma por
volta de 1600, embora, ao contrário dos Carracci, Caravaggio tenha sido
persistentemente criticado por falta de decoro no seu trabalho. No entanto, embora a
pintura religiosa, a pintura histórica, as alegorias e os retratos continuassem a ser
considerados os temas mais nobres, as paisagens, as naturezas-mortas e as cenas de
género também se tornavam mais comuns nos países católicos e eram os principais
géneros nos países protestantes.

O termo barroco foi inicialmente usado com um significado depreciativo, para sublinhar
os excessos da sua ênfase. Outros derivam do termo mnemónico "Baroco", que

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designa, na Escolástica lógica, uma forma de silogismo supostamente laboriosa. Em
particular, o termo foi utilizado para descrever a sua redundância excêntrica e a
abundância ruidosa de pormenores, que contrastava fortemente com a racionalidade
clara e sóbria do Renascimento. Foi reabilitado pela primeira vez pelo historiador de arte
suíço Heinrich Wölfflin (1864-1945) no seu Renaissance und Barock (1888), que
identificou o Barroco como "movimento importado para a massa", uma arte antitética à
arte renascentista. Não fez as distinções entre maneirismo e barroco que os escritores
modernos fazem, e ignorou a fase posterior, o barroco académico que durou até ao
século XVIII. Os escritores franceses e ingleses só começaram a tratar o barroco como
um estudo respeitável depois de a influência de Wölfflin ter tornado os estudos alemães
proeminentes.

O crescimento do mercado de pintura, alavancado por uma classe burguesa sobretudo


mercantil, vai levar à definição de uma prática diferente da de pintores como
Caravaggio, onde a composição vive sobretudo de acentuados jogos de claro e escuro,
ou Peter Rubens, com o recurso a composições de diagonais ou espirais acentuadas
que aprofundam a tensão das figuras retratadas. Assim, surgem novos géneros, como a
pintura de paisagem ou de vistas marítimas, onde a escala reduzida da figura humana é
contraposta à imensidão do mundo natural. Aprofunda-se ainda a prática do retrato e
autorretrato, num registo realista no qual se destaca Rembrandt van Rijn.

A Pintura Barroca nasceu em Itália, mas rapidamente se desenvolveram nos Países


Baixos, Espanha e Flandres.

Barroco Italiano

A pintura barroca italiana desenvolveu-se a partir do final do século XVII e durante


todo o século XVII e grande parte do século XVIII. O barroco, como um estilo artístico
distinto do classicismo e de seu epígono maneirismo, nasceu em Itália, especificamente
em Roma. Havia dois movimentos artísticos principais, o caravagismo tenebrista e o
classicismo romano-bolonhês. A pintura barroca italiana tornou-se, como o restante
da arte barroca, um instrumento da Igreja Católica ao serviço da Contra-reforma, de
modo que os pintores se tornaram, por meio de suas obras, um intermediário necessário
para atingir efetivamente as mentes dos fiéis.

A pintura passou por uma reforma. No século XIX, o novo estilo foi denominado barroco.
Antes, acreditava-se que fosse apenas uma forma de voar pós-renascentista, associado
a Rafael. Os artistas afastaram-se do Maneirismo e criaram obras mais medrosas
àquelas da Alta Renascença. Os pioneiros dessa mudança foram dois artistas de grande
importância: Caravaggio, Roma (Caravagismo e Tenebrismo) e Annibale Carracci,
em Bolonha (Escola de Bolonha).

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Outros artistas da mesma época foram Orazio Gentileschi, sua filha, Artemisia
Gentileschi, expoentes do Caravagismo.

A família Carracci foi uma talentosa família de pintores italianos que residia em Bolonha.
Compreendia três irmãos: Annibale Carracci, Agostino Carracci, e Ludovico
Carracci. Eles fundaram uma Academia chamada Accademia degli Incamminati, onde
vários outros artistas da época estudaram, entre eles, Domenichino. Outro ex-aluno
quase eclipsou a fama dos Carracci: Guido Reni, com seus quadros eminentemente
religiosos. Outro grande artista da época foi Guercino.

Caravaggio

Michelangelo Merisi conhecido como Caravaggio (1571–1610), que era o nome da


aldeia natal da sua família e foi escolhido como o seu nome artístico. Tons intensos,
planos de contraste e um estilo único: ícone do barroco, Caravaggio soube como
ninguém representar de forma crua as figuras que compunham os seus retratos. Com
uma personalidade forte e uma pintura revolucionária para a sua época, Caravaggio é
considerado um dos maiores pintores italianos.

Biografia

Caravaggio nasceu em Milão, no ano de 1571. Pouco se sabe sobre sua origem
materna; as informações que constam sobre sua família decorrem todas do lado
paterno.

Filho de Fermo Murici, mestre de obras e administrador, Caravaggio descobriu o poder


da morte muito cedo: com apenas seis anos perdeu não apenas seu pai, mas
praticamente todos os homens de sua família.

Com 13 anos tornou-se aprendiz do pintor Simone Petrazano, onde adquire o gosto
pelas artes plásticas. Aos 20, em 1592, vai para Roma, onde frequenta diferentes
ateliers e inicia a sua carreira artística.

Apesar do seu indiscutível talento, Caravaggio era dono de um temperamento difícil e


turbulento, o que fez com que a sua vida fosse permeada por brigas, desentendimentos

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e episódios de crise financeira. Em 1606, envolve-se num assassinato e foge de Roma
para Nápoles, onde esteve alguns meses, seguindo depois para Malta e Sicília, onde
pintou telas dum lirismo transfigurado, em temas como a ressurreição de Lázaro
(Messina), na qual, sob o pavor de um imenso espaço vazio, um raio de luz rasante
parece imobilizar o drama sagrado. Em Malta (1608) envolveu-se noutra briga, e mais
outra em Nápoles (1609), possivelmente um atentado premeditado contra a sua vida
devido às suas ações, por inimigos nunca identificados.

Por seu génio difícil e vida turbulenta, Caravaggio foi considerado uma personagem
enigmática, fascinante e perigosa.

Em 1610, com apenas 38 anos, Caravaggio faleceu por causas desconhecidas. O seu
corpo ficou séculos sem ser encontrado, só em 2010 uma equipe de investigadores
anunciou a identificação dos seus restos mortais no cemitério de Porto Ercole, na
Toscana.

Vida e Obra

Apesar de fazer parte do período do Renascimento, Caravaggio é conhecido por


romper com essa tradição de maneira abrupta: as cenas perfeitas renascentistas, com
muitos deuses e personagens heroicos, foram substituídas por representações muito
mais cruas e naturalistas.

Caravaggio é considerado por muitos como o maior representante da pintura barroca,


que se desenvolveu com rapidez na Itália e se espalhou por outros lugares da Europa.

Com muita dose de realismo e apostando no contraste de luz e sombra, o pintor italiano
buscava explorar uma dramaticidade que as outras obras renascentistas não tinham.
Para isso, as personagens eram reunidas na cena principal sob um foco de luz, com um
fundo muito mais escuro. Isso destaca as figuras, adicionando a cada uma delas um
efeito de escultura. Essa técnica ficou conhecida como tenebrismo.

Nos quadros de Caravaggio, a predominância dá-se pela escolha de personagens


pobres, mundanos e, muitas vezes, deturpados pela sociedade. Miseráveis, prostitutas e
figuras nem sempre bem vistas representam importantes figuras da Igreja e da tradição.

O objetivo era naturalizar a vida cotidiana e ordinária, deixando para trás o viés idealista
abraçado pelo Renascimento. No seu lugar, Caravaggio queria retomar o encontro
da arte com a humanidade do homem comum (pecador, real e palpável).

Caravaggio deixou-nos um grande número de obras icónicas. Suas pinturas com alto
contraste de luz e sombra e figuras humanizadas fazem do seu trabalho artístico uma
inspiração que deve ser contemplada com atenção.

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Para começar, entre as suas principais obras destaca-se Judite e Holoferne (1599).
Com clara inspiração bíblica, esta tela mostra uma cena do Antigo Testamento, do Livro
de Judite. Nela, pode-se ver a viúva Judite decapitando o general Holofernes.

Judite e Holoferne (1599)

Com uma criada a tira colo, a mulher pretende depositar a cabeça do tirano num saco.
Com sangue jorrando em três claros jatos e expressões fortes e marcadas nos rostos
dos três personagens, a obra é realista e crua como a maioria das grandes telas de
Caravaggio.

No mesmo estilo, temos as pinturas Crucificação de São Pedro (1600), Conversão de


São Pedro (1601), O Sacrifício de Isaac (1603) e A Ceia em Emaús (1606) – todas
com imponentes, mas realistas, figuras religiosas.

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Crucificação de S. Pedro (1600) A Ceia em Emaús (1606)

Já na temática mitológica, pode-se citar Narciso (1599), Baco (1595) e A Cabeça da


Medusa (1596 – 1597). Esta última possui duas versões: uma menor e a que se tornou
mundialmente famosa: numa tela circular sob madeira, a mulher com cabelos de
serpente tem olhos arregalados e uma boca escancarada – horror e medo definem a sua
expressão.

Narciso (1599) A cabeça de Medusa (1596-97)

Entre as pinturas que retratam o dia a dia de errantes e desconhecidos, são bons
exemplos as telas Os Trapaceiros (1594) e Os Músicos (1595).

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Os Trapaceiros (1594) Os Músicos (1595)

Legado
Se a vida de Caravaggio até hoje suscita interesse, não é diferente com a sua obra
artística. Extremamente técnico e preciso, o pintor deixou como legado não apenas a
admiração para com o seu trabalho, mas também a inspiração para artistas iniciantes e
profissionais. O seu uso de cores e contrastes e a sua contribuição para pensar a
temática religiosa e mística através de um novo viés, fazem com que suas pinturas
sejam exemplo de técnica e temática para qualquer um que se interesse por arte.

O estilo e a técnica de Caravaggio fizeram dele um artista inovador. Ao mesclar a


temática clássica do período com os seus fundos sombrios e suas luzes bem
direcionadas, o artista criou personagens dinâmicos, vivos e quase humanos.

Annimale Carracci
Annibale Carracci (1560-1609) nasceu em Bolonha e foi um pintor italiano barroco,
com grande influência no desenvolvimento deste estilo de pintura.

Carracci foi uma família bolonhesa de artistas que teve um papel fundamental no
desenvolvimento de um movimento artístico conhecido como Barroco. Os irmãos
Annibale (1560–1609) e Agostino (1557–1602) juntamente com o primo Ludovico
(1555–1619) trabalharam coletivamente em obras e na produção de teorias sobre o
estilo barroco e fundaram uma escola de artistas em 1582, chamada Accademia degli

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Incamminati, em que o seu foco principal era desafiar as práticas e princípios do
Maneirismo para criar uma arte que era avant-garde com uma nova fronteira
modernista Em conjunto, eles realizaram uma reforma artística que derrubou a
estética maneirista e iniciaram o Barroco.

Embora os Carracci enfatizassem o esboço linear tipicamente florentino, como


exemplificado por Rafael Sanzio e Andrea del Sarto, os seus interesses pelas cores
cintilantes e contornos sutis dos objetos eram derivados dos pintores venezianos,
notavelmente do trabalho do artista Ticiano, o qual foi estudado por Annibale e
Agostino durante viagens pela Itália em 1580-81. Esse ecletismo se tornaria a
característic0 a que definiria os artistas da Escola Bolonhesa.

Venus e Marte (1600) Martírio de Santo Estevão (1603)

Em muitas das primeiras obras em Bolonha, é difícil distinguir as contribuições


individuais de cada Carracci. Por exemplo, os frescos sobre as Histórias de Jasão e
Medeia para o Palazzo Fava (1583-1584) carregam a assinatura Carracci, o que
sugere que todos eles contribuíram. Em 1585, Annibale concluiu o retábulo do
Batismo de Cristo para a Igreja de São Gregório, em Bolonha e em 1587 pintou A
Assunção para a Igreja de San Rocco, em Reggio Emilia.

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O Batismo de Cristo (1588) A Assunção da Virgem (1600-01)

Em 1587-88, Annibale viajou para Parma e, em seguida, Veneza, onde se reuniu com
seu irmão Agostino. A partir de 1589-92, os três Carracci pintaram os frescos sobre
Histórias da fundação de Roma para o Palazzo Magnani, em Bolonha. Até 1593,
Annibale havia completado o retábulo, bem como a Ressurreição de Cristo, que
também data de 1593. Durante 1593-1594, os três Carracci estavam trabalhando em
frescos, com a história de Hércules, no Palazzo Sampieri, em Bolonha.

Frescos com Histórias da fundação de Roma (1590)

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Histórias de Hércules (1593-94)

A popularidade dos frescos dos Carracci nestes palácios (especialmente os do Palazzo


Magnani) chamaram a atenção de uma outra família nobre italiana, os Farnese.
O duque de Parma e Placência, Ranúcio VI, e seu irmão, o cardeal Odoardo,
aproximaram-se dos Carracci em 1593 e pediram que eles fossem para Roma para
decorar o Palazzo Farnese, ficando célebres os frescos do teto do salão principal. Em
1594, Annibale e Agostino seguiram para lá enquanto Ludovico permaneceu em
Bolonha, um evento que "assinalou o final do estúdio conjunto dos Carracci."

Enquanto isso, Annibale desenvolveu centenas de esboços preparatórios para o


produto principal, onde liderou uma equipe na pintura de frescos no teto do grande salão
com os quadri riportati seculares de Os Amores dos Deuses. Ainda que o teto seja
ritualmente rico em elementos ilusionistas, as narrativas são emolduradas no rígido
classicismo de decoração da alta Renascença. Este trabalho inspiraria, mais tarde, a
corrente livre do ilusionismo Barroco e a energia que iria emergir dos grandes frescos
de Cortona, Lanfranco e, em décadas posteriores, Andrea Pozzo e Gaulli.

Frescos do teto do Palazzo Farnese

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Barroco Flamengo
O Barroco Flamengo refere-se à arte produzida nos Países Baixos do Sul durante o
domínio espanhol dos séculos XVI e XVII. Depois do Cerco a Antuérpia (1584-1585), as
províncias ao sul da Holanda permaneceram sob dominação espanhola e se separaram
da recém criada República da Holanda. Embora muitos artistas tenham fugido das
guerras religiosas e se mudado para o sul da Holanda, o Barroco flamengo floresceu,
especialmente com a Escola de Antuérpia, durante o século XVII, com artistas
como Rubens, Anthony van Dyck e Jacob Jordaens, com produção artística também
em outros locais como Bruxelas e Gant. A colaboração de vários artistas locais na
produção de uma mesma obra era comum na época. Os temas mais importantes nas
pinturas eram aqueles relacionados à religião, à mitologia, à vida cotidiana e à História,
retratados de forma monumental. A natureza-morta, os retratos, as paisagens e as
cenas de caça também eram géneros populares.

Embora as obras produzidas no final do século XVI pertençam ao chamado Maneirismo


Nórdico, artistas tais como Otto van Veen, Adam van Noort, Marten de Vos e
a Família Francken foram importantes em estabelecer as bases do Barroco local.

A pintura barroca flamenga caracterizara-se pela descrição minuciosa da natureza e pela


iconografia e simbologia complexas em cenas religiosas ou pequenos retratos. Outra
inovação dos pintores flamengos foi o uso da tinta a óleo, em substituição à têmpera,
criando assim uma nova tradição na pintura.

Batalha Lápidas e Centauro (1616), Jordaens A coroação de Cristo (1620), de Van Dyck

Peter Paul Rubens (1577–1640), aprendiz de Otto van Veen e de Adam van Noort,
passou oito anos na Itália estudando exemplos de clássicos da Antiguidade da
Renascença Italiana e dos contemporâneos Adam Elsheimer e Caravaggio. Ao voltar
para Antuérpia, abriu um atelier e treinou jovens pintores como Anthony van Dyck.

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Após a morte de Rubens, Jacob Jordaens tornou-se o mais importante pintor
flamengo. Muitos artistas viajaram para a Itália, adotando o estilo do pintor
holandês Pieter van Laer. Conhecidos como Bamboccianti, esses pintores
especializaram-se em cenas rústicas da vida cotidiana em Roma e arredores, formando
uma guilda denominada Bentvueghels.

Peter Rubens
Peter Paul Rubens(1577-1640) foi um pintor do estilo barroco, proponente de um estilo
extravagante que enfatizava movimento, cor e sensualidade. É conhecido por suas
obras contrarreformistas, retratos e pinturas históricas de assuntos mitológicos e
alegóricos.

Biografia
Rubens nasceu em Siegen, na Vestfália, filho de Jan Rubens e Maria Pypelincks. O seu
pai, um calvinista, e sua mãe fugiram de Antuérpia para Colónia em 1568, por causa do
crescente tumulto religioso e das perseguições aos protestantes durante o reinado
do Duque de Alba nos Países Baixos Espanhóis. Jan Rubens tornou-se conselheiro
jurídico (e amante) de Ana da Saxónia, a segunda esposa de Guilherme I, príncipe de
Orange, e instalou-se na corte dela em Siegen em 1570. Após Jan Rubens ter sido
preso por causa deste relacionamento, Peter Rubens nasceu, no ano de 1577. A família
retornou para Colonia no ano seguinte e, em 1589, dois anos após a morte de Jan, ele e
sua mãe mudaram-se novamente para Antuérpia, onde ele foi criado como um católico.
A religião apareceria de forma proeminente na maior parte de sua obra e Rubens iria
tornar--se uma das principais vozes da pintura na Contrarreforma católica.

Em Antuérpia, Rubens recebeu uma educação humanista, estudando latim e literatura


clássica. Aos quatorze, começou a sua aprendizagem artística com Tobias Verhaecht.A
seguir, estudou com dois dos principais pintores da cidade na época, o artistas do final
do período maneiristas Adam van Noort e Otto van Veen, que exerceu sobre ele a
maior influência. Foi Van Veen que fez nascer em Rubens uma grande admiração
pela Itália e pela cultura latina clássica, marcando toda a sua obra.

Muito de seu treinamento inicial envolveu copiar as obras de artistas anteriores, como
as xilogravuras de Hans Holbein e as gravuras de Marcantonio Raimondi, baseadas

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em Rafael. Rubens completou a sua educação em 1598, quando entrou para a Guilda
de São Lucas como um mestre independente.

Vida e Obra

Itália (1600–1608)
Em 1600, Rubens viajou para a Itália, parando primeiro em Veneza, onde viu as
pinturas de Ticiano, Veronese e Tintoretto, antes de assentar em Mântua, na corte do
duque Vincenzo I Gonzaga. As cores e as composições de Veronese e Tintoretto
tiveram um efeito imediato sobre as pinturas de Rubens e seu estilo posterior, mais
maduro, foi profundamente influenciado por Ticiano. Com o apoio financeiro do duque,
Rubens viajou para Roma, passando por Florença em 1601. Lá, estudou grego
clássico e a arte romana, copiando obras dos mestres italianos. A
escultura helenística Laocoonte e seus filhos teve uma influência especial sobre ele,
assim como a arte de Michelangelo, Rafael e Leonardo da Vinci, tendo também sido
influenciado pela recente - e fortemente naturalística - obra de Caravaggio.

Rubens posteriormente fez uma cópia de uma obra dele, O Enterro de Cristo, e
recomendou ao seu patrocinador, o duque de Mântua, que comprasse a Morte da
Virgem (que hoje está no Louvre). Além disso, ele foi instrumental nas aquisições
da Nossa Senhora do Rosário para a igreja dominicana em Antuérpia. Durante a sua
primeira estadia em Roma, Rubens completou uma encomenda para uma peça de
altar, Santa Helena com a Vera Cruz para a igreja de Santa Croce in Gerusalemme.

Rubens viajou para Espanha numa missão diplomática em 1603, levando presentes
dos Gonzagas para a corte de Filipe III. Enquanto estava lá, estudou a enorme coleção
de obras de Rafael e Ticiano criada por Filipe II, pintando também um retrato equestre
do Duque de Lerma (Museu do Prado), que já demonstra a influência de obras como o
retrato de Carlos V de Ticiano (no Prado), Esta viagem marcou como sendo a primeira
de muitas na sua carreira onde combinava as necessidades da arte e da diplomacia.

Ele retornou a Itália em 1604, onde permaneceu pelos próximos quatro anos, primeiro
em Mântua e depois em Génova e Roma. Em Génova, Rubens pintou diversos retratos,
como a Marchesa Brigida Spinola-Doria e o retrato de Maria di Antonio Serra
Pallavicini, num estilo que influenciou as pinturas posteriores de Anthony van
Dyck, Joshua Reynolds e Thomas Gainsborough. Entre 1606 e 1608, ficou a maior
parte do tempo em Roma e, durante esse período, recebeu, com a ajuda
do cardeal Jacopo Serra, a sua mais importante encomenda até então, o grande altar
da mais moderna e elegante nova igreja da cidade, Santa Maria in Vallicella, também
conhecida como Chiesa Nuova.

O tema principal tinha que ser São Gregório Magno eoutros santos locais adorando
um ícone da Virgem e o Menino. A segunda versão, em três painéis planos que

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permitem que a verdadeira milagrosa imagem sagrada da "Santa Maria em Vallicella"
seja revelada em festas importantes através de uma cobertura removível em cobre,
também pintada pelo artista.

Retrato equestre do Duque Lerma (1603) Madona della Vallicella (1606-08)

As experiências de Rubens na Itália continuaram a influenciar sua obra. Ele continuou a


escrever muitas de suas correspondências em italiano, assinando seu nome como
"Pietro Paolo Rubens" e por toda vida falou, com saudade, em voltar para a península -
algo que jamais ocorreria.

Não tarda a chegar a fama. Sucedem-se várias outras, principalmente pinturas para
igrejas e retratos da aristocracia. Pinta duques, condes e também burgueses, a classe
em franca ascensão nos estados italianos. Fica famoso, e é conhecido entre as elites
por ser, além de excelente pintor, uma pessoa de fácil relacionamento e grande
simpatia.

Antuérpia (1609–1621)
Ao saber que sua mãe estava doente em 1608, Rubens planejou viajar de Itália para
Antuérpia. Porém, ela morreu antes que ele pudesse vê-la. Sua volta coincidiu com um
período de renovada prosperidade na cidade com a assinatura do Tratado de
Antuérpia em abril de 1609, que iniciou a Trégua dos Doze Anos. Em setembro de
1609, Rubens foi escolhido como o pintor da corte por Alberto VII de Áustria, e
da Infanta Isabella Clara Eugenia, soberanos dos Países Baixos Espanhóis. Ele
recebeu uma permissão especial para basear seu estúdio em Antuérpia ao invés
de Bruxelas, onde estava sediada a corte, e também para trabalhar para outros clientes,
mantendo-se próximo da arquiduquesa Isabella até a sua morte em 1633 e foi utilizado
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não somente como pintor, mas também como embaixador e diplomata. Rubens
cimentou ainda mais seus laços com a cidade quando, em 3 de outubro de 1609, se
casou com Isabella Brant, a filha de um dos mais proeminentes humanistas da cidade,
Jan Brant.

Em 1610, Rubens mudou-se para uma casa e um estúdio novos, projetados por ele.
Agora, o Museu Rubenshuis, a villa de influência italiana no centro de Antuérpia
acomodava o seu estúdio, onde ele e seus aprendizes fizeram a maior parte de suas
obras, além de sua coleção de arte pessoal e uma biblioteca, ambas entre as maiores
de Antuérpia. Durante este período, ele ampliou o estúdio com a ajuda de diversos
estudantes e assistentes, o mais famoso deles fora o jovem Anthony van Dyck, que
logo se tornaria o mais famoso retratista brabantino e um colaborador frequente de
Rubens.

Peças de altar, como a "A Elevação da Cruz" (1610) e "A Descida da Cruz” (1611-
1614) para a Catedral de Nossa Senhora foram particularmente importantes para
estabelecer Rubens como o mais importante pintor nos Países Baixos do Sul após a
sua volta. “A Elevação da Cruz", por exemplo, demonstra a síntese que Rubens fez
da "Crucificação" de Tintoretto para a Scuola Grande di San Rocco, em Veneza, as
figuras dinâmicas de Michelangelo e o seu estilo pessoal. Esta pintura é geralmente
lembrada como um grande exemplo da arte religiosa barroca.

A Elevação da Cruz (1610)

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A Descida da Cruz (1612-14)

Rubens fez uso de gravuras e de capas de livros, especialmente para o seu


amigo Balthasar Moretus, o proprietário da grande Editora Plantin-Moretus, para
espalhar a sua fama por toda a Europa durante a sua carreira. Com a exceção dum par
de água-fortes, ele mesmo apenas produziu desenhos dessas gravuras, deixando a
impressão para os especialistas, como Lucas Vorsterman. Ele também projetou a
última xilogravura importante anterior ao revival da técnica no século XIX.

A produção dos quadros obedecia a um esquema, segundo o qual ele realizava todos os
primeiros esboços e encarregava os aprendizes de montar um modelo em escala menor,
que era apresentado ao cliente. Se aprovado, Rubens traçava a lápis na tela e os
discípulos colocavam a cor e o óleo, cabendo ao mestre de novo fazer a "arte final".

O rapto das filhas de Leucipo (1618) O Massacre dos inocentes (1612)


Ciclo e as diplomacias (1621–1631)
Em 1621, a rainha-mãe da França, Maria de Médicis, encomendou a Rubens dois
grandes ciclos alegóricos celebrando a sua vida e a de seu recém-finado

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marido, Henrique IV para o Palácio do Luxemburgo, em Paris. O chamado Ciclo de
Maria de Médicis (atualmente no Louvre) foi instalado em 1625.

Retrato de Maria de Médicis (1622) O Casamento de Maria Médicis com Henrique IV

Com o final da Trégua dos Doze Anos, em 1621, os regentes Habsburgos espanhóis
confiaram a Rubens numerosas missões diplomáticas. Em 1624, o embaixador francês
escreveu de Bruxelas: "Rubens está aqui para pintar o retrato do príncipe da Polónia,
por ordens da infanta." Entre 1627 e 1630, a carreira diplomática de Rubens esteve
particularmente ativa e ele frequentemente se movimentava entre as cortes de Espanha
e de Inglaterra tentando promover a paz entre os Países Baixos Espanhóis e
as Províncias Unidas. Foi durante este período que Rubens foi, por duas vezes, elevado
ao título de cavaleiro, a primeira por Filipe IV, em 1624, e a segunda, por Carlos I, em
1630.

Rubens esteve em Madrid por oito meses entre 1628 e 1629. Além das negociações
diplomáticas, ele realizou ali diversas obras importantes para Filipe IV e outros
patrocinadores privados. Ele também pôde começar um novo estudo sobre as obras de
Ticiano, copiando várias delas, inclusive a "Queda do Homem" de Madrid (1628-1629).
Durante a sua estadia, ele tornou-se amigo do pintor da corte espanhola, Diego
Velázquez, e os dois planearam visitar a Itália juntos no ano seguinte. Rubens, porém,
retornou para Antuérpia e Velásquez viajou sem ele.

A sua estadia em Antuérpia seria breve viajando logo para Londres, onde permaneceu
até abril de 1630. Uma obra importante deste período é a "Alegoria sobre a Paz e
Guerra" (1629). Ela é um bom exemplo da forte preocupação de Rubens com a paz e
foi presenteada a Carlos I.

Enquanto a reputação de Rubens entre os colecionadores e a nobreza continuava a


crescer durante esta década, ele e seu estúdio continuaram a pintar obras monumentais
para contratantes locais em Antuérpia. A "Assunção da Virgem Maria"[ (1625-1626)
para a Catedral de Antuérpia é um bom exemplo.

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Alegoria sobre a Paz e a Guerra (1629-30) Assunção da Virgem Maria (1625-1626)

Últimos anos
A última década de Rubens passou-se em Antuérpia ou nas redondezas. Obras grandes
para compradores estrangeiros ainda o ocupavam, como as pinturas para o teto
da Salão de Banquetes do Palácio de Whitehall, mas ele também explorou algumas
possibilidades artísticas mais pessoais.

Em 1630, quatro anos após a morte de sua primeira esposa, o artista, então com 53
anos de idade, casou-se com a donzela Hélène Fourment, de dezesseis. Ela inspirou
nele figuras voluptuosas em muitas pinturas da década de 1630, incluindo "A Festa de
Vénus" "As Três Graças" e "O Julgamento de Páris" .

Nesta última pintura, que foi feita para a corte espanhola, a jovem esposa do artista foi
reconhecida como sendo a figura de Vénus. Num retrato íntimo dela, "Hélène Fourment
embrulhada em peles", a esposa de Rubens chega a ser representada com base nas
esculturas clássicas da Vénus Pudica, como na Vénus de Médicis.
Em 1635, Rubens comprou uma propriedade fora de Antuérpia, o Castelo de Steen,
onde ele passou os seus últimos dias. Paisagens, como o do Castelo de Steen e o
caçador e "Trabalhadores regressando do campo" refletem a natureza mais pessoal
de muitas de suas obras finais.

Ele também se baseou nas tradições holandesas de Pieter Bruegel, o Velho, para se
inspirar para obras como Kermis Flamengo ( Festa na Aldeia).

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As três Garças (1630-35) O Julgamento de Páris (1636)

A Festa de Vénus (1637)

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Retrato de Hélène Fourment (1630) Hélène Fourment embrulhada em peles
(1638)

Castelo de Steen e o caçador (1636)

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Festa de Aldeia (1938)

Esta pintura é um exemplo perfeito do estilo artístico de Rubens, caracterizado por


exuberância, energia e sensualidade. A composição da pintura é impressionante.
Rubens usa uma técnica chamada "pintura a óleo sobre tela" para criar uma imagem
vibrante e colorida que parece saltar da tela. A cena mostra um grupo de pessoas
aproveitando um festival de aldeia, com música, dança e comida. A composição é muito
dinâmica, com figuras em movimento e uma grande variedade de elementos no fundo.

A cor é outro aspeto proeminente da pintura. Rubens usa uma paleta brilhante e rica,
com tons quentes e saturados que criam uma sensação de alegria e vitalidade. As cores
são muito intensas, dando uma sensação de profundidade e dimensão à obra.

Rubens morreu de gota em 30 de maio de 1640 e foi enterrado na Igreja de São


Tiago em Antuérpia. Ele deixou oito filhos, três com Isabella e cinco com Hélène, sendo
que o caçula nasceu oito meses após a sua morte.

Legado

Rubens foi um artista muito prolífico. As suas obras sob encomenda foram
maioritariamente sobre assuntos religiosos, pinturas "históricas", que incluem assuntos
mitológicos, e cenas de caçadas, além de muitos retratos, especialmente de amigos e
auto-retratos, e, no final de sua vida, pintou diversas paisagens, tapeçarias e gravuras.

Seus desenhos são muito vigorosos, mas não tão detalhados; ele também utilizou
estudos em óleo para a preparação para suas obras. Rubens foi um dos últimos artistas
a fazer uso consistente de painéis de madeira como meio de apoio, mesmo para obras
grandes. Para as peças de altar, pintava por vezes em ardósia para reduzir os
problemas motivados pelos reflexos.

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Barroco dos Países Baixos
Embora a Holanda fizesse fronteira com Flandres, os dois países não podiam ser mais
diferentes, tanto cultural como politicamente. Enquanto Flandres era regida pela
monarquia e pela Igreja Católica, a Holanda (Países Baixos)era um país
independente, democrático e protestante. Nos rígidos e despojados templos
protestantes, a arte religiosa era proibida e as fontes normais de mecenato - Igreja, corte
e nobreza – deixaram de existir. O resultado foi uma democratização da arte, tanto em
relação aos temas quanto aos proprietários. Pela primeira vez, os artistas foram
deixados à mercê do mercado, inspirando-se nas obras barrocas produzidas na
viragem do século XVII, com composições em que as formas abertas e fechadas se
destacam frente aos contrastes de sombra e luz.

Felizmente, a próspera classe média tinha mania de colecionar arte. Em 1640, um


visitante de Amsterdão observou: "Quanto à arte da Pintura e à afeição do povo pelos
quadros, acho que nenhuma outra se interpõe entre eles. Todos, em geral, empenham-
se em adornar as suas casas pagando altos preços. "Até açougueiros, padeiros e
ferreiros compravam quadros, o que motivou uma pintura de alta qualidade e com um
número de artistas que chegava a 500 pintores, somente trabalhando com naturezas-
mortas.

De acordo com Gombrich, os holandeses eram devotos, sóbrios e trabalhadores


incansáveis, incomodando-se, a maioria deles, com a pompa excessiva e os
costumes da elite meridional. A classe abonada e orgulhosa foi a primeira a apreciar
os artistas que se dedicavam à pintura de retratos.

O Barroco holandês distanciou-se da igreja e produziu uma arte voltada


preferencialmente para os espaços domésticos, a vida cotidiana e o mundo do
trabalho, dando prioridade para a pintura de género, retratos e natureza-morta.
Além das representações do dia a dia da classe média, surgiram também os
motivos arquitetónicos e as paisagens. O naturalismo firmou-se na arte
holandesa, pois o que mais interessava era a representação dos bens em posse do
indivíduo, da família, da comunidade e da nação: os ambientes, a paisagem local, a
cidade e os arredores.

A natureza morta surgiu como género de pintura nos Países Baixos pós-Reforma.
Embora considerada uma forma inferior em outros lugares, o século XVII foi o período
alto da natureza morta na Holanda, onde os artistas atingiram um extraordinário
realismo retratando objetos domésticos. A natureza morta era emblemática: as pinturas
mostravam símbolos como crânios e velas fumegantes representando a transitoriedade
da vida. As paisagens holandesas eram tratadas com realismo, geralmente com um
fundo de altas nuvens num céu cinzento.

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Na profusão de temas empregados era natural outros artistas pintassem diferentes
assuntos, inclusive religiosos, como Rembrandt van Rijn (1606-1669), embora se

tenha se tornado o artista mais procurado por pintar retratos ao lado de Frans Hals
(1580-1666), outro grande artista na produção de retratos em grupo e individuais.

Outros grandes artistas alcançaram a fama com temas mais específicos, por
exemplo: Jan Steen (1626-1679), Johannes Vermeer (1632-1675) e Pieter de
Hooch (1629-1684) e) escolheram cenas de género e representações
arquitetónicas.

Os artistas, Willem Claesz Heda (1593-1680), Pieter CLAESZ (1596-1660), Willem


Kalf (1619-1693), Jan Davidsz de Heem (1606-1684), pintaram naturezas-mortas.

Enquanto, os artistas: Jan Both (1610-1652), Nicolaes Berchem (1620-1683),


Aelbert Cuyp (1620-1691), Jan van Goyen (1596-1656), Jacob Ruisdael (1628-
1682) optaram por pintar paisagens.

Frans Hals

Frans Hals (1580-1666) foi um pintor neerlandês durante o Século de Ouro dos Países
Baixos. O grande retratista de Haarlem ficou famoso por retratar a sociedade dos
Países Baixos segundo uma estética naturalista, com ênfase no retrato pictórico.

Nos quadros de Frans Hals, os modelos são captados em um instante e fixados para
sempre na tela. Na ágil, ampla e rápida pincelada, semelhante a um esboço, surge a
imagem de um cabelo despenteado, uma larga risada, um olhar caído de tanta
bebida, o rosto afogueado, a roupa enrugada. No entanto, suas composições
encantam justamente por essa despretensão, uma fotografia espontânea, jamais
alcançada por nenhum outro artista do período.

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Frans Hals representa um alegre miliciano levantando o seu copo para um brinde. O
rosto corado indica altas doses. O chapéu pendente sobre a cabeça deixa entrever
os cabelos desalinhados. Os olhos brilhantes, o gesto da mão levantada e o copo de
vinho em desequilíbrio, concluem a impressão do iminente, prestes a romper o
tempo e o espaço. O quadro combina a robustez e a amplidão de Rubens com uma
concentração no ‘momento dramático’ que só pode ter vindo de Caravaggio, via
Antuérpia”.

O bêbado alegre (1628) Foliões no Carnaval (1618)

Johannes Vermeer
Johannes Vermeer (1632-1675) foi um pintor holandês especializado em cenas de
interiores domésticos da vida da classe média, sendo considerado um dos maiores
pintores da Era de Ouro holandesa. Durante sua vida, ele foi um pintor de género
provinciano moderadamente bem-sucedido, reconhecido em Delft e Haia.

A obra de Vermeer é caracterizada por uma representação cuidadosa e realista da luz,


sombra e cor, e é conhecido pelas suas composições serenas e intimistas. As suas
pinturas mais famosas incluem “Rapariga com brinco de pérola”, "A Ruela,” “A

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Leiteira” "Menina lendo uma carta”, "Vista de Delft", “A Arte da Pintura”, entre outras.
Embora tenha deixado para trás apenas cerca de 34 obras confirmadas, a contribuição
de Vermeer para a história da arte é inegável, e sua habilidade na representação de
cenas do quotidiano da Holanda do século XVII influenciou muitos artistas posteriores.

Menina lendo carta à janela (1658) A Leiteira (1661)

A ruela (1657) Vista de Delft (1661)

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Menina com brinco de pérola (1665) A Arte da Pintura (1666)
Willem Claesz Heda
Willem Claesz Heda (1593-1680) nasceu em Haarlem, onde passou toda a sua
vida. Uma de suas primeiras obras conhecidas é Vanitas, em que representa uma
bacia em cobre brilhante com frutas, um copo de cristal, um crânio, cachimbos,
tabaco, prato e faca, todos elementos que compõem o tema são símbolos austeros
da brevidade da vida.

A partir de partir de 1631, Claesz passou a fazer parte da Guilda de Saint Luke de
Haarlem e lá permaneceu anos ensinando.

Suas composições mostram uma paleta monocromática de cinzas e marrons


terrosos e a aplicação virtuosa na representação das texturas, brilho, reflexo e
opacidade dos objetos dispostos em exibição.

As obras de Claesz apresentam quase sempre os mesmos objetos dispostos de


maneiras diferentes, em formatos verticais e horizontais. Na última fase foram
incorporados objetos luxuosos, vidros venezianos e porcelanas orientais .

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Natureza-morta com caneca dourada de cerveja (1634 )

Natureza-morta com uma taça tombada sobre a mesa, um copo de vidro, uma
caneca dourada com tampa aberta, um prato de estanho com uma faca pousada e
um limão, em parte, descascado. Castanhas quebradas estão espalhadas sobre os
dois lados da mesa.

O destaque dessa pintura é a capacidade do artista representar as diversas texturas


dos objetos, sejam a prata, o cobre dourado, a transparência do vidro e o brilho do
estanho. Sem dúvida, a finalidade para, além dos objetos esteticamente distribuídos,
era associar o prazer visual à ilusão dos brilhos, transparências, reflexos e sabores.
Jan van Goyen
Jan van Goyen (1596-1656) pintou a paisagem holandesa em todas as suas
inúmeras facetas: de cidades e aldeias para o mar e rios, dunas e planícies
alagáveis protegidas por diques contra as inundações. Ninguém melhor do que Van
Goyen soube evocar o ambiente especial, destes ‘países baixos’, sempre
ameaçados pelo mar.

A paisagem holandesa é definida por vastas planícies. Grande parte do campo dos
Países Baixos é composto por polders – conhecidos como diques – uma das mais

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clássicas técnicas de drenagem para controle de enchentes em locais de baixa
altitude próximas à rios e mar. O nível de água dentro dessas áreas cercada por
diques é regulado com a ajuda de moinhos.

Rio com prados baixos (1644) Uma cena no rio (1645)

A pintura, Vista panorâmica de um rio encontrando-se com prados baixos, é


uma das inúmeras paisagens executadas por Van Goyen, artista pioneiro na arte de
representar os campos e os arredores das cidades holandesas.

Alguns barcos navegam no rio distante. À direita alguns outros barcos estão
ancorados na areia. Homens e mulheres plantam e colhem na terra alagada. Um
enorme céu nublado se encontra com a terra baixa. Dois homens à esquerda sobre
uma pequena colina observam a distante paisagem. O efeito atmosférico, a linha de
horizonte baixa, o silêncio das águas, a calma costeira e as tonalidades reduzidas
fazem parte e identificam a maior parte das obras de Van Goyen.
Rembrandt
Rembrandt (1606-1669) foi um pintor, gravador e desenhista holandês, um dos mais
importantes pintores do Barroco europeu. A importância de sua pintura só foi
reconhecida a partir do século XIX. Rembrandt foi um dos mestres do claro-escuro,
técnica em que os efeitos de luz criam a forma e o espaço de suas obras.

Biografia

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Rembrandt Harmens van Rijn nasceu em Leyden, Holanda. De família humilde era o
quinto filho dum dono de um moinho à beira do rio Reno. Aos sete anos ingressou na
Escola Latina de Leiden. Rembrandt gostava de pintar e com sacrifício foi matriculado
na Universidade de Leyden, mas só estudou durante nove meses. Ingressou no atelier
do pintor Jacob Isaaksz, que lhe ensinou a técnica, a preparação das tintas e o
desenho.

Em 1623 foi para Amesterdão, onde estudou com o pintor romanista Pieter Lastman.
Em 1627, Rembrandt voltou para Leyden e instalou o seu próprio atelier com o seu
amigo e também pintor Jan Lievens. Nessa época, recebeu várias encomendas
particulares.

Em 1631, após a morte de seu pai, resolveu instalar-se em Amesterdão. Um ano depois
já era um pintor famoso, um dos mais caros e procurados da cidade.
Vida e Obra
Rembrandt retratava os ricos e bem sucedidos burgueses, pois era moda enfeitar as
paredes com o próprio retrato. Em 1632 pintou um dos seus quadros mais famosos: A
Lição de Anatomia do Doutor Tulp (1632).

A Lição de Anatomia do Doutor Tulp (1632)

Em 1634, Rembrandt atingiu o auge da fama e prosperidade. No mesmo ano casou-se


com Saskia, que foi fonte de inspiração para a sua arte. Em 1639 comprou uma casa na
Jodenbreestraat, rua dos judeus, no bairro judaico de Amesterdão e transformou-
a em centro de reunião social e em museu de objetos raros, móveis antigos e louças
valiosas.

Rembrandt pintou vários retratos, pois os burgueses esperavam ver as paredes de suas
casas cobertas por quadros que retratassem o dono da casa, a dona da casa, os filhos e
os animais de estimação. Enquanto os clientes queriam retratos e não críticas, ou
análises de suas almas, Rembrandt retratava o que via e sentia.

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Rembrandt pintou vários autorretratos. Sentava-se diante do espelho e retratava-se
procurando nos olhos e na boca o sinal dos tempos e as dificuldades da vida, como na
tela de 1640.

Autorretrato (1640) Retrato de Saskia (1635)

O seu atelier era um dos maiores da Europa. Tinha muitos alunos e uma clientela rica,
mas essa tranquilidade foi quebrada com a morte precoce de três filhos, só o quarto
chegou à idade adulta. Em 1642 morreu a sua esposa.

Nesse mesmo ano, Rembrandt recebeu a encomenda para pintar - “A Mudança de


Guarda da Companhia do Capitão Frans Bonninck Cocs", mas a obra foi recusada
pelo capitão, porque aquela não era a cena pretendida e contratada. Foi o primeiro
fracasso do artista.

A cena que é rica em detalhes, efeitos cênicos, dramaticidade e efeitos de cor é hoje
conhecida como A Ronda Noturna (1642).

40
A Ronda Noturna (1642)

Em 1645, Rembrandt empregou como pajem de seu filho Tito a jovem Hendrickje
Stoffls, que posteriormente se tornou a sua modelo e amante. Em 1654, viu-
se envolvido num escândalo com o nascimento dum filho com Hendrickje, que o pintor
reconheceu, mas a jovem foi excomungada pela Igreja Reformada Holandesa da qual
fazia parte.

Retrato de Hendrickje Stoffels (1657) Retrato de Titus (1658)

As encomendas feitas a Rembrandt começaram a rarear e as dificuldades financeiras


aumentaram. Perdeu uma ação na justiça, o seu casarão foi hipotecado e os seus bens

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leiloados em lotes. Ele continuava trabalhando e produzindo desenhos e gravuras
representando cenas bíblicas, entre elas, Os Discípulos de Emaús (1648):

Os Discípulos de Emaús (1648)

Em 1660, Rembrandt foi procurado para transformar em pintura A Conspiração de


Claudius Civilis, no entanto, quando a obra ficou pronta, o que se viu foi um grupo de
bárbaros, um bando de assassinos jurando fidelidade a um rei caolho. Para os
burgueses foi um choque.

A Conspiração de Claudius Cívillis (1660)

A obra foi devolvida para modificações, mas o artista se recusou e ateou fogo no quadro,
mas logo se arrependeu e salvou a cena central.

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Depois disso, só conseguiu vender mais um quadro: Os Síndicos da Corporação de
Tecelões de Amesterdão, também chamado "a" (1661), hoje no acervo do Museu de
Amesterdão.

Em 1663 morreu a sua companheira. Em 1668 morreu o seu filho Tito, um mês depois
de Rembrandt ter pintado A Família de Tito. Sozinho e na pobreza, depois de tanta
glória e riqueza, que ele gostava de lembrar, Rembrandt viveu apenas mais um ano.

A Família de Tito (1668)

Rembrandt faleceu em Amsterdão, Holanda, no dia 4 de outubro de 1669, deixando no


cavalete o último quadro que não conseguiu terminar. Mostrava o seu quarto: uma cama
simples, uma cadeira quebrada, um espelho sem moldura e uma mesa rústica.

Características técnicas

Segundo estudiosos, a pintura do grande mestre divide-se claramente em duas fases


distintas.

Na primeira, é evidente a influência de Pieter Lastman, que estudou


com Caravaggio em Roma por mais de 10 anos. Esta técnica mostra um contraste
muito grande com a iluminação da tela, o que confere grande dramaticidade às pinturas,
que tinham temática bíblica ou mitológica. A movimentação dos personagens retratados
também era muito carregada de expressões intensas, o que colabora mais ainda na
dramaticidade da cena. As pinturas eram menores, mas riquíssimas em detalhes, como
vestimentas e joalheria.

A segunda fase começa por volta de 1640, onde Rembrandt utiliza com maior profusão
a monocromia em tons dourados, uma influência clara de Caravaggio, um dos primeiros
grandes mestres do chiaroscuro, técnica com uma justaposição muito forte entre luzes

43
e sombras, cujo resultado final é um efeito visual impressionante, criada por Leonardo
Da Vinci. Porém o clima da pintura, ao invés de movimentos repentinos e fortes, torna-
se mais leve, com personagens mais introspetivos e pensativos.

A luz passa a ser não só um elemento que compõe o ambiente, mas começa a fazer
parte do plano espiritual da pintura, como a luz da alma humana. Os efeitos de luz criam
a forma e o espaço e a cor se subordina a estes, daí a ser chamado de mestre das luzes
e sombras. A profundidade de seus quadros neste período é intensa, tocando ao
extremo o observador. Cada vez mais aproxima-se da técnica do grande
mestre Ticiano, o que pode ser visto nas finalizações e na qualidade superficial de suas
pinturas.

Rembrandt pintava em camadas de tintas, construindo a cena da região mais afastada


até a sua frente, com o uso de vernizes entre estas camadas de tinta, que eram bem
espessas, o que permitia uma ilusão de ótica graças à qualidade táctil da própria tinta. A
manipulação tátil da tinta aproximava-se de técnicas medievais, quando alguns efeitos
de mimetismo transformavam a superfície da pintura. O resultado final varia muito no
manuseio da tinta, sugerindo espaço de uma maneira altamente individual.

Rembrandt pintou usando basicamente três temas distintos: as pinturas sacras, os auto
retratos e os retratos de grupos.

As pinturas sacras foram realizadas por toda a vida do pintor, principalmente de cenas
retratadas na Bíblia. Temos como bons exemplos desta fase "O regresso do filho
pródigo" em exposição no Museu Hermitage de São Petersburgo e “Jacob abençoa os
filhos de José” . Muito elogiado por seus contemporâneos, que sempre o reverenciaram
como um mestre intérprete das histórias bíblicas graças à sua habilidade em representar
emoções e atenção aos detalhes.

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O Regresso do Filho Pródigo (1669) Jacob abençoa filhos de José (1656)

Rembrandt ficou muito famoso pela quantidade de autorretratos que realizou, mais de
100 no total, por 40 anos. Estes autorretratos, que eram leituras psicológicas do autor,
foram comparados somente aos que Vincent Van Gogh fez de si mesmo, mais de 200
anos depois. Sempre foi fiel ao rosto que encontrava no espelho, tanto nos momentos
felizes quanto nos de desespero, onde encarava as agruras da vida.

Os retratos de grupos estavam em moda na Holanda na época de Rembrandt, onde


grupos procuravam os pintores para terem seu retrato imortalizado em uma tela, e ainda
podiam dividir os custos da produção entre si. Apesar de ter pintado apenas quatro
retratos em grupo, dois dos mais famosos quadros de Rembrandt encontram-se nesta
temática, A Aula de Anatomia do Dr. Tulp, em exposição no Museu Mauritshuis,
em Haia e A Ronda Nocturna, no Rijksmuseum, em Amesterdão.

Em muitas pinturas bíblicas, como A Subida da Cruz, José Contando Seus


Sonhos e A Stoning de São Estevão, Rembrandt pintou-se como personagem na
multidão, pois para ele, a Bíblia era um tipo de diário, uma conta sobre os momentos de
sua própria vida.

Legado

De início influenciado por Caravaggio, Rembrandt adaptou o claro-escuro do mestre


italiano. Sua obra é caracterizada por forte conteúdo emocional, grande expressividade
e dramaticidade, tudo com intenso realismo. Pintou temas bíblicos, mitológicos,
históricos, cenas do cotidiano vividas por personagens de destaque na vida social dos
Países Baixos, e principalmente retratos.

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Tendo alcançado sucesso na juventude como um pintor de retratos, seus últimos anos
foram marcados por uma tragédia pessoal e dificuldades financeiras. No entanto, as
suas gravuras e pinturas foram populares em toda a sua vida e sua reputação como
artista manteve-se elevada, ensinando quase todos os importantes pintores
holandeses. Os maiores triunfos criativos de Rembrandt são exemplificados
especialmente nos retratos de seus contemporâneos, autorretratos e ilustrações de
cenas da Bíblia.

Tanto na pintura como na gravura, ele expõe um conhecimento completo


da iconografia clássica, que ele moldou para se adequar às exigências da sua própria
experiência; assim, a representação de uma cena bíblica era baseada no conhecimento
de Rembrandt sobre o texto específico, na sua assimilação da composição clássica, e
em suas observações da população judaica de Amsterdão. Devido a sua empatia pela
condição humana, ele foi chamado de "um dos grandes profetas da civilização.

É geralmente considerado um dos maiores nomes da história da arte europeia e o


mais importante da história holandesa. É considerado, por alguns, como o maior
pintor de todos os tempos. As suas contribuições à arte surgiram em um período
denominado pelos historiadores de "Século de Ouro dos Países Baixos", no qual a
influência política, a ciência, o comércio e a pintura atingiram o seu apogeu.

Barroco Espanhol
O Barroco Espanhol é um conceito da historiografia da arte, da literatura e da música,
e genericamente da história da cultura, usado para classificar e definir as manifestações
culturais do período barroco (aproximadamente o século e meio entre 1600 e 1750)
localizado na Espanha.

Embora seja mais apropriado para a época chamar de Monarquia Católica ou Império
Espanhol o espaço político governado pelo rei da Espanha, a bibliografia costuma
delimitar a extensão do uso da expressão Barroco Espanhol às produções artísticas
da Corte (em Madrid exceto no breve período de 1601-1605 quando esteve em
Valladolid) e a dos territórios das Coroas de Castela e de Aragão e do reino de
Navarra. Neste espaço não homogéneo distinguem-se também as escolas locais,
sobretudo a escola ou barroco Madrileño, a escola ou barroco Sevilhano, a escola
ou barroco Valenciano, a escola ou barroco de Valladolid ou Castelhano), a escola
ou barroco de Salamanca, a escola ou barroco Galego, a escola ou barroco
Catalão, a escola ou barroco Aragonês, etc. Para a região de Múrcia e do Levante foi
definido um estilo local denominado Barroco Mediterrâneo.

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Pintura
A Pintura do Barroco Espanhol refere-se ao estilo de pintura que se desenvolveu na
Espanha ao longo do século XVII e na primeira metade do século XVIII. O estilo surgiu
nas pinturas do início do século XVII e surgiu em resposta às distorções maneiristas e à
idealização da beleza em excesso, que apareceram nas pinturas do início do século
XVII. O seu principal objetivo era, acima de tudo, permitir que o espectador
compreendesse facilmente as cenas retratadas nas obras por meio do uso do realismo
e, ao mesmo tempo, atender às exigências de "decoro" da Igreja Católica durante
a Contra-Reforma.

O naturalismo típico dos Caravaggisti em Itália e a iluminação dramática do


Tenebrismo, que foi introduzido na Espanha após 1610, viriam a moldar o estilo
dominante de pintura na Espanha na primeira metade do século XVII. Mais tarde, o
estilo foi influenciado pelo Barroco flamengo, considerando que
os Habsburgo governavam os Países Baixos Espanhóis durante esse período. A
chegada do pintor flamengo Peter Paul Rubens a Espanha, que visitou o país em 1603
e 1628, também teve alguma influência na pintura espanhola. No entanto, foi a profusão
de suas obras, bem como as de seus alunos, que viria a ter um impacto ainda maior a
partir de 1638. A influência de Rubens foi posteriormente combinada com a técnica
usada por Ticiano, que incorporava pinceladas soltas e contornos quebrados; a fusão
dessas influências foi fundamental para a criação das obras de Diego Velázquez, o
artista de maior prestígio do período.

A combinação de influências flamengas, as novas tendências artísticas da Itália, a


chegada dos pintores de frescos Agostino Mitelli e Angelo Colonna em 1658, bem
como a chegada de Luca Giordano em 1692, levariam ao auge do período barroco,
caracterizado por seu dinamismo e inovação, na segunda metade do século XVII.
Apesar da Espanha ter sido especialmente atingida pela Crise Geral do século XVII,
esse período é conhecido como a Idade de Ouro da Pintura Espanhola, devido à
grande quantidade, qualidade e originalidade dos artistas de classe mundial que
surgiram na época.

Características
A principal clientela dos artistas consistia na Igreja Católica e nas instituições ligadas a
ela (confraternidades e irmandades), bem como naquelas que encomendavam pinturas
para as suas capelas e fundações. As pinturas religiosas tiveram grande importância,
pois foram encomendadas pela Igreja Católica para serem usadas durante a Contra-
Reforma. Os pintores contratados pela Igreja tinham de obedecer às limitações e à
supervisão dos reitores da Igreja, que determinavam tanto o tema das pinturas quanto a
maneira como o tema seria retratado: os contratos frequentemente indicavam os

47
modelos que o pintor deveria seguir, e a aprovação final das pinturas tinha de ser dada
pelo prior. Por outro lado, trabalhar para a Igreja não só proporcionava aos pintores uma
fonte de renda considerável, mas também a oportunidade de ganhar prestígio social,
pois lhes permitia exibir o seu trabalho em público.

A Corte Real de Espanha também encomendava pinturas, com Filipe IV , em


particular, fornecendo um "verdadeiro patrocínio" aos pintores.

Zurbarán: S. Francisco de Assis (1634) Jusepe Leonardo: Tomada de Breisach (1635)

A necessidade urgente de decorar o recém-construído Palácio do Bom Retiro deu


origem a importantes encomendas. Os pintores espanhóis foram encarregados da
decoração do Salão dos Reinos: Os retratos equestres de Velázquez, uma série de
pinturas de arte militar, com as vitórias recentes dos exércitos de Felipe IV, e a série
de Francisco de Zurbarán representando Os Doze trabalhos de Hércules estavam
entre as obras que receberam contribuições. Artistas estrangeiros que trabalhavam
em Roma, como Claudio de Lorena e Nicolas Poussin, foram contratados para
produzir duas séries de pinturas para a Galeria de Paisagens. Pintores que
trabalhavam em Nápoles, como Giovanni Lanfranco e Domenichino, foram
contratados para criar mais de trinta pinturas que retratavam a história de Roma, uma
coleção à qual pertence a pintura Mulheres Gladiadoras, de José de Ribera.

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Francisco de Zurbarán: Os Doze trabalhos de Hércules (1634)

José de Ribera: Mulheres Gladiadoras (1636)

Como era proibido transferir pinturas entre palácios reais, e dada a pressa de Gaspar de
Guzmán em terminar a decoração do Palácio do Retiro, muitas obras foram compradas
de colecionadores particulares, até que o número de pinturas penduradas nas paredes
do palácio totalizou cerca de 800. Velázquez estava entre esses vendedores de arte: em
1634, ele vendeu ao rei as pinturas A Túnica de José e Apolo na Forja de Vulcano,
que ele havia pintado na Itália, juntamente com as obras de outros, incluindo quatro
paisagens, duas naturezas-mortas, duas pinturas de flores e uma cópia de "Danae"
de Ticiano.

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Velasquez: A Túnica de José e Apolo na Forja de Vulcano (1630)

Temas Religiosos

Francisco Herrera, o pintor barroco com quem Velázquez estudou, dizia que o objetivo
final da pintura era inspirar devoção religiosa nas pessoas, aproximando-as de Deus.

Com o surgimento do protestantismo e sua crescente relutância em adorar certos


símbolos religiosos associados ao catolicismo, a Igreja incentivou ainda mais as
representações da veneração de Virgem Maria, bem como de São José (incentivada
por Teresa de Ávila). A Imaculada Conceição de Murillo é um motivo religioso
característico da Espanha que aparece frequentemente em pinturas, com o país,
liderado pela monarquia, determinado a defender essa doutrina, que ainda não havia
sido estabelecida pelo Papa. Por motivos semelhantes, as representações da Santa
Comunhão e os temas eucarísticos ganharam importância crescente, como
na Adoración de la Sagrada Forma de Claudio Coello no El Escorial.

Murillo: Imaculada Conceição (1678) C. Coello: Adoração de Forma Sagrada (1685-


90)

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Temas Seculares

Outros temas, como Naturezas-Mortas e Retratos, também se desenvolveram durante


esse período: uma escola espanhola pode ser reconhecida devido às características
distintas das pinturas que pertencem a esses temas. A estética severa das pinturas
espanholas de natureza-morta contrasta com as obras luxuosas da flamenga: a partir da
obra de Juan Sánchez Cotán, a natureza-morta espanhola passou a ser definida como
tendo composições simples e geométricas, com linhas rígidas e iluminação tenebrista.
Sánchez Cótan obteve tanto sucesso que muitos outros pintores de naturezas-mortas
seguiram o exemplo: Entre eles estão Felipe Ramírez, Alejandro de Loarte, Juan van
der Hamen y León, Juan Fernández, Juan de Espinosa, Francisco Barrera, Antonio
Ponce, Francisco Palacios, Francisco de Burgos Mantilla, entre outros.

Juan Sánchez Cotán: naturezas-mortas (1602)

A Escola de Sevilha também ajudou a definir as características da natureza-morta


espanhola, liderada por Velázquez e Zurbarán. Exemplos do impacto da pintura
flamenga na natureza-morta espanhola podem ser encontrados nas pinturas de flores
de Juan de Arellano e nas Vanitas de Antonio de Pereda e Juan de Valdés Leal.

Juan Arellano; Cesto de Flores (1668) Antonio de Pereda: Vanitas (1636)

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O retrato do período barroco espanhol contrastava muito com os retratos extravagantes
encomendados por outras cortes europeias. A figura de El Greco foi decisiva para a
consolidação do método usado para produzir retratos durante esse período. O retrato
espanhol tem as suas raízes, por um lado, na escola italiana (Ticiano) e, por outro, nas
pinturas hispano-flamengas de Antonio Moro e Sánchez Coello.

José Ribera: O pé torto (1642) Velasquez: Retrato do Papa Inocêncio X (1650)

Escolas (século XVII)

Escola Madrilena
No começo do século XVII trabalharam em Madrid e Toledo uma série de pintores
diretamente relacionados com os artistas italianos que vieram trabalhar no Monastério
de El Escorial; os exemplos paradigmáticos são Eugenio Cajés e Vicente Carducho.

Na escola do Escorial formaram-se também Juan Sánchez Cotán e Francisco


Ribalta. Influenciados pela presença em Madrid de Orazio Borgianni e das pinturas
de Carlo Saraceni, adquiridas para a catedral de Toledo pelo Cardeal Sandoval y
Rojas, tratavam os temas religiosos com maior realismo que a pintura imediatamente
anterior: Juan van der Hamen (1596-1631), Pedro Núñez del Valle e Juan Bautista
Maíno (1578-1649).

Entre as figuras que representam a transição do tenebrismo para o barroco pleno


estão Juan Andrés Ricci (1600-1681) e Francisco de Herrera, o Jovem (1627-1685).
O auge do barroco é representado por Francisco Rizi (1614-1685) e Juan Carreño de
Miranda (1614-1685), mas a última grande figura do barroco madrileno é Claudio
Coello (1642-1693), pintor da corte.

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Juan Roelas: Martirio S. Andrés (1609-13) Claudio Coello: A Virgem e o Menino (1669)

Escola Toledana
Em Toledo, sobressaiu Juan Sánchez Cotán (1560-1627), pintor eclético famoso por
suas naturezas-mortas (bodegones) harmónicas e ordenadas. Outros artistas
toledanos destacados foram Luis Tristán e Pedro Orrente.

Juan Sánchez Cotán: Naturezas mortas (1602)

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Escola Valenciana
Os tenebristas Francisco Ribalta (1565-1628) e José de Ribera (1591-1652) foram
expoentes da chamada escuela valenciana.

F. Ribalta: A Virgem e o Menino (1606) José de Ribera: Sagrada Família (1648)

Escola Andaluza
No começo do século, em Sevilha, cidade então em seu auge económico, era
dominante uma pintura tradicional com influências flamencas, cujo maior representante
era o maneirista Francisco Pacheco del Río. Outros artistas foram Francisco de
Zurbarán, Alonso Cano e Bartolomé Murillo.

Francisco del Rio: Último julgamento (1611-14) Murillo: O jovem mendigo (1650)

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Criança em êxtase (1632) Zurbarán A Defesa de Cádiz (1634)

Alonso Cano: Descendo do limbo (1640) Murillo: Vendedora de fruta (1675)

Século XVIII
Durante as primeiras décadas do século XVIII, as formas barrocas persistiram na pintura
até o surgimento do estilo rococó, influenciado pela França, em meados do século. A
chegada dos Bourbons trouxe um grande fluxo de artistas estrangeiros para a corte,
como Jean Ranc, Louis-Michel Van Loo e Michel-Ange Houasse. Entretanto, nas
áreas periféricas, o trabalho iniciado pelas principais escolas do século XVII continuou:
em Sevilha, por exemplo, os discípulos de Murillo continuaram seu estilo quase até
1750. Vale a pena observar que, fora da corte, o clero e a nobreza regional
permaneceram fiéis à estética barroca, e houve uma continuidade ininterrupta das
formas artísticas até o século XVIII.

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Diego Velázquez
Diego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660) foi um pintor espanhol e principal
artista da corte do rei Filipe IV de Espanha. Era um artista individualista do período
barroco contemporâneo, importante como um retratista.

Biografia

Velázquez (1599-1660) nasceu em Sevilha, naquela época uma cidade importante


com uma comunidade artística próspera. Aos onze anos, Velázquez foi aprendiz de
Francisco Pacheco, o artista e teórico da arte mais significativo de Sevilha,
de quem aprendeu as habilidades técnicas de desenho e pintura, natureza morta e
retrato e logo superando o seu mestre. Ao contrário do mais tradicional Pacheco, ele
respondeu às técnicas de inovadores modernos como Caravaggio, que era famoso
por suas obras escuras e dramaticamente iluminadas e modelos não idealizados.

Em 1617, Velázquez terminou a sua aprendizagem e recebeu o direito de montar o


seu próprio estúdio. Um ano depois, casou-se com a filha de Pacheco, Juana, e em
1621, o casal teve duas filhas.

Durante seus primeiros anos em Sevilha, Velázquez produziu 'bodegones',


literalmente 'cenas de taverna' ou pinturas da vida cotidiana, (cenas de cozinha
com natureza morta proeminente). Ele foi um dos primeiros artistas espanhóis a pintar
tais cenas, e sua Velha fritando ovos (1618) demonstra a habilidade incomum do jovem
artista em representações realistas. O realismo e a iluminação dramática desta obra
podem ter sido influenciados pela obra de Caravaggio, que Velázquez poderia ter visto
em cópias, e pela escultura policromada nas igrejas sevilhanas. Duas de suas
bodegones, Cristo na casa de Marta e Maria (1618) e a Ceia em Emaús (1618),
apresentam cenas religiosas no fundo, pintadas duma forma que cria ambiguidade
quanto à cena religiosa ser uma pintura na parede, uma representação dos
pensamentos da empregada da cozinha em primeiro plano ou um incidente real visto
através de uma janela. As suas outras obras religiosas incluem, A Imaculada
Conceição (1619), A Adoração dos Magos (1619) e São João Evangelista na Ilha

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de Patmos (1618–19), as quais começam a expressar seu realismo mais preciso e
cuidadoso.

Velha fritando ovos (1618) Três Músicos (1618)

A ceia em Emaús (1618) Cristo em casa de Marta e Maria (1618)

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A Imaculada Conceição (1619) São João na ilha de Patmos (1619)

Também deste período são o retrato de Madre Jerónima de la Fuente (1620), o


primeiro retrato de corpo inteiro de Velázquez e O Aguadeiro de Sevilha (1620),
que foi considerado "o auge dos bodegones de Velázquez " e é admirado por sua
representação virtuosa de volumes e texturas, bem como por sua gravidade enigmática.

O Aguadeiro de Sevilha (1620) A Madre Jerónima de la Fuente (1620)

Em 1623, graças às conexões de seu sogro, Velázquez foi convidado a pintar um


retrato do jovem rei Filipe IV, que ficou tão encantado com o resultado que
imediatamente nomeou Velázquez como um de seus pintores da corte e, a partir de
então, não permitiria que mais ninguém o pintasse.

A mudança para a corte real em Madrid permitiu que Velázquez tivesse acesso à
impressionante coleção real, estudando as pinturas italianas, particularmente aquelas

58
de artistas venezianos como Ticiano. Quando Rubens chegou a Madrid numa missão
diplomática em 1628, os dois artistas conheceram-se bem. Em 1629, Velázquez
obteve permissão para visitar a Itália e estudar pintura italiana, procurando novas
pinturas para comprar em nome do rei. O Cristo após a flagelação, contemplado
pela Alma Cristã foi pintado logo após o seu retorno a Madrid em 1630. A sua técnica
de pintura solta mostra uma influência distintamente veneziana.

Retrato do jovem Rei Filipe IV (1623) Retrato de de Filipe IV (1926)

Cristo após a flagelação, contemplado pela Alma Cristã (1929-31)

Foi nesta época que Velasquez pintou uma série de quadros que ficaram famosos: O
Triunfo de Baco (1629), A tentação de S. Tomás de Aquino (1631), Cristo crucificado
(1632), A Rendição de Breda (1634) e retratos da família real.

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O triunfo de Baco (1628) A Tentação de S. Tomás de Aquino
(1631)

Filipe IV, de castanho e prata (1632) Retrato de Isabel de Bourbon (1632)

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Cristo crucificado (1632) A Rendição de Breda (1634)

Filipe IV, a cavalo (1635) Filipe IV, em traje de caçador (1633)

Principe Baltasar a cavalo (1635) Dama jovem (1635)

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Velázquez não foi bem-sucedido apenas como pintor. Desde sua chegada, ele
continuou a subir na hierarquia da casa real, continuando ocupado com comissões, no
entanto, produzindo pinturas para o novo Palácio do Bom Retiro e outras
residências. Uma grande parte de seu trabalho era composta de retratos reais do rei e
sua família, incluindo a rainha, seus filhos e seus bobos e anões da corte. Em 1643,
Velázquez foi nomeado superintendente das obras do palácio. Em 1647, foi
encarregue dum projeto para modernizar o antigo palácio Alcázar. Entretanto, pintou
alguns quadros, como a famosa Vénus ao espelho para um importante nobre
espanhol, o Marquês de Eliche. É o primeiro nu feminino conhecido pintado por um
artista espanhol, e o único nu feminino sobrevivente de Velázquez.

Figura feminina (1645) Vénus ao espelho (1647)

Em 1649, Velázquez fez uma segunda viagem a Itália para comprar pinturas e se
manter atualizado com os desenvolvimentos da arte italiana. Quando partiu em 1649,
foi acompanhado por seu assistente Juan de Pareja, que naquela época era escravo e
que havia sido treinado em pintura por Velázquez. Partiu de Málaga, desembarcou
em Génova e seguiu de Milão para Veneza, comprando pinturas de Ticiano,
Tintoretto e Veronese pelo caminho.

Essas obras prenunciam o advento da terceira e mais recente maneira do pintor, um


nobre exemplo do qual é o grande retrato do Papa Inocêncio X na Galeria Doria
Pamphilj em Roma, para onde Velázquez agora seguia. Lá, ele foi muito bem recebido
pelo Papa, que o presenteou com uma medalha e uma corrente de ouro. Velázquez
levou uma cópia do retrato — que Sir Joshua Reynolds considerou a melhor pintura de
Roma — com ele para a Espanha. Várias cópias dele existem em diferentes galerias,
algumas delas possivelmente estudos para o original ou réplicas pintadas para Filipe IV.
Velázquez, nesta obra, havia agora alcançado a manera abreviada , um termo cunhado
pelos espanhóis contemporâneos para este estilo mais ousado e nítido. O retrato mostra
tanta crueldade na expressão de Inocêncio que alguns no Vaticano temeram que fosse
visto desfavoravelmente pelo Papa; na verdade, Inocêncio ficou satisfeito com a obra e
pendurou-a na sala de espera de seus visitantes oficiais.

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Em 1650, em Roma, Velázquez também pintou um retrato de Juan de Pareja , retrato
que garantiu sua eleição para a Accademia di San Luca . Presumivelmente, Velázquez
criou este retrato para um aquecimento de suas habilidades antes de seu retrato do
Papa. Ele captura em grande detalhe o semblante de Pareja e suas roupas um tanto
gastas e remendadas com um uso económico de pinceladas. Em novembro de 1650,
Juan de Pareja foi libertado da escravidão por Velázquez.

Retrato do Papa Inocêncio X (1650) Retrato de Juan de Pareja (1650 )

Como parte de sua missão de obter decorações para a Sala dos Espelhos no Real
Alcázar de Madrid , Velázquez encomendou a Matteo Bonuccelli a fundição de doze
cópias de bronze dos leões de Médicis . As cópias estão agora no Palácio Real de
Madrid e no Museu do Prado . Velasquez teve um caso amoroso de que resultou
um filho ilegítimo, o que atrasou consideravelmente o seu regresso a Espanha, para
grande aborrecimento do rei.

A Era de Ouro
O século XVII foi a Idade de Ouro para a arte e literatura em Espanha. Velázquez
pintou enquanto Cervantes escreveu 'Dom Quixote' e Lope de Vega escreveu as
suas peças. Isso ocorreu apesar das guerras religiosas e políticas que drenaram a
economia espanhola e dos surtos devastadores de peste.

Velázquez foi promovido a cargos administrativos cada vez mais altos, o que lhe
deixou menos tempo para pintar. Seu genro, Juan Bautista Martinez de Mazo,
tornou-se cada vez mais envolvido em ajudar fazendo cópias oficiais de suas pinturas.
O relacionamento próximo de Velázquez com o rei e sua família continuou. Tendo
criado um grupo de cenas mitológicas para o palácio Alcázar, os últimos anos do
artista foram principalmente ocupados com retratos reais, como o Filipe IV de
Espanha da Galeria .

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Elisabeth da França morreu em 1644, e o rei casou-se com Mariana da Áustria , a quem
Velázquez agora pintava em muitas atitudes. Em 1652, ele foi especialmente escolhido
pelo rei para preencher o alto cargo de prefeito aposentador, que lhe impôs o dever de
cuidar dos aposentos ocupados pela corte — uma função responsável que interferia no
exercício de sua arte. No entanto, longe de indicar qualquer declínio, as suas obras
deste período estão entre os maiores exemplos de seu estilo.

Uma das infantas, Margaret Theresa, a filha mais velha da nova rainha, parece ser o
tema de Las Meninas (1656), a obra-prima de Velázquez. Criada quatro anos antes de
sua morte, serve como um exemplo notável da arte barroca europeia. Luca Giordano ,
um pintor italiano contemporâneo, referiu-se a ela como a "teologia da pintura", e
também foi descrita como "a verdadeira filosofia da arte". No entanto, não está claro
quem ou o qual é o verdadeiro tema da imagem. É a filha real, ou talvez o próprio pintor?
O rei e a rainha são vistos refletidos num espelho na parede do fundo, mas a fonte do
reflexo é um mistério: o casal real está no espaço do observador ou o espelho reflete a
pintura na qual Velázquez está trabalhando? Dale Brown diz que Velázquez pode ter
concebido a imagem desbotada do rei e da rainha na parede do fundo como um
prenúncio da queda do Império Espanhol, que ganharia força após a morte de Filipe.

No livro As Palavras e as Coisas, de 1966, o filósofo Michel Foucault dedica o


capítulo de abertura a uma análise de Las Meninas . Ele descreve as maneiras pelas
quais a pintura problematiza questões de representação por meio do uso de espelhos,
telas e as oscilações subsequentes que ocorrem entre o interior, a superfície e o exterior
da imagem.

Las Meninas (1656)

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Uma de suas obras finais foi As Fiandeiras , pintada por volta de 1657, uma
representação da Fábula de Aracne de Ovídio. A tapeçaria ao fundo é baseada em O
Rapto de Europa, de Ticiano, ou, mais provavelmente, na cópia que Rubens pintou em
Madrid. É cheia de luz, ar e movimento, apresentando cores vibrantes e manuseio
cuidadoso. Anton Mengs disse que esta obra parecia ter sido pintada não pela mão,
mas pela pura força de vontade. Ela exibe uma concentração de todo o conhecimento
artístico que Velázquez reuniu durante sua longa carreira artística de mais de quarenta
anos. O esquema é simples - uma confluência de vermelho variado e misturado, verde-
azulado, cinza e preto.

As Fiandeiras (1657)

Em 1658, Velázquez foi feito Cavaleiro de Santiago. Era uma honra que ele sempre
desejou e seu distintivo de cargo foi adicionado ao seu auto-retrato. Diz-se que o rei
pintou a Cruz honorária da Ordem de Santiago no peito do pintor, como aparece hoje
na tela. No entanto, Velázquez não recebeu esta honra de cavaleiro até três anos após
a execução desta pintura.

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Auto-retrato, com Cruz de Santiago Retrato rainha Mariana de Áustria (1657)

Os retratos finais das crianças reais de Velázquez estão entre suas melhores obras e
na Infanta Margarita Teresa com Vestido Azul o estilo pessoal do pintor atingiu seu
ponto alto: pontos brilhantes de cor em amplas superfícies de pintura produzem um
efeito quase impressionista - o observador deve ficar a uma distância adequada para ter
a impressão de uma espacialidade tridimensional completa.

O seu único retrato sobrevivente do delicado e doentio Príncipe Felipe Prospero é


notável por sua combinação das feições doces do príncipe criança e seu cão com uma
sutil sensação de melancolia. A esperança que foi depositada naquela época no único
herdeiro da coroa espanhola é refletida na representação: vermelho e branco frescos
contrastam com as cores mórbidas do outono tardio. Um pequeno cão com olhos
arregalados olha para o observador como se interrogativamente, e o fundo amplamente
pálido sugere um destino sombrio: o pequeno príncipe tinha apenas quatro anos quando
morreu. Como em todas as pinturas tardias do artista, o manuseio das cores é
extraordinariamente fluido e vibrante.

Retrato da Infanta Margarida (1659) Retrato do Príncipe Felipe Próspero (1959)

Em Agosto de 1660, Velasquez adoeceu e morreu, tendo sido enterrado no cofre de


Fuensalida da Igreja de San Juan Bautista e, uma semana depois a, sua esposa
Juana foi enterrada ao lado dele. Esta Igreja foi destruída pelos franceses por volta de
1809.

Legado
Embora familiarizado com as escolas italianas e amigo dos principais pintores de sua
época, Velázquez era forte o suficiente para resistir a influências externas e trabalhar
por si mesmo no desenvolvimento de sua própria natureza e seus próprios princípios de
arte.

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Velázquez não foi prolífico; estima-se que tenha produzido entre 110 e 120 telas
conhecidas. É considerado a figura mais influente na história do retrato espanhol. O
respeito com que os pintores do século XX consideram a obra de Velázquez atesta a
sua importância contínua, como aconteceu com Manet, Picasso e Salvador Dali.

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