Título: Orações Completivas Finitas e Não Finitas: Um Estudo Descritivo e
Comparativo
Introdução
As orações completivas desempenham papel essencial na formação de estruturas
complexas na língua portuguesa. Atuando como complemento de verbos, nomes ou
adjetivos, essas orações subdividem-se em finitas e não finitas, distinção essa que
envolve diferenças morfossintáticas e semânticas. O presente trabalho busca apresentar
as principais diferenças e semelhanças entre as orações completivas finitas e não finitas,
com base nas obras de Mateus et al. (2003), Cunha e Cintra (2008), Perini (2006) e
Neves (2000). Ademais, será feita uma análise da propriedade comum das completivas
finitas, bem como da agramaticalidade de certas construções, dos fatores que
influenciam o uso do infinitivo flexionado e das propriedades do gerúndio.
1. Diferenças e semelhanças entre orações completivas finitas e não finitas
As orações completivas finitas são aquelas cujo verbo se encontra flexionado em tempo,
modo e pessoa, sendo geralmente introduzidas pela conjunção "que" ou "se". Em
contraste, as completivas não finitas apresentam o verbo no infinitivo, podendo este
estar flexionado ou não, conforme a relação com o sujeito da oração principal.
Exemplo finita:
Ela afirmou que viria à reunião.
Exemplo não finita:
Eles tentaram resolver o problema.
Segundo Cunha e Cintra (2008), ambas desempenham a função de complemento,
geralmente na posição de objeto direto. Neves (2000) destaca que ambas introduzem
uma proposição, ainda que com estruturas verbais distintas.
2. Propriedade comum das completivas finitas
Mateus et al. (2003) afirmam que todas as orações completivas finitas têm como
propriedade comum o fato de introduzirem uma proposição que pode ser avaliada em
termos de verdade. Essa proposição é dependente de um elemento regente, podendo ser
um verbo, um nome ou um adjetivo.
Exemplos:
Verbo: A Joana disse que viajou para o Porto.
Adjetivo: É necessário que entregues o trabalho hoje.
Nome: A ideia de que tudo se resolve sozinho é perigosa.
Como Neves (2000) salienta, essas orações funcionam como enunciados subordinados
que completam o sentido da oração principal, mantendo autonomia semântica relativa.
3. Agramaticalidade nas construções abaixo
(a) * Os miúdos querem [irem acampar no próximo fim-de-semana].
A forma "irem" está inadequada porque o sujeito da subordinada é o mesmo da
principal. Deve-se usar o infinitivo não flexionado:
Os miúdos querem acampar no próximo fim-de-semana.
(b) * Precisamos de [sabermos o prazo de entrega do exercício de Linguística do
Português III].
Novamente, a flexão "sabermos" é indevida. A forma correta é:
Precisamos de saber o prazo de entrega...
Perini (2006) explica que a flexão do infinitivo se justifica apenas quando há
necessidade de distinguir sujeitos ou enfatizar um grupo dentro da oração.
4. Fatores que influenciam o uso do infinitivo flexionado
Os principais fatores são:
Correferência: se o sujeito é diferente, a flexão é possível e, às vezes,
necessária.
Clareza referencial: uso para evitar ambiguidades.
Tipo de preposição ou verbo: certas preposições ("para", "de") favorecem a
flexão.
Formalidade: o infinitivo flexionado é mais comum na linguagem formal.
Exemplo:
Eles pediram para saírem mais cedo.
5. Propriedades da construção de infinitivo gerundivo
O gerúndio, embora não seja uma oração completiva, é uma forma não finita que
expressa:
Ação em curso ou simultânea: "Entrou cantando."
Valor adverbial (tempo, modo, causa): "Sendo estrangeiro, não entendeu."
Neves (2000) e Perini (2006) destacam o uso do gerúndio como forma econômica e
expressiva de relações temporais e causais entre eventos.
Conclusão
As orações completivas, tanto finitas quanto não finitas, apresentam-se como elementos
centrais da sintaxe da língua portuguesa. Suas diferenças estruturais refletem não apenas
questões morfológicas, mas também escolhas pragmáticas e estilísticas. A análise
baseada em diferentes gramáticas reforça a complexidade e riqueza dessa categoria, que
exige compreensão profunda de seus usos e variações.
Referências
CUNHA, C.; CINTRA, L. F. L. (2008). Nova Gramática do Português Contemporâneo.
Lisboa: Sá da Costa.
MATEUS, M. H. M. et al. (2003). Gramática da Língua Portuguesa. 6. ed. Lisboa:
Caminho.
NEVES, M. H. M. (2000). Gramática de Usos do Português. São Paulo: UNESP.
PERINI, M. A. (2006). Gramática Descritiva do Português. São Paulo: Ática.