INSTITUTO SUPERIOR POLITECNICO DO ZAIRE-SOYO
Frequência: 1º ano / 2024-2025
Disciplina: EII1
Professor: Lic. Isaac Domingos Sebastião
Categoria: Professor Assistente Estagiario
Tema # 1 : Introdução Estudo Das Instalações Industriais
Aula: #1
1.1 Introdução
Instalações industriais são a espinha dorsal de qualquer operação de
manufatura e produção, englobando tudo, desde maquinários e
sistemas de infraestrutura até processos de montagem e controle. Um
planejamento e uma execução adequados são essenciais para garantir
que essas instalações funcionem de maneira eficiente e segura. Neste
artigo, exploraremos o conceito de instalações industriais, seus
componentes principais, benefícios e melhores práticas para garantir
o sucesso das operações.
Instalações Industriais entenda suas funções e vantagens para uma
empresa
Investir em boas Instalações Industriais dentro da empresa é
fundamental para prevenir problemas e gastos.
Para ter um bom desenvolvimento e produção de seus serviços, é
necessário investir na qualidade das Instalações Industriais da
empresa. Por isso, é preciso contar com profissionais do setor
tecnológico do segmento industrial que tenham formação em
engenharia ou nível técnico, com capacitação adequada para o sector
Industrial. É preciso também oferecer uma prestação de serviços
através de um projeto com boa estrutura e utilidade com o melhor
serviço de Instalações Industriais.
Para realizar todas as Instalações Industriais, a empresa deve
proceder dentro das normas e protocolos técnicos exigidos por
instituições vale e outras que também estabelecem diretrizes nesse
segmento. Além disso, é importante observar como a equipe de
trabalho interage com o projeto, principalmente em quesitos como
compreensão de ergonomia, que contribuem muito no futuro auxilio
do fluxo de produção.
O Que São Instalações Industriais?
Instalações industriais referem-se ao conjunto de equipamentos,
sistemas e infraestruturas necessárias para a operação de uma
unidade produtiva. Isso inclui a instalação de máquinas, sistemas de
transporte, redes elétricas e hidráulicas, e a implementação de
processos de controle e segurança.
Na cadeira de Estudo das Instalações Industriais vamos obedecer três
ramos a ser considerqado nomeadamente:
O ramo das Instalações Industriais para um Processo, o ramo das
Instalações Industriais para área de Fabricação e o Ramo da
Instalações para área de Serviço.
O que é processo industrial?
Processo industrial é uma série sistemática de operações que tem
como função a fabricação de algum material. Essas operações podem
ser de ordem mecânica, físicas ou químicas.
Diversos componentes do nosso dia-a-dia passam por uma fábrica, e o
processo industrial define quais etapas serão implementadas para que
a produção desse item seja a mais otimizada possível.
Qual a importância dos processos
industriais?
Um processo industrial bem estabelecido é fundamental para que toda
a cadeia envolvida na fabricação seja implementada da forma correta.
Sem a aplicação dos processos corretos, uma empresa pode demorar
mais para entregar os seus produtos, além de ter gastos
desnecessários.
Quais são as etapas do processo
industrial?
As etapas do processo industrial podem variar conforme a
necessidade e os produtos produzidos. Mas de maneira generalista
podemos citar as seguintes fases como formadoras de um processo:
Recebimento da matéria-prima de maneira bruta e
primeiras manipulações;
Condicionamento da matéria-prima;
Transformação da matéria-prima;
Conversão da matéria-prima no produto.
Cada etapa contém dentro de si várias fases que podem ser
implementadas conforme o negócio percebe a sua necessidade.
Mas todas devem ser complementares, além de serem
determinantes para que o produto saia como o esperado.
Quais são os tipos de processos
industriais?
Podemos dividir os processos industriais em 4 categorias, que são:
Produção industrial contínua e descontínua
Um processo industrial contínuo é aquele composto por linhas de
produções dedicadas a produzir um mesmo item de maneira contínua,
ou seja, 24 horas, 7 dias por semana.
Esse formato de processo de produção industrial é utilizado em
indústrias que possuem alta demanda e produzem peças sequências,
ou seja, que vão sempre se repetir. Mesmo que contínua, a velocidade
da produção pode ser aumentada ou diminuída conforme a demanda.
Um exemplo de produção industrial continua é a indústria
automobilística, que possui fábricas de componentes e montadoras
funcionando 24 horas.
Já a produção industrial descontínua é o oposto da contínua, nela a
empresa estabelece um padrão de horários não contínuo e os itens
produzidos podem mudar de tempo em tempo. A indústria de alimentos
é um exemplo desse tipo de produção.
Produção industrial em lote
A fabricação em lote pode ser definida como o formato de produção
industrial mais antigo, onde os produtos são fabricados conforme a
demanda.
Quando o mercado sinaliza a necessidade de um novo lote,
as máquinas são programadas para produzir determinado produto.
Assim que o lote delimitado tem a sua fabricação finalizada, as
máquinas e a mão de obra podem ser programadas para realizar a
produção de outro produto.
As indústrias que ainda trabalham em partes neste formato são
a farmacêutica e a têxtil.
Produção industrial discreta
Na fabricação discreta uma linha de montagem também é utilizada.
Entretanto, o produto a ser trabalhado muitas vezes é
único, podendo enfrentar diferentes configurações na produção
conforme a sua demanda.
Um exemplo desse formato de produção é a fabricação de navios. Os
estaleiros que produzem essas grandes embarcações seguem uma
linha de produção, porém não exercem a mesma função de produção
em série, já que um item de tal tamanho dificilmente poderá ser
replicado fielmente.
Produção industrial por oficina de trabalho
O processo de produção industrial por oficina de trabalho é aquele
que não acontece através de uma linha de montagem, como as
citadas acima. Ele usa áreas de produção específicas, onde todo o
item é fabricado.
Esse processo industrial é aplicado para produtos com menor
demanda, produzidos para datas comemorativas ou épocas
sazonais.
Como gerenciar o processo industrial
Além de entender o que é processo industrial, é fundamental que o
gestor de uma fábrica também saiba fazer a gestão de todos esses
processos, alavancando a produção através da diminuição de
erros, dos custos e do tempo de fabricação.
Algumas etapas são fundamentais para que o gestor não se perca em
meio a tantos processos, como:
planejamento;
mapeamento dos processos;
testagem de cada processo a ser implementado;
manutenção industrial;
acompanhamento diário da execução;
monitoramento de KPI’s;
aplicação contínua de melhorias.
Como inovar no processo industrial
Como você viu, é papel do gestor buscar por melhorias contínuas
do processo industrial de acordo com o formato de produção
estabelecido na fábrica.
Para garantir uma fabricação otimizada que acompanha os avanços
tecnológicos, separamos 4 inovações para implementar na sua
corporação.
Digitalização de processos
Uma indústria digitalizada, que integra os seus equipamentos com a
internet – a cada vez mais conhecida internet das coisas, tende a se
transformar em uma indústria. Nela, as informações são apresentadas
de maneira mais veloz, facilitando a tomada de decisões e
identificação de gargalos.
Layout de máquina
A metodologia do layout das máquinas pode ser considerada
inovadora, mesmo que analógica. Ela corresponde a
simplesmente estudar qual é a melhor posição para maquinário
dentro da fábrica e acredite, isso pode impactar bastante no resultado
da produção.
Sistema Lean
O sistema Lean é o conhecido sistema Toyota de produção, que visa
diminuir o desperdício em sete diferentes frentes: superprodução,
tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário,
movimento e defeitos.
Software de automatização de gestão
Para conduzir a digitalização dos processos, não basta possuir muitos
dados e armazená-los de forma que dificulte sua leitura, para isso, é
necessário utilizar softwares específicos que auxiliam nessa
função.
Por conta disso, desenvolvemos o STRATWs One, uma solução capaz de
integrar as informações de toda a sua fábrica, automatizando a gestão
a partir de informações lidas por um sistema inteligente e focado no
aumento da produtividade.
Com ele, sua empresa consegue:
Criar e acompanhar KPIs de processos, projetos e
pessoas;
Compartilhar informações com agilidade e transparência;
Usar a meritocracia e a gestão à vista para motivar e
gerenciar equipes;
Empregar as principais metodologias de planejamento
estratégico como BSC, OKR e SWOT;
Integrar pessoas, operação e estratégia;
Facilitar a troca de informação e a comunicação entre
departamentos. Conheça o software adotado por mais de mil
empresa ao redor do mundo!
A montagem industrial é uma atividade que envolve a
instalação e montagem de equipamentos, máquinas,
estruturas e sistemas em ambientes industriais. Essa
montagem é realizada para construir, instalar ou implementar
projetos industriais específicos, como fábricas, usinas,
refinarias, plantas de processamento, entre outros.
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Frequência: 1º ano / 2024-2025
Disciplina: EII1
Professor: Lic. Isaac Domingos Sebastião
Categoria: Professor Assistente Estagiario
Tema # 2 : Análise Funcional De Um Sistema
Aula: #2
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Frequência: 1º ano / 2024-2025
Disciplina: EII1
Professor: Lic. Isaac Domingos Sebastião
Categoria: Professor Assistente Estagiario
Tema #3 :Conhecimentos Tecnológicos
Aula: #3
1 - INTRODUÇÃO
O conhecimento tecnológico sua geração, transferência, absorção e
utilização é um dos fatores para o desenvolvimento. No mundo
moderno, as relações entre conhecimento e poder, conhecimento e
desenvolvimento, conhecimento e tecnologia marcam as diferenças
económicas, as posições comerciais e até mesmo o poderio militar,
provocando uma divisão entre países desenvolvidos e
subdesenvolvidos. Estes últimos, embora tenham alcançado certo
crescimento econômico com a industrialização, criaram um vínculo
de dependência tecnológica do qual só recentemente tomaram
consciência. Países em desenvolvimento como o Brasil, que aspiram
a menor dependência, devem buscar sua autonomia tecnológica, o
que não significa independência tecnológica [Link] maior capacidade
de absorver e regular o fluxo de conhecimentos existentes e
desenvolver tecnologias próprias para problemas específicos,
principalmente aqueles ligados aos setores-chave da economia, tendo
por base uma estrutura de pesquisa que possibilite a concretização
desses objetivos.
A participação decisiva da tecnologia no desenvolvimento das
sociedades modernas é assunto inquestionável. Contudo, a real
compreensão dos problemas envolvidos em sua criação, das
peculiaridades da chamada transferência de tecnologia e de seus
mitos e reais possibilidades é ainda escassa em países como os
nossos, onde os problemas de curto prazo são agudos e onde, por
consequência, prevalecem mentalidades imediatistas.
Sendo a problemática da criação e transferência tecnológica de
maturação mais lenta, compreende-se que este seja um assunto mal
compreendido. Outra dificuldade para um atendimento mais claro da
questão advém, evidentemente, do pouco vivenciamento existente nos
países menos desenvolvidos acerca dos problemas inerentes ao
assunto, o qual possui características bastante peculiares.
No caso específico do Brasil, estamos convictos da importância de
dominarmos as tecnologias que precisamos utilizar nos setores-chave
da nossa exposição economia, para que possamos aspirar a posições
de menor dependência tecnológica e, em última análise, economia e
política, em prazos mais curtos possíveis. Por esse motivo,
consideramos importante divulgar, debater e repisar conceitos básicos
sobre esse tema.
O nosso país, apesar de suas contradições internas, do seu
crescimento desigual, dos seus graves problemas sociais, é um dos
países menos desenvolvidos, hoje existentes, que tem melhores
condições para chegar ao próximo século em uma situação de
desenvolvimento político, económico e social semelhante à das mais
avançadas nações. Essa expectativa é compartilhada por muitos
estudiosos de política mundial, sendo de se ressaltar o recente estudo
feito por proeminente analista americano 1, no qual o Brasil, graças ao
potencial representado por seus recursos naturais, territórios e
população, foi classificado em terceiro lugar no mundo em termos de
poder potencial, apenas precedido pela União Soviética e Estados
Unidos.
Mesmo se considerarmos essa perspectiva como muito otimista,
não se pode negar que nosso potencial é de grande expressão em
termos mundiais. E acreditamos, sinceramente, que o
desenvolvimento tecnológico deverá vir a ser o fator que pessará
mais decisivamente na transformação desse potencial em
realidade.E, para nos tornarmos um país desenvolvido
tecnologicamente, muitas e importantes metas deverão ser
alcançadas. A primeira delas, sem dúvida, é o melhor
conhecimento do problema, de suas condições de contorno no
país, de suas peculiaridades, de sua importância. É preciso,
também, debater nossas dúvidas, nossas experiências, nossas
perplexidades. Esse é o objetivo a que, modestamente, nos
propusemos quando aceitamos o convite para apresentar nossas
idéias sobre o assunto neste encontro.
CONHECIMENTO TECNOLÓGICO: PODERE
DESENVOLVIMENTO
Conhecimento e Poder
Conforme muito bem lembrado em recente trabalho sobre a realidade
brasileiras, desde os primórdios da história do homem sobre a Terra,
quem detém a informação, o conhecimento, detém o Poder. Tal como
acontecia nas primeiras organizações sociais, época em que detinham
o Poder o líder místico, que ouvia a voz de Deus, e o escriba, que
redigia os livros sagrados, nas modernas sociedades em que vivemos,
também o Poder está com aqueles que possuem o conhecimento, a
capacitação técnica, o know-how, enfim.
O que nos primôrdios da humanidade ocorria a nível de indivíduos se
processa hoje, principalmente, no relacionamento entre nações. É
importante recordar, contudo, que essa relação direta entre Poder e
conhecimento se acentuou de forma definitiva ao nível de nações nos
dois últimos séculos. Até o século XVIII, os métodos de produção
eram rotineiros e as poucas inovações introduzidas no trabalho eram
esporádicas e sem grandes repercussões.
Nesses tempos, os que detinham o Poder consideravam o trabalho
algo degradante e dedicavam todo o seu tempo à meditação e ao
estudo. Dessa forma, os pensadores, os que possuíam conhecimento,
tinham menosprezo pela aplicação da mente em coisas úteis.
A Revolução Industrial foi o rnarco decisivo na modificação desse
estado de coisas. A partir dessa época e cada vez mais, cresceu a
importância do conhecimento nas relações de Poder entre as nações.
É ele em especial, o conhecimento tecnológico que influencia as
diferenças econômicas, que define as posições comerciais e, em
última análise, até mesmo o poderio militar. Por isso, hoje já não se
divide o mundo entre nações colonizadas e colonizadoras, mas sim
entre países desenvolvidos que detêm a informação e, portanto, o
Poder e subdesenvolvidos ou, mais eufemisticamente, menos
desenvolvidos (less developed countries) que dependem do
conhecimento dos outros.
Esse posicionamento tem sido analisado, com profundidade, por
estudiosos do problema, que chegam a dividir os países em duas
categorias: os que possuem patrimônio científico e tecnológico
endógeno e aqueles em que esse patrimônio é exógeno 3. Defendem
esses autores, como solução, a endogenização do avanço científico e
tecnológico nos países subdesenvolvidos, ou seja, a aquisição de uma
capacidade científico-tecnológica. Em outras palavras, para se
desenvolver, um país precisa ter conhecimento próprio, não bastando
usar o conhecimento dos outros para resolver seus problemas
tecnológicos.
Conhecimento e Desenvolvimento
Quando se fala em nações desenvolvidas e subdesenvolvidas, cremos
ser útil nos determos um pouco no conceito de desenvolvimento e
em como o conhecimento, principalmente o tecnológico, se relaciona
com o desenvolvimento.
A idéia de desenvolvimento identificada como progresso, como uma
mudança para uma situação melhor, está hoje arraigada ao
pensamento do homem moderno, principalmente o homem ocidental.
É natural incorporar essa idéia à nossa maneira de pensar, e não
conseguimos imaginar que o nosso país ou mesmo a própria
humanidade como um todo venha a ser menos desenvolvido no
futuro. Em outras palavras, identificamos futuro com progresso.
Contudo, é interessante lembrarmos que nas civilizações antigas o
pensamento predominante era justamente o contrário, ou seja,
acreditava-se que as idades de ouro das civilizações haviam ocorrido
no passado. Essa situação só começou a se modificar na época da
Renascença e se acelerou, como vimos, depois da Revolução
Industrial e, em especial, no século XX, quando o progresso material
crescente vem criando expectativas de mudanças cada vez mais
rápidas.
Conhecimento e Tecnologia
Embora o conhecimento lato sensu tenha uma expressão muito mais
abrangente que o conceito de tecnologia, o conhecimento que nos
interessa de perto no desenvolvimento da presente apresentação — e
Q que realmente conta nas i apreciações que estamos fazendo a
respeito da sua influência sobre o poder e o desenvolvimento das
nações — é o conhecimento tecnológico.
Tecnologia ou conhecimento tecnológico é, para os efeitos que nos
interessam, o conjunto ordenado de conhecimentos científicos ou
empíricos utilizado para a produção de bens ou serviços na atividade
econômica organizada5. O conhecimento tecnológico é composto de
uma série de técnicas definidas por atos e normas decisórias que
orientam sua aplicação seqüencial, de modo a produzir resultados
previsíveis, em determinadas condições.6 Essas técnicas, derivadas do
conhecimento geral existente, podem ser originárias da Ciência ou
podem, como ocorre na maior parte dos casos, ser de origem
empírica. Nesses casos, a experiência simplesmente nos diz que algo
funciona de modo previsível, mas não sabemos por quê. Isso ocorreu,
por exemplo, durante muitos anos com diversos processos químicos7.
Outro aspecto importante da noção de tecnologia é que esta é,
fundamentalmente, um conjunto ordenado de conhecimentos. Dessa
forma, não basta dispormos dos conhecimentos obtidos por geração
própria, por cópia ou por outro meio qualquer. Há necessidade de se
ordenarem esses conhecimentos de forma a torná-los utilizáveis.
Muitas vezes, os conhecimentos são disponíveis, mas a falta de
experiência ou mesmo a ausência de organização não permitem
identificá-los, coletá-los e agrupá-los adequadamente, de maneira que
venham a ser usados em novos empreendimentos.
Por esse motivo, para que seja possível o uso dos conhecimentos
tecnológicos, há necessidade da preexistência de uma força de
trabalho que os tenha absorvido mediante educação, treinamento e
experiência.
O processo de transmissão desses conhecimentos está diretamente
relacionado com o nível de sua utilização ou, em outras palavras,
com a profundidade necessária para o domínio desses conhecimentos
e seu uso. Assim, o tipo de treinamento requerido do receptor dos
conhecimentos a serem transferidos variará dependendo do nível de
profundidade da transferência. O mesmo pode ser dito dos
mecanismos utilizados e, evidentemente, da informação fornecida
nessa transferência.
Criação do Conhecimento
A criação de novos conhecimentos sempre foi uma característica
do ser humano, desde que ele surgiu sobre a face da Terra. O
desenvolvimento do conhecimento pela vivência dos
acontecimentos e seu acúmulo sob forma de experiência,
posteriormente transmitida através das gerações, sempre se
processou de forma espontânea e assistemática.
A utilização do conhecimento chamado científico, ou seja, aquele
desenvolvido através do estudo de leis da natureza, ou o
empírico, gerado pela experiência, não era considerada atividade
nobre até recentemente, e a sua geração e acúmulo eram
motivados por razões de satisfação e prestígio pessoais.
Conforme já analisamos anteriormente, esse estado de coisas
começou a modificar-se a partir da Revolução Industrial. Desde
essa época o conhecimento passou a ser usado maciçamente na
produção de bens materiais, com consequências sensíveis no
aperfeiçoamento contínuo dos processos produtivos.
Dessa forma, as inovações, ou seja, aplicações de novos
conhecimentos ou novas utilizações de conhecimentos antigos,
que eram desenvolvidas de forma assistemática e surgiam
aleatoriamente, passaram, com o tempo, a ter seu
desenvolvimento organizado.
O laboratório de Thomas Alva Edison é o primeiro exemplo
conhecido de geração e utilização organizada de novos
conhecimentos com vistas à aplicação imediata na produção. A
partir dos fins do século XIX, acelerou-se, pois, o surgimento
dos laboratórios industriais de criação do conhecimento
tecnológico.
As universidades continuaram no seu papel de geradoras de
conhecimento científico, embora a aceleração do
desenvolvimento industrial venha provocando, cada vez mais,
um direcionamento do conhecimento nelas desenvolvido para
futuras aplicações na produção.
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Frequência: 1º ano / 2024-2025
Disciplina: EII1
Professor: Lic. Isaac Domingos Sebastião
Categoria: Professor Assistente Estagiario
Tema # 4 : Saber Procurar As Informações Específicas Num Dossier Técnico
Aula: #4
Introdução
A proposta deste documento é apresentar as possibilidades de
aprendizagem que a elaboração/organização de dossiês oferece em
diferentes níveis de ensino. Descreve a experiência envolvendo o uso
desta ferramenta nos Cursos de Ciências Exatas, Ciências
Biológicas, História, Letras e Pedagogia, do Centro Universitário
UNIVATES. Em relação à etimologia registra-se que dossiê é uma
palavra de origem francesa (dossier) que significa documento ou
documentação. Geralmente refere-se a uma coleção de documentos
sobre determinado assunto, processo, negócio, fato ou pessoa. Em
educação tem-se utilizado o dossiê, para fins de estudo com ótimos
resultados e por isso o termo, em educação, assume certa
especificidade indicando não só “coleção de documentos”, mas um
conjunto organizado de informações e de orientações didáticas
destinadas a subsidiar o estudo de determinado problema ou tema de
estudo. A busca das informações, a análise da validade e pertinência
ao tema, a organização e eventual categorização das informações, a
relação com outras áreas do conhecimento e o pensar específico no
contexto de um todo integrado e inter-relacionado, pode indicar um
início instigador para a pesquisa no ensino.
O dossiê exige iniciativa, tomada de decisão, organização pessoal,
leitura atenta de textos e de realidades e posicionamentos pessoais
diante de problema ou do temas contemporâneos. O desempenho
satisfatório destas exigências pode contribuir com a formação de um
profissional que exerce a docência com criticidade, cientificidade e
autonomia. As aprendizagens conceituais e processuais que podem
ser proporcionadas pelo dossiê agregam componentes relacionais e
comunicativos, de indiscutível valor pessoal e profissional.
Um dossiê técnico de uma instalação industrial é um
documento que recolhe e organiza toda a informação técnica
relevante sobre dita instalação. Leste dossiê é essencial para
garantir a gestão eficiente e segura da instalação ao longo de sua
vida útil. Contém dados detalhados sobre o desenho, construção,
operação, manutenção e segurança da instalação.
Entre a informação que pode incluir um dossiê técnico de uma
instalação industrial se encontram:
1. Planos e diagramas: Incluem planos de engenharia,
diagramas de processo, diagramas elétricos, diagramas das
tubagem e instrumentação, entre outros. Estes planos e
diagramas proporcionam uma representação gráfica da
disposição e funcionamento da instalação.
2. Especificações técnicas: Detalham os materiais utilizados na
construção da instalação, assim como as especificações das
equipamentos e componentes principais.
3. Documentação de projeto: Compreende os cálculos de
engenharia, análise de riscos, estudos de viabilidade e qualquer
outra documentação relacionada com o desenho da instalação.
4. Procedimentos de operação: Descreve os procedimentos
operativos padrão para o funcionamento seguro e eficiente da
instalação, incluindo instruções para o arranque, parada, controle
de processos, entre outros.
5. Procedimentos de manutenção: Contém instruções
detalhadas para a realização de atividades de manutenção
preventiva e corretiva, assim como programas de inspeção e
monitoro.
6. Planos de emergência e segurança: Incluem planos de resposta
a emergências, avaliações de riscos, sistemas de prevenção de
acidentes e qualquer outra medida de segurança aplicável à
instalação.
7. Certificações e cumprimentos normativos: Recolhe a
documentação que verifica o cumprimento de normativas,
padrões e regulações aplicáveis à instalação, assim como as
certificações de qualidade e segurança.
Em resumo, um dossiê técnico de uma instalação industrial é um
compêndio de informação essencial que facilita a gestão,
operação e manutenção adequados da instalação, assegurando
seu funcionamento seguro e eficiente com o passar do tempo.
2 - O DOSSIÊ COMO RECURSO DIDÁTICO
Dossiê pode ser entendido como uma tarefa (geralmente individual)
que exige uma compilação ou recompilação de documentos
elaborados, coletados ou estudados pelos alunos no contexto de um
projeto ou tema de estudo. O dossiê inclui, habitualmente, resenhas,
ilustrações, resumos, fichas de trabalho, textos enumerativos,
expositivos, prescritivos ou literários. A elaboração do dossiê requer
tarefas adicionais como: elaboração da capa, índices, apresentação,
análises críticas, etc. e exige leitura, organização pessoal, revisão
contínua, capacidade de decisão e atitude de busca.
Dentre as características do estudo, através do dossiê, duas
assumem especial relevância:
1. O seu caráter prático que exige a capacidade de relacionar,
ressignificar ou reconstruir aprendizagens construídas em
experiências anteriores para novas situações. Na busca de soluções
para novos problemas há necessidade de estabelecer relações entre
teoria e prática e entre conhecimentos adquiridos em diferentes
áreas. A perspectiva desta praticidade considera o pensamento de
Tardif que esclarece que não existe uma relação entre teoria e prática
mas sim “relação entre atores, entre sujeitos cujas práticas são
portadoras de saberes” e afasta a concepção de que a prática é uma
aplicação da teoria.
2. O seu caráter investigativo, que cria oportunidades de desenvolver
a independência intelectual e a tomada de decisões. A decisão sobre
o tema de estudo, a necessidade de fazer um recorte temático e a
posterior procura de material significativo, pertinente e atualizado
proporciona a superação da regra comum de receber as coisas
prontas ou reproduzir materiais existentes. O dossiê como recurso
didático identifica-se com a vertente do “questionamento
reconstrutivo” proposto por Demo ao qual o autor atribui qualidade
política e formal e a internalização da pesquisa como atitude
cotidiana.
3 - ETAPAS DE ELABORAÇÃO/ORGANIZAÇÃO DO
DOSSIÊ
1ª. etapa: Levantamento de temas, problemas ou focos de estudo. O
primeiro momento da atividade é uma oportunidade de exercício de
independência intelectual e de domínio do processo decisório. A
escolha do tema ou foco de estudo deve considerar interesses, acesso
a fontes de pesquisa, possibilidades de ampliar ou aprofundar
conhecimentos e estabelecer relações com diferentes áreas do
conhecimento. Os alunos precisam de oportunidades para fazer
escolhas reais que exijam comparação, imaginação, observação e
outras operações do pensamento.
2ª etapa: Seleção de informações que subsidiem o estudo do
problema/tema proposto As informações constantes de um dossiê
tanto podem ser fornecidas através de textos como através de
documentos. Deve-se valorizar a consulta às fontes originais de
informação. Os documentos deverão ser, tanto quanto possível,
atuais e relacionados com a experiência dos alunos, com seus
interesses pessoais e com estudos específicos do seu curso ou as
relacionadas às atividades de iniciação científica exercidas no
contexto institucional.
Além de textos e documentos, deve-se pensar na possibilidade de os
alunos entrarem em contato direto com outras fontes de informação,
de natureza variada como pessoas, fatos, instituições, internet e os
veículos de comunicação social como jornais e revistas.
As informações contidas no dossiê não devem ser consideradas
suficientes para um efetivo conhecimento sobre o assunto, mas um
espaço em aberto para futuras complementações, destinadas à
atualização ou à construção de um processo histórico, evolutivo,
capaz de desencadear um pensamento reflexivo, transformador.
Nesse sentido é relevante que para a organização do dossiê:
• seja consultada bibliografia atualizada e adequada ao estudo;
• haja a consulta a diferentes fontes de informação
• seja desenvolvida a capacidade de análise sobre a qualidade das
informações.
Esses cuidados podem ser orientados pelo professor desde que não
interfira nas decisões dos alunos e não comprometa a originalidade
do trabalho. A relação dos alunos entre si e com o professor deve ser
de cooperação e não de dependência.
Espera-se que o aluno se desenvolva no domínio de técnicas de
estudo, podendo desempenhar, cada vez melhor, atividades tais
como:
• identificar e utilizar, adequadamente, fontes de consulta;
• elaborar adequadamente instrumentos de trabalho;
• organizar roteiros de trabalho;
• identificar, selecionar, coletar e documentar informações
pertinentes ao problema estudado;
• destacar informações essenciais de acidentais;
• elaborar resumos, esquemas, relatórios;
• solicitar orientação dos professores quando sentir dificuldades
relativas à compreensão do problema ou do assunto ou relativas ao
domínio da técnica de estudo utilizada.
Nesta fase os alunos podem ter varias oportunidades de entrar em
contato com a realidade para complementar as informações
recebidas: observando situações, entrevistando pessoas, visitando
instituições. Eles deverão ter oportunidade de trabalhar com dados
primários e secundários e deverão estar preparados para fazê-lo.
Aqui vale lembrar que também o professor deverá estar preparado e
disponível, para atender as necessidades dos alunos. Ele poderá, por
exemplo, ser solicitado a participar de uma discussão, a criticar um
roteiro de entrevista elaborado pelos alunos, a opinar sobre
alternativas de ação propostas por um dos grupos, a desenvolver os
alunos na técnica de observação ou de registro de dados.
A etapa da seleção de material é uma oportunidade para fazer
pensar e, além disso:
• desenvolve o habito de ler e refletir sobre fatos, de verificar e de
projetar idéias;
• exige a mobilização de conhecimentos presentes na estrutura
cognitiva, de informações e de experiências anteriores para a seleção
e organização do material;
• supõe a utilização de uma cadeia de operações do pensamento que
requer domínios conceituais e procedimentais para que ocorra uma
adequada reestruturação e categorização de situações.
3ª etapa: Socialização e discussão das informações obtidas Esta é
uma etapa de grande relevância.
Para compartilhar e discutir com os colegas as informações
constantes no dossiê, o aluno precisa elaborar argumentos,
comunicar ou transpor para a oralidade o conteúdo do material,
preparar-se para responder perguntas e posicionar-se criticamente
diante do assunto ou problema pesquisado.
O posicionamento crítico registrado na parte final do documento e
apresentado aos colegas, poderá concentrar seu foco em eventuais
tendenciosidades ou distorções percebidas na comunicação dos fatos
publicados em meios de comunicação social. A tarefa do professor é
auxiliar o grupo a construir as relações entre os diferentes temas e de
cada tema em particular com a disciplina.
4ª etapa: Avaliação Sugere-se que a avaliação do trabalho dos
alunos seja feita quanto ao processo e quanto ao produto.
Quanto ao processo avalia-se o desempenho demonstrado pelo aluno,
nas várias fases do trabalho, isto é, como ele se mobilizou e se
organizou, individualmente ou em grupo, para o estudo.
Os critérios para avaliação do processo deverão ser estabelecidos
com os próprios alunos e deverão ser considerados na avaliação final
do trabalho. Na análise do dossiê é importante observar a capacidade
que o aluno teve de distinguir informações essenciais de acidentais e
informações fidedignas de materiais duvidosos, disponibilizado na
internet.
Considera-se também o grau de elaboração e transformação das
informações recebidas e a forma correta da linguagem e de padrões
técnicos de redação adequados ao tipo de relatório ou análise crítica
solicitados.
É oportuno lembrar que se pode utilizar o dossiê como estratégia
para fins, exclusivamente, de avaliação de aprendizagem quando se
solicita aos alunos que montem um dossiê sobre um determinado
problema ou assunto, estudado através de outras técnicas.
4 - Que aprendizagens podem ser avaliadas com o dossiê?
Como dispositivo de promoção de aprendizagens o dossiê permite
perceber o desempenho do aluno quanto à organização pessoal, ao
uso da linguagem em registros objetivos e precisos, ao exercício da
crítica a partir da leitura continuada e aprofundada, à atitude
investigativa, de busca, à clareza na comunicação oral ou
verbalização do pensamento e, principalmente, à capacidade de
estabelecer relações com a psicologia pela análise do cotidiano
pessoal e profissional presente nos fatos e fenômenos documentados.
A elaboração deste trabalho exige também a tomada de decisão e de
recorte do tema, habilidades necessárias à pesquisa e ao exercício
profissional. Durante o período de elaboração do documento os
alunos podem esclarecer dúvidas e discutir idéias com a professora.
São, no entanto, encaminhados a assumirem a autoria, decidindo
rumos e dimensões. Para complementar as reportagens coletadas ou
enriquecer as perspectivas sobre o tema, muitos alunos têm feito
entrevistas com pessoas-fonte ou solicitado depoimentos (de vítimas
de violência no trânsito, por exemplo).
A pesquisa na internet é uma constante, a apresentação de gráficos e
análise estatística bem como a ilustração com fotos, gravuras e
desenhos são elementos presentes quando o tema o permitir ou o
favorecer. Pretende-se desta forma promover diferentes
aprendizagens e não discursar sobre elas. A atividade docente pode
ser caracterizada como uma mediação, uma intervenção intencional,
planejada. O momento inicial, de dúvida e de insegurança diante da
tarefa é normalmente substituído pelo movimento de busca, de
interesse e de envolvimento. Nas avaliações realizadas no final do
semestre, alunos lamentam não terem mais tempo para discutir cada
tema e revelam orgulho com a sua produção. Grande parte afirma ter
percebido o valor da leitura atenta e continuada de determinado
assunto e manifesta a firme intenção de continuar a atividade.
Sugerem manter a tarefa para os próximos semestres.
5 - CONSIDERAÇÕES SOBRE A ANÁLISE CRÍTICA
A utilização do dossiê deve ser vista como uma oportunidade para o
aluno dar um salto qualitativo, tanto no domínio de determinadas
informações, quanto na aquisição de independência intelectual e
domínio do processo decisório. Todavia cabe dizer que, se
professores e alunos não tiverem os pré-requisitos necessários para
sua utilização, esta oportunidade poderá ser frustrada. Consideram-se
pré-requisitos básicos tanto para professores quanto para alunos,
observados os graus de expectativa para uns e outros:
- o conhecimento dos objetivos e dos procedimentos do trabalho; - o
domínio de um conteúdo informativo necessário para um trabalho
em nível de aprofundamento e aplicação de conhecimentos; - o
domínio das técnicas de estudo que serão utilizadas tais como:
* análise e interpretação de textos e documentos;
* observação;
* entrevista;
* trabalho em grupo;
* elaboração de relatórios e outros;
Estes pré-requisitos devem ser considerados como condições para
um desempenho eficiente dos alunos e para a otimização dos
resultados apresentados por eles. Além disso, o professor deve ter
presente que o estudo através de dossiê exige uma elevada
participação do aluno em todas as suas fases e que esta participação
deve ser criteriosa e rigorosamente observada pelo professor porque
será, inclusive, avaliada. Esta técnica oferece também condições para
que os alunos analisem problemas reais, encontrados no dia-a-dia.
Portanto deve ser valorizada como uma oportunidade para diminuir o
fosso entre escola e realidade, entre teoria e prática.
RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA
Na disciplina Teorias e Processos de Aprendizagem oferecida em
diferentes cursos de graduação da UNIVATES, é solicitada a
elaboração de um dossiê. A tarefa é encaminhada, desenvolvida e
avaliada da seguinte forma:
− no início do semestre (primeira ou segunda aula) os alunos
recebem a tarefa, por escrito, de coletar reportagens de dois meios de
comunicação social (dois jornais, um jornal e uma revista, revista e
internet, etc..), sobre um assunto de livre escolha. Esse assunto não
precisa estar vinculado aos conteúdos da disciplina; podem ser
pesquisas que enriquecem trabalhos realizados no seu curso de
origem ou ser um assunto de seu interesse;
− as reportagens coletadas devem ser organizadas numa pasta, em
ordem cronológica; − a pasta deve ser devidamente identificada e
trazer, na primeira página, uma apresentação que indicará: o tema
escolhido, as fontes e o período em que foi coletado;
− o conjunto de reportagens deve merecer uma análise crítica sobre
as publicações (sensacionalistas?, tendenciosas?, pontuais?), apontar
o motivo da escolha e apresentar um posicionamento pessoal sobre o
assunto e suas perspectivas. O(s) autor(es) do trabalho poderá(ão)
valer-se de fontes alternativas como entrevistas e depoimentos;
− os dossiês devem ser entregues, em data acordada, geralmente no
final de segundo mês de aulas. São agrupados por assunto,
analisados pela professora, devolvidos gradativamente e
apresentados sucintamente em aula (dependendo do número de
alunos, as devoluções e apresentações dos dossiês ocorrem até o final
do semestre, ocupando dez a quinze minutos de cada aula).
Após as apresentações é aberto um espaço para perguntas e debates