0% acharam este documento útil (0 voto)
9 visualizações8 páginas

A Batalha Temporal e Seus Horrores

O documento narra a história do 'Progetto Chronos', um projeto secreto que busca manipular o tempo durante a Terceira Guerra Mundial, culminando na criação do 'Disruptor Temporal'. Após uma primeira expedição desastrosa em 1973, onde dois cientistas desaparecem, uma segunda expedição em 1979 resulta em um massacre por criaturas pré-históricas, revelando a complexidade e o perigo do ecossistema do outro lado da fissura. O projeto termina em tragédia, mostrando as consequências de desafiar as leis do universo.

Enviado por

lauranotfound90
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
9 visualizações8 páginas

A Batalha Temporal e Seus Horrores

O documento narra a história do 'Progetto Chronos', um projeto secreto que busca manipular o tempo durante a Terceira Guerra Mundial, culminando na criação do 'Disruptor Temporal'. Após uma primeira expedição desastrosa em 1973, onde dois cientistas desaparecem, uma segunda expedição em 1979 resulta em um massacre por criaturas pré-históricas, revelando a complexidade e o perigo do ecossistema do outro lado da fissura. O projeto termina em tragédia, mostrando as consequências de desafiar as leis do universo.

Enviado por

lauranotfound90
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Um Novo Velho Mundo

Prólogo: A Ferida no Tempo (1966)

O ano era 1966. O mundo sangrava sob o peso da Terceira Guerra Mundial, um
conflito que redesenhava fronteiras com bombas e ideologias. Cidades viravam
crateras fumegantes, e a humanidade parecia determinada a se aniquilar. Mas,
escondido nas entranhas de uma base secreta sob os Apeninos italianos, um tipo
diferente de batalha era travado – uma contra as próprias leis do universo. Ali, no
“Progetto Chronos”, um consórcio de mentes brilhantes – físicos teóricos com
olhos assombrados pela equação, engenheiros que sonhavam em metal e
energia, biólogos que viam a vida como um código a ser reescrito – estava à beira
do impossível.

Liderados pelo enigmático Dr. Aris Thorne, um homem cuja obsessão pela quarta
dimensão era tão profunda quanto as trincheiras que marcavam a Europa, eles
construíram o “Disruptor Temporal”. Não era uma máquina de assentos cromados
e luzes piscantes como nos romances baratos, mas um colosso industrial: anéis
supercondutores zumbindo com energia inimaginável, emissores de partículas
focadas capazes de, teoricamente, perfurar o tecido do espaço-tempo, e um
núcleo de contenção que pulsava com um poder que cheirava a ozônio e perigo.

A promessa era utópica: voltar, corrigir os erros que levaram à guerra, talvez até
vislumbrar futuros e evitar catástrofes. A tecnologia derivada do projeto já
revolucionara campos inesperados. Armas de energia sônica neutralizavam
tanques, e nano-regeneradores curavam feridas antes fatais, transformando
soldados em quase-super-humanos e doenças terminais em memórias distantes.
O mundo, mesmo em guerra, vislumbrava um futuro dourado. Ninguém imaginava
que estavam forjando a chave para o próprio inferno.

A Primeira Transgressão (1973)

Sete anos de cálculos, testes e quase-desastres culminaram naquele dia: 15 de


novembro de 1973. A fissura tremeluzia no centro da câmara de contenção – uma
mancha escura, oleosa no ar, que distorcia a luz e emitia um frio que gelava a
alma. Domec John, um geólogo aventureiro com nervos de aço, e Hiver Niret, um
exobiólogo fascinado pelo desconhecido, foram os escolhidos. Vestiam os
protótipos dos trajes “A.T.H.E.N.A.” (Armadura Tática de Habitat Extranormal e
Anômalo), blindados, pressurizados e equipados com sensores biométricos e de
ambiente.

O protocolo era simples: atravessar, coletar dados atmosféricos e geológicos


básicos, implantar uma sonda e retornar. Cinco minutos, no máximo.

Arquivo de Áudio 01 – Expedição Alfa


(Estática inicial, seguida pelo som metálico e abafado da respiração dentro de um
capacete)

Domec: (Voz calma, ligeiramente embargada pela adrenalina) Ok, Controle,


estamos no limiar. Energia ambiente está... estranha. Meus instrumentos estão
flutuando. Hiver, como estão os seus?

Hiver: (Voz mais aguda, tensa) Confirmado, Domec. Leituras biológicas são... zero.
Nada microbiano no ar imediato. Pressão atmosférica elevada, composição...
exótica. Alto teor de oxigênio e algo... algo que não consigo identificar.

Domec: Iniciando travessia. Pela ciência... e pela Itália.

(Som de um passo pesado, seguido por um zumbido baixo que cresce e diminui
rapidamente. A respiração de Domec fica mais audível, ofegante.)

Domec: Céus... que vista bonita... É... denso. Verde. Muito verde. Árvores? Não,
maiores. Samambaias gigantes? O ar... tem um cheiro... terroso, úmido... pesado.
O sol... ou a fonte de luz... é diferente, mais difusa.

Hiver: (Após um som similar de travessia) Estou aqui. É... primordial. Os sons...
Controle, estão ouvindo isso? Chiamados estranhos, insetos... grandes.

Controle (V.O.): Ouvimos, Alfa-Dois. Prossigam com cautela. Implante a sonda.

Domec: Certo. Movendo para uma clareira... Ali. Hiver... ali parece ter alguma
coisa... Se mexendo entre as... folhas gigantes.

Hiver: O quê? Não vejo... espera. Sensores de movimento! Algo grande, Domec!
Padrão de locomoção bípede, mas... rápido! Muito rápido!

Domec: (Voz subindo uma oitava, tensão clara) Hiveeeer... Não é um animal
comum... É... escamoso? Não... penas? Escuras, ásperas... E garras... Meu Deus,
as garras...

(A respiração de Domec se torna desesperada, arquejante)

Domec: huf... huf... huf... huf... Está nos circulando! Não consigo focar! É muito
rápido! Hiver, recue! RECUE!

Hiver: (Grito abafado) Está vindo! Atrás de você!

Domec: Não... não... é inteligente... está nos caçando! NÃÃÃÃÃÃO!

*(Um som agudo, um silvo reptiliano amplificado, seguido por um ruído úmido e
pesado, como algo sendo rasgado com força. Um estalo seco e final – “krec..”) *

Hiver: (Grito de puro terror, cortado abruptamente pela estática) DOMEEEEEC!


AAAARGH—click
(Silêncio absoluto, exceto pelo chiado da estática)

Fim do Arquivo 01.

Nenhum deles jamais retornou. A sonda nunca foi implantada. A fissura se fechou
horas depois, deixando para trás apenas o silêncio e o espectro do terror na
gravação.

O Visitante Inesperado (1974)

O Progetto Chronos mergulhou em um ano de luto e paranoia. A perda de Domec e


Hiver foi um golpe brutal. A gravação era analisada incessantemente, cada som
dissecado, cada palavra interpretada. O que eram aquelas criaturas? Que época
era aquela? As teorias variavam do Cretáceo Superior a uma dimensão alternativa
hostil. O medo era palpável.

Então, doze meses após a tragédia, sem aviso, a realidade na câmara de


contenção voltou a se rasgar. Silenciosa, a fissura escura e oleosa reapareceu,
maior e mais instável que antes. Alarmes soaram, cientistas correram para seus
postos, mas antes que qualquer protocolo de segurança pudesse ser totalmente
ativado, algo aconteceu.

Da escuridão palpitante, emergiu uma forma. Pequena, não maior que um peru
grande, moveu-se com uma velocidade espantosa e uma cautela nervosa.
Coberta por filamentos escuros e densos, semelhantes a protopenas eriçadas, a
criatura bipedal perscrutou o ambiente estéril do laboratório com olhos reptilianos
inteligentes e atentos. Suas pernas traseiras eram longas e musculosas,
terminando em pés com três dedos principais, cada um ostentando uma garra
recurvada e cruelmente afiada, a do meio notavelmente maior – a garra em forma
de foice de um dromeossaurídeo. Sua cabeça era alongada, o focinho repleto de
dentes finos e serrilhados.

Por breves, tensos segundos, a criatura permaneceu imóvel, um predador


compacto e eficiente avaliando um território desconhecido. Então, o som
metálico de uma trava de segurança engatando em algum lugar do complexo
ecoou pela câmara. Foi o gatilho. Num borrão de movimento quase invisível, a
criatura – talvez um Compsognathus superdimensionado ou um parente menor
dos raptores – disparou de volta para a segurança da fissura, desaparecendo tão
rapidamente quanto surgiu.

Exatos 34 minutos e 11 segundos depois, a anomalia implodiu, fechando-se sobre


si mesma sem deixar rastros. A análise das câmeras, embora granulada,
confirmou as garras em foice e a cobertura de protopenas. Era rápido, inteligente,
provavelmente um caçador de pequeno porte, e vinha de um passado
terrivelmente real e perigoso. O vislumbre fortuito provou uma coisa: o outro lado
não era apenas letal, era um ecossistema complexo e ativo.

A Segunda Expedição: Mergulho no Pesadelo (1979)

Cinco anos se passaram. A Guerra Fria, agora escaldante Terceira Guerra Mundial,
exigia vantagens decisivas. O Progetto Chronos, rebatizado internamente como
“Operação Orpheus” – uma descida ao submundo –, recebeu recursos quase
ilimitados. A paranoia no complexo subterrâneo era sufocante. Suspeitas de
espionagem levaram a expurgos silenciosos e a uma segurança opressora.
Guardas armados com fuzis de energia patrulhavam corredores labirínticos,
sensores biométricos guardavam cada porta, e a vigilância era total. O medo do
inimigo externo se misturava ao medo crescente do que espreitava do outro lado
da fissura.

A tecnologia havia avançado sob a pressão da guerra e do desconhecido. Os trajes


A.T.H.E.N.A. foram aprimorados, agora designados “anti-NET” (Neutralização de
Entropia Temporal), com blindagem composta reforçada e emissores de campo
para, supostamente, proteger contra distorções temporais e energéticas. Armas
de pulso eletromagnético (PEM) e rifles de plasma compactos foram
desenvolvidos, teoricamente capazes de incapacitar ou destruir ameaças
biológicas de grande porte. Doze dos melhores cientistas (geólogos,
paleontólogos, biólogos, físicos) e vinte e cinco soldados das Forças Especiais –
veteranos endurecidos, cujos olhos já tinham visto o pior que o homem podia
fazer ao homem – foram selecionados para a segunda tentativa. O objetivo:
estabelecer uma base avançada, mapear a área e capturar espécimes, vivos ou
mortos.

No dia marcado, sob as luzes frias da câmara de contenção, a fissura foi reaberta,
maior e mais ameaçadora do que nunca. O ar frio e o zumbido sub-sônico eram
quase insuportáveis. Equipados até os dentes, o grupo cruzou o limiar.

A transição foi brutal. Uma sensação de compressão esmagadora, desorientação


nauseante e um frio que penetrava até os ossos, apesar dos trajes aquecidos.
Emergiram em um mundo de proporções épicas e beleza mortal. Samambaias
arborescentes do tamanho de sequoias formavam um dossel denso e úmido,
filtrando a luz de um sol pálido em raios esverdeados. O ar era pesado, saturado
com o cheiro de decomposição, ozônio e o odor almiscarado de grandes animais.
O chão estava coberto por uma camada espessa de matéria vegetal em
decomposição, e insetos do tamanho de pássaros zumbiam entre as folhas
gigantescas. O silêncio inicial era enganoso; logo foi preenchido por uma
cacofonia de sons estranhos – pios guturais, rugidos distantes, o farfalhar de algo
pesado na vegetação rasteira.
Por três dias, quatro horas e quarenta e nove minutos, a expedição avançou com
cautela extrema, mapeando, coletando amostras, sempre sob tensão. Montaram
um perímetro defensivo com sensores e torretas automáticas. A fauna observada
era desconcertante: manadas de hadrossauros (dinossauros bico-de-pato)
pastavam em clareiras, pterossauros com envergaduras de caças sobrevoavam o
céu, e pequenos mamíferos primitivos esgueiravam-se pelo sub-bosque. Era o
Cretáceo Superior, ou algo muito parecido.

O inferno começou com um tremor no chão. Não um terremoto, mas passos.


Pesados, rítmicos, aproximando-se rapidamente. Então, um estalo ensurdecedor
de madeira quebrando ecoou pela floresta. Sensores nos capacetes piscaram
freneticamente, tentando analisar múltiplas assinaturas de calor de grande massa
movendo-se em velocidade assustadora.

Das sombras esmeralda, eles irromperam. Não uma, mas três criaturas.
Utahraptores. Maiores que um homem, cobertos por uma plumagem densa e
escura, manchada de lama e sangue seco. Seus olhos amarelos e reptilianos
fixaram-se no grupo com inteligência predatória. As garras em foice em seus pés
eram do tamanho de pequenas foices, de fato, e estalavam contra o chão úmido.
Eles se moviam em coordenação, flanqueando a posição humana.

Antes que a ordem de fogo pudesse ser dada de forma coerente, um deles
disparou. Uma mancha marrom e emplumada de velocidade letal. Um soldado na
vanguarda nem teve tempo de gritar antes que a garra em foice rasgasse seu traje
anti-NET como papel, abrindo seu peito em uma explosão carmesim. O rifle de
plasma caiu de suas mãos inertes.

O caos explodiu. Tiros de plasma sibilavam, atingindo os raptores, chamuscando


penas e carne, mas sem deter seu avanço implacável. As criaturas eram rápidas
demais, seus movimentos erráticos e imprevisíveis. Um segundo raptor saltou
sobre outro soldado, derrubando-o e cravando as mandíbulas cheias de dentes
serrilhados em seu capacete, esmagando-o com um som horrível de metal
retorcendo e osso quebrando. Sangue e fluido hidráulico espirraram.

Os cientistas, pegos no meio do fogo cruzado, gritavam em pânico. Um deles foi


agarrado por trás pelo terceiro raptor, levantado no ar e sacudido violentamente
como um boneco de trapos antes de ser partido ao meio. O grito foi cortado
abruptamente.

A disciplina militar se desintegrou sob a ferocidade primordial do ataque. Os


soldados, treinados para combater humanos e máquinas, estavam enfrentando
predadores ápice aperfeiçoados por milhões de anos de evolução. Seus PEMs
eram lentos demais, seus rifles de plasma não tinham poder de parada suficiente
contra aqueles pacotes de músculos e fúria. Os trajes anti-NET, projetados para
energias desconhecidas, ofereciam pouca proteção contra garras de 20
centímetros e mandíbulas esmagadoras.

“Recuar! Para a fissura! Fogo de supressão!” – A voz do comandante soou


distorcida pelo comunicador, misturada a estática e gritos.

A retirada foi uma carnificina desesperada. Soldados caíam, agarrados por garras
que rasgavam membros, perfurados por dentes que encontravam as juntas mais
fracas das armaduras. O cheiro de sangue, ozônio e carne queimada pairava no ar.
Os raptores perseguiam implacavelmente, seus pios agudos ecoando entre as
árvores gigantes, sons de triunfo selvagem.

Dois soldados, cobertos de sangue (deles e dos outros), e um cientista catatônico,


tropeçando e balbuciando incoerentemente sobre “olhos amarelos... penas... o
estalo dos ossos...”, foram os únicos que conseguiram alcançar a luz doentia da
fissura. Mergulharam através dela, de volta à segurança relativa do laboratório,
enquanto os pios dos raptores ecoavam atrás deles, uma promessa de terror
persistente.

Quando a fissura instável finalmente se fechou, deixou para trás trinta e quatro
corpos mutilados e equipamentos destruídos em um passado perdido. Os três
sobreviventes estavam quebrados, física e mentalmente. A Operação Orpheus
fora um desastre absoluto, uma prova sangrenta de que a humanidade havia
mexido com forças que não compreendia nem podia controlar. O passado não era
um lugar para se visitar; era um predador esperando para devorar o presente.

O Início do Fim: A Caixa de Pandora Global (1986 – 1994)

A guerra finalmente terminou em 1986, não com vencedores, mas com


sobreviventes exaustos em um planeta cicatrizado. O Progetto Chronos/Operação
Orpheus foi oficialmente desmantelado. A justificativa pública foi o custo
exorbitante e a demanda energética insustentável em um mundo pós-guerra que
precisava reconstruir. A verdade, sussurrada nos corredores do poder, era o puro
terror do que haviam encontrado e a incapacidade de controlar a tecnologia.

Mas o segredo era grande demais. Fragmentos da pesquisa, projetos roubados,


cientistas descontentes vendidos a plus offrant... a tecnologia vazou. Primeiro
como rumores, depois como projetos parciais, e finalmente, nações
desesperadas ou ambiciosas – Brasil, China, uma corporação privada japonesa,
um consórcio do Oriente Médio – tentaram replicar a máquina italiana.

O resultado foi catastrófico. Sem o conhecimento completo dos parâmetros de


segurança, das matrizes de contenção e dos algoritmos de focalização temporal,
eles abriram fissuras a esmo. Algumas levaram a vazios inertes. Outras, a
passados ainda mais remotos e perigosos. Uma fissura instável se abriu
brevemente sobre Tóquio, liberando uma nuvem de insetos gigantes do
Carbonífero que causaram pânico antes de sucumbir à atmosfera rica em
nitrogênio. Uma tentativa brasileira abriu um portal submarino no Atlântico Sul, de
onde emergiram Mosassauros famintos que aterrorizaram rotas de navegação.

Em 1989, a situação saiu de controle. Laboratórios foram destruídos de dentro


para fora por criaturas que emergiam das fendas mal controladas. Um
Tyrannosaurus Rex materializou-se brevemente em Pequim, causando destruição
massiva antes de ser abatido com armamento pesado, mas não antes de matar
centenas. Pteranodontes foram vistos circulando os arranha-céus de Dubai. A
humanidade, ainda se recuperando da Terceira Guerra Mundial, uniu-se em
pânico, tentando conter a ameaça pré-histórica global.

Mas era tarde demais. Os múltiplos rasgos no espaço-tempo tiveram um efeito


cumulativo e inesperado. O próprio tecido da realidade tornou-se frágil, instável.
Em 1994, as fissuras começaram a aparecer espontaneamente, sem a
necessidade de máquinas. Rasgos trêmulos no ar surgiam em locais aleatórios –
florestas, oceanos, centros urbanos – vomitando flora e fauna de eras perdidas. O
mundo mergulhou no caos absoluto. A ordem global entrou em colapso.

Presente: O Novo Velho Mundo Hostil (2037)

O ano é 2037. Quarenta e três anos se passaram desde que a realidade começou
a sangrar. Quase setenta por cento da população humana pereceu – vítimas de
ataques diretos, doenças trazidas de outras eras, fome ou do colapso da
civilização.

O mundo é irreconhecível. Cidades outrora orgulhosas são ruínas silenciosas,


esqueletos de concreto e aço sendo lentamente reclamados por uma vegetação
luxuriante e alienígena. Videiras estranhas cobrem arranha-céus, e samambaias
gigantes brotam do asfalto rachado.

A megafauna pré-histórica agora domina. Manadas de tricerátopos migram pelas


planícies da América do Norte, suas marombas e chifres uma defesa formidável.
Argentinossauros colossais, cujos pescoços se erguem acima das ruínas,
atravessam o que antes era a América do Sul, seu passo fazendo o chão tremer.
Nos céus, Quetzalcoatlus com envergaduras de pequenos aviões planam em
correntes térmicas, seus longos bicos procurando presas incautas. E nas
sombras, os predadores reinam. Tiranossauros, adaptados e ainda mais ferozes,
caçam nas selvas urbanas. Matilhas de Deinonychus emplumados, rápidos e
inteligentes, espreitam nos escombros, mestres da emboscada. Criaturas ainda
mais estranhas, de períodos menos conhecidos, emergem das fissuras que ainda
se abrem esporadicamente – sinapsídeos bizarros do Permiano, anfíbios gigantes,
horrores marinhos que infestam as costas.
Os humanos que restaram vivem como presas. Reunidos em pequenos enclaves
fortificados, comunidades tribais ou grupos nômades, eles lutam pela
sobrevivência diária. Tecnologia avançada é uma memória distante; agora, arcos,
lanças improvisadas, armas de fogo recuperadas e um conhecimento brutal do
ambiente são as ferramentas de sobrevivência. O medo é constante. Cada
sombra pode esconder um predador, cada ruído na noite pode significar a morte.
As crianças nascem neste mundo sem conhecer o anterior, aprendendo a
identificar pegadas de raptores antes de aprender a ler.

É um Novo Velho Mundo. Hostil, implacável, onde a humanidade não é mais a


espécie dominante, mas apenas mais uma parte da cadeia alimentar, lutando
desesperadamente para não se tornar apenas mais um fóssil nas ruínas de sua
própria arrogância. O eco do grito de Domec John e o estalo seco que se seguiu
ainda ressoam, um aviso tardio do passado que veio para devorar o futuro.

Você também pode gostar