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Benilde Alberto Cássimo
Formação de professores na diversidade cultural
(Licenciatura em ensino de português)
Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Benilde Alberto Cássimo
Formação de professores na diversidade cultural
(Licenciatura em ensino de português)
Trabalho de carácter avaliativo, a ser
submetido ao Departamento de Letras e
Ciências Sócias, em cumprimento parcial da
cadeira de Didática do Português II,
lecionado por. MA: Judite Mapasse
Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Índice
Introdução ..................................................................................................................................... 4
Formação de professores na diversidade cultural ............................................................. 5
Multiculturalismo/diferença/diversidade/ igualdade ........................................................ 5
Formação continuada de professores para a diversidade.................................................. 7
Conclusão ......................................................................................................................... 9
Bibliografia ..................................................................................................................... 10
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Introdução
produção acadêmica sobre formação de professores e diversidade cultural aumentou
bastante e contribuiu tanto para a discussão geral dessa temática quanto para o debate
sobre as especificidades da preparação de educadores para atuarem com cada uma dessas
“diferenças”. Porém, ainda temos a necessidade de muitas investigações acadêmicas
sobre o tema. Mesmo com todo esse avanço, ainda podemos considerá-lo um tema
emergente no campo da pesquisa sobre formação de professores em Moçambique. O
objetivo deste trabalho é de discutir o tema formação de professores para a diversidade
cultural. O trabalho esta organizado da seguinte maneira: (i) introdução, (ii)
desenvolvimento, (ii) conclusão e (iv) a respetiva bibliografia.
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Formação de professores na diversidade cultural
➢ Multiculturalismo/diferença/diversidade/ igualdade
Segundo BHABHA (1998:63), não possuímos uma identidade única, mas identidades
construídas nas articulações entre diversas culturas, em que são criados novos signos
identitários. Somos frutos de um processo de hibridização cultural, ou seja, somos
híbridos e ambivalentes. Do mesmo modo que BHABHA (1998:64) não defende a ideia
de uma cultura pura, original, ele não defende também a ideia de uma identidade única e
original. Para esse autor, nos entre lugares, nas interações entre as culturas, é que se
constroem nossas identidades culturais.
Essa posição em relação às expressões diferença cultural e diversidade cultural nos
remete também à discussão apresentada por SCOTT (2005:14), ao debater
igualdade/diferença, direitos individuais/identidade de grupo. A preocupação dela não é
a escolha entre a utilização dos termos diferença e diversidade, mas entre diferença e
igualdade, deixando clara a escolha pelo termo diferença e discutindo-o sempre associado
à palavra igualdade. Para a autora, o contraponto que se faz entre esses termos precisa ser
repensado. Ao colocá-los como conceitos opostos, perdem-se as interconexões existentes
entre eles. Ela afirma que tendemos a pensar de maneira binária, que os debates atuais em
relação à igualdade e à diferença, em relação aos direitos individuais e identidades de
grupo, tomam formas polarizadas, como se, ao escolher um, estaríamos isolando o outro.
Para ela, “[...] indivíduos e grupos, igualdade e diferença não são opostos, mas conceitos
interdependentes que estão necessariamente em tensão.”
➢ Formação docente e diversidade cultural
SANTOS (2010:278) reconhece um avanço em relação às práticas curriculares dos
cursos destinados à formação inicial e afirma que não “[...] é a toa que muitas
universidades têm reformulado seus currículos para contemplar as diversidades,
inspiradas e fundamentadas nas leis e recomendações legais oriundas dos Direitos
Humanos.” Porém, acrescenta que ainda não conseguimos, “[...] como docentes, iniciar
uma efetiva formação que seja condizente com a realidade humana, que é sempre
múltipla, diversa e imprevisível.” Ainda assim, essas iniciativas sobre o multiculturalismo
na formação inicial são muito incipientes.
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ARROYO (2008:16) argumenta que os coletivos diversos – como ele se refere à
diversidade –, quando aparecem nas ações de formação de professores, o fazem de
maneira secundarizada. Para o autor, tendemos sempre para o universal, o comum
Conforme LOPES (1998), cultura e conhecimento são considerados como construções
sociais que, estando entrelaçadas também a processos de construção de um pensamento
dominante, fazem com que o próprio processo de construção social seja negado. Essas
considerações são melhor entendidas quando analisamos o paradigma da teoria
educacional crítica da modernidade, que se baseia principalmente na ideia de que o
objectivo da ciência, do conhecimento, deve ser a transformação social.
Segundo GRINGON (1995), as culturas populares têm, como uma de suas características
principais, a diversidade. Para ele, através do ensino da leitura, da escrita, da literatura e
das línguas, a escola atua nas classes populares de forma a reforçar as características
uniformizastes da cultura dominante.
Segundo o referido autor, a escola tende espontaneamente ao monoculturalismo, através
de uma transmissão socialmente desigual dos saberes pretensamente universais. Ela
restringe a autonomia das culturas populares, ao mesmo tempo que perpetua a cultura
dominante como cultura de referência, como cultura padrão. Para o autor, o problema está
em saber como contrariar esta tendência e trazer a escola para um mundo de realidade
multicultural.
Segundo GIROUX & SIMON (1994:112), quando a pedagogia se propõe a acolher a
cultura popular “a fim não de calar, mas de afirmar a voz do estudante, também apresenta
suas dificuldades” para eles,
Cultura popular e diferença social podem ser vistas pelos educadores de duas maneiras:
como formas agradáveis de conhecimento e poder, que abrem caminho para uma
individualização e para uma administração mais efetiva de formas de regulamentação
física e moral; ou como o terreno em que nos devemos reunir com nossos alunos para
uma experiência pedagógica capaz de ativar, e não descativar, a imaginação e as
capacidades humanas em benefícios da alegria individual, da prosperidade coletiva e da
justiça social.
. CAMEN (1997) afirma a esse respeito que cada vez mais, a diversidade cultural
brasileira tem sido reconhecida: o mito da democracia racial é contestado todos os dias
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em episódios de racismo e discriminações que são, muitas vezes, até mesmo notificados
pela média. A autora cita o caso da queima de um índio Pataxó por meninos de classe
média alta, em Brasília onde os jovens envolvidos justificaram seu crime alegando
desconhecimento de que se tratava de um índio: “pensaram que era ‘apenas’ um
mendigo”. Conforme CAMEN (1997:479):
A educação e a formação de professores não podem mais ignorar esta realidade
[multicultural]. Não se pode continuar em um modelo educacional que se omita face à
diversidade sociocultural da sociedade e aos preconceitos e estereótipos a ela
relacionados.
A adoção de tal prática pedagógica, possibilitaria a reflexão a respeito das diferenças
sociais, económicas e culturais, além da possibilidade do combate, através da reflexão
crítica, contra as diversas formas de discriminação, tanto nos limites da sala de aula,
quanto no quotidiano das pessoas envolvidas nesta ação.
➢ Formação continuada de professores para a diversidade
Os desafios da formação continuada, que são enormes, tornam-se ainda mais complexos
ao pensarmos na formação docente para a diversidade. Isso porque agrega-se toda a
complexidade inerente ao processo de formação continuada à complexidade das questões
vinculadas à diversidade cultural.
Para CORTESAO e STOER (1999:35), talvez em consequência das lacunas de formação
durante a preparação inicial, os professores apresentam muita dificuldade em reconhecer
a diversidade presente na sociedade e, consequentemente, na escola. Os autores utilizam
o termo daltonismo cultural para identificar essa incapacidade em enxergar o diferente,
essa insistência em acreditar na existência de grupos homogêneos que, segundo os
autores, configura-se na dificuldade em ver as diferenças oriundas do “arco-íris” social
que existe no mundo e, por via de consequência, também na escola.
MOREIRA & CANDAU (2003) consideram que, na formação de professores, deve-se
contemplar a interação entre diferentes grupos culturais e étnicos. Os autores acreditam
que essa interação, realizada por meio de contatos diretos e constantes entre os diferentes
grupos culturais e étnicos, promove um conhecimento mais profundo e verdadeiro, menos
pontual e folclórico, como, muitas vezes, se verifica em ações educativas, tanto em
relação à formação de professores quanto aos alunos. Essa interação pode adquirir um
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caráter catalisador no sentido de favorecer a realização dos demais elementos, para uma
formação docente multicultural mente orientada.
Ao proporcionar interação entre diferentes grupos culturais e étnicos, amplia-se a visão
dos docentes sobre a sociedade atual – que é o primeiro elemento –, fomenta-se a reflexão
do professor a respeito de sua própria identidade – o segundo elemento –, e se favorece
um entendimento melhor da formação étnica e cultural brasileira –, ou seja, o terceiro
elemento.
Verifica-se que os elementos destacados para a formação docente mantêm sintonia com
os desafios postos para uma educação intercultural, principalmente no que se refere à
desconstrução, à articulação e ao resgate.
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Conclusão
Os desafios presentes na formação de professores para a diversidade cultural exigem que
as instituições formadoras introduzam o debate sobre o multiculturalismo nos currículos
de seus cursos de forma consistente e constante e o façam com os pressupostos do
inter/multiculturalismo, com todas as premissas que esses pressupostos contemplam.
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Bibliografia
ARROYO, M. G. Os coletivos diversos repolitizam a formação. In: DINIZ-PEREIRA,
J. E.; LEÃO, G. Quando a diversidade interroga a formação docente. Belo Horizonte:
Autêntica, 2008
CANDAU, V. M.; LEITE, M. S. Diálogos entre diferença e educação. In: CANDAU. V.
M. (Org.). Educação Intercultural e Cotidiano Escolar. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006.
DIZIONARIO enciclopédico de pedagogia. Torino: Editrice, 1961.
GRIGNON, Claude. Cultura Dominante, Cultura Escolar e Multiculturalismo Popular.
In: SILVA, T. T. Alienígenas na sala de Aula. Petrópolis: Vozes, 1995. .
MOREIRA, António F. e SILVA, Tomaz T. Currículo, cultura e sociedade. São Paulo:
Cortez, 1994.
SANTOMÉ, Jurjo Torres. As Culturas Negadas e Silenciadas no Currículo. In: SILVA,
Tomaz Tadeu. Alienígenas na Sala de Aula. Petrópolis: Vozes, 1995.