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Benvinda Vasco Nogueira
Formação de professores na diversidade cultural
(Licenciatura em ensino de português)
Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Benvinda Vasco Nogueira
Formação de professores na diversidade cultural
(Licenciatura em ensino de português)
Trabalho de carácter avaliativo, a ser
submetido ao Departamento de Letras e
Ciências Sócias, em cumprimento parcial
da cadeira de Didática do Português II,
lecionado por. MA: Judite Mapoissa
Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Índice
Introdução..........................................................................................................................4
Formação de professores na diversidade cultural..............................................................5
Formação do Pedagogo e a Diversidade Cultural.............................................................6
Conclusão..........................................................................................................................9
Bibliografia......................................................................................................................10
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Introdução
O presente trabalho de carácter avaliativo da cadeira de didática de Português II, e visa
abordar acerca de formação de professores na diversidade cultural. O principal objetivo
deste trabalho é de analisar a presença da diversidade cultural na formação de
professores tendo em vista, que a partir das Diretrizes Curriculares, a formação do
Professor em Moçambique tem por base a diversidade cultural do país, como um dos
aspectos a ser contemplado nos currículos dos Cursos de Professorados.
O trabalho esta organizado da seguinte maneira: (i) introdução, (ii) desenvolvimento,
(ii) conclusão e (iv) a respetiva bibliografia.
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Formação de professores na diversidade cultural
Para GEERTZ (1989:15), “o homem é um animal amarrado a teias de significados que
ele mesmo teceu, assumo a cultura como essas teias e a sua análise”. Dessa forma,
Geertz
explica que a cultura é um emaranhado complexo de elementos que se entrecruzam e
cada
cultura é uma teia peculiar carregada de significados que se manifestam em forma de
sinais, signos, símbolos, rituais, códigos que devem ser interpretados e decifrados pelo
sujeito a partir do seu referencial teórico, e, portanto, cada cultura pode ter múltiplos
significados, dependo da leitura que é realizada dela pelo sujeito.
E, portanto, é fato que o conceito de diversidade cultural é um conceito complexo,
enquanto abarca todas as diferenças e pluralidade de culturas, com seus sistemas de
significados singulares criados pelos homens de cada cultura. Dentro dessa perspectiva,
falar de diversidade cultural no Brasil é falar da diferença de uma grande variedade de
culturas que compõe o povo brasileiro, e, que por sua vez, essas culturas estão em
constante miscigenação, que se dá pelo dinamismo intercambiante entre as culturas no
contato de umas com as outras. Além disso, o Brasil possui peculiaridade cultural entre
as determinadas regiões, devido a sua extensão territorial, tendo a contribuição dos
grupos étnicos que aqui já viviam, além dos povos imigrantes que vieram dos mais
diversos continentes do mundo, principalmente dos Europeus, Africanos e Asiáticos.
Esses grupos étnicos trouxeram contribuições linguísticas, tradições alimentares e
culturais, valores, arte, ritos religiosos, etc, que formam a diversidade cultural brasileira,
ou seja, o povo brasileiro. Por outro lado, no estudo da diversidade cultural torna-se
necessário considerar as diferenças das minorias que por muitos séculos foram
silenciadas e excluídas da sociedade (condição de classe, de gênero, opção sexual,
portadores de deficiência física, opção religiosa, faixa geracional, movimentos sociais,
entre outros) e que hoje estão conquistando os seus direitos dentro da sociedade.
Segundo BHABHA (1998:63), não possuímos uma identidade única, mas identidades
construídas nas articulações entre diversas culturas, em que são criados novos signos
identitários. Somos frutos de um processo de hibridização cultural, ou seja, somos
híbridos e ambivalentes. Do mesmo modo que BHABHA (1998:64) não defende a ideia
de uma cultura pura, original, ele não defende também a ideia de uma identidade única e
original. Para esse autor, nos entre lugares, nas interações entre as culturas, é que se
constroem nossas identidades culturais.
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Essa posição em relação às expressões diferença cultural e diversidade cultural nos
remete também à discussão apresentada por SCOTT (2005:14), ao debater
igualdade/diferença, direitos individuais/identidade de grupo. A preocupação dela não é
a escolha entre a utilização dos termos diferença e diversidade, mas entre diferença e
igualdade, deixando clara a escolha pelo termo diferença e discutindo-o sempre asso-
ciado à palavra igualdade. Para a autora, o contraponto que se faz entre esses termos
precisa ser repensado. Ao colocá-los como conceitos opostos, perdem-se as interco-
nexões existentes entre eles. Ela afirma que tendemos a pensar de maneira binária, que
os debates atuais em relação à igualdade e à diferença, em relação aos direitos
individuais e identidades de grupo, tomam formas polarizadas, como se, ao escolher um,
estaríamos isolando o outro. Para ela, “[...] indivíduos e grupos, igualdade e diferença
não são opostos, mas conceitos interdependentes que estão necessariamente em tensão.”
Formação do Pedagogo e a Diversidade Cultural
A formação do pedagogo traçada a partir a da diversidade cultural é imprescindível
para a efetiva inserção deste tema no campo da didática e das práticas pedagógicas
escolares. Dentro desse contexto, o currículo do Curso de Pedagogia constitui o
conjunto de todas as experiências de conhecimento proporcionadas aos futuros
Pedagogos, preparando-os para atuarem num determinado contexto educacional.
Portanto, para que o Pedagogo possa realizar ações visando resinificar a diversidade
cultural, a seleção dos conteúdos dos currículos do Curso de Pedagogia deve ser
realizada de forma coerente com tal meta. De acordo com
SANTOME (1995:166), “os saberes e conhecimentos que ocorrem nas salas de aula
constituem uma forma de construir significados, reforçar e confrontar interesses sociais,
formas de poder, de experiência, que tem sempre um significado cultural e político”.
Portanto, as disciplinas dos diferentes cursos de Pedagogia e seus correspondentes
conteúdos, identificam o tipo de cultura que a Instituição valoriza e contribui para
reforçá-la.
SANTOS (2010:278) reconhece um avanço em relação às práticas curriculares dos
cursos destinados à formação inicial e afirma que não “[...] é a toa que muitas
universidades têm reformulado seus currículos para contemplar as diversidades,
inspiradas e fundamentadas nas leis e recomendações legais oriundas dos Direitos
Humanos.” Porém, acrescenta que ainda não conseguimos, “[...] como docentes, iniciar
uma efetiva formação que seja condizente com a realidade humana, que é sempre
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múltipla, diversa e imprevisível.” Ainda assim, essas iniciativas sobre o multicultura-
lismo na formação inicial são muito incipientes.
Conforme LOPES (1998), cultura e conhecimento são considerados como construções
sociais que, estando entrelaçadas também a processos de construção de um pensamento
dominante, fazem com que o próprio processo de construção social seja negado. Essas
considerações são melhor entendidas quando analisamos o paradigma da teoria
educacional crítica da modernidade, que se baseia principalmente na ideia de que o
objectivo da ciência, do conhecimento, deve ser a transformação social.
Segundo GRINGON (1995), as culturas populares têm, como uma de suas
características principais, a diversidade. Para ele, através do ensino da leitura, da escrita,
da literatura e das línguas, a escola atua nas classes populares de forma a reforçar as
características uniformizastes da cultura dominante.
Segundo o referido autor, a escola tende espontaneamente ao monoculturalismo, através
de uma transmissão socialmente desigual dos saberes pretensamente universais. Ela
restringe a autonomia das culturas populares, ao mesmo tempo que perpetua a cultura
dominante como cultura de referência, como cultura padrão. Para o autor, o problema
está em saber como contrariar esta tendência e trazer a escola para um mundo de
realidade multicultural.
. CAMEN (1997) afirma a esse respeito que cada vez mais, a diversidade cultural
brasileira tem sido reconhecida: o mito da democracia racial é contestado todos os dias
em episódios de racismo e discriminações que são, muitas vezes, até mesmo notificados
pela média. A autora cita o caso da queima de um índio Pataxó por meninos de classe
média alta, em Brasília onde os jovens envolvidos justificaram seu crime alegando
desconhecimento de que se tratava de um índio: “pensaram que era ‘apenas’ um
mendigo”. Conforme CAMEN (1997:479):
A educação e a formação de professores não podem mais ignorar esta realidade
[multicultural]. Não se pode continuar em um modelo educacional que se omita face à
diversidade sociocultural da sociedade e aos preconceitos e estereótipos a ela
relacionados.
A adoção de tal prática pedagógica, possibilitaria a reflexão a respeito das diferenças
sociais, económicas e culturais, além da possibilidade do combate, através da reflexão
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crítica, contra as diversas formas de discriminação, tanto nos limites da sala de aula,
quanto no quotidiano das pessoas envolvidas nesta ação.
Formação continuada de professores para a diversidade
MOREIRA & CANDAU (2003) consideram que, na formação de professores, deve-se
contemplar a interação entre diferentes grupos culturais e étnicos. Os autores acreditam
que essa interação, realizada por meio de contatos diretos e constantes entre os
diferentes grupos culturais e étnicos, promove um conhecimento mais profundo e
verdadeiro, menos pontual e folclórico, como, muitas vezes, se verifica em ações
educativas, tanto em relação à formação de professores quanto aos alunos. Essa
interação pode adquirir um caráter catalisador no sentido de favorecer a realização dos
demais elementos, para uma formação docente multicultural mente orientada.
Ao proporcionar interação entre diferentes grupos culturais e étnicos, amplia-se a visão
dos docentes sobre a sociedade atual – que é o primeiro elemento –, fomenta-se a
reflexão do professor a respeito de sua própria identidade – o segundo elemento –, e se
favorece um entendimento melhor da formação étnica e cultural brasileira –, ou seja, o
terceiro elemento.
Verifica-se que os elementos destacados para a formação docente mantêm sintonia com
os desafios postos para uma educação intercultural, principalmente no que se refere à
desconstrução, à articulação e ao resgate.
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Conclusão
diante da complexidade da temática da formação de professores para a diversidade
cultural, torna-se necessário um olhar atento para as lacunas ainda existentes nesse
processo de formação. Um ponto que merece destaque relaciona-se à necessidade de
considerarmos a diversidade dos próprios profissionais da educação. Uma ação de
formação docente que se propõe disseminadora do olhar plural para a diversidade
cultural dos alunos da educação básica precisa apresentar sensibilidade para a
diversidade dos participantes das ações que pretende empreender, fato que nem sempre
acontece. Ao não fazer isso, corremos o risco de os professores participantes das ações
de formação docente não desenvolverem o sentimento de pertencimento, tão necessário
para a efetivação das premissas contidas nessas ações de formação.
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Bibliografia
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
LOPES, Alice Ribeiro Casimiro. Currículo, Conhecimento e Cultura. In: CHASSOT,
Ático e OLIVEIRA, Renato José de. Ciência, Ética e Cultura na Educação. São
Leopoldo: Unisinos, 1998.
BHABHA, H. K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
CANEN, A.; XAVIER, G. P. de M. Multiculturalismo, pesquisa e formação de pro-
fessores: o caso das Diretrizes Curriculares para a Formação Docente. Rio de Janeiro,
2005.
MOREIRA, António F. e SILVA, Tomaz T. Currículo, cultura e sociedade. São Paulo:
Cortez, 1994.
SANTOMÉ, Jurjo Torres. As Culturas Negadas e Silenciadas no Currículo. In: SILVA,
Tomaz Tadeu. Alienígenas na Sala de Aula. Petrópolis: Vozes, 1995.