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1. Introdução
O contrato de factoring, também denominado contrato de facturização, muito nos
fascina, isto pelo facto de ser uma espécie ainda não suficientemente regulada em
nosso ordenamento jurídico, muito embora seja de utilização frequente no âmbito
comercial (RIZZARDO, 1997). Fran Martins (1995) apresenta que o contrato de
factoring é aquele em que um comerciante cede a outro os créditos, na totalidade ou
em parte, de suas vendas a terceiros, recebendo o primeiro do segundo o montante
desses créditos, mediante o pagamento de uma remuneração. Tal contrato se
caracteriza, portanto, pela cessão de créditos, mediante remuneração de um
comerciante a uma empresa de factoring, sendo que esta assume os riscos pelo
inadimplemento dos referidos créditos. Por ser um contrato de cessão de crédito, o
factoring representa, ainda, verdadeira alienação ou venda do facturamento
(ARRIERO, 1999).
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2. Objectivos
2.1. Objectivo Geral
Estudar o factoring.
2.2. Objectivos Específicos - estudar detalhadamento:
Conceito.
Natureza jurídica.
Características.
Classificação.
Modalidades.
Consequências.
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3. Metodologia
Para o trabalho será usado o método bibliográfico que consiste na consulta de obras
que versam sobre o tema em estudo, e que servirão de suporte teórico do tema, que
na perspectiva de LAKATOS & MARCONI (1999), este método, indica a maneira
certa de como deve ser feita uma consulta bibliográfica:
Levantamento de indicações bibliográficas sobre o tema que se pretende
focalizar;
Leitura prévia para a posterior selecção das obras lidas; e
Análise e interpretação de dados.
Foi adoptada a análise do tipo qualitativo para realização da pesquisa viabilizando
atender os Objectivos e levantarem-se os conceitos sobre Factoring.
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4. Conceitos
Factoring é uma actividade comercial mista atípica = serviços + compra de
créditos (direitoscreditórios) resultantes de vendas mercantis.
Segundo o magistério de Fran Martins, “O contrato de faturização ou factoring é
aquele em que um comerciante cede a outro os créditos, na totalidade ou em
parte, de suas vendas a terceiros, recebendo o primeiro do segundo o montante
desses créditos, mediante o pagamento de uma remuneração.”
O factoring ou facturização (fomento) é um contrato misto de compra e venda,
desconto e cessão de crédito, pelo qual uma empresa vende a outra seu
facturamento a prazo, total ou parcial, sem garantir o pagamento dos créditos
transferidos, recebendo como preço valor menor que o daqueles, consistindo
essa diferença em remuneração da empresa adquirente.
Factoring é fomento mercantil, porque expande os activos de suas empresas-
clientes,aumenta-lhes as vendas, elimina seu endividamento e transforma as
suas vendas a prazo emvendas a vista.
É a prestação contínua de serviços de alavancagem mercadológica, de avaliação
defornecedores, clientes e sacados, de acompanhamento de contas a receber e
de outrosserviços, conjugada com a aquisição de créditos de empresas
resultantes de suas vendasmercantis ou de prestação de serviços, realizados a
prazo.
5. Natureza jurídica
Marcelo Hugo da Rocha afirma em artigo publicado que, assim como acontece em
todos osinstitutos mais recentes do Direito, há por parte da doutrina uma forte
tendência emidentificá-los com algumas figuras já existentes. Desse modo, segundo
ele, a maioria dadoutrina associa o factoring com a cessão de créditos e o desconto
bancário. No entanto, ofomento mercantil poderia ser identificado com uma série de
outros instrumentoscomerciais , como o trustee por exemplo.
Paulo Roberto Tavares Paes ainda apresenta uma outra concepção a respeito da
naturezajurídica do contrato de fomento mercantil, afirmando se tratar de uma
natureza técnicofinanceirae de gestão comercial.
O mais importante ao se demonstrar todas essas concepções de natureza jurídica
dofactoring, é atentar para o facto de que, ao contrário do que acontece com outros
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institutosmais antigos, que já têm uma definição uníssona de sua natureza jurídica,
no fomentomercantil ainda persistem uma série de questões controvertidas, como
por exemplo aquestão de se tratar de um contrato atípico ou não.
Por outro lado, se observa em quase todas as definições da natureza jurídica do
factoring aassociação da actividade ao desconto bancário e à cessão de crédito.
6. Características
De todo aspecto conceitual trazido no item anterior, pode-se extrair algumas
característicasbásicas que permeiam o contrato de factoring.
Do ponto de vista didático, nos parece bastante adequado basear a análise
sistemática dascaracterísticas do contrato, tomando como referência a
caracterização proposta porMilhomens e Magela Alves:
a) Trata-se de contrato pessoal, ou seja, depende do concurso de vontades entre
três pessoas:o facturizador, o facturizado (fornecedor ou vendedor) e o cliente
(devedor que cede oscréditos que o facturizado tem contra si, a favor do
facturizador);
b)Venda a prazo, mediante transferência do crédito a terceiro, que se responsabiliza
pelacobrança;
c) Transferência do facturizado para o facturizador, através de cessão ou endosso,
das contasdos clientes;
d) Exclusividade em relação ao negócio objeto de facturização;
e) Trata-se de contrato oneroso, uma vez que o facturizador deverá remunerar o
facturizado,mediante o pagamento de comissão fixa sobre o montante dos créditos
transferidos, além dejuros, incidentes sobre o valor do financiamento.
7. Modalidades
Fazzio Júnior, citando a tradicional doutrina de Renato Azevedo Ferreira, elenca
demaneira bastante objectiva as diversas modalidades de factoring:
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a) Old line Factoring ou Factoring Convencional ou “com antecipação” – a
empresa defomento antecipa recursos sobre o valor dos títulos cedidos no
momento da cessão ou até ovencimento.
b) Maturity Factoring ou “sem antecipação” – ocorre essa modalidade quando a
mesmaempresa de fomento marca um dia determinado para o pagamento do
produto da cobrança,nunca antes do vencimento dos créditos cedidos.
c) Collection type factoring agreement – nesse caso, a empresa de fomento
simplesmenterealiza a cobrança dos títulos não recebidos pela cliente para
ressarcimento de seus adiantamentos.
d) Factoring with recourse – há notificação ao devedor da conta e os serviços são
prestados pelo factor com a reserva de que se, em última instância, o freguês
não pagar, o fomento pode cobrar de sua cliente.
e) Open facoring – o fomento financia a transação comercial e aditivamente se
encarrega das cobranças.
f) Undis closed factring – por essa modalidade, o exportador vende ao factor
suas mercadoria sem cash e este as revende por meio do exportador estrangeiro
na base de certo crédito.
Luiz Lemos Leite, noentanto, nos apresenta uma classificação um pouco mais
compacta e que traz uma visãovoltada mais para a realidade prática do seguimento
de factoring:
a) Convencional – ou “conventional factoring” é a compra de direitos creditórios
ou ativos,representativos de vendas mercantis a prazo ou de prestação de
serviços mediante notificação feita pelo vendedor (endossante-cedente) ao
comprador (sacado-devedor). Não há antecipação ou adiantamento de recursos.
O pagamento é feito à vista pela sociedade de fomento mercantil.
b) Trustee – produto idealizado em 1988 pela ANFAC e genuinamente integrado na
filosofiado factoring. Trata-se da gestão financeira e de negócios da empresa-
cliente, que passa atrabalhar com caixa zero, otimizando sua capacidade
finaceira.
c) Exportação – serve para comercializar no exterior bens produzidos por empresa-
cliente do factoring. Largamente utilizado na Europa e no Extremo Oriente.
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d) Compra de matéria-prima – a empresa de factoring faz a intermediação da
compra dematéria para seu cliente, negociando diretamente com o fornecedor,
visando obter melhorpreço de compra.
Pode-se afirmar então, que o factoring possui duas modalidades verdadeiramente
importantes, que são justamente as mais abordadas pela doutrina.
A primeira seria o factoring convencional, no qual a faturizadora paga
antecipadamente o valor dos títulos ao faturizado, e cuida de toda a
administração e cobrança desses cré[Link] é sem dúvida nenhuma a
modalidade mais observada na realidade prática.
A segunda seria o maturity factoring, modalidade na qual o valor das faturas é
pago apenas no vencimento. Essa modalidade, apesar de ser bastante abordada
pela doutrina, fica muito a quém do factoring convencional em termos de
utilização, principalmente pelas micro e pequenas empresas, principais clientes
dos serviços prestados pelo fomento mercantil.
7. Objecto e efeitos
Viviane Ribeiro da Silva, em seu artigo publicado, é taxativa ao afirmar que o
contrato de factoring tem por obcjeto a cessão de direitos (os créditos do
facturizado).
A passagem de Fran Martins serve para melhor ilustrar a afirmação feita pela autora
supracitada:O facturizado faz ao facturizador uma cessão de crédito, a título
oneroso, trazendo esse acto todas as suas consequências: notificação ao
comprador da cessão para que ele pague o seu débito ao facturizador; direito de agir
o facturizador em nome próprio, na cobrança das dívidas etc.
Como consequência lógica desse obcjeto apresentado pelo contrato de factoring,
JônatasMilhomens e Geraldo Magela atribuem a ele os seguintes efeitos:O contrato
de factoring, uma vez celebrado, produz efeitos tanto em relação ao facturizado e ao
facturizador, como no tocante ao cliente ou comprador. principalmente das
empresas de factoring de menor porte que se espalham por todo o país.
8. Sujeitos da relação
Trata-se de um contrato bilateral. Sendo assim cabe agora discriminar os sujeitos
que compõem esse contrato bilateral.
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Waldo Fazzio é sucinto na sua apresentação dos sujeitos do contrato de factoring:O
contrato de facturização envolve duas partes: facturizador; e facturizado.
a) O facturizador é uma empresa sob o formato de companhia. É pois, duplamente
empresarial,pelo objecto pela forma constitutiva adotada, revestindo-se, mesmo
das características de instituição financeira, já que as operações que realiza
aproximam-se mais do desconto bancário que da compra e venda.
b) O facturizado é o empresário ou sociedade empresária autorizada a emitir
[Link] de complementar o aspecto ora abordado, é importante frisar que
quando FazzioJúnior caracteriza o fomento mercantil como uma empresa sob o
formato de companhia,pode-se equivocadamente entender que a organização
dessa actividade só poderia ser emforma de sociedades anônimas, no entanto,
grande parte das empresas também se constituem na forma de limitadas.
O contrato se faz entre o facturizador e o facturizado ou vendedor, sendo necessário
o comprador apenas porque são créditos que o vendedor tem contra ele que vão ser
cedidos ao facturizador. Tanto facturizador como vendedor devem ser comerciantes,
donde o contrato de facturização ser por natureza comercial.
9. Extinção
a) Expiração do prazo contratualmente ajustado, sem renovação
Normalmente, o contrato de factoring é celebrado entre as partes por prazo
indeterminado. No entanto, tratando-se de contrato atípico, nada impede o seu
ajustamento por prazo previamente estabelecido, findo o qual, inocorrendo
prorrogação, as partes darão por encerrada a avença.
b) Resilição unilateral (denúncia do contrato por uma das partes)
Em Direito Civil, na hipótese de estar o contrato vigorando por prazo indeterminado,
pode qualquer das partes manifestar perante a outra a intenção de não mais dar
con"nuidade à avença, sendo que, no caso do factoring, tal regra não é
excepcionada.
c) Morte de uma das partes
Tendo em vista sua natureza de contrato intuitu personae, a morte de uma das
partes no contrato de factoring acarreta necessariamente a sua extinção. Não se
concebe possa o ajuste ter prosseguimento com herdeiros e sucessores das partes,
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os quais, no máximo, deverão se responsabilizar por obrigações eventualmente
pendentes, dentro das forças da herança recebida.
Em se tratando de pessoa jurídica, sua dissolução que não tenha por causa a
falência também provoca, invariavelmente, a extinção do contracto de factoring,
admitindo-se, no entanto, que sejam ultimados os negócios ainda pendentes.
d) Falência de uma das partes
A manutenção do contrato de factoring em que figurecomo parte empresário falido
dependerá da avaliação do administrador judicial, não se podendo afirmar que o
ajuste será fatalmente extinto na hipótese de decretação da falência – a menos que
o contrato expressamente preveja essa consequência.
10. Classificação
O contrato de factoring pode ser classificado da seguinte forma:
a) Bilateral
Há obrigações e direitos recíprocos entre o facturizador e o facturizado.Àquele
incumbe prestar os serviços ajustados no contrato, e pagar aofacturizado as
importâncias relactivas às facturas que lhe são apresentadas,enquanto que, para
este, há a obrigação de remunerar o facturizador atravésdo pagamento de
comissões, bem como de submeter ao facturizadoras contas dos clientes,
oportunizando a este rejeitar aquelas de poucaqualidade ou de dificil recebimento.
b) Consensual
O contrato de factoring pode, em tese, ser celebrado verbalmente,não demandando
ser reduzido a escrito, muito embora esta seja a forma maiscomum de
representação desse ajuste. Não se exige, de igual modo, a efectivatradição ou
transferência de créditos ao facturizador para a sua perfeita configuração,sendo
suficiente o mero acordo de vontades nesse sendo.
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c) Comutativo
Em tese, as prestações de ambas as partes no contrato de factoring,uma para com
a outra, são certas e determinadas, inexistindo área a interferirno objecto do contrato
e das obrigações que lhe são correspondentes.
Para o faturizador, no entanto, há uma certa área no que diz respeito à perspectiva
de recebimento do crédito cedido, uma vez que, em casode insolvência do devedor
original, o cessionário do titulo arcará com oprejuízo, não havendo possibilidade de
acção regressiva contra o facturizado/cedente.
d) Oneroso
O contrato de factoring qualifica-se como oneroso, por dele resultaremvantagens
para ambas as partes. O facturizador é remunerado poruma comissão e por ágios
(juros) correspondentes aos adiantamentos feitospor ele ao facturizado, enquanto
que a vantagem para o facturizado é aantecipação dos valores de seus
créditoscontra terceiros e a supressão dorisco de não recebimento pela insolvência
destes, prevenindo-o do nãopagamento.
A remuneração do facturizador é a comissão ou diferencial entre o valor de face do
titulo cedido e o valor pago à vista, por ocasião da cessãode crédito operada em seu
favor pelo facturizado.
Há, por outro lado, encargos que ambas as partes devem cumprirpara obter as
vantagens asseguradas no contrato, como é intuitivo. De execução continuada
e) De execução continuada
Trata-se de contrato que se estende no tempo, tendo ambas as partes obrigações
continuas a serem adimplidas em prestações periódicas.
f) Intuitu personae
O contrato de factoring pressupõe ainda uma relação de exclusividadeentre o
facturizado e o facturizador, uma vez que, em geral, não seadmite possa aquele
manter concomitantemente idênticos ajustes desse tempo com outras empresas do
ramo.
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g) Interempresarial
No contrato de factoring, as partes contratantes – facturizado e facturizador– são
ambos empresários, podendo ser pessoas fisicas ou jurí[Link]-se de negócio
com nítidos contornos interempresariais, umavez que celebrado no interesse do
desenvolvimento de atividades econômicasorganizadas. Presume-se que o valor
recebido pelo faturizado aoceder seu crédito ao faturizador há de ser utilizado na
consecução de suas actividades empresariais, como também é em beneficio destas
que os serviços prestados por este último são executados.
h) De adesão
Na maioria das vezes, as cláusulas do contrato de factoring são
ditadasunilateralmente pelo faturizador, sendo oferecidas de modo padronizadoaos
potenciais faturizados. No entanto, excepcionalmente pode sedar que os termos
desse ajuste sejam acordados de forma paritária entreas partes, embora esta não
seja a situação mais comum.
11. Modalidades
a) Convencional
Esta operação de factoring envolve a compra de crédito com vencimento em data
futura e prestação de serviços convencionais ou usuais, em conjunto ou
separadamente.
b) Matéria-prima
Nesta modalidade, o facturizado não terá como fomento recursos financeiros, mas
matéria-prima/insumo e estoque para sua produção (manucfaturação ou
industrialização), cujo custo será bancado pelo facturizador junto ao fornecedor, que,
por sua vez, terá, em contrapartida, direito de exclusividade sobre a venda dos
produtos oriundos dessa matéria-prima.
A empresa de factoring, neste caso, transforma-se em intermediária entre a empresa
facturizada e seu fornecedor de matéria-prima. O faturizador compra à vista o direito
futuro desse fornecedor, e o facturizado promove-lhe o reembolso com o
facturamento gerado pela transformação dessa matéria-prima.
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Ou seja, a empresa de factoring assume, junto ao fornecedor, o pagamento à vista
ao facturado do produto (matéria-prima/insumo). Essa responsabilidade pelo
pagamento poderá ser direta ou indireta.
Directa, se em nome próprio adquirir o produto, assumindo a responsabilidade
junto ao fornecedor como principal ou único devedor.
Indirecta, se apenas se responsabilizar como devedor principal ou único
responsável pelo pagamento, mas figurando como comprador o faturizado.
O objeto desta modalidade é a antecipação de recursos não financeiros ao
faturizado para a aquisição de matéria-prima, por preço certo e determinado.
c) Maturity
A palavra maturity, de origem inglesa, se traduz “no vencimento”.
Tal modalidade também é conhecida como factoring sem financiamento.O
faturizador adquire os !tulos e faz o pagamento ao faturizado somente no
vencimento daqueles.
O objecto do contrato é a cessão de crédito e a prestação de serviços
convencionais. Não se cogita aqui de qualquer adiantamento, devendo a
remuneração do facturizador representar, tão somente, o custo do riscoassumido
pela insolvência do devedor original. Esta, então, parece ser a única vantagem para
o facturizado, qual seja, a de não correr os riscos decorrentes de uma possível
insolvência do devedor do crédito cedido, já que tal operação, como se disse, não
envolve adiantamento de valores.
d) Importação-exportação
É também conhecida por factoring internacional. A operação de factoring é
internacional quando transcende o âmbito de um país, ou seja, quando os seus
elementos estão em contato com mais de uma ordem jurídica. Nessa modalidade, a
exportação é intermediada por duas empresas de factoring (uma de cada país
envolvido), que garantem a operacionalidade e a liquidação do negócio.
Tal modalidade é voltada exclusivamente para o campo do comércio exterior, onde o
factoring actua em três frentes: importação, exportação e a chamada “garantia” ou
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securitização, e onde o facturizador adquire, através de cessão, o crédito que o
facturizado possui com o importador.
e) Trustee
Nesta operação, o facturizador passa a dirigir e administrar as contas do facturizado,
caracterizando uma parceria, confiando (trustee-fidúcia-confiança) a gestão das
contas a receber de sua empresa à empresa de factoring.
No trustee, não ocorre a cessão de crédito, mas o facturizador poderá receber do
facturizado titulos de créditos (duplicatas, promissórias, etc.) tão somente para
cobrança através de endosso-mandato, e não por endosso translativo como ocorre
na cessão de crédito.
O objecto do contrato é a prestação de serviços diferenciados, que envolvem a
gestão das contas a receber da empresa factorizada, consultoria, parceria, etc..
12. Juros nas operações de factoring
Uma vez pacificado o entendimento de que as empresas de factoring não são
instituições financeiras, intui-se a partir daí que, nas operaçõesde convencional
factoring por elas realizadas, os juros praticados nãopodem ser superiores a 12%.
13. Contabilização
A forma de contabilização do factoring, não se encontra prevista no plano oficial de
contabilidade, pelo que, compete às empresas aderentes a escolha do método da
sua contabilização, dentro dos princípios contabilísticos geralmente aceites (pcga’s).
Assim sendo, e dado o vazio legal existente nesta matéria, sugere-se em anexo uma
das possibilidades de contabilizar este instrumento financeiro, cada vez mais
competitivo e utilizado pelo tecido empresarial.
Tendo em atenção a modalidade de contabilização mais complexa: a do factoring
com recurso, em que existe uma nota de crédito e equacionando as três hipóteses
finais da operação:
1ª hipótese - o devedor paga a totalidade da factura;
2ª hipótese - o devedor paga a factura menos a nota de crédito;
3ª hipótese – o devedor não paga.
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14. Conclusões
De todo o exposto algumas conclusões se impõem a respeito do contrato de
fatoring, tal comosua enorme relevância tanto na actividade comercial interna quanto
externa, agilizando os negócios, mobilizando créditos e incrementando a actividade
financeira como um todo.
Sua crescente importância, tendo em vista seu rudimentar aparecimento histórico
bem como sua aceitação no mercado financeiro, muito embora, ainda, requeira
delineamentos mais precisos no que concerne à sua estruturação jurídica.
O factoring configura um contrato híbrido, complexo, no qual prevalece a cessão de
crédito, tendo, na verdade, por substrato uma verdadeira alienação ou venda do
faturamento.
A cada momento da história e sob as condições institucionais vigentes, actividade de
factoringdeve exercer o seu papel como resposta à demanda de mercado. As
necessidades apresentadas pelas empresa estavam concentradas no acesso ao
crédito, como conseqüência do rompimento progressivo com as fontes externas de
recursos.
O factoring é um importanto mecanismo de apoio à pequenas e médias empresas,
porém sua escolha deve ser devidamente estudada e analisada para avaliar seus
custos e as reais vantagens para a empresa.
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15. Referencias Bibliograficas
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PARANÁ. Daniel D. Dos Passos. Dieese (Org.). Sistema Financeiro Nacional:
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