Costofrênico Livre no Derrame Pleural
Costofrênico Livre no Derrame Pleural
APRESENTAÇÃO:
PROF. PHILIPPE
COLARES
Olá, Estrategista, tudo bem?
Estratégia
MED
PNEUMOLOGIA Prof. Philippe Colares | Derrame Pleural 3
fácil! Para chegar até aqui, precisei abdicar de vários momentos felizes entanto, meu grande sonho estava por vir: fui aprovado em Pneumologia
da minha vida, como a própria missa da minha formatura de Medicina, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – São Paulo.
pois estava prestando mais uma prova de Residência. Após concluir a Residência de Pneumologia, fui convidado a
Após me formar na Universidade Estadual de Montes Claros, a ficar como preceptor da especialidade, e o convite renovou-se após
UNIMONTES, prestei prova para a Residência de Clínica Médica pelo um ano. Desdobrava-me para dar conta da preceptoria e seguir-me
Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais (PSU-MG) e fui aprovado especializando, com o Fellowship de Doenças Pulmonares Intersticiais e
em primeiro lugar na Clínica Médica do Hospital Universitário da Doenças Pleurais. Tudo isso em dois anos! Após muito esforço, continuo
UNIMONTES. Mesmo tendo passado em outras universidades de maior aqui, como assistente da Disciplina de Pneumologia do HCFMUSP. E,
relevância pelo país, optei por permanecer por lá, com a oportunidade para completar minha lista de sonhos, tenho o prazer de fazer parte do
de ter meu pai como meu principal tutor, dentro e fora da Residência, time do ESTRATÉGIA MED, junto do meu grande amigo que esse projeto
além da minha mãe como meu guia na vida pessoal. Graças a esses me proporcionou, o Dr. Ricardo Siufi.
momentos, tornei-me o médico e o ser humano que sou hoje! Não foi fácil chegar até aqui, o caminho foi longo e tortuoso.
Mas, era preciso buscar novos horizontes, já que para cursar a Mas, valeu a pena cada suor e sacrifício realizado! Tenho certeza de
subespecialidade dos meus sonhos teria que sair de Montes Claros. E, que você pode ter o mesmo sucesso que eu tive, ou melhor, o sucesso
mais uma vez, precisei tomar uma decisão difícil: com a coincidência que você deseja ter!
de datas para o Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais (PSU-MG) Sempre fui movido por desafios e metas! Foi assim, e é até hoje,
e a prova da USP-SP, precisava decidir entre continuar perto de casa que me dedico diariamente, com uma frase que aprendi quando ainda
(morando em Belo Horizonte) ou buscar um centro de referência, com estava no ensino médio: “NUNCA SUBSTITUA O QUE VOCÊ MAIS QUER
maior relevância, e estar em uma das principais universidades do país. NA VIDA PELO QUE VOCÊ MAIS QUER NO MOMENTO!”
Mesmo contra o desejo do meu pai, prestei prova em São Paulo, sendo Conte com o time de Pneumologia para qualquer dúvida, seja
aprovado em primeiro lugar na Residência de Pneumologia da FAMERP, relacionada às provas de Residência ou sobre a especialização médica.
primeiro lugar na Residência de Pneumologia da Universidade Federal Vamos em frente! Um grande abraço!
de São Paulo – UNIFESP, além da aprovação na USP – Ribeirão Preto. No
@estrategiamed [Link]/estrategiamed
Estratégia
MED
PNEUMOLOGIA Derrame Pleural Estratégia
MED
SUMÁRIO
5 .2 EXAMES LABORATORIAIS 14
5.2.2 GLICOSE 17
5.2.3 PH 18
5.2.5 AMILASE 19
5 .3 ANATOMIA PATOLÓGICA 21
6.1.1 INDICAÇÕES 23
6.1.2 CONTRAINDICAÇÕES 24
6.1.3 COMPLICAÇÕES 24
EMPIEMA: 28
7 .5 QUILOTÓRAX 30
7 .6 TROMBOEMBOLISMO PULMONAR 32
7 .7 DOENÇA DO COLÁGENO 32
7 .8 PANCREATITE 33
CAPÍTULO
Estrategista, o derrame pleural é, de longe, a principal forma de manifestação das doenças que
acometem a pleura – trata-se de uma síndrome (conjunto de sinais e sintomas), decorrente de diversas
patologias e diferentes mecanismos.
Mas, quais são os pontos cruciais do tema? Não podemos ir para a prova sem saber os critérios de
Light, além dos principais aspectos presentes nas etiologias específicas, em especial, insuficiência cardíaca,
derrame parapneumônico, empiema e tuberculose.
CAPÍTULO
O espaço pleural é uma cavidade delimitada pela pleura visceral (interna) e pela pleura parietal (externa), separadas por uma ínfima
quantidade de líquido pleural.
Em condições normais, o líquido pleural tem equilíbrio dinâmico, com influxo igual ao efluxo diário, com produção
aproximada de 1L/dia. A pleura parietal é a responsável por praticamente toda a produção e reabsorção do fluido
pleural, em decorrência da elevada pressão hidrostática de seus capilares e pela presença dos estomas.
CAPÍTULO
3.0 FISIOPATOLOGIA
CAPÍTULO
O derrame pleural é uma manifestação patológica de inúmeras condições clínicas e/ou cirúrgicas. Os
sintomas decorrentes das doenças pleurais não são específicos e dependem de múltiplos fatores, os quais
devemos salientar:
• o volume e a velocidade de formação do derrame;
• a reserva cardiopulmonar do paciente (ou performance status);
• a presença ou não de processo inflamatório pleural (e consequentes manifestações sistêmicas
do processo inflamatório);
• a extensão do acometimento pleural e da doença de base;
A tríade característica da síndrome de derrame pleural é tosse seca, dor torácica e dispneia.
Atenção, Estrategista! A dor pleural está presente principalmente em exsudatos, em que há inflamação
da pleura parietal. Vale ressaltar que, com o aumento do volume do derrame pleural, a dor torácica pode
reduzir-se ou mesmo desaparecer, já que ocorre um afastamento dos folhetos pleurais e, consequentemente,
reduz-se o atrito do deslizamento.
Outros sinais e sintomas podem estar presentes em decorrência da doença de base, e podem ser a chave do diagnóstico etiológico do
processo pleural.
O exame físico pode ser normal em derrames pleurais pouco volumosos. Para que haja alteração na semiologia, são necessários
aproximadamente 300 mL de líquido na cavidade pleural.
* Para mais detalhes sobre a semiologia torácica, acesse nosso livro digital destinado ao tema.
Vários sinais foram descritos para caracterizar a presença de um derrame pleural, sendo os principais: sinal de
Signorelli (macicez à percussão da coluna vertebral), sinal de Lemos Torres (abaulamento expiratório localizado nos
últimos espaços intercostais), sinal de Litten (desaparecimento da depressão intercostal inspiratória) e parábola de
Damoiseau (percussão do limite superior dos derrames pleurais, representada por uma linha curva, com concavidade
voltada para cima).
-
Abaulamento.
- Murmúrio
- Alargamento - Macicez ou
- Diminuição - FTV diminuído
VOLUME de espaços submacicez.
da amplitude diminuído ou ou abolido.
MODERADO intercostais. - Parábola de
respiratória. abolido. - Egofonia ou
- Desvio do Damoiseau.
pectorilóquia.
mediastino
contralateral.
-
Abaulamento. - Macicez ou
- MV abolido.
- Alargamento submacicez.
- Diminuição - FTV - Ausência
VOLUME de espaços - Sem parábola
da amplitude diminuído ou de sopros
ACENTUADO intercostais. de Damoiseau.
respiratória. abolido. ou ruídos
- Desvio do - Fígado
adventícios.
mediastino rebaixado.
contralateral.
CAPÍTULO
5 .1 EXAME DE IMAGEM
Exame de escolha para o diagnóstico de derrame pleural. Os achados radiológicos característicos incluem opacificação homogênea do
recesso costofrênico, com borda nítida, côncava, voltada para o mediastino (sinal do menisco ou parábola de Damoiseau).
ATENÇÃO, ESTRATEGISTA!
Caso o paciente se encontre em decúbito dorsal (por exemplo, em unidade de terapia intensiva), o exame
é realizado em apenas uma incidência: anteroposterior (AP) e, em derrames moderados a volumosos, haverá
opacificação de todo o hemitórax (hemitórax opaco).
Figura 7. Diagnóstico diferencial de hemitórax opaco (Rx em AP - decúbito dorsal). A) Atelectasia obstrutiva de brônquio fonte direito e consequente opacificação
do hemitórax direito. Nota-se o desvio da traqueia e estruturas mediastinais para o lado acometido, além da redução dos espaços intercostais. B) Derrame pleural
volumoso a esquerda e consequente opacificação de hemitórax esquerdo. Neste caso, nota-se o desvio da traqueia e estruturas mediastinais para o lado oposto.
Presença de pequena área preservada de pulmão (aerado) em terço superior a esquerda - acervo pessoal.
Nesse caso, deve ser feito o diagnóstico diferencial entre derrame pleural e atelectasia (geralmente obstrutiva).
• Derrame pleural: desvio de estruturas mediastinais e traqueia para o lado oposto ao hemitórax opaco. Aumento ou manutenção
dos espaços intercostais.
• Atelectasia: desvio de estruturas mediastinais e traqueia para o lado acometido pelo hemitórax opaco. Redução dos
espaços intercostais.
A solicitação de uma terceira incidência, em decúbito lateral com raios horizontais ou incidência de Laurell,
aumenta a sensibilidade para detecção de derrame pleural livre e permite a realização de toracocentese quando
a coluna de líquido pleural supera 10 mm nessa incidência.
10mm
A US de tórax permite a detecção, com facilidade, de líquido em pequenas quantidades (a partir de 5 a 10 mL), se livre ou loculado,
identificação de septações, distinção entre derrame e espessamento pleural, além de permitir estimar o volume total de líquido e determinar
o melhor local para punção, biópsia e/ou drenagem torácica.
A TC de tórax não é o exame de escolha para o diagnóstico de derrame pleural, porém permite diferenciar os derrames
livres ou loculados e as estruturas sólidas, como espessamento pleural e placas pleurais calcificadas, além de permitir a análise do
parênquima pulmonar adjacente.
5 .2 EXAMES LABORATORIAIS
O líquido pleural é, em geral, obtido por meio da toracocentese, procedimento simples, seguro e de baixo custo. A análise do líquido
pleural inicia-se pelo aspecto da amostra, que permite estimar uma provável etiologia.
Aspecto mais prevalente dos derrames pleurais, podendo representar tanto transudato
Amarelo citrino como exsudato.
“Todo transudato é amarelo citrino, mas nem todo amarelo citrino é transudato”.
Purulento Empiema.
Segue-se a análise laboratorial com avaliação de: pH, bioquímica (destacando-se a dosagem de proteínas e albumina, desidrogenase
lática – DHL e glicose), citologia diferencial e oncótica e microbiologia. Outros exames laboratoriais podem ser solicitados, conforme a
hipótese diagnóstica.
• A presença de apenas um dos critérios de exsudato é suficiente para determinar sua classificação, com
sensibilidade de 98% e especificidade de 83%.
* Para definição de exsudato basta um dos critérios da respectiva coluna. Por sua vez, para transudato, precisamos dos três critérios (ou melhor, a ausência de critérios
de exsudato)!
Na ausência de exames séricos, podemos utilizar valores absolutos do líquido pleural para diferenciar entre transudato e exsudato.
Atenção específica deve ser dada a pacientes em uso de diuréticos, classificados erroneamente como
exsudatos (falso exsudatos), devendo-se, nesses casos, utilizar o gradiente de proteína soro-líquido pleural ou o
gradiente de albumina soro-líquido pleural para a classificação do derrame pleural. Se o gradiente de proteína
for superior a 3,1 g/dL, ou o gradiente de albumina for maior que 1,2 g/dL, associados à probabilidade clínica,
classifica-se a efusão como transudato.
Uma vez definido como exsudato, outros parâmetros bioquímicos avaliados têm papéis específicos para elucidação da etiologia do
derrame pleural.
5.2.2 GLICOSE
Valores inferiores a 40 mg/dL favorecem o diagnóstico de causas infecciosas (derrame parapneumônico complicado e tuberculose),
neoplásicas, colagenoses (principalmente artrite reumatoide), ruptura de esôfago e hemotórax.
O derrame parapneumônico e o derrame secundário à artrite reumatoide são os responsáveis pelos menores
níveis de glicose, geralmente < 20 mg/dL.
5.2.3 PH
Doenças como colagenoses, pleurite tuberculosa, neoplasias malignas e hemotórax podem apresentar-se com valores de pH inferiores
a 7,2, e tal achado indica pior prognóstico. O valor normal do pH no líquido pleural acompanha os valores séricos.
Etiologias que cursam com pH baixo no líquido pleural são praticamente as mesmas que cursam
com redução importante de glicose: parapneumônico/empiema, neoplasia, artrite reumatoide.
A ADA tem grande utilidade no diagnóstico da pleurite tuberculosa, com sensibilidade acima de 95%
e especificidade em torno de 88% quando apresenta valores superiores a 40 UI/L (ou > 30 UI/L, a depender
da referência da banca).
Em geral, os triglicérides pleurais estão alterados por doenças que comprometem o ducto torácico (quilotórax), enquanto o colesterol
(pseudoquilotórax) está elevado em derrames exsudativos crônicos.
5.2.5 AMILASE
Pode ser utilizada para o diagnóstico de derrame pleural secundário à pancreatite (geralmente > 1000 UI/L), mas pode estar elevada
também em casos de ruptura esofágica e neoplasias (incluindo neoplasia de esôfago e mesotelioma).
A citologia diferencial é útil para auxiliar na investigação diagnóstica, apesar de não fazer parte dos critérios definidores de exsudato
ou transudato. A citologia oncótica apresenta sensibilidade variando de 42 a 96%, dependendo fundamentalmente do tipo histológico do
tumor, do estadiamento e do sítio primário.
• Hematócrito do líquido pleural: auxilia na diferenciação de hemotórax (e acidente de punção) e líquidos sero-hemorrágicos.
Identificação de patógenos além da avaliação de evolução e prognóstico de algumas doenças, como o derrame pleural parapneumônico.
A positividade da pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) nos líquidos pleurais tuberculosos é
inferior a 10%, e a cultura, entre 10 e 20%. A cultura do fragmento de pleura aumenta a sensibilidade diagnóstica
(cerca de 60%). Nos empiemas, as culturas são positivas em 70% a 90%, enquanto a coloração de Gram tem
positividade em torno de 60%.
Amostras de pleura parietal para análise anatomopatológica podem ser obtidas por meio de biópsia pleural fechada, realizada com a
agulha de Cope ou por meio da visualização direta na biópsia dirigida por (vídeo) toracoscopia.
No exame anatomopatológico, dois achados auxiliam o diagnóstico: atipia celular (neoplasia maligna) ou presença de granuloma
(principalmente tuberculose, mas também infecções fúngicas, sarcoidose, granulomatose com poliangeíte, entre outras).
CAPÍTULO
• Toracocentese diagnóstica: realizada na presença de derrame pleural de causa não estabelecida, para análise do líquido pleural.
• Toracocentese terapêutica ou de alívio: se paciente sintomático, retirada de cerca de 1500 mL para alívio dos sintomas.
• Técnica: punção aspirativa realizada na borda superior da costela inferior, para evitar o feixe vasculonervoso na borda inferior da
costela superior.
6.1.1 INDICAÇÕES
6.1.2 CONTRAINDICAÇÕES
6.1.3 COMPLICAÇÕES
As complicações são raras e incluem, principalmente, o pneumotórax (3% a 20%), tosse e dor torácica e reflexo vasovagal.
Entretanto o mais temido (e cobrado nas provas de Residência) é o edema de reexpansão, que pode ocorrer após a toracocentese
de alívio. O tratamento consiste em medidas de suporte ventilatório, diuréticos e vasodilatadores.
Edema pulmonar de reexpansão: ocorre após a retirada de grandes volumes de líquido pleural (geralmente
acima de 1500 mL) e representa a reexpansão pulmonar abrupta após esvaziamento da cavidade pleural, com
aparecimento de pressão negativa intrapulmonar – edema ex-vacuum.
Indicada para auxiliar no diagnóstico de derrames pleurais exsudativos, principalmente se houver suspeita de tuberculose pleural e
neoplasias. As principais contraindicações para o procedimento são distúrbios de coagulação e empiema.
CAPÍTULO
Cerca de 90% dos derrames pleurais são causados por insuficiência cardíaca, cirrose com ascite (hidrotórax hepático), infecções
pleuropulmonares, neoplasias e embolia pulmonar.
As principais causas são insuficiência cardíaca congestiva, hidrotórax hepático e doenças renais (doença renal crônica ou síndrome
nefrótica). O tratamento é baseado na resolução da causa de base.
Na suspeita de derrame pleural parapneumônico, a toracocentese diagnóstica deve ser realizada para avaliação de critérios de pior
prognóstico (pH, glicose e DHL). Caracteriza-se, classicamente, por um exsudato neutrofílico e a evolução clínica dá-se em três estágios:
• Fase I ou exsudativa: acúmulo de líquido estéril, baixo número de leucócitos, DHL baixo, glicose e pH normais. O tratamento
consiste em antibioticoterapia.
• Fase II ou fibrinopurulenta ou complicado: valores de DHL > 1000 UI/L, glicose < 40 mg/dL e pH < 7,2, com risco de loculações e
espessamento pleural. O tratamento consiste em drenagem pleural e antibioticoterapia. O uso de fibrinolíticos não é mandatório,
mas pode ser benéfico.
• Fase III ou organizada: formação do tecido de granulação, com uma carapaça compressiva, que restringe a expansão pulmonar
(fibrotórax). A intervenção cirúrgica com decorticação é a opção de escolha.
O tratamento com antibióticos é obrigatório para todos os estágios e deve ser mantido por cerca de três a quatro semanas.
A abordagem cirúrgica está indicada na eventual falha de tratamento após a drenagem pleural.
Adquirido na comunidade:
• cefalosporina de 3ª geração (por exemplo, ceftriaxona) associada a metronidazol ou clindamicina; ou
• quinolona respiratória associada a metronidazol ou clindamicina; ou
• penicilina com inibidor de β-lactamase venosa (por exemplo, ampicilina/sulbactam).
Pneumonia hospitalar:
• betalactâmico antipseudomonas IV (cefepime, imipenem, meropenem, piperacilina/tazobactam) associado ao
metronidazol ou clindamicina; ou
• Ampicilina/sulbactam ou amoxicilina/clavulanato.
Atentar para hospitais/clínicas com alta prevalência de S. aureus resistentes à meticilina: nesses casos, associar cobertura para MRSA
(por exemplo, vancomicina).
• Evitar aminoglicosídeos no manejo do empiema.
• Não há papel para a administração intrapleural de antibióticos.
• Se possível, escolha o antibiótico com base nos resultados da cultura.
• Considere continuar a cobertura anaeróbia empiricamente quando as culturas anaeróbias são negativas.
* Baseado nas Diretrizes Brasileiras de Derrame Pleural Parapneumônico e Empiema (JBP, 2006) e no Guideline Americano para Manejo de Empiema (AATS, 2016).
As neoplasias representam cerca de 15% a 45% dos derrames pleurais exsudativos e, geralmente, são unilaterais e volumosos,
exsudatos, linfocíticos, sanguinolentos e recidivantes e representam doença metastática. pH < 7,2 determina um pior prognóstico.
O diagnóstico etiológico é feito por meio da citologia oncótica positiva no líquido pleural e/ou análise histológica do fragmento pleural
(biópsia por agulha ou cirúrgica).
O mesotelioma pleural maligno (MPM), apesar de raro, é a principal neoplasia maligna primária da pleura.
Em geral, os pacientes estão na sexta década de vida e o diagnóstico clínico é baseado na história de exposição
prolongada a asbesto*, associada a derrame pleural volumoso, recidivante, com quadro de dor progressiva e
dispneia. Na TC de tórax, normalmente é caracterizado por espessamento circunferencial da pleura (incluindo
pleura mediastinal).
* Para maiores detalhes, vide o capítulo de pneumoconioses.
No nosso meio, é uma das principais causas de derrame pleural, principalmente entre jovens. Em cerca de 1/3 dos pacientes,
pode-se evidenciar lesão parenquimatosa concomitante (tuberculose pleuropulmonar).
É, classicamente, um exsudato, unilateral, linfocítico, hiperproteico (geralmente > 4,0 g/dL), com elevação de ADA, raras células
mesoteliais (geralmente < 5%) e raros eosinófilos.
7 .5 QUILOTÓRAX
Caracterizado pelo acúmulo de linfa (quilo) na cavidade pleural, que, comumente, se apresenta como um exsudato linfocítico,
com elevados níveis proteicos.
Frente a um líquido pleural leitoso, deve-se fazer o diagnóstico diferencial entre três principais etiologias: quilotórax,
pseudoquilotórax e empiema.
A principal causa de quilotórax é traumática, seja por trauma torácico aberto ou fechado, ou mesmo iatrogênico, seguida por
neoplasia, principalmente o linfoma.
CAUSAS DE QUILOTÓRAX
Trauma fechado
Ferimento por arma branca ou arma de fogo
Traumática
Cirurgia cervical profunda
Cirurgia torácica, cardíaca ou abdominal
Neoplasias
Tumores benignos
Tuberculose
Linfangite pulmonar
Filariose
Síndrome da veia cava superior
Clínica Trombose venosa da veia subclávia ou jugular interna
Síndrome das unhas amarelas
Linfangioleiomiomatose
Sarcoidose
Amiloidose
Síndrome de Noonan, síndrome de Gorham-Stout
Idiopática
As principais causas de pseudoquilotórax são exsudatos crônicos, por derrame tuberculoso ou derrame por artrite reumatoide.
7 .6 TROMBOEMBOLISMO PULMONAR
Cerca de 30% a 50% dos pacientes com embolia pulmonar podem desenvolver derrame pleural. Esse é, usualmente, pequeno,
unilateral, caracterizado por um exsudato (80% dos casos), neutrofílico ou eosinofílico, hemorrágico em 50% a 75% dos casos, geralmente
em decorrência de acometimento direto da pleura visceral.
Pode manifestar-se por um transudato em até 20% dos casos, não havendo um consenso sobre seu mecanismo de formação.
7 .7 DOENÇA DO COLÁGENO
Várias doenças do colágeno podem, em alguma fase de sua evolução, cursar com derrame pleural, por acometimento direto ou indireto.
• LES: o envolvimento pleural é manifestação frequente, em cerca de 20% a 50% dos pacientes ao longo do curso da doença.
Apresenta-se como exsudato de predominância linfocítica, com moderado número de polimorfonucleares, macrófagos e células
mesoteliais. A glicose é geralmente superior a 80 mg/dL, DHL < 500 UI/L e pH > 7,2.
• AR: o acometimento pleural é a forma pulmonar/torácica mais frequente da doença, principalmente nos homens de meia idade,
com artrite reumatoide e nódulos subcutâneos. O líquido revela um exsudato, com glicose < 40mg/dL em 80% dos casos, pH < 7,2
e DHL > 700 UI/L e níveis elevados de proteínas. Além disso, pode apresentar níveis elevados de ADA (> 40 UI/L).
ATENÇÃO: a AR geralmente manifesta-se com exsudato com glicose muito baixa, assim como pH < 7,2
→ importante diagnóstico diferencial para derrame pleural parapneumônico complicado;
7.8 PANCREATITE
O derrame pleural é manifestação rara da doença e apresenta-se como um exsudato, principalmente, à esquerda (60% dos
casos), linfocítico, amilase > 1000 UI/L, coloração acastanhada ou sero-hemática e proteína total pleural > 3,0 g/dL.
CAPÍTULO
O tratamento do derrame pleural é baseado na abordagem local, com controle dos sintomas, e no tratamento da doença de
base, sistêmica ou local.
Vários procedimentos invasivos podem ser realizados no controle do derrame pleural, tais como: toracocentese terapêutica, uso
de cateteres e drenos, pleurodese, decorticação, pleurostomia, shunt pleuro-peritoneal e pleurectomia.
O uso de fibrinolíticos intrapleurais (estreptoquinase ou uroquinase) tem lugar como tratamento alternativo do derrame
parapneumônico complicado e do empiema e visa promover a lise das loculações, com aumento da drenagem pleural.
[Link]
CAPÍTULO
2. Pearson FG, Deslauriers J, Ginsberg RJ, et al. Thoracic Surgery. New York: Churchill Livingstone, 1995.
3. Shields TW. General Thoracic Surgery. 4th ed. Baltimore: Williams & Wilkins, 1995.
4. Crystal RG, West JB, Weibel ER, et al. The Lung: Scientific Foundations. 2nd ed. Philadelphia: Lippincott-Raven, 1997.
5. Wang NS. The Preformed Stomas Connecting the Pleural Cavity and the Lymphatics in the Parietal Pleura. Am Rev Respir Dis 1975; 111:12-
6. Cooray GH. Defensive Mechanisms in the Mediastinum, with Special Reference to the Mechanics of Pleural Absorption. J Pathol Bacteriol
1949; 61:551-67.
7. Light RW, Gary Lee YC. Textbook of Pleural Diseases. 2nd ed. CRC Press, Taylor and Francis Group, LLC. FL USA 2008.
8. Gaudio E, Rendina EA, Pannarale L, et al. Surface Morphology of the Human Pleura. A Scanning Electron Microscopic Study. Chest
1988; 93:149-53.
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Malignant Mesothelioma. New York: Hemisphere Publishing Co, 1992.
[Link] RW. Pleural Diseases. 5th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2007.
[Link] FS, Teixeira LR, Marchi E. Derrame Pleural. 1a ed. São Paulo: Roca, 2004.
CAPÍTULO
Caro Estrategista, este resumo engloba os principais tópicos de derrame pleural para sua prova de Residência Médica ou Revalida. Não
se esqueça dos pontos destacados ao longo do texto! Aproveite!
Não deixe de assistir às aulas e resolver as questões sugeridas. Para um conhecimento mais aprofundado, sugiro a leitura do nosso livro
do extensivo.
Abraços,
Philippe Colares.