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Entendendo a Hipertensão Arterial Sistêmica

O documento aborda a hipertensão arterial sistêmica (HAS), definindo-a como uma condição clínica multifatorial caracterizada por elevações sustentadas da pressão arterial. Discute os mecanismos de controle da pressão arterial, fatores de risco, epidemiologia e recomendações para medição e tratamento da HAS. Além disso, enfatiza a importância da atividade física como parte do tratamento não medicamentoso.

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Entendendo a Hipertensão Arterial Sistêmica

O documento aborda a hipertensão arterial sistêmica (HAS), definindo-a como uma condição clínica multifatorial caracterizada por elevações sustentadas da pressão arterial. Discute os mecanismos de controle da pressão arterial, fatores de risco, epidemiologia e recomendações para medição e tratamento da HAS. Além disso, enfatiza a importância da atividade física como parte do tratamento não medicamentoso.

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HIPERTENSÃO ARTERIAL

SISTÊMICA
Disciplina: Fisioterapia Cardiovascular II
Professora Dra Ariani Cavazzani Szkudlarek
DPRF - UFPR
CONCEITOS IMPORTANTES

 Pressão = Força/Area
 Débito Cardíaco = DS x FC
Contratilidade cardíaca
Resistência Vascular Periférica

PAM = DC x RVPT
GRADIENTE DE PRESSÃO

Q = ∆P/R
MECANISMOS DE CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL

 Regulação a curto e médio prazo


- Mecanismos Neurais e Hormonais
 Neurais: Mecanoreceptores arteriais
Quimioreceptores arteriais
Receptores cardiopulmonares
 Hormonais: Catecolaminas
Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona
Hormônio Anti-Diurético
Peptídeo Atrial Natriurético
 Regulação a longo prazo:
 Mecanismo de Feedback: Rim-Fluidos corporais (Balanço da
ingestão/Excreção de água e sais)
Mecanismos Neurais
Sensores/Receptores

Sinais gerados

Integração Bulbar

Efetores Respostas
Regulação a curto prazo da Pressão arterial

Os sensores

 Reflexo
Barorreceptor:

 Mecanorreceptores

 Seio carotídeo
 Arco aórtico
Mecanoreceptores Arteriais/Barorreceptores

Pressão Intravascular/Passagem da Onda de Pulso


 Deformação do Vaso

IX Par craniano
X Par craniano
 Potenciais de Ação

Condução do Sinal até os Centros


Integradores do Bulbo - NTS
REFLEXO BARORRECEPTOR - EX:
QUEDA DA PRESSÃO
 Sensibilidade da resposta barorreceptora
EFETORES - RESPOSTAS
Coração (DC)
 Vasos de Resistência (RVP)

 Capacitância (RV)

Sistema Nervoso Autônomo


Sistema Simpático
no Coração

Sistema Simpático
nos Vasos de Resistência

Sistema Simpático
nos Vasos de Capacitância
Sistema
Parassimpático no Coração

Sistema Parassimpático
nos Vasos de Resistência

Sistema Parassimpático
nos Vasos de Capacitância
RESPOSTAS HORMONAIS
 Catecolaminas Adrenais

 DC (  FC +  Contratilidade +  RVP )
Diminuição da pressão arterial estimula a síntese de renina
SISTEMA RENINA – ANGIOTENSINA II -
ALDOSTERONA
Via Renina – Angiotensina II - Aldosterona
RESPOSTAS HORMONAIS
Secreção de Hormônio Anti-
Diurético (ADH/Vasopressina)

 Secreção de Peptídeo Atrial


Natriurético
 da secreção leva a um  na excreção renal de
NaCl
HEMORRAGIA: RESPOSTAS
COMPENSATÓRIAS
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
(HAS)

“Uma condição sindrômica multicausal que


envolve a presença de alterações estruturais
das artérias e do miocárdio, metabólicas e
hormonais”

Negrão, Carlos. 2016


HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
(HAS)
“Condição clínica multifatorial caracterizada por
elevação sustentada dos níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90
mmHg. Frequentemente se associa a distúrbios metabólicos,
alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos-alvo, sendo
agravada pela presença de outros fatores de risco (FR), como
dislipidemia, obesidade abdominal, intolerância à glicose e
diabetes melito (DM). Mantém associação independente com
eventos como morte súbita, acidente vascular encefálico
(AVE), infarto agudo do miocárdio (IAM), insuficiência
cardíaca (IC), doença arterial periférica (DAP) e doença renal
crônica (DRC), fatal e não fatal.”

8 Diretriz de HAS da SBC


- Malachias, 2023
Epidemiologia

• No Brasil, 12% a 40% em diferentes regiões

• 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos, mais de


60% dos idosos, contribuindo direta ou
indiretamente para 50% das mortes por doença
cardiovascular (DCV)

• Entre 15 a 25% em crianças e adolescentes

• Assintomática em 70 a 80% dos casos

Negrão, Carlos. 2016; 7 Diretriz de HAS da SBC; Diretrizes


Brasileiras de HAS, 2020.
Epidemiologia
• 80% dos casos de HAS podem ser tratados na
Atenção Primária

• Junto com DM, suas complicações (cardíacas, renais


e AVE) têm impacto elevado na perda da
produtividade do trabalho e da renda familiar,
estimada em US$ 4,18 bilhões entre 2006 e 2015,
sendo responsável por cerca de 40% das
aposentadorias precoces

• Acomete 64% dos pacientes com IAM

Negrão, Carlos. 2016; 8 Diretriz de HAS da SBC


Recomendações

Medição da PA a cada dois anos para os adultos com PA ≤ 120/80 mmHg,


e anualmente para aqueles com PA > 120/80 mmHg e < 140/90 mmHg.1.
Recomenda-se a realização de várias medições, com o paciente sentado
em ambiente calmo e confortável para melhorar a reprodutibilidade e
aproximar os valores da PA obtidos no consultório àqueles fornecidos pela
monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) na vigília.

Fonte: MALACHIAS, 2016


Primeira aferição: Realizar nos dois membros

Diferença da pressão arterial nos braços


(investigação de coarctação de aorta): não deve
haver diferença > que 20 mmHg para PAS ou >
10 mmHg para a PAD.
CLASSIFICAÇÃO
De acordo com a medição casual ou no consultó́rio a partir de 18 anos de
idade.
Classificação PAS (mm Hg) PAD (mm Hg)
Ótima < 120 < 80
Normal ≤ 120-129 ≤ 80-84
Pré-hipertensão 130-139 85-89
Hipertensão estágio 1 140 – 159 90 – 99
Hipertensão estágio 2 160 – 179 100 - 109
Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110

Obs1: Quando a PAS e a PAD situam-se em categorias diferentes, a


maior deve ser utilizada para classificaç̧ão da PA.
Obs2: Considera-se hipertensão sistólica isolada se PAS ≥ 140 mm Hg e
PAD < 90 mm Hg, devendo a mesma ser classificada em estágios 1, 2 e 3.
Obs3: Pré-hipertensão e estágio 1: maiores beneficiados pelo
tratamento não – medicamentoso.
8 Diretriz de HAS da SBC; Diretrizes
Brasileiras de HAS, 2023.
Metas a serem atingidas em conformidade
com as características individuais
Meta Nível de
Categoria Classe
recomendada Evidência
Hipertensos
estágios 1 e 2,
com risco CV
< 140/90 mmHg I A
baixo e
moderado, e HA
estágio 3

Hipertensos
estágios 1 e 2 < 130/80 mmHg* I A**
com risco CV alto

CV: cardiovascular; HA: hipertensão arterial.


* Para pacientes com doenças coronarianas, a PA não deve ficar < 120/70
mmHg, particularmente com a diastólica abaixo de 60 mmHg pelo risco de
hipoperfusão coronariana, lesão miocárdica e eventos cardiovasculares.

7 Diretriz de HAS da SBC


FATORES DE RISCO CARDIOVASCULAR NA
AVALIAÇÃO DO RISCO ADICIONAL NO HIPERTENSO

Sexo masculino
[Link] Homens ≥ 55 anos ou mulheres ≥ 65 anos
[Link]ória de DCV prematura em parentes de 1º grau Homens < 55 anos ou mulheres
< 65 anos
Tabagismo

[Link] Colesterol total > 190 mg/dL e/ou


[Link]-colesterol > 115 mg/dL e/ou
[Link]-colesterol < 40 mg/dL nos homens ou < 46 mg/dl nas mulheres e/ou
[Link]ídeos > 150 mg/dL

[Link]ência à insulina Glicemia plasmática em jejum: 100-125 mg/dL


[Link] oral de tolerância à glicose: 140-199 mg/dL em 2 horas
[Link] glicada: 5,7 – 6,4%

[Link] IMC ≥ 30 kg/m2


[Link] ≥ 102 cm nos homens ou ≥88 cm nas mulheres
DCV: doença cardiovascular; LDL: lipoproteína de baixa densidade; HDL: lipoproteína
de alta densidade; IMC: índice de massa corporal; CA: circunferência abdominal.
MALACHIAS, 2016; ; Diretrizes Brasileiras de HAS, 2020.
FATORES DE RISCO ADICIONAIS, PRESENÇA DE LESÃO EM
ÓRGÃO-ALVO E DE DOENÇA CARDIOVASCULAR OU RENAL
HAS
HAS HAS
Estágio 2
PAS 130- Estágio 1 Estágio 3
Fatores de PAS 160-
139 ou PAS 140- PAS > 180
risco 179 ou
PAD 85-89 159 ou ou PAD ≥
PAD 100-
PAD 90-99 110
109
Sem fator Sem risco Risco
Risco baixo Risco alto
de risco adicional moderado
1 - 2 fatores Risco
Risco baixo Risco alto Risco alto
de risco moderado
≥ 3 fatores Risco
Risco alto Risco alto Risco alto
de risco moderado
Presença de
LOA, DCV, Risco alto Risco alto Risco alto Risco alto
DRC ou DM

LOA: lesão de órgão-alvo.

Modificado de MALACHIAS, 2016


HAS
Suspeitas de HAS secundária:
Taquicardia, suor
Ruído abdominal
Creatinina elevada (> 1,5 mg/100 mL)

Guyton, 2012
HAS SECUNDÁRIA
 HAS por aldosteronismo primário
 HAS por tumor de renina

 HAS por feocromocitoma

Guyton, 2012
HAS
Não – medicamentoso: Medicamentoso:
 Redução do peso - Diuréticos

 Redução da ingesta de - Antiadrenérgicos


sal, álcool e drogas - Vasodilatadores
 Exercício físico aeróbio - Inibidores de ECA

- Antagonista de canal
de cálcio

Negrão, Carlos. 2016; 7 Diretriz de HAS da SBC


RCV: risco
cardiovascular; TNM:
tratamento não
medicamentoso; DIU:
diuréticos; IECA:
inibidores da enzima de
conversão da
angiotensina; BCC:
bloqueador dos canais
de cálcio; BRA:
bloqueador do receptor
de angiotensina; BB:
betabloqueadores.

Fonte: Adaptado de
MALACHIAS, 2016.
HAS: EXERCÍCIO FÍSICO AGUDO

 Hipotensão pós – exercício: diminuição por 24 horas,


principalmente nos hipertensos;
Fatores determinantes:
1) Nível inicial da PA

2) Intensidade do exercício

3) Duração

4) Tipo de exercício

Mecanismos responsáveis:
1) DC por DS

2) do tônus simpático e da sensibilidade adrenérgica

3) Vasodilatação
Negrão, Carlos. 2016
TREINAMENTO FÍSICO AERÓBIO
 Reduz de 7 a 10 mmHg a PAS e a PAD

 Gênero, idade e influência hormonal: homens


apresentam HAS mais cedo

 Etnia: asiáticos: efeito hipotensor do exercício


maior do que em caucasianos. Afro: poucos
estudos

 Genética: AGT, ECA, ONS3, β2 – adrenorreceptores

Negrão, Carlos. 2016


TREINAMENTO FÍSICO AERÓBIO
Mecanismos responsáveis:
1) Atenuação do tônus simpático e da sensibilidade
adrenérgica
2) Atenuação do sistema renina-angiotensina

3) Neovascularização

4) Aumento da expressão e atividade de NOSe e


efeitos metabólicos locais nos músculos
5) Menor DC (?)

Negrão, Carlos. 2016


PRESCRIÇÃO DE TREINAMENTO FÍSICO
 3 a 6 x por semana
 20 a 60 minutos: quanto mais, maior o efeito

 Intensidade: 60 a 80% da FCReserva (treinados)

50 a 70% da FCReserva (sedentários)


OBS: 30 % da FCReserva não gera hipotensão pós-
exercício.
Utilizar Karvonen

Exercícios resistidos: máximo 50% de 1 RM e somente


como forma complementar.
Negrão, Carlos. 2016
OBRIGADA POR SUA ATENÇÃO!
Intensidade moderada signifi ca
que, durante o exercício, a pessoa deve
senti r a temperatura do corpo mais
alta, mas não deve estar suando
demais; deve senti r que a respiração
está acelerada, mas não deve estar
ofegante e deve senti r que o coração
está batendo mais rápido, mas não
deve estar disparado.
Recomendações em relação à atividade física e exercício físic
Para todos os hipertensos – Recomendação populacional – Prática
de atividade física
[Link]: Adaptado de MALACHIAS, 2016.
Fazer, no mínimo, 30 min/dia de atividade física moderada, de
forma contínua (1 x 30 min) ou acumulada (2 x 15 min ou 3 x 10
min), em 5 a 7 dias da semana.
Para maiores benefícios - Recomendação individual -
Exercício físico
•Treinamento aeróbico complementado pelo resistido
•Treinamento aeróbico
•Modalidades diversas: andar, correr, dançar, nadar, entre outras
•Pelo menos três vezes/semana (ideal cinco vezes/semana)
•Pelo menos 30 min (ideal entre 40 e 50 min)
•Intensidade moderada definida por:
• Maior intensidade conseguindo conversar (sem ficar
ofegante)
• Sentir-se entre ligeiramente cansado e cansado
• Manter a frequência cardíaca (FC) de treino na faixa
calculada por:
FC treino = (FC máxima – FC repouso) x % + FC
repouso, em que:
FC máxima: deve ser obtida num teste ergométrico
máximo feito em uso dos medicamentos regulares ou
pelo cálculo da FC máxima prevista pela idade (220 -
idade). Essa última não pode ser usada em
hipertensos com cardiopatias ou em uso de
betabloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio
não di-idropiridínicos. FC repouso: deve ser medida
após 5 min de repouso deitado. %: utilizar 50% como
limite inferior e 70% como superior.
Treinamento resistido:
•2 a 3 vezes/semana;
•8 a 10 exercícios para os principais grupos musculares, dando
prioridade para execução unilateral, quando possível;
•1 a 3 séries;
•10 a 15 repetições até a fadiga moderada (redução da velocidade de
movimento e tendência a apneia);
•pausas longas passivas - 90 a 120 s.
PRESSÃO ARTERIAL MÉDIA (PAM)

PAM = DC x RVPT

PP = PS – PD

PAM = PD + 1/3PP

Nosek, 1998.
DETERMINANTES DA PAM

Nosek, 1998.
DÉBITO CARDÍACO (DC) E RESISTÊNCIA
VASCULAR PERIFÉRICA TOTAL (RVPT)

Nosek, 1998.
O EFEITO DO DÉBITO SISTÓLICO
(DS) NA PP

PAM= DC x RPT
DC= DS x FC
Nosek, 1998.
SISTEMA RINS – LÍQUIDOS CORPORAIS
SISTEMA RINS – LÍQUIDOS CORPORAIS

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