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A IMPORTÂNCIA DO APOIO PSICOLÓGICO PARA A SAÚDE MENTAL DA
CLASSE POLICIAL MILITAR NA BAHIA
Islan de São Bento Silveira1
Lahiri Lourenço Argollo 2
RESUMO
A presente pesquisa tem como tema principal o apoio psicológico a policiais militares no Estado da Bahia, para
isso, objetivamos verificar de que modo é estruturado esse apoio e como ele chega aos militares. Para tanto, foi
utilizado como aporte teórico a fim de embasar esse artigo, autores que abordam sobre a saúde mental do policial,
como Brito e Goulart (2005), Barbosa Et al (2017), Oliveira e Santos (2008), Amador (2000), pesquisas realizadas
em Estados que já ofertam apoio psicológico a militares, comprovando a eficácia do apoio quando este é
disponibilizado, além de reportagens e dados atuais sobre o apoio oferecido a PM baiana. Foi utilizada, como
método para a escrita desse artigo, a revisão narrativa de literatura e chegou-se ao resultado de que não há artigos,
dados, nas plataformas pesquisadas que abordem a questão do apoio psicológico aos policiais militares na Bahia.
Palavras-chave: Policia Militar. Bahia. Saúde Mental. Apoio Psicológico. Atendimento
Psicológico.
ABSTRACT
The main theme of this research is psychological support to military police officers in the State of Bahia, for this
purpose, we aimed to verify how this support is structured and how it reaches the military. For this purpose, it was
used as a theoretical contribution to support this article, authors who address the mental health of the police officer,
such as Brito and Goulart (2005), Barbosa Et al (2017), Oliveira and Santos (2008), Amador (2000), research
conducted in states that already offer psychological support to military personnel, proving the effectiveness of
support when it is made available, as well as current reports and data on the support offered to BahiaN PM. The
narrative literature review was used as a method for the writing of this article and the result was obtained that there
are no articles, data, on the researched platforms that address the issue of psychological support to military police
officers in Bahia.
Keywords: Military police. Bahia. Mental health. Psychological Support. Psychological
support.
1 INTRODUÇÃO
O policial militar Wesley Soares Góes, de 38 anos, que morreu depois de ser baleado por
agentes da Polícia Militar, na área do Farol da Barra, em Salvador, na Bahia, levantou alguns
questionamentos sobre a realidade da saúde mental dos policiais militares . Segundo informações do
1
Graduando em Psicologia, 10º semestre, pela Faculdade de Ilhéus. E-mail: islan_silveira18@[Link].
2
Psicólogo Clínico pela Faculdade de Ilhéus, pós-graduando em Psicoterapia Junguiana pela Psiquê – Centro de
Estudos de Psicologia Analítica, Mestre em Inovação Tecnológica pelo PROFNIT-UESC. E-mail:
largollo@[Link].
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site G1 Bahia 3, publicadas no dia 30 de março de 2021, o policial saiu de Itacaré, da unidade onde era
alocado, com destino a Salvador, portando um fuzil com cartuchos de munições e um revólver com 33
munições, chegando ao Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador, começou a
disparar tiros a ermo, logo foi contido por policiais que estavam no local, negociando a rendição por
aproximadamente três horas. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas horas depois a Secretaria de
Segurança Pública da Bahia informou que ele não resistiu aos ferimentos e morreu.
Tal ocorrido permitiu maior visibilidade a muitos questionamentos que evolvem a saúde
mental de policiais militares, sobretudo no que diz respeito ao apoio psicológico ofertado a essa classe
no Brasil. Essa ocorrência motivou o interesse em pesquisar mais sobre o assunto, tendo em vista que
policiais militares são expostos diariamente à a eventos como estresses, lesões, traumas e, até
mesmo, a morte, podendo desencadear algum sofrimento psíquico. Essas situações são
reconhecidamente recorrentes na atuação desses profissionais, e se ele não tiver um apoio
formal, estruturado, para ajudá-los no enfrentamento dessas diversas situações, mais casos
como o de Wesley Góes poderão ocorrer com maior frequência.
Essa observação faz surgir o seguinte questionamento: a estrutura de apoio psicológico
disponibilizada aos policiais militares na Bahia é abrangente e suficiente para atender com
eficácia à demanda existente? Para buscar respostas a essa pergunta, o presente trabalho teve
por objetivo pesquisar a estrutura, acaso existente, do apoio psicológico à classe de policiais
militares baianos e conhecer como suas atividades se organizam. A escolha da amostra, a PM
BA, decorreu do fato da Polícia Militar de cada estado do Brasil possuir regimento próprio e
estrutura organizacional específica, fator de grande dificuldade para levantamento de dados.
Acredita-se ser uma discussão de alta relevância e interesse para a sociedade, pelas graves
consequências que podem decorrer do seu descaso.
2 METODOLOGIA
Foi utilizado como método para a escrita desse artigo, a revisão narrativa de literatura,
que consiste em uma análise feita pelo autor para interpretar um tema de forma ampla sob o
ponto de vista teórico e contextual, de acordo com Rother (2007). Este método de estudo,
baseia-se na análise da literatura publicada em livros e artigos de revistas.
3
Disponível em: [Link]
[Link] acessado dia 27/09/2021 às 15:00 .
Acesso em: 27 set. 2021.
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Além disso, foram feitas buscas por autores que se enquadram no tema proposto e
utilizados seus pressupostos teóricos. Na pesquisa realizada no site Pepsic, foi utilizada a
interface de pesquisa, ao digitar na aba de pesquisa a palavra Militar apareceram 91 resultados,
porém ao acrescentar as palavras apoio, apareceram 4 artigos, mas totalmente aleatórios ao tema
central dessa pesquisa, e quando foi acrescida a busca, a palavra Psicológico não houve
resultado. Ao substituir a palavra apoio por suporte, retornou 2 resultados, mas ao acrescentar
psicológico, o retorno deu zerado também.
Também, houve pesquisas na base de dados da Scielo, com as palavras chaves “Policia
Militar”, “Apoio Psicológico”, “Atendimento Psicológico” e “Suporte Psicológico”.
Com base nesta busca, foi possível identificar que ainda há poucos estudos sobre o
tema no âmbito nacional e regional visto que, depois de utilizados como critérios a exclusão de
artigos com mais de cinco anos e quais dissertem sobre o tema, chegou-se a apenas 37 artigos.
Devido ao escasso material encontrado em Língua Portuguesa, utilizou-se também
para construção desta pesquisa, informações presentes em Leis Nacionais e Estaduais.
Pesquisou-se literatura complementar indicada por meio das leituras dos artigos. Cabe ressaltar
que, depois das buscas, selecionou-se basicamente autores que apresentassem considerações
consistentes para o presente estudo e que discorressem sobre os tópicos escolhidos.
3 A SAUDE MENTAL DO POLICIAL MILITAR
O papel da Polícia Militar é indispensável à sociedade, na missão de proteger os
cidadãos, combater o mal, gerenciar crises, aconselhar, dirimir conflitos, evitar o crime,
promover a paz e regular as relações sociais, segundo Brito e Goulart (2005). Certo é que,
quando os militares são expostos publicamente, em decorrência da ostensividade da farda, ou
quando se deparam com a cobrança da sociedade que sempre espera um comportamento
exemplar desse profissional de segurança, pode se gerar nele um estado de tensão permanente,
que após alguns anos originará um adoecimento físico como úlceras, diabetes, cefaleia
constante) e psíquico (ansiedade, paranoia, síndrome de pânico, entre outras manifestações
(BRITO; GOULART, 2005).
Uma reportagem exibida pelo Fantástico4, em 15 de setembro de 2019, mostrou que
no Brasil, pelo menos 43 PMs são afastados por dia por transtornos psiquiátricos. A Reportagem
4
Disponível em: Fantástico: Como anda Saúde Mental de Policiais Brasileiros - 15/09/2019 - YouTube Acesso: 23
out. 2021.
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intitulada “Como anda a saúde mental dos policiais militares brasileiros” fez levantamento de
como está atualmente a saúde mental dos policiais militares no Brasil todo, focando naqueles
que trabalham diretamente com conflito. Dados apurados relataram que a cada dois dias, três
policiais militares se afastam do serviço no estado de São Paulo por problemas psiquiátricos, a
mesma situação se repete na polícia civil e na PM de outros estados.
A pesquisa realizada pelos repórteres frisou que a Polícia Militar brasileira tem
problemas e que muitas vezes os Estados não dão a devida importância, os principais motivos
levantados para que esse policial venha a adoecer mentalmente é a pressão para enfrentar uma
criminalidade crescente e a defasagem do salário, mostrando que a remuneração dos policiais
militares de São Paulo, Rio de Janeiro e Espirito Santo, apresentam o salário mais baixo de
todos os estados do Brasil. Segundo os dados apurados, o presidente da associação de cabos e
soldados de São Paulo afirma, que o número de policiais com problemas psiquiátricos é muito
maior do que o divulgado oficialmente.
Em pesquisa realizada com policiais de Fortaleza, segundo Barbosa et al. (2017),
constatou-se que a mudança repentina, junto à impunidade que é característica da cultura
brasileira, têm influenciado o processo de adoecimento dos policiais militares, o qual independe
de patente para acontecer. Esse adoecimento envolve desgastes simples de rotina até
psicopatologias severas, gerando estresse e sensação de falta de garantia à vida. Um dos fatores
mais citados como gerador de estresse é a falta de reconhecimento, seguido por falta de garantia
a vida. E constatou-se que o sentimento mais recorrente entre esse contingente é o medo.
Em entrevista à revista eletrônica Exame, o pesquisador de segurança pública, Paes de
Souza, doutorando da Universidade de São Paulo (USP) relatou que
Há muitos casos que não são notificados e muitos não buscam o tratamento
psiquiátrico porque vão sofrer chacota no ambiente de trabalho. Serão chamados de
covardes e fracos; os comandantes podem crer que eles estão enrolando para matar
serviço, por exemplo. É um ambiente bem machista e de virilidade, em que não
podemos assumir fraquezas. Eu fui treinado assim, com os trotes na academia, os
trotes das unidades em que passei. Você é humilhado e tem que aguentar porque o
bom militar aguenta, o guerreiro aguenta toda e qualquer violência e acha isso normal.
Nos fazem achar que fomos feitos para isso, mas ninguém foi feito para isso. Quando
a PM não assume que seus policiais têm problemas, a instituição está fechando uma
panela de pressão vazia, sem água, que vai. Explodir um dia”, adverte Paes de Souza,
que ainda carrega as cicatrizes da violência sofrida na profissão. “Bom, eu faço
terapia”, diz (MOREIRA; PICOLO, 2019).
Este cotidiano tenso ao qual o policial militar é exposto, com pressões internas e
externas, explica a emergência de se propor um apoio psicológico estruturado à classe. Em
conformidade com Barbosa et al. (apud Couto et al. 2012), já que a saúde é essencial para todo
ser humano, o aspecto psicológico não pode ser negligenciado aos policiais militares, pois isso
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pode comprometer a sua qualidade de vida, bem como afetar toda a sociedade. Nesse sentido,
um investimento terapêutico e preventivo de promoção à saúde desses servidores é
extremamente necessário, com uma estrutura adequada e eficiente que atenda às demandas da
corporação, constituindo-se em uma urgência em nossos dias.
Na visão de Jesue (2013 apud CHADID et al., 1997), há na corporação militar uma
imagem idealizada do soldado, aquele que é o herói do povo, não pode estar abatido, muito
menos errar ou adoecer, logo procurar assistência psicológica pode caracterizar uma fraqueza
do polícia, ainda hoje mesmo com todo esforço para desmistificar essa imagem, ainda se
encontram militares que pensam que ao procurar o psicólogo ou é fraco ou quer passar o chefe
para traz, simulando doença. O autor pontua que para mudar essa situação, é necessário um
trabalho de conscientização, com palestras e panfletos, junto aos policiais militares mostrando
que, ao falar de assistência psicológica, não significa assistência para loucos e tão pouco
assistência para um fraco, e que a questão é e sempre será a importância da saúde física e mental
do policial.
É necessário frisar que o profissional militar tem como principal marca de seu ofício
os inúmeros sacrifícios feitos ao longo da jornada, inclusive o da própria vida, em prol da vida
do outro. Logo, segundo Oliveira e Santos (2008), a morte passa a ser uma realidade na vida
deste profissional. Ele lida com a morte das vítimas, dos criminosos, dos próprios companheiros
de trabalho e, também, com a ideia de que sua própria vida corre perigo.
Oliveira e Santos (2008) mostram que os profissionais que trabalham diretamente no
cuidado dos outros são suscetíveis ao estresse. Os principais sintomas encontrados em policiais
militares com problemas psicológicos, se caracterizam por: fadiga constante e progressiva,
dores musculares, distúrbios do sono e perturbações gastrintestinais. Podem ocorrer também
falta de atenção e concentração, alterações da memória, baixa autoestima, labilidade emocional,
impaciência e dificuldades comportamentais associadas à negligência ou escrúpulo excessivo,
à irritabilidade e aumento da agressividade, à dificuldade de relaxar, ao alto consumo de
substâncias, ao risco de suicídio e aos sintomas defensivos que tangem tendência ao isolamento,
sentimento de onipotência, perda de interesse pelo trabalho, ironia e cinismo.
Essas situações são recorrentes e se na incidência desses sintomas psicológicos o
policial não procurar ou não receber ajuda, pode aumentar bastante o risco de desenvolvimento
de transtornos diversos, comprometedores de sua qualidade de vida e de trabalho, podendo levar
até mesmo ao suicídio. Diante disso, em conformidade com o pensamento de Barbosa et al.
(2017), a psicologia e a psiquiatria devem fazer parte do contexto militar, promovendo diálogos
e propostas de mudanças.
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Vale salientar o quanto é necessário que a Organização da Polícia Militar encare a sua
responsabilidade com a saúde daqueles que compõem as corporações, já que se trata de uma
importante questão de saúde pública. Para Barbosa et al. (2017), a atuação de profissionais da
saúde mental na prevenção e em ações terapêuticas específicas, pode promover a saúde por
meio de programas de acompanhamento e ações técnicas de tratamento dos variados problemas
encontrados.
Na visão de Amador (2000), é necessário um maior investimento na contratação de
profissionais das áreas da saúde e ciências humanas, que possam atuar junto às companhias
aproximando-se, do cotidiano dos policiais, mostrando a importância do estabelecimento de
políticas públicas em saúde e segurança. Já para Barbosa et al. (2017), torna-se essencial
atender cada policial em crise ou em fase de estresse permanente. Dessa maneira, o serviço de
psicologia nos quarteis deve promover o autoconhecimento da equipe por meio de palestras
sobre enfrentamento e os limites do corpo (físico e mental).
Além disso, Barbosa et al. (2017) pontua que a promoção de debates interdisciplinares
sobre a saúde é uma estratégia de promoção e não apenas prevenção dos problemas
encontrados, promovendo junto a psiquiatria as informações básicas sobre qualidade de vida
no contexto militar e no âmbito da saúde mental. Ou seja, é essencial que haja, na corporação
uma proposta interventiva eficaz que amenize a problemática e abra espaço para mais
profissionais se envolverem nas questões relacionadas a psicopatologias e ao campo militar.
Amador (2000), em sua pesquisa, questionou quais seriam os exercícios que os
policiais poderiam realizar de maneira a não adoecerem por influência do trabalho. Porém, os
resultados apontaram não para realização de exercícios somente, mas sim um exercício
saudável do trabalho. Com isto, reafirmou que a pontualidade da saúde está no próprio exercício
laboral. Sendo assim, é preciso promover cotidianamente um espaço na organização do trabalho
que possibilite aos sujeitos seguirem construindo sua identidade, beneficiando sua saúde e
qualidade de seu trabalho.
Para exemplificar melhor e corroborar com os estudos que indicam que oferecer
assistência psicológica ao policial militar é imprescindível, foi realizada uma pesquisa com os
policiais militares que tiveram envolvimento em ocorrência com morte em decorrência do
serviço, no estado de Minas Gerais. De acordo com Jesué (2013), os dados dessa pesquisa
revelaram que a assistência psicológica a Polícia Militar no estado foi projetada e implementada
desde 1987 e que a inclusão do Oficial Psicólogo na organização, serviu como uma medida para
prevenir e atender a saúde mental do policial militar, logo, no campo da saúde, o caminho
tomado pela PMMG foi à inclusão de profissionais em seu quadro de oficiais da saúde.
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Tal medida facilitou o acesso a essa atenção em saúde para os integrantes da instituição
e seus familiares e tem possibilitado muitas ações de promoção, prevenção e atenção à saúde
mental. Diante disso, apresenta-se a seguir alguns trechos de uma entrevista realizada com
militares dessa corporação sobre a assistência psicológica disponibilizada pela Polícia Militar
de Minas Gerais (PMMG).
PM 1 - Tive uma entrevista com o psicólogo, foi boa a entrevista, a assistência foi boa,
ajuda muito... tenho receio de buscar atendimento psicológico, os colegas veem essa
atitude como sinal de fraqueza. (destaque nosso). PM 2 - Não tenho como avaliar,
pois, eu não recebi nenhuma assistência, até me perguntaram se eu queria ir ao
psicólogo, não quis ir, na polícia, a pressão do grupo é muito forte, a gente não pode
demonstrar insegurança. Aceitar assistência psicológica seria sinal de fraqueza. PM 3
- Achei importante o atendimento do psicólogo para avaliar as condições emocionais
do militar. PM 4 - Poderia ser melhor, recebi o atendimento no dia, e depois, o
psicólogo nem procurou saber como eu estava. Sinto que se não tivesse ido, não faria
nenhuma diferença. Parece que o atendimento é só por causa da norma. PM 5 - O
atendimento foi muito bom. Ela intermediou minhas queixas ao comando... do ponto
de vista emociona. l acho que foi adequado. PM 6 - Não conheço bem o trabalho da
psicologia... o psicólogo se colocou à minha disposição, mas tive resistência em
procurá-lo, acredito que o militar de rua tem resistência em buscar assistência
psicológica, a não ser por imposição da instituição, mas se fosse recomendação do
psicólogo, eu iria. PM 7 - Considero excelente o atendimento da psicologia. O apoio
do Comandante do Batalhão e o acompanhamento psicológico foi fundamental...
ainda continuo em acompanhamento com a psicóloga (JESUÉ, 2013, p. 97).
Ao observar os resultados desse apoio psicológico ofertado a Polícia Militar em Minas
Gerais, entende-se que a iniciativa é necessária e urgente, remediadora e oportuna quando aceita
de boa vontade pelos militares, porém, ainda há um preconceito que permeia essa corporação,
no que diz respeito a relevância do apoio psicológico, além disso percebe-se também que o
serviço ofertado pode ser ressignificado, possibilitando melhorias no atendimento.
3 O SUPORTE PSICÓLOGICO À POLICIAIS MILITARES DO ESTADO DA BAHIA
No que concerne a PM no estado da Bahia, pode-se apontar que a fatalidade ocorrida
com o soldado PM Wesley Soares Góes, em 2021, levantou vários questionamentos sobre a
importância do apoio psicológico a classe militar. Todavia, tentativas de levantamento de
informações foram frustradas. Não se encontrou acesso a dados completos sobre a saúde mental
dos trabalhadores na Polícia Militar da Bahia nos meios virtuais oficiais do governo ou da
instituição. Há escassez de relatos, o que dificulta inclusive determinar o estado atual da PM
em relação à temática em debate. Se existentes, tais dados não são de domínio público. Cenário
contrário o que seria de se esperar, dadas as adversidades da profissão.
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Uma das informações levantadas foi um relato do jornal on-line Correios 24 horas 5, da Bahia,
veiculado em 2013, apresentando dados do Centro de Perícias Médicas Militares (CPMM).
Segundo o site de notícias, entre 2008 e 2012 a PM registrou 184 afastamentos definitivos e
temporários. Destes, mais de 40% (77) foram relacionados a transtornos mentais e de
comportamento.
O Diário Oficial da Bahia publicou, em dezembro de 2020, o edital 01/2020. Tratou-
se de abertura de vaga para concurso visando a contratação de vinte psicólogos para atuarem
em batalhões espalhados por toda a Bahia. Segundo Maurício Barbosa, atual secretário de
segurança pública da Bahia, em entrevista ao site Metrópole6 afirmou que há atualmente o
efetivo de cerca de 33 mil policiais.
Não há informações públicas sobre a existência de psicólogos contratados,
concursados ou não, antes da publicação desse edital. O disparate entre os números gera
importantes questionamentos sobre o atendimento psicológico à policiais militares do Estado
da Bahia. Vinte psicólogos seria apoio suficiente para todo o efetivo atual? Como se dão os
atendimentos? São tratados os casos encaminhados ou há atendimento por solicitação? Como
são estruturadas as sessões? Quais métodos são utilizados? Novamente, a busca de respostas
foi prejudicada pela ausência de dados públicos.
No que diz respeito a pesquisa realizada no Scielo, dos 37 artigos encontrados, nenhum
fala sobre tratamento psicológico a PMs. Do total, 15 tratam de temas fora da linha da pesquisa
(saúde mental). Dos 22 restantes, 9 abordam problemas psicológicos com policiais, constatando
existência e tipos, e 13 são pesquisas comportamentais. Porém, nenhum aborda a questão do
apoio psicológico dado aos policiais militares na Bahia.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É curioso observar que concursos públicos para o cargo de Policial Militar possuem
como uma de suas etapas, o exame psicológico. Ninguém discorda da importância desse exame,
dada a relevância da atividade, mas o estado mental saudável não é algo permanente. Ao
5
Disponivel em: Em quatro anos, 77 policiais foram afastados por transtorno mental - Jornal Correio
([Link]). Acesso: 24/10/2021
6
Disponivel em: Com efetivo de 33 mil PMs, secretário cita déficit de 12 mil policiais: "Ideal seria 45 mil" -
Metro 1 Acesso: 04/11/2021
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contrário, é fruto de uma contingência contínua de fatores, que englobam inclusive as condições
de trabalho.
Diante dessa realidade, e do levantamento de dados realizado, várias perguntas
surgem. O suporte psicológico só serve para permitir ao cidadão ingressar na corporação militar
e ter o porte seguro de arma? E quando esse militar necessita de amparo e apoio psicológico
para lidar com os estresses diários da profissão? Como é ofertado esse serviço aos militares?
Por que nem o Governo do Estado nem a própria Polícia Militar da Bahia disponibilizam
informações sobre o suporte psicológico aos policiais?
Claro que não se discute o sigilo dos tratamentos, mas a inexistência de dados
epidemiológicos e da estrutura procedimental do apoio é, no mínimo, intrigante. Ambas as
informações devem compor as políticas públicas de segurança, porque afetam diretamente o
interesse social. Ademais, como órgão público, a Polícia Militar deve ser transparente sobre a
forma como trabalha a saúde mental do policial. O que aconteceu com o soldado Wesley Góes
pode ser um caso à parte, um ponto fora da curva. Ou também pode ser visto como um sinal da
urgência e importância do tema.
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99
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