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Macrofauna Edáfica em Pomar no Pampa

Este trabalho analisa a macrofauna edáfica em um pomar no bioma Pampa, destacando a importância dos sistemas agroflorestais para a sustentabilidade e qualidade do solo. A pesquisa, realizada em 2019, utilizou amostragens e cromatografia para avaliar a diversidade da macrofauna, revelando que a fauna é mais abundante no inverno e no verão, além de indicar a necessidade de práticas de manejo que promovam a saúde do solo. Os resultados sugerem que a macrofauna pode servir como bioindicador da qualidade do solo e auxiliar na implementação de quintais agroflorestais.

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biancacristiele
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Macrofauna Edáfica em Pomar no Pampa

Este trabalho analisa a macrofauna edáfica em um pomar no bioma Pampa, destacando a importância dos sistemas agroflorestais para a sustentabilidade e qualidade do solo. A pesquisa, realizada em 2019, utilizou amostragens e cromatografia para avaliar a diversidade da macrofauna, revelando que a fauna é mais abundante no inverno e no verão, além de indicar a necessidade de práticas de manejo que promovam a saúde do solo. Os resultados sugerem que a macrofauna pode servir como bioindicador da qualidade do solo e auxiliar na implementação de quintais agroflorestais.

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL

UNIDADE SANTANA DO LIVRAMENTO


BACHARELADO EM AGRONOMIA

ANÁLISE DA MACROFAUNA EDÁFICA EM POMAR NO BIOMA PAMPA:


SUBSÍDIOS PARA IMPLANTAÇÃO DE QUINTAIS AGROFLORESTAIS

SANTANA DO LIVRAMENTO

2021
1

BIANCA CRISTIELI DA SILVA

ANÁLISE DA MACROFAUNA EDÁFICA EM POMAR NO BIOMA PAMPA:


SUBSÍDIOS PARA IMPLANTAÇÃO DE QUINTAIS AGROFLORESTAIS

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


apresentado como requisito parcial de
obtenção do título de Bacharel em Agronomia
na Universidade Estadual do Rio Grande do
Sul.

Orientadora: Prof.ª Dra. Adriana Carla Dias


Trevisan
Co-orientador: Prof. Dr. Marco Antonio
Benamú

SANTANA DO LIVRAMENTO
2021
2

Catalogação de Publicação na Fonte


S586a Silva, Bianca Cristieli da.
Análise da macrofauna edáfica em pomar no bioma Pampa: subsídios para
implantação de quintais agroflorestais. / Bianca Cristieli da Silva. – Santana
do Livramento, 2021.
41 f.

Orientadora: Profª. Drª. Adriana Carla Dias Trevisan.


Coorientador: Prof. Dr. Marco Antonio Benamú.

Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Estadual do


Rio Grande do Sul, Curso de Bacharelado em Agronomia, Unidade em
Santana do Livramento, 2021.

1. Bioindicadores. 2. Cromatografia. 3. Macrofauna. 4. Qualidade do solo.


5. Sistemas agroflorestais. I. Trevisan, Adriana Carla Dias. II. Benamú, Marco
Antonio III. Título.

Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema Bibliotecas da Uergs.


3

BIANCA CRISTIELI DA SILVA

ANÁLISE DA MACROFAUNA EDÁFICA EM POMAR NO BIOMA PAMPA:


SUBSÍDIOS PARA IMPLANTAÇÃO DE QUINTAIS AGROFLORESTAIS

Trabalho de conclusão de curso apresentado


como requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Agronomia na Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul.
Orientadora: Prof.a Dra. Adriana Carla
Dias Trevisan
Co-orientador: Prof. Dr. Marco Antonio
Benamú

Aprovado em: 29 / 01 / 2021

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________
Orientadora: Prof.a Dra. Adriana Carla Dias Trevisan
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS

_________________________________________
Prof. Dr. Cláudio Becker
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS

_________________________________________
Prof. Dr. Vagner [Link] Lopes da Silva
Universidad de la República del Uruguay – Udelar
CENUR Litoral Norte - Facultad de Agronomía
4

Primeiramente agradeço a Deus e a


minha família que me deu todo apoio
necessário para que esse sonho fosse realizado.
5

AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha família por todo apoio financeiro e emocional;


Agradeço aos meus amigos pelo apoio e ajuda no decorrer do trabalho;
Agradeço a minha orientadora por me proporcionar aprendizado, além da assistência
em todo momento, apesar dos momentos adversos enfrentados.
Agradeço a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) pela oportunidade
de aprendizado;
Agradeço a todos os professores que me passaram seus conhecimentos durante o
curso;
Agradeço a Universidade da República do Uruguai (UdelaR) pela parceria e
oportunidade de aprendizado.
6

RESUMO

Os sistemas agroflorestais promovem benefícios em modelos produtivos sustentáveis e


podem mitigar os impactos causados pelo manejo insustentável de produção agrícola
contemporânea. Isso ocorre em função de os SAFs promoverem a cobertura do solo,
aumentarem a ciclagem de nutrientes e a diversidade de organismos da fauna edáfica. A fauna
edáfica promove serviços ecossistêmicos a partir do acionamento de diversas funções
ecológicas no agroecossistema e a sua presença ou ausência pode ser considerada como
bioindicador da qualidade do solo e do impacto em diferentes sistemas de manejo. Este
trabalho teve como objetivo caracterizar a diversidade da macrofauna edáfica por meio de
amostragens aliada a aplicação da cromatografia de Pfeiffer em um pomar em Santana do
Livramento (RS) localizado no Campus Rural da UERGS. Para avaliação da fauna edáfica
foram realizadas coletas em dois períodos em 2019 a partir de dois transectos com dez
amostras aleatórias. Para a cromatografia de Pfeiffer foi realizada uma amostra composta de
cinco amostras aleatórias. As amostras coletadas foram levadas e processadas no Laboratório
de Sistemas Agroalimentares Sustentáveis da UdelaR/Cenur-Noroeste sede Rivera. A
macrofauna foi mais abundante e diversificada no inverno no transecto situado na parte mais
alta do pomar e no verão na porção mais baixa. Os cromatogramas revelaram que o solo da
área é de textura arenosa com sinais de compactação superficial e baixa taxa de mineralização
de matéria orgânica. A avaliação da macrofauna do solo, especialmente, de seus grupos
funcionais, aliado a técnica de cromatografia pode ser um instrumento para diagnosticar o
estado de saúde do solo. Esta abordagem pode ser convertida em indicadores para a promoção
de sistemas produtivos biodiversos, especialmente quintais agroflorestais que, de forma
condicional, prevê o componente perene no sistema.

Palavras-chave: bioindicadores, cromatografia, macrofauna, qualidade do solo, sistemas


agroflorestais.
7

RESUMEN

Los sistemas agroforestales promueven beneficios en los modelos de producción


sostenible y pueden mitigar los impactos causados por la gestión insostenible de la
producción agrícola contemporánea. Esto se debe al hecho de que los SAFs promueven la
cobertura del suelo, aumentan el ciclo de nutrientes y la diversidad de organismos de la fauna
edáfica. La fauna edáfica promueve servicios ecosistémicos basados en la activación de varias
funciones ecológicas en el agroecosistema y su presencia o ausencia puede considerarse como
un bioindicador de la calidad del suelo y del impacto en los diferentes sistemas de manejo. El
objetivo de esta investigación es profundizar en la caracterización de la macrofauna edáfica
por medio de muestreos del perfil del suelo en conjunto con la técnica de cromatografía de
Pfeiffer en un área con frutales en Santana do Livramento (RS). Para la valoración de la fauna
edáfica se realizaron dos periodos de colecta en el año 2019, en dos transectos y diez muestras
aleatorias. Para la cromatografía de Pfeiffer, una muestra se compuso de cinco muestras
aleatorias. Las muestras recogidas fueron tomadas y procesadas en el Laboratorio de Sistemas
Agroalimentarios Sostenibles de UdelaR/CENUR-Noroeste sede Rivera. Los cromatogramas
revelaron que el suelo de la zona tiene una textura arenosa con compactación superficial y
baja tasa de mineralización de materia orgánica. La macrofauna fue más abundante y
diversificada en invierno en el transecto ubicado en la parte más alta del predio y en verano en
la parte más baja. La evaluación de la macrofauna del suelo, especialmente de sus grupos
funcionales, combinada con la técnica de cromatografía, puede ser un instrumento para
diagnosticar el estado de salud del suelo. Este enfoque puede convertirse en indicadores para
la promoción de sistemas productivos biodiversos, especialmente los quintales agroforestales
que, condicionalmente, proveen el componente perenne del sistema.

Palabras-clave: bioindicadores, calidad del suelo, cromatografía, macrofauna, sistemas


agroforestales.
8

LISTA DE TABELAS

Tabela 1-Número de indivíduos por grupo funcional ........................................................................... 27


Tabela 2- Relação entre frequência relativa (FR) por ordem taxonômica............................................. 29
Tabela 3- Relação entre densidade relativa (DR) nos distintos períodos de coleta ............................... 32
Tabela 4- Relação entre riqueza, abundância e índices de diversidade ................................................. 34
9

LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Localização do pomar em Santana do Livramento ............................................................... 19


Figura 2 – Etapas de elaboração da cromatografia de Pfeiffer.............................................................. 22
Figura 3 - Etapas da coleta da macrofauna edáfica ............................................................................... 24
Figura 4 - Cromatogramas dos transectos ............................................................................................ 25
10

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Síntese dos dados dos cromatogramas dos transectos ....................................................... 26


Gráfico 2 - Total de indivíduos no quintal. .......................................................................................... 27
Gráfico 3 - Relação entre densidade absoluta e os grupos funcionais nos diferentes transectos nos
períodos de inverno e verão.................................................................................................................. 30
Gráfico 4 - Índices de diversidade e equitabilidade. ........................................................................... 33
11

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 12

2. OBJETIVOS ................................................................................................................................... 15

2.1 OBJETIVO GERAL ...................................................................................................................... 15

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ......................................................................................................... 15

3. REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................................................... 16

4. MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................................... 19

4.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA ................................................................................................ 19

4.2 LEVANTAMENTO DE DADOS .................................................................................................. 20

4.2.1. Cromatografia de Pfeiffer ........................................................................................................ 20

4.2.2. Macrofauna edáfica .................................................................................................................. 22

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................................... 25

5.1. CROMATOGRAFIA DE PFEIFFER ........................................................................................... 25

5.2 MACROFAUNA EDÁFICA ......................................................................................................... 26

6. CONLUSÕES ................................................................................................................................. 35

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................... 36


12

1 INTRODUÇÃO

Os sistemas agroflorestais (SAFs) são arranjos produtivos que, em sinergia com os


recursos naturais e os conhecimentos locais, promovem a biodiversidade a partir da utilização
de espécies botânicas perenes e não perenes, podendo agregar ou não animais ao sistema
produtivo (TREVISAN; BENAMU; SILVA, 2020). Os SAFs promovem benefícios em
modelos produtivos sustentáveis e podem mitigar os impactos causados pelo manejo
insustentável de produção agrícola contemporânea (DE FREITAS et al., 2018). Isso ocorre
em função de que os SAFs promovem a cobertura do solo, aumentam a ciclagem de nutrientes
e diminuem a depleção de minerais, incrementando a produtividade do sistema agropecuário
(BARISAUX, 2017; CANUTO, 2017). Os quintais agroflorestais são SAFs com propósito
múltiplo que se localizam próximo às residências e tem garantido a segurança nutricional e
alimentar bem como promovido a geração de renda e sustentabilidade no uso da terra
(MBOW et al., 2014). Assim, os SAFs no território do Pampa são estratégicos no sentido de
mitigar os efeitos deletérios do modelo de intensificação produtiva bem como promover a
adaptação à realidade cada vez mais acentuada de variabilidade climática.
O solo é um recurso natural não renovável, um ambiente vivo e dinâmico que fornece
sustento a todos os organismos vivos e onde ocorrem processos fundamentais aos
ecossistemas e agroecossistemas tais como: ciclagem das águas, carbono, nitrogênio e
fósforo. A seleção e aplicação de indicadores que reflitam a sua qualidade respondem à
necessidade de proteção dos serviços ecossistêmicos em função da crescente deterioração
ambiental (CABRERA-DÁVILA, 2014). A qualidade do solo é condição básica para qualquer
tipo de sistema produtivo e pode ser definida como a capacidade funcional do
agroecossistema no sentido de sustentar a sobrevivência e crescimento de plantas e animais
(BARETTA et al., 2010). A perda da função ecológica do solo pode ser monitorada a partir
de indicadores, tal como a presença ou ausência da macrofauna, a qual indica tanto o grau de
qualidade como de distúrbio do local. O termo macrofauna refere-se a invertebrados maiores
que 10 mm de comprimento e/ou 2 mm de largura, tais como Oligochaeta, Isopoda,
Hymenoptera, Chilopoda, Diplopoda, Isoptera, Coleoptera, Araneae e Gastropoda
(VASCONCELLOS et al., 2013).
A fauna do solo tem alta sensibilidade às modificações biológicas, físicas e químicas,
resultantes das diferentes práticas de manejo do solo e de cultivo, interferindo na dinâmica de
populações da macrofauna edáfica local (BARETTA et al., 2011; VIÑAS 2020). A
13

macrofauna do solo inclui mais de 20 grupos taxonômicos (minhocas, cupins, formigas,


centopéias, tesourinhas, grilos, baratas etc.) que consomem solo (geófagos), matéria orgânica
(humívoros), serrapilheira (detritívoros), madeira (xilófagos), raízes (rizófagos), animais
(parasitas/predadores) e fungos (fungívoros), com dimensões acima de 10,0 mm de
comprimento e 2,0 mm de diâmetro (DEVIDE & CASTRO, 2015). Os organismos que
compõem a macrofauna do solo atuam comoengenheiros do ecossistema, pois influem na
disponibilidade de recursos para outros organismos, escavam, ingerem e transportam material
mineral e orgânico do solo; assim, produzem estruturas biogênicas e promovem a diversidade
biológica de outros grupos tróficos (DEVIDE & CASTRO, 2015).

Os macroinvertebrados edáficos atuam nas propriedades físicas, biológicas e químicas


do solo, tais como: matéria orgânica, umidade, compactação e porosidade. Nessa dinâmica
entre componentes das comunidades biológicas destaca-se a forte relação entre a diversidade
das comunidades de plantas e da fauna edáfica (AMAZONAS et al., 2018; AYUKE et al.,
2009) e a alta susceptibilidade que a macrofauna do solo tem com às mudanças na cobertura
vegetal (LAVELLE, SENAPATI, BARROS, 2003). Nesse sentido, a fauna edáfica pode ser
considerada como bioindicador da qualidade ou fertilidade do solo e do impacto em diferentes
sistemas de manejo (CABRERA-DÁVILA, 2014; LAVELLE, SENAPATI, BARROS, 2003)
e devido à alta suscetibilidade da macrofauna às mudanças na cobertura vegetal e as
consequentes mudanças nas variáveis ambientais locais, muitos autores propõem seu uso
como indicadores de qualidade ou alteração ambiental (LAVELLE, SENAPATI, BARROS,
2003).
A cromatografia é um método de análise que determina a intensidade de vida no solo
por meio do catabolismo e anabolismo microbiano e expressa em formas e colorações
distintas nos cromatogramas (RESTREPO RIVERA & PINHEIRO, 2011). Os autores citados
destacam que as análises de solo convencionais, não são capazes de descrever os nutrientes
que estão de fato disponíveis para as plantas. Como é necessário que a vida no solo facilite o
acesso das plantas aos nutrientes é recorrente o fato de um agricultor obter um laudo de boa
qualidade químico-física e de quantidade de minerais, e, mesmo assim, identificar baixa
produtividade (PRIMAVESI; PRIMAVESI, 2018). A rápida avaliação da qualidade do solo é
uma importante estratégia no planejamento agrícola, possibilitando a identificação e o
aprimoramento de sistemas de manejo com características de alta produtividade e de
preservação ambiental (AMADO et al., 2007). Assim, essa técnica alia-se a dimensão da
14

diversidade da macrofauna do solo na direção de conduzir processos de tomada de decisão


para manejo e uso do solo.
Nesse sentido, o solo, para o bioma Pampa é o gatilho para diversas funcionalidades
ecológicas no sistema produtivo e a presença de organismos da macrofauna edáfica confere
uma dinâmica de processos essenciais à fertilidade do solo e controle populacional de
espécies indesejáveis (PRIMAVESI; PRIMAVESI, 2018). Assim, uma maior estabilidade
entre as comunidades florísticas e edáficas benéficas é promovida em SAFs, uma vez que os
elementos lenhosos cedem resíduos, folhas e frutos, que, ao caírem no solo, são decompostos
pela fauna edáfica local. Numa dinâmica entre plantas e solo, esse processo aumenta o teor de
matéria orgânica do solo, promove o aumento da fertilidade, a disponibilização de nutrientes
às plantas e, o manejo de sombra, faz com que espécies pioneiras indesejáveis não sejam
dominantes (DEVIDE & CASTRO, 2015; SWIFT & BIGNELL, 2001).
Diante do exposto, promove-se uma ênfase às estratégias conectadas de produção
agrícola de base ecológica e de conservação do Pampa a partir da utilização de sistemas
biodiversos com alta estabilidade às perturbações. A promoção do conhecimento e utilização
da macrofauna do solo associada a técnica da cromatografia junto aos agricultores familiares é
de extrema importância, pois pode ser uma alternativa para verificação da qualidade do solo,
sem a necessidade de tecnologias avançadas. Este projeto está inserido em um projeto mais
amplo chamado “Uso da Biodiversidade e Atributos Funcionais como Instrumentos Práticos
de Manejo em Quintais Agroflorestais no Pampa” liderado pelo grupo de pesquisa Ecologia
dos Saberes em Agroecossistemas do bioma Pampa-Ecos do Pampa. Tal projeto tem por
objetivo a caracterização de pomares de frutíferas, estabelecidos em propriedades de
agricultores familiares no Pampa, visando a avaliação da importância da biodiversidade de
espécies botânicas perenes e a implantação de quintais agroflorestais. Os pomares escolhidos
estão em transição para a intensificação ecológica e o grupo de pesquisa vem incentivando os
agricultores com o conhecimento e fornecimento de mudas de arbóreas nativas do bioma
Pampa. Os dados coletados por esse projeto buscam uma base para análise da correlação entre
a diversidade acima e abaixo do solo, ou seja, da macrofauna edáfica e da flora espontânea, e
a produtividade dos pomares. Além das propriedades de agricultores familiares, foi
estabelecido como testemunha, um pomar localizado no Campus Experimental da UERGS.
Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo a avaliação da qualidade biológica
do solo de um pomar de caquizeiros estabelecidos há 50 anos no Campus Experimental da
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul em Santana do Livramento como instrumento
balizador para posterior implantação de SAFs.
15

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Caracterização da qualidade do solo a partir da determinação da macrofauna edáfica e


aplicação da técnica de cromatografia de Pfeiffer em um pomar em Santana do Livramento
(RS) como instrumento para a implantação de quintais agroflorestais na região.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Caracterizar a comunidade de macrofauna em duas estações do ano no pomar do


Campus da UERGS;
2. Caracterizar a riqueza e abundância da macrofauna edáfica;
3. Confeccionar cromatogramas do solo.
16

3 REFERENCIAL TEÓRICO

Os solos são recursos naturais não renováveis de grande importância tanto pelos
serviços ecossistêmicos intrínsecos quanto por ser a fonte de alimento para grande parte dos
seres vivos, incluindo os seres humanos (FAO; GTIS, 2015). Dessa forma, é essencial a
manutenção da qualidade do solo, entendida como a sua capacidade de conservar
continuamente a produtividade dos ecossistemas e agroecossistemas. Na atualidade, é comum
o processo de deterioração desse importante recurso natural que, segundo diversos autores, se
refere a perda ou decréscimo do potencial e capacidade produtiva, biológica e/ou econômica
desse recurso (MVOTMA, 2014). Esse processo de deterioração tem sido resultante do
modelo preponderante de intensificação agrícola em que há diminuição do carbono orgânico
do solo, redução da biomassa microbiana e dos processos de ciclagem de nutrientes, gerando
assim, um desserviço ao sistema (WILLIAMS & HEDLUND, 2014).
Os solos guardam imensa diversidade biológica a qual podemos classificar como
microflora, microfauna, mesofauna e macrofauna (GARCÍA & BELLO, 2004). A fauna do
solo ou fauna edáfica é formado por animais invertebrados, que passam toda ou parte de sua
vida no perfil do solo, em sua superfície, na serapilheira ou nos restos culturais em
decomposição (CABRERA; RIVERO; VIGOA,2015). A fauna edáfica se destaca como um
dos principais componentes do solo e é composta por grupos que desempenham diversas
funções no sistema solo, tais como: modificação de sua estrutura por construção de galerias
(ANDERSON, 1988), transformação da matéria orgânica e ciclagem de nutrientes (GARCÍA
& BELLO, 2004). Segundo Huber & Morselli (2011), os organismos da macrofauna edáfica
contribuem para a avaliação de manejos e sistemas de produção agrícola. A macrofauna
edáfica pode colaborar para o desenvolvimento de estratégias de recuperação do solo ou
mitigação de danos causados ao solo devido a manejos inadequados (ROVEDDER et al.,
2009).
A fauna do solo pode ser classificada de acordo com vários critérios, incluindo sua
taxonomia, funcionalidade, hábitos alimentares e diâmetro corporal. Para além da
classificação de acordo com o tamanho dos organismos que a compõem, a classificação de
acordo com os diferentes papéis que desempenham no solo emerge como muito importante ao
manejo. Nesse sentido, identifica-se no solo os seguintes grupos funcionais: predadores -
organismos que se alimentam de outros organismos vivos, detritívoros – organismos que
participam do processo de decomposição, fitófagos - aqueles que se alimentam de material
17

vegetal vivo, e, engenheiros do solo - que modificam as propriedades físicas do solo


(CABRERA; ROBAINA; PONCE DE LEON, 2011).
A composição dos grupos funcionais no solo varia em composição, abundância e
diversidade, dependendo do grau de distúrbio identificado. A variação do grau de distúrbio é
diretamente relacionada com o processo de mudança no uso do solo, fato que possibilita
utilizar a identificação dessas comunidades como bioindicadores de qualidade ou alteração
ambiental (CABRERA, 2012). O solo deteriorado não tem vida, é apenas um substrato, e, ao
incorporarmos matéria orgânica, como em SAFs, agregamos vida a este solo. Assim, com a
presença de água os microrganismos se desenvolvem a partir do consumo de matéria orgânica
e consequente processo de crescimento populacional. Cria-se a trama da vida entre
microrganismos, matéria orgânica e minerais do solo, um conjunto inseparável para
compreensão da profundidade natural da vida. São os microrganismos que vivificam e
mobilizam os nutrientes que se encontram nos solos para disponibilizá-los às plantas
(RIVERA, 2014).
Nesse sentido, o manejo adequado do solo exige compreensão das interações inerentes
a este sistema, busca por intervenções menos agressivas a fim de preservar o seu equilíbrio no
sentido de promover uma coesão entre matéria orgânica, minerais e microrganismos. Assim, o
agroecossistema em equilíbrio se torna resiliente, isto é, consegue se restabelecer após um
período de estresse demandando menos energia e insumos externos (ALTIERI, 1998).
Segundo Zerbino (2005) a riqueza, a diversidade, a equitabilidade e a predominância dos
diferentes grupos funcionais componentes da macrofauna do solo variam de acordo com a
intensidade e frequência de perturbação. O autor ainda destaca que a avaliação da macrofauna
pode ser uma ferramenta útil para avaliar a sustentabilidade das inovações tecnológicas no
manejo do solo. Para a estimativa da qualidade do solo, têm-se adotado o uso de indicadores,
atributos que permitem examinar a sustentabilidade do agroecossistema por meio de
parâmetros físicos, químicos e biológicos. O diagnóstico qualitativo permite avaliação e
regulação dos manejos adotados, assegurando tomada de decisões mais conscientes dos
processos que envolvem o sistema agrícola (GRACIANO, 2018).
Ao entender que as características de um solo, bem como a sua qualidade são
determinadas em grande parte pelos organismos nele existentes torna-se evidente a
interferência desses organismos nos processos de decomposição bem como na textura,
estrutura e capacidade de retenção de água do solo (CORREIA & OLIVEIRA, 2000). Com
isso, a partir da caracterização desses organismos existentes no solo, a técnica de
Cromatografia de Pfeiffer (CP), apesar de pouco difundida, pode ser uma grande aliada nos
18

processos de tomada de decisão de manejo agrícola. A CP consiste em um método refinado de


análise integrada das dimensões físicas, químicas e biológicas do solo, permitindo que
técnicos e agricultores percebam as carências e qualidades do solo (PILON et al., 2014). Por
meio da perspectiva de alternativas para a análise de solos, a cromatografia pode ser utilizada
como ferramenta para este fim, sendo esta, um holograma da saúde do solo (NOVAES et al.,
2017). No cenário da agricultura, a CP, surge como uma análise eficiente, simples e de baixo
custo, trazendo autonomia ao pequeno agricultor rural (CARMO et al., 2019).
19

4 MATERIAL E MÉTODOS

4.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA

O presente estudo é uma parceria entre a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul
(UERGS) e a Universidade da República do Uruguai (UdelaR). O trabalho foi realizado no
Campus Rural da UERGS no pomar composto por uma única espécie frutífera, o caqui
(Diospyros sp.) cujo plantio foi realizado há aproximadamente 50 anos pela extinta Fundação
Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO) sem identificação varietal da espécie
utilizada (figura 1). Em função deste projeto estar inserido em um projeto maior, que objetiva
a implantação de quintais agroflorestais a partir de pomares implantados há mais de 10 anos,
o presente pomar foi denominado de quintal 1 (Q1). No escopo do projeto, Q1 representa a
área testemunha ou de manejo controlado, quando comparado aos pomares nas áreas de
agricultores familiares.
Figura 1- Localização do pomar em Santana do Livramento

Fonte: Google Earth (2021)


O Q1 situa-se nas coordenadas 30º52’ 34.03” S e 55º25’ 55.40” O. A região possui um
relevo suave ondulado, solos do tipo argisolo vermelho distrófico abrúptico, A moderado,
textura arenosa/média, fase relevo suave ondulado (FLORES et al., 2007). Segundo
classificação de Köppen o clima é tipo Cfa com temperaturas médias que variam entre 15°C a
18°C, com mínimas de até -10°C e máximas de 40°C e precipitações médias anuais de 1.500
20

mm (SPGG-RS, 2021). A área na qual se encontram as plantas de caqui totaliza 1008 m 2, com
declividade moderada e estão inseridas dentro da área do Campus Rural da UERGS, que
possui 28,5 ha.
O pomar possui 37 caquizeiros espaçados com aproximadamente 6×6 metros.
Segundo registros da antiga gestão, há pelo menos 30 anos não é realizado tratos culturais
fundamentais, como podas de limpeza e formação, por essa razão alguns indivíduos estão
infestados por erva de passarinho (Struthanthus flexicaulis). Porém, mesmo sem realizar um
manejo adequado da área, são plantas que têm uma produção notória, com frutos sadios, com
ótima qualidade, de tamanho adequado, sanidade boa e sabor adocicado. Ao redor do caquizal
existe uma cortina de ciprestes (Cupressus sempervirens) com espaçamento frontal de 7 m e
lateral de 15 m na direção sudeste. Em decorrência do presente projeto, e, aliando a disciplina
de Sistemas Agrossilvopastoris, no mês de setembro de 2019 realizou-se uma limpeza na área
em estudo e, com o auxílio de tesouras e serrotes, foram efetuadas podas de limpeza nas
árvores, cortando-se galhos e ramos improdutivos, secos e doentes. Também foram retirados
galhos que estavam direcionados para o centro da árvore, para melhor desenvolvimento e
renovação dos caquizeiros.

4.2 LEVANTAMENTO DE DADOS

Para a realização da amostragem da macrofauna edáfica foram delimitados transectos


aleatórios de 5 m × 25 m, e coletadas amostras de perfil do solo de 0-10cm, de 10-20cm e nas
armadilhas pitfall. O Q1 foi estratificado em dois transectos devido ao relevo diferenciado (T1
e T2), assim o Q1 foi designado como Q1T1 e Q1T2. Foram realizadas duas épocas de coleta
no ano de 2019, uma no inverno no mês de julho outra no verão em final de dezembro. Além
das amostragens do perfil do solo, dentro dos transectos foi realizada uma amostragem
aleatória de cerca de 250 g de solo em uma profundidade de 20 cm para aplicação do método
de cromatografia de Pfeiffer (RESTREPO RIVERA & PINHEIRO, 2011; PILON, et al.,
2018). As amostras compostas coletadas foram levadas e processadas no Laboratório de
Sistemas Agroalimentares Sustentáveis da UdelaR/Cenur-Noroeste (sede Rivera).

4.2.1. Cromatografia de Pfeiffer

Inicialmente foram retiradas pedras, galhos e outros resíduos das amostras de solo e
secos à sombra. Após secagem, as amostras foram moídas em almofariz com pistilo,
21

peneiradas em tecido de voal e retirada subamostras de 5gr cada. Em seguida, cada


subamostra foi inserida em um frasco de Erlenmeyer com 50 ml de solução extratora de
hidróxido de sódio PA (NaOH) a 1% em água destilada, previamente elaborada. A solução
resultante foi agitada manualmente, na primeira hora a cada 15 minutos e depois a cada hora,
totalizando um período de 6 horas. Durante o repouso da solução, foi processada a perfuração
central (2 mm) no papel de filtro circular (Whatman nº1) além de duas marcações a lápis, uma
a 4 cm e outra a 6 cm do centro. Em seguida um pavio de 2 cm × 2 cm, confeccionado com o
próprio papel filtro, foi inserido na perfuração central do círculo. Em seguida, o papel filtro
foi colocado sobre uma placa de Petri com 3 ml de solução de nitrato de prata (AgNO3) a 5%
e, quando essa solução reveladora atingiu, por umedecimento, a marca de 4 cm do centro, foi
retirado o pavio e o filtro circular foi colocado em uma caixa escura para secagem. Em
seguida, realizou-se o mesmo procedimento do papel filtro e placa de Petri, contudo, na placa
foi adicionado 5 ml do material sobrenadante da solução solo + NaOH a 1% decantada por 6
horas e o filtro com AgNO3 a 5% seco. O cromatograma foi revelado no momento em que a
solução do solo alcançou a marca de 6 cm, aí retirou-se o pavio e colocou os cromatogramas
para secar. Para interpretação dos dados dos cromatogramas, elaborou-se um gráfico
considerando as seguintes variáveis: matéria orgânica, metabolização mineral, atividade de
microrganismos, compactação do solo e umidade do solo. Para elaboração do mesmo foi
utilizada uma pontuação de 0-2 por descritor de qualidade do solo sendo que 0 representou as
condições menos desfavoráveis e 2 as mais favoráveis. Na figura 1 pode ser observado os
registros fotográficos dos procedimentos realizados.
22

a b

c d

e f

Figura 2 – Etapas de elaboração da Cromatografia de Pfeiffer


a) preparação do papel filtro, b) solução de AgNO3 0,5%, c) perfuração central do papel
filtro, d) impregnação de AgNO3 no papel filtro, e) soluções de AgNO3 e do solo com
NaOH 1%, f) cromatograma em revelação. Fonte: autora (2021).

4.2.2. Macrofauna edáfica

O método utilizado à avaliação macrofauna do solo foi o Tropical Soil Biology and
Fertility (BAILLIE et al., 1990). Assim, foi utilizado um gabarito de aço de 25 cm × 25 cm
para delimitar cinco amostras por transecto. O trabalho de campo (Figura 2) foi realizado por
uma equipe de sete estudantes da UERGS e UdelaR, dois funcionários da UdelaR e uma
docente da UERGS. No momento de colocação do gabarito de aço, primeiramente foi retirada
uma amostra da serrapilheira presente e ensacada. Após a amostragem da serrapilheira, com o
23

auxílio de uma marreta, o gabarito de aço foi inserido ao solo e retiradas subamostras nas
camadas de 0-10 cm e 10-20 cm de profundidade do perfil do solo. No momento de coleta das
amostras foram instaladas armadilhas tipo pitfall para a captura da macrofauna que atuam na
interface solo-serrapilheira. O método consiste na disposição de recipientes plásticos de 10 cm
de altura por 10 cm de diâmetro ao nível do solo para que os animais, ao se locomoverem,
caiam nos recipientes contendo solução de NaCl saturada e detergente, para após serem
identificados e contabilizados (HEISLER & KAISER, 1995).

Após a coleta das amostras de solo, o material foi imediatamente processado em


laboratório a partir da separação, contagem e identificação dos organismos. Para a
determinação dos diferentes organismos, foram utilizados microscópios estereoscópicos
binoculares, guias taxonômicos e chaves sistemáticas para a macrofauna. Posteriormente, foi
realizada a caracterização e determinação dos grupos funcionais correspondentes à
macrofauna edáfica, de acordo com a bibliografia de Varela; Cortés; Cotes (2007); Cabrera,
Robaina, De Leon (2011); Matienzo et al. (2015). Após identificação taxonômica foi
realizada a classificação dos indivíduos em quatro grupos funcionais, a saber: engenheiros do
solo, detritívoros, fitófagos e predadores. O material coletado nas armadilhas foi retirado no
sétimo dia e processado o mesmo procedimento descrito para as amostras do perfil do solo.
Todo o material foi processado e armazenado em álcool etílico 75% no Laboratório de
Ecotoxicología de Artrópodos Terrestres da UdelaR/CENUR-Noroeste (sede Rivera). A
análise estatística dos dados se deu por transecto e por época de coleta a partir do programa
PAST 3.5 (Øyvind, 2019). Foram realizados os dados de riqueza taxonômica, abundância nos
níveis de ordens e de grupos funcionais. Foram analisados os dados de riqueza e abundância e
estabelecida uma análise das frequências e densidades absolutas e relativas a nível de ordens e
grupos funcionais. Também foram estimados os parâmetros de diversidade por meio dos
índices de Shannon e Weaver (SHANNON & WEAVER, 1949) e de equidade de Pielou
(PIELOU, 1969).
24

Figura 3 - Etapas da coleta da macrofauna edáfica

a b c

d e f

g h
a) medição do transecto com fita métrica, b) inserção do gabarito metálico no solo, c)
retirada do gabarito do solo, d) retirada do solo das amostras de solo, e) armadilha pitfall,
f) separação da macrofauna, g) conservação da macrofauna em tubetes, h) identificação da
macrofauna. Fonte: autora (2021).
25

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. CROMATOGRAFIA DE PFEIFFER


Visualmente, o solo das áreas mostrou-se de textura arenosa, com sinais de
compactação superficial (Figura 3).
Figura 4 - Cromatogramas dos transectos

Fonte: autora (2021).

Segundo Restrepo Rivera & Pinheiro (2011) a descrição se faz com base nas quatro
zonas do cromatograma e seus respectivos tamanhos, forma e cores reveladas. Enquanto
colorações em amarelo, dourado alaranjado, avermelhado ou café claro refletem um estado
evolutivo e saudável do solo, as cores de café escuro revelam solos em mineralização de
matéria orgânica e os tons negros, cinza pardo escuro, lilás e azulados demonstram condições
não desejáveis do solo. A análise cromatográfica comparativa entre os transectos revelou a
qualidade dos solos, usando uma pontuação de 0-2 para descrever de forma crescente a
qualidade das variáveis utilizadas: presença de matéria orgânica, condição de umidade, nível
de metabolização mineral e de atividade biológica (Gráfico 1).
26

Gráfico 1 - Síntese dos dados dos cromatogramas dos transectos

Fonte: autora (2021).

Conforme visto no Gráfico 1, os dois transectos no pomar (Q1T1 e Q1T2) a zona


central se distingue, pois, Q1T2 tem uma condição de maior umidade quando comparado ao
Q1T1. Isso se deve a Q1T2 estar posicionado topograficamente em local mais baixo, local
onde há acúmulo de água e, com destaque, o cromatograma demonstrou a presença de
microrganismos de vida ligados ao metabolismo do enxofre, ligados a ambientes com maior
umidade. Neste sentido, Q1T1 demonstra estar melhor oxigenado, contudo, com menor
atividade microbiológica, pois o tamanho da zona é menor quando comparado ao tamanho de
Q1T2. A zona mineral dos dois transectos demonstram solos profundos e compactados, com
mediana metabolização mineral. Na zona intermediária, com relação a metabolização, estes
solos apresentam fragilidade mediana pois, apesar de indicar presença de matéria orgânica,
ela foi adicionada e não é “nativa” do solo, gerando assim uma mediana atividade biológica
para ambos transectos. Essa realidade de presença de matéria orgânica, metabolização e
atividade biológica está relacionado ao fato de que na área de estudo não há manejo cotidiano
de retirada das folhas e galhos e ainda, há aporte de resíduos provenientes de animais que
visitam fortuitamente esse local.

5.2 MACROFAUNA EDÁFICA


Os números de indivíduos resultantes dos levantamentos realizados nas temporadas de
inverno e verão podem ser observados na descrição a seguir no Gráfico 2 e Tabela 1.
27

Gráfico 2 - Total de indivíduos no quintal.

Fonte: autora (2021). AP=armadilha Pitfall

Dentro do quantitativo apresentado no Gráfico 1, foram identificados 21 grupos


taxonômicos no inverno e 10 no verão no Q1T1, 11 grupos taxonômicos no inverno e 12 no
verão no transecto Q1T2. Nas armadilhas em Q1T1 foram registrados 12 grupos taxonômicos
no inverno e 10 no verão e em Q1T2, 15 grupos taxonômicos no inverno. Dentro dos grupos
funcionais encontrados nos transectos no inverno 7,2% são predadores; 5,6% detritívoros;
31,9 fitófagos e 55,3% engenheiros do solo e no verão 10,1% predadores; 24,5 fitófagos e
65,4% engenheiros do solo, não encontramos indivíduos do grupo detritívoros (Tabela 1)

Tabela 1 - Número de indivíduos por grupo funcional. AP=armadilha “Pitfall”

INVERNO VERÃO
Grupo Funcional
Q1T1 Q1T2 APQ1T1 APQ1T2 Q1T1 Q1T2 APQ1T1
Predadores 9 5 6 6 6 6 4
Detritívoros 3 0 6 11 0 0 0
Fitófagos 52 44 9 10 14 14 11
Engenheiros do solo 119 19 16 45 48 48 8
Fonte: autora (2021)

Quanto a macrofauna amostrada no perfil do solo no período do inverno e verão,


percebeu-se que a maior abundância de indivíduos identificada em Q1T1 tende estar
relacionada a estrutura vegetal existente no local, fato que tem sido objeto de avaliação
juntamente com os outros projetos em andamento pelo grupo de pesquisa Ecos do Pampa.
Q1T1 possui visivelmente maior diversidade de espécies botânicas espontâneas enquanto
28

Q1T2 possui solo úmido e com erosão nas margens. Nesse aspecto, no município de
Esperantina, Piauí, sistemas heterogêneos quando comparados a cultivos homogêneos,
demonstraram uma melhor qualidade do solo proporcionando um aumento na fauna edáfica,
principalmente devido a cobertura do solo (LIMA et al., 2010). Os resultados desse estudo
sugerem que a intensidade de uso e de manejo do solo afetam a diversidade florística e
consequentemente a abundância da macrofauna do solo. Destaca-se ainda, que em relação a
cobertura do solo o Q1T1 também se destacou, pois, ao apresentar maior diversidade e
abundância vegetal no ambiente, a serrapilheira era também visivelmente maior e mais
desenvolvida, especialmente no inverno.
Quanto aos resultados da macrofauna presente sobre o solo, capturadas nas armadilhas
Pitfall os resultados demonstram que Q1T2 obteve maiores valores no inverno, contudo, no
verão não foi registrado nenhum indivíduo. Acredita-se que Q1T2 se destacou em função da
menor proporção de vegetação encontrada no local o que promoveu maior possibilidade de
mobilidade de organismos sobre o solo, o que induz a uma maior taxa de queda dos mesmos
nas armadilhas. No período do verão a inexistência de registros se deve a destruição das
armadilhas devido ao trânsito fortuito de animais na área, fazendo com que as armadilhas
fossem destruídas pelo pisoteio destes animais.
Os resultados demonstraram que no verão houve um decréscimo dos indivíduos em
relação ao inverno. Esse fato tende a ser explicado em função das altas temperaturas e falta de
precipitação registradas no verão do referente estudo, prejudicando o aumento dos organismos
nestes locais. Em contraponto, em estudos realizados em Santa Maria (RS) os dados
resultantes foram contrastantes aos apresentados nesse estudo, ou seja, a maior incidência de
indivíduos da macrofauna foi identificada no verão (GIRACCA et al., 2008). Em Q1T1 foi
registrado maior quantidade de indivíduos em comparação ao Q1T2, porém houve uma
predominância de indivíduos na camada superficial do solo em ambos os períodos de coleta,
sendo a maioria dos indivíduos formigas, besouros e cupins.
A Tabela 2 apresenta uma síntese da frequência relativa por ordem taxonômica nas
amostras das camadas de perfil do solo e armadilhas nos dois períodos de coleta. Os
resultados demonstram que as ordens mais presentes em todas as amostras nos dois períodos
de coleta foram Coleoptera e Hymenoptera. Destaca-se as ordens de menor frequência
descrita na Tabela 2 a saber em Q1T1 no inverno o resultado foi de: na camada 0-10 cm
Lepidoptera 2,6%; Hemiptera 1,2%; Dermaptera 0,6%, no Q1T2 Lepidoptera 7,3%,
Dermaptera 2,4% e nas armadilhas Lepidoptera e Anellida, ambas com 2,7% cada. No
período do verão as ordens de baixa frequência em Q1T1 foi: na camada 0-10 cm Aracnida
29

1,9 e Myriapoda 1,9%; Q1T2 Isopodos 8,3% e Myriapoda com 16,6% e nas armadilhas no
Q1T1 Diptera e Isopoda 1,5% cada e Q1T2 não obteve nenhum indivíduo. Conforme
Marques et al. (2014) na serrapilheira foi observada a presença das ordens Aracnida,
Coleoptera e Hymenoptera nas diferentes áreas (mata ciliar, cultura do café e eucalipto) e
épocas coletadas (inverno e verão). A ordem Hymenoptera foi mais frequente no solo da
cultura do café em ambos os períodos de coleta e a ordem Coleoptera encontrou-se distribuída
na serrapilheira e no solo das diferentes coberturas vegetais, não sendo encontrada somente no
inverno na serrapilheira da cultura do eucalipto. De acordo com Carvalho et al. (2017) a maior
frequência relativa da fauna edáfica foi constatada para as ordens Coleoptera e Hymenoptera
durante o inverno e verão em áreas de pessegueiro agroecológico, convencional e área nativa.
Tabela 2 - Relação entre frequência relativa (FR) por ordem taxonômica.
FR (%)
Local das Q1T1 Q1T2
Ordem
Amostras INV VE INV VE
Aracnida 11,0 33,3 0,0 0,0
Coleóptera 0,0 50,0 0,0 75,0
Díptera 33,0 0,0 14,0 0,0
COBERTURA
Hymenoptera 0,0 16,7 72,0 25,0
Hemiptera 45,0 0,0 14,0 0,0
Orthoptera 11,0 0,0 0,0 0,0
Aracnida 0,6 0,0 7,3 0,0
Coleoptera 27,1 19,6 56,1 16,7
Hymenoptera 23,2 76,5 4,9 25,0
Myriapoda 2,5 0,0 2,4 0,0
0-10 CM Anellida 3,2 0,0 19,5 0,0
Isoptera 38,7 0,0 0,0 0,0
Lepidoptera 0,0 0,0 0,0 16,7
Thysanoptera 0,0 0,0 0,0 16,7
Outros 4,4 3,9 9,7 25,0
Coleoptera 94,8 63,6 80,0 57,1
Hymenoptera 0,0 36,4 5,0 14,3
Anellida 5,3 0,0 15,0 28,6
10-20 CM
Isoptera 0,0 0,0 0,0 0,0
Myriapoda 0,0 0,0 0,0 0,0
Outros 0,0 0,0 0,0 0,0
Aracnida 10,8 13,6 5,3 0,0
Coleoptera 13,5 6,1 8,0 0,0
Díptera 13,5 0,0 13,4 0,0
Hymenoptera 40,5 68,2 64,0 0,0
ARMADILHA
Myriapoda 5,4 0,0 2,7 0,0
Hemiptera 5,4 0,0 5,3 0,0
Orthoptera 5,4 9,1 1,3 0,0
Outros 5,4 3,0 0,0 0,0
Fonte: autora (2021).
30

Os organismos vivos presentes no solo são indispensáveis para a manutenção do


ambiente, sendo responsáveis por diversos processos. Os predadores são os responsáveis por
predar em sua maioria organismos não desejados do sistema, ou seja, faz parte do controle
biológico do ambiente; os detritívoros decompõem os materiais tornando-os mais acessíveis
em forma de nutrientes para as plantas; os fitófagos são aqueles que se alimentam das plantas
e os engenheiros do solo são incumbidos da função de melhorar a estruturação do solo
(MANHÃES, 2011). Dessa forma, o gráfico 3 destaca a densidade absoluta dos grupos
funcionais nos transectos do quintal estudado. Podemos verificar que o grupo dos engenheiros
do solo nas amostras dos dois transectos prevaleceram aos fitófagos, em ambos os períodos
amostrados. Nas armadilhas, os engenheiros do solo também se sobressaíram em relação aos
demais grupos funcionais nos dois transectos e nos dois períodos de coleta.

Gráfico 1 - Relação entre densidade absoluta e os grupos funcionais nos


diferentes transectos nos períodos de inverno e verão.

Fonte: autora (2021). AP=armadilha Pitfall

A predominância dos engenheiros do solo e dos fitófagos podem indicar que emerge a
capacidade de melhora da estrutura do solo pelos engenheiros bem como de perda de
produtividade nos quintais devido aos fitófagos. Segundo Santos (2019), a abundância de
fitófagos encontrados em campo natural e em cultivo convencional pode estar associada à
menor presença de predadores. O grupo dos fitófagos é considerado um indicador de
deterioração ou perturbação do solo, uma vez que a fitofagia realizada estabelece a quantidade
e a qualidade dos recursos que entram no solo, o que tende a afetar os detritívoros e
31

predadores (ZERBINO et al., 2008). Os organismos maiores do solo representados pelas


minhocas, térmitas e formigas influenciam nas propriedades físicas do solo, e a biota menor,
atingem principalmente, a decomposição da serrapilheira e as reações químicas que ocorrem
nesses ambientes (MANHÃES, 2011). No sudeste do Brasil se obteve resultados semelhantes
mostrando que a macrofauna muda juntamente com as mudanças da vegetação. Além disso, a
correlação positiva entre a densidade da macrofauna e a cobertura do dossel indica que a
cobertura do dossel pode ser considerada um bom parâmetro para inferir a densidade da
macrofauna em sistemas semelhantes (RAMÍREZ-SUÁREZ et al. 2018). Conforme Lima et
al. (2010) a ocorrência de formigas, térmitas e minhocas foi elevada em todos os sistemas
estudados devido ao ambiente coberto e ao manejo de poda e roçada que promoveram
melhores condições climáticas e de disponibilidade de alimentos. Este fato reforça o objetivo
de uso de pomares para implantação de SAFs como forma de unir qualificação do solo e
produção agrícola.
Na Tabela 3 observa-se a densidade relativa nos dois períodos de coleta, relacionada
aos grupos funcionais. Destaca-se que no inverno em Q1T1 os engenheiros do solo da ordem
Isoptera obtiveram maior densidade de indivíduos em relação aos demais grupos com 32,8% e
no verão 64,7% da ordem Hymenoptera. Segundo Marques et al.( 2014) a ordem Isoptera foi
encontrada, somente no inverno, na serrapilheira da cultura do eucalipto e no solo das
diferentes coberturas vegetais. No Q1T2 se destacaram no inverno e verão a ordem
Coleoptera do grupo dos fitófagos com 57,4% e 26,1%, respectivamente. Nas armadilhas
identifica-se os engenheiros do solo com maior densidade em comparação aos outros grupos
com destaque à ordem Hymenoptera no Q1T1 no inverno com 40,.5% e no verão 68,1%. No
Q1T2 no inverno observou-se 60% de engenheiros do solo da ordem Hymenoptera e no verão
nenhum indivíduo foi encontrado. Esse resultado contrasta com os encontrados no sudeste do
Cerrado onde o grupo dos engenheiros do solo foram pouco abundantes em áreas de plantio
direto (SANTOS et al., 2016).
Segundo Backes (2017), em estudos comparativos entre área de mata nativa, pousio e
plantio convencional a ordem Hymenoptera foi a que apresentou o maior número de
indivíduos em todas as áreas, em duas temporadas de coleta, seguidas das ordens Coleoptera,
Diptera e Hemiptera. Segundo Melo et al. (2009) as formigas (Hymenoptera) em conjunto
com outros indivíduos da macrofauna, atuam não somente como detritívoros, mas também
agem na formação e estruturação do solo, atuando também como engenheiros do solo. Outros
estudos também registraram que a ordem Hymenoptera foi a mais abundante em áreas de
campo natural, bosque natural, cultivo e ambiente florestal (VIÑAS, 2020; SANTOS, 2019).
32

Tabela 3 - Relação entre densidade relativa (DR) nos distintos períodos de coleta.
Densidade relativa ( DR %)
Quintais Armadilhas
Grupo Funcional Ordem Q1T1 Q1T2 Q1T1 Q1T2
INV VE INV VE INV VE INV VE
Aracnida 0,5 4,4 4,4 0,0 10,8 10,6 1,3 0
Coleoptera 0,5 2,9 0,0 8,7 0,0 3,0 0,0 0
Diptera 1,6 0,0 1,5 0,0 5,4 0,0 2,7 0
Predadores
Hemiptera 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 1,3 0
Hymenoptera 0,5 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0
Myriapoda 1,6 1,5 1,5 8,7 0,0 0,0 2,7 0
Aracnida 0,5 0,0 0,0 0,0 0,0 3,0 4,0 0
Coleoptera 0,0 0,0 0,0 0,0 8,1 0,0 4,0 0
Detritívoros Dermaptera 0,5 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0
Diptera 0,0 0,0 0,0 0,0 2,7 1,5 6,7 0
Myriapoda 0,5 0,0 0,0 0,0 5,4 0,0 0,0 0
Coleoptera 22,4 20,6 57,4 26,1 5,4 3,0 4,0 0
Diptera 0,0 0,0 1,5 0,0 5,4 0,0 4,0 0
Hemiptera 3,3 0,0 1,5 0,0 5,4 0,0 4,0 0
Fitófagos Lepidoptera 2,2 0,0 4,4 8,7 2,7 0,0 0,0 0
Orthoptera 0,5 0,0 0,0 0,0 5,4 9,1 1,3 0
Isopodos 0,0 0,0 0,0 4,3 0,0 1,5 0,0 0
Thysanoptera 0,0 0,0 0,0 8,7 0,0 0,0 0,0 0
Anellida 3,3 0,0 16,2 8,7 2,7 0,0 0,0 0
Engenheiros do Coleoptera 9,8 5,9 0,0 4,3 0,0 0,0 0,0 0
solo Hymenoptera 19,1 64,7 11,8 21,7 40,5 68,2 60,0 0
Isoptera 32,8 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0
Fonte: autora (2021).

Conforme o gráfico 4, os dados do quintal avaliado demonstraram que com relação


aos índices de diversidade de Shannon no inverno variou entre 0,8 (cobertura de Q1T2) a 2,0
(armadilha de Q1T1) e a equitabilidade de 0,61 (armadilha Q1T2) a 0,95 (cobertura Q1T1).
No verão Shannon variou de 0 (armadilha de Q1T2) a 1,9 (0-10cm de Q1T2) e a
equitabilidade de 0,47 (0-10cm Q1T1) a 0,91 (cobertura Q1T1). A diversidade de espécies é
considerada um aspecto favorável à comunidades naturais e manejadas, pois confere
estabilidade ao sistema e refere-se à pluralidade de organismos vivos de uma determinada
comunidade, habitat ou região (CABRERA et al., 2011).
A medida de equidade, compara o índice de diversidade de Shannon com a
distribuição das espécies observadas, o que no estudo em questão marcou uma tendência de
maior diversidade em Q1T2 no verão, principalmente nas amostras de cobertura. Segundo
MARQUES et al. (2014), no verão, a melhor distribuição de frequência dos indivíduos, nos
diferentes grupos taxonômicos, proporcionou o maior índice de biodiversidade para o solo
cultivado. Provavelmente, a melhor época para estudos da biodiversidade do solo seria o
inverno, pois tende a apresentar melhores índices de equitabilidade.
33

Gráfico 4 - Índices de diversidade e equitabilidade.

Fonte: autora (2021).

Na tabela 4 observa-se uma síntese dos dados com relação a riqueza, abundância e
índices de diversidade do presente estudo. O quintal estudado apresentou 12 ordens
diferentes, com destaque as ordens Coleoptera, Hymenoptera e Isoptera que obtiveram a
maior número de indivíduos, com destaque ás formigas cupins e besouros. As diferenças
observadas para a riqueza e abundância de táxons entre as áreas de amostragem refletem a
sensibilidade frente às alterações na estrutura e manejo do solo (UEHARA-PRADO et al.,
2009). Ao observar que Q1T2 apresenta-se bastante erosionado pelas chuvas e com solo
deteriorado, o referido transecto apresentou menor diversidade e abundância do que Q1T1. De
acordo com Vargas et al. (2013), a estrutura do solo e o manejo praticado impõem limitações
à certos grupos de invertebrados e tendem a contribuir o desenvolvimento de outros.
34

Tabela 4 - Relação entre riqueza, abundância e índices de diversidade

Q1T1
INVERNO VERÃO
Ordem COB 0-10cm 10-20cm AP COB 0-10cm 10-20cm AP
Aracnida 1 1 0 4 2 1 0 9
Díptera 3 0 0 5 0 0 0 1
Hemiptera 4 2 0 2 0 0 0 0
Orthoptera 1 0 0 2 0 0 0 6
Myriapoda 0 4 0 2 0 1 0 0
Dermaptera 0 1 0 0 0 0 0 0
Lepidoptera 0 4 0 1 0 0 0 0
Anellida 0 5 1 1 0 0 0 0
Coleoptera 0 42 18 5 3 10 7 4
Hymenoptera 0 36 0 15 1 39 4 45
Isoptera 0 60 0 0 0 0 0 0
Isopodos 0 0 0 0 0 0 0 1
Abundância 9 155 19 37 6 51 11 66
Total de grupos 4 9 2 9 3 4 2 6
Shannon 1,33 1,84 1,26 2,05 1,47 0,93 1,37 1,25
Pielou 0,96 0,68 0,91 0,82 0,91 0,48 0,85 0,54
Q1T2
Aracnida 0 3 0 4 0 0 0 0
Díptera 1 1 0 10 0 0 0 0
Hemiptera 1 0 0 4 0 0 0 0
Orthoptera 0 0 0 1 0 0 0 0
Myriapoda 0 1 0 2 0 2 0 0
Dermaptera 0 0 0 0 0 0 0 0
Lepidoptera 0 3 0 0 0 2 0 0
Anellida 0 8 3 0 0 0 2 0
Coleoptera 0 23 16 6 2 3 4 0
Hymenoptera 5 2 1 48 1 3 1 0
Isopodos 0 0 0 0 0 1 0 0
Thysanoptera 0 0 0 0 0 2 0 0
Abundância 7 41 20 75 3 13 7 0
Total de grupos 3 7 3 7 2 6 3 0
Shannon 0,80 1,35 0,91 1,68 1,10 1,99 1,35 0,00
Pielou 0,72 0,70 0,66 0,62 0,72 0,70 0,66 0,62
Fonte: autora (2021)
35

6. CONLUSÕES

O valor da avaliação dos grupos funcionais da macrofauna edáfica em diferentes


épocas do ano e ambientes pode ser um importante indicador para identificar a qualidade do
solo e planejar o manejo agrícola e em processos de transição agroecológica. Esta avaliação é
especialmente importante no manejo de sistemas agroflorestais o qual tem como ponto central
a biodiversidade acima e abaixo do solo como promotora da estabilidade e produtividade do
sistema. Aliada a esta análise, a técnica de cromatografia de Pfeiffer auxilia no diagnóstico do
estado de saúde do solo de forma simples e acessível para os agricultores. Essa abordagem
metodológica pode ser estratégica para o redesenho de unidades produtivas que possuam
pomares já estabelecidos. Nesse sentido, destaca-se que, para o território do Pampa,
especialmente para pequenas propriedades familiares, pode ser um instrumento que alia
geração de renda e promoção dos serviços ecossistêmicos.
Diante da realidade de as práticas agronômicas serem centradas no manejo intensivo
do solo, na adubação química, no uso de agrotóxicos, na manutenção do solo descoberto e na
monocultura, o resultado é baixa diversidade e estabilidade no sistema produtivo. Assim, é
importante o estudo e debate de práticas de conhecimento da biodiversidade local e de
promoção de novos sistemas produtivos, baseados em conceitos e práticas agroecológicas.
Para a continuidade desse estudo, é importante a realização de novas coletas e de avaliação
temporal dos resultados.
36

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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