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A Psicologia da Persona e Humildade

O documento explora o conceito de 'persona', que representa a adaptação do ego às interações sociais e a influência da psiquê coletiva, destacando a importância da humildade e da ingenuidade infantil para o aprendizado espiritual. A mensagem de Cristo é interpretada como um convite à autopercepção e ao serviço ao próximo, enfatizando que a verdadeira cura e evolução espiritual vêm da caridade e da superação do ego. A humildade é apresentada como essencial para reconhecer nossas limitações e permitir o desenvolvimento do verdadeiro Eu.
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A Psicologia da Persona e Humildade

O documento explora o conceito de 'persona', que representa a adaptação do ego às interações sociais e a influência da psiquê coletiva, destacando a importância da humildade e da ingenuidade infantil para o aprendizado espiritual. A mensagem de Cristo é interpretada como um convite à autopercepção e ao serviço ao próximo, enfatizando que a verdadeira cura e evolução espiritual vêm da caridade e da superação do ego. A humildade é apresentada como essencial para reconhecer nossas limitações e permitir o desenvolvimento do verdadeiro Eu.
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Persona

Ø Persona 1 - É um complexo funcional que permite ao ego apresentar-se e


adaptar-se a situações externas ligadas à convivência. O termo persona deriva
das máscaras que os atores gregos usavam para os diversos papéis ou
personalidades que interpretavam. É o aspecto ideal do eu que se apresenta ao
mundo e que se forma pela necessidade de adaptação e convivência pessoal.
É o que se pensa que é. Muitas vezes a persona é influenciada pela psiquê
coletiva, confundindo nossas ações como se fossem individuais. Ela
representa um pacto entre o indivíduo e a sociedade, sendo um conjunto de
personalidades ou uma multiplicidade de pessoas numa só. A identificação do
ego com a persona provoca o afastamento de nossa identidade pessoal, isto é,
corremos o risco de não sabermos quem realmente somos. Somos, ao mesmo
tempo, seres individuais e coletivos, pois temos uma natureza singular como
também temos atitudes que nos confundem com a coletividade.

Máscaras e personas2

“Bem-aventurados os humildes de
espírito. Porque deles é o reino dos
céus.” Mateus, 5:3.

Quando pronunciou as palavras acima, certamente o Cristo se referia àqueles


humildes em aprender as verdades eternas e que se colocavam predispostos a
entender o sentido e significado da Vida, sem a arrogância característica dos que
acreditam já saber de tudo. Pobres em espírito ou pobres de espírito são expressões
que podem ser interpretadas de formas distintas. Não importa se encontramos
aspectos distintos numa mesma coisa, pois em tudo pode se obter um significado
único. E, neste caso, ele é a necessária condição de ignorância para dispor-se a
aprender.
Ele se referia a um estado de espírito, a uma condição consciente de se colocar
diante do mundo, a uma atitude frente ao novo e ao desconhecido. Novamente ele
busca dirigir-se ao ser humano psicológico muito mais do que ao ser humano social,
ao interno mais que ao externo. Como naquela época em que aquelas palavras foram
pronunciadas, também hoje o ser humano ainda se encontra preso ao mundo
exterior, ao mundo da matéria, a que se apega como se fosse a única realidade
possível. Ciente dessa condição, o Cristo endereça sua mensagem alertando o ser

1
NOVAES, Adenáuer. Mito Pessoal e Destino Humano. Salvador: Fundação Lar Harmonia, 2005,
p. 253.
2
NOVAES, Adenáuer. Psicologia do Evangelho. 2. ed. Salvador: Fundação Lar Harmonia, 1999, p.
51-55.
humano da necessidade de que ele busque colocar sua mente distanciada de uma
condição que lhe impeça a visão da realidade espiritual. Condição esta possível
graças à humildade e ao desejo sincero de aprender. É como se ele nos convidasse a
sempre ver as coisas sob a ótica do espiritual.
Ele costumava colocar que o ser humano deveria se assemelhar à criança nas
suas atitudes, devendo aproximar-se de sua pequenez a fim de alcançar o reino dos
céus (leia -se: alcançar um estado evolutivo melhor). Por que não igualar-se tão
somente a um adulto responsável? A que atributo ele se referia, presente numa
criança e desejável de existir num adulto? Arriscamos dizer que os preconceitos
oriundos da educação costumam embotar a plenitude da capacidade de aceitar o
novo.
Ser como uma criança é ter a condição não preconceituosa diante daquilo que
se deve aprender. É buscar a ingenuidade e espontaneidade da criança.
Do ponto de vista psicológico é colocar sua mente sem a máscara social. É
desvestir-se dos condicionamentos externos que impedem o aprendizado pelo
Espírito. Colocar-se de forma preconceituosa é reter as coisas no nível do ego,
impedindo, pelos mecanismos de defesa, o Self de filtrar o que deve ir ao Espírito.
As máscaras sociais, ou personas, colocam a mente numa condição de
assimilação parcial, face as preocupações em se relacionar com o externo, inibindo
parcial ou totalmente, a re lação com o Self. Colocar-se como criança é permitir
desabrochar o Eu interno, ou Self, cuja condição de centro regulador e organizador
da psiquê, permite a utilização não conflitante do ego e das personas.
A inocência da criança é um estado psíquico de total confiança no futuro, de
ausência de medo e de disponibilidade plena para a Vida. O Cristo se referia a esse
estado de espírito como condição psíquica para conhecermos as leis de Deus e
evoluirmos.
Nas relações com o próximo, a ingenuidade da criança é desejável, pois atenua
o poder da mágoa ou do revide. A vingança é fruto da instabilidade psíquica,
caracterizada pela assunção de um ou mais complexos à consciência, sem o devido
equilíbrio do ego. Os complexos são o ponto de apoio das obsessões espirituais. Não
revidar é não se sentir atingido diante da ofensa, que, em realidade, atinge seu
emissor. O pobre de espírito coloca sua mente a serviço do Bem, e não dos objetivos
do ego ou de alguma persona assumida.
O estado de espírito que não se assemelha ao da criança possibilita que a mente
crie barreiras para se defender do mundo, não captando as leis espirituais a partir das
experiências vividas. Colocar-se assim, é não precisar perdoar, pois não se sentiu
agredido.
O Cristo dizia que “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de
todos.”3 , referindo-se, numa perspectiva psicológica, ao complexo de superioridade
que normalmente carregamos no inconsciente, e, às vezes, na consciência. Ser servo
é não permitir que o complexo de superioridade assuma a consciência, determinando

3
Marcos, 9:35.
a conduta e impedindo uma percepção adequada da realidade. Nesse sentido, o
Cristo pode ser chamado Terapeuta, que significa “servidor de Deus”, isto é, aquele
que cura em nome de Deus. Ele é aquele que serve a Deus sem o complexo de
superioridade que infla o ego, atingindo alguns “missionários” que se acreditam
superiores aos outros.
Servir é, então, o remédio, segundo as palavras do Cristo, e servir a Deus é a
grande terapia para o ser humano. Podemos dizer que o trabalho em favor da Vida é
a maior terapia que se pode aplicar a si mesmo. Quem quiser enfrentar seus conflitos
internos deve começar pela caridade. O bem que fazemos aos outros é o bem que
fazemos a nós mesmos. Servir ao próximo é o começo da própria cura. Quando é
feito com sinceridade e equilíbrio é caminho de libertação. É importante ajudar ao
próximo naturalmente, e não apenas como integrante de uma instituição religiosa ou
social, qualquer que seja.
Em continuidade ao trecho citado anteriormente, o evangelhista recolhe a
seguinte afirmativa do Cristo: “... porque aquele que entre vós for o menor de todos,
esse é que é grande.”4 Essa colocação também pode ser vista como uma alusão aos
complexos que se revezam entre a consciência e o inconsciente. Quando atribuímos
poder ao ego, inflacionando-o, reduzimos a capacidade de aprender pelo Self.
Quando diminuímos o poder do ego, ampliamos a capacidade do Self em apreender
a realidade. O indivíduo ao elevar-se sem méritos, atribui poder ao ego, inflando-o;
dessa forma, vive-se a vida do ego, e não a do Self.
Quem deliberadamente exalta suas qualidades, mesmo que as possua, torna-se
orgulhoso e vaidoso de si. Esse orgulho cada vez mais estimulado inibe o
conhecimento de si mesmo e impede a percepção da sombra, isto é, de suas
qualidades negativas e do que desconhece da própria personalidade.
A psicologia do Cristo é cristalina quando a aplicamos ao nosso mundo
interior. Não há como fugir de si mesmo. A humildade facilita o processo de
autopercepção e de manifestação do Self. O orgulho embota a visão do Espírito,
cegando-o à compreensão da realidade.
Quando o orgulho aparece, através da auto-elevação do ego, surge a primazia
de uma das personas consolidadas nas encarnações anteriores. Essas personas
inconscientes se tornam uma espécie de sub-personalidade. O indivíduo vive
artificialmente pela manifestação de uma subpersonalidade, emergida pela energia
demasiada atribuída ao ego que lhe dá sustentação. Essa sub-personalidade é
nucleada por um ou mais complexos . Como exemplo podemos ver nas pessoas que,
em outras encarnações estiveram em posições sociais importantes, mas que na atual
encarnação não ocupam lugar de destaque na sociedade, poderá permitir que, pela
inflação do ego, essa subpersonalidade assuma a consciência.
Quando não adicionamos excessiva energia ao ego, ampliamos a percepção de
nossas próprias limitações, permitindo que enxerguemos a nossa sombra, antes
inconsciente.

4
Lucas, 9:48.
Da mesma forma, a simplicidade facilita a percepção dos complexos
inconscientes, trazendo-os equilibradamente à consciência sem que eles
predominem sobre o ego. Na humildade o verdadeiro Eu sobressai-se, para que o
Espírito possa crescer, desenvolver-se e alcançar sua plenitude.

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