INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
LICENCIATUTA EM DIREITO
Cristina Felix Julio
A PROBLEMÁTICA DA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
NO ORDENAMENTO JURÍDICO MOÇAMBICANO
Quelimane, Março de 2025
INDICE
I. INTRODUÇÃO..............................................................................................................3
1.1. Contextualização.........................................................................................................3
1.2. Problematização..........................................................................................................3
1.3. Hipóteses.....................................................................................................................4
1.5. Objectivos...................................................................................................................5
1.5.1. Objectivo Geral........................................................................................................5
1.5.2. Objectivos Específicos.............................................................................................5
1.6. Metodologia................................................................................................................5
II. A PROBLEMÁTICA DA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NO
ORDENAMENTO JURÍDICO MOÇAMBICANO..........................................................6
2.1. Conceito e evolução dos direitos fundamentais...........................................................6
2.2. A consagração dos direitos fundamentais na Constituição da República de
Moçambique......................................................................................................................6
2.2.1. Principais aspectos da consagração dos direitos fundamentais.................................6
2.3. O papel do Estado na garantia e promoção desses direitos...........................................7
2.4. Desafios......................................................................................................................8
2.5. Propostas de Solução...................................................................................................8
3. Conclusão.......................................................................................................................9
BIBLIOGRAFIA.............................................................................................................10
I. INTRODUÇÃO
1.1. Contextualização
O presente tema constitui uma busca de conhecimentos e informações dos factos
sociológicos a luz da sociedade moçambicana. Moçambique, como Estado de Direito
Democrático, consagra na sua Constituição da República (CRM) um conjunto de direitos
fundamentais que visam garantir a dignidade humana, a liberdade, a igualdade e a justiça
social. Esses direitos, que incluem desde os direitos civis e políticos até os direitos
económicos, sociais e culturais, são pilares essenciais para a construção de uma sociedade
justa e equitativa. No entanto, a mera previsão constitucional desses direitos não é
suficiente para assegurar a sua plena efetivação. A concretização desses direitos enfrenta
desafios estruturais, políticos, económicos e sociais que dificultam a sua realização
prática no quotidiano dos cidadãos moçambicanos. Neste contexto, é fundamental
analisar as barreiras que impedem a efetivação dos direitos fundamentais em
Moçambique, bem como propor caminhos para superar esses obstáculos, de modo a
garantir que os direitos consagrados na Constituição se traduzam em realidade para todos
os cidadãos.
1.2. Problematização
Apesar de Moçambique possuir um ordenamento jurídico que reconhece e protege os
direitos fundamentais, a sua efetivação enfrenta inúmeros desafios. Entre eles, destacam-
se:
A fragilidade das instituições públicas encarregadas de garantir e promover esses
direitos;
A insuficiência de recursos económicos e financeiros para implementar políticas
públicas que concretizem os direitos sociais e económicos;
A falta de acesso à justiça por parte de grande parte da população, especialmente
nas zonas rurais;
A existência de práticas culturais e sociais que perpetuam a discriminação e a
violação de direitos, especialmente em relação a grupos vulneráveis, como
mulheres, crianças e minorias;
A corrupção e a ineficiência administrativa, que minam a confiança nas
instituições e dificultam a realização dos direitos fundamentais.
Diante desse cenário, questiona-se: Quais são os principais obstáculos à efetivação dos
direitos fundamentais no ordenamento jurídico moçambicano, e como podem ser
superados?
1.3. Hipóteses
Na tentativa de trazer algumas respostas sobre essa questão, apresentamos as seguintes
hipóteses:
A efetivação dos direitos fundamentais em Moçambique é limitada por factores
estruturais, económicos, sociais e institucionais, que requerem reformas
profundas no sistema jurídico e político.
Questões de Pesquisa
1. Quais são os principais desafios para a efetivação dos direitos
fundamentais em Moçambique?
2. Qual é o papel da sociedade civil e dos cidadãos na promoção e defesa dos
direitos fundamentais?
3. Que medidas podem ser adoptadas para superar os obstáculos à efetivação
desses direitos?
1.5. Objectivos
1.5.1. Objectivo Geral
Analisar os desafios e propor soluções para a efetivação dos direitos fundamentais
no ordenamento jurídico moçambicano.
1.5.2. Objectivos Específicos
Identificar os principais obstáculos à efetivação dos direitos fundamentais em
Moçambique;
Avaliar o papel das instituições públicas e do sistema judicial na garantia desses
direitos;
Propor medidas políticas, jurídicas e sociais para superar os desafios identificados.
1.6. Metodologia
Do ponto de vista metodológico, a pesquisa é:
Bibliográfica (quanto aos procedimentos técnicos): Análise de doutrinas,
artigos científicos, legislação moçambicana (especialmente a Constituição da
República) e relatórios de organizações nacionais e internacionais sobre direitos
humanos.
Documental (quanto aos procedimentos técnicos): Estudo de casos concretos,
decisões judiciais e políticas públicas relacionadas com a efetivação dos direitos
fundamentais em Moçambique.
básica (quanto a finalidade) e de cariz qualitativa (quanto a abordagem)
Entrevistas: Realização de entrevistas semiestruturadas com especialistas em
Direito, membros de instituições públicas e representantes da sociedade civil.
II. A PROBLEMÁTICA DA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
NO ORDENAMENTO JURÍDICO MOÇAMBICANO
2.1. Conceito e evolução dos direitos fundamentais
Segundo John Locke (1632-1704), defendeu a ideia de direitos naturais, inerentes a todos
os seres humanos, como o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para ele, esses
direitos são anteriores ao Estado e devem ser protegidos por ele. Sua teoria influenciou
diretamente a Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução
Gloriosa na Inglaterra, consolidando a noção de que o Estado existe para garantir os
direitos individuais.
Para Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), Rousseau defendia a ideia de um contrato
social, no qual os indivíduos abrem mão de parte de sua liberdade em troca de proteção e
garantia de direitos coletivos. Para ele, a soberania reside no povo, e os direitos
fundamentais devem refletir a vontade geral. Suas ideias influenciaram a Revolução
Francesa e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), que consagrou a
igualdade e a liberdade como pilares dos direitos fundamentais.
Segundo Chiziane, os direitos fundamentais são inerentes à dignidade da pessoa humana
e essenciais para a realização plena do indivíduo. Eles representam a base de uma
sociedade democrática e justa. Ele enfatiza que esses direitos não são apenas declarações
teóricas, mas devem ser garantidos e protegidos pelo Estado de forma concreta.
2.2. A consagração dos direitos fundamentais na Constituição da República de
Moçambique
A consagração dos direitos fundamentais na Constituição da República de
Moçambique reflete o compromisso do país com a proteção e promoção dos direitos
humanos, alinhando-se aos princípios democráticos e ao Estado de Direito. A
Constituição moçambicana, promulgada em 2004 e com revisões posteriores, estabelece
um amplo leque de direitos e liberdades fundamentais, que são essenciais para a dignidade
humana e o desenvolvimento social.
2.2.1. Principais aspectos da consagração dos direitos fundamentais
Igualdade e Não Discriminação: A Constituição garante a igualdade de todos perante a
lei, proibindo qualquer forma de discriminação baseada em raça, sexo, origem étnica,
religião, condição social ou outras características (Art. 35).
Direitos Civis e Políticos: Incluem o direito à vida, à liberdade de expressão, à liberdade
de reunião e associação, e à participação política (Arts. 40, 51, 52).
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais: A Constituição reconhece o direito ao
trabalho, à saúde, à educação, à habitação e à segurança social (Arts. 88, 89, 90, 91). Esses
direitos visam garantir condições dignas de vida e o pleno desenvolvimento da
personalidade humana.
Direitos das Mulheres e Crianças: A Constituição enfatiza a proteção dos direitos das
mulheres e crianças, promovendo a igualdade de gênero e a proteção contra a violência e
a exploração (Arts. 36, 121).
Direitos dos Cidadãos perante o Estado: A Constituição estabelece o direito à justiça,
à defesa legal e à proteção contra atos arbitrários do Estado (Arts. 70, 71).
Proteção dos Direitos Fundamentais: A Constituição prevê mecanismos de proteção,
como o recurso aos tribunais para garantir a efetividade dos direitos (Art. 72).
Direitos Ambientais: A Constituição reconhece o direito a um ambiente sadio e
equilibrado, impondo ao Estado e aos cidadãos o dever de proteger o meio ambiente (Art.
90).
2.3. O papel do Estado na garantia e promoção desses direitos
a) Enquadramento Constitucional
A Constituição da República de Moçambique (CRM) de 2004, com as suas revisões,
estabelece os direitos humanos como um dos pilares fundamentais do Estado. O artigo 3º
da CRM afirma que o Estado moçambicano se baseia no respeito e garantia dos direitos
humanos.
b) Promoção e Proteção dos Direitos Humanos
O Estado moçambicano tem a obrigação de promover, proteger e garantir os direitos
humanos através de políticas públicas, legislação e instituições específicas. Isso inclui a
criação de mecanismos para prevenir violações e garantir a justiça em casos de abusos.
c) Participação em Instrumentos Internacionais
Moçambique é parte de vários tratados e convenções internacionais de direitos
humanos, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
d) Instituições de Defesa dos Direitos Humanos
O Estado moçambicano criou instituições específicas para a promoção e proteção dos
direitos humanos, como o Provedor de Justiça (ombudsman), que tem a função de
receber e investigar queixas de cidadãos sobre violações de direitos humanos por parte de
entidades públicas.
e) Educação e Sensibilização
O Estado tem a responsabilidade de promover a educação em direitos humanos para
aumentar a consciência cívica e o respeito pelos direitos fundamentais.
f) Responsabilidade Internacional
Como membro da comunidade internacional, Moçambique deve prestar contas sobre o
cumprimento das suas obrigações em matéria de direitos humanos, participando em
mecanismos como o Exame Periódico Universal (EPU) do Conselho de Direitos
Humanos das Nações Unidas.
2.4. Desafios
Fragilidades institucionais e falta de independência do sistema judicial;
Limitações económicas e sociais que impedem a realização dos direitos
económicos e sociais;
Discriminação e violação de direitos em relação a grupos vulneráveis;
Impacto da corrupção e da ineficiência administrativa.
2.5. Propostas de Solução
Fortalecimento das instituições públicas e do sistema judicial.
Adopção de políticas públicas eficazes e alocação de recursos adequados.
Promoção da educação e conscientização sobre direitos fundamentais.
Envolvimento da sociedade civil e dos cidadãos na defesa dos seus direitos.
3. Conclusão
Durante a realização deste trabalho chegamos a concluir que: A efetivação dos direitos
fundamentais em Moçambique é um desafio complexo que requer a conjugação de
esforços por parte do Estado, da sociedade civil e dos cidadãos. Embora o ordenamento
jurídico moçambicano reconheça e proteja esses direitos, a sua concretização enfrenta
obstáculos significativos, que vão desde a fragilidade das instituições até às limitações
económicas e sociais. Para superar esses desafios, é essencial adoptar medidas que
fortaleçam as instituições, promovam a justiça social e garantam a participação activa dos
cidadãos na defesa dos seus direitos. Apenas através de um compromisso colectivo será
possível transformar os direitos fundamentais consagrados na Constituição em realidade
para todos os moçambicanos.
O Estado moçambicano tem um papel central na garantia e promoção dos direitos
humanos, mas enfrenta desafios estruturais e contextuais que exigem esforços contínuos
para fortalecer as instituições, combater a corrupção e garantir a justiça social. A
colaboração entre o governo, a sociedade civil e a comunidade internacional é essencial
para avançar nessa agenda.
BIBLIOGRAFIA
ISCED. Metodologia de investigaçao cientifica, Manual de curso de
Administraçao publica, pagina 29
Constituição da República de Moçambique (2004, com revisões) Disponível
em: Assembleia da República de Moçambique.
Lei do Provedor de Justiça (Lei nº 7/2012, de 9 de Fevereiro) Estabelece as
competências e funcionamento do Provedor de Justiça como instituição de defesa
dos direitos humanos.
Sitoe, Eduardo (2016). "Direitos Humanos em Moçambique: Desafios e
Perspectivas". Publicado em: Revista de Direito e Cidadania, Volume 8, Nº 2.
Disponível em bibliotecas universitárias ou plataformas académicas.
PNUD Moçambique (2020). "Relatório de Desenvolvimento Humano:
Moçambique". Disponível em: PNUD Moçambique
UNICEF Moçambique (2019). "Direitos da Criança em Moçambique: Progressos
e Desafios". Disponível em: UNICEF Moçambique
Instituto de Democracia Multipartidária (IMD). Publicações sobre governação e
direitos humanos. Disponível em: IMD Moçambique
Human Rights Watch - Moçambique. Relatórios e análises sobre a situação dos
direitos humanos. Disponível em: HRW