Darkside
«És uma mulher, usa-o e põe todos os homens que
conheces de joelhos.»
Desconhecido
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Capítulo 1
Aurora
Como vim parar aqui? Essa é a pergunta para a qual procuro
resposta todos os dias ao acordar com uma puta ressaca.
Quanto mais bebo mais quero que se abra um buraco no chão e me
engula, a minha mãe não podia ser como as outras e ser mais
compreensiva? Mas não ela tinha de me expulsar de casa e
cancelar todos os meus cartões.
Bebo mais um copo e sinto o último dinheiro do mês a ir pela minha
garganta abaixo. Quem se embebeda quando é expulso de casa?
Qualquer jovem adulto de 25 anos que não tem mais para onde ir.
- Hey, estás aqui de novo? – ah a troca de turnos dos bartenders.
- Pela última vez! – respondo com um sorriso sarcástico
- Sempre a mesma resposta há 1 semana. – O jovem bartender
responde com uma careta.
- Hoje é a sério, não tenho mais dinheiro. – digo. – Será que devo
virar acompanhante? Seria dinheiro fácil…
- Não faças isso, arranja um emprego. – disse-me o jovem.
- Quem me iria contratar? - pergunto abraçando o corpo. – Não sei
fazer nada…
- Precisamos de bartenders. - ele diz sorrindo. - É melhor do que
virares puta não achas?
Sorrio, vou arranjar um trabalho mais fácil amanhã, isso amanhã!
Ando pelo lugar, esbarro numa pessoa, mas não me importo, isso é
normal por aqui, então vou apanhar ar lá fora. A brisa na cara é
relaxante.
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Oiço um barulho vindo do beco mesmo ao lado do bar.
- Ah! Mais forte! – Era…
- Mais força e vamos derrubar o caixote do lixo! - Sexo, era sexo
nada relaxante de se ouvir vamos ser sinceros.
Entro de volta no bar, dirijo-me ao balcão e pego um copo, viro-o
goela abaixo e saio à procura de companhia também. Olho para
todo o lado e ninguém chama a minha atenção acho que é hora de
ir embora.
Saio da pista vou até ao balcão e fecho a minha conta, lá se vai o
dinheiro do mês inteiro. Jason Adams um dia ainda me vingo.
- Podes me ajudar a encontrar a casa de banho? – Oiço a voz
grave, viro-me e sim era dirigido a mim.
Um homem de 1,90 metros de olhos azuis que não parecia estar no
seu ambiente natural. Aponto para a porta à minha direita e corro na
direção da mesma ao sentir uma súbita vontade de vomitar. Entro
em uma das divisórias debruço-me sobre a sanita e coloco toda a
bebida para fora junto com a minha dignidade.
Deus odeia-me.
Ao chegar a casa atiro-me para o sofá e adormeço com a cara nas
almofadas.
Acordo com os raios do nascer do sol a entrar pela janela do meu
apartamento deixado pelo meu pai do qual vou ter de sair segundo
a minha mãe. É tão injusto o apartamento é meu…
Odeio-a, lá por ela não conseguir seguir o seu sonho não quer dizer
que tenha de ser uma má mãe e não me deixar seguir o meu! Qual
é o problema de querer viajar o mundo?
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Damon
Acordo com um peso em cima de mim, que merda aconteceu? Não
bebi muito, bebi? – noto uma loira ao meu lado. – Já faz três meses
que deixei Itália e toda a minha família para trás, mas está tudo
bem, mesmo sem mim eles vão ficar bem…
Levanto-me e coloco as minhas roupa e reparo num telemóvel em
cima da mesinha de cabeceira. De quem é? O meu está para
dentro de uma gaveta, não o uso desde que discuti com a minha
família há uma semana.
Ligo o ecrã para ver se era da ruiva deitada na minha cama, mas
aparece um desenho de um casal no ecrã de bloqueio… De quem
será?
O telemóvel começa a tocar.
Diabo da Tasmânia.
Tanto carinho por uma pessoa…
Atendo talvez a pessoa não seja assim tão cruel.
Telemóvel:
- Sua cabra! Gastas-te quinhentos euros em menos de 24 horas
num bar? – É com certeza a pior pessoa à face da terra.
- Hum…Senhora? – Tenho de conter o riso. – Eu não sou a dona
deste telemóvel, na verdade acabei de o achar.
Ou roubei, eu não sou eu quando estou bêbado.
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- Não? De certeza? O que vou fazer com aquela cabeça no ar? –
Ela com certeza ama a filha.
- Devia levar o telemóvel à polícia? – pergunto.
- Não, ela não vai buscar. - ela conhece a filha – O senhor podia-me
fazer um favor? Eu pago.
- não preciso de dinheiro, mas dependendo do favor eu posso fazer.
– digo um pouco mal pela rapariga que perdeu o telemóvel.
- Pode entregar o telemóvel no endereço Rua Principal Lote nº 4,
Lisboa. – Tudo bem é no lote ao lado. - Ela mora na penthouse, no
último andar.
E se ela for maluca?
- Claro. – Digo seriamente.
No lote ao lado
Bato à porta e uma rapariga mais linda que a própria Afrodite com
cabelos de chocolate longos e olhos verdes ainda de roupão abre.
- Hmm… Porta errada. – diz desesperada.
- Hmm… Não me parece. – Mostro o telemóvel.
- Meu Deus! O meu telemóvel! – ela pega no telemóvel e verifica.
Ela nem percebeu que desapareceu?
- Estava no meu bolso, lembras-te de alguma coisa? – Pergunto,
será que roubei?
Não, estava bêbeda, mas obrigado. – Ela diz secamente.
- Ok… - Respondo desconfiado. – Tudo bem, de certeza?
- Sim, não te preocupes. – Diz olhando para mim, ali está a cara de
acabada que sempre segue a bebedeira.
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- Está tudo bem, acabas por devolver, mesmo que isso não
acontecesse eu ía pensar que o usei para pagar algo, sexo, drogas
ou bebida.
- Hmm…okay então. – respondo sem entender. E eu pensando que
tinha batido no fundo. – Aliás qual é o teu nome?
- O meu nome? Para que? – diz enquanto sai mais um pouco do
apartamento, mas ainda tapando a vista de dentro.
- O apelido da tu mãe para ti é muito carinhoso digamos. – Brinco
olhando-a. – Acho “cabra” um ótimo nome para demonstrar carinho.
- Ah… é Aurora. – Ela sorri e que sorri lindo. – Aurora Russo.
- Damon, Damon D’Angelo. – Digo e a sua cara muda
completamente de desinteresse a admiração em menos de um
minuto, mas nem um fio de medo passou por aqueles lindos olhos
cor de esmeralda, interessante…
- Algum parentesco com a família D’Angelo em Itália ou és só mais
um português com a mania que é italiano?
- Filho na verdade, vindo de Itália á 3 meses. – A minha boca
respondeu sozinha.
- Não devias dizer essas coisas assim, eu podia ser uma inimiga da
tua família… - Sussurra enquanto olha nos meus olhos.
- Podes ser o que tu quiseres desde que nunca deixes de olhar para
mim assim. – Sussurro de volta na sua orelha, causando lhe
arrepios no pescoço. – Ah boa sorte com o «Diabo da Tasmânia»,
já vou indo.
- Hahaha, lês-te? – Ela pergunta depois de voltar a si mesma.
- Ela ligou. – Respondo já de costas em direção ao elevador.
Estou fudido! Não era suposto isto acontecer era só devolver um
telemóvel e fazer a minha boa ação do ano, mas não, dei de cara
com a mulher mais linda à alguma vez andar sobre a terra… A
minha perdição…
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- Damon D’Angelo!! – Ela grita chamando a minha atenção.
- Sim? – Respondo virando-me para ela.
- Tenta não perder o sono à minha custa! – Ela grita e fecha a porta
com um riso lindo de se ouvir.
Ela é sem dúvida a minha perdição…
Alguns dia depois
Damon
Eu preciso de sair daqui esta é a terceira vez que estou encostado
a um canto a colocar as tripas para fora tudo num dia só, a única
coisa que me mantém sóbrio por uns minutos é pensar naqueles
lindos olhos verdes cheios de admiração… Como senti falta daquilo
tudo porque a pessoa na qual confiei a minha vida me fez perder
tudo o que tinha de mais valioso, o respeito e orgulho da minha
família mandando me para a prisão por cinco anos!
Sabem quando dizem o instinto de mãe nunca falha? É verdade e
eu aprendi isso da pior maneira…Será que a minha mãe ía gostar
da Aurora? O meu raio de luz no meio desta escuridão…
- Olha se não é o meu grande amigo! – Oiço a voz da Aurora, estou
a delirar.
Viro me na direção da voz e encaro uma rapariga, é mesmo ela, o
meu anjo, caminho até ela.
- Aurora? Há quanto tempo não te via neste balcão! – O jovem
responde.
- Sim, tive de ganhar dinheiro, né? – Então o meu raio de luz não é
só uma cara bonita.
- Voltaste a falar com a tua mãe? – Perguntou.
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- Eu? – Ela ri, e que riso minha gente. – Não, liguei para o meu pai.
– Ela diz debruçada contra o balcão.
- Então o que vai ser hoje? – O rapaz pergunta.
-Tudo o que me deixar bêbada o suficiente para esquecer, desde
daquela ponta até aqui. – Diz apontando para o início das
prateleiras. Eu pensando que estava na merda ela perece bem pior
que eu. Nisto chego por detrás dela e laço a sua cintura
sussurrando no seu ouvido:
- Se eu disser que estava agora mesmo a pensar em ti, ganho o
prazer da tua companhia raio de luz? - Ela não demonstra reação,
mas consigo sentir o seu coração descompensado através da
nossa aproximação. Esta mulher vai ser a minha morte e eu vou
morrer feliz.
Ela tira um comprimido da bolsa, pega no copo deixado pelo
bartender e finalmente se vira para me encarar fazendo com que os
nossos lábios fiquem a milímetros de distância.
- Depende, achas que consegues acompanhar? – Ela provocou
enquanto colocava o comprimido na boca e virava o copo de vodka
pela goela abaixo.
Podia se sentir a tensão entre nós, corações descompensados, pele
de galinha ao mínimo toque a minha única reação foi beijá-la, tudo
simplesmente desapareceu, mais nada importava o meu sito era
aqui com ela nos meus braços, não precisava de mais nada.
A falta de oxigénio fez se presente e afastamo-nos o mínimo
possível e sorrimos um para o outro.
- Isto foi… - Ela começa.
- Perfeito. – Digo antes dela conseguir acabar a frase e ela solta um
riso de leve, a minha nova melodia preferida. - Tu és perfeita.
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- Calma Don Juan1, muita calma. – Bate me no peito e sorri. – Foi
só um beijo, nunca beijaste?
E a ouvir estas palavras o meu sorriso fechou.
- Sabes que não foi só um beijo raio de luz, é o primeiro de muitos
nossos e só nossos… – digo roucamente. – Pertences a mim agora.
- Um pouco territorial não achas? – pergunta enquanto passa os
braços pelo meu pescoço. – O que me impede de gritar agora? Sou
só uma menina indefesa…
- O que uma menina tão indefesa faz num bar destes? - Provoco. –
Ambos sabemos que não o vais fazer, mas se quiseres podemos
arranjar uma maneira…
- Beber até cair para o lado e ser atropelada por uma carroça
puxada a cavalos. – Diz ela já tocada pela bebida.
- Quanto amor à vida! – Digo ironicamente.
- Aurora, o que vai ser agora? – O bartender pergunta com duas
garrafas nas mãos.
- Tequila, sal e rodelas de limão por favor! – Ela diz sorrindo para
mim.
- É para já! – Ele saiu.
Olho para ela, bonita, uma verdadeira fodida por álcool, não muito
exigente, não mais que eu pelo menos, um sorriso de tirar o folgo,
com certeza uma força da natureza. Riven ía amá-la.
- Então Damon D’Angelo o que o traz a um bar em plena quarta-
feira? – Ela com certeza gosta do meu nome.
- Tem dia específico para beber? – Pergunto pedindo outra bebida.
- Depende a quem perguntas. Para mim neste momento não. – Ela
vira-se para o balcão e puxa-me com ela sentando me num banco
deixando-a entre as minha pernas.
- Queres brincar? – Ela pergunta – Não há volta atrás.
1
Dom-Juan – Homem sedutor, que conquista mulheres facilmente; casa nova; dom-
joão
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- Não te livras de mim nunca mais – Respondo confiante.
Ela abre a minha camisa e passa um pouco de sal no meu pescoço,
bebe um shot de tequila de seguida passa a sua língua quente no
meu pescoço frio para lamber o sal e sussurra no meu ouvido. –
Bem-vindo ao inferno… - arrepiando-me dos pés à cabeça e chupa
o limão olhando nos meus olhos. Aperto a sua cintura e respondo
com sinceridade sem nunca desviar o olhar. – É a minha casa.
No restante da noite bebemos, dançamos e ficamos ainda mais
próximos se possível, nunca a quero largar dos meus braços, tão
leve, tão perfeita… Não sei porque Deus a colocou no meu
caminho, mas egoísta demais para a deixar ir agora.
- Ah! – Ela senta-se ao meu colo com uma garrafa de cerveja nas
mãos. – Quero ir para casa agora…
- Porque não vamos? – Pergunto enquanto brinco com o seu
cabelo.
- Se eu for, um grupo de malucos vai me agarra… - Ela aponta
para um grupo de rapazes.
- O que aconteceu? – Pergunto tenso, a minha mente foi logo para
as imagens da minha mãe a ser agredida dentro de casa enquanto
eu não conseguia fazer nada para impedir fazendo me sentir uma
criança de cinco anos outra vez.
- Eu esbarrei num dos rapazes e entornei um pouco de bebida em
cima dele, culpa dele. Foi ele que se colocou à minha frente de
propósito. – Deu mais um gole na cerveja. – Disseram para pagar a
lavagem, mas eu não quero fazer isso, não foi culpa minha.
- Não me parece que eles façam alguma coisa se sairmos daqui os
dois. – Digo calmamente.
- Isso é a tua maneira de pedir para dormires em minha casa? – Ela
pergunta-me brincalhona.
- Não tenho de perguntar, não te livras mais de mim é claro que
vou contigo para casa. – Digo confiante. – Vou contigo para todo o
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lado, alem disso não posso deixar 4 cosplay de gângsteres2
pensarem que podem mexer com o que é meu.
- Posso matá-los e fazer as minhas unhas ao mesmo tempo e ainda
sorrio no final. – Ela diz com desdém. – Não preciso de um príncipe
encantado para me defender.
Cada vez tenho mais certeza que Riven se ía dar muito bem com
ela.
- Autch! Estava a tentar ser cavalheiro raio de luz. – Digo enquanto
enfio a minha cara no seu pescoço. – Mas não te enganes princesa
eu sou e sempre serei o vilão das histórias de embalar.
- Não preciso de um príncipe encantado, preciso de alguém que
olhe verdadeiramente para mim e escolha ficar… - Diz colada a
mim.
- Vamos lá. – Disse-lhe. – Vamos para casa. – Fomos em direção à
porta o grupo de rapazes olhou com cara feia, mas não fizemos
caso, digamos que me estou de bom humor hoje.
- Para a tua casa ou para a minha? – Ela perguntou já dentro do
meu Range Rover3.
- Qual preferes? - Perguntei de volta com um sorriso sacana.
- A minha, a morada penso que ainda te lembras. – Responde-me
divertida.
- Nunca me irei esquecer do sítio onde te vi pela primeira vez. –
Disse-lhe sincero.
- A primeira vez que me viste foi quando me perguntaste onde era a
casa de banho. – Riu e eu parei num semáforo vermelho perto da
nossa rua.
- Vou reformular nunca vou esquecer do sítio onde te vi pela
primeira sóbrio. – Disse brincalhão. – Aliás eu moro no lote ao lado
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Gângsteres – Membro de uma associação de criminosos; bandido
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Range Rover – Marca de carro
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teu, parabéns és vizinha desta obra-prima da artista Brenda
D’Angelo.
- Pensava que já era mais que uma vizinha. - Mal acabou de falar
saiu do carro a correr e fugiu para dentro do prédio sem me deixar
responder.
Tranquei o carro e corri atrás da mulher maluca que entrou na
minha vida à menos de uma semana e já virou tudo do avesso.
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