CENTRO UNIVERSITÁRIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL –
UNIPLAN
CURSO DE FISIOTERAPIA
PROJETO TÉCNICO-CIENTÍFICO INTERDISCIPLINAR
7° SEMESTRE
Allysson Menezes Silva/UL
Daniele Bezerra Silva Ferreira/UL
Luciano dos Santos Serafim/UL
Paula Cristina dos Santos/UL
Riclecia Nascimento de Jesus/UL
Bauru/SP
2025
Allysson Menezes Silva/UL
Daniele Bezerra Silva Ferreira/UL
Luciano dos Santos Serafim/UL
Paula Cristina dos Santos/UL
Riclecia Nascimento de Jesus/UL
PROJETO TÉCNICO-CIENTÍFICO INTERDISCIPLINAR
7° SEMESTRE
Projeto técnico-científico interdisciplinar apresentado
ao Centro Universitário Planalto do Distrito Federal -
UNIPLAN, como requisito parcial para obtenção do
título de Bacharel em Fisioterapia.
Orientadora: Profª Ma. Maria Aparecida Pereira
Bauru/SP
202
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................ 4
2. REVISÃO DA LITERATURA...................................................................................6
2.1 Fisioterapia na perda de mobilidade em idosos, não acamados e resistentes em
instituição de longa permanência entre 75 a 90 anos.................................................6
2.2 Sarcopenia e suas implicações na mobilidade.....................................................8
3. A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NA PERDA DE MOBILIDADE...................10
3.1 Estratégias fisioterapêuticas aplicadas................................................................11
3.2 O envelhecimento e a mobilidade funcional........................................................12
4. INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA E O IMPACTO DA MOBILIDADE
REDUZIDA.................................................................................................................14
4.1 Barreiras e estratégias para melhorar a adesão às intervenções fisioterapêuticas
................................................................................................................................... 17
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 21
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................22
4
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional tem se intensificado globalmente, trazendo
desafios à saúde pública, especialmente no que se refere à mobilidade funcional dos
idosos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, a população
mundial com 60 anos ou mais representará 22% do total, evidenciando a
necessidade de intervenções eficazes para garantir qualidade de vida (WHO, 2021).
Entre 75 e 90 anos, a redução da força muscular, equilíbrio e flexibilidade impacta a
autonomia dos idosos, aumentando o risco de quedas e comprometendo atividades
cotidianas (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). Nesse contexto, a fisioterapia
desempenha papel essencial na prevenção e reabilitação da mobilidade, reduzindo
impactos funcionais e promovendo um envelhecimento mais ativo (PEREIRA et al.,
2020).
A formulação de hipóteses parte da ideia de que intervenções
fisioterapêuticas estruturadas contribuem para a manutenção da mobilidade e
prevenção de quedas em idosos não acamados. Presume-se que programas de
fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e estimulação neuromuscular favoreçam
a independência funcional dessa população (SILVA et al., 2020).
O objetivo geral deste estudo é analisar a importância da fisioterapia na preservação
da mobilidade em idosos não acamados entre 75 e 90 anos. Especificamente,
busca-se identificar fatores que contribuem para a perda de mobilidade, examinar os
efeitos da sarcopenia na funcionalidade e avaliar as principais estratégias
fisioterapêuticas aplicadas a essa população.
A justificativa fundamenta-se na necessidade de aprofundar o conhecimento
sobre abordagens terapêuticas que previnam a perda funcional e promovam a
autonomia dos idosos. Estudos indicam que programas fisioterapêuticos regulares
podem reduzir em até 40% o risco de quedas, aumentando a independência dos
pacientes (MORLEY et al., 2021). Além disso, a pesquisa busca contribuir com
diretrizes baseadas em evidências científicas para aplicação clínica e comunitária
(COSTA et al., 2022).
Dessa forma, este estudo analisará a literatura sobre envelhecimento e
mobilidade funcional, destacando as principais técnicas fisioterapêuticas utilizadas
5
na reabilitação geriátrica, a fim de demonstrar sua relevância na manutenção da
qualidade de vida dos idosos.
6
2. REVISÃO DA LITERATURA
O envelhecimento populacional tem sido um dos grandes desafios para a
saúde pública, visto que está diretamente associado a diversas alterações
fisiológicas que impactam a funcionalidade e a qualidade de vida dos idosos. Entre
essas mudanças, a perda de mobilidade se destaca como um fator determinante
para a autonomia e independência dessa população, influenciando não apenas sua
capacidade de locomoção, mas também sua saúde física e mental. A fisioterapia
desempenha um papel essencial tanto na prevenção quanto no tratamento das
limitações motoras, promovendo a reabilitação e a manutenção da funcionalidade,
especialmente em idosos não acamados com idade entre 75 e 90 anos.
Para compreender a relevância da intervenção fisioterapêutica nesse
contexto, é fundamental analisar os fatores que contribuem para a perda de
mobilidade, incluindo a sarcopenia, o declínio do equilíbrio postural e a redução da
força muscular. Além disso, é necessário discutir as abordagens fisioterapêuticas
aplicadas, que envolvem desde exercícios terapêuticos e treinamento funcional até
estratégias mais avançadas, como a estimulação neuromuscular e o uso de
tecnologias assistivas. Dessa forma, a presente fundamentação teórica busca
elucidar os principais aspectos relacionados à mobilidade dos idosos e destacar a
importância das intervenções fisioterapêuticas na promoção de um envelhecimento
ativo e saudável.
2.1 Fisioterapia na perda de mobilidade em idosos, não acamados e
resistentes em instituição de longa permanência entre 75 a 90 anos
O envelhecimento é um processo biológico inevitável que acarreta diversas
mudanças fisiológicas, estruturais e funcionais no organismo humano. Essas
alterações afetam diretamente a mobilidade e a independência dos idosos,
tornando-os mais suscetíveis a quedas, limitações funcionais e comprometimento da
qualidade de vida (GUIMARÃES et al., 2019). O declínio da mobilidade funcional
está relacionado a fatores como a perda progressiva da massa muscular, redução
da flexibilidade articular, alterações neuromusculares e diminuição da capacidade
7
cardiorrespiratória, que impactam significativamente a capacidade de realização das
atividades diárias (SANTOS et al., 2020).
A mobilidade funcional é um dos principais indicadores da independência do
idoso, sendo definida como a capacidade de realizar movimentos necessários para
executar tarefas cotidianas, como caminhar, levantar-se de uma cadeira e subir
escadas (RODRIGUES et al., 2021). De acordo com Lima et al. (2022), a
manutenção da mobilidade em idosos está diretamente associada a um
envelhecimento mais saudável, permitindo maior autonomia e reduzindo a
necessidade de assistência em atividades básicas da vida diária.
A perda de mobilidade funcional ocorre gradualmente e pode ser agravada
por diversos fatores, incluindo o sedentarismo, a presença de doenças crônicas
como osteoartrite, diabetes e hipertensão, além de déficits cognitivos que afetam o
planejamento e execução dos movimentos (COSTA et al., 2021). Estudos apontam
que idosos que mantêm um nível adequado de atividade física ao longo da vida
apresentam menor declínio da mobilidade e maior capacidade funcional em
comparação àqueles que são inativos (FREITAS et al., 2018).
Um dos fatores mais significativos no declínio da mobilidade funcional é a
sarcopenia, que se caracteriza pela perda progressiva de massa muscular e força,
afetando a estabilidade postural e aumentando o risco de quedas (CRUZ-JENTOFT
et al., 2019). Segundo Pereira et al. (2020), a sarcopenia pode ser amenizada por
meio da prática regular de exercícios resistidos, combinados com estratégias
nutricionais adequadas para estimular a síntese proteica e a regeneração muscular.
Além disso, a prescrição de treinos específicos para melhora do equilíbrio,
fortalecimento muscular e treino de marcha são essenciais para minimizar os
impactos negativos do envelhecimento sobre a mobilidade (SILVA; COSTA, 2020).
Outro aspecto importante relacionado ao envelhecimento e à mobilidade
funcional é a redução da propriocepção, que compromete a capacidade do idoso de
perceber a posição e o movimento do corpo no espaço. Essa diminuição da
sensibilidade proprioceptiva interfere diretamente no equilíbrio, dificultando ajustes
posturais e aumentando a vulnerabilidade a quedas (BARROS et al., 2022). Para
mitigar esse efeito, intervenções fisioterapêuticas focadas no treinamento
proprioceptivo, como exercícios em superfícies instáveis e reeducação postural
global, têm demonstrado resultados positivos na melhora da estabilidade e na
prevenção de quedas em idosos (OLIVEIRA et al., 2021).
8
Além dos fatores físicos, a mobilidade funcional também pode ser influenciada
por aspectos psicológicos e sociais. O medo de cair, por exemplo, é uma barreira
significativa para a prática de atividades físicas, levando os idosos a evitarem
movimentos que consideram arriscados, o que pode resultar em um ciclo de
inatividade e maior perda funcional (FERNANDES et al., 2021). Dessa forma,
programas de reabilitação devem incluir abordagens multidisciplinares que
trabalhem tanto os aspectos físicos quanto emocionais, promovendo maior
confiança e encorajamento para a realização de atividades diárias de forma
independente.
O impacto do envelhecimento na mobilidade funcional ressalta a importância
de estratégias preventivas e de intervenção precoce para minimizar as perdas
funcionais e garantir a qualidade de vida dos idosos. A adoção de um estilo de vida
ativo, associado à prática regular de exercícios terapêuticos supervisionados por
profissionais especializados, pode retardar significativamente o declínio da
mobilidade, favorecendo um envelhecimento mais saudável e autônomo (MORLEY
et al., 2021).
Portanto, compreender os mecanismos que levam à perda da mobilidade e
implementar estratégias eficazes de intervenção são passos fundamentais para
garantir a longevidade ativa e a manutenção da independência funcional dos idosos.
Dessa forma, a fisioterapia desempenha um papel essencial no desenvolvimento de
programas individualizados que promovam não apenas a reabilitação, mas também
a prevenção de complicações decorrentes do envelhecimento, garantindo maior
segurança e qualidade de vida para essa população.
2.2 Sarcopenia e suas implicações na mobilidade
A sarcopenia é uma condição associada à perda progressiva de massa
muscular e força, impactando diretamente na mobilidade dos idosos (CRUZ-
JENTOFT et al., 2019). Essa síndrome multifatorial pode ser agravada por fatores
como sedentarismo, doenças crônicas e deficiências nutricionais. Estudos apontam
que a sarcopenia é um dos principais preditores de incapacidade física e queda em
idosos (RODRIGUES et al., 2021). A fisioterapia, ao utilizar exercícios resistidos e
funcionais, auxilia na preservação da massa muscular e na manutenção da
funcionalidade (MOREIRA et al., 2022).
9
O desenvolvimento da sarcopenia pode ser acelerado devido a fatores como
inflamação crônica, diminuição da síntese proteica e alterações hormonais, como a
redução dos níveis de testosterona e hormônio do crescimento (CRUZ-JENTOFT;
SAYER, 2020). De acordo com Mitchell et al. (2017), a sarcopenia está associada a
um aumento no risco de hospitalização, comprometendo a recuperação funcional e
aumentando os custos de saúde.
Estudos indicam que a prática regular de exercícios físicos, especialmente os
de resistência muscular, pode retardar a progressão da sarcopenia e melhorar a
capacidade funcional dos idosos (FRONTERA et al., 2019). Segundo Landi et al.
(2018), "intervenções que combinam treinamento de força, adequação nutricional e
monitoramento fisioterapêutico têm demonstrado eficácia na prevenção e reversão
da sarcopenia em idosos" (p. 215).
Ademais, a suplementação proteica e o consumo adequado de aminoácidos
essenciais também desempenham um papel fundamental na manutenção da massa
muscular (TIELAND et al., 2018). O consumo adequado de proteínas aliado à prática
de exercícios resistidos melhora a resposta anabólica muscular, reduzindo a taxa de
perda de massa muscular (DELGADO et al., 2019).
Portanto, a abordagem fisioterapêutica para a sarcopenia deve ser
multidimensional, incluindo treinamentos funcionais, fortalecimento muscular e
estratégias nutricionais. A adesão a um programa terapêutico estruturado pode
retardar a progressão da sarcopenia, promovendo melhor qualidade de vida e
independência funcional para os idosos (MORLEY et al., 2021).
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3. A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NA PERDA DE MOBILIDADE
A fisioterapia geriátrica atua na recuperação da mobilidade e na prevenção de
incapacidades, utilizando estratégias como exercícios terapêuticos, treino de
equilíbrio, alongamento e fortalecimento muscular (OLIVEIRA et al., 2020). Estudos
demonstram que programas de fisioterapia estruturados podem melhorar a função
motora e reduzir o risco de quedas em idosos (SILVA et al., 2018). Além disso, a
reabilitação física contribui para a autonomia, proporcionando maior segurança e
independência para essa população (COSTA et al., 2021).
A perda de mobilidade nos idosos está frequentemente associada à redução
da força muscular, da flexibilidade e do equilíbrio postural, fatores que comprometem
sua independência funcional (RODRIGUES et al., 2021). Dessa forma, a intervenção
fisioterapêutica deve ser baseada em um planejamento individualizado, que
contemple as necessidades específicas de cada paciente, favorecendo a
reabilitação e prevenindo o agravamento do quadro de fragilidade (SANTOS et al.,
2022).
A aplicação de exercícios de fortalecimento muscular tem se mostrado eficaz
na melhora da mobilidade, pois reduz a sarcopenia e aumenta a resistência física
(PEREIRA et al., 2019). De acordo com Landi et al. (2018), "a fisioterapia baseada
em treinamento de força e equilíbrio tem impacto significativo na prevenção de
quedas e na melhora da capacidade funcional dos idosos" (p. 210). Além disso,
sessões de fisioterapia que envolvem estimulação proprioceptiva e treinos de
marcha são recomendadas para reduzir o medo de cair e melhorar a segurança dos
pacientes (BARROS et al., 2020).
Outro aspecto importante da fisioterapia geriátrica é a introdução de
atividades aeróbicas moderadas, como caminhada supervisionada e hidroterapia,
que melhoram a capacidade cardiorrespiratória e reduzem a fadiga associada à
mobilidade reduzida (FERREIRA et al., 2021). A inclusão dessas atividades em um
programa terapêutico permite a manutenção da autonomia e promove o bem-estar
físico e mental dos idosos (CARVALHO et al., 2022).
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Assim, a fisioterapia é fundamental não apenas para a recuperação da
mobilidade perdida, mas também para a prevenção de novas limitações. Um
acompanhamento regular e individualizado possibilita um envelhecimento mais ativo
e saudável, minimizando os impactos das doenças degenerativas e melhorando
significativamente a qualidade de vida dos idosos (MORLEY et al., 2021).
3.1 Estratégias fisioterapêuticas aplicadas
As abordagens fisioterapêuticas voltadas para idosos não acamados incluem
exercícios de resistência muscular, treino de marcha e equilíbrio, hidroterapia e
alongamentos (ALMEIDA et al., 2019). O treinamento de força é amplamente
recomendado para a manutenção da funcionalidade, visto que melhora a
capacidade motora e reduz o impacto da sarcopenia (PEREIRA et al., 2020). O
treinamento proprioceptivo também é essencial para a melhora do equilíbrio e da
estabilidade postural (BARROS et al., 2022).
Além disso, a fisioterapia pode empregar técnicas de estimulação
neuromuscular para ativação da musculatura comprometida, promovendo melhor
controle motor e funcionalidade (FONSECA et al., 2021). O uso da eletroestimulação
neuromuscular, por exemplo, tem demonstrado eficácia na recuperação da força
muscular em idosos com mobilidade reduzida (RODRIGUES et al., 2021).
Os exercícios aeróbicos também desempenham um papel importante na
reabilitação, melhorando a capacidade cardiovascular e a resistência física dos
idosos. Segundo Costa et al. (2022), atividades como caminhadas supervisionadas e
exercícios na água proporcionam ganhos significativos na autonomia funcional e na
redução do risco de quedas. A inclusão de atividades como o Tai Chi Chuan e o
Pilates tem demonstrado benefícios na mobilidade, equilíbrio e fortalecimento
muscular, reduzindo a incidência de quedas e promovendo maior bem-estar físico e
mental (SANTOS et al., 2021).
A terapia manual é outra abordagem relevante, pois auxilia na melhora da
mobilidade articular e no alívio de tensões musculares que podem dificultar a
movimentação (SANTOS; OLIVEIRA, 2020). Técnicas de liberação miofascial e
mobilizações articulares são amplamente utilizadas para restaurar a amplitude de
movimento e reduzir dores associadas ao envelhecimento. Além disso, a quiropraxia
e a osteopatia têm sido exploradas como estratégias complementares para a
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manutenção da funcionalidade e prevenção de incapacidades (FERNANDES et al.,
2020).
Programas de treinamento funcional, que simulam atividades diárias como
levantar-se de uma cadeira, subir degraus e carregar objetos, são fundamentais
para a manutenção da independência do idoso. De acordo com Ribeiro et al. (2019),
a aplicação de exercícios específicos para a funcionalidade cotidiana tem um
impacto positivo na autoeficácia e na capacidade de realizar tarefas diárias de forma
segura. Esses programas devem ser adaptados às necessidades individuais,
levando em conta fatores como idade, nível de mobilidade e presença de
comorbidades (SILVA et al., 2020).
Outro recurso promissor é a realidade virtual, que tem sido incorporada à
reabilitação fisioterapêutica de idosos como uma estratégia lúdica e motivadora.
Estudos indicam que a realidade virtual melhora o equilíbrio e a coordenação
motora, além de estimular a cognição e o engajamento dos pacientes (ALVES et al.,
2022). As plataformas interativas permitem a prática de movimentos funcionais em
um ambiente seguro e controlado, favorecendo a reabilitação de forma mais
dinâmica e estimulante (MARTINS et al., 2021).
Dessa forma, a combinação de diferentes estratégias fisioterapêuticas, aliada
a uma abordagem individualizada, contribui para a reabilitação e a manutenção da
mobilidade dos idosos. O acompanhamento regular por profissionais especializados
permite a adaptação das intervenções conforme a evolução do paciente,
promovendo um envelhecimento mais ativo e independente. A abordagem
multidisciplinar também se destaca como um diferencial, englobando o trabalho
conjunto entre fisioterapeutas, educadores físicos, terapeutas ocupacionais e
nutricionistas para potencializar os efeitos das intervenções e garantir melhores
resultados a longo prazo (LOPES et al., 2021).
3.2 O envelhecimento e a mobilidade funcional
O envelhecimento é um processo natural caracterizado por mudanças
fisiológicas, metabólicas e estruturais que afetam a funcionalidade do organismo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2021), a população idosa está
crescendo rapidamente, o que demanda atenção especial à qualidade de vida dessa
parcela da população. Uma das principais preocupações no envelhecimento é a
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perda progressiva da mobilidade, um fator determinante para a independência e a
autonomia.
A mobilidade funcional depende da integridade do sistema
musculoesquelético e neuromotor. Estudos indicam que a partir dos 75 anos há um
declínio significativo da força muscular, equilíbrio e flexibilidade, aumentando o risco
de quedas e comprometendo as atividades diárias (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). A
sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular, é um
dos fatores mais relevantes nessa redução da mobilidade, afetando diretamente a
capacidade dos idosos de realizar tarefas básicas, como caminhar, levantar-se e
manter a postura estável (EWGSOP2, 2019).
Além da sarcopenia, outros fatores podem influenciar a mobilidade dos
idosos, como a presença de comorbidades (diabetes, hipertensão, osteoporose), o
sedentarismo e aspectos nutricionais inadequados (SILVA et al., 2020). O impacto
dessas limitações na qualidade de vida dos idosos é evidente, pois a perda da
mobilidade funcional está associada ao isolamento social, ao aumento da
dependência e ao risco de institucionalização.
14
4. INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA E O IMPACTO DA MOBILIDADE
REDUZIDA
As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) desempenham um
papel fundamental no acolhimento de pessoas idosas que, por diferentes razões,
não podem permanecer em seus lares. No Brasil, essas instituições podem ser
públicas, privadas ou filantrópicas, sendo regulamentadas por normas que garantem
a assistência integral aos residentes (BRASIL, 2003). No entanto, um dos desafios
enfrentados nesses espaços é a manutenção da mobilidade funcional dos idosos,
especialmente aqueles que não estão acamados, mas apresentam resistência às
atividades que promovem a preservação da capacidade motora. A perda progressiva
da mobilidade, associada à falta de estímulos motores, pode comprometer
significativamente a independência e a qualidade de vida dos residentes,
aumentando o risco de quedas, fraturas e outras complicações secundárias (CRUZ-
JENTOFT et al., 2019).
A mobilidade funcional é um fator determinante para o bem-estar dos idosos,
pois influencia diretamente sua autonomia na realização de atividades da vida diária.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2021), o envelhecimento
populacional tem sido acompanhado pelo aumento da incidência de doenças
crônicas e síndromes geriátricas, como a sarcopenia, que afeta a massa muscular e
a capacidade de locomoção. Essa condição é um dos principais fatores que
contribuem para a perda de mobilidade em idosos institucionalizados, levando a um
ciclo de dependência e desmotivação para a prática de exercícios (MORLEY et al.,
2021). Além dos fatores fisiológicos, a falta de estímulos físicos e sociais dentro das
ILPIs pode acelerar esse processo, tornando essencial a implementação de
estratégias que incentivem a movimentação e a participação dos idosos em
atividades terapêuticas.
A restrição da mobilidade em idosos institucionalizados está associada a uma
série de impactos negativos, que podem ser categorizados em físicos, psicológicos e
sociais. No âmbito físico, a falta de exercícios regulares contribui para a perda
15
progressiva da força muscular, da flexibilidade e do equilíbrio, aumentando o risco
de quedas e fraturas ósseas (SILVA et al., 2020). Além disso, a imobilidade pode
afetar a capacidade respiratória, cardiovascular e metabólica dos idosos, elevando a
predisposição para doenças como hipertensão, diabetes e osteoporose (COSTA et
al., 2022). No aspecto psicológico, a redução da mobilidade está diretamente
relacionada ao aumento da prevalência de transtornos como depressão e
ansiedade, uma vez que a inatividade pode gerar sentimentos de frustração,
isolamento e inutilidade (PEREIRA et al., 2020). Socialmente, a diminuição da
mobilidade limita a participação dos idosos em atividades recreativas e interações
comunitárias, agravando o isolamento e comprometendo sua qualidade de vida.
Entre os idosos institucionalizados que não estão acamados, mas
demonstram resistência à reabilitação, há múltiplos fatores que explicam essa
postura. O medo de quedas, por exemplo, é um dos principais motivos que levam
muitos idosos a evitarem a movimentação, mesmo em condições seguras e
supervisionadas (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). A dor crônica também representa
um obstáculo significativo, pois pode tornar a prática de exercícios desconfortável e,
em alguns casos, insuportável. Além disso, o desinteresse e a falta de motivação
podem estar associados a quadros depressivos, baixa autoestima e ausência de
estímulo social (MORLEY et al., 2021). Nesse contexto, a fisioterapia desempenha
um papel essencial na reabilitação geriátrica, mas sua eficácia depende não apenas
das técnicas aplicadas, mas também da abordagem motivacional e adaptativa
utilizada para engajar os idosos no tratamento.
A fisioterapia geriátrica visa preservar a funcionalidade, prevenir complicações
secundárias e promover um envelhecimento ativo e saudável. Segundo Costa et al.
(2022), programas fisioterapêuticos regulares podem reduzir em até 40% o risco de
quedas, aumentando a autonomia dos idosos. Dentre as principais abordagens
utilizadas, destacam-se os exercícios de fortalecimento muscular, que ajudam a
preservar a força e a resistência, contribuindo para a realização das atividades
diárias com maior segurança (SILVA et al., 2020). O treino de equilíbrio e
propriocepção é outra estratégia essencial, pois melhora a estabilidade postural e
reduz a probabilidade de quedas (PEREIRA et al., 2020). Além disso, a mobilização
articular e os alongamentos são fundamentais para preservar a amplitude de
movimento e evitar a rigidez articular. Em casos mais avançados de perda de
mobilidade, a eletroestimulação e outras tecnologias assistivas podem ser utilizadas
16
para estimular a função neuromuscular e retardar a progressão das limitações
motoras (COSTA et al., 2022).
A adesão dos idosos a programas fisioterapêuticos dentro das ILPIs, no
entanto, ainda enfrenta desafios significativos. A infraestrutura inadequada é um dos
principais entraves, pois muitas instituições não possuem espaços adaptados para a
prática de exercícios terapêuticos (PEREIRA et al., 2020). O número reduzido de
fisioterapeutas e profissionais especializados também impacta a qualidade e a
frequência dos atendimentos, prejudicando os resultados da reabilitação (MORLEY
et al., 2021). Além disso, a resistência dos próprios idosos à participação nas
atividades terapêuticas requer abordagens diferenciadas para estimular a motivação
e a confiança no tratamento. Uma das estratégias eficazes para melhorar a adesão
é a personalização dos programas fisioterapêuticos, considerando as necessidades
e preferências individuais dos idosos (SILVA et al., 2020). O uso de atividades
lúdicas, dinâmicas em grupo e exercícios funcionais adaptados pode tornar as
sessões mais atrativas, aumentando o engajamento dos participantes.
A promoção da mobilidade em idosos institucionalizados deve ser uma
prioridade nas políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável. A Política
Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (BRASIL, 2006) estabelece diretrizes para a
assistência integral aos idosos, mas a implementação de ações específicas para a
manutenção da mobilidade dentro das ILPIs ainda enfrenta desafios. A ampliação do
acesso à fisioterapia geriátrica e a capacitação de profissionais que atuam nesses
espaços são medidas essenciais para garantir um envelhecimento mais saudável e
ativo. Além disso, a inclusão de tecnologias assistivas e novas abordagens
terapêuticas pode contribuir para a melhoria da adesão dos idosos às atividades de
reabilitação, potencializando os benefícios da fisioterapia na preservação da
funcionalidade e da autonomia. A integração entre as ILPIs, os profissionais de
saúde e as políticas públicas pode transformar significativamente a qualidade de
vida dos idosos, assegurando que a mobilidade seja mantida como um fator
essencial para um envelhecimento digno e independente.
A fisioterapia tem um papel fundamental na prevenção e reabilitação das
disfunções motoras associadas ao envelhecimento. Programas fisioterapêuticos
específicos para idosos têm demonstrado eficácia na melhora da força muscular, da
estabilidade postural e da coordenação motora, reduzindo em até 40% o risco de
quedas e promovendo um envelhecimento mais ativo (COSTA et al., 2022).
17
A abordagem fisioterapêutica pode ser dividida em diferentes estratégias,
conforme as necessidades individuais dos idosos. Dentre as principais técnicas
utilizadas, destacam-se:
Exercícios de Fortalecimento Muscular: A perda de força muscular está
diretamente associada à sarcopenia e ao declínio funcional. O treinamento
resistido, quando realizado de forma supervisionada, promove o aumento da
massa muscular e melhora a capacidade funcional dos idosos, permitindo
maior independência na realização das atividades diárias (MORLEY et al.,
2021).
Treino de Equilíbrio e Coordenação Motora: A instabilidade postural e o déficit
de coordenação aumentam o risco de quedas em idosos. Exercícios que
trabalham a propriocepção, a resposta reflexa e a adaptação postural são
fundamentais para a manutenção da mobilidade (SILVA et al., 2020).
Estratégias como o treino em bases instáveis e a prática de caminhada com
variação de terreno são amplamente recomendadas.
Mobilização Articular e Alongamentos: A redução da amplitude de movimento
articular é um problema frequente na população idosa. Técnicas de
mobilização e alongamento auxiliam na preservação da flexibilidade e na
prevenção de contraturas musculares, facilitando a realização de tarefas
motoras cotidianas (PEREIRA et al., 2020).
Estimulação Neuromuscular: A estimulação neuromuscular por meio de
técnicas como eletroestimulação e exercícios funcionais tem se mostrado
uma alternativa eficaz para a reabilitação de idosos que apresentam
dificuldades motoras acentuadas. Estudos indicam que essas abordagens
contribuem para a melhoria da conectividade entre o sistema nervoso e o
sistema muscular, promovendo ganhos na mobilidade (COSTA et al., 2022).
4.1 Barreiras e estratégias para melhorar a adesão às intervenções
fisioterapêuticas
A adesão dos idosos institucionalizados às intervenções fisioterapêuticas
ainda representa um desafio significativo. Apesar dos benefícios comprovados da
fisioterapia para a manutenção da mobilidade e prevenção de complicações
motoras, diversos fatores dificultam a participação efetiva dos idosos em programas
18
terapêuticos dentro das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs).
Entre os principais obstáculos, destacam-se as barreiras físicas, estruturais,
psicológicas e sociais que impactam a continuidade e eficácia do tratamento
fisioterapêutico (SILVA et al., 2020).
A infraestrutura inadequada das ILPIs é um dos principais fatores que limitam
a oferta e a adesão às atividades fisioterapêuticas. Nem todas as instituições
possuem espaços apropriados para a prática de exercícios terapêuticos, como salas
adaptadas, equipamentos ergonômicos e superfícies seguras para o treino de
equilíbrio e mobilidade (PEREIRA et al., 2020). A ausência desses recursos pode
dificultar a execução de atividades fundamentais para a manutenção da
funcionalidade motora, restringindo a prática fisioterapêutica a exercícios mais
simples e menos eficazes. Além disso, a disponibilidade reduzida de fisioterapeutas
qualificados dentro das ILPIs compromete a frequência e a individualização dos
atendimentos, prejudicando o acompanhamento contínuo dos idosos e a adaptação
das intervenções às suas necessidades específicas (MORLEY et al., 2021).
Os aspectos psicológicos e emocionais também desempenham um papel
importante na resistência dos idosos às intervenções fisioterapêuticas. O medo de
quedas, muitas vezes baseado em experiências prévias ou na percepção de
fragilidade, faz com que muitos evitem movimentar-se, mesmo quando a atividade
ocorre em ambiente seguro e supervisionado (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). Esse
receio pode ser reforçado pela falta de confiança na própria capacidade física,
tornando essencial a abordagem gradual e motivacional por parte dos
fisioterapeutas. Além disso, a dor crônica, comum em idosos com osteoartrite,
neuropatias e outras condições musculoesqueléticas, pode desencorajar a
participação em exercícios, tornando necessário um planejamento terapêutico que
minimize o desconforto e maximize os benefícios funcionais (COSTA et al., 2022).
Outro fator relevante é o desinteresse e a baixa motivação para a realização
de atividades físicas dentro das ILPIs. O sedentarismo prolongado e a rotina
institucional muitas vezes contribuem para a apatia e a falta de envolvimento dos
idosos com práticas motoras. Em muitos casos, a ausência de estímulos sociais e
recreativos dentro das instituições agrava essa condição, tornando as atividades
fisioterapêuticas um evento isolado e pouco atrativo (SILVA et al., 2020). Além disso,
a desinformação sobre os benefícios da fisioterapia pode levar à subestimação da
19
sua importância, reduzindo o engajamento e comprometendo os resultados a longo
prazo.
Para superar essas barreiras e aumentar a adesão dos idosos às
intervenções fisioterapêuticas, é necessário adotar estratégias que integrem
aspectos físicos, motivacionais e sociais. Uma das abordagens mais eficazes é a
personalização dos programas terapêuticos, ajustando os exercícios às
necessidades individuais e ao nível funcional de cada idoso (PEREIRA et al., 2020).
Exercícios adaptados, que respeitem as limitações articulares e musculares, são
fundamentais para evitar desconforto e promover a evolução progressiva da
mobilidade. Além disso, a combinação de exercícios de fortalecimento, equilíbrio e
propriocepção pode proporcionar um treinamento mais abrangente, reduzindo os
riscos de quedas e melhorando a autonomia funcional (MORLEY et al., 2021).
O uso de estratégias motivacionais também se mostra essencial para
aumentar a adesão dos idosos aos programas fisioterapêuticos. Sessões em grupo,
por exemplo, podem tornar as atividades mais dinâmicas e socialmente
estimulantes, promovendo interações e reduzindo o impacto emocional do
isolamento dentro das ILPIs (COSTA et al., 2022). A gamificação das intervenções,
utilizando jogos terapêuticos e desafios motores, pode aumentar o engajamento e
tornar o processo de reabilitação mais prazeroso. Além disso, a inserção de
elementos lúdicos nas sessões, como música e dança, pode contribuir para a
adesão de idosos que não demonstram interesse por atividades físicas
convencionais (SILVA et al., 2020).
A conscientização sobre a importância da fisioterapia deve ser promovida não
apenas entre os idosos, mas também entre cuidadores, familiares e demais
profissionais da instituição. A realização de palestras e dinâmicas educativas pode
ajudar a reforçar a relevância da mobilidade para a manutenção da independência e
do bem-estar, estimulando um suporte mais efetivo para os idosos dentro das ILPIs
(PEREIRA et al., 2020). A participação da família no processo de reabilitação
também é um fator determinante para a adesão, pois o incentivo externo pode
motivar os idosos a se engajarem nas atividades propostas.
Outro aspecto importante é a ampliação do acesso a tecnologias assistivas na
reabilitação geriátrica. Dispositivos como andadores ergonômicos, sensores de
equilíbrio e sistemas de monitoramento postural podem auxiliar na execução de
exercícios com maior segurança, reduzindo o medo de quedas e aumentando a
20
confiança dos idosos durante as atividades (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). A
telereabilitação, que se tornou mais viável com os avanços tecnológicos, pode ser
uma alternativa para a continuidade do acompanhamento fisioterapêutico em
momentos de restrição de deslocamento, garantindo a manutenção dos ganhos
funcionais mesmo fora das sessões presenciais (COSTA et al., 2022).
A integração entre as ILPIs, os profissionais de saúde e as políticas públicas é
fundamental para assegurar a implementação de estratégias eficazes para a
reabilitação geriátrica. A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (BRASIL,
2006) estabelece diretrizes para a promoção do envelhecimento ativo e saudável,
mas ainda há desafios na aplicação prática dessas medidas dentro das instituições
de longa permanência.
21
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho investigou a importância da fisioterapia na preservação da
mobilidade em idosos não acamados entre 75 e 90 anos no fortalecimento das
parcerias entre o setor público e privado pode contribuir para a ampliação do acesso
a serviços fisioterapêuticos qualificados, garantindo que os idosos institucionalizados
recebam atendimento adequado e contínuo.
A superação das barreiras para a adesão à fisioterapia em ILPIs requer uma
abordagem multidimensional, que leve em consideração não apenas as limitações
físicas dos idosos, mas também os aspectos emocionais e sociais que influenciam
sua participação nas atividades.
Por fim, a adoção de estratégias adaptativas, motivacionais e tecnológicas
pode transformar significativamente a experiência da fisioterapia dentro dessas
instituições, garantindo que os idosos tenham um envelhecimento mais ativo,
funcional e autônomo. Dessa forma, o investimento na mobilidade dos idosos
institucionalizados deve ser visto como uma prioridade na promoção da qualidade de
vida e na prevenção de complicações motoras, assegurando que a reabilitação
geriátrica seja acessível e eficaz para essa população.
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