DIREITO DAS COISAS
CONCEITO
(página 1)
É o complexo de normas reguladoras das relações jurídicas referentes às
coisas suscetíveis (capazes) de apropriação pelo homem. Tais coisas são do
mundo físico, porque sobre elas é que é possível exercer o poder de domínio”
Coisa (bem corpóreo)
o Tudo aquilo que existe objetivamente, com exclusão do homem
o Tudo aquilo que pode ser objeto de relações jurídicas
o Corpórea pois existe no mundo físico e não há de ser tangível pelo
homem
Bens (úteis e raras)
o são capazes de apropriação e contêm valor econômico
o Ar, água de oceano deixam de ser bens pois não tem relação jurídica
DIREITO REAL DIREITO PESSOAL
Afeta a coisa direta e indiretamente Sujeito ativo pode exigir do sujeito
passivo determinada prestação
Sujeito ativo, a coisa e a relação ou poder do Sujeito ativo, passivo e a prestação
sujeito sobre a coisa (domínio)
Perpetuidade (concede ao titular um gozo Transitório (se extingue no
permanente) momento que a obrigação correlata
é cumprida)
Só encontra um sujeito passivo concreto no Dirige-se, desde o seu nascimento,
momento em que é violado, pois, enquanto contra uma pessoa determinada, e
não há violação, dirige-se contra todos somente contra ela
Erga omnes (contra todos) Contra o sujeito passivo
Numerus clausus: rol taxativo (só é real o que Qualquer obrigação lícita (pode ser
tá na lei - art 1.225 CC) criada pela vontade das partes)
Observação em sala de aula: O direito real de propriedade é exercido direta e
imediatamente pelo titular, sem a necessidade de qualquer intermediário.
Porém, para que o comodatário possa utilizar a coisa locada precisa que,
mediante o contrato de comodato, o proprietário da coisa lha entregue,
assegurando-lhe o direito de usá-la com a obrigação de restituí-la após o
decurso de certo tempo
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO REAL
(página 2)
1. Princípio da aderência, especialização ou inerência
a. Estabelece um vínculo, uma relação de senhoria entre o sujeito e a
coisa
b. Permanece incidindo sobre o bem, ainda que este circule de mão em
mão e se transmita a terceiros, pois o aludido direito segue a coisa (jus
persequendi)
c. Obrigação propter rem
2. Princípio do absolutismo
a. Oponibilidade erga omnes, ou seja, contra todos,
b. Direito de sequela ou jus persequendi, isto é, de perseguir a coisa e de
reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real), bem como
o jus praeferendi ou direito de preferência.
3. Princípio da publicidade ou da visibilidade
a. O direito real só pode ser exercido contra todos se forem ostentados
publicamente.
b. No que diz respeito às coisas móveis, manifesta-se esta publicidade por
meio da posse (tradição), já os imóveis com o Registro
4. Princípio da taxatividade ou numerus clausus
a. O direito real é taxativo, ou seja, é enumerado, só será considerado
aquilo que está determinado na lei (numerus clausus).
5. Princípio da tipicidade
a. Se há um numerus clausus, também há, necessariamente, uma
tipologia de direitos reais
b. São definidos e enumerados determinados tipos pela norma
6. Princípio da perpetuidade
a. A propriedade é um direito perpétuo, pois não se perde pelo não uso,
mas somente pelos meios e formas legais: desapropriação, usucapião,
renúncia, abandono etc
7. Princípio da exclusividade
a. Não pode haver dois direitos reais, de igual conteúdo, sobre a mesma
coisa
8. Princípio do desmembramento
a. Os direitos reais sobre coisas de outra pessoa costumam ser mais
estáveis que os direitos obrigacionais, mas ainda assim são
temporários. Isso porque eles vêm da propriedade, que é o direito
principal. Quando esses direitos acabam, como no caso da morte de
um usufrutuário, voltam automaticamente para o dono do bem,
seguindo o princípio da consolidação.
INTRODUÇÃO DE POSSE E CONCEITOS GERAIS
(página 3)
Posse é a conduta de dono, sempre que houver o exercício dos poderes de
fato, inerentes à propriedade, existe a posse, a não ser que alguma norma
diga que esse exercício configura a detenção e não a posse.
o É o poder propriamente dito que tem o titular da relação fática sobre um
determinado bem, caracterizando-se tanto pelo exercício como pela
possibilidade de exercício.
o O titular da posse tem o interesse potencial em conservá-la e protegê-la
de qualquer tipo de moléstia que porventura venha a ser praticada por
outrem, mantendo consigo o bem numa relação de normalidade capaz
de atingir a sua efetiva função socioeconômica.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou
não, de algum dos poderes inerentes à propriedade
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência
para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou
instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este
artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o
contrário
Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como
não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de
cessar a violência ou a clandestinidade.
POSSE E PROPRIEDADE (ius possessionis e ius possidendi)
ius possessionis (posse autônoma) diz respeito apenas à posse em si, sem
considerar se há um direito legítimo por trás dela. A posse é protegida pela lei
simplesmente pelo fato de existir, independentemente de corresponder ou não
a um direito real de propriedade.
o situação de fato
o direito fundado no fato da posse, direito este protegido contra terceiros
(desde que não possuam nenhum título, nem melhor posse) e contra o
próprio proprietário, desde que a posse seja exercida há mais de ano e
dia.
ius possidendi (posse casual) analisa o direito de possuir algo, ou seja,
investiga qual é o fundamento jurídico que justifica essa posse.
o o jus possessionis (a posse de fato) continua válido até que o jus
possidendi (o direito legítimo de possuir) o supere e o anule.
o direito à posse, derivado de título inscrito, isto é, posse como um dos
poderes derivados da propriedade, figurando como o seu elemento
exteriorizador. Também decorrente dos demais direitos reais, como
servidão e usufruto.
POSSE E DETENÇÃO
Conceito
o Posse é quando alguém tem algo como seu, com a intenção de
possuí-lo
gera direitos legais, como o direito de proteger o que é seu
o A detenção ocorre quando alguém guarda algo, mas em nome de
outra pessoa, sem querer ser o dono.
A detenção pode ser considerada legal em casos de violência
ou clandestinidade até que a situação mude, mas ela não gera a
posse até que isso aconteça. Além disso, bens públicos não
podem ser possuídos por ninguém, apenas usados com
permissão, o que é chamado de detenção consentida.
OBS: A posse envolve a intenção de ter algo como próprio, enquanto a detenção
ocorre quando alguém mantém a coisa em nome de outra pessoa, sem o desejo de
possuí-la.
OBS 2: a Posse de bens públicos, não há caracterização de posse de bens públicos:
CF, arts. 183 e 191 > havendo tolerância do Poder Público, tem-se a detenção
consentida
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta
metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a
para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja
proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
QUASE POSSE, COMPOSSE E CONCORRÊNCIA DE POSSE
Composse: poderes possessórios simultâneos sobre a mesma coisa
(condomínio)
o composse pro diviso, cada pessoa usa uma parte do bem, e após um
ano, pode defender sua parte com a proteção possessória.
o composse pro indiviso: posse sobre a totalidade da coisa
o A composse também é reconhecida em situações como a dissolução de
uma união estável, onde a posse dos bens comuns é protegida.
Quase Posse: Na Roma antiga, só se considerava posse verdadeira a que
vinha do direito de propriedade. Quando alguém tinha direitos menores,
como usufruto ou servidão, isso era chamado de quase posse
o Hoje, no Código Civil Brasileiro, essa diferença não existe mais. Direitos
menores, como usufruto, agora são considerados posse verdadeira, e
quem exerce esses direitos é tratado como possuidor.
OBS: concorrência de posses: posse direta e posse indireta > posses de
naturezas diversas sobre a mesma coisa
Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente,
em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida,
podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma
exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros
compossuidores.
TEORIAS SOBRE A POSSE
(página 4)
1. Teoria subjetiva de Savigny
a. Friedrich von Savigny, em seu livro Tratado da Posse (1803), defendeu
que a posse tem um papel próprio no direito, com direitos que surgem
apenas dela (ius possessionis). Para ele, a posse exige dois elementos:
i. Corpus – Controle físico da coisa.
ii. Animus – Intenção de possuí-la como dono.
b. Se faltar um desses, não há posse plena. Por isso, ele negava a posse
a inquilinos e usufrutuários, o que gerou críticas, pois até um ladrão
poderia ter proteção jurídica. Para corrigir isso, criou a categoria da
posse derivada, que permitia posse sem intenção de dono.
2. Teoria objetiva de Ihering
a. A teoria de Rudolf von Ihering é chamada objetiva porque não dá tanta
importância à intenção (animus), ao contrário da teoria de Savigny.
Para ele, a posse existe quando alguém age como dono da coisa,
independentemente da intenção real de ser proprietário. O que importa
é o comportamento externo, ou seja, a maneira como a pessoa usa a
coisa no dia a dia.
OBS: Para Savigny, só há posse se existir corpus + animus domini (intenção de
dono). Sem isso, é apenas detenção.
Para Ihering, basta o corpus e a forma de uso. A posse só vira detenção se houver
um impedimento legal.
3. Teorias sociológicas
a. No início do século XX, juristas como Silvio Perozzi, Raymond Saleilles
e Antonio Hernández Gil destacaram a posse não apenas como um
direito individual, mas também como algo que tem uma função social.
Eles argumentaram que a posse deve ser vista com base no
comportamento social e no trabalho das pessoas, e não apenas como
um direito sobre a coisa.
b. Essas ideias influenciaram a Constituição de 1988, que afirmou que a
propriedade deve cumprir sua função social, e o Código Civil de 2002,
que passou a proteger a posse-trabalho. Isso significa que, em alguns
casos, a posse de uma pessoa pode ser mais importante do que o
direito de propriedade, especialmente quando envolve interesses
sociais e econômicos.
NATUREZA JURÍDICA DA POSSE
Três principais correntes doutrinárias:
Posse como direito: Alguns juristas, como Ihering, consideram a posse como um
direito protegido pela lei, com base no interesse jurídico do possuidor.
Posse como fato: Outros, como Windscheid, afirmam que a posse é apenas um fato,
sem vínculo jurídico direto, sendo uma simples detenção de coisa.
Posse como fato e direito: A corrente mais aceita, como Savigny, entende que a posse
é ao mesmo tempo um fato (a detenção da coisa) e um direito, pois gera efeitos
jurídicos, como a usucapião.
Posse como estado de aparência juridicamente protegido: trata-se a posse de um
estado de fato protegido pelo direito. Se o Direito protege a posse como tal,
desaparece a razão prática, que tanto incomoda os doutrinadores, em qualificar a
posse como simples fato ou como direito. Se o possuidor, desapossado da coisa,
tivesse que provar sempre, e a cada momento, sua propriedade ou outro direito real
na pretensão de reaquisição do bem, a prestação jurisdicional tardaria e instaurar-se-
ia inquietação social.
ESPÉCIES DE POSSE
(Página 5)
1. Posse direta e indireta:
a. Posse direta: é aquela em que o possuidor exerce diretamente o poder
sobre o bem
b. Posse indireta: ocorre quando o possuidor exerce a posse por meio de
outra pessoa
i. O proprietário, por exemplo, tem posse indireta, enquanto o
locatário tem posse direta.
ii. A posse indireta, apesar de ser discutida por alguns como
ficção, é considerada legítima pela maioria da doutrina.
iii. O desdobramento sucessivo da posse também é possível, onde
várias pessoas podem ter posse direta ou indireta em uma
mesma coisa, como em uma cadeia de locações ou usufrutos.
2. Posse justa e injusta:
a. Posse Justa: aquela adquirida de forma legal e legítima, sem vícios.
Não é violenta, clandestina ou precária.
b. Posse Injusta: surge quando a posse é adquirida com algum vício,
como violência, clandestinidade ou abuso de confiança (precariedade).
Embora seja injusta em relação ao proprietário, a posse pode ser válida
contra terceiros.
c. Posse Violenta: ocorre quando alguém toma um bem ou expulsa o
possuidor anterior à força (física ou moral).
i. Efeitos da Violência
ii. A posse obtida por violência é injusta desde o início, pois o
esbulhador não pode se tornar proprietário e a vítima tem direito
à reintegração da posse.
3. Violência Moral:
a. Ameaças ou coação que forçam alguém a abandonar a posse também
tornam a posse viciada.
4. Posse Clandestina
a. Acontece quando alguém toma um bem ou ocupa um imóvel às
escondidas, sem o conhecimento do proprietário.
5. Cessação da Clandestinidade
a. Quando o esbulhador deixa de ocultar a posse, o vício pode ser
cessado, tornando a posse injusta, mas com proteção contra terceiros.
6. Posse Precária
a. É a posse adquirida com base em confiança (como um empréstimo),
mas que se torna injusta quando o possuidor se recusa a devolver o
bem após o prazo acordado.
7. Transformação da Posse:
a. A posse precária se torna injusta de forma imediata quando o possuidor
recusa a devolução.
8. Efeitos da Posse Injusta
a. Mesmo sendo injusta em relação ao legítimo proprietário, a posse pode
ser protegida contra terceiros. O possuidor injusto tem direito à proteção
possessória, inclusive contra o proprietário, até que a questão seja
resolvida judicialmente.
9. Transformação da Detenção em Posse: No caso de posse obtida com vícios
como violência ou clandestinidade, há uma transição de detenção para posse
injusta quando cessam os vícios. Porém, no caso da precariedade, a posse se
torna injusta de imediato, sem transição.
10. Cessação da Violência ou Clandestinidade
a. Quando a violência ou a clandestinidade desaparecem, a posse pode
ser transformada de detenção (posse sem direito) em posse injusta,
com proteção contra terceiros.
11. Precariedade
a. Não há uma fase de transição.
b. Quando o possuidor precário se recusa a devolver o bem, sua posse se
transforma imediatamente em injusta, sem possibilidade de
"convalescimento" do vício.
12. Possibilidade de Usucapião
a. Após o decurso de tempo, a posse injusta pode se tornar uma base
para a usucapião, desde que cumpra os requisitos legais, como o uso
pacífico e contínuo do bem.
13. Posse de boa-fé e de má-fé:
a. Posse de boa-fé ocorre quando o possuidor acredita ser o legítimo
proprietário
i. A posse de boa-fé ocorre quando o possuidor desconhece vícios
que impedem a aquisição legítima do bem
b. Posse de má-fé ocorre quando o possuidor sabe que está violando o
direito de outra pessoa
i. Caso o possuidor tome conhecimento do vício, sua posse se
torna de má-fé.
14. Posse nova e posse velha
a. A posse nova é aquela que dura menos de um ano e dia
b. posse velha é a que ultrapassar esse prazo.
i. O tempo de posse é fundamental, pois após um ano e dia, a
posse é considerada purgada de vícios como violência ou
clandestinidade.
15. Posse ad interdicta e posse ad usucapionem
a. A posse ad interdicta pode ser defendida por ações possessórias, mas
não leva à usucapião. Para ser protegida, deve ser justa (sem violência,
clandestinidade ou precariedade)
b. A posse ad usucapionem é aquela que, após certo tempo (como 10 ou
15 anos), pode levar à aquisição do domínio, gerando direito de
propriedade
16. Posse exclusiva e posses paralelas
a. Posse exclusiva: quando uma pessoa tem total controle sobre uma
coisa, podendo ser plena ou não. Ela se opõe à composse, onde duas
ou mais pessoas compartilham a posse de um bem. Cada
compossuidor pode usar o bem, mas sem excluir os outros.
b. Posse paralela: é diferente da composse, pois envolve tipos diferentes
de posse sobre a mesma coisa.
17. Posse natural e posse civil
a. Posse natural é a posse material, exercida pelo controle físico da coisa.
b. Posse civil: é adquirida legalmente, sem necessidade de posse física,
como no caso de um contrato de locação, onde o locador mantém
posse indireta sem estar no imóvel.
18. Posse pro diviso e pro indiviso
a. Posse pro diviso, cada compossuidor exerce posse sobre uma parte
ideal da coisa,
b. Posse pro indiviso, cada um ocupa uma parte física específica. Em
ambas as situações, compossuidores têm direito de defesa da posse,
mas com diferenças no tipo de posse exercida.
DA AQUISIÇÃO E PERDA DA POSSE
(Página 6)
Tito Fulgêncio diferencia propriedade e posse: a propriedade exige prova de
origem, enquanto a posse é um fato, sem necessidade de justificativa. A data
da posse é relevante para identificar vícios, diferenciar posse nova da velha e
iniciar prazos de usucapião.
1. Apreensão da Coisa: Ocorre quando alguém se apropria de um bem sem
dono (res derelicta ou res nullius) ou retira algo de outra pessoa sem
permissão. A posse se consolida pelo controle de fato, seja pelo deslocamento
de bens móveis ou pela ocupação e uso de imóveis, desde que não haja
reação imediata do possuidor anterior.
2. Exercício do Direito: Aplica-se a direitos reais sobre bens alheios, como
servidão e uso, diferindo da apreensão, que envolve apropriação. Consiste na
utilização efetiva de um direito possessório, como no caso de um locatário ao
assumir um imóvel alugado.
3. Disposição da Coisa ou do Direito: Demonstra posse ou domínio ao vender,
ceder ou emprestar um bem. Segundo Carvalho Santos, dispor de uma coisa é
uma das formas mais evidentes de exteriorizar a posse e a intenção de ser
proprietário.
4. Modos Derivados de Aquisição da Posse: A posse pode ser transferida por
negócio jurídico (inter vivos) ou por sucessão (mortis causa), conforme o art.
104 do Código Civil.
a. Tradição: Forma mais comum de aquisição, podendo ser real (entrega
física), simbólica (atos representativos, como entrega de chaves) ou
ficta (constituto possessório e traditio brevi manu).
b. Sucessão na Posse: Pode ser inter vivos ou mortis causa. Na
sucessão mortis causa, a posse é transmitida automaticamente aos
herdeiros, mantendo suas características originais. Na inter vivos, a
posse pode ser unida à do antecessor (accessio possessionis), o que
pode ser vantajoso para usucapião.
QUEM PODE ADQUIRIR A POSSE
Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante;
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.
A posse não exige plena capacidade jurídica, podendo ser adquirida por
incapazes quando representados ou até mesmo diretamente, caso se trate de
uma mera situação de fato, como no caso de apreensão de bens.
o A vontade necessária para aquisição da posse não precisa ter os
atributos de um negócio jurídico, bastando uma intenção natural, como
ocorre na ocupação de bens sem dono (res nullius).
Além disso, a posse pode ser adquirida por terceiros sem
mandato, dependendo de posterior ratificação, como na figura
do gestor de negócios.
Art. 1.209. A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis
que nele estiverem.
PERDA DA POSSE
A posse se perde quando o possuidor deixa de exercer o poder sobre o bem,
mesmo contra sua vontade.
1. Abandono: ocorre quando o possuidor manifesta intenção de renunciar
ao bem. No entanto, isso não implica necessariamente perda da
propriedade.
2. Tradição (entrega a terceiro): quando há intenção de transferir a posse,
como em uma venda.
3. Perda do bem: quando o objeto desaparece ou se torna impossível de
recuperar.
4. Destruição da coisa: extinção física ou perda de valor econômico do
bem.
5. Colocação fora do comércio: quando um bem se torna inaproveitável ou
inalienável.
6. Posse de outrem: quando outra pessoa toma posse do bem, inclusive
de forma clandestina ou violenta, e o antigo possuidor não reage em
tempo hábil.
OBS: A perda da posse não é sempre definitiva. Se o possuidor original buscar
reintegração dentro do prazo legal, pode reavê-la.
RECUPERAÇÃO DE COISAS MÓVEIS E TÍTULOS AO PORTADOR
O Código Civil de 1916 permitia a reivindicação de coisa móvel furtada, mesmo que
estivesse com um terceiro de boa-fé, o que garantia a restituição ao legítimo
possuidor.
Já o Código Civil atual (art. 1.228) mantém o direito do proprietário de reivindicar o
bem injustamente desapossado, mas protege o terceiro de boa-fé em certas situações.
O art. 1.268 estabelece que, se um bem for adquirido em leilão ou estabelecimento
comercial, a propriedade pode ser transferida, mesmo que o vendedor não fosse o
verdadeiro dono.
Dessa forma, a proteção ao terceiro adquirente depende do contexto da aquisição:
Furto, roubo ou perda: o verdadeiro proprietário pode reivindicar o bem.
Estelionato ou apropriação indébita: o bem não pode ser reivindicado se
estiver com um terceiro de boa-fé, devendo a vítima buscar reparação contra o
fraudador.
A posse de imóveis segue regras específicas, e direitos possessórios podem ser
perdidos por desuso prolongado.
PERDA DA POSSE PARA O AUSENTE
O Código Civil de 1916 considerava perdida a posse para o ausente quando,
ao tomar conhecimento da ocupação indevida, este se abstinha de recuperá-la
ou, tentando reavê-la, era repelido com violência.
O Código Civil de 2002 manteve essa orientação, mas aprimorou a redação
ao substituir "ausente" por "quem não presenciou o esbulho" (art. 1.224).
Apesar disso, a perda da posse não é definitiva, pois o esbulhado pode
recorrer às ações possessórias (art. 1.210), sendo restituído ao seu direito.
Dessa forma:
A ausência temporária não implica perda da posse.
A posse pode ser mantida solo animo (pela intenção do possuidor), mesmo
que o bem tenha sido ocupado por terceiros.
O possuidor esbulhado tem direito à reintegração pela via judicial,
garantindo sua proteção contra turbação ou esbulho.
DA MANUTENÇÃO E DA REINTEGRAÇÃO DE POSSE
Ações de manutenção e reintegração de posse essas ações estão na mesma
seção do estatuto processual civil por terem requisitos semelhantes. A
diferença principal é que a manutenção protege contra turbação, enquanto a
reintegração ocorre no caso de esbulho, conforme o art. 560 do CPC/2015 e o
art. 1.210 do Código Civil/2002. A turbação impede o pleno exercício da posse,
mas sem perda total, ao contrário do esbulho, que priva o possuidor.
Posse: art. 561 do CPC exige prova da posse, da turbação ou esbulho, da data do
ocorrido e da continuidade ou perda da posse. Quem nunca teve posse não pode usar
interditos possessórios. A posse pode ser transmitida por ato inter vivos ou mortis
causa. O mero detentor não tem proteção possessória. A falta de prova leva à
improcedência da ação.
Turbação: É todo ato que embaraça o exercício da posse, podendo ser material ou
jurídico. Não exige dano material, apenas interferência concreta. No Brasil, só se
reconhece a turbação real, podendo ser direta ou indireta, positiva ou negativa.
Esbulho: Privação da posse por violência, clandestinidade ou abuso de confiança. A
ação de reintegração busca restabelecer a posse. O prazo de ano e dia, em casos de
clandestinidade, começa a contar quando o possuidor toma conhecimento do ato. O
esbulho pode ser pacífico ou violento, mas ambos garantem proteção possessória.
Data da turbação ou esbulho: a data define o procedimento: em até ano e dia, cabe
pedido liminar; após esse prazo, o rito é comum. Esse prazo é fatal e peremptório.
Todas as ações seguem o rito comum após contestação.
Continuação ou perda da posse: na manutenção de posse, o autor deve provar que
ainda mantém a posse. Se a perdeu, deve ajuizar reintegração de posse.
PROCEDIMENTO – PETIÇÃO INICIAL: A petição deve seguir os arts. 555, 561 e 562
do CPC. O objeto da ação deve ser claro, e as partes, corretamente identificadas. Em
invasões coletivas, o oficial de justiça pode fazer citações.
Liminar: Se a petição estiver instruída corretamente, o juiz pode conceder liminar sem
ouvir o réu (art. 562, CPC/2015). Caso contrário, exige justificação prévia. Em litígios
coletivos, há audiência de mediação. Contra pessoas jurídicas de direito público, a
liminar exige prévia audiência dos representantes.
CONCESSÃO DA LIMINAR CONTRA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO:
Exige audiência prévia dos representantes judiciais, mesmo com prova dos requisitos
do art. 561 do CPC/2015.
RECURSO CABÍVEL: A decisão sobre liminar pode ser questionada por agravo de
instrumento (art. 1.015, I, CPC/2015). O juiz pode reconsiderar a decisão.
EXECUÇÃO DA DECISÃO CONCESSIVA DE LIMINAR: O oficial de justiça cumpre o
mandado sem citação prévia, garantindo a restituição ao status anterior. O mandado
vale contra qualquer ocupante, salvo quem provar posse legítima.
CONTESTAÇÃO E PROCEDIMENTO COMUM: Após liminar, o réu tem 15 dias para
contestar. Se houve justificação prévia, o prazo começa da intimação da decisão sobre
a liminar. Após essa fase, a ação segue o rito comum.
EXECUÇÃO DA SENTENÇA: A sentença tem força executiva imediata, sem
necessidade de citação prévia para entrega da coisa. O oficial de justiça expulsa o
esbulhador e reintegra o possuidor. Além da posse, a sentença pode incluir
indenização, multa (astreinte) e desfazimento de obras ou plantações.
EMBARGOS DO EXECUTADO E DE RETENÇÃO POR BENFEITORIAS: Embargos
não são cabíveis, pois a sentença é autoexecutável. O direito de retenção por
benfeitorias deve ser alegado na contestação ou reconvenção. Caso contrário, cabe
ação de indenização.
EMBARGOS DE TERCEIRO: Admitidos pelo STF e STJ mesmo após o trânsito em
julgado. Devem ser opostos em até 5 dias do ato de execução. Quem sofre turbação
ou esbulho pode embargar para proteger seus bens. Quem adquire bem litigioso após
a citação não pode embargar
DO INTERDITO PROIBITÓRIO
REQUISITOS
Interdito proibitório é uma ação preventiva para evitar ameaças à posse, cabível
quando há justo receio de turbação ou esbulho (art. 567 do cpc). exige posse
atual, ameaça real e receio justificado com base em fatos objetivos.
Cominação de pena pecuniária: prevê multa para desestimular descumprimento.
se a ameaça se concretizar, pode ser convertido em ação de manutenção ou
reintegração. a liminar é permitida (art. 568 do cpc), mas contra a administração
pública exige audiência prévia. a súmula 228 do stj impede seu uso para direitos
autorais.
EFEITOS DA POSSE
(página 7 e 8)
1. Legítima defesa: em regra, a defesa do direito violado ou ameaçado se faz
através de recurso ao Poder Judiciário. Todavia, o legislador, temendo que a
proteção judiciária não possa, por vezes, atingir sua finalidade,
excepcionalmente faculta à vítima a possibilidade de defender-se diretamente,
com seus próprios meios, contanto que obedeça aos requisitos legais (que ela
se faça logo e que os meios empregados sejam proporcionais à agressão). É a
defesa legítima, permitida, genericamente, pelo art. 188, I do CC, repetida, no
caso específico da posse, no art. 1.210, § 1°. DESFORÇO IMEDIATO
a. legítima defesa > turbação da posse >>> molestamento, perturbação;
porém, sem a perda da posse
b. desforço imediato > esbulho da posse >>> perda da posse
2. Direito à percepção dos frutos: em regra, os frutos pertencem ao proprietário
como acessórios da coisa (CC, art. 92). No entanto, essa regra não se aplica
quando o possuidor está de boa-fé, ou seja, com a convicção de que o bem
possuído é seu. Nesse caso, o direito do possuidor prevalece, recompensando
seu trabalho e boa-fé, e punindo a inércia do proprietário.
a. A boa-fé e um justo título são condições fundamentais para que o
possuidor tenha direito aos frutos.
3. OBS: Frutos são bens acessórios que se renovam periodicamente sem destruir
a coisa principal.
4. Direito à indenização das benfeitorias: benfeitorias são obras ou despesas
em coisa já existente, enquanto as acessões industriais criam coisas novas.
a. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias
necessárias e úteis, e pode levantar as voluptuárias se não forem
pagas e sem detrimento da coisa, exercendo o direito de retenção pelas
necessárias e úteis. O possuidor de má-fé tem direito apenas às
benfeitorias necessárias, sem direito de retenção ou de levantar as
voluptuárias. As benfeitorias compensam-se com os danos, e o
reivindicante pode optar entre o valor atual e o custo das benfeitorias
devidas ao possuidor de má-fé, enquanto ao possuidor de boa-fé
indenizará pelo valor atual.
5. Direito de retenção: permite ao credor deter a coisa alheia até ser indenizado
por benfeitorias ou acessões. Fundamenta-se na equidade e é um meio
coercitivo de pagamento.
a. Sua natureza jurídica é debatida, sendo considerado por alguns como
direito real. Requisitos para o exercício incluem detenção legítima da
coisa, crédito exigível, relação de conexidade e inexistência de
exclusão convencional ou legal.
b. Deve ser alegado em contestação ou embargos de retenção por
benfeitorias em execução para entrega de coisa certa.
6. Direito de adquirir a propriedade pela posse continuada: é uma das formas
de aquisição da propriedade é a usucapião, que se caracteriza como a posse
mansa e pacífica exercida ao longo de tempo determinado pela lei, além de
outros requisitos legais, de acordo com cada uma de suas modalidades.
7. Tutela da posse: apesar das divergências doutrinárias, é reconhecida por seu
efeito jurídico, que a distingue da mera detenção.
a. Teorias sobre os efeitos da posse
i. Unicidade dos efeitos: Defendida por Orlando Gomes e outros,
considera que a posse induz apenas à presunção de
propriedade.
ii. Pluralidade dos efeitos: Aceita que a posse gera diversos
efeitos, sendo os principais:
1. Proteção possessória (autodefesa e interditos);
2. Percepção de frutos;
3. Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa;
4. Indenização por benfeitorias e direito de retenção;
5. Usucapião.
também são efeitos da posse:
1. Fungibilidade dos interditos: O juiz pode conceder a proteção possessória
adequada mesmo que a ação proposta não seja a mais correta, desde que
atendidos os requisitos. Isso vale para manutenção, reintegração e interdito
proibitório, mas não para imissão na posse ou reivindicatória.
2. Cumulação de pedidos: O autor pode cumular ao pedido possessório
indenização por perdas e danos, frutos e medidas para evitar nova turbação ou
esbulho. Essa cumulação é facultativa e não altera o rito especial.
3. Caráter dúplice: O réu pode alegar violação à sua posse na contestação e
requerer proteção possessória e indenização sem precisar reconvir, desde que
prove os requisitos necessários.
4. Distinção entre juízo possessório e petitório: No juízo possessório sobre
posse, que é cabível apenas no juízo petitório é sobre dominio.
5. Procedimento: Ações possessórias propostas dentro de ano e dia da
turbação/esbulho (força nova) têm rito especial e possibilidade de liminar. Após
esse prazo (força velha), seguem o rito comum, sem liminar, mas mantêm
caráter possessório. Aplica-se a bens móveis e imóveis.
6. Caução: O réu pode exigir caução do autor que obteve liminar, se provar sua
falta de idoneidade financeira. A caução deve ser prestada em 5 dias, sob pena
de depósito da coisa litigiosa. Hipossuficientes são dispensados.
AÇÕES AFINS AOS INTERDITOS POSSESSÓRIOS
(Página 9)
1. Ação de Imissão na Posse: Protege a posse baseada no direito de
propriedade, sendo distinta das possessórias. Aplicável quando o proprietário
nunca teve a posse. Tem natureza petitória e segue o procedimento comum.
Pode ser intentada contra alienante ou terceiros e admite tutela de urgência.
2. Imissão na Posse vs. Reivindicatória: A imissão visa posse nunca antes
exercida, enquanto a reivindicatória busca recuperar posse perdida. A imissão
era contra o alienante, mas agora pode ser contra qualquer terceiro. A matéria
de defesa na imissão é mais restrita.
3. Ação de Nunciação de Obra Nova: Destinada a impedir obras prejudiciais ou
ilegais, fundamentada no direito de vizinhança. O CPC de 2015 eliminou o rito
especial, mas a ação segue existindo. A obra deve ser "nova"; se concluída,
cabem outras ações, como reparação de danos.
4. Embargos de Terceiro: Protege quem sofre constrição judicial indevida sobre
seus bens. Exige posse ou outro direito sobre o bem, diferenciando-se das
possessórias, onde o ato perturbador é ilícito. Pode ser preventivo (ameaça de
constrição) e depende de prova sumária.
5. Fraude e Legitimidade: A fraude à execução torna ineficaz a alienação do
bem. Embargos podem ser opostos por proprietários, possuidores e credores
com garantia real não intimados. O prazo varia conforme o estágio do
processo, e a decisão pode suspender a execução.
A PROTEÇÃO POSSESSÓRIA
A posse pode ser protegida por autotutela (legítima defesa e desforço imediato)
e heterotutela (ações possessórias). a autotutela permite reação imediata e
proporcional, sendo legítima defesa durante a turbação e desforço imediato
após o esbulho. excessos podem gerar indenização. o código civil de 2002
separou os juízos possessório e petitório, abolindo a "exceptio proprietatis".
AÇÕES POSSESSÓRIAS EM SENTIDO ESTRITO - LEGITIMIDADE ATIVA E
PASSIVA
O possuidor pode ajuizar ações possessórias contra ameaças, turbações ou
esbulhos. Herdeiros têm posse presumida, e tanto possuidores diretos quanto
indiretos podem mover ações entre si e contra terceiros. A parte passiva pode
ser o autor da violação ou quem recebeu a coisa esbulhada de má-fé.
Terceiros de boa-fé só podem ser processados por ação real. Incapazes têm
seus responsáveis como legitimados passivos. Pessoas jurídicas, tanto
públicas quanto privadas, também podem ser responsabilizadas. Em casos de
desapropriação indireta, a ação possessória pode ser convertida em ação de
indenização.
CONVERSÃO DE AÇÃO POSSESSÓRIA EM AÇÃO DE INDENIZAÇÃO
O possuidor pode pleitear simultaneamente proteção e indenização. Caso a
coisa pereça ou se deteriore, a indenização torna-se a única alternativa,
mesmo após o ajuizamento. Se a perda ocorrer entre a sentença e a execução,
aplica-se o artigo 809 do CPC/2015. O STJ admite a conversão da ação
possessória em ação indenizatória, até mesmo de ofício, para assegurar a
efetividade do direito do possuidor.
DA PROPRIEDADE
Da propriedade em geral (página 10)
Propriedade é o poder jurídico de usar, gozar, dispor de um bem e reivindicá-lo
de quem o detém injustamente. UGDR
o vínculo jurídico > submissão da coisa ao titular
o art 1228 CC
FUNDAMENTOS JURÍDICOS
Teorias foram formuladas:
Teoria da ocupação: Fundamenta a propriedade na ocupação de coisas que
não pertencem a ninguém (res nullius). Criticada por ser apenas um modo de
aquisição e não justificar o direito em si.
Teoria da especificação: Apoia-se no trabalho como justificador da
propriedade, pois transforma a natureza. Criticada por poder levar à negação
da propriedade e não considerar casos onde não há trabalho envolvido.
Teoria da lei: A propriedade existe porque a lei a criou e garante. Criticada por
não considerar que a propriedade sempre existiu antes da lei e que esta
apenas a regulamenta.
Teoria da natureza humana: A propriedade é inerente à natureza humana e
uma dádiva para prover necessidades. É a teoria mais aceita, inclusive pela
Igreja Católica.
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA PROPRIEDADE
1. Direito de usar (jus utendi): é o direito de extrair da propriedade todos os seus
serviços, sem que haja modificação em sua substância. O proprietário usa seu
imóvel quando nele habita ou permite que terceiro o faça. Esse uso inclui,
também, a conduta estática de manter a coisa em seu poder, sem utilização
dinâmica.
a. é a faculdade de servir-se da coisa
2. Direito de gozar (jus fruendi): é o direito de extrair do bem benefícios e
vantagens, exteriorizando-se na percepção dos frutos e na utilização dos
produtos da coisa. É o direito de explorar o bem economicamente.
a. é perceber os frutos e aproveitar economicamente os produtos
3. Direito de dispor (jus disponendi ou abutendi): é o direito de alienar a coisa a
título oneroso (venda,troca, dação em pagamento) ou gratuito (doação) ou
gravá-la de ônus (penhor, hipoteca etc.). É o poder mais abrangente, pois
quem pode dispor da coisa, dela também pode usar e gozar. O poder de dispor
somente o proprietário possui.
a. é transferir ou alienar a coisa
4. Direito de reivindicar (rei vindicatio): é o poder que tem o proprietário de mover
ação para obter o bem de quem injustamente o detenha.
a. é reivindicá-la de quem a possua injustamente.
CARACTERÍSTICAS
1. caráter absoluto: devido à sua oponibilidade erga omnes, por ser o mais
completo de todos os direitos reais e pelo fato de que o seu titular pode
desfrutar do bem como quiser, sujeitando-se apenas às limitações legais
impostas em razão do interesse público ou da coexistência do direito de
propriedade de outros titulares.
2. caráter exclusivo: diante do princípio de que a mesma coisa não pode
pertencer com exclusividade e simultaneamente a duas ou mais pessoas.
3. caráter perpétuo: pois o domínio subsiste independentemente de exercício,
enquanto não sobrevier causa extintiva legal (perecimento, desapropriação e
usucapião) ou oriunda da própria vontade do titular.
Art. 1.231. A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário.
AÇÃO REIVINDICATÓRIA (analisa o domínio)
A ação reivindicatória permite ao proprietário não possuidor reaver a coisa do
possuidor não proprietário.
o Requisitos: titularidade do domínio, individuação da coisa e posse
injusta do réu.
O objetivo imediato é a restituição da coisa e o mediato é o
restabelecimento do direito do proprietário.
O possuidor de boa-fé tem direito de retenção por benfeitorias
necessárias.
PRESSUPOSTOS E NATUREZA JURÍDICA
Pressupostos
o titularidade do domínio, individuação da coisa e posse injusta do réu.
Natureza jurídica
o ação real que visa a restituição da coisa e o reconhecimento do direito
de propriedade.
OBJETO DA AÇÃO REIVINDICATÓRIA
Podem ser reivindicados:
o Bens corpóreos, móveis ou imóveis, singulares ou coletivos, desde que
estejam no comércio.
o Bens incorpóreos e coisas futuras não são reivindicáveis.
Art. 1.229. A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo
correspondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o
proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por terceiros, a uma altura ou
profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-las.
Art. 1.230. A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos
minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros
bens referidos por leis especiais.
Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais
de emprego imediato na construção civil, desde que não submetidos a transformação
industrial, obedecido o disposto em lei especial.
Art. 1.232. Os frutos e mais produtos da coisa pertencem, ainda quando separados, ao
seu proprietário, salvo se, por preceito jurídico especial, couberem a outrem.
LEGITIMIDADE ATIVA E PASSIVA
Legitimidade ativa
o proprietário, condômino, herdeiro e, em certos casos, o promitente
comprador com compromisso registrado.
Legitimidade passiva
o quem possui ou detém a coisa injustamente, incluindo o possuidor ficto.
OUTROS MEIOS DE DEFESA DA PROPRIEDADE
Ação negatória: visa proteger a plenitude do domínio contra atos que o
restrinjam ou limitem, como a alegação de servidão indevida.
o O proprietário deve provar seu domínio e a moléstia do réu.
Ação de dano infecto: tem caráter preventivo e cominatório, usada quando há
receio de dano iminente por ruína ou vício na construção vizinha.
o O proprietário ou possuidor pode exigir demolição, reparação ou caução
pelo dano iminente.
EVOLUÇÃO DO DIREITO DE PROPRIEDADE. FUNÇÃO DA PROPRIEDADE
A propriedade evoluiu de um caráter individualista no direito romano para um
caráter social no século
o utilização antissocial
o função social da propriedade – CF, art. 5o, XXIII e CC, art. 1.228, §§ 1o
e 2o
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; O direito de propriedade não é
ilimitado. Para ser garantida a propriedade, ela deve atender sua função social.
art 1228. § 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as
suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de
conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais,
o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição
do ar e das águas.
§ 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou
utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.
RESTRIÇÕES AO DIREITO DE PROPRIEDADE
Código de Mineração
Código Florestal
Leis de proteção ambiental
Há também limitações decorrentes do direito de vizinhança e cláusulas
voluntárias.
DA DESCOBERTA
Descoberta é o achado de coisa perdida, não sendo um modo de adquirir
propriedade.
Art. 1.233. Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou
legítimo possuidor.
Parágrafo único. Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo, e, se não o
encontrar, entregará a coisa achada à autoridade competente.
Art. 1.234. Aquele que restituir a coisa achada, nos termos do artigo antecedente, terá
direito a uma recompensa não inferior a cinco por cento do seu valor, e à indenização
pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa, se o dono
não preferir abandoná-la.
Parágrafo único. Na determinação do montante da recompensa, considerar-se-á o
esforço desenvolvido pelo descobridor para encontrar o dono, ou o legítimo possuidor,
as possibilidades que teria este de encontrar a coisa e a situação econômica de
ambos
Art. 1.235. O descobridor responde pelos prejuízos causados ao proprietário ou
possuidor legítimo, quando tiver procedido com dolo.
Art. 1.236. A autoridade competente dará conhecimento da descoberta através da
imprensa e outros meios de informação, somente expedindo editais se o seu valor os
comportar.
DA AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL
(Página 11 e 12)
Os modos de aquisição da propriedade distinguem os bens imóveis e móveis
o imóveis são adquiridos pelo registro do título
o móveis são adquiridos pela tradição.
MODOS DE AQUISIÇÃO
É um ato ou fato ao qual a lei liga efeitos, fazendo dele derivar o domínio
Os modos de aquisição podem ser classificados como:
o Originários: Não há transmissão de um sujeito para outro
O adquirente torna-se dono sem que o bem lhe tenha sido
transmitido.
ex: acessão, usucapião, ocupação.
o Derivados: Resultam de uma relação negocial entre o antigo
proprietário e o adquirente
Há uma transmissão do domínio.
Se a posse era viciosa (violenta, clandestina, etc.), o novo
possuidor a adquire com esses defeitos
ex: compra e venda, troca, doação, dação em pagamento,
sucessão hereditária
OCUPAÇÃO >>> COISA SEM DONO
o res nullius – NUNCA FOI APROPRIADA
o res derelicta – FOI ABANDONADA (SOFREU DERELIÇÃO)
CONSEQUÊNCIAS
o domínio pleno, no modo originário
o domínio consequente, no modo derivado, exigindo-se prova do domínio
do antecessor
Aquisição
o Singular: Objeto são bens individualizados, geralmente por negócios
inter vivos.
o Universal: Transmissão da propriedade recai sobre um patrimônio,
como na sucessão hereditária.
DO REGISTRO DO TÍTULO - Aquisição derivada entre vivos (registro do título >
imóveis)
A aquisição da propriedade imóvel requer mais do que apenas um contrato, é
necessário o registro do título translativo no Registro de Imóveis (art.
1.245 do Código Civil).
o Enquanto não registrado, o alienante continua sendo o dono do
imóvel.
presunção juris tantum, e a propriedade é considerada adquirida
na data da apresentação do título.
estatuindo que a propriedade se transfere, por ato entre vivos,
mediante o registro do respectivo título translativo
Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título
translativo no Registro de Imóveis.
§ 1º Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido
como dono do imóvel.
§ 2º Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade
do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como
dono do imóvel.
Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre
vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos
títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código.
PRINCÍPIOS QUE REGEM O REGISTRO DE IMOVEL
Diversos princípios regem o registro de imóveis, garantindo sua eficácia:
Publicidade: O registro torna as transações imobiliárias públicas, valendo
contra terceiros.
Força probante (fé pública) ou presunção: Os registros têm presunção de
veracidade (juris tantum), e o adquirente é tido como titular até prova em
contrário.
Legalidade: O oficial do cartório deve examinar a legalidade dos títulos
apresentados.
Territorialidade: O registro deve ser feito na circunscrição imobiliária da
situação do imóvel.
Continuidade: Só se registra um título se o alienante for o mesmo que consta
no registro como proprietário.
Prioridade: Protege quem primeiro registra o título, com a prenotação
assegurando a prioridade.
Especialidade: Exige a minuciosa individualização do bem a ser registrado.
Instância: O oficial não procede a registros de ofício, mas apenas a
requerimento do interessado.
MATRÍCULA, REGISTRO E AVERBAÇÃO
A matrícula é feita no primeiro registro após a vigência da lei e antecede o
registro. O registro é o ato que efetivamente transfere a propriedade. A
averbação é qualquer anotação à margem do registro para indicar alterações
ocorridas no imóvel.
LIVROS OBRIGATÓRIOS
O Registro de Imóveis possui cinco livros obrigatórios: Protocolo, Registro
Geral, Registro Auxiliar, Indicador Real e Indicador Pessoal.
DA AQUISIÇÃO POR ACESSÃO
A acessão é o aumento do volume ou do valor do objeto da propriedade devido
a forças externas.
Coisa nova
Física/natural = natureza (formação de ilhas, aluvião, avulsão, álveo
abandonado)
Industrial = pessoa humana (construções e plantações).
1. formação de ilhas: o legislador civil focalizou o problema da atribuição do
domínio das ilhas surgidas em rios particulares, ou seja, em rios não
navegáveis. Isso porque, sendo públicos os rios navegáveis, as ilhas que
neles afloram passam a pertencer à pessoa de direito público a quem tais
correntes pertencerem. Determina o Código Civil que as ilhas situadas em rios
comuns ou particulares (não navegáveis) pertencem aos proprietários
ribeirinhos fronteiros, observadas as regras que apresenta
Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem
aos proprietários ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes:
I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos
terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas,
até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais;
II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se
acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado;
III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a
pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram..
2. Aluvião: é o aumento insensível que o rio anexa às terras, tão vagarosamente
que seria impossível, em dado momento, apreciar a quantidade acrescida
a. Esses acréscimos pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem
indenização.
b. Se a aluvião ocorrer em frente de prédios de diferentes proprietários,
será dividida proporcionalmente às testadas de cada um.
c. Aluvião impróprio (partes descobertas pela retração de águas
dormentes)
Temos duas modalidades de aluvião, são elas:
aluvião própria: Quando o acréscimo ocorrer através de depósitos ou aterros naturais;
lento e imperceptível de terra, areia, cascalho, argila, matérias orgânicas e
inorgânicas, ao terreno localizado à margem de um rio, em função da correnteza
OBS: Esse aumento faz com que o proprietário ribeirinho beneficiado agregue à sua
propriedade o quanto foi acrescido por fato natural.
aluvião imprópria: é o acréscimo de terras aos terrenos marginais, resultante do desvio
natural das águas do rio, deixando o solo parcialmente a descoberto
OBS: Desta forma, os proprietários de terrenos marginais não adquirem o solo
descoberto pela retração da água.
Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e
aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas
destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização.
Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários
diferentes, dividir-se-á entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga
margem.
3. Avulsão: ocorre quando uma porção de terra é destacada de um prédio e se
junta a outro por força natural violenta
a. Se o dono do prédio acrescido se recusar a indenizar, deve permitir a
remoção da parte acrescida. Se a avulsão for de algo não aderente,
aplica-se a regra de coisas perdidas (art. 1.233 do Código Civil). O dono
do imóvel onde caíram objetos deve tolerar a busca e retirada mediante
indenização por prejuízo.
b. Segundo o Código de Águas (art. 19), verifica-se a avulsão quando a
força súbita da corrente arranca uma parte considerável e reconhecível
de um prédio, arrojando-a sobre outro.
a) O dono do prédio desfalcado pode reclamar de volta a porção
de terra que perdeu, desde que o faça dentro de um ano ––
(prazo de decadência). Havendo reclamação, o dono do prédio
acrescido pode concordar que se proceda à remoção ou
guardar a porção de terra objeto da avulsão, indenizando o
proprietário desfalcado.
Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um
prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se
indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver
reclamado.
Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que
se juntou a porção de terra deverá adquirir a que se remova a parte acrescida.
4. Álveo (leito do rio) abandonado: é a superfície coberta pelas águas sem
transbordar (Código de Águas, art. 9º).
a. porção de terra que surge quando um rio seca ou tem seu curso
desviado por conta de um fenômeno natural.
b. Álveo abandonado de rio público ou particular pertence aos
proprietários ribeirinhos das duas margens, na proporção das testadas
até a linha mediana
Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das
duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as
águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até
o meio do álveo.
c. Donos de terrenos por onde as águas abrirem novo curso não têm
direito à indenização, a menos que o desvio seja por ato humano. Se o
rio retornar ao leito antigo, o abandonado volta aos antigos donos. Se a
mudança do curso for por utilidade pública, o prédio ocupado pelo novo
álveo deve ser indenizado, e o álveo abandonado passa a pertencer ao
expropriante
Art. 27. Se a mudança da corrente se fez por utilidade pública, o prédio ocupado pelo
novo álveo deve ser indenizado, e o álveo abandonado passa a pertencer ao
expropriante para que se compense da despesa feita
5. Construções e plantações: são acessões industriais/artificiais. Presume-se que
toda construção ou plantação em um terreno foi feita pelo proprietário e à sua
custa, até prova em contrário.
Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita
pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário.
15/04/2025
SUCESSÃO HEREDITÁRIA
Sucessão hereditária é uma forma de aquisição da propriedade tanto do bem
móvel como o bem imóvel
o Garante que a propriedade possa ser transferida pelos sucessores
hereditários
Herdeiros = recebe herança
Herança coletividade de direito, universalidade de direito,
porque é um conjunto de coisas, bens direitos que
formam o patrimônio do morto
Herdeiros legítimos e testamentários
Legítimos são fixados por lei, indicados na lei para
receber herança, recebem herança numa determinada
ordem (ordem de vocação hereditária)
Herdeiros necessários são aquele que obrigatoriamente
recebam nossa herança, pelo menos pela metade do
patrimônio
Testamentários são a partir de testamentos
O princípio da saisine é uma regra do direito sucessório que determina a
transmissão automática de bens e direitos de uma pessoa falecida aos seus
herdeiros.
USUCAPIÃO
Modo de aquisição da propriedade, tanto para bens móveis como imóvel
o Modo de aquisição originário, pois não há transmissão
o Usucapido e Usucapiente
Usucapião é sinônimo de prescrição aquisitiva, adquiro a propriedade em razão
do passar do tempo, durante qual eu exerço a posse mansa, pacifica,
continuada e caráter de dom
o Requisitos gerais:
Coisa hábil
Posse
Tempo
Imprescindível, preciso exercer a posse sobre essa coisa
durante o tempo que a lei determinar
Justa titularidade
Boa – fé
o Bens públicos são imprescritíveis
24/04/2025
CONDOMINÍO
Domínio comum, ou seja, mais de um
o Vale tanto para bens moveis como imóveis
o Geral ou comum
Mesmos donos sobre a mesma coisa, cada titular tem o direito
de utilizar, mas sem afastar o exercício do outro
Ex: duas pessoas jurídicas que são titulares de um
mesmo prédio industrial
DIREITOS DOS CONDÔMINOS
Art. 1.314. Cada condômino pode usar da coisa conforme sua destinação, sobre ela
exercer todos os direitos compatíveis com a indivisão, reivindicá-la de terceiro,
defender a sua posse e alhear a respectiva parte ideal, ou gravá-la.
Parágrafo único. Nenhum dos condôminos pode alterar a destinação da coisa comum,
nem dar posse, uso ou gozo dela a estranhos, sem o consenso dos outros.
1. Usar a coisa conforme sua destinação, sem impedir o uso dos demais,
respeitando a indivisão. Pode haver divisão de fato (composse pro diviso), mas
não se pode alterar a destinação do bem sem consenso dos outros.
a. O uso exclusivo pode ensejar pagamento de aluguel, desde a citação.
Na separação de fato, isso é controverso
i. parte da jurisprudência admite a cobrança, outra não, por
entender que há apenas comunhão, não condomínio.
2. Reivindicar a coisa de terceiros, desde que se trate da totalidade do bem, e
não apenas da quota parte. Isso vale contra terceiros, não contra os demais
condôminos, que também são proprietários
a. nestes casos, cabe ação possessória.
3. Defender sua posse, inclusive contra outros condôminos, se for também
possuidor. Possui direito às ações possessórias se houver turbação ou
esbulho.
4. Alhear ou gravar sua parte ideal, com observância do direito de preferência dos
demais condôminos (art. 504). A alienação de parte ideal na herança depende
da futura divisão coincidir com a parte vendida.
Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos,
se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der
conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a
estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência.
Parágrafo único. Sendo muitos os condôminos, preferirá o que tiver benfeitorias de
maior valor e, na falta de benfeitorias, o de quinhão maior. Se as partes forem iguais,
haverão a parte vendida os comproprietários, que a quiserem, depositando
previamente o preço.
Art. 1.320. A todo tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa comum,
respondendo o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas da divisão.
§ 1º Podem os condôminos acordar que fique indivisa a coisa comum por prazo não maior de
cinco anos, suscetível de prorrogação ulterior.
§ 2º Não poderá exceder de cinco anos a indivisão estabelecida pelo doador ou pelo testador.
§ 3º A requerimento de qualquer interessado e se graves razões o aconselharem, pode o juiz
determinar a divisão da coisa comum antes do prazo.
Art. 1.322. Quando a coisa for indivisível, e os consortes não quiserem adjudicá-la a um só,
indenizando os outros, será vendida e repartido o apurado, preferindo-se, na venda, em
condições iguais de oferta, o condômino ao estranho, e entre os condôminos aquele que tiver
na coisa benfeitorias mais valiosas, e, não as havendo, o de quinhão maior.
Parágrafo único. Se nenhum dos condôminos tem benfeitorias na coisa comum e participam
todos do condomínio em partes iguais, realizar-se-á licitação entre estranhos e, antes de
adjudicada a coisa àquele que ofereceu maior lanço, proceder-se-á à licitação entre os
condôminos, a fim de que a coisa seja adjudicada a quem afinal oferecer melhor lanço,
preferindo, em condições iguais, o condômino ao estranho.
DEVERES DOS CONDÔMINOS
CONDOMINIO NECESSÁRIO
O condomínio necessário é imposto por lei para dividir imóveis vizinhos com
paredes, muros, cercas ou valas.
o O vizinho pode adquirir metade da obra, pagando seu valor atual (art.
1.328). Se não houver acordo, o preço será fixado por peritos (art.
1.329) e só poderá usá-la após o pagamento (art. 1.330).
Não resulta de acordo ou herança, é permanente e indivisível,
ao contrário do condomínio voluntário, que é transitório.
CONDOMINIO ESPECIAL OU EDILÍCIO
Temos dois tipos de propriedade convivendo
o Propriedade comum e propriedade exclusiva
Ex: prédio residencial de apartamentos, dentro tem duas propriedades a comum e a
exclusiva
TIPOS
Condomínio de casa, deitado ou horizontal
o Lei nº 4591/64
o Art. 1331 a 1358
Casas construídas, casas prontas, o empreendedor constrói as
casas
O incorporador te entrega a casa modelo
Condomínio de lotes ou de livre construção
o Você compra o terreno e constrói como você quiser
Antes era proibido, passou a ser regulamentado em 2022 com
alteração da lei 6015/73
OBS DISTINÇÃO:
Loteamento
Pego uma leva de terras e divido em lotes
o Abro novas vias de acesso, quadras, quarteirões
Passam a ser de propriedade publica
Condomínio urbano simples
o 13465/17 – art. 61 e 62
Regulariza situações de fato em beneficio de população menos
favorecida
Figura simplificada com objetivo de urbanização
Não precisa de convenção de condomínio
Condomínio em multipropriedade ou time-sharing (tempo compartilhado)
o Condomínio onde a propriedade é dividida por mais de um titular, mas
dividida em fração de tempo
Condomínio de apartamento ou em edifício ou em plano horizontal (ou vertical)
o Lei nº 4597/64 – art 8º
INSTITUIÇÃO E CONSTITUIÇÃO
Pode nascer por causa de uma incorporação
o Nasce por áreas autônomas e unidades comum
Posso constituir um prédio já pronto
Pode nascer condomínio ou pode ser instituído a partir
de um prédio já pronto
o Precisa de convenção de condomínio
ADMINISTRAÇÃO
A administração do condomínio é responsabilidade do síndico, que pode ser
pessoa física ou jurídica, condômino ou não, exercendo a função de forma gratuita
ou remunerada.
o Ele é eleito pela assembleia por até dois anos, com possibilidade de
reeleição (art. 1.347, CC). Suas atribuições estão nos arts. 1.348, 1.350 e
1.355 do Código Civil.
A alteração da convenção e do regimento interno é regulada pelo
art. 1.351.
As decisões da assembleia estão nos arts. 1.352 a 1.354-A,
e o funcionamento do conselho fiscal é tratado no art. 1.356.
EXTINÇÃO
O condomínio edilício pode ser extinto nas seguintes situações:
1. Destruição do prédio: Caso a maioria dos condôminos não opte pela
reconstrução, o condomínio se extingue (CC, art. 1.357). O terreno volta a ser
considerado principal e os antigos proprietários tornam-se coproprietários do
solo, como em um condomínio comum.
2. Deliberação unânime dos condôminos: Se todos decidirem transformar o
condomínio edilício em condomínio tradicional, cada uma passa a ter uma
parte ideal do todo. Com isso, cancelam-se a Convenção Condominial e a
individualização das unidades no Registro de Imóveis.
3. Consolidação da propriedade: Quando todos os apartamentos passam a
pertencer a uma única pessoa, o condomínio também se extingue.
4. Consequências: Aplica-se o princípio de que ninguém é obrigado a permanecer
em condomínio. Apesar de o prédio ser indivisível por sua natureza física,
qualquer condômino pode solicitar a venda judicial e a partilha do valor (CC,
art. 1.322). Essa hipótese, porém, é rara.