CÂNULA DE TRAQUEOSTOMIA
A traqueostomia é um procedimento crucial realizado para facilitar a respiração
diretamente pela traqueia. Então quando falamos de traqueostomia, a gente se
refere à criação de uma pequena abertura no pescoço para permitir que o ar entre
diretamente pela traqueia até os pulmões, facilitando a respiração do paciente.
Este procedimento é realizado quando há obstrução na região acima da caixa da
voz ou após a remoção da própria caixa da voz.
Na maioria das vezes, a traqueostomia é uma condição provisória, porém pode ser
definitiva. Quando o paciente não necessitar mais da traqueostomia (no caso da
provisória), serão realizados alguns cuidados para que a cânula possa ser retirada
e a abertura se feche completamente.
A traqueostomia é realizada pelo médico e pode ser necessária nos
casos abaixo:
● Em alguns tipos de cirurgias de cabeça e pescoço;
● Em alguns pacientes com dificuldades para respirar (situação de
emergência);
● Em pacientes que necessitam respirar com ajuda de aparelhos por um
tempo.
PARTES DA CÂNULA DE TRAQUEOSTOMIA
1. CÂNULA EXTERNA
● É colocada na abertura do pescoço e da traqueia.
● Possui uma placa com aberturas nas laterais para a colocação de um fixador
com velcro ou cadarço (fita de algodão sarjado), que manterá a cânulaNna
traqueia.
● A cânula externa não pode ser trocada ou retirada em casa, exceto após
liberação.
2. CÂNULA INTERNA OU INTERMEDIÁRIO
● É encaixada dentro da cânula externa.
● Deve ser retirada frequentemente para limpeza (4 vezes ao dia).
● Assim que for realizada a limpeza, é necessário recolocar a cânula interna
dentro da cânula externa.
3. GUIA
● É uma peça que faz parte do conjunto em alguns tipos de cânulas.
● É usada somente para guiar a troca da cânula externa, que só pode ser feita
em casa, após liberação médica e orientação do enfermeiro.
● Assim que a cânula externa estiver encaixada na traqueia, o guia deve ser
retirado rapidamente para não bloquear a respiração.
TIPOS DE CÂNULAS
1. CÂNULA METÁLICA
A cânula metálica possui duas peças (que ficam no paciente) e um guia. Vide
figuras anteriores: cânula externa, cânula interna e guia.
Antes de alguns exames ou tratamentos, a cânula metálica precisa ser substituída
por uma cânula plástica ou o procedimento é realizado sem cânula, dependendo
da avaliação do profissional responsável.
A cânula metálica não pode ser utilizada nas seguintes situações:
• Em pacientes que estão em tratamento radioterápico na região da cabeça e
pescoço;
• Em exames de ressonância magnética;
• Em exames de tomografia na região da cabeça e pescoço;
• Contraindicação médica.
2. CÂNULA PLÁSTICA SEM BALÃO (SEM CUFF)
Possui duas peças (que ficam no paciente) e alguns acessórios que serão utilizados
somente em alguns casos, com a orientação da equipe responsável (figuras ao
lado).
A cânula plástica sem cuff possui tampa de prótese antitosse, válvula
de fonação ou conector de oxigênio.
Você deve utilizar sempre um deles, pois esta cânula não possui trava, como a
metálica ou a plástica com cuff. Com isso, você evita que ela desloque e acabe
saindo.
3. CÂNULA PLÁSTICA COM BALÃO (COM CUFF)
Possui duas peças (que ficam no paciente) e um guia.
O balão interno é cheio com ar e fica em contato com a traqueia (figura abaixo).
A cânula com balão é indicada pelo médico nos seguintes casos:
• Em pacientes que precisam respirar com ajuda de aparelhos por um tempo
prolongado;
• Em pacientes traqueostomizados que apresentam risco de broncoaspiração
(quando o alimento, líquido ou saliva podem ir para os pulmões). O balão cheio de
ar diminui o risco de broncoaspiração.
TROCA DA CÂNULA
A troca da cânula na traqueostomia deve ser realizada por um profissional
qualificado e experiente, com capacidade para lidar com possíveis complicações e
equipado com os recursos necessários. É essencial que essa troca seja feita em um
ambiente adequado, com infraestrutura para resolver qualquer problema que
possa surgir durante o procedimento.
Idealmente, a troca deve ser conduzida por cirurgiões de cabeça e pescoço,
otorrinolaringologistas, cirurgiões torácicos ou até mesmo fonoaudiólogos
especializados nesse tipo de manipulação.
Normalmente, a troca da cânula deve ocorrer a cada 3 a 6 meses devido à
colonização bacteriana e à deterioração do material. Problemas como quebra da
traqueostomia, vazamentos ou acúmulo excessivo de secreção podem ocorrer ao
longo do tempo, aumentando o risco de infecções e obstruções respiratórias devido
à formação de biofilme e colonização bacteriana.
TUBO ENDOTRAQUEAL
INTRODUÇÃO
Em sua forma mais simples, o tubo endotraqueal é um tubo construído de cloreto
de polivinila que é colocado entre as cordas vocais através da traqueia. Ele fornece
oxigênio e gases inalados aos pulmões e os protege de contaminação, como
conteúdo gástrico ou sangue. O avanço do tubo endotraqueal acompanhou de perto
os avanços em anestesia e cirurgia. Modificações foram feitas para minimizar a
aspiração, isolar um pulmão, administrar medicamentos e prevenir incêndios nas
vias aéreas. Apesar desses avanços, mais pesquisas para otimizar seu uso são
necessárias.
Por exemplo, os tubos endotraqueais estão implicados no desenvolvimento de
pneumonia associada à ventilação mecânica, o que continua sendo uma grande
preocupação. Esta atividade descreve as indicações, contraindicações e técnicas
envolvidas na colocação do tubo endotraqueal e destaca o papel da equipe
interprofissional no cuidado de pacientes submetidos a esse procedimento.
TIPOS DE TUBOS
1. Tubo Orotraqueal
Mais comum. Inserido pela boca até a traqueia.
Usado em emergências e cirurgias.
Permite inserção rápida.
2. Tubo Nasotraqueal
Inserido pelo nariz até a traqueia.
Usado quando a intubação oral é difícil ou contraindicada.
Mais confortável para intubações prolongadas em pacientes conscientes.
3. Tubo com Cuff (Balonete)
Possui um balão inflável (cuff) perto da ponta.
Quando inflado, veda a traqueia, evitando aspiração de secreções e melhorando a
ventilação.
Usado em anestesias e pacientes em ventilação mecânica.
4. Tubo sem Cuff
Sem balonete.
Usado principalmente em crianças pequenas (até ±8 anos), pois a traqueia delas já
é naturalmente mais estreita.
Reduz risco de lesão traqueal.
5. Tubo de Duplo Lúmen
Possui dois canais separados, permitindo ventilar cada pulmão separadamente.
Muito usado em cirurgias torácicas (como remoção de parte do pulmão).
6. Tubo Armado (ou Reforçado / Espiralado)
Contém uma espiral metálica dentro da parede do tubo.
É flexível e resistente a dobras, ideal para cirurgias de cabeça, pescoço ou em
posições complicadas.
7. Tubo para Cirurgia com Laser
Feito com material resistente ao laser, evitando ignição durante cirurgias com uso
de laser em vias aéreas.
TECNICA DE ENTUBAÇÃO
De um modo geral, antes de introduzir o tubo endotraqueal o paciente deve ser
colocado em decúbito dorsal, deve-se remover dentaduras e todas as próteses
removíveis que ele esteja usando, selecionar um tubo de diâmetro adequado, fazer
hiperextensão da cabeça do paciente e uma peça bucal deve ser colocada para
estabilizar o tubo e impedir que o paciente o morda.
O procedimento deve ser realizado por duas pessoas, uma que realize o
procedimento e outra que deve manter a estabilização manual da cabeça e da
coluna cervical, a qual deve estar protegida também por um colar cervical. Com o
paciente sedado ou anestesiado, o médico passa através do seu nariz ou da sua
boca, com a ajuda de um laringoscópio, um tubo que vai até a traqueia.
O laringoscópio é um aparelho normalmente utilizado para visualizar a laringe,
mas que na intubação endotraqueal serve para facilitar a introdução do tubo
endotraqueal, que será usado para ventilar mecanicamente o paciente.
Depois de realizada a intubação, o tubo traqueal deve ser ajustado à traqueia e o
paciente é ligado ao respirador, que promove a aeração adequada e onde são
misturados três gases: ar, oxigênio e óxido nitroso, de maneira a manter a anestesia
pelo tempo necessário.
TUBO [Link]