G A Z E T A D E M A T E M A I ICA 45
O que é a Anál/se Não-Sfanc/arc/ ? (!)
por A. J. Franco de O l i v e i r a ( * )
I. Introdução. formulação de diversos conceitos da Física,
Julgamos não exagerar ao antever uma nova
A Análise Não-Standard ( A N S , daqui em Pedagogia no ensino das noções fundamen-
diante(')) é essencialmente um método mate- tais do Cálculo, apoiada nos infinitesimais,-.
mático, método novo com características ori- Convém observar desde j á , porém, que não
ginais, baseado em alguns resultados funda- há grande novidade nos instrumentos mate-
mentais da Teoria dos Modelos, ramo recente máticos (ou Lógicos) em j o g o : não há neces-
(uma vintena de anos) da Lógica Matemática, sidade de nenhum axioma novo da Matemá-
em pleno florescimento. As suas raízes, e tica. Apenas se fez um uso criterioso de
também a sua motivação, mergulham, con- resultados conhecidos. Esses resultados ó
tudo, no passado. que são extraordinários, em si próprios, e
São conhecidas as tentativas (infrutíferas) certamente impensáveis na época recuada
de fundar o Cálculo Diferencial numa teoria dos fundadores da Análise moderna. Existe
coerente dos Infinitamente Pequenos (Infini- mesmo um processo geral para transcrever
tásimos, ou Infinitesimais) e Infinitamente toda a demonstração na A N S numa demons-
Grandes por L E I B X I Z , N E W T O X e sucessores, tração clássica, «standard». As razões do
incluindo o próprio C A L X I I Y . A Teoria dos interesse que tem o novo método são outras:
Limites, impulsionada por W E I E R S T R A S S , aca- a sua feição intuitiva marcada indica-o parti-
bou, porém, por ser preferida à primeira ( 2 ). cularmente como método de descoberta, o que
Poís bem, a A N S , inicialmente orientada justifica algumas das nossas observações
para esse fim, permite, entre outras coisas, anteriores.
uma formulação consistente e satisfatória do O objectivo deste primeiro artigo é des-
método dos infinitesimais(®), e, tal como outras pertar interesse pelo a s s u n t o , criar um
grandes descobertas, são j á em grande nú" ambiente de receptividade, indicar algumas
mero e variedade os resultados estabelecidos leituras básicas indispensáveis. Porque, efecti-
via A N S , para os quais ainda não tinha sido vamente, ainda há (muito) quem olhe com
encontrada solução por métodos istandardu. desconfiança estas coisas da Lógica Matemá-
Por outro lado, muitos resultados e teorias tica, da Metamatemática, dos próprios Fun-
clássicas ganharam novo alcance e significa- damentos, etc., e outros há que julgam as teo-
ção quando interpretados ou reformulados à rias apenas em função dos seus resultados
luz da A N S ( 4 ) . Na verdade, o método é práticos.-. Em consequência, a discussão é
extensivo a toda a Análise, clássica ou fun- relativamente informal, para as demonstra-
cional, e poderá ser de grande utilidade em ções remetemos às notas bibliográficas. Num
Geometria Diferencial, em disciplinas como segundo artigo, desenvolvemos o método e
Mecânica Analítica, Quântica, e, em geral, na fazemos algumas aplicações. Esperamos igual-
mente, em artigos de outra Índole, proceder
à divulgação de alguns conceitos e resultados
( * ) B o l s e i r o do Instituto de A l t a C o i t a r a . - essenciais da Lógica Matemática, nomea-
46 GAZETA DE MAT EM ATIÇA
damente da Teoria dos Modelos, que servem Podem ainda considerar-se como símbolos
de base às investigações e desenvolvimentos do L os parênteses [ e ] que desempenham
actuais. um papel de pontuação.
B) Regras de formação de termos. as va-
2. Linguagens formais- riáveis e as constantes individuais são termos
e, se t i , - • - , li são termos e f*(,••*)) é um
símbolo funcional, , *.••, I») é um termo.
Pressupomos alguma familiariedade com o
Não há outros termos além dos determinados
Cálculo de Predicados Elementar, nos aspec-
por estas regras.
tos descritlvo-semântico e sintático-axiomá-
tico. Para facilitar a leitura, recordamos
alguns conceitos e notações, e enunciamos C) Regras de formação de fórmulas: se
alguns resultados porventura menos conhe- são termos e i * { , — , ) ó um sím-
cidos mas de importância decisiva na formu- bolo relacional, A*(tj , • • • , U) ó uma fór-
lação do que segue ( 5 ). mula, dita atômica. Se A é uma fórmula ( 8 ),
Os sistemas lógicos adoptados hoje em dia A ] é uma fórmula, e se A e B são fór-
para a descrição e formalização das teorias mulas, [A V B ] , [ À A B ] , [ A => B], [A<=> BI
matemáticas são linguagens formais, no sen- são também fórmulas. Se A é uma fórmula
tido abaixo indicado, de que é exemplo o em que não ocorrem as expressões « ( V * ) * i
Cálculo de Predicados Restringido (ou de « ( 3 x ) t , então [ ( V x ) A ] e [ ( 3 x ) A ] são fór-
1." ordetn, por se quantificarem apenas as mulas. Não há outras fórmulas além destas.
variáveis). Outro exemplo bastante completo Supomos intuitivamente claro o que se
é fornecido por BOUEIUAKI na sua «Thóorie entende por c i ( V x ) » ocorre em A » , «B
des Ensembless. De momento, interessa fixar ocorre etu A » , etc. Igualmente supomos
a noção de linguagem (ou teoria) formal de conhecida a distinção entro ocorrência livre
Primeira Ordem, L, o que se faz comu- (i. e. não quantificada) e ocorrência muda ou
mente especificando as seguintes condições: aparente (i. e. quantificada) de uma variável
numa fórmula. Para indicar que numa fórmula
A ) são dados certos símbolos, chamados A pode ocorrer livre a variável x usamos a
símbolos de L : (símbolos do) variáveis indi- notação A ( x ) . Representamos então por
viduais a* ( , a*a , a-j , em quantidade infinita A (o) o resultado de substituir em toda a
numerável; (símbolos de objectos individuais, parte x por a em A ( x ) . Analogamente
ou ) constantes individuais Oi ,[Link],- • • • • para duas ou mais variáveis. Na fórmula
em quantidade finita ou transfiuita; símbolos
t(V(x)[t(3y)A(x,y)]==»A(x,í)]]
(de relações, ou-) relacionais Aj ( , ,),
J = 1 , 2 , 3 , •• • (índice de numeração dos as variáveis x e y ocorrem mudas, enquanto
símbolos), A = 0 , 1 , 2 , •. • (índice que indica z ocorre livre. Adoptamos as convenções
o número de argumentos); símbolos (de fun- usuais para simplificação da escrita supri-
ções, on-)funcionais f* (,-••,), j,& = 1,2,3,. • •; mindo parêntesis, desde que essa supressão
(símbolos dos) conectivos lógicos —(negação), não comprometa a legibilidade das fórmulas.
V (disjunção), A (conjunção), => (implica- A fórmula acima escrever-se-á simplesmente
ção), <=>(equivalência); e, finalmente, dos ( V x)[(3 y) A ( x , y) => A (x , z ) ] .
quantificadores lógicos ( V ) (universal), ( 3 ) Uma fórmula sem variáveis livres (quer
(existencial). dizer, sem ocorrências livres de variáveis)
GAZETA D E M A T E M A I ICA n
diz se fechada. A terminologia introduzida EXEMPLOS. I Teoria (de 1." ordem) dos
encontra a sua justificação ao pretendermos sistemas parcialmente ordenados. A linguagem
interpretar a nossa linguagem formal num formal dos sistemas parcialmente ordenados
determinado domínio matemático, como se tem dois símbolos relacionais
verá no parágrafo seguinte. não tem constantes nem símbolos funcionais.
Escrevemos XI = XJ e XÍ^XJ em vez de
D) Juntamente com os símbolos e as (xi,Xj) e A%(x,,xj) respectivamente, para
regras anteriores, é costume especificar um usar a notação comum. Nesta teoria são
certo número de regras que determinam a
axiomas próprios as fórmulas:
classe dos Teoremas de L . Algumas destas
regras estabelecem que c e r t a s fórmulas, (I) (V cr,]
são teoremas; estas fórmulas dizem-se então
axiomas de L . Outras, são regras de infe- (-1) ( V * , ) ( V «a)[»l - a-a^a - xt]
rência, a mais importante das quais ó a clássica
(3) (V « 0 (V ( V a-3) l>i - ->
modus ponens: se A e [ A = > B J são teoremas
=>[> 2 = ÍTj =>a-, ~ Xj]]
então B é ura teorema. Há que distinguir os
axiomas lógicos, comuns a todas as teorias for- (4) (VtfiXV^XV^[Link]^A
mais (de 1;* ordem), dos axiomas próprios, A x 2 = x é A xx ^ x 2 ^ 3Tt]
que variam de teoria para teoria. As regras
de inferência são também, geralmente, comuns
a todas as teorias. É para nós indiferente o (6) ( V ^ Í V ^ h ^ a - j A
sistema de axiomas (lógicos) e de regras de
A ^ = > a "i — x2]
inferência a adoptar ( J ).
Supomos portanto definida, para cada lin- CO (V ^i)(V (V a - s ) Z / j A
guagem ou teoria formal X-, a classe dos A X 2 ^ X s = Í X 1
teoremas de L , por um qualquer dos pro-
cessos nsuais. II Teoria (de 1." ordem) dos grupos.
Indica-se que nma fórmula A é um teo- A linguagem formal dos grupos tem nm sím-
rema de L escrevendo bolo relacional um símbolo funcional
f f ( , ) e nma constante at. Escrevemos mais
K A , uma vez Xi Xj em vez de A * ( x t , x j ) e,
para [usar a notação aditiva, pomos XI + x s
ou simplesmente \~ A , se não houver possi- em vez de f * (xi , x j ) e 0 em vez de a,.
bilidade de confusão. Dado um conjunto K São axiomas próprios os três primeiros axio-
de fórmulas de L , dizemos que A ó dedu- mas do exemplo anterior o ainda os se-
tível de K, e escreve-se K\—L A (ou sim- guintes :
plesmente K1— A) se A for um teorema da
teoria que se obtém juntando aos axiomas (8) (V (V (V = ^s =>
de Z, as fórmulas de K . ==> fo -l- a-3==arl + a-3 Aa*a =
Em geral, nma teoria L ! diz-se uma exten-
são de uma teoria L se todos os símbolos (9)
de L forem sirabolos de H e todo o teo- = (^i + + a"s]
rema de L for um teorema de li (basta
(10) ( V *i)[0 + - x,]
para tanto que todo o axioma próprio de L
seja um teorema de L ' ) . (II) +
50
GAZETA DE M A T E M ÁTICA
A teoria dos grupos abelianos, em que tam- correntes, nomeadamente muitas estruturas
bém é axioma próprio a fórmula algébricas.
Recordemos que uma estrutura (de 1.*
( V »1) ( V a"a) + ""a = x2 + «"í] > ordem) é um par < . ! / , < $ > constituído por
6 uma extensão da teoria dos grupos. um conjuLto não vazio M e um sistema SI
de relações unárias, binárias, etc., definidas
OBSERVAÇÃO. Há evidentemente o u t r a s em M (uma relação de ordem zero em M
formulações equivalentes destas teorias. Em identifica-se com um elemento de j l / i 0 ) ) .
particular, pode formular-se a teoria (de For abuso de linguagem, chamamos estrutura
1." ordem) dos grupos com símbolos relacio- ao próprio conjunto M (que é apenas o
nais sòmente, utilizando, por exemplo, um suporte da estrutura), quando não haja neces-
só símbolo relacionai, A j (JTJ , , x3) no sidade de especificar as relações da estrutura
lugar de a?t + a - 3 = a- 3 . Os axiomas teriam em causa.
de ser formulados em conformidade. Estas Para descrever uma estrutura M por meio
observações estendem-se naturalmente a todas de uma linguagem formal L é necessário,
as teorias formais com símbolos funcionais pois, interpretar esta em M. Uma interpre-
e com igualdade, i. e. com um símbolo rela- tação de uma linguagem (de l . 1 ordem) L
cional Af(,) tal que são axiomas próprios numa estrutura (de 1.* ordem) J / ó uma
as fórmulas (1), (2), (3) e um ou mais axio- correspondência (unívoca) que a cada cons-
mas de substituticidade (que exprimem que tante de um subconjunto do conjunto das
«objectos iguais devem ter as mesmas pro- constantes de L associa um elemento de
priedades», (4) e (8)) conforme os símbolos M , e a cada símbolo relacional
relacionais e funcionais em presença, de modo de um subconjunto do conjunto dos símbolos
que estes são tebricamente dispensáveis. relacionais de L associa uma relação k-ária
Uma l i n g u a g e m (ou teoria) formal L em Podemos desde já supor que L
diz-se (formalmente) consistente se não existir contém símbolos em quantidade igual ou su-
em L uma fórmula A tal que A e A] perior à dos elementos ou relações corres-
são teoremas de £ ( 8 ) . Mais geralmente, um pondentes em M . Dada M , se esta condição
conjunto K de fórmulas de L diz se (for- não se verificasse, considerávamos uma exten-
malmente) consistente se, juntando as fórmu- são LI de L conveniente; vê-se facilmente
las de K aos axiomas de I , a teoria L' que as considerações seguintes não dependem
assim obtida é consistente. Caso contrário, significativamente da extensão particular que
K (em particular, ) A ( ) diz-se contraditória. se tome.
Como se sabe, numa teoria contraditória, Uma fórmula A de L diz-se interpretada
toda a fórmula 6 um teorema. em M se todas as constantes ou símbolos
Chamamos vocabulário de um conjunto K relacionais de A têm correspondente em M
de fórmulas de L ao conjunto de todos os (com respeito à interpretação dada). Por
símbolos (relacionais, funcionais, constantes, outro lado, as variáveis livres de A têm
etc.) que ocorrem nas fórmulas de K . como «domínio de variação» o conjunto M .
A definição estende-se imediatamente a um
3- Estruturas, interpretações, modelos. conjunto de fórmulas de L.
Suponhamos fixada uma interpretação de
As linguagens formais de 1.* ordem são L numa estrutura M , e consideremos uma
suficientes para definir e descrever muitas fórmula qualquer A , fechada, interpretada
propriedades das e s t r u t u r a s matemáticas em Aí. Definiremos em seguida a noção
GAZETA D E M A T E M A I ICA 49
semântica de fórmula verdadeira em M (com interpretação das constantes e símbolos rela-
respeito à interpretação dada)( n ): cionais que ocorrem em A (i. e., da corres-
pondência entre esses símbolos e os corres-
(i) Se A é ama fórmula atómica, pondentes elementos e relações de M). Estas
observações estendem-se de maneira óbvia
A — .d; (f, , • • • , t*)(1S), a um conjunto qualquer de fórmulas de L .
Seja K um conjunto de fórmulas fechadas
sendo tit**'»l* i n t e r p r e t a d o s nos ele- de L , M uma estrutura, e 0 ( Z , ; i l / ) (on
mentos de M , então A ó ver- simplesmente O) ama interpretação de L
dadeira (em M , com respeito •••) se e só em M tal que todas as fórmulas de K estão
se o sistema (í'|, . . . ) í ' i ) verifica a relação interpretadas em M , Se todas as fórmulas
Hj em M correspondente ao símbolo rela- de K são ^-verdadeiras (quer dizer, são
cional Aj(, •••,), na interpretação dada (por verdadeiras em M com respeito a <í>), dize-
outras palavras, (í\ , • • •, í't) pertence ao mos que M é um modelo de K (com res-
snbconjnnto I2j de M k ) . peito a í») • Em particular, se uma fórmula
(fechada) A é ^-verdadeira, M é um mo-
(ii) Se A = [ - B], então A é verdadeira
delo de A . Um modelo da classe dos teore-
sse (abreviatura de «se e só se») B ó falsa
mas de uma teoria formal L diz-se um
(ver nota ( " ) ) ; se A = [ B V C J , A é verda-
modelo de L . Basta, para tanto, que seja
deira sse B é verdadeira ou C ê verdadeira;
modelo do conjunto dos axiomas de L ( l e ) -
se A ™ [ A A C ] , A é verdadeira sse B e
C são ambas verdadeiras; se A = [B=>C],
EXEMPLOS. I' Um modelo da teoria for-
A ó verdadeira sse C é verdadeira ou B e
mal dos sistemas parcialmente ordenados
C são ambas verdadeiras; finalmente, se
(Exemplo I) diz-se um sistema (ou conjunto)
A = [B<=>C], A è verdadeira sse B e C
parcialmente ordenado. Para qualquer con-
são ambas verdeiras ou ambas falsas.
junto E , a estrutura < , S > ó nl11
(tVí) Se A = [(3 x) B (x)], A é verdadeira
modelo da referida teoria com respeito à
em M sse existe uma constante a de L tal interpretação que associa o símbolo relacio-
que B(a) ó verdadeira em M (a corres- nal ^ à relação de inclusão em &{E).
ponde necessariamente a um elemento a' de
II' Chama-se grupo a todo o modelo da
M por meio da interpretação dada). Se x
teoria formal dos grupos (Exemplo II). Dei-
não ocorre em B , deve entender-se que A
xamos ao cuidado do leitor a concretização
é verdadeira sse B o for. Se destes modelos.
A - [ ( V x)B(x)], Um conjunto K de fórmulas fechadas de
L diz-se (semanticamente) consistente se pos-
A é verdadeira em Al ssè para toda a cons- suir um modelo. No caso contrário, diz-se
tante a de L com elemento correspondente (semanticamente) contraditório. O leitor defi-
a' de M (por meio de interpretação dada), nirá, por analogia, os conceitos correspon-
B(a) é verdadeira em M. dentes para uma fórmula (fechada) e para
Ãs condições anteriores determinam, para uma teoria formal L .
toda a fórmula fechada de L , se ela é ver- Se uma fórmula fechada A ó verdadeira
dadeira ou falsa em M (com respeito à in- em todo o modelo de um conjunto de fórmu-
terpretação dada). Note-se que a verdade ou las fechadas K (onde K U j A j seja inter-
falsidade de uma fórmula fechada A inter- pretado), A diz-se consequência (semântica)
pretada numa estrutura M, depende apenas da de K; escreve-se então K |= A. Se A
50 GAZETA DE M A T E M ÁTICA
fôr verdadeira em toda a estrutura onde cidos pela designação geral de Aíetateore-
seja interpretada, e n t ã o A dir-se-à uni- mas (15).
versalmente (ou lógicamente) válida, e nesse É sabido que todo o teorema de é
caso escreveremos | = A . Veremos no pará- universalmente válido. Inversamente, toda a
grafo seguinte algumas relações entre estes fórmula fechada de L { lógicamente válida
conceitos semânticos e os correspondentes ó um teorema de L\ ( 16 J. Em resumo, para
conceitos formais (ou sintáticos, fim do pará- toda a fórmula fechada A de L t ,
grafo anterior).
Duas estruturas < j t / , « # > e <Al',<s?> j = A sse f—z,A.
dizem-se semelhantes se <S « ffi', i. e. se tiver
rein as mesmas relações. Dadas duas estru- Outro resultado fundamental mas não tão
turas semelhantes il1 e Al', Aí diz-He uma conhecido ó o chamado
»ubestrutura de Aí', e Aí' uma extensão de
Aít quando e só quando i l / ç A l ' e para toda TEOREMA DA C O M P A C I D A D E . Se toda a
a relação rc-ária R de Al e Al' e todo o parte finita de um conjunto K de fórmulas
sistema de n elementos de Al ,b = (b1 ,••• ,bn), fechadas de Lj possui UJII modelo, então K
b verifica R em Al sse b verifica R em Al'. possui um modelo.
Sejam Al, Al' duas estruturas semelhantes
tais que At' é extensão de i l / ; considere- A demonstração faz apelo a um poderoso
mos uma interpretação de Z. em AH (que método da Teoria dos Modelos, de natureza
induz, naturalmente, uma interpretação do L algébrica, baseado na construção de ultra-
em i l / ) . Al' diz-se uma extensão elementar produtos de estruturas i}1), cujas aplicações
de Aí se, para toda a fórmula fechada A tem crescido de maneira espectacular nos
interpretada em Aí e Aí' cujas constantes últimos anos. De momento, assinalemos ape-
são todas interpretados em Al, A ê verda- nas que ele também pode servir para a
deira em Aí e Al' ou não é verdadeira numa construção de modelos não-standard da aná-
nem noutra (com respeito à interpretação lise, no sentido abaixo indicado.
dada), ( » ) , Consideremos a estrutura (de I.* ordem)
Intuitivamente, se M é extensão elemen- dos números reais R; seja K o conjunto
tar de Al, Al' e Al têm as mesmas proprie- das fórmulas fechadas de interpretadas
dades formais expressas por fórmulas de L em R, i. e. em que ocorrem constantes
nas condições indicadas (ver notas ( ' ) e ( s )). correspondentes (com respeito a certa inter-
pretação, que supomos fixa, até nova ordem)
aos elementos de R, e símbolos relacionais
correspondentes a todas as relações de todas
4. Teorema de Compacidade, M o d e -
as ordens definíveis em R , Seja Kk o sub-
los Não-Slandard, Infinitesimais- conjunto de K formado pelas fórmulas fe-
chadas de K que são verdadeiras em R.
Neste parágrafo designamos por L\ um Note-se que apesar de não ocorrerem sím-
Cálculo de Predicados liestriogido (ou de 1." bolos funcionais, algumas fórmulas de /ÍR
Ordem), que ó uma linguagem formal sem podem interpretar-se como dizendo respeito
axiomas próprios. a certas funções reais de (uma ou mais) va-
Começamos por mencionar, sem demons- riável real. Consideremos a função real f
tração, alguns resultados centrais da Lógica de domínio D contido em R , e seja F(,)
Matemática e da Teoria dos Modelos, conhe- um símbolo relacional tal que, se as cons-
GAZETA D E M A T E M A I ICA 51
tantes a e b correspondem aos elementos de AY) , o consideremos o conjunto de fórmu-
a' e b' de R, . F ( s , b ) 6 verdadeira em R las fechadas JTb — j ~ / ( e a , b ) j em que Sj
sse a' pertence a D e i ' = / ( a ' ) . Podemos percorre todas as constantes do vocabulário
igualmente dispôr de um simbolo relacional de A"R, correspondentes portanto a todos
D { ) tal que -D(a) é verdadeira em R sse os números reais. O conjunto AYU pos-
a' pertence a D. Então a fórmula de KR sui um modelo *R que se pode escolher
como extensão de R(19) pois, em virtude do
[(Vx)(Vy)[f(x,y)=>i)W]]A Teorema da Compacidade, toda a parte
A (Vx)[0(x)=>[{3 y ) ( V z ) [ F ( x ,y)A finita K' de A"R (J K\> possui um modelo: o
[F{Xíz) = > / ( / , 2)]]]] próprio R. Com efeito, K' possui apenas
um número finito de fórmulas ~ Z ( a » , b ) ,
pode interpretar-se do modo indicado, inter- e interpretando b em R como um elemento
pretando / ( , ) como sendo a relação de diferente dos correspondentes aos aa que
igualdade em R . ocorrem em K', vê-se que R ó um modelo
No vocabulário de Á*R figura também nm .de K .
símbolo relacional A^( ) tal que A ^ o ) é *R é portanto nm corpo ordenado e é
verdadeira em R sse a' é um número na- e x t e n s ã o própria de R , porque, sendo
tural. modelo de A"R U , possui um indivíduo
Deste modo podem formalizar-se em ATR *b , correspondente a b , qne é diferente de
«muitasi propriedades dos números reais, de todos os indivíduos de R.*R é, portanto,
funç3es reais (com domínio especificado), etc. nm modelo não-standard da Análise, visto
(o cardinal de KR ê 2", sendo c o cardinal ser também modelo de JTR .
do contínuo!). Assim, por exemplo, ó possí- Seja *R nm modelo não-standard da Aná-
vel formalizar em Kt a propriedade de R lise. *R é necessariamente não arquime-
ser um corpo ordenado, usando símbolos deano visto saber-se não existir nenhum
relacionais como S (,,) P(,,) para a adi- corpo ordenado arquimedeano que seja exten-
ção e multiplicação de números reais respec- são (própria) do corpo dos reais. São portanto
tivamente (cf. Observação do § 2), e / ( , ) não vazios o conjunto R0 dos elementos *r
para a relação de igualdade em R, mas já de *R tais que \ *r | < e para todo s real posi-
não é possível formalizar o axioma de Arqui- tivo, e o conjunto R, dos elementos *r de
medex(ia). Tem grande interesse para o desen- *R tais que j * r | < s para algum e real
volvimento da ANS no contexto do Cálculo positivo. Os elementos de R0 dizem-se infi-
de Predicados Restringido saber distinguir nitesimaisi, e os elementos de R, dizem-se
se uma dada propriedade dos números reais finitos. Os elementos de R (que ó uma parte
se pode formular ou não com o vocabulário de R t ), dizem-se standard, por oposição aos
de A"g, O que ó por vezes um problema elementos de * R \ R, chamados não-stan-
delicado. dard. Os elementos de *R não finitos dizem-
Todos os modelos de AR são evidente- -se infinitamente grandes.
mente extensões elementares de R . Uma A chave do método dn ANS consiste em
extensão própria de R que seja modelo de poder agora juntar a Z.j dois novos símbo-
ATR diz-se nm Modelo Não-Standard da Análise. los relacionais, 7?n( ) , i?j ( ) que represen-
Provemos a existência de modelos não- tam os conjuntos R0 e Rt respectivamente,
-standard da análise. e por meio deles refazer a Análise, ou
Seja b uma constante não interpretada grande parte dela.
em R (i. e. b não pertence ao vocabulário Voltaremos ao asBunto.
í
52 GAZETA DE MATEM ÁTICA
OBSERVAÇÕES F I N A I S . Procurámos redu- por matemáticos distintos c o m o ECLEB e o M , de
L'HÔPITAL, p o r vezes de mistura c o m outros métodos.
zir ao mínimo os conhecimentos necessários
Certas inconsistências levaram CAUCUY a a b a n d o n á - l o
para acompanhar o texto e, para isso, abor- progressivamente em f a v o r d a T e o r i a dos Limites,
dámos também a ANS do modo mais acessível, em parte precedido p o r LAGÍIAKOE e D'[Link]. C i t a -
i. e., pela linguagem do Cálculo de Predica- ções dos trabalhos de CAUCHY ( [ l i ] , p a g . 2(30-282)
dos de 1." Ordem. Pode-se igualmente desen- m o s t r a m , c o n t u d o , que este c o n h e c i a e a p l i c a v a o r e f e -
rido m é t o d o das quantidades infinitamente pequenas
volver a ANS numa linguagem de Ordem
simultaneamente com o m é t o d o dos Limites, também
Superior (em que se quantifiquem relações, j á c o n h e c i d o de NSWTOM. SÓ a partir de Weierstrass.
funções, relações de relações, etc.) como a que precisou a n o ç ã o de limite dada por CAUCHY, se
Teoria dos Tipos ([14]), ou, de modo equiva- adoptou definitivamente o m é t o d o e a l i n g u a g e m dos
lente, alargando a noção de estrutura ([9], limites. No entanto, continuaram até aos nossos dias
i n v e s t i g a ç õ e s sobre c e r t o s sistemas n ã o - a r q u i m e -
por exemplo). dianos c sobre o uso de infinitesimais na A n á l i s e
Convém salientar que se caminhou já (ÜEISSLEB, NATOÍIP, SCHHIEDEN St LANÜWITZ, entre
bastante no sentido de uma axiomatização outros ; veja-se [12], e [ 1 4 ] p á g , 278).
da ANS (veja-se o artigo de G. K R E I S E L in ( J ) E m p o u c a s palavras, i s s o é c o n s e g u i d o m e r g u -
[8], pág. 93). lhando o c o n j u n t o dos números reais R numa exten-
são p r ó p r i a *R que possui as mesmas propriedades
formais que R, expressas numa l i n g u a g e m formal
dada. T a l e x t e n s ã o é necessáriamente n ã o - a r q u i m e -
NOTAS deana, o que permite demonstrar facilmente a existên-
c i a de elementos infinitamente grandes e i n f i n i t a -
( ! ) N ã o encontrámos melhor para a tradução de mente pequenos. A e s p e c i f i c a ç ã o p r é v i a de uma
« N o a - S t a n d a r d A n a l y s i s « . O termo « s t a n d a r d » que linguagem formal onde são expressas as propriedades
também ocorre isolado a l g o m a s vezes, parece na v e r - de R resolve a aparente situação contraditória da
dade suficientemente universalizado para justificar o existência de sistemas c a t e g ó r i c o s de axiomas para
seu uso na nossa língua, pelo menos num nível t é c - o s números reais.
nico-científico. (*) Veja-se, p o r exemplo, [ 7 ] , [ 8 ] , [ 9 ] , [16],
O primeiro a r t i g o sobre a A N S data de 1961, [12]. (5) P a r a uma i n t r o d u ç ã o à L ó g i c a M a t e m á t i c a e à
A o r i g e m da d e s i g n a ç ã o p o d e atribuir-se a um tra- T e o r i a dos Modelos, onde se f o c a m os aspectos rele-
balho pioneiro de [Link], em 1934, sobre modelos não- vantes para o que temos em vista, podem consultar-se
-standard da Aritmética. SKOLBM p r o v a que os axiomas as nossas lições [11], ou o s d o i s primeiros capítulos
de Peano não são c a t e g ó r i c o s , no seguinte s e n t i d o : de [10] juntamente com os capítulos I e II, o § 2 d o
desde q u e so formulem esses axiomas numa l i n g u a g e m Cap. III e o Cap. I X de [13], Outras excelentes Intro-
formal especificada { p o r exemplo, o Cálculo de Pre- duções são [ 4 ] , [5], [ 1 8 ] . S o b r e a T e o r i a d o s M o d e -
d i c a d o s ) , existem modelos onde são satisfeitas todas los, exclusivamente, [ 1 ] ,
as propriedades dos números naturais formalizáveis ( 6 ) Note-se que fi ,'•*, U j á não são símbolos de L ,
nessa l i n g u a g e m (incluindo portanto os axiomas) que mas sim símbolos que representam (designam, no-
são extensões próprias dos modelos usuais, standard, meiam) termos arbitrários de L . S ã o , pois, aquilo
e por isso so p o d e m chamar não-standard. C o m efeito, a que se chama meta-simbolos, pertencentes à meta-Iin-
prova-se a existência, nesses modelos, de elementos g u a g e m da l i n g u a g e m L . A m e t a - l i n g u a g e m de L
maiores que todos os niimeros naturais (formalmente d, no nosso c a s o , a l i n g u a g e m ordinária, p o u c o mais
«maiores», quer dizer que tal f a c t o é expresso p o r ou menos, na qual descrevemos L , Usaremos i g u a l -
uma certa f ó r m u l a da l i n g u a g e m em questão). P o d e mente c o m o meta-simbolos os s e g u i n t e s : x ,y , •••
consultar-se um outro a r t i g o de SKOLIÍM, mais re- para variáveis ; a , b , c , - - p a r a constantes; f , 9 >
cente — Peano's Axioms and models of Arithmetic, in h , - * * para s í m b o l o s funcionais ; A , B , C , - - para
[19J, p a g . 1 - 1 4 . P o d e dizer-se que os trabalhos da fórmulas. For outro lado, para não sobrecarregar a
ROBIHSOX e s t e n d e m o s r e s u l t a d o s d e SKOLEU a o s n ú m e - notação « facilitar a interpretação, usaremos letras
ros reais, o b t e n d o assim modelos não-standard dos c o m o «1», « S » , « P i , nQu ( .,> para símbolos relacionais
números reais (ver nota ( 3 ) ) . especiais. P a r a uma elucidação completa destas ques-
( J ) Durante um l o n g o período, a seguir a NEWTOS tões notacionais, v e j a - s e o Dictionary of Symbols of
e L t i a n i z , O método dos infinitesimais f o i usado Mathematical Logic, Nortli-Hollaad, 1969.
G A Z E T A D E M A T E M A I ICA 53
( ' ) Há várias possibilidades equivalentes, com v a - ( t t ) 1'rova-se, c o m e f e i t o , que t o d o o t e o r e m a de L
riantes d i v e r s a s . V e j a - s e , [4], [10], o u o c i t a d o Dic- é v e r d a d e i r o em q u a l q u e r estrutura onde seja i n t e r -
tionary, para aa f o r m u l a ç õ e s p r e c i s a s d e todos estes p r e t a d o . A d e m o n s t r a ç ã o consiste geralmente em
conceito*. verificar que as r e g r a s de inferência levam de f ó r m u -
(*) T a m b é m a q u i não há u m a só d e f i n i ç ã o . Cf. [4") las verdadeiras numa estrutura ( c o m respeito a certa
[18]. i n t e r p r e t a ç ã o ) a fórmulas t a m b é m verdadeiras nessa
( ' ) Usamos o t e r m o « e s t r u t u r a » c o m o sinónimo estrutura ( c o m respeito à m e s m a i n t e r p r e t a ç ã o ) .
do « s i s t e m a r e l a c i o n a l » , n o ç ã o deviria a TAESIH. S u p õ e - s e , c l a r o esta, que t o d a s as fórmulas estão
V e j a - s e G . GRATZIR — Universal Álgebra, VAN NOS- i n t e r p r e t a d a s na estrutura em q u e s t ã o . Ver [ 1 0 ] 011
t&ahd, 1963, e [13]. U m a r e l a ç ã o ü » - á r i a em M [ 4 ] , por e x e m p l o .
pode identificar-se c o m um s u b c o n j u n t o de M " . A n o ç ã o d e exttniãt elementar de estruturas, é
T a m b é m u m a f u n ç ã o definida e m M * c o m valores o u t r a noção f u n d a m e n t a l da T e o r i a d o s M o d e l o t ,
em M se poda i d e n t i G c a r c o m u m a r e l a ç ã o de ordem i n t r o d u z i d a p o r A . TAUSÍI e R . L . VAUQHT e m 1 9 5 7 —
T i - f - l em H , ou seja, um s u b c o n j u n t o do M"H"< < Arithmetical externiont of relationat systems, C o m p o -
pelo processo usual. A s s i m , c o m o p o d e m o s , t e o r i c a - sitio M a t h e m a t i ç a 13, p á g . S I - 1 0 2 . V e j a , para mais
mente, dispensar os s í m b o l o s f u n c i o n a i s , nas l i n g u a - pormenores, [ 1 3 ] , p á g . 5 4 e seguintes.
g e n s formais, ( c f . O b s e r v a ç ã o no § a n t e r i o r ) p o d e m o s , ( l í j N ã o ee encontram metateoremas apenas o a
nas estruturas, falar apenas de relações. E s t e f a c t o M e t a m a t e m á t i c a - eles aparecem frequentes veze» nos
tem interesse, p o i s permite s i m p l i f i c a r o estudo t e ó r i c o textos m a t e m á t i c o s , d i s f a r ç a d o s de t e o r e m a s comuns,
de p r o p r i e d a d e s g e r a i s d a s estruturas. q u a n d o se trata, n a realidade, de p r o p r i e d a d e s gerais
de certas classes d e t e o r e m a s o u d e estruturas. São
(«>) E , se f o r c a s o d i s s o , a c a d a s í m b o l o f u n c i o n a l
e x e m p l o s d e metateoremas os c l á s s i c o s Princípios de
//(,"•,) a s s o c i a m o s urna f u n ç ã o definida em M '
Dualidade em Á l g e b r a e em G e o m e t r i a . V e j a - s e [ 1 3 !
c o m valores e m A í . E m v i r t u d e d o q u e d i s s e m o s
p á g . 3 5 , e, para as d e m o n s t r a ç õ e s , [ 1 0 ] , e [ 1 4 ] .
anteriormente, o m i t i r e m o s de futuro q u a l q u e r refe-
rência a s í m b o l o s f u n c i o n a i s o u ãs f u n ç õ e s c o r r e s - (Mj E ura dos célebres Teoremas de Completude de
p o n d e n t e s em A/ . GÍHIEI., e s t a b e l e c i d o nos p r i n c í p i o s dos anos trinta, e
c o n s e q u ê n c i a de um outro u m p o u c o mais g e r a ! : « t o d o
( " ) Na verdade, a restrição de A ser f e e b a d a não
o c o n j u n t o K f o r m a l m e n t e consistente de fórmulas f e -
é essencial, p o i s p r o v a - s e {ver por e x e m p l o [10],
c h a d a s de Li possui um m o d e l o » . T o r n o u - s e p r e c i -
p á g . 52) que u m a f ó r m u l a A , *•* , a t ) é verda-
samente este r e s u l t a d o c o m o base da d e f i n i ç ã o de
deira numa estrutura ( c o m respeito a certa interpre- c o n s i s t ê n c i a s e m â n t i c a (final <lo p a r á g r a f o 3). E m
t a ç ã o ) se e s ó se ( y at^) — ( x , J A <a;j( , . . . , a ^ ) c o n s e q u ê n c i a dos T e o r e m a s de C o m p l e t u d e de GÜDRI,,
for v e r d a d e i r a nessa e s t r u t u r a ( c o m respeito à mesma s ã o inteiramente e q u i v a l e n t e s , para as l i n g u a g e n s
i n t e r p r e t a ç ã o ) . S a b e - s e , por o u t r o l a d o (ref, a c i m a ) , f o r m a i s Lí} as n o ç õ e s s e m â n t i c a s e sintáticas d e c o n -
que t o d a a fórmula f e c h a d a é v e r d a d e i r a o u falsa sistência, e as de d e d u t i b i l i d a d e (ou consequência
(i. e. a sua n e g a ç ã o è v e r d a d e i r a ) e m cada estrutura f o r m a l ) e de c o n s e q u ê n c i a ( s e m â n t i c a ) .
o n d e seja i n t e r p r e t a d a , o q u e , aliás, não é d i f í c i l de
f 1 1 ) N a realidade, a d e m o n s t r a ç ã o o r i g i n a l , por
c o n s t a t a r , a t e n d e n d o às definições.
MALCEV, em 1936, s e g u e linhas diferentes e tem pontos
A noção intuitiva da fórmula verdadeira numa de c o n t a c t o c o m o T e o r e m a de C o m p l e t u d e de GODBL
estrutura (com respeito a uma i n t e r p r e t a ç ã o dada) e suas g e n e r a l i z a ç õ e s ( C á l c u l o de P r e d i c a d o s c o m
é uma ooção fundamental da moderna Semântica I g u a l d a d e ) (ver [ 1 3 ] e IIENKIN — The compleleness of the
(e, p o r t a n t o , da L ó g i c a ) e f o i i n t e i r a m e n t e f o r m a l i - First-Order Functional Catculus, J. S. L . 14 (1949).
zada com t o d o o r i g o r p o r TAKSKI, nos anos trinta. p á g . 159-166). E m b o r a a c o n s t r u ç ã o de ultraprodutos
V e j a - s e o seu a r t i g o The concept of Truth in Forma- de estruturas se baseie na e x i s t ê n c i a de ultrafiltros
lized Languages, ín [17], ou q u a l q u e r tratado standard ( n ã o t r i v i a i s ) s o b r e um c o n j u n t o d a d o e portanto no
do L ó g i c a M a t e m á t i c a [2J, [ 4 ] , [10]. A sua f o r m u l a ç ã o A x i o m a da E s c o l h a , a p r i m e i r a d e m o n s t r a ç ã o b a -
( q u e r i n t u i t i v a , qner f o r m a l i z a d a ) a p o i a - s e fortemente seia-se n o « P r i n c i p i o dos Ideais M a x i m a i s » para
numa t e o r i a (para oós i n t u i t i v a , mas que t a m b é m Á l g e b r a s de BOOR.i, que se sabe ser estritamente mais
pode ser a x i o m á t i c a ) de c o n j u n t o s . V e j a - s e a i n d a [6]. f r a c o que o A x i o m a d a E s c o l h a , e que por sua ver sc
(lí) O sinal <1 = » é, a q u i e a s e g u i r , o meta-sí mbolo p o d e d e d u z i r d o T e o r e m a da TVOKONOV rio c a s o de um
de identidade lógica. N o t e - s e , q u e , p o n d o de lado 01 p r o d u t o infinito de e s p a ç o s discretos c o m d o i s ele-
s í m b o l o s funcionais e sendo A f e c h a d a , somente as mentos, s e g u n d o f o i o b s e r v a d a por TARSKI, d o n d e a
constantes p o d e m ser termos. S e g u i m o s e s s e n c i a l - d e s i g n a ç ã o de T e o r . da « C o m p a c i d a d e » (verT*Bsai
mente (13}, Cap. 1. — Some notions and methodr on tht borderlint of
54 OAZÍSTA DE MA TEMÁTICA
Álgebra and Meiamathematies, P r o c . Int. C, of Math. [ 6] G . KREISEL & J . L . KRIVIKE, Elements of Mathe-
C a m b r i d g e 1 9 5 0 ; vnl. I p. 7 0 5 - 7 2 0 ) . matical Logic (Model Theory), North-Holland,
Q u a n t o aos ultra produtos veja-ae FRAYNE, MOREL 1967 (existe e d . f r a n c e s a , D u n o d ) .
& ScOTT — Etdueed direcí produets, F n n d . Mathera. 51
(1962) p á g . 195-228 e Tl], c o m b i b l i o g r a f i a a c t u a l i - [ 7] W . A . J. LriKHBuna, Two Applications of the.
zada, além d e [13] e [14], no que d i z respeito à A N S . Method of Construction by Vltrapoioers to Ana-
{ " ) Cf. [ 1 3 ] p á g . 44. lysis, in Bull. A m e r . Math. S o c . 6 8 (1962),
0 ' ) E s t e p o n t o merece um p o u c o mais de atenção.
[ g] , ( e d i t o r ) , Applications of Model Theory
Seta M uma estrutura qualquer, K um c o n j u n t o de
to Algebra, Analysis, and Probability, Holt,
fórmulas f e c h a d a s de Ll suposta interpretada era M.
R i n e h a r t & W i s t o n , 1969.
É possível c a r a c t e r i z a r o s modelos de K que são
isomorfos a M (M' é isomorfo a M se os elementos [ 9] M . MACHOVER & J . HIRSCH FE LD, Lectures on Non~
o as relações de i g u a l ordem de M e M' estão em -Standard Analysis, Spring e r - V e r l a g , 1969.
eorrespondOncia b i u n l v o e a de m o d o que BO a, o' e
entSo jff (ai,••-,«„) em M sae R' (a{ ,*. [10] E. MRXDELSOM, Introd. to Mathematical Logic
em M') por meio da n o ç ã o de diagrama, devida a V a n N o s t r a n d , 1963.
ROBINSON. O d i a g r a m a de M , D (Aí) , é o c o n j u n t o
de todas as fórmulas atómicas A) (9, , . . . , verda- [tl] A . J, F - [Link] m m , Alguns Aspectos da Lógica
deiras c m M, e das n e g a ç õ e s dessas fórmulas a t ó - Moderna e suas Aplicações: A Teoria dos Mode-
m i c a s que não sejam verdadeiras era M. É fácil los e A Análise Não-Standard (Texto mimeogr.
então p r o v a r que t o d o o m o d e l o de D (M) è exten- de l i ç õ e s i n t e g r a d a s nos C, M. P. G . , P . I. P .
s ã o de uma estrutura i s o m o r f a a 1/ e que, i n v e r s a - 1967).
mente, t o d a a estrutura que é extensão de uma e s t r u -
[12] A . ROBINSON, Non-Standard Analysis, in P r o c .
tura i s o m o r f a a M ó um m o d e l o d o D (AI), para uma
Royal A c a d . S c . A m s t . ser. A , 6 4 , p. 432-440.
i n t e r p r e t a ç ã o conveniente dos s í m b o l o s de D (M).
Para aplicar ao n o s s o c a s o , b a s t a notar que /t' R
[13j , Introd. to Model Theory and to the
contém o d i a g r a m a de R . Para raais informes, v e j a -
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