Jully R
Los Angeles; Califórnia
Sexta-Feira; 21 de outubro
Sentada na cadeira perto da janela, e perdida em pensamentos, escuto meu nome sendo
chamado pelo professor, sendo arrancada dolorosamente de meus pensamentos. Olho pra
ele que estava em minha frente, mas, logo desviou os olhos, notando que a sala
estava vazia, meus olhos rondam a sala em busca dos alunos, mas como eu disse
estava vazia...só havia nós dois ali.
— Mariana?! — Olho pro professor que respirava fundo, claramente irritado por já
ter me chamado diversas vezes.
- Professor? cadê os alunos? — questiono com certa preocupação — Onde Vejo Kevin
respira fundo pela segunda vez, o que me fez sentir burra por perguntar, já que eu
sabia que a está hora já deveria ter ido embora.
Quanto tempo eu fiquei ali?
— Precisamos conversar querida... — Gelei quando Kevin disse aquilo, sabia que
ele queria falar sobre minhas notas, então sempre vinha arrumando uma desculpa, E
dessa vez não foi nem um diferente. — Olhei pro relógio em meu braço e vi que já
eram quase meio-dia e cinquenta — Olha só...meio dia e cinquenta já, tenho que ir
professor. — Levantei a cadeira com pressa, Só queria sair dali o mais rápido
possível, juntei minhas coisas e sai da sala, quando eu estava saindo juro que pude
sentir minhas costas queimarem.
.....
Caminhei alguns minutos pelos corredores da escola, até que vi Henry e Artie vindo
em direção. — Baixinha! — Artie foi o primeiro a falar algo enquanto passava
os braços fortes em volta dos meus ombros me apertando em um abraço.
— Solte-me Artie! — Dei um gritinho de raiva e pude ouvir Henry rindo da
cena.
Artie riu e me soltou. Eu amo esses dois.
— Boa tarde mana — Henry se mudou de mim e se inclinou para dar um beijo
molhado em minha testa, que rapidamente o limpei.
Henry estreitou os olhos em minha direção quando limpei o beijo dele.
Dei um sorrisinho, e ele fez beicinho fingindo estar magoado.
Artie deu risada, uma risada alta e rouca e era tão boa de ouvir que se me
perguntasse o que eu mais gosto nele, seria a sua risada.
— Você é muito nojento Henry — Fiz cara de nojo e Artie riu.
— Nojento é se masturbar pensando no professor de História. — Eles riram
juntos — Arregalei os olhos com o comentário dele e dei um tapa em seu braço.
— Eu não faço isso porra! — Henry parou e agarrou meu braço com tanta força
que pude ter certeza que ficaria a marca dos dedos dele em meu braço.
Henry agora parecia muito irritado, e já faço até ideia do que deve ser, lá vamos
nós de novo.... — Ele olhou no fundo dos meus olhos, sempre que ele faz
isso eu sei que ele está bravo comigo.
— Se falar porra de novo, eu corto sua língua pirralha. — Meu irmão disse
entre dentes. — Mas vocês falam — Levantei o queixo em afronta.
— Não importa se a gente fala, não quero ouvir um palavrão saindo da sua boca
porra! — Ele rosnou — Não é tão difícil de entender Mariana, você é limpa e eu te
quero assim sempre, você entende?
— Entende porra? Responda.
— Sim, eu entendo. — Assinto — Desculpa.
Ele soltou meu braço com força, ele ainda estava irritado.
— Cadê o Artie? —Henry olhou para os lados e notou que nosso irmão não estava
com a gente. — Deve estar nos esperando no estacionamento — Ele respondeu com
um tom de segurança na voz — Anda pirralha.
..
....
Andamos até o estacionamento em silêncio.
Chegamos no estacionamento e vimos Artie encostado na BMW branca de Henri.
— Já terminaram de brigar? — Meu irmão do meio disse.
— Não estávamos brigando. — Meu irmão arqueou uma sobrancelha e eu deu um
sorriso, como se não acreditasse em mim. Ninguém acredita.
— Ah, o quê? não acredita? — Perguntei e passei por ele para abrir a porta
do carro — Não vai entrar? — Perguntei — Meu irmão me olhou e falou — Vou na frente
baixinha — Entrei no carro e bati a porta. Henry fica puto quando bato a porta do
carro.
..
....
Henry não disse nada até chegarmos em casa.
Chegamos em casa, mas papai e mamãe não estavam então subi as escadas indo em
direção ao meu quarto os meus irmãos fizeram os mesmos, acho que estávamos todos
cansadosdemais pra ficarmos acordados.
Entrei no meu quarto fechei a porta, joguei a mochila no chão e cai na cama. Eu
dormi.
....
..
Califórnia; 21 de outubro.
23h da noite.
Abri os olhos lentamente e senti algo atrás de mim, virei pro lado e vi meus dois
irmãos dormindo na minha cama. — Eu odeio vocês — Murmurei baixinho — Fiquei mais
alguns minutos deitada, e logo decidi levantar pra tomar um banho, e esvaziar a
mente.
Sai da cama com delicadeza para não os acordar.
Todo o quarto estava escuro, mas eu não liguei, já que não tinha medo do escuro.
Andei até o banheiro e acendi a luz.
Só queria tomar um banho quente para relaxar.
Passei pelo espelho enorme e me olhei nele, observando como eu parecia cansada.
Fiquei mais alguns minutos me ofendendo mentalmente, e fui até a porta do banheiro
para fechar, quando olhei pra fora do banheiro, para checar se meus irmão ainda
estavam dormindo, vi uma silhueta parada, era alta e tinha a forma de um homem, mas
não dava para ver muito por causa da luz, Maldita luz, por que não acendi?
Eu não sei se foi o escuro ou só minha mente me pregando uma peça, mas pude jurar
que vi aquela silhueta se dar um passo em na minha direção, tomei um susto e fechei
a porta com força, com essa batida um dos meus irmãos já deveriam ter acordado, e
estar batendo na porta, perguntando porque a bati.
......
Fiquei mais alguns minutos encostada na porta, até me recuperar do susto que
levei.
Suspirei fundo e afastei esses pensamentos, aliás, deveria ser só um dos babacas
dos meus irmãos me dando sustos, já que estava tão perto do Halloween.
Tirei minhas roupas e andei até o box, liguei o chuveiro e deixei que a água caísse
sobre meu corpo, passei alguns minutos assim antes de pegar o sabonete e a bucha,
me ensaboei e me lavei, alguns minutos
depois sai do box enrolada em uma toalha.
......
Califórnia; Meia-noite.
22 de outubro.
Andei no escuro até meu closet, e por mais que estivesse com medo, eu não queria
acordar meus irmãos por algo bobo, antes de ir pro closet passei pela minha cama e
vi eles dormindo profundamente. — Se eu descobri que era um de vocês..., não
queiram nem saber o que eu vou fazer — Murmurei.
Dei uma última olhada neles antes de entrar no closet, entrei e não fiz questão de
acender as luzes, de novo...
Fui até a uma gaveta e peguei uma calcinha de renda preta, e uma camiseta do meu
irmão que praticamente já era minha, vesti a roupa, e me virei para sair do closet,
foi quando enxerguei a mesma silhueta do homem, meu coração quase parou quando ele
deu um passo em minha direção.
O homem se aproximou de mim, com uma caixa na mão, gritei mas minha voz saiu mais
como um sussurro.
— Você fica linda assim amor — Uma voz profunda disse, e por mais que eu não
pudesse ver seu rosto tive certeza de que ele deu um sorriso malicioso por trás da
máscara.
— Não precisa ter medo querida — Ele levou a mão até meu rosto e acariciou minha
bochecha com o polegar — Não vou te machucar, não agora...
Ele me entregou a caixa que estava em sua mão, e se inclinou para me dizer algo. —
Ele sussurrou no meu ouvido — Use isto na festa de Halloween, querida.