CHOQUE 1
TERAPIA INTENSIVA
Larissa Linhares Andrade
CHOQUE
Definição:
o Condição clínica aguda decorrente da incapacidade do sistema cardiovascular manter a
perfusão tecidual adequada para atender à homeostase
o Desencadeando alterações no metabolismo celular por déficit: oxigenação e fluxo
sanguíneo.
Fisiopatologia:
o Desequilíbrio da oferta-demanda de O2
o Diminuição da perfusão causa diminuição do fluxo sanguíneo e da oxigenação
alterações metabólicas, funcionais e adaptativas + ativação de genes de transcrição
morte celular hibernação celular
o Vai desencadear no nosso sistema alterações metabólicas e funcionais na tentativa de se
adaptar. Fisiologicamente são lançados alguns “soldados” para tentar equilibrar as
alterações. Caso não ocorra o equilíbrio, o sistema começa a entrar em exaustão e falência e
outros genes de transcrição lança o possível para tentar salvar a célula e quando entrar em
falência por tempo prolongado de sofrimento então começa a ocorrer apoptose ou morte
celular, significando que o paciente está morrendo. O nosso organismo sabidamente começa
a liberar como resposta alguns mecanismos neuroendócrinos, hemodinâmicos e
metabólicos na tentativa de manter a sobrevida da célula.
O choque é uma “briga” e se torna um ciclo vicioso que nosso organismo começa a executar na
tentava de salvar a célula
CHOQUE 2
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Todas as alterações que ocorrem no organismo, como o aumento do débito cardíaco, aumento da
FC, e da RVP são na tentativa de manter a oferta, pra restabelecer o consumo
Tem que resolver a causa e restabelecer toda a hemodiâmica do paciente, mexendo muito no
sistema cardiovascular
No início ajuda, mas com a permanência anaeróbica, os produtos tóxicos (ácido lático) estarão em
alto nível na corrente sanguínea, prejudicando a permanência da sobrevida celular
Ácido lático --- Lactato (marcador de péssima perfusão tecidual) --- Acidose metabólica (letal as
celulas)
Queda da perfusão + deficit de O2 = METABOLISMO ANAERÓBIO
Redução na produção de ATP e Produção de lactato e acidose
Classificação dos tipos de choques:
o Tipo de hipóxia
o Evolução do quadro
o Tipo de fluxo
o Padrão hemodinâmico clássico
o Tipo de Hipóxia:
Hipóxia Estagnante choque cardiogênico coração não consegue gerar volume
sistólico suficiente nem frequência cardíaca adequada para manter DC
Hipóxia Anêmica paciente com anemia profunda devido a grande perda de
sangue
Hipóxia Hipóxica gás tóxico como fumaça (incêndios – colabam os alvéolos,
fumaça alastrada na via aérea impede a troca gasosa)
Hipóxia Citotóxica ou Hitotóxica células que perdem a capacidade de captação,
como células neoplásicas (medicamentos, como quimioterápicos)
o Evolução do Quadro:
Fase I: Choque Compensado:
Aumento das catecolaminas aumento do DC aumento do Fluxo
sanguíneo
A partir de ressuscitação volêmica (soro fisiológico, ATB)
Diminuição da capacitância venosa
Vasoconstricção arterial
Aumento do SRAA
Aumento do Hormônio antidiurético
Fase II – Choque Descompensado:
Disfunções orgânicas acentuadas: precisa de mais intervenções e terapia
intensiva. O tempo de sofrimento de má perfusão levou a disfunção
sistêmica
o Cardiovascular
o Renal/Metabólica
o Neurológica
o Pulmonar
CHOQUE 3
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Fase III – Choque Irreversível:
o Falência cardiovascular á infusão de fluidos e drogas vasoativas
o Quando já se utilizou de todos os recursos de terapia intensiva e não
consegue retirar o paciente do estado de má perfusão
o OBS: Infecção --- Sepse (infecção confirmada ou altamente suspeita + disfunção CDV) ---
Choque (sepse + necessidade de droga vasoativa)
o Tipo de Padrões de Fluxo:
CHOQUE 4
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o Choque Hipovolêmico: diminuição da volemia circulante, levando a diminuição do DC.
Exemplo: trauma, diarreia intensa (principalmente em idosos), vômitos incoercíveis,
gestantes em hiperêmese gravídica
o Choque Cardiogênico: falta de força para impulsionar o sangue para a circulação sistêmica, e
a célula interpreta que tem algo de errado, então tira tudo o que pode para se manter
acontecendo que algumas células acabam não sendo perfundidas, levando a um ciclo
vicioso. Exemplo: ICC (miocardiopatia dilatada ou isquêmica)
o Choque Distributivo: o coração bate a uma velocidade acima do normal, o que leva ao
aumento da frequência que também acaba por interferir no DC. É hiperdinâmico, pois a
periferia está vasodilatada (choque anafilático). O sangue passa em velocidade tão grande
que acaba não perfundindo de forma adequada e nem do sangue ser devolvido, extraído e
oxigenado
o Choque Obstrutivo: se comporta parecido ao choque cardiogênico, a diferença é que ocorre
obstrução ou falha mecânica a nível de bomba ou de grande vasos ou por tromboembolismo
pulmonar ou pneumotórax hipertensivo. Exemplo: pneumotórax, tromboembolismo
pulmonar
o Padrão Hemodinâmico Clássico:
Hipovolêmico:
CHOQUE 5
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o Quando ocorre grandes perdas para o meio externo, a Pressão cai (pois o DC caiu), a pressão do
capilar pulmonar começa a cair por que não chega sangue suficiente para ser oxigenado e esse
sangue oxigenado não volta para as câmaras esquerdas para ser distribuído, o que volta para ser
devolvido ao VD é muito pouco, então acontece uma adaptação devido a esta queda do DC, da PAP,
da PCP e da PVC, aumentando então a RVS --- É um mecanismo adaptativo em que se começa a
fazer vasoconstrição na tentativa de restabelecer o volume de sangue e ser devolvido para o
coração para a manutenção do DC
Cardiogênico:
o Ocorre queda do DC, com queda da manutenção da Pressão Arterial e com isso ocorre os
mecanismos adaptativos que aumenta a RVS e aumenta, também, PVC (Pressão Venosa
Central), pois como o sangue é muito lento todo ele vai ficando retido no leito venoso, sem
conseguir ser mandado para o coração, aumentando a congestão a nível de capilar
pulmonar; fazendo Edema Agudo de Pulmão
Obstrutivo:
CHOQUE 6
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o Causado por pneumotórax (na foto – o ar do pulmão esquerdo “empurra” o mediastino para o lado
direito – contralateral). Causa choque, pois aperta o coração e este não consegue manter o volume
sistólico e o DC cai
o Derrame pericárdico restringindo o coração e tromboembolismo pulmonar (o trombo oclui grandes
ramos dos vasos pulmonares, o sangue acaba não voltando para as câmaras esquerdas, não sendo
oxigenado e, consequentemente, não é jogado para a circulação) – TEP, acontece devido à trombose
venosa profunda, problemas vasculares, pós-operatório de cirurgia plástica, ortopédica e aparelho
gastrointestinal
o O mecanismo adaptativo é igual ao choque cardiogênico, a diferença é a pressão do AE que é
muito baixa (pois não chega sangue)
o No choque obstrutivo não é aconselhável repor volume, e sim, uso de heparina ou drogas vasoativas
o No caso de tamponamento cardíaco, por exemplo por hemotórax, realiza-se pericardiocentese
Distributivo:
CHOQUE 7
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o Choque anafilático (alergia alimentar, produtos químicos, medicamentos, crustáceos)
o Na sepse há resposta de mediadores inflamatórios causando vasodilatação e choque
neurogênico
o Ocorre diminuição importante da resistência vascular sistêmica, fica tudo preso na periferia, DC
muito alto, FC muito alta e não dá tempo de oxigenar. Então, PA baixa, o sangue não dá tempo
de oxigenar por conta da resposta hiperdinâmica
o O choque distributivo pode simular qualquer outro choque
CHOQUE 8
TERAPIA INTENSIVA
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Diagnóstico dos Quadros de Choque:
o História e Quadro Clínico
o Exames Complementares (para identificar o estado de má perfusão e confirmar o estado de
choque)
o Avaliação de Parâmetros de Monitorização Hemodinâmica
Manifestações Clínicas do Choque:
o O choque séptico pode apresentar as 2 características (frio e quente). Pode tanto ser
hiperdinâmico e depois se transformar em hipodinâmico
o O choque cardiogênico e o choque hipovolêmico têm mais características de Choque frio
OBS: Choque É DIFERENTE de Hipotensão. A hipotensão é uma consequência do choque
Exames Complementares:
o Hemograma
CHOQUE 9
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o Glicemia (cetoacidose diabética --- causa choque hipovolêmico --- realizar hiper-
hidratação, pois a osmolaridade do sangue está alta)
o Dosagem de Eletrólitos (avaliar nível de potássio elevado)
o DOSAGEM DE LACTATO (marcador mais precoce de choque
o Gasometria Arterial e VENOSA CENTRAL ( SVcO2)
o Função Renal
o Provas de Coagulação (petéquias – choque hipovolêmico)
o Culturas
o Radiografia de Tórax/ ECG
Vascularização Normal Paciente chocado, má perfusão
Parâmetros de Monitorização Hemodinâmica Esses parâmetros vão fornecer RVP
(resistência vascular periférica), PCP (pressão do capilar pulmonar), PVC (pressão venosa central)
Assim, podemos classificar o tipo de choque do paciente
o Monitorização não-invasiva: ecodopplercardiograma, manobra de elevação das pernas
o Monitorização minimamente invasiva: LiDCO, Flotrac
o Monitorização invasiva: cateter de artéria pulmonar (swan-ganz), Pai( pressão arterial
invasiva)
CHOQUE 10
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o Mosqueteamento: falha de perfusão cutânea, sinal de má perfusão
Tratamento:
CHOQUE 11
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o Otimização rápida e precoce do padrão hemodinâmico para manutenção da boa
oxigenação e perfusão tecidual.
o Metas:
Suporte inicial com ABCD para paciente crítico
SVcO2 ≥ 70% ou SVO2≥ 65%
Antibioticoterapia precoce
Reposição volêmica com cristalóides e/ou colóides
Uso de drogas vasoativas (para manter as pressões em normalidade)
MANTER PAS≥ 90mmHg ou PAM≥ 65mmHg
Níveis de lactato < 2,0 mmol/L (se maior que 2, significa que a célula está em
anaerobiose)
o Controle das Causas Primárias:
Cardioversão elétrica nas taquiarritmias, uso de marcapasso nas bradiarritmias
Uso de trombolíticos no IAM E Tromboembolismo pulmonar
Pericardiocentese ou pericardiotomia no tamponamento cardíaco
Drenagem de tórax no pneumotórax hipertensivo
Antialérgicos e corticoterapia nos casos de anafilaxia
Controle de danos e cirurgia nos casos de hipovolemia e trauma neurológico
CHOQUE 12
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OBS: Primeira escolha: NORADRENALINA, em segunda escolha vasopressina