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Amor Esquecido e Segredos em Nova Iorque

Risa Kelly enfrenta a dor de ser esquecida por Damian Black-Price, que perdeu a memória dos últimos seis meses de sua vida. Enquanto luta para manter sua posição como assistente pessoal dele, Risa anseia por seu amor e se pergunta se Damian algum dia se lembrará dela. O romance entre eles é complexo e marcado por segredos, com a esperança de que o amor possa prevalecer apesar das adversidades.

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Laranie Liberato
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Amor Esquecido e Segredos em Nova Iorque

Risa Kelly enfrenta a dor de ser esquecida por Damian Black-Price, que perdeu a memória dos últimos seis meses de sua vida. Enquanto luta para manter sua posição como assistente pessoal dele, Risa anseia por seu amor e se pergunta se Damian algum dia se lembrará dela. O romance entre eles é complexo e marcado por segredos, com a esperança de que o amor possa prevalecer apesar das adversidades.

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My Love

Break My Love #2

ANNA ANTONIA
My Love
LANÇAMENTO

DISTRIBUÍDO PRÓXIMOS
Mantenha-me, empurre-me, reivindique-me, esqueça-me.
Risa Kelly agora sabe que o inferno não é apenas ser
esquecida pelo homem que ama.

É ter que fingir que nada existiu entre eles. Empenhada em


estar ao lado de Damian, passa pela dolorosa farsa de ser
sua perfeita e competente assistente pessoal, mesmo que seu
coração implore para que ele se lembre do seu amor e seu
corpo anseie por sua disciplina implacável...

Risa podia sentir que Damian se sente atraído por ela,


mesmo acreditando que ainda está com sua ex-amante,
Gretchen Smith...

Damian Black-Price acorda e descobre que perdeu os


últimos seis meses de sua vida.

Determinado a manter seus segredos e proteger aqueles


do submundo sombrio de seu nascimento de quem cuida,
Damian retoma sua respeitável vida em Nova Iorque
enquanto luta contra seus sentimentos perigosos por Risa.

Porém, em meio a intermináveis dias de trabalho e


eventos sociais, Damian está perdendo a luta contra o
instinto obsessivo que exige que mantenha Risa de qualquer
maneira…

NOTA: Este não é um romance independente. O romance


amargo de Damian e Risa continua em My Love Regret.
“Das alegrias que partiram, para não
voltar, quão dolorosa é a
lembrança”.
– Robert Blair
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EQUIPE
PEGASUS LANÇAMENTOS
Capítulo 1
Risa
Eu não conseguia respirar.

Repetia a pergunta de Damian em minha mente.

— Quem é você?

Meus olhos arregalados e cheios de horror, prenderam-se aos


dele, valentemente se lançando em busca dos fios de memória que
estavam se partindo a cada segundo que passava. Seu belo e pálido
rosto exibia o cenho franzido.

Não era o tipo que usava quando eu o irritava ou desobedecia


sendo atrevida. Era o que usava quando confrontado com a
grosseria de um estranho.

Eu era a estranha.

Tentei abrir a boca, pude sentir um grito querendo irromper


assim que meus lábios se separaram. Apertei-os e saí do quarto.
Minhas pernas pareciam não funcionar, mas conseguiram
executar seu trabalho.

8
— Espere!

Reagi ao comando, obedientemente, mesmo que ele não


conseguisse lembrar por que eu obedeceria.

— Por que está chateada? Já fomos apresentados?

Balancei a cabeça. Seu rosto relaxou.

— Muito bem. Então você é uma funcionária.

Sempre senhor de si, mesmo quando seu cérebro estava cheio


de tecido cicatricial e, aparentemente, nenhuma lembrança ou
pensamento sobre mim.

Apertando meu lábio superior com meus dentes, engoli as


palavras que trairiam meu coração despedaçado. Palavras que
gritavam — Como pôde me esquecer? Pensei que você me amava,
Damian!

Não eram palavras boas.

Elas nem eram o pior de tudo. A pior parte foram as palavras


que não queria dizer em voz alta. Palavras que sussurravam — meu
corpo era tudo o que você realmente gostava? Eu não era o
suficiente para ficar, para ser lembrada?

O que fazer? O que fazer?

A mãe de Damian entrou na sala, inadvertidamente tomando


a decisão por mim. Passei por ela murmurando um pedido de
desculpas. Ouvi sua voz requintada chamando meu nome, não foi
o suficiente para me manter lá.

9
Eu não teria mais lugar se Damian não pudesse se lembrar
de mim.

A pessoa que me tornei para me encaixar nele, para fazer


sentido em seu mundo, não tinha lugar. Fui esquecida como se
nunca tivesse existido.

Nós nos amávamos. Era real, então o amor se foi, já que ele
não lembrava.

A desolação me atingiu.

Saí correndo. Passei pelas sombras de Damian sempre


presentes, passei pelas enfermeiras e médicos fazendo suas rondas
surpresos com minha atitude, também pelos rostos que não
importavam, correndo até chegar à porta da frente.

Empurrando-a, corri pela estrada íngreme e curva. Deveria ter


me preocupado, que pudesse cair e rasgar a pele das minhas mãos
e pernas. Deveria ter me importado, que hoje fosse a primeira vez
que deixei a clínica desde a entrada de Damian, dois meses antes.

Deixaria para mais tarde.

A única coisa que importava, era como poderia viver com um


coração rasgado, esmagado e mutilado?

O único homem que já amei foi embora, deixando uma cópia


quase perfeita em seu lugar. Mantive a vigília por Damian, nunca
me ocorreu que já o havia perdido.

10
Vagamente notei uma batida rítmica atravessando os
suspiros irregulares que saíam da minha boca aberta. Se corresse
para longe e por tempo suficiente, Damian sentiria a parte que
faltava de si mesmo? Ele se lembraria depois que eu fosse
completamente? Não era nem perto de um plano real,
aparentemente era tudo o que possuía.

Perca-me só para que possa me amar mais.

Era insano, tão louco quanto ser acorrentada pelo amor da


minha vida e então perdê-lo para uma noite de violência que ainda
não entendi.

Acelerei, levando meu corpo até o limite. A estrada ficou turva


sob o peso das minhas lágrimas. Como pôde acontecer? Eu orei
por tanto tempo, fazendo apelos vinte e horas por dia para qualquer
deus que pudesse escutar, para que Damian permanecesse vivo.
Nunca imaginei que alguém tivesse escutado.

Coisas ruins e perversas fazendo mal à minha vida ao


concederem meu desejo.

Febril e enlouquecida, voltei-me para aquelas súplicas das


madrugadas. Elas circularam pelo ralo da minha mente. O que deu
errado? Eu não barganhei bem o suficiente? Prometer minha vida,
minha carreira, meus sonhos não foi o bastante?

Tudo o que podia raciocinar era que um deus das trevas veio
para destruir minha vida por um capricho, pois não soube orar
com as palavras certas. Por não saber barganhar corretamente.

11
Eu já havia perdido Damian e nem sabia.

Minhas emoções se tornaram uma força da natureza. Perdida


na violenta tempestade de dor eu queria morrer.

Com a dor eu poderia conviver. Com o abandono, não.

Uma mão forte segurou meu braço enquanto outro braço


agarrou minha cintura. Eu fui pega. No limiar da loucura, desejei
que fosse Damian. Que de alguma maneira se lembrou de mim e
desafiou a fraqueza de seu corpo para me buscar.

— Senhorita Kelly, acalme-se.

Claro que não foi o meu Damian que me impediu de correr


por todo o país. Aquele Damian se foi.

Meu mais novo captor era o macho leonino com o nome e a


cor combinando.

Leon Konstantinov.

Eu não sabia quem ele era para Damian, mas vi o rigor dos
detalhes de segurança em relação a ele descobrindo que era tão
importante quanto o CEO da Black-Price Holdings e da Bridgewater
National. Embora não tivéssemos conversado muito, Leon sempre
me tratou com respeito. Alguma parte minha apreciava sua
preocupação silenciosa, embora não a quisesse.

Queria Damian.

Leon soltou minha cintura, mantendo a mão no meu braço.


Ele estava certo em fazê-lo, caso contrário teria disparado como um

12
raio. Presa, puxei o ar, muco e lágrimas enquanto mantinha meu
rosto virado para longe. Não queria que ele me visse assim. Não
queria que ninguém além de Damian me visse tão arrasada.

Era perceptível que Leon também não queria me ver tão


desnorteada.

Ele ficou do meu lado rigidamente. Sua mão permaneceu


como uma algema em meu braço. A sensação não era nada como
o toque de Damian, mas era um lembrete desnecessário de tudo
que perdi.

E se Damian nunca se lembrasse de mim? Então eu


desapareceria como a luz das estrelas ao amanhecer. Voltando à
noite, nunca seria a mesma coisa.

Todas as lágrimas que me recusei a derramar enquanto meu


amor estava em coma caíram. Pressionei minha mão livre na
minha boca, não adiantou. Gemi como um animal ferido. Só fui
capaz de sobreviver porque nunca me ocorreu que perderia seu
coração.

Oh meu Deus! Damian não me ama mais!

13
Capítulo 2
Risa
Minhas pernas se recusaram a me sustentar por mais tempo.
O aperto de Leon afrouxou para que pudesse cair de joelhos.

Eu não sabia o que fazer a seguir. Não sabia o como mudar a


situação, fazer Damian se lembrar de mim, fazê-lo me amar de
novo.

Como o conquistaria?

Recordar a gentileza em seu olhar, a pergunta que passou por


seus amados lábios, me fez curvar minhas costas e soltar outro
grito.

Não era justo.

Não era justo que tivéssemos chegado tão longe, tão perto de
começar uma nova vida e tal tragédia aconteceu.

***

— Porque eu quero meu para sempre com você, Risa.

— Para sempre?

14
— Sim.

— Você não está exagerando?

— Não.

Silêncio.

— Você está me pedindo para...

***

O que ele diria em seguida? Eu descobriria algum dia?

Meus soluços acabaram se acalmando. Levantei meus joelhos


até o peito. Desamparada, pensei pela milionésima vez se, de
alguma forma, causei o que aconteceu.

E se não tivesse escapado do seu apartamento em vez de


enfrentar meus medos como uma adulta? Damian nunca teria sido
baleado? Ele agora estaria em Nova Iorque, fazendo o que quer que
faça enquanto supervisionava seu conglomerado multinacional?

Nunca saberei, mas sempre me perguntarei. Gostaria de ter


feito tudo diferente…

Desmoronando no gramado impecavelmente cuidado, me vi


como o máximo do egoísmo. Não faz muito tempo que tudo que
desejava era que Damian sobrevivesse.

Então acordasse.

E então ficasse bem.

15
Tenho tudo que pedi e muito mais. O fato de que ele parecia
ter todas as suas funções e mobilidade deveria ser o suficiente para
mim. Pelo contrário, estava chorando como se estivesse morto, pois
não se lembrava de mim.

E se ele nunca se lembrar? Se nunca se apaixonar por mim?

Passado o choque de ter sido esquecida, era o ponto crucial


da minha dor.

Eu nem sabia que Damian sentia algo por mim além de


luxúria até aquele final de semana fatídico. Ele quebrou as regras
para me mostrar o que sentia. Meus dedos tocaram meu tornozelo.
Ainda sentia o peso da corrente ali.

Assim era o nosso amor. Inquebrável. Profano. Belo.

Limpei meu rosto com as costas das mãos e soltei um suspiro


trêmulo. Não foi uma grande surpresa ver que ainda sofria de
insegurança.

Apenas dois meses atrás, estava com tanto medo que Damian
não pudesse me amar que fugi antes que ele me rejeitasse. Parece
que fiz de novo, só que desta vez, sabia que Damian não me amava
porque não conseguia nem se lembrar de mim.

O que faria? Fugiria de novo ou ficaria e lutaria?

Levantando minha cabeça para trás, olhei para o céu. Era o


azul da primavera. O azul do renascimento. O azul da esperança.

16
Você não aprendeu nada ainda? Não pode correr quando as
coisas emocionais ficam difíceis.

Não costumava me ver como uma covarde, mas não podia


negar quão covarde era quando se tratava de Damian.

Eu o queria tanto que, o simples pensamento de perdê-lo, me


fez perder o juízo. Vi meu para sempre com ele, desde o início,
mesmo quando não acreditava que tivesse o direito. Queria o que
meus pais possuíam, só que com meu próprio toque pervertido.

Queria estar sob as mãos de Damian para o resto da minha


vida.

Queria jogar nossos jogos até que não pudesse me mover.


Precisava de seus dedos em meu cabelo e seu pau dentro de mim
enquanto me pegava forte. Eu ansiava pelo contato de nossos
corpos trabalhando em sincronia para perseguir uma felicidade
que só nós, poderíamos dar um ao outro.

Damian me intoxicou com seu corpo, mas não foi só. Eu


queria que seus lábios pertencessem a mim e seu coração
carregasse apenas meu nome.

Para sempre. Casamento. Bebês. Uma casa. Uma vida.

Juntos.

Damian e Risa.

17
A determinação empurrou a enorme tristeza para o lado. Não
havia tempo para ficar chorando como uma idiota. Damian
precisava de mim quer percebesse ou não.

Soltando um último suspiro lacrimejante, levantei-me. Leon


estendeu a mão para me firmar. — Você está bem?

— Estou agora. Obrigada.

Leon assentiu. — Então vamos voltar.

— Sim.

Nosso retorno demorou mais do que a minha corrida, mas me


deu o tempo necessário para me recompor. Reagi mal, mas estava
mais do que nunca determinada a apoiar Damian e confiar que, ou
ele se lembraria de mim ou se apaixonaria por mim novamente.

Seria de um jeito ou de outro.

Nada mais poderia acontecer. Nós nos amávamos demais para


que nosso amor desaparecesse para sempre. Não aconteceria, não
enquanto eu respirasse.

Olhando para cima, olhei para as janelas da suíte de Damian.


Uma surpresa vertiginosa me invadiu quando o vi olhando para
mim.

18
Capítulo 3
Damian
A mulher estava chorando. Não gostei, embora não soubesse
o motivo.

Meu olhar fixou-se em sua forma minúscula, que parecia


deslocada e perdida no interior da Suíça. Vi meu irmão Leon,
montando guarda sobre ela. Eu me perguntei se ela seria sua
amante.

Algo dentro do meu estômago se contorceu com o


pensamento.

Estava sendo muito possessivo em relação a um funcionário.


Ainda assim sua presença me acalmava. Ela costumava falar
comigo sobre as coisas mais banais, nunca exigindo uma resposta.

Ao acordar daquela escuridão interminável, foi a primeira


pessoa que vi. Sua devoção era impressionante e meu apego por
ela era compreensível.

Eu a associei com renascimento e salvação.

19
No entanto, não gostei da ideia de ela pertencer a Leon.
Gostava de pensar que pertencia a mim.

Fiz uma careta quando uma fisgada de dor latejou atrás do


meu olho esquerdo.

— O que há de errado, Damian? — Elaine me perguntou em


russo. Devido a seu propósito na Guerra Fria, seu inglês era tão
perfeito quanto o russo, porém, quando estávamos sozinhos a
língua materna era nossa preferência.

Descartei sua pergunta. — Nada.

Minha guardiã, a mulher que me criou desde que era recém-


nascido, me encarou com uma expressão impassível. Só eu pude
ver a pequena centelha de preocupação contraindo o canto da sua
boca. Constrangido, acrescentei — apenas um pouco de dor. Não
muito para se preocupar.

Elaine me deu um assentimento curto. — O que aconteceu


com Risa?

Ah. Então este era o nome dela? Estranho que não me lembro
de ouvi-lo antes.

— Não sei o que aconteceu. Apenas pedi esclarecimentos a


ela.

A expressão de minha guardiã se apertou em confusão. —


Esclarecimentos?

20
Foi então que percebi que estava faltando algo importante. —
Eu me esqueci dela, não é?

O olhar azul-gelo de Elaine se arregalou um pouco. Seu


minúsculo sinal de choque foi toda a confirmação de que eu
precisava.

— O que você quer dizer?

Desviei o olhar de Elaine e voltei a me concentrar na figura


distante de Risa. Estava no chão agora, chorando copiosamente
enquanto Leon permanecia parado rigidamente ao seu lado. Meu
estômago se contraiu e fechei meus punhos com força.

Parecia errado ela estar sozinha com ele.

— Perguntei quem ela era. Ela fugiu.

Elaine respirou suavemente. Embora quisesse continuar


encarando Risa, forcei-me a voltar para Elaine. Era importante
observar suas reações. As palavras não importavam tanto quanto
as reações. Elas me diriam a verdade.

— Você não se lembra dela.

— Não, não me lembro.

A expressão de Elaine suavizou. Estava escondendo seus


pensamentos de mim e eu não gostava.

— Quem é ela?

21
— O médico precisa saber. Precisamos determinar quanta
memória você perdeu e se é temporário. Volto logo.

— Pode esperar. Conte-me. Agora.

Elaine respondeu sem mais hesitação. — Ela é sua assistente


pessoal.

— Não tenho assistente pessoal.

— Sim, mas decidiu contratá-la. Ela é novata.

Minha assistente pessoal? Procurei no vazio frustrante de


minha mente. Se fosse realmente minha assistente, explicaria o
fato de ela ter permanecido ao lado da minha cama todo esse
tempo. No entanto, ela não teria sido melhor utilizada na sede da
empresa?

Parecia tão certo quanto vê-la caminhando ao lado de Leon.

Nossos olhares se encontraram. Sua boca macia se separou


apenas o suficiente para eu imaginar que podia ver a ponta de sua
língua. Pensei mais uma vez na proximidade incomum de Leon com
ela.

Meu meio-irmão era um homem frio, não dado a


amabilidades, muito menos a lágrimas. Embora, não tivéssemos
passado muito tempo juntos ao longo dos anos, conhecia o
suficiente sobre ele para saber que passava por mulheres como
quem gosta de doces.

Intensamente entre longas secas de autodisciplina.

22
A ideia daquela boca deliciosa e língua sendo de Leon me
encheu de uma raiva incandescente. Ele pairar ao seu lado provava
que era importante e não uma mulher a ser descartada como as
outras.

Deliberadamente, afastei meu olhar de Risa.

Ela não era minha para olhar, mesmo que fosse minha
assistente. Por que ela ficou do meu lado? Onde estava Gretchen?
Ela sabia que eu estava hospitalizado?

Gretchen.

Não havia pensado nela até agora. Provou o que suspeitava


há semanas. Nós estávamos terminando.

Talvez já tivesse acontecido?

Meus pensamentos traiçoeiros voltaram para minha,


aparentemente, assistente pessoal. Eu estava atraído por ela sem
dúvida, mas não era desprezível a ponto de me meter com a mulher
de outro homem.

Especialmente quando se tratava da mulher do meu irmão.

Embora nem saiba se ela é dele. Poderia estar apenas tirando


conclusões precipitadas.

A dor atrás do meu olho diminuiu o suficiente para me deixar


sorrir levemente.

23
Capítulo 4
Risa
Parei tempo suficiente para ir ao banheiro antes de subir. Não
me permiti pensar muito sobre o que poderia ter significado para
Damian desviar seu olhar do meu como fez.

Qualquer coisa poderia ter ocorrido. Poderia estar


conversando com Elaine. Um médico ou enfermeiro poderia ter
entrado. Talvez até um membro da segurança. Não precisava ser
pessoal.

No entanto, pareceu pessoal. Parecia uma dispensa e não era


algo que queria que Damian fizesse comigo. Nunca.

Controle-se, Risa. Não desmorone novamente.

Sem minha bolsa, não havia nada que pudesse fazer sobre
meu nariz vermelho e olhos inchados, fiz o melhor que pude. Vários
respingos de água fria e estava tão apresentável quanto poderia
estar.

Não sabia o que aconteceria a seguir, mas estava pronta para


enfrentar o que viesse. Damian não desistiu de mim quando fugi

24
do nosso relacionamento. Eu seria tão comprometida quanto ele,
principalmente agora que precisava de mim mais do que nunca.

Eu não o perderia. Ele, nosso amor, nosso relacionamento,


tudo. Eu os ganhei através de lágrimas, devoção e sacrifício. Não
havia nenhuma maneira do caralho de eu me afastar de Damian.

Eu era imparável quando decidia algo. Aconteça o que


acontecer, alcançarei meu objetivo. Era assim que operava em
minha profissão e não via razão para não aplicar a mesma
mentalidade à minha vida amorosa.

Eu só precisava acreditar em nós. E acreditava em nosso


amor, não importava quão estranho fosse.

Abrindo a porta do banheiro, vi Leon esperando por mim. Eu


me sentia desconfortável em sua presença, considerando os
últimos quinze minutos. Precisava lhe agradecer novamente antes
de enfrentar Damian.

— Obrigada por estar lá fora.

Seu olhar prateado estava tão frio como sempre. — Não é


necessário agradecer. Era meu dever.

Lutei contra o desejo de abaixar a cabeça. Não pude deixar de


sentir que tornei seu dever muito mais desagradável com todo o
meu choro e lamento.

— Obrigada de qualquer maneira.

25
Ele não disse nada, então me virei rápido. Não porque
estivesse fugindo dele e sim por estar ansiosa em voltar para
Damian.

Chegando ao último andar, corri ainda mais rápido quando vi


a mãe dele esperando no corredor.

Ela examinou minha aparência desgrenhada com um olhar.


Considerando seu exterior sempre imaculado, tinha certeza que
ofendia, mas estava tão certa de que ela não usaria o fato contra
mim. Embora fosse uma mulher de poucas palavras, foi o epítome
da gentileza durante a aspereza dos últimos meses.

— Você sabe.

Não foi uma pergunta. Engoli em seco, sentindo as lágrimas


pinicarem meus olhos novamente.

Elaine não ofereceu conforto. — Damian está com os médicos.


Eles farão outra ressonância magnética. Não sabem se o dano é
permanente ou não. Mesmo com as imagens lesões na cabeça são
complicadas.

Ouvi seu aviso.

— Ele se esqueceu de mim.

— Não. — Ela balançou a cabeça uma vez. — Ele não se


lembra de você. Existe uma diferença, Risa.

Confortada com o lembrete, limpei as lágrimas. — Você está


certa. Posso ir vê-lo?

26
— Ainda não. Há outra coisa.

O medo formigou na boca do meu estômago. — O quê?

— Eu disse a ele que você é sua assistente pessoal.

Repeti o que ela falou e ainda não conseguia acreditar. — Por


que você diria algo assim a ele quando sabe que eu definitivamente
não sou?

— Para dar tempo a vocês dois. Se Damian pensar que você é


sua assistente, poderá ficar com ele. Caso contrário, não teremos
outra escolha senão mandar você para casa.

Que maneira estranha de dizer...

— Por que não posso simplesmente dizer a ele que sou sua
namorada?

— Ele não se lembra de você. Pode decidir que, se te esqueceu,


talvez não fosse tão sério. Ele a demitiria. Se Damian se lembrar
de você algum dia, o mal estará feito e será tarde demais para vocês
dois.

Cada afirmação verdadeira era como uma punhalada no meu


coração. Respirei fundo enquanto minha mente tentava
freneticamente encaixar as peças de sua lógica. Tive que ir com
cuidado.

— Obrigada, por pensar em nós. Só que não me sinto


confortável mentindo a ele. Você realmente pensa que não seria
melhor se eu lhe contasse a verdade?

27
— Com certeza. Ainda não.

Não queria discutir com a mãe dele e, potencialmente, ofendê-


la, mas não conseguia entender completamente seu raciocínio.

Leon, esquecido por mim até então, falou algo em russo.


Elaine respondeu instantaneamente. Mais do que nunca desejei
não ter escolhido francês. Tudo o que eu peguei foi o — Nyet, de
Leon.

Eu sabia o que significava. Por que ele disse não?

Não descobriria tão cedo, pois Leon se virou e nos deixou sem
dizer mais nada. A curiosidade coçou, porém, a maior parte do meu
foco estava no que faria a seguir.

Era uma coisa a ser esquecida. Outra era fingir que nunca
houve nada entre nós.

— Se eu contasse a Damian sobre nosso relacionamento, não


poderia ajudá-lo a se lembrar mais rápido?

— Não. Só acrescentará mais uma camada de estresse que


pode prejudicar sua cura a longo prazo. Não podemos arriscar.

Mais uma vez ouvi o que ela não estava dizendo.

Diga a ele agora e você se responsabiliza por prejudicá-lo.

Obviamente não era um risco que estava disposta a correr. No


entanto, a ideia de esconder quem eu era para ele me repugnava.
Não queria ter nada a ver com o problema.

28
— Tem que existir outra maneira.

— Não existe.

— Como posso fingir que ele não significa nada para mim,
Elaine? Eu o amo com todo meu coração. Não conseguirei
esconder.

Ela colocou todo o peso do seu olhar azul-gelo em mim. —


Justamente por amá-lo é que fará. Você esconderá seus
sentimentos e os canalizará para ajudá-lo até que ele possa se
lembrar de você por conta própria. Vai esconder porque o ama.

Mesmo que o tom de Elaine não tenha mudado, pude sentir a


paixão em suas palavras. Ela falou por experiência. Olhando-a me
perguntei quem ela amava tão intensamente.

— E se ele nunca se lembrar de mim? O que farei?

— Não falhe.

Simples assim?

— Você tem muita fé em mim.

— Claro. Ele não escolheu você? Você fará com que ele a ame
novamente. Já fez uma vez. Pode fazer de novo.

E se não pudesse? Era apenas um dos meus muitos, muitos


medos. Como saberia o que fazer? Nem sabia por que Damian se
apaixonou por mim.

29
Eu falei em voz alta para reforçar minha coragem. — Preciso
manter em segredo. Pela saúde de Damian. — Respirei
profundamente. — Ele precisa se concentrar em melhorar. Não
precisa da minha pressão.

— Ele se lembrará de você, Risa.

— Acredito que sim.

— Damian se lembrará de você e entenderá o sacrifício que fez


por ele. Você verá.

Embora meu sorriso tenha tremido, decidi. Enterraria nosso


relacionamento. Mesmo que fosse a última coisa que quisesse
fazer. Faria por ele.

Por Damian.

Agora que minha mente estava pronta, precisava passar


metodicamente pelas armadilhas que viriam.

— Eu era uma executiva de contas na minha empresa. Nunca


fiz trabalho administrativo antes. Damian provavelmente me
demitirá na primeira vez que me esquecer de colocar algo em sua
agenda.

— Não se esqueça.

Um sorriso irônico passou pelo meu rosto. Ambos eram tão


incisivos e práticos. A semelhança familiar estava aparecendo de
novo. — Farei o meu melhor.

30
— Além disso, falei para Damian que você era nova. Você
também será sua primeira assistente, então tem esta desculpa.

— Ele nunca teve um assistente antes? Por quê?

— Damian é muito reservado.

Era verdade. Pensando melhor, provavelmente não deveria ter


me surpreendido. Damian era muito específico e exigente quando
se tratava do seu trabalho. Provavelmente era mais fácil para ele
fazer as coisas sozinho do que arriscar que alguém cometesse um
erro.

O que significava que precisaria ser irrepreensível.

Meu corpo, amortecido por tanto tempo, voltou abruptamente


à vida.

Instantaneamente, o calor invadiu meu corpo quando me


lembrei de me ajoelhar aos pés perfeitos dele enquanto Damian
registrava suavemente minhas infrações e o tipo de punição que
receberia.

Um gemido subiu pela minha garganta. Este era o caminho


perfeito de volta para ele? Ser sua assistente despertaria as
mesmas fomes nele? Rezei para que fosse assim.

Oh meu Deus! É a isto que fui reduzida? Uma mulher


esperando e rezando por seu amante encontrar falhas nela apenas
para que pudesse sentir de novo?

Sim. Mil vezes sim.

31
A Risa de antes foi substituída por uma nova versão, uma que
faria qualquer coisa para manter o homem que ela esteve tão perto
de perder.

A esperança nascida do desespero, mas nascida mesmo


assim, me inundou.

Impulsivamente, estendi a mão e abracei a mulher mais alta.


— Muito obrigada, Elaine. Não sei por que foi tão gentil comigo
todos esses meses, mas estou feliz por estar do nosso lado.

Ela me deu um tapinha desajeitado no ombro. — Damian ama


você. É razão suficiente para mim.

Embora fossem poucas palavras, entendi exatamente o que


ela queria dizer e a admirei ainda mais. Nunca me incomodei em
perguntar como ela sabia do meu relacionamento com o filho e não
seria agora que o faria.

Esperaria até ter a chance de perguntar ao próprio Damian.

Ele se lembrará de mim. Tenho certeza.

Eu só precisava ajudá-lo. Mesmo que significasse manter meu


silêncio e me tornar alguém diferente.

32
33
Capítulo 5
Risa
Esperei a volta de Damian do lado de fora da suíte. Ele esteve
fora por quase duas horas muito longas. Aceitei a sugestão de
Elaine e usei o tempo para me arrumar. Não sabia o que ele
esperava que sua assistente vestisse ou se comportasse, Elaine me
esclareceu como sempre.

— Damian é extremamente formal em seus negócios. Não o


chame pelo primeiro nome, a menos que lhe dê permissão.

Não houve nenhum argumento meu quando experimentei tal


formalidade em primeira mão. — Claro.

— Lembre-se que Damian não sabe dos detalhes do acidente.


Não deve saber até que se recupere totalmente. Ninguém fora desta
clínica sabe e é assim que permanecerá.

Eu não entendia a necessidade do sigilo, Elaine me garantiu


que eu saberia quando chegasse a hora certa e apenas por Damian.
Era frustrante, agora de uma maneira que não era até então.

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Quando Damian estava em coma, tudo o que importava era
que ele acordasse. Não me importava como ele ficaria, só queria
que estivesse acordado e saudável.

Tudo que sabia é que ele foi baleado, só não entendia o


porquê. Foi realmente um acidente como Elaine mencionou? Eu
não penso assim. As pessoas normalmente não são mortas por
acidente.

Então significava que foi uma tentativa de assassinato. Por


quê? Quem faria tal coisa para Damian? Era sobre dinheiro?
Alguma organização internacional o atacou por causa de suas
participações corporativas?

Raiva e medo atingiam os limites do meu controle. Como


alguém se atreveu a ferir Damian? Eu teria atirado neles se
estivessem diante de mim. Não duvidei nem por um momento.

Manter segredo e passar por este enigma exigia um nível de


confiança que não estava acostumada a dar, mas faria por ele.
Faria qualquer coisa por Damian.

Elaine me elogiou. Podia ver sua mente ocupada comparando


meus pontos fortes com os mais fracos. — Use cores escuras como
ele. Sua maquiagem deve ser suave. Nada muito forte. Seu cabelo
deve ser simples... Talvez mais curto.

— Não! — Corei quando ela levantou uma sobrancelha. A


expressão perfeita do loiro escuro me castigou por levantar minha
voz desnecessariamente. Ouviria as ordens dela, mas não sobre
meu cabelo. — Damian gosta do meu cabelo longo. Não o cortarei

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Elaine deu de ombros. — Mantenha-o preso então. Acima de
tudo arrumado. São coisas que ele espera de si mesmo e, como sua
assistente, você é um reflexo dele.

Eu sou um reflexo de Damian.

Tais palavras me intimidaram e me aqueceram em medidas


iguais. Uma voz dentro de mim advertiu que talvez estivesse me
perdendo neste plano muito rapidamente.

Desliguei a voz.

Nada importava para mim, além de estar presente para


Damian. Assim como ele estava disposto a quebrar as leis da
sociedade por mim, estava disposta a quebrar minhas próprias leis
por ele.

Segredos. Mentiras. Tudo valeria a pena no final?

Tento acreditar que sim. Não existe outra maneira de acontecer.

Depois de me dar seus conselhos e sugestões, Elaine saiu


para que eu pudesse me arrumar. Tomei banho e me arrumei
cuidadosamente depois de ir à minha suíte pessoal no andar da
família. Elaine deixou uma saia preta, jaqueta e camisa de cor
marfim, roupa íntima de renda combinando, certamente custavam
mais do que eu pagava de aluguel a cada trimestre. E sapatos da
nova coleção de Christian Louboutin. Estava aumentando bastante
minha coleção, graças a ela.

Deveria ter ficado surpresa com a rapidez com que comprou


minhas roupas de trabalho, mas Elaine era mestra em fazer as

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coisas acontecerem. Não duvidei que fosse sua influência que
tornou Damian do jeito que é.

Embora não tivesse passado quase a mesma quantidade de


tempo com seu marido, Thomas Black-Price, sua intensidade e
compromisso com Damian não podiam ser negados. Ele verificava
seu filho uma vez por semana, mas passava o resto do tempo fora,
cuidando dos negócios. Presumi que fosse para ajudar a
administrar o império de seu filho, só não tinha certeza porque
nunca perguntei.

Os meses que passei neste hospital me ensinaram a respeitar


limites. Era uma estranha cercada por pessoas dedicadas a
Damian. O que me deu a coragem de confiar nelas mesmo quando,
nem sempre, entendia quem eram e por que estavam lá.

Mais de uma vez, silenciosamente, agradeci a Damian por me


ensinar como interagir com pessoas taciturnas como ele.
Estranhamente, ou não tão estranhamente, dependendo do ponto
de vista, me acalmou ver tanto de Damian refletido ao meu redor.

Também me provou até onde meu precioso amante se


estendeu por mim.

Se tivesse entendido então. Eu não teria perdido tanto tempo


agindo como agi. Gostaria de poder voltar no tempo e fazer tudo de
novo.

Não seria sábio chorar novamente depois de aplicar


cuidadosamente o rímel. Não queria que Damian me confundisse
com um guaxinim. Já era ruim o suficiente que tenha fugido dele

37
mais cedo. Não queria dar a impressão de que não possuía controle
sobre minhas emoções.

Ainda assim, ver Damian novamente seria um grande desafio.


Fingir que era simplesmente sua funcionária e não a mulher que
adorava no altar de seu corpo perfeito me testaria de uma maneira
que nunca esperei.

Eu realmente precisaria ter cuidado.

Seriam as pequenas coisas que me trairiam. Estava tão


acostumada a tocar seu rosto e cabelo que manter minhas mãos
longe dele seria um castigo pior do que qualquer um que Damian
tenha me dado quando era desobediente.

Em breve jogaremos nossos jogos novamente. Sei que sim. Só


tenho que ser paciente.

Esperando no corredor, resisti à minha inquietação. Eu não


usava roupas de trabalho fazia tanto tempo que os calcanhares nos
saltos pareciam estranhos depois de usar sandálias por meses.
Ainda assim, minha coluna se endireitou quando ouvi vários
passos vindos em minha direção.

Era hora de fazer minha parte. Não importava o que


acontecesse, a partir deste momento, teria que ficar na linha. Não
podia permitir que nada me desviasse do meu objetivo.

Sem medo. Sem orgulho. Sem dúvidas.

Estava pronta.

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39
Capítulo 6
Damian
Meus ombros relaxaram um pouco quando vi Risa,
enrijecendo novamente em seguida. Não queria admitir que sentia
falta de sua presença e a queria ao meu lado nas últimas duas
horas.

Ela pode ser minha assistente, porém, se fosse de Leon, sua


primeira lealdade, sua verdadeira lealdade, seria dele.

Não minha.

Raiva injustificada acendeu um pavio desagradável dentro de


mim. Era como uma criança mimada com um brinquedo. Não
queria compartilhar. Queria que ela estivesse comigo, pensando
apenas em mim. Eu queria toda sua atenção e lealdade. Não gostei
da rapidez com que passei a depender desta mulher de quem não
me lembrava.

Era perigoso.

Eu não podia me permitir ficar ligado a uma funcionária,


especialmente uma que aparentemente contratei como assistente.

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Essa atitude era completamente fora do personagem, porque havia
partes da minha vida que não poderiam ser compartilhadas.

Sempre.

Uma assistente pessoal iria, inadvertidamente, circular por


um território no qual não tinha nada para fazer. Então, por que
porra no mundo teria contratado Risa?

Realmente tenho que me fazer essa pergunta? Veja como ela


me afeta fortemente. Eu ficaria intrigado apenas com a minha
reação.

Risa sorriu brilhantemente assim que cheguei a poucos


metros dela. — Boa tarde, Sr. Black-Price.

Não disse nada, dei a ela a pequena cortesia de um movimento


de cabeça. Não foi uma boa tarde depois que ela saiu do meu
quarto. Ainda me irritava e não estava preparado para perdoá-la
por sair. Especialmente enquanto fazia companhia a Leon.

Se Risa fosse minha, teria mostrado meu descontentamento e


como punição levantaria sua saia estabelecendo-a nas minhas
pernas...

Ela seguiu-me até a minha suíte e esperou enquanto era


acomodado na cama. Embora não tivesse me incomodado antes,
ter Risa me vendo em um estado de vulnerabilidade me
incomodava no momento. A estranheza não escapou da minha
atenção. Suspeitava que estivesse desenvolvendo sentimentos
impróprios por ela antes do infeliz acidente que me trouxe até aqui.

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Que, a julgar pelo silêncio contínuo dos Konstantinov, seria
erradicado mais cedo ou mais tarde. Trazer-me para uma clínica
suíça, mantendo-me sob proteção vinte e quatro horas e, mais
importante, manter Leon aqui era prova suficiente de que fui
ajudado a ter meu acidente.

Chegaria a hora de descobrir exatamente o que havia


acontecido dois meses antes. A vingança seria minha e os
Konstantinov forneceriam todo o poder de fogo de que precisava.

Eu podia ser paciente. Podia ser completo. Podia ser metódico.

O que não podia ser era indiferente ao mistério de Risa.

Por que ela me afetava tanto? Meus pensamentos deveriam


estar fixados na minha namorada. De Gretchen eu me lembrava.
Esta... nem sabia seu sobrenome.

Examinei-a discretamente. Embora estivesse perfeitamente


imóvel, podia sentir uma vibração nervosa emanando dela. Eu me
perguntei o que ela queria dizer para mim. Estava ansioso de fato.

Quando a sala se esvaziou, Risa aproximou-se da minha


cama. — Eu quero me desculpar por mais cedo, senhor.

Aquela bela palavra saiu de sua boca tão docemente. Meu pau
endureceu em resposta. Embora fosse um momento estranho para
reafirmar minha luxúria, fiquei grato em saber que parte de mim
não fugiu com o bloqueio de seis meses de minha memória.

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Ela ficou lá com um olhar expectante em seu rosto adorável.
Realmente precisava aprender a esconder suas emoções, para não
ser tentado a tirar proveito delas. E eu queria tirar vantagem.

Seriamente.

— Por que, Risa? Explique, por favor.

Assisti enquanto ela engolia em seco. Ela mordeu o lábio em


aparente nervosismo antes de se recuperar. Sorriu de novo, mais
brilhante do que antes, se era possível, e disse: — Sinto muito por
perder o controle das minhas emoções hoje cedo, Sr. Black-Price.
Eu fui vencida porque eu... Nós... Estávamos com tanto medo que
você fosse afetado pelo seu acidente. Entrei em pânico quando
percebi que perdeu parte da sua memória. Não pude evitar, estou
melhor agora.

Risa sorriu novamente como se estivesse orgulhosa de si


mesma. Eu me perguntava o motivo.

Tudo parecia claro e plausível, mas confiava em meus


instintos. Estava escondendo algo de mim. Seria medo de perder
sua posição porque não conseguia me lembrar dela? Vaidade? Ou
pior? Seu relacionamento com meu irmão?

Não gostei da minha hesitação em perguntar. Não queria


sofrer mais um momento.

— Você estava chorando lá fora.

Suas bochechas se avermelharam. Ela entrelaçou os dedos.


— Sinto muito que você tenha visto. Não acontecerá de novo...

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Eu joguei suas garantias de lado com um golpe da minha mão.
A voz de Risa desapareceu imediatamente.

— Eu não me importo com isso, Risa. Você está fodendo Leon


Konstantinov?

Seu rosto empalideceu antes de ficar vermelho brilhante. Eu


não tinha estômago para aguentar ou negar minha decepção. Tive
a minha resposta, mas precisava que ela dissesse as palavras para
mim. Qualquer coisa menos, me manteria fixado nela.

— Por que você pensou assim? — Sua voz tremeu. Eu só


podia supor que era constrangimento por ter sido descoberta.

— Responda minha pergunta!

— Não, eu não estou! Como se atreve a pensar que estou?


Você tem alguma ideia de como me sinto sobre...

— Risa.

Nós dois viramos a cabeça para ver minha guardiã entrar na


sala. Elaine dirigiu-se a ela com sua eficiência normal e fria. —
Uma cópia dos resultados de hoje está disponível no segundo
andar. Por favor, traga-os para a suíte e espere até ser chamada
novamente.

A boca deliciosa de Risa se apertou. Ela obedeceu depois de


um momento de hesitação. — Claro, Sra. Black-Price. Com licença!

Eu a vi se afastar de mim sem olhar para trás. Seus passos


curtos a traíram. Posso não ter me lembrado dela, mas conhecendo

44
minha personalidade, provavelmente a ofendi mais de uma vez com
a minha língua ferina.

A menos que tenha tentado levá-la para a cama. Então era


sem dúvida um cafajeste eloquente.

Eu não teria feito, teria? Nunca misturei negócios com prazer.


Nunca me envolvi com uma funcionária.

De repente, senti remorso por enfurecê-la e insultá-la.

— Risa?

Ela virou-se. — O que... — limpou a garganta. Seu olhar


escuro encontrou o meu antes de se afastar. Estava vítreo. A dor
contorceu minhas entranhas com a visão. — Perdoe-me, senhor. O
que posso fazer para você?

— Peço desculpas pela minha pergunta anterior. Não é,


obviamente, da minha conta. Passei dos limites. — Eu quis dizer
cada palavra, mesmo que elas arranhassem minha garganta.

Seus belos lábios rosados se apertaram. Embora sua voz fosse


suave, eu podia sentir a dor pulsando através de cada sílaba. —
Obrigada, senhor. Voltarei assim que você precisar. — Risa acenou
para Elaine e saiu do quarto.

Eu já sentia falta dela.

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Capítulo 7
Damian
Eu precisava tirá-la da minha mente. Ela não era minha e
nunca seria.

Embora não tivesse confirmado seu relacionamento com


Leon, o fato de que ele se importava o suficiente para segui-la para
fora da clínica era prova suficiente para mim. Independentemente
da nossa falta de história na infância, Leon era meu irmão e nunca
me envolveria com alguém que estivesse com ele.

Era uma questão de respeito e lealdade.

Embora o fato de terem desenvolvido um relacionamento não


fosse um grande mistério, quanto mais pensava no assunto.
Quartos próximos e tudo mais.

Maldito destino por ser tão filho da puta. Se não tivesse me


machucado, Risa e eu estaríamos nos Estados Unidos. Estava
confiante de que nossa proximidade seria o suficiente para nos
tornarmos muito mais.

46
Mesmo se não cruzasse a linha. Apenas saber que era o
primeiro em seus pensamentos seria o suficiente para mim.

— As coisas não estão indo bem com sua assistente?

A pergunta foi inesperada. Elaine sempre se manteve fora dos


meus negócios. — Por que você pergunta?

— Ela estava obviamente magoada com você, Damian. Não


prejudique sua relação de trabalho com ela.

— A substituirei se for necessário — afirmei categoricamente,


embora a ideia me incomodasse. Não tinha absolutamente
nenhuma lembrança dela antes de vê-la ao acordar. Por tudo que
sabia, era uma péssima assistente, preguiçosa, indisciplinada e
mais encrenqueira do que valia a pena. Embora a sensação era de
que não me importava com a qualidade de seu desempenho.

Eu só a queria comigo. Posse. Pura e simples.

Elaine pegou uma jarra e serviu-me um copo de água. Eu


podia ver que estava ansiosa para dizer algo mais. Não forcei,
sabendo por uma longa experiência que me contaria cedo ou tarde.

Ela me trouxe o copo e colocou na minha bandeja. Agradeci e


tomei um gole para acalmá-la e fazê-la falar.

— Eu ouvi sua pergunta.

Abaixei o copo cuidadosamente e esperei com uma


sobrancelha levantada.

— Risa não está envolvida com Leon.

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A satisfação feroz me percorreu tão rapidamente que eu podia
ouvir meu coração batendo nos meus ouvidos. Mal consegui
parecer desinteressado.

— Como pode ter tanta certeza?

— Ela tem se dedicado a ficar do seu lado nos últimos meses.


Ela mal o deixou até mesmo para comer, quanto mais se envolver
sexualmente com Leon.

— Realmente? Ela é dedicada a sua posição então. Devo pagá-


la bem.

— Ela é muito leal.

Expressei a pergunta na minha cabeça. — Por que Leon correu


atrás dela? Há algo mais entre eles.

Os lábios da minha guardiã se voltaram para cima em um


pequeno sorriso. — Eu pedi a ele.

A tensão em mim diminuiu em graus lentos. — Entendo.

— Você não se lembra de contratá-la, mas compartilhou sua


importância para tornar sua vida mais fácil. Considerando sua
recusa em contratar uma assistente, assumo que cabe a você
manter Risa.

Olhei para Elaine diretamente. Ouvi tudo que não foi dito.

— Você a aprova.

— Claro. Você a escolheu.

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— E está me avisando para não fugir dela.

— Estou te dando conselhos baseados no que sei.

Não podia negar o prazer correndo em minhas veias. Não tive


que negar o meu desejo em relação à Risa. Nenhuma lealdade
quebrada. Nada para me impedir.

Nada, exceto meu relacionamento com Gretchen.

A decepção esmaeceu meu triunfo. Nunca deixei meus


relacionamentos se sobreporem. Não começaria agora. Iria
terminar as coisas com Gretchen e precisava ser pessoalmente.

Seria desagradável, não inesperado.

Nosso relacionamento estava deteriorando fazia muito tempo.


Esperava, por algo mais, não era para ser. Gretchen era uma
miragem. Pensei que poderia transformá-la em algo bonito, puro e
meu.

Estava errado.

Considerando quão rapidamente me fixei em Risa, sabia que,


sem dúvida, teria que deixa-la ir. Gretchen merecia muito mais do
que um amante que mal podia esperar para terminar seu
compromisso.

— Obrigado por seu conselho, Elaine. Você nunca me falha.

Ela não negou. Ao contrário, sentou-se ao meu lado para me


fazer companhia. Eu gostei, mas egoisticamente queria uma

49
minúscula morena curvilínea para encher meus ouvidos com
conversas banais.

Não gostava que Risa estivesse fora da minha vista. Eu a


queria de volta.

— Elaine?

— Sim?

— Você sabe a extensão de meu relacionamento com Risa?

Ela inclinou a cabeça para o lado. Eu me lembro de vê-la


fazendo a mesma coisa mil vezes enquanto crescia. Não conseguia
me lembrar de nem uma vez durante o inverno. Um pequeno
lembrete para demonstrar o quanto perdi durante o tempo em que
fui dormir em algum lugar bem longe daqui. O buraco na minha
cabeça era uma fera desagradável, eu a domaria como fiz com todo
o resto.

— Esclareça-me.

— Estou envolvido emocionalmente com ela?

Elaine mudou para o russo. — Está perguntando porque está


apegado a ela?

Eu segui seu exemplo. — Estou.

— O que você quer saber que posso te dizer?

— Ela sabe sobre nós? — Não tive que explicar a última


palavra. Era o código para Konstantinov.

50
— Não.

— Você tem certeza?

— Absoluta.

Sua resposta me deixou mais tranquilo. Risa só sabia do meu


negócio legítimo e nada da minha vida secreta. Eu manteria assim.

— Quem ela pensa que Leon é? — Talvez meu ciúme levasse


mais tempo para dominá-la até a submissão.

— Ela não perguntou. Risa tem sido muito bem-comportada.


Discreta e fácil de gerenciar. Creio que tem um dedo seu nesse fato,
não é?

Gostaria de poder dizer que sim. Não sabia ao certo, mas


imaginei que não tivesse desistido por um motivo.

Talvez trabalhássemos bem juntos ou ela fosse naturalmente


dócil.

As possibilidades eram infinitas… se eu pudesse me lembrar.

Não respondi à pergunta de Elaine.

— Ela estaria em perigo se sua posição mudasse de assistente


pessoal?

51
Capítulo 8
Damian
O brilho sutil de provocação nos olhos de minha guardiã
congelou. — Sim.

As coisas estavam muito piores do que suspeitava. Minha vida


pessoal nunca foi um fator nos negócios de Konstantinov. A fúria
se infiltrou em mim, sobrepondo todas as minhas emoções mais
suaves.

— Quão ruim?

— Ninguém sabe, nem por quanto tempo. Você e Risa


precisam voltar para os Estados Unidos assim que for liberado.
Quanto mais longe estiver daqui, melhor.

A vista pitoresca do lado de fora da minha janela se dissolveu


enquanto imaginava os lobos circulando em volta de minha família.
— Quantas perdas?

— Muitas.

— Eu preciso saber.

52
— Ainda não.

A resposta era inaceitável. — Eu me cansei do segredo, Elaine.


Diga-me! Agora!

— Meu primeiro e único dever é cuidar do seu bem-estar. É o


que farei até o momento da minha morte.

Engoli as maldições que ansiavam voar da minha boca. Elaine


era inflexível quanto ao cumprimento de seu dever. Nada poderia
influenciá-la a se desviar do caminho. Nem mesmo eu.

— Estou quase na minha capacidade total.

— Não, você não está. Pensa que não conversei com os


médicos, Damian?

Flexionei minha mão em frustração. Até eu podia ver que


minha força não era nem de longe o que deveria ser. Merda!

— Diga-me agora. Estamos contra-atacando?

— Todo dia.

— Com sucesso?

— Sim, mas ainda não terminamos

Morte e vingança. Era interminável, tal era a vida na máfia


russa. Estes eram os sacrifícios feitos para que não me tornasse
parte do ciclo. Aparentemente meu tempo chegou ao fim.

— Eu era o alvo, Elaine?

53
— Não. Você foi acidental. Eles pensam que você era um
segurança.

Então, quem era o alvo? Foi uma reunião? Meu sangue ficou
frio.

— Onde aconteceu?

Elaine me deu uma olhada. Estava tentando obter minhas


informações da maneira que pudesse. Detestava não saber as
respostas e ainda mais a lentidão do meu raciocínio para fazer as
perguntas. Perguntas importantes.

— Fora de Clichy.

— Meu pai...

— Gostaria que você descansasse e estivesse em segurança.


Você sabe muito bem, Damian. Você saberá o que precisa saber na
hora certa. Não estrague todo o seu trabalho.

Embora fosse um homem adulto, um bilionário por meus


próprios méritos, não podia e não iria contra meu pai ou suas
ordens. Apesar do surto de frustração, me recompus até que ter
certeza de que todas as emoções estavam contidas.

Eu era bom em escondê-las. Era um pequeno conforto nas


circunstâncias, peguei o que pude.

— Quando poderei sair?

— Não antes de, pelo menos, mais três semanas.

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— É muito tempo. Estive longe do trabalho.

— As coisas estão sendo cuidadas. Ninguém sabe que você


está aqui.

— Onde eu deveria estar?

— Num retiro no Nepal.

As coisas definitivamente eram muito ruins se precisava estar


tão escondido. Ainda assim, me perguntei o que meu pai teria a
dizer. Imaginei que minha estadia na clínica estivesse sob seu
comando. Gostaria de vê-lo, infelizmente não era assim que
funcionava.

Posso vê-lo amanhã, no próximo mês ou no próximo ano. Não


existia um calendário. Ele convocaria e eu responderia. Nisso era
impecavelmente obediente.

— Entendo. Negócios como de costume então.

— É necessário.

— Você já entrou em contato com Gretchen?

Elaine fez uma pausa antes de responder. — Não houve


necessidade.

Era completamente inaceitável. Posso ter estado pronto para


terminar nosso relacionamento, mas o fato era que Gretchen ainda
era minha. Ela merecia respeito e proteção.

Se eu fosse alvo, ela também seria.

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— Você está ciente de que estamos envolvidos, não é?

— Sua presença não é necessária.

— Se eu desaparecer, Gretchen perguntará e virar pedras que


não precisa ver. Pior, pode ser usada como instrumento. Ela
precisa saber.

Elaine assentiu. Era neutro na melhor das hipóteses. — Eu a


mantive informada de suas viagens. Ela está bem. Seu negócio está
prosperando e mantendo-a ocupada.

Não me incomodei em apontar a inconsistência em sua


história. Eu teria que cuidar de tudo. Gretchen era discreta e
bastante ocupada com a própria vida, o que não significava que
não teria se preocupado ou tentado me localizar.

Suas perguntas provocariam ondas. Nenhum de nós podia se


dar ao luxo de bater contra as rochas.

— Eu preciso que Risa volte. Chame-a.

Elaine se levantou. — Muito bem. Preciso esticar minhas


pernas. Mandarei a senhorita Kelly vir.

Kelly. Então este é o sobrenome dela.

Observei a mulher que foi a única figura materna que já tive


sair. Externamente imperturbável, ainda traía sua agitação sobre
Gretchen. Ela não a queria aqui.

Nem eu.

56
Eu não acreditava que as razões de Elaine se devam à moral
ultrajada. Pelo menos não penso assim. Eram suas razões. Não
precisava me intrometer.

Então deixei minha mente vagar enquanto esperava que Risa


voltasse. Ela não era de Leon, o que significava que seria minha.
Mesmo que apenas profissionalmente. Eu a manteria ocupada
apenas para que não tivesse energia ou a capacidade de se afastar
muito de mim.

E, uma vez que estivéssemos de volta aos Estados Unidos,


assim que toda essa merda acabasse, eu estivesse seguro e Risa
não fosse mais minha assistente, assim que assegurasse outro
caminho para ela, mostraria a quem ela pertencia.

Seria glorioso. Eu a pegaria e faria dela meu animal de


estimação, a amarraria em nós para que não pudesse sequer
respirar sem mim. Seria lento, acrescentando os elos entre nós com
discrição. Treiná-la seria... requintado.

Simplesmente sabia que seria.

Endireitei-me quando ouvi a cadência de seus passos vindos


em minha direção. Já reconhecia o som em particular.

De repente me imaginei tirando suas roupas enquanto


preparava seu banho. A imagem era tão vívida que juraria que
aconteceu.

Três semanas nesta cama já eram três semanas a mais.

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Ela entrou com uma expressão disposta em uma máscara
profissional. Como sabia? Apenas sabia. Esta não era a verdadeira
Risa.

Tudo o que ela viu no meu rosto a fez correr em minha direção.
Seu olhar escuro se encheu de preocupação. — Está tudo bem,
senhor? Você parece pálido. Ligarei para o médico.

Ela se virou. Minha mão disparou e capturou seu pulso. —


Não é necessário.

— Mas...

Odiava que ela me visse como inválido. Mal podia esperar para
sair deste maldito quarto. — Esqueça! — Ao ver que estava prestes
a discutir comigo, interrompi seus protestos bem-intencionados. —
Preciso que faça algo.

Encarou-me por um momento maior do que o necessário.


Praticamente vibrava com o aparente desejo de anular meu
julgamento.

Apertei meu queixo. Independentemente do quanto queria


transar com ela até que não pudesse mover um músculo, não
lidava bem com a insubordinação. Risa não seria a exceção.

— Você é ou não é minha assistente?

Risa se endireitou. Lambeu os lábios e respondeu-me


suavemente: — Sou.

58
Ver aquela língua rosada me fez imaginá-la subindo e
descendo no meu pau. Desejo frustrado tornou minha voz mais
áspera do que o necessário. — Você tem certeza? De onde estou
sentado você parece ter dificuldade em aceitar minha ordem.
Continuará a ser um problema, senhorita Kelly?

— Não senhor.

— Você tem certeza?

Soltei seu pulso. A sensação de sua carne sedosa sob a minha


era deliciosa. Queria tocá-la novamente. Fechei minha mão em um
punho para evitar correr meus dedos ao longo do seu braço.

— Absolutamente, senhor.

Risa cruzou as mãos. Todo o seu ser irradiava submissão.


Meu pau, já duro, se esforçava para cruzar a linha dolorosa. Minha
imaginação tomou conta de mim.

Imediatamente a vi ajoelhada aos meus pés. Suas mãos


cruzadas no peito, muito parecido com sua posição agora, exceto
por sua cabeça abaixada e estava completamente nua.

Seus seios fartos, cintura fina, quadris arredondados e o seu


traseiro, eu podia vê-los tão nitidamente quanto podia vê-la. Minha
boca ficou salivando. Eu até sabia quão duros seus mamilos
poderiam ficar quando os chupava.

Porra!

59
Eu teria que me controlar melhor ou não duraria um dia sem
que houvesse um processo judicial sobre minha cabeça. Talvez
estar preso nesta cama não fosse uma coisa tão terrível.

Mentiroso.

— O que precisa que eu faça Sr. Black-Price?

Relutância me atingiu. De repente, desejei não precisar fazer


isso. Não queria a intrusão da minha vida real longe desta sala. A
culpa me atingiu. Gretchen não merecia ser a intrusa indesejada.
Ela merecia o maior respeito e minha atitude em relação a ela era
preocupante para dizer o mínimo.

O lembrete era apenas o ímpeto do que eu precisava. — Entre


em contato com Gretchen Smith e providencie para que ela seja
trazida para cá o mais rápido possível no meu jato.

60
Capítulo 9
Risa
Eu não conseguia respirar. Porra!

Fazia mais de um dia e ainda não conseguia respirar sem


sentir meus pulmões em chamas. Estava magoada além das
lágrimas. Ferida além da explicação.

Simplesmente arrasada.

Meu amante, meu Damian, ordenou que trouxesse sua ex


para vê-lo. Ele pensava que ainda estavam juntos. Pior, sentia falta
dela o suficiente para que fosse trazida de primeira classe e em
grande estilo. Queria quebrar e destruir tudo no meu caminho.

Elaine advertiu-me sempre que pôde que eu precisava manter


a calma e lembrar-me do motivo de eu estar passando por esta
farsa. Não conseguia nem fingir que meu coração não estava sendo
esmagado.

Estava com raiva. E queria um alvo.

— Por quê? É tão estúpido e errado! Fingir que não me


importo, não faz sentido algum! Nada faz sentido! Minha vida parou

61
de fazer sentido desde o momento em que Damian me nocauteou
e me acorrentou a uma cama! E agora ele se esqueceu de mim e
quer sua ex-namorada de volta!

Eram as palavras que queria gritar, que permaneceram


presas em minha garganta.

Não é de se admirar que não conseguisse respirar.

Eu me sentia presa. Não havia nenhum lugar para onde


escapar.

Leon me fitava como se esperasse minha fuga a qualquer


momento toda vez que dava um passo para fora do quarto de
Damian. Elaine me fez companhia durante seus momentos livres,
que sempre pareciam acontecer bem quando estava prestes a
soltar um grito de — maldito seja! Por que você não se lembra de
mim?

Apenas a visão de seu rosto calmo e pálido era o suficiente


para me controlar.

O pior de tudo era que Damian parecia estar determinado a


me manter ao seu lado. Ele adquiriu laptops compatíveis e, apesar
das ordens da equipe médica, trabalhou o dia todo. O que
significava que eu também.

Compartilhávamos os almoços e jantares. Pequenas porções


de comida eram tudo que conseguia e era obrigada a engoli-las
mesmo que parecessem areia. Damian franziu a testa com a

62
quantidade de comida que deixava no meu prato, mas não falou
nada.

Aparentemente, não era do tipo que cruza os limites de


minhas escolhas pessoais. Pelo menos não agora, que não pensava
mais que eu estava fodendo Leon Konstantinov.

Era lamentável o quanto desejava ser insultada novamente.


Pelo menos poderia me acalmar com a suposição de que Damian
estava com ciúmes. Só até me lembrar de que Gretchen Smith
estava voando para o lado de seu ex-amante.

Desejei que ela tivesse recusado a convocação.

Meus dedos voaram sobre as teclas do laptop, um pouco mais


rápido do que o necessário. O novo equipamento desculpava o fato
de eu não ter acesso imediato às informações dele, porém, não ter
sequer um endereço de e-mail configurado deveria ter alertado
Damian. Sinceramente pensei que perceberia e senti alívio com a
possibilidade de a farsa chegar ao fim.

Eu não queria ser sua assistente pessoal.

Eu queria ser quem era antes. Sua amante. Sua submissa. A


guardiã de seu coração.

Em vez disso, fui acorrentada a ele de uma forma milhões de


vezes pior do que quando estava em sua casa de campo.

— Risa, estou enviando uma lista que precisa ser dividida.


Você já recebeu?

63
— Sim senhor.

Concentrei-me na mensagem que acabou de aparecer. No


momento, estávamos passando pelo acúmulo de e-mails. A maior
parte de seus negócios foi assumida por seu pai. O
desaparecimento de Damian não foi muito mais que um pontinho
considerando todas as coisas.

Ainda assim, havia milhares de e-mails que foram copiados


na sua ausência que ele precisava ler.

— Bom. Quero que sejam divididos em pastas. Estou


enviando instruções sobre a ordem de prioridade.

Mantive meu olhar treinado na tela. Eu já conhecia seu


sistema. Ele me mostrou não muito tempo depois que vi Gretchen
pela primeira vez do lado de fora do seu apartamento. Embora
tenha dito a ele para me ajudar a organizar meus arquivos e pastas
de computador como uma brincadeira, Damian levou a sério.

Pessoalmente, sempre pensei que era só para que pudesse


passar mais tempo comigo. Agora me perguntava se era outra coisa
que via através de um ponto de vista enviesado. Talvez Damian
realmente não me amasse. Talvez só estivesse brincando comigo
como o acusei de fazer.

Não! Não vá por este caminho. O que vocês dois sentiram foi
verdadeiro. Ele realmente te amava o suficiente para quebrar a
maldita regra e você o amava o bastante para perdoá-lo por te
acorrentar.

64
Foi fodido. Foi distorcido. Foi real. Fomos nós.

Minhas bochechas esquentaram. Podia ouvir meu coração


batendo forte em meus ouvidos. Estava apenas a um ou dois
pensamentos de distância de debulhar em lágrimas por todo o meu
laptop.

Queria que as coisas fossem como eram, antes da neve, do


sangue e bips mecânicos contínuos. Eu queria que Damian fosse
aquele diretor de TI frio e arrogante que me fez queimar por ele a
cada olhar. Mais uma vez, queria que fôssemos aquele casal que
morava a alguns quilômetros de distância um do outro e saíamos
para jantar depois do trabalho antes de irmos para casa para foder
das formas mais viciadas e sujas.

Eu queria a minha vida anterior.

Eu queria o Damian que me amava e não o que queria


Gretchen Smith.

Eu queria ser lembrada.

Ou talvez melhor, queria esquecer o agora e pensar no ontem.

65
A primeira vez para Risa e Damian, a noite em que eles ficaram
irrevogavelmente ligados um ao outro...

66
Capítulo 10
Três meses e meio antes
Apartamento de Risa
Risa
— Você gostou do jantar?

Damian olhou para mim enquanto afrouxava a gravata. —


Você está nervosa.

Deixei que o homem bonito e direto, cortasse as convenções


sociais. Eu alisei minha saia. — Não, eu não estou.

— Significa uma.

— Uma o quê?

Sua linda boca se curvou em um sorriso. — Uma palmada.

67
Coloquei minhas mãos nos meus quadris. — Por quê?

O sorriso arrogante de Damian se alargou. — Agora são duas.

Olhei para ele com os olhos estreitados. Depois virei e saí para
a minha pequena, mas arrumada sala de estar. Não o convidei para
o café, mas para o sexo. Nós dois sabíamos, só não tinha certeza
se estava pronta agora que ele estava aqui.

Quer dizer, queria foder seus miolos, mas também me sentia


tímida. Timidez não era uma emoção que eu abraçava ou sentia
facilmente na presença de homens. Eu costumava fazê-los
sentirem-se desajeitados e tímidos, até mesmo atrapalhados. Não
me importava.

Importava-me em me sentir tímida perto de Damian.

Queria que ele me visse confiante, ousada e imperturbável.


Não queria que me visse dócil, insegura e rápida para dar meia-
volta e correr.

No entanto, não podia negar que estivesse sentindo as três


coisas. Algo em Damian possuía o poder de me reduzir a uma
garotinha. Provavelmente não ajudou que eu sentir uma emoção
pervertida quando ele me chamava assim.

— E são três — sussurrou em meu ouvido. Pulei. Suas mãos


seguraram firmemente meus ombros. — Eu tenho você, garotinha.

Fechei meus olhos e me encostei nele, desfrutando de seu


aperto. — Por que você me chama de garotinha?

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— Porque você é. — Seus lábios roçaram minha bochecha. —
E porque você gosta. Não é verdade?

Nós aparentemente sabíamos que estaria mentindo se


negasse. — Sim, eu gosto.

Seus braços envolveram minha cintura. Não tive que olhar


atrás de mim para saber que ele estava quase dobrado ao meio.
Amava o quanto ele era mais alto do que eu. Eu me sentia tão
protegida e segura em seus braços fortes. Adorava ser pequena
com Damian por causa de como ele me fazia sentir. Não era uma
coisa negativa com ele.

Parecia natural. Certo.

— Fale comigo, Risa.

— Ok. Sobre o quê?

— Por que está nervosa?

Ai. Ele foi direto para a pergunta difícil. — Por que não
começamos com algo mais fácil? Como foi o trabalho hoje? Ou se
tem planos para o fim de semana?

— Eu não sou fácil. Nunca fui e não pretendo começar a ser.

— Eu sei, mas...

— Seu trabalho foi o mesmo de sempre. Você encantou algum


cliente e efetuou uma venda. Seus planos de fim de semana serão
comigo. Então responda minha pergunta. Por que está nervosa?

69
Minhas bochechas estavam definitivamente em chamas
agora. Eu realmente não queria responder a ele por que, quem
gostava de falar sobre tais coisas? Era muito mais fácil ir para a
cama com alguém do que conversar sobre ir para a cama.

Era bizarro, mas era a minha verdade.

— Estou nervosa porque é você.

Damian beijou minha bochecha novamente. Vagamente,


pensei sobre o quanto amava o perfume de sua colônia. Era picante
e sutil. Como ele.

— Você está com medo de não me agradar?

Que coisa estranha de perguntar!

— O pensamento não passou pela minha cabeça exatamente.

— Então o que passou?

— Você realmente quer saber?

— Perguntei não foi?

Mesmo no curto período de tempo em que o conheci, já podia


determinar que aquela resposta arrogante era clássica para
Damian Black.

Ele queria a minha verdade? Ok.

— Eu me perguntava se estou realmente pronta. Posso dormir


com alguém com quem trabalho? Se as coisas derem errado, o que

70
poderá acontecer com nossa atual situação no trabalho? E se
funcionar tão bem que tudo que vou querer será dormir com você
e perder todos os meus clientes? E se minha calcinha não for
excitante o suficiente para você? Acabamos de jantar. E se minha
barriga for flácida e você se desinteressar? E se você não gostar de
minhas estrias? Eu tenho sabe. Bem na minha bunda e um pouco
nos quadris também.

Minha respiração depois daquele discurso frenético se


transformou em um suspiro horrorizado. Que merda estava
pensando ao contar essas coisas para ele?

Oh Deus! Oh Deus! Oh Deus!

Damian suspirou. Sabia que acabei de me convencer a não


dormir com ele. Obviamente, podia ver por si mesmo que havia se
esquivado de uma bala maluca. Não o culparia nem um pouco.

— Tudo bem, garotinha. Sei o que tenho que fazer.

— Já pode ir embora? Esquecer que esta conversa aconteceu?

Damian de repente me levantou. Facilmente me virou de modo


que eu estava de frente para ele. — Foderei você tão forte, até que
não consiga raciocinar direito.

Oh Deus! Oh Deus! Oh Deus!

Não era a resposta que eu esperava.

— Diga-me neste exato momento, se você não quiser Risa,


senão estará nua e em sua cama em um minuto.

71
Fazer ou morrer. Agora ou nunca. Foder ou não foder.

— Tique-taque, Sr. Black.

O sorriso de lobo de Damian me tirou o fôlego. Desencadeei


algo com o qual não sabia se poderia lidar, com certeza tentaria.

Ele me levantou mais alto, enfiando o braço sob meus quadris


para que eu descansasse nele. Sua mão livre torceu meu cabelo na
nuca. Ofeguei seu nome apenas para ter seus lábios batendo com
força nos meus.

Ele enfiou a língua profundamente na minha boca. Eu podia


sentir o gosto de vinho e hortelã-pimenta. Delicioso e perfeito. Era
o nosso primeiro beijo. Eu o beijei tão forte, segurando seu rosto e
amando a sensação de sua barba nas pontas dos meus dedos.

Perguntei-me se teria as marcas dela pela manhã. Esperava


que sim.

Damian soltou meu cabelo para bater na parte externa da


minha coxa. Eu arranquei minha boca da dele e soltei um grito
estrangulado. Antes que pudesse lhe lançar um olhar acusatório
ele lambeu meu lábio inferior e falou: — Não devo estar fazendo o
meu trabalho direito se sua mente ocupada tiver tempo para
pensar.

Um rubor culpado, mas empolgado, se espalhou pelo meu


rosto. — Eu estava pensando sobre... — passei as costas dos meus
dedos pela barba por fazer. — Esperava que pudesse usar suas
marcas amanhã.

72
Minhas palavras aparentemente acenderam um fogo nele. Seu
olhar lindamente incompatível parecia queimar enquanto varria o
topo dos meus seios e mais abaixo. — Precisarei ter cuidado. —
Quase fiz beicinho antes de morder meu lábio. — Não quero deixar
minhas marcas onde alguém possa vê-las. Elas são apenas para os
meus olhos, entendeu?

A luxúria ricocheteou através de mim.

— Sim, Damian.

73
Capítulo 11
Risa
Ele me beijou asperamente como antes, gentilmente por
segundos insuportáveis e depois me devorando inteira. Eu mal
podia respirar, não conseguia parar de tentar atrair mais dele para
a minha boca. Cada uma de minhas terminações nervosas rugia
seu nome.

Meu corpo queria Damian dentro de mim, para tomar, foder,


amar, usar, abusar e cuidar.

Nunca, nunca me senti assim com mais ninguém.

A constatação me assustou. Estava caindo muito fundo,


muito rápido. Quem estaria lá para me pegar se Damian fosse
embora? E ele iria. Felizes para sempre acontecia apenas em
contos de fadas e poucas pessoas como meus pais.

Até eu sabia que não teria tanta sorte.

De repente vi Gretchen, humilhada e encolhida na porta de


Damian. Ela era como uma alma perdida, desesperada para ser

74
amada e trazida de volta ao único lugar que conhecia como lar. Ele
nunca a deixaria entrar porque havia terminado com ela.

Poderia acontecer comigo também? Estremeci.


Freneticamente, queria expulsar aquelas imagens e enterrar o
medo tão fundo que nunca mais poderia ressurgir.

Era diferente. Seu relacionamento com Gretchen não tinha


nada a ver comigo. Éramos duas mulheres diferentes que amaram
o mesmo homem em dois momentos diferentes...

Amado? Eu amo Damian?

Era verdade que me fascinava mais do que qualquer outra


pessoa viva. Depois do nosso primeiro encontro desastroso, percebi
que não era tão intimidador quanto pensava. Mal podia esperar
para vê-lo no escritório e ele era meu último pensamento antes de
dormir.

Damian me desafiava diariamente apenas sendo ele mesmo,


distante, controlado e contido. Meu dia estava feito quando
conseguia um sorriso.

Mas amor? Seria o que esse sentimento ansioso significava?


Medo, posse, incerteza, felicidade e alegria de uma só vez? Seria
amor?

Eu não sabia, nunca me apaixonei antes. Tive namorados e


amantes. Sentia afeição por eles, porém meus relacionamentos
nunca duravam muito e, embora sentisse desapontamento com o
inevitável rompimento, raramente derramava lágrimas por eles.

75
Com cuidado, imaginei não poder ver Damian novamente. O
pânico se apoderou de mim como um tsunami. Aumentei o aperto
ao redor de seu pescoço e minha agressividade no beijo. A sensação
dos seus lábios e língua nos meus acalmou a pior parte do meu
medo.

Eu não quero perdê-lo.

Amor.

Eu me apaixonei por Damian Black e fiquei apavorada com o


que significaria para o nosso futuro. Eu não sabia como seria
enquanto estivesse apaixonada. Eu me perderia completamente?
Tornar-me-ia uma criatura sem identidade, sem vontade, apenas
amando Damian?

O pensamento me apavorou. Me emocionou. Eu me senti


renascer. Eu não sabia quem era quando estava com o enigmático
Damian Black.

Com certeza descobriria.

Ele me jogou na cama me despindo rapidamente. Estava nua


antes que percebesse. Embora ele ainda estivesse vestido, não tive
tempo de me sentir vulnerável. Seu olhar percorreu minha carne
enquanto suas mãos agarraram minhas coxas e as separaram.

— Risa, você é absolutamente perfeita. — Seu olhar marcou


minha boceta. Eu me mexi, sabendo que ele podia ver a umidade
da minha carne sem que nem tivesse me tocado ainda.

O fato me tornava sem vergonha? Fácil? Descartável?

76
— Damian.

Seu nome era um apelo por algo que eu ansiava, mas tinha
medo de pegar. Não queria apenas uma noite. Queria tudo. Eu o
queria.

Só não queria esse terror que veio junto. Meu medo me tornou
indigna.

Ele subiu na cama, ainda vestido, e puxou-me para ele com


força. Minhas coxas espalhadas sobre as dele. Damian colocou
uma de suas mãos elegantes de cada lado da minha virilha. Quase
podia sentir a impressão de seus polegares na minha umidade.
Arqueando, tentei tocá-lo.

Seus dedos imediatamente cravaram na maciez das minhas


coxas. Eu congelei. Com seu etéreo olhar fixo em mim, balançou a
cabeça lentamente e seus belos lábios separaram-se para dizer em
tom de repreensão.

— Garotinha má!

Meu coração batia como um tambor. Excitação eliminando o


terror apenas o suficiente para que sofresse uma euforia de
embriaguez. Estava completamente fora de controle. Damian não.

O que aconteceria a seguir?

— Você está com medo, Risa?

Não me ocorreu mentir.

— Sim.

77
— Por quê?

Raiva de mim mesma apertou os parafusos. Eu o tinha, não


é? Qual era o ponto de estar com medo? Eu não era virgem e este
não era meu primeiro rodeio. Sabia como foder.

Além do mais eu gostava.

Gostava de fazer um homem gemer e choramingar embaixo de


mim. Gostava do poder de levá-lo a fazer qualquer coisa que
quisesse com um lento deslizar em seu pênis. Apenas oferecer um
gostinho dos meus seios fartos fez mais de um homem revirar os
olhos.

Sabia que não seria assim com Damian. Ninguém, muito


menos eu, poderia levar este homem a fazer qualquer coisa. Ele
estava no controle total. Sempre.

— Eu não posso te controlar.

Sua boca se levantou em um sorriso.

— Tem razão. Você não pode.

78
Capítulo 12
Risa
Continuei minhas confissões. — Não gosto de perder o
controle. Nunca gostei.

Damian assentiu sabiamente. Não havia julgamento em seu


rosto. — Você deve ter sido difícil quando criança.

— Verdade.

Encrenqueira era um eufemismo. Eu era um diabinho com


certeza.

— Espirituosa, meu pai costumava dizer com uma piscadela.


— Teimosa pra caralho, era o que minha mãe apontava
maliciosamente toda vez que o assunto surgia.

— Você será um problema para mim se não ficar de olho em


você.

Um sorriso flertou com os cantos da minha boca. — Você acha


que sou muito safada?

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— Com certeza. — Damian deslocou os dedos um milímetro
mais perto. Ele limpou o sorriso do meu rosto. — Mas você será
uma boa menina para mim, Risa. Eu não quero de outra maneira.
Você será minha boa menina. Não será?

As coisas que ele disse para mim! Meu cérebro deve ter
deixado o prédio junto com a minha coragem porque estava louca
de saudade.

— Posso ser.

Suas pálpebras baixaram até que mal podia ver o toque de


prata e ouro. — Não é uma resposta boa o bastante, garotinha. Não
por um longo tempo.

Lambi meus lábios quando a resposta apropriada saltou na


ponta da minha língua. Ele não precisou exigir ou me instruir
sobre a resposta correta. Eu simplesmente sabia.

— Sinto muito, Damian. Posso tentar de novo? Por favor?

Ele me estudou, a especulação aumentando conforme cada


segundo tortuoso passava. — Faça certo desta vez.

Ele me deixaria aqui assim se não fizesse direito? Com


certeza. Damian era este tipo de homem. Sua falta de consideração
me deixou louca, assim como me desafiou.

Desencadeou um poço de masoquismo que nunca suspeitei


que contivesse.

80
— Sei que posso ser uma boa menina para você, Damian. —
Seus dedos se aproximaram, mas não perto o suficiente. Segurei
um gemido. Claro, minha reação não passou despercebida. Ele
parecia satisfeito.

Finalmente.

— Sim você será. Você será uma garota muito boa para mim,
especialmente se quiser meu pau. Você quer Risa?

O calor aqueceu minhas bochechas, espalhando-se por meu


pescoço e peito. — Eu quero mais do que tudo.

— De verdade?

— Sim! — Ele respirou fundo, as bochechas se encovando em


seu rosto magro. Satisfação passou por mim. Eu não era a única
afetada. — Você também me quer Damian.

— Você já teve dúvidas?

Estendi a mão e passei pelas linhas duras de seu rosto. — O


tempo todo. Até mesmo agora.

— Você sabia que aconteceria esta noite.

Procurei por algo inteligente para dizer. Estava vazia.

Damian se manteve acima de mim, polegares se aproximando


cada vez mais da minha boceta. — O que você usa na lavagem de
suas roupas? Lavanda?

— Sim. No amaciante de roupas.

81
Espere. O que diabos estava acontecendo aqui? Estávamos
realmente falando sobre lavanderia?

— Eu gosto.

— Que bom que aprova. — Esperava pelo menos um sorriso


malicioso, tudo o que consegui foi um olhar calmo.

— Você sabia que eu viria esta noite. Você me quer aqui.

Meu nervosismo tornava difícil não lamber meus lábios. — Eu


esperava por isso.

Damian se aproximou tanto que podia ver as manchas


escuras em seus olhos peculiares. — Então, por que me insultar?
Meu pau tem estado duro por você desde o começo. Não há
necessidade de hesitação. Não há espaço para dúvidas.

— Mas...

— Não! Onde está a garota ousada da sala agora que você me


pegou?

Mordendo meu lábio, procurei uma resposta que nos


satisfizesse. Perder meu orgulho, centímetro por centímetro, era
doloroso e desconcertante. Coloquei uma fachada corajosa,
dizendo com um sorriso atrevido: — Eu não esperava uma
entrevista. Pensei que estivéssemos aqui para foder.

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83
Capítulo 13
Risa
Eu não tive que adivinhar sua reação. Demonstrou seu
descontentamento através de suas mãos. Pararam bem na dobra
da parte interna da coxa. Estava tão perto. Eu precisava de seu
toque. Não aguentava a provocação.

— Sério Risa? Você realmente prefere que te foda como


qualquer outro homem com quem já esteve?

— Não. — Imediatamente me arrependi das palavras que me


trouxeram a este ponto. — Não quero de jeito nenhum.

— Nesse ponto está realmente dizendo a verdade. — Damian


arrastou os dedos de volta para minha coxa externa. Quase gritei
de frustração.

— Não sou uma mentirosa, você sabe. Estou dizendo a


verdade.

— Não de propósito. — Abri minha boca para refutar quando


ele me alfinetou com um olhar de advertência. — Já te falei que
não faço coisas fáceis. Não serei como os outros homens que você

84
teve. Eu não beijarei sua linda bunda só pela honra de dar um tapa
mais tarde.

— Bom. Não quero que você seja como eles.

Eu quis dizer isso. Deus como quis dizer. Infelizmente,


Damian não parou de me dizer como seria.

— Eu não faço casual, Risa. Não faço sexo de uma noite só.
Não fodo aquelas com as quais não vale a pena perder tempo fora
da cama.

Considerei suas declarações como as acusações contra mim


que eram. Eu inevitavelmente perdia o interesse quando levava um
homem para a cama. O que o fato dizia sobre mim? Nada de bom
imaginei.

Meus lábios se alargaram em um sorriso brilhante. — Sorte


minha.

— Sim, você tem sorte.

— Você não é nem um pouco tímido em sua autoconfiança,


não é? — Havia uma mordida em minhas palavras, mas, se
esperava que Damian sangrasse, então estava destinada ao
desapontamento.

— Sinta-se feliz que seja assim, de outra forma não estaria


aqui neste momento. — Sua mão ficou onde estava. Punição.

Meus pensamentos dispararam, desesperados para encontrar


a combinação certa para conseguir o que queria. Sempre fui

85
instintivamente boa com minhas palavras, capaz de dizer a coisa
certa na hora certa. Foi o que me tornou uma estrela nas vendas.

Muito ruim para mim ter falhado espetacularmente desde o


momento em que percebi que meus sentimentos por Damian
estavam correndo muito rápido. Precisava voltar aos trilhos. As
coisas estavam ficando confusas e não fui eu que baguncei.

Sua boca se curvou no canto esquerdo. Tenho a forte


impressão de que ele sabia exatamente o que estava tentando fazer.

— Não sou como eles, garotinha. Você não pode falar em


círculos perto de mim. — Seu tom preguiçoso desmentiu o brilho
frio em seus olhos. — Não quero que você se esconda de mim, atrás
de suas palavras escolhidas a dedo.

— Então o que você quer?

— Eu quero a verdadeira Risa. Eu quero você bagunçada.

Meu batimento cardíaco martelou em meus ouvidos com sua


escolha particular de palavras. Apenas o pensamento de ser nada
menos do que polida, do que dar o meu melhor na frente de
Damian, me fez sentir uma pequena pontada de pânico.

— Você não quer — sussurrei.

— Oh sim eu quero. — Sua mão subiu uma fração mesquinha


de centímetro. — É a única maneira que pretendo levar você.

Fechei meus olhos. Era demais e nem chegou perto de ser


suficiente.

86
— Você está recuando. Por quê?

Não precisaria adivinhar se Damian aceitaria o silêncio como


resposta. Ele me esperaria se precisasse. É pegar ou largar.

Meus olhos se abriram apenas uma fenda. Era tudo que podia
fazer no momento. — Porque tudo é demais. Quero dizer, por que
precisamos conversar tanto? É muito estranho.

Em vez de ficar irritado, ofendido ou limitado por minhas


palavras, Damian pareceu considerá-las como um desafio. Ele se
aproximou mais com um sorriso. — Minha conversa na cama a
deixa desconfortável? É muito ruim, Risa. Planejo falar muito,
especialmente quando estiver profundamente dentro de você.

O calor bateu em mim, especialmente entre as minhas coxas.


Gemi em resposta.

— Não é tão estranho agora, é?

Fechei meus olhos. A escuridão era meu refúgio. — Quente


pra caralho, é o que é.

— Boa garota. Fico feliz em saber que você vê do meu jeito. —


Damian de repente pressionou a palma da mão em minha boceta
dolorida. Eu me sacudi um pouco e um gemido escapou dos meus
lábios. Sua boca estava a poucos centímetros da minha. Eu poderia
lamber uma trilha por queixo e pescoço se quisesse.

E eu queria.

87
De repente, vi as coisas como eram. — Você precisa me
controlar — deixei escapar.

— Errado. Não preciso controlar você, Risa. Eu gosto de


controlar. Estou ansioso para ver todas as milhões de maneiras
pelas quais exercitarei minha alegria. Mimar você será um presente
e um castigo para nós dois.

Eu li nas entrelinhas. A necessidade de me controlar o


colocaria sob meu controle. Damian nunca faria isso. Não nesta
vida.

— Então permita que lhe mostre como me sinto Damian. E


me deixe bagunçada.

Seu dedo médio subiu e desceu lentamente na minha fenda.


Sufoquei um gemido e me empurrei contra ele desesperadamente.

Damian me avaliou. Os segundos passaram tortuosamente


lentos. Todo o tempo seu dedo subindo e descendo. Eu podia ouvir
a umidade das minhas dobras agarrando-se ao seu longo dedo. Eu
ansiava por mais. Queria que seu dedo me penetrasse. Queria sua
língua. Seu pau.

Tudo.

Minha respiração acelerou. Eu estava perdendo o controle


com cada movimento delicado.

Finalmente, ele chegou a sua decisão. — Certamente, Risa.


Mostre-me!

88
Eu me lancei para frente e o beijei sem delicadeza e com muito
entusiasmo. Foi tão bagunçado quanto me sentia. Chupei seu lábio
inferior e mordi com força suficiente para fazê-lo assobiar. Acariciei
o lugar com a minha língua, não em desculpas e sim na esperança
de que ele retribuísse o favor.

— Garotinha má... você está acumulando um monte de


punições, não é?

Ele reivindicou minha boceta com um aperto firme enquanto


passava os dedos de sua mão livre por meu cabelo. Damian
prendeu-os na nuca, controlando completamente minha cabeça e
o quanto eu conseguiria movê-la.

Seus lábios se moldaram aos meus assumindo rapidamente.


Cada movimento da sua língua enviava um arrepio de excitação
através de mim. Empurrei meus quadris com mais força e mais
rápido contra sua mão. A doce picada do orgasmo se instalando
em minhas entranhas.

Ele me empurrou para a cama. Sua respiração áspera


combinava com a minha. Eu o assisti se despindo com olhos
carregados de luxúria. Cada movimento gracioso e controlado.
Minha boca ficou seca assim que ele tirou a camisa preta.

Damian Black era absolutamente deslumbrante. Cada


músculo e cavidade do seu corpo atlético eram pura perfeição. Ele
não sofria a magreza e o alongamento dos músculos que
frequentemente atormentavam homens extremamente altos.

Ele era perfeito.

89
Queria passar minhas mãos em seu peito e ver por mim
mesma quão rijos eram os músculos bem definidos. Seu abdômen
esculpido era o suficiente para fazer qualquer uma suspirar em
êxtase.

Seu olhar me marcou enquanto suas mãos abaixavam e


soltavam seu cinto. Certamente algo malvado estava por trás
daquelas calças negras. Eu definitivamente podia ver a ponta para
provar.

Damian recuou. Lamentei, mas mantive minhas queixas para


mim quando ele me fez uma promessa com seu sorriso. Ele saiu
da cama e levantou-se para tirar os sapatos e as meias. Pegou sua
camisa e colocou-a organizadamente em minha cadeira na
penteadeira. A particularidade de sua ação era algo que já
reconhecia.

Um lugar para tudo e tudo em seu devido lugar.

Vagamente, me perguntei, será que se aplicava a mim


também?

Onde seria meu lugar? De costas ou de joelhos?

A direção dos meus pensamentos retornou a um destino


muito mais excitante quando Damian tirou suas calças. Lambi
meus lábios enquanto ele ficou parado em sua cueca escura por
um momento.

Ele me deixou olhar seu preenchimento antes de enfiar os


polegares no cós descê-la e então, completamente fora.

90
Ofeguei e me sentei. Foi cômico em algum nível, mas eu não
podia acreditar quão fortemente seu corpo nu me afetou.

Simplificando, seu pênis pesado e grosso era absolutamente


magnífico.

Minha boca encheu d’água por um gostinho. Era bonito. Mal


podia esperar para ter minhas mãos subindo e descendo em seu
comprimento impressionante. Inconscientemente, abri minhas
pernas. Eu me perguntei: Poderia recebê-lo de uma vez ou ele teria
que me trabalhar?

O canto de sua boca subiu um pouco. — Não se preocupe.


Você terá meu pau em sua boca em breve.

91
92
Capítulo 14
Risa
Minha respiração acelerou. Este era um lado de Damian que
nunca suspeitei que tivesse. Eu amava suas palavras cruas,
quanto mais sujas, melhor.

Abri minhas pernas ainda mais. Não queria protelar. Também


não queria jogar. Queria o corpo de Damian no meu e que ele
simplesmente me fodesse até eu gritar.

— De joelhos, garotinha!

Mexi-me antes mesmo de ele terminar de falar, já sabendo o


que queria. Fui até a beira da cama, chegando o mais perto que
pude sem cair. Damian veio até mim, lento e determinado, como se
quisesse levar as coisas ao limite.

Meus olhos estavam pesados de luxúria. Mal conseguia


mantê-los abertos. Passou levemente um dedo pelas minhas
sobrancelhas arqueadas.

— Você é tão adorável, Risa.

Eu sorri de prazer.

93
Seu dedo traçou uma linha no meu nariz e no meu queixo
antes de empurrar firmemente meu lábio inferior. Abri ao seu
comando não dito.

— Você chupará meu pau como se fosse a única coisa que


poderia querer neste mundo. Você o levará o mais fundo que puder
e então mais fundo. Você fará exatamente o que estou falando, não
é?

Meus mamilos, já duros, enrijeceram até o ponto de doer.


Balancei a cabeça, a boca já se abrindo mais em preparação para
mostrar a ele quão bem o obedeceria.

Damian tirou o dedo e se afastou de mim. Seu tom mudou


como se estivesse de volta ao trabalho. A qualidade impessoal e
educada não me afastou. Só me fez querer chegar mais perto.

— Regras básicas, Risa. Quando eu fizer uma pergunta, você


responde. Nenhum aceno resmungos, gemidos ou suspiros. Quero
suas palavras, garotinha.

Ele esperou obviamente para ver se escutei.

— Sim, Damian.

— Boa menina. — Um fantasma de sorriso apareceu em seus


lábios antes de desaparecer como fumaça.

Queria fazê-lo sorrir de novo. Realmente queria ser sua boa


menina. Eu precisava ser. Meu coração deu outra batida irregular.
O espectro do amor ressurgiu novamente. Já estaria consumida
por Damian por causa do amor?

94
Se assim fosse, a dor, sem dúvida, continuaria a crescer.
Sabia que a dor e eu nos tornaríamos ótimos amigos.

— Vou te foder, Risa, com força. Seu prazer será meu em todos
os sentidos. Eu controlo quando você goza, quantas vezes você goza
e a intensidade do seu gozo. Toda vez que você tentar subverter
meu controle, resultará em meu descontentamento. Meu desgosto
será absolutamente o seu.

— Você me punirá.

— Sim. Completamente. Caso contrário, você não aprenderá


certo?

Damian cruzou os braços. O efeito no meu corpo foi


instantâneo. Eu balancei para frente e tive que manter minha
coluna rígida para não cair. Como pode ter tanto poder sobre mim?
Nunca me imaginei gostando de masoquismo.

Damian parecia trazer à tona todos os aspectos ocultos da


minha personalidade, a submissão sendo a chave.

Uma pequena parte de mim questionou a correção de tudo.


Nós estávamos aqui para fazer sexo e depois talvez, desenvolver um
relacionamento a partir daí. Em vez disso, Damian estava em cima
de mim sacudindo suas exigências silenciosas.

Eu não deveria ter as minhas próprias?

— E se você precisar ser punido, Damian? Conseguirei fazer?

Seus olhos se arregalaram levemente. — Me punir? Não.

95
— Então, como aprenderá o que me desagrada?

Damian balançou a cabeça escura. — Já tão mimada, não é?


— Ele chegou perto o suficiente para eu tocar. Era uma tentação
ousada. — Olhe para mim, não para o meu pau.

Joguei minha cabeça para trás, envergonhada por ser pega


olhando para o pênis deliciosamente grosso. Apesar da suavidade
do seu tom, seu olhar era selvagem. O que me excitou mais do que
qualquer coisa que ele poderia ter dito. Queria descascar suas
camadas e conhecê-lo. Queria saber tudo.

— Sim, Damian.

— Você não me controlará, garotinha. Nunca! Se você não


pode aceitar, nunca acontecerá. Você entendeu?

96
Capítulo 15
Risa
Um pequeno suspiro escapou quando uma dor estranha
floresceu em meu peito. O mundo girou e balançou quando meus
olhos se encheram de lágrimas. Rapidamente escondi meu rosto.
Damian rosnou meu nome em alerta, não foi o suficiente para me
arriscar a deixá-lo ver quão profundamente sua ameaça havia me
atingido.

Eu não podia suportar a ideia de ele se afastando de mim,


aparentemente não tinha nenhum problema em partir. Ele o faria
sem hesitação.

Esse meu amor era terrível, doloroso em sua infância


emocional. Eu não podia permitir que me devorasse. Eu precisava
encontrar uma maneira de controlá-lo como Damian já me
controlava.

Estava muito fundo, mas não significava que eu não poderia


encontrar uma solução que permitisse minha autopreservação.

É só sexo. Posso brincar com ele o máximo que pudermos e


continuarei a salvo. Posso dar a ele meu corpo, não tenho que deixá-

97
lo saber que possui meu coração também. Posso vender qualquer
coisa para qualquer um.

Posso vender meu sentimento também.

No momento em que a mão de Damian levantou meu queixo,


eu estava composta. Minhas lágrimas foram embora como se
nunca tivessem existido. Franziu a testa antes de suavizá-la. Olhou
nos meus olhos enquanto eu caía nos dele.

A estranheza de seu olhar pontuou o destino que eu sabia que


teria. Não duraríamos para sempre. Um homem maravilhosamente
único como Damian sairia da minha vida tão inesperadamente
quanto entrou. Uma verdade que eu teria que abraçar.

Eu pegaria o que pudesse dele e, quando chegasse a hora,


acabaria vendo o sol e a lua e não pensaria no tempo em que
segurei os dois contra o meu coração.

— Risa.

— Sim, Damian?

— Aonde você foi?

Meu sorriso, o que eu sempre usava para deslumbrar,


apareceu. — Lugar nenhum. Estou aqui com você, pelo tempo que
você me quiser.

Sua mão quente apertou meu queixo antes de me liberar


completamente. — Realmente?

— Sim.

98
— Espero que não venha se arrepender de suas palavras,
garotinha. Eu sei que não vou.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa em resposta, me


puxou para ele. Sua boca reivindicou a minha. Indefesa sob seu
domínio, meu corpo derreteu-se contra o dele. Sua mão apertou
minha bunda com força enquanto seu braço envolvia minhas
costas como um cinto de aço. Eu não poderia ir a nenhum lugar,
mesmo que quisesse.

Aparentemente, o tempo de falar acabou.

Ele me arrebatou. Tirou meu fôlego, deixando-me apenas


respirar o mesmo ar que ele. Amei seu gosto, doce e picante. Beijá-
lo era o mesmo que conseguiria ao fazer uma conta impossível.
Adrenalina e vitória zumbiram em minhas veias quando Damian
me jogou de costas.

Apesar da ternura dos meus lábios, não conseguia o suficiente


dele. Queria beijá-lo até meu último suspiro.

Ah não. Tão rapidamente? Não era bom.

Passou as mãos pelas minhas pernas, possessivamente como


só um amante com direito de longa data poderia.

— Não se mexa!

Congelei no lugar.

99
A satisfação irradiava dele quando se virou e me deixou nua e
dolorida na cama. Ouvi o farfalhar das roupas e depois o
acolchoado de pés quando ele voltou.

Damian ajoelhou-se sobre mim na cama. Delicadamente,


murmurou: — Cabeça para cima. — Assim que levantei a cabeça,
ele amarrou uma venda.

Só peguei um vislumbre do material preto antes que tudo


escurecesse.

100
Capítulo 16
Risa
— Ei o que você está fazendo?

— Shh, boa menina. Está tudo bem.

Suas palavras meigas junto com a mão acariciando minhas


bochechas coradas foi o suficiente para me acalmar. Entreguei-me
ao seu toque forte, deixando meu nervosismo sumir com cada
carícia de sua mão. Sussurrei o seu nome.

Ele respondeu à pergunta que espreitava embaixo.

— Estou fazendo por você, garotinha, para que você possa ser
livre. — Seus lábios pressionaram docemente minha testa. — É
difícil para você se soltar, especialmente porque nunca fez antes. É
o motivo de ter que ser assim. Tirarei tudo de você esta noite, Risa
e você me permitirá. Não será fácil, no final entenderá que é melhor
assim.

Oh Deus. O que seria melhor? Está se referindo a esta noite


ou a tudo?

101
Eu não conseguia ler seu rosto. A escuridão de repente
parecia insuportável. Estendi a mão para tirar a venda. Damian me
parou.

— Fale comigo, Risa. Diga-me porque está com medo.

— Não estou assustada!

Eu menti.

Estava com muito medo, mas não sabia exatamente o motivo.


Esqueça. Sabia que as coisas pareciam desconfortáveis. Estava
fora de controle, se não pudesse ver seu rosto, como poderia lê-lo?

A repreensão soou como uma contagem regressiva. — Mentir


é inaceitável, garotinha. Você já ganhou uma disciplina longa. Quer
realmente acrescentar mais?

Evitei a pergunta e o desejo perverso remexendo dentro de


mim diante da ameaça silenciosa. — Você nunca explicou suas
regras de disciplina. Não é justo aplicá-las sem primeiro saber
quais são.

Senti a risada seca de Damian mais do que ouvi quando ele


me levantou da cama. — Conhecer as regras não ajudará você a
contorná-las, garota safada. Além disso, são incrivelmente simples.
Faça como eu digo. Não minta. Sempre use suas palavras. Viu?
Muito simples.

Damian ainda me segurou quando se sentou. Ele me sentou


em suas pernas. Automaticamente coloquei meus braços ao redor

102
de seu pescoço. Era estranho, mas erótico sentar em seu colo. Eu
sabia que não me importaria de repetir a experiência muitas vezes.

— Creio que posso acompanhar facilmente.

— Você crê? Então por que está no meu colo, garotinha?

O mundo caiu quando me vi de bruços sobre suas coxas. Meu


coração batia forte, o tamborilar de seus batimentos ecoando alto
em meus ouvidos. — O que você fará?

— Disciplinarei você.

Eu lambi meus lábios. Uma batida de um tipo diferente surgiu


na parte inferior do meu corpo e entre as minhas coxas.

— O que significa?

— Exatamente o que a posição implica. Eu a espancarei


profundamente, minha garota. Só quando sua linda bunda estiver
vermelha com minhas marcas, saberei que recebeu a mensagem.

Oh meu Deus!

Eu nunca fui espancada antes. Não depois de adulta pelo


menos. E definitivamente não durante o sexo.

— E se eu não quiser que você faça?

Damian não demorou a responder. — Então vou embora e é o


mais longe que iremos.

103
Recebi a mensagem em alto e bom som. Eu simplesmente não
conseguia acreditar no que significava.

— Se não deixá-lo me espancar, você não me verá de novo? É


o que está dizendo?

— Sim.

Pavor se juntou para fazer uma tatuagem no meu cérebro. —


Não parece justo. Você consegue todo o poder e eu não ganho nada.

— Eu já disse a você que não seria fácil. Eu não faço nada


fácil e se estiver comigo, nem você.

— Não é sobre facilidade, é sobre ser justo. Você está


controlando tudo e não é justo.

A grande mão de Damian se estabeleceu entre minhas


omoplatas. — Você está ficando nervosa porque está com medo. Eu
não posso te ajudar. Não jogarei com você para depois mentir sobre
o que realmente quero de você. Não te enganarei ou seduzirei para
me obedecer. O que você faz comigo, faz de livre e espontânea
vontade. Mas, se um jogo é o que você realmente precisa, lamento
dizer que nunca encontrará felicidade comigo. É o que você
precisa?

Dividida entre necessitar e querer. Eu não sabia mais o que


precisava ou queria. Além de Damian. Ele era a única constante
que podia contar como desejo.

Eu deitei no colo dele silenciosamente. Damian não fez nada


para me empurrar. Sua mão ficou imóvel.

104
Os segundos se passaram enquanto minha mente, coração e
orgulho lutavam entre si. Ele não aceitaria nada menos que a
capitulação completa. Enquanto eu não estava certa se poderia
sobreviver, especialmente por ter acabado de prometer a mim
mesma manter meu coração intacto.

— Eu não preciso do jogo, Damian. Só preciso saber... —


minha garganta se fechou. Eu tentei novamente. — Só preciso
saber que você me quer.

— Oh Risa. — Foi um suspiro que passou por nós dois. — Só


posso dizer que quero você, garotinha. Não consigo imaginar nada
que faça pararmos tão cedo.

O silêncio me comeu viva. Ansiava por ouvir mais dele,


Damian, mesquinho como sempre, me manteve oscilando.

— Damian, eu... Ah... — Estava subitamente grata pela venda.


— Estou com medo de perder o controle para você. Estou com medo
de muitas coisas, na verdade. Mas eu quero... você.

E tudo o que puder conseguir de você, até as coisas que me


assustam.

Ele respirou fundo. — Você se submeterá a mim?

Tensionei meus músculos como se fosse saltar do seu colo.


Senti a mudança sutil embaixo de mim. Damian me manteria ou
me deixaria ir? Eu sabia que o que viria a seguir mudaria nosso
curso, bem ou mal.

105
Responder a ele me desnudaria muito mais. Mas sabia a
minha resposta.

— Sim.

Cuidadosamente tirou meu cabelo do meu ombro. Beijou


minha nuca suavemente. A ternura de seu gesto trouxe-me uma
sensação de contentamento. Tudo valeria a pena. Eu faria qualquer
coisa por ele, apenas para que continuasse me beijando como se
eu fosse a única mulher que importava.

Perdida em uma maré de pura emoção, mal conseguia conter


as palavras suaves de devoção ansiando por sair dos meus lábios.

Eu te amo. Eu te amo muito. Nunca me senti assim por


ninguém, antes. Nunca fiz algo assim com ninguém antes. Por favor,
cuide de mim. Por favor, não me destrua.

— Você é uma garota boa por confiar tanto em mim. Obrigado.


Damian deixou um beijo quente e demorado no meu ombro. Podia
senti-lo se sentando. — Eu a disciplinarei agora. Doerá, mas não
deve lutar comigo. Deve aceitar e ser minha boa menina.

Seu ar expectante me compeliu a responder. — Sim, Damian.

— Tão meiga! — Ele juntou meus pulsos e cruzou-os na parte


inferior das minhas costas segurando-os com uma das mãos. Eu
instintivamente testei o seu aperto. Não era doloroso ou forte, mas
eu não iria a lugar nenhum.

Havia uma parte de mim que se perguntava se eu era louca


por concordar. Eu não era ignorante em BDSM, porém, conhecia

106
apenas através de livros. Não na prática. O pânico disparou para a
superfície.

— Damian, espere!

107
Capítulo 17
Risa
Ele não parecia irritado ou impaciente. — Sim?

— O que acontece se eu chorar?

— Não é uma questão de “se”, minha linda menina. Você irá


chorar.

O medo deu um nó no meu estômago. — Trata-se de me


vencer, Damian?

— Absolutamente não. Não sou um abusador, Risa.

O riso histérico borbulhava. — Perdoe-me por ser tão ofensiva


sobre a terminologia relativa a um amante que me tem em suas
pernas e pretende me espancar até eu chorar!

Damian não respondeu. Simplesmente me acariciou desde o


topo de minha cabeça até meus pulsos. Eu me acalmei pouco a
pouco. Nada foi dito, mas estava claro que, apesar de tudo,
esperaria por mim o tempo que eu precisasse. Não faria nada a
menos que eu lhe desse o meu consentimento.

108
O outro lado era que também o faria ir embora se não cedesse
a ele. Injusto.

Queria confiar que não estava cometendo um erro. Damian já


me fascinou com a promessa não explícita de prazeres carnais que
certamente viriam.

Eu poderia fazer.

Seriam somente alguns tapas. Não poderia ser tão ruim. Era
simplesmente parte do processo que ainda não entendia. Eu não
tinha que temer. Poderia escolher abraçá-lo.

Ser vulnerável, perder o controle... Estava confusa.

Mesmo que o meu sangue se agitasse em todo o meu corpo,


consegui manter minha voz firme.

— Estou pronta.

109
110
Capítulo 18
Risa
Ele não me perguntou se eu tinha certeza. Simplesmente
apertou meus pulsos e disse: — Você ganhou três antes. Então
mentiu para mim nesta sala. É uma ofensa punível com vinte. Não
vou pegar leve com só porque é a nossa primeira sessão. Caso
contrário seria cruel com você. Compreendeu?

— Na verdade não.

— Boa menina.

Seu elogio me fez feliz até que percebi que ele preparou uma
armadilha para mim. Como se tivesse ouvido a indignação dos
meus pensamentos, falou: — Você está certa. Foi um truque. Fico
feliz em ver que você estava prestando atenção e sendo honesta.

— Receberei uma recompensa?

Foi só depois que fiz a pergunta que me perguntei se ser


petulante implicaria em outro conjunto de punições. Felizmente,
Damian levou tudo em consideração.

— Mais tarde, garotinha. Mais alguma pergunta?

111
Era isso. Minha barriga formigou e meu coração acelerou. Era
como estar em uma montanha-russa bem no momento em que o
carro começava sua subida. Não havia como voltar atrás.

— Não.

— Bom.

A mão de Damian resvalou pela minha bunda e soltei um


grito. Eu não podia acreditar no quanto já doía!

Outra caiu. E depois outra. Pressionei meu corpo com mais


força contra suas coxas musculosas, buscando conforto e uma
forma irracional de escapar da forte pressão de sua mão.

Damian não fez uma pausa em sua punição por minhas


transgressões, embora me contorcesse. Permaneceu firme e sólido.
Senti um conforto estranho com sua atitude.

Ainda assim, quando chegamos ao número dez, minhas


pernas começaram a chutar. Meus olhos queimavam tanto quanto
a minha bunda. Ele precisava parar. Eu não conseguia lidar com
o castigo.

— Damian! Eu não posso!

Ele não parou. Ele falou simplesmente. — Sim, você pode e


você vai.

Eu gritei. — Eu não posso! Por favor.

— Você está no meio do caminho, Risa. Você consegue. Sei


que você pode.

112
— Damian... — seu nome saiu como um gemido estrangulado.

— Faça por mim, Risa!

Ah. As palavras mágicas para mudar tudo. Eu não estava


mais lutando para fazer algo comigo. Estava lutando para fazer
algo por ele.

Eu apertei meus dentes e me concentrei em um ponto mental.


Minha respiração desacelerou mesmo quando o fogo na minha
bunda ficou fora de controle e minhas pernas balançaram
descontroladas.

A dor quebrou minha concentração mais de uma vez, porém,


de alguma forma, suportei até a última palmada.

— Feito.

Minha respiração saiu em um suspiro alto de alívio. Eu


sobrevivi. Então as comportas se romperam.

Lágrimas feias irromperam de mim em uma torrente


humilhante. Soluços ofegantes ameaçaram me sufocar.

Imediatamente Damian me sentou e me abraçou apertado.


Estava com medo de que ele removesse a venda, então enterrei meu
rosto em seu peito. Não queria que me olhasse. Ainda não.

Minha bunda latejava a cada respiração. Sua mão quente


acariciava minhas costas, prestando atenção especial às minhas
partes quentes e doloridas que podia alcançar.

113
— Pronto, pronto. Chore tudo, garotinha. Deixe tudo ir. Você
se sentirá muito melhor quando terminar.

Suave e meigo. Duas palavras que eu nunca imaginaria dar


ao homem que acabou de me espancar como uma criança
desobediente.

Movendo-me cautelosamente em seu colo, senti a dureza do


seu pênis esticando sob minha coxa. Ele não era indiferente a mim,
com certeza. A excitação me atingiu, encharcando minhas dobras
até que tivesse certeza que ele sentiria.

Meu traseiro pode ter sido espancado completamente, mas


meus sentimentos por Damian definitivamente não eram os de
uma criança.

Presa na escuridão, meus pensamentos circularam.

O que está acontecendo comigo? Estou errada em concordar


com algo assim? O que diz sobre mim o fato de estar realmente
disposta a tentar?

Confusa pelas emoções conflitantes disparando entre meu


corpo, cérebro e coração, soltei um soluço irregular.

— Por que deixei você fazer isso? — Gaguejei lamentando em


seu peito nu.

— Você me deixou fazer para me agradar.

— Um boquete te agradaria também.

114
Esperava que ele me jogasse na cama ou, no mínimo, tirasse
minha venda para me dar um olhar frio. Não, ele riu e beijou minha
orelha.

— Sim, certamente me agradaria. Só não tanto quanto puni-


la.

Seus braços apertaram-se imediatamente em torno de mim.


Eu me senti segura e protegida, estimada e adorada. Também
recebi minha resposta. Sofreria uma centena de palmadas de sua
mão se essa fosse minha recompensa.

— Eu … eu me saí bem?

Damian não demorou e esticou meus nervos até o limite. Nem


era tímido.

— Você levou sua disciplina muito bem, se submeteu a mim


lindamente. Estou muito orgulhoso de você.

O abracei com força, soluçando alto em seu peito. Eu o deixei


orgulhoso de mim. Provei a ele, através do meu sacrifício, que não
era um erro. Poderia fazê-lo feliz.

Eu era uma boa menina.

Damian não parecia irritado ou desconfortável com meu


descontrole emocional. Seu conforto estava lá. Sua voz
permaneceu como um farol suave para me direcionar.

— Shh, Risa. Eu tenho você pelo tempo que quiser. Estou


aqui, garotinha. Estou aqui só para você. Sempre.

115
Sobrecarregada, soltei outro grito sufocado. Ele estava certo.
Era bom chorar, liberar toda a tensão do meu corpo. Manteve sua
palavra, me abraçando como se eu tivesse todo o tempo do mundo
para receber seu conforto.

Eventualmente me acalmei. A dor havia diminuído, embora


minha pele estivesse quente e marcada. Foi definitivamente uma
experiência nova e que nunca sonhei que aceitaria, muito menos
concordaria ativamente.

Assustador. Estranho. Revelador.

Cegamente, esfreguei minha bochecha contra sua pele. Logo


beijei o local abaixo. Senti sua resposta com um choque. Foi
eletrizante. Encantada com sua resposta, fiz de novo, desta vez
lambendo para provar sua pele.

Ele gemeu baixinho no meu ouvido.

Abri minha boca ainda mais. A pele de Damian tinha um gosto


tão bom. Minhas lágrimas pararam. Tudo estava bem. Na verdade,
melhor que bem. Estava com Damian.

Eu o conquistei com a minha dor e gostei.

Se o fato me deixou emocionalmente fodida, bem, que seja.

116
Capítulo 19
Risa
Sentindo-me novamente confiante, me aproximei mais dele,
minhas mãos vagando por seus ombros largos e descendo pelos
seus braços fortes.

Damian passou os dedos pelo meu cabelo. Ele levantou minha


cabeça e me possuiu através de seu beijo. Ambos gememos alto
quando nossas línguas se esfregaram uma na outra. O movimento
sensual de seu beijo prometia delícias excitantes.

Não queria esperar mais por seu pau. O queria em mim.


Queria desfrutar de tudo e então outra vez.

Sussurrei para Damian. Seus dedos apertaram


dolorosamente meus cabelos. A lembrança do seu poder sobre mim
me deixou louca.

Esfreguei meus seios em seu peito e me perdi na sensação de


sua pele contra meus mamilos sensíveis. Estava tão excitada que
quase gozei.

O que não lhe passou despercebido.

117
Ele recuou e segurou meu rosto. — Lembre-se, Risa, todo o
seu prazer pertence a mim.

Eu me pressionei contra ele, devassa e livre. Seria tão ousada


sem a venda? Talvez, fiquei feliz em não ter que pensar no
momento. Estava segura por trás dela e o abracei completamente.

— Damian, estou tão excitada. Preciso gozar. Por favor, me


faça gozar. Por favor?

Ele riu obviamente mais do que um pouco, feliz pela minha


falta de vergonha. — Uma garotinha tão boa!

Imaginei a expressão em seu rosto, luxuriosa, dominadora e


satisfeita comigo. Queria vê-lo. Queria tal prazer para mim. Meu
amante cruel já estava tomando tudo para si.

— Damian, por favor, tire a venda. Quero olhar para você.

Seus lábios roçaram os meus. Eu os lambi, gemendo quando


sua língua brincou com a minha. O que ele faria com esta língua?
Lamberia meu corpo da cabeça aos pés? Mal podia esperar para
descobrir.

— Qualquer coisa para você, minha doce menina.

A venda saiu. Seu olhar estava a centímetros do meu. Podia


ver cada mancha em suas esferas maravilhosamente
incompatíveis. Precisando de mim, queimando brilhante. Foi a
coisa mais excitante que já vi. Envolvendo-o com meus braços me
aproximei mais e espalhei minhas coxas sobre ele.

118
Suas mãos agarraram meus quadris. — O que você pensa que
está fazendo?

Ele prometeu que não jogaria comigo, mas o que mais poderia
ser? Damian precisava saber que eu estava quente e dolorida por
ele.

— Eu quero você.

Ele abaixou a cabeça e lambeu meu mamilo. Cada movimento


rítmico enviou um fragmento de necessidade dolorosa direto para
o meu clitóris. Eu ofeguei meu prazer enquanto cravava minhas
unhas em suas costas.

Ele então mordeu, não gentilmente.

— Cuidado com suas garras, Risa.

O aviso deveria ter arrefecido meu desejo. Pelo contrário, me


colocou em chamas. Eu me abaixei sobre ele quando seus lábios
se prenderam ao redor do meu outro mamilo. Seus dedos
arranharam e esfregaram o seio liberado, garantindo que não se
sentisse abandonado.

Ouvi meus gemidos como uma coisa distante. Estava


impotente a mercê de Damian. Minha boceta negligenciada apertou
e soltou a cada puxão de sua boca talentosa. Eu queria me esfregar
antes de empurrar meus dedos o mais fundo que conseguisse.

Com qualquer outro homem, não teria hesitado. Mas Damian


foi mais do que claro. O obedeceria ou ele iria embora.

119
Não era justo.

Como pude me tornar tão maleável tão rapidamente? A


resposta não demorou muito. Minha confiança foi construída sobre
uma base de areia quando se tratava de Damian Black. Eu queria
agradá-lo como nunca agradei a nenhum outro homem antes.

Porque me apaixonei por ele.

Ele mudou de um seio para o outro. De novo e de novo. Meus


gemidos ficaram progressivamente mais altos sem que tenha me
tocado onde eu precisava desesperadamente que fizesse.

Não tinha dúvidas de que ele sabia exatamente o que estava


fazendo.

Bem quando pensei que não poderia aguentar mais um


segundo de sua provocação, me levantou na cama. Lutei para me
equilibrar quando ele disse: — Abra suas pernas, Risa.

Eu mudei minha postura.

— Mais largo.

Eu me movi de novo, estendendo as mãos para segurar em


seus ombros enquanto me firmava.

Satisfeito, olhou para mim. Passou dois dedos no meu monte


e, em seguida, puxou levemente o pelo escuro.

— Por mais belos que seus cachos sejam, eles terão que sair.

120
Não havia espaço para negociação em seu tom. Raspei
algumas vezes, mas finalmente deixei crescer simplesmente porque
não gostava da manutenção diária. Eu sabia que os depilaria com
cera. Embora imaginasse que seria doloroso, fiquei empolgada em
mostrar a ele os resultados.

Ele se abaixou e me acariciou. Deu um beijo rápido antes de


se afastar.

— Abra-se para mim.

121
Capítulo
20
Risa
Engoli em seco. Rezei para que não fosse outra provocação
atormentadora. Minhas mãos obedeceram. O que estava fazendo
por Damian era obsceno e muito excitante.

Ele se aproximou mais, observando-me com uma atenção


inquebrantável. Seu olhar fixo me deixou ainda mais molhada.
Lutei para me manter aberta quando minhas dobras estavam tão
escorregadias.

— Olhe para todo esse creme. É tudo para mim, não é?

— Sim, Damian.

Sim. Damian.

Foram as únicas duas palavras que precisei falar.

122
Ele me cheirou. — Delicioso! — Seus lábios se fecharam sobre
o meu clitóris dando uma forte sucção. Imediatamente me encolhi
e choraminguei quando parou de chupar. — Mantenha-se aberta
ou eu paro.

Não precisou dizer duas vezes.

Satisfeito com a minha obediência, me fodeu com a boca. Seus


belos lábios e língua talentosa me levaram à beira do orgasmo mais
vezes do que pude contar com duas mãos escorregadias.

Nunca imaginei que o prazer poderia ser tão torturante.

Damian me levou ao limite, antes de me deixar lá, sozinha,


ofegante e sem pudor. Ele estava fazendo um maldito bom trabalho
me treinando, assim que senti a agitação do orgasmo,
choraminguei seu nome em alerta.

Foi um aviso que ele realmente não precisou depois da


terceira vez.

Estava tão sintonizado com o meu corpo que me lia no mais


fraco dos tremores. Instantaneamente liberava meu clitóris ou
parava de me lamber. Só depois que eu recuperava o controle
começava tudo de novo.

A transpiração salpicava minha testa e enquanto gotas de


suor rolavam entre minhas omoplatas. O latejar na minha bunda
entorpeceu desaparecendo quando um novo tomou o seu lugar.

Quando eu já não aguentava mais me deixou novamente.

123
— Porra!

Ele sussurrou em óbvia satisfação pelo meu grito estridente.


— Você está indo tão bem, garotinha. Você controlou os orgasmos
como pedi e agora deveria ser recompensada. Você gostaria de ser?

Eu mal conseguia me segurar quando a excitação me


dominava. — Sim! Por favor!

Ele removeu minhas mãos e beijou meus dedos. — Você está


sofrendo lindamente por mim, Risa. Não pense que não percebi. —
Chupou meus dedos, lambendo cada um deles.

Ver um homem tão poderoso cuidando de mim me encheu de


energia. Estava reduzida a um poço de desejo. — Estou tentando
te agradar, Damian.

— Me fazer feliz é importante para você?

Levantei sua mão e beijei as costas antes de descansar minha


bochecha quente nela. Não estava exagerando nem um pouco
quando disse: — Sempre quero você feliz comigo, Damian. É tudo
o que desejo.

— Certamente não é tudo?

Ele pegou minha mão envolvendo-a em seu pau duro. Meus


dedos não abarcaram. Apenas o pensamento de ele me esticando
enviou outro raio de luxúria através de mim. Minha ânsia por
Damian escorreu por minha coxa.

124
— Eu definitivamente quero também. — Delicadamente
bombeei-o algumas vezes e suspirei feliz. — Você tem um pau tão
bonito.

— E você uma linda boceta.

— Mesmo?

— Então, por que… — Eu me contive. Um apóstolo da


verdade, Damian não hesitaria em me responder sem rodeios. Eu
não estava pronta.

— Vá em frente, garotinha.

Meu olhar encontrou o dele e, em seguida, se afastou. —


Prefiro não continuar.

Damian me encarou por um momento a mais do que o


educado e então falou: — Você não ficará nua para mim porque
não gosto do jeito que sua boceta parece agora. Você se depilará,
quero você aberta e pronta para mim em todos os momentos. —
Ele puxou meus cachos — eles ficam no caminho. Não porque ache
desagradável.

Sua explicação me agradou, mesmo quando um ataque de


timidez me invadiu. — Oh!

— Você tem algum outro medo ou dúvida na sua cabeça ou


devo recomeçar a te lamber?

Ele me beijou assim que abri minha boca, como se não


quisesse que eu lhe desse uma resposta ainda. Eu podia sentir

125
meu gosto em sua língua. Era tão excitante e viciante saborear
meus sucos em seus lábios. Então interrompeu nosso beijo muito
rápido, deixando-me alcançá-lo para que pudéssemos continuar
nos beijando.

— Lembre-se — ele avisou. — Não deixarei você gozar.

Mordi o lábio e sufoquei um gemido. — Você é tão cruel. Não


quer que eu goze?

Seu sorriso diabólico me prometeu uma deliciosa escuridão.


— Mais forte do que já gozou em toda sua vida.

Meus joelhos tremeram. Pressionei mais forte contra ele. —


Estou pronta para tudo Damian.

Ele agarrou minha bunda dolorida com as duas mãos e


apertou com força. — Boa garota! Não quero esperar mais um
minuto para te foder. Embora tenha dito que você poderia chupar
meu pau... você ainda quer, menina linda

Oh Deus, a provocação em sua voz. Damian me negaria, não


importa o que eu dissesse, não seria tão difícil. Na minha boca ou
na minha boceta, contanto que o tivesse em mim, não me
importava por onde começaria.

— Quero, mas quero você aqui primeiro. — Passei a mão em


minha boceta para mostrar a ele exatamente onde precisava dele.
— Mas só se lhe agradar.

— Boa garota!

126
Fechando meus olhos, senti o mundo girar quando ele me
deitou de costas. Estiquei meus braços sobre a minha cabeça,
desejando que a cabeceira da minha cama tivesse uma grade para
agarrar. Tive a sensação de que iria precisar.

Damian pegou um preservativo que deve ter colocado mais


cedo na minha mesa lateral. Assisti enquanto desenrolava o látex
por seu eixo grosso. Ele deu um aperto, mantendo seu olhar fixo
no triângulo escuro entre as minhas coxas.

Realmente aconteceria. Pensamentos traiçoeiros de como


outros amantes fizeram e saíram pela porta, se infiltravam na
minha mente. Tranquei a porta para eles.

Ninguém antes de Damian importava. Não conseguia ver


como alguém importaria depois dele.

Ele subiu na cama, me ajeitando com confiança. Passando as


mãos por minhas pernas, pressionou seus polegares dentro de
mim e me abriu. Arqueei, amando o sentimento, precisando de
mais.

— Você é tão pequena.

De fato. Mas senti a nota subjacente de preocupação. Pelo


menos, acreditei que fosse preocupação e não presunção. Meu
querido futuro amante era grande em todos os lugares certos.
Talvez em circunstâncias diferentes fosse um pouco mais cautelosa
em acreditar que poderia levá-lo.

— Não muito pequena para você.

127
Damian não assimilou meu sussurro no espírito pretendido.
Ele me olhou com aquele olhar clinicamente imparcial que eu achei
estranhamente excitante.

— Posso te machucar se não tomar cuidado, garotinha. Não


quero te machucar aqui, entendeu?

— Você não vai.

— É melhor que não.

Minha palma segurou seu queixo. — Você é tão doce comigo,


Damian.

Ele, descaradamente destruiu sua imagem altruísta. — Você


não me foderá de novo se doer.

128
Capítulo 21
Risa
Não pude evitar. Eu ri. Embora Damian não se juntasse a
mim, pude ver o humor suavizar a dureza de sua boca.

— Eu sinto muito. Eu não deveria rir, mas, honestamente.


Não posso imaginar não deixar você me foder. Não sabe que estive
esperando por um homem como você toda a minha vida?

Meu riso morreu numa morte cruel. Estava com medo que
Damian pudesse ver mais em minhas palavras mais do que estava
pronta para deixá-lo ver.

— Eu... eu... não quis dizer...

De repente me puxou para ele, me salvando de mim e da


minha boca grande e estúpida.

Ele me beijou como se estivesse faminto e eu fosse o único


sustento do mundo. Ele me devorou completamente. Logo esqueci
tudo sobre o meu constrangimento. Damian era a minha âncora e
não estava disposta a deixá-lo ir.

129
Ele levantou minha coxa e apertou contra seu quadril magro,
depois de me dar outro beijo longo e intenso. Naquele momento,
desejei ser mais alta para poder continuar beijando-o.

Os fragmentos de pensamento positivo desapareceram


quando a cabeça larga de seu pau cutucou minha boceta.
Empurrei meus quadris, ansiosa para sentir seu profundo deslizar
me violando.

Não mergulhou como imaginei que faria. Tomou seu tempo,


empurrando os quadris lentamente contra mim. Quando entrou,
entendi por que se preocupou se eu seria capaz de levá-lo.

Cegamente segurei seus braços e gemi quando os primeiros


poucos centímetros entraram dentro de mim. Meus tecidos
delicados lutaram para acomodar sua circunferência, mas ainda
sofri a dor da posse.

— Damian, oh meu Deus!

Ele era tão grande. Embora amasse um pênis grande o dele


era obsceno. Arqueando, pressionei minhas mãos em seu peito e
gemi seu nome.

— Venha baby. Você pode me levar.

Santa foda! Ouvir seu gemido me deixou mais molhada.


Damian empurrou mais profundamente. Sua risada baixa se
tornou a batida do meu coração. Seus quadris continuaram a se
mover lentamente contra os meus. Abri mais as minhas pernas,

130
uma das mãos segurando seu ombro e a outra caída sobre os
lençóis.

Não conseguia respirar. Eu me sentia tão cheia, prestes a


explodir. Eu sofria. E amava. E precisava de mais.

Damian controlou o ritmo. Deliberadamente lento. Era


tortura, mas eu o tomaria uma e outra vez.

— Entendeu porque precisava que estivesse pingando para


mim, Risa?

Porra sim, entendi. Apenas lembrar de sua boca na minha


boceta facilitou sua entrada. De repente me preencheu
completamente até às bolas. Nós dois gememos alto.

— Eu sinto você, Damian. Oh meu Deus! Você é tão... Oh


Deus!

— Como está minha garota?

Seu sussurro enviou arrepios ao longo de meu corpo


supersensível. — Bem. Melhor que bem.

Beijou meu pescoço, mordendo meu ombro em seguida


acalmou a dor com pequenos beijos. — Vou te foder até você gritar.
Está pronta, garotinha?

Envolvi meus braços em seu pescoço. — Sim, Damian.

Sim. Damian.

131
Ele se apoiou em seus braços e, em seguida, começou a me
mostrar exatamente quão fora de controle ele poderia me deixar
com apenas algumas estocadas profundas.

Eu levantei minhas pernas, empurrando meus quadris ainda


mais, para que pudesse roçar meu clitóris dolorido. Estava fora da
minha mente de tanto prazer. Nada na minha vida foi tão
maravilhoso quanto ter Damian Black me perfurando no colchão.

Eu era dele para fazer o que quisesse. Era sua boneca viva.

— Você está excitada pra caralho! Sabia que seria assim! —


Ele ofegou contra a minha boca. Trabalhei para acompanhar seu
ritmo e antes de desistir e apenas aguentar. Nada poderia ter me
preparado para quão bom era.

Damian me fodeu como se fosse meu dono. Eu estava fora de


mim em êxtase. Compartilhamos a mesma respiração e nos
esforçamos cada vez mais para tocar e acariciar um ao outro
enquanto nos afogávamos em nosso vício carnal.

Amei ouvir seus gemidos quando estocava dentro de mim. A


civilidade de ser raspada a cada golpe me excitava. Este era um
Damian que nunca me cansaria de ver.

Não mais um autêntico cavalheiro com sujeira manchando


seu discurso.

— Eu amo quão molhada você está Risa!

Olhando para baixo, vi seu eixo pesado entrar e sair,


brilhando intensamente com meus sucos, antes de forçar seu

132
caminho de volta. Deixei minha cabeça cair na cama, vencida pela
visão crua a apenas algumas estocadas do orgasmo.

Damian rapidamente agarrou meu pescoço, me forçando a


olhar para ele. — Não! Me! Desafie! Não! Goze! Sem! Minha!
Permissão!

A pressão, junto com o seu rosnado vicioso, quase me fez


gozar. Eu tranquei minhas coxas em torno de seus quadris. — Por
favor… eu não posso... é demais!

Sua expressão de Damian se tornou implacável. — Pararei se


você não conseguir se segurar.

— Não! — Cerrei meus punhos e lutei desesperadamente


contra as ondas que ameaçavam me derrubar.

Controle. Que porra de palavra suja.

Talvez tendo piedade de mim, Damian diminuiu seus


impulsos. O que só piorou as coisas. Estava tão aberta que cada
escorregão do seu pau brincava com meu clitóris. Eu realmente
não aguentava mais. Finalmente deixei escapar um grito agudo de
frustração.

— Aí está. — Seus dedos flexionaram em minha garganta.


Damian me olhou com algo parecido com orgulho. — Esta é minha
boa menina. Pode gozar agora!

Imediatamente arqueei minhas costas e implorei para ele


continuar. Damian desviou seus quadris, me liberando para gritar

133
seu nome enquanto gozava com mais intensidade do que jamais
poderia me lembrar de ter feito

— Damian! Oh meu Deus do caralho! Ah!

Perdida em meu orgasmo, senti como se todas as minhas


terminações nervosas estivessem disparando em êxtase. Eu não
queria que acabasse. Como se soubesse do meu desejo, Damian
encostou-se e me envolveu em suas coxas. Segurou meus quadris
em suas mãos e me provocou com longas investidas. O que me
mandou para um segundo orgasmo antes de terminar o primeiro.

Minha garganta sufocou seu nome novamente quando joguei


meus braços atrás de mim. Contorcendo, mal me segurei quando
Damian me balançava para cima e para baixo.

— Assim que nossos exames voltarem negativos, te foderei


sem camisinha e te encherei com o meu gozo.

Eu gritei seu nome novamente.

— Você gosta, garota safada? Você quer que eu preencha


todos os seus buracos?

Ainda voltando dos dois melhores orgasmos da minha vida,


balbuciei que gostaria muito.

— Sim?

Choraminguei e prometi a ele que definitivamente iria. —


Quero que você me cubra com seu gozo, Damian. Quero estar
encharcada.

134
— Mmm, a esta hora na próxima semana você me engolirá
como doce.

Empurrei meus braços e lambi meus lábios. — Mal posso


esperar.

Minhas palavras colocaram algo obsessivamente sombrio em


movimento. Damian parou. Ele me estudou daquele jeito frio,
distante e sensual, totalmente dele.

— Não precisamos esperar até a próxima semana para tudo.


Encherei um de seus buracos esta noite. O segundo não, mas vou
usá-lo. O terceiro acontecerá uma hora depois de conseguirmos os
exames.

Ele tinha que estar falando sobre anal. Congelei e depois


relaxei. O pensamento enviou uma urgência perversa através de
mim. Eu nunca fiz antes, porém, definitivamente queria fazer com
Damian.

Apesar de não saber como administraria. Mal podia tomá-lo


na minha boceta. Não podia imaginar quão apertado seria em
minha bunda virgem.

— Eu sei o que você está pensando, Risa — ele falou. — E você


está errada.

Suas mãos acariciaram meus seios, preguiçosamente


beliscando meus mamilos e me deixando quente para ele como se
não tivesse acabado de gozar. Era uma coceira que eu não podia
coçar. Me deixou louca da melhor maneira.

135
— Estou errada sobre o quê?

— Você verá. — Ele me tirou do seu pau e me levantou. Beijou


meu gemido de decepção antes de provocar e chupar meus
mamilos duros. Eu agarrei seu cabelo, me empurrando mais fundo
em sua boca talentosa.

Dobrando-me sobre seu braço forte, se banqueteava em meus


seios. Ele se certificou de dar atenção especial aos meus lábios
antes de retornar. Senti meu longo cabelo roçar levemente o
traseiro dolorido. Cada balanço fazia cócegas, trazendo uma
doçura única do desconforto espinhoso que havia contrastando
lindamente com as sensações agradáveis centradas em meus seios.

Bem quando estava prestes implorar para me deixar gozar


mais uma vez, me agarrou pela nuca e me obrigou a ficar de pé.
Ele marchou comigo para o banheiro. Chocada com a mudança de
eventos, tentei encaixar as peças, não consegui.

Eu não tinha controle da situação. Dando uma olhada na sua


expressão fechada me perguntei se alguma vez tive.

136
Capítulo
22
Risa
Paramos na bancada da pia. Damian se abaixou e rosnou no
meu ouvido — sei que uma garota safada como você tem
lubrificante. Pegue! Já!

Oh meu Deus! Agora sabia exatamente qual buraco ele queria


preencher. Cada sílaba repetindo na minha cabeça vibrava algo
sombrio e desconhecido dentro de mim.

Rebeldia. Desafio.

Eu queria obedecê-lo sem questionar, a coisa escura e


desconhecida de repente queria provocar e pressionar.
Simplesmente para ver o que aconteceria.

Sua grande mão aterrissou com força em minha bunda. Eu


pulei na ponta dos pés e soltei um grito de surpresa.

137
— Risa, não brinque comigo. Você não gostará dos resultados.

— Oh! Sério?

De onde vinha esta parte imprudente e ousada de mim?

— Sim. — Ele sussurrou rudemente em meu ouvido. — Tudo


em que estou pensando é em todos os outros homens que você teve
naquela cama. Quero matá-los pelo prazer que tiraram de seu
corpinho quente. Quanto mais tempo você demora a fazer o que eu
digo, mais eu penso a respeito. Eles não estão aqui, você está. O
que você imagina que acontecerá a seguir, hein?

Tudo era culpa de Damian. Ele despertou um lado meu que


nem sabia que existia. Como evitar? Eu queria brincar com este
homem e ver o quanto as coisas poderiam ficar perigosas.

— O que você faria comigo?

Damian lambeu o lado do meu pescoço, longa e lentamente.


Meus joelhos bateram enquanto esperava sua resposta.

— Pegue o lubrificante e descubra.

— Porra! — Minhas mãos tremiam quando me abaixei e abri


a porta do armário. Estava completamente ciente de Damian
parado atrás de mim, sua mão uma algema quente em volta do
meu pescoço.

Encontrei a garrafa exatamente onde a guardava. Já sabia o


que veria também. Meio vazio. Com as bochechas em chamas

138
levantei-me. Damian estendeu a mão. Obedientemente, entreguei-
lhe a garrafa e esperei pelo meu desfecho.

— Risa, Risa. Preciso perguntar por que você usou tanto?

Eu diria a ele a verdade se fosse pressionada? Diria a ele que


precisava de ajuda para me manter molhada? Suavizaria o golpe o
fato de eu não precisar com ele?

Estava tão molhada por Damian que minhas coxas estavam


encharcadas.

Como se tivesse ouvido a direção dos meus pensamentos, ele


olhou para baixo. Ampliei minha postura.

— Olhe para todo esse creme. Parece um desperdício não


prová-lo, não acha?

Soltei um gemido suave em resposta. Queria sua boca em


mim. Eu ansiava pela sensação de sua língua quente se arrastando
por minhas dobras novamente. Já podia ouvir as palavras
implorando em meus lábios.

— Risa…

Foi um sinistro rosnado de advertência. Eu havia esquecido


minha primeira aula.

— Sim, Damian!

Muito tarde.

139
Ele balançou a cabeça. Um sorriso malicioso estampado em
sua boca expressiva. — Eu teria chupado sua boceta depilada,
agora você pode fazer. — Quando fiquei parada em silêncio, ele
gesticulou. — Limpe-se, Risa!

Eu pisquei.

— Use seus dedos e se limpe.

Minha mão tremia. Muito tensa para saber a diferença entre


excitação e frustração, passei a mão pelos meus sucos e estendi
para ele.

Ele balançou a cabeça com piedade sádica. — Não, Risa. Faça


você!

Eu me curvei um pouco, queimando com o desejo confuso de


obedecer e desafiar. Sua mão apertou levemente ao redor do meu
pescoço. Foi um pouco de dor, apenas o suficiente para me fazer
escolher o caminho mais fácil.

Eu obedeci.

Levantando minha mão, chupei meus dedos limpando-os. Não


foi a primeira vez que tive um gosto dos meus sucos esta noite e
esperava que não fosse a última. Seu olhar errante concentrou-se
em meus dedos.

— Como é o gosto, garotinha? Bom?

Eu balancei a cabeça e então respondi apressadamente. —


Muito bom, mas….

140
— Mas o quê?

— Mas gostei mais em seus lábios.

Damian sorriu. — Claro que gostou. — Ele me levantou e me


colocou na beirada do balcão. — Você é boa em anal?

Ele esperava que eu me avaliasse? Porra a franqueza deste


homem!

— Uh, eu nunca fiz.

Sua sobrancelha subiu uma fração de centímetro. — Com


uma bunda como esta ainda é virgem?

— Te incomoda?

— Absolutamente não. — Ele ficou entre as minhas pernas e


as trouxe para abraçar sua cintura. — Eu quero que seja toda
minha, garotinha. Você ser intocada me convém em um número
infinito de maneiras.

— Você fará aqui no banheiro? — Pressionei minhas mãos em


seu peito, um pouco nervosa e insegura novamente, agora que a
minha bravata havia chegado ao fim. Como se fosse tentar impedi-
lo de fazer o que desejava.

Já entendi que meu prazer não poderia existir sem o dele. Se


me foder no banheiro o agradasse, sabia que me agradaria.

Cada pedaço de incerteza só aumentava os níveis de


excitação.

141
— Não, eu não farei aqui. Não esta noite, pelo menos. —
Damian afastou meu cabelo do meu ombro. Seus lábios
acariciaram a linha da minha clavícula. Seus dentes marcaram
levemente a carne. — Diga-me agora se quiser que eu vá embora.
Caso contrário, pretendo comer sua bunda.

Escolha. Obedeça-o ou perca-o.

— Não me dá muita escolha, Damian. Deixar você me foder


ou dizer adeus.

— Realmente. Eu quero e não terei escrúpulos em conseguir.


— Ele beijou o pulso acelerado em meu pescoço como que para
acalmar a aspereza de sua declaração. — Você me dará o que eu
quero?

Arrogante. Intransigente. Um demônio.

Meu.

— Sim, Damian.

Ele me arrancou da pia e me levou para o quarto, o tempo


todo beijando-me vorazmente. Colocou-me na cama, me ajeitando
em meus joelhos para que minhas costas estivessem de frente para
ele.

— Não se mova! — Ele lambeu minha espinha e, em seguida,


beliscou meu ombro.

142
Com o coração acelerado e a ansiedade aumentando, cerrei os
punhos e esperei apenas alguns segundos que ele voltasse do
banheiro. Pulei quando sua mão acariciou meu traseiro dolorido.

— Impaciente?

Sua provocação inspirou um sorriso, um que ele não podia


ver porque eu estava de costas. — Um pouco.

— Humm. — Seus dedos inspecionaram as bochechas da


minha bunda. — Olhe para esta cor. Belo tom de rosa. Você é tão
linda, Risa. Simplesmente não posso me controlar. Você entende?
Diga-me que entende.

— Entendo.

Fechei meus olhos quando senti seus lábios roçando minhas


costas. Ele me beijou carinhosamente, porém sua luxúria não pôde
ser contida por muito tempo. Logo lambeu meu cuzinho por longos
minutos, fazendo-me apertar enquanto soltava pequenos gemidos.

O gel frio me invadiu. Eu me mexi desconfortavelmente só


para ter a mão de Damian pressionando a parte inferior de minhas
costas. — Fique calma. É apenas lubrificante.

Eu caí em meus braços. — Eu sinto muito. É só que… eu


estou….

Os longos dedos de Damian brincaram com meu clitóris. O gel


frio aqueceu rapidamente. Empurrei para trás com avidez,
gemendo alto quando se movimentou ritmicamente. — Você está o
quê?

143
— Eu estou… Ah… Sim, sim! Bem desse jeito!

— Risa…

O aviso baixo foi registrado. Eu sabia o que aconteceria se não


respondesse e definitivamente não queria que Damian parasse.

— Estou com um pouco de medo! Sim, por favor… Não pare!


Por favor, não pare!

— Risa — ele chamou meu nome. — Você não vai gozar.

Eu lamentei e queria bater em minha boca por ser tão idiota.

Damian debruçou-se sobre minhas costas mantendo sua mão


em minha boceta. Gostaria que ele continuasse acariciando meu
clitóris, o calor da sua mão me provocou lindamente.

— Não deixarei você se machucar. Por isso você não pode


gozar. Eu quero você encharcando a cama para mim, baby. Então
e, só então, você receberá meu pau. E Risa? Você vai desejá-lo mais
do que tudo.

Estremeci. A promessa era uma ameaça e uma recompensa.

144
145
Capítulo 23
Risa
Ele estava certo.

Eu queria seu pau mais do que tudo.

Eu mal conseguia me segurar. Sua língua, dedos e voz me


levaram a um espiral de prazer. Eu segurei a doce e agonizante fila
de espera e agora finalmente chegava a hora.

Em cima de Damian, dedos entrelaçados com os dele, o beijei


como se estivesse morrendo e ele fosse minha salvação.

Os músculos de minhas coxas se esticaram quando me


levantei pronta para me empalar em seu belo pau. Tudo esta noite
estava sob seu controle e comando.

Até agora.

A partir deste momento, cabia a mim.

Eu o soltei e peguei seu pau. Escorregadia do lubrificante,


minha mão o acariciou lentamente. Amei a sensação contra minha

146
palma e dedos. Esperava que me apressasse, Damian
simplesmente me deixou brincar.

Sua respiração acelerou e seu olhar metálico escureceu ainda


mais. Damian se afundou no meu peito e chupou meu mamilo
sensível em sua boca. A sensação me deixou ávida por mais.

Finalmente, coloquei-o em posição. A cabeça larga empurrou


contra o único lugar em que nunca fui tocada. Parecia insano
tentar tudo na primeira vez, porém, novamente... parecia tão certo.
Como se eu tivesse sido feita para Damian.

Excitada, me pressionei experimentalmente, esperando que


me violasse rapidamente. Nada aconteceu. Tentei novamente.

— Relaxe. Não é uma batalha a ser vencida. Expire. Bom.


Agora empurre um pouco. Ai está.

Uma pequena ponta estava em mim. Eu subi e desci


novamente. Mais. Então veio a picada.

Estremeci.

Sua voz suave fluiu sobre mim, acalmando meu receio. —


Segure-se em mim.

Nossos dedos se entrelaçaram novamente para que pudesse


usá-lo como alavanca. Ele estava certo em muitos aspectos. Sexo
não era uma batalha a ser vencida, mas não podia evitar eu era
assim. Qualquer desafio que enfrentava tornava-se uma batalha a
ser vencida.

147
E esta batalha era uma que venceria.

Segurei minha respiração enquanto me empurrava um pouco


mais. Soltei um suspiro profundo. Meus tecidos delicados
imploravam para que me movesse. Eu atendi o chamado.

— Oh!

Era diferente. Não sabia se era bom ou não. Só sabia que


precisava continuar me movendo. Um pouco mais de Damian
entrou dentro de mim, sua passagem, sem dúvida, facilitada pelo
lubrificante e minha curiosidade.

Sentado como estava, nossos olhos estavam quase no mesmo


nível. Ele me beijou gentilmente, apenas um roçar de seus lábios
nos meus.

— Você é minha boa menina, Risa, levando meu pau grande.

Amei o elogio. Eu não queria que ele parasse.

— Você é tão grande, gemi baixinho. — Grande pra caralho.


Você está me alongando, ainda não é o suficiente.

— Você consegue. Sei que é capaz.

Sua língua se esfregou na minha. Eu chupei com força


enquanto me empurrava para baixo, em vão. Antes que pudesse
soltar um gemido frustrado, Damian se aproximou. Senti seu hálito
quente sobre meus mamilos.

— Por favor.

148
— Por favor, o quê? Diga ou não farei.

Ele era um demônio por me fazer implorar!

— Por favor, chupe meus seios, Damian.

— Boa menina, sussurrou com um sorriso. Ainda mantendo


seu olhar no meu, lambeu meus seios lentamente. A umidade
suave da sua língua somada às sensações agudas que rolavam pelo
meu corpo.

— Ai sim!

— É bom?

— É tão bom, Damian.

— E o meu pau? Gosta de senti-lo esticando sua bunda


virgem?

— Eu não sei, ofeguei enquanto continuava a movimentar


meus quadris. — Parece… diferente. Assustador. Emocionante.

— É como a vida, garotinha. Dói no começo, mas depois tudo


vale a pena. Ele colocou tanto do meu peito, quanto podia em sua
boca quente.

A sucção e o movimento ritmado de sua língua me deixaram


em chamas. Jogando minha cabeça para trás, encaixei-o mais
alguns centímetros.

Não era o suficiente.

149
Damian soltou minhas mãos para pressionar os dedos na
minha cintura. — Vá devagar, Risa. Não é uma corrida. Tome seu
tempo, garotinha. Temos a noite toda.

— Eu não quero ir devagar. Eu quero você na minha bunda.


Eu consigo…

Contorcendo-me subi meu corpo, tentando provar a ele.


Damian mordeu minha nuca com firmeza. Eu choraminguei em
choque antes de estremecer de prazer.

— Você é minha garota teimosa, Damian murmurou na pele


úmida. — Só prova que preciso que cuidar de você de todas as
maneiras.

— Eu posso…

— Silêncio!

Ele suavizou o comando com um beijo sensual. Em seguida,


cuidadosamente, levantou-me dele e colocou-me de joelhos.
Vulnerável, não tinha certeza se gostava desta nova posição ou
não.

— Damian?

Ele sorriu e deu um tapa na minha bunda. — Abra mais as


pernas. Então pegou o lubrificante e colocou uma dose generosa
no meu buraquinho. Delicadamente, Damian me esticou antes de
colocar algumas gotas em seu eixo rígido.

150
Hipnotizada, observei enquanto se acariciava antes de voltar
para a cama. Meu coração martelou em uma curiosa mistura de
nervosismo e antecipação.

Ele estava assumindo o controle total. Não pude deixar de me


sentir feliz.

— Levante seus quadris o mais alto que puder.

Assim que obedeci, sua língua mergulhou profundamente em


minhas dobras molhadas. Eu bati na cama e gritei seu nome. Ele
me lambeu, longa e lentamente, antes de atacar meu clitóris. Me
esfreguei contra sua boca talentosa, fazendo o meu melhor para
aproveitar cada lambida luxuriosa de sua língua, mantendo meu
orgasmo iminente em cheque.

Damian agarrou minhas coxas quando deu uma última


chupada. Ficando muito próximo. Me posicionou mais alto,
aparentemente não o suficiente. Pegou dois travesseiros e colocou-
os sob meus joelhos.

— Perfeito.

Arrastando um beijo em minha espinha, se colocou atrás de


mim. Pensei que iria direto ao ponto. Apertei meu corpo e tentei me
preparar.

Damian passou as mãos pelas minhas costas e coxas, me


acariciando como se fosse um animal nervoso pronto para fugir.

— Eu tenho você, Risa.

151
Lambendo meus lábios, sussurrei: — Eu sei que você me tem.

— Seu cérebro sabe, está na hora de seu corpo bonito saber


também.

Sua mão escorregou entre as minhas coxas. Ele me esfregou


em círculos lentos e doces. Eu lutei para ouvi-lo através da minha
respiração irregular.

— Você me deixa tão louco, garota. Bunda no ar, pronta para


ser fodida até você gritar.

Quanto mais ele falava comigo, mais quente ficava.

Colocou um dedo dentro de mim enquanto me falava como


era bonita, o quanto ele me queria desde a primeira vez que me viu.

Um dedo se tornou dois. Então três.

Eu ofeguei e gemi, implorando a ele, por favor, por favor, me


foda.

— Quanto você quer?

— Muito!

Me puxou pelo meu cabelo até que estava de volta em minhas


mãos. Beijando-me com força, ele rosnou: — Diga como você
realmente quer dizer.

— Por favor, foda-me, Damian! Eu quero mais do que tudo!

— Você quer meu pau?

152
— Sim!

— Onde você o quer?

— Na minha bunda!

Segurando meu quadril em uma das mãos, pressionou-se


contra mim. Lentamente, bem devagar, empurrou e depois se
retirou. Abaixei minha cabeça e soltei um gemido baixo quando o
senti me encontrar e empurrar mais fundo.

— Essa é a minha boa menina. Estou dentro de sua bunda,


Risa.

Eu choraminguei seu nome. Aberta como estava, não saberia


dizer se doía mais do que qualquer coisa que sentira antes ou se a
dor era outra dimensão de prazer.

Não podia pensar. Não conseguia processar. Tudo que podia


fazer era enterrar meu rosto no colchão e segurar os lençóis.

Damian diminuiu suas investidas suaves. — Não, Risa. Deixe-


me ver seu lindo rosto.

Eu levantei a cabeça e olhei para ele. Fui confrontada com


uma visão do meu traseiro no ar com, talvez um terço de Damian
enterrado em mim.

A vista enviou uma inundação de umidade entre as minhas


coxas.

— Essa é minha garotinha. Está relaxando.

153
Seu sussurrar enrolou meus dedos dos pés. Soltei um gemido
baixo quando seu ritmo acelerou ligeiramente. Minhas sensações
confusas se reordenaram em padrões sobrepostos. Doeu, não
porque Damian estava em mim.

Doeu porque queria mais.

— Mais rápido. Por favor.

Ele empurrou os quadris entrando mais um pouco. — Porra!


Você levará tudo de mim esta noite!

Damian agarrou meu pulso e colocou minha mão na


bochecha da minha bunda. — Mantenha-se aberta para mim,
baby. É isso aí. Faça assim. Faça por mim.

Eu me mantive aberta, amando quão sujo e carnal deveria ser


para Damian.

Ele empurrou mais fundo. Eu era uma criatura dedicada


exclusivamente a ele e sua posse. Eu não conseguia pensar em
nada além de como era bom ter dado a Damian algo que nunca dei
a ninguém.

Ele puxou e depois empurrou de volta, um pouco mais fundo


a cada vez. Prazer. Dor. Conclusão. Perda.

— É assim que você gosta?

— Sim... Oh... Damian... Sim!

— Conte-me. Diga-me que você gosta.

154
— Eu gosto! Eu amo!

Damian puxou minha cabeça para trás. Beijou minha testa.


— Boa. Menina.

Sobrecarregada, estava me sentindo demais. Gritando,


empurrei meus quadris contra ele forçando-o a entrar
completamente.

Damian rosnou: — Olhe para você. Tomando tudo. Você é


minha garotinha safada, não é?

— Sim! Eu estava cheia até o limite e adorei. Eu pertencia a


ele.

— Diga! Diga, eu sou sua garota safada!

— Eu sou sua garota safada!

Damian passou a mão pela minha boceta aberta. Eu implorei


a ele para fazer de novo. Ele não me desapontou. Encontrando o
ritmo perfeito, empurrou seus quadris com força enquanto
brincava com minhas dobras encharcadas.

— Eu quero que você goze Risa. Eu quero sentir você ficar tão
apertada que mal conseguirei me mexer. Venha baby. Deixe-me
sentir você gozar.

— Eu vou…. Oh merda!

Procurando por algo para segurar, meus dedos torcendo os


lençóis amarrotados. Mais algumas estocadas e sacudidas na
cama e eu gozei.

155
— Damian!

Gritei seu nome várias vezes enquanto gozava tão


intensamente que quase desmaiei. Nada poderia ter me preparado
para tal magnitude. Damian tomou posse de mim completamente.

Eu era dele.

Ele me puxou para trás, abrindo as coxas para que ficasse


sentada bem em cima dele. Com os braços sob minhas pernas, eu
estava aberta e só podia pegar o que ele decidiu me dar.

Que era tudo.

Sussurrou em meu ouvido quão boa eu era em tomar seu


pênis. Quão excitado o deixei. Como nunca em sua vida se sentiu
tão bem.

Descendo do meu orgasmo, virei a cabeça para um beijo.


Imediatamente esmagou sua boca na minha. Nós nos beijamos
com força minhas unhas cravadas em seus antebraços, enquanto
me penetrava de novo e de novo.

Logo seus movimentos perderam o controle e a delicadeza, se


tornando selvagens. Seus dedos pressionaram a pele macia das
minhas coxas. Ele retirou sua boca da minha, mantendo-a tão
perto que só precisaria me mover um milímetro para beijá-lo
novamente.

Drogada com tanto prazer, encarei seu rosto. Ele estava tão
lindo e absolutamente fora de si. O suor brilhava em sua testa e

156
suas pupilas estavam tão dilatadas que só deixavam uma tênue
faixa de cor.

Poderia fitá-lo para sempre.

De repente respirou profundamente. Então todos os músculos


do seu corpo se apertaram. Seu pênis inchou e, mesmo com o
preservativo, pude sentir seu gozo quente. Gemi, desejando que
não houvesse barreira entre nós.

Falei sério quando disse. Queria estar encharcada com seu


gozo e não podia esperar até que ele preenchesse cada um dos
meus buracos.

Damian me beijou gentilmente. Assim que nossa respiração


desacelerou, me deitou na cama.

— Volto logo.

Assisti enquanto entrava no meu banheiro. Esticada,


aparentemente desossada, mas saciada, sentia falta dele e queria
seu corpo colado ao meu.

A torneira finalmente foi desligada. Então voltou com uma


toalha molhada. Limpou-me delicadamente. Nunca alguém que me
limpou antes.

Parecia uma coisa ainda mais íntima entre nós.

Em seguida me levantou e me acomodou sob os lençóis.


Estendi a mão para ele, com medo de que me deixasse. Como se

157
ouvisse meu apelo sem palavras, deitou-se, colocando-me bem ao
seu lado.

Em silêncio, deixamos os minutos passarem. Ouvindo seu


batimento cardíaco tão forte sob o meu ouvido, estava feliz. Damian
Black valia o risco. Não só porque me deu o melhor sexo da minha
vida.

Também por causa de agora.

Deitada em seus braços, estava exatamente onde queria estar.


Nada poderia ser mais perfeito.

O espectro do meu amor levantou-se para me assustar. Como


conseguiria deixá-lo ir quando a hora chegasse?

Talvez você não deixe. Talvez ele te jogue fora primeiro.

Os pensamentos eram muito sombrios e feios, para coexistir


com a beleza do momento.

Damian afastou meu cabelo das minhas bochechas úmidas.


Olhou para mim, como se estivesse estudando quão bem ele me
quebrou.

— Você pertence a mim agora, Risa.

Eu senti a satisfação tatuada em cada sílaba e sorri.

— Por que eu?

158
Um grande suspiro atravessou seu corpo. — É uma pergunta
que me faço todos os dias. Não sei por que é você, Risa. Só sei que
tem que ser você.

Sua resposta não fez nada para me acalmar. Ouvia o


arrependimento e a descrença irrevogavelmente entrelaçados em
cada sílaba.

Meu sorriso congelou.

Mais do que nunca, desejei que me vendasse novamente.


Imaginei que não veria a umidade se infiltrando no tecido preto
sedoso se tivesse.

— O que foi, garotinha? Seu polegar capturou uma lágrima


rebelde.

— Nada. Estou muito feliz por ser sua.

Era a minha verdade mais profunda. Era também minha


maior dor.

159
As lembranças daquela noite serão uma das poucas coisas
para manter Risa no inverno da sua solidão, estando tão perto do
homem que esqueceu que a amava...

160
Capítulo 24
Risa
Passei horas pensando na minha primeira vez com Damian,
pois estar lá era muito melhor do que estar aqui.

O agora era humilhante e comovente.

Aqui estava em uma vida falsa, que não tinha certeza de como
aconteceu.

Não havia o Damian do qual me lembrava.

E ainda tive que ir ao aeroporto pegar a queridinha mimada


de um bilionário.

Era o último lugar que queria estar, embora fosse onde ficaria
pois o aqui me levaria de volta para lá.

O jato elegante taxiou e parou. Endireitei meus ombros, tendo


todo o conforto que podia com Elaine ao meu lado. Sua presença
calma me lembrou de que a farsa da qual participava era por um
motivo válido e não um exercício de masoquismo. Fiquei feliz,
precisava de toda a ajuda que conseguisse para sobreviver aos
próximos minutos.

161
A porta se abriu e, alguns segundos depois, a cabeça familiar
de Ticiano me chamou a atenção.

Gretchen Smith estava aqui para ver o homem que esqueceu


tudo sobre mim, mas ainda se lembrava dela.

Nos instantes muito breves, antes de ter que falar com a ex-
amante de Damian, as lembranças da primeira vez que fiz amor
com Damian repetiram-se novamente.

E de novo.

E de novo.

Tive que relembrar cada detalhe intricado, pois poderia


acabar sendo o único.

162
163
Capítulo 25
Damian
As coisas eram diferentes. Eu não me importava com
diferente. Como um homem de rotina e ordem, prosperei mantendo
meu ambiente confiável.

Mesmo sendo entediante.

Mesmo que não fosse necessário para o meu disfarce de


Damian Black-Price, seria assim. Um lugar para tudo e tudo em
seu devido lugar. Ganhei o direito a minha paz considerando as...
atividades extracurriculares das quais participei para minha
família secreta.

Estrutura. Disciplina. Ordem.

Princípios sagrados no meu mundo, mas imperativos agora


que, aparentemente, perdi uma parte das minhas memórias.

Os médicos estavam otimistas de que as recuperaria com o


passar do tempo. Fragmentos aqui e ali, antes de as imagens
completas surgirem. Eu não gostava da sensação de incompletude,

164
mas não me assustava como imaginei que seria para uma pessoa
normal.

Estava acostumado a ter peças faltando. Que diferença faria


mais uma?

Além disso, estava melhorando e prestes a dar o fora daqui.


Estaria de volta à minha mesa em menos de um mês. Minha
frustração não tinha nada a ver com fisioterapia ou com o acúmulo
de meu trabalho.

Tinha tudo a ver com Risa. E Gretchen.

Nosso reencontro foi como suspeitava que seria. Gretchen,


elegante como sempre, com seu cabelo flamejante e um conjunto
preto impecável, aproximou-se de mim com choque e tristeza. Suas
pequenas mãos alcançaram as minhas e ela roçou os lábios na
minha bochecha levemente. Eu podia sentir o cheiro familiar do
seu perfume e pó facial.

Era como se nada tivesse mudado. Exceto pelo fato de que


tudo mudou.

Eu não sentia a carga intensa de excitação que senti quando


nosso caso começou. Não tive fome de ver a reserva de Gretchen
derreter sob minhas mãos. Eu não a queria.

Não assim.

Eu gostava de sua companhia até certo ponto. Não era algo


tranquilo, era familiar. Até certo ponto.

165
Nunca amei Gretchen, porém, minha afeição por ela era
verdadeira o suficiente para que tivesse pensado seriamente em me
casar com ela.

Agora era como se fosse mais uma pessoa do meu passado.


As lembranças existiam, mas as emoções estavam embotadas e
desbotadas. Se Gretchen notou meu desinteresse, não comentou.
Simplesmente fez o que sentiu que precisava ser feito.

Me acompanhou às sessões, arrumou meus cobertores. Leu


para mim dez minutos por dia.

Em suma, me tratou como um inválido, o que não me


incomodou. Quanto mais ela me visse como um homem doente,
menor a chance de esperar por mim.

Algo que me incomodou.

Não entendia minha reação. Já acreditava que nosso


relacionamento havia terminado. Como o homem orgulhoso que
era desprezava qualquer sinal de fraqueza da minha parte.

Então outra coisa inesperada surgiu.

Não me importava que Gretchen fizesse as coisas que a faziam


se sentir melhor. Se arrumar meus cobertores a fazia se sentir
produtiva e com uma sensação de controle, tudo bem. No entanto,
não permitia nenhum gesto de sua parte quando Risa estava no
quarto.

Eu me recusava terminantemente a parecer fraco na presença


de minha assistente. Embora a estivesse evitando o máximo

166
possível. Não queria que pensasse em mim como um inválido.
Queria que acreditasse que era um homem sem igual.

Estar preso em uma cama não promoveria uma opinião tão


grandiosa.

E, mesmo que a tenha banido até certo ponto, sentia sua falta.

Sentia falta de conversar com ela. Dos seus sorrisos. Do som


de seus pequenos pés em saltos altos batendo no chão do meu
quarto que, não faziam nada além de enfatizar quão pequena
realmente era.

Precisava manter Risa à distância no momento. Praticamente


a coloquei para fora quando designei como seu espaço de trabalho
o salão privativo, que Elaine e Leon escolheram para seu uso
pessoal.

Realmente não importava, pois a chamava a cada hora


quando um e-mail ou telefonema seriam o bastante. Então passava
o tempo contando os segundos até sua chegada.

Intencionalmente, me concentraria em cada parte dela.

Como se recusava a olhar para mim por mais de um segundo,


optando por fixar seu olhar em um ponto acima do meu ombro.
Como sua boca cheia curvava-se em um minuto, franzindo antes
de se suavizar em uma linha sem inspiração. Até mesmo a rapidez
com a qual ela piscava, não escapava da minha atenção.

Risa ficaria apenas o mínimo, antes de sair do meu quarto


sem olhar para trás. Não importava o quanto a encarasse e

167
silenciosamente ordenasse que ela se virasse, para me dar algo
para provar que estava tão enredada nesta coisa quanto eu.

Ela me desobedecia doze vezes por dia.

Completamente. Inaceitável.

Minha crescente obsessão por Risa não era normal. Por que
porra me importaria como uma assistente pessoal, com quem
trabalhei por tão pouco tempo, de quem sequer conseguia me
lembrar? O pior é que me importava.

Seriamente.

Eu me importava que ela não olhasse para mim. Eu me


importava que ela não sorrisse na minha presença, que não
sorrisse nunca. Eu me importava que houvesse uma dor em seus
olhos que não conseguia esconder.

Eu me importava com Risa Kelly quando não deveria.

As coisas eram diferentes de fato.

Eu nunca me permiti sentimentos além do tipo primitivo.


Afeição puramente por si mesma?

Nunca!

Era um quebra-cabeças que me levava a revisitar suas peças


com frequência.

Importava-me quando Risa passava o dia longe de mim. Posso


tê-la banido para o salão, mas puxava a corrente quando ela ficava

168
longe por muito tempo. O som dos seus saltos era o suficiente para
fazer qualquer irritação que sentia acalmar.

Ansiava pelo controle sobre ela, com uma força que não
parecia incomum, no entanto, considerando a nossa falta de
relacionamento, era realmente estranho.

Se fosse um homem melhor, a deixaria ir com um pacote de


compensação obscenamente generoso.

Mas eu não era um homem melhor. Era um cretino egoísta e


possessivo quando se tratava dela. O inferno congelaria antes de
eu deixá-la ir.

Minha fixação por Risa não passou despercebida por


Gretchen. Estava lá na sua imobilidade sempre que a morena
diminuta entrava no quarto. O desconforto me tocou quando
aconteceu. Apesar das minhas inclinações e situação financeira,
eu não era um homem infiel.

Não vinculei o tamanho do meu pau ou ego a quantas


mulheres poderia tomar ou fazer malabarismos ao mesmo tempo.
Achava infidelidade desagradável e, francamente, algo inferior. Já
menti o suficiente apenas pela minha presença e os segredos que
guardava.

Não desejava adicionar a infidelidade.

Ainda assim, me sentia infiel cada vez que Risa entrava na


minha esfera. Mesmo assim, minha fixação por ela não podia ser

169
quebrada. Eu a queria comigo. Abaixo de mim. De joelhos. No meu
colo. Alguma concessão teria que ser feita.

170
Capítulo 26
Damian
— Você será liberado em dois dias, Sr. Black-Price.

Aceitei as palavras como minhas. — Sairei pela manhã. Tenho


todos os arranjos prontos.

— Eu preferiria mantê-lo por mais um dia….

— Impossível!

O médico sabiamente recuou, não antes de sacudir a cabeça


prateada e deixar a impaciência temperar suas palavras. — Você
naturalmente assumirá qualquer responsabilidade por sair mais
cedo.

Eu o dispensei com um aceno de mão, já voltando para a mesa


com meu laptop e vários arquivos. Minhas pernas estavam fortes e
o resto do meu corpo também.

A fisioterapia fez o que deveria fazer. Minha vontade me levou


muito mais longe. Eu não estava em forma o suficiente para correr
uma maratona, porém era mais do que capaz de deixar este cenário
pitoresco para trás.

171
— Prepare os papéis para minha assinatura.

Assim que o médico saiu e levou seu ar irritado com ele,


Gretchen perguntou calmamente: — Tem certeza de que não pode
ficar mais um dia?

— Por quê? Passei uma quantidade exorbitante de tempo


aqui, como sabe.

— É verdade, mas você estava em coma no mês passado.

Olhei para ela. Gretchen sustentou meu olhar sem hesitação.


Eu não podia deixar de pensar em Risa naquele momento e em
como ela era mesquinha em retornar meus olhares.

— E agora não estou mais.

Gretchen ergueu o livro da mesinha lateral, com um elegante


encolher de ombros. — Muito bem. Então vamos embora amanhã.

— Você não pediu detalhes — falei abruptamente

— Não.

— Por quê?

Gretchen cruzou as pernas, como se estivesse se preparando


para um longo discurso. — Você me dirá o que deseja que eu saiba,
como sempre fez.

— E o fato de não ter dito nada?

— Diz tudo o que preciso saber.

172
Mulher esperta.

— Damian, tenho uma pergunta, no entanto.

— Humm? Parei diante do meu laptop, os dedos digitando um


e-mail para trazer Risa para mim. Estava cansado de ficar deitado.
Ficarei de pé o máximo que puder.

— O que você gostaria que eu fizesse?

Eu parei. Como assim?

Eu terminei de digitar o e-mail e o enviei antes de voltar minha


atenção, significativamente dividida para a mulher que deveria ser
minha amante.

— O que você prefere fazer?

Algo como tristeza escureceu seus olhos. — O que eu prefiro


e o que precisa ser feito são duas coisas diferentes.

— Então me explique.

Eu realmente não pretendia encorajá-la. Egoisticamente,


esperava que ela estivesse prestes a me dizer adeus. Tornaria tudo
muito mais fácil.

Gretchen colocou o livro de lado e se aproximou de mim.


Vestida com calças pretas e um suéter de cashmere combinando,
era uma imagem de elegância e beleza. Eu estava indiferente,
exceto pela apreciação que se daria a uma pintura.

Bela, mas distante.

173
Gretchen parou ao meu lado. Sua voz era calma e sincera. —
Eu iria com você, pelo tempo que me quisesse. Trabalharia para te
fazer feliz. Eu ficaria com você, Damian.

Aquele latejar de infidelidade tamborilou dentro de mim


novamente.

Eu não queria tais palavras de Gretchen. Eu as queria de


Risa.

E, no entanto, Gretchen ficou ao meu lado nas últimas


semanas. Nunca reclamou. Fiel a mim e a nossa história.

Eu lhe devia mais consideração.

Passando a parte de trás de um dedo em sua bochecha,


recordei nosso tempo juntos. Ela era minha fada, alguém que não
pertencia ao meu mundo e jamais poderia ser mantida por muito
tempo.

E, ainda assim, estava disposta a jogar fora seu poder apenas


para servir o meu.

Não era justo com Gretchen, desejar que fosse Risa dizendo-
me as mesmas palavras.

— Eu não posso pedir a você. Você tem sua própria vida.

— Meu negócio está em mãos capazes, Damian. Não precisa


se preocupar.

— Eu não me preocupo. Sei que o seu negócio significa o


mundo para você. Você não o deixaria vulnerável.

174
Gretchen estendeu sua mão para mim, lentamente, como se
não tivesse mais o direito. Mais uma vez me senti culpado por fazê-
la se sentir indesejada.

— Eu não deveria forçar a situação. Sei que não deveria, mas,


se não perguntar nunca ficarei em paz comigo mesma. Eu ainda
amo você, Damian.

Ela declarou com a voz quebrada.

Eu nunca disse essas palavras para ela. Eu nunca disse para


mulher nenhuma.

De repente, Risa apareceu na minha cabeça. Pensei nela e um


senso de justiça tomou conta de mim.

— Posso ir com você, Damian? Você permitiria?

Engoli de volta meu instinto — Não! Olhei para Gretchen. Um


belo rubor cobria suas bochechas. Ela deixou sua máscara cair
tempo suficiente para eu ver a sinceridade de seu pedido e como a
tornava vulnerável.

Esta não era a Gretchen da qual me lembrava.

Esfreguei meu polegar em sua bochecha. Meu gesto retirou


um pouco de sua maquiagem, um pecado fundamental para uma
mulher tão bonita quanto ela. Ainda assim ela ficou ali, esperando
como se tivesse todo o tempo do mundo para oferecer a um homem,
que realmente não queria ficar com ela.

Não do jeito que ela queria ou precisava.

175
Tudo era diferente. Seria mesmo?

Abaixei-me. Eu precisava saber.

Os olhos de Gretchen se arregalaram antes que suas


pálpebras se fechassem. Meus lábios roçaram os dela, suavemente,
então esperei. Esperei o desejo habitual trovejar em minhas veias.

Nada.

Não senti nada, a não ser carinho por uma velha amiga. Posso
não ter conseguido me lembrar dos últimos seis meses, mas sabia
o suficiente, para ter certeza de que não havia nada para o que
voltar.

Aonde tal constatação nos levava?

Um suspiro estrangulado invadiu minha curiosidade


desapaixonada. Eu me endireitei e imediatamente olhei para a
porta. Minha esperança de que fosse uma enfermeira que passava
caiu por terra como sabia que aconteceria.

Minha mão se afastou de Gretchen, imediatamente.

Risa estava parada na porta, um olhar de traição e sofrimento


gravado em seu rosto pálido.

Ela não tinha o direito de se sentir desse jeito por mim. Assim,
como eu não tinha o direito de me sentir deste jeito por ela.

Tudo era diferente porque agora eu sabia, sem sombra de


dúvida, que queria Risa, apenas Risa.

176
177
Capítulo 27
Risa
Tudo que eu temia com a presença de Gretchen estava se
tornando realidade.

Damian a beijou.

Gretchen o beijou.

Não!

Os lábios do meu amante, estavam nos dela que não fez nada
para impedi-lo. Puta desgraçada! Depois de todas as garantias de
que entendia a situação entre Damian e eu, de ouvir Elaine atestar
minha presença e importância para o Damian de antes do acidente,
depois de prometer manter a farsa do cargo de assistente pessoal,
depois de jurar que não tiraria vantagem da situação, ela o beijou,
porra!

Não!

E o fato, nem sequer começou a tocar a sensação de traição


queimando como veneno em minhas veias. O fato de ele não ser
capaz de se lembrar de mim, não diminuiu a agonia.

178
Fui facilmente substituída, não fui? Minha submissão,
fidelidade, lealdade e sacrifício não significavam nada para o
homem que não se lembrava da minha existência. Eu era a mancha
em sua mente, o ponto vazio.

Eu não existia, exceto como ele me via atualmente.

A raiva tinha gosto de sangue e cinzas na minha boca,


enquanto mordia meu lábio para não gritar. A vida não era justa.
Todo mundo sabia. Também era um jogo e eu queria vencer. De pé
aqui, observando a boca de Damian na de Gretchen, em uma
posição única para ver como deve ter sido quando ele me beijou,
não tenho escolha a não ser enxergar que estava perdendo.

Seriamente.

Com a constatação veio a fúria impotente.

Não era suficiente que me mandasse para o salão agora que


Gretchen estava aqui. Não era o suficiente saber foi ela que o
acompanhou às sessões de fisioterapia. Não era suficiente o quanto
precisava engolir minha raiva e dor, toda vez que ele me chamava
ao seu quarto, falando como se eu fosse uma pessoa qualquer em
sua folha de pagamento.

Não!

O que mais eles fizeram na luxuosa privacidade de sua suíte?


Damian recuperou o uso do seu pênis junto com suas pernas?

Droga, eu não aguentava mais.

179
Eu não queria emitir nenhum som. Queria dar meia-volta,
sair pela porta da frente, embarcar em um avião e deixar toda
miséria para trás.

Em vez disso, a traição encontrou voz em um pequeno grito


estrangulado.

Damian se afastou da ruiva traidora e me olhou. Olhou para


mim, como se tivesse entendido o quanto me machucou. Parecia
desconcertado.

E algo pior.

Sem culpa.

Girei nos meus calcanhares e marchei pelo corredor. O ouvi


chamando meu nome asperamente. Meu núcleo reconheceu o
timbre e seu tom de comando. Parei abruptamente, antes de me
forçar a continuar.

Não!

Se ele não se lembrava de mim, se permitia que outra mulher


tivesse seus lábios, então não tinha mais permissão para me
comandar.

Leon apareceu ao meu lado, como a sombra que era. Sempre


estava por perto quando eu mais queria fugir. Não disse uma
palavra. Simplesmente acompanhou meus passos até chegar ao
elevador. Uma vez que as portas se abriram, fez seu costumeiro
contato visual e me conduziu para dentro.

180
Aparentemente eu era um animal de estimação mimado para
um homem muito rico. Outra maldita mentira.

Os andares passavam num ritmo lento e enlouquecedor. A


adrenalina me bombeava tão violentamente, que não conseguia
recuperar o fôlego. Meus dedos formigaram com emoção inédita.
Queria arrancar todos os fios de cabelo da cabeça de Gretchen.
Queria esmurrar seus dois olhos, antes de jogá-la por uma janela.

Pensei em maneiras horríveis de acabar com ela. Deveria estar


contente com a minha imaginação sedenta de sangue. Não estava,
sabia que a pessoa que realmente queria machucar não era
Gretchen.

Era Damian.

Sua ex-namorada não me devia nada. Ele, por outro lado,


devia muito.

— Não podia ser evitado.

A voz suava de Leon, interrompeu meu temperamento


instável. Nem tentei fingir, que não sabia a que se referia.

— Talvez, mas, sinceramente, não significa nada para mim


neste momento.

O telefone de Leon tocou. Palavras cortadas passaram antes


que ele guardasse o telefone. — Damian quer que você volte
imediatamente.

181
Eu levantei meu queixo, sentindo a crueldade casual dos
caprichos do meu carcereiro.

Mantenha-me, empurre-me, reivindique-me, esqueça-me.

O olhar frio de Leon me pegou, antes de voltar para as portas


do elevador. — Deixe sua indignação para mais tarde. Precisa se
recompor se quiser vencer.

Eu não sabia se deveria lhe agradecer ou amaldiçoar.


Agradecer por me deixar acalentar meus sentimentos maltratados
ou amaldiçoá-lo, por ser tão perceptivo. Aparentemente, não
conseguia esconder nada de ninguém.

O que me deixava humilhantemente vulnerável. Algo que não


suportava.

— Sim.

Não falamos mais nada. Estava ciente do telefone zumbindo


no meu bolso, um que lamentavelmente mantinha comigo em
todos os momentos, pois era a minha única tábua de salvação com
Damian. Eu tive a ideia louca, de jogá-lo contra a parede para
depois pisotear nos restos quebrados.

Embora minha mão o apertasse soltei-o com um gemido


engolido. Eu não estava pronta para cortar todos os laços com
Damian. O que consegui fazer foi desligar o telefone.

Um sorriso malicioso dançou nos meus lábios antes de


desmoronar.

182
Tal tipo de desafio já me levou para o outro lado do colo de
Damian. Só depois que fui castigada e prometi ser uma boa menina
fui capaz de fazer as pazes com ele, levando o seu pau onde
quisesse.

O que aconteceria comigo agora?

Nada.

Ou pior. Talvez eu fosse banida de sua presença. Uma menina


má, que não podia fazer algo tão simples como atender um telefone,
não seria boa o suficiente para ficar. Seria jogada fora. Assim como
todas as outras.

Assim como Gretchen.

Minha raiva contra a ruiva diminuiu. Amando-o como eu, se


estivesse em sua posição, seria realmente tão honrada em não
aproveitar qualquer chance de recuperá-lo?

Eu sabia que faria a mesma coisa. Com um sorriso maldito e


um movimento de cauda.

Foda-me por ser tão compreensiva. Tal tipo de justiça me faria


perder a guerra.

183
Capítulo 28
Risa
Encontrei Elaine esperando por mim na suíte.

Não fiquei surpresa. Ela sempre parecia saber de tudo. Russo


fluiu entre Elaine e Leon antes de sair do quarto.

— Você sabe que é rude falar em outro idioma na frente de


pessoas que não podem entender. — Minha impertinência me
envergonharia mais tarde.

— Então aprenda.

Não era exatamente o tipo de resposta que esperava. Bufei e,


em seguida, caminhei para o elegante sofá cor de carvão. Jogando
minha cabeça no encosto, fechei meus olhos. Agora que minha
fúria dispersou, a tristeza me dominaria.

Eu não queria.

Manteria meus olhos fechados enquanto pudesse aguentar.


Talvez quando me recuperasse de minhas lágrimas, encontrasse
uma saída deste atoleiro emocional antes de me sufocar.

184
Aparentemente, Elaine decidiu me apressar também.

— Fazer beicinho não ajudará em nada.

— Não estou fazendo beicinho.

— Então o que você chama de se esconder aqui, quando


deveria estar lá embaixo?

Levantei a cabeça e a encarei. Encostada na poltrona cor


marfim, era a quintessência da própria linda loira gelada. Seu
semblante imperturbável era algo que eu aspirava aperfeiçoar.

— Não estou me escondendo, Elaine. Estou me acalmando


para não fazer ou dizer algo do qual me arrependerei.

Tipo jogar os dois no chão e chamar Damian de traidor sujo.

— Ah! — Ela se levantou e sentou-se ao meu lado. — Muito


bom. No entanto, devo avisá-la que Damian entrou em contato
comigo, Leon e imagino com você. Quanto mais você o fizer esperar,
mais difícil será.

— Francamente, Elaine não me importo.

— Você deveria.

Eu engoli um rosnado. Limpando a garganta, atirei


educadamente e ainda consegui errar o alvo.

— Ele estava mais do que ocupado da última vez que o vi —


afirmei acidamente. — Tenho certeza de que ele aprecia a
privacidade.

185
O peso do olhar de Elaine me atingiu como uma pedra. — Não
seja idiota, Risa. O que você pensa que conseguirá com esta birra?
Acredita que fará Damian perseguir você e jogar sobre a mulher
que ele acredita ser sua amante? Deixe-me lhe assegurar. Não.
Vai... acontecer.

Levantei do sofá. — O que devo fazer então? Devo fingir que


vê-lo beijar aquela… mulher... não me machuca? Que não me
afeta?

— É exatamente o que estou dizendo para você fazer.

Erguendo as duas mãos para segurar meu cabelo, gritei


minha indignação. — Eu não posso! Não posso, Elaine! Não posso
continuar fingindo que não significo nada para Damian, que
Gretchen é dele e eu não. Não foi justo de sua parte me pedir que
o fizesse. Quero contar a verdade a ele e quero contar agora!

Ela me olhou sob seu olhar gelado. Completamente serena.

— O que conseguirá com a verdade? Fará com que ele se


lembre de você? Mudará o que você viu hoje? O que a verdade fará
Risa?

Elaine fez parecer uma coisa suja e egoísta.

— Para começar, acabará com toda esta farsa!

— Muito bem. Você dirá a ele que você não é sua assistente e
que na verdade era sua amante. O que então? Acredita que fará
Damian desenvolver sentimentos por você que não existem no
momento? Ou irá fazê-lo duvidar do quanto você realmente era

186
importante para ele? Ele não pensará que você não passa de mais
um pedaço de bunda que ele usou e esqueceu?

— Você ficará irritada e magoada com ele e partirá quando ele


não reagir da maneira que você quer. Então o quê? Estará fora de
vista e fora da mente. Quando ele se lembrar de você, lembrará
também que não ficou com ele. Que não foi leal a ele. Acredita
mesmo que ele voltará para você?

Vacilei. Sua lógica fria atingiu meu ponto fraco facilmente.

— Então tenho que ficar parada assistindo Gretchen tomar o


meu lugar?

— Por que você a deixou fazer, Risa? Você saiu sem lutar. Você
o evita, tanto quanto possível. Corre ao primeiro sinal de
dificuldades e problemas.

— Você não está sendo justa, Elaine. Você não vê o que está
me custando. Ele é seu filho. Claro, você ficará do lado dele. —
Minha voz tremeu. Sentia como se tivesse perdido minha única
aliada neste pesadelo que se tornou minha vida.

Doeu mais do que queria admitir.

— Damian é minha primeira lealdade. Verdade. No entanto,


sei o quanto você é importante para ele. O que a torna importante
também. Cuidei dos interesses de Damian a vida toda. Não
pretendo parar agora que ele perdeu parte de sua memória. Eu te
valorizo como ele faria.

187
Pisquei tentando conter uma onda de lágrimas. Queria me
jogar nela e abraçá-la. Não ousei.

Ela se levantou. Seus passos sussurraram pelo chão até que


chegou do meu lado. — Você deve ser forte. Se não puder ser forte,
se não puder ser leal, então não pode ficar com Damian. Eu mesma
a colocarei em um avião se for o caso.

Meus olhos vidrados e selvagens se arregalaram. — Então, se


eu não me submeter a você também, me jogará fora?

— Sim.

Implacável. Insensível.

— Você não pode me obrigar.

Sabia que estava agindo como uma criança com a minha


resposta, não pude evitar. Eu me sentia como uma criança traída
pela mulher em quem confiava para protegê-la.

— Você está certa. Eu não posso obrigá-la. Você deveria


querer. Não por mim, por Damian. Ele deve recuperar a memória
por conta própria. Forçar as lembranças pode prejudicá-lo e não
admitirei. Nem você deveria. Não importa o quanto lhe custe.

Eu me afastei dela e fui até a janela. Apoiando minha testa no


vidro, falei num sussurro. — Sei que você está certa, Elaine. Só
gostaria que não fosse tão difícil.

Elaine marchou até mim, me agarrou pelos ombros


obrigando-me a fitá-la.

188
— Você acha que sua vida com Damian será fácil? Que tudo
o que farão é se amar, viajar e passar cada minuto juntos? Não é a
vida real, Risa. É um sonho. Viver com um homem como Damian
será muito difícil.

— Acredite em mim. Eu sei.

Elaine cortou o ar com a mão. — Não. O que está vivendo hoje


é fácil, Risa, comparado ao que pode ser. Aqui você está protegida,
está junto dele. Lá fora é outra coisa. Se você não pode lidar com a
dificuldade atual, não será forte o bastante para o resto.

— O que você está dizendo, Elaine? — A escuridão arrastou-


se sobre meus tornozelos. As perguntas que eu não fiz antes,
quando Damian estava quase sem vida e ligado a máquinas,
pairavam ao meu redor. — O que realmente estava por trás do
acidente de Damian? O que não está me dizendo?

Uma cortina pareceu cair sobre Elaine. Sua expressão


suavizou, deixando-a sem rugas e serena mais uma vez.

— Os homens na posição de Damian sempre estão em perigo.

— Alguém tentou matá-lo?

O olhar astuto e calculista de Elaine me arrepiou. A avaliação


fria que ela me deu quase me fez arrepender de fazer a pergunta.

Quase.

— Sempre haverá perigo para um homem que vale bilhões.


Sempre haverá alguém, querendo tomar o que não lhe pertence.

189
Desta vez, Damian está aqui porque sofreu um acidente. Um que
não acontecerá novamente.

— Mas…

— Risa, não faça perguntas quando não está pronta para


ouvir as respostas.

Eu empalideci. Foi uma resposta contundente.

Elaine não tinha terminado. — Ele está bem o suficiente para


ir para casa amanhã. Você deve decidir se estará no avião com ele
ou não. Se sim, seja forte. Se não, seja fraca e perca o homem que
você ama. A escolha é sua.

Envolvendo minha cintura com os braços, estremeci. Gelada


até os ossos, sentia falta de Damian mais do que nunca. Como
poderia ser forte quando precisava tanto dele?

Se Damian estivesse aqui, teria me colocado em seu colo e


acariciado meu cabelo. Ele saberia exatamente o que havia de
errado comigo e o que eu precisava. Teria sussurrado no meu
ouvido: — Minha pobre menina. Ela se esforçou, não foi? Não se
preocupe. Eu cuidarei da minha garotinha. Ela só precisa de um
bom choro, não é?

Se eu não pudesse chorar sozinha, Damian teria me ajudado,


a mão dele me dando não necessariamente o que eu queria, mas o
que precisava no momento. Teria me deixado chorar, até que não
conseguisse respirar e então escorregaria a mão entre as minhas
pernas….

190
Ele cuidou de mim desse jeito. Sempre cuidou de mim.

Por que não vi antes? Por que tive que fugir dele? Por que não
percebi quando era importante?

Mais tarde eu diria a mesma coisa sobre hoje?

Enfiei a mão no bolso e liguei meu telefone. Imediatamente


começou a tocar. Nem precisei olhar para ver quem estava ligando.

Elaine abaixou a cabeça ligeiramente. — Muito bem.


Recomponha-se. Quando vir Damian, lembre-se do que sente
agora. Vai mantê-la no caminho certo.

Balancei a cabeça e atendi ao telefone.

— Pois não, senhor?

191
Capítulo 29
Risa
A voz de Damian estalou como um chicote. — Onde você está?

Teria ficado chocada com sua demonstração de irritação em


outras circunstâncias. Perversamente, gostei dessa vez. A raiva de
Damian era algo no qual poderia me agarrar. Um teste para passar,
para provar minha lealdade e compromisso de ser forte por ele.

Para resgatá-lo do vazio em sua mente.

Meu, como ele me treinou para ser dele.

— Aqui em cima, senhor.

— Você desligou o celular. Não é aceitável, Risa. Não deve


fazer novamente.

— Sim senhor.

Uma pausa e depois uma voz suave — Desça! Agora! Se não


estiver aqui em dois minutos, ficarei muito aborrecido. Você não
quer não é mesmo, Srta. Kelly?

E desligou o telefone.

192
Endireitei meus ombros e enfrentei Elaine. — Obrigada.

Ela assentiu. Com nosso entendimento de volta aos trilhos,


aparentemente, podia se dar ao luxo de ser magnânima.

— É difícil e você continua aqui. Significa algo de bom sobre


você.

De repente, quero chorar de novo. Perder sua aprovação,


mesmo que por pouco tempo me abalou. Eu não queria que me
achasse fraca e mimada.

Indigna do amor de seu filho.

Choramingar não daria a Elaine a impressão que desejava.


Aquela que precisava manter, aconteça o que acontecer.

— É melhor ir. Tenho que pentear o cabelo e consertar minha


cara. — Apontei para o meu rosto com um sorriso triste.

— Vá e não se atrase. Você já está com problemas, tente não


aumentá-los.

Um rubor aqueceu minhas bochechas. Aparentemente ouviu


mais do que o suficiente da minha conversa com Damian. Deus,
ela suspeitava de nossa dinâmica não convencional?

Era algo que não valia a pena pensar.

Numa rápida visita ao banheiro, vi que o dano era mínimo.


Apenas uma pequena escovada de cabelo, pó, batom e rímel e
estava a caminho em menos de um minuto, deixando Elaine com
um milhão de tarefas que ocupavam seu tempo do amanhecer ao

193
anoitecer. Leon apareceu do lado de fora assim que cruzei o limiar.
Minha sombra pessoal.

Em silêncio todo o percurso, chegamos à suíte de Damian com


segundos de sobra. Eu me preparei para ver Gretchen se
esgueirando. Independentemente do que não diria a Damian, tinha
muito a dizer a ela.

Ela se foi. Traidora!

Ainda assim, estava feliz por não ter que enfrentá-la ainda.
Odiaria que Damian me desse um sermão na presença da
vagabunda. Minha humilhação era só minha. Gretchen Smith não
precisava assistir.

Não com minha conivência.

Leon me acompanhou até Damian. Seu olhar estreitado


varreu através de nós dois. Suspeita escurecendo sua expressão.
— Você precisa de uma escolta para ter certeza de me obedecer?

— Não senhor. Claro que não, senhor.

Minha resposta não o suavizou nem um pouco. Damian falou


algo em russo, naturalmente, para Leon. Ele riu. Eu não consegui
controlar minha surpresa. Nunca tinha visto o homem sorrir,
muito menos rir.

Não pude deixar de encontrar seu sorriso com um dos meus.


Leon era bonito, quando austero e ameaçador. Era positivamente
de tirar o fôlego ao rir. Se eu não estivesse tão apaixonada por
Damian, Leon, definitivamente, viraria minha cabeça.

194
— Risa!

Não havia dúvidas quanto à possessividade e inveja


queimando.

Olhei para Damian, aparentemente não rápido o suficiente.


Ele estendeu a mão e me puxou para seu lado. Em vez de me deixar
ir, apertou meu pulso.

Foi a primeira vez que me tocou assim em meses. Eu poderia


ter desabado aos seus pés de tanta alegria.

Leon falou novamente, desta vez Damian não respondeu. O


loiro saiu com outra risada. Acompanhei-o com os olhos, sentindo
o calor do olhar de Damian como um aviso.

Em outra vida, eu prestaria atenção.

Tudo foi embora quando vi um flash vermelho. Gretchen.


Enrijecendo, estava pronta para matá-la apenas com meu olhar,
quando Leon a impediu de entrar. Sua voz, tipicamente baixa e
totalmente feminina se ergueu em protesto. Ele não falou mais
nada. Simplesmente a acompanhou depois de fechar a porta.

Eu poderia ter abraçado Leon por levá-la.

— Você quer ficar com ele?

— O quê?

Os lábios cheios de Damian se fecharam numa linha


implacável. — Quando não está comigo, está com ele. É o motivo
de você ficar longe?

195
Ah não. Ele não colocaria esta carga em mim.

— Eu fico longe porque você me falou para ficar. Você me


mandou trabalhar no andar de cima. Acatei suas ordens em todos
os sentidos.

Ele moveu a mão até que apertou meu cotovelo. Seu polegar
pressionou na cavidade sensível. — Não é uma resposta, Risa.

O perigo pulsou. O desejo também. E esperança.

O pequeno pedaço de pele onde o polegar dele se encaixou era


um dos pontos certos que Damian sabia que poderia me mandar
de cabeça para o espaço. Era inconsciente de sua parte, estava
claro, mas era uma prova de que meu Damian ainda estava lá.

Não tentei puxar meu braço. Fiquei lá, como uma boa menina
deixando-o fazer o que queria. Seu ciúme não poderia me
machucar. Não como sua contenção nas últimas semanas.

— O que você quer que eu diga?

— A verdade.

Oh Deus! Este era o Damian do qual me lembrava.


Intransigente. Completamente dominante.

Meu.

Não podia dar o que ele queria. Na verdade não. Teria que ser
forte diante da tentação. Precisava interpretar o personagem que
sua perda de memória exigia de mim. Ser perfeitamente dele, só
não da maneira que desejava.

196
— Faço como você me ordenou Sr. Black-Price, é o que você
me paga para fazer.

Meu lembrete desagradável trouxe de volta a distância


necessária, embora eu não a quisesse. Damian soltou meu braço.
Deu vários passos para longe, com a testa franzida. A impressão
de seus dedos permaneceu na minha pele. Eu sofria de ausência
do seu toque sólido.

— Liguei para você mais cedo por um motivo. Não gostei de


você sair do jeito que fez.

Resolutamente, tirei a lembrança de seus lábios nos de


Gretchen. Precisava afastá-la.

Se pretendesse vencer.

Só devia me lembrar de que não era o meu Damian beijando


outra mulher. Meu Damian não a beijaria. Não depois de tudo que
fez para me manter.

Este Damian, não me conhecia. Este Damian, acreditava que


estava namorando Gretchen.

Este Damian, voltaria a ser o meu Damian.

Tudo o que eu tinha que fazer era manter a fé.

Exatamente a merda de tudo, não é?

197
198
Capítulo 30
Risa
Damian retirou a gravata. Relembrei quantas vezes fez a
mesma coisa no final do dia, em meu apartamento ou no dele.
Também me lembrei, de como amarrava meus pulsos nas minhas
costas com ela.

Minha boca secou. A excitação bateu dentro de mim,


enquanto olhava para o material de seda. Tudo em Damian era um
gatilho em potencial. Afastei meu olhar para longe, embora as
imagens sensuais me inundassem de qualquer maneira.

Boca e corpo abertos, prazer sem palavras, longos gemidos e,


estremecimentos quando gozava em sua boca, dedos, língua e pau.

Mas só se fosse uma boa menina.

Eu mudei minha postura, tentando tanto obter o alívio que


não viria.

— Peço desculpas, Sr. Black-Price. Fiquei envergonhada por


ter interrompido você com a Sra. Smith. Não acontecerá
novamente.

199
— Você está certa. Não vai. Porque a próxima vez que você
sair sem minha permissão será a última. Entendeu?

O medo do banimento caiu como uma pedra.

— Entendi senhor. Eu não te darei motivos para me demitir.

Damian sorriu. Era o sorriso descuidado de um predador


sombrio. — Não, Risa. Não demitirei você. Não, a menos que você
me obrigue a fazê-lo. E ninguém me obriga a fazer algo que eu não
queira. Pense bem no que falei, da próxima vez que me ignorar
quando ligar para você, desligar o telefone ou me evitar para ficar
com seu guarda-costas.

Lá estava novamente. Ciúmes. Possessividade.

— Eu não estou evitando que você fique com Leon.

— Não? Então o que está fazendo?

Eu lambi meus lábios. Damian se concentrou na minha boca.

— Quando vejo sua língua assim, quero vê-la lambendo ao


longo de todo o meu pau — ele falou mais de uma vez para mim.

Eu fiz de novo. Apenas um teste. Uma provocação mesmo. O


queixo dele estalou.

Oh Deus. Por sua reação, sabia que não estava satisfeito


comigo.

200
Damian sempre dizia, que garotinhas atrevidas acabavam
sendo fodidas e colocadas na cama sem gozar. Eu sabia por
experiência própria.

— Eu…. Ah….

— Sim, Risa? — Ele perguntou suavemente. Era a voz de mil


memórias. Ele queria a verdade. Eu daria a ele um pouco, porque
não podia dar tudo.

— Eu não gostei de ver você daquela maneira.

— Qual maneira?

— Eu não gostei de vê-lo com a Sra. Smith. Me deixou….


Desconfortável.

— Mentirosa!

Meu queixo caiu. Não precisava olhar no espelho para saber


que a indignação brilhava em meus olhos. Deliberadamente olhei
para um ponto acima seus ombros largos.

— Senhor?

— Você não estava desconfortável. Estava com raiva, Risa.


Mais do que aborrecida. Estava com ciúmes. Diga-me o motivo.

Fechei minhas mãos. — Esta conversa é altamente


inadequada.

— Sua reação também.

201
Damian deixou sua gravata cair na mesa. Olhei para o
material cor de cobalto como se fosse uma tábua de salvação. Seus
passos lentos ecoavam despertando meu clitóris pulsante.

Aquele puxão e empurrão era tão familiar.

Mesmo sem suas memórias, Damian facilmente me levou pelo


mesmo caminho. Perdida como estava, o seguiria para sempre.

Ele parou bem na minha frente, bloqueando minha visão de


qualquer coisa exceto ele. Perto o suficiente para beijar, embora,
frustrantemente, fora de alcance.

Céu e inferno.

Presa mas livre.

Eu não estava mais interpretando. Me rendi a ele de propósito.

— Peço desculpas pela minha reação, senhor. Não farei


novamente.

— Não há nada para se desculpar. Afinal, minha própria


reação não foi o que eu esperava. De fato…

Damian deixou as palavras pairarem. Silencioso como um


rato para seu gato reconheci pelo que era mesmo se ele não o
fizesse. Outra provocação, outro teste. Outra maneira de cravar
suas garras na parte inferior de minha barriga.

E como sempre, fiquei pendurada ali, suspensa por seus


caprichos. Sempre esperando por ele.

202
Ele virou seu olhar frio para mim. As linhas de seu lindo rosto
estavam gravadas em pedra enquanto confessava baixinho: — Não
gosto de você passando tempo com Leon. Eu a quero aqui comigo.
Suspeito, que você queira a mesma coisa.

Eu quero. Deus, eu quero.

— Então por que me mandou embora? — Não queria que


parecesse como se ele tivesse partido meu coração. — Por que está
me evitando?

Ele ficou em silêncio por tanto tempo, que tive medo de que
não respondesse. Sua mão se contorceu como se quisesse me
alcançar, antes que finalmente murmurasse: — Eu tinha que
verificar.

— Verificar o quê?

— Se tudo voltaria.

Eu morria para fazer a pergunta óbvia, a intuição me impediu.


Não queria ter esperança, não depois de jurar que ficaria ao seu
lado, não importava quanto tempo demorasse, no entanto, meu
lado mais fraco implorava.

Por favor, diga o que anseio que queira dizer. Por favor, significa
que se lembra de algo sobre mim. Sobre nós. Estou tão sozinha. Sinto
tanto sua falta. Não me deixe esperando.

Damian sacudiu a cabeça. — Risa, sinto-me atraído por você.


Eu não sei o motivo, só que estou. Nem sempre posso manter você
comigo, mas não gosto de ficar longe. Por que me sinto assim?

203
As palavras tremiam nos meus lábios.

Porque você me ama e eu te amo.

Seu olhar trabalhou para descascar minhas frágeis camadas,


para descobrir os segredos que responderiam à sua pergunta. Eu
fiquei lá bravamente deixando minhas emoções dispararem para a
superfície.

Damian deu um passo em minha direção. — Nunca tive uma


assistente pessoal antes. Nunca quis uma. Mas você... por que
você? O que você fez comigo, Risa, para me fazer querer ficar com
você?

Lágrimas queimaram sob minhas pálpebras. — Eu não sei


senhor. Nós apenas… nos encaixamos... bem.

Ele pegou meu rosto. Seu polegar traçou uma lágrima que
escapuliu através das minhas defesas. — Nós fazemos? Eu posso
ver. Ainda assim não responde à minha pergunta. Por que me sinto
assim por você, Risa? Estive com Gretchen por mais tempo que já
estive com alguém. Durante todo esse tempo, nunca me senti deste
jeito por ela que foi a mulher mais importante da minha vida.

O amargor não começou a encobri-lo. Eu me atrevi a colocar


minha mão sobre a dele. — Não posso te dizer, senhor, tudo o que
posso pedir é que confie em seus sentimentos.

Em vez de melhorar tudo, minhas palavras tiveram o efeito


oposto. Damian puxou a mão e recuou.

— Eu não deveria ter feito isso.

204
— Está tudo bem. Realmente — assegurei a ele com pressa.
— Eu não me importo.

— Não. É a coisa mais distante de tudo bem. Você é uma


empregada, como seu chefe não deveria ter cruzado esta linha.
Aceite minhas desculpas, Srta. Kelly.

Ele escorregou por entre meus dedos. Já não me olhava com


afeição confusa e ternura inconsciente. Perder nossa conexão me
deixou em pânico.

— Não existe razão para você se desculpar. Eu me sinto da


mesma maneira.

— Risa — ele cortou bruscamente. — Não vá além deste ponto.


Não do jeito que você gostaria. Não importa o que sinto por você.
Estou em um relacionamento. Mesmo se não estivesse nada pode
acontecer entre nós. Nunca!

— Por quê? — De alguma forma consegui sussurrar, através


de uma garganta apertada de tristeza.

Damian me nivelou com seu olhar. Intransigente. Imóvel.

— Porque eu não durmo com meus empregados, Srta. Kelly.


Não importa quão bonita, charmosa, inteligente, fascinante e
tentadora seja.

Ele me matou. O que mais havia para dizer? Eu não podia


lutar contra um homem que era tão rígido em sua intenção de ser
nobre.

205
Claramente, sua lealdade era para com seu código. Estranho
o quanto doeu, especialmente sabendo que uma vez valeu a pena
violar sua lei por mim. O que poderia esperar? Eu era
simplesmente sua assistente pessoal.

Um sorriso vazio se estabeleceu em meus lábios. — Claro, Sr.


Black-Price. Estou dispensada?

Ele olhou por um momento, como se esperasse um


questionamento meu, parecia desapontado.

— Você pode ir Risa.

— Boa noite senhor. Estarei no andar de cima se precisar de


mim.

Eu me virei e me afastei dele, a gravata e um milhão de


lembranças em perigo de se transformarem cinzas.

— Risa?

Eu parei e me virei, com cuidado para manter meu rosto


inexpressivo, mas certa de que falhei. Seu olhar brilhou na meia-
luz. Imaginei ver arrependimento e raiva em suas profundezas.

Certamente estava enganada. Meu coração não aguentava


estar errado agora.

— Sim senhor?

Ele abriu a boca. Uma expressão estranha cruzou seus traços


perfeitos. Algo como incerteza. Antes que eu pudesse agarrar,
apertou seu queixo e me deu um forte assentimento de cabeça.

206
— Esteja pronta para sair amanhã. Voltaremos para Nova
Iorque.

— Claro senhor.

Saí do quarto, cega para as poucas pessoas ao meu redor.


Agarrei meu peito, engolindo as lágrimas e soluços que lutavam
para se libertar.

Do jeito que estava era doloroso. No entanto ficar sem ele


doeria mais.

207
Capítulo 31
Damian
A manhã não chegaria rápido o suficiente. A escuridão ainda
engolia o céu.

— Elaine preciso que providencie a volta de Gretchen aos


Estados Unidos.

— Por que Risa não está providenciando?

Não estava com vontade de ser questionado, muito menos


pela minha guardiã. Fiquei com um humor do cão ontem depois
que Risa saiu. Foi tão ruim que Gretchen demorou apenas cinco
minutos, para desaparecer.

Onde ela dormiu permaneceu um mistério. Eu não conseguia


sentir nenhum remorso.

Justo ou injusto, uma parte significativa de mim culpou


Gretchen pelo desastre da noite anterior. Ela sabia, tão bem quanto
eu, que nosso relacionamento havia encalhado muito antes do meu
“acidente”.

208
Não tinha o direito de me pedir para vir para Nova Iorque. Não
morávamos na mesma cidade por um motivo.

Eu valorizava meu espaço e minha privacidade. Ao extremo.


Não estava interessado em passar todo o meu tempo livre com
quem quer que estivesse fodendo. Aprendi desde cedo que as
mulheres tinham um hábito irritante de exigir domínio sobre
minhas noites, especialmente se morassem na mesma cidade.

O que tornava meu relacionamento com Gretchen satisfatório.


A palavra-chave sendo “tornava”.

Agora ela exigia mais. Eu queria menos.

O que realmente queria não poderia ter. Ainda não. Talvez


nunca.

Minha conversa com Risa me atormentou. Se estava com


ciúme, era algo que queria explorar.

Então estraguei tudo majestosamente.

Eu não pretendia falar o que falei no final. Não queria que as


coisas fossem tão definitivas. Então, por que fui tão categórico?
Principalmente pelo fato de não querer que os limites do
empregador e do empregado se interpusessem entre nós.

Eu queria forçá-la a admitir seus sentimentos por mim.


Queria explorar minha fixação por ela.

209
Em vez disso, prendi-nos com barreiras de respeitabilidade e
propósito. Foi um grave erro de cálculo da minha parte. Que
precisava encontrar uma maneira de corrigir.

— Porque quero que você faça.

— Posso perguntar por quê?

Sufoquei um palavrão. Elaine normalmente ficava fora dos


meus assuntos. Não gostei de sua mudança de curso. — Iremos
para locais diferentes. Não preciso que viaje comigo.

Minha guardiã cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha


impecável. — Você deseja terminar as coisas com Gretchen, não é?

Caralho! De onde vinha sua maldita curiosidade? Eu não


tinha o hábito de explicar minhas razões para ninguém.

— Sim, se você quiser saber. Terminarei tudo assim que me


instalar em Nova Iorque.

— Você não pode.

— Com certeza posso.

Eu não podia acreditar na audácia de Elaine ao me dizer não.


Superei esse parâmetro aos dez anos.

— Não seria sensato, Damian.

Uma palpitação começou atrás do meu olho esquerdo. —


Elaine, não continuarei esta conversa. Meu romance com Gretchen
acabou. Ela voltará para casa e eu também. Providencie seu voo

210
imediatamente. Eu não me importo se fretará um jato. Providencie
para mim. Agora!

Elaine balançou a cabeça. Inacreditável! Que porra estava


acontecendo?

— Bem. Não tenho tempo para discutir com você. Não fará?
Então eu faço. — Peguei meu telefone.

— Não seja tolo, Damian. Não é o momento para dramas.

— Você me insulta — rosnei minha paciência esgotando.

Ela colocou a mão no meu braço. — Se terminou com a


mulher, nunca deveria ter providenciado sua vinda. Eu te pedi para
não fazer, lembra?

Primeiro obstinação e agora sermões?

— Eu não sabia que se interessava tanto por minhas parceiras


de cama, Elaine. É algo novo ou sempre fez avaliações?

Pode ter soado como se estivesse brincando, embora, nós dois


soubéssemos que não estava.

Meus assuntos pessoais eram exclusivamente – meus.

Eu não aceitaria gentilmente que Elaine tivesse um repentino


instinto maternal. Ela não era minha mãe. Perdi a minha no
nascimento, ninguém tomaria o lugar dela.

— Não me entenda mal, Damian. Quem está na sua cama é


da sua conta. Exceto neste caso. Não sabemos se sua situação foi

211
contida. Ela pode ter sido vista. Qualquer um que tentar chegar até
você poderá procurá-la primeiro. Deixá-la desprotegida seria
assassinato. Você não pode arriscar.

Desta vez não me incomodei em reprimir um palavrão. A


última coisa que desejava era que Gretchen fosse ferida. Elaine
estava certa, nunca deveria tê-la trazido.

O fato de não querer manter nossa ligação, não significava


que eu a abandonaria aos lobos.

Um pensamento me fulminou. Se Gretchen poderia ser um


possível alvo e quanto à Risa?

O latejar na minha cabeça aumentou exponencialmente. Se


não podia me arriscar com a segurança de Gretchen, certamente
não me arriscaria com Risa.

Não importava minha fixação em precisar saber onde ela


estava a cada minuto do dia. Não importava os pensamentos
carnais que me seduziram por horas, pensamentos tão explícitos
que poderia jurar que eram reais.

Risa não se inscreveu para ter sua vida em perigo.

Embora essa fosse precisamente a razão pela qual nunca tive


uma assistente pessoal, agora que ela era minha, a protegeria com
todo meu arsenal e mais.

Eu não me permiti investigar profundamente a diferença


marcante de reação entre minha amante e minha assistente. Não
seria bom, independentemente das conclusões.

212
O intelecto precisava me governar. Não minha paixão
frustrada.

Guardando meu celular no bolso, sentei-me à mesa. Calmo,


frio e completamente no controle de minhas emoções inesperadas,
perguntei à minha guardiã qual seria seu conselho.

— O que você sugere?

— Você deve continuar como antes. Nenhuma mudança em


sua rotina. Nenhuma reviravolta em sua vida pessoal. Socialize
como fazia antes.

— Manter o status quo me leva ao mesmo problema que você


sugere que eu evite. Gretchen não mora em Nova Iorque. Mora em
Atlanta. Mantê-la na cidade levantaria suspeitas.

— Não se você estiver em sua companhia. Consiga algo


temporário para a Sra. Smith e a encontre várias vezes por semana.
Apareça nas colunas sociais. Providencie seguranças para ela. Em
um mês, talvez menos, poderá mandá-la de volta para sua vida.

Não era preciso dizer. Embora quisesse manter Gretchen


segura, não gostava do caminho que as coisas estavam seguindo.
Minha convalescença colocou o último prego no caixão do meu
relacionamento. Agradecia a preocupação dela por mim, mas não
queria prolongar a situação ainda mais. Especialmente depois de
sua revelação emocional na noite passada.

Não importava quão mais fácil fosse seguirmos juntos, não


faria tal coisa com ela.

213
— As coisas entre nós não são mais o que eram. Não posso
lhe contar a verdade completa das coisas, então ela presumirá uma
verdade que é realmente uma mentira. Não seria justo com ela.
Tem de haver outro jeito.

— O que não seria justo para ela é estar morta. As palavras


frias carregavam um sopro de censura.

Elaine não precisou dizer uma palavra. Eu sabia o que ela


pensava.

A emoção não tem lugar na tomada de decisões. Você gostar ou


não, não tem importância. Encontre o ponto mais conveniente para
conseguir o que você precisa e pressione-o.

Essa foi apenas uma das muitas lições que aprendi quando
criança, enquanto estava sendo preparado para a minha posição.
Elas sempre me serviram bem.

Eu bati meus dedos na mesa. — Providencie um apartamento


para Gretchen. Segurança total. Não lhe diremos nada além do
mínimo necessário para garantir sua cooperação.

Elaine não demonstrou satisfação por eu concordar. Não era


o jeito dela, mas sabia que a agradei. Ela não tinha mais a
oportunidade de me ajudar com assuntos pessoais. Suspeitava que
o fato aflorava seu instinto maternal.

Também suspeitava que tivesse lhe dado motivos para se


questionar se minha crueldade teria partido junto com minhas

214
memórias. Ela e Thomas trabalharam incansavelmente toda a
minha vida para evitar que algo assim acontecesse.

Nisso estava certo de agradá-la.

— Será providenciado no momento em que pousarmos.


Wolffington se encarregará da segurança. Devemos designar um
guarda-costas adicional, um dos nossos.

— Feito. Estenda a segurança ao seu local de trabalho


também.

Eu duvidava que algo acontecesse com o estabelecimento de


Gretchen ou seus funcionários, mas o clichê — melhor estar
seguro, era verdadeiro em assuntos perigosos como esses.

Esperava que Elaine fosse embora e terminasse seus


preparativos. Ela me surpreendeu quando se sentou em frente a
mim. — Agora sobre a Srta. Kelly.

Meu corpo imediatamente ficou rijo. — Quanto a Risa?

— Você já pensou no que fará com ela?

215
Capítulo 32
Damian
— Não creio que haja algo “para fazer com ela”.

Meu tom era um aviso em si. Risa estava fora dos limites. Não
tinha intenção de envolvê-la em nada que tivesse a ver com os
negócios de Konstantinov.

— Apesar de seus acordos atuais de trabalho, você se


aproximou dela.

Eu olhei para Elaine, sem dizer uma palavra.

Seu sorriso sutil não me fez sentir melhor. Esperei, me


preparando para contra-atacar, se necessário.

— Eu diria que é bom. Em circunstâncias normais. Só que


não estamos em circunstâncias normais. Como você quer lidar com
a proteção dela?

Entendia a necessidade de segurança de Gretchen. Embora


fôssemos discretos, era público que havia uma ligação entre nós.
Mas Risa, era apenas uma funcionária que começou a trabalhar
recentemente pouco antes de eu conseguir uma bala no cérebro.

216
Ela não sabia de nada, exceto em relação à Black-Price
Holdings ou à Bridgewater National. E, aparentemente, nem tanto
assim. Não me escapou que Risa fosse inteligente, obviamente, não
teve a oportunidade de ter um grande treinamento ou experiência
em sua posição.

Não havia nada que pudesse oferecer a ninguém. No entanto,


quando tal fato impediu um criminoso?

Elaine deve ter tomado o meu silêncio como uma


oportunidade para expor sua opinião. Sugiro que também
consigamos um apartamento temporário. Mesma empresa de
segurança. Leon ficará com ela. Pode protegê-la melhor do que
qualquer outra pessoa.

Que porra ela acabou de me dizer?

Não tive que olhar no espelho para ver a raiva expressada em


cada linha do meu rosto. — Absolutamente não!

— Você está sendo irracional, Damian.

— Minha palavra é final sobre o assunto, Elaine! Leon não


será designado à Risa.

Minha guardiã sentou-se e cruzou os braços. — Muito bem.


O que você sugere?

Eu não me importava com seu tom ou com o fato de que sabia


que estava me tratando como me tratava quando estava no auge
de um acesso de raiva quando criança. Mesmo que minha reação
fosse irracional e completamente diferente do meu jeito de ser.

217
Passando a mão pelo meu cabelo, cuspo meus pensamentos
tão furiosamente quanto apareceram. — Eu não quero Risa longe
de mim. Ela é minha assistente. Não há nada estranho em estar
por perto. Minha casa é um mausoléu virtual com segurança
absoluta. Não há razão para ela não ficar comigo. Se estiver lá, não
precisará de Leon.

— Não faria mais sentido Gretchen ficar com você? Posso


facilmente arranjar o apartamento para Risa.

— Risa ficará comigo.

— Muito bem, mas o que há de errado com Leon?

— Nada. Encontre outra pessoa.

— Ela está acostumada com ele, Elaine argumentou. — Ela


não precisará passar pelo processo de se acostumar com alguém
novo.

Eu bati meu punho na mesa. — Não me importo com quem


ela está acostumada! Já disse não ao Leon e ponto final! Ela ficará
comigo e também é definitivo! Não insista nesse ponto! Caso
contrário, esta conversa acabou!

Eu só me dei conta que levantei a voz quando vi uma


enfermeira que passava tropeçando e parando abruptamente antes
de continuar seu caminho.

Elaine não pareceu surpresa com minha perda de controle.


Seu olhar quase sem cor permaneceu plácido como sempre. Apesar
de atento.

218
Sempre vigilante.

— Você se sente melhor agora que a raiva está fora de seu


sistema?

Respirando fundo, empurrando meus sentimentos voláteis


bem fundo. — Risa não precisa de segurança adicional além do que
a Wolffington oferece. Ela me tem.

— Ela é uma jovem mulher, Damian. Certamente você não


pode esperar que fique colada em você, não é?

— Sim ela vai. É seu trabalho.

Seria uma vida difícil para qualquer um, mas eu faria


acontecer, não tornaria mais fácil para Leon encontrar o caminho
para a cama de Risa.

O fato de meu irmão estar interessado não me escapou. Se


minha mente estivesse mais clara, meu ponto de vista poderia ter
sido diferente, porém, no momento, tudo que eu sabia era que
queria Risa comigo.

Ele não.

Nem qualquer outro homem.

Eu a manteria segura, mesmo que significasse acorrentá-la a


mim.

— Coloque Leon com Gretchen. Ele deve se preocupar apenas


com ela, entendeu?

219
— Por que não peço uma gaiola para a Srta. Kelly?

— Você pode garantir a tempo para a nossa chegada?

Estava apenas brincando. A ideia de manter Risa trancada


com chave despertou algo sombrio. O desejo de possuí-la me
atravessou.

Eu imaginava uma gaiola feita de ouro, um lindo poleiro para


ela ficar sentada, enquanto uma corrente delicada, apesar de
inquebrável, envolvia seu tornozelo.

Profano. Delicioso.

Meu pau inchou. Eu me remexi na cadeira, sabendo que logo


revisitaria a fantasia de uma sorridente Risa acenando para me
juntar a ela em nossa jaula.

— Você brinca com fogo, Damian. Mantenha distância de


Risa. Se alguém vir vocês juntos de alguma forma que não
profissional, coloca não apenas vocês em perigo. Lembre-se!

— Não preciso do lembrete, Elaine. Suas preocupações são


infundadas. Não há, nem haverá nenhuma ligação pessoal entre
nós. Pelo menos não enquanto ela for minha assistente.

Eu deixei muito não dito. Só um tolo não seria capaz de ler


nas entrelinhas e minha guardiã estava longe de ser uma tola.

— Entendo. Presumo que você não dará a Risa seu cartão


vermelho em breve.

220
Escolhendo não responder, perguntei: — Nosso assunto está
concluído? Estou ansioso para deixar este quarto para trás.

— Tudo resolvido.

Bom. Eu não tinha certeza de quanto tempo mais poderia


continuar agindo como se o pensamento de me afastar de Risa não
estivesse atingindo um nervo atrás do meu olho.

O olhar de Elaine ficou repentinamente sério. — Você está


pálido. O que houve? Devo ligar para o médico?

— Não há necessidade. — Levantei-me e caminhei pelo quarto


com um propósito. Apesar da náusea em meu estômago.
Provavelmente, estava com sede. Perder a paciência não ajudou
também. Peguei uma garrafa de água e ofereci uma para minha
guardiã. — Acalme-se, Elaine. Estou bem. Não seria liberado se
não estivesse.

— Humm.

Terminei a garrafa com alguns goles rápidos. Eu me permiti


um pequeno sorriso. — Eu estava com um pouco de sede.

Antes que ela pudesse responder, Risa apareceu na porta.


Avancei indo a seu encontro, a presença de Elaine já esquecida.

Vestida em um terninho cor de carvão, que definia sua figura


curvilínea com perfeição e pequenos saltos pretos, me tirou o
fôlego. Todo o estresse da minha conversa com Elaine desapareceu,
como se nunca tivesse existido.

221
— Sairemos dentro de uma hora. Você já fez suas malas e está
pronta para ir?

O olhar escuro de Risa passou para a mulher sentada atrás


de nós. Ela apertou os lábios e assentiu. — Sim senhor.

— Bom. — Então acrescentei quase como uma reflexão tardia


— a propósito, você possui algum animal de estimação?

— Não.

— Você tem algum companheiro de quarto?

Claramente confusa Risa levantou a cabeça. — Não senhor.


Sou só eu.

— Excelente!

Deixei que o silêncio falasse por mim. Eu deveria ter, pelo


menos, me sentido incomodado e irritado com minha decisão. Ao
contrário, me senti empolgado com o desconhecido. Foi a mesma
sensação que senti quando adolescente, antes de pular de um
avião pela primeira vez.

— Posso perguntar por que, senhor?

Foi difícil manter meu rosto inexpressivo, mas consegui.

— Só preciso que você limpe sua agenda para o próximo mês


ou mais, precisarei de você em tempo integral.

— Receio não estar entendendo...

222
— Simples. O próximo mês será matador, Risa, precisarei de
você por perto o tempo todo. Portanto, se mudará para a minha
cobertura.

223
Capítulo 33
Damian
— Tenha tudo que você precisa entregue imediatamente. Eu
não posso reservar um tempo para levá-la às compras hoje, minha
agenda deve permitir algumas horas amanhã.

De pé na minha imensa sala de estar com vista para o Central


Park, Risa assentiu, mas permaneceu em silêncio. Ela esteve
assim, desde que joguei minha surpresa logística sobre ela. Não
sabia se estava chateada ou surpresa.

Não pude lê-la, foi a primeira vez para mim.

Depois que expus seu próximo mês esta manhã, Risa não
disse uma palavra de protesto ou alegria. Simplesmente baixou o
olhar. Eu quase levantei seu queixo para poder dar uma boa olhada
em seus olhos. Saber que Elaine estava vigiando manteve minha
mão imóvel.

Agora, gostaria de ter feito de qualquer maneira.

Embora se esforçasse muito para esconder suas emoções de


mim, Risa era naturalmente expressiva. Deu muito de si todos os

224
dias. Se eu pudesse olhá-la nos olhos, então saberia se meus
planos para ela eram uma surpresa agradável ou um pesadelo
desprezado.

Em vez disso, Risa saiu da sala.

Não a vi de novo até sairmos da clínica. Mesmo assim, nos


separamos. Eu num carro, ela em outro.

Tudo o que tive foi a companhia de Gretchen.

As coisas estavam difíceis entre nós agora que ela havia falado
demais e eu respondi muito pouco. Ignorei-a enterrando-me no
trabalho. Ela ficou olhando pela janela.

Uma parte de mim se perguntou se seria assim, se nunca


tivesse me machucado. Será que a bala no meu cérebro e o sigilo
resultante de como ela chegou lá apressaram nosso fim? Ou foi
meu fascínio impróprio por Risa?

Eu não sabia, também não alterava o resultado final. Agora


ambos estávamos presos.

Quando lhe expliquei o que podia, sobre a necessidade de ela


ficar em Nova Iorque, não lutou tanto quanto eu esperava,
considerando que estava claro para mim que tirou a noite para
repensar sobre seu desejo de ficar comigo.

— É apenas temporário. Preciso me apoiar em você para


manter as aparências. Se saísse a notícia de que estava no
hospital, Bridgewater seria afetado negativamente.

225
— Está tudo bem nesse sentido, Damian?

— Tudo bem.

— E as pessoas ou pessoa que o feriu?

— Parece que fui a vítima acidental de uma facção extremista.


Está sendo cuidado.

— Bom.

Precisava afastá-la deste tipo de conversa. — Você ficará no


seu próprio apartamento, Gretchen. Naturalmente, as despesas
são por minha conta. Pense nisso como uma viagem prolongada
com todas as despesas pagas.

— Eu não quero o seu dinheiro.

— Eu sei.

— Damian, me desculpe por tentar forçar as coisas entre nós


ontem. Nosso relacionamento acabou há muito tempo, não é?

O que dizer, senão a verdade, quando tive a rara liberdade de


exercê-la?

— Sim. Sinto muito pela dor que te causei. Não entrei no


nosso relacionamento levianamente. Eu te respeito, Gretchen e
sempre pensarei em você com carinho.

Ela soltou um pequeno suspiro de dor. — Sempre um


cavalheiro até o fim. — Gretchen cruzou as mãos. Pode ter sido
externamente um gesto de submissão, mas eu sabia o que era.

226
Força dessa aceitação.

— Você pode contar comigo no que for necessário. Nós éramos


amigos antes de sermos amantes. Espero que possamos continuar.

— Sempre.

Estava sendo sincero. Gretchen era uma das poucas mulheres


do mundo que eu respeitava. Uma vez, pensei que ela poderia ser
minha esposa. Agora podia ver claramente que não teria causado
nada, além de dor.

Gretchen se ergueu na ponta dos pés e me beijou na


bochecha. — Por favor, entenda que preciso de algum tempo para
processar esta mudança. Pode fazer isso por mim?

— Claro.

Pode ter sido amargo terminar o nosso relacionamento


enquanto representaríamos uma farsa, porém não pude negar o
alívio que sentia ao saber que estava acabado. Assim que eu
arrumasse esta bagunça, Gretchen estaria livre para viver sua vida
como quisesse.

Também não precisava me preocupar que ela pudesse ler


mais sobre minhas precauções. Deixe-a pensar que estava disposto
a burlar as regras da SEC sobre a saúde e o bem-estar do CEO de
uma empresa de capital aberto.

Ainda assim, a viagem de avião foi um exercício de


desconforto. Gretchen manteve distância e eu encorajei. Leon mal

227
trocou uma frase completa comigo, era óbvio para mim que ele não
estava satisfeito com sua tarefa. E Risa...

Risa permaneceu sentada nos fundos como um brinquedo


abandonado.

A pequena beldade de cabelos escuros, era a causa suprema


do meu descontentamento. Eu não gostei.

Ainda assim, eu a queria na frente comigo. Queria sentir o


calor de seu braço no meu. Até toleraria, se decidisse ficar em
silêncio.

Tolerar, não significa gostar.

Este era um ponto de partida para mim, considerando que o


silêncio sempre foi o meu estado de ser preferido. Eu não precisava
falar muito, nem precisava ouvir a cacofonia sem sentido das
pessoas gastando suas vozes e respirações, sem acrescentar nada
de relevante. Além disso, estava muito mais interessado no não
dito, porque era mais honesto.

No entanto, sentia falta de ouvir a conversa de Risa. Sentia


falta de ouvir todos os pensamentos aparentemente aleatórios que
escolhia para compartilhar comigo. Não os tinha ouvido, desde que
lhe fiz a pergunta que mudou tudo.

— Quem é você?

Sua voz estava quase silenciosa desde então. A jovem que


murmurava: — Sim, senhor. Não, senhor, possuí pouca
semelhança com a tagarelice de antes. Aquela mulher riu, sorriu e

228
vibrou ao meu redor, focada em passar todo o tempo comigo e
cuidar de mim.

Era novidade ser o foco daquela alegria irrestrita. Era honesto


o suficiente, para admitir que ela me estragou terrivelmente
naquele tempo, antes de eu arruinar tudo com uma simples
pergunta.

Essa mulher não era assim. Embora, minhas lembranças de


Risa fossem um falso começo, sentia falta daquela Risa mesmo
assim.

Só não podia deixá-la perceber. Não podia deixar ninguém ver.

Eu tinha que ser Damian Black-Price, CEO e extraordinário


bilionário. Pilar da sociedade, completamente transparente, sem
nenhum esqueleto no armário.

Eu precisava ser o homem que era antes. Uma mentira, para


salvar minha verdade. Uma criatura composta de peças
fraturadas, sempre no limbo que nunca se permitiu ser totalmente.

A ilusão de ser o homem que apresentei ao mundo significava


muito mais do que a verdade raramente descoberta sobre mim.
Sempre foi assim.

Não mudaria agora.

O que significava, que não trataria Risa de forma diferente dos


milhares de funcionários pelos quais era responsável. Tive que ser
indiferente. Impiedoso com meus sentimentos por uma mulher
fascinante, que conhecia há muito pouco tempo.

229
Sabia que podia e faria publicamente.

Mas era aqui em minha casa, longe dos olhares indiscretos,


que estava o desafio.

230
Capítulo 34
Risa
— Está com fome?

Ela vacilou antes de se virar para me responder. — Não.


Obrigada por perguntar.

Não funcionaria.

— Risa, foi um longo voo. Você recusou o almoço. Já faz mais


de doze horas desde que se alimentou pela última vez, correto?

A resposta saiu devagar, até mesmo contrariada. — Sobre …

Apontei para o sofá sem dizer uma palavra. Eu não falaria de


novo até que ela se sentasse.

— A escolha do que você come é puramente sua, só não se


engane você comerá.

— Você não precisa se preocupar Sr. Black-Price. Pegarei algo


para comer, depois de me instalar.

— Não. Você comerá primeiro. Eu dificilmente posso em sã


consciência permitir que morra de fome sob minha supervisão.

231
— Mas…

Levantei minha mão. — Não discuta comigo. Tive um longo


dia e não estou com a menor vontade de convencê-la de algo, que
ambos sabemos que você precisa.

Risa mordeu o lábio, os olhos ficaram suaves com desejo antes


de desviar o olhar, me atingindo no estômago.

Se ao menos ela pertencesse a mim.

Eu poderia sentá-la no meu colo e seduzi-la até a submissão.


Então a alimentaria com porções de comida da minha mão,
tratando-a como um amado animal de estimação chamando-a de
minha garotinha.

E ela seria minha garotinha. Cuidaria muito bem dela, porque


é óbvio que não o fará por si mesma. Ela precisa de mim para cuidar
dela, para deixá-la ser apenas minha doce menina cujo único
propósito é me agradar, deixando-me cuidar dela.

Imediatamente, meu pau ficou duro. Tentação de me


aproximar mais, acariciar seu pequeno queixo e dar um beijo em
seu pescoço antes de beliscar a pele macia ali, bateu
sedutoramente.

Claramente, viver com Risa seria uma prova da minha força


de vontade. Estávamos sozinhos há apenas alguns minutos e já
queria torná-la minha. Era perigoso de uma maneira para a qual
me ceguei intencionalmente.

232
Colocando um dedo em seu pequeno queixo pontudo, guiei
sua atenção de volta para mim. — O que foi?

Ela fechou os olhos e respondeu com a voz lacrimejante. —


Sinto muito. Foi um longo dia. Não sei o que deu em mim.

— Risa, sua resposta é inaceitável. Olhe para mim.

Obviamente relutante, ela me obedeceu. Não podia esconder


a tristeza em seus olhos. Algo dentro do meu coração se apertou
em resposta.

— O que há de errado?

Em silêncio, continuou a me encarar. A escuridão do seu


olhar me puxou para baixo, para as profundezas de um lago sem
fundo. Eles eram perigosos, também quase impossíveis de resistir.
Eu soube que ela guardava segredos terríveis.

Assim como eu.

Em vez de aproveitar minha vantagem, tive pena. Risa poderia


manter seus segredos por enquanto. Desta forma eu cuidaria dela.

— Diga-me o que você quer comer.

Risa abriu a boca, fechou-a e depois recomeçou. — Frango


frito. KFC.

Minha sobrancelha se ergueu com seu pedido. Ela poderia ter


qualquer coisa que a cidade tivesse a oferecer e foi o que escolheu?
Frango frito e gorduroso? Por que ela iria querer?

233
— Tudo certo. Farei o pedido e mandarei entregar. Purê de
batatas com molho é suficiente?

Ela me deu um pequeno sorriso. Eu a faria me dar outro antes


que a noite terminasse.

— Sim, por favor.

— Tão meiga. — As palavras saíram antes que pudesse pensar


nelas. Prazer coloriu suas bochechas. Risa se abaixou. Minha mão
escorregou para sua nuca. — Trabalharei duro com você, Risa, eu
cuido do que é meu. Não se deixe ficar com fome novamente,
entendeu? Não me agrada nem um pouco.

— Sim senhor.

Eu poderia deixar para lá. Eu deveria.

— Diga-me que você entendeu.

— Eu entendi.

Foi como o primeiro golpe baixo. Ainda não tinha passado,


mas eu queria mais.

— Diga-me o que fará de agora em diante.

— Eu comerei quando for preciso. Não me deixarei ficar com


fome novamente.

— Por que não?

234
Sua voz suave se derramou sobre mim, deliciando o lado mais
sombrio dos meus desejos. — Porque você ficará descontente
comigo. — Ela lambeu os lábios novamente, corando em rosa como
se eu já tivesse espancado sua bunda. — E quero que você fique
satisfeito comigo, senhor. Farei tudo o que puder para te deixar
orgulhoso de mim e nunca se arrepender por me manter ao seu
lado.

Fechei meus olhos. Desta vez ela soou mais como a Risa que
eu ouvi pela primeira vez, muito antes de ter forças para romper a
escuridão naquele espaço frio e vazio onde o tempo perdia o
significado.

Honesta. Sincera. Confiante. Devotada.

Não seria pouca coisa abaixar-me e beijá-la. Seria tão fácil.


Seus lábios carnudos, com batom rosa, se separariam para mim
sem hesitação. Já podia imaginar vividamente a sensação de seus
dedos me puxando para mais perto. Colocaria uma das mãos em
seus cabelos e puxaria sua cabeça para trás, apenas para sentir
seu corpo se derreter contra o meu mostrando a ela quem estava
no comando.

Meu batimento cardíaco acelerou. A luxúria nublou minha


razão.

Eu poderia quebrar minhas regras. Poderia esconder meu


relacionamento com Risa. Ninguém precisaria saber. Seria nosso
segredo. Eu poderia criar um casulo sensual para nós, por trás
destas paredes. Ela nunca estaria em perigo...

235
Recuei mentalmente.

Eu poderia ser cruel com a mesma facilidade com que poderia


ser gentil. Mais ainda.

Antes de ceder à minha atração por Risa, precisava me


lembrar do que aconteceu com minha mãe. Grigor Konstantinov
cometeu o erro fatal de ocultar sua identidade fingindo ser um
homem simples e seguro, para seduzir a inocente garota americana
que confiava nele. Ela sofreu a derradeira traição.

Deixada sozinha sangrando em um beco escuro e sujo, como


se fosse lixo.

Naqueles momentos finais, será que ao menos entendeu por


que estava morrendo? Ela chorou por perder o bebê que era eu?
Ela sentiu como se tivesse falhado em seu papel de mãe, por não
proteger seu filho não nascido?

Já me fiz tal pergunta milhares de vezes.

Eu não perguntaria sobre Risa.

Tudo que precisava para me controlar era a promessa de que


não seria como meu pai. Por mais que o respeitasse e estimasse,
minha mãe pagou o preço por seu egoísmo. Eu continuei pagando,
exilado como fui e forçado a negar meu sangue e herança.

E ainda…

De pé aqui com Risa, sentindo a suavidade de sua pele,


sentindo quão certo parecia... não queria deixá-la ir.

236
Não queria ir embora e deixá-la aqui em território
desconhecido. Queria cuidar dela. Queria carregá-la e colocá-la na
cama. Queria escovar o seu cabelo e esperar até que adormecesse.
Queria esperar ao lado dela, como ela me esperou fielmente por
meses.

Nisso eu poderia ser um pouco egoísta.

— Está pronta para um cochilo?

Ela sorriu de novo, as sombras desaparecendo de seus olhos.


— Sim, por favor.

Eu coloquei minha mão em suas costas. — Mostrarei seu


quarto então. Mais tarde, quando te levar para fazer compras,
escolherá lençóis e outras coisas que combinem com você,
entendeu?

— Como quiser senhor. Risa levantou a cabeça para mim.


Mais uma vez pareceu tão perfeito e certo tê-la sob minhas mãos.

Era por isso, que amanhã eu colocaria a máscara. Amanhã,


eu a trataria como se não significasse nada para mim. Amanhã,
fingiria que Gretchen era a mulher que eu mantinha acima de
todas as outras. Eu continuaria agindo dessa maneira por todos os
amanhãs que viriam até que qualquer possível ameaça fosse
neutralizada e destruída.

No entanto, esta noite eu poderia deixar minha verdade


respirar.

237
238
Capítulo 35
Risa
Hoje eu fui morar com Damian.

Não foi nada como imaginei meses atrás, quando permiti que
minha mente vagasse por um território traiçoeiro. Ele não me
arrebatou e me proclamou o amor de sua vida. Nós não compramos
móveis juntos para decorar nosso apartamento de um quarto. Não
fizemos amor em cada cômodo para colocar a nossa marca no
lugar.

Em vez disso, entrei em sua cobertura e fiquei absolutamente


arrasada ao saber que qualquer marca que eu deixasse seria
efêmera. O que mais poderia ser, quando confrontada com a prova
suprema das diferenças entre nós?

Tanta coisa havia acontecido entre o fim de semana, que ele


me acorrentou a uma cama e confessou que não era um diretor de
TI, mas sim um bilionário, então saiu noite adentro para retornar
para mim, meses depois, como um homem diferente.

239
Vi sinais de sua imensa riqueza ao meu redor durante a
minha vigília fiel, mas realmente não me atingiu até que fiquei no
alto de um arranha-céu, olhando para o Central Park abaixo.

Damian pertencia a um mundo que nunca me permiti


imaginar e do qual, por não ter nascido rica, nunca poderia
realmente fazer parte. Eu não podia comprar minha entrada, era
muito pobre e comum para ter a confiança e a sofisticação que tal
quantidade de dinheiro e poder gerava.

Talvez minha reação natural devesse ser alegria e excitação


por meu namorado ser um multimilionário que poderia satisfazer
todos os meus desejos materiais. Hipoteticamente, nunca mais
teria que me preocupar com contas ou empréstimos estudantis.
Poderia me entregar a uma verdadeira coleção de sapatos e estar
no topo da lista de nomes como Jimmy, Manolo, Alexander e
Valentino.

Claramente provei que estava longe do normal.

Parada lá, sozinha com Damian em sua cobertura, tudo que


conseguia pensar era — sem o acidente poderia realmente ter
ficado ao lado de Damian?

Eu não sabia a primeira coisa sobre ser uma boneca de luxo.


A ideia de socializar sem propósito, parecia monótona e sem
sentido. Eu não teria sonhado em desistir do meu trabalho, mas
como poderia vender widgets enquanto namorava um bilionário?

240
Uma coisa era quando trabalhávamos na mesma empresa e
ele estava incógnito como diretor de TI. Outra totalmente diferente,
era ele ser o CEO de um conglomerado.

Um de nós seria engolido pela carreira do outro. Com certeza


não seria Damian.

Completamente ciente da sua presença atrás de mim, senti


arrepios subindo e descendo pela minha espinha. Medo e anseio
ao mesmo tempo. Eu o queria, mas estava com medo do que
significaria para nós.

Apesar de não ter saído da sala, sabia que aquele lugar era
enorme. Embora não grande o suficiente para me esconder dos
meus desejos e da voz dentro da minha cabeça tentando me
mandar para o inferno.

Medo, exaustão e tristeza se apoderaram mim, ameaçando


frustrar minha força de vontade. Eu queria me mostrar para
Damian. Queria me entregar a um bom choro intenso, do tipo que
só consegui quando meu amante me disciplinou.

Acima de tudo, queria compartilhar minhas dúvidas com ele.


Estranho, não era? Quando tive acesso total a ele, passei todo o
meu tempo agindo como se realmente não estivesse apegada. Fingi
que não precisava dele mais do que acreditava que ele não
precisava de mim. Mostrava meu mega sorriso encolhendo os
ombros com mais frequência do que não, com tristeza e segurança
no falso conhecimento de que nosso caso terminaria e que eu
poderia sair ilesa.

241
Estou sendo punida por minha arrogância? Por ser uma
mentirosa?

Era difícil não acreditar quando vi como a minha vida acabou.

Damian não se lembra de mim. Está com Gretchen. Por estar


fingindo ser sua assistente, não tenho escolha senão vê-los juntos.
E, no final de tudo, ele pode nunca se lembrar de quem eu sou.

Teimosamente, mantive meu olhar focado na paisagem


exclusiva apenas para aqueles que possuem muito dinheiro. Talvez
fosse uma combinação do longo voo e o fato de ser forçada a
engarrafar minhas emoções, mas disse a mim mesma que tinha
razão de fazê-lo antes.

Era loucura me apegar demais a tudo isso.

Mesmo que os ferimentos de Damian, tenham feito com que o


curso do nosso relacionamento descesse ladeira abaixo, não havia
garantia de que as coisas não teriam explodido de qualquer
maneira. O que um homem que possuía o mundo na palma da mão
viu em uma garota como eu?

Não pense assim. Não desista antes mesmo de começar a lutar.


Damian não desistiu de você. Não pode desistir dele.

Suprimindo um soluço, senti o estremecimento quando


passou por mim. Precisava tanto de seus braços ao meu redor.
Precisava de sua confiança silenciosa, por mais exangue, que
pudesse ser para me assegurar de que tudo ficaria bem. Que ele
estaria do meu lado, não importa o que acontecesse.

242
Eu precisava que ele me chamasse de sua garotinha e fizesse
tudo ficar bem.

Era uma maldição para uma mulher do século vinte um, que
choramingava e precisava do seu homem para cuidar das coisas
mais feias da vida, para que pudesse se sentir segura, realmente
não me importava com o que alguém pensasse de mim neste
momento. Eu precisava que Damian me prometesse que tudo daria
certo.

Ele sempre cumpriu suas promessas. Não importa o que


aconteça.

A tentação me deixava louca, sabendo que dormiríamos sob o


mesmo teto, mas eu não poderia tocá-lo. Era pior do que a noite do
castigo, quando Damian me deixou sozinha e se recusou a falar
comigo enquanto servia minhas refeições.

Por mais insano que possa ter sido daria tudo para voltar
àquele final de semana. Teria alegremente arrebentado a corrente
ao redor do meu tornozelo se significasse que poderia desistir desta
farsa.

Queria reivindicá-lo para mim. Não queria ser a assistente


pessoal zelosa. Não queria fingir que vê-lo com Gretchen não era o
inferno.

Falando em Gretchen e no inferno...

Todas as minhas intenções de compreensão saltaram de um


penhasco quando a vi saindo do banheiro pouco antes de

243
deixarmos a clínica. De alguma forma ela me evitou na noite
anterior, deixando-me fervendo de raiva a noite toda.

Caminhando pelo corredor, eu estava no limite e determinada


a dar a ela mais do que um discurso educado...

244
Capítulo 36
Risa
— Gostou de beijar meu namorado, Gretchen? Você se lembra
de que ele é meu namorado, certo? Que ele terminou o
relacionamento com você meses atrás, não é? — Eu cuspi em um
silvo.

Gretchen empalideceu, dando a sua tez de porcelana uma


ligeira aparência de giz. A culpa disparou em seu olhar, enquanto
mantinha a postura fria e serena.

— Foi um erro de minha parte.

— Você tem toda razão foi um erro. Você quer tirar Damian
de mim, então diga a porra da verdade, Gretchen. Não fique aí
parada e minta como fez, me garantindo que não tentaria me
apunhalar pelas costas e reconquistá-lo. O que mais você fez para
enfraquecer minha posição?

— Nada. Foi um erro único. Deixei meu assunto inacabado


levar a melhor. Não acontecerá novamente.

245
Seu tom plácido só me irritou. — Assunto inacabado. É como
você chama? Dizer a Damian que o seguiria para qualquer lugar é
assunto inacabado. Sério? Bem, com certeza, não é o que parece.
Parece mais alguém planejando assumir uma vida que não lhe
pertence.

Tinha que dar crédito a Gretchen. De alguma forma, ela


conseguiu parecer envergonhada e equilibrada ao mesmo tempo.

— Você tem todo o direito de ficar com raiva. Eu não ficaria


tão calma na sua posição.

— Eu não estou calma.

— Não? Você não me pegou pelo meu cabelo. Conta muito no


meu livro.

Se ela soubesse que foi exatamente o que pensei quando os


vi. Ela estaria careca agora se eu tivesse cedido.

— Você tem um histórico de muitos negócios inacabados?

— Não. Mas arranquei muitos cabelos quando era


adolescente. Agradeço por você me deixar manter o meu.

Um sorriso se insinuou no canto dos meus lábios. Eu não o


queria lá. Não baixaria minha guarda para esta criatura elegante
novamente. Não depois do que vi.

— Estou te avisando, você não terá tanta sorte da próxima


vez. Eu posso não ser capaz de fazer nada no momento, mas farei
depois. Eu prometo.

246
— Eu não esperaria nada menos.

Gretchen sendo tão razoável não me fez sentir melhor.


Especialmente porque gentileza não estava em meu cardápio.

— Damian recuperará a memória. Ele lembrará do que nós


duas significamos para ele e do que não queremos. Compreendeu?

— Entendido.

Damian apareceu de repente no final do corredor. Seu olhar


estreitado nos estudou atentamente. Dando a ele meu perfil, eu
colei em um sorriso profissional e disse em um sussurro conciso:
— Você está conseguindo o que quer. Está indo para Nova Iorque.
Não posso impedir, mas, se você pensa que vou simplesmente
desistir e deixar você ficar entre nós, está errada.

— Não pretendo repetir meu erro. Entendo o motivo de estar


aqui e porque preciso ir a Nova Iorque. Apenas para manter as
aparências, Risa.

— É melhor se lembrar! — rebati.

Eu me sentia uma vadia por agir assim, mas saber que


Gretchen nos acompanharia até Nova Iorque me roubou o apetite
e o sono. Não admira que estivesse com nenhuma paciência.

Elaine me informou que levar Gretchen baseava-se no


conselho do médico. Tudo na vida de Damian precisava ser
mantido estável. Sem interrupções em sua rotina e estilo de vida
anterior.

247
Que obviamente incluía Gretchen.

— Tenha fé nele — Elaine insistiu. — Tudo dará certo. Você


verá.

O pensamento de Damian continuar exatamente de onde


parou com Gretchen era um inferno. A pior parte, foi que eu não
conseguia dizer uma palavra. No que dizia respeito a ele, eu era
simplesmente sua assistente pessoal.

Ele não cruzaria a linha comigo. Mas estava fadado a cruzar


uma linha contra mim. E esta ruiva iria encorajá-lo. Não importava
quão enfaticamente tenha prometido que não.

Por mais que odiasse reconhecer, estava com medo dela. Com
medo que Damian se lembrasse do motivo de estar com ela.

— Vou para Nova Iorque porque quero ajudar Damian. É tudo.


Além do mais, ele só tem olhos para você. Pode não se lembrar,
porém, mesmo quando está comigo posso afirmar que tudo o que
ele pensa é em você. Não precisa se preocupar com nada
acontecendo entre nós. Ele me recusou, porque não me usaria
como sua substituta.

Suas palavras ajudaram a suavizar minhas penas arrepiadas.


Jamais a deixaria perceber. Eu era razoável, não uma santa.

Dando-lhe um aceno de cabeça, dei um passo para trás e


esperei que Damian nos alcançasse. Voltei para o meu papel, não
importando quão difícil era, me tornando a assistente pessoal

248
perfeita. A esperança vibrou quando Damian me fitou com seus
lindos olhos.

O sol e a lua.

Céu e inferno.

Damian e Risa.

249
Capítulo 37
Risa
Agora aqui estava eu. Sozinha com Damian, e me sentindo
mais solitária do que nunca.

Enterrada sob as emoções que corriam através de mim em


uma velocidade frenética, quase perdi o controle. Estava sozinha
com o homem que amava embora incapaz de tocá-lo ou me virar
para ele. Ele estava tão perto, que eu podia cheirar sua colônia
juntamente com seu perfume natural peculiar.

As rachaduras em minha fachada estavam ficando cada vez


maiores.

Como conseguiria ser forte o suficiente para enfrentar o que


estava acontecendo? Fingir que não significávamos nada um para
o outro, sabendo que Damian enxergou através de mim e sabia do
meu desejo por ele, que ainda resistia dizendo não à possibilidade
de nos envolvermos?

Eu estava presa de novo, sem nenhuma garantia de que meu


captor algum dia removeria minhas algemas, porque ele nem
conseguia enxergá-las.

250
Tremendo, eu estava prestes a desmoronar no chão, chorando
como uma maluca. Então um pequeno milagre aconteceu.

Damian me pegou pela mão. Ele tirou o fardo do autocuidado


dos meus ombros. Quase tudo que eu valorizava estava sendo
recriado. Damian notou minha fome e exaustão. Ele me fez
prometer que não me deixaria chegar a esse ponto novamente.

Quer ele se lembrasse ou não, Damian me deu o tipo secreto


de cuidado que eu precisava. Nada saudável, porém, o mais
próximo que já me senti amada na minha vida adulta.

— Está pronta para um cochilo?

— Sim, por favor.

Algo maravilhoso e perverso pairou no ar entre nós. Damian


abaixou a cabeça ligeiramente, estudando-me daquele jeito
brilhantemente meticuloso. Seu olhar penetrou em mim, revirando
meu cansaço e tocando meu âmago.

As sombras dentro se abriram, acenando para Damian se


aproximar e ver o que eu não poderia dizer com palavras.

— Mostrarei seu quarto então. Mais tarde, quando te levar


para fazer compras, escolherá lençóis e outras peças que
combinem com você, entendeu??

Os comandos de Damian não deixavam espaço para


discordância. Eu aceitaria sua generosidade e adoraria. Nisso eu
podia ser gananciosa.

251
Escolheria cada peça com um olho em Damian. Todas as
noites eu dormiria na cama, todas as vezes que eu gozasse com seu
nome na minha língua, o faria sabendo que estava nos lençóis que
ele queria para mim.

— Sim senhor.

— Boa menina.

Porra. Seria tão fácil fechar os olhos e fingir que nada mudou.
Que esta era apenas mais uma de nossas pequenas encenações
que terminaria comigo gritando seu nome enquanto gozava em seu
pau.

Eu costumava balançar a cabeça para aquelas mulheres que


gastavam sua energia lamentando durante anos por uma época
que havia passado. Insensível, eu acreditava que um homem era
tão substituível quanto outro. Todos os homens eram iguais no
escuro.

Eu as entendia tão bem agora.

Parecia a primavera quando Damian colocou a mão nas


minhas costas, me levando mais para dentro de sua casa. Meu
coração disparou desajeitadamente quando entramos na minha
suíte. Linda, serena e minha nova gaiola por sabe-se lá quanto
tempo. Eu mesma fecharia a porta se o fato ajudasse a trazer meu
amor de volta para mim.

252
Não importava o que tivesse que fazer para ter certeza de que
ficaria aqui. Não poderia perder esta oportunidade de ajudar
Damian a se lembrar de mim.

— Sente-se, Risa!

Obediente e sem fôlego, caminhei em direção à elegante


cadeira e me sentei na beirada. Engoli um grito de alegria quando
se ajoelhou diante de mim e envolveu meu tornozelo com seus
dedos. Mesmo de joelhos, este homem lindo ainda conseguiu me
fazer pequena, segura e protegida.

— Você deve estar com dor.

Meu entusiasmo murchou quando entendi a pergunta.


Damian tirou meus sapatos, exatamente como todas as vezes que
fez antes. Suas mãos esfregaram cada pé, o polegar no arco. Eu
poderia gemer de prazer. Em vez disso, assisti muda enquanto
suas mãos trabalhavam sua magia familiar em mim.

Não queria quebrar o feitiço. Tive medo que minha voz tivesse
o poder de mudar tudo. Uma palavra errada e ele iria embora.

Antes eu cantaria como um passarinho. Eu teria contado a


ele tudo sobre o meu dia, desde as irritações mesquinhas do café
frio ao triunfo viciante que vinha com o fechamento de um
contrato. Damian teria escutado em silêncio, como sempre fazia, o
pequeno sorriso em seus lábios dizendo-me o quanto eu o divertia.

Não entendia então. Apenas assumi que Damian pensava em


mim como um tipo de mulher frívola, que ele precisava ouvir para

253
foder. Este Damian, não se importaria porque ele não queria me
foder.

— Aonde você foi Risa?

Levantei minha cabeça. Meu Deus, a pergunta que já ouvi


milhares de vezes. Meu Damian era possessivo com minha atenção
e mente, tanto quanto era com meu corpo.

Ele sempre jurou que me encontraria, não importava quão


fundo eu mergulhasse em meus pensamentos.

Como sempre, seu olhar intenso me atraiu. Hipnotizada, eu


me encontrei respondendo: — Estava apenas pensando em como
você era antes do seu acidente.

Suas mãos apertaram meus calcanhares. A boca de Damian


se contorceu em um sorriso irônico. — Eu fiz muitas massagens
nos seus pés?

Perigo.

Balançando a cabeça, abri meu sorriso mais brilhante. Nunca


me serviu bem com o Damian de antes, talvez este fosse cego para
a falsidade por trás dele.

— Não. Nada parecido. Você sempre foi muito profissional. —


Eu mexi meus tornozelos. Damian não soltou.

Até que ele fez.

Ele se levantou em um movimento suave se elevando sobre


mim. Sentada à sua sombra, eu poderia dizer que ele questionou a

254
sabedoria de suas atitudes. Ele prometeu que nada aconteceria
entre nós por causa de quem pensava que eu era.

Também fez promessas para mim antes que a bala arrancasse


meu nome de seus lábios e coração. Damian sempre manteve suas
promessas, quais ele manteria se estivessem em oposição?

Não. Não se arrependa. Deixe-me ter esta lembrança, pura e


limpa.

— Muito obrigada. Duas palavras para louvá-lo e salvar nós


dois.

Damian se movimentou. Pegou meus sapatos e os colocou no


final da cama. Então, rapidamente levantou as cobertas.

— Vá para cama!

255
Capítulo 38
Risa
Sua rispidez não seria confundida com conversa de quarto por
qualquer mulher normal. A mim serviu muito bem. Eu me
empertiguei imediatamente. Bochechas coradas e excitação
pulsando em minhas veias, respondendo a ele contra minha
vontade.

Tantas lembranças, tantas variações. — Vá para a cama! Vá


para a cama e fique de joelhos! Vá para a cama e deite-se de barriga
para baixo!

Quando eu o ouviria rosnar essas palavras em meu ouvido


novamente?

Não seria errado tocá-lo quando eu passasse, seria? Meus


dedos doíam para tocar a manga escura de sua jaqueta. Eu sabia
o quanto os músculos sob minha mão ficariam enrijecidos.

Eu os agarrei antes, como se a minha vida dependesse do


movimento quando ele me bateu implacavelmente. Enterrei
minhas unhas em sua pele quando cheguei ao clímax

256
estremecedor. Eu conhecia aqueles antebraços intimamente e
ansiava por senti-los novamente.

Não toquei em Damian.

Subi lentamente na cama. Ouvidos em sintonia com a menor


mudança vibracional entre nós, ouvi sua respiração acelerar.
Respondi na mesma moeda.

Coração batendo forte em meus ouvidos e bochechas coradas


com sua luxúria reveladora, deitei na cama e o encarei. Estava
aqui, vulnerável e sofrendo com o quanto o queria. Meu clitóris
doeu por seus lábios e minha boceta encharcou minha calcinha.
Cada célula do meu corpo ansiava por seu toque.

Damian quase puxou as cobertas até meu queixo. Eu não sofri


meu desapontamento por muito tempo, quando senti sua mão
acariciar minha bochecha por um momento ínfimo.

— Risa, tenho algo para te contar. Eu já deveria ter dito.

— O que é?

— Eu sei que não é o que você esperava quando concordou


em trabalhar para mim. Agradeço a paciência e dedicação que
demonstrou durante os últimos meses. Você foi acima e além do
razoável. Eu te agradeço.

Resistindo ao impulso de colocar minha mão sobre a dele,


sussurrei: — Você não tem motivo para me agradecer. Eu faria de
novo, senhor.

257
Seu olhar encoberto varreu meu rosto. Eu não sabia se minha
resposta foi apreciada ou se acabei de me tornar um fardo.

Mais uma vez, qual de suas promessas contraditórias


venceria?

— Quero que saiba que esta situação não durará para sempre.
Assim que resolvermos as pendências acumuladas, você estará
livre para voltar à sua vida de antes. Apenas espere comigo e estará
fora daqui no máximo em um mês.

Não eram as palavras que eu esperava, nem queria ouvi-las.


Com medo de mostrar minhas lágrimas, soltei um bocejo e fechei
os olhos.

Damian interpretou como uma sugestão. Seu toque se


afastou. — Durma! Eu te acordo quando o jantar estiver pronto.

A dor ameaçou me rasgar em pedaços. Deitada na escuridão,


rezei para me aguentar até que ele fosse embora. Eu não podia
imaginar não estar junto dele, enquanto ele já podia ver um futuro
sem mim.

Ele realmente era cruel sem ter intenção.

Estava louca por ficar aqui. A recompensa pelo meu orgulho


seria o exílio. A recompensa pelo meu silêncio era desconhecida.
Nenhuma das opções era agradável.

— Risa?

258
Eu tossi e esperei que tom rouco de minha voz fosse
desculpado. — Sim senhor?

— Você estará segura. Eu prometo. Eu não quebrarei minha


palavra com você.

Não esperou que eu respondesse. Simplesmente se virou e foi


embora, fechando a porta atrás de si.

Ele percebeu a minha dor? Eu não sabia.

Tudo o que eu sabia, com certeza, era que foi embora sem
olhar para trás, deixando-me sozinha com minhas lembranças e
minha terrível solidão.

259
Capítulo 39
Risa
Fiel à sua palavra, Damian me levou para fazer compras
alguns dias depois que me mudei sem cerimônia. Seu motorista
nos levou, saímos do trabalho algumas horas antes do
encerramento do expediente. Quando o carro parou, dei a ele um
olhar interrogativo.

— Nós conversamos antes. Você precisa de coisas para


personalizar seu quarto.

Um rubor idiota apareceu. Mesmo depois de alguns dias,


reconheci quão insanamente ocupado Damian estava. Seu tempo
era um presente maior que o dinheiro.

— Você não precisa ir comigo, Sr. Black-Price. Sei que está


muito ocupado.

— Absurdo.

Uma palavra. Resposta típica de Damian.

Chegamos à famosa 5a Avenida como um casal. Nunca estive


em Nova Iorque antes e era tudo o que eu imaginava. Frenético,

260
aglomerado e, sim, havia a famosa energia de que todos se
gabavam.

Meu eu de antes teria pendurado em seu braço e usado todas


as desculpas para tocá-lo. Considerando como ele se sentia sobre
as demonstrações públicas de afeto, Damian teria tolerado até
certo ponto. Sempre me esforcei para ultrapassar tal ponto. Em
algum nível eu gostava de zombar dele e amava a atenção grosseira
que recebia.

Além disso, eu sempre tive que forçar meus limites.

Agora estava cercada pelos mesmos limites. Educada.


Profissional. Um rosto familiar, ainda assim um estranho, pensei
enquanto caminhava ao seu lado.

Damian usou nosso tempo juntos para demonstrar seu


apreço por minha dedicação na Suíça. Aparentemente, sua
generosidade era minha para desfrutar. Provavelmente poderia
ganhar uma mansão ou uma ilha particular se eu fosse
determinado tipo de mulher.

Não queria nada que o dinheiro comprasse. Simplesmente


queria estar com ele.

Nós visitamos Barneys, Saks e várias pequenas lojas das


quais não conseguia me lembrar. Enquanto eu lia os itens, sempre
consciente de Damian ao meu lado, esperava que compartilhasse
sua opinião.

Ele não o fez.

261
Não podia negar que fiquei desapontada. Eu nunca teria
pensado que chegaria o dia em que eu diria que estava
decepcionada porque meu amante não se importava com as cores
dos lençóis que eu comprava.

A maioria dos homens não se importaria, Damian não era


como a maioria dos homens. Sempre teve um grande interesse nas
minúcias da minha vida. Pelo menos na cama.

Era novidade para nosso relacionamento. Uma vez que


começamos a dormir juntos, nunca passamos muito tempo fora de
nossos apartamentos. Nós geralmente comíamos e, em seguida,
ficávamos nus para nos entregar aos nossos prazeres sexuais.

Agora fazíamos compras juntos. Cutuquei meu limite e dei a


Damian uma última chance.

— Senhor, o quarto é adorável como está. Realmente não


preciso de mais nada.

Damian me lançou um breve olhar.

— Não está em discussão, Risa. Você não é uma convidada.


Você está, em essência, vivendo em minha casa sob coação. O
mínimo que posso fazer por você, é financiar a personalização do
seu espaço.

Depois disso, nossa conversa regrediu a uma série de


monossílabos até que escolhi uma luxuosa roupa de cama em
prata e outra em ametista. Ele chamou o motorista e nós deixamos
os pacotes pesados no carro.

262
Eu pensei que havia acabado e fiz um movimento para entrar.
Damian me agarrou pelo braço e olhou para mim como se eu
estivesse louca.

— Risa, você precisa de mais do que alguns cobertores e


lençóis. Temos a questão de sua mesa de trabalho, cadeira,
apetrechos e entretenimento. Ele me avaliou ainda mais, expressão
especulativa familiar em seu olhar arrebatador. — A menos que
você queira que tais coisas sejam enviadas de seu apartamento?
Posso providenciar imediatamente.

Não, eu não queria. Não, a menos que eu quisesse que


Damian soubesse que meu apartamento ficava a quase três mil
quilômetros de distância.

Eu sorri e encolhi os ombros. — Mostre o caminho, senhor.

Damian manteve a mão no meu cotovelo enquanto seguíamos


para a próxima loja. Eu mantive meu corpo tão perto dele quanto
a educação permitia e não fiz nada para chamar a atenção para o
seu toque. Eu me diverti e tive que morder meu lábio quando ele
finalmente me soltou para pegar um lindo relógio de mesa.

— Você gosta?

Embora o relógio fosse de fato adorável, apreciei mais o gesto.


Pouco a pouco, nós nos tornamos mais afetuosos.

Damian tocou minhas costas e cotovelo com facilidade e eu


parei de temer que pegasse minha mão. Comprar, de repente, se

263
tornou um pouco mais divertido. Especialmente quando
encontramos uma seção de escritório na Saks.

— Precisamos encontrar uma cadeira para você. Damian me


pegou pela mão. — Tente esta.

Eu me sentei. Como de costume, meus pés não tocaram o


chão.

Damian bateu um dedo em seu queixo. — Você é uma coisa


muito pequena, Srta. Kelly. Precisará de um banquinho. Também
não creio que esta cadeira seja adequada para você. Levante-se!

Passei os dez minutos seguintes de cadeira em cadeira, com


Damian me guiando a cada uma com minha mão na dele.

Parecia que dava sua opinião mais facilmente a cada toque.


Eu estava mais feliz do que me lembrava em semanas. Ainda não
se lembrou de mim, mas seus maneirismos voltaram ao território
familiar. Fez questão de manter seu corpo entre mim e a multidão.
Seu passo diminuiu para acompanhar o meu. Ele me colocou
debaixo do braço.

Era o que havia perdido.

Eu desabrochei como uma flor sob o sol da primavera. Seu


controle me confortava. Não precisei perder tempo pensando no
inconsequente. Sua sólida presença me guiou para cores
brilhantes que não refletiam o meu gosto e me colocaram em uma
paleta mais intempestiva.

264
Quando decidimos por uma cadeira adequada, junto com um
pufe maravilhoso, Damian declarou que precisávamos parar para
jantar. Não fiquei surpresa quando me encontrei sentada em uma
sala de jantar privativa de um restaurante exclusivo.

Tensão se apoderou de mim. Estava tão nervosa quanto em


nosso primeiro encontro. Comeríamos em silêncio ou Damian seria
um conversador educado? Logo ficou claro que era mais do último
que do primeiro.

265
Capítulo 40
Risa
— Como você veio parar na Bridgewater National?

Oh, graças a Deus Elaine me fez memorizar uma história


parecida com a verdade.

— Eu me transferi de Austin.

Falar no meu antigo emprego me fez pensar em Julie. Parecia


ter passado muito tempo desde que ela me deu a notícia sobre o
muito alto e gostoso novo diretor da TI que acabou sendo Damian.
Eu me perguntei o que ela pensava da minha ausência. Todos no
trabalho aparentemente acreditam que fui transferida para a
matriz para trabalhar em um grande projeto.

— Austin. Você está bem longe de casa. Está gostando da Big


Apple?

Eu respondi o previsível blá-blá-blá de como a cultura era


excitante e o quanto eu amava sua energia.

O pequeno sorriso de Damian me fez pensar se ele via minha


resposta como banal ou mentirosa. Continuou a me fazer

266
perguntas, que rapidamente se afastaram da história do trabalho
para coisas mais pessoais.

O trabalho era muito mais fácil. Não havia tempo para falar
sobre outra coisa senão a tarefa em mãos ou as próximas. Seria
um desafio.

Embora, com o passar do tempo, eu me encontrasse mais


relaxada na minha cadeira. Ou melhor, parei de me preocupar com
todas as respostas que poderiam desencadear um ataque de
perguntas que não seria capaz de responder.

— Não pude deixar de notar que você usa muito preto, Risa.
É sua cor favorita?

Era. E também o vermelho.

— Você gosta de ler? Tenho uma biblioteca no segundo andar


que pode querer explorar. Mantenho-a abastecida com os
clássicos, mas posso providenciar literatura contemporânea.

Eu não lia tanto quanto eu costumava, mas gostava de Anne


Rice e JR Ward. Chame-me de idiota louca por um vampiro ou um
garoto mau.

— Você já esteve no exterior? Além da Suíça?

Não, até ser secretamente levada do país para o interior da


França para ser acorrentada a uma cama muito luxuosa. Eu não
podia me aprofundar em tais pensamentos ou eu me encontraria
mergulhada no tédio novamente.

267
E assim foi.

Nós estávamos nos conhecendo de novo. Tipo assim, Damian


estava aprendendo sobre minha versão melhorada.

Minhas numerosas falhas foram eliminadas. Damian não


sabia da minha fixação em parecer que estava no controle total
sobre mim mesma, pelo menos quando não estava nua.

Eu disse a verdade então, não disse?

As coisas eram mais honestas assim. Damian era um mestre


em saber coisas sobre mim que nem eu sabia. Ele sentiu cada
tremor ao seu toque com a mão, pênis e língua.

Eu poderia ser outra pessoa agora. Alguém que possuía pouca


semelhança com a mulher que tentou fugir de seu apartamento
naquela noite fatídica, porque pensou que ele a olhava com ódio.

Garota idiota!

O jantar chegou lindamente preparado, mas com porções


modestas. Não era nada como as refeições que compartilhamos
antes. Embora, estivéssemos num restaurante adorável, sentia
falta de sentar de pernas cruzadas no sofá enquanto ele me
alimentava com porções de comida simples.

Jesus, justo quando penso que tenho controle sobre as coisas…

Se Damian notou a mudança no meu humor, não mencionou.


Fiquei feliz por seu esquecimento ou consideração. Não queria ser
uma mulher miserável e triste esta noite.

268
Precisava ser mais forte. Não podia andar por aí vulnerável a
estilhaços emocionais só porque algo acionou minhas memórias.

Damian estava aqui.

Ele estava vivo.

Ele não me expulsou.

Eu tinha o poder de fazer a diferença em nosso


relacionamento futuro. Poderia sentar aqui, segurando minhas
lágrimas e sentimentos ruins, ou poderia ver como uma
oportunidade para conhecê-lo além do jeito que gostava que eu
apertasse seu pau ou sentasse em seu rosto.

Oh caralho! Talvez não tenha sido a melhor imagem para usar


quando estava excitada.

Apesar de tudo, não havia razão para ficar lamentando.


Damian foi um companheiro de jantar perfeitamente agradável e
educado. Tive que me forçar a sorrir porque não era este o tipo de
jantar que queria compartilhar com ele.

Não queria que fosse educado. Queria que segurasse minha


mão e me beijasse bobamente. Queria beber chocolate quente
sentada em seu colo. Queria ouvi-lo dizendo todas as coisas que
faria comigo quando chegássemos em casa.

— Preparada para satisfazer seu desejo por doces?

— Parece perfeito. O que você sugere?

269
Damian leu o cardápio de sobremesas e decidiu por mim. —
Trufas.

— Trufas então.

Eu realmente era uma garota gananciosa. Nunca ficava


satisfeita com o que possuía, sempre buscando o sol e a lua.
Deveria ter visto o fato de viver com ele como um prêmio de
consolação do destino.

Cabia a mim tirar o melhor proveito das coisas. Eu poderia,


era algo que sempre fiz antes. De alguma forma, me esqueci nos
últimos meses. Havia me esquecido de que não existia nada que
não pudesse realizar uma vez que colocasse em minha mente.

Eu sobreviveria. Prosperaria. Faria Damian lembrar de mim.


O deixaria orgulhoso de minha devoção por ele. Provaria a ele que
era algo mais do que um rosto bonito e um corpo curvilíneo.

E, quando ele se lembrasse, olharia para esses momentos e


veria o quanto eu era forte. Ele saberia, sem sombra de dúvida, que
eu era a única mulher para ele.

Poderia fazer por ele. Poderia sofrer maravilhosamente.

270
Capítulo 41
Risa
Empolgada participei de nossa conversa com um pouco mais
de otimismo. Apenas uma sombra. Nada óbvio demais para trair
meus sentimentos obscuros de antes.

Pelo menos, esperava que não.

As trufas não conseguiam ganhar de um prato de brownies na


minha opinião, embora estivessem deliciosas. Eu tinha um apetite
insaciável por doces, que não era satisfeito fazia muito tempo.

— Gostoso?

Desta vez meu sorriso não foi fabricado. — Muito boas. Você
gostaria de uma?

Seu sorriso curto fez meu estômago contrair. Ofereci sem


pensar. Ele pegou a trufa de minha mão e a comeu em apenas uma
mordida.

— Muito bom. Obrigado.

Desta vez, meu rubor era de puro prazer.

271
Logo depois, saímos do restaurante e fomos a mais algumas
lojas. No final da viagem, tornei-me a orgulhosa proprietária de
dois luxuosos conjuntos de cama, uma nova mesa de trabalho e
cadeira de couro, um relógio de mesa de cristal, uma cadeira de
leitura confortável, um pufe lindo, uma tonelada de canetas e papel
de carta elegante.

Estava sonolenta e com os pés doloridos no momento em que


voltamos ao apartamento. Ainda assim, aproveitei meu tempo com
Damian, por mais diferente que tenha sido. Agora, em vez de
lamentar as diferenças, eu me deliciava com elas.

Este Damian era muito mais charmoso e gentil que o de antes.


Se não o conhecesse, teria ficado completamente apaixonada por
este lado de sua personalidade e nunca teria suspeitado do lado
sombrio e lascivo à espreita sob sua reserva.

Na verdade, eu gostaria de ter seus dois lados. E se eu


quisesse continuar sendo sincera, teria que admitir que gostava de
ser mimada por ele. Sabia que possessividade nem sempre era
igual a amor, porém, era bom ser tão cuidada.

Seu motorista trouxe as inúmeras sacolas antes de se retirar.


Damian levou-as para o meu quarto sem perguntar.

— Com qual você gostaria de dormir amanhã? Pedirei para


minha governanta lavá-las adequadamente.

Não havia dúvidas.

— Prateado.

272
— O resto de suas coisas serão entregues e organizadas
amanhã. Avise-me se houver algo mais que você precisa.

— Eu duvido, mas sempre posso pedir online se houver.

Damian sacudiu a cabeça. — Você não fará, Risa. Não quero


que gaste um centavo. Cuidarei de tudo. Ele estreitou o olhar e
avisou: — Não ficarei satisfeito, se optar por ignorar meus desejos.

A respiração ficou presa em minha garganta. O comando


atingiu minhas zonas erógenas.

— Muito bem, Sr. Black-Price. O informarei de todas as


compras necessárias.

Ele olhou para mim, o olhar brilhante me capturando tão


facilmente como sempre. Eu amava seus olhos e, mais do que tudo,
adorava ser o centro de sua atenção.

— Duas coisas. Providenciarei um cartão para você usar no


que quiser enquanto estiver hospedada aqui. E pode me chamar
de Damian.

Com isso, ele me deixou no meu quarto. Desta vez com um


sorriso bobo no meu rosto.

273
274
Capítulo 42
Risa
Provavelmente teria mantido meu sorriso bobo por dias se as
coisas tivessem permanecido iguais.

Vivíamos juntos, porém, na verdade, passei mais tempo com


ele no escritório do que em qualquer outro lugar. Além de nossa
viagem de compras, Damian e eu não compartilhamos outra
refeição.

E, embora tenha declarado que o motivo de eu morar em sua


casa era me manter à disposição para o trabalho, Damian me
deixava assim que chegávamos ao vestíbulo.

Entrava em seu escritório e eu seguia para a minha suíte. Era


solitário. Depois de estar ao seu lado durante meses, não consegui
me livrar da melancolia que tal distância criou.

Lá se foi a minha conversa estimulante de alguns dias atrás.

Então as coisas realmente foram para o brejo.

Sua vida social recomeçou com força total. Pior do que a


solidão era vê-lo, elegantemente vestido e pronto para sair com

275
Gretchen. Eu sabia exatamente aonde estava indo porque fazer as
reservas era parte dos meus deveres de assistente pessoal.

A parte mais cruel do meu trabalho.

De maneira perversa, sairia do meu quarto e esperaria por ele


na porta. Como um cachorro miserável querendo se despedir. Não
admira que eu preferisse gatos. Se pudesse adotar a atitude
desinteressada de um.

— Ligue-me se precisar de alguma coisa, ele dizia, olhando


atentamente como se estivesse esperando ver as rachaduras se
formando em meu comportamento.

— Tenho certeza que não precisarei senhor, respondia


enquanto abria a porta para ele. Só depois que saía deixava as
malditas lágrimas caírem enquanto vagava pelos corredores de sua
magnífica casa.

Não era nada do jeito que eu esperava. Ingenuamente pensei


que nossa proximidade forçada despertaria algo nele. Todo o dia
rezava para que fosse aquele em que ele se lembrava de mim.

Sete dias de oração não renderam nada. Estava começando a


duvidar da minha fidelidade a um ser superior. Eu já sabia que
não podia contar com um milagre. Então fiz o que fazia de melhor,
contei com meu intelecto, teimosia e habilidades para conquistar
meu oponente.

Que acabou por ser o homem que eu amava.

276
Acordando uma hora antes de Damian, colocava minha
armadura todas as manhãs. Terninhos e saltos ridiculamente
caros, tão atraentes me davam aquele certo poder que eu ansiava.
Na minha busca para ser imparável, tudo em minha aparência
precisava ser perfeito.

Foi-se o cabelo livre e solto. Eu o prendia em um rabo de


cavalo liso. Minha maquiagem, discreta, mas atraente, me fazia
parecer uma versão adulta da garota de quem me lembrava de
quando a coisa mais difícil da minha vida era conquistar um cliente
rabugento.

Antes era apenas o meu ego em jogo.

Agora era a minha vida.

Todas as manhãs esperava por Damian na cozinha de última


geração, com seu café na mão (preto), um café da manhã com
frutas, torradas, ovos e bacon, juntamente com sua agenda do dia.
Damian levantou a sobrancelha na primeira vez que entrou e viu a
refeição na ilha da cozinha, mas pareceu satisfeito por comer
minha comida, por mais simples que fosse.

Naturalmente, tomei como um ponto para mim.

Normalmente estávamos no carro meia hora depois, porém,


só depois que ele tivesse certeza de que eu havia comido. Depois
do segundo dia, comecei a comer junto com ele para que ficasse
satisfeito. Nesses momentos tinha vislumbres do meu Damian.

277
Ele tomava suco de uva com cranberry sem me perguntar.
Sabia que era o meu favorito. Também estava muito consciente do
quanto sobrava no meu prato. Deixava claro que nenhum de nós
sairia da mesa até eu comer mais.

Aparentemente não escapou de sua atenção, que eu perdi


peso desde que deixei a Suíça. Ter um cabelo longo e um metro e
cinquenta e dois de altura significava que aparecia imediatamente.
E foi depois de já ter perdido dez quilos enquanto Damian estava
em coma. Todas as minhas roupas de Austin estavam muito largas,
em todos os lugares, exceto na minha bunda que, graças a Deus
não perdi.

— Risa, você precisa comer mais. Coma um pouco do meu


bacon.

Bacon realmente tornava tudo melhor.

Tenho certeza que a simples sugestão deixaria qualquer


mulher louca ou, pelo menos, faria com que o acusasse de estar
controlando-a. Eu não. Eu me agarrava às migalhas na esperança
de que me levassem para casa.

Nosso trabalho começava a partir do momento em que


saíamos da cobertura. Meu telefone tocava tanto quanto o dele. O
trabalho era exigente, muito mais do que qualquer coisa que fazia
em vendas, não tive tempo para me preocupar com o meu
desempenho. Eu só passava pelo piso apressadamente e fazia o
melhor que podia.

278
O fato de Damian nunca ter empregado uma assistente
pessoal antes era uma bênção disfarçada. Ele não conhecia meu
trabalho mais do que eu. Nós aprendemos juntos. Passar cada dia
com ele, me deu uma apreciação de quão duro ele trabalhava para
manter a máquina lubrificada e todas as peças funcionando
perfeitamente.

Realmente, era revelador.

Tive de admitir que costumava pensar que o trabalho duro era


feito apenas por aqueles nas trincheiras e os CEOs, apenas
absorviam toda a glória e riquezas. Talvez fosse verdade para
alguns, não para o meu Damian.

Praticamente todos os minutos do seu dia de trabalho eram


contabilizados. Desde o nascer até o pôr do sol, Damian participava
de reuniões, lia relatórios, ia a almoços de negócios e realizava
teleconferências com escritórios espalhados por todo o mundo.

Era um fluxo digital interminável de e-mails, relatórios,


estudos e projeções. E nem sempre em inglês.

A destreza linguística de Damian fazia coisas inomináveis em


mim. Já sabia que ele falava russo, mas pude ouvir em primeira
mão sua fluência em francês, alemão, italiano, japonês, coreano,
espanhol, holandês e português.

Minha atração por ele explodia quando participava daquelas


reuniões. A maneira como pronunciava seu erres era tão sexy.
Fascinada, observava-o mudando, sem esforço, de uma língua

279
para a outra sem pausas desajeitadas para estabelecer as conexões
mentais.

Sabia que era muito inteligente, mas vê-lo em seu verdadeiro


ambiente me mostrou um lado de sua mente brilhante que não
conseguia nem imaginar. Em circunstâncias normais, estaria de
joelhos sob sua mesa. Era quão excitada ele me deixava.

Grande pacote, grande cérebro, tudo no corpo de um Adônis


com um rosto combinando – Damian Black-Price era realmente um
homem pelo qual sofrer.

Nada bagunçava sua compostura. Não uma fábrica em


Taiwan fechada inesperadamente com prejuízo de um milhão de
dólares por dia. Definitivamente, não era uma sala de conferências
cheia de executivos preocupados com o fato de uma parcela da
carteira global não atender às expectativas do quarto trimestre.

Damian simplesmente disparava as ordens necessárias para


resolver os problemas em questão abrindo caminho para um
aumento em suas fortunas coletivas. Nunca teve que levantar a
voz, nem mostrou um pingo de impaciência ou frustração, mesmo
quando as coisas esquentavam.

Damian também conseguia alisar penas eriçadas com uma


dose de charme e nunca cortou ninguém. Nem mesmo alguns
executivos arrogantes e detestáveis que eu transformaria em papel
de parede se tivesse dois minutos a sós com eles.

Francamente, estava admirada. Quem era este homem e como


encontrou tempo para mim?

280
Imaginei que desempenhar o papel de Diretor de TI era um
período de férias em comparação com a velocidade ininterrupta do
seu mundo. Todo mundo precisava de um pedaço dele. Ele não
podia andar pelo corredor sem ser parado para uma palavra ou
assinatura. Aqueles eram os momentos em que aumentava o meu
jogo, lidando habilmente com seus pedidos e fazendo o que podia
para aliviar sua carga.

Honestamente ele não precisava.

Era óbvio que nunca poderia ter entregado o comando a outra


pessoa e descansado sobre os louros. Ele realmente nunca parou
ou perdeu energia.

Na maioria das vezes, ficava espantada com o fato, de este


homem ter ficado em coma alguns meses antes. Como foi capaz de
acompanhar as demandas sem sentir cansaço? Eu sabia que a
aposentadoria seria impossível para alguém com sua carga de
energia.

A noite deveria significar o final do dia. Uma pessoa normal,


teria desmaiado em frente à TV pelo resto da noite. Infelizmente
para mim, suas obrigações sociais estavam apenas começando.

E era o meu inferno.

281
282
Capítulo 43
Risa
Sua agenda noturna estava cheia de eventos de caridade. O
trabalho de caridade da Bridgewater National era socialmente
responsável e não apresentava um sopro de interesse próprio na
forma de incentivos fiscais obrigatórios ou boa publicidade.
Damian supervisionava tudo pessoalmente. Educação e
reabilitação eram seus principais alvos.

O que não significava que não abrisse espaço para outras


numerosas instituições que disputavam sua atenção.
Aparentemente, todas as grandes organizações queriam Damian
Black-Price como uma pena em seus chapéus coletivos. Sua
generosidade e atenção às missões eram notórias.

Entender que suas noites com Gretchen eram baseadas


principalmente no trabalho, deveria ter facilitado as coisas.

Não aconteceu.

Depois da estada na Suíça, definitivamente, não confiava em


Gretchen, tampouco confiava em Damian sendo imune aos
encantos de sua ex-amante. Suas noites juntos eram a chance de

283
se vestir, jantar, socializar e se divertir. Considerando quão bonita
Gretchen era em suas roupas do dia, não queria imaginar como
seria linda em roupas de noite.

No entanto, não tinha escolha a não ser imaginá-la, já que


marcava seus compromissos em butiques exclusivas pois, afinal de
contas, a namorada do CEO deve estar perfeitamente vestida em
todos os momentos.

Providenciei para que os pré-requisitos de flores, lírios, fossem


enviados para o seu apartamento de luxo a poucos quarteirões de
nós. Também providenciei para que as joias obscenamente caras
fossem emprestadas para usar em seu esbelto pescoço, pulsos e
orelhas.

Não permiti que nenhum dos meus sentimentos


transparecesse enquanto executava tais tarefas. Executava meu
trabalho perfeitamente, distante da situação como se estivesse
acontecendo com qualquer outra pessoa.

Então, depois que ele saía, eu me tornava humana


novamente. Passava o resto da noite consumida pelo ciúme. Estava
presa em sua casa enquanto ela estava no meu lugar e ninguém
sabia.

Miseravelmente doente assombrava os corredores da


cobertura de Damian enquanto minha imaginação ficava fora de
controle. Gretchen o surpreendeu com seu lindo vestido novo? As
esmeraldas enfatizavam a pálida perfeição de sua pele? Havia
tensão sexual entre eles na limusine? Damian deu vazão a ela?

284
Nunca fui um rato de academia antes, mas me joguei nos
exercícios. Cada quilômetro que suportava, afastava os
pensamentos sinistros. Só parava quando meus músculos
gritavam de dor.

Não era de admirar que estivesse perdendo peso mais rápido


do que poderia ganhar.

Encurralada na cobertura, aprisionada pelos meus medos, eu


me olhava no espelho e repetia inúmeras vezes: — Seja forte, Risa.
Você pode superar. Ele ainda te ama, mesmo que não se lembre de
você.

Ficava mais difícil dizer as palavras a cada noite, eu não


desistia. Não desistiria, nunca.

Exausta, humilhada e assombrada, o que me manteve firme


além do meu amor insano por Damian?

— Risa, eu estou em casa.

Levantei-me da cadeira, deixando de lado um livro não lido.


Como tudo na minha vida atual, era tudo aparência. Eu me virei
para vê-lo parado a poucos metros de distância, tão lindo em seu
casaco e smoking que sentia vontade chorar.

— Você teve uma boa noite, Risa?

— Claro senhor.

285
Ele sorriu fracamente. Ainda não usava muito seu primeiro
nome, ele não parecia se importar com o uso de – “senhor”. Eu
costumava usá-lo muitas vezes para o seu prazer secreto e o meu.

— Venha comigo então.

Foram os momentos após sua chegada que me mantiveram


viciada nas migalhas de seu afeto. Seguindo-o pelo corredor até o
escritório, vi o pacote rosa na sua mão e sorri.

A esperança sempre crescente contida naquele pacote me


abasteceu através do purgatório de ser esquecida.

286
Capítulo 44
Damian
Nenhuma dúvida sobre isso. Eu era um cretino sádico.

Fiz o que devia para confirmar que Gretchen era minha


namorada por meio de numerosos compromissos e fotos. Eu sorria
com frequência e a mantinha ao meu lado com um braço ao redor
de sua cintura. Ninguém que estivesse assistindo duvidaria de sua
importância em minha vida.

Minha atitude a salvou e possivelmente a colocou em perigo.


Nós dois fomos condenados pelo desconhecido. Eu não era o alvo
do ataque que me deixou meio morto. Não sabia muito mais sobre
o acontecido.

Meu pai adotivo e guardião se concentrou nas fontes e


conexões clandestinas para dizer exatamente o que aconteceu.
Meu pai não me contatou. Minha suposição provável e razoável era
que Grigor estava muito bem escondido.

Amparado pela presença de Leon, significava que eu não


ouviria nada dele por um tempo. Provavelmente anos.

287
Era frustrante, irritante e, se eu desse vazão a minha raiva
teria liderado o ataque provocando um banho de sangue. Possuía
dinheiro para comprar todas as armas, informações e soldados de
que precisávamos. Poderia me esconder atrás do meu poder e
posição e ainda queimar em uma noite.

No entanto não poderia fazer. Meu pai não sacrificou seu filho
mais velho e deu-lhe todas as oportunidades financeiras do mundo
para que se transformasse em um maldito criminoso.

— Damian, você nunca deve ser a mão que fica suja. Não é
vida para você. Seu poder deve vir de um jeito diferente. Honesto.

Eu permaneci limpo e intocado para o meu pai. Apenas para


ele e para a mãe que morreu segurando sua barriga como se
quisesse evitar minha morte.

O que fazer com a minha raiva impotente?

Nada.

Continuei a viver minha vida. Aumentei minha riqueza. Fiz


novos contratos e contatos. Socializei. Permaneci Damian Black-
Price.

Nas horas mais sombrias da noite, não conseguia evitar meus


pensamentos. Eu me preocupava com as variáveis desconhecidas.
O que aconteceria com os Konstantinov? Meu pai estava
envelhecendo. Sua ânsia de poder diminuiu. Estariam pendurados
por um fio como consequência? Como os inimigos do meu pai
chegaram tão perto? Por que fui vê-lo naquela noite?

288
As respostas estavam trancadas em minha mente.

Apesar das muitas garantias dos especialistas para o meu


futuro – eu podia ler nas entrelinhas. Havia uma possibilidade
clara de nunca recuperar aqueles meses perdidos.

E, sem respostas definitivas, não podia deixar Gretchen voltar


para casa. Não até termos certeza de que minha identidade não foi
descoberta.

A verificação não era rápida o suficiente. Não era justo para


Gretchen estar atolada nesta bagunça, que ela não entendia e
nunca entenderia.

Elaine me informou a história contada a ela na manhã


anterior à partida da Suíça. Juntamente com minha história,
Gretchen estava bem protegida. Não importava que efetivamente
tivéssemos terminado nosso relacionamento. Eu precisava de
estabilidade. Minha lesão não aguentava o estresse da mudança.
O que me fazia parecer mimado e frágil.

Apesar do meu orgulho, foi uma boa cobertura. Gretchen não


fez perguntas sobre a segurança porque a clientela dela costumava
ser de homens muito ricos que sempre eram acompanhados por
guarda-costas.

Naturalmente, fazia sentido que recebesse o mesmo


tratamento.

289
E assim, aperfeiçoamos a ilusão do compromisso. A bela
Gretchen fazia um lindo contraste comigo, seu cabelo vermelho
sangue, pele pálida e impecavelmente vestida.

No entanto, cada minuto de cada noite eu contava os


segundos em que eu poderia entregá-la nas mãos capazes de Leon
e voltar para casa, onde sabia que Risa estaria me esperando.

O cansaço me atingiu assim que cruzei o limiar. Risa


precisava dormir para me acompanhar, mas exigia que ela se
juntasse a mim no escritório quando voltava. Ostensivamente, era
para anotações, agendamentos, envio de notas de agradecimento,
presentes apropriados e atenciosos para as várias conexões feitas
durante a noite.

Poderia esperar até o dia seguinte, mas justificava minha


atitude com a necessidade de tomar providências enquanto a
informação ainda estava fresca em minha mente. Inicialmente Risa
permanecia em suas roupas profissionais até que sugeri de forma
veemente que ela aparecesse diante de mim usando algo mais
confortável. Para ela.

Naturalmente, providenciei uma variedade respeitável de


roupões, chinelos e pijamas de flanela. Não poderia ser acusado de
impropriedade se a mantivesse coberta do pescoço aos pés.

Não importava se estava em suas roupas de trabalho ou em


um robe de veludo pesado. Eu a imaginava nua e espalhada, na
minha cama, independentemente do que usasse.

290
As visões possuíam-me e me assombravam todas as noites.
Não importava quantas vezes me masturbasse no chuveiro. Risa
corria pela minha mente em vários estados de necessidade sexual
e fome.

Podia vê-la me chupando até secar enquanto fodia sua boca


do jeito que eu foderia sua boceta gostosa e apertada. Eu a via de
joelhos no canto, os pulsos amarradas atrás das costas, em um
intervalo por ter sido uma garota malcriada. Eu a via no meu colo,
comendo da minha mão.

Minha imaginação, sempre perversa, adquiria um tom de


ternura sempre que tais visões apareciam. Mesmo quando via Risa
se debruçar sobre minhas pernas, o traseiro rosado e os soluços
suaves de suas lágrimas ecoando em meus ouvidos, podia sentir
uma intensa afeição por ela.

Estranho e sedutor. Nunca senti amor por ninguém antes.


Carinho sim. Respeito sim. Amor?

Absolutamente não.

Com Risa, tudo parecia possível. Eu podia me ver como o tipo


de homem capaz de amar uma mulher. Eu podia me ver sendo
dedicado exclusivamente a ela, fascinado por sua alegria e tristeza.
Eu poderia me imaginar remodelando-a para minha curiosidade e
prazer.

Mesmo que ela não quisesse.

291
Foi nessa crueldade que me olhei e me afastei do que via. Eu
nunca tive que coagir uma mulher por sua companhia. Por que
consideraria algo assim para Risa?

Porque você não pode ter o que deseja.

Mas ela me queria.

Eu podia ver em cada olhar seu quando pensava que eu não


estava olhando. Eu poderia ter Risa nua na minha cama dentro de
uma hora se eu quisesse. Eu poderia ser um sujeito encantador
quando queria e gostaria que significasse que eu poderia ter Risa.

Mas você não pode conseguir sempre o que deseja.

Risa era minha funcionária. Contratá-la significou que eu não


tinha interesse em romance. Como eu disse a ela antes, não
cruzaria esta linha. E, mesmo se o fizesse, não poderia fazer com
ela. Eu não podia arrastá-la para o meu mundo de meias-verdades.

Minha linhagem não permitiria.

Minha primeira lealdade era com os Konstantinov. Nada


poderia violá-la. Nem mesmo meu afeto perigoso, por uma mulher
pequena e curvilínea que me deixava mais louco a cada dia.

Sim, eu era sádico. Era igualmente masoquista porque não


conseguia me conter toda noite quando voltava para casa.

Eu precisava vê-la, para ter certeza de que não havia fugido


nas horas da minha ausência. Não importava que eu soubesse que

292
era logicamente impossível. Havia segurança suficiente cuidando
dela e saberia no segundo em que fechasse a porta da frente.

Ela nunca saiu. Nem para explorar a cidade. Nem ir às


compras. Nem para um encontro com bebidas ou jantar.

Risa e outro homem é algo completamente inaceitável.

Apenas pensar na possibilidade me irritava de uma maneira


que não suportava. Agressão e perda de controle não eram emoções
que eu abraçava prontamente. As consequências não poderiam ser
contidas se eu desse vazão aos meus impulsos mais primitivos.

No entanto as consequências não pesavam tanto em minha


mente, quando se tratava de Risa.

Francamente, não sabia o que faria se soubesse que ela estava


na companhia de outro homem, além de ir em sua direção e
arrastá-la para longe de qualquer desgraçado antes que pudesse
tirá-la de mim.

Raiva disparou pela minha lógica. A ruptura era indesejada.


Batalhas não eram ganhas através da paixão e impulsividade.
Eram ganhas através de clareza mental e disciplina implacável.

Eu lutava com Risa. Todo maldito dia. Toda maldita noite.

Eu lutava para manter minhas mãos longe dela. Para mantê-


la segura. Lutava para mantê-la.

Tempo.

293
O pior de tudo era que eu não tinha domínio sobre Risa. Não
podia exigir sua devoção. Não tinha o direito de exigir seu celibato.
Risa era linda e solteira. Poderia ter qualquer homem que quisesse,
não precisava desperdiçar sua juventude escondida na minha
cobertura.

Não a encorajei a mudar seus hábitos de ermitã.

Portanto, precisava cuidar dela de alguma forma. Eu não


podia sentá-la no meu colo e alimentá-la como minha garotinha,
mas podia ouvi-la falar e poderia persuadi-la a degustar um
lanche.

Eu me daria esses momentos e justificaria mais tarde.

Por agora, teria todo o prazer que pudesse neste mundo fodido
no qual nasci. Um dia eu até poderia me arrepender do meu
egoísmo.

Hoje não seria este dia.

294
295
Capítulo 45
Damian
Ela anotou minhas instruções perfeitamente esta noite. Eu
confiei nela com a conclusão. Risa era minuciosa. Competente.

Incrivelmente linda.

Depois, sentei-me numa das poltronas de couro ao lado da


lareira. Risa sentou-se na outra. Seu brilho alegre encorajava a
intimidade.

— Diga-me o que você fez depois que eu saí Risa.

Ela pousou um olhar em mim antes de olhar para as chamas.


Sua respiração se aprofundou.

— Não muito. Eu li.

Eu não poderia dizer se era porque seus pensamentos se


aventuraram longe de mim, ou porque o cobertor que coloquei
sobre suas pernas a deixou sonolenta.

— Conte-me sobre o livro.

296
Ela abriu a boca e fechou. Eu sabia que ela não esteve
realmente lendo. Em outra vida, teria dado a ela um tempo de
castigo por não ser sincera, uma boa menina. Se Risa fosse minha,
não exigiria nada menos dela.

Encolheu os ombros. — Não há muito para contar. Um pouco


de calmaria na parte em que estou.

— Ah.

Claro, ela não podia me dar detalhes específicos. Risa não


conseguiu ler uma única página. Não era suposição. Eu
confirmaria quando revisasse as imagens de segurança depois que
ela fosse para seu quarto. Estava presa na página dezessete nos
três últimos dias. Eu duvidava que esta noite tivesse conseguido
avançar.

Eu assisti Risa vagando pelos corredores todas as noites nesta


semana. Eu a vi correr na esteira até desabar no chão e então se
levantar e correr mais um quilômetro. Ela estava punindo seu
corpo até a exaustão completa, eu queria saber o motivo.

Eu ordenaria que parasse se ela pertencesse a mim. Eu a


colocaria de castigo se desobedecesse. Então, lhe daria a disciplina
e atenção que ela claramente ansiava. Nós nos divertiríamos
tanto...

Infelizmente ela não era minha e não seria tão cedo. Não até
que os inimigos de Konstantinov fossem eliminados. Talvez nem
mesmo então.

297
Eu não cruzaria a linha com uma funcionária e não poderia
pedir que abandonasse sua carreira por mim. Era uma situação
sem vitória.

Pelo menos por enquanto.

Embora não pudesse puni-la, podia manter a contagem de


suas infrações. Talvez, quando tudo fosse dito e feito, eu pudesse
apresentá-las a ela e cobrar sua dívida comigo.

Adorável.

Eu me mexi levemente na minha poltrona. Meu pau


desrespeitou as regras e limites. Queria separar sua linda boceta e
se afundar profundamente. Queria Risa pingando. Ele a queria
mais do que tudo no mundo.

O olhar de Risa caiu para a bolsa aos meus pés. Eu sorri,


preguiçosamente feliz. Sabia que era para ela. Não podia puni-la,
mas podia provocá-la.

— Você comeu alguma coisa?

— Um pouco.

— Só um pouco. Humm… acredito que nós já tivemos uma


discussão sobre o tema. Você deve comer.

Ela se contorceu em sua cadeira. — Eu comi. Só…

— Você só o quê? — Cruzando minhas pernas, descansei


minhas mãos no meu estômago. Risa prestou muita atenção na
torre que meus dedos faziam.

298
— Só não estava com muita fome.

— Eu imaginei que estaria morrendo de fome.

Seu olhar escuro continha mil segredos. Eu tive vontade de


escolher um ou dois deles para mim.

— Por quê?

O gato em mim queria brincar com o rato nela. — Quantos


quilômetros você correu esta noite?

Risa lambeu os lábios. Minha mão coçava para espancá-la,


especialmente porque ela parecia tão adorável.

— Como você sabe… Quero dizer, eu malho regularmente.


Está tudo bem para você, não é? Se não, puder usar o ginásio do
edifício. Ou frequentar uma academia no quarteirão.

Eu levantei a mão. Ela parou de falar imediatamente. Ela me


mimava com sua obediência inconsciente. Eu só podia imaginar
como ela brilharia sob meus cuidados.

— Eu não me importo de você usar a academia. Até prefiro.


No entanto, não gosto que esteja reduzida a pele e osso, por não
estar se alimentando adequadamente. Por que outro motivo pensa
que estou trazendo doces para você?

Suas bochechas se avermelharam. — Eu pensei que estivesse


sendo gentil.

— Gentil? Não, eu não sou amável, Risa.

299
Ela cravou os dedos nos braços da poltrona. Eu meio que
esperava que ela se levantasse e saísse da sala de um pulo. Parte
de mim queria que ela fizesse. O que me impediria de afundar mais
no meu lado sádico.

Naturalmente eu me desculparia e fingiria que era um


cavalheiro. O que era mais uma mentira?

— Você está certo. Você não é gentil.

Fiquei satisfeito com sua resposta. — Corretíssima. Diga-me,


você aprendeu da maneira mais difícil? — Eu não tive que dizer o
prazo em voz alta. Nós dois sabíamos exatamente ao que me
referia.

Um fantasma de um sorriso apareceu e desapareceu


rapidamente. — Eu sempre soube. Desde o primeiro momento em
que te conheci.

Outro segredo que não deveria ter sido. Eu queria me lembrar


da primeira vez que vi esta menina meiga. Eu gostaria de poder
imaginar como ela reagiu.

— E eu não te assustei?

Ela sorriu de novo e balançou a cabeça. — Não, você não me


assustou. Você me insultou, na verdade.

— Ah. Sério?

— Sim.

300
Quando ela permaneceu em silêncio, resisti ao impulso de
pedir mais. Realmente importava? Ela estava aqui e eu também.

— Por que você concordou em trabalhar para mim?

Risa deu de ombros. Ela olhou acima do meu ombro. — Era o


momento certo. O pagamento era bom. Creio que foi o destino.

— Humm... destino. A palavra arranhou em mim. Foi


simplesmente uma reviravolta do destino eu estar na França no
lugar errado e na hora errada? Fui baleado simplesmente porque
estava lá com meu pai? Ou foi planejado? Um ato deliberado de
guerra?

Eu não sabia e o buraco na minha memória me irritava mais


e mais a cada dia. Era frustrante estar preso no limbo. Nenhuma
liberdade para corrigir os erros cometidos contra mim e os meus.
Apenas, ficar preso a esta terrível ilusão de normalidade.

De repente, ela falou: — Eu vi você ser legal com outras


pessoas.

Decepcionante.

Risa tinha esperança de que houvesse mais em mim? Eu


pensei que ela poderia lidar comigo sem ter que ser convencida por
palavras bonitas e falsas intenções.

— Eu posso ser educado.

— Não! É mais que isso! Você é realmente encantador. Você


pode levar as pessoas a comerem em sua mão, se quiser.

301
Ela não exagerou. Era uma habilidade cuidadosamente
trabalhada, que aperfeiçoei ao longo da minha vida. Não era
natural, era como eu navegava pelo mundo. Melhor ser amado e
respeitado do que visto com desconfiança.

Risa me olhou diretamente nos olhos. — É uma máscara, não


é?

Não me senti exposto por sua percepção como esperava. Ao


contrário, estava orgulhoso. Inteligente e perceptiva.

— Você não precisa perguntar. Já sabe a resposta.

— Eu sei. Minha consideração por ela cresceu aos trancos e


barrancos quando ela não insistiu mais. Ela sorriu. — Farei
questão de comer melhor amanhã. Entendo minha posição em seu
mundo e você não poderá usar a minha capacidade máxima se não
cuidar melhor de mim. Vou comer fora amanhã, senhor.

— Não!

Ela não entendia sua posição. Aparentemente, nem eu.

Seus olhos escuros iluminaram-se com algo parecido com


excitação. — Não? Não acredito que seu domínio se estenda até as
primeiras horas da noite, senhor.

Ela queria brincar? Eu poderia brincar.

— Você ficará em casa, como eu instruí.

— Ou o quê? Os seguranças me impedirão?

302
Eu balancei a cabeça lentamente. — Eles não levantarão um
dedo para mantê-la em casa. Você fará sozinha.

303
Capítulo 46
Damian
A respiração dela se acelerou. Seus lábios carnudos
curvaram-se em um beicinho beijável. — Acho que não. Sairei
amanhã à noite. Talvez eu encontre um pouco de diversão.

Meu humor congelou. — Diversão. É assim que você chama?

Ela recostou-se na cadeira. Seu olhar fixo me ameaçando e


estimulando em proporções iguais. Eu não tolerava desobediência
de nenhuma forma, no entanto, a de Risa era menos desafiadora e
mais ousada.

Ou uma provocação perigosa.

— É assim que eu chamo. Trabalhei duro sem uma pausa


nestes últimos meses. Mereço um pouco descanso e diversão.

— Considerando que eu fiquei em coma por muito tempo, não


vejo o quanto de sua dedicação pode realmente contar como
trabalho.

304
O comportamento de Risa mudou. Ela deu um salto para a
frente. — Golpe baixo, Damian. Eu estive do seu lado todos os dias
e noites o tempo todo.

— Não todo o dia.

Eu estava sendo um idiota. Verdade. Não gostava de ela me


insultando com a ameaça de outros homens. Precisava retribuir na
mesma moeda e sabia exatamente como fazer.

— Não. Não depois que você mandou buscar Gretchen.

Apoiei meu queixo em uma das mãos. Ela não conseguiu


esconder sua agitação. O diabo montou no meu ombro com força.

— Incomodou você?

— Por que me incomodaria?

— Porque Gretchen te desalojou. Talvez você tenha se tornado


possessiva.

Risa apertou o queixo. — Assim como você está sendo agora?

— Exatamente. — Ela pensou que eu negaria? — Agora me


conte mais.

— Acho que já dissemos o suficiente. — Levantou-se, jogando


o cobertor na cadeira. — Boa noite!

Agarrei seu pulso antes que o bom senso prevalecesse. —


Sente-se!

305
— Não, não penso assim. Não deixarei você me diminuir,
Damian.

— Risa — murmurei. — Sente-se! Não direi novamente.

— Não!

A encarei, esperando o momento exato em que se contorceria


em desconforto.

— O que você está fazendo, Damian? Deixe-me ir.

Puxei-a com força para o meu colo. — Estou fazendo o que eu


quero. Faço o que quiser.

Ela colocou as mãos em meu ombro. As pontas dos dedos


pressionaram com força e depois suavemente. Era o toque de uma
mulher que não queria estar em nenhum outro lugar.

— Continue. Diga-me para deixar você ir.

Risa olhou para minha boca. A fome tomou conta de seu rosto
adorável. — Eu não posso dizer.

Verdadeira intimidade. Algo que não experimentei o


suficiente. Risa merecia um presente em troca do que acabou de
me dar.

Segurando seu queixo com firmeza, falei: — Ótimo. Agora me


escute você ficará amanhã a noite. Mandarei um chef preparar
uma refeição deliciosa para você, que comerá tudo. Se não o fizer,
terá que me explicar por que escolheu desobedecer a uma ordem

306
direta. Depois do jantar, você se exercitará se desejar. Limitará sua
corrida a um quilômetro. Não mais. Entendido?

Suas mãos subiram mais nos meus ombros. Eu não precisava


mover minha mão entre suas pernas, para saber que estava
molhada. Podia ver a luxúria em seus olhos. Ela nasceu para um
homem como eu.

Não! Para mim.

— Sim, Damian.

Meu Deus. Eram as palavras mais doces já proferidas?

Peguei a sacola descartada. Logo tinha um brownie de


chocolate na minha mão. — Abra a boca! — Ela se abaixou e deu
uma mordida delicada. Sorrindo, eu cutuquei: — Não está bom,
garotinha. Mais.

Ela engoliu o pedaço e mordeu outro maior. Assisti,


finalmente satisfeito, enquanto Risa comia o brownie inteiro.
Peguei o guardanapo limpando gentilmente sua boca.

Nós estávamos nos aproximando. Reconheci que parei de


flertar com a linha entre empregador e empregado. Poderia voltar
atrás e amanhã continuaríamos como éramos.

Eu não queria.

Queria o agora.

Eu queria mais.

307
— Você gostou?

— Estava uma delícia. Muito obrigada por pensar em mim.

— Tão educada. Eu deveria trazer-lhe brownies com mais


frequência.

— Não foi o brownie. Foi estar com você.

Eu pensei em como ela estava confortável no meu colo. Me fez


pensar se ela tinha alguém para controlá-la e protegê-la do jeito
que eu queria. Ciúme não combinava comigo, mas era impotente
para a emoção.

— Por que aceitou tão facilmente, Risa?

Ela desviou o olhar. — Talvez porque seja você. Não parece


certo para você também?

— Parece mais do que certo. Parece perfeito.

Não era um exagero. Risa se sentia muito à vontade. Sua


bunda exuberante pressionava o meu eixo duro perfeitamente.
Como se ela fosse feita para estar bem aqui, no meu colo.

Loucura.

Mais uma vez, seu olhar ameaçou me engolir inteiro.


Estremeceu ao mesmo tempo que, obviamente, tentou se manter
perfeitamente imóvel. Tracei um dedo por sua bochecha macia.

— O fato de eu te dar uma ordem assusta você?

308
Ela balançou a cabeça, boca franzida em um beicinho
adorável.

Dei a ela um olhar severo. — Não funcionará. Quando faço


uma pergunta, você deve me responder com suas palavras.

Ela se empurrou contra mim. — Sinto muito, senhor. Não


repetirei meu erro.

— Melhor não. Eu quero ouvir suas palavras. Agora, diga


para mim.

Ela lambeu os lábios. Se olhasse com intensidade suficiente,


seria capaz de ver a vibração de seu pulso. Eu me concentrei em
seu pescoço e me perguntei qual seria o gosto de sua pele
perfumada.

— Você não me assusta senhor. É só…

— O quê? — Eu cutuquei com um movimento do meu joelho.


Risa me soltou. Colocou as mãos no colo e fechou os punhos. O
sorriso melancólico em seu rosto combinava com sua postura.

— Só não sei o que fazer.

— Fazer? Não há nada para você fazer. Apenas aceite.

— E então o quê? E amanhã? Você irá usar contra mim?

Garota esperta.

Eu corri meus dedos por seu cabelo longo e escuro. —


Provavelmente.

309
— Não seria justo para mim, Damian.

Amei o som do meu nome em seus lábios rosados. Mais do


que deveria.

— Não, não seria. No entanto, muito pouco na vida é justo.

Risa abriu um punho. Colocou-o de volta no meu peito. Eu


podia sentir o quanto lhe custou me tocar agora.

— O que eu te disse na Suíça não mudou. Também estou


atraída por você, Damian. Você é tudo o que penso. Como eu me
visto, falo, até o que eu como está ligado a você. Eu não posso
evitar. Tudo que desejo fazer é te agradar.

Eram as melhores palavras que já ouvi. Risa estava se


oferecendo para mim, em uma bandeja de prata. Tudo o que
precisava fazer era aceitá-la.

— Você quer me agradar?

— Sim — ela suspirou com um olhar de pálpebras pesadas.


— Não consigo me imaginar fazendo mais nada no mundo.

— Mesmo sabendo do meu compromisso com Gretchen?

Seu lindo rosto mudou. Raiva e algo indefinido gravados em


sua testa antes de suavizar. — Eu respeito você e seus desejos,
senhor. Eu não deveria ter dito tanto, mas... — apontou com a mão
sobre o colo. — Eu não conseguia segurar por mais tempo.

Eu ouvi as palavras bloqueadas por dentro. Até a desgraça de


Risa, era para o meu prazer.

310
Encostei meus lábios nos dela. Eles eram tão macios. Mesmo
sem saboreá-la, imaginei que poderia passar horas apenas
beijando-a.

Ela gemeu meu nome. Não demoraria muito para empurrá-la


ao seu limite. Um diabo me cutucou para arrancar seus pedaços,
só para ver o que ela faria em seguida.

Testar. Empurrar nós dois.

Eu lambi seu lábio inferior, antes de sussurrar em sua boca


aberta. — Significa que você me foderia se eu quisesse,
independentemente de Gretchen? Você se tornaria minha
prostituta? Jogaria fora sua honra, dignidade e orgulho só para
fazer sexo comigo? É o que faria para me agradar?

Risa puxou a cabeça para trás. Raiva e choque espelharam-


se em seu olhar. Os minutos se espalharam pelo chão como vidro
quebrado, irrevogavelmente quebrado, para nunca mais se
tornarem inteiros novamente.

Um pedido de desculpas coçava os cantos da minha boca


quanto mais ela me olhava. Eu não podia esperar que entendesse
o motivo de eu ter dito tais palavras. É melhor que sofra agora do
que mais tarde.

Estava destinado a machucá-la, porque eu não era livre.

Mesmo que meu relacionamento com Gretchen fosse apenas


de aparência, mesmo que o status de Risa, como minha

311
funcionária não fosse suficiente para me manter longe dela, havia
a questão do meu legado.

Não importa o quanto eu a quisesse, não podia negar que esta


coisa entre nós não era puramente sexual. Não ficaria contente
com apenas um pouquinho. Queria mais e mais e não poderia estar
na mesa.

Como se ela tivesse ouvido os pensamentos na minha cabeça,


suas lágrimas finalmente se libertaram. Vê-las rolar em suas
bochechas pálidas, torceu a faca contra a minha lógica
desapaixonada. Certamente poderia ter feito algo diferente?

Tinha que haver outra maneira…

— Risa — sussurrei enquanto segurava sua bochecha.

Ela empurrou minha mão para longe. — Maldito seja Damian


Black-Price, por pensar tão mal de mim. Maldito seja pelo que está
fazendo conosco!

Então pulou do meu colo e, desta vez, a soltei. Ela correu para
fora da sala e bateu a pesada porta.

Fui longe demais por nenhuma outra razão, além de ver como
ela reagiria. Não estava orgulhoso dos meus métodos, mas
precisava conhecer a verdade nua e crua.

Risa não era uma prostituta por natureza. No entanto, não


demoraria muito para que ela jogasse fora seu código pessoal por
mim.

312
Não para sexo. Ou dinheiro. Ou poder. Ou ganância. Era algo
muito mais precioso.

Amor.

Eu não podia aceitar. Não importa o quanto desejasse.

Brincaria com Risa, a domesticaria para se que se rendesse


apenas ao meu toque, porém, no final, não daria a ela o que
precisava.

Eu não a amaria.

Não porque ela não era digna do meu amor. Não porque eu
não pudesse me imaginar já meio apaixonado e sim porque não
podia permitir que minha vida acabasse com a dela. Eu não a
deixaria morrer em um beco sujo por minha causa.

Risa foi feita para um outro tipo de homem. Alguém que


cuidaria dela como merecia. Aquele que respeitaria sua confiança
como o presente que era. Alguém que não nasceu de sangue e
silêncio.

Sem dúvida, eu era um sádico desprezível, pois, mesmo


sabendo, ainda não a deixaria ir.

Ainda não.

Talvez nunca.

313
Capítulo 47
Risa
Passei todo o dia de trabalho emocionalmente envolta em gelo.

Toda vez que eu me permitia pensar nas palavras de Damian,


sentia a ferida mortal novamente. Eu não poderia funcionar com o
coração sangrando. Então peguei uma página do manual de
Elaine.

Serena e composta, eu me tornei uma assistente pessoal


perfeita. Nada me afetava. Estava desempenhando perfeitamente o
meu papel. Era o braço direito de Damian. Eu não era real.

Só quando estava sozinha, no banheiro ou no elevador, sentia


as rachaduras em minha calma.

— Você se tornaria minha prostituta? Jogaria fora sua honra,


dignidade e orgulho só para fazer sexo comigo? É o que faria para
me agradar?

Sabia que meu Damian era cruel. Só não sabia o quanto.

314
Depois de deixá-lo, pensei que passaria a noite inteira
chorando no meu travesseiro. Deus sabia que eu chorava por
muito menos.

Pelo contrário, passei com os olhos secos antes de cair em um


sono sem sonhos. Quando a manhã chegou, fiquei tentada a
desligar o alarme e ignorar todos os meus deveres. O pensamento
de Damian entrando no meu quarto foi o suficiente para colocar
meus pés no chão.

Eu não seria capaz de aceitar sua crítica, sua decepção ou


seus insultos.

Sim, Damian me chamou de puta suja, cadela imunda e um


animal de estimação faminto muitas vezes. Nunca me senti
maculada por tais carinhos rudes. Pois eu era sua vagabunda,
vadia e animal de estimação.

Nunca fui sua prostituta. Não como ontem.

Hoje eu estava inatingível. Cumpri minhas tarefas como


esperado, como se nada tivesse mudado. Não me permiti
reconhecer a apresentação física imaculada de Damian, quando
apareceu no café da manhã. Passei sua agenda como se sua boca
não estivesse na minha, escassas horas antes, destilando veneno
na minha alma a cada sílaba.

Eu não reconheci o peso crescente de sua consideração. Não


na cozinha. Nem no elevador ou no carro.

Eu me tornei uma extensão dele. Parte de Damian, nada mais.

315
Nós executamos as numerosas tarefas do dia até o fim.
Voltamos para o seu prédio juntos. Fui para o meu quarto, ele para
o dele.

Mesmo assim, não me permiti quebrar.

Preferi tomar um banho de espuma. Não podia me permitir


pensar na dura injustiça de suas palavras. Meus pensamentos não
tinham liberdade para estremecer no absurdo da minha situação
atual.

— Você se tornaria minha prostituta? Jogaria fora sua honra,


dignidade e orgulho só para fazer sexo comigo? É o que faria para
me agradar?

Não me deixaria atingir. Não esta noite.

Rosada e enrugada, emergi do banho como alguém novo. Eu


me movi pelo meu quarto com propósito determinado. Eu me vesti
com cuidado. Um vestido justo e provocante acentuando minha
cintura fina e quadris arredondados. Prendi meu cabelo. Escureci
meus olhos. Pintei meus lábios de vermelho. Coloquei os sapatos
mais sexies que consegui encontrar.

Desapaixonadamente estudei meu reflexo no espelho. Eu


parecia boa o suficiente para ser fodida e voltar para mais.

Pena, que a temperatura ainda estava fria o bastante para


justificar um casaco. Não importava. O casaco não permaneceria
por muito tempo.

Meu telefone tocou. Ótimo. Meu carro chegou.

316
Abri a porta, imediatamente vi o diabo esperando por mim.

— Você se esqueceu da minha ordem, garotinha?

Eu ignoraria a alegria explodindo em meu coração naquelas


duas maravilhosas palavras.

Eu não era sua garotinha.

Aparentemente, era sua prostituta rejeitada. Não sentiria


nenhuma culpa, pelo que faria esta noite.

— Boa noite, Sr. Black-Price. Espero que aproveite a


apresentação desta noite. Estarei com meu telefone, caso precise
fazer contato. — Meu tom sugeria que eu voltaria para ele.
Possivelmente.

Damian não respondeu. Simplesmente me encarou.

Eu conhecia a expressão, mesmo que ele não esperasse que


eu conhecesse.

Era o olhar de um homem que não hesitaria em jogar sua


garota desobediente, por cima do ombro. Eu não andaria pela trilha
escura serpenteando através da minha imaginação devassa.

Eu era inatingível.

Olhando para ele, dei um aceno impessoal e caminhei pelo


corredor.

— Risa, eu não seria tão arrogante sobre meus desejos se


fosse você.

317
Eu não me incomodei em parar meus passos. Nem me virei.

— Sr. Black-Price, nossa relação é apenas profissional, nada


mais. Minha vida pessoal pertence a mim. Bem como meus hábitos
alimentares. Eu não solicitei sua opinião sobre qualquer um deles.

Eu queria ter carregado um sorriso de satisfação comigo. Não


sentia alegria no desafio. Não senti nada, pois Damian acreditava
que eu não era nada.

Eu daria a ele qualquer coisa, mas não lhe daria a satisfação


da minha submissão.

Não, esta noite.

Não, quando ele não me queria. Não, quando ele poderia me


rejeitar tão cruelmente para ser fiel a uma mulher com quem ele
rompeu, meses antes de entrar na minha vida através de uma
farsa.

Ele exigiu honestidade, que direito tinha quando não podia


ser honesto com nós dois?

Minha decepção com Damian ia além da palavra descuidada


de — prostituta. Minha decepção era porque ele se recusou a
assumir sua atração por mim. Ele me desejava e, como gerações
de homens antes dele, me culpava.

Eu era Eva, a serpente e a maçã. Eu daria a Damian qualquer


coisa, exceto a absolvição por esse pecado.

318
Seus passos seguiram os meus, ficando mais rápidos quanto
mais eu me aproximava do vestíbulo. O cabelo na minha nuca
arrepiou quando o senti a meros passos atrás de mim. Eu não
vacilei, nem traí os arrepios subindo e descendo pela minha
espinha.

Não com o lobo em meus calcanhares.

Fechei a mão na maçaneta da porta. Damian fechou a sua


sobre a minha.

— Risa prefiro trancá-la aqui para sempre, do que deixar você


dar um passo para fora vestida assim.

Seu toque me eletrificou. Recusei-me a sentir. Eu não


reconheceria como meu estômago se apertou, assim como minhas
coxas. O calor acumulado dentro de mim foi ignorado.

— O que há de errado minha roupa?

Esperei que palavras venenosas chovessem sobre mim.


Palavras como vergonha, culpa e prostituta.

— Nada — respondeu suavemente. — Exceto pelo fato de que


você não usou este vestido para mim.

319
Capítulo 48
Risa
Minha respiração ficou presa na garganta.

Damian me puxou lentamente para ele. Senti os sulcos duros


de seu corpo, junto com algo que eu não havia tocado, provado e
adorado por muito tempo.

Fechei meus olhos. Não queria ver minha determinação


desmoronar tão rapidamente. Por que o destino foi tão cruel?
Estava tão perto do objeto do meu afeto e, ainda assim, nada
poderia preencher a distância entre nós.

Não enquanto ele me visse como uma prostituta, no sentido


mais sujo e insultuoso da palavra.

Seus braços fecharam-se a minha volta. Seu cheiro familiar


entrava com cada uma das minhas respirações ofegantes.

— Quero que você fique esta noite.

Quão fácil seria simplesmente desistir? Fácil demais.

320
Mantendo-me rígida e distante, mesmo que seu corpo me
tocasse, cerrei minhas mãos para me impedir de tocá-lo. Tudo
estaria acabado para mim se o fizesse.

— Odeio desapontá-lo, mas tenho planos.

— Cancele-os.

— Simples assim?

— Simples assim.

Sua arrogância não deveria ter me chocado, mas chocou. Ele


realmente acreditava que poderia fazer o que quisesse comigo.

E você ajudou, sempre cedendo.

— Não!

Seus braços se apertaram. Eu me perguntei o que ele faria se


me afastasse. Ele me obrigaria? Para que não pudesse fugir?

O pensamento me excitou obscenamente.

Então, ele abaixou a cabeça e murmurou em meu ouvido: —


Já me castigou o suficiente, não acha?

Oh, caralho! Aquelas palavras foram as mais próximas do


amor que poderíamos conseguir. Amor doentio e distorcido, mesmo
assim amor.

— Eu não sei do que você está falando.

Ele falou. — Mentindo, Risa? Você é melhor que isso.

321
— Eu sei que sou melhor do que ser rotulada de prostituta.

Damian acariciou o lóbulo da minha orelha, antes de beijá-lo.


— Sinto muito. Eu não deveria ter te chamado assim.

Respirei fundo. A porta se distorceu sob o meu olhar vítreo.


Esta não era a minha hora de ser fraca. Deveria ser forte,
obstinada. Minhas palavras saíram mais nítidas como resultado.

— Estranho como você só se desculpa, quando seu pau duro


está pressionado minha bunda. É amnésia temporária? Você sabe,
do tipo que acontece depois de conseguir o que deseja?

— Você foi direto para a jugular, Risa.

A vergonha desfraldou como uma videira farpada. Eu não quis


dizer isso como um golpe descuidado pela situação que ele estava
passando.

Droga! Este não é o tipo de puta que eu quero ser.

— Eu sinto muito. Eu me esqueci de sua condição.

— Minha condição. Educado.

As palmas das mãos de Damian patinaram pelas minhas


coxas. Eu queria ter abotoado meu casaco. O calor do seu toque
atravessou o material fino do meu vestido. Não era a atitude de um
homem que foi abatido pelo meu insulto não intencional.

— O que está fazendo, Damian?

— Cadê o senhor? Eu admito que senti falta o dia todo.

322
— Você já ouve muito no trabalho.

— Verdade. Só não como o seu. Tão suave e carinhoso. Vindo


de você a palavra é como doce.

— E também ruim para sua saúde. Isso me resume.

Eu não sabia que tinha condição de lutar assim. Nunca


agimos assim antes. Provavelmente, porque sempre estive tão
desesperada para conquistá-lo. Através da minha distância,
adoração ou independência.

Eu era uma garota muito idiota, não era?

Meu orgulho estava se recuperando aos trancos e barrancos,


embora meu coração ainda fosse uma contusão sangrenta. Eu não
cederia. Não importa o quanto me sentisse tentada a deixar para
lá.

— Eu sabia que você era doce. Não sabia que era picante
também. Gosto muito.

Não.

Este não era o Damian que eu conhecia antes, ou conhecia


agora. Nenhum dos lados dele jamais tolerou que eu saísse da
linha. Era apenas mais uma das muitas diferenças indesejadas,
com as quais tive que conviver.

— Não diga coisas que não quer dizer.

— Quero dizer cada palavra. — Seus dedos arranharam


levemente, meus quadris. — Quero dizer cada palavra, Risa.

323
Eu saí de seu aperto. Não pensei na enorme decepção que
senti, quando ele me simplesmente me deixou ir.

— Você sempre faz.

— Nem sempre. Principalmente na noite passada.

Eu não reconheci suas palavras. Acenando uma das mãos


descuidadamente sobre a minha cabeça, eu falei: — Boa noite, Sr.
Black-Price. Seu convite está em seu escritório. Talvez, você deva
considerar fazer lances na viagem para as Maldivas. Estou
confiante, que a Sra. Smith gostaria muito. Ela também precisará
de um novo guarda-roupa. Ela é tão clara. Você não gostaria que
sua pele queimasse. Oh! O que estou dizendo? Você sempre cuida
daqueles que lhe pertencem, não é?

— Risa!

O tom cortante significava um aviso que eu ignoraria a minha


própria custa. Eu não prestaria atenção a nenhum deles esta noite.
Não até... até quê?

Até que o faça pagar pelo que fez comigo.

Eu sabia que era dedicada. Só não sabia que era tão


rancorosa.

Nada me impediria de sair esta noite. Não seus gemidos, nem


seus beijos, nada. Damian Black-Price, veria o que realmente era
uma puta, quando tudo fosse dito e feito.

324
Eu sabia exatamente como pegar um homem. Poderia piscar
os olhos, enrolar meu cabelo e lamber meus lábios com os
melhores deles. Eu me encontraria contra uma parede afundada
profundamente em um pau, em minutos. Talvez, quando
terminasse com um, saísse atrás de outro.

Como cheguei aqui?

Fiquei feliz por Damian não poder ver a expressão no meu


rosto neste momento. Eu desistiria de todos os meus segredos, se
ele pudesse. Uma pequena voz sussurrou para mim, quão fora de
controle eu estava.

Você não quer realmente agir assim.

Não! Eu não queria.

Mas faria porque ele não era mais o homem de quem eu me


lembrava. Damian não podia me controlar e eu não pararia. Não
até que substituísse uma dor por outra.

— Um último aviso, Risa.

Que! Porra!

Olhei por cima do meu ombro. A raiva ardente em seu olhar


desmentia a fria indiferença de sua expressão. Emotivo e
masoquista até o âmago, o provoquei.

— Sério? O que você fará? Vai me demitir por sair no meu


tempo livre? Vá em frente. Só quero esclarecer uma coisa. Sairei
esta noite e não sei quando ou se voltarei.

325
Damian me virou. Seus dedos apertaram dolorosamente meu
braço.

— Repita suas ameaças. Vá em frente, Risa. Force a barra.

Ele estava irritado. Ótimo.

— Você me ouviu.

Damian me encarou. Então falou suavemente: — Você me


ignorou hoje. Eu não gostei.

— Pobre bebê. Tenho certeza que a Sra. Smith poderá acalmá-


lo. Na verdade, você está atrasado, não tem tempo de meter o nariz
nos meus negócios...

— Pare de falar! — Damian me aproximou ainda mais,


levantando-me na ponta dos pés. — Você não vai me ignorar. Eu
prometo.

326
Capítulo 49
Damian
Risa me olhou como se eu fosse louco.

Eu estava louco, inflamado, enfurecido e tão excitado que mal


consegui evitar empurrá-la no chão, arrancar aquele maldito
vestido sexy e transar com ela até que nenhum de nós pudesse se
mexer.

Sua beleza me encantou. Seu desafio me escravizou.

A malha de contradições invocou a besta em mim. Exigiu que


eu a domasse.

Ela era minha para vencer.

Minha para manter.

Minha!

Seu olhar escuro, quase negro ameaçou me sugar até secar e


me fazer amá-la. Tudo deu errado a partir da noite de ontem. Risa
me ignorou. Eu deveria ter ficado contente com sua atitude
sensata.

327
Ambos éramos adultos, que acabaram se afundando em
fraqueza. Poderíamos ignorar todo o episódio como se nunca
tivesse acontecido.

Como se eu pudesse esquecer quão perfeita, ela era em meus


braços, no meu colo e na minha boca...

Foi tudo em que consegui pensar hoje.

Cada vez que a via no meu escritório, corredor ou elevador,


lembrava-me de como chegamos perto de colocar todas as
restrições de lado. Eu amaldiçoei minhas regras mil vezes, embora
não conseguisse esquecer o motivo final de ter feito o que fiz.

Eu estava salvando Risa de si mesma e, consequentemente,


de mim.

No entanto, não importava tanto agora.

Senti sua intenção de me substituir, mesmo que por uma


noite. Eu morreria antes de deixá-la sair por esta porta e dar aos
outros, o que pertencia exclusivamente a mim.

Não me importava com o meu compromisso com Gretchen.


Nem com o baile de caridade no qual deveria estar. Não me
importava com minha tentativa de ser um bom homem quando se
tratava desta mulher.

Se eu precisasse iria me trancar em meu quarto com ela e


nunca mais sairia.

328
O perigo girou nas correntes entre nós. Meu autocontrole se
desgastou. Estava muito perto de jogar de lado todas as minhas
promessas e intenções. Poderia torná-la meiga novamente. Poderia
fazê-la querer me agradar tanto, quanto queria agradá-la.

O pulsar em seu pescoço era forte. Sabia que saborearia sua


excitação se me abaixasse para lambê-la.

— O que você está fazendo, Damian?

— Não é óbvio?

Ela estreitou os olhos, então respirou fundo sorrindo


amplamente. Embora eu tivesse visto antes, de repente odiei
aquele sorriso em particular e tudo o que simbolizava no momento.

— Eu preciso ir. Tenho um carro esperando por mim.

— Não mais.

— Como assim?

— Eu o mandei embora. — As palavras tinham um gosto doce.


Elas eram tão agradáveis. E ruins para mim. Era bom. Parecia
controle. Quanto tempo antes de eu cair?

— Você não tem o direito de fazer isso.

A satisfação me deu um sorriso presunçoso. — Eu já fiz.

Risa sacudiu a cabeça. — Não. Você não pode simplesmente


me chamar de prostituta e então agir como se tivesse direito sobre
mim. Não é assim que funciona.

329
— Então me diga como.

Risa torceu o braço, tentando seu máximo para escapar.


Mantive meu aperto até que ela parou. Então levantou a mão como
se quisesse me dar um tapa.

Eu aceitei.

Não porque iria revidar. Não, agradeceria, queria que ela


perdesse o controle. Precisava que perdesse. Qualquer coisa que
não seja esta coisa decepcionada, olhando através de mim.

Na qual ela me via como o homem que mais a desapontou.

Risa soltou a mão e rosnou: — Não deixarei você agir assim


comigo, Damian. Não deixarei você me puxar para o seu mundo
fodido, onde me mantém apenas quando lhe agrada. Cansei de ser
paciente. Você me tem sempre ou não tem nunca.

O hábito ditou minha resposta.

— Você não dita as regras. Eu faço.

Risa engoliu tudo o que teria dito. Virou o rosto, não antes de
eu ver o desejo raivoso queimando sua expressão.

Conhecia a expressão e o que significava porque a sentia todos


os dias desde que percebi que não conseguia lembrar quem esta
garota bonita era para mim.

Suavizei meu aperto, meus dedos acariciando sua pele suave.


Seu corpo tremia sob a minha mão. Ela implorava para ser
domada. Eu ouvia o chamado.

330
— Risa, olhe para mim.

Ela não iria. — Damian...

Eu mal podia ouvi-la. Eu me abaixei.

— O que foi, garotinha? — O carinho saiu da minha língua


com muita facilidade novamente. A chamaria assim mil vezes, se a
fizesse feliz.

— Eu não sou um brinquedo, para você guardar quando ficar


entediado.

— Você nunca me entedia.

— Mas sou um brinquedo para você.

Os pensamentos que causavam estragos em seu cérebro


precisavam que ser interrompidos.

— Sou um homem adulto, Risa. Não brinco com brinquedos.

Bom. Deveria satisfazê-la.

— Então, como você chama? — Ela estendeu a mão pequena.


O calor do seu toque me invadiu. — Por que estou aqui?

— Preciso que você esteja disponível para o trabalho.

Se eu podia ouvir o vazio dessa desculpa, ela também podia.

— Não minta, Damian. Não para mim.

Lá estava novamente. Desapontamento.

331
As coisas estavam ficando fora de controle. Eu precisava
mudar o curso.

— Risa, você esqueceu do jantar? Tenho um chef a caminho.


Por que não jogamos Hookie? Eu cancelo meu evento e você
cancela o seu. Vamos ter uma noite tranquila só nós dois.

— Apenas seja honesto comigo. Por favor.

Cuidadosamente tirei minhas mãos das dela, com medo de


que qualquer movimento mais rápido a quebrasse. Eu não queria
que ela insistisse. Agora não.

Não até descobrir exatamente o que aconteceu comigo e com


meu pai e quem era o responsável. Talvez nem mesmo então.

— Eu não posso.

Risa franziu a testa, obviamente com raiva. — Você não vai.

— É como eu disse Risa. Eu não posso.

Derrotada, ela tirou a mão da minha bochecha. Ficou lá,


olhando para mim como se estivesse tentando memorizar este
momento.

Ou talvez estivesse esperando que eu me arrependesse.

Meu instinto queria corrigir. O que poderia fazer? Uma


mentira a salvaria, onde uma verdade condenaria nós dois.

— Então não há mais nada a dizer, Damian.

332
Palavras me faltaram. Eu não sabia o que era, mas sabia o
que não era.

Ela não era algo para ser quebrado e jogado fora. Risa era o
objeto da minha fixação e carinho. Ambas as coisas eram
igualmente importantes para mim.

Eu não a perderia. Assim não. Não seria substituído. Não por


sua indiferença, nem por suas suposições.

— Diga-me o que mais você quer garotinha. Diga-me e será


seu.

Ela se encolheu, depois puxou os ombros para trás. — Se você


não me mantiver, se não se permitir me escolher, então não pode
me ter.

Inaceitável.

— E eu digo que posso. É que você quer, Risa. Você me quer.


— Eu a peguei com o meu olhar. — A maneira como está vestida é
uma prova.

— Estou vestida para sair. Não para ficar com você.

— Você escolheu esta roupa — deslizei minha mão por sua


cintura — só para me punir.

— E eu digo que é apenas um vestido.

Meu sangue ferveu quando ela se recusou a recuar.

333
— Se sua intenção é me irritar, está tendo sucesso. Se for para
me enganar e fazer com que acredite no que você está dizendo, está
falhando. Diga a verdade. Nem pense em mentir para mim. Tudo
que está fazendo é por eu não ter cedido na noite passada?

Era injusto exigir sua verdade quando não lhe daria a minha.
Embora não desse a mínima. Encontraria seu ponto fraco e o
pressionaria até que ela se submetesse.

A boca de Risa torceu-se em algo triste. — Desistir?

— Sim. Desista. Algo que aprenderá sobre mim é que eu não


desisto. Nunca!

— Estou bastante ciente do fato, Sr. Black-Price.

Decepcionado, soltei-a. — Corte a merda formal. Você não


precisa se esconder nela.

— Assim como você não se esconde atrás de Gretchen.

Eu não podia negar.

Risa marcou um ponto e sabia. Ela se aproximou de mim. Eu


queria puxá-la para mais perto. Quase tanto quanto queria beijá-
la.

— Não há algo, alguma coisa sobre nós que fala com você?
Não há uma parte de você que sente que existe mais para nós?

Sim! Porra sim!

334
Eu não estava ligado a Gretchen. Não por nada mais do que
lembranças passadas e subterfúgios atuais. Poderia aceitar a
doçura que Risa me oferecia.

Eu poderia quebrar minhas regras.

Eu poderia ser diferente.

Eu poderia me arriscar e ficar com Risa. Ela não precisaria


saber de nada. Ela só poderia simplesmente me aceitar como
Damian Black-Price. Eu poderia ser seu amante bilionário que a
estragou impiedosamente.

Podia ser uma boa vida.

Perfeita de fato.

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336
Capítulo 50
Risa
Estranho como quase consegui meu intento.

Podia ver Damian se aproximando da minha linha. Ele me


queria. Punir, domar, amar, não importava. Só sabia que ele estava
vindo por mim.

Damian estava me escolhendo.

Não suas regras. Não o que acreditava ter com Gretchen.

Eu.

A vitória seria doce.

Teria sido, se seu celular não tocasse.

Olhar fixo no meu, Damian levou a mão ao bolso pegando-o.


O telefone parou então tocou novamente.

De novo e de novo.

Nenhum de nós iria falar, especialmente com a minha


pergunta pairando no ar.

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Finalmente, Damian tomou sua decisão. Atendeu ao telefone
com um breve — O quê? — Silêncio e depois: — Gretchen deveria
esperar que eu fosse buscá-la.

Minha boca curvou-se em um sorriso amargo cheio de


arrependimento. Eu aprendi muito tarde. Nada mudou. Era
sempre a mesma coisa.

Lembranças daquela data longínqua em que vi Gretchen pela


primeira vez na primeira noite em que dormi com Damian e perdi
minha alma.

Nós estávamos condenadas a sempre esperar por este


homem. Mariposas pairando na chama fria de seu coração,
esperando que ele nos ame, que se lembre de nós, nos perca.

Amar Damian era dor e prazer. Quanto mais dor eu sofria,


maior a recompensa.

Eu queria reconquistá-lo, porém, a que custo?

Alguém tem que ceder.

Aproveitando-me de sua distração, abri a porta e saí. Foi


pouco melhor que a noite em que o deixei da última vez. Pelo menos
desta vez, não fui covarde. Eu falei do meu coração. Pena para
mim, que ele não soube responder da mesma maneira.

— Risa!

Eu continuei. Talvez, ele me alcançasse no elevador privativo.


Talvez então, me pegasse e me jogasse em sua cama. Talvez,

338
houvesse uma seringa cheia com uma canção de ninar incolor.
Talvez, eu acordasse longe daqui, presa por sua arrogância e
minha teimosia.

Por favor. Vamos fazer tudo de novo. Prometo acertar desta vez.
Eu juro.

Damian me alcançou, no momento em que as portas se


abriram. Gretchen e Leon estavam lá, lindos como uma pintura.
Fogo e o sol. Perfeito.

Eles saíram. Nós quatro ficamos no saguão, em silêncio e


esperando.

Sempre esperando.

— É como a vida, garotinha. Dói no começo, mas depois vale a


pena.

O curso de Damian e Risa foi alterado para sempre na noite


fatídica em que ele quase morreu. Não podíamos voltar. Não
podíamos recapturar quem éramos.

Não importava o quanto eu desejasse, não importava quão


perfeita tentasse ser, não poderia mudar o rumo das coisas.

Meu tornozelo latejava com a sensação fantasmagórica de


uma corrente que nunca mais estaria lá. Fechei meus olhos,
sentindo o peso de sua perda me esmagar.

Alguém tem que ceder.

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Endireitei meus ombros, passei meu olhar por todos eles. —
Estou saindo. Por favor, aproveitem sua noite.

— Risa, não se atreva! — Damian explodiu, indiferente ao


nosso público.

Desviei de Leon e apertei o botão. Os elevadores se abriram


com um assobio bem-educado. Entrei e me virei.

Damian lançou-se para mim, apenas para ter Leon


bloqueando seu caminho.

— Que porra você pensa que está fazendo?

Leon rompeu com a tradição e falou em inglês. — Você tem


que deixá-la ir.

Recebi a mensagem em alto e bom som. Especialmente,


considerando-se que Damian poderia facilmente se libertar do
guarda-costas loiro.

Ele não se livrou de Leon. Simplesmente, me viu sair. Uma


coisa que jamais faria antes. As portas se fecharam. Fiquei de pé
na tempestade do meu inverno emocional.

— Porque eu quero um para sempre com você, Risa.

Queria acreditar que as palavras ainda eram verdadeiras.


Queria acreditar nelas, embora Damian tivesse me deixado ir.

Saí do prédio e entrei num mundo, onde estava livre para ir


aonde quisesse.

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Ninguém me impediria de dormir com o primeiro homem, que
me faria esquecer, pelo menos temporariamente, quem eu havia
perdido.

Ninguém me impediria de embarcar em um avião e fugir desta


loucura.

Ninguém me impediria de fazer nada.

Minha mão passou pelo meu coração. Estava certa há muito


tempo, na primeira noite. Aprendi a ser amiga da dor.

E agora?

Fim
Por Enquanto!

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